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BrJP

Print version ISSN 2595-0118On-line version ISSN 2595-3192

BrJP vol.3 no.2 São Paulo Jan./Mar. 2020  Epub June 08, 2020

http://dx.doi.org/10.5935/2595-0118.20200028 

ARTIGO DE REVISÃO

A espiritualidade no enfrentamento da dor em pacientes oncológicos: revisão sistemática

Sharon Shyrley Weyll Oliveira1  2 
http://orcid.org/0000-0002-3388-9710

Rayzza Santos Vasconcelos3  4 
http://orcid.org/0000-0001-9276-3731

Verônica Rabelo Santana Amaral4 
http://orcid.org/0000-0003-1657-0254

Katia Nunes Sá2 
http://orcid.org/0000-0002-0255-4379

1Universidade Estadual de Santa Cruz, Departamento de Ciências da Saúde, Ilhéus, BA, Brasil.

2Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde Humana, Salvador, BA, Brasil.

3Universidade Estadual de Santa Cruz, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Ilhéus, BA, Brasil.

4Universidade Federal do Sul da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Itabuna, BA, Brasil.


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:

A relação entre espiritualidade e enfrentamento do câncer ainda é um desafio para o cuidado integral em saúde. Portanto, é necessário analisar se o nível de espiritualidade interfere diretamente nos marcadores clínicos, como na intensidade da dor em pessoas com câncer. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação da espiritualidade com o enfrentamento da dor e as estratégias utilizadas em pacientes adultos oncológicos.

CONTEÚDO:

Trata-se de uma revisão sistemática, com registro na base International Prospective Register of Systematic Reviews: CRD42018108835. A busca foi realizada nas bases: Pubmed, Medline, LILACS, Scielo e ScienceDirect até maio de 2019, disponíveis em todos os idiomas. A estratégia de pesquisa foi definida para o banco de dados Pubmed como um parâmetro: (neoplasms or cancer) AND (spirituality) AND (pain). Foram estudados adultos com neoplasias, de ambos os sexos, que enfrentam a dor. Os estudos que não abordaram a dor associada à espiritualidade foram excluídos. Foram encontrados 588 estudos, sendo 13 elegíveis. Entre esses, nove estudos mostraram que a espiritualidade contribuiu no enfrentamento positivo da dor. Com relação ao nível de espiritualidade, o maior bem-estar espiritual esteve associado com menor intensidade da dor em três estudos. As estratégias espirituais utilizadas foram, mindfulness, meditação, relaxamento, oração, suporte de líderes e membros religiosos.

CONCLUSÃO:

Apesar dos poucos estudos encontrados, os achados ampliam o conhecimento sobre a relação positiva da espiritualidade com o enfrentamento da dor e evidencia as estratégias espirituais para o manejo dessa condição de saúde em pacientes oncológicos.

Descritores: Dor do câncer; Espiritualidade; Neoplasias

ABSTRACT

BACKGROUND AND OBJECTIVES:

The relationship between spirituality and cancer coping is still a challenge for comprehensive health care. Therefore, it is necessary to analyze whether the level of spirituality directly interferes with clinical markers, such as pain intensity in people with cancer. The present study aims to investigate the relationship between spirituality and pain coping and the strategies used in adult cancer patients.

CONTENTS:

This is a systematic review, registered in the International Prospective Register of Systematic Reviews: CRD42018108835. The search was performed in Pubmed, Medline, LILACS, Scielo, and ScienceDirect databases until May 2019, available in all languages. The search strategy was defined for the PubMed database as a parameter: (neoplasms or cancer) AND (spirituality) AND (pain). Adults patients with cancer of both genders who faced pain were studied. Studies that did not address the pain associated with spirituality were excluded. Of the 588 studies found, 13 were eligible. Among these, nine studies showed that spirituality contributes to positive pain coping. Regarding the level of spirituality, higher spiritual well-being was associated with lower pain intensity in three studies. The spiritual strategies used were mindfulness, meditation, relaxation, prayer, support from religious leaders and members.

CONCLUSION:

Despite the few studies found, the findings broaden the knowledge about the positive relationship between spirituality and pain coping and underline the spiritual strategies for the management of this health condition in cancer patients.

Keywords: Cancer Pain; Neoplasms; Spirituality

INTRODUÇÃO

As neoplasias representam a segunda causa de mortalidade no Brasil, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares1. Para as pessoas com câncer, o desafio se inicia no diagnóstico, em que emergem sentimentos negativos, medo, ansiedade, depressão, desesperança e agressividade, sendo necessária a redução da sobrecarga emocional, com estratégias de enfrentamento, para obter o reequilíbrio psíquico2,3.

Enfrentamento é um processo por meio do qual o indivíduo administra as demandas da relação pessoa-ambiente avaliadas como estressantes e as emoções que elas geram, sendo classificado em enfrentamento centrado no problema e na emoção, embora, muitas vezes, ocorram simultaneamente, podendo ser mutuamente facilitadores4. Dentre as estratégias de enfrentamento é comum que os pacientes com câncer adotem as religiosas e espirituais para lidar com o estresse, na tentativa de aliviar o sofrimento e melhorar a esperança5,6.

Embora distintos, a espiritualidade e a religiosidade estão interligadas, pois a espiritualidade consiste na busca do ser humano pelo significado da vida, contemplando os aspectos ligados à natureza, à cultura, à sociedade, dentre outros. Já a religiosidade se caracteriza pelo segmento de normas e princípios doutrinários definidos por uma entidade, com atitudes de devoção, crença e esforço para viver religiosamente7.

A espiritualidade auxilia as pessoas em condições de vulnerabilidade a sobreviver com a dor e as situações cotidianas, mediante a ressignificação das experiências que vivem8. Assim, o cuidado espiritual permite aliviar a dor do câncer, que apesar de ser um sintoma físico, engloba outras dimensões, e seu tratamento eficaz não se limita à terapia farmacológica. Diversos estudos contemporâneos têm confirmado que a espiritualidade é um fator determinante da saúde dessa população9-11.

Os pacientes oncológicos, frequentemente, têm dor intensa, multifatorial, associada ao tumor, aos fármacos e à existência de condições dolorosas prévias. A espiritualidade influencia a capacidade de resiliência para enfrentar o processo de adoecimento/morte e tratamento12. Contudo, a relação entre espiritualidade e enfrentamento do câncer ainda é um desafio para o cuidado integral em saúde, motivo pelo qual é necessário analisar se o nível de espiritualidade interfere diretamente nos marcadores clínicos, como a intensidade da dor.

As questões norteadoras desta pesquisa foram: a espiritualidade se apresenta como uma forma de enfrentamento da dor em adultos em tratamento oncológico? Níveis diferentes de espiritualidade influenciam a intensidade da dor? Quais as estratégias espirituais são eleitas?

Portanto, este estudo teve como objetivo analisar a relação da espiritualidade com o enfrentamento da dor e identificar as estratégias utilizadas em pacientes adultos oncológicos.

CONTEÚDO

Estudo realizado de acordo com as diretrizes delineadas pelo PRISMA. O seu protocolo foi registrado na base International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO): CRD42018108835. Foi adotada a estratégia Problema-Exposição-Comparador-Outcome/Desfecho de Interesse (PECO) para coleta e análise dos dados.

As buscas por artigos foram nas bases de dados Pubmed, Medline, LILACS, Scielo e ScienceDirect até maio de 2019, disponíveis em todos os idiomas. A estratégia de pesquisa foi definida para o banco de dados Pubmed como um parâmetro para os outros bancos de dados pesquisados. Logo, a estratégia de busca para o Pubmed: (neoplasms or cancer) AND (spirituality) AND (pain).

A princípio elegeu-se como critério os ensaios clínicos, em virtude da baixa quantidade de artigos localizados com esse delineamento, optou-se por incluir estudos observacionais e os critérios de elegibilidade foram: relatos de casos; estudo clínico; ensaio clínico; ensaio clínico, fase I; ensaio clínico, fase II; ensaio clínico, fase III; ensaio clínico, fase IV; estudo comparativo; ensaio clínico controlado; estudo multicêntrico; estudo observacional e ensaio clínico pragmático. Foram estudados adultos maiores de 18 anos, de ambos os sexos, com neoplasias e que enfrentam dor. Estudos que não abordaram a dor associada à espiritualidade foram excluídos.

Seleção dos artigos

Duas pesquisadoras realizaram, de forma independente, a busca nas bases de dados e, seguindo os critérios propostos, selecionaram os artigos. Inicialmente, a seleção foi baseada na leitura dos títulos e resumos, utilizando um método padronizado de planilha; em um segundo momento, foi realizada a leitura do texto completo; e, posteriormente, procedeu-se a avaliação da qualidade metodológica. No final de cada etapa, as revisoras reuniram-se e submeteram seus resultados à comparação. As discrepâncias foram discutidas e, nos casos em que as discrepâncias não foram resolvidas, uma terceira revisora foi consultada para esclarecer dúvidas.

Avaliação da qualidade metodológica

Para a avaliação da qualidade metodológica, duas revisoras, independentemente, utilizaram o instrumento desenvolvido por Loney para estudos transversais; os critérios de qualidade definidos por autores13 para relato de caso; a Escala Newcastle-Ottawa (ENO) para estudos de coorte; o check-list proposto por Downs e Black para ensaios clínicos randomizados e não randomizados14,15.

A avaliação dos estudos transversais consistiu nos itens amostra, fonte de amostragem, tamanho da amostra, mensuração do desfecho, entrevistador imparcial, taxa de resposta, prevalência com IC95% e participantes semelhantes, na qual cada item adequado recebe um ponto13. Foram considerados de alta qualidade metodológica estudos entre sete e oito pontos, moderada qualidade aqueles com quatro a seis pontos, e baixa qualidade com zero a três pontos. A ENO composta por oito itens e três dimensões - seleção, comparabilidade e desfecho, foi desenvolvida por Wells para avaliar estudos de coorte e caso-controle. A pontuação total pode variar de zero a nove estrelas, em que uma estrela corresponde a um ponto; sendo que, duas estrelas podem ser atribuídas na dimensão comparabilidade. Estudos entre seis e nove pontos foram considerados de alta qualidade metodológica, quatro e cinco pontos com moderada qualidade e menor que quatro pontos com baixa qualidade16-18.

O check-list para ensaios clínicos randomizados e não randomizados é constituído de 27 itens com os domínios relato, validade externa, viés, viés de seleção e poder, sendo que cada item pontua zero ou um, exceto o item cinco que pode ser pontuado com zero, um ou dois. Os estudos com pontuação igual ou superior a 20, foram considerados de alta qualidade, 15 a 19 de moderada qualidade e inferior ou igual a 14 pontos de baixa qualidade14,15.

A avaliação dos relatos de casos foi baseada nos oito itens propostos19. Os itens envolvem diagnóstico, consentimento, aprovação de comitê de ética, detalhes da intervenção, desfechos clínicos relevantes, percepção do paciente, riscos associados, critérios de elegibilidade. Cada item recebeu um ponto quando atendido, que são estratificados em pontos de corte iguais aos de estudos transversais em alta, média e baixa qualidade metodológica. As pontuações obtidas nos instrumentos não foram utilizadas como critério de exclusão dos artigos, mas como indicadores da qualidade metodológica dos estudos.

Características dos estudos

O processo de busca e a identificação dos estudos relevantes estão resumidos na figura 1. A estratégia de busca eletrônica recuperou 588 estudos. Desses, 512 foram excluídos após a leitura do título e resumo por não atenderem aos critérios de elegibilidade, e oito por estarem duplicados. Assim, foi realizada a análise na íntegra de 68 estudos, e desse processo, 13 estudos20-32 satisfizeram os critérios de elegibilidade para serem incluídos na revisão.

Figura 1 Fluxograma das etapas da revisão sistemática recomendada pelo PRISMA 

Os 13 artigos incluídos foram publicados no período de 2007 a 2018, com maior frequência entre 2012 a 2018. Houve maior concentração de estudos nos Estados Unidos20,23-26. O tamanho da amostra variou entre 1 e 883 participantes. As médias das idades foram de 43 a 65 anos; em nove estudos20,23-25,27-30,32 onde os participantes foram homens e mulheres, e nos demais somente mulheres. Em relação ao delineamento, nove estudos são transversais23-26,28-32; dois são ensaios clínico22,27; um é estudo de caso21 e dois são estudos de coorte20,28. Quanto ao local de seleção dos participantes, a maioria foi selecionada em hospital22,25,27-30,32. As características desses estudos encontram-se na tabela 1.

Tabela 1 Caracterização dos estudos incluídos na revisão sistemática 

Autores País População Delineamento Local de seleção da amostra
n Idade média (anos) Sexo
Edman et al.20 USA 353 55 F-76,4%
M-23,6%
Coorte Centro de Medicina Integrativa
Silva et al.21 Brasil 1 43 F-100% Relato de caso Domicílio
Jafari et al.22 Irã 65 47,9 F-100% Ensaio clínico controlado randomizado Hospital de referência em Câncer
Rabow e Knish23 USA 883 65,6 F-54,1%
M-45,8%
Transversal Centro de cuidados a pacientes com câncer
Buck e Meghani24 USA 42 57,5 F-52%
M-48%
Transversal -
Bai et al.25 USA 102 55,2 F-90%
M-100%
Transversal Hospital e Centro de Câncer
Zavala et al.26 USA 86 -. M-100% Transversal Programa de apoio
Ando et al.27 Japão 28 60 F-85,7%
M-14,3%
Ensaio clínico não randomizado Hospital Geral
Visser, de Jager Meezenbroek e Garssen28 Holanda 660 (E1*
59)
(E2** 59)
E1*
F-78%
M-22%
E2**
F-73%
M-27%
E1* transversal
E2**longitudinal
Hospital e Instituição de Radioterapia
Mystakidou et al.29 Grécia 63,3 F-42,7%
M-57,3%
Transversal Hospital - Unidade de Cuidados Paliativos
Jagannathan e Juvva30 Índia 80 - F-16,7%
M-83,3%
Transversal Hospital do Câncer - Enfermaria
Furlan et al.31 Brasil 3 55 F-100% Transversal Município Manoel Ribas - PR
Gielen, Bhatnagar e Chaturvedi32 Índia 300 - F-48,3%
M-50,7%
Transversal Hospital - Clínica de dor

*Estudo 1

**Estudo 2

USA = Estados Unidos; F = Feminino; M = Masculino; PR = Paraná.

Dentre os estudos avaliados pelo instrumento proposto por Loney, quatro26,28,29,32 alcançaram moderada qualidade metodológica; cinco23-25,30,31 obtiveram baixa qualidade. Quanto aos estudos analisados pela ENO, os dois25,28 apresentaram moderada qualidade. Os ensaios clínicos22,27 avaliados pelo check-list de Downs e Black apresentaram qualidade metodológica baixa e moderada (Tabela 2). O instrumento mais utilizado para mensurar a espiritualidade foi o Functional Assessment of Chronic Illness Therapy - Spiritual Well-Being - FACIT-Sp22,25-27, e para avaliar a dor foi a escala numérica20,27,32. Uma entrevista semiestruturada foi utilizada para avaliar tanto a espiritualidade quanto a dor em três estudos24,30,31 (Tabela 2).

Tabela 2 Instrumentos e avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos 

Autores Instrumentos Avaliação
metodológica
Dor Espiritualidade
Edman et al.20 Escala numérica Perguntas norteadoras 5 / 9 -
moderada
Silva et al.21 Escala analógica visual Não utilizou 3/8 - baixa
Jafari et al.22 QLQ-C30 FACIT - Sp 15 / 28 -
moderada
Rabow e Knish23 Assessment System Are You at Peace? 3 / 8 - baixa
Buck e Meghani24 Entrevista semiestruturada 2 / 8 - baixa
Bai et al.25 Inventário Breve de dor FACIT - Sp 3 / 8 - baixa
Zavala et al.26 SF-12 FACIT - Sp 5 / 8 -
moderada
Ando et al.27 Escala numérica FACIT - Sp 13 / 28 - baixa
Visser, de Jager Meezenbroek e Garssen28 Escala analógica visual e QLQ-30 SAIL E1* 4 / 8 -
moderada
E2** 5 / 9 - moderada
Mystakidou et al.29 BPI SIBS 4 / 8 -
moderada
Jagannathan e Juvva30 Entrevista semiestruturada 1 / 8 - baixa
Furlan et al.31 Entrevista semiestruturada 3 / 8 - baixa
Gielen, Bhatnagar e Chaturvedi32 Escala numérica Spirituality quest. Indian Palliat. Care Patients 5 / 8 -
moderada

*Estudo 1

**Estudo 2

SF-12 = Short-Form Haelth Survei; FACIT - Sp = Functional Assessment of Chronic ILLness Therapy - Spiritual Well -Being; QLQ-30 = Quality of Life Questionnaire-C30; SAIL = Spiritual Attitude and Involvement List; SIBS = Spiritual Involvement and Beliefs Scale; BPI = Brief Pain Inventory.

A relação da espiritualidade com dor foi significativa em seis estudos22,23,25-27,32. Nove estudos21-23,25-28,31,32 mostraram que a espiritualidade contribui no enfrentamento positivo da dor. Apenas um29 buscou correlações entre espiritualidade e dor, porém sem resultados significativos. Três estudos20,24,30 sugeriram que o perfil dos pacientes oncológicos com dor que buscam a espiritualidade se relaciona mais com a classe social e etnia (Tabela 3).

Tabela 3 Descrição dos principais achados dos estudos identificados na revisão sistemática 

Autores Resultados Estratégias espirituais
Edman et al.20 A dor média foi mais encontrada em pacientes com câncer que buscaram a espiritualidade do que os que não buscaram esse cuidado. ---
Silva et al.21 A espiritualidade foi primordial para o enfrentamento positivo da dor. Leitura compartilhada da palavra de Deus (Bíblia), culto e hinos de louvor.
Jafari et al.22 A participação no programa de terapia espiritual está associada a melhor enfrentamento da dor. Relaxamento e meditação, realizado por curandeiros espirituais.
Rabow e Knish23 O bem-estar espiritual elevado auxilia no enfrentamento da dor. Orientações para o bem-estar espiritual.
Buck e Meghani24 O uso da espiritualidade no enfrentamento da dor é prevalente nas etnias afro-americana e branca. ---
Bai et al.25 A espiritualidade está associada ao melhor enfrentamento da dor. ---
Zavala et al.26 Altos níveis de fé combinados com um alto senso de paz e significado resultaram em melhor enfrentamento da dor. ---
Ando et al.27 O bem-estar espiritual está associado ao enfrentamento da dor. Meditação (mindfulness).
Visser, de Jager Meezenbroek e Garssen28 Os pacientes enfrentaram a dor através da espiritualidade de forma moderada. ---
Mystakidou et al.29 Não houve correlação entre espiritualidade e dor. ---
Jagannathan e Juvva30 Os pacientes apresentaram fé firme no médico, e a estratégia de oração e meditação foi utilizada pela população com menor renda. Oração, meditação e manter a fé no médico.
Furlan et al.31 Pacientes utilizaram a espiritualidade para o enfrentamento positivo da dor. Conselhos de membros e líderes religiosos e oração.
Gielen, Bhatnagar e Chaturvedi32 A espiritualidade é um bom mecanismo de enfrentamento da dor. ---

Devido à heterogeneidade dos dados, não foi possível realizar análises quantitativas dos estudos. Com relação ao nível de espiritualidade, o maior bem-estar espiritual esteve associado com menor intensidade da dor em três estudos23,26,27. A redução na intensidade da dor medida quantitativamente por meio da escala analógica visual (EAV) foi evidenciada somente em um estudo21. Os dois estudos experimentais22,27 foram direcionados para evidenciar se o tipo de estratégia espiritual utilizada seria efetiva na redução da intensidade da dor, apontando que os programas de mindfulness e de Terapia Espiritual composto por meditação e relaxamento foram estratégias que promoveram alívio da dor.

Nesta sumarização dos dados da literatura sobre a relação da espiritualidade com o enfrentamento da dor em pacientes oncológicos buscou-se analisar as estratégias espirituais com evidências para o manejo da dor nessa condição de saúde. Foi encontrado que poucos estudos preenchem essa lacuna, sendo a maior parte deles com delineamento transversal e de baixa a moderada qualidade metodológica. No entanto, a maior parte dos autores admite que as estratégias espirituais positivas tenham efeito benéfico no controle da dor em pacientes oncológicos.

Apenas três estudos demonstraram diferenças estatísticas entre grupos que usam estratégias espirituais e os que apenas adotam condutas biomédicas. A falta de homogeneidade dos estudos impediu a avaliação do fator por meio de uma metanálise. No entanto, a maior parte dos estudos no tema ainda está na fase observacional. É necessário avançar para ensaios clínicos que possam testar hipóteses de modo controlado. Os poucos achados, até o momento, apontam para resultados promissores para a recomendação de sua indicação nos serviços de saúde para além das instituições de cunho religioso. Práticas meditativas e técnicas de relaxamento corporal têm sido adotadas com resultados positivos9,27,33, ainda que careçam de padronização metodológica.

A classe social e a etnia parecem influenciar a escolha pelo uso de estratégias espirituais para enfrentar a dor nessa condição de saúde. Grupos afrodescendentes têm uma cultura rica de ritos e práticas espirituais24,34. No entanto, a falta de escolaridade, os fatores socioeconomicos e a falta de outros recursos como a ausência de analgésicos mais potentes pelo alto custo, leva essas pessoas a buscar estratégias espirituais como única alternativa. De todo modo, vale ressaltar que a falta de alternativas pode justamente levar pessoas com dor oncológica ao encontro de um recurso efetivo para lidar com o problema.

As estratégias espirituais como práticas meditativas e de relaxamento são cada vez mais frequentes nos sistemas de saúde contemporâneos. Entretanto, as pessoas com menos escolaridade e com condições socioeconomicas desfavoráveis não têm conhecimento desses tipos de serviço30,35. Sabe-se que a prática espiritual está relacionada a respostas fisiológicas no eixo hipotálamo-pituitária-adrenocortical, por meio da redução do hormônio adrenocorticotrófico e cortisol, e consequentemente diminuição do estresse, que pode estar relacionado à dor36.

A escolha por praticar uma atividade espiritual é muito pessoal e está relacionada ao sistema de crenças, valores, costumes, comportamentos e atitudes socioculturais37. Ao comparar os pacientes com câncer que buscaram a medicina integrativa e a inclusão de práticas espirituais como parte do tratamento com os que não desejaram esse aspecto do cuidado, foi verificado que os pacientes que buscaram o serviço pela questão espiritual tinham mais dor, depressão e estresse do que o outro grupo20. É possível que, enquanto a dor está no limite do controle com outras abordagens, a espiritualidade seja desconsiderada, só entrando no rol das escolhas, quando a situação já está fora do controle.

O estágio clínico avançado no câncer ocasiona conflitos espirituais38, o que leva naturalmente à busca da espiritualidade para aliviar essa sensação e melhorar a qualidade de vida39. As estratégias de enfrentamento espiritual têm sido apontadas como benéficas para pessoas com dor, sendo associadas a uma maior tolerância, melhor humor e bem-estar40. Os resultados do presente estudo confirmam a hipótese de que as práticas espirituais se vinculam à busca de soluções no adoecimento, na tentativa de aliviar o sofrimento gerado pela doença, que podem estar baseadas nas suas crenças, independentemente da religião; eles consideram que essas estratégias são de uso cotidiano, como ir à igreja, se apoiar na família e amigos, rezar, ler a Bíblia, entre outras41.

Infelizmente, muitos estudos que abordam o tema apresentam um típico conflito de interesse de ser realizados por praticantes e líderes de uma religião ou filosofia específica. A leitura de textos de cunho religioso sobre a “palavra de Deus” ou hinos e cultos específicos podem gerar resistência por parte de pacientes descrentes ou pertencentes a outro sistema de crenças. Muitos dogmas podem entrar em choque. Por isso, a espiritualidade não deve ser tratada como sinônimo de religião. A religião é dogmática, porém, aspectos como otimismo, esperança, resiliência, aceitação, entre outros, são mais relacionados com altos níveis de espiritualidade42. Estados superiores de espiritualidade podem ser obtidos tanto em caminhos religiosos como em práticas de espiritualidade43,44.

Explorando a relação do enfrentamento da dor por meio da espiritualidade, importantes estratégias espirituais foram reveladas, sendo as principais a meditação e as técnicas de relaxamento. Estratégias espirituais referem-se a atividades que buscam fortalecer o significado da vida, a fé ou componentes existenciais, a paz consigo mesmo e com os outros45. Os pacientes recorrem a práticas diferentes conforme a necessidade, entretanto, percebe-se que a atenção plena, meditação e oração são os tipos mais utilizados para trazer o sentimento de conforto e força46.

A meditação é uma estratégia eficaz, em situações estressantes, como o diagnóstico e tratamento do câncer. Dentre as várias técnicas, destaca-se a mindfulness que busca a concentração em um ponto de referência por meio da respiração, movimentos, sensações corporais ou mantras47. Um ensaio clínico não randomizado demonstrou que o uso dessa meditação foi uma estratégia benéfica para aumentar o bem-estar espiritual e reduzir a intensidade da dor22. Além da própria meditação, técnicas de relaxamento também foram eficazes no controle da dor em mulheres mastectomizadas22. A ausência de quantificação da dor no referido estudo gera ausência de evidências. Por isso, mais estudos devem ser conduzidos para promover o respaldo necessário para a incorporação dessa prática pelas equipes de saúde.

Pacientes com câncer submetidas à mastectomia recorreram ao suporte de líderes e membros religiosos em um dos estudos selecionados31. A fé firme no médico, a estratégia de oração e a meditação foram utilizadas pela população da Índia com menor renda e, aqueles com maior renda seguiam com o tratamento convencional com o uso dos fármacos30. É provável que a crença pessoal em um ente externo, seja ele o médico ou Deus, possa favorecer os processos auto-reguladores48.

A dor é um sintoma físico comum em pacientes oncológicos, que pode ultrapassar para a dimensão psicossocial. O tratamento tradicional consiste no uso de fármacos analgésicos e opioides para aliviar os sintomas físicos, embora os conflitos psicológicos sejam capazes de interferir no controle da dor38. A intensidade da dor é maior em pacientes oncológicos angustiados quando comparados aos pacientes que confiam no futuro e em Deus, corroborando que a espiritualidade é um bom mecanismo de enfrentamento da dor32.

No relato de caso analisado21, cujo objetivo foi apresentar a integração dos aspectos espirituais ao processo de saúde e doença de uma paciente do sexo feminino, com câncer de pâncreas, evangélica e ex-mãe de santo por 27 anos, percebeu-se que com o uso de analgésicos, juntamente com a leitura da bíblia, oração e meditação influenciaram na redução da dor. A intensidade foi reduzida do nível sete a nove para o nível zero após o acompanhamento, embora, a dor tenha retornado influenciada pelo caráter crônico da doença e pela existência de conflitos espirituais e familiares, após a assistência espiritual por uma equipe multiprofissional. Ainda assim, a dor se manteve controlada e, posteriormente a paciente foi a óbito de forma tranquila e calma. Embora um estudo de caso não contribua com as evidências, eles são importantes como estudos exploratórios iniciais que podem apontar caminhos para estudos prospectivos. De todo modo, esse caso representa mais uma confirmação do impacto da espiritualidade na dor de pacientes oncológicos.

A limitação importante apontada na presente revisão direciona-se para a baixa quantidade de estudos científicos acerca da temática envolvendo espiritualidade e dor em pacientes oncológicos. Além disso, a qualidade metodológica da maioria dos estudos foi considerada baixa. Conquanto, vale ressaltar que a revisão seguiu a rigor as recomendações atuais para a elaboração de revisões sistemáticas, as quais subsidiaram a robustez dos resultados. É importante a realização de novos estudos com delineamento experimental e amostras representativas para a investigação do efeito da espiritualidade na dor de pacientes oncológicos.

CONCLUSÃO

O presente estudo ampliou o conhecimento sobre a relação da espiritualidade com o tratamento de dor em pacientes oncológicos, encorajando os pacientes, profissionais de saúde, cuidadores e familiares a adotarem estratégias espirituais.

REFERENCES

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Recebido: 01 de Outubro de 2019; Aceito: 15 de Março de 2020

Endereço para correspondência: Sharon Shyrley Weyll Oliveira, Univ. Estadual de Santa Cruz - Departamento de Ciências da Saúde-Campus Soane Nazaré de Andrade, Rod. Jorge Amado, Km 16 - Salobrinho, 45662-900 Ilhéus, BA, Brasil. E-mail: sharonweyll@gmail.com

Conflito de interesses: não há - Fontes de fomento: não há.

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