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PRESS RELEASE

BEZERRA, Vera Lúcia V. A. et al. Aleitamento materno exclusivo e fatores associados a sua interrupção precoce: estudo comparativo entre 1999 e 2008. Rev. paul. pediatr. [online]. 2012, vol.30, n.2, pp. 173-179. ISSN 0103-0582.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000200004.



 

Aleitamento materno exclusivo e fatores associados a sua interrupção precoce

 

 

Um dos destaques da Revista Paulista de Pediatria de junho de 2012 é o artigo de autoria de Vera Lúcia Vilar de Araújo Bezerra e colaboradores que analisaram os indicadores do aleitamento materno exclusivo em um hospital público terciário na capital do País nos anos de 1999 e 2008 e identificaram fatores associados à interrupção precoce do mesmo.

Conforme explicam os autores do trabalho, a prática do aleitamento materno constitui uma das medidas necessárias para a saúde e para o desenvolvimento da criança nos primeiros meses de vida. Pesquisas nacionais, incluindo o conjunto das capitais brasileiras e o Distrito Federal, relataram aumento dos indicadores da amamentação entre os anos 1999 e 2008, com incremento da duração mediana do aleitamento materno exclusivo (AME) de 23,4 para 54,1 dias e a duração mediana do aleitamento materno de 295,9 para 341,6 dias. Contudo, observa-se que, apesar dessa melhora significativa, estes valores ainda se mostram distantes das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde (AME até os seis meses de idade), em grande parte devido à heterogeneidade na prática da amamentação entre as regiões e capitais federais. Nesse contexto, o estudo realizado no Hospital Universitário de Brasília (HUB), Universidade de Brasília (DF), teve como objetivo analisar, nos anos de 1999 e 2008, o comportamento dos indicadores da prática de amamentação exclusiva e sua prevalência no hospital citado, bem como sua associação a fatores demográficos e clínicos que sejam significativos para sua interrupção precoce.

"A alimentação adequada desde o nascimento é importante para o crescimento e desenvolvimento da criança, previne distúrbios nutricionais e metabólicos em idades mais avançadas. A contribuição dos incentivadores desse tipo de alimentação, bem como o incremento no número de dias nos quais as crianças são amamentadas exclusivamente com seio materno, é uma experiência positiva que merece ser divulgada para a sociedade", explica Vera Lúcia Vilar de Araújo Bezerra, uma das autoras do trabalho e também doutora em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo e professora titular de Pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (DF).

Foram analisados um total de 2173 pacientes, 1443 referentes ao ano de 1999 e 730 referentes ao ano de 2008. Observou-se um incremento de 110,7 para 123,6 dias na duração do AME de 2008 em relação a 1999. O desmame precoce foi 12,6% maior em mães que com até sete anos de estudo do que em mães com 11 ou mais anos de estudo. O trabalho concluiu que, assim como o encontrado nas capitais brasileiras e DF, verificou-se incremento no que diz respeito à duração do AME, associado positivamente ao nível educacional materno mais elevado. "Apesar do resultado, ainda nos encontramos distantes da meta da OMS, de que cada criança receba 180 dias de amamentação exclusiva", relata Vera Lúcia.

Para a autora, o aleitamento materno deixou de ser apenas uma questão de relação mãe-filho e se tornou uma questão de saúde pública. "Desse modo, trabalhos que abordem os aspectos envolvidos na amamentação possuem um impacto profundo na sociedade", diz. O estudo em questão atenta para duração do aleitamento materno exclusivo na Capital Federal em comparação com os demais Estados, além disso, atenta para os principais fatores relacionados ao desmame precoce, o que de alguma forma orienta não só as autoridades como também a população em geral a definirem e a respeitarem as políticas públicas visando alcançar melhores índices do aleitamento materno exclusivo. "Estudos que mostrem a realidade da amamentação exclusiva de um centro de saúde na capital do País são de grande valia tanto para alerta da necessidade de estudos multicêntricos que se atenham aos fatores de risco associados ao desmame precoce do bebê, como para que o próprio serviço se atente para os pontos de fragilidade dessa prática e determine metas para aproximar o aleitamento materno do ideal", alerta Vera Lúcia. "Conhecer as fragilidades de uma prática tão importante como a amamentação, ajuda a população, pacientes e profissionais de saúde, a se conscientizar da necessidade de incentivo tanto cultural, como profissional desta prática", conclui a autora.

 

Correspondência: Vera Lúcia Vilar de Araújo Bezerra
E-mail: veralvab@unb.br
Instituição: Hospital Universitário de Brasília, Universidade de Brasília
Autoria do texto: Lucia Fontes (Assessoria de Imprensa SPSP