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PRESS RELEASE

BATISTA, Thais; FISSMER, Mariane Corrêa; PORTON, Kátia Regina de B.  and  SCHUELTER-TREVISOL, Fabiana. Avaliação dos cuidados de proteção solar e prevenção do câncer de pele em pré-escolares. Rev. paul. pediatr. [online]. 2013, vol.31, n.1, pp. 17-23. ISSN 0103-0582.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822013000100004.



 

Cuidados de proteção solar e prevenção de câncer de pele em pré-escolares

 

 

Um dos destaques da Revista Paulista de Pediatria de março de 2013 é o artigo de autoria de Fabiana Schuelter-Trevisol e colaboradores, que avaliou os cuidados de proteção solar e prevenção do câncer da pele em pré-escolares.

Conforme explicam os autores, a pele humana tem papel importante na proteção do corpo e na regulação da temperatura corporal, da sensibilidade e da absorção de substâncias, além de ser exposta diariamente a agressões externas e internas, as quais formam uma barreira física a agentes externos como a radiação ultravioleta. Isso pode implicar em efeitos terapêuticos e benéficos (por exemplo, a produção de vitamina D), porém também pode prejudicar a pele, causando eritema, queimaduras, pigmentação cutânea, fotoenvelhecimento, fotossensibilidade e neoplasias cutâneas. Nesse contexto, o estudo realizado na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão (SC), buscou investigar os cuidados dos pais com a pele de seus filhos, especialmente com o uso do filtro solar e de métodos físicos de proteção solar.

Foram estudadas 361 crianças pré-escolares de Tubarão (SC), sendo 228 (63,2%) matriculadas na rede pública de ensino e o restante matriculado na rede privada. Os pais ou responsáveis pelas crianças estudadas foram convidados a responder questionários autoaplicáveis. Do total, 16 (4,4%) faziam uso do filtro solar todos os dias do ano, e 253 (70,1%) usavam barreiras físicas de proteção solar. Crianças de pele branca usavam mais filtro solar do que as negras, principalmente no verão, e costumavam reaplicar o produto. Foi encontrada uma associação positiva entre renda familiar elevada e uso de filtro solar. A reaplicação do filtro solar também esteve associada com crianças que frequentavam escolas da rede privada. “Foi surpreendente notar que mesmo em crianças muito pequenas o uso do filtro solar é escasso, apesar de toda a informação disponível na mídia para a população sobre os efeitos nocivos do sol. Além disso, a exposição solar ocorria, na maioria dos casos, em horários impróprios, em que há muita radiação ultravioleta – das 10 às 16h. Também mostrou que há diferenças conforme as condições sociais, já que comparamos escolas públicas e privadas”, destacou Fabiana Schuelter-Trevisol, doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora do Programa de Mestrado em Ciências da Saúde da Unisul.

De acordo com Fabiana, o fato de ser um tema tangível e de interesse em saúde pública faz com que os dados coletados, dentro do rigor científico, possam ser divulgados em revista especializada, mas também disseminados entre a população em geral para aplicação prática de mudanças comportamentais. “Na literatura brasileira quase não há estudos sobre a exposição solar e cuidados de prevenção de câncer da pele em crianças, e uma vez que o estudo foi desenvolvido em cidade litorânea e com predomínio de brancos na composição da amostra, os dados contribuem para retratar a realidade local, mas também pode mostrar o padrão dos pais e responsáveis de outras regiões sobre os cuidados, ou a falta deles, com a pele de seus filhos”, comenta a professora. Acredito que a divulgação deste trabalho e de outros similares sirva de alerta para a sociedade, pais, escolas e especialistas, sobre os cuidados com a proteção solar e, principalmente, a necessidade de reduzir os custos dos filtros solares e disponibilizá-los gratuitamente na rede básica de saúde, finaliza Fabiana Schuelter-Trevisol.

Autor correspondente:
Fabiana Schuelter Trevisol
Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), E-mail: fastrevisol@gmail.com

Autoria do texto: Lucia Fontes (Assessoria de Imprensa SPSP)