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PRESS RELEASE

Cienc. Rural vol.40 no.8 Santa Maria ago. 2010



http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782010011800001 

Óleo de copaíba autoclavado pode ser potencial fonte inibidora da bactéria Listeria monocytogenes

 

 

Fábio Alessandro Pieri

Universidade Federal de Viçosa, E-mail: fabio.pieri@ufv.br

 

 

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, descobriram que o óleo de copaíba autoclavado pode ser uma potencial fonte para inibir o crescimento de bactérias de origem alimentar, como a Listeria monocytogenes. A pesquisa foi publicada no periódico Ciência Rural, número 40, agosto de 2010.

O estudo testou o efeito antimicrobiano de seis diferentes concentrações de óleo de copaíba autoclavadas e não autoclavadas, em seis isolados da bactéria L. monocytogenes obtidas de produtos cárneos. Os resultados mostraram a solução de 10% de óleo de copaíba autoclavada apresentou a maior inibição em relação a todas as outras soluções e concentrações testadas, causando sensibilidade em cinco cepas da bactéria.

Diferente da solução não autoclavada, que é produzida a partir do óleo de copaíba em seu estado natural, a solução autoclavada é obtida por meio do processo de autoclavagem, em que o óleo e seus constituintes são submetidos a uma temperatura de 127ºC por 20 minutos. Segundo o pesquisador Fábio Alessandro Pieri, doutorando do Curso de pós-graduação em Medicina Veterinária da UFV, o processo poderia modificar algumas substâncias do óleo e inviabilizar sua atividade antimicrobiana ou até mesmo potencializá-la. 

A bactéria L. monocytogenes é um patógeno de origem alimentar encontrado amplamente em alimentos como o leite cru, o queijo, o sorvete, vegetais crus, carne de salsicha, frango cozido e cru, carne e peixe crus. Ela é o agente causal da listeriose, zoonose que pode levar ao aborto, a transtornos neurológicos e distúrbios gastrointestinais. Segundo Fábio, a única substância inibidora dessa bactéria permitida pela legislação de padrão sanitário é a nisina, que não é utilizada pelas grandes indústrias devido ao seu alto custo de produção.

De acordo com o pesquisador, a comunidade científica tem tido interesse nos óleos naturais para descobrir novas fontes de compostos antimicrobianos para controlar o surgimento de bactérias resistentes. O óleo de copaíba, por exemplo, contém inúmeras propriedades terapêuticas descritas pela medicina popular e é extraído de árvores do gênero Copaifera, de grande distribuição no território brasileiro.

A inovação desta pesquisa está em testar a eficiência do óleo de copaíba como antimicrobiano contra L. monocytogenes. Este é o primeiro relato que investiga a atividade antimicrobiana do óleo contra esta bactéria.

Para Fábio, os resultados desse estudo fornecem uma base consistente para novos estudos na área. Segundo o pesquisador, as pesquisas agora podem investigar componentes desse óleo que tenham mais atividade contra a bactéria para combater infecções. Estudos que avaliem o uso das substâncias do óleo para a conservação de alimentos de origem animal sem comprometer as suas características organolépticas também podem ser realizados.