SciELO - Scientific Electronic Library Online

SciELO - Scientific Electronic Library Online

PRESS RELEASE

COUTO, Marcia Thereza  and  GOMES, Romeu. Homens, saúde e políticas públicas: a equidade de gênero em questão. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2012, vol.17, n.10, pp. 2569-2578. ISSN 1413-8123.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012001000002.



 

Artigo discute as políticas públicas em relação à saúde do homem

 

 

A edição do mês de outubro da Revista Ciência & Saúde Coletiva traz como tema homens, saúde e políticas públicas. A partir do ponto de vista de diversos autores, o tema é discutido com diferentes abordagens, começando com o artigo debate “Homens, saúde e políticas públicas: a equidade de gênero em questão”. Os autores Marcia Thereza Couto e Romeu Gomes debatem o tema com base em referências teóricas e empíricas relacionadas a essas questões.

Os autores apresentam um panorama da agenda de gênero nas políticas públicas para introduzir a discussão acerca da inserção dessa perspectiva no âmbito das políticas de saúde. Couto e Gomes destacam que a agenda de gênero no campo das políticas públicas pode ser entendida como agenda síntese de temas priorizados por diversos atores, tendo como eixo as relações sócio-históricas produtoras de desigualdades entre homens e mulheres.

Os autores comentam que a equidade de gênero se refere não a toda diferença, mas a diferenças que são consideradas injustas, ou seja, a identificação de iniquidades está baseada em valores que tornam desiguais homens e mulheres em termos de importância social. Eles ressaltam que atualmente a agenda de gênero no país tem sido direcionada à saúde, à prevençao da violência, à geração de infraestrutura urbana e habitação, ao acesso ao poder público, à questão agrária, dentre inúmeros outros.

Segundo Couto e Gomes, “as políticas ainda mantêm fortemente a ênfase nas mulheres como público beneficiário e os homens ainda não são vistos como sujeitos potenciais para um trabalho cujo objetivo é alcançar a equidade de gênero”. Entende-se que esta é uma forma redutora de se tratar a política por abordar apenas parte da questão do poder, lembrando que os benefícios dados às mulheres como correção da desigualdade por vezes podem, como dispositivo disciplinar biopolítico, aumentar a normatização sobre elas, o que deveria arguir tanto mulheres como homens.

Pelo fato das políticas de atenção à saúde do homem serem recentes, são escassas as análises do processo de sua implantaçao e, ainda mais restritas, as que se referem a sua implementação. No Brasil, a instituição da política de saúde do homem (http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2008/PT-09-CONS.pdf) ocorreu em 2009 e, ao contrário das políticas de saúde da mulher que são resultado de um protagonismo histórico das mulheres feministas e dos grupos gay e lésbico, essa se processou a partir de uma decisão política em nível governamental.

Os autores concluem dizendo que “os princípios e os objetivos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) devem ser debatidos e apoiados não apenas como uma política voltada para homens, mas como parte da política transversal de gênero no contexto das ações em saúde”.

 

 

O artigo “Homens, saúde e políticas públicas: a equidade de gênero em questão” foi publicado na Revista Científica Ciência & Saúde Coletiva (Vol.17, Nº 10, Rio de Janeiro, Outubro 2012), editada pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO).

 

Romeu Gomes
romeugomes@iff.fiocruz.br
Telefone: (21) 2554-1833
Instituto Fernandes Figueira, FIOCRUZ