SOUZA, Edinilsa Ramos de et al. Estudo multicêntrico da mortalidade por homicídios em países da América Latina. Ciênc. saúde coletiva [online].
2012,
vol.17, n.12, pp. 3183-3193.
ISSN 1413-8123.
http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012001200004. | |
Estudo analisa a mortalidade por homicídios na América Latina
A edição do mês de dezembro da Revista Ciência & Saúde Coletiva traz como tema central a abordagem extensiva e compreensiva sobre homicídios na América Latina. A partir do ponto de vista de diversos autores, o tema é discutido em diferentes perspectivas, começando com o artigo “Estudo multicêntrico da mortalidade por homicídios em países da América Latina”. Edinilsa Ramos de Souza, André Nascimento de Melo, Juliana Guimarães e Silva, Saul Alonso Franco Agudelo, Marcio Alazraqui e Guillermo Julián González-Pérez (autores de diversos países) apresentam um panorama acerca dos homicídios na América Latina, seus números, causas e vítimas. Este artigo teve origem a partir de um estudo epidemiológico descritivo da mortalidade pela citada causa na Argentina, no Brasil, na Colômbia e no México de 1990 a 2007. Analisam-se óbitos por causas externas e homicídios, codificados nas 9ª. e 10ª. revisões da Classificação Internacional de Doenças/CID, considerando-se sexo, faixa etária e meio usado na agressão. Apresentam-se números, proporções e taxas ajustadas de mortalidade por homicídios. Foi usado o modelo de regressão linear na tendência das taxas de homicídios por grupos etários. No período, os países contabilizaram 4.086.216 mortes por causas externas e 1.432.971 homicídios. Os autores introduzem o tema dizendo que a violência é um sintoma e expressão de problemas sociais e contamina a cultura e as subjetividades, colocando questões para a agenda pública dos distintos setores das sociedades contemporâneas. Por suas repercussões em todos os âmbitos da vida dos indivíduos, grupos e nações, como pela magnitude e fortes impactos físicos e psicológicos constitui um grave problema e grande desafio para o setor saúde. Segundo os autores, “o homicídio, indicador universal da violência social, é definido como uma agressão a terceiro que utiliza qualquer meio para provocar danos, lesões ou morte à vítima, e é o principal responsável pelos elevados índices de mortalidade da população mundial”. A América Latina é a região com as mais elevadas taxas de mortalidade por esses eventos no mundo. Na Argentina as causas externas cresceram 54,5%. Mas diminuíram 37% no México; 31,8% na Colômbia e 8,1% no Brasil. Esse decréscimo vai contra a corrente do senso comum que acredita que a violência sempre aumenta. A evolução das taxas de homicídios por faixa etária e sexo mostrou-se distinta nos países estudados. Quando vistas segundo o sexo, as razões de mortalidade por homicídio foi de 9 homens para 1 mulher na Colômbia, de 4 para 1 no Brasil e de 6 para 1 no México. Em todos os grupos etários essa relação entre os sexos foi crescente no Brasil e decrescente na Colômbia. No perfil epidemiológico, observa-se o predomínio de pessoas jovens, do sexo masculino, negras ou descendentes de pessoas dessa cor, pertencentes ao estrato socioeconômico menos favorecido e com baixo nível de escolaridade. Segundo a pesquisa, os homens jovens de 15 a 29 anos apresentam o maior risco de morrer por homicídio no mundo. No período estudado, o Brasil houve tendência crescente de uso das armas de fogo como principal meio de provocar a morte do outro. Os autores concluem que há necessidade de rever as políticas vigentes de enfrentamento da violência, no sentido de “tornar viável o estabelecimento de estratégias que estimulem a integração e o protagonismo dos principais atores e vítimas desse processo (adolescentes e jovens) e que articulem amplos setores da sociedade”, possibilitando, assim, a inserção de amplas camadas populacionais que se encontram alijadas dos direitos fundamentais previstos nos regimes democráticos.
O artigo "Estudo multicêntrico da mortalidade por homicídios em países da América Latina" foi publicado na Revista Científica Ciência & Saúde Coletiva (Vol.17, Nº 12, Rio de Janeiro, Dezembro 2012), editada pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO).
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