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PRESS RELEASE

Ciênc. saúde coletiva vol.18 no.3 Rio de Janeiro Mar. 2013



 

Condições de vida, saúde e trabalho dos profissionais de segurança pública

 

 

Os artigos do número temático v.18, n.3 da Revista Ciência & Saúde Coletiva tratam das condições de vida, saúde e trabalho dos trabalhadores da segurança pública e mostram que eles constituem, no Brasil, o grupo de maior risco para a morte violenta e para lesões e traumas relacionados a agressões. São também um grupo de elevada vulnerabilidade a determinados tipos de doenças físicas como enfermidades cardiovasculares, distúrbios de metabolismo, problemas osteomusculares e gastrointestinais. No campo da saúde mental, os policiais são vítimas frequentes de estresse ocupacional e pós-traumático e depressões, levando um percentual significativo deles a pensar em se matar.

O tema da Segurança Pública tem sido pouco abordado no âmbito da saúde pública brasileira, embora os índices de criminalidade e de violência em geral sejam alarmantes e demandem cada vez mais gestão do conhecimento, inclusive do conhecimento em saúde desses trabalhadores. Tradicionalmente, os estudos sobre esse grupo social estão focados na reconstrução da história das instituições policiais, seus vínculos com as elites dominantes e na insuficiência de suas ações para atender aos cidadãos.

Os policiais civis e militares enquanto pessoas e trabalhadores, até então, foram muito pouco contemplados do ponto de vista acadêmico e, na área da saúde do trabalhador, existe uma grande lacuna nesse particular. É como se os policiais fossem "robôs" dos quais a sociedade espera um produto - a segurança - sem se atentar para o fato de que, por traz de cada uniforme está uma pessoa, um ser humano, geralmente pai ou mãe de família que tem necessidades, expectativas e sonhos, como qualquer outro indivíduo.

Neste número temático, a ênfase é dada a sua elevada vulnerabilidade a riscos, doenças e agravos físicos, estresse e sofrimento mental. Também os estudos se remetem à subjetividade desses agentes públicos, a suas percepções e representações sobre si, sobre suas práticas, suas vivências familiares e sobre como as atividades profissionais conformam sua vida fora do trabalho e afetam sua visão de mundo. A maioria das análises aqui apresentada é fruto de pesquisas empíricas inéditas e, em menor parte, de aprofundamentos analíticos e comparativos. Os aprofundamentos analíticos se debruçam sobre a história dos conceitos fundamentais que conformam a teoria e a prática da segurança pública e ao lugar e sentido de suas organizações corporativas no mundo contemporâneo.

Este número temático constituiu também oportunidade ímpar de reunir numa publicação, a produção de vários membros do "Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia/INCT Violência, Democracia e Segurança Cidadão", apoiado pelo CNPq.

 

Autoria do texto:
Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe
E-mail: cecilia@claves.fiocruz.br