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PRESS RELEASE

Ciênc. saúde coletiva vol.18 no.7 Rio de Janeiro July 2013



 

Qualidade de vida e valores existenciais

 

 

A edição 18.7 da revista Ciência & Saúde Coletiva aporta reflexões teóricas e exemplos de ações concretas orientadas para o tema "Qualidade de vida e valores existenciais" expressão que titula este número temático. Qualidade de vida é uma noção eminentemente humana, subjetiva e polissêmica que se refere ao bem estar que os indivíduos e a coletividade encontram na vida familiar, amorosa, social e ambiental. Do ponto de vista sociológico, o conceito pode ser definido como o padrão que determinada sociedade possui ou se mobiliza para conquistar, por meio de políticas públicas e sociais que induzam e orientem o desenvolvimento humano, as liberdades individuais e coletivas e as mudanças positivas no modo, no estilo de vida e nas condições sociais.

Nos últimos 40 anos, nas mais diferentes áreas se desenvolveram indicadores e parâmetros para operacionalizar o conceito em pauta. O mais universal e conhecido é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), elaborado por Amartya Sen, que critica a visão de desenvolvimento baseada apenas no PIB e propõe medidas mais qualitativas como nível de renda, saúde e educação e longevidade como indicadores comparáveis entre as sociedades. No Brasil, desde o final dos anos 1980, desenvolveram-se instrumentos no sentido aqui tratado, para medir desigualdades, heterogeneidades e estratificações sociais. O tema, igualmente, passou a fazer parte da linguagem e dos instrumentos do mercado de bens e serviços, a partir da fundação, em 1995, da Associação Brasileira de Qualidade de Vida e do Instituto Brasileiro de Qualidade de Vida.

Um dos campos em que a noção de qualidade de vida mais tem se desenvolvido é o da saúde. A OMS publicou em 1993, o protocolo do "The world health organization quality of life assessment" (WHOQOL) que avalia seis domínios de bem estar: o físico, o psicológico, o do nível de independência, o das relações sociais, o do meio ambiente e o dos aspectos religiosos, por meio de indicadores. A partir de então, pesquisadores da área passaram a realizar estudos com vários tipos de pacientes, tomando como base o WHOQOL. Mas existem também muitas críticas sobre o protocolo, como mostra uma revisão realizada por Thomas M. Gill e Alvan R. Feinstein e publicada no The Journal of American Medical Association (JAMA), segundo os quais, o uso do termo "qualidade de vida" para analisar valores e percepções dos pacientes cria dúvidas, confusão e incompreensão entre profissionais, pesquisadores, gestores e entre os próprios doentes.

Este número temático aprofunda o assunto do ponto de vista da saúde no seu sentido ampliado e também sob a ótica biomédica. Os artigos tratam da qualidade no âmbito da atenção, da vida de pacientes renais, de mulheres em tratamento de câncer de mama, de pacientes após sofrerem acidente vascular cerebral, de professores no exercício da profissão, de usuários de drogas, dentre muitas outras situações. A edição contempla também avaliações e dois artigos de revisão. Um deles analisa a segurança do paciente como dimensão da qualidade do cuidado e o outro faz uma reflexão crítica sobre os estudos da população lésbica pela área da saúde.

 

Maria Cecília de Souza Minayo
Editora Chefe
Email: cecilia@claves.fiocruz.br

Luiza Gualhano
Assessora de Comunicação