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PRESS RELEASE

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.7 no.1 Belém Apr. 2012



 

Museologia e Patrimônio

 

 

A Museologia é uma área do conhecimento relativamente recente, que está em expansão e que tem explorado de maneira promissora as conexões com as ciências humanas e sociais. No Brasil, há indícios de que a disciplina está em processo de consolidação, como atestam os frequentes eventos relacionados ao assunto, a recente criação de alguns periódicos, de cursos de graduação em todo o território nacional e também de programas de pós-graduação. Nesse processo, a área vem se estabelecendo em torno do conceito de Patrimônio, entendido como herança cultural, tangível e intangível, musealizado ou não.

O novo número do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (v. 7, n. 1, jan.-abr. 2012) apresenta sete trabalhos que tomam a relação entre Museologia e Patrimônio como ponto de partida para reflexões teóricas e estudos sobre coleções etnográficas, museus de arte, cidades, exposições e políticas públicas. Organizado por Marcio D'Olne Campos (UNIRIO), Luiz Carlos Borges (MAST) e Marcio Ferreira Rangel (MAST), o dossiê Museologia e Patrimônio conta com a participação de Tereza Cristina Scheiner (UNIRIO), Diana Farjalla Lima (UNIRIO), Lúcia Hussak van Velthem (MCTI), Maria Isabel Roque (Universidade Católica Portuguesa), Heloisa Helena Costa (UFBA), além dos organizadores. Trata-se de um esforço coletivo para aprimorar o debate de ideias na área e também abrir possibilidades de pesquisa - esforço compartilhado e incentivado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), um dos mais antigos e maiores museus de história natural do país, ele próprio constituindo-se em campo fértil para investigações museológicas.

Exemplo disso é o Parque Zoobotânico, o primeiro de seu gênero no Brasil, criado em 1895. O Parque é objeto da seção Memória, que apresenta dois textos originalmente publicados na língua alemã em 1897 e 1901, de autoria, respectivamente, de Hermann Meerwarth (1870-1943) e de Gottfried Hagmann (1874-1946), através dos quais é possível acessar como se deu a construção de um fenômeno museal na Amazônia do final do século XIX, fortemente identificado com a cultura regional, ainda que inspirado por modelos internacionais. Os textos foram traduzidos por Miriam Junghans (FIOCRUZ), atualizados e comentados por Nelson Sanjad (MPEG), David Oren (MCTI), José de Sousa e Silva Junior (MPEG), Marinus Hoogmoed (MPEG) e Horácio Higuchi (MPEG). São sucedidos por um caderno de fotografias da época, pertencentes ao Arquivo Guilherme de La Penha (MPEG/MCTI).

Outros três artigos compõem o número: Denise Gomes (UFRJ), a partir do conceito de perspectivismo ameríndio, discute a ideia da existência de uma estética pré-colonial própria do território americano, tendo por base a ampla distribuição geográfica de um mesmo fundo cosmológico; María Alba Bovisio (Universidad de Buenos Aires) propõe o conceito de metáfora como princípio estético que rege o funcionamento simbólico de um tipo específico de peças arqueológicas; e César Ades (USP), recentemente falecido, analisa um dos capítulos de "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, considerado pelo autor como uma proposta paradigmática para a análise dos comportamentos típicos da espécie, ponto de partida para as abordagens atuais da etologia e da ecologia comportamental.

 

 

Contatos:
Nelson Sanjad
Museu Paraense Emílio Goeldi/MCTI
e-mail: boletim@museu-goeldi.br