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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A paradiplomacia financeira no Brasil da República Velha, 1890-1930]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to analyze a case of outward-bound move of state governments in the realm of external loans during the period of the so-called Old Republic (1890-1930) in Brazil. Based on the definition of "financial paradiplomacy," it argues that the Brazilian historical experience in this regard would have been a typical case of paradiplomatic action. Broad statistical survey of foreign loans borrowed by states, the rescue of primary sources about the subject and historical perspective give relevant support to characterize the period as a time of early financial paradiplomacy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">A paradiplomacia financeira no Brasil  da Rep&uacute;blica Velha, 1890&#150;1930</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Financial paradiplomacy in Brazil during  the Old Republic, 1890&#150;1930</font></b><font size="2" face="Verdana"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Jos&eacute; Nelson Bessa Maia<sup>I</sup>; Jos&eacute; Fl&aacute;vio Sombra Saraiva<sup>II</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Bacharel em Economia pela   Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), mestre em Economia pela Universidade de   Bras&iacute;lia (UnB) e doutorando em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela mesma institui&ccedil;&atilde;o (<a href="mailto:nbessamaia@gmail.com">nbessamaia@gmail.com</a>)    <br> </font><font size="2" face="Verdana"><sup>II</sup>Bacharel em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), mestre   em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pelo Col&eacute;gio de M&eacute;xico e PhD em Rela&ccedil;&otilde;es   Internacionais pela University of Birmingham, Reino Unido. Professor titular no   Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade de Bras&iacute;lia (IREL/UnB) e   pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico   (CNPq) (<a href="mailto:fsaraiva@unb.br">fsaraiva@unb.br</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, visa-se a analisar um caso de   extrovers&atilde;o de governos estaduais no campo do financiamento externo no per&iacute;odo   da chamada Rep&uacute;blica Velha (1890&#150;1930) no Brasil. Com base na defini&ccedil;&atilde;o de   "paradiplomacia financeira", argumenta que a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica brasileira   nesse aspecto teria sido um caso t&iacute;pico de a&ccedil;&atilde;o paradiplom&aacute;tica. Amplo   levantamento estat&iacute;stico dos empr&eacute;stimos externos por estados, o resgate das   fontes documentais prim&aacute;rias sobre o assunto e a contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica   pertinente d&atilde;o sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo como uma fase de   paradiplomacia financeira precoce.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave: </b>descentraliza&ccedil;&atilde;o federativa; empr&eacute;stimos externos; paradiplomacia financeira.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><b><font size="2" face="Verdana">ABSTRACT</font></b><font size="2" face="Verdana"></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">This article aims to analyze a case of   outward-bound move of state governments in the realm of external loans during   the period of the so-called Old Republic (1890&#150;1930) in Brazil. Based on the   definition of "financial paradiplomacy," it argues that the Brazilian   historical experience in this regard would have been a typical case of   paradiplomatic action. Broad statistical survey of foreign loans borrowed by   states, the rescue of primary sources about the subject and historical   perspective give relevant support to characterize the period as a time of early   financial paradiplomacy.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b>  federative decentralization; foreign loans; financial paradiplomacy.</font></p> <hr size="1" noshade>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com a queda da   monarquia no Brasil em 1889, desmantelou-se o estado unit&aacute;rio e seguiu-se a   chamada "Rep&uacute;blica Velha" (1890&#150;1930), quando se implantou o regime federativo,   sendo a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1891 seu primeiro marco institucional. Seguiram-se 40   anos de descentraliza&ccedil;&atilde;o federativa em que os estados brasileiros, livres das   amarras do poder central, exercitaram certo protagonismo nos mercados   internacionais de capitais ao captar vultosas somas com a emiss&atilde;o de t&iacute;tulos   nas pra&ccedil;as financeiras europeias e depois nos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA).   Essa exuberante fase termina com a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1930, abrindo um novo per&iacute;odo centralizador que culmina com a ditadura do Estado Novo (1937&#150;1945). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dadas as evid&ecirc;ncias   dispon&iacute;veis da forte atua&ccedil;&atilde;o dos governos estaduais nos fluxos financeiros   internacionais em per&iacute;odo t&atilde;o extenso, busca-se neste artigo analisar a   extrovers&atilde;o de entes subnacionais no campo da capta&ccedil;&atilde;o de recursos externos em   uma das fases da Hist&oacute;ria do Brasil bem marcada pela descentraliza&ccedil;&atilde;o fiscal e   acesso dos entes federados brasileiros ao endividamento no exterior, ou seja, o   per&iacute;odo denominado por conven&ccedil;&atilde;o como Rep&uacute;blica Velha, e tamb&eacute;m pela abertura   mais ampla da economia prim&aacute;rio-exportadora brasileira aos fluxos de com&eacute;rcio,   investimento e finan&ccedil;as mundializados no final do s&eacute;culo 19 e in&iacute;cio do s&eacute;culo 20.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>1</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A paradiplomacia financeira: aspectos te&oacute;ricos e conceituais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Soldatos (1990), ao analisar a atua&ccedil;&atilde;o dos governos   subnacionais no cen&aacute;rio internacional, cunhou o termo "paradiplomacia" para   designar as investidas desses governos no exterior. O termo foi divulgado por   Duchacek (1988), o qual abandonou sua pr&oacute;pria terminologia "microdiplomacia",   por reconhecer que o termo poderia ser considerado depreciativo, e preferiu   adotar a denomina&ccedil;&atilde;o de Soldatos, que praticamente passou a prevalecer na   literatura especializada. Duchacek estabeleceu diferen&ccedil;as entre a   paradiplomacia transfronteiri&ccedil;a, a transregional (sem fronteira comum) e a global (que inclui rela&ccedil;&otilde;es com todo o mundo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Duchacek e Soldatos encontraram o marco te&oacute;rico   adequado para analisar e interpretar a atividade internacional crescente dos   governos n&atilde;o centrais no chamado "enfoque global transnacional" e na no&ccedil;&atilde;o de   "interdepend&ecirc;ncia complexa" proposta nos ensaios te&oacute;ricos de Robert Keohane e   Joseph Nye, os quais, ao contestarem o Realismo, defenderam nova agenda nas   Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, caracterizada por n&uacute;mero crescente de temas complexos,   sem clara hierarquia ou f&aacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, que englobam todos os n&iacute;veis de governo.   Com efeito, Keohane e Nye (1977), analisando as v&aacute;rias conex&otilde;es internacionais,   falam em interdepend&ecirc;ncia complexa entre Estados e sociedades, salientando que   aumentaram as conex&otilde;es econ&ocirc;micas e decresceram as de seguran&ccedil;a. De certo modo,   os autores lan&ccedil;am as Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais para a &aacute;rea da Economia Pol&iacute;tica   Internacional (EPI), mas, mantendo algumas das heran&ccedil;as do Realismo, posto que ainda situam os estados no centro das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, Keohane e Nye foram um dos primeiros autores a   questionar o modelo estatoc&ecirc;ntrico de ator unit&aacute;rio na cena internacional,   reconhecendo que a pol&iacute;tica mundial se desenvolve em um mundo mais complexo de   rela&ccedil;&otilde;es interdependentes, formais e informais, que se d&atilde;o n&atilde;o s&oacute; entre   Estados-Na&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m entre corpora&ccedil;&otilde;es privadas e organismos   internacionais. Ainda que os dois autores n&atilde;o abordem especificamente o tema do   envolvimento das entidades subnacionais    em assuntos internacionais, seus ensaios apoiam a ideia de que cada n&iacute;vel de   governo continuar&aacute; desempenhando uma fun&ccedil;&atilde;o vital na satisfa&ccedil;&atilde;o de demandas e, de maneira especial, quando a pol&iacute;tica interna assume aspectos internacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dada a ampla difus&atilde;o do termo "paradiplomacia" nos   meios acad&ecirc;micos, governamentais e de organismos internacionais, ele ser&aacute; empregado neste artigo conforme defini&ccedil;&atilde;o de Prieto (2004, 251) para expressar:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O envolvimento de governo subnacional nas rela&ccedil;&otilde;es     internacionais, por meio do estabelecimento de contatos, formais e informais,     permanentes ou provis&oacute;rios com entidades estrangeiras p&uacute;blicas e privadas,     objetivando promover resultados s&oacute;cio-econ&ocirc;micos (promover exporta&ccedil;&otilde;es, atrair     investimentos, divulgar      o turismo, captar recursos financeiros e obter coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, grifo     nosso), bem como qualquer outra dimens&atilde;o externa de sua pr&oacute;pria compet&ecirc;ncia     constitucional.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Com base nessa defini&ccedil;&atilde;o geral, conceitua-se   paradiplomacia financeira como "a iniciativa pr&oacute;pria e aut&ocirc;noma de um governo   subnacional no sentido de negociar diretamente a capta&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos de m&eacute;dio   e longo prazo ofertados por fontes internacionais e/ou estrangeiras com vistas a complementar suas necessidades de financiamento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito de paradiplomacia surge, portanto, no final   dos anos 1980, retratando a realidade do final do s&eacute;culo 20. No entanto, o   fen&ocirc;meno teria ocorrido em outros momentos hist&oacute;ricos caracterizados por   expans&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas internacionais, como foi o final do s&eacute;culo 19   at&eacute; a 1ª Guerra Mundial. Autores antigos como Fournier de Flaix (1883), Leroy   Beulieu (1883) e Amaro Cavalcanti (1900)<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>2</sup></a> j&aacute; chamavam aten&ccedil;&atilde;o para as a&ccedil;&otilde;es dos governos "provinciais" na esfera   internacional, inclusive no campo dos empr&eacute;stimos externos e os riscos que isso   podia acarretar para os respectivos governos centrais na aus&ecirc;ncia da supervis&atilde;o pelo poder nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&ecirc;-se, portanto, que a a&ccedil;&atilde;o dos governos n&atilde;o centrais   nas rela&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais n&atilde;o se limita ao final do s&eacute;culo 20 ou   &agrave; primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo 21, mas tamb&eacute;m teria sido relevante e motivo de   preocupa&ccedil;&atilde;o no final do s&eacute;culo 19 e come&ccedil;o do s&eacute;culo seguinte. Trata-se, assim,   de aplicar um conceito atual, ajustado &agrave; realidade da globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, &agrave;   ocorrida em um per&iacute;odo pret&eacute;rito marcado pela mundializa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es   econ&ocirc;micas, a chamada "Idade do Ouro do capitalismo global triunfante" (Frieden 2006, 32).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dado o exposto, este artigo analisa o processo de   capta&ccedil;&atilde;o de recursos externos pelos estados brasileiros durante a Rep&uacute;blica   Velha (1890&#150;1930), &agrave; luz da conceitua&ccedil;&atilde;o moderna da paradiplomacia, defendendo   o argumento de que a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica do Brasil nesse campo teria sido um   caso de paradiplomacia financeira cuja dimens&atilde;o e durabilidade no tempo   poderiam se comparar ao processo similar transcorrido no Pa&iacute;s desde o final dos   anos 1980 at&eacute; o momento em que os governos n&atilde;o centrais brasileiros (estados e   munic&iacute;pios) voltaram a captar vultosas somas de empr&eacute;stimos no exterior, exercitando, dessa maneira, um dos aspectos mais importantes da paradiplomacia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A mundializa&ccedil;&atilde;o das   finan&ccedil;as no final do s&eacute;culo 19  e a paradiplomacia financeira na Rep&uacute;blica Velha</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De 1870 a 1914, surgiu uma economia global pela   primeira vez, estendendo-se do cora&ccedil;&atilde;o industrial da Europa Ocidental (Reino   Unido, Fran&ccedil;a e Holanda) aos pa&iacute;ses retardat&aacute;rios do Velho Continente   (Alemanha, R&uacute;ssia) &agrave; Am&eacute;rica (EUA),   ao Oriente (Jap&atilde;o) e aos fornecedores de mat&eacute;rias-primas da ent&atilde;o periferia   capitalista (Argentina, Austr&aacute;lia, Brasil, Canad&aacute; etc.). No centro da amplia&ccedil;&atilde;o   do com&eacute;rcio internacional estava uma engrenagem de altas finan&ccedil;as que   viabilizava a implanta&ccedil;&atilde;o de ferrovias e infraestruturas urbanas e portu&aacute;rias e   abria novas &aacute;reas para a produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Assim, fluxos de capitais   estrangeiros forneciam a poupan&ccedil;a e as divisas requeridas para importar   trilhos, locomotivas e equipamentos que estavam al&eacute;m da capacidade dos pa&iacute;ses recipientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para os fornecedores de capitais, tais fluxos eram   expressivos. A Gr&atilde;-Bretanha, a maior fonte individual de capital estrangeiro,   investia no exterior uma soma anual ao redor da m&eacute;dia de 5% do PIB durante o   per&iacute;odo 1873&#150;1913, tendo chegado &agrave; marca de quase 10% do PIB &agrave;s v&eacute;speras da   Primeira Guerra Mundial. De fato, no in&iacute;cio dos anos 1880, o mercado ingl&ecirc;s de   capitais dispunha de ampla massa de recursos financeiros e buscava a abertura   de novas &aacute;reas de investimento, n&atilde;o sujeitas &agrave; severa concorr&ecirc;ncia a que os   produtores e capitais do Reino Unido estavam sendo submetidos na Europa   Ocidental. Como resultado, as taxas de juros reais haviam diminu&iacute;do na Europa, estimulando a exporta&ccedil;&atilde;o de capitais.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>3</sup></a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso da Fran&ccedil;a,   ap&oacute;s o pagamento das repara&ccedil;&otilde;es de sua derrota na guerra franco-prussiana de   1870&#150;1871, a transfer&ecirc;ncia de capitais para o exterior aumentou ap&oacute;s 1880,   chegando &agrave; metade da m&eacute;dia brit&acirc;nica, e uma ter&ccedil;a parte se destinava a financiar   a industrializa&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia czarista. A Alemanha, por seu turno, que se   unificara em 1871, e se industrializava de forma acelerada, era investidor   retardat&aacute;rio, mas assim mesmo j&aacute; competia com ingleses, franceses e holandeses   por aplica&ccedil;&otilde;es em t&iacute;tulos de d&iacute;vida de governos na Am&eacute;rica do Sul. No todo, o   investimento europeu no subcontinente saltou de £&nbsp;44,1&nbsp;milh&otilde;es, entre   1873&#150;1882, para £&nbsp;182&nbsp;milh&otilde;es, no per&iacute;odo de 1883&#150;1891, grande parte   dos quais foram para a Argentina, ent&atilde;o o pa&iacute;s mais desenvolvido da regi&atilde;o (Filomeno 2007, 2). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No entanto, logo na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo 20,   algumas transforma&ccedil;&otilde;es em curso j&aacute; come&ccedil;avam a operar no cen&aacute;rio econ&ocirc;mico   internacional com    o surgimento dos EUA como exportador de capitais. Conforme assinala Albert Fishlow (1985, 384):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">The first world war marked a decisive     break. For one, it marked the emergence of the United States for the first time     as a net creditor nation. For another, the position of the principal European     lenders was much changed. Germany became a leading importer of capital; French     assets abroad were dramatically reduced by the &#91;Soviet debt&#93; repudiation of     extensive Russian holdings; diminishing the appetite for overseas holdings as     domestic reconstruction requirements increased; Britain experienced a marked     decline in savings rates. A larger US presence did not compensate for European     withdrawal, and global foreign investment declined. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Aproveitando-se da ampla oferta de capitais para a   Am&eacute;rica do Sul, n&atilde;o s&oacute; o governo central (imperial) brasileiro, como algumas   prov&iacute;ncias e at&eacute; um munic&iacute;pio, nos &uacute;ltimos anos da monarquia, lograram captar   expressivos volumes de recursos nos mercados de capitais europeus. Essa   pioneira investida paradiplom&aacute;tica de governos subnacionais do Brasil rumo ao   financiamento externo ocorreu em 1888, com a efetiva&ccedil;&atilde;o de opera&ccedil;&otilde;es de emiss&atilde;o   de t&iacute;tulos p&uacute;blicos pelas prov&iacute;ncias de Bahia, S&atilde;o Paulo e a municipalidade de Santos.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>4</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O regime republicano e a autonomia dos entes federados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A instala&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica no Brasil, a partir de   novembro de 1889, sacramentou o modelo federalista, transformando as antigas   prov&iacute;ncias em estados e concedendo-lhes a posi&ccedil;&atilde;o de entes pol&iacute;ticos aut&ocirc;nomos   e com peso na operacionaliza&ccedil;&atilde;o do novo pacto de poder. Em outras palavras, as   condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas ent&atilde;o vigentes propiciaram mais poderes &agrave;s   fra&ccedil;&otilde;es de classes dominantes locais e uma estrutura tribut&aacute;ria capaz de propiciar autonomia fiscal e administrativa aos estados rec&eacute;m-criados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante da euforia federalista, em setembro de 1890, o   ent&atilde;o ministro da Fazenda do governo provis&oacute;rio, Rui Barbosa, conseguiu   aprova&ccedil;&atilde;o do marechal Deodoro da Fonseca para um Decreto pelo qual o governo   federal poderia garantir empr&eacute;stimos externos aos estados at&eacute; o limite global   de 50&nbsp;mil contos de r&eacute;is (equivalentes a £&nbsp;4,7&nbsp;milh&otilde;es).   Conforme a exposi&ccedil;&atilde;o de motivos, a medida se justificava aos estados que n&atilde;o   pudessem realizar opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito externo em fun&ccedil;&atilde;o de seu elevado risco   de cr&eacute;dito e assegurar condi&ccedil;&otilde;es contratuais minimamente aceit&aacute;veis (juros   anuais e des&aacute;gios m&aacute;ximos sobre o valor de face dos t&iacute;tulos representativos da opera&ccedil;&atilde;o).<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>5</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tratava-se de tentativa de disciplinar o acesso dos   estados federados aos mercados internacionais de capitais, de modo a exercer   controle, salvaguardar a imagem externa do Pa&iacute;s e minimizar custos de capta&ccedil;&atilde;o   por meio da concess&atilde;o de garantia do governo central que reduzisse o risco de   eventual inadimpl&ecirc;ncia. No entanto, na mesma edi&ccedil;&atilde;o do Di&aacute;rio Oficial que   publicou a aprova&ccedil;&atilde;o do Decreto, foi editado "instigante" extrato de contrato   entre o ministro da Fazenda e representantes de um sindicato de banqueiros   ingleses, &agrave; cuja frente se achava a firma Louis Cohen &amp; Sons, no qual tais   representantes declaram terem sido abordados por diversos funcion&aacute;rios dos   estados federados para fazerem empr&eacute;stimos e que aceitavam "emprestar aos   diversos estados da Uni&atilde;o, que assim desejarem,    as quantias de que necessitam para a satisfa&ccedil;&atilde;o de seus compromissos, promover   immigra&ccedil;&atilde;o e desenvolver a sua riqueza publica, at&eacute; &agrave; quantia autorizada pelo governo federal &#91;sic&#93;". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A primeira constitui&ccedil;&atilde;o republicana (promulgada em 24   de fevereiro    de 1891) garantiu aos governos estaduais o controle da ent&atilde;o principal fonte de   arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria &#150; o imposto de exporta&ccedil;&atilde;o &#150; e o direito de manipular   seus tributos, de criar outros n&atilde;o concorrentes com a Uni&atilde;o, de recorrer &agrave;   d&iacute;vida p&uacute;blica e aos empr&eacute;stimos externos, bem como atuar em qualquer &aacute;rea de   seu interesse, respeitados os poderes expressos da Uni&atilde;o (Artigo 65, § 2&#186; da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1891). Conforme assinala Fausto (1997, 121&#150;122):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A constitui&ccedil;&atilde;o de 1891 evidencia, no plano das institui&ccedil;&otilde;es,     que a classe dominante consegue alcan&ccedil;ar seus objetivos pol&iacute;ticos j&aacute; no in&iacute;cio     da Rep&uacute;blica, e &eacute; um &iacute;ndice de sua capacidade para promover a integra&ccedil;&atilde;o do     pa&iacute;s na medida de tais objetivos. A ampla autonomia estadual consagrada na     Constitui&ccedil;&atilde;o (possibilidade de contrair empr&eacute;stimos externos, constituir     mil&iacute;cias, discrimina&ccedil;&atilde;o de rendas favorecendo os estados, a quem cabe lan&ccedil;ar     impostos sobre a exporta&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o de propriedade rural, ind&uacute;stria e     profiss&otilde;es etc.) n&atilde;o corresponde a um esfacelamento do poder central.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Criou-se um formato tribut&aacute;rio peculiar: de um lado,   colocavam-se os estados cafeeiros (a exemplo de S&atilde;o Paulo, Minas Gerais, Rio de   Janeiro e Paran&aacute;) que desfrutavam de s&oacute;lida base financeira, com autonomia de   a&ccedil;&atilde;o em atender &agrave;s demandas em &eacute;pocas de crise e nas fases de crescimento e, de   outro, estavam os estados sem fontes promissoras de renda (no Nordeste e no   Centro-Oeste do Pa&iacute;s)    e que pautavam seu relacionamento com a Uni&atilde;o como se fossem estados sat&eacute;lites    ou clientes. Assim, durante a Rep&uacute;blica Velha, a desigualdade de condi&ccedil;&otilde;es   econ&ocirc;micas entre os estados deu ao governo federal o papel de articulador da Federa&ccedil;&atilde;o e de mantenedor da reprodu&ccedil;&atilde;o global do sistema (Lopreato 2000). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Instalado o regime   republicano, sobrevieram graves perturba&ccedil;&otilde;es da nova ordem pol&iacute;tica no Pa&iacute;s, a   exemplo da Revolu&ccedil;&atilde;o Federalista no Rio Grande do Sul (1893&#150;1895) e das   Revoltas da Armada (1892 e 1893), o que levou ao endurecimento do regime com o   governo de exce&ccedil;&atilde;o do marechal Floriano Peixoto (de novembro de 1891 a novembro   de 1894). No campo econ&ocirc;mico, a propaga&ccedil;&atilde;o no plano externo da crise do banco   brit&acirc;nico Baring Brothers, desencadeada pelo <i>default</i> da d&iacute;vida externa argentina (em 1890), e que   estancou o financiamento europeu &agrave; Am&eacute;rica do Sul e, no plano interno, a crise   do Encilhamento (1890&#150;1891) e seus desdobramentos geraram graves dificuldades   para a economia nacional, afastando investidores e financistas estrangeiros,   temerosos da sustentabilidade do novo regime brasileiro.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>6</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto de   instabilidade, o Governo brasileiro, ap&oacute;s quase quatro anos de aus&ecirc;ncia, voltou   ao mercado internacional de capitais, logrando captar empr&eacute;stimo de   £&nbsp;3,71&nbsp;milh&otilde;es junto &agrave; casa banc&aacute;ria londrina Rothschild &amp; Sons,   sob condi&ccedil;&otilde;es draconianas, uma vez que realizado ao tipo de 80 (des&aacute;gio de 20%   sob o valor de face), juros de 5% ao ano e 30 anos de prazo. Na verdade,    o empr&eacute;stimo se destinava &agrave; compra de armamentos e muni&ccedil;&otilde;es e demais despesas   militares para enfrentar as revoltas que deflagravam pelo Brasil. Conforme assinala Bou&ccedil;as (1955, 191):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Na urg&ecirc;ncia de adquirir armamentos e muni&ccedil;&otilde;es para defender     a ditadura, Floriano Peixoto, sucessor do Marechal Deodoro da Fonseca, temendo     lan&ccedil;ar um empr&eacute;stimo externo, que poderia n&atilde;o ter &ecirc;xito, serviu-se de um novo     expediente que passou a ser considerado a primeira opera&ccedil;&atilde;o financeira da     Rep&uacute;blica no exterior, embora o empr&eacute;stimo n&atilde;o fosse diretamente contra&iacute;do pelo     Tesouro Nacional. </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A primeira fase da   paradiplomacia financeira, 1890&#150;1913:  fontes do cr&eacute;dito externo e sua destina&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em que pese &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o da crise do banco Baring   sobre as opera&ccedil;&otilde;es de empr&eacute;stimos externos das prov&iacute;ncias argentinas e as   dificuldades enfrentadas pelo Brasil no in&iacute;cio do governo de Prudente de Morais   (1894&#150;1898), governos estaduais brasileiros, valendo-se da experi&ecirc;ncia de   algumas prov&iacute;ncias que captaram recursos no exterior durante o regime imperial   e do v&aacute;cuo da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1891 quanto &agrave;s atribui&ccedil;&otilde;es dos governos   subnacionais no campo internacional, tomaram a iniciativa de buscar   financiamento externo. As vantagens de custo menor em face do estreito mercado   de capitais dom&eacute;stico e as press&otilde;es pol&iacute;ticas em prol de investimentos p&uacute;blicos   em infraestrutura urbana e de transportes levaram alguns presidentes (governadores) de estados a sondar bancos franceses e brit&acirc;nicos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Tal como bem salienta Goldsmith (1986, 127):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Como conseq&uuml;&ecirc;ncia dos pesados gastos com infra-estrutura,     as d&iacute;vidas dos estados e munic&iacute;pios cresceram rapidamente. Entre 1903 e 1912,     os d&eacute;bitos estaduais aumentaram de 240 mil para quase 950 mil contos de r&eacute;is,     ou a uma taxa anual acima de 16%, aumentando de cerca de 1,75 para quatro vezes     com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua receita. O aumento foi ainda mais intenso no que tange &agrave;     d&iacute;vida externa, a qual, durante essa d&eacute;cada, tornou-se quase seis vezes maior,     constituindo-se quase 2/3 do total, o que mostra a capacidade limitada      de absor&ccedil;&atilde;o do mercado brasileiro de capitais. Supondo uma taxa m&eacute;dia de juros     de 5%, o servi&ccedil;o da d&iacute;vida teria absorvido cerca de um quinto da receita total     dos Estados.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><b><sup><b><sup>&#91;7&#93;</sup></b></sup></b></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em que pese &agrave; op&ccedil;&atilde;o de buscar a garantia da Uni&atilde;o   (dada pelo aludido decreto de 1890), alguns governos estaduais, ciosos de sua   autonomia constitucional como entes federados, tomaram a iniciativa de   entabular negocia&ccedil;&otilde;es diretas com banqueiros estrangeiros, mesmo se sujeitando   a custos elevados. A exig&ecirc;ncia    de submeter seus pleitos de financiamento externo e suas contas ao Minist&eacute;rio   da Fazenda desestimulavam os acordos com o governo federal. Esse foi o caso do   Estado do Esp&iacute;rito Santo, o primeiro, na fase republicana, que contratou, em 5   de outubro de 1894, um empr&eacute;stimo de 17,5&nbsp;milh&otilde;es de francos (equivalente   a £&nbsp;700.000), junto ao Banco Nacional Brasileiro, a juros anuais de 5% e   elevado des&aacute;gio de 30% (tipo 70), dando por garantia as receitas gerais do   estado e destinando o produto l&iacute;quido do empr&eacute;stimo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do trecho da   estrada de ferro Esp&iacute;rito Santo a Minas. Em que pesem as condi&ccedil;&otilde;es onerosas do   empr&eacute;stimo, o produto l&iacute;quido do mesmo (cerca de 11,6&nbsp;mil contos de r&eacute;is)   correspondeu a 2,6 vezes o valor total da receita p&uacute;blica estadual arrecadada e   a 40,6% do total das exporta&ccedil;&otilde;es do Estado no ano de 1894, representando, sem d&uacute;vida, uma soma extremamente elevada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conforme afirma o pr&oacute;prio ent&atilde;o presidente   (governador) do Estado do Espirito Santo, Jos&eacute; de Mello Carvalho Moniz Freire (1894, 10):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Antes de um mez da remessa dos papeis para Europa, chegava     a proposta dos banqueiros, acompanhada da confirma&ccedil;&atilde;o de que o emprestimo era     de primeira ordem. Pareceram, entretanto, a mim quanto ao Sr. Conde &#91;Francisco&#93;     de Figueiredo, desvantajosas as condi&ccedil;&otilde;es da proposta, e diversos telegrammas     foram trocados neste sentido, sem resultado, salvo quanto aos detalhes. N&atilde;o     podendo vencer a obstina&ccedil;&atilde;o e devendo resolver o caso, decidi-me em 21 de     setembro a autorizar a opera&ccedil;&atilde;o, contrahindo o emprestimo de setecentas mil     libras ao typo de 70%, juros de 5%, 1% de amortisa&ccedil;&atilde;o, a come&ccedil;ar de 1896,     resgatavel portanto em 33 anos por sorteio ou compra no mercado. Sei     perfeitamente que n&atilde;o fiz uma opera&ccedil;&atilde;o financeira de primeira ordem, nem jamais     esperei obte-lo; mas tenho profunda certeza de que consegui o mais do que era     poss&iacute;vel. A primeira difficuldade para o Espirito Santo, que s&oacute; agora come&ccedil;a a     ser devidamente considerado no seio do pr&oacute;prio paiz, era abrir passagem ao seu     credito em mercados europeus, e levantar dinheiro sem offerecer nenhuma outra     garantia al&eacute;m de seus recursos or&ccedil;amentarios,      e a capacidade de seus homens publicos &#91;sic&#93;.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>8</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O segundo governo estadual a captar empr&eacute;stimo externo   foi Minas Gerais, que contratou, em 12 de outubro de 1896, a soma de   65&nbsp;milh&otilde;es de francos (68,8&nbsp;mil contos de r&eacute;is) junto ao Banque de   Paris et des Pays Bas. O valor l&iacute;quido do empr&eacute;stimo (cerca de 53,6&nbsp;mil   contos de r&eacute;is) correspondeu a 2,8&nbsp;vezes o valor da receita estadual   arrecadada durante o ano. Antes dessa opera&ccedil;&atilde;o, o estado tentara todas as   formas de capta&ccedil;&atilde;o de recursos no mercado interno de capitais, a exemplo das   onerosas antecipa&ccedil;&otilde;es de receita (ARO) junto ao Banco do Brasil e a emiss&atilde;o de   t&iacute;tulos do Tesouro com desconto de 7% ao ano. Em que pese ao des&aacute;gio de 22%   sobre o valor de face dos t&iacute;tulos dados em garantia aos credores estrangeiros,   a taxa de juros mais baixa e o longo prazo da opera&ccedil;&atilde;o (33 anos) eram atrativos que o limitado mercado de capitais interno n&atilde;o podia oferecer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conforme exposi&ccedil;&atilde;o de motivos do pr&oacute;prio presidente de Minas, Chrispim Jacques Bias Fortes (1897, 29):</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Auctorizado pela lei n. 187, de 12 de outubro do anno     passado, contractou o meu governo o lan&ccedil;amento de um emprestimo externo com o     Banque de Paris et des Pays-Bas, de Paris, cujo producto satisfizesse os     compromissos contrahidos com as empresas de estradas de ferro e realizasse     outros emprehendimentos encetados e que n&atilde;o podiam ser interrompidos. Esse     importante estabelecimento de credito encarregou-se do lan&ccedil;amento do emprestimo     nas pra&ccedil;as europeias, mediante commiss&atilde;o de 8% para todas as despesas &#91;sic&#93;.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>9</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O terceiro estado a acessar o mercado externo de   capitais no in&iacute;cio da fase republicana foi o ent&atilde;o mais pr&oacute;spero e   desenvolvido: S&atilde;o Paulo, onde se concentrava a maior parte da produ&ccedil;&atilde;o e   exporta&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;. Em 28 de abril de 1899, o governo paulista firmou   empr&eacute;stimo de £&nbsp;1,0&nbsp;milh&atilde;o (equivalente a 32,2&nbsp;mil contos de   r&eacute;is) com o banco anglo-alem&atilde;o J.Henry Schroder Banking Corporation. O objetivo   da opera&ccedil;&atilde;o era efetuar resgate de letras de empr&eacute;stimos anteriores, inclusive o de 1888, ainda no per&iacute;odo imperial.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>10</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este seria o primeiro de uma sequ&ecirc;ncia de empr&eacute;stimos   externos que levaria S&atilde;o Paulo a responder por 46% do total da d&iacute;vida externa   estadual no final da Rep&uacute;blica Velha.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>11</sup></a> A ele logo seguiria o empr&eacute;stimo de 1904, desta vez junto ao Bank of London   &amp; South America, tamb&eacute;m no valor de £&nbsp;1,0&nbsp;milh&atilde;o, a juros de 5%   ao ano e tipo de 88% e 10 anos de prazo, no valor bruto de apenas   19,79&nbsp;mil contos de r&eacute;is em virtude da forte aprecia&ccedil;&atilde;o ocorrida na taxa   do mil r&eacute;is em face da libra esterlina (38,6% entre 1899 e 1904), decorrente   dos efeitos deflacion&aacute;rios da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e financeira conservadora do ex-ministro da Fazenda Joaquim Murtinho no governo Campos Sales (1898&#150;1902).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir do Conv&ecirc;nio de Taubat&eacute; (firmado em 26 de   fevereiro de 1906 pelos estados de S&atilde;o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro),   teve in&iacute;cio a pol&iacute;tica de valoriza&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do caf&eacute; nos mercados mundiais   mediante a compra de excedentes e estocagem de grandes volumes do produto em   recintos alfandeg&aacute;rios no exterior. Era uma tentativa de salvaguardar a renda   do setor produtor e exportador do caf&eacute; diante da superprodu&ccedil;&atilde;o. Para executar a   pol&iacute;tica (que s&oacute; depois contou com o apoio do governo federal), o Estado de S&atilde;o   Paulo captou um empr&eacute;stimo emergencial (prazo de um ano) de   £&nbsp;1,0&nbsp;milh&atilde;o junto ao banco alem&atilde;o Diskonto Gesellschaft-Nordeutsche   Bank de Berlim, logo seguido por outro, muito maior, de £&nbsp;3&nbsp;milh&otilde;es junto ao banco anglo-alem&atilde;o J.Henry Schroder Banking Corporation.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A prop&oacute;sito da relativa facilidade de S&atilde;o Paulo   contratar volumes cada vez maiores de empr&eacute;stimos externos, cabe mencionar as   intensas rela&ccedil;&otilde;es de neg&oacute;cios entre grandes casas exportadoras de caf&eacute; de   origem estrangeira e bancos europeus que financiavam as atividades de com&eacute;rcio exterior dessas empresas. Sobre esse aspecto, Warren Dean (1991, 63) destaca:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Ansiosos por apoiar projetos de obras p&uacute;blicas de todo     g&ecirc;nero, os governos federal e estadual fomentaram a penetra&ccedil;&atilde;o de firmas     europ&eacute;ias. Empr&eacute;stimos contra&iacute;dos na Europa colocaram S&atilde;o Paulo sob a tutela     financeira dos Rothschilds de Paris antes do in&iacute;cio do s&eacute;culo. A valoriza&ccedil;&atilde;o da     safra de caf&eacute; de 1906 aumentou os interesses do grupo anglo-alem&atilde;o <i>Schroeder</i> e do <i>Diskonto Gesellschaft-Nordeutsche       Bank, </i>ambos j&aacute; representados por conex&otilde;es comerciais e banc&aacute;rias.<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup>12</sup></a> </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No c&ocirc;mputo geral, desde 1894 at&eacute; &agrave;s v&eacute;speras da   Primeira Guerra Mundial (1913), que provocou retra&ccedil;&atilde;o ou mesmo paralisia nos   mercados de capitais europeus para a Am&eacute;rica do Sul, sucederam-se pelo menos 31   opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito externo firmadas por estados de todas as regi&otilde;es do Pa&iacute;s,   totalizando 43,734&nbsp;milh&otilde;es de libras esterlinas, sendo 585,6&nbsp;milh&otilde;es   denominados em francos franceses    (15 empr&eacute;stimos, equivalentes a 23,424&nbsp;milh&otilde;es de libras) e   20,31&nbsp;milh&otilde;es de libras (16 empr&eacute;stimos) (ver <a href="#qd01">Quadro 1</a> a seguir). Com rela&ccedil;&atilde;o   &agrave; fonte dos recursos, bancos franceses responderam por 53,5% do valor dos   cr&eacute;ditos, seguidos pelos ingleses, com 35,5% do total, e, finalmente, os bancos   alem&atilde;es, com 11% do total.<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>13</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd01"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em termos de moeda nacional (mil r&eacute;is), as 31   opera&ccedil;&otilde;es contabilizadas pelos estados brasileiros, no per&iacute;odo 1894&#150;1913,   totalizaram a cifra de 732,5&nbsp;mil contos de r&eacute;is. Para avaliar a dimens&atilde;o   relativa do total desse saldo acumulado de d&iacute;vida externa contratada pelos   governos estaduais, basta ter em mente que, em 1913, as receitas totais do   or&ccedil;amento da Rep&uacute;blica foram de 654&nbsp;mil contos de r&eacute;is e as receitas   conjuntas de todos os estados da Federa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;aram a marca de 270&nbsp;mil   contos de r&eacute;is. Portanto, os estados brasileiros assumiram, em menos de 20   anos, d&eacute;bitos de origem externa n&atilde;o apenas superiores ao or&ccedil;amento da Uni&atilde;o, no   &uacute;ltimo ano da s&eacute;rie, como equivalentes a 11% do Produto Interno Bruto do Pa&iacute;s naquele ano (ver <a href="#qd02">Quadro 2</a>).<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup>14</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd02"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es contratuais, os empr&eacute;stimos   externos tomados pelos estados variavam em fun&ccedil;&atilde;o: i)&nbsp;da percep&ccedil;&atilde;o do   risco do mutu&aacute;rio (estados com grande receita cambial na exporta&ccedil;&atilde;o inspiravam   menos pr&ecirc;mio de risco do que aqueles com menor dinamismo exportador);   ii)&nbsp;do prazo (quanto maior o vencimento maior o des&aacute;gio sobre o valor de   face dos t&iacute;tulos ou menor o tipo da opera&ccedil;&atilde;o); e iii)&nbsp;da qualidade das   garantias oferecidas. Dependia tamb&eacute;m da habilidade e capacidade negocial (e da   integridade) dos representantes dos estados frente aos banqueiros, assim como   da situa&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica conjuntural do Pa&iacute;s e das condi&ccedil;&otilde;es vigentes no contexto econ&ocirc;mico internacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As garantias frequentemente giravam em torno do penhor   sobre as receitas gerais ou espec&iacute;ficas (em geral do imposto de exporta&ccedil;&atilde;o) do   estado, de sobretaxas sobre produtos exportados ou de taxas de servi&ccedil;os de   transporte ferrovi&aacute;rio, de navega&ccedil;&atilde;o ou de saneamento (&aacute;gua e esgoto) ou   ilumina&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m havia hipotecas sobre bens e patrim&ocirc;nio de empresas estaduais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, havia leni&ecirc;ncia dos administradores   estaduais pela causa p&uacute;blica quando negociavam os empr&eacute;stimos, predominando por   vezes a vis&atilde;o de curto prazo de r&aacute;pido acesso aos recursos sem uma an&aacute;lise   detida de custo-benef&iacute;cio, incorrendo-se ami&uacute;de em desleixo com os encargos   futuros das opera&ccedil;&otilde;es sobre o fluxo de caixa do er&aacute;rio estadual. Conforme bem assinala Bou&ccedil;as (1955, 25):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise dos contratos dos empr&eacute;stimos &#91;estaduais, grifo     nosso&#93; e a do emprego do produto dessas transa&ccedil;&otilde;es revelaram muitas vezes fatos     que mostram o descaso de muitos de nossos administradores pela causa p&uacute;blica.     Geralmente, as condi&ccedil;&otilde;es dos empr&eacute;stimos efetuadas eram oneros&iacute;ssimas, n&atilde;o s&oacute;     pela taxa de juros, pelo tipo em que eram lan&ccedil;adas, pelas comiss&otilde;es     distribu&iacute;das, como tamb&eacute;m pela inser&ccedil;&atilde;o de certas cl&aacute;usulas nos contratos,     muitas das quais vexat&oacute;rias para os nossos brios.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; destina&ccedil;&atilde;o dos empr&eacute;stimos externos   tomados pelos estados no per&iacute;odo, tr&ecirc;s finalidades se destacaram:   i)&nbsp;resgatar e/ou consolidar d&iacute;vidas anteriores; ii)&nbsp;financiar obras   p&uacute;blicas de infraestrutura; e iii)&nbsp;bancar a&ccedil;&otilde;es de valoriza&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;.   Al&eacute;m dessas, houve casos de cobertura de d&eacute;ficits fiscais e pagamento de   despesas de custeio convertidas em d&iacute;vida flutuante (como atraso em pagamentos ao   funcionalismo e empreiteiros de obras). No entanto, houve tamb&eacute;m casos de   flagrante desvio de recursos e mesmo de corrup&ccedil;&atilde;o velada, uma vez que a obra   para a qual o empr&eacute;stimo se destinava n&atilde;o foi executada no todo ou apenas parcialmente, exigindo um novo empr&eacute;stimo, anos depois, para sua conclus&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante dessa "enxurrada" de empr&eacute;stimos externos sem   controle pelas autoridades federais e dos rumores de negociatas entre   banqueiros, intermedi&aacute;rios e pol&iacute;ticos estaduais na contrata&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es,   algumas vozes influentes passaram a questionar a autonomia dos governos   estaduais (e municipais) em captar recursos no exterior. A primeira voz que se   levantou contra "esse abuso" da autonomia estadual foi a do deputado Bricio   Filho, na C&acirc;mara Federal, em 27 de dezembro de 1902, apresentando um projeto de   lei que taxativamente o coibia de modo formal. Esse projeto n&atilde;o vingou, uma vez   que, um ano mais tarde, conforme atesta a Mensagem Presidencial de 1903 ao   Congresso Nacional, o ent&atilde;o Presidente Rodrigues Alves (quadri&ecirc;nio 1902&#150;1906)   criticava a capacidade dos estados de contra&iacute;rem cr&eacute;ditos no exterior e pedia a interven&ccedil;&atilde;o legislativa:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Na ordem administrativa julgo de meu dever invocar a vossa     aten&ccedil;&atilde;o para a faculdade que se tem arrogado alguns Estados de contrahirem, por     sua propria autoridade, emprestimos no exterior. Compreende-se bem quanto, em     um momento dado, o uso dessa attribui&ccedil;&atilde;o, poder&aacute; ser prejudicial ao credito do     paiz, &agrave; regularidade de suas finan&ccedil;as e, at&eacute; &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es internacionais.&Eacute; prudente que o poder legislativo subordine essas opera&ccedil;&otilde;es a normas que     afastem da Uni&atilde;o compromissos ou embara&ccedil;os que possam sobrevir.      O Congresso n&atilde;o ignora que um paiz, de regimen igual ao nosso, j&aacute; se viu     for&ccedil;ado a prohibir o uso de identica attribui&ccedil;&atilde;o pelas perturba&ccedil;&otilde;es que     infligia &agrave; pol&iacute;tica internacional e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es geraes das finan&ccedil;as.<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup>15</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em que pese a vontade do Presidente da Rep&uacute;blica, os   parlamentares n&atilde;o se interessaram em votar contra as prerrogativas de seus   estados em contratar diretamente cr&eacute;ditos no exterior. Tanto foi assim que o   presidente Rodrigues Alves, na Mensagem ao Congresso de 1905, voltou a tratar   dos empr&eacute;stimos de entes subnacionais e instigou os parlamentares a regular a   mat&eacute;ria, de modo que "fixem as rela&ccedil;&otilde;es dos Estados com a Uni&atilde;o sobre servi&ccedil;o   t&atilde;o importante &#91;os empr&eacute;stimos externos&#93; e que muito p&oacute;de interessar &agrave;s finan&ccedil;as da Uni&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na sua &uacute;ltima Mensagem (a de 1906), o Presidente afirmou com certa fadiga:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Quanto aos emprestimos externos, contrahidos pelos Estados,     contin&uacute;o a pensar que &eacute; materia de alta relevancia, que deve ser devidamente     ponderada pelo Congresso. &Eacute; de toda conveniencia que a Uni&atilde;o seja informada dos     recursos que forem destinados &agrave; amortiza&ccedil;&atilde;o de taes emprestimos, assim como si     os Estados est&atilde;o apparelhados para o pagamento das presta&ccedil;&otilde;es no tempo proprio.     H&aacute;, sobretudo, a receiar o perigo de serem incluidos, nos contractos, clausulas     que n&atilde;o devam prevalecer por infringirem principios fundamentaes do nosso     systema de governo &#91;sic&#93;.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A eclos&atilde;o das guerras balc&acirc;nicas (1912 e 1913) e   depois a Primeira Guerra Mundial e o novo empr&eacute;stimo de consolida&ccedil;&atilde;o (<i>funding-loan</i>) do Brasil   em 1914 travaram os mercados financeiros europeus, o que fez retrair as   capta&ccedil;&otilde;es de d&iacute;vidas pelos estados. Mesmo assim, o caso voltou &agrave; baila em 1912,   quando o ent&atilde;o senador S&aacute; Freire apresentou projeto de lei que proibia   empr&eacute;stimos estaduais e municipais, impedia a cota&ccedil;&atilde;o de seus t&iacute;tulos na bolsa   de valores sem autoriza&ccedil;&atilde;o do Legislativo Federal e determinava a interven&ccedil;&atilde;o   da Uni&atilde;o no caso de press&atilde;o de credores estrangeiros. No entanto, sua proposta   foi barrada sob a alegativa  de que "violava as ideias cardeais do regime federativo &#91;sic&#93;".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ent&atilde;o influente pol&iacute;tico e pensador social   brasileiro Alberto Torres se colocou contr&aacute;rio &agrave; autonomia dos entes   subnacionais em exercitar sua faculdade de contratar empr&eacute;stimos no exterior,   chegando a propor a revis&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1891, incluindo entre os   casos de interven&ccedil;&atilde;o federal nos Estados  o seguinte (Torres 1914, 249):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O caso do par&aacute;grafo n.&#176; 12 representa interesse de tal     monta, que s&oacute; se compreenderia n&atilde;o fosse adotado por inteira escraviza&ccedil;&atilde;o da     pol&iacute;tica aos caprichos de campan&aacute;rio. &Eacute; monstruoso que um pa&iacute;s como o Brasil     permane&ccedil;a sujeito &agrave; responsabilidade de emprestimos, levantados por Estados e     municipalidades, sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o federal, quando as responsabilidades da Uni&atilde;o     j&aacute; excedem os limites de licenciosa toler&acirc;ncia, e a administra&ccedil;&atilde;o se mostra     cada vez mais anarchizada, em todos os &oacute;rg&atilde;os do poder p&uacute;blico &#91;sic&#93;. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar do empenho do senador S&aacute; Freire na sua   campanha, o Senado n&atilde;o votou a lei que cerceava a liberdade dos estados de   captarem recursos no exterior sem autoriza&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o. Conforme registrado no   Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o do dia 22 de novembro de 1918, que tratou do tema da   d&iacute;vida externa brasileira,  "o apello do Presidente de 1902&#150;1906 ficou at&eacute; hoje sem solu&ccedil;&atilde;o parlamentar &#91;sic&#93;".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fato &eacute; que, a despeito   das tentativas de limitar a autonomia dos entes subnacionais de contratar   empr&eacute;stimos externos, o saldo dessa d&iacute;vida externa subnacional (estados e   munic&iacute;pios) teria atingido a marca de £&nbsp;62,137&nbsp;milh&otilde;es, no final de   1914.<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><sup>16</sup></a> Esse valor correspondia a 38,9% do total da d&iacute;vida externa brasileira. Ap&oacute;s   passada a fase de paralisia dos financiamentos internacionais, durante a 1ª   Guerra Mundial, os estados e munic&iacute;pios continuariam, de 1919 at&eacute; 1931,   exercitando livremente sua paradiplomacia financeira, captando empr&eacute;stimos diretamente no exterior, sem controle ou interfer&ecirc;ncia da Uni&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A segunda fase da   paradiplomacia financeira, 1914&#150;1930:  fontes do cr&eacute;dito externo e sua destina&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A abundante oferta de capitais europeus de empr&eacute;stimo   e investimento direto que se verificou de 1890 a 1913 come&ccedil;ou a escassear com a   eclos&atilde;o de conflitos. Iniciada a Primeira Guerra Mundial (em 28 de julho de   1914), o movimento de capitais travou-se, deixando os tomadores na Am&eacute;rica   Latina sem acesso a cr&eacute;ditos de bancos europeus. Conforme registrou o ent&atilde;o ministro da Fazenda, Rivadavia Corr&ecirc;a (1914, 4):</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Desde que rebentou o     conflicto no oriente da Europa, uma grande e amea&ccedil;adora nuvem come&ccedil;ou a pairar     sobre aquelle continente; e, apesar de, no momento, o conflicto se ter     circumscripto aos paizes dos Balkans, parece que em todos os espiritos se gerou     a convic&ccedil;&atilde;o de que a paz europ&eacute;a estava seriamente amea&ccedil;ada. O menor incidente     podia dar causa &agrave; conflagra&ccedil;&atilde;o geral, e assim aconteceu com o desenrolar do     drama de Sarajevo. A situa&ccedil;&atilde;o de duvida, ou antes, de quasi temor que dominou a     Europa, quanto &agrave; permanencia e solidez da paz continental, causou grande abalo     nos mercados financeiros europeus que veio a se reflectir de modo desastroso     nas pra&ccedil;as commerciais da America do Sul &#91;sic&#93;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A guerra na Europa, ao provocar a quase estagna&ccedil;&atilde;o dos   neg&oacute;cios e o colapso no financiamento externo, levou n&atilde;o s&oacute; o governo federal   como os governos estaduais no Brasil a s&eacute;rias dificuldades financeiras para   manter com regularidade os servi&ccedil;os de suas d&iacute;vidas externas, tendo, pois, que   negociarem com os credores empr&eacute;stimos de consolida&ccedil;&atilde;o (<i>funding-loans</i>). Tais   foram os casos do governo federal (outubro de 1914) e dos estados do Amazonas, Bahia e Par&aacute; (em 1915), Paran&aacute; (em 1916) e Bahia novamente (em 1918).<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><sup>17</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Somente ap&oacute;s o fim da guerra e o Tratado de Versailles   (1919) &eacute; que os fluxos de financiamentos come&ccedil;aram a se normalizar em dire&ccedil;&atilde;o   ao Brasil. Tanto &eacute; assim que Rio Grande do Sul e Santa Catarina conseguem   contratar, em 1919, opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;ditos para aplicar em obras de   infraestrutura. O Espirito Santo, por seu turno, emprega o produto de novo   empr&eacute;stimo externo obtido para encampar um banco hipotec&aacute;rio e agr&iacute;cola. No   entanto, o fato novo &eacute; a entrada em cena do primeiro empr&eacute;stimo norte-americano   (US$&nbsp;5&nbsp;milh&otilde;es) a estados, no caso Santa Catarina, pelo banco Equitable Trust Company, de Nova Iorque (ver <a href="#qd03">Quadro 3</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd03"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa investida do capital banc&aacute;rio norte-americano   sobre a economia brasileira j&aacute; refletia o decl&iacute;nio relativo da Gr&atilde;-Bretanha e a   ascens&atilde;o gradativa dos EUA como pot&ecirc;ncia emergente. O interc&acirc;mbio comercial do   Brasil com os EUA era crescente, com o pa&iacute;s assumindo a posi&ccedil;&atilde;o de maior   mercado de destino das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras de caf&eacute;. Conforme citam Cervo e Bueno (2002, 206):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Nessa altura, os Estados Unidos suplantavam a Gr&atilde;-Bretanha     e tornavam-se, simultaneamente, os principais fornecedores e compradores do     Brasil. No que se refere a investimentos, cresceu sensivelmente a presen&ccedil;a     norte-americana na d&eacute;cada de 1920. Os 50&nbsp;milh&otilde;es de d&oacute;lares investidos, em     1913, saltaram para 476&nbsp;milh&otilde;es em 1929. O Governo brasileiro, entretanto,     ainda recorria aos brit&acirc;nicos na d&eacute;cada de 1920. Tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o aos     empr&eacute;stimos feitos no estrangeiro houve transi&ccedil;&atilde;o da preponder&acirc;ncia brit&acirc;nica     para a norte-americana na d&eacute;cada de 1920. Em 1929, os EUA eram credores de     quase um ter&ccedil;o da d&iacute;vida externa brasileira. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Essa fase de capta&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos externos pelos   estados brasileiros do p&oacute;s-guerra at&eacute; 1931 foi a mais intensa, tanto em volume   como em valor das opera&ccedil;&otilde;es. Foram 11 estados mutu&aacute;rios e 37 opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito   externo no per&iacute;odo, distribu&iacute;das por quatro divisas estrangeiras, totalizando   68,32&nbsp;milh&otilde;es de francos franceses (um empr&eacute;stimo), 18&nbsp;milh&otilde;es de   florins holandeses (um empr&eacute;stimo), 42,784&nbsp;milh&otilde;es de libras esterlinas   (13 empr&eacute;stimos) e US$&nbsp;178,06&nbsp;milh&otilde;es    (22 empr&eacute;stimos), o que corrobora com a observa&ccedil;&atilde;o anterior sobre a r&aacute;pida   transi&ccedil;&atilde;o da Gr&atilde;-Bretanha para os EUA como principal provedor de capitais ao Brasil no per&iacute;odo p&oacute;s-Primeira Guerra Mundial (ver <a href="#qd04">Quadro 4</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd04"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao expressar o montante dos empr&eacute;stimos em termos da   moeda nacional, verifica-se que os 11 estados supramencionados foram   respons&aacute;veis por um valor total de d&iacute;vidas de 3.040.647.523$000 (tr&ecirc;s milh&otilde;es e   quarenta mil seiscentos    e quarenta e sete contos e quinhentos e vinte e tr&ecirc;s mil r&eacute;is). O <a href="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd05.jpg">Quadro 5</a>  cont&eacute;m, al&eacute;m do registro do valor dos empr&eacute;stimos por mutu&aacute;rio (estados) em mil    r&eacute;is, a fonte (banco estrangeiro provedor de cr&eacute;dito) e a respectiva destina&ccedil;&atilde;o  dos recursos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa elevada soma de tr&ecirc;s milh&otilde;es e quarenta mil   r&eacute;is, feitos os descontos de praxe (des&aacute;gio sobre o valor de face e outros   encargos, algo em torno de 15%),    o produto l&iacute;quido dos empr&eacute;stimos rendeu para os cofres estaduais   2,584,5&nbsp;milh&otilde;es de contos de r&eacute;is, o que representou 21,5% do total das   receitas or&ccedil;ament&aacute;rias arrecadadas por todos os estados no per&iacute;odo 1919&#150;1931 (ver <a href="#qd06">Quadro 6</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd06"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd06.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vale assinalar que o valor l&iacute;quido dos empr&eacute;stimos   (cerca de 2,584&nbsp;milh&otilde;es de contos de r&eacute;is), no per&iacute;odo, tamb&eacute;m superou com   ampla margem o saldo acumulado dos d&eacute;ficits fiscais dos estados no per&iacute;odo, que   alcan&ccedil;ou 2,266&nbsp;milh&otilde;es de contos de r&eacute;is, o que implica afirmar que, sem   os empr&eacute;stimos externos, os estados brasileiros n&atilde;o poderiam ter conseguido   financiar seus d&eacute;ficits fiscais, nem investir em obras de infraestrutura   (portu&aacute;ria, rodovi&aacute;ria, ferrovi&aacute;ria e saneamento urbano). Al&eacute;m do mais,   expressiva parte dos recursos captados foram utilizados para resgatar d&eacute;bitos   pendentes, capitalizar bancos rurais, repassar verbas a munic&iacute;pios, cobrir   gastos correntes e financiar onerosos e "duvidosos" programas de valoriza&ccedil;&atilde;o   dos pre&ccedil;os do caf&eacute; nos mercados internacionais, a&ccedil;&atilde;o sobretudo levada a cabo pelo Estado de S&atilde;o Paulo entre 1906&#150;1931.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em termos de distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica da paradiplomacia   financeira, predominaram estados das &aacute;reas mais ricas do Pa&iacute;s (S&atilde;o Paulo, Minas   Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paran&aacute;), mas com expressiva   presen&ccedil;a dos estados mais atrasados do Nordeste: Bahia, Cear&aacute;, Pernambuco e   Maranh&atilde;o. Do Norte do Pa&iacute;s, nem mesmo o Par&aacute;, que figurou dentre os captadores   de recursos externos no per&iacute;odo anterior (1894&#150;1913), voltou a acessar o   mercado externo de capitais ap&oacute;s o empr&eacute;stimo de consolida&ccedil;&atilde;o em 1915. A   decad&ecirc;ncia das exporta&ccedil;&otilde;es de borracha e o <i>default</i> do estado ap&oacute;s 1915 explicam a falta de acesso ao cr&eacute;dito externo. Por outro   lado, a concentra&ccedil;&atilde;o dos empr&eacute;stimos no Estado de S&atilde;o Paulo &eacute; not&oacute;ria: 64,8% do   valor total das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito externo dos estados brasileiros, no   per&iacute;odo 1919&#150;1931, cabendo aos tr&ecirc;s seguintes combinados (Rio Grande do Sul,   Minas Gerais e Rio de Janeiro) mais de um quarto (25,7%) do valor total (ver <a href="#qd07">Quadro 7</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd07"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rbpi/v55n1/a07qd07.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa concentra&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos externos em poucos   estados no per&iacute;odo refletiu, em grande medida, a capacidade de endividamento   diferenciada dos estados que exportavam produtos de ampla aceita&ccedil;&atilde;o nos   mercados externos, isto &eacute;, caf&eacute; e borracha. Tanto foi assim que h&aacute; evid&ecirc;ncias   que indicam que os estados mais ricos do Brasil (ent&atilde;o os maiores exportadores   de commodities) se beneficiavam de custos menores de capital (juros efetivos   menores), ao passo que os estados mais pobres incorriam em custos maiores nos   empr&eacute;stimos externos em fun&ccedil;&atilde;o de uma percep&ccedil;&atilde;o de risco maior para os credores. A prop&oacute;sito, Fritscher e Musacchio (2009, 26) afirmam:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">The results of our study show that the cost of capital for     Brazilian states and the probability of issuing state debt in international     capital markets were highly correlated with state revenues per capita. Our     argument is that revenues      per capita are highly correlated with exports per capita by state and that the     level of exports per capita actually depended on the kind of commodities each     state was able to export between 1890 and 1930.<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title=""><sup>18</sup></a></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Crise de endividamento   e exaust&atilde;o da paradiplomacia financeira    no fim da Rep&uacute;blica Velha</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A debacle da economia cafeeira, desencadeada pela   crise econ&ocirc;mica mundial de 1929, e a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1930 inauguraram nova etapa,   abrindo espa&ccedil;os &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais e no   reordenamento institucional do Pa&iacute;s. A superprodu&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;, aliada &agrave; Grande   Depress&atilde;o, gerada a partir do <i>crash</i> da Bolsa de Nova Iorque em 1929, reduziram o valor exportado e, por   conseguinte, a arrecada&ccedil;&atilde;o estadual, levando &agrave; inadimpl&ecirc;ncia generalizada no   servi&ccedil;o da d&iacute;vida externa dos governos subnacionais brasileiros. A crise   alcan&ccedil;ou tal dimens&atilde;o que n&atilde;o poderia mais ser resolvida no &acirc;mbito dos estados.   As elites regionais, comprometidas financeiramente, perderam o poder de   administr&aacute;-la  e abriram espa&ccedil;o &agrave; a&ccedil;&atilde;o federal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O governo central, sob a lideran&ccedil;a de Vargas, a partir   de 1930, passou ent&atilde;o a gerir a crise, atuando com certa autonomia em rela&ccedil;&atilde;o   aos interesses locais e regionais. Definiu-se nova fase na forma&ccedil;&atilde;o do Estado   brasileiro, com a centraliza&ccedil;&atilde;o do poder e a constitui&ccedil;&atilde;o de um aparelho   estatal com maior poder de regula&ccedil;&atilde;o e controle sobre diversos interesses espec&iacute;ficos,   transformando-os em problemas nacionais e sujeitos &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de Estado. Conforme assinala Lopreato (2000, 3): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A crise criou as condi&ccedil;&otilde;es, no plano econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico,     para a amplia&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os regulat&oacute;rios federais. O governo     central incorporou os &oacute;rg&atilde;os estaduais do caf&eacute; e do a&ccedil;&uacute;car encarregados da     pol&iacute;tica de valoriza&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os e criou outros institutos semelhantes (sal,     mate, cacau e pinho), bem como estendeu sua atua&ccedil;&atilde;o implantando os Minist&eacute;rios     do Trabalho, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio e da Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de P&uacute;blica. Ampliou os     espa&ccedil;os de defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica estruturando &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis     pela a&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de com&eacute;rcio exterior, monet&aacute;ria e credit&iacute;cia, c&acirc;mbio e     seguros, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de comiss&otilde;es executivas e empresas estatais com     atua&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica industrial.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O fato &eacute; que, com a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1930 e o colapso do   financiamento externo, causado pelos efeitos da Grande Depress&atilde;o, o novo   governo provis&oacute;rio decretou a morat&oacute;ria da d&iacute;vida externa da Uni&atilde;o, estados e   munic&iacute;pios. Feito isso, a primeira provid&ecirc;ncia de seu ministro da Fazenda, Jos&eacute;   Maria Whitaker, foi levantar a verdadeira situa&ccedil;&atilde;o de cada ente da federa&ccedil;&atilde;o   com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas d&iacute;vidas externas.    A centraliza&ccedil;&atilde;o do poder no governo federal &#150; que ent&atilde;o nomeara interventores   para os governos estaduais &#150; permitiu, pela primeira vez, o acesso pleno do   Minist&eacute;rio da Fazenda a informa&ccedil;&otilde;es fidedignas sobre contratos de empr&eacute;stimos e   a situa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os das d&iacute;vidas de todos os estados, antes sonegadas pelos governadores, ciosos de sua autonomia federativa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O resultado da sindic&acirc;ncia foi desalentador, conforme   testemunha ocular no processo de investiga&ccedil;&atilde;o, Valentim Bou&ccedil;as (1891&#150;1964),   ex-secret&aacute;rio t&eacute;cnico da Comiss&atilde;o de Estudos T&eacute;cnicos de Economia e Finan&ccedil;as do   Minist&eacute;rio da Fazenda, ex-negociador da d&iacute;vida externa brasileira e membro da delega&ccedil;&atilde;o brasileira na Confer&ecirc;ncia de Bretton Woods (Bou&ccedil;as 1955, 23&#150;24):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Em 31 de dezembro de 1930, a d&iacute;vida externa dos 15 Estados     que t&ecirc;m empr&eacute;stimos realizados no exterior, era representado por     £&nbsp;86.214.000. Essa d&iacute;vida exige, anualmente, de acordo com os respectivos     contratos, para o seu servi&ccedil;o, a remessa de £&nbsp;7.386.000. Feita a     convers&atilde;o, a d&iacute;vida externa consolidada dos Estados &eacute; de 3.448.560&nbsp;contos de     r&eacute;is, sendo os seus encargos anuais de 295.440&nbsp;contos de r&eacute;is. Apenas     cinco Estados n&atilde;o t&ecirc;m d&iacute;vida consolidada externa e s&atilde;o eles em ordem     geogr&aacute;fica: Piau&iacute;, Para&iacute;ba, Sergipe, Goi&aacute;s e Mato Grosso. A d&iacute;vida externa     &#91;estadual&#93; &eacute; tr&ecirc;s vezes a receita estimada e o servi&ccedil;o anual, de ac&ocirc;rdo com os     contratos, exige 25% da receita total. Dos Estados, o que mais deve no     exterior, em n&uacute;meros absolutos, &eacute; S&atilde;o Paulo;      e o Rio Grande do Norte &eacute; o que tem a menor d&iacute;vida externa.<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title=""><sup>19</sup></a></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise dos contratos de empr&eacute;stimos e da destina&ccedil;&atilde;o   da receita dessas opera&ccedil;&otilde;es revelaram ami&uacute;de o descaso de muitos dos   governadores pela coisa p&uacute;blica durante a Rep&uacute;blica Velha. Em geral, as   condi&ccedil;&otilde;es dos empr&eacute;stimos efetuados eram muito onerosas, n&atilde;o s&oacute; pela taxa de   juros, mas pelo elevado des&aacute;gio em que eram lan&ccedil;ados, pelas comiss&otilde;es pagas,   como tamb&eacute;m pela inser&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas contratuais que feriam a legisla&ccedil;&atilde;o   federal. Em muitos casos, houve claro desvio na aplica&ccedil;&atilde;o de recursos com o   endividamento legalmente autorizado para obras p&uacute;blicas utilizado na pr&aacute;tica   para financiar d&eacute;ficits, pagar folha de servidores p&uacute;blicos e cobrir d&iacute;vida flutuante em vez de financiar investimentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por conta desses "descalabros" nas d&iacute;vidas estaduais,   o governo brasileiro,    a partir da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1934, suspendeu a descentraliza&ccedil;&atilde;o fiscal imperante   na Rep&uacute;blica Velha, instituindo novo sistema tribut&aacute;rio e de reparti&ccedil;&atilde;o de   receitas, retirando dos estados os direitos de taxarem seus produtos de   exporta&ccedil;&atilde;o e de contrair livremente empr&eacute;stimos no exterior, pondo fim &agrave;   primeira experi&ecirc;ncia de paradiplomacia financeira no Pa&iacute;s, a qual durara por   quase 40 anos. Por seu turno, essa proibi&ccedil;&atilde;o de governos estaduais captarem   diretamente empr&eacute;stimos no exterior haveria de perdurar por quase duas d&eacute;cadas,   somente voltando a ser permitida a contrata&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos externos pelos estados em finais dos anos 1940 e in&iacute;cio dos anos 1950.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O resgate de 40 anos de paradiplomacia financeira no   Brasil durante a Rep&uacute;blica Velha revelou que a busca da capta&ccedil;&atilde;o de recursos   externos pelos estados resultou de duas tend&ecirc;ncias, uma de natureza interna e   outra externa: i)&nbsp;a descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e administrativa trazida   pela primeira constitui&ccedil;&atilde;o republicana e federativa ap&oacute;s o fim do regime   mon&aacute;rquico, e ii)&nbsp;a mundializa&ccedil;&atilde;o das finan&ccedil;as no final do s&eacute;culo 19, que   abriu espa&ccedil;o para o acesso ampliado de pa&iacute;ses da periferia aos capitais   externos. Esses dois fatores influenciaram conjuntamente os entes subnacionais   na busca de recursos fora do territ&oacute;rio nacional, o que contribuiu para convert&ecirc;-los em prematuros atores coadjuvantes no cen&aacute;rio internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, o conceito moderno e atual de paradiplomacia   pode ser empregado para explicar o processo precoce de extrovers&atilde;o dos governos   estaduais brasileiros na busca de captar recursos externos para cobrir suas   necessidades de financiamento. A forte descentraliza&ccedil;&atilde;o federativa que   caracterizou o sistema pol&iacute;tico brasileiro nos prim&oacute;rdios do regime republicano   permitiu n&atilde;o s&oacute; livre acesso dos estados aos cr&eacute;ditos internacionais, como   ensejou um descontrole que acabou por gerar uma crise de endividamento e   exaust&atilde;o do cr&eacute;dito externo. A crise econ&ocirc;mica de 1929 (um elemento do sistema   internacional) e a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1930 no Pa&iacute;s (um fator de pol&iacute;tica dom&eacute;stica) puseram fim a essa fase incipiente da paradiplomacia financeira no Pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ABREU, Marcelo de Paiva. "Os <i>Funding Loans</i> Brasileiros, 1898-1931", Rio de Janeiro, PUC, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0034-7329201200010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOU&Ccedil;AS, <i>Valentim. Finan&ccedil;as do Brasil:   d&iacute;vida externa &#150; 1824-194</i>5. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio da Fazenda, Secretaria do Conselho T&eacute;cnico de Economia e Finan&ccedil;as, Volume XIX, 1955.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0034-7329201200010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CERVO, Amado   Cervo e BUENO, Clodoaldo. <i>Hist&oacute;ria     da Pol&iacute;tica Exterior do Brasil</i>. Bras&iacute;lia; Editora Universidade de Bras&iacute;lia, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0034-7329201200010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DEAN, Warren. <i>A Industrializa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo</i>. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil S.A, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0034-7329201200010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DEL PRIORE,   Mary e VEN&Acirc;NCIO, Renato Pinto. <i>O Livro de Ouro da Hist&oacute;ria do Brasil</i>. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0034-7329201200010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUCHACEK,   Ivo. "Perforated Sovereignties: Towards a Typology of New Actors in   International Relations", In: <i>Federalism     and International Relations: the role of subnational units</i> / Ed: Hans MICHELMANN e Panayotis SOLDATOS. Oxford: Claredon Press, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0034-7329201200010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FAUSTO, Boris. <i>A Revolu&ccedil;&atilde;o de 30: Historiografia e Hist&oacute;ria</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0034-7329201200010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FILOMENO, Filipe Amin. "A crise Baring e   a crise do Encilhamento nos quadros da economia-mundo capitalista". In: <i>XII Encontro Nacional de Economia     Pol&iacute;tica</i>, 2007, S&atilde;o Paulo. Anais do XII Encontro Nacional de Economia Pol&iacute;tica, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0034-7329201200010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FISHLOW, Albert. "Lessons from the Past:   Capital Markets during the 19th Century and the Interwar Period", International Organization, MIT Press, vol. 39 (3), 1985. p. 383&#150;439.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0034-7329201200010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FRIEDEN, Jeffry. <i>Capitalismo Global: Hist&oacute;ria   econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica do s&eacute;culo XX</i>. Rio de janeiro. Editora Zahar, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0034-7329201200010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FRITSCHER, Andr&eacute; Mart&iacute;nez e MUSACCHIO,   Aldo. "Endowments, Fiscal Federalism, and the Cost of Capital for States:   Evidence from Brazil, 1891-1930". Cambridge: NBER Working Paper, nº 15,411, October, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0034-7329201200010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOLDSMITH, Raymond W. <i>Brasil 1850-1984: Desenvolvimento   Financeiro sob um S&eacute;culo    de Infla&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Harper &amp; Row do Brasil Ltda, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0034-7329201200010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HOCKING, Brian. <i>Localizing Foreign Policy</i>. New York: St. Martin's Press, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0034-7329201200010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KEOHANE, Robert O. and NYE, Joseph Jr.   1977/2001: <i>Power and     Interdependence: World Politics in Transition.</i> 3rd edition: New York: Addison-Wesley Longman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0034-7329201200010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LOPREATO, Francisco Luiz. "O   endividamento dos governos estaduais nos anos 90".  Texto para Discuss&atilde;o. IE/UNICAMP, Campinas, nº 94, mar&ccedil;o 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0034-7329201200010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PRIETO, No&eacute; Cornago. O outro lado do novo   regionalismo p&oacute;s-sovi&eacute;tico e da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico. In: VIGEVANI, Tullo (Org.). <i>A dimens&atilde;o subnacional e as rela&ccedil;&otilde;es internacionais</i>. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0034-7329201200010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SOLDATOS, Panayotis. "<i>An Explanatory Framework for the   Study of Federated States as Foreign-policy Actors</i>" In: <i>Federalism and International     Relations: the role of subnational units</i> /Ed: Hans MICHELMANN e Panayotis SOLDATOS. Oxford: Claredon Press, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0034-7329201200010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TORRES, Alberto. <i>A Organiza&ccedil;&atilde;o Nacional. Rio de   Janeiro: </i>1914; reimpress&atilde;o: Bras&iacute;lia,  Ed. Universidade de Bras&iacute;lia, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0034-7329201200010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">WHITAKER, Jos&eacute; Maria. <i>A   administra&ccedil;&atilde;o Financeira do Governo Provis&oacute;rio de 4 de novembro de 1930 a 16 de novembro de 1931</i>. Rio de Janeiro: E. G. Revista dos Tribunaes, 1933.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0034-7329201200010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 29 de setembro de 2011</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Aprovado em 26 de outubro de 2011</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><br clear=all>    </font><font size="2" face="Verdana"><b>Fontes documentais oficiais</b></font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, 3 de setembro de 1890, p. 3.891. </font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, 22 de novembro de 1918, p. 13.861.</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Relat&oacute;rio do Presidente da Prov&iacute;ncia da Bahia &agrave; Assembleia Legislativa, 1888.</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Relat&oacute;rio do Presidente do Estado do Esp&iacute;rito Santo &agrave; Assembleia Legislativa, 1894 e 1896.</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Mensagem do Presidente do Estado de Minas Gerais &agrave; Assembleia Legislativa, 1897. </font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Mensagem do Presidente do Estado de S&atilde;o Paulo &agrave; Assembleia Legislativa, 1900 e 1906.</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Mensagem ao   Congresso Nacional pelo Presidente da Rep&uacute;blica, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, edi&ccedil;&otilde;es de 1903, 1905 e 1906.</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <font size="2" face="Verdana">Relat&oacute;rio do Ministro da Fazenda Rivadavia da Cunha Corr&ecirc;a, 1914.</font>    <br>     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1"     name="_ftn1" title="" id="_ftn1">1</a>&nbsp; Ao longo da Rep&uacute;blica Velha, que &eacute; a denomina&ccedil;&atilde;o       convencional para a hist&oacute;ria republicana que vai da proclama&ccedil;&atilde;o (1889) at&eacute; a       ascens&atilde;o de Get&uacute;lio Vargas em 1930, o Brasil conheceu uma sequ&ecirc;ncia de 13       presidentes. O tra&ccedil;o mais saliente dessa primeira fase republicana encontra-se       no fato de que a pol&iacute;tica esteve inteiramente dominada pela oligarquia       cafeeira, em cujo nome e interesse o poder foi de fato exercido. Para uma       caracteriza&ccedil;&atilde;o mais completa da "Rep&uacute;blica Velha", ver Del Priore e Ven&acirc;ncio     ]]></body>
<body><![CDATA[(2001), especialmente p. 300&#150;310.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="" id="_ftn2">2</a>&nbsp;       As refer&ecirc;ncias precisas s&atilde;o as seguintes obras: i)&nbsp;BEAULIEU, Leroy. <i>L'&Eacute;tat moderne et ses         fonctions</i>, Paris: Guillaumin Cie Librairies, 1889;       ii)&nbsp;DE FLAIX, Fournier. <i>&Eacute;tudes       &eacute;conomiques et financi&egrave;res</i> (2 volumes) Guillaumin Cie       Libraries, 1883; e iii)&nbsp;CAVALCANTI, Amaro (1900). <i>Regimen Federativo: a Republica     Brazileira</i>. Rio de janeiro: Imprensa Nacional, 1900.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="" id="_ftn3">3</a>&nbsp;       Para uma an&aacute;lise mais abrangente da atua&ccedil;&atilde;o dos capitais europeus nos pa&iacute;ses da     ]]></body>
<body><![CDATA[  periferia capitalista no final do s&eacute;culo 19 e in&iacute;cio do s&eacute;culo 20, consultar     Fishlow (1985, 383&#150;439).</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="" id="_ftn4">4</a>&nbsp;       As condi&ccedil;&otilde;es contratuais do pioneiro empr&eacute;stimo externo tomado pela prov&iacute;ncia       da Bahia em 1888 foram detalhadas no texto da Mensagem &agrave; Assembleia Legislativa       do ent&atilde;o Presidente da Prov&iacute;ncia, Manuel do Nascimento Machado Portela, na 1ª       Sess&atilde;o da 27ª Legislatura da Assembleia Legislativa Provincial no       dia 3 de abril de 1888. Bahia, Typ. da Gazeta da Bahia, 1888, p. AIII0 a     AIII12.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="" id="_ftn5">5</a>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[  Ver, a prop&oacute;sito, a &iacute;ntegra do Decreto de 14 de agosto de 1890, no Di&aacute;rio     Oficial da Uni&atilde;o, 3 de setembro de 1890, p. 3.891.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="" id="_ftn6">6</a>&nbsp;       A chamada Crise do Encilhamento ocorreu durante o governo provis&oacute;rio de Deodoro       da Fonseca (1889&#150;1891). O ent&atilde;o ministro da Fazenda, o pol&iacute;tico liberal Rui       Barbosa, na tentativa de estimular a industrializa&ccedil;&atilde;o do Brasil, adotou uma       pol&iacute;tica baseada em cr&eacute;ditos livres aos investimentos industriais garantidos       pelas emiss&otilde;es monet&aacute;rias. A especula&ccedil;&atilde;o financeira desencadeada, a infla&ccedil;&atilde;o e       os boicotes por meio de "empresas-fantasmas" e a&ccedil;&otilde;es sem lastro desencadearam,       em 1890, grave crise financeira. O ato de encilhar refere-se &agrave;s apostas, que     ]]></body>
<body><![CDATA[  eram o modo com que os especuladores atuavam na Bolsa de Valores com as       empresas-fantasmas. Essa crise causou o aumento da infla&ccedil;&atilde;o, recess&atilde;o,     desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial e aumento da d&iacute;vida externa.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="" id="_ftn7">7</a>&nbsp;       Para uma an&aacute;lise pormenorizada da evolu&ccedil;&atilde;o das finan&ccedil;as brasileiras desde       meados do s&eacute;culo 19 at&eacute; a metade dos anos 1980, consultar GOLDSMITH, Raymond W. <i>Brasil 1850-1984:       Desenvolvimento Financeiro sob um S&eacute;culo de Infla&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo:     Editora Harper &amp; Row do Brasil Ltda, 1986. p. 120&#150;145.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="" id="_ftn8">8</a>&nbsp;       A cita&ccedil;&atilde;o acima est&aacute; conforme o texto original contido na <i>Mensagem do Sr. Presidente Jos&eacute; de     ]]></body>
<body><![CDATA[    Mello Carvalho Moniz Freire na installa&ccedil;&atilde;o do Congresso legislativo</i>,       1894. Victoria, Typografia do Estado do Esp&iacute;rito Santo, 1894. A gest&atilde;o de Moniz       Freire na governadoria foi de 3 de maio de 1892 a 23 de maio de 1896, ao passo       que o Conde Francisco de Figueiredo (1843&#150;1917) foi ex-diretor do Banco do     Brasil e fundador do Banco Nacional do Brazil, subsidi&aacute;ria de bancos franceses.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="" id="_ftn9">9</a>&nbsp;       O mandato de Chrispim Fortes foi de 7 de setembro de 1894 a 7 de setembro de       1898. Os detalhes do empr&eacute;stimo de 1896 foram expostos na Mensagem do     Presidente ao Congresso Mineiro de 1897, p. 29&#150;30.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="" id="_ftn10">10</a>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[  Conforme mensagem do presidente do estado Fernando Prestes de Albuquerque &agrave;       Assembleia Legislativa      a 7 de abril de 1900.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="" id="_ftn11">11</a>&nbsp;     Ver, a prop&oacute;sito do endividamento paulista, o livro de Bou&ccedil;as (1955, 24).</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="" id="_ftn12">12</a>&nbsp;       Para uma an&aacute;lise aprofundada sobre as origens e o processo de desenvolvimento       industrial no Estado de      S&atilde;o Paulo e o papel do capital estrangeiro, vale a pena consultar Dean (1991).</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="" id="_ftn13">13</a>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[  Al&eacute;m dessas 31 opera&ccedil;&otilde;es, h&aacute; relatos de outros empr&eacute;stimos tomados por estados,       no per&iacute;odo 1894&#150;1913, na qualidade de garantidores de &oacute;rg&atilde;os ou bancos       estaduais. No entanto, a escassez e/ou contradi&ccedil;&otilde;es nas informa&ccedil;&otilde;es impediram       sua contabiliza&ccedil;&atilde;o neste trabalho. No mesmo per&iacute;odo, cabe mencionar que os       munic&iacute;pios das capitais brasileiras tamb&eacute;m se empenharam em captar diretamente       empr&eacute;stimos externos para financiar seus projetos de desenvolvimento urbano e       de saneamento, a come&ccedil;ar por Bel&eacute;m, Belo Horizonte e Salvador (1905), seguidas       por Manaus (1906), S&atilde;o Paulo (1908), Porto Alegre (1909) e Recife (1910) etc.       Para mais informa&ccedil;&otilde;es relativas a valores, condi&ccedil;&otilde;es, garantias e destina&ccedil;&atilde;o,     consultar Bou&ccedil;as (1955, 535&#150;562).<br />     ]]></body>
<body><![CDATA[</font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="" id="_ftn14">14</a>&nbsp;       Segundo afirma Goldsmith (1986, 122), as despesas totais do governo federal do       Brasil foram de 763&nbsp;mil contos de r&eacute;is em 1913, o que equivaleu a 11,5% do       PIB estimado para aquele ano, donde se depreende que o PIB foi de       6.634,78&nbsp;mil contos de r&eacute;is. Se relacionarmos o valor total de empr&eacute;stimos       externos contratados pelos Estados no per&iacute;odo 1894&#150;1913 com o PIB,     encontraremos o valor de 11%.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="" id="_ftn15">15</a>&nbsp;       Conforme a Mensagem apresentada ao Congresso Nacional na abertura da Primeira       Sess&atilde;o da Quinta Legislatura pelo Presidente da Rep&uacute;blica Francisco de Paula     ]]></body>
<body><![CDATA[Rodrigues Alves aos 3 de maio de 1903, p. 12.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="" id="_ftn16">16</a>&nbsp;       Segundo valor apurado no Annuario Estat&iacute;stico de Bulh&otilde;es Carvalho e transcrito       do referido texto publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, de 22 de novembro de     1918, p. 13.861.</font><br />     <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="" id="_ftn17">17</a>&nbsp;       Segundo Sandroni (2005, 362), o <i>Funding         Loan</i> ou empr&eacute;stimo de consolida&ccedil;&atilde;o &eacute; uma morat&oacute;ria negociada em que       os credores concedem a um devedor p&uacute;blico (soberano ou ente subnacional) um       novo empr&eacute;stimo correspondente aos encargos da d&iacute;vida vencida e vincenda. O     ]]></body>
<body><![CDATA[  termo incorporou-se &agrave; Hist&oacute;ria do Brasil, pois esse recurso foi utilizado       v&aacute;rias vezes pelos credores do Pa&iacute;s em momentos de crise de pagamentos     externos.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="" id="_ftn18">18</a>&nbsp;       A associa&ccedil;&atilde;o entre as exporta&ccedil;&otilde;es e as receitas dos governos estaduais, no       per&iacute;odo 1891&#150;1930, &eacute; relevante no caso brasileiro devido &agrave; forma extremada de       federalismo fiscal que o governo republicano brasileiro aprovou na Constitui&ccedil;&atilde;o       de 1891, uma vez que concedeu aos governos estaduais a compet&ecirc;ncia de arrecadar     o imposto sobre as exporta&ccedil;&otilde;es.<br />     </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="" id="_ftn19">19</a>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[  Ainda segundo Bou&ccedil;as (1955), a situa&ccedil;&atilde;o de inadimpl&ecirc;ncia estadual para com a       d&iacute;vida externa era generalizada entre os estados brasileiros. Mesmo S&atilde;o Paulo,       o estado mais rico da federa&ccedil;&atilde;o, tinha que alocar para o servi&ccedil;o da d&iacute;vida     quase 49% de sua receita total no ano de 1932.</font></p>      ]]></body><back>
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