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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel do Itamaraty na definição da política externa do governo Collor de Mello]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of Itamaraty in the foreign policymaking of the Collor de Mello administration]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work looks at the role of the Foreign Ministry in Fernando Collor's foreign policy, which is usually considered feeble. We argue that, instead of putting Itamaraty on the sidelines, the president reconfigured the ministry, both in terms of its key decision-makers and in administrative terms. The outcome was the establishment of a more liberal foreign policy - a mitigated Americanism - in tune with the traditional goals of Brazil's foreign relations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">O papel do Itamaraty na defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica  externa do governo Collor de Mello</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">The role of Itamaraty in the foreign   policymaking  of the Collor de Mello administration</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Guilherme Stolle Paix&atilde;o e Casar&otilde;es</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mestre e doutorando em Ci&ecirc;ncia   Pol&iacute;tica pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Mestre em Rela&ccedil;&otilde;es   Internacionais pela Universidade Estadual de Campinas (Programa San Tiago   Dantas/Unicamp), Professor de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais das Faculdades Integradas   Rio Branco, Funda&ccedil;&atilde;o Armando Alvares Penteado (FAAP)    e Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas (FGV) (<a href="mailto:casaroes@gmail.com">casaroes@gmail.com</a>)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; investigar o papel do   Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores na pol&iacute;tica externa do governo Collor,   rela&ccedil;&atilde;o comumente observada como fr&aacute;gil. Argumenta-se que, em vez de   marginalizar o Itamaraty, o presidente reconfigurou a chancelaria, tanto em   termos de seus decisores principais quanto em termos administrativos. A   consequ&ecirc;ncia foi o estabelecimento de uma pol&iacute;tica externa de fei&ccedil;&otilde;es mais   liberais &#150; um <i>americanismo     mitigado</i> &#150; em sintonia com os objetivos tradicionais das rela&ccedil;&otilde;es   exteriores do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b>  Fernando Collor; Itamaraty; pol&iacute;tica externa brasileira.</font></p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTARCT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">This work looks at the role of the Foreign Ministry   in Fernando Collor's foreign policy, which is usually considered feeble. We   argue that, instead of putting Itamaraty on the sidelines, the president   reconfigured the ministry, both in terms of its key decision-makers and in   administrative terms. The outcome was the establishment of a more liberal   foreign policy &#150; a <i>mitigated     Americanism</i> &#150; in tune with the traditional goals of Brazil's foreign   relations.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b>  Fernando Collor; Itamaraty; Brazilian foreign policy.</font></p> <hr size="1" noshade>    <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; investigar o papel do   Itamaraty na formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa do governo Collor, rela&ccedil;&atilde;o   comumente observada como fr&aacute;gil, em fun&ccedil;&atilde;o do grande voluntarismo pol&iacute;tico   atribu&iacute;do ao presidente da Rep&uacute;blica (Batista 1993). Busca-se responder a uma   pergunta relativamente simples, mas aparentemente controversa nesse caso: o   Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores p&ocirc;de exercer seu protagonismo no tocante &agrave;   pol&iacute;tica externa brasileira (PEB) entre 1990 e 1992? A julgar pela "impress&atilde;o   geral" que se tem sobre o papel do Itamaraty, sim. Afinal, ao menos at&eacute; a conclus&atilde;o   de nossa transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, um dos mais aventados "pontos pac&iacute;ficos" da   literatura referia-se ao expressivo controle, por parte do Itamaraty, sobre a   condu&ccedil;&atilde;o e, na maioria das vezes, tamb&eacute;m sobre a formula&ccedil;&atilde;o de nossa pol&iacute;tica exterior (Cheibub 1985)<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>1</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Falar do protagonismo do Itamaraty, por outro lado, &eacute;   contraintuitivo &#150; considerando que a literatura existente sobre o assunto   aponta que o servi&ccedil;o diplom&aacute;tico foi marginalizado do processo decis&oacute;rio da PEB   de Collor, sobretudo no que se refere &agrave; sua formula&ccedil;&atilde;o (Batista 1993; Lima   1994; Hirst e Pinheiro 1995; Vigevani e Cepaluni 2011). Devemos, antes de tudo,   enfrentar dois mitos que foram erguidos naquele contexto. O primeiro deles &eacute; o   de que o corpo diplom&aacute;tico brasileiro n&atilde;o teve voz nem vez nas determina&ccedil;&otilde;es da   inser&ccedil;&atilde;o internacional do Brasil entre 1990 e 1992. O segundo, intimamente   ligado ao anterior, &eacute; o de que o <i>americanismo</i> que caracteriza a pol&iacute;tica externa daquele governo &eacute; fun&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e exclusiva   do presidente da Rep&uacute;blica e de sua concep&ccedil;&atilde;o muito particular sobre o papel   dos Estados Unidos ao fim da Guerra Fria. Buscaremos lidar com essas duas   quest&otilde;es, tentando encontrar seus fundamentos, inconsist&ecirc;ncias l&oacute;gicas    e dificuldades emp&iacute;ricas. Pretende-se, ao fim e ao cabo, jogar nova luz sobre a   rela&ccedil;&atilde;o Estado-diplomacia sob o breve mandato de Fernando Collor de Mello, mais complexa e nuan&ccedil;ada do que sugere o j&aacute; evocado "consenso" da literatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este texto ser&aacute; dividido em tr&ecirc;s partes, que buscar&atilde;o   responder a diferentes quest&otilde;es acerca das rela&ccedil;&otilde;es entre Itamaraty e o   presidente da Rep&uacute;blica. Na primeira delas, a pergunta-chave &eacute; a seguinte: &eacute;   poss&iacute;vel, no caso brasileiro, pensar a pol&iacute;tica externa desvencilhada da   atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores? Parte-se da hip&oacute;tese de que,   tendo em mente a no&ccedil;&atilde;o de <i>insulamento     burocr&aacute;tico</i> e a tradi&ccedil;&atilde;o institucional do Itamaraty, remover o corpo   diplom&aacute;tico das decis&otilde;es de pol&iacute;tica externa &eacute; invi&aacute;vel e incompat&iacute;vel com o papel hist&oacute;rico por ele exercido como centro de gravidade da pol&iacute;tica externa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o obstante, pode-se alegar que o governo Collor   representou algum grau de ruptura, que deve ser investigado. Como compreender   uma "guinada" como aquela que se observou na pol&iacute;tica externa brasileira, ao   fim da Guerra Fria?    Na segunda se&ccedil;&atilde;o deste texto, busca-se compreender as transforma&ccedil;&otilde;es da   inser&ccedil;&atilde;o brasileira &agrave; luz <i>das     disputas e das disson&acirc;ncias</i> dentro do corpo diplom&aacute;tico. Nesse   contexto, as escolhas do presidente Collor, seja em termos dos personagens que   encabe&ccedil;aram a condu&ccedil;&atilde;o de sua pol&iacute;tica externa, seja no tocante aos formatos   institucionais que o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores assumiu, diante de um conjunto de reformas, ser&atilde;o colocadas em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A terceira parte ataca a dimens&atilde;o conceitual da   pol&iacute;tica externa brasileira, buscando subs&iacute;dios para compreender a inflex&atilde;o   observada com o governo Collor, bem como para qualific&aacute;-la. N&atilde;o sendo poss&iacute;vel   remover os v&iacute;nculos entre o Itamaraty e a PEB, se houve algum tipo de mudan&ccedil;a   paradigm&aacute;tica, ela tem que ser compreendida <i>no     contexto dos mapas cognitivos dispon&iacute;veis ao corpo diplom&aacute;tico</i>.   Defende-se a ideia de que, ao contr&aacute;rio das an&aacute;lises que situam a pol&iacute;tica   externa de Collor no extremo <i>americanista</i> do p&ecirc;ndulo paradigm&aacute;tico<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>2</sup></a>   (Batista 1993;    Lima 1994), houve uma esp&eacute;cie de <i>americanismo     mitigado</i>, quer dizer, uma inser&ccedil;&atilde;o que zela pela autonomia do Brasil   frente ao sistema internacional, mas cujo raio de a&ccedil;&atilde;o est&aacute; limitado pelos   constrangimentos impostos tanto pelas transforma&ccedil;&otilde;es estruturais em marcha,   quanto pelas novas circunst&acirc;ncias dom&eacute;sticas &#150; que, naturalmente, ressoam tamb&eacute;m sobre a diplomacia, embora com muito mais vagar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Pol&iacute;tica externa sem o Itamaraty?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Busca-se, antes de qualquer outra coisa, enfrentar o   argumento do embaixador Paulo Nogueira Batista, segundo o qual o Itamaraty "n&atilde;o   participou ativamente da formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa de Collor nem foi   tampouco o seu principal executor. Naquilo que lhe coube executar, teve, por&eacute;m,   gra&ccedil;as ao profissionalismo de seus quadros, atua&ccedil;&atilde;o minimizadora do custo de algumas posturas presidenciais" (Batista 1993, 123).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O argumento, da forma como foi colocado, parece   polarizar uma chancelaria altamente profissional a um presidente amador,   inconsequente ou voluntarista a cargo da pol&iacute;tica externa. Al&eacute;m disso, conduz o   MRE &agrave;s margens do processo decis&oacute;rio sobre a inser&ccedil;&atilde;o internacional brasileira   daquele per&iacute;odo. Isso seria poss&iacute;vel, num contexto como o brasileiro, no qual o   Itamaraty tradicionalmente gozou de ampla autonomia sobre a determina&ccedil;&atilde;o dos rumos da pol&iacute;tica exterior?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Defende-se a ideia de que a chancelaria se manteve   central nas determina&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa por duas raz&otilde;es: em primeiro   lugar, porque n&atilde;o h&aacute; muitos meios, <i>sobretudo     num contexto democr&aacute;tico</i>, para alijar uma burocracia do processo decis&oacute;rio.   Isso se torna particularmente dif&iacute;cil no caso da pol&iacute;tica externa, cuja   burocracia respons&aacute;vel por sua formula&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o passou por um   formid&aacute;vel processo de insulamento burocr&aacute;tico (Cheibub 1985). Em segundo   lugar, porque os rumos desejados pelo governo Collor n&atilde;o eram, em princ&iacute;pio,   incompat&iacute;veis com as linhas-mestras que orientavam, historicamente, nossa   inser&ccedil;&atilde;o internacional. Mais que isso: olhando-se em retrospectiva, algumas das   posi&ccedil;&otilde;es frequentemente atribu&iacute;das ao presidente Collor, como a abertura   econ&ocirc;mica, n&atilde;o eram exatamente novas no contexto do MRE, embora tenham sido impulsionadas pelo novo governo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A respeito da converg&ecirc;ncia (mesmo imperfeita) entre os   interesses de Collor e as expectativas do Itamaraty, sustenta Velasco e Cruz   (2004) que, n&atilde;o obstante o "selo" de Collor que marca a abertura neoliberal de   sua pol&iacute;tica externa, a ele n&atilde;o pode ser atribu&iacute;da a concep&ccedil;&atilde;o das   transforma&ccedil;&otilde;es em seu sentido lato. De fato, parece-nos implaus&iacute;vel supor que o   presidente tenha constru&iacute;do todo um conjunto de diretrizes para a inser&ccedil;&atilde;o   internacional do Brasil, a partir de um marco neoliberal, que fora simplesmente   replicado pelos diplomatas que gravitavam ao seu redor. A paternidade atribu&iacute;da   a Collor &eacute; certamente exagerada, de um lado, quando se toca no assunto da   liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica; as transforma&ccedil;&otilde;es da PEB no per&iacute;odo, por outro lado,   tamb&eacute;m s&atilde;o dramatizadas, e muitas vezes se esquece de que os princ&iacute;pios b&aacute;sicos   da inser&ccedil;&atilde;o internacional brasileira foram todos respeitados e levados a cabo   pela chancelaria, n&atilde;o tendo o governo Collor sido nenhuma exce&ccedil;&atilde;o nesse sentido.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A <i>abertura   econ&ocirc;mica</i>, que muitos atribuir&atilde;o &agrave;s vontades neoliberais de Collor   vis-&agrave;-vis o nacionalismo do nosso servi&ccedil;o diplom&aacute;tico, j&aacute; vinha sendo discutida   (de diferentes maneiras) no Itamaraty, e muitas das reformas nesse sentido,   ainda no governo Sarney, foram encampadas pela chancelaria. Lembremo-nos de   que, no auge do contencioso da inform&aacute;tica, era justamente o MRE que funcionava   como o <i>contrapeso</i> dos setores mais fortemente protecionistas, buscando uma agenda positiva com os   Estados Unidos. A liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial, embora levada &agrave;s vias de fato no   governo Collor, j&aacute; havia sido gestada na esfera da Comiss&atilde;o de Pol&iacute;tica   Aduaneira desde 1985, quando come&ccedil;ou a se estudar a revis&atilde;o das Tarifas   Aduaneiras Brasileiras (Velasco e Cruz 2004, 143). As posi&ccedil;&otilde;es, portanto, n&atilde;o   eram novas, mas talvez estivessem esperando o tempo certo para virem &agrave; tona,   tendo em mente a l&oacute;gica e os compromissos poss&iacute;veis no contexto do Estado desenvolvimentista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma demonstra&ccedil;&atilde;o ainda mais evidente de que as   transforma&ccedil;&otilde;es empreendidas no governo Collor n&atilde;o eram in&eacute;ditas pode ser   encontrada na postura do primeiro chanceler de Sarney, Olavo Set&uacute;bal. Ele   buscou, durante sua curta gest&atilde;o &agrave; frente do MRE, romper com o paradigma   universalista que prevalecia no Itamaraty. Mesmo que n&atilde;o tenha logrado &ecirc;xito,   frente &agrave; resist&ecirc;ncia da corpora&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica, o argumento evocado pelo   chanceler muito se assemelha com aquele apregoado por Fernando Collor meia   d&eacute;cada mais tarde. Nas palavras de Vizentini (2003, 66), Set&uacute;bal alegava "que o   Brasil era um pa&iacute;s Ocidental, que deveria maximizar suas oportunidades individuais, em coopera&ccedil;&atilde;o com os EUA, para chegar ao Primeiro Mundo".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A despeito do insucesso inicial de Set&uacute;bal (explicada,   em parte, pela recalcitr&acirc;ncia do Itamaraty em abandonar uma posi&ccedil;&atilde;o   terceiro-mundista que, <i>em     geral</i>, havia sido exitosa), a pr&oacute;pria chancelaria deslocou, aos   poucos, sua ret&oacute;rica para o campo liberal ao final do governo Sarney. Isso se   deu, sobretudo, pela voz do secret&aacute;rio-geral de Pol&iacute;tica Exterior do MRE, Paulo   Tarso Flecha de Lima &#150; que j&aacute; argumentava, nos idos de 1988, que "&#91;a&#93;   continuidade do dinamismo do nosso processo de desenvolvimento <i>exige uma pol&iacute;tica coerente e     gradual de liberaliza&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es</i>" (Flecha de Lima, 1988, 101, grifo nosso). Prossegue o embaixador:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A moderniza&ccedil;&atilde;o de nossa economia &eacute; certamente o   caminho para uma inser&ccedil;&atilde;o mais construtiva e moderna do Brasil na economia   internacional. &Eacute; tamb&eacute;m o corol&aacute;rio natural da sociedade democr&aacute;tica que   desejamos consolidar e na qual n&atilde;o seria poss&iacute;vel conciliar a hipertrofia do Estado com a desej&aacute;vel liberdade de a&ccedil;&atilde;o e de iniciativa (idem, 105).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A julgar pelas coloca&ccedil;&otilde;es de Flecha de Lima, pode-se   perceber que havia certo flerte com posi&ccedil;&otilde;es mais liberais, em especial nas   quest&otilde;es econ&ocirc;micas e nas rela&ccedil;&otilde;es entre Brasil-EUA. Essas posi&ccedil;&otilde;es foram   gestadas, como observado, desde o in&iacute;cio da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, e n&atilde;o ap&oacute;s a   chegada de Collor no governo, interpreta&ccedil;&atilde;o dominante na literatura.   Devidamente amparadas pelos segmentos sociais politicamente relevantes, elas   permitiram que de dentro do Itamaraty tamb&eacute;m se operasse uma mudan&ccedil;a, cuja   express&atilde;o mais vis&iacute;vel foi a guinada de orienta&ccedil;&atilde;o internacional observada com a chegada de Fernando Collor ao poder.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O <i>respeito   &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es da inser&ccedil;&atilde;o internacional brasileira</i>, por outro lado,   manteve-se em suas linhas gerais no governo Collor, ao contr&aacute;rio do que sugere   Batista (1993). O <i>primado     do direito</i>, que baliza nossa inser&ccedil;&atilde;o internacional desde tempos   imemoriais, serviu de fio condutor &agrave;quela pol&iacute;tica externa, como bem nota seu   primeiro operador, o ent&atilde;o chanceler Francisco Rezek: "&#91;o primado do direito&#93;   nos caracteriza e nos distingue (…). Eu assumo a chancelaria do governo Collor,   tendo como diretriz dele apenas <i>a     fidelidade &agrave;quilo que havia de melhor na nossa pol&iacute;tica externa e &agrave; abertura</i>" (Rezek 2011, grifo nosso).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Talvez o ministro tenha se esquecido de um momento   controverso de nossa participa&ccedil;&atilde;o internacional &#150; possivelmente o &uacute;nico &#150;, a   invas&atilde;o norte-americana &agrave; Rep&uacute;blica Dominicana, a qual o Brasil n&atilde;o somente   apoiou, como dela participou ativamente. Isso talvez s&oacute; confirme o fato de que,   sob Castello Branco, se adotou uma pol&iacute;tica externa <i>excepcional</i> no que concerne &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es   brasileiras. N&atilde;o foi, certamente, o caso do governo Collor. Os dois epis&oacute;dios   que potencialmente corresponderiam &agrave; invas&atilde;o dominicana de 1965 &#150; o aux&iacute;lio   brasileiro na invas&atilde;o do Panam&aacute;, em 1989, e sobretudo o envio de tropas nacionais   &agrave; Guerra do Golfo, em 1990 &#150; simplesmente n&atilde;o ocorreram, o que sugere, ao menos   no discurso oficial, que o Brasil <i>n&atilde;o     estava disposto a abandonar os princ&iacute;pios de sua pol&iacute;tica externa no af&atilde; de     melhorar as rela&ccedil;&otilde;es com os EUA</i>. N&atilde;o deixa de ser interessante notar   que, desde a elei&ccedil;&atilde;o de Collor, o pr&oacute;prio presidente fez quest&atilde;o de repudiar,   em nome dos princ&iacute;pios da PEB, o envolvimento brasileiro nas quest&otilde;es militares   norte-americanas. A primeira delas foi a resposta dada por Fernando Collor,   ent&atilde;o presidente-eleito, em entrevista no National Press Club aos 26 de janeiro   de 1990, a um jornalista que lhe havia perguntado se a quest&atilde;o do Panam&aacute;   interferiria nas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais entre os dois pa&iacute;ses: "N&atilde;o h&aacute; nenhum tipo   de empecilho maior no futuro das nossas rela&ccedil;&otilde;es. O governo, <i>n&atilde;o somente o governo americano     como o governo das na&ccedil;&otilde;es com as quais n&oacute;s temos rela&ccedil;&otilde;es sabem da posi&ccedil;&atilde;o do Brasil de defender (…) a pol&iacute;tica de n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o</i>".<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>3</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O pr&oacute;prio ex-presidente lembra-se dessa passagem,   destacando que seu posicionamento poderia ter conduzido a uma frustra&ccedil;&atilde;o do   di&aacute;logo com o presidente George Bush, com quem teria uma audi&ecirc;ncia no dia seguinte:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Nesse momento n&oacute;s sa&iacute;mos da entrevista, o ministro Marc&iacute;lio     Marques Moreira, que era o nosso embaixador em Washington, e o ministro Rezek,     que seria o meu futuro ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, estavam apreensivos em     fun&ccedil;&atilde;o desta resposta e dizendo que em fun&ccedil;&atilde;o disto, talvez o presidente Bush     cancelasse a audi&ecirc;ncia. Ele n&atilde;o cancelou, no dia seguinte n&oacute;s tivemos &#91;a     audi&ecirc;ncia&#93;, entramos no gabinete oval e o presidente Bush chegou muito efusivo,     me chamando pelo primeiro nome (…). A&iacute; come&ccedil;ou a dizer: "olha, sobre a sua     entrevista ontem, eu queria explicar essa quest&atilde;o do Panam&aacute;…" (…). Eu disse:     "Presidente, olha, eu quero dizer uma coisa, <i>n&atilde;o       h&aacute; a menor possibilidade do meu governo apoiar qualquer a&ccedil;&atilde;o armada dos Estados       Unidos, em qualquer parte do mundo, seja a que pretexto for</i>".     (Collor de Mello 2011, grifo nosso)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O teor da conversa parece ter se repetido algum tempo   mais tarde, por ocasi&atilde;o da eclos&atilde;o da Guerra do Golfo, em agosto de 1990.   Diante de nova convoca&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o brasileira, o presidente Collor teria   sido novamente taxativo com seu contraparte norte-americano, evocando, mais uma vez, o corol&aacute;rio da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A&iacute; veio a guerra do Golfo em 90, ele ligou pra mim, acho     que acabou esquecendo ou fazendo de conta que n&atilde;o se lembrava da nossa     conversa, pedindo pra que eu mandasse navios ou armas e gente, pessoal militar     l&aacute;, pra ajudar na coaliz&atilde;o (…) e eu disse: "Presidente, o Sr. se lembra daquela     nossa conversa (…)? N&atilde;o posso fazer nada, nenhum homem eu mandarei". (Collor de     Mello 2011)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os exemplos dados aqui certamente n&atilde;o esgotam o   argumento da converg&ecirc;ncia "program&aacute;tica" entre o presidente e o Itamaraty, que   sustentam nossa tese de que n&atilde;o houve marginaliza&ccedil;&atilde;o da chancelaria durante o   governo Collor. Talvez a circunst&acirc;ncia mais contundente que demonstre o papel   do MRE em nossa pol&iacute;tica externa do per&iacute;odo seja a quest&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o   regional, sobre a qual j&aacute; falamos, com outros enfoques. O Mercosul, como se   sabe, n&atilde;o foi concebido naquele governo, tendo sido fruto de discuss&otilde;es   iniciadas em meados da d&eacute;cada de 1980, sobretudo entre os presidentes Jos&eacute;   Sarney e Raul Alfons&iacute;n. N&atilde;o se tratava, contudo, de mera qu&iacute;mica pessoal:   havia, por tr&aacute;s da iniciativa, um consider&aacute;vel esfor&ccedil;o por parte da diplomacia   brasileira em tornar o Cone Sul seu eixo priorit&aacute;rio. E foi justamente no   governo Collor que se transformou em realidade aquilo que era, at&eacute; o fim da   d&eacute;cada anterior, um conjunto de ideias e vontades &#150; n&atilde;o por iniciativa do   presidente, mas por articula&ccedil;&atilde;o de nossa "m&aacute;quina diplom&aacute;tica e econ&ocirc;mica", como dir&aacute; Rezek:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O Mercosul (…) era um processo que j&aacute; fermentava na     chancelaria brasileira, em acordo com as demais &#91;chancelarias, de Argentina,     Uruguai e Paraguai&#93;,      e quando, enfim, Collor tomou posse, t&iacute;nhamos todos &#91;os presidentes&#93; muito     empenhados nisso (…) Vamos por a&iacute; e vamos depressa. E realmente foi depressa     (…). E n&atilde;o h&aacute;, na realidade, uma queixa retrospectiva da experi&ecirc;ncia que foi a     funda&ccedil;&atilde;o do Mercosul (Rezek 2011).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Se o Mercosul fosse a &uacute;nica alternativa de integra&ccedil;&atilde;o   econ&ocirc;mica diante do Brasil, seria at&eacute; compreens&iacute;vel insistir em sua consecu&ccedil;&atilde;o,   mesmo que n&atilde;o fosse um objetivo particular do presidente da Rep&uacute;blica.   Entretanto, havia uma solu&ccedil;&atilde;o paralela, que vinha sendo negociada pelo governo   Bush desde junho de 1990,    a Iniciativa para as Am&eacute;ricas. Como bem lembra Velloso (1991), o projeto &#150;   apelidado de "Plano Bush" &#150; tencionava inaugurar um novo momento das rela&ccedil;&otilde;es   entre os Estados Unidos e a Am&eacute;rica Latina. Parecia claro, naquele contexto,   que o governo Bush desejava redefinir a agenda norte-americana para o   hemisf&eacute;rio, outrora pautada por considera&ccedil;&otilde;es excessivamente estrat&eacute;gicas e que   levou    aquele pa&iacute;s a adotar, durante os anos 1980, "uma pol&iacute;tica em que 90% do seu   tempo, recursos e aten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o dedicados a 10% da regi&atilde;o, i.e., &agrave; Am&eacute;rica Central" (Velloso 1991, 8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ora, se a pol&iacute;tica externa de Collor de Mello nada   mais seria "do que a aplica&ccedil;&atilde;o ao caso brasileiro da filosofia ultraliberal   consolidada no chamado Washington Consensus" (Batista 1993, 195), por que o   presidente, diante de uma alternativa oferecida pelos Estados Unidos,   insistiria no Mercosul? O pr&oacute;prio embaixador Paulo Nogueira Batista oferece a   resposta, sugerindo que "andou bem Collor em ouvir o Itamarati &#91;sic&#93; e n&atilde;o aceitar   discutir a id&eacute;ia de Bush de eventual forma&ccedil;&atilde;o de uma &Aacute;rea Hemisf&eacute;rica de Livre Com&eacute;rcio, de contornos mal definidos" (idem, 198&#150;9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como &eacute; poss&iacute;vel governar sem o Itamaraty,   submetendo-se ao Consenso de Washington e, ao mesmo tempo, ouvir a diplomacia brasileira?   O paradoxo est&aacute; no fato de que, na vis&atilde;o daquele embaixador, a abertura   econ&ocirc;mica era sin&ocirc;nimo de alinhamento autom&aacute;tico com os EUA e consequente perda   de soberania &#150; sendo, portanto, incompat&iacute;vel com os objetivos da pol&iacute;tica   externa. Nada mais distante da realidade. Abrir-se economicamente, imperativo   identificado pelo pr&oacute;prio Itamaraty alguns anos antes, era fundamental para que   o Brasil pudesse fazer parte de uma nova ordem emergente, em que os objetivos   militares eram progressivamente substitu&iacute;dos pelas quest&otilde;es econ&ocirc;micas. A   expectativa de nossa pol&iacute;tica externa, no tocante &agrave; abertura, era redimir &#150;   como bem nota Rezek &#150; "aquilo que ainda restava de negativo na imagem   brasileira &#91;perante o mundo&#93;: o fechamento (…), o hermetismo" (Rezek 2011). A   rigor, como se afirmou anteriormente, abertura econ&ocirc;mica n&atilde;o seria incompat&iacute;vel com a pol&iacute;tica externa j&aacute; existente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas n&atilde;o eram todos os diplomatas a pensar da mesma   maneira: os debates em torno da liberaliza&ccedil;&atilde;o como pr&aacute;tica e do liberalismo   como ideologia tamb&eacute;m tiveram lugar no Itamaraty, e contribu&iacute;ram para   determinados avan&ccedil;os (e tantos outros retrocessos) na formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa do per&iacute;odo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>As disson&acirc;ncias da   pol&iacute;tica externa brasileira:  liberais versus nacionalistas no MRE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como vimos na se&ccedil;&atilde;o anterior, n&atilde;o se deve subscrever &agrave;   no&ccedil;&atilde;o de que    o Itamaraty desempenhou um papel "residual" na formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa   do per&iacute;odo, em contraste com uma intensa (e err&aacute;tica) diplomacia presidencial.   Grande parte dessa interpreta&ccedil;&atilde;o deve-se &agrave; l&oacute;gica de que (1)&nbsp;houve   mudan&ccedil;as significativas na pol&iacute;tica externa do per&iacute;odo; (2)&nbsp;se houve   mudan&ccedil;as, elas n&atilde;o podem ter sido gestadas dentro da chancelaria; e (3)&nbsp;se   n&atilde;o vieram da diplomacia, a "paternidade intelectual" das mudan&ccedil;as pertence ao pr&oacute;prio presidente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Muito embora a personalidade do presidente atue, mesmo   que de maneira esparsa, como uma esp&eacute;cie de calibragem ao servi&ccedil;o diplom&aacute;tico   na constitui&ccedil;&atilde;o das diretrizes de pol&iacute;tica externa, estamos falando de uma   institui&ccedil;&atilde;o cujo insulamento &eacute; caracter&iacute;stica definidora, e na qual mudan&ccedil;as   ocorrem, por via de regra, de forma gradual. Valendo-se de uma met&aacute;fora   sugerida por Allison (1969), &eacute; como se o presidente da Rep&uacute;blica, na condi&ccedil;&atilde;o   de chefe de Estado, fosse uma esp&eacute;cie de <i>quarterback</i>   do futebol americano, detentor de um leque de jogadas <i>previamente estabelecidas</i>,   chamando uma delas de acordo com a estrat&eacute;gia daquele embate espec&iacute;fico<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>4</sup></a>. O   servi&ccedil;o diplom&aacute;tico seria o restante do time, agindo n&atilde;o de acordo com as   vontades pessoais do <i>quarterback</i> ou de cada um de seus membros, mas seguindo roteiros fechados, repert&oacute;rios   pr&eacute;-estabelecidos, escolhidos em fun&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias e da interpreta&ccedil;&atilde;o dada a um determinado problema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa analogia resolve, em parte, o problema contrafactual   colocado sempre que se alega, como foi no caso da pol&iacute;tica externa do governo   Collor, que as mudan&ccedil;as de orienta&ccedil;&atilde;o internacional de um pa&iacute;s ocorrem em   fun&ccedil;&atilde;o de um choque estrutural: se outro presidente fosse eleito no lugar de   Collor, os rumos da pol&iacute;tica externa teriam sido os mesmos? Tudo indica que   n&atilde;o, uma vez que as mudan&ccedil;as s&atilde;o fruto de transforma&ccedil;&otilde;es que se sobrep&otilde;em nos   planos sist&ecirc;mico/estrutural, dom&eacute;stico e burocr&aacute;tico. Por isso mesmo, n&atilde;o   atribu&iacute;mos &agrave; pol&iacute;tica externa de Collor uma rela&ccedil;&atilde;o <i>determin&iacute;stica</i> com os movimentos tect&ocirc;nicos   causados pelo fim da Guerra Fria. A aproxima&ccedil;&atilde;o do Primeiro Mundo foi uma sa&iacute;da <i>poss&iacute;vel</i> dentro   de um conjunto mais amplo de jogadas, que poderiam incluir uma obstinada   manuten&ccedil;&atilde;o das linhas comerciais com o Terceiro Mundo, ou at&eacute; mesmo uma   inflex&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es socialistas, cada vez mais fr&aacute;geis. Isso n&atilde;o   quer dizer, entretanto, que a alternativa primeiro-mundista &#150; que   qualificaremos em breve &#150; estivesse fora das possibilidades: ela simplesmente foi   aquela da qual o presidente lan&ccedil;ou m&atilde;o, diante daquilo que interpretava como a melhor "jogada".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se o bin&ocirc;mio liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica/reconstru&ccedil;&atilde;o de   uma agenda positiva com o Primeiro Mundo (sobretudo com os Estados Unidos)   constava no rol de possibilidades de uma burocracia que <i>define suas pr&oacute;prias possibilidades     de jogo</i>, o que levou <i>insiders</i> como Paulo Nogueira Batista a apontar essa dist&acirc;ncia intranspon&iacute;vel entre Collor e o Itamaraty?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Defende-se aqui a suposi&ccedil;&atilde;o &#150; e trata-se, importante   frisar, de absoluta especula&ccedil;&atilde;o &#150; de que parte das acusa&ccedil;&otilde;es realizadas pelo   embaixador Batista (e por acad&ecirc;micos que, &agrave; &eacute;poca, o acompanharam nos   argumentos) ao governo Collor, se n&atilde;o foram pessoais, ao menos refletem a   dist&acirc;ncia consider&aacute;vel que separa suas vis&otilde;es de mundo acerca do papel   internacional do Brasil. As duas &aacute;reas principais das quais Paulo Nogueira   Batista se ocupou, ao longo de sua vida diplom&aacute;tica, foram a quest&atilde;o nuclear e   o com&eacute;rcio internacional, alinhando-se com veem&ecirc;ncia &agrave; ret&oacute;rica universalista do <i>pragmatismo respons&aacute;vel</i>.   Suas ideias nesse campo nos interessam em dois aspectos. Contrastavam, de um   lado, com as vis&otilde;es de mundo esposadas pelo pr&oacute;prio presidente Collor. O   interesse deste em aproximar-se do Primeiro Mundo, sobretudo o privil&eacute;gio dado   aos Estados Unidos, era visto por Batista como uma "ilus&atilde;o de &oacute;tica", ou at&eacute;   mesmo um "deslumbramento" (Batista 1993). Da mesma maneira, a postura de Collor   a respeito da quest&atilde;o nuclear desagradava aos militares, com os quais o   embaixador se identificava. A emblem&aacute;tica fotografia na qual o presidente, em 7   de setembro de 1990, joga uma p&aacute; de cal (no sentido literal) no po&ccedil;o destinado   a testes nucleares, na Serra do Cachimbo, PA, foi encarada como uma afronta n&atilde;o   somente &agrave; autonomia castrense, como tamb&eacute;m &agrave; independ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica externa brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por fim, os chamados "novos temas", como o meio   ambiente e os direitos humanos, tamb&eacute;m podem ter se configurado como ponto   controverso entre o embaixador e o presidente. Nota um diplomata pr&oacute;ximo do   governo Collor que, em contraste &agrave; habitual rejei&ccedil;&atilde;o do governo brasileiro &agrave;s   organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais &#150; sobretudo as ambientalistas, tidas como   "instrumentos das pot&ecirc;ncias" &#150;, o novo presidente criou um canal pessoal de   intera&ccedil;&atilde;o com os movimentos sociais transnacionais. Recebeu pessoalmente, por   exemplo, o presidente da Anistia Internacional &#150; que era, at&eacute; ent&atilde;o, "recebido pelo terceiro escal&atilde;o do Itamaraty"<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>5</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m nos interessam as ideias de Paulo Nogueira   Batista no sentido de jogarmos luz nas distintas orienta&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas que   animavam (e dividiam) o servi&ccedil;o diplom&aacute;tico. Tomaremos a imagem descrita por   Velasco e Cruz (2004), que retrata um Itamaraty cindido ao meio, face &agrave;   emerg&ecirc;ncia de grupos mais liberais dentre os quadros de nossa pol&iacute;tica   exterior. Trata-se de uma percep&ccedil;&atilde;o controversa, uma vez que os diplomatas, em   geral, e at&eacute; mesmo as an&aacute;lises acad&ecirc;micas mais tradicionais descrevem o   Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores como um bloco monol&iacute;tico de interesses. O   embaixador Flecha de Lima, contudo, &eacute; capaz de identificar dois agrupamentos   distintos, aos quais ele chama de <i>liberais</i>,   no qual ele pr&oacute;prio se inclui, e <i>nacionalistas</i>, "o grupo do Paulo Nogueira Batista" (Flecha de Lima 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante o governo Figueiredo, como vimos   anteriormente, o grupo liberal era representado por Roberto Campos, umas das   poucas vozes dissonantes dentro    de um amplo consenso nacionalista que sustentava a pol&iacute;tica externa brasileira   (Ferreira 2009). Nos anos Sarney, deve-se fazer uma aprecia&ccedil;&atilde;o mais nuan&ccedil;ada:   indica&ccedil;&otilde;es como Olavo Set&uacute;bal para a chancelaria, embora n&atilde;o fosse da "Casa", e   Paulo Tarso Flecha de Lima como o "homem forte" do Itamaraty, diante da   Secretaria-Geral, indicavam uma inflex&atilde;o liberal, muito provavelmente   articulada por Tancredo Neves<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>6</sup></a>. Sem o direcionamento pol&iacute;tico   daquele presidente, entretanto, o governo de Jos&eacute; Sarney acabou se atendo, at&eacute;   mesmo pelas circunst&acirc;ncias partid&aacute;rias, ao pacto nacional-desenvolvimentista,   dando continuidade &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o universalista da pol&iacute;tica externa brasileira &#150; em respeito, inclusive, aos militares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, no qual Paulo Tarso acabou assumindo a   posi&ccedil;&atilde;o de chanceler de facto &#150; isto &eacute;, respons&aacute;vel pela formula&ccedil;&atilde;o das grandes   posi&ccedil;&otilde;es do minist&eacute;rio &#150;,    coube a ele resguardar a unidade do Itamaraty em tempos adversos para a PEB.   Assim, mesmo que as vis&otilde;es p&uacute;blicas advogadas pelo secret&aacute;rio-geral   expressassem essa orienta&ccedil;&atilde;o liberal, as linhas gerais da inser&ccedil;&atilde;o brasileira   passavam por um processo de <i>aprendizagem</i> lenta, que demandaria uma esp&eacute;cie de catalisador pol&iacute;tico para se concretizar.   As press&otilde;es estruturais, exercidas principalmente pelos Estados Unidos sobre as   atitudes mais protecionistas do Brasil, n&atilde;o foram capazes de,  por si pr&oacute;prias, causar uma ruptura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pode-se dizer que esse impulso pol&iacute;tico foi dado pela   elei&ccedil;&atilde;o de Collor, em 1989. Mesmo que o presidente n&atilde;o tenha sido respons&aacute;vel   per se pela   inflex&atilde;o na pol&iacute;tica externa brasileira, suas interven&ccedil;&otilde;es na estrutura do   Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, nos limites daquilo que lhe cabia fazer,   foram cruciais para os contornos que a orienta&ccedil;&atilde;o brasileira assumiu no advento   da nova ordem mundial. Em primeiro lugar, as posi&ccedil;&otilde;es defendidas por Collor ao   longo do processo eleitoral, e mesmo na condi&ccedil;&atilde;o de presidente eleito, acabaram   criando focos de resist&ecirc;ncia &agrave;s mudan&ccedil;as no cerne do MRE. Tomemos, a t&iacute;tulo de   exemplo, a explana&ccedil;&atilde;o de Marc&iacute;lio Marques Moreira acerca das resist&ecirc;ncias   apresentadas pelo Itamaraty face &agrave; liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica idealizada ainda no   governo Sarney e, mais especificamente, &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es desejadas por Collor:   "&#91;V&aacute;rios&#93; diplomatas, sobretudo no escal&atilde;o intermedi&aacute;rio, (…) defendiam o   status quo ou mudan&ccedil;as muito graduais. O problema n&atilde;o eram as pessoas em si,   muitos deles brilhantes diplomatas, era a cultura do Itamaraty, ainda   impregnada pela <i>heran&ccedil;a dos barbudinhos</i>" (Moreira 2001, 234, grifo nosso).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O pr&oacute;prio tratamento oferecido por Moreira, diplomata   de carreira, &agrave; cultura universalista do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores &#150;   colocada em termos bastante pr&oacute;prios da Guerra Fria &#150; indica a exist&ecirc;ncia de   uma trincheira entre o pensamento liberal, difundido entre alguns diplomatas, e   os ideais nacional-desenvolvimentistas advogados pelo grupo predominante na   chancelaria. Mesmo que esse tipo de divis&atilde;o n&atilde;o seja particular ao governo   Collor, a diferen&ccedil;a, nesse caso, &eacute; que a polariza&ccedil;&atilde;o teria sido induzida pelo   presidente, e n&atilde;o fruto de clivagens mais amplas, como era, nos anos 1950, a   querela entre nacionalistas e "entreguistas" no tocante aos rumos do desenvolvimento brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em linhas gerais, a referida alega&ccedil;&atilde;o sustenta-se no   argumento de que Collor exerceu seu poder presidencial de forma excessivamente   personalista. Isso surtiria, em todos os &acirc;mbitos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, o   duplo efeito da concentra&ccedil;&atilde;o de poder num s&oacute; polo decis&oacute;rio e da marginaliza&ccedil;&atilde;o   dos espa&ccedil;os tradicionalmente respons&aacute;veis pela formula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, independentemente de seu grau de insulamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se tais caracter&iacute;sticas s&atilde;o verdadeiras para   entendermos, por exemplo,    a indica&ccedil;&atilde;o da detentora da pasta da Economia, Z&eacute;lia Cardoso de Mello, que   constituiu sua esfera de atua&ccedil;&atilde;o sob o olhar vigilante do presidente, a mesma   regra n&atilde;o parece se aplicar <i>plenamente</i> ao Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores. A indica&ccedil;&atilde;o de Francisco Rezek veio,   conforme lembra o pr&oacute;prio ex-chanceler, como uma esp&eacute;cie de apelo a figuras de   relativa express&atilde;o em suas respectivas &aacute;reas<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>7</sup></a>,   "que ele n&atilde;o conhecia, tinha visto de longe", diante da aus&ecirc;ncia de uma equipe   constitu&iacute;da previamente (Rezek 2011). Parece sensato, portanto, supor que as   rela&ccedil;&otilde;es exteriores foram uma das poucas &aacute;reas do Executivo que Collor <i>n&atilde;o</i> buscou monopolizar   quando da forma&ccedil;&atilde;o de seu governo, e a indica&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m de fora da corpora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sinaliza qualquer inten&ccedil;&atilde;o no sentido contr&aacute;rio (Lafer 1993).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por outro lado, o presidente buscou selecionar, dentre   os quadros superiores do corpo diplom&aacute;tico, aqueles cuja trajet&oacute;ria e   concep&ccedil;&otilde;es de mundo estivessem afinadas a um projeto nacional liberalizante.   Essa vis&atilde;o est&aacute; presente nas constata&ccedil;&otilde;es de Sebasti&atilde;o Velasco e Cruz, para   quem o Itamaraty n&atilde;o foi marginalizado, nem obrigado a absorver uma linha   ex&oacute;gena de atua&ccedil;&atilde;o. O que Collor fez, segundo o autor, "foi intervir no campo   fortemente polarizado da diplomacia, consagrando a vit&oacute;ria do lado que advogava   pol&iacute;ticas compat&iacute;veis com o discurso j&aacute; predominante nas elites brasileiras e com a t&ocirc;nica geral de seu programa de governo" (Velasco e Cruz 2004, 150).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em avalia&ccedil;&atilde;o semelhante, e ratificando o que foi   exposto acima, Marc&iacute;lio Marques Moreira aponta as mudan&ccedil;as ocorridas no alto   escal&atilde;o do governo com a chegada de Collor ao poder, em particular no Itamaraty:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Pouco depois da posse &#91;de Collor&#93;, me telefonou o novo     ministro do Exterior, Francisco Rezek, dizendo que o presidente queria que eu     ficasse. E ficaram muito poucas pessoas, como &eacute; sabido (…). At&eacute; nas embaixadas,     onde estavam geralmente embaixadores de carreira, o presidente mudou v&aacute;rios.     Durante      a viagem de janeiro &#91;de 1990 ao exterior, antes da posse&#93;, n&atilde;o gostou de alguns     e depois trocou: em Nova Iorque, em Lisboa… Foi uma altera&ccedil;&atilde;o muito profunda     (Moreira 2001, 230).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ressalte-se que a tentativa de fortalecer a face   liberal de um Itamaraty dividido &#150;    e n&atilde;o min&aacute;-lo por fora, como sugerem os cr&iacute;ticos &#150; sinaliza que a institui&ccedil;&atilde;o   gozava de prest&iacute;gio junto ao presidente. "A efici&ecirc;ncia da corpora&ccedil;&atilde;o   diplom&aacute;tica foi frequentemente mencionada por Collor, e diversos diplomatas   foram nomeados em outros minist&eacute;rios e na assessoria da presid&ecirc;ncia", como   sugere, ainda que discretamente, a observa&ccedil;&atilde;o de Mello (2000, 97, nota 14).   Tanto &eacute; que a figura mais pr&oacute;xima do presidente-eleito durante o per&iacute;odo de   transi&ccedil;&atilde;o de governo foi um diplomata de carreira, Marcos Coimbra, que tamb&eacute;m   era seu cunhado &#150; casado com a irm&atilde; do presidente, Leda Collor. Ele se   transformaria em chefe de gabinete e assessor diplom&aacute;tico do novo chefe de   Estado, assumindo um papel central nas determina&ccedil;&otilde;es organizacionais da pol&iacute;tica externa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Esse argumento ganha for&ccedil;a frente a uma an&aacute;lise mais   detida sobre    a composi&ccedil;&atilde;o do quadro mais amplo da pol&iacute;tica externa de Collor em sua primeira   fase (ou seja, entre a posse e meados de 1992, quando Celso Lafer sucede Rezek   no contexto de uma profunda mudan&ccedil;a ministerial). Em primeiro lugar, h&aacute; duas   figuras do mundo diplom&aacute;tico que orientaram ideologicamente a campanha de   Fernando Collor e sua plataforma de governo. De forma menos intensa, Roberto   Campos, um dos defensores de uma agenda positiva com os Estados Unidos durante   o per&iacute;odo militar. Mais pr&oacute;ximo do presidente estava Jos&eacute; Guilherme Merquior,   diplomata e intelectual p&uacute;blico que o ajudou a transpor, para o campo    pol&iacute;tico, suas ideias acerca do <i>liberalismo     social</i> (Merquior 1987), trazido a p&uacute;blico    em discursos importantes de Collor, como o de posse e o de sua primeira participa&ccedil;&atilde;o na abertura da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 1990. Nunca   &eacute; demais ressaltarmos que esses dois exemplos ilustram posi&ccedil;&otilde;es muito mais   liberais que aquelas defendidas pelo Itamaraty, em seu papel habitual de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimentismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute;, al&eacute;m dos "formadores ideol&oacute;gicos" do discurso de   Collor, outras indica&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas dignas de nota. J&oacute;rio Dauster, durante a   gest&atilde;o econ&ocirc;mica de Z&eacute;lia Cardoso de Mello, foi a ponta de lan&ccedil;a da   renegocia&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida externa junto aos credores norte-americanos. A Marc&iacute;lio   Marques Moreira, figura de fortes tra&ccedil;os liberais (Moreira 2001), coube a   continuidade dos trabalhos como embaixador brasileiro em Washington,   interrompido somente em maio de 1991 para que o diplomata assumisse o   "superminist&eacute;rio" da Economia. Marcos Castrioto de Azambuja, por sua vez,   defendeu incondicionalmente, &agrave; frente da Secretaria-Geral de Pol&iacute;tica Exterior   do MRE, as no&ccedil;&otilde;es de inser&ccedil;&atilde;o competitiva e moderniza&ccedil;&atilde;o <i>via </i>internacionaliza&ccedil;&atilde;o (Azambuja 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m da inflex&atilde;o liberal promovida nos escal&otilde;es mais   altos da diplomacia, houve tamb&eacute;m uma tentativa de promover a <i>desconcentra&ccedil;&atilde;o</i> do poder   pol&iacute;tico na chancelaria, por meio de reformas institucionais. Isso se deu, em grande   medida, com o objetivo de evitar um secret&aacute;rio-geral particularmente forte,   como havia sido o embaixador Flecha de Lima. &Eacute; exatamente em torno dele, ali&aacute;s,   que gira a principal controv&eacute;rsia suscitada por Collor em sua rela&ccedil;&atilde;o com a   burocracia do servi&ccedil;o exterior: a famigerada "triparti&ccedil;&atilde;o" da Secretaria-Geral   do Itamaraty.    O Decreto n&#186; 99.261, de 23 de maio de 1990, institu&iacute;a tr&ecirc;s diferentes   Secretarias-Gerais: a de Pol&iacute;tica Exterior, respons&aacute;vel por todos os   Departamentos e suas respectivas Divis&otilde;es, relacionados &agrave;s &aacute;reas de pol&iacute;tica   bilateral e multilateral, econ&ocirc;mica, de promo&ccedil;&atilde;o comercial e coopera&ccedil;&atilde;o   tecnol&oacute;gica, entre outras;    a Secretaria-Geral Executiva, incumbida das quest&otilde;es administrativas da Casa,    sob a qual tamb&eacute;m estava o Instituto Rio Branco; e a Secretaria-Geral de   Controle, &agrave; qual couberam todas as atribui&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; administra&ccedil;&atilde;o   financeira, contabilidade e auditorias. Os tr&ecirc;s secret&aacute;rios-gerais,   embaixadores Marcos Castrioto de Azambuja (SGPE), Eduardo Moreira Hosannah (SGE)   e S&eacute;rgio de Queiroz Duarte (SGC), despachavam com o chanceler (Castro e Castro 2009, 121).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os efeitos da triparti&ccedil;&atilde;o foram imediatamente sentidos   e condenados dentro do Minist&eacute;rio. Nas palavras de Celso Lafer, ao assumir a   chancelaria, em maio de 1992, "o Itamarati &#91;sic&#93; estava, do ponto de vista   interno, afetado por uma reforma administrativa, conduzida no primeiro momento   do governo Collor por Jo&atilde;o Santana, que causou muita pol&ecirc;mica e muito desastre"   (Lafer 1993, 274). Por outro lado, o pr&oacute;prio Secret&aacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o   Federal do governo Collor, Jo&atilde;o Santana, alega que as mudan&ccedil;as institucionais   inscreviam-se em um amplo "projeto de nova arquitetura organizacional para a   administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica federal", da qual o pr&oacute;prio presidente-eleito participou   "nas etapas definitivas". Nesse contexto, a cria&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s Secretarias-Gerais   tinha como objetivo desconcentrar decis&otilde;es pol&iacute;ticas e administrativas das m&atilde;os   de uma s&oacute; figura, de forma a evitar "a personifica&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, o que &eacute; inconveniente ao seu bom funcionamento" (Santana 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, existe um grande acordo a respeito de   que uma das inten&ccedil;&otilde;es de se subdividir a Secretaria-Geral era exatamente <i>evitar um novo Paulo Tarso</i>.   Luiz Felipe Lampreia &eacute; categ&oacute;rico a esse respeito: para ele, o embaixador   Marcos Coimbra havia criado "um esquema anti Paulo Tarso" (Lampreia 2010, 117).   Rememorando o processo de mudan&ccedil;a institucional, o ex-chanceler Rezek tamb&eacute;m   subscreve a essa ideia, dizendo que foi concebida antes mesmo do in&iacute;cio do   governo, em fun&ccedil;&atilde;o da "absor&ccedil;&atilde;o de poder em sentido horizontal e vertical" da   gest&atilde;o daquele secret&aacute;rio-geral (Rezek 2011). A triparti&ccedil;&atilde;o serviria, assim,   para evitar uma concentra&ccedil;&atilde;o de poder que poderia reduzir o controle do presidente sobre a estrutura do minist&eacute;rio (Lampreia 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Deve-se tamb&eacute;m levar em conta uma dimens&atilde;o pessoal por   tr&aacute;s das mudan&ccedil;as &#150; n&atilde;o de Collor, mas de seu principal assessor diplom&aacute;tico,   Marcos Coimbra.    O presidente, ali&aacute;s, teve a ajuda direta do embaixador Paulo Tarso na   operacio­naliza&ccedil;&atilde;o do governo de transi&ccedil;&atilde;o, no chamado "bolo de noiva" do   Itamaraty. Sem contar que o ex-secret&aacute;rio-geral do MRE, rigorosamente falando,   pertencia ao grupo "ideol&oacute;gico" com que Collor simpatizava. A quest&atilde;o parecia   estar, como sugere Rezek, no "n&uacute;cleo familiar" do presidente, "que n&atilde;o morria   de amores" por Paulo Tarso Flecha de Lima (Rezek 2011). Nesse sentido, o   embaixador Rego Barros completa: "o Marcos Coimbra procurou mostrar ao Collor   que &#150; n&atilde;o, agora &eacute; outra coisa. N&oacute;s somos pessoas melhores e vamos deixar esse pessoal" (Barros 2011, 25).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em todo caso, deve-se notar que poucas mudan&ccedil;as   institucionais s&atilde;o t&atilde;o unanimemente condenadas como foi a triparti&ccedil;&atilde;o da   Secretaria-Geral. Celso Amorim, em depoimento ao Centro de Pesquisa e   Documenta&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea do Brasil (CPDOC), sintetiza: "Aquilo   foi um grande erro que depois se consertou. Ali&aacute;s, ainda no governo Collor,   porque o pr&oacute;prio ministro Resek &#91;sic&#93; viu que era imposs&iacute;vel operar daquela   forma" (Amorim 2003, 18). A impress&atilde;o de Amorim &eacute; confirmada por Rezek, que   acrescenta o fato de que havia atritos constantes entre os secret&aacute;rios-gerais,   gerando problemas dentro da pr&oacute;pria estrutura: "N&atilde;o &eacute; uma boa coisa, tr&ecirc;s   vice-ministros" (Rezek 2011). Por fim, o pr&oacute;prio ex-presidente faz o seu mea-culpa   a respeito daquela mudan&ccedil;a institucional: "Foi um erro. N&atilde;o deveria ter feito   isso. Eu fiz isso inspirado pelo Marcos Coimbra, que advogava exatamente essa   quest&atilde;o de secretaria geral, era a super-secretaria. Mas isso criou muita confus&atilde;o" (Collor 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A publica&ccedil;&atilde;o do Decreto n&#186; 99.578, de 10 de outubro de   1990, consolidou as mudan&ccedil;as administrativas iniciais da gest&atilde;o de Francisco   Rezek. Pela primeira vez, um decreto presidencial dispunha sobre a estrutura do   MRE at&eacute; o n&iacute;vel de Depar­tamento, criando o Departamento de Meio Ambiente   (DMA). Castro e Castro (2009, 125) anotam que essas transforma&ccedil;&otilde;es denotavam um   esfor&ccedil;o do Itamaraty em adaptar-se &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es da agenda internacional,   com a inclus&atilde;o de novos assuntos, outrora secund&aacute;rios, como o meio ambiente ou a integra&ccedil;&atilde;o regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na esteira das reformas institucionais, houve tamb&eacute;m   uma altera&ccedil;&atilde;o significativa nas regras da carreira, a chamada "expuls&oacute;ria". De   acordo com a nova regra (j&aacute; utilizada nas For&ccedil;as Armadas), embaixadores ou   ministros, ap&oacute;s 15 anos na mesma categoria funcional, sofreriam uma esp&eacute;cie de   aposentadoria compuls&oacute;ria, a partir da qual comporiam um "quadro especial" at&eacute;   a aposentadoria efetiva, aos 70 anos de idade. De acordo com Manuel Mendes,   tratava-se de uma "forma esdr&uacute;xula de aposentadoria (…), um curioso sistema de   administra&ccedil;&atilde;o de pessoal que n&atilde;o existe em nenhum outro servi&ccedil;o diplom&aacute;tico do   mundo.    Os diplomatas nesta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o exercem fun&ccedil;&atilde;o alguma, nem no Brasil nem no   exterior, embora estejam em servi&ccedil;o ativo", passando a integrar o quadro   especial, "que alguns chamam, com sarc&aacute;stico realismo, de limbo" (Mendes 1995, 128&#150;9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por se tratar de uma norma muito espec&iacute;fica da   carreira, a "expuls&oacute;ria" n&atilde;o &eacute; frequentemente trazida &agrave; tona no rol de mudan&ccedil;as   institucionais, embora os diplomatas de carreira ressintam-se abertamente dela.   Em depoimento ao CPDOC, o embaixador Luiz Felipe Lampreia faz men&ccedil;&atilde;o a ela,   tratando-se de uma "regra nova e terr&iacute;vel" (Lampreia 2010, 117). Sebasti&atilde;o do   Rego Barros, em entrevista semelhante, considera a nova legisla&ccedil;&atilde;o "&#91;u&#93;ma bobageira. E a coisa muito malfeita. N&atilde;o &eacute; nada respeit&aacute;vel" (Barros 2011, 25).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Devemos dizer, brevemente, o que essas mudan&ccedil;as   significaram no momento e nas circunst&acirc;ncias em que elas foram implementadas.   Pode-se observar, pelos depoimentos e pela argumenta&ccedil;&atilde;o expostos, que v&aacute;rias   altera&ccedil;&otilde;es foram realizadas sem muita certeza dos efeitos que causariam &#150;   redundando em equ&iacute;vocos &#150; mas inspiradas, de alguma forma, pelo desejo de   promover uma inflex&atilde;o ideol&oacute;gica que alinhasse o Itamaraty &agrave;s vis&otilde;es de mundo   advogadas pelo novo governo. Ao contr&aacute;rio do que reza a lenda, a diplomacia n&atilde;o   foi marginalizada, mas reconfigurada &#150; dentro dos limites de interven&ccedil;&atilde;o do   presidente sobre uma estrutura burocr&aacute;tica bastante fechada. &Eacute; como se o <i>quarterback</i>, al&eacute;m de   cantar a jogada, pudesse escalar parte do time. Por outro lado, as mudan&ccedil;as   propostas por Collor, porquanto limitadas, n&atilde;o causaram, nem de longe, um abalo   s&iacute;smico no seio do servi&ccedil;o diplom&aacute;tico. E a pol&iacute;tica externa do per&iacute;odo, como   se quer sugerir, representou uma s&iacute;ntese entre o desejo de moderniza&ccedil;&atilde;o, de   abertura econ&ocirc;mica, e a busca pela autonomia de inser&ccedil;&atilde;o internacional, fio condutor do Itamaraty e uma de suas mais importantes tradi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Reflex&otilde;es finais: que tipo de alinhamento?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resta-nos, portanto, perguntar que tipo de alinhamento   emergiu durante o governo Collor. O per&iacute;odo entre 1990 e 1992 foi reflexo   direto de uma "tripla transforma&ccedil;&atilde;o" que acometeu o Estado brasileiro ao longo   da d&eacute;cada anterior, no tocante &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de sua pol&iacute;tica exterior. Em primeiro   lugar, ca&iacute;ram por terra as bases nacional-desenvolvimentistas que orientaram a   inser&ccedil;&atilde;o internacional do Brasil ao longo dos &uacute;ltimos governos militares.   Segundo, o regime pol&iacute;tico sob o qual o Pa&iacute;s fora conduzido por mais de 20   anos, com fortes resqu&iacute;cios da Nova Rep&uacute;blica adentro, tamb&eacute;m se reconfigurava,   afirmando-se legitimamente democr&aacute;tico a partir da primeira elei&ccedil;&atilde;o   presidencial direta, em fins de 1989. Por fim, a mudan&ccedil;a da ordem internacional   &#150; de uma estrutura bipolar aparentemente est&aacute;vel para uma <i>n&atilde;o ordem </i>com o ocaso da   Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e a implos&atilde;o do Terceiro Mundo como bloco de poder &#150; imp&ocirc;s a   necessidade de reorienta&ccedil;&atilde;o internacional em especial aos pa&iacute;ses semiperif&eacute;ricos, como parecia ser o caso do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A f&oacute;rmula do universalismo, aplicada de maneira   absolutamente pragm&aacute;tica a partir do governo Geisel, parecia uma estrat&eacute;gia de   grande alcance, bem-sucedida &#150; que seus sucessores, parte ou n&atilde;o da corpora&ccedil;&atilde;o   militar, fizeram quest&atilde;o de continuar. O problema, como se v&ecirc;, &eacute; o progressivo   distanciamento entre as <i>estrat&eacute;gias</i>   previamente definidas e as <i>necessidades</i> objetivas do Pa&iacute;s, num contexto de mudan&ccedil;as profundas. Voltando aos termos de   Allison (1969), o processo de aprendizagem organizacional, sendo usualmente   mais lento que as transforma&ccedil;&otilde;es que ocorrem fora de sua estrutura &#150; e   incorporando-as de forma seletiva &#150;, acaba gerando disson&acirc;ncias entre os   componentes estrutural, societ&aacute;rio e burocr&aacute;tico da pol&iacute;tica externa &#150; ou, em outras palavras, uma "car&ecirc;ncia de foco" (Lafer 1993, 274).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, as mudan&ccedil;as empreendidas pelo   presidente Collor <i>ao seu     alcance imediato</i>, ou seja, a inflex&atilde;o promovida em favor de quadros   mais liberais, bem como a reforma administrativa que reduziria o poder do   secret&aacute;rio-geral, serviram para dar sentido a um tipo de orienta&ccedil;&atilde;o   internacional que preenchia e conformava-se ao seu projeto neoliberal de modo   mais amplo. Ou seja, n&atilde;o se pode dizer que Collor simplesmente embaralhou as   cartas do Itamaraty na esperan&ccedil;a de enfraquecer a corpora&ccedil;&atilde;o, alijando-a de   forma derradeira do processo pol&iacute;tico. Havia, sim, um desejo de <i>coer&ecirc;ncia</i>, cujos resultados podem ser observados no decurso daquele governo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por isso mesmo, quando Batista (1993, 108) afirma que   "&#91;t&#93;rata-se de uma pol&iacute;tica externa profundamente vinculada &agrave; vis&atilde;o de mundo e   ao projeto nacional de Collor", isso n&atilde;o deve induzir a uma interpreta&ccedil;&atilde;o de   que os quadros diplom&aacute;ticos ficaram &agrave; margem do processo. S&oacute; seria cab&iacute;vel   levar o racioc&iacute;nio para esse lado se houvesse uma dist&acirc;ncia ontol&oacute;gica   intranspon&iacute;vel entre o servi&ccedil;o diplom&aacute;tico brasileiro e o Presidente da   Rep&uacute;blica &#150; o que, como vimos, n&atilde;o se sustenta. Nesse sentido, n&atilde;o parece   sensato alegar que o &uacute;ltimo conseguiu impor sua agenda externa em sua quase   totalidade sobre o primeiro &#150; havendo, pelo contr&aacute;rio, uma recomposi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as (mesmo que paulatina) dentro do Minist&eacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De toda forma, o tipo de orienta&ccedil;&atilde;o internacional que   se configurou com a chegada de Collor ao poder n&atilde;o nos parece rumar para o   extremo do p&ecirc;ndulo em que se conjuga o bin&ocirc;mio americanismo/subordina&ccedil;&atilde;o, como   sustenta a maioria das an&aacute;lises (Batista 1993; Lima 1994; Hirst e Pinheiro   1995). Acompanhamos, aqui, a interpreta&ccedil;&atilde;o de Arbilla (2000), para quem a   atualiza&ccedil;&atilde;o da agenda externa brasileira, no despertar do novo governo, n&atilde;o foi   acompanhada por uma mudan&ccedil;a mais profunda dos quadros conceituais da pol&iacute;tica   externa em termos paradigm&aacute;ticos. Aquele tipo de alinhamento autom&aacute;tico com os   EUA, caracter&iacute;stico da Guerra Fria, que se mostrava at&eacute; mesmo como um   imperativo ideol&oacute;gico, n&atilde;o encontrava mais espa&ccedil;o no contexto da inser&ccedil;&atilde;o   internacional brasileira. Quer dizer, n&atilde;o se tratava de uma jogada <i>poss&iacute;vel</i> dentro do leque de alternativas que se apresentava.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se houve algum tipo de inflex&atilde;o, contudo, isso se deve   n&atilde;o necessariamente a uma diplomacia presidencial intensa, mas a contradi&ccedil;&otilde;es   dentro do pr&oacute;prio corpo diplom&aacute;tico. Collor soube jogar com elas, superando a   in&eacute;rcia universalista, no sentido de flexionar sua pol&iacute;tica externa &#150;   devidamente amparado pelo servi&ccedil;o diplom&aacute;tico &#150; rumo a uma inser&ccedil;&atilde;o   internacional mais positiva.    O resultado, partindo de tudo que j&aacute; tratamos, pode ser pensado como uma   esp&eacute;cie de <i>americanismo     mitigado</i>, abrandado pela pr&oacute;pria dimens&atilde;o burocr&aacute;tica, especialmente central no caso de nossa inser&ccedil;&atilde;o exterior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, o governo Collor perseguiu uma s&iacute;ntese   entre os paradigmas tradicionais, assegurando a busca hist&oacute;rica de nossa   pol&iacute;tica externa pela autonomia e mantendo as linhas fundamentais daquilo que   se entende como o "repert&oacute;rio permanente" da PEB (Mello e Silva 1995), em   particular a diplomacia parlamentar/multilateral e a n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o em   assuntos dom&eacute;sticos de outras na&ccedil;&otilde;es. Coloca-se em evid&ecirc;ncia, assim, uma estrat&eacute;gia   em que planos regional e global complementam-se, tomando como base a abertura   econ&ocirc;mica e a afirma&ccedil;&atilde;o da democracia como fonte de legitima&ccedil;&atilde;o e, ao mesmo   tempo, de proje&ccedil;&atilde;o de poder. Destarte, o investimento no Mercosul como forma de   projetar economicamente a regi&atilde;o, o alinhamento condicionado ao Primeiro Mundo   (em particular aos Estados Unidos) e a rejei&ccedil;&atilde;o completa do projeto nuclear   advindo do regime anterior s&atilde;o compreendidos a partir deste novo marco   conceitual que busca tornar intelig&iacute;vel esse per&iacute;odo curto, embora fundamental, da pol&iacute;tica externa brasileira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Fontes prim&aacute;rias:</font></b><font size="2" face="Verdana"></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">AMORIM, Celso   Luiz Nunes. <i>Celso Amorim (depoimento, 1997)</i>. Rio de Janeiro, CPDOC, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0034-7329201200010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARROS,   Sebasti&atilde;o do Rego. <i>Sebasti&atilde;o do Rego Barros II (depoimento, 2009)</i>. Rio de Janeiro: CPDOC, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0034-7329201200010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COLLOR DE   MELLO, Fernando. <i>Entrevista concedida ao autor</i>. Bras&iacute;lia, 13 de junho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0034-7329201200010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLECHA DE LIMA, Paulo Tarso. <i>Entrevista concedida ao autor</i>. Bras&iacute;lia, 19 de maio de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0034-7329201200010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAFER, Celso.   "Entrevista com Celso Lafer". <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, vol. 6, no. 12, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0034-7329201200010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAMPREIA, Luiz Felipe. <i>Luiz Felipe   Lampreia (depoimento, 2008)</i>. Rio de Janeiro, CPDOC, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0034-7329201200010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">REZEK,   Francisco. <i>Entrevista concedida ao autor</i>. S&atilde;o Paulo, 04 de maio de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0034-7329201200010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SANTANA, Jo&atilde;o. <i>Entrevista concedida ao autor</i>. S&atilde;o Paulo, 04 de maio de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0034-7329201200010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Fontes secund&aacute;rias:</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALLISON,   Graham T. "Conceptual Models and the Cuban Missile Crisis". <i>The American Political Science Review</i>, vol. LXIII, no. 3, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0034-7329201200010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ARBILLA, Jos&eacute;   Mar&iacute;a. "Arranjos Institucionais e Mudan&ccedil;a Conceitual nas Pol&iacute;ticas Externas   Argentina e Brasileira (1989-1994)". <i>Contexto Internacional</i>, vol. 22, no. 2, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0034-7329201200010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">AZAMBUJA,   Marcos Castrioto de. "A Pol&iacute;tica Externa do Governo Collor". S&atilde;o Paulo: Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0034-7329201200010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BATISTA,   Paulo Nogueira. "A Pol&iacute;tica Externa de Collor: moderniza&ccedil;&atilde;o ou retrocesso?".    <i>Pol&iacute;tica Externa</i>, vol. 1, no. 4, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0034-7329201200010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASON,   Jeffrey; POWER, Timothy. "Presidentialization, Pluralization, and the Rollback    of Itamaraty". <i>International Political Science Review</i>, vol. 30, no. 2, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0034-7329201200010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTRO, Fl&aacute;vio Mendes de Oliveira e   CASTRO, Francisco Mendes de Oliveira. <i>1808-2008     Dois S&eacute;culos de Hist&oacute;ria do Itamaraty</i>. Volume 2 (1979-2008). Bras&iacute;lia: FUNAG, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0034-7329201200010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHEIBUB,   Zairo. "Diplomacia e Constru&ccedil;&atilde;o Institucional: o Itamaraty em perspectiva   hist&oacute;rica". <i>Dados</i>, vol. 28, no. 1, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0034-7329201200010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DANESE,   S&eacute;rgio Fran&ccedil;a. <i>Diplomacia Presidencial</i>. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0034-7329201200010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FARIA,   Carlos Aur&eacute;lio Pimenta de. "Opini&atilde;o P&uacute;blica e Pol&iacute;tica Externa: insulamento,   politiza&ccedil;&atilde;o e reforma na produ&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica exterior do Brasil". <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional</i>, vol. 51, no. 2, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0034-7329201200010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERREIRA,   Tulio S&eacute;rgio Henriques. <i>O     Universalismo e seus descontentes</i>: a pol&iacute;tica exterior do Brasil no governo Figueiredo (de 1979 a 1985). Curitiba: Juru&aacute;, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0034-7329201200010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLECHA DE   LIMA, Paulo Tarso. "Moderniza&ccedil;&atilde;o e obst&aacute;culos para a Internacionaliza&ccedil;&atilde;o da   Economia Brasileira". <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional</i>, ano XXXI, no. 123&#150;4, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0034-7329201200010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HIRST,   Monica e PINHEIRO, Let&iacute;cia. "A Pol&iacute;tica Externa do Brasil em dois tempos".  <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional</i>, vol. 38, no. 1, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0034-7329201200010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAFER,   Celso. "O Legado Diplom&aacute;tico da Viagem Presidencial de Tancredo Neves".  <i>Contexto Internacional</i>, vol. 1, no. 2, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0034-7329201200010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, Maria   Regina Soares de. "Ejes Anal&iacute;ticos y Conflicto de Paradigmas en la Pol&iacute;tica   Exterior Brasile&ntilde;a". <i>Am&eacute;rica Latina/Internacional</i>, vol. 1, no. 2, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0034-7329201200010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, Maria   Regina Soares de; SANTOS, Fabiano. "O Congresso e a Pol&iacute;tica de Com&eacute;rcio   Exterior". <i>Lua Nova</i>, no. 52, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0034-7329201200010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MELLO,   Fl&aacute;via de Campos. "Regionalismo e Inser&ccedil;&atilde;o Internacional: continuidade e   transforma&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa brasileira nos anos 90". Tese de doutorado, FFLCH/USP, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0034-7329201200010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MELLO E   SILVA, Alexandra de. "O Brasil no Continente e no Mundo: atores e imagens na   pol&iacute;tica externa brasileira contempor&acirc;nea". <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, vo. 8, no. 15, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0034-7329201200010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MENDES,   Manuel. <i>O Cerrado de Casaca</i>. Bras&iacute;lia: Thesaurus, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0034-7329201200010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MERQUIOR,   Jos&eacute; Guilherme. "Brazil's New Republic: The Social-Liberal Path". <i>Bulletin  of Latin American Review</i>, vol. 6, no. 2, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0034-7329201200010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOREIRA,   Marc&iacute;lio Marques. <i>Diplomacia, Pol&iacute;tica e Finan&ccedil;as</i>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0034-7329201200010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA,   Am&acirc;ncio Jorge de; ONUKI, Janina. "Elei&ccedil;&otilde;es, Partidos Pol&iacute;ticos e Pol&iacute;tica   Externa no Brasil". <i>Revista Pol&iacute;tica Hoje</i>, vol. 19, no. 1, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0034-7329201200010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RICUPERO,   Rubens. <i>Di&aacute;rio de Bordo: a viagem presidencial de Tancredo</i>. S&atilde;o Paulo: Imprensa Oficial, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0034-7329201200010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SANCHEZ-BADIN,   Michelle Ratton; FRAN&Ccedil;A, C&aacute;ssio Luiz de. "A inser&ccedil;&atilde;o internacional do    poder executivo federal brasileiro". <i>An&aacute;lises e     Propostas</i>. S&atilde;o Paulo: Friedrich-Ebert-Stiftung, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0034-7329201200010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, Vera   Alice Cardoso; DELGADO, Luc&iacute;lia de Almeida Neves. <i>Tancredo Neves: a trajet&oacute;ria de um liberal</i>. Belo Horizonte/Petr&oacute;polis: UFMG/Vozes, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0034-7329201200010000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VELASCO e   CRUZ, Sebasti&atilde;o Carlos. <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o,     Democracia e Ordem Internacional</i>. Campinas/S&atilde;o Paulo: Ed. Unicamp/ Ed. UNESP, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0034-7329201200010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VELLOSO,   Jo&atilde;o Paulo dos Reis. "Alternativas do Brasil em Face da Iniciativa Bush". In:   VELLOSO, Jo&atilde;o Paulo dos Reis (org.). <i>O     Brasil e o Plano Bush</i>: oportunidades e riscos numa integra&ccedil;&atilde;o das Am&eacute;ricas. S&atilde;o Paulo: Nobel, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0034-7329201200010000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VIZENTINI, Paulo G. Fagundes. "A Pol&iacute;tica Externa Brasileira em   Transi&ccedil;&atilde;o: do desenvol­vimentismo ao neoliberalismo". In: MARTINS, Estev&atilde;o   Chaves de Rezende (org.). <i>Rela&ccedil;&otilde;es     Internacionais: vis&otilde;es do Brasil e da Am&eacute;rica Latina</i>. Bras&iacute;lia: IBRI, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0034-7329201200010000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 30 de setembro de 2011</font>    <br> <font size="2" face="Verdana">Aprovado em 12 de janeiro de 2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="" id="_ftn1">1</a>&nbsp; Essa percep&ccedil;&atilde;o foi matizada em estudos recentes, no   tocante ao per&iacute;odo p&oacute;s-Guerra Fria &#150; sobretudo a partir do governo Fernando   Henrique Cardoso (1995&#150;2002) &#150;, nos quais o papel da diplomacia presidencial   (Danese 1999; Cason e Power 2009), das demais burocracias do Executivo   (Sanchez-Badin e Fran&ccedil;a 2010), dos partidos pol&iacute;ticos (Oliveira e Onuki 2010),   do poder Legislativo (Lima e Santos 2001) e da opini&atilde;o p&uacute;blica (Faria 2008) ganhou novos contornos e, naturalmente, despertou interesse acad&ecirc;mico.</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="" id="_ftn2">2</a>&nbsp;   Diversos autores do campo da Pol&iacute;tica Externa Brasileira situam a inser&ccedil;&atilde;o do   Brasil numa l&oacute;gica pendular, encontrando-se, num de seus extremos, o   alinhamento incondicional aos Estados Unidos (o chamado americanismo) e, no   outro, a busca pela total autonomia externa, n&atilde;o alinhada aos interesses   norte-americanos (o chamado universalismo ou globalismo) (Lima 1994; Mello e Silva 1995).</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="" id="_ftn3">3</a>&nbsp;   Transcrito do v&iacute;deo original da entrevista, dispon&iacute;vel em &lt;<a href="http://www.c-spanvideo.org/program/USBr" target="_blank">http://www.c-spanvideo.org/program/USBr</a>&gt;.  Acesso em 17 de agosto de 2011. Grifo nosso.</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="" id="_ftn4">4</a>&nbsp;   "De forma a executar rotinas complexas, o comportamento de um grande n&uacute;mero de   indiv&iacute;duos deve ser coordenado. A coordena&ccedil;&atilde;o requer procedimentos   operacionais-padr&atilde;o: regras de acordo com as quais as coisas s&atilde;o feitas. A   capacidade garantida para a execu&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel de uma a&ccedil;&atilde;o que depende do   comportamento de centenas de pessoas requer 'programas' estabelecidos. De fato,   se os onze membros de um time de futebol &#91;americano&#93; devem atuar adequadamente   em uma jogada particular, cada jogador n&atilde;o deve 'fazer o que ele acha que deve   ser feito' ou 'fazer o que o <i>quarterback</i> ordena'. Pelo contr&aacute;rio, cada jogador deve realizar as manobras especificadas por uma jogada previamente estabelecida que o <i>quarterback</i> simplesmente chamou naquela situa&ccedil;&atilde;o" (Allison 1969, 698, tradu&ccedil;&atilde;o livre).</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="" id="_ftn5">5</a>&nbsp;   Em entrevista concedida ao autor, Bras&iacute;lia, 19 de maio de 2011. O entrevistado pediu para n&atilde;o ser citado diretamente.</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="" id="_ftn6">6</a>&nbsp;   Refletida, entre outras coisas, numa renovada rela&ccedil;&atilde;o de proximidade com os   Estados Unidos, conforme sugerem relatos do embaixador Rubens Ricupero, que   assessorou o presidente-eleito em sua viagem oficial (Ricupero 2009), bem como as an&aacute;lises de Silva e Delgado (1985) e Lafer (1985).</font><br /> <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="" id="_ftn7">7</a>&nbsp;   Como foi o caso de Jos&eacute; Goldemberg para a Secretaria de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Jos&eacute; Lutzenberger para o Meio Ambiente e o pr&oacute;prio Rezek no MRE.</font></p>      ]]></body><back>
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