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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Organizações sociais e agroecologia: construção de identidades e transformações sociais]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Social organizations and agroecology: constructing identity and social transformation]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this work we seek to discuss the transformations that have occurred in family farming since the Green Revolution, especially since the protest movement that engendered the social organizations that defend the ideals of agroecology. Initially, we sought to understand how identity and social reality are constructed and reconstructed socially. A phenomenological approach was used to investigate how the break with conventional reality and the transition to agroecology occur. Based on empirical evidence we can say that agroecology helps provide a new and positive meaning to the social identity of farmers. However, recognition of the new identity involves questioning the dominant reality, starting with the crises experienced by farmers. Maintaining identity requires sharing it inter-subjectively with a group or organization.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Organiza&ccedil;&otilde;es sociais e agroecologia:    constru&ccedil;&atilde;o de identidades e transforma&ccedil;&otilde;es sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Social organizations and agroecology: constructing    identity and social transformation</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>M&aacute;rcio Andr&eacute; Leal Bauer<sup>I</sup>;    Zil&aacute; Mesquita<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Professor do Departamento de Ci&ecirc;ncias    Econ&ocirc;micas, Administrativas e Cont&aacute;beis, Universidade Federal do    Rio Grande. <a href="mailto:mbauer@vetorial.net">mbauer@vetorial.net</a>    <br>   <sup>II</sup>Professora e pesquisadora aposentada    da Escola de Administra&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal do Rio Grande    do Sul. <a href="mailto:zilamesquita@yahoo.com.br">zilamesquita@yahoo.com.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="VERDANA"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No presente trabalho, procuramos discutir as    transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no espa&ccedil;o da agricultura familiar    p&oacute;s&#45;Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, especialmente a partir do movimento    contestat&oacute;rio engendrado por organiza&ccedil;&otilde;es sociais que defendem    o ide&aacute;rio agroecol&oacute;gico. Inicialmente, procurou&#45;se compreender    como a identidade a e realidade social s&atilde;o constru&iacute;das e reconstru&iacute;das    socialmente. Utilizou&#45;se uma abordagem fenomenol&oacute;gica para investigar    como se d&aacute; a ruptura com a realidade convencional e a transi&ccedil;&atilde;o    para a agroecologia. Com base nas evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas, &eacute;    poss&iacute;vel dizer que a agroecologia participa da ressignifica&ccedil;&atilde;o    positiva da identidade social dos agricultores. Entretanto, o reconhecimento    da nova identidade passa pelo questionamento da realidade dominante a partir    de crises vividas pelos agricultores. Sua manuten&ccedil;&atilde;o requer partilh&aacute;&#45;la    intersubjetivamente com um grupo ou organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras&#45;chave:</b> Identidade, realidade,    organiza&ccedil;&otilde;es sociais, agroecologia, construcionismo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="VERDANA"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> In this work we seek to discuss the transformations    that have occurred in family farming since the Green Revolution, especially    since the protest movement that engendered the social organizations that defend    the ideals of agroecology. Initially, we sought to understand how identity and    social reality are constructed and reconstructed socially. A phenomenological    approach was used to investigate how the break with conventional reality and    the transition to agroecology occur. Based on empirical evidence we can say    that agroecology helps provide a new and positive meaning to the social identity    of farmers. However, recognition of the new identity involves questioning the    dominant reality, starting with the crises experienced by farmers. Maintaining    identity requires sharing it inter&#45;subjectively with a group or organization.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> Identity, reality, social organizations,    agroecology, social constructionism.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este trabalho faz um estudo emp&iacute;rico da    ado&ccedil;&atilde;o de novas identidades a partir da transforma&ccedil;&atilde;o    da realidade social. Em especial, analisa&#45;se a transi&ccedil;&atilde;o da agricultura    convencional para a ecol&oacute;gica, tentando compreender como se d&aacute;    a ruptura com uma realidade admitida como natural e os reflexos dessa ruptura    na reconstru&ccedil;&atilde;o e ressignifica&ccedil;&atilde;o da identidade    social de agricultores. Baseia&#45;se em dois anos de pesquisa em organiza&ccedil;&otilde;es    de agroecologia em duas regi&otilde;es do Rio Grande do Sul: Zona Sul e Vale    do Rio Pardo. Convencionou&#45;se chamar de Zona Sul a &aacute;rea do Rio Grande    do Sul que compreende os munic&iacute;pios de Cangu&ccedil;u, Morro Redondo,    Pelotas, S&atilde;o Louren&ccedil;o do Sul, Turu&ccedil;u e Arroio do Padre.    Por sua vez, o Vale do Rio Pardo compreende os munic&iacute;pios de Santa Cruz    do Sul, Vale do Sol, Ven&acirc;ncio Aires e Vera Cruz. Essas regi&otilde;es    foram escolhidas porque apresentam in&uacute;meras semelhan&ccedil;as entre    si: seus munic&iacute;pios s&atilde;o &aacute;reas de imigra&ccedil;&atilde;o,    de pequenas propriedades, de agricultura familiar e de produ&ccedil;&atilde;o    ecol&oacute;gica atendidas pelas mesmas Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o    Governamentais (ONGs).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante o per&iacute;odo da pesquisa foram estudados    tanto os grupos, associa&ccedil;&otilde;es e cooperativas de agricultores que    se dedicam ao cultivo de alimentos de forma ecol&oacute;gica, quanto as ONGs    respons&aacute;veis pela assessoria aos produtores. O entrela&ccedil;amento    dessas organiza&ccedil;&otilde;es produziu uma organiza&ccedil;&atilde;o em    rede, express&atilde;o de um movimento social embrion&aacute;rio centrado nos    princ&iacute;pios da agroecologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Darolt (2002), a agroecologia &eacute;    uma das correntes da Agricultura Org&acirc;nica que endere&ccedil;a quest&otilde;es    ligadas &agrave; justi&ccedil;a social. Almeida (2004) acredita que a agroecologia    substituiu a no&ccedil;&atilde;o&#45;chave de tecnologia alternativa, incorporando    id&eacute;ias ambientais (ecol&oacute;gicas, preservacionistas e conservacionistas    do meio ambiente) e sociais acerca da agricultura; seu escopo extrapola os limites    do campo da agricultura. "&#91;A agroecologia&#93; tem se apoiado no uso potencial    da diversidade social e dos sistemas agr&iacute;colas, especialmente aqueles    que os agentes reconhecem como estando mais pr&oacute;ximos dos 'modelos' campon&ecirc;s    e ind&iacute;gena" (ALMEIDA, 2004, p. 89). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na se&ccedil;&atilde;o seguinte, s&atilde;o apresentados    os conceitos centrais do trabalho &#150; identidade e realidade &#150; a partir de uma    abordagem construcionista. A seguir, s&atilde;o descritos os procedimentos relativos    &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o realizada nas organiza&ccedil;&otilde;es    agroecol&oacute;gicas. Na terceira se&ccedil;&atilde;o, apresentam&#45;se o contexto    s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rico e as evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas do estudo.    A &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o &eacute; reservada para as conclus&otilde;es    e sugest&otilde;es para direcionamentos futuros de pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFERENCIAL TE&Oacute;RICO: A ABORDAGEM CONSTRUCIONISTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na discuss&atilde;o te&oacute;rica que se segue,    os conceitos centrais deste trabalho &#150; identidade e realidade social &#150;s&atilde;o    abordados de uma perspectiva construcionista, com ra&iacute;zes no pensamento    de Marx (2005, p. 139) de que a sociedade "produz o homem enquanto homem<I>"</I>,    assim como &eacute; por ele produzida. Marx rejeita a id&eacute;ia da sociedade    como uma abstra&ccedil;&atilde;o, em antagonismo com o indiv&iacute;duo, afirmando    que o indiv&iacute;duo &eacute;, antes de mais nada, um "ser social".    Tal perspectiva ganhou notoriedade com o trabalho de Berger e Luckmann (1985),    que reelaboraram a id&eacute;ia marxista de que o pensamento humano funda&#45;se    na atividade humana (trabalho) e nas rela&ccedil;&otilde;es sociais por ela    produzidas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para a sociologia bergeriana, o processo dial&eacute;tico    fundamental da sociedade consiste em tr&ecirc;s momentos: exterioriza&ccedil;&atilde;o,    objetiva&ccedil;&atilde;o e interioriza&ccedil;&atilde;o. "&Eacute; atrav&eacute;s    da exterioriza&ccedil;&atilde;o que a sociedade &eacute; um produto humano.    &Eacute; atrav&eacute;s da objetiva&ccedil;&atilde;o que a sociedade se torna    uma realidade <I>sui generis. </I>&Eacute; atrav&eacute;s da interioriza&ccedil;&atilde;o    que o homem &eacute; um produto da sociedade" (BERGER, 1985, p. 15). O    indiv&iacute;duo que reflete sobre si pr&oacute;prio defronta&#45;se ent&atilde;o    com duas realidades: uma subjetiva e outra objetiva (BERGER e LUCKMANN, 1985).    Inicialmente tentaremos compreender a "realidade subjetiva" como o    processo de forma&ccedil;&atilde;o da identidade do indiv&iacute;duo ("si&#45;mesmo"),    o que &eacute; apenas um dos aspectos da realidade social, conforme a concep&ccedil;&atilde;o    original de Schutz (1995) que ser&aacute; abordada na seq&uuml;&ecirc;ncia.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>A Identidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Neste estudo, a identidade pode ser entendida    de forma dial&eacute;tica. H&aacute; uma objetividade, que diz respeito &agrave;s    tipifica&ccedil;&otilde;es do senso comum atribu&iacute;das a pessoas, grupos    ou organiza&ccedil;&otilde;es, com as quais o indiv&iacute;duo pode identificar&#45;se.    H&aacute; tamb&eacute;m uma subjetividade, no tocante &agrave; tentativa do    indiv&iacute;duo em integrar essas identidades sociais em uma narrativa &uacute;nica    e coerente com o si&#45;mesmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a identidade pode ser entendida como uma    constru&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    identidades dos outros membros do seu grupo social. Ela &eacute; essencialmente    uma estrutura social, o que torna imposs&iacute;vel conceb&ecirc;&#45;la fora da    experi&ecirc;ncia social. Sua unidade e estrutura refletem a unidade e estrutura    do processo social como um todo (MEAD, 1962, p. 164), estando sujeita &agrave;s    transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas ao longo do processo de intera&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo com os integrantes do seu grupo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso da agricultura familiar ecol&oacute;gica    na regi&atilde;o estudada, isso se verifica &agrave; medida que os agricultores    buscam grupos que estejam alinhados com suas identidades. A identifica&ccedil;&atilde;o    faz com que a identidade do grupo seja incorporada &agrave; narrativa da identidade    do indiv&iacute;duo, para compor uma narrativa &uacute;nica. Assim, &eacute;    poss&iacute;vel encontrar agricultores que se identificam tanto com o grupo    da igreja quanto com o ecol&oacute;gico, ou que afirmam ser o grupo ecol&oacute;gico,    a associa&ccedil;&atilde;o e a cooperativa "a mesma coisa" (BAUER    e MESQUITA, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;, pois, o conceito de identifica&ccedil;&atilde;o    que permite tratar a identidade de maneira relacional, como um processo em andamento    (HALL, 2000). A identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo que remete    ao ato de identificar: marcar ou destacar algo. Significa, ainda, reconhecer    uma marca em algo ou algu&eacute;m. Associando identifica&ccedil;&atilde;o e    identidade, pode&#45;se dizer que identificar significa reconhecer uma marca que    lembra determinada identidade. J&aacute; identificar&#45;se significa reconhecer    no outro uma marca que o indiv&iacute;duo julga tamb&eacute;m possuir &#150; e que    o torna semelhante e pertencente a um mesmo grupo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas marcas podem ser estigmas ou emblemas,    que levam uma identidade social a ser exaltada ou escondida (CASTELLS, 1999).    Isso introduz a quest&atilde;o da contrastividade, trabalhada por Oliveira (1976),    e da rela&ccedil;&atilde;o, que pode ser tamb&eacute;m de domina&ccedil;&atilde;o    e poder. O olhar relacional significa reconhecer a import&acirc;ncia do outro    na composi&ccedil;&atilde;o do si&#45;mesmo, pois &eacute; s&oacute; atrav&eacute;s    do diferente que a identidade pode ser percebida como singular (CUCHE, 1999,    p. 183). Bourdieu (1996) afirma que h&aacute; propriedades "ligadas &agrave;    origem atrav&eacute;s do lugar de origem, bem como &agrave;s demais marcas que    lhe s&atilde;o correlatas, como por exemplo, o sotaque", que se transformam    em estigmas ou emblemas; mostra ainda que "o m&oacute;vel de todas essas    lutas &eacute; o poder de impor uma vis&atilde;o do mundo social atrav&eacute;s    dos princ&iacute;pios de divis&atilde;o que, t&atilde;o logo se imp&otilde;em    ao conjunto de um grupo, estabelecem o sentido e o consenso sobre o sentido,    em particular sobre a identidade do grupo" (BOURDIEU, 1996, p. 108).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No contato com o outro, o diferente pode ser    percebido como superior e a cultura do grupo pode ser desvalorizada, passando    a ser omitida, negada e, por fim, esquecida. Esse &eacute; um processo que se    verifica nas rela&ccedil;&otilde;es sociais entre o campo e a cidade e que tem    levado o agricultor familiar a querer exibir um estilo de vida moderno percebido    como &uacute;nico leg&iacute;timo. Nesse caso, o elemento da cidade tem, nas    palavras de Bourdieu (1996), o poder de instituir a representa&ccedil;&atilde;o    do real, que por conseq&uuml;&ecirc;ncia pode fazer acontecer o que ela representa.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por outro lado, a agroecologia quer atuar na    reconstru&ccedil;&atilde;o de identidades que levem a uma consci&ecirc;ncia    identit&aacute;ria e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o coletiva, n&atilde;o    podendo ser entendida somente como uma agricultura "que n&atilde;o utiliza    agrot&oacute;xicos ou fertilizantes qu&iacute;micos de s&iacute;ntese em seu    processo produtivo". Estes &uacute;ltimos elementos, isoladamente, poderiam    caracterizar uma agricultura "pobre, desprotegida, cujos praticantes n&atilde;o    t&ecirc;m ou n&atilde;o tiveram acesso aos insumos modernos" por impossibilidade    econ&ocirc;mica, falta de informa&ccedil;&atilde;o, ou mesmo de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas para tal fim (CAPORAL e COSTABEBER, 2004, p. 49). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sob um enfoque relacional e situacional, existe    uma identidade que &eacute; constru&iacute;da e reconstru&iacute;da constantemente    no interior das trocas sociais e que pode, sob certas circunst&acirc;ncias,    ser manejada, estrat&eacute;gica ou inconscientemente, para buscar reconhecimento    e fugir de uma situa&ccedil;&atilde;o de preconceito (CUCHE, 1999). Isso pode    levar n&atilde;o apenas a estrat&eacute;gias individuais de utiliza&ccedil;&atilde;o    de "marcas positivas", conforme nos aponta Goffman (1988, p. 67),    mas tamb&eacute;m a a&ccedil;&otilde;es coletivas. Nesse sentido, identidades    coletivas podem ser compreendidas a partir das intera&ccedil;&otilde;es sociais    e "da raz&atilde;o pol&iacute;tico&#45;estrat&eacute;gica de atores sociais"    (SANTOS, 1998, p. 151). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Adotando tais premissas, interpretou&#45;se inicialmente    a agroecologia como aquilo que Castells (1999, p. 24) chamou de uma "identidade    de resist&ecirc;ncia", criada por atores que se encontravam em "posi&ccedil;&otilde;es/condi&ccedil;&otilde;es    desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela l&oacute;gica da domina&ccedil;&atilde;o,    construindo, assim, trincheiras de resist&ecirc;ncia e sobreviv&ecirc;ncia com    base em princ&iacute;pios diferentes dos que permeiam as institui&ccedil;&otilde;es    da sociedade". Essa identifica&ccedil;&atilde;o levaria os agricultores    a aderirem &agrave; proposta da agroecologia, uma vez que traz uma conota&ccedil;&atilde;o    positiva e possibilita a filia&ccedil;&atilde;o dos agricultores a essa forma    de atividade rural, engajando&#45;os em atividades coletivas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na an&aacute;lise dos dados emp&iacute;ricos,    veremos que somente a identidade n&atilde;o d&aacute; conta da explica&ccedil;&atilde;o    do processo de transi&ccedil;&atilde;o de uma agricultura convencional para    a ecol&oacute;gica. &Eacute; preciso compreender como se constr&oacute;i e se    transforma a pr&oacute;pria realidade objetiva.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>A constru&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o    da realidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na perspectiva de Berger e Luckmann (1985), a    realidade cotidiana parece j&aacute; objetivada, ou seja, composta de "objetos"    que foram designados como tais antes de nossa entrada em cena. &Eacute; tamb&eacute;m    uma realidade subjetiva que vai sendo constru&iacute;da &agrave; medida que    somos socializados. Para Schutz (1995), essas realidades s&atilde;o, na verdade,    uma s&oacute;, ou seja, partes de um &uacute;nico "mundo da vida".    Esse mundo &eacute; "apreendido" pelo indiv&iacute;duo de forma subjetiva,    "vivido" como um mundo social e "transmitido" de forma objetiva    a seus sucessores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Inspirado nas id&eacute;ias de William James,    Schutz (1995, p. 197) construiu sua teoria sobre as m&uacute;ltiplas realidades,    preferindo cham&aacute;&#45;las de &acirc;mbitos finitos de sentido, por entender    que somente dentro de uma realidade as experi&ecirc;ncias fazem sentido. Cada    realidade pode ent&atilde;o ser entendida como um conjunto de experi&ecirc;ncias    que demonstram um "estilo cognitivo" espec&iacute;fico, sendo que    a realidade &eacute; constitu&iacute;da pelo "sentido das experi&ecirc;ncias"    e n&atilde;o pela "estrutura ontol&oacute;gica dos objetos" (SCHUTZ,    1995, p. 303).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Schutz, existe uma realidade iminente, fruto    da vida cotidiana, que se sobressai a outras realidades. Esse mundo &eacute;    sustentado por um sistema de significatividades, constitu&iacute;do por um conjunto    de experi&ecirc;ncias pr&eacute;vias que garantem ao indiv&iacute;duo cren&ccedil;as    sobre como a realidade funciona. &Agrave; medida que estas cren&ccedil;as se    verificam, ele adquire confian&ccedil;a e passa a n&atilde;o duvidar da realidade.    Vistas sob o prisma de outra realidade, tais cren&ccedil;as e experi&ecirc;ncias    pareceriam fict&iacute;cias, incoerentes e incompat&iacute;veis, s&oacute; sendo    admitidas como reais mediante um "salto" ou "como&ccedil;&atilde;o",    ou seja, mediante "uma modifica&ccedil;&atilde;o radical na tens&atilde;o    de nossa consci&ecirc;ncia, baseada em uma diferente aten&ccedil;&atilde;o &agrave;    vida"; isso obrigaria a "transcender os limites deste &acirc;mbito    finito de sentido e transportar para outro o acento de realidade" (SCHUTZ,    1995, p. 216&#45;217). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tal "como&ccedil;&atilde;o" acontece,    muitas vezes, a partir de experi&ecirc;ncias alheias ao "acervo de conhecimentos"    que suscitam uma revis&atilde;o das cren&ccedil;as anteriores at&eacute; ent&atilde;o    consideradas como parte de uma realidade natural (SCHUTZ, 1995). S&atilde;o    justamente essas as experi&ecirc;ncias novas que constituem um contrapeso a    tudo aquilo a que nos habituamos, pois elas perturbam os aspectos rotineiros    e tidos como certos da vida, frustram expectativas e originam surpresas, tornando&#45;nos    conscientes de determinados aspectos do mundo (HABERMAS, 1996). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, &eacute; preciso ir al&eacute;m de    uma perspectiva individual e especular sobre a possibilidade de realidades paralelas,    partilhadas por comunidades de forma intersubjetiva. Berger e Luckmann (1985)    chamam a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o surgimento da sociedade    industrial e a forma&ccedil;&atilde;o de grandes centros urbanos (em que predominam    a divis&atilde;o do trabalho e a estratifica&ccedil;&atilde;o social) propiciaram    uma situa&ccedil;&atilde;o altamente pluralista, com a possibilidade de exist&ecirc;ncia    de diversos "mundos", ou realidades paralelas. Entretanto, sempre    existe uma realidade dominante, legitimada por um universo simb&oacute;lico    que tenta negar ou integrar as demais realidades, pois estas constituem "a    mais aguda amea&ccedil;a &agrave; exist&ecirc;ncia naturalmente aceita e rotinizada    da sociedade" (BERGER e LUCKMANN, 1985, p. 134).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para sustentar tal realidade, seria necess&aacute;rio,    na opini&atilde;o dos autores, uma comunidade que a partilhasse, come&ccedil;ando    pela pr&oacute;pria fam&iacute;lia e passando pelos demais grupos sociais que    sejam significativos para o indiv&iacute;duo. Importante tamb&eacute;m seria    a separa&ccedil;&atilde;o, ao menos simb&oacute;lica, entre os que partilham    da nova realidade e aqueles que vivem a antiga realidade, levando a uma nova    interpreta&ccedil;&atilde;o, por parte do indiv&iacute;duo, de sua biografia.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depreende&#45;se, portanto, que o indiv&iacute;duo    interpreta suas viv&ecirc;ncias para definir quem &eacute; e para assumir uma    identidade (subjetiva). A sociedade, por sua vez, oferece a ele elementos socialmente    v&aacute;lidos e encarados como uma realidade objetiva, que &eacute; tida como    certa e empresta sentido para essa identidade. Mas, como observa Spink e Frezza    (2004), esse n&atilde;o &eacute; um modelo est&aacute;tico, pois est&aacute;    sujeito a rupturas que decorrem do enfrentamento do n&atilde;o familiar e possibilitam    ressignifica&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar de se dizer tribut&aacute;ria de Hegel    e Marx, a dial&eacute;tica bergeriana n&atilde;o coloca o foco nessa transforma&ccedil;&atilde;o.    Seu olhar &eacute; muito mais atento &agrave; positividade, &agrave; identidade    e a recursividade da vida social, sendo este apenas um dos p&oacute;los da dial&eacute;tica.    Como este trabalho procura analisar a transforma&ccedil;&atilde;o, deve&#45;se explorar    o p&oacute;lo representado pelas crises e "rupturas", bem como as    "media&ccedil;&otilde;es transformadoras", conforme aponta Mesquita    (1995, p. 90), que levariam a uma nova consci&ecirc;ncia identit&aacute;ria    e &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da realidade objetiva. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>ABORDAGEM METODOL&Oacute;GICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise empreendida utilizou o aporte    te&oacute;rico&#45;metodol&oacute;gico da Fenomenologia. Na concep&ccedil;&atilde;o    de Husserl (2001), a fenomenologia &eacute; um m&eacute;todo que tem como objetivo    o retorno &agrave;s "coisas mesmas", ou seja, retornar ao "mundo    da vida". Esse n&atilde;o &eacute; o mundo das abstra&ccedil;&otilde;es    e idealiza&ccedil;&otilde;es, mas o mundo em que os atores vivem a sua vida    cotidiana, em que inventam e reinventam suas pr&aacute;ticas e atribuem sentido    &agrave;s suas a&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A id&eacute;ia fundamental da fenomenologia husserliana    &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de "intencionalidade de consci&ecirc;ncia",    ou seja, a consci&ecirc;ncia n&atilde;o existe por si s&oacute;, mas &eacute;    sempre consci&ecirc;ncia de algo. Dessa maneira, n&atilde;o se investigam objetos    em si, mas a representa&ccedil;&atilde;o deles na consci&ecirc;ncia. A palavra    <I>intencionalidade</I>, por sua vez, significa que as pessoas assumem esses    objetos de diversas maneiras (inten&ccedil;&otilde;es), que podem ser percep&ccedil;&otilde;es    do objeto real, lembran&ccedil;as, imagens criadas, julgamentos predicativos,    julgamentos de valor etc. (HUSSERL, 2001). Esse objeto, embora tenha uma exist&ecirc;ncia    f&iacute;sica e real, uma vez na consci&ecirc;ncia, n&atilde;o possui defini&ccedil;&atilde;o    objetiva, pois as pessoas n&atilde;o t&ecirc;m objetos em suas consci&ecirc;ncias,    mas "fen&ocirc;menos", isto &eacute;, representa&ccedil;&otilde;es    imagin&aacute;rias do objeto real. &Eacute; exatamente dessas representa&ccedil;&otilde;es    do objeto na consci&ecirc;ncia que a fenomenologia busca extrair as ess&ecirc;ncias.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como exemplo, pode&#45;se dizer que a agroecologia    n&atilde;o se apresenta de forma objetiva, com seus princ&iacute;pios e preceitos,    a todos os agricultores. Cada um a percebe como um fen&ocirc;meno de sua consci&ecirc;ncia    e participa dela com motiva&ccedil;&otilde;es diferentes, de acordo com sua    trajet&oacute;ria e experi&ecirc;ncia. Isso n&atilde;o impede que tenhamos similaridades    e regularidades intersubjetivas. Essas condi&ccedil;&otilde;es de "intersubjetividade"    s&atilde;o tamb&eacute;m fundamentais para o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico,    pois, al&eacute;m de buscar por significados partilhados, o pesquisador pode    lan&ccedil;ar m&atilde;o de sua pr&oacute;pria subjetividade como um elemento    de an&aacute;lise. Isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel pelo fato de ele    guardar em si a experi&ecirc;ncia do mundo e dos outros (HUSSERL, 2001). Diante    disso, n&atilde;o &eacute; no objeto que se encontra a verdade e as evid&ecirc;ncias,    mas no pr&oacute;prio sujeito. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fenomenologia ainda se caracteriza por um exerc&iacute;cio    de romper com a atitude natural diante do mundo (HUSSERL, 2001; SCHUTZ, 1979,    1995). &Eacute; preciso, portanto, realizar uma "redu&ccedil;&atilde;o    fenomenol&oacute;gica" do mundo, ou seja, colocar entre par&ecirc;nteses    n&atilde;o s&oacute; o nosso conhecimento pr&aacute;tico sobre ele, mas tamb&eacute;m    as proposi&ccedil;&otilde;es de todas as ci&ecirc;ncias que se referem &agrave;    sua exist&ecirc;ncia (SCHUTZ, 1995, p. 115). Com a redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica    (<I>epoqu&eacute;</I>), capta&#45;se toda a experi&ecirc;ncia da consci&ecirc;ncia    pela qual, e atrav&eacute;s da qual, o mundo existe (SCHUTZ, 1995).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante disso, buscou&#45;se, na pesquisa de campo,    captar as viv&ecirc;ncias tanto dos sujeitos pesquisados quanto do pesquisador.    O ato de pesquisar foi tamb&eacute;m um ato de interpretar as situa&ccedil;&otilde;es    experienciadas de maneira intersubjetiva. Foram realizadas 19 entrevistas em    profundidade, semi&#45;estruturadas, com o objetivo de compreender um pouco da experi&ecirc;ncia    vivida pelo agricultor na agricultura ecol&oacute;gica, seus motivos de ingresso,    as circunst&acirc;ncias em que isto se efetivou e as perten&ccedil;as grupais    definidoras da identidade social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram entrevistados os presidentes das cooperativas    e associa&ccedil;&otilde;es, integrantes dos conselhos de decis&atilde;o da    rede formada pelas ONGs e organiza&ccedil;&otilde;es dos agricultores; coordenadores    de grupo; e participantes de grupos com diferentes tempos de ades&atilde;o &agrave;    produ&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. Buscou&#45;se equilibrar a quantidade de    entrevistados entre as organiza&ccedil;&otilde;es e regi&otilde;es, por&eacute;m    a Zona Sul, em fun&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es    e grupos, foi a regi&atilde;o com o maior n&uacute;mero de entrevistados, conforme    as seguintes tabelas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rae/v48n3/a03tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rae/v48n3/a03tab02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rae/v48n3/a03tab03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rae/v48n3/a03tab04.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A maioria das entrevistas foi feita com a utiliza&ccedil;&atilde;o    de gravador, para n&atilde;o se perder algum elemento essencial, uma vez que    uma simples palavra pode representar a indica&ccedil;&atilde;o de uma ess&ecirc;ncia    (SANDERS, 1982). Na an&aacute;lise das falas, embora o pr&oacute;prio roteiro    da entrevista j&aacute; apresentasse uma seq&uuml;&ecirc;ncia l&oacute;gica    e um bom n&uacute;mero de categorias pr&eacute;&#45;ordenadas, outras tantas apareceram,    com import&acirc;ncia igual ou superior. Buscou&#45;se, a partir da&iacute;, estabelecer    rela&ccedil;&otilde;es fundamentais entre elas, ou seja: de liga&ccedil;&atilde;o,    de depend&ecirc;ncia, de causalidade etc. (SPIEGELBERG segundo BRUYN, 1972).    Dispondo de roteiro de entrevista e de um gravador, os encontros trouxeram mais    informa&ccedil;&otilde;es que o esperado, uma vez que os agricultores paravam    e dedicavam o tempo que fosse necess&aacute;rio, refor&ccedil;ando que a no&ccedil;&atilde;o    de tempo e de trabalho para eles &eacute; bem diferente da urbana. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Foram realizadas: visitas &agrave;s propriedades,    em que se observou o cotidiano dos agricultores, suas rela&ccedil;&otilde;es    familiares, seus conflitos e projetos; observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica,    conforme apontam Selltiz e outros (1965), nas feiras ecol&oacute;gicas, visualizando&#45;se    as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e sociais entre produtores e consumidores;    participa&ccedil;&atilde;o em semin&aacute;rios, reuni&otilde;es e congressos,    o que propiciou a observa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre    os diversos p&uacute;blicos estudados; e acompanhamento de visitas t&eacute;cnicas    das ONGs de assessoria a propriedades de agricultores familiares. Manteve&#45;se    um contato mais freq&uuml;ente com tr&ecirc;s t&eacute;cnicos das ONGs de assessoria    (CPT e CAPA) e com quatro agricultores que ocupavam posi&ccedil;&atilde;o de    lideran&ccedil;a em suas organiza&ccedil;&otilde;es (cooperativas e associa&ccedil;&otilde;es    de agricultura ecol&oacute;gica). Analisaram&#45;se publica&ccedil;&otilde;es da    rede, jornais internos das ONGs e algumas monografias de seus integrantes. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>AN&Aacute;LISE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora algumas vertentes preconizem que os estudos    baseados na fenomenologia n&atilde;o devem ter hip&oacute;teses pr&eacute;vias,    ou teorias de base, isso &eacute; muito dif&iacute;cil. Se a consci&ecirc;ncia    &eacute; sempre intencional, conforme aponta Husserl (2001), n&atilde;o se parte    para o campo sem uma consci&ecirc;ncia pr&eacute;via do que se est&aacute; estudando,    logo, sem uma hip&oacute;tese ou teoria, que explique o que se observa. Sendo    assim, na presente an&aacute;lise, procurou&#45;se adotar uma orienta&ccedil;&atilde;o    dial&eacute;tico&#45;hermen&ecirc;utica, a qual considera dois n&iacute;veis de    interpreta&ccedil;&atilde;o: o primeiro est&aacute; relacionado com o contexto    s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rico do qual faz parte o grupo a ser estudado; o segundo    baseia&#45;se no encontro com os fatos surgidos na investiga&ccedil;&atilde;o &#150;    comunica&ccedil;&otilde;es individuais, observa&ccedil;&atilde;o de condutas    e costumes, an&aacute;lise das institui&ccedil;&otilde;es e cerim&ocirc;nias    etc. (MINAYO, 1999). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Contexto s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rico</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde os tempos da imigra&ccedil;&atilde;o ocorrida    no Sul do pa&iacute;s, coube &agrave; agricultura familiar um importante papel    na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para o consumo interno. No entanto, ela    permaneceu por muito tempo distante das pol&iacute;ticas agr&iacute;colas do    governo, voltadas, sobretudo, para a gera&ccedil;&atilde;o de divisas atrav&eacute;s    da exporta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As transforma&ccedil;&otilde;es na economia nacional    do p&oacute;s&#45;guerra exerceram sobre a agricultura familiar um forte impacto.    No plano internacional, estava em curso a chamada "Revolu&ccedil;&atilde;o    Verde", que tomava por base as formas de produ&ccedil;&atilde;o capitalistas    aplicadas &agrave; ind&uacute;stria e as transportava para a agricultura. Esse    modelo de acumula&ccedil;&atilde;o agroindustrial estava baseado "na converg&ecirc;ncia    de tecnologias mec&acirc;nicas e agroqu&iacute;micas e na multiplica&ccedil;&atilde;o    de inova&ccedil;&otilde;es biogen&eacute;ticas" (POBREZA RURAL, 1998, p.    43). Tal processo ia ao encontro das necessidades nacionais de aumento de produtividade    no campo, seja para o atendimento da ind&uacute;stria interna, seja para o aumento    das exporta&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O governo brasileiro, sobretudo nos anos de 1960    e 1970, come&ccedil;a a incentivar a moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura,    e isso passa por tr&ecirc;s movimentos: a transforma&ccedil;&atilde;o da base    tecnol&oacute;gica atrav&eacute;s do est&iacute;mulo &agrave; mecaniza&ccedil;&atilde;o;    a incorpora&ccedil;&atilde;o de novas variedades de plantas e aumento de insumos    qu&iacute;micos; e a disponibilidade de cr&eacute;dito agr&iacute;cola atrav&eacute;s    do Sistema Nacional de Cr&eacute;dito Agr&iacute;cola (POBREZA RURAL, 1998).    O aumento da "produtividade" (ou da produ&ccedil;&atilde;o) passava    obrigatoriamente pelo monocultivo, o que permitia a introdu&ccedil;&atilde;o    de m&aacute;quinas modernas no campo, sendo sua aquisi&ccedil;&atilde;o incentivada    atrav&eacute;s de condi&ccedil;&otilde;es "vantajosas" de financiamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; poss&iacute;vel afirmar que a "Revolu&ccedil;&atilde;o    Verde" foi uma revolu&ccedil;&atilde;o silenciosa que introduziu, no universo    da agricultura familiar, uma nova realidade social, com a substitui&ccedil;&atilde;o    de parte do conhecimento tradicional por um cient&iacute;fico e instrumental,    que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o se legitimara, por falta de condi&ccedil;&otilde;es    objetivas. De um lado, havia converg&ecirc;ncia de interesses por parte dos    agentes. De outro, instrumentos adequados para a sua institui&ccedil;&atilde;o    (tecnologia, cr&eacute;dito e assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica). Os agricultores,    no entanto, pareciam n&atilde;o perceber os impactos sociais e culturais que    essa revolu&ccedil;&atilde;o trazia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A despeito dessa moderniza&ccedil;&atilde;o no    campo, surgiram organiza&ccedil;&otilde;es ligadas a um movimento de contesta&ccedil;&atilde;o    das formas convencionais de agricultura. Elas ganharam for&ccedil;a a partir    da "abertura democr&aacute;tica" e passaram a lutar pela transforma&ccedil;&atilde;o    das pr&aacute;ticas ditas modernas, mas que tiveram como conseq&uuml;&ecirc;ncia    o &ecirc;xodo rural, a exclus&atilde;o social e o aumento das desigualdades    (ALMEIDA, 1999). A g&ecirc;nese desse movimento pode ser encontrada na converg&ecirc;ncia    de diversas a&ccedil;&otilde;es empreendidas a partir do final da d&eacute;cada    de 1970 que foram denominadas "agricultura alternativa". Nesse per&iacute;odo,    come&ccedil;a um trabalho militante empreendido por setores progressistas das    igrejas Cat&oacute;lica &#150; atrav&eacute;s da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra    (CPT) &#150; e da Evang&eacute;lica Luterana (IECLB) &#150; atrav&eacute;s do CAPA (Centro    de Apoio ao Pequeno Agricultor), que passam a marcar sua presen&ccedil;a junto    aos agricultores familiares e &agrave;queles oriundos do &ecirc;xodo rural.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Surge uma vis&atilde;o "eco&#45;libert&aacute;ria",    que, segundo Almeida (1999, p. 92&#45;93), tem como id&eacute;ias centrais "a    descentraliza&ccedil;&atilde;o da economia, do poder e do espa&ccedil;o social",    alinhadas aos ideais de justi&ccedil;a social e respeito ao meio ambiente e    difundidas pelo nome de "agroecologia" (DAROLT, 2002). As ONGs passam    ent&atilde;o a assumir o termo <I>agroecologia</I> e a trabalhar seus princ&iacute;pios,    junto aos agricultores familiares, por considerarem que exprimem "novas    aspira&ccedil;&otilde;es, novas formas de sociabilidade, uma vontade de promover    outros modos de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social que seriam mais 'control&aacute;veis'    e aceitos, porque est&atilde;o espacialmente circunscritos, cultural e tecnicamente    fundados na 'experi&ecirc;ncia do tempo'" (ALMEIDA, 2004, p. 89). Essa    ancoragem subjetiva (identidade) diante de novas rela&ccedil;&otilde;es sociais    objetivas (realidade) &eacute; que nos interessa no presente trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Investiga&ccedil;&atilde;o Emp&iacute;rica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antes de realizar as entrevistas com os agricultores,    sabia&#45;se da exist&ecirc;ncia informal de um movimento agroecol&oacute;gico em    gesta&ccedil;&atilde;o, liderado por algumas ONGs, que estavam articulando&#45;se    em uma rede formal, conforme apontam Mesquita e Bauer (2004). Seus princ&iacute;pios    e objetivos, em grande parte, espelhavam os princ&iacute;pios da agroecologia.    Isso representaria a identidade objetiva desse movimento, como pode ser observado    em um de seus documentos:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">N&oacute;s acreditamos que os aspectos inerentes      &agrave; agroecologia, a saber: prote&ccedil;&atilde;o do ambiente, justi&ccedil;a      e inclus&atilde;o social, viabiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, adapta&ccedil;&atilde;o      cultural e tecnol&oacute;gica &#150; que visem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o      de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &#150; devem ser analisados em conjunto com      par&acirc;metros semelhantes, ou seja, a quest&atilde;o ambiental &eacute;      t&atilde;o importante quanto a social, a cultural quanto a tecnol&oacute;gica,      a econ&ocirc;mica quanto a pol&iacute;tica e vice&#45;versa. (REDE ECOVIDA, 2000)      </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Seguindo a argumenta&ccedil;&atilde;o de Castells    (1999), acreditava&#45;se que esses princ&iacute;pios fossem capazes de criar uma    identidade social forte, formando um grupo bastante homog&ecirc;neo e coeso    em torno de um ideal. Isso ocorreria na passagem de uma identidade inicial "de    resist&ecirc;ncia" para outra "de projeto", sendo esta &uacute;ltima    uma constru&ccedil;&atilde;o em que os atores, utilizando&#45;se de qualquer tipo    de material cultural, buscam redefinir sua posi&ccedil;&atilde;o na sociedade,    bem como a transforma&ccedil;&atilde;o da estrutura social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise inicial da pesquisa privilegiou    o contato com os "agentes", mostrando que havia um movimento que se    contrapunha &agrave; produ&ccedil;&atilde;o convencional. Esses ideais &#150; revelados    nos depoimentos iniciais dos integrantes dessas organiza&ccedil;&otilde;es &#150;,    partilhados pela maioria das ONGs e trabalhados com os agricultores familiares,    indicavam que realmente haveria uma uni&atilde;o identit&aacute;ria em torno    de um projeto comum, minimizando as diferen&ccedil;as entre seus participantes.    A participa&ccedil;&atilde;o deles em um grupo seria o primeiro passo para que    esse projeto se transformasse em uma identidade social. Isso porque, para receber    assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica de uma ONG e, posteriormente, comercializar    em uma feira ecol&oacute;gica, o agricultor deveria pertencer a um grupo ecol&oacute;gico.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse grupo, formado basicamente pelas comunidades    locais em que os agricultores est&atilde;o inseridos, ocorrem tanto o processo    instrucional por parte das ONGs quanto as intera&ccedil;&otilde;es com outros    agricultores, o que o leva a ser considerado como a pr&oacute;pria extens&atilde;o    da fam&iacute;lia. A agroecologia &eacute; introduzida pelos agentes como parte    de um resgate de pr&aacute;ticas dos antepassados, ancorando o projeto n&atilde;o    s&oacute; em bases racionais, mas tamb&eacute;m em um elemento emocional com    sentido para o agricultor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, ao dar voz aos agricultores da base,    a ades&atilde;o &agrave; agroecologia pela identidade foi suplantada por uma    nova vis&atilde;o que emergiu de suas falas. Os relatos mostraram que o aspecto    distintivo existe mais facilmente dentro das pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es    de agroecologia, entre agricultores ou grupos ecol&oacute;gicos com posturas    diferentes (alguns mais individualistas, por exemplo), do que entre agricultores    ecologistas e convencionais. Embora as ONGs pretendam construir o consenso identit&aacute;rio    em torno de uma proposta, em muitas situa&ccedil;&otilde;es cotidianas as diferen&ccedil;as    regionais, &eacute;tnicas e individuais emergiram: "Eles t&ecirc;m a postura    de tirar o m&aacute;ximo"; "O nosso grupo &eacute; mais forte";    "N&oacute;s ocupamos espa&ccedil;o e agora eles querem reconquistar o espa&ccedil;o";    "Eu n&atilde;o me importo com o que os outros pensam &#91;...&#93;, isso a&iacute;    cada um tem que se virar". Essas falas, extra&iacute;das posteriormente    de reuni&otilde;es de grupo e em observa&ccedil;&otilde;es nas feiras, revelaram    que, dentro de uma mesma organiza&ccedil;&atilde;o de agroecologia, h&aacute;    contrastividade e individualismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos agricultores    convencionais, a maioria dos ecologistas os percebe com um olhar bastante compreensivo,    afinal s&atilde;o todos da mesma comunidade e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,    s&atilde;o todos agricultores familiares, at&eacute; mesmo amigos e parentes.    Isso denota uma solidariedade identit&aacute;ria entre os agricultores ecol&oacute;gicos    e convencionais, como revela a fala de um agricultor de Vera Cruz: "Eles    v&atilde;o ter que mudar um dia tamb&eacute;m, porque, se continuarem desse    jeito, v&atilde;o morrer &#91;...&#93;. &Eacute; produto pesado que vai ali nas hortali&ccedil;as    convencionais e nas outras produ&ccedil;&otilde;es em geral." </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O fato de n&atilde;o perceberem um "inimigo    comum", aparentemente, impede a assun&ccedil;&atilde;o de uma identidade    coletiva por parte dos agricultores que est&atilde;o longe das inst&acirc;ncias    de decis&atilde;o de suas organiza&ccedil;&otilde;es. Mesmo que tal identidade    seja assumida pelas ONGs e lideran&ccedil;as dos agricultores, elas muitas vezes    n&atilde;o conseguem transmiti&#45;la de forma objetiva que fa&ccedil;a sentido    aos demais agricultores. Esses precisam passar por um processo lento de transforma&ccedil;&atilde;o,    muitas vezes atropelado pela necessidade de sobreviv&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A (falta de) consci&ecirc;ncia acerca do projeto    agroecol&oacute;gico reflete&#45;se na identifica&ccedil;&atilde;o que os agricultores    t&ecirc;m de suas organiza&ccedil;&otilde;es. O exemplo claro &eacute; o da    rede acima referida. Ela &eacute; percebida por suas lideran&ccedil;as (aqueles    que t&ecirc;m um bom tempo de participa&ccedil;&atilde;o e que fazem parte de    algum conselho) como "uma organiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es    de agricultores, de assessorias" para "unir todos os esfor&ccedil;os    nos tr&ecirc;s Estados, mostrar a for&ccedil;a da agroecologia". Contudo,    junto aos agricultores da base, a Rede &eacute; tida como uma organiza&ccedil;&atilde;o    externa que tem apenas o objetivo de certificar os produtos ecol&oacute;gicos.    Questionados sobre sua participa&ccedil;&atilde;o na rede, alguns agricultores    responderam: "Eu n&atilde;o sei bem, mas acho que participo"; "Rede    do qu&ecirc;? N&atilde;o, acho que n&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em geral, os agricultores que apresentam maior    consci&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios e pr&aacute;ticas da agroecologia s&atilde;o    aqueles que t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o mais ativa, fazendo parte de    grupos que s&atilde;o espa&ccedil;os de discuss&atilde;o. Mas, se a participa&ccedil;&atilde;o    se d&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia, o que leva ent&atilde;o    a essa tomada de consci&ecirc;ncia? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Isso nos fez buscar outro significado para a    agroecologia, que transcendesse o de um grupo, movimento ou organiza&ccedil;&atilde;o    que possui uma identidade objetiva. Ou mesmo de uma nova identidade social partilhada    pelos agricultores. Deixando suspensas as justificativas atribu&iacute;das por    aqueles agricultores mais conscientes e pelos agentes das ONGs para a participa&ccedil;&atilde;o,    buscaram&#45;se os motivos e raz&otilde;es subjacentes &agrave; participa&ccedil;&atilde;o    e &agrave; ades&atilde;o dos agricultores em geral. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para tanto, utilizou&#45;se a distin&ccedil;&atilde;o    fundamental feita por Schutz (1972, 1995) acerca das classes de motivos que    orientam a a&ccedil;&atilde;o humana. Enquanto a primeira classe de motivos    (motivos para) significa "o estado de coisas", o objetivo que se quer    alcan&ccedil;ar mediante a a&ccedil;&atilde;o empreendida, a segunda classe    (motivos por que) "se refere &agrave;s experi&ecirc;ncias passadas",    que levaram a tal a&ccedil;&atilde;o, ou seja, os motivos genu&iacute;nos da    a&ccedil;&atilde;o (SCHUTZ, 1972, 1995, p. 50). Os "motivos por que"    buscam motiva&ccedil;&otilde;es relativas ao contexto, ou seja, &agrave;quelas    situa&ccedil;&otilde;es da vida dos agricultores que os levaram a ingressar    na agroecologia. Essas motiva&ccedil;&otilde;es foram buscadas a partir do relato    de sua trajet&oacute;ria na agroecologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De ordem subjetiva, a experi&ecirc;ncia individual    suscita a reflex&atilde;o do agricultor. &Eacute; essa esp&eacute;cie de "como&ccedil;&atilde;o",    ou choque, que provoca a mudan&ccedil;a de realidade, ocorrendo na vida da maioria    dos agricultores, geralmente, a partir da doen&ccedil;a em decorr&ecirc;ncia    da utiliza&ccedil;&atilde;o de agroqu&iacute;micos no cultivo convencional,    rompendo com a atitude natural. "Tenho lembran&ccedil;a de v&aacute;rios    problemas de sa&uacute;de que se teve e foi acusado o uso do defensivo. &#91;...&#93;    Minha mulher teve dois abortos e os m&eacute;dicos atestaram que foi de usar    &#91;...&#93;." (agricultor de Cangu&ccedil;u)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, &eacute; preciso extrair da doen&ccedil;a    ou da crise um significado diferente; caso contr&aacute;rio, tal experi&ecirc;ncia    ser&aacute; traduzida dentro do universo simb&oacute;lico dominante: </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">Chegava em casa e eu queria mudar na mesma      hora porque enxergar aqueles v&iacute;deo com aqueles problema que dava de      sa&uacute;de e a&iacute; trabalhar no meio daqueles fumo &#91;...&#93; no meio de      veneno &#91;...&#93;. A&iacute; eu tinha os filhos pequenos ainda, &#91;...&#93; e trabalhando      nessas coisas a&iacute;. E eu queria mudar logo porque uma m&atilde;e sempre      quer ver o melhor pros filhos &#91;...&#93;. (agricultora de Morro Redondo) </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa experi&ecirc;ncia leva &agrave; tomada de    consci&ecirc;ncia de sua finitude, enquanto indiv&iacute;duo isolado, em dire&ccedil;&atilde;o    a outros cursos de a&ccedil;&atilde;o, especialmente coletivos. Diante disso,    o ingresso na agroecologia, embora possa ser incentivado por fatores externos    (por exemplo: cursos e palestras ministrados pelas ONGs), requer a experi&ecirc;ncia    subjetiva do indiv&iacute;duo. A partir desse ponto &eacute; que as metodologias    das ONGs s&atilde;o respons&aacute;veis pelo fomento &agrave; uni&atilde;o dos    agricultores em grupos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O grupo transmite um senso de realidade, devido    &agrave;s experi&ecirc;ncias comuns dos participantes. Mesmo depois da mudan&ccedil;a,    a presen&ccedil;a e o incentivo das ONGs s&atilde;o fundamentais, principalmente,    na fase inicial, em que existe a maior probabilidade de abandono. Al&eacute;m    disso, existe o incentivo dos pr&oacute;prios agricultores que j&aacute; vivenciam    essa realidade, muitos deles s&atilde;o vizinhos e familiares, outros s&atilde;o    agricultores experientes que servem de refer&ecirc;ncia na agroecologia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir da&iacute; o agricultor passa a ter    um novo "estilo cognitivo", ou seja, passa a conhecer o mundo e as    rela&ccedil;&otilde;es de forma diferenciada. Sua identidade (si&#45;mesmo) passa    ent&atilde;o a ter um novo significado, fruto muitas vezes de uma nova rela&ccedil;&atilde;o    de comercializa&ccedil;&atilde;o que privilegia o contato direto com consumidores    nas feiras ecol&oacute;gicas em centros urbanos. Chega&#45;se aos consumidores dos    produtos com os quais o agricultor tem um encontro face a face nas feiras: </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o tem aquela vis&atilde;o assim que      tu produziu, a&iacute; encosta um caminh&atilde;o aqui no teu terreiro e carregou      tua produ&ccedil;&atilde;o e t&aacute;; "da&iacute; tal dia eu te pago",      n&eacute;? &#91;...&#93; E na feira n&atilde;o, tu vai l&aacute;, chega l&aacute;,      conversa com o consumidor, explica como &eacute; que &eacute; produzido, por      que o produto t&aacute; feio, "ah choveu demais", ou "teve      geada" ou "t&aacute; seco"; e com o tempo o consumidor j&aacute;      vai entendendo (agricultor de Turu&ccedil;u).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse contato entre produtores e consumidores    cria la&ccedil;os de amizade e estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a.    O agricultor percebe a import&acirc;ncia do seu trabalho e torna&#45;se cada vez    mais sens&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de dos consumidores,    o que serve de refor&ccedil;o para n&atilde;o mais voltar a utilizar insumos    qu&iacute;micos em suas planta&ccedil;&otilde;es. O contato com um p&uacute;blico    que valoriza o seu trabalho faz com que ele se valorize e tenha orgulho de sua    atividade, passando a usar identificadores (crach&aacute;s, camisetas e bon&eacute;s)    que afirmam sua condi&ccedil;&atilde;o de produtores ecol&oacute;gicos: o que    era estigma passa a ser emblema. </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">O modo de ver o colono, com o nosso tipo de      trabalho &#91;o ecol&oacute;gico&#93; ele t&aacute; mudando. Antigamente eles viam      um agricultor passar na rua e diziam "l&aacute; vai o colono". Porque      sempre tem um meio diferente de andar, um meio diferente de se comunicar,      de caminhar. Hoje j&aacute; n&atilde;o, hoje a gente j&aacute; tem uma amizade      com esse pessoal da... com os consumidores daqui n&eacute;, ent&atilde;o a      gente j&aacute; &eacute; visto de outra maneira (agricultor de Pelotas).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora no meio rural ser chamado de colono pelos    pares possa ter uma conota&ccedil;&atilde;o positiva &#150; a de "uma pessoa    que vive da agricultura" e que "trabalha, cultiva e reside dentro    do meio rural" (agricultor de Pelotas) &#150;, na cidade ela &eacute; uma identidade    estigmatizada, em que o "colono" &eacute; visto como s&iacute;mbolo    do atraso. &Eacute; ser "grosso do p&eacute; rachado; sem instru&ccedil;&atilde;o    nenhuma: um burro". Esse estigma pode ser um dos fatores que t&ecirc;m    levado in&uacute;meros jovens do campo ao &ecirc;xodo e a buscar na cidade uma    outra identidade, negando o projeto idealizado por seus pais. Ele quer, talvez,    poder "andar rua afora e n&atilde;o ser visto de longe: aquele l&aacute;    &eacute; um colono." (agricultora de Cangu&ccedil;u) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Portanto, al&eacute;m de um espa&ccedil;o de    comercializa&ccedil;&atilde;o, a feira serve como mediador para a percep&ccedil;&atilde;o    do significado positivo da vida no campo. A identidade de agricultor come&ccedil;a    a ganhar outro significado, mesmo com poucas mudan&ccedil;as objetivas em seu    conte&uacute;do. O que parece ter havido &eacute; uma nova compreens&atilde;o    da realidade, por parte do pr&oacute;prio agricultor, ap&oacute;s um contato    com um p&uacute;blico que admira o seu modo de viver.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Eu vejo hoje que t&aacute; bem valorizado,      mas h&aacute; uns anos atr&aacute;s era diferente. &#91;...&#93; At&eacute; quando      entrava numa loja assim, pra atender, a gente via, n&eacute;, que &agrave;s      vezes at&eacute; os pr&oacute;prios funcion&aacute;rios se olhavam e a&iacute;      conversavam que o pessoal era da col&ocirc;nia.... Hoje n&atilde;o, hoje eles      v&ecirc;m atender e fazem quest&atilde;o. At&eacute; sobre a agroecologia      mesmo, comigo j&aacute; aconteceu em v&aacute;rias lojas de eu ir e entrar      em assunto assim e a&iacute;, no final da conversa, eles d&aacute; parab&eacute;ns      e que continue esse servi&ccedil;o. (agricultora de Morro Redondo)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse senso de realidade &eacute; refor&ccedil;ado    pela coer&ecirc;ncia entre todas as experi&ecirc;ncias vividas, o que permite    ao agricultor lutar pela manuten&ccedil;&atilde;o de tais pr&aacute;ticas e    contra a introdu&ccedil;&atilde;o de outras, vistas como incoerentes (mesmo    que estas pr&aacute;ticas sejam as pr&aacute;ticas cotidianas tidas como inquestion&aacute;veis    pelos demais). A sua "aten&ccedil;&atilde;o &agrave; vida" se d&aacute;    de forma diferenciada ao considerar elementos n&atilde;o avaliados pela realidade    da agricultura convencional, tais como a sa&uacute;de, o meio ambiente e a participa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa maior aten&ccedil;&atilde;o remete a uma    perspectiva temporal tamb&eacute;m diferenciada, em que o imediatismo deve ser    substitu&iacute;do por uma perspectiva de longo prazo, devido ao tempo de adapta&ccedil;&atilde;o    requerido pelo cultivo ecol&oacute;gico (de tr&ecirc;s a cinco anos, segundo    apontam t&eacute;cnicos e agricultores). Um agricultor de Pelotas declara que    "&eacute; um dos problemas mais s&eacute;rios que se tem. Porque a maioria    &eacute; imediatista, quer o dinheiro r&aacute;pido e nesse tipo de trabalho    n&atilde;o &eacute; isso a&iacute;".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&eacute;m, nem todos os agricultores que permanecem    se enquadram nessa constru&ccedil;&atilde;o de "tipo ideal", o que    leva &agrave; exist&ecirc;ncia paralela de grupos ecol&oacute;gicos &#150; ou mesmo    agricultores dentro de grupos &#150; que se situam em diferentes n&iacute;veis de    realidade. Enquanto uns "vivem" plenamente os ideais da agroecologia,    outros ainda est&atilde;o atrelados &agrave; realidade convencional, n&atilde;o    reconhecendo a agroecologia como uma realidade, mas como uma tecnologia de produ&ccedil;&atilde;o,    ou como um nicho de mercado, o que os faz manter paralelamente produtos convencionais    e ecol&oacute;gicos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse &eacute; o caso do plantio de fumo, exemplo    t&iacute;pico da agricultura convencional, que tem seduzido muitos agricultores,    devido aos diversos incentivos financeiros concedidos pelas empresas fumageiras.    Al&eacute;m disso, existe a press&atilde;o social dos parentes e vizinhos, que    passam a exibir s&iacute;mbolos de uma melhoria do padr&atilde;o de vida (um    carro melhor, um trator, uma nova casa ou estufa). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aqueles que n&atilde;o pensam em parar com o    plantio de fumo acreditam que ele d&aacute; mais dinheiro e &eacute; bem mais    pr&aacute;tico, pois se planta um s&oacute; produto. Para um agricultor de Turu&ccedil;u,    "o cara t&aacute; plantando fumo l&aacute;, o cara planta 50, 80 mil p&eacute;s    de fumo, pelo dinheiro que d&aacute; aquilo. &#91;...&#93; Vai comparar com isso aqui    &#91;o ecol&oacute;gico&#93;, n&atilde;o tem nem compara&ccedil;&atilde;o. E tu planta    uma coisa s&oacute; e n&atilde;o te incomoda com outras coisinhas, n&eacute;?"</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em contrapartida, tem&#45;se a vis&atilde;o daqueles    que deixaram de produzir fumo e hoje dedicam&#45;se somente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    ecol&oacute;gica. Segundo um agricultor de Cangu&ccedil;u, </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">a maioria dos agricultores est&atilde;o partindo      pra planta&ccedil;&atilde;o de fumo, que financeiramente &eacute; um neg&oacute;cio      melhor e que me preocupa, n&eacute;? Porque o fumo al&eacute;m dele n&atilde;o      gerar comida, ele vai provocar desmatamento, mexe no meio ambiente. A quest&atilde;o      dos venenos que s&atilde;o usados no fumo tamb&eacute;m. &#91;...&#93; E o fumo, assim      &eacute; uma coisa que tu &eacute; dependente de uma ind&uacute;stria, de      uma multinacional, tu nunca sabe quanto tempo eles v&atilde;o se manter nessa      regi&atilde;o.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O agricultor geralmente come&ccedil;a plantando    pouca quantidade. Por ser um cultivo que, embora d&ecirc; um bom ganho financeiro,    exige muito trabalho em uma &eacute;poca do ano, a tend&ecirc;ncia &eacute;    que o agricultor v&aacute; reduzindo os outros cultivos e venda os animais para    investir tudo em fumo. Com o passar do tempo, o agricultor "perde o jeito"    de plantar outros produtos e acaba tendo de comprar tudo de fora. "&Eacute;    triste, mas tem lugar na col&ocirc;nia que n&atilde;o se planta um p&eacute;    de alface e o frango que se come &eacute; o Pena Branca congelado" (depoimento    do t&eacute;cnico de uma ONG).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No plantio de fumo, a perspectiva temporal passa    a ser ditada pela ind&uacute;stria. Os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o    dos produtos, antes de dom&iacute;nio absoluto do agricultor, passam a ser dos    t&eacute;cnicos da empresa. Os insumos qu&iacute;micos utilizados s&atilde;o    comprados em um pacote fechado da ind&uacute;stria e aplicados de acordo com    as suas prescri&ccedil;&otilde;es. Passam de produtores a trabalhadores rurais,    sem direitos e sem qualquer controle sobre os meios de produ&ccedil;&atilde;o.    Geralmente, os agricultores fazem investimentos em m&aacute;quinas e na propriedade    e precisam pagar os financiamentos, da&iacute; a necessidade de plantar mais    e cultivar outros produtos convencionais em grande escala.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, um agricultor de Turu&ccedil;u    afirma que "tem que se virar porque a gente faz d&iacute;vida, faz d&iacute;vida,    ent&atilde;o pra pagar a d&iacute;vida tem que correr atr&aacute;s. Comprei    trator &#91;...&#93; e o cara compra tudo financiado". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As rela&ccedil;&otilde;es entre vizinhos s&atilde;o    muito valorizadas dentro da agricultura familiar. Embora com o cultivo do fumo    isso esteja mudando, ainda s&atilde;o bastante comuns as chamadas "trocas    de servi&ccedil;os" e as visitas. Diante disso, o n&atilde;o&#45;reconhecimento    da realidade da agroecologia como leg&iacute;tima, por parte dos produtores    convencionais &#150; o que fica evidenciado no deboche e na incompreens&atilde;o    &#150;, leva os agricultores ecol&oacute;gicos a serem vistos e tratados como "loucos",    exercendo consider&aacute;vel press&atilde;o para o abandono dos principiantes,    principalmente, em uma fase em que os resultados ainda s&atilde;o pequenos e    o grupo ecol&oacute;gico ainda n&atilde;o se consolidou. Passado o per&iacute;odo    inicial, os agricultores ecol&oacute;gicos &eacute; que parecem exercer uma    press&atilde;o sobre seus vizinhos, conforme depoimento abaixo:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">A gente ouviu muitas cr&iacute;ticas e muitos      me gozaram e eu tive que discutir com eles at&eacute;. At&eacute; domingo      jogando carta! &#91;...&#93; E at&eacute; com meus caminhoneiros que tinha l&aacute;      eu discutia com eles. &#91;...&#93; agora t&atilde;o come&ccedil;ando, como eu falei      do agricultor &#91;...&#93;, que &eacute; um vizinho que nunca debochou de mim, mas      ele ficou meio quieto. &#91;...&#93; Mas esse ano ele j&aacute; come&ccedil;ou, plantou      quinze sacos j&aacute; de batata ecol&oacute;gica, plantou feij&atilde;o ecol&oacute;gico,      mas n&atilde;o junto comigo &#91;no grupo&#93;, ele t&aacute; junto com a cooperativa.      (agricultor de S&atilde;o Louren&ccedil;o)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, o car&aacute;ter "real" da    agroecologia come&ccedil;a a ser mais fortemente questionado &agrave; medida    que, na pr&oacute;pria fam&iacute;lia, encontra resist&ecirc;ncia e oposi&ccedil;&atilde;o.    &Eacute; ela, talvez, o elemento mais importante, sendo respons&aacute;vel pela    perman&ecirc;ncia ou mudan&ccedil;a de realidade, pois a participa&ccedil;&atilde;o    &eacute; sempre decidida em conjunto. Isso leva os agricultores a afirmar que    nos casos em que a fam&iacute;lia participa do grupo ecol&oacute;gico, e discute    em conjunto as id&eacute;ias, parece n&atilde;o haver problemas. No centro dessa    quest&atilde;o est&aacute; o fator econ&ocirc;mico, ou a grande expectativa    em torno dos rendimentos da produ&ccedil;&atilde;o e da comercializa&ccedil;&atilde;o    direta por parte de um dos membros da fam&iacute;lia. Para um agricultor de    Arroio do Padre, "at&eacute; que no in&iacute;cio se tu agarrava a&iacute;    plantava aquele tu tinha com&eacute;rcio, n&eacute;? Como na feira, porque as    feiras eram boas no in&iacute;cio. Ent&atilde;o aquilo ali &eacute; o que dava    assim uma alegria".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As constantes dificuldades, tanto ambientais    quanto estruturais, for&ccedil;am o agricultor e sua fam&iacute;lia a pensarem    no curto prazo, na sobreviv&ecirc;ncia. Isso faz com que muitos tenham de buscar    outras formas de cultivo para atender &agrave;s "necessidades" imediatas,    levando ao abandono gradual da agroecologia e reduzindo o cultivo ao n&iacute;vel    da subsist&ecirc;ncia. Vale dizer que tais observa&ccedil;&otilde;es foram corroboradas,    tanto pelos t&eacute;cnicos das ONGs quanto pelos agricultores, em um semin&aacute;rio    de devolu&ccedil;&atilde;o dos dados da pesquisa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O presente trabalho buscou discutir as transforma&ccedil;&otilde;es    ocorridas no espa&ccedil;o da agricultura familiar p&oacute;s&#45; Revolu&ccedil;&atilde;o    Verde. No plano da identidade, como se observou, essa revolu&ccedil;&atilde;o,    por mais silenciosa que possa ter sido, n&atilde;o deixou de ser violenta, especialmente    para a agricultura familiar, em que pr&aacute;ticas tradicionais tidas como    "atrasadas" foram substitu&iacute;das por outras consideradas por    muitos governos e &oacute;rg&atilde;os de assessoria e pesquisa como sendo de    vanguarda. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Atualmente, muitas dessas pr&aacute;ticas s&atilde;o    reintroduzidas atrav&eacute;s de um movimento social contestat&oacute;rio, engendrado    por organiza&ccedil;&otilde;es sociais (ONGs e organiza&ccedil;&otilde;es dos    agricultores) que defendem o ide&aacute;rio agroecol&oacute;gico. S&atilde;o    apresentadas na forma de uma nova identidade a ser assumida pelo agricultor.    Entretanto, toda e qualquer identidade requer consci&ecirc;ncia. O que se pergunta    &eacute;: existiria tal consci&ecirc;ncia de forma ampla na agroecologia? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Viu&#45;se no presente trabalho que a agroecologia,    muito embora possa ser vista como um projeto alternativo, articulado e incentivado    por organiza&ccedil;&otilde;es que contestam o atual modelo de agricultura convencional,    s&oacute; pode ser aceita pelos agricultores na forma de uma realidade coerente    e leg&iacute;tima. Para o seu reconhecimento, esta realidade necessita de um    choque no curso normal dos acontecimentos, que suscite uma revis&atilde;o das    cren&ccedil;as anteriores. J&aacute; para manter essa realidade, no entanto,    a simples tomada de consci&ecirc;ncia por parte do agricultor n&atilde;o &eacute;    suficiente. &Eacute; necess&aacute;ria a perten&ccedil;a a um grupo ou organiza&ccedil;&atilde;o    que permita ao agricultor perceber a agroecologia como socialmente v&aacute;lida,    como uma realidade poss&iacute;vel. A teia de organiza&ccedil;&otilde;es que    se estabelece no universo pesquisado &eacute; altamente positiva nesse sentido.    Grupos, associa&ccedil;&otilde;es, cooperativas e ONGs associam&#45;se em uma rede    que permite transcender a id&eacute;ia de organiza&ccedil;&atilde;o em seu sentido    est&aacute;tico e externo, bem como em um sentido puramente econ&ocirc;mico,    percebendo&#45;a como intersubjetividade e processo. Processo esse que &eacute;    tamb&eacute;m pol&iacute;tico, pois envolve uma luta social por projetos distintos    para a sociedade, uma vez que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel assumir uma    identidade sem a transforma&ccedil;&atilde;o do universo simb&oacute;lico que    lhe d&aacute; suporte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Poder&#45;se&#45;ia ainda questionar, a partir de Almeida    (2004), se a agroecologia seria um movimento social, pois o agir pol&iacute;tico&#45;identit&aacute;rio    parece surgir apenas ao n&iacute;vel das lideran&ccedil;as das organiza&ccedil;&otilde;es    dos agricultores e das ONGs, ou seja, por aqueles que t&ecirc;m maior conhecimento    e envolvimento nas "lutas", enquanto muitos agricultores da base sequer    reconhecem sua forma de organiza&ccedil;&atilde;o e seus princ&iacute;pios.    Contudo, n&atilde;o seria esse o sentido de "movimento" e essa impertin&ecirc;ncia    uma caracter&iacute;stica das "organiza&ccedil;&otilde;es sociais"?    O car&aacute;ter pontual do presente estudo n&atilde;o nos autoriza a dar respostas    definitivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Viu&#45;se neste trabalho que as organiza&ccedil;&otilde;es,    embora tenham um papel importante na mudan&ccedil;a de uma realidade convencional    para a ecol&oacute;gica, n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos mediadores dessa    transi&ccedil;&atilde;o. A experi&ecirc;ncia subjetiva e intersubjetiva do ator    &eacute; tamb&eacute;m um elemento importante. Futuros trabalhos, n&atilde;o    s&oacute; no espa&ccedil;o rural, mas tamb&eacute;m urbano, podem explorar quais    outros elementos auxiliam na transforma&ccedil;&atilde;o ou manuten&ccedil;&atilde;o    de determinada realidade social e contribuem para a ressignifica&ccedil;&atilde;o    das identidades sociais dos sujeitos dessas organiza&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMEIDA, J. <I>A constru&ccedil;&atilde;o social    de uma nova agricultura</I>: tecnologia agr&iacute;cola e movimentos sociais    no sul do Brasil. Porto Alegre: Ed.Universidade/UFRGS, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0034-7590200800030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMEIDA, J. Agroecologia: nova ci&ecirc;ncia,    alternativa t&eacute;cnico&#45;produtiva ou movimento social? In: RUSCHEINSKY, A.    (Org) <I>Sustentabilidade: </I>uma paix&atilde;o em movimento. Porto Alegre:    Sulina, 2004. p. 88&#45;101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0034-7590200800030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BAUER, M. A. L; MESQUITA, Z. As concep&ccedil;&otilde;es    de identidade e as rela&ccedil;&otilde;es entre indiv&iacute;duos e organiza&ccedil;&otilde;es:    um olhar sobre a realidade da agricultura ecol&oacute;gica. In: <I>RAC&#45;Eletr&ocirc;nica</I>,    v. 1, n. 1, p. 16&#45;30, jan./abr. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0034-7590200800030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BERGER, P. L. <I>O dossel sagrado</I>: elementos    para uma teoria sociol&oacute;gica da religi&atilde;o. S&atilde;o Paulo:    Paulus, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0034-7590200800030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. <I>A constru&ccedil;&atilde;o    social da realidade</I>. 21. ed. Petr&oacute;polis: Vozes, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0034-7590200800030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOURDIEU, P. <I>A economia das trocas ling&uuml;&iacute;sticas.    </I>S&atilde;o Paulo: EDUSP, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0034-7590200800030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRUYN, S. <I>La perspectiva humana en sociologia.    </I>Buenos Ayres: Amorrortu, 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0034-7590200800030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAPORAL, F. R; COSTABEBER, J. A. Agroecologia:    aproximando conceitos com a no&ccedil;&atilde;o de sustentabilidade. In: RUSCHEINSKY,    A. (Org) <I>Sustentabilidade: </I>uma paix&atilde;o em movimento. Porto Alegre:    Sulina, 2004. p. 46&#45;61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0034-7590200800030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASTELLS, M. <I>O poder da identidade</I>. S&atilde;o    Paulo: Paz e Terra, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0034-7590200800030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CUCHE, D. <I>A no&ccedil;&atilde;o de cultura    nas ci&ecirc;ncias sociais. </I>Bauru: Edusa, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0034-7590200800030000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DAROLT, M. R. <I>Agricultura org&acirc;nica:    </I>inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0034-7590200800030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOFFMAN, E. <I>Estigma: </I>notas sobre a manipula&ccedil;&atilde;o    da identidade deteriorada.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0034-7590200800030000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HABERMAS, J. <I>Teor&iacute;a de la acci&oacute;n    comunicativa</I>. Madrid: Taurus, 1988. t. II.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0034-7590200800030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HABERMAS, J. <I>Racionalidade e comunica&ccedil;&atilde;o</I>.    Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0034-7590200800030000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HALL, S. Quem precisa de identidade? In: SILVA,    T. T. da (Org) <I>Identidade e diferen&ccedil;a: </I>a perspectiva dos estudos    culturais. Petr&oacute;polis: Vozes, 2000. p. 103&#45;133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0034-7590200800030000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HUSSERL, E. <I>Medita&ccedil;&otilde;es cartesianas</I>.    S&atilde;o Paulo: Madras, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0034-7590200800030000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARX, K. <I>Manuscritos econ&ocirc;mico&#45;filos&oacute;ficos.</I>    S&atilde;o Paulo: Martin Claret, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0034-7590200800030000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MEAD, G. H. <I> Mind, self and society.</I> Chicago/London:    The University of Chicago Press, 1962.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0034-7590200800030000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MESQUITA, Z. Do territ&oacute;rio &agrave; consci&ecirc;ncia    territorial. In: MESQUITA, Z; BRAND&Atilde;O, Carlos R. (Org) <I>Territ&oacute;rios    do cotidiano. </I>Porto Alegre/Santa Cruz do Sul: UFRGS/UNISC, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0034-7590200800030000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MESQUITA, Z.; BAUER, M. A. L. Associativismo    em Rede: uma constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria em territ&oacute;rios    de agricultura familiar. In: <I>Revista Contempor&acirc;nea de Antropologia    e Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica &#150; Antropol&iacute;tica,</I> v. 17, n. 1, p.    167&#45;189, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0034-7590200800030000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MINAYO, M. C. de S. <I>O desafio do conhecimento.    </I>5. ed. S&atilde;o Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0034-7590200800030000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA, R. C. de <I>Identidade, etnia e estrutura    social.</I> S&atilde;o Paulo: Pioneira, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0034-7590200800030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">POBREZA RURAL. Principais transforma&ccedil;&otilde;es    econ&ocirc;mico&#45;sociais da agricultura brasileira: 1970&#45;1995. In: <I>Impactos    das transforma&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnico&#45;produtivas sobre a din&acirc;mica    demogr&aacute;fica e a qualidade de vida no meio rural do Rio Grande do Sul.</I>    Projeto RS 2010, Pobreza Rural, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0034-7590200800030000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">REDE ECOVIDA. <I>Rede Ecovida de Agroecologia</I>,    2000. Mimeografado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0034-7590200800030000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SANDERS. P. Phenomenology: a new way of viewing    organizational research. In: <I>Academy of Management Review.</I> v. 7, n. 3,    p. 353&#45;360, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0034-7590200800030000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SANTOS, M. S. dos. Sobre a autonomia das novas    identidades coletivas: alguns problemas te&oacute;ricos. In: <I>Revista Brasileira    de Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, v. 13, n. 38, p.151&#45;165, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0034-7590200800030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SELLTIZ, C. e outros<I>. M&eacute;todos de pesquisa    nas rela&ccedil;&otilde;es sociais. </I>S&atilde;o Paulo: EPU, 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0034-7590200800030000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SCHUTZ, A. <I>The phenomenology of the social    world.</I> Evanston: Northwestern University Press, 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0034-7590200800030000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SCHUTZ, A. Fenomenologia e rela&ccedil;&otilde;es    sociais. In: WAGNER, H. (Org)<I> Textos escolhidos de Alfred Schutz.    </I>Rio de Janeiro: Zahar, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0034-7590200800030000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SCHUTZ, A. <I>El problema de la realidad social.</I>    2. ed. Buenos Ayres: Amorrortu, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0034-7590200800030000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SPINK, M. J. P; FREZZA, R. M. Pr&aacute;ticas    discursivas e produ&ccedil;&atilde;o dos sentidos: a perspective da psicologia    social. In: SPINK, M. J. P. (Org) <I>Pr&aacute;ticas discursivas e produ&ccedil;&atilde;o    de sentidos no cotidiano</I>. 3. ed. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0034-7590200800030000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 29.06.2006.    <br>   Aprovado em 14.04.2008    <br>   Avaliado pelo sistema <I>double blind review</i>    <br>   Editor Cient&iacute;fico: Rodrigo Bombonati</font></p>      ]]></body><back>
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