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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article contributes to the anthropology of the sacred flutes in lowland South America by retaking the analysis of an episode that occurred between 1947 and 1953 involving Leonardo Villas Boas and the Kamayurá, a Xinguano Tupian-Guarani speaking society. At that time, Leonardo the youngest of the Villas Boas Brothers - had an ongoing and public love affair with Skin of Secluded, one of the wives of the great shaman and chief, Kutamapù. The affair caused a commotion among the Indians, who placed a trio of sacred yaqu'i flutes inside Leonardo's house. From that moment on, every time Skin of Secluded went there, she would see the flutes. As she broke the rule that dictates that women are prohibited of seeing the flutes, Skin of Secluded was collectively raped. This originated her ostracism and the Villas Boas Brothers' unfriendly relations with the Kamayurá. For the Kamayurá, "seeing" contrasts with "hearing"; the former pointing to an analytical form of knowledge ("explanation"), and the latter to a synthetic one ("comprehension"). The Kamayurá interpret strengthening of the capacity of "seeing" as a signal of anti-sociality, as in the case of the witches, or of supreme sociality, as in the case of the shamans. In contrast, the strengthening of the aptitude of "hearing" is considered a signal of virtuosity in music and verbal art. Among the Kamayurá, women are forbidden to see the sacred yaqu'i flutes, yet they are expected to hear them. The clues for an indigenous interpretation of the episode arise from their construction of the senses, genders and power - in short, from their ways of constituting the world: once Skin of Secluded violated the inviolable, Leonardo was transformed into a "flute", his house into the "flutes' house", and the Kamayurá men into a collectivity of flutes. As a result of this, everything started to happen under the flutes' ferocious ethics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Leonardo,    a flauta: uns sentimentos selvagens<a href="#back1"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rafael Jos&eacute;    de Menezes Bastos<a href="#back2"><sup>2</sup></a></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professor do Departamento    de Antropologia &#150; UFSC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo pretende    contribuir para a etnologia das "flautas sagradas" nas Terras Baixas da Am&eacute;rica    do Sul, retomando a an&aacute;lise de um epis&oacute;dio ocorrido entre 1947    e 1953, envolvendo Leonardo Villas Boas e os &iacute;ndios kamayur&aacute;,    xinguanos tupi-guarani. Nesse momento, Leonardo manteve, continuada e publicamente,    rela&ccedil;&otilde;es amorosas com Pele de Reclusa, esposa do grande xam&atilde;    e chefe Kutamap&ugrave;. O <i>affair</i> provocou como&ccedil;&atilde;o entre    os &iacute;ndios, que colocaram um trio de flautas na casa do her&oacute;i.    Assim, quando Pele de Reclusa a freq&uuml;entava, via as flautas. Violada a    regra que pro&iacute;be &agrave;s mulheres ver as flautas, Pele de Reclusa sofreu    estupro coletivo, o que originou seu ostracismo e o afastamento dos Villas Boas    dos Kamayur&aacute;. Para estes, "ver" contrasta com "ouvir". A primeira no&ccedil;&atilde;o    aponta para uma forma anal&iacute;tica de conhecimento ("explica&ccedil;&atilde;o"),    a segunda, sint&eacute;tica ("compreens&atilde;o"). A exacerba&ccedil;&atilde;o    da capacidade de "ver" &eacute;, para eles, sinal de associalidade &#150; no    caso dos feiticeiros &#150; e de suprema socialidade &#150; no caso dos paj&eacute;s.    O exagero da aptid&atilde;o de "ouvir", ao contr&aacute;rio, &eacute; considerado    condi&ccedil;&atilde;o de virtuosidade na m&uacute;sica e nas artes verbais.    Se entre esses &iacute;ndios, &agrave;s mulheres &eacute; vedado ver as flautas,    ouvi-las &eacute; delas esperado. As pistas para a compreens&atilde;o ind&iacute;gena    do epis&oacute;dio prov&ecirc;m de sua maneira de constru&ccedil;&atilde;o dos    sentidos, dos g&ecirc;neros e do poder &#150; no todo, de sua forma de constitui&ccedil;&atilde;o    do mundo: quando Pele de Reclusa violou o inviol&aacute;vel, Leonardo transformou-se    em "flauta", sua casa na "casa das flautas", e os homens numa coletividade delas,    tudo passando a ocorrer sob sua &eacute;tica feroz.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    flautas sagradas, Alto Xingu, &iacute;ndios kamayur&aacute;, cosmologia, audi&ccedil;&atilde;o    do mundo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The article contributes    to the anthropology of the sacred flutes in lowland South America by retaking    the analysis of an episode that occurred between 1947 and 1953 involving Leonardo    Villas Boas and the Kamayur&aacute;, a Xinguano Tupian-Guarani speaking society.    At that time, Leonardo the youngest of the Villas Boas Brothers &#150; had an    ongoing and public love affair with <i>Skin of Secluded</i>, one of the wives    of the great shaman and chief, <i>Kutamap&ugrave;</i>. The affair caused a commotion    among the Indians, who placed a trio of sacred <i>yaqu'i</i> flutes inside Leonardo's    house. From that moment on, every time <i>Skin of Secluded</i> went there, she    would see the flutes. As she broke the rule that dictates that women are prohibited    of seeing the flutes, <i>Skin of Secluded</i> was collectively raped. This originated    her ostracism and the Villas Boas Brothers' unfriendly relations with the Kamayur&aacute;.    For the Kamayur&aacute;, "seeing" contrasts with "hearing"; the former pointing    to an analytical form of knowledge ("explanation"), and the latter to a synthetic    one ("comprehension"). The Kamayur&aacute; interpret strengthening of the capacity    of "seeing" as a signal of anti-sociality, as in the case of the witches, or    of supreme sociality, as in the case of the shamans. In contrast, the strengthening    of the aptitude of "hearing" is considered a signal of virtuosity in music and    verbal art. Among the Kamayur&aacute;, women are forbidden to see the sacred    <i>yaqu'i</i> flutes, yet they are expected to hear them. The clues for an indigenous    interpretation of the episode arise from their construction of the senses, genders    and power &#150; in short, from their ways of constituting the world: once <i>Skin    of Secluded</i> violated the inviolable, Leonardo was transformed into a "flute",    his house into the "flutes' house", and the Kamayur&aacute; men into a collectivity    of flutes. As a result of this, everything started to happen under the flutes'    ferocious ethics.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key-words:</b>    sacred flutes, Upper Xingu, Kamayur&aacute; Indians, cosmology, world hearing.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>The    other great branch of sympathetic magic, which I have called Contagious Magic,    proceeds upon the notion that things which have once been conjoined must remain    ever afterwards, even when quite dissevered from each other, in such a sympathetic    relation that whatever is done to the one must similarly affect the other. Thus    the logical basis of Contagious Magic, like that of Homoeopathic Magic, is a    mistaken association of ideas; its physical basis, if we may speak of such a    thing, like the physical basis of Homoeopathic Magic, is a material medium of    some sort which, like the ether of modern physics, is assumed to unite distant    objects and to convey impressions from one to the other</i>.</font></p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sir    James George Frazer (1854-1941), <i>The Golden Bough</i> (1922)<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De que estamos    falando ao usar a express&atilde;o "flautas sagradas" (ou "rituais")? Responder    a essa pergunta n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil. Tudo come&ccedil;a pelo    fato de sabermos muito bem que n&atilde;o estamos a tratar simplesmente de "flautas".    Ou melhor, dos aerofones tipologicamente identificados pelo n&uacute;mero 421    no sistema de Hornbostel-Sachs (Hornbostel &amp; Sachs, 1961&#91;1914&#93;),    um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o de instrumentos musicais, ali&aacute;s,    que a grande maioria dos antrop&oacute;logos e etnomusic&oacute;logos &#150;    os muse&oacute;logos s&atilde;o excepcionais a esse respeito &#150; nunca levou    muito a s&eacute;rio, apesar &#150; &eacute; o que acho &#150; de seu grande    interesse.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a> N&atilde;o tratamos    somente de flautas, pois as "flautas sagradas", dependendo de cada caso etnogr&aacute;fico,    podem compreender aerofones de v&aacute;rios tipos ou mesmo, como no caso xinguano    (kamayur&aacute;) aqui abordado, al&eacute;m de v&aacute;rias esp&eacute;cies    de aerofones ("flautas", "trompetes", "clarinetes", "zunidores"), v&aacute;rias    categorias de idiofones<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>    (chocalhos globulares, em fieira etc.). Mas n&atilde;o &eacute; somente devido    a quest&otilde;es organol&oacute;gicas &#150; de interesse sempre estrat&eacute;gico    para a compreens&atilde;o do pensamento e da sensibilidade, tanto ind&iacute;genas    quanto daqueles que buscam conhec&ecirc;-los &#150; que a pergunta posta acima    n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil de responder: pesa sobre a express&atilde;o    em tela os qualificativos "sagradas" ou "rituais", &agrave;s vezes substitu&iacute;dos    por "secretas" ou outros, muito pouco adequados para descrever o estatuto dos    instrumentos em considera&ccedil;&atilde;o.<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Minha contribui&ccedil;&atilde;o    &agrave; abordagem da quest&atilde;o das flautas em considera&ccedil;&atilde;o    &#150; que me mobiliza desde o come&ccedil;o de minhas pesquisas no Alto Xingu    (ver Menezes Bastos, 1978&#91;1999a&#93;) &#150; vai se dar por meio do breve    estudo de um epis&oacute;dio envolvendo essas flautas, os &iacute;ndios kamayur&aacute;    e os c&eacute;lebres irm&atilde;os Villas Boas. Num texto j&aacute; antigo (Menezes    Bastos, 1989), em que estudei as exegeses kamayur&aacute; (xinguanos tupi-guarani)    e yawalapit&iacute; (idem, aruaque) sobre o Parque Ind&iacute;gena do Xingu    e a constru&ccedil;&atilde;o da saga dos citados her&oacute;is, recolhi uma    narrativa que inclui a narra&ccedil;&atilde;o desse epis&oacute;dio. Cada vez    mais descubro que ele tem um grande interesse para a compreens&atilde;o do universo    das "flautas sagradas" nas Terras Baixas da Am&eacute;rica do Sul, assim como    do pensamento amer&iacute;ndio em geral. Recordo que no texto referido cobri    apenas com uma pequena nota de p&eacute; de p&aacute;gina o epis&oacute;dio,    passando, desde ent&atilde;o, alguma parte dos cerca de 18 anos seguintes pensando    nele. Resumirei aqui o que pensei, ent&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A narrativa que    conta o epis&oacute;dio, feita em 1981 por Takum&atilde;, ent&atilde;o chefe    kamayur&aacute;, reporta-se &agrave; &eacute;poca da chegada dos Villas Boas    &agrave; regi&atilde;o dos formadores do Rio Xingu. Isso coloca seu presente    hist&oacute;rico mais ou menos entre os dois ou tr&ecirc;s &uacute;ltimos anos    da d&eacute;cada de 1940 e os dois ou tr&ecirc;s primeiros da de 1950 &#150;    algo como o intervalo 1947-1953. Takum&atilde; ent&atilde;o era adolescente    e estava no per&iacute;odo de reclus&atilde;o pubert&aacute;ria (hoje ele deve    estar perto dos 80 anos). Conforme disse em meu texto de 1989, a narrativa revela    uma face no m&iacute;nimo descontente dos &iacute;ndios xinguanos &#150; dos    Kamayur&aacute; em particular &#150; com os irm&atilde;os Villas Boas, intencionalmente    buscando demolir a ret&oacute;rica assexuada por meio da qual sua saga sempre    tentou se apresentar ao mundo.<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>    Pretendo, atrav&eacute;s da breve an&aacute;lise do epis&oacute;dio em tela    &#150; que apresenta as "flautas sagradas", por assim dizer, em a&ccedil;&atilde;o,    como agentes portanto &#150;, contribuir para a etnologia das Terras Baixas    da Am&eacute;rica do Sul nos cap&iacute;tulos referentes &agrave;s maneiras    ali vigentes de constru&ccedil;&atilde;o dos sentidos, dos g&ecirc;neros e do    poder &#150; no todo, no cap&iacute;tulo relativo &agrave;s formas amer&iacute;ndias    de constitui&ccedil;&atilde;o do mundo. Subsidiariamente, farei uma pequena    excurs&atilde;o &agrave;s tem&aacute;ticas do pensamento e do sentimento selvagens,    rapidamente explorando a quest&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o amer&iacute;ndia    do mito e da hist&oacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Transcrevo abaixo    a narrativa em coment&aacute;rio, que dividi em cinco partes, numeradas de 1    a 5:<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a></font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. &#91;...&#93;      A&iacute; eu fiquei no Xingu,<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>      com Leonardo.<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a> Fiquei.      Fiquei por muito tempo ("dez anos"). Ent&atilde;o meu pai me chamou de volta      &agrave; aldeia.<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a> L&aacute;,      fui preso (reclus&atilde;o pubert&aacute;ria). Fiquei preso por muito pouco      tempo ("dois meses") e ent&atilde;o fui embora de novo para o Xingu.<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a>      Leonardo havia me chamado. Fiquei l&aacute;... A&iacute; meu pai me chamou      de novo. Em seguida, Leonardo foi buscar-me uma vez mais. A&iacute;, eu fiquei,      fiquei... com Leonardo. Nessa &eacute;poca, Leonardo me emprestou carabina.      Depois, ele deu outra pra mim, uma 44. A&iacute;, eu fiquei com ele, fiquei,      fiquei...</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Foi ent&atilde;o,      depois, que Leonardo errou o caminho. Ele namorou (algumas) &iacute;ndias.      Ele tinha ci&uacute;me do pessoal (dos outros cara&iacute;bas):<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>      "Pessoal n&atilde;o pode namorar &iacute;ndias. Eles passam doen&ccedil;as      para elas". Leonardo falava assim. Orlando tamb&eacute;m. Leonardo ficava      brabo com o pessoal cara&iacute;ba. Ele queria mandar todos os cara&iacute;bas      embora. Mas, como? Os Villas Boas ficariam sozinhos. A&iacute;, Leonardo me      chamou: "Takum&atilde;, voc&ecirc; tem que dizer para as mulheres n&atilde;o      entrarem nas casas dos trabalhadores. Assim, eles v&atilde;o passar doen&ccedil;as      pra elas". A&iacute;, eu fui falar com as mulheres. Elas me disseram: "N&atilde;o,      n&oacute;s n&atilde;o temos ido &agrave;s casas dos cara&iacute;bas, n&atilde;o".      A&iacute;, eu fiquei conversando &#91;com as mulheres kamayur&aacute;&#93;,      conversando, conversando... Foi a&iacute; que Leonardo errou o caminho.<a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a>      Eu vi Leonardo errar o caminho. Os outros viram. Todo mundo viu...</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Ele namorou      Pele de Reclusa. Mulher de meu pai. Meu pai era casado com Pele de Reclusa.      Ela era <i>manga&acute;uhet</i>.<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Ent&atilde;o,      Pele de Reclusa viu <i>yumi'ama'e</i> (as flautas sagradas).<a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>      L&aacute; na casa de Leonardo n&oacute;s hav&iacute;amos deixado um trio de      <i>yumi&acute;ama'e</i>. Pele de Reclusa, quando foi namorar com Leonardo,      entrou l&aacute;, ent&atilde;o viu as flautas. Ent&atilde;o, o pessoal (os      Kamayur&aacute;): "Vamos estuprar Pele de Reclusa". Meu pai estava muito brabo.      Meu pai sabia que Leonardo estava namorando Pele de Reclusa.</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. A&iacute;,      outro dia, n&oacute;s tocamos as flautas. Pele de Reclusa estava na casa de      Leonardo. Os dois estavam dentro de uma rede, com mosquiteiro. Pele de Reclusa      estava no mosquiteiro. Ningu&eacute;m sabia disso. Ent&atilde;o, o pessoal      tocou as flautas <i>yumi'ama'e</i>. A&iacute;, Leonardo achou ruim: "Por que      voc&ecirc;s tocaram isso?". Ele brigou com os Kamayur&aacute;. Falou mal,      falou, falou...<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a> Ent&atilde;o,      Leonardo pegou um rev&oacute;lver e disse: "eu vou matar voc&ecirc;, Takum&atilde;".      Eu disse pra ele: "Pode matar". Ele apontou o rev&oacute;lver para minha cara.      Meu pai disse: "Pode matar... Quem mata meu filho, pode me matar tamb&eacute;m...      Por que voc&ecirc; tem ci&uacute;me de seu pessoal?... Voc&ecirc; est&aacute;      errado, Leonardo... Eu n&atilde;o quero mais Pele de Reclusa... Pode casar      com ela...".</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De come&ccedil;o,    o que eu gostaria de reter dessa narrativa impressionante &eacute; a dupla identifica&ccedil;&atilde;o    &#150; por contamina&ccedil;&atilde;o &#150; produzida no evento:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) entre a "casa    das flautas" (<i>tap&ugrave;y</i> em kamayur&aacute;) e a casa de Leonardo;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) e entre as flautas    e o pr&oacute;prio her&oacute;i.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa identifica&ccedil;&atilde;o    &#150; e por isso a estou chamando de contamina&ccedil;&atilde;o, num movimento    que procura evocar <i>O ramo de ouro</i> (a&iacute; estando, portanto, o nexo    da ep&iacute;grafe com o presente texto) &#150; n&atilde;o se congela na pura    equa&ccedil;&atilde;o mental, meton&iacute;mica no caso, j&aacute; que foi feita    um fato do mundo emp&iacute;rico: a coloca&ccedil;&atilde;o das flautas no interior    da casa de Leonardo transformou esta &uacute;ltima na "casa das flautas", a    partir de ent&atilde;o tudo vindo a se passar &#150; para Pele de Reclusa e    Leonardo, ou de seus pontos de vista ou perspectivas (apesar de, por assim dizer,    for&ccedil;ados) &#150; como se Leonardo, ele mesmo, fosse um indiv&iacute;duo    da esp&eacute;cie <i>yaku&acute;i</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observe-se que    essa coloca&ccedil;&atilde;o foi feita intencionalmente, e tudo indica que a    mando de Kutamap&ugrave;, que, sabedor do <i>affair</i> entre Leonardo e Pele    de Reclusa &#150; continuado, p&uacute;blico e caracterizado pelo exclusivismo,    dir-se-ia pela "fidelidade", no caso da mulher em rela&ccedil;&atilde;o ao homem    &#150;, se sentiu v&iacute;tima nada mais nada menos que de um ato de guerra    do her&oacute;i, do cl&aacute;ssico tipo do roubo de mulheres. Kutamap&ugrave;    era, al&eacute;m de um grande chefe, um grande <i>paye</i>, "xam&atilde;".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Produzida a identifica&ccedil;&atilde;o,    a vingan&ccedil;a feroz, o estupro de Pele de Reclusa pelos homens da aldeia    &#150; transformados numa comunidade de <i>yaku&acute;i</i> &#150;, p&ocirc;de    colocar-se no horizonte: Pele de Reclusa, ao freq&uuml;entar a casa de Leonardo,    sem saber e querer, estava a freq&uuml;entar o <i>tap&ugrave;y</i> ("casa das    flautas"), espa&ccedil;o absolutamente interdito &agrave;s mulheres entre os    Kamayur&aacute; e xinguanos em geral, exatamente por ser a casa das <i>yaku&acute;i</i>.    Pior que isso, ao freq&uuml;entar aquela casa, Pele de Reclusa cotidianamente    via as pr&oacute;prias flautas sagradas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segundo ponto    que apreciaria reter do epis&oacute;dio formidando &eacute; cumulativo em rela&ccedil;&atilde;o    ao primeiro: trata-se da colagem &#150; tamb&eacute;m realizada para al&eacute;m    de uma pura opera&ccedil;&atilde;o intelectual &#150; que ele produziu entre    Leonardo e</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) o ci&uacute;me    (comportamento acumulador, no caso de mulheres);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) a falta de discri&ccedil;&atilde;o    (ao manter, ele, rela&ccedil;&otilde;es sexuais bandeirosas com uma mulher casada,    e &#150; pior, pior &#150; com uma das mulheres do chefe);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) e a viol&ecirc;ncia    &#150; verbal ("falar mal", "xingar") e f&iacute;sica (expressa por meio da    amea&ccedil;a de morte com rev&oacute;lver) &#150;, dirigida, centralmente,    nada mais nada menos que a Takum&atilde;, filho do chefe kamayur&aacute; e primeiro    na linha de sua sucess&atilde;o. Essa viol&ecirc;ncia se evidenciou de maneira    ainda mais cabal para os Kamayur&aacute; pelo fato de Leonardo &#150; tornado    uma flauta, ou um indiv&iacute;duo da esp&eacute;cie <i>yaku'i</i> &#150; ter    reclamado (na quinta e &uacute;ltima parte da narrativa) de maneira raivosa    de sua execu&ccedil;&atilde;o em sua casa (transformada, como se viu, em "casa    das flautas") &#150; a flauta reclamava, com raiva, da execu&ccedil;&atilde;o    de sua pr&oacute;pria m&uacute;sica. Recordo que essa reclama&ccedil;&atilde;o    veio a culminar na amea&ccedil;a de Leonardo a Takum&atilde;, com rev&oacute;lver    em punho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa colagem d&aacute;    o arremate final &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o produzida pelos Kamayur&aacute;    de Leonardo Villas Boas: ela se evidencia no patamar n&atilde;o simplesmente    de um feiticeiro, algu&eacute;m que enfim pode ter seu poder associal eliminado    pela sociedade, por meio da expuls&atilde;o ou mesmo da execu&ccedil;&atilde;o.    Tamb&eacute;m n&atilde;o se faz t&atilde;o-somente em termos da equa&ccedil;&atilde;o    de Leonardo como um inimigo, humano, de guerra. N&atilde;o, o patamar da identifica&ccedil;&atilde;o    de Leonardo nesse epis&oacute;dio &eacute; o de um mais que declarado inimigo    <i>mama'e</i>, "esp&iacute;rito", extremamente poderoso e perigoso pelo poder    incontrast&aacute;vel que det&eacute;m: Leonardo &eacute; identificado no epis&oacute;dio    em considera&ccedil;&atilde;o com um indiv&iacute;duo da esp&eacute;cie do terr&iacute;vel    <i>mama'e yaku'i</i> ou <i>yumi'ama'e</i>, as "flautas sagradas", um indiv&iacute;duo    na casa de quem, ali&aacute;s (conforme o item 5 da narrativa), as flautas devem    ser executadas, mas s&atilde;o raivosamente rejeitadas. Note-se que em 1995    sugeri que a "casa das flautas" era, &agrave; &eacute;poca da chegada dos Kamayur&aacute;    ao Alto Xingu (estimativamente, no s&eacute;culo XVIII), a institui&ccedil;&atilde;o    de arregimenta&ccedil;&atilde;o de guerreiros, papel que ela desempenhou at&eacute;    o congelamento da guerra na regi&atilde;o, no s&eacute;culo XX, com a <i>pax    xinguensis</i> imposta exatamente pelos irm&atilde;os Villas Boas. Observe-se    tamb&eacute;m que os <i>mama'e</i> em geral somente s&atilde;o control&aacute;veis    pela pol&iacute;tica xam&acirc;nica, monopolizada pelos <i>paye</i>, particularmente    &#150; entre os Kamayur&aacute; &#150; monopolizado por seu <i>paye</i> de ver    e ouvir, o pr&oacute;prio chefe (Menezes Bastos, 1984-1985, 2001).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por fim, o terceiro    aspecto que gostaria de real&ccedil;ar no epis&oacute;dio: a vingan&ccedil;a    dos Kamayur&aacute; foi violenta e inexor&aacute;vel, abatendo-se tanto sobre    Leonardo quanto sobre Pele de Reclusa. Sobre Leonardo, devido ci&uacute;me,    indiscri&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia, irreciprocidade enfim. Leonardo    teve de sair da aldeia kamayur&aacute; e perdeu a namorada que, roubada do chefe,    queria somente para si. Perdeu-a violentada por todos &#150; do excesso por    extrema restri&ccedil;&atilde;o, representado pelo ego&iacute;smo ou avareza    amorosa, ao excesso por absoluta falta de limite, figurado pelo amor for&ccedil;ado    de todos. Pele de Reclusa &#150; a involunt&aacute;ria autora da viola&ccedil;&atilde;o    original &#150;, estuprada, foi expulsa da aldeia.<a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; bom deixar    claro que a vingan&ccedil;a em tela n&atilde;o foi impulsionada por ci&uacute;me    de Kutamap&ugrave;, ou seja, ela n&atilde;o foi ocasionada por um desejo acumulador    do chefe kamayur&aacute;, ele mesmo, em rela&ccedil;&atilde;o a Pele de Reclusa.    N&atilde;o, a vingan&ccedil;a foi impulsionada pela rejei&ccedil;&atilde;o radical    de Kutamap&ugrave; e dos Kamayur&aacute; em geral do ci&uacute;me &#150; pois    Leonardo queria Pele de Reclusa somente para si &#150; e da viol&ecirc;ncia,    enfim da extrema irreciprocidade de todo o <i>affair</i> envolvendo Leonardo    e Pele de Reclusa. Em rela&ccedil;&atilde;o a este terceiro ponto, vale observar    que as puni&ccedil;&otilde;es a traidores e traidoras conjugais no mundo kamayur&aacute;    n&atilde;o parecem alcan&ccedil;ar dimens&otilde;es maiores que as da simples    rusga. Na grande maioria das vezes, elas se reduzem a pequenas surras do(a)    tra&iacute;do(a) no(a) traidor(a) (diferen&ccedil;a que os Kamayur&aacute; sempre    fazem quest&atilde;o de salientar entre eles e os "civilizados"). Na mitologia,    por&eacute;m, essas puni&ccedil;&otilde;es costumam ter intensidade absolutamente    dram&aacute;tica, quase sempre provocando cat&aacute;strofes e rupturas ("origens")<a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a>    &#150; tudo se passa, ent&atilde;o, no epis&oacute;dio aqui narrado, como se    ele tivesse pertin&ecirc;ncia m&iacute;tica, ocasionando, como ocasionou, pelo    menos duas importantes rupturas ou origens: o div&oacute;rcio for&ccedil;ado    de Kutamap&ugrave; com o estupro e o ostracismo de Pele de Reclusa; e o afastamento    &#150; a inimizade mesmo &#150; de Leonardo dos Kamayur&aacute;, com sua progressiva    generaliza&ccedil;&atilde;o no relativo aos Villas Boas como um todo (Menezes    Bastos, 1989).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que esse epis&oacute;dio    ter&aacute; a ver com meu objeto de aten&ccedil;&atilde;o aqui? Por meio do    estudo das "flautas sagradas" nas Terras Baixas da Am&eacute;rica do Sul, contribuir    para a etnologia respectiva nos cap&iacute;tulos das rela&ccedil;&otilde;es    de poder, da constru&ccedil;&atilde;o sociocultural dos sentidos e dos g&ecirc;neros    e, em geral, da constitui&ccedil;&atilde;o do mundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>As flautas sagradas    kamayur&aacute;</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As "flautas sagradas"    ou "rituais" kamayur&aacute; &#150; em Kamayur&aacute;, <i>yaku'i</i> ou <i>yumi'ama'e</i>    &#150; s&atilde;o aerofones do tipo flauta com conduto e defletor.<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a>    Medem em torno de um metro e t&ecirc;m quatro orif&iacute;cios digitais (evidentemente,    n&atilde;o as devo mostrar em foto, como inadvertidamente o fiz em meu texto    de 1978&#91;1999a&#93;). Quase sempre, elas s&atilde;o tocadas em trio &#150;    por um <i>maraka'&ugrave;p</i>, "mestre de m&uacute;sica", e dois ajudantes    ou aprendizes. Quando executadas em solo, o s&atilde;o sempre por um mestre,    especialmente virtuoso. As <i>yaku'i</i> constituem o ego de um grupo de parentesco    do tipo <i>kindred</i> (orientado em ego), chamado em Kamayur&aacute; <i>yaku'iare'&ugrave;y</i>    ou <i>yumi'ama'eare'&ugrave;y</i> (ao p&eacute; da letra, algo como "semelhantes    a <i>yaku'i</i>", "pessoal de <i>yaku&acute;i</i>"). Trata-se de um grupo relativamente    grande, envolvendo outros onze instrumentos musicais, conforme a figura a seguir:<a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="/img/revistas/ra/v49n2/02f1.gif">Figura    1</a> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na gera&ccedil;&atilde;o    +2 da parentela em considera&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o os aerofones do    tipo trompete <i>kuyahapi</i>, <i>arikamo</i> e <i>kuyaham</i> (cujo meio &eacute;    a &aacute;gua, sendo similares a "peixes");<a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a>    as flautas <i>kuruta</i> (similarmente &agrave;s <i>yaku'i</i>, tamb&eacute;m    com conduto e defletor; seu meio &eacute; a floresta, e elas s&atilde;o semelhantes    a "animais de p&ecirc;lo"); os chocalhos globulares <i>yakokoakamit&ugrave;</i>;    os aerofones tipo clarinete <i>tarawi</i>;<a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a>    o trocano <i>warayumi'a</i>; e os zunidores <i>uriwuri</i> e <i>parapara</i>    (os cinco &uacute;ltimos tamb&eacute;m s&atilde;o seres aqu&aacute;ticos, identificados    com "peixes"). Na gera&ccedil;&atilde;o 0, a das <i>yaku'i</i>, localizam-se    os chocalhos <i>yaku'iakamit&ugrave;</i><sup>,</sup> do tipo em fieira e usados    amarrados ao tornozelo direito dos dan&ccedil;arinos. O meio original desses    dois instrumentos &#150; como tamb&eacute;m o das flautas <i>yaku'i</i> &#150;    &eacute; tamb&eacute;m a &aacute;gua, sendo todos parecidos com "peixes". Na    gera&ccedil;&atilde;o -1, ficam as flautas <i>kuruta'i</i>, que, como as <i>yaku'i</i>    e <i>kuruta</i>, t&ecirc;m conduto e defletor. Seu meio &eacute; a floresta    e sua identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; como "animal de p&ecirc;lo". Note-se    que &#150; interessantemente &#150; a esse <i>kindred</i> falta a gera&ccedil;&atilde;o    +1.<a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a> Vale deixar bem claro:    todos esses instrumentos t&ecirc;m o estatuto de <i>mama&acute;e</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As flautas <i>yaku&acute;i</i>    encontram no <i>tap&ugrave;y</i> seu espa&ccedil;o preferencial &#150; mas n&atilde;o    exclusivo &#150; de guarda. Essa casa ocupa uma importante posi&ccedil;&atilde;o    na aldeia kamayur&aacute;, uma aldeia que &eacute;, ela mesma, uma cosmografia:    situada no centro da aldeia, a "casa das flautas" &eacute; um dos lugares originais    por excel&ecirc;ncia de seu cosmo, nela se concentrando sua pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o.    Consistentemente com isso, ela &eacute; tamb&eacute;m chamada de <i>hoka'&ugrave;</i>,    literalmente, "casa da &aacute;gua", e de <i>hotatap</i>, ao p&eacute; da letra,    "casa do fogo". Simultaneamente, ela &eacute; o espa&ccedil;o por excel&ecirc;ncia    da masculinidade entre os Kamayur&aacute; e xinguanos em geral, da&iacute; a    sua outra tradu&ccedil;&atilde;o de "casa dos homens". Ali &#150; conforme j&aacute;    referido &#150;, as mulheres n&atilde;o podem entrar, sob pena de estupro coletivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A "casa das flautas"    tem, na face que d&aacute; para oeste, duas portas (chamadas de <i>ap&ugrave;y</i>,    "narinas"). Na oposta, somente uma. Lembro que, entre os Kamayur&aacute;, as    rela&ccedil;&otilde;es sexuais s&atilde;o monitoradas, vigiadas pelo cheiro    que elas mesmas emitem, assim como pelos odores que, isoladamente, os fluidos    masculino e feminino (incluindo, crucialmente, o sangue menstrual) liberam.    Sendo o <i>tap&ugrave;y</i> o espa&ccedil;o nevr&aacute;lgico da masculinidade    entre esses &iacute;ndios, masculinidade esta politicamente manifestada pela    capacidade de controle da sexualidade, atrav&eacute;s tipicamente de seus finos    olores, nada de estupendo que essa casa seja, ela mesma, cosmograficamente,    um grande nariz a tudo sensoriar &#150; dir-se-ia algo n&atilde;o como um pan-&oacute;tico,    mas "pan-osfr&eacute;sico".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos depoimentos    nativos, a casa das flautas aparece como uma das distin&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas    dos <i>ap&ugrave;ap</i>, os "Kamayur&aacute; de verdade", chamados, exatamente,    de <i>tap&ugrave;yatapi&atilde;</i> ("os da aldeia que tem <i>tap&ugrave;y</i>").    Aqui, o <i>tap&ugrave;y</i> &eacute; uma grande constru&ccedil;&atilde;o onde    se passam os ritos secretos da comunidade masculina, ligados &agrave;s "flautas    sagradas" e aos outros instrumentos que comp&otilde;em seu <i>kindred</i>. Aqui    tamb&eacute;m &eacute; onde se fazia antigamente a reclus&atilde;o pubert&aacute;ria,    ent&atilde;o sempre coletiva (ver Menezes Bastos, 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As <i>yaku&acute;i</i>    n&atilde;o podem ser <i>vistas</i> pelas mulheres, sua m&uacute;sica, por&eacute;m,    &eacute; <i>ouvida</i> por elas de maneira extremamente diligente.<a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a>    Entre os Kamayur&aacute;, essa n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica proibi&ccedil;&atilde;o    visual &#150; mas n&atilde;o <i>auditiva</i> &#150; &agrave;s mulheres: o Payemeramaraka,    "ritual da comunidade dos paj&eacute;s", tamb&eacute;m n&atilde;o deve ser <i>visto</i>    por elas (ver Menezes Bastos, 1984-1985). Adicionalmente a isso, vale recordar    que presenciei um epis&oacute;dio na aldeia kamayur&aacute; em 1981 &#150; ligado    a uma ca&ccedil;ada de porcos, depositados mortos no p&aacute;tio da aldeia    &#150;, do qual elas tamb&eacute;m se isolaram visualmente, trancando-se em    suas casas e fechando as portas, temerosas de que os homens se transformassem    em <i>mama&acute;e</i>. Enquanto isso, os homens discutiam dramaticamente no    p&aacute;tio da aldeia seu processo de xinguaniza&ccedil;&atilde;o (Menezes    Bastos, 1995). Tudo faz parecer, ent&atilde;o, que as proibi&ccedil;&otilde;es    visuais &agrave;s mulheres, entre os Kamayur&aacute;, apontam para um dever    seu (das mulheres), absolutamente essencial, de evita&ccedil;&atilde;o do universo    dos <i>mama'e</i>. Especificamente, elas t&ecirc;m como base o temor feminino,    verdadeiro pavor, de que os homens se transformem em <i>mama'e</i>, assim vindo    a dar fim ao mundo, sempre por um fio entre eles, do contrato social.<a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a>    Entre os Kamayur&aacute;, o controle humano dos <i>mama'e</i> somente &eacute;    pass&iacute;vel de ser feito atrav&eacute;s do xamanismo, monop&oacute;lio masculino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;s    "flautas sagradas", por&eacute;m, observe-se que as mulheres n&atilde;o somente    n&atilde;o devem <i>v&ecirc;-las</i>: elas tamb&eacute;m n&atilde;o devem <i>saber    quem</i> as toca. Note-se que os homens, quando as est&atilde;o executando,    encerram-se no <i>tap&ugrave;y</i> &#150; quando eles as tocam no p&aacute;tio    da aldeia, as portas das casas residenciais s&atilde;o fechadas, ali devendo    ficar reclusas as mulheres e crian&ccedil;as. Observe-se por fim que, quando    executando as <i>yaku&acute;i</i>, os homens n&atilde;o devem tomar banho de    imers&atilde;o, mas de coit&eacute;, n&atilde;o podem manter rela&ccedil;&otilde;es    sexuais, sujeitando-se a mais uma s&eacute;rie de outros interditos, tudo evocando    o comportamento das mulheres quando menstruadas. Essa evoca&ccedil;&atilde;o    me inspirou uma compara&ccedil;&atilde;o das <i>yaku&acute;i</i> com os instrumentos    musicais similares do Alto Rio Negro (ver Hugh-Jones, 1979; Hill, 1993; e Piedade,    1997), os dois universos musicais apontando para uma menstrua&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica dos homens &#150; sinal de seu poder no plano n&atilde;o biol&oacute;gico,    mas pol&iacute;tico &#150;, o que recorda fatos em tudo por tudo semelhantes    da Nova Guin&eacute;.<a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As "flautas rituais"    &#150; e sua parentela &#150; s&atilde;o temas muito presentes na mitologia    kamayur&aacute; e xinguana em geral. Aponto abaixo, de maneira extremamente    resumida, alguns de seus nexos mais importantes nessa mitologia:<a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) As flautas em    coment&aacute;rio s&atilde;o <i>ta'angap</i>, "c&oacute;pias", feitas com a    madeira de determinadas &aacute;rvores, de <i>mama'e</i> subaqu&aacute;ticos.    Essas "c&oacute;pias" foram produzidas por Ayanama, um dos demiurgos kamayur&aacute;.<a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) Era uma vez...    essas flautas constitu&iacute;am dom&iacute;nio exclusivo das mulheres. Ent&atilde;o,    havia uma completa invers&atilde;o daquilo que hoje acontece: as mulheres pescavam,    os homens trabalhavam a mandioca e cuidavam das crian&ccedil;as; &agrave;s mulheres    cabia com exclusividade a "casa das flautas", os homens sendo proibidos de ali    entrarem. Nesse tempo &#150; para sintetizar &#150;, a constitui&ccedil;&atilde;o    do mundo kamayur&aacute;, do ponto de vista daquilo tudo que se refere aos g&ecirc;neros,    era inversa daquela que hoje ele tem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) Insatisfeitos    com isso, os homens fizeram uma revolu&ccedil;&atilde;o, tomando as flautas    das mulheres e constituindo o mundo como hoje ele &eacute;. Para que essa revolu&ccedil;&atilde;o    pudesse ser feita, Morenayat, "o dono do Morena", outro demiurgo kamayur&aacute;,    amea&ccedil;ou as mulheres, executando os horrendos zunidores <i>uriwuri</i>    e <i>parapara.</i><a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a> A    partir de ent&atilde;o, a constitui&ccedil;&atilde;o presente do mundo foi feita,    sua manuten&ccedil;&atilde;o estando assentada no medo, pavor, verdadeiro horror    que as mulheres devotam ao universo das "flautas rituais" e dos <i>mama&acute;e</i>    em geral. Repito que somente os homens, entre os Kamayur&aacute; e xinguanos    em geral, podem ser xam&atilde;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desde que iniciei    meus estudos no Alto Xingu, tenho partido da id&eacute;ia de que os sentidos,    para longe de constitu&iacute;rem aparelhos biopsicol&oacute;gicos invari&aacute;veis,    s&atilde;o &#150; como o corpo para Marcel Mauss &#150; os primeir&iacute;ssimos    objetos de constru&ccedil;&atilde;o cultural. Partindo desse princ&iacute;pio,    elaborei a no&ccedil;&atilde;o de <i>audi&ccedil;&atilde;o do mundo</i> (em    ingl&ecirc;s, no original, <i>world hearing</i> &#91;Menezes Bastos, 1999b&#93;)    para dar conta de cosmologias amer&iacute;ndias com um n&iacute;tido primado    no mundo da audi&ccedil;&atilde;o, diferentemente do que acontece no Ocidente,    onde a vis&atilde;o &eacute; o sentido primordial. Os Kamayur&aacute; s&atilde;o    um povo para o qual a no&ccedil;&atilde;o de <i>audi&ccedil;&atilde;o do mundo</i>    &#150; muito mais que a de <i>vis&atilde;o do mundo</i> &#150; cabe como uma    luva: para eles, o verbo <i>anup</i>, cujo significado original &eacute; "ouvir",    indica tamb&eacute;m o sentido de "compreender", tendo uma posi&ccedil;&atilde;o    hier&aacute;rquica superior &agrave;quela ocupada pelo verbo <i>tsak</i>, originalmente    "ver", mas que tamb&eacute;m aponta para o nexo de "entender". Assim, pode-se    dizer que, entre os Kamayur&aacute;, "ver" sup&otilde;e uma forma anal&iacute;tica    de percep&ccedil;&atilde;o e conhecimento, do campo da intelec&ccedil;&atilde;o    e explica&ccedil;&atilde;o. Note-se que a exacerba&ccedil;&atilde;o da capacidade    de "ver", entre eles, &eacute; tida como sinal de extrema associalidade, caso    dos feiticeiros e, pior ainda, dos <i>mama'e</i> &#150; entre os quais as flautas    <i>yaku'i</i> e muitos dos componentes de sua parentela, especialmente as buzinas    <i>kuyahapi</i>, <i>arikamo</i> e <i>kuyaham</i>, que n&atilde;o t&ecirc;m ouvidos    e nariz, somente t&ecirc;m olhos e bocas &#150; que devoram, n&atilde;o propriamente    comem &#150; ferozes. Em contraponto a isso, a no&ccedil;&atilde;o de "ouvir"    indica, para os &iacute;ndios em considera&ccedil;&atilde;o, a percep&ccedil;&atilde;o    e o conhecimento sint&eacute;ticos do dom&iacute;nio da sensibilidade e da compreens&atilde;o;    a capacidade exagerada de ouvir &eacute; considerada pelos Kamayur&aacute; como    &iacute;ndice de virtuosidade nas artes da m&uacute;sica e verbal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando antes aqui    falei que o epis&oacute;dio cuja narrativa deu come&ccedil;o a este texto tinha    pertin&ecirc;ncia m&iacute;tica, desejava apontar para o fato de que ele, para    os Kamayur&aacute; &#150; e para quem os procure compreender &#150;, tinha natureza    originante e modelar, encerrando cat&aacute;strofes protot&iacute;picas ou,    exatamente, origens. Se, para os Kamayur&aacute;, ent&atilde;o, o mito encontra    sua voca&ccedil;&atilde;o na ruptura, a hist&oacute;ria, em contraposi&ccedil;&atilde;o,    a tem na continuidade. Tudo se passa, para os Kamayur&aacute;, como se o passado    &#150; o passado mesmo, o irrecuperavelmente perdido &#150; somente existisse    para o mito, para a hist&oacute;ria somente existindo presentes, mais ou menos    presentificados pela indaga&ccedil;&atilde;o (Sousa, 1981). Como j&aacute; apontei,    o epis&oacute;dio em tela ocasionou duas grandes rupturas ou cat&aacute;strofes,    demarcando as origens:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) do div&oacute;rcio    de Kutamap&ugrave; com o ostracismo de Pele de Reclusa, dramaticamente intermediados    pelo estupro coletivo dela;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) e do afastamento    de Leonardo dos Kamayur&aacute;, germe do afastamento cada vez mais definitivo    dos irm&atilde;os Villas Boas como um todo em rela&ccedil;&atilde;o a esses    &iacute;ndios. Note-se que a partir da&iacute; os Kamayur&aacute; &#150; diferentemente    dos Yawalapit&iacute; &#150; passaram a orientar seu contato com o mundo dos    brancos para o "Destacamento Xingu", estabelecimento ent&atilde;o mantido pela    For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira acerca do Jacar&eacute; (ver Menezes Bastos,    2004a).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kutamap&ugrave;    ordenou a coloca&ccedil;&atilde;o na casa de Leonardo do trio de <i>yaku&acute;i</i>    t&atilde;o-somente porque, enciumado com o <i>affair</i> que envolvia sua esposa,    calculadamente esperava a rea&ccedil;&atilde;o vingativa dos homens em face    da viola&ccedil;&atilde;o, por parte dela, da regra de proibi&ccedil;&atilde;o    &agrave;s mulheres da vis&atilde;o das "flautas sagradas". Mas essa interpreta&ccedil;&atilde;o    do epis&oacute;dio &#150; que o equacionaria como um mero crime passional &#150;    n&atilde;o faz o menor sentido para os Kamayur&aacute; e para quem quer que    os procure compreender. Tudo come&ccedil;a pelo fato de que a rea&ccedil;&atilde;o    do chefe ao <i>affair</i> responde ao car&aacute;ter de irreciprocidade radical    com que Leonardo estabeleceu suas rela&ccedil;&otilde;es com Pele de Reclusa.    Trata-se, enfim, de uma rea&ccedil;&atilde;o a um ato de guerra contra os Kamayur&aacute;.    Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute;: essa interpreta&ccedil;&atilde;o sustenta-se    na falsa id&eacute;ia de que as flautas em tela s&atilde;o entes materiais,    inertes, e n&atilde;o como realmente elas s&atilde;o &#150; seres dotados de    pessoalidade, ag&ecirc;ncia, de subjetividade enfim. Quando Pele de Reclusa    violou o inviol&aacute;vel &#150; alicerce da constitui&ccedil;&atilde;o do    mundo kamayur&aacute; &#150;, ela acionou o interruptor que desencadeou a seq&uuml;&ecirc;ncia    de transforma&ccedil;&otilde;es que aconteceram sob a &eacute;tica feroz das    "flautas sagradas", liberadas de controle humano: a de Leonardo em "flauta"    &#150; recusante de sua pr&oacute;pria m&uacute;sica &#150;, a de sua casa na    "casa das flautas" e, por fim, dos homens kamayur&aacute; numa coletividade    delas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top">1</a>    A vers&atilde;o original deste texto, lida na mesa-redonda "Antropologia &amp;    est&eacute;tica a arte como gn&oacute;sis e vis&atilde;o do mundo", na 25ª Reuni&atilde;o    Brasileira de Antropologia (Goi&acirc;nia, 11-14/6/6), saiu com altera&ccedil;&otilde;es    em <i>Antropologia em Primeira M&atilde;o</i>, n. 85 (2006). Agrade&ccedil;o    a Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, organizador da mesa, Ordep Serra e Idilva    Germano, seus demais integrantes, pelos coment&aacute;rios. A vers&atilde;o    seguinte foi apresentada no simp&oacute;sio "Onda de choque: novas investiga&ccedil;&otilde;es    sobre as flautas rituais nas Terras Baixas da Am&eacute;rica do Sul", no 52º    Congresso Internacional de Americanistas (Sevilha, 17-21/7/6). Agrade&ccedil;o,    agora, a Jonathan Hill e a Jean-Pierre Chaumeil, organizadores do simp&oacute;sio,    e a seus outros membros. A presente vers&atilde;o &eacute; diferente das anteriores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back2"></a><a href="#top">2</a>    Na Universidade Federal de Santa Catarina, tamb&eacute;m coordena o N&uacute;cleo    de Estudos Arte, Cultura e Sociedade na Am&eacute;rica Latina e Caribe (<a href="http://www.musa.ufsc.br" target="_blank">http://www.musa.ufsc.br</a>);    &eacute; pesquisador do CNPq (1B). E-mail: <a href="mailto:rafael@pesquisador.cnpq.br">rafael@pesquisador.cnpq.br</a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back3"></a><a href="#top3">3</a>    Conforme &lt;<a href="http://www.bartleby.com/196/" target="_blank">http://www.bartleby.com/196/</a>&gt;,    acessado em 6/6/2006. Tradu&ccedil;&atilde;o minha da ep&iacute;grafe: "O outro    grande tipo de magia por simpatia, que eu chamo de Magia por Cont&aacute;gio,    procede com base na no&ccedil;&atilde;o de que as coisas que uma vez estiveram    juntas devem assim permanecer para sempre, mesmo quando bem separadas umas das    outras, numa rela&ccedil;&atilde;o de simpatia tal que aquilo que ocorra com    umas deve tamb&eacute;m acontecer com as outras. Ent&atilde;o, a base l&oacute;gica    da Magia por Cont&aacute;gio, como aquela da Magia Homeop&aacute;tica, &eacute;    uma associa&ccedil;&atilde;o errada de id&eacute;ias; sua base f&iacute;sica,    se &eacute; que podemos falar disso aqui, como a base f&iacute;sica da Magia    Homeop&aacute;tica, &eacute; um meio material tal que, como o &eacute;ter da    f&iacute;sica moderna, se sup&otilde;e que conecte os objetos distantes e possa    transmitir caracter&iacute;sticas de uns para os outros".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back4"></a><a href="#top4">4</a>    Recordo que no sistema em coment&aacute;rio o n&uacute;mero 421 corresponde    aos "instrumentos (aerofones) com defletor ou flautas" (em ingl&ecirc;s, <i>edge    &#91;aerophones&#93; instruments or flutes</i>). Brevemente falando, esse sistema    tem como nexos primeiros a discrimina&ccedil;&atilde;o entre os elementos (cordas,    colunas de ar, membranas, etc.) respons&aacute;veis pela gera&ccedil;&atilde;o    sonora nos instrumentos musicais e pelos processos que a geram (para cordas,    por exemplo, dedilhar, percutir, tocar com arco etc). Como se pode ver, a dimens&atilde;o    timbr&iacute;stica &#150; t&atilde;o importante, ali&aacute;s, para as m&uacute;sicas    amer&iacute;ndias, como o caso kamayur&aacute; t&atilde;o bem ilustra &#150;    est&aacute; na sua base.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back5"></a><a href="#top5">5</a>    No sistema em tela, idiofones s&atilde;o os instrumentos que t&ecirc;m no seu    pr&oacute;prio ("idio") corpo o elemento respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o    do som.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back6"></a><a href="#top6">6</a>    A proposta de Hill e Chaumeil (2006) para o simp&oacute;sio referido na nota    1, os trabalhos nele lidos, inclusive o meu &#150; a sair em livro organizado    por Hill e Chaumeil&#150;, coloca de maneira ao mesmo tempo detalhada e abrangente    o interesse etnogr&aacute;fico do estudo das "flautas sagradas". Ver Piedade    (2004) para uma investiga&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica sobre a quest&atilde;o,    com base no observat&oacute;rio waur&aacute; (wauja), aruaque xinguanos. Ver    tamb&eacute;m Barcelos Neto (2004) e Mello (2005).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back7"></a><a href="#top7">7</a>    As den&uacute;ncias ind&iacute;genas (suy&aacute;, kayab&iacute;, truma&iacute;)    contidas em Menezes Bastos (2004a) tamb&eacute;m t&ecirc;m essa caracter&iacute;stica.    Note-se que a vis&atilde;o yawalapit&iacute; dos Villas Boas &eacute; bem diferente    daquela dos Kamayur&aacute;, sendo altamente positiva (conforme Menezes Bastos,    1989, 1990, 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back8"></a><a href="#top8">8</a>    A presente transcri&ccedil;&atilde;o &eacute; resumida e aprimora a tradu&ccedil;&atilde;o    de 1989, feita por informantes bil&iacute;ng&uuml;es, incluindo o pr&oacute;prio    Takum&atilde;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back9"></a><a href="#top9">9</a>    "Xingu", no portugu&ecirc;s dos Kamayur&aacute;, &eacute; a regi&atilde;o chamada    por eles, em kamayur&aacute;, de Yakarep ("Jacar&eacute;"), acerca do hoje Posto    Ind&iacute;gena Diauarum.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back10"></a><a href="#top10">10</a>    Leonardo era o mais mo&ccedil;o dos irm&atilde;os Villas Boas (Orlando, o mais    velho). Leonardo faleceu em 1961 de problemas card&iacute;acos, tendo sido dado    seu nome ao antigo Posto Ind&iacute;gena Capit&atilde;o Vasconcelos como reconhecimento    da import&acirc;ncia de sua contribui&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o    do Parque.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back11"></a><a href="#top11">11</a>    O pai de Takum&atilde; era o ent&atilde;o chefe e grande paj&eacute; Kutamap&ugrave;.    Nessa &eacute;poca, a aldeia kamayur&aacute; localizava-se na boca do Ribeir&atilde;o    Tuatuari, em territ&oacute;rio que os pr&oacute;prios Kamayur&aacute; reconhecem    como yawalapit&iacute; (ver Menezes Bastos, 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back12"></a><a href="#top12">12</a>    A nota 72 do original de 1989 considera que Takum&atilde; aqui se queixa dos    transtornos ocasionados ao perfeito cumprimento de seu per&iacute;odo de reclus&atilde;o    pubert&aacute;ria por sua conviv&ecirc;ncia com os Villas Boas. Explicitamente,    ele exp&otilde;e o choque entre os pontos de vista de seu pai e os de Leonardo,    e os dos Villas Boas em geral, quanto &agrave; dura&ccedil;&atilde;o do mesmo.    O primeiro &#150; que buscava formar Takum&atilde;, seu primog&ecirc;nito, como    chefe &#150; o queria longo, o segundo condicionando-o a ser curto. Se, no portugu&ecirc;s    kamayur&aacute; de contato no contexto da presente narrativa, "dez anos" aponta    para uma dura&ccedil;&atilde;o longa, "dois meses" o faz para uma muito breve.    Note-se que a maior ou menor dura&ccedil;&atilde;o da reclus&atilde;o pubert&aacute;ria    aponta o maior ou menor cuidado do pai na forma&ccedil;&atilde;o de seu filho,    o que &eacute; especialmente importante no caso da forma&ccedil;&atilde;o do    chefe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back13"></a><a href="#top13">13</a>    Esses outros cara&iacute;bas eram os demais funcion&aacute;rios da Expedi&ccedil;&atilde;o    Roncador-Xingu que acompanhavam os Villas Boas &agrave; regi&atilde;o dos formadores    do Xingu.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back14"></a><a href="#top14">14</a>    Transcrevo <i>ipsis litteris</i> a nota 73 do original de 1989: "A express&atilde;o    'errar caminho', com toda a piedade que a caracteriza, &eacute; usada pelo narrador    de maneira altamente sutil e eficaz no sentido da condena&ccedil;&atilde;o moral    de Leonardo do ponto de vista do pr&oacute;prio quadro de valores ret&oacute;ricos    administrado por esse her&oacute;i em sua pedagogia de contato inter&eacute;tnico.    No sentido da condena&ccedil;&atilde;o e, caritativamente, do perd&atilde;o"!</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back15"></a><a href="#top15">15</a>    <i>Manga'uhet</i>: "imediatamente ex-reclusa pubert&aacute;ria". Kutamap&ugrave;,    pai de Takum&atilde;, tinha tr&ecirc;s esposas ent&atilde;o, Pele de Reclusa    sendo a mais jovem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back16"></a><a href="#top16">16</a>    <i>Yumi'ama'e</i> (ou <i>yaku&acute;i</i>) s&atilde;o as "flautas sagradas"    kamayur&aacute; (ver adiante).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back17"></a><a href="#top17">17</a>    "Falar mal" (<i>ye'eng nikatuite</i>), algo como "xingar", comportamento verbal    associal, caracter&iacute;stico do feiticeiro e contr&aacute;rio por excel&ecirc;ncia    &agrave; etiqueta xinguana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back18"></a><a href="#top18">18</a>    Ela mudou-se desde ent&atilde;o para a Ilha do Bananal, onde se casou com um    eminente chefe karaj&aacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back19"></a><a href="#top19">19</a>    Recordo-me aqui imediatamente dos mitos de origem do ritual do Yawari (Menezes    Bastos &amp; Hermenegildo, 2002, p. 140; Menezes Bastos, 2004b, p. 96) e do    pequi (Agostinho, 1974a, p. 109-12), entre tantos outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back20"></a><a href="#top20">20</a>    Conforme meu texto de 1978&#91;1999a&#93;. Ver Piedade (2004) para um estudo,    como j&aacute; disse, paradigm&aacute;tico das flautas em coment&aacute;rio    entre os xinguanos aruaque Wauja. Vale referir &#150; como os xinguanos n&atilde;o    s&atilde;o simplesmente iguais (nem simplesmente diferentes, como apontei uma    vez) &#150; que, entre os Kamayur&aacute;, as flautas em considera&ccedil;&atilde;o    <i>n&atilde;o</i> s&atilde;o m&aacute;scaras, como &eacute; o caso entre os    Wauja, segundo o citado texto de Piedade, como tamb&eacute;m os &#150; tamb&eacute;m    magn&iacute;ficos &#150; de Barcelos Neto (2004) e Mello (2005).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back21"></a><a href="#top21">21</a>    Conforme figura que est&aacute; em meu texto de 1978 (ver 1999a, p. 228).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back22"></a><a href="#top22">22</a>    Nesse tipo de aerofone, o som tem origem na vibra&ccedil;&atilde;o, por press&atilde;o    de ar, dos l&aacute;bios do tocador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back23"></a><a href="#top23">23</a>    No caso dos clarinetes, o som tem origem numa palheta, posta a vibrar pelo ar    emitido pelo tocador. Essas diferen&ccedil;as ac&uacute;sticas &#150; envolvendo    flautas, trompetes e clarinetes, assim como os demais instrumentos &#150; s&atilde;o    de extremo interesse para os &iacute;ndios kamayur&aacute; e, em geral, das    Terras Baixas como um todo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back24"></a><a href="#top24">24</a>    Essa omiss&atilde;o talvez aponte para o nexo de que somente interessa ao referido    <i>kindred</i> os ancestrais (gera&ccedil;&otilde;es +2 e superiores), a prole    (+1) e os <i>siblings</i> de ego (e ego, &eacute; claro), devendo-se notar que    no pensamento kamayur&aacute; a autoria &#150; sua, por assim dizer, assinatura    &#150; da subst&acirc;ncia geneal&oacute;gica &eacute; dos ancestrais, sendo    apenas transmitida, veiculada pela gera&ccedil;&atilde;o +1.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back25"></a><a href="#top25">25</a>    Conforme Mello (2005), para um estudo aprofundado sobre essa tem&aacute;tica    entre os Wauja, que envolve, de um lado, a m&uacute;sica das "flautas sagradas"    masculinas e, de outro, parte relevante do repert&oacute;rio da m&uacute;sica    vocal feminina. Segundo esse estudo, as mulheres ouvem as flautas para gravarem    suas melodias, transpondo-as &#150; ou melhor, tomando-as como modelos&#150;;    ent&atilde;o, para sua m&uacute;sica vocal, particularmente aquela do ritual    do Iamurikum&atilde;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back26"></a><a href="#top26">26</a>    Recordo que o mito que est&aacute; na base do ritual do Iamurikum&atilde; apresenta    este, por assim dizer, risco em estado original &#150; o da transforma&ccedil;&atilde;o    dos homens em <i>mama&acute;e</i>, provocando o mesmo entre as mulheres e, ent&atilde;o,    o fim da socialidade (ver Mello, 2005). Tratei da fragilidade do contrato social    humano entre os Kamayur&aacute; em alguns trabalhos, entre os quais os de 1990,    1993, 1995 e 2004b. Sobre o xamanismo, conforme meu texto de 1984-1985.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back27"></a><a href="#top27">27</a>    Conforme Hogbin (1970), entre tantos autores. A compara&ccedil;&atilde;o referida    est&aacute; em Menezes Bastos (1999a&#91;1978&#93;, pp. 223-32). Ver Piedade    (2004) e alguns dos textos presentes em Gregor e Tuzin (2001) para retomadas    recentes da quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back28"></a><a href="#top28">28</a>    Para colet&acirc;neas da mitologia em tela, conforme o j&aacute; referido Agostinho    (1974a), Agostinho (1974b, pp. 159-201) e Villas Boas (1975). Agostinho (1974a,    pp. 113-27) recolhe algumas narrativas especificamente sobre as ditas flautas    e sua parentela.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back29"></a><a href="#top29">29</a>    A no&ccedil;&atilde;o de <i>ta'angap</i> &eacute; extremamente rica e complexa,    tanto quanto a de mimese. Tratei dela em v&aacute;rios textos, entre os quais    os de 1984-1985, 1990 e 2001.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back30"></a><a href="#top30">30</a>    Morena &eacute; a regi&atilde;o onde o mundo se originou segundo os Kamayur&aacute;.    Ela se encontra acerca do Yakarep.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back31"></a><a href="#top31">31</a>    Acess&iacute;vel tamb&eacute;m <i>on-line</i> em &lt;<a href="http://www.musa.ufsc.br" target="_blank">www.musa.ufsc.br</a>&gt;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back32"></a><a href="#top32">32</a>    Este livro tem uma segunda edi&ccedil;&atilde;o, de 1999, feita em Florian&oacute;polis    pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina. Recordo que ele transcreve,    de maneira praticamente <i>ipsis litteris</i>, minha disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado, defendida em 1976 na Universidade de Bras&iacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back33"></a><a href="#top33">33</a>    Dispon&iacute;vel tamb&eacute;m <i>on-line</i> em <a href="http://www.antropologia.ufsc.br" target="_blank">www.antropologia.ufsc.br</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back34"></a><a href="#top34">34</a>    Idem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back35"></a><a href="#top35">35</a>    Dispon&iacute;vel tamb&eacute;m em &lt;<a href="http://www.musa.ufsc.br" target="_blank">www.musa.ufsc.br</a>&gt;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back36"></a><a href="#top36">36</a>    Idem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AGOSTINHO, Pedro    1974a <i>Mitos e outras narrativas kamayur&aacute;</i>, Bahia, Universidade    Federal da Bahia. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588507&pid=S0034-7701200600020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AGOSTINHO, Pedro    1974b <i>Kwar&igrave;p: mito e ritual no Alto Xingu</i>, S&atilde;o Paulo, EPU/Edusp.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588508&pid=S0034-7701200600020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARCELOS NETO,    Arist&oacute;teles 2004 <i>Apapaatai: rituais de m&aacute;scaras no Alto Xingu</i>,    S&atilde;o Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo, tese de doutorado em Antropologia    Social.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588509&pid=S0034-7701200600020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GREGOR, Thomas    A. &amp; TUZIN, Donald (eds.) 2001 <i>Gender in Amaz&ocirc;nia and Melanesia:    An Exploration of the Comparative Method</i>, Berkeley/Los Angeles/London, University    of California Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588510&pid=S0034-7701200600020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HILL, Jonathan    1993 <i>Keepers of the Sacred Chants: The Poetics of Ritual Power in an Amazonian    Society</i>, Tucson, University of Arizona Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588511&pid=S0034-7701200600020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HILL, J. &amp;    CHAUMEIL, Jean-Pierre 2006 "Burst of Breath: New Research on Indigenous Ritual    Flutes in Lowland South America", Symposium Proposal to the 52nd ICA.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588512&pid=S0034-7701200600020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HOGBIN, H. Ian    1970 <i>The Island of Menstruating Men: Religion in Wogeo, New Guinea</i>, Scranton,    Chandler Publishing Company.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588513&pid=S0034-7701200600020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HORNBOSTEL, E.    M. &amp; SACHS, Curt 1961&#91;1914&#93; "Classification of Musical Instruments"    (English Version), <i>Galpin Society Journal</i>, 14: 3-29.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588514&pid=S0034-7701200600020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HUGH-JONES, Stephen    1979 <i>The Palm and the Pleiades: Initiation and Cosmology in Northwest Amazonia</i>,    Cambridge/New York, Cambridge University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588515&pid=S0034-7701200600020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MELLO, Maria Ignez    Cruz 2005 <i>Iamurikuma: m&uacute;sica, mito e ritual entre os Wauja do Alto    Xingu</i>, Florian&oacute;polis, Universidade Federal de Santa Catarina, tese    de doutorado em Antropologia Social.<a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588516&pid=S0034-7701200600020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1984-1985 "O 'Payemeramaraka' kamayur&aacute; &#150; uma    contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; etnografia do xamanismo no Alto Xingu",    <i>Revista de Antropologia</i>, vol. 27/28: 139-77.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588517&pid=S0034-7701200600020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1989 "Exegeses yawalapit&iacute; e kamayur&aacute; da    cria&ccedil;&atilde;o do Parque Ind&iacute;gena do Xingu e a inven&ccedil;&atilde;o    da saga dos irm&atilde;os Villas Boas", <i>Revista de Antropologia</i>, vol.    30/31/32: 391-426 (1987/88/89).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588518&pid=S0034-7701200600020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1990 A Festa da Jaguatirica: uma partitura cr&iacute;tico-interpretativa,    S&atilde;o Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo, tese de doutorado em Antropologia    Social. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588519&pid=S0034-7701200600020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1993 "A saga do 'Yawari': mito, m&uacute;sica e hist&oacute;ria    no Alto Xingu", in VIVEIROS DE CASTRO, E. &amp; CARNEIRO DA CUNHA, M. (orgs.),    <i>Amaz&ocirc;nia: etnologia e hist&oacute;ria ind&iacute;gena</i>, S&atilde;o    Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo, pp. 117-46.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588520&pid=S0034-7701200600020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1995 "Indaga&ccedil;&atilde;o sobre os Kamayur&aacute;,    o Alto Xingu e outros nomes e coisas: uma etnologia da sociedade xinguara, <i>Anu&aacute;rio    Antropol&oacute;gico/1994</i>, pp. 227-69.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588521&pid=S0034-7701200600020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1999a&#91;1978&#93; <i>A musicol&oacute;gica kamayur&aacute;:    para uma antropologia da comunica&ccedil;&atilde;o no Alto Xingu</i>, Bras&iacute;lia,    Funai.<a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588522&pid=S0034-7701200600020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 1999b "Ap&ugrave;ap World Hearing: On the Kamayur&aacute;    Phono-Auditory System and the Anthropological Concept of Culture", <i>The World    of Music</i>, vol. 41(1): 85-96.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588523&pid=S0034-7701200600020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 2001 "Ritual, hist&oacute;ria e pol&iacute;tica no Alto    Xingu: observa&ccedil;&otilde;es a partir dos Kamayur&aacute; e do estudo da    Festa da Jaguatirica (Jawari)", in FRANCHETTO, B. &amp; HECKENBERGER, M. (orgs.)    <i>Os povos do Alto Xingu: hist&oacute;ria e cultura</i>, Rio de Janeiro, Editora    da UFRJ, pp. 335-57.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588524&pid=S0034-7701200600020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 2004a '"Cargo anti-cult' no Alto Xingu: consci&ecirc;ncia    pol&iacute;tica e leg&iacute;tima defesa &eacute;tnica", <i>Antropologia em    Primeira M&atilde;o</i>, 71.<a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588525&pid=S0034-7701200600020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de 2004b "The Yawari Ritual of the Kamayur&aacute;: A Xinguano    Epic", in KUSS, Malena (ed.), <i>Music in Latin America and the Caribbean: An    Encyclopedic History. Volume 1: Performing Beliefs: Indigenous Cultures of South    America, Central America and Mexico</i>, Austin, University of Texas Press,    pp. 77-99.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588526&pid=S0034-7701200600020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENEZES BASTOS,    Rafael Jos&eacute; de &amp; HERMENEGILDO, Jos&eacute; de 2002 "A Festa da Jaguatirica:    Primeiro e S&eacute;timo Cantos. Introdu&ccedil;&atilde;o, transcri&ccedil;&atilde;o    e coment&aacute;rios", <i>Ilha: Revista de Antropologia</i>, vol. 4(2): 133-74.<a name="top34"></a><a href="#back34"><sup>34</sup></a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588527&pid=S0034-7701200600020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PIEDADE, Ac&aacute;cio    Tadeu de Camargo 1997 <i>M&uacute;sica Yepamasa: por uma antropologia da m&uacute;sica    no Alto Rio Negro</i>, Florian&oacute;polis, Universidade Federal de Santa Catarina,    disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Antropologia Social.<a name="top35"></a><a href="#back35"><sup>35</sup></a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588528&pid=S0034-7701200600020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PIEDADE, Ac&aacute;cio    Tadeu de Camargo 2004 <i>O Canto do Kawok&aacute;: m&uacute;sica, cosmologia    e filosofia entre os Wauja do Alto Xingu</i>, Florian&oacute;polis, Universidade    Federal de Santa Catarina, tese de doutorado em Antropologia Social.<a name="top36"></a><a href="#back36"><sup>36</sup></a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588529&pid=S0034-7701200600020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SOUSA, Eudoro de    1981 <i>Hist&oacute;ria e mito</i>, Bras&iacute;lia, Editora da Universidade    de Bras&iacute;lia.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588530&pid=S0034-7701200600020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VILLAS BOAS, Orlando    &amp; VILLAS BOAS, Cl&aacute;udio 1975 <i>Xingu: os &iacute;ndios, seus mitos</i>,    2.ed., S&atilde;o Paulo, Edibolso.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=7588531&pid=S0034-7701200600020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aceito em outubro    de 2006.</font></p>      ]]></body><back>
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