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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O que é que se passa no tabernáculo? Oração e espacialização na igreja tokoista angolana]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper revisits Marcel Mauss's classical text On Prayer (1909), invoking one of his main arguments - that of the epistemological centrality of the act of prayer in religious phenomena - as a pretext for the analysis of ritual and doctrinal processes in the "Tokoist church", a Christian prophetic movement of Angolan origin. I will do so proposing a comprehensive approach to the seemingly disconnected categories of "prayer" and "space".]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O que &eacute; que se passa no tabern&aacute;culo? - ora&ccedil;&atilde;o e espacializa&ccedil;&atilde;o na igreja tokoista angolana</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ruy Llera Blanes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo revisita o texto cl&aacute;ssico de Marcel Mauss sobre a ora&ccedil;&atilde;o (1909), invocando um dos seus principais argumentos - o da "centralidade epistemol&oacute;gica" do ato de prece no fen&ocirc;meno religioso - como pretexto para a an&aacute;lise de processos rituais e doutrinais na chamada Igreja Tokoista, um movimento crist&atilde;o prof&eacute;tico de origem angolana. F&aacute;-lo-ei atrav&eacute;s da an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre as categorias a priori desconexas de "ora&ccedil;&atilde;o" e "espa&ccedil;o". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Igreja Tokoista, Angola, Profetismo, Ora&ccedil;&atilde;o, Espa&ccedil;o. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper revisits Marcel Mauss's classical text On Prayer (1909), invoking one of his main arguments - that of the epistemological centrality of the act of prayer in religious phenomena - as a pretext for the analysis of ritual and doctrinal processes in the "Tokoist church", a Christian prophetic movement of Angolan origin. I will do so proposing a comprehensive approach to the seemingly disconnected categories of "prayer" and "space". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Tokoist church, Angola, Prophetism, Prayer, Space.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas primeiras p&aacute;ginas do seu texto inconclu&iacute;do sobre a ora&ccedil;&atilde;o, Marcel Mauss (1909) debate-se com a defini&ccedil;&atilde;o da prece enquanto fato religioso e social: espiritual e/ou corporal, individual e/ou coletiva, ritualizante e/ou mitificadora... Essa reflex&atilde;o se originava essencialmente do reconhecimento de que o ato da ora&ccedil;&atilde;o era um fen&ocirc;meno central e/ou definidor da vida religiosa. A sua constata&ccedil;&atilde;o era generalizante, e facilitava o seu posterior questionamento das origens e da "evolu&ccedil;&atilde;o" da ora&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; verdade que a reza, enquanto fen&ocirc;meno ub&iacute;quo e ambivalente do religioso, poderia ser abordada de muitas outras perspectivas - seja como um ato mental (Salazar 2008), uma fun&ccedil;&atilde;o cognitiva (Boyer e Li&eacute;nard 2006), um ato performativo (Tambiah 1985 &#91;1973&#93;), um ato comunicacional ou enunciado (Herault 2000), uma quest&atilde;o de "economia local" (Soares 2005), uma forma de ag&ecirc;ncia (Meyer 1998; Ghassem-Fachandi 2007), um mecanismo de constru&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o (Blanes 2008; Luhrmann 2008), uma express&atilde;o gestual de cren&ccedil;a (Sarr&oacute; 2008b) etc.<a href="#link01"><sup>1</sup></a> <a name="link001"></a>&Eacute; precisamente o seu car&aacute;cter "revelador", do qual fala Mauss, que nos permite mold&aacute;-la ao questionamento etnogr&aacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, muito poderia ser dito sobre as quest&otilde;es epistemol&oacute;gicas e metodol&oacute;gicas levantadas no texto centen&aacute;rio de Mauss. Aqui, no entanto, pretendo apenas contrastar essa centralidade e "condi&ccedil;&atilde;o estruturante" da ora&ccedil;&atilde;o (2002 &#91;1909&#93;:21) na chamada Igreja Tokoista, um movimento crist&atilde;o prof&eacute;tico de raiz angolana.<a href="#link02"><sup>2</sup></a> <a name="link002"></a>Essa igreja nasceu em 1949, ap&oacute;s a descida do Esp&iacute;rito Santo ao seu l&iacute;der fundador e profeta, Sim&atilde;o Gon&ccedil;alves Toko, em Leopoldville (no ent&atilde;o Congo Belga). Apesar desse acontecimento ter tido lugar no Congo, o fato de Toko e seus seguidores serem angolanos levou a que, depois da sua expuls&atilde;o da col&ocirc;nia belga, tal culto se transformasse num movimento essencialmente angolano, que viria a ser novamente perseguido pelas autoridades coloniais (nesse caso a pol&iacute;cia pol&iacute;tica portuguesa - PIDE; ver Blanes 2009). Esse registo opressor, no entanto, n&atilde;o impediu que o organismo religioso se expandisse por todo o territ&oacute;rio angolano e fosse finalmente reconhecido em 1974 pelas autoridades portuguesas, poucos meses antes da sua retirada da col&ocirc;nia.<a href="#link03"><sup>3</sup></a> <a name="link003"></a>Nas d&eacute;cadas seguintes, apesar do falecimento do profeta em 1984 e de posteriores conflitos entre distintos setores da lideran&ccedil;a, a Igreja Tokoista se transformou num dos maiores movimentos crist&atilde;os de Angola - e, a partir da d&eacute;cada de 1990, consolidou uma forte presen&ccedil;a na di&aacute;spora angolana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Igreja Tokoista, enquanto movimento crist&atilde;o de ra&iacute;zes protestantes - devidas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o nas miss&otilde;es batistas locais do seu fundador - incorpora toda uma tradi&ccedil;&atilde;o de conceitualiza&ccedil;&atilde;o doutrinal e ritual relativa &agrave; ora&ccedil;&atilde;o facilmente reconhec&iacute;vel para o estudioso de contextos crist&atilde;os. No entanto, a particularidade do seu desenvolvimento hist&oacute;rico - operado entre distintas adscri&ccedil;&otilde;es doutrinais e ideol&oacute;gicas ("africanizantes", reformadoras, ecum&ecirc;nicas etc.) - atribui um interesse acentuado ao que se refere ao papel da prece no seu seio. Como veremos, atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o entre a an&aacute;lise hist&oacute;rica e a aproxima&ccedil;&atilde;o etnogr&aacute;fica, apercebemo-nos de que a ora&ccedil;&atilde;o cumpre, nessa pr&aacute;tica religiosa, um papel estruturante, constituidor - tanto em termos doutrinais como experienciais e, sobretudo, pol&iacute;ticos -, mas tamb&eacute;m &eacute; simultaneamente uma ag&ecirc;ncia ordenadora, classificante, hierarquizadora. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Farei portanto essa an&aacute;lise cr&iacute;tica da "centralidade" da prece atrav&eacute;s de dois exerc&iacute;cios simult&acirc;neos: 1) a descri&ccedil;&atilde;o do papel hist&oacute;rico que a ora&ccedil;&atilde;o assumiu na configura&ccedil;&atilde;o de uma doutrina e ideologia religiosas "tokoistas"; e 2) a an&aacute;lise da sua inser&ccedil;&atilde;o no contexto ritual e a determina&ccedil;&atilde;o de distintas "modalidades de reza" no espa&ccedil;o dos cultos da igreja - mais concretamente, no espa&ccedil;o do tabern&aacute;culo que existe em cada local de celebra&ccedil;&atilde;o tokoista. Essa dupla proposta permitir-nos-&aacute; recuperar dois dos aspectos focados por Mauss na sua an&aacute;lise: por um lado, a ideia da ora&ccedil;&atilde;o como ponto de converg&ecirc;ncia de v&aacute;rias dimens&otilde;es do fen&ocirc;meno religioso, e portanto objeto e produto da circunst&acirc;ncia e da "mudan&ccedil;a religiosa" (Sarr&oacute; 2009);<a href="#link04"><sup>4</sup></a> <a name="link004"></a>e por outro, como um ato assumido de rela&ccedil;&atilde;o com a ordem divina - uma afirma&ccedil;&atilde;o, uma atitude, um credo (Mauss 2002 &#91;1909&#93;:22). Invocarei, assim, dois momentos etnogr&aacute;ficos distintos da Igreja Tokoista: em primeiro lugar, o momento hist&oacute;rico da sua funda&ccedil;&atilde;o em 1949, definidor de uma doutrina, uma modalidade de a&ccedil;&atilde;o e um entendimento espec&iacute;fico sobre a ora&ccedil;&atilde;o. Em segundo lugar, um epis&oacute;dio etnogr&aacute;fico de problematiza&ccedil;&atilde;o da contextualiza&ccedil;&atilde;o ritual, institucional e ideol&oacute;gica da ora&ccedil;&atilde;o, num teste a essas "capacidades reveladoras" da prece. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ambos os momentos revelar&atilde;o, espero, uma ideia central: a da "espacializa&ccedil;&atilde;o" da ora&ccedil;&atilde;o, ou seja, a associa&ccedil;&atilde;o entre a pr&aacute;tica da reza e a constitui&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de desigual acesso e entendimento no contexto eclesi&aacute;stico. Essa proposta implica, portanto, atribuir um car&aacute;cter agencial tanto ao espa&ccedil;o em si (no sentido lefebvriano de ser socializador) quanto &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. Noutras palavras, pensar a prece como uma a&ccedil;&atilde;o reveladora da forma como cren&ccedil;as pessoais, ideologias e pr&aacute;ticas rituais convergem numa pol&iacute;tica de apropria&ccedil;&atilde;o espacial que poder&aacute; negociar processos de diferencia&ccedil;&atilde;o social - hierarquias, centros e margens (Cabral 2000). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa estrutura&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica da ora&ccedil;&atilde;o &eacute; produto, como veremos, de duas ordens de a&ccedil;&atilde;o distintas, mas convergentes: uma pragm&aacute;tica, que resulta da forma como a reza se constituiu, atrav&eacute;s do acontecimento e da pr&aacute;tica religiosos, como elemento lit&uacute;rgico no seio da igreja; e outra pol&iacute;tica, que prov&eacute;m do modo como a prece foi vista e interpretada (tanto desde o exterior da mesma como no seu interior), enquanto manifesta&ccedil;&atilde;o de uma ideologia de cren&ccedil;a, e tomada como objeto, instrumento ou pretexto de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>159 Rue de Mayenge, Leopoldville</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sexta-feira, 25 de julho de 1949. A casa de pap&aacute; Kinavuidi, na Cit&eacute; Indig&egrave;ne de Leopoldville, vai-se enchendo de pessoas. S&atilde;o, na sua maioria, zombos - ou seja, bakongos angolanos emigrados da regi&atilde;o do U&iacute;ge em Angola  - e encontram-se l&aacute; para ouvir os ensinamentos do profeta Sim&atilde;o Toko, tamb&eacute;m ele um mukongo.<a href="#link05"><sup>5</sup></a><a name="link005"></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Optaram por se reunir ali, no quintal, porque foram proibidos de o fazer na miss&atilde;o batista. Os mission&aacute;rios locais, estupefatos pela crescente aflu&ecirc;ncia de crentes &agrave;s reuni&otilde;es promovidas por Toko - nunca a igreja estivera t&atilde;o concorrida aos domingos -, perguntavam-lhe o que fazia. Ele respondia que estava ensinando a palavra de Deus "aos pretos" atrav&eacute;s dos livros.<a href="#link06"><sup>6</sup></a> <a name="link006"></a>Para tal, tinha pedido a mission&aacute;rios da Watchtower que tamb&eacute;m andavam em Leopoldville que lhe enviassem vers&otilde;es da B&iacute;blia em portugu&ecirc;s (Grenfell 1998:212). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por aqueles anos, Sim&atilde;o Toko j&aacute; tinha ganho uma certa notoriedade nos c&iacute;rculos protestantes da cidade, desde que para ali emigrara da Maquela do Zombo (U&iacute;ge, Angola) e come&ccedil;ara a ajudar nas tarefas de evangeliza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o batista. Criara igualmente um grupo coral que rapidamente chegou &agrave;s centenas de cantores. Chamava-se "Coro de Quibocolo", em honra da miss&atilde;o batista do U&iacute;ge, onde Sim&atilde;o crescera. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uns anos antes, em 1935, quando se encontrava de passagem em Catete (perto de Luanda), tivera uma vis&atilde;o, em que Deus apareceu para lhe explicar que "ia p&ocirc;r qualquer coisa dentro dele que ele n&atilde;o iria compreender imediatamente" (Blanes 2009). Toko interpretou esse acontecimento como uma mensagem de que teria uma miss&atilde;o a cumprir no mundo. Da&iacute; que decidisse tomar o trabalho de evangeliza&ccedil;&atilde;o como uma prioridade. Em 1946, j&aacute; em Leopoldville, fora convidado a participar numa confer&ecirc;ncia de mission&aacute;rios protestantes. Quando tomou a palavra, fez uma ora&ccedil;&atilde;o a Deus, pedindo que o Esp&iacute;rito Santo descesse sobre a &Aacute;frica e a salvasse das trevas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, nos anos que se seguiram, Sim&atilde;o Toko prosseguiu com as suas tarefas de evangeliza&ccedil;&atilde;o procurando o esclarecimento atrav&eacute;s do Livro. Perante a resposta de Toko &agrave;s suas perguntas, os mission&aacute;rios batistas refutaram, explicando que "os pretos n&atilde;o deveriam ter acesso &agrave; B&iacute;blia".<a href="#link07"><sup>7</sup></a> <a name="link007"></a>O l&iacute;der religioso decidiu, ent&atilde;o, prosseguir a sua atividade fora da esfera batista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 25, portanto, convocava-se uma reuni&atilde;o especial para uma ora&ccedil;&atilde;o coletiva que pretendia "saber" se os an&uacute;ncios de 1935 e 1946 seriam ou n&atilde;o cumpridos - e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, se o movimento do "tio Sim&atilde;o", de certa forma, "valia a pena". A resposta a essa "provoca&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o tardou: durante tal noite, no meio de uma intensa sess&atilde;o de ora&ccedil;&atilde;o, os presentes sentiram um forte vento, e alguns come&ccedil;aram a falar em l&iacute;nguas (Grenfell 1998) e a ter vis&otilde;es. Toko interpretou esse acontecimento como a resposta que esperava. O fen&ocirc;meno prolongou-se durante horas: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#91;...&#93; Ent&atilde;o nesse dia, &agrave; meia-noite de sexta para s&aacute;bado, reunimos e quando o rel&oacute;gio marcava as zero horas come&ccedil;ou-se a ouvir dentro da casa pessoas a falar em outras l&iacute;nguas; o ru&iacute;do que primeiro se sentiu foi em cima, no teto, ent&atilde;o todo o mundo come&ccedil;ou a falar em l&iacute;nguas estranhas, cada um profetizava, cada um falava e passou esse dia. De manh&atilde;, s&aacute;bado, a fama correu por toda a Cidade Ind&iacute;gena &#91;naquela altura era chamada "cidade ind&iacute;gena"&#93; de Leopoldville e as pessoas que iam procurar ver ou saudar as outras pessoas que l&aacute; estiveram naquela noite tamb&eacute;m eram atacadas pelo Esp&iacute;rito Santo; toda a pessoa que ia para saudar ou para ver o que acontecia tamb&eacute;m era atacada pelo Esp&iacute;rito Santo. Ent&atilde;o isso fez com que a cidade de Leopoldville fosse completamente abalada.<a href="#link08"><sup>8</sup></a><a name="link008"></a></p> </blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O lugar transformou-se, nas palavras dos presentes, num tabern&aacute;culo (Blanes s.d.) - tanto no sentido f&iacute;sico (como um lugar de encontro, para a pr&aacute;tica cotidiana da ora&ccedil;&atilde;o e a procura de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o) como espiritual, enquanto conceito lit&uacute;rgico que invocava uma determinada experi&ecirc;ncia religiosa (lugar de evid&ecirc;ncia da f&eacute;, espa&ccedil;o de manifesta&ccedil;&atilde;o). Nessa perspectiva, n&atilde;o pretendendo historicizar aqui as distintas genealogias e tradi&ccedil;&otilde;es judaicas e crist&atilde;s que atribuem signific&acirc;ncia ao tabern&aacute;culo; vemos como essa narrativa fundadora se socorre da ambival&ecirc;ncia do pr&oacute;prio conceito (enquanto conceito arquitet&ocirc;nico e enquanto <i>dwelling place</i>, no sentido atribu&iacute;do por Tim Ingold &#91;2000&#93;) para metaforizar o espa&ccedil;o de conflu&ecirc;ncia entre o f&iacute;sico e o imaterial, de invoca&ccedil;&atilde;o de uma presen&ccedil;a para constituir uma prova de cren&ccedil;a (Palmi&eacute; 2002). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seja como for, aquele dia de julho de 1949 &eacute; tido hoje como o momento fundador da igreja, porque propiciou o desligamento oficial das miss&otilde;es batistas (poucas semanas depois, em setembro de 1949) e, simultaneamente, serviu como cumprimento do c&iacute;rculo prof&eacute;tico previsto por Sim&atilde;o Toko, firmando-se como a ocasi&atilde;o em que a &Aacute;frica come&ccedil;ou a ser espiritualmente libertada. Hoje, o dia 25 de julho &eacute; celebrado nas delega&ccedil;&otilde;es tokoistas na &Aacute;frica e na Europa como o dia em que "Deus visitou &Aacute;frica". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto interessante desse processo, no entanto, foi o fato de a igreja se estruturar sobre um acontecimento de caracter&iacute;sticas pentecostais e carism&aacute;ticas (a descida do Esp&iacute;rito Santo, a atribui&ccedil;&atilde;o de dons). Apesar de se constituir como um movimento prof&eacute;tico (seguidor das vis&otilde;es e an&uacute;ncios de Sim&atilde;o Toko) e de inspira&ccedil;&atilde;o batista (pela ortodoxia protestante), o ato fundador foi, afinal, carism&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito a movimentos prof&eacute;ticos, um acontecimento desses n&atilde;o &eacute; necessariamente in&eacute;dito - veja-se, a t&iacute;tulo de exemplo, os casos de Simon Kimbangu, tamb&eacute;m em Leopoldville (Martin 1975; MacGaffey 1983) e de Johannes Masowe e os apost&oacute;licos de Sexta-Feira no Zimbabue (Engelke 2007). No entanto, as implica&ccedil;&otilde;es de tal fato para a posterior configura&ccedil;&atilde;o doutrinal, ritual e experiencial de uma "cren&ccedil;a tokoista" s&atilde;o, a meu ver, fundamentais. Em primeiro lugar, porque invocou a instala&ccedil;&atilde;o de um tabern&aacute;culo como local sagrado de culto, definindo um espa&ccedil;o concreto como sendo "sagrado" dentro da configura&ccedil;&atilde;o ritual da igreja, mas especialmente desenvolvendo uma proposta doutrinal com conota&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas concretas. Num r&aacute;pido exerc&iacute;cio de correspond&ecirc;ncia b&iacute;blica, dir-se-ia que o tabern&aacute;culo tokoista assume a funcionalidade atribu&iacute;da no Livro do &Ecirc;xodo - a partir do momento em que Deus diz a Mois&eacute;s "E me far&atilde;o um santu&aacute;rio, e habitarei no meio deles" (Ex 25:8), mas sobretudo no cap&iacute;tulo 33, onde s&atilde;o dadas a Mois&eacute;s as prescri&ccedil;&otilde;es para construir o local onde Deus se manifestar&aacute; (7-10). Quando Mois&eacute;s entrava na tenda, Deus, sob a forma de uma coluna de fumo, descia e se comunicava com ele. O mesmo suceder&aacute; para os tokoistas no tabern&aacute;culo, no qual veem um cumprimento b&iacute;blico. Hoje, muitos crentes e l&iacute;deres referem-se aos acontecimentos de 1949 como atos de "restaura&ccedil;&atilde;o" ou "relembramento" da igreja - onde Toko, atrav&eacute;s do Esp&iacute;rito Santo, obteve a vis&atilde;o de uma igreja (entendida no sentido lato, de comunidade crist&atilde;) original, verdadeira, fiel aos princ&iacute;pios b&iacute;blicos. A restaura&ccedil;&atilde;o seria feita precisamente atrav&eacute;s da invoca&ccedil;&atilde;o do tabern&aacute;culo, do santu&aacute;rio ou lugar de manifesta&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a divina na "igreja" na tradi&ccedil;&atilde;o hebraica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em segundo lugar, porque essa correla&ccedil;&atilde;o entre um ato prof&eacute;tico de vis&atilde;o e sabedoria e um ato carism&aacute;tico de presen&ccedil;a suscita necessariamente uma reflex&atilde;o sobre as continuidades entre profecia e carisma no que diz respeito &agrave; transposi&ccedil;&atilde;o entre as distintas modalidades de a&ccedil;&atilde;o religiosa - nomeadamente, a da experi&ecirc;ncia pessoal da f&eacute; e a da pr&aacute;tica lit&uacute;rgica da ora&ccedil;&atilde;o.<a href="#link09"><sup>9</sup></a> <a name="link009"></a>Obviamente, na doutrina crist&atilde; evang&eacute;lica a profecia tamb&eacute;m &eacute; um carisma; mas nesse caso observamos ainda uma direcionalidade contr&aacute;ria: o profeta, atrav&eacute;s da sua atitude, produz carisma, e nesse processo o tabern&aacute;culo reproduz esse carisma ao delimitar um espa&ccedil;o e um tempo para a experi&ecirc;ncia pentecostal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; igualmente uma leitura pol&iacute;tica imediata para esse ato de "rea&ccedil;&atilde;o carism&aacute;tica" atrav&eacute;s da restaura&ccedil;&atilde;o e do relembramento: a contesta&ccedil;&atilde;o de uma "imposi&ccedil;&atilde;o" espiritual europeia atrav&eacute;s das miss&otilde;es coloniais. Tal como outros movimentos prof&eacute;ticos da regi&atilde;o, como o kimbanguismo, o amicalismo e o mpadismo (ver Balandier 1963 &#91;1955&#93;; MacGaffey 1983; Sarr&oacute; 2008), tamb&eacute;m o tokoismo associava uma mensagem espiritual a uma reivindica&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria (negra, africana) e a uma contesta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (contra a domina&ccedil;&atilde;o do sistema colonial). Seria, portanto, uma rea&ccedil;&atilde;o no contexto da "situa&ccedil;&atilde;o colonial" (Balandier 1963 &#91;1955&#93;), no seio da qual o tabern&aacute;culo surgiria como um espa&ccedil;o de distin&ccedil;&atilde;o ou separa&ccedil;&atilde;o entre uma f&eacute; crist&atilde; "aut&ecirc;ntica" e outra "corrupta". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seja como for, a descida do Esp&iacute;rito Santo tamb&eacute;m atribuiu, aos frequentadores dos tabern&aacute;culos, a faculdade de "vaticinar", ou seja, de obter sabedoria e prever o futuro - sabedoria que &eacute; adquirida da mesma forma que se fizera no 25 de julho de 1949: rezando e entoando c&acirc;nticos. Atrav&eacute;s dos tabern&aacute;culos, os "vates" (isto &eacute;, vaticinadores) recebem "mensagens de Deus", tal como &eacute; explicado nos princ&iacute;pios fundamentais de doutrina da igreja. Esses vates - originalmente, aqueles que estiveram presentes na rua de Mayenge e que obtiveram o dom do Esp&iacute;rito Santo, mas hoje todo e qualquer obreiro tokoista que frequente o tabern&aacute;culo - simbolizavam um poder religioso in&eacute;dito para um africano, fato que motivou a incompreens&atilde;o dos agentes coloniais e mission&aacute;rios, que n&atilde;o equacionavam atribuir essa capacidade a um ind&iacute;gena. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos arquivos hist&oacute;ricos da PIDE na Torre do Tombo existem algumas refer&ecirc;ncias em segunda m&atilde;o acerca da atividade nos tabern&aacute;culos, usadas precisamente para acusar Toko e seus seguidores de conspira&ccedil;&atilde;o e trai&ccedil;&atilde;o da f&eacute; crist&atilde;, sugerindo inclusive a exist&ecirc;ncia de atividades de cariz sexual ou dem&ocirc;n&iacute;aco.<a href="#link10"><sup>10</sup></a> <a name="link100"></a>Grenfell, por outro lado, sugere que foi precisamente esta ideia de "alian&ccedil;a direta com o esp&iacute;rito" - e consequentes altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e emocionais provocadas pelas ora&ccedil;&otilde;es - que Toko promulgava que mais assustou os mission&aacute;rios batistas, motivandoos a alertar as autoridades belgas (Grenfell 1998:214-215). Relatos oriundos dos primeiros anos em Angola fazem refer&ecirc;ncia, no entanto, a uma maior reclus&atilde;o nessa vertente (<i>idem</i>) - o que por sua vez nos sugere a progressiva reclus&atilde;o da "ora&ccedil;&atilde;o no esp&iacute;rito" para dentro do tabern&aacute;culo e fora do "olhar p&uacute;blico". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez fosse ainda mais inc&ocirc;modo, na realidade, para as autoridades eclesi&aacute;sticas e pol&iacute;ticas, o fato de Toko e seus seguidores rezarem com uma postura "provocativa": de bra&ccedil;os abertos, palmas viradas para cima e olhos abertos, a olhar para o c&eacute;u.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rs/v29n2/a06img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa postura, ensinada pelo profeta aos seus pupilos no seguimento da experi&ecirc;ncia pentecostal e entendida no seio tokoista diretamente como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute;, tamb&eacute;m denota outra filosofia: a ideia de a ora&ccedil;&atilde;o se constituir como um ato de comunica&ccedil;&atilde;o direta (conversa&ccedil;&atilde;o) com o divino que n&atilde;o passa apenas pela submiss&atilde;o (como talvez se pudesse denotar numa postura de ajoelhamento - ver Sarr&oacute; &#91;2008b&#93;), mas tamb&eacute;m pela possibilidade de intercomunica&ccedil;&atilde;o. Os tokoistas se referem frequentemente ao ato da ora&ccedil;&atilde;o como um "di&aacute;logo respeitoso com" ou um "oferecimento dos desejos a" Deus atrav&eacute;s de uma interpela&ccedil;&atilde;o humilde. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conformada historicamente por um acontecimento definidor, a prece &eacute; hoje partilhada no espa&ccedil;o coletivo da igreja tokoista como um "dever", um ato a ser repetido o maior n&uacute;mero de vezes poss&iacute;vel. &Eacute; o que acontece, por exemplo, no culto dominical, nas noites de jejum e, em particular, no "sucursal", ou vig&iacute;lia em ora&ccedil;&otilde;es, levado a cabo nos dias de semana entre as dezenove e as vinte horas, precisamente, no tabern&aacute;culo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ora&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o se resume aos momentos cultuais - que abordarei em seguida - mas antes se torna pervasive, recorrente na vida dos crentes: "o crist&atilde;o deve orar sempre e sem cessar", l&ecirc;-se nos Princ&iacute;pios Fundamentais de Doutrina, "porque &eacute; na ora&ccedil;&atilde;o que ele &#91;o crist&atilde;o&#93; encontrar&aacute; o aux&iacute;lio e a prote&ccedil;&atilde;o de Deus contra as ciladas do diabo Satan&aacute;s. As Sagradas Escrituras recomendam orar muito e frequentemente: de manh&atilde;, &agrave; tarde, &agrave; noite, ao chegar a casa, e novamente ao sair, ao acordar, ao se deitar, viajando etc." (p. 8). &Eacute; ainda recomendado orar antes das refei&ccedil;&otilde;es. E "publicamente na casa de Deus e no retiro de nossas fam&iacute;lias, e particularmente em nossos aposentos", de acordo com o catecismo da Igreja. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rua do Senhor Roubado, Odivelas, Lisboa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Domingo, 2 de mar&ccedil;o de 2008. Celebra-se, com certo atraso, o 90º anivers&aacute;rio de nascimento do profeta Sim&atilde;o Toko (nascido a 26 de fevereiro de 1918). Apesar do simbolismo da data, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para alterar o curso do culto, cujo programa se encontra previamente delineado e explicitamente impresso na documenta&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio em servi&ccedil;o, encarregado de explicar e executar o mesmo. Os l&iacute;deres da igreja, os que presidir&atilde;o a mesa (neste caso, o pastor em servi&ccedil;o, o secret&aacute;rio executivo, o evangelista e o l&iacute;der dos coros), encontramse ainda reunidos dentro do tabern&aacute;culo, de onde s&oacute; sair&atilde;o quando o coro da igreja entoar o hino "Vinde irm&atilde;os, no corpo do Senhor", acompanhado pelos restantes crentes que se colocarem de p&eacute;. Um novo hino &eacute; ent&atilde;o entoado: "O reino dos c&eacute;us andar&aacute;", e seguidamente, sem interrup&ccedil;&atilde;o, a igreja recita em un&iacute;ssono: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Ti, Senhor, me refugio; nunca seja eu confundido. Na Tua justi&ccedil;a socorre-me e livra-me; inclina os Teus ouvidos para mim, e salva-me. S&ecirc; Tu para mim uma rocha de ref&uacute;gio a que sempre me acolha; deste ordem para que eu seja salvo, pois Tu &eacute;s a minha rocha e a minha fortaleza. Livra-me, Deus meu, da m&atilde;o do &iacute;mpio, do poder do homem injusto e cruel, Pois Tu &eacute;s a minha esperan&ccedil;a, Senhor Deus; Tu &eacute;s a minha confian&ccedil;a desde a minha mocidade. Em Ti me tenho apoiado desde que nasci; Tu &eacute;s aquele que me tiraste das entranhas de minha m&atilde;e. O meu louvor ser&aacute; Teu constantemente. Sou para muitos um assombro, mas Tu &eacute;s o meu ref&uacute;gio forte. A minha boca se enche do Teu louvor e da Tua gl&oacute;ria continuamente.</p></blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se dos primeiros vers&iacute;culos do salmo 71. Os crentes abrem as m&atilde;os e colocam-se em posi&ccedil;&atilde;o de recebimento; ou, em alternativa, juntam as palmas da m&atilde;o uma contra a outra. Invariavelmente com os olhos abertos, dirigem o olhar para cima; n&atilde;o fora o teto falso a mediar, estariam a olhar em dire&ccedil;&atilde;o ao c&eacute;u, onde se encontra o Pai. Segue-se o "Pai Nosso": </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>    <p>Pai Nosso que estais no c&eacute;u,    santificado seja o Seu nome,    vem a n&oacute;s, o Seu reino,    seja feita a Sua vontade,    assim na terra como nos c&eacute;us.</p>     <p>O p&atilde;o nosso de cada dia nos dai hoje,    perdoe-nos as nossas d&iacute;vidas,    assim como n&oacute;s tamb&eacute;m    perdoamos aos nossos credores.    N&atilde;o nos deixe cair em tenta&ccedil;&atilde;o,    mas livrai-nos do mal.</p></blockquote></font>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rs/v29n2/a06img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa ora&ccedil;&atilde;o &eacute; recorrentemente feita "em salmos", ou seja, &eacute; constitu&iacute;da pela cita&ccedil;&atilde;o e "recita&ccedil;&atilde;o" de uma passagem de um dos salmos de David<a href="#link11"><sup>11</sup></a> <a name="link110"></a>em forma de prece. A sugest&atilde;o proposta por tal atitude &eacute; m&uacute;ltipla: por um lado, parece estruturar o ato de ora&ccedil;&atilde;o em torno de uma fixa&ccedil;&atilde;o textual - e n&atilde;o de uma inspira&ccedil;&atilde;o divina imprevis&iacute;vel - que disciplina a experi&ecirc;ncia de contato com o divino. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, no entanto, o fato de a ora&ccedil;&atilde;o ser "em salmos" tamb&eacute;m &eacute; significativo porque prop&otilde;e, atrav&eacute;s do recurso liter&aacute;rio presente na poesia e na prosa do Livro de Salmos, que essa conex&atilde;o seja direta e n&atilde;o mediada. A prop&oacute;sito de um contexto religioso bastante diferente - um movimento evang&eacute;lico cigano na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica -, sugeri noutro texto que o Livro de Salmos constitu&iacute;a uma fonte importante de louvor, precisamente por conta de sua componente h&iacute;nica (2008:189). No cen&aacute;rio tokoista, verifica-se uma proposta duplicada: os salmos constituem, sim, uma fonte musical, mas tamb&eacute;m um mecanismo de estrutura&ccedil;&atilde;o e formata&ccedil;&atilde;o da reza. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A m&uacute;sica (isto &eacute;, os coros e hinos) assume um papel central na dimens&atilde;o experiencial e ritual da cren&ccedil;a tokoista. Serve, uma vez mais, de informador hist&oacute;rico, j&aacute; que a g&ecirc;nese do movimento &eacute; frequentemente situada no grupo coral, o referido "Coro de Quibocolo", formado pelo pr&oacute;prio Sim&atilde;o Toko em Leopoldville. O profeta comp&ocirc;s ele mesmo centenas de hinos que viriam a ser transmitidos de igreja para igreja, sendo que muitos deles eram claramente inspirados pelo Livro de Salmos - alguns se tratavam mesmo de cita&ccedil;&otilde;es diretas desse. Hoje, uma boa parte dos cultos dominicais &eacute; dominada pela entoa&ccedil;&atilde;o de hinos e c&acirc;nticos, a cargo de grupos corais formados entre os crentes da igreja.<a href="#link12"><sup>12</sup></a><a name="link120"></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta tens&atilde;o entre uma aplica&ccedil;&atilde;o salmista estruturadora e disciplinadora e outra experiencial, comunicacional, &eacute; em si reveladora: denota que h&aacute; n&atilde;o uma, mas v&aacute;rias modalidades de ora&ccedil;&atilde;o, e que s&atilde;o v&aacute;rias as formas de delimita&ccedil;&atilde;o que lhe s&atilde;o associadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Proponho, entretanto, um salto temporal de regresso ao culto de 2 de mar&ccedil;o. Depois da ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; levado a cabo o momento mais "p&uacute;blico" do culto: s&atilde;o enumerados avisos e comunicados, recebidos e aplaudidos os visitantes - que por sua vez tomam a palavra em agradecimento -, entoados mais hinos, realizado o ofert&oacute;rio e ouvido o serm&atilde;o do pregador em servi&ccedil;o. Chega ent&atilde;o o momento final do culto. A se&ccedil;&atilde;o de instrumentos volta a assumir posi&ccedil;&otilde;es e a acender os amplificadores. A guitarra introduz os acordes do hino "Volunt&aacute;rios de Cristo em fileira". Todos sem exce&ccedil;&atilde;o est&atilde;o de p&eacute;, cantando o refr&atilde;o: "Cristo vence, Cristo reina", enquanto aguardam a sa&iacute;da do corpo de mesa - momento que indica que o culto est&aacute; oficialmente finalizado. O etn&oacute;grafo, tamb&eacute;m de p&eacute;, observa a retirada do corpo de mesa e, assim que pode, relaxa a postura e arruma os seus pertences. Nesse ponto, aproveito para procurar algumas pessoas para p&ocirc;r o assunto em dia, enquanto aguardo pela sa&iacute;da do evangelista, com quem combinara uma conversa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O corpo de mesa se retira para o interior do tabern&aacute;culo, descal&ccedil;ando e colocando os sapatos encostados &agrave; parede junto &agrave; entrada.<a href="#link13"><sup>13</sup></a> <a name="link130"></a>S&atilde;o acompanhados por mulheres tokoistas que exercem a fun&ccedil;&atilde;o de "servidoras do tabern&aacute;culo".<a href="#link14"><sup>14</sup></a><a name="link140"></a> Eu sou convidado a permanecer no quarto adjunto a tal espa&ccedil;o (a "secretaria" da igreja) para estar mais &agrave; vontade e conversar com os elementos da dire&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o presidiram &agrave; mesa (e portanto n&atilde;o s&atilde;o "obrigados" a entrar no tabern&aacute;culo). Habituado a essa situa&ccedil;&atilde;o, estou preparado para esperar v&aacute;rios minutos pela sa&iacute;da das pessoas que se encontram no interior, mas n&atilde;o deixo de me perguntar, secretamente: o que &eacute; que se passa l&aacute; dentro, no tabern&aacute;culo?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ocorre que, como j&aacute; foi poss&iacute;vel perceber, nem todos t&ecirc;m acesso ao tabern&aacute;culo, apenas os servidores e cuidadores, "desde que a sua conduta crist&atilde; tenha a aprova&ccedil;&atilde;o e o assentimento dos anci&atilde;os conselheiros da igreja". Essa conduta implica, entre outras coisas, um c&oacute;digo de vestimenta adequado. Contava-nos uma mam&atilde; tokoista em Luanda: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>    <p>O tabern&aacute;culo &eacute; um lugar santo, na sua ess&ecirc;ncia da palavra &eacute; um lugar santo, onde n&atilde;o entram realmente coisas que n&atilde;o s&atilde;o permitidas. Por exemplo, n&oacute;s, os tokoistas, temos por regra: quando vamos ao tabern&aacute;culo, vamos de branco, n&atilde;o entramos com dinheiro, n&atilde;o entramos com rel&oacute;gio, n&atilde;o entramos com roupa de cores muito escuras - se for o branco, o creme ou uma cor assim clarinha, melhor ainda. &#91;...&#93; Estamos a falar de coisas que s&atilde;o proibidas no acesso ao tabern&aacute;culo... &#91;Dezembro de 2007&#93;</p></blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Bispo Afonso Nunes, atual l&iacute;der da Dire&ccedil;&atilde;o Central da Igreja, interrompia a nossa conversa com a mam&atilde; e detalhava: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">... No tabern&aacute;culo temos que ir buscar a B&iacute;blia para especificarmos porque &eacute; que no tabern&aacute;culo n&atilde;o se pode entrar s&oacute;, porque a pessoa que entrar no tabern&aacute;culo primeiro tem que meditar dentro do seu cora&ccedil;&atilde;o se chega ou n&atilde;o chega. No passado - ainda Hebreus, cap&iacute;tulo 9, vers&iacute;culo 4 -, antigamente somente o sumo-sacerdote &eacute; que entrava no tabern&aacute;culo e uma vez por ano, mas agora na era de Cristo, Cristo pagou um pre&ccedil;o t&atilde;o precioso, essas coisas todas foram aniquiladas. &#91;...&#93; &Eacute; assim que para entrar na casa de Deus temos que meditar primeiro, a&iacute; fora tem que pensar se o seu passado tem algo ou n&atilde;o tem algo, e anteriormente se voc&ecirc; entra sem meditar primeiro, o esp&iacute;rito de Deus te ataca logo, vai-te dizer voc&ecirc; fez isto, fez aquilo, n&atilde;o pode entrar aqui ou ent&atilde;o tem castigo automaticamente. Ent&atilde;o tem que entrar com o p&eacute; direito, isto &eacute;, tem que meditar durante o dia, n&atilde;o fiz nada, n&atilde;o tem problema, preparo-me de roupa branca para entrar na casa santa porque a&iacute; vou escutar a voz de Deus. &Eacute; o lugar mais sant&iacute;ssimo da igreja. Como dizia, depois de concluirmos os princ&iacute;pios, ningu&eacute;m mais pisa, s&oacute; as pessoas indicadas e no momento pr&oacute;prio para irem adorar Deus. E esse s&iacute;tio n&atilde;o &eacute; somente para receber mensagem para consolar, mas tamb&eacute;m &eacute; o lugar pr&oacute;prio para sermos avisados dos acontecimentos vindouros &#91;Dezembro de 2007&#93;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O sentido de prescri&ccedil;&atilde;o doutrinal e separa&ccedil;&atilde;o espacial motivado pelo tabern&aacute;culo &eacute; aqui evidente. Intui-se que, enquanto espa&ccedil;o de ora&ccedil;&atilde;o "pura", vedado n&atilde;o s&oacute; ao etn&oacute;grafo de ocasi&atilde;o - que desconhece mesmo a apar&ecirc;ncia do seu interior - como a grande parte da comunidade tokoista, serve de medida quantificadora do grau de inser&ccedil;&atilde;o, pertencimento e compromisso do crente. Nesse contexto, o fato de haver uma prescri&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da vestimenta associada &agrave; dimens&atilde;o comportamental, que media a possibilidade de acesso ao tabern&aacute;culo, &eacute; significativa, exemplificando a conflu&ecirc;ncia entre instru&ccedil;&atilde;o, obedi&ecirc;ncia e vontade pr&oacute;pria de que nos falava Talal Asad a prop&oacute;sito dos regimes de disciplina e poder na religi&atilde;o crist&atilde; e isl&acirc;mica (1993). A entrada no tabern&aacute;culo obriga, por princ&iacute;pio, ao comportamento consent&acirc;neo - ou pelo menos &agrave; autorreflex&atilde;o do candidato que espera &agrave; porta para entrar -, conectando "estatuto" e "poder" atrav&eacute;s de uma ideologia da retid&atilde;o explanada no contexto ritual (Bloch 1989) ou, para ser mais concreto, p&oacute;s-ritual. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; verdade que essa dimens&atilde;o normativa advinda da espacializa&ccedil;&atilde;o do ato de ora&ccedil;&atilde;o esbarra frequentemente em condicionantes pr&aacute;ticos: nem sempre &eacute; poss&iacute;vel reproduzir um tabern&aacute;culo. Da&iacute; que, como recolhi em v&aacute;rios relatos de tokoistas em Portugal, Holanda e Inglaterra, se optasse em determinados momentos pela improvisa&ccedil;&atilde;o: a constitui&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea de tabern&aacute;culos na casa de crentes, a prepara&ccedil;&atilde;o de casas alugadas para realiza&ccedil;&atilde;o de cultos etc. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, independentemente de equa&ccedil;&otilde;es vari&aacute;veis, apercebemo-nos tamb&eacute;m que a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de um tabern&aacute;culo como espa&ccedil;o de reclus&atilde;o reproduz uma hierarquiza&ccedil;&atilde;o da prece atrav&eacute;s da sua distribui&ccedil;&atilde;o em momentos e espa&ccedil;os diferenciados. Como bem nos recordava David Parkin na sua proposta de entender o ritual enquanto "ag&ecirc;ncia", falamos de movimento, dire&ccedil;&atilde;o e posicionamento (Parkin 1992:12). Nesse caso, poder&iacute;amos argumentar que, atrav&eacute;s do tabern&aacute;culo, a ora&ccedil;&atilde;o produz posicionamento e delimita&ccedil;&atilde;o, "ordena", atrav&eacute;s da separa&ccedil;&atilde;o espacial, o pertencer religioso. O tabern&aacute;culo, por sua vez, revela a multiplicidade de "ag&ecirc;ncias orat&oacute;rias": p&uacute;blica/restrita, individual/ritual etc.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rs/v29n2/a06img03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concordamos, assim sendo, com Marcel Mauss: a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; efetivamente um aspecto central da vida religiosa - pelo menos no que diz respeito aos crentes da Igreja Tokoista. Essa centralidade &eacute; manifestada no seu protagonismo fundador, ao provocar um espa&ccedil;o de invas&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo em Toko e seus seguidores. Tamb&eacute;m &eacute; manifestada na forma como, em contextos cultuais, a reza ajuda a "escrever a hist&oacute;ria no espa&ccedil;o" (Santos-Granero 1998) reservado do tabern&aacute;culo e no corpo reto do crente em ora&ccedil;&atilde;o. Nessa perspectiva, portanto, o ato da prece encontra-se inserido em l&oacute;gicas relacionais mais abrangentes de congrega&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o de culto e consequente partilha experiencial (Mafra 2003; Blanes 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; claro que essa forma de inscri&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica no espa&ccedil;o e no corpo responde a uma "economia de ora&ccedil;&atilde;o" (Soares 2005:11) concreta, formada na negocia&ccedil;&atilde;o entre os aspectos corporais, experienciais e ideol&oacute;gicos da cren&ccedil;a tokoista. Abrir os olhos em prece e olhar para o c&eacute;u durante a reza implicam reconhecer um passado, escolher uma afilia&ccedil;&atilde;o, pertencer, "acreditar".<a href="#link15"><sup>15</sup></a><a name="link150"></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, independentemente da plurivocalidade da ora&ccedil;&atilde;o (&agrave; qual certamente n&atilde;o foi feita justi&ccedil;a neste texto), emerge nessa descri&ccedil;&atilde;o uma leitura da prece como ato - mas um ato que extravasa a intui&ccedil;&atilde;o mais evidente do aspecto comunicativo (Gill 1987:7368), constituindo-se antes como um sextante (Baumann 1999), um mecanismo de posicionamento atrav&eacute;s da separa&ccedil;&atilde;o, distin&ccedil;&atilde;o e reclus&atilde;o. Essa forma de ag&ecirc;ncia, por sua vez, revela aquilo a que Henri Lefebvre chamaria de car&aacute;cter contradit&oacute;rio da produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, promovido pela din&acirc;mica entre uma percep&ccedil;&atilde;o quantitativa (geogr&aacute;fica, f&iacute;sica, geom&eacute;trica) e qualitativa (derivada do uso e apropria&ccedil;&atilde;o) do mesmo (1991 &#91;1974&#93;:352 e seguintes). Nesse caso, a media&ccedil;&atilde;o entre ambas as percep&ccedil;&otilde;es &eacute; historicizada, agencial e pol&iacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta prox&ecirc;mica, a constitui&ccedil;&atilde;o de segmenta&ccedil;&otilde;es, descontinuidades ou acessos e aproxima&ccedil;&otilde;es diferenciados com rela&ccedil;&atilde;o ao "espa&ccedil;o sagrado" (o tabern&aacute;culo) promove e reproduz uma hierarquia mediada pela percep&ccedil;&atilde;o da ora&ccedil;&atilde;o enquanto "ato moral" (Salazar 2008), como vimos atrav&eacute;s das palavras do bispo Nunes. O tabern&aacute;culo, no entanto, tamb&eacute;m &eacute; simultaneamente gerador e representante de uma imagina&ccedil;&atilde;o e uma mem&oacute;ria concretas, de um processo de constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do "local de culto tokoista" enquanto oposto a outros regimes e espacialidades religiosos, e transportador de um "conhecimento tokoista" (a profecia, o carisma) que &eacute; revelado no seu interior e filtrado para o espa&ccedil;o de intera&ccedil;&atilde;o ritual<a href="#link16"><sup>16</sup></a><a name="link160"></a>. &Eacute;, pelo menos, essa a "provoca&ccedil;&atilde;o" do tabern&aacute;culo perante aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m acesso ao mesmo e que se questionam sobre o que se passa em seu interior.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ASAD, Talal. (1993), <i>Genealogies of Religion. Disciplines and Reasons of Power in Christianity and Islam</i>. Baltimore &amp; Nova Iorque: Johns Hopkins</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0100-8587200900020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> BALANDIER, Georges. (1963) &#91;1955&#93;, 'Le messianisme Bakongo en tant que r&eacute;v&eacute;lateur'. <i>Sociologie Actuelle de L'Afrique Noire</i>. Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0100-8587200900020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BAUMANN, Gerd. (1999), "Religion: baggage or sextant? Not immutable heritage, but positioning in context". <i>The Multicultural Riddle: Rethinking National, Ethnic, and Religious Identities</i>. Londres &amp; Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0100-8587200900020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLANES, Ruy Llera. (s.d.), "Unstable biographies. The ethnography of memory and historicity in an angolan prophetic movement", in&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0100-8587200900020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> ______. (2009), "Remembering and suffering: memory and shifting allegiances in the angolan tokoist church". <i>Exchange</i>, nº 38 (2): 161-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0100-8587200900020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> ______. (2008), <i>Os Aleluias. Ciganos Evang&eacute;licos e M&uacute;sica</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0100-8587200900020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLOCH, Maurice. (1989), "The disconnection between power and rank as a process". <i>Ritual, History and Power: Selected Papers in Anthropology</i>. London: Athlone Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0100-8587200900020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOYER, Pascal; LI&Eacute;NARD, Pierre. (2006), "Why ritualized behavior? Precaution systems and action parsing in developmental, pathological and cultural rituals". <i>Behavioral and Brain Sciences</i>, nº 29: 1-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0100-8587200900020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CABRAL, Jo&atilde;o de Pina. (2000), "A difus&atilde;o do limiar: margens, hegemonias e contradi&ccedil;&otilde;es". An&aacute;lise Social, nº 153: 865-892.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0100-8587200900020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COYAULT, Bernard. (2008), "Un kilombo &agrave; Paris. L'itin&eacute;raire d'une proph&eacute;tesse de l'&eacute;glise evang&eacute;lique du Congo". <i>Archives des Sciences Sociales des Religions</i>, nº 143: 151-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0100-8587200900020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ENGELKE, Matthew. (2007), <i>A Problem of Presence. Beyond Scripture in an African Church</i>. Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0100-8587200900020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HOUSEMAN, Michael. (2002), "Dissimulation and simulation as forms of religious reflexivity". <i>Social Anthropology</i> nº 10 (1): 77-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0100-8587200900020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GHASSEM-FACHANDI, Parvis. (2007), "About prayer. Abjection and urgency in an american holiness church". <i>Ethnography</i>, nº 8(3): 235-265.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0100-8587200900020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GILL, Sam. (1987), "Prayer". In: L. Jones (ed.). <i>Encyclopedia of Religion</i>, volume 11. Oxford: MacMillan, 2ª edi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0100-8587200900020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GON&Ccedil;ALVES, Jos&eacute;. (1967), "O tocoismo perante a sociedade angolana (relat&oacute;rio de material recolhido)". <i>Bulletin de l'I.F.A.N</i>. XXIX, s&eacute;r. B, nº 3-4: 678-694.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0100-8587200900020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GRENFELL, James. (1998), "Sim&atilde;o Toco: an angolan prophet". <i>Journal of Religion in Africa</i>, nº 28 (2): 210-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0100-8587200900020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&Eacute;RAULT, Laurence. (2000), "On va faire un moment de pri&egrave;re. Les jeunes chr&eacute;tiens et l'apprentissage de la pri&egrave;re". In G. Dorival &amp; D. Pralon (eds.). <i>Pri&egrave;res M&eacute;diterran&eacute;ennes Hier et Aujourd'hui</i>. Aix-en-Provence: Publications de l'Universit&eacute; de Provence, pp.311-322.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0100-8587200900020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">INGOLD, Tim. (2000), <i>The Perception of the Environment. Essays on Livelihood, Dwelling and Skill</i>. Oxford: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0100-8587200900020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEFEBVRE, Henri. (1991)&#91;1974&#93;, <i>The Production of Space</i>. Oxford: Basil Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0100-8587200900020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LUHRMANN, Tanya. (2008), "How do you learn to know that it is god who speaks?". In: D. Berliner &amp; R. Sarr&oacute; (eds.). <i>Learning Religion. Anthropological Approaches</i>. Oxford: Berghahn.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0100-8587200900020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MACGAFFEY, Wyatt. (1983), <i>Modern Congo Prophets: Religion in a Plural Society</i>. Bloomington: Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0100-8587200900020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MAFRA, Clara. (2003), "A sedu&ccedil;&atilde;o em tempos de abund&acirc;ncia: an&aacute;lise dos templos pentecostais como objectos de arte". In: O. Velho(org.). <i>Circuitos Infinitos. Compara&ccedil;&otilde;es e Religi&otilde;es no Brasil, Argentina, Portugal, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha</i>. S&atilde;o Paulo: Attar Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0100-8587200900020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARY, Andr&eacute;. (2005), "Histoirs d'&eacute;glise: h&eacute;ros chr&eacute;tiens et chefs rebelles des nations 'cel&eacute;stes'". In: L. Fourchard; A. Mary &amp; R. Otayek (dirs.). <i>Entreprises Religieuses Transnationales en Afrique de l'Ouest</i>. Paris: Karthala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0100-8587200900020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MAUSS, Marcel.  (2002) &#91;1909&#93;, <i>On Prayer</i>. Dordrecht: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0100-8587200900020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARTIN, Marie-Louise. (1975), <i>Kimbangu: An African Prophet and his Church</i>. Grand Rapids, MI: Eerdman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0100-8587200900020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MEYER, Birgit. (1998), "Commodities and the power of prayer: pentecostalist attitudes towards consumption in contemporary Ghana". <i>Development and Change</i>, nº 29: 751-776.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0100-8587200900020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> MOTTIER, Damien. (2008), "Pentec&ocirc;tisme et migration. Le proph&eacute;tisme (manqu&eacute;) de la Cit&eacute; de Sion". <i>Archives des Sciences Sociales des Religions</i>, nº 143: 175-194.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0100-8587200900020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> OKEKE, Okechukwu. (1989), "Prophetism, pentecostalism and conflict in Ikenanzizi (1945 and 1972)". <i>Journal of Religion in Africa</i>, nº 19 (3): 228-243.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0100-8587200900020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> PALMI&Eacute;, Stephan. (2002), <i>Wizards and Scientists. Explorations in Afro-Cuban Modernity and Tradition</i>. Durham, NC: Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0100-8587200900020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> PARKIN, David. (1992), "Ritual as spatial direction and bodily division". In: D. De Coppet (ed.). <i>Understanding Rituals</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0100-8587200900020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> PRATTEN, David. (2007), "Mystics and missionaries: narratives of the spirit movement in Eastern Nigeria". <i>Social Anthropology</i>, nº 15 (1): 47-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0100-8587200900020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> SALAZAR, Carles. (2008), "Prayer and symbolisation in an irish catholic community". <i>Etnogr&aacute;fica</i>, nº 12 (2): 387-402.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0100-8587200900020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> SANTOS-GRANERO, Fernando. (1998), "Writing history into the landscape: space, myth, and ritual in contemporary Amazonia". <i>American Ethnologist</i>, nº 25 (2): 128-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0100-8587200900020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> SARR&Oacute;, Ramon; BLANES, Ruy. (2009), "Prophetic diasporas: moving religion across the Lusophone Atlantic". <i>African Diaspora</i>, nº 2: 52-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0100-8587200900020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______;______. (2009b), "Prophetic presences: the transnational dynamics of the Kimbanguist and Tokoist churches", paper apresentado no painel "Christianismes indig&egrave;nes et nations missionaires en Europe", 30&egrave;me Conf&eacute;rence de la Soci&eacute;t&eacute; Internationale de Sociologie de la R&eacute;ligion. Santiago de Compostela, Espanha &#91;28/07/2009&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0100-8587200900020000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SARR&Oacute;, Ramon. (2009), <i>The Politics of Religious Change on the Upper Guinea Coast. Iconoclasm done and undone</i>. Edinburgh: International African Library.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0100-8587200900020000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2008), "Prophecies of suffering: entangled historicities in an african migrant church", paper apresentado no African Studies Workshop. University of Chicago, Estados Unidos &#91;11/11/ 2008&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0100-8587200900020000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2008b), "Arrod&iacute;llate y creer&aacute;s: reflexiones sobre la postura religiosa", In: M. Cornejo; M. Cant&oacute;n &amp; R. Blanes (eds.). <i>Teor&iacute;as y Pr&aacute;cticas Emergentes en Antropolog&iacute;a de la Religi&oacute;n. Actas del Simposio</i>. San Sebastian: Ankulegi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0100-8587200900020000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOARES, Benjamin. (2005), <i>Islam and the Prayer Economy. History and authority in a Malian Town</i>. Edinburgh: International African Library.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0100-8587200900020000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TAMBIAH, Stanley J.. (1985) &#91;1973&#93;, "Form and meaning of magical acts". <i>Culture, Thought, and Social Action. An Anthropological Perspective</i>. Cambridge, MA: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0100-8587200900020000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="link01"></a><a href="#link001"><sup>1</sup></a> Para uma tipologia mais abrangente das distintas concep&ccedil;&otilde;es da ora&ccedil;&atilde;o, ver Gill (1987).     <br> <a name="link02"></a><a href="#link002"><sup>2</sup></a> Esta pesquisa surge no &acirc;mbito de trabalho de campo iniciado em 2007 sobre essa igreja em Lisboa, Luanda e outras cidades europeias. Esse trabalho, desenvolvido no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa e na Universidade de Leiden, foi poss&iacute;vel gra&ccedil;as a uma bolsa de investiga&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-doutoral atribu&iacute;da pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em Portugal, e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em dois projetos de investiga&ccedil;&atilde;o: "Recognizing christianity: how african immigrants redefine the european religious heritage" e "O atl&acirc;ntico crist&atilde;o", ambos coordenados por Ramon Sarr&oacute;. Aproveito tamb&eacute;m para agradecer aos editores deste dossier, Clara Mafra e Ramon Sarr&oacute;, por tornar poss&iacute;vel a minha participa&ccedil;&atilde;o no mesmo, assim como aos pareceristas an&ocirc;nimos e ao Jos&eacute; Mapril pelos seus coment&aacute;rios com rela&ccedil;&atilde;o ao texto.    <br> <a name="link03"></a><a href="#link003"><sup>3</sup></a> A PIDE acabaria por participar involuntariamente na "expans&atilde;o tokoista" pelo territ&oacute;rio angolano j&aacute; que, quando recebeu o grupo de "deportados" liderado por Sim&atilde;o Toko, optou por distribu&iacute;los em distintos campos de trabalho de norte a sul de Angola, na expectativa de ver a dissolu&ccedil;&atilde;o do movimento. As consequ&ecirc;ncias dessa op&ccedil;&atilde;o, no entanto, foram contr&aacute;rias ao pretendido, j&aacute; que Toko e seus seguidores conseguiram angariar adeptos nas distintas prov&iacute;ncias e assim tornar a Igreja Tokoista um movimento "nacional angolano" (Blanes 2009).    <br> <a name="link04"></a><a href="#link004"><sup>4</sup></a> Mais dif&iacute;cil ser&aacute; seguir a sequ&ecirc;ncia desse argumento em Mauss: a de que a ora&ccedil;&atilde;o servir&aacute; como "indicador" do estado evolutivo de uma dada religi&atilde;o (2002 &#91;1909&#93;:23 e seguintes).    <br> <a name="link05"></a><a href="#link005"><sup>5</sup></a> As palavras "mukongo" e "bakongo" designam o pertencimento &agrave; etnia bakongo -  que na l&iacute;ngua kikongo significa literalmente "os kongo". Os bakongo, de origem bantu, est&atilde;o hist&oacute;rica e geograficamente ligados &agrave; bacia do rio Congo, no que hoje corresponde ao norte de Angola e ao Baixo Congo. O prefixo "mu" remete ao singular e "ba", ao plural. Por outro lado, "mam&atilde;" e "pap&aacute;" s&atilde;o termos de uso comum nessa regi&atilde;o, para indicar respeito pelo interlocutor.    <br> <a name="link06"></a><a href="#link006"><sup>6</sup></a> Entrevista &agrave; RTP, data desconhecida.    <br> <a name="link07"></a><a href="#link007"><sup>7</sup></a> Entrevista &agrave; RTP, data desconhecida.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="link08"></a><a href="#link008"><sup>8</sup></a> Relato do bispo Afonso Nunes, atual l&iacute;der da Dire&ccedil;&atilde;o Central da Igreja Tokoista em Luanda, numa entrevista realizada em dezembro de 2007, em que me encontrava acompanhado pelos meus colegas Ramon Sarr&oacute; e F&aacute;tima Viegas. Nunes afirmou que o esp&iacute;rito de Sim&atilde;o Toko foi personificado no seu corpo.    <br> <a name="link09"></a><a href="#link009"><sup>9</sup></a> Ver Sarr&oacute; e Blanes (2009; 2009b). Para apontamentos recentes e semelhantes sobre a correla&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica-carism&aacute;tica no contexto africano ou da di&aacute;spora africana, ver por exemplo: Okeke (1989), Mary (2005), Pratten (2007), Coyault (2008) e Mottier (2008), entre outros.    <br> <a name="link10"></a><a href="#link100"><sup>10</sup></a> Essas sugest&otilde;es eram acompanhadas de acusa&ccedil;&otilde;es mais gerais do movimento de Sim&atilde;o Toko como uma seita conspiradora e perigosa. Ver o relat&oacute;rio "Movimento em Angola de seitas ind&iacute;genas com car&aacute;ter religioso", 1956, PIDE/DGS, Delega&ccedil;&atilde;o de Angola. Ver tamb&eacute;m Gon&ccedil;alves (1967).    <br> <a name="link11"></a><a href="#link110"><sup>11</sup></a> Embora reconhe&ccedil;a os debates sobre as quest&otilde;es de autoria dos diversos salmos, n&atilde;o fa&ccedil;o aqui distin&ccedil;&atilde;o entre o "David autor" e o "David personagem" contido nos mesmos. Na invoca&ccedil;&atilde;o cultual do momento de leitura/ora&ccedil;&atilde;o, os tokoistas tamb&eacute;m n&atilde;o fazem essa distin&ccedil;&atilde;o.    <br> <a name="link12"></a><a href="#link120"><sup>12</sup></a> Outra fonte h&iacute;nica importante &eacute; o hin&aacute;rio da IEBA - Igreja Evang&eacute;lica Batista de Angola -, herdeira das antigas miss&otilde;es batistas nesse pa&iacute;s (entre as quais a de Quibocolo), destru&iacute;das no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960, quando da subleva&ccedil;&atilde;o angolana. Depois da declara&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia de Angola, em 1975, a Igreja Batista regressou ao territ&oacute;rio, j&aacute; sob a forma de igreja angolana.    <br> <a name="link13"></a><a href="#link130"><sup>13</sup></a> Na Igreja Tokoista de Lisboa, o tabern&aacute;culo se encontra numa sala adjacente ao espa&ccedil;o de culto, a que se acessa por um pequeno corredor numa das laterais. N&atilde;o existe na Igreja Tokoista uma prescri&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre a localiza&ccedil;&atilde;o, formato e tamanho dos tabern&aacute;culos em rela&ccedil;&atilde;o aos espa&ccedil;os de culto. Tendo em conta a diversidade e disparidade de locais de culto tokoistas em Angola e na di&aacute;spora, tal prescri&ccedil;&atilde;o seria irrealista. Procura-se apenas que aqueles sejam resguardados e de acesso restrito.    <br> <a name="link14"></a><a href="#link140"><sup>14</sup></a> No templo sede da Dire&ccedil;&atilde;o Central da Igreja Tokoista no bairro do Golfe, em Luanda, o tabern&aacute;culo tamb&eacute;m incorpora "febes", meninas virgens reconhecidas pela sua conduta crist&atilde; "pura", que tamb&eacute;m exercem a fun&ccedil;&atilde;o de "servidoras". Essa figura da "febe" emergiu por inspira&ccedil;&atilde;o da passagem de Romanos 16:1-2 (entrevista com as "mam&atilde;s tokoistas", Luanda, dezembro de 2007).    <br> <a name="link15"></a><a href="#link150"><sup>15</sup></a> Obviamente, a leitura aqui desenvolvida n&atilde;o permite pensar a fundo a correspond&ecirc;ncia entre o "ato externo" da ora&ccedil;&atilde;o e o "ato interno" de acreditar na ora&ccedil;&atilde;o enquanto forma de "praticar a religi&atilde;o" (Salazar 2008:401).    <br> <a name="link16"></a><a href="#link160"><sup>16</sup></a> No entanto, tamb&eacute;m &eacute; verdade que a desigualdade no acesso e na distribui&ccedil;&atilde;o do conhecimento religioso, e a segrega&ccedil;&atilde;o implicada no "segredo" e no "mist&eacute;rio" (ver Houseman 2002; Sarr&oacute; 2009) associados a essa desigualdade nos obrigam a n&atilde;o esquecer a plurivocalidade e a orienta&ccedil;&atilde;o heterog&ecirc;nea provocadas pelo tabern&aacute;culo entre os crentes. Esse aspecto mediador e medidor do tabern&aacute;culo n&atilde;o &eacute;, portanto, linear. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em maio de 2009    <br>  Aprovado em outubro de 2009 </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ruy Llera Blanes </b>(<a href="mailto:ruy.blanes@gmail.com">ruy.blanes@gmail.com</a>)    <br>    Antrop&oacute;logo, &eacute; investigador p&oacute;s-doutoral no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais    (Universidade de Lisboa) e <i>Guest Researcher</i> na Universidade de Leiden,    Holanda. Desde 2007, as suas pesquisas incidem sobre movimentos crist&atilde;os    africanos, incorporando quest&otilde;es de mobilidade, transnacionalidade, perten&ccedil;a    e mem&oacute;ria.</font></p>      ]]></body><back>
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