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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Longe de ti apagar nossas lembranças: as palavras e as preces no luto judaico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article arouses an initial discussion over the importance of prayers in the mourning rituals, specially on how sacred words can be transformed from their primary meaning to important instruments in the postmortem rituals. In that way, the article presents some detailed explanation about the Jewish mourning ritual and prayers specially related to the use and meanings of the central prayer the Kaddish.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><B> Longe de ti apagar nossas lembran&ccedil;as:    as palavras e as preces no luto judaico</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Jos&eacute; Zuchiwschi </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo prop&otilde;e uma discuss&atilde;o    inicial acerca do valor das preces nos rituais funer&aacute;rios e, sobretudo,    como as palavras sagradas podem ser transformadas, para al&eacute;m do sentido    prim&aacute;rio que possuem, em importantes instrumentos no processo ritual    <I>post mortem</I>. Neste sentido, o trabalho apresenta alguns detalhes sobre    o ritual funer&aacute;rio judaico e suas preces, especialmente a partir da ora&ccedil;&atilde;o    central, o <I>Kaddish</I>. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><B>Palavras-chave:</B> preces, juda&iacute;smo,    luto judaico, morte.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><B>ABSTRACT</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">This article arouses an initial discussion over    the importance of prayers in the mourning rituals, specially on how sacred words    can be transformed from their primary meaning to important instruments in the    <I>postmortem</I> rituals. In that way, the article presents some detailed explanation    about the Jewish mourning ritual and prayers specially related to the use and    meanings of the central prayer the <I>Kaddish.</I> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><B>Keywords:</B> prayers, Judaism, Jewish mourning,    death.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">Uma prece n&atilde;o &eacute; apenas    a efus&atilde;o de uma alma, o grito de um sentimento. &Eacute; um fragmento    de uma religi&atilde;o. Nela ouve-se ressoar o eco de toda     <br>   uma imensa sequ&ecirc;ncia de f&oacute;rmulas; &eacute; um trecho de uma literatura,    &eacute; o produto do esfor&ccedil;o acumulado dos homens e das gera&ccedil;&otilde;es.   </font></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">(Mauss 1979a:117) </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><B>1. As palavras e as preces: considera&ccedil;&otilde;es    preliminares</B> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O conceito de religiosidade, e n&atilde;o simplesmente    de religi&atilde;o (uma vez que &eacute; v&aacute;lido para toda e qualquer    denomina&ccedil;&atilde;o religiosa), deve ser entendido como um complexo pragm&aacute;tico-relacional    entre as m&uacute;ltiplas partes constitutivas dos preceitos religiosos. Estes    s&atilde;o ainda mais fortes quando observados n&atilde;o somente a partir das    pr&aacute;ticas rituais, orais ou corporais, cotidianas, mas especialmente quando    relacionados &agrave;s pr&aacute;ticas rituais funer&aacute;rias ou <I>post    mortem</I>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para o fil&oacute;sofo da religi&atilde;o Martin    Buber (1987), tornar-se um indiv&iacute;duo, a partir do entendimento de que    todo homem &eacute; um ser &uacute;nico e individual, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o    primeira para a exist&ecirc;ncia do sentimento de religiosidade, pois o indiv&iacute;duo    somente existe de fato quando &eacute; capaz de expressar-se por meio do que    &eacute; dito, ou simbolicamente representado, no di&aacute;logo entre este    mundo presente e o outro mundo do porvir, concordando que, sob o ponto de vista    religioso, pela experi&ecirc;ncia do ser &uacute;nico e individual que somos    devem passar o tempo, a hist&oacute;ria e a gera&ccedil;&atilde;o, ou seja,    devem passar os ciclos de vida e morte, do estar, do ser e do desaparecer, de    n&atilde;o mais existir. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim &eacute; que podemos entender a duplicidade    &#151; isto &eacute;: o car&aacute;ter dial&oacute;gico &#151; da prece e seu    poder simb&oacute;lico, pois ao mesmo tempo em que a ora&ccedil;&atilde;o ajuda    a estabelecer um elo de comunica&ccedil;&atilde;o entre os indiv&iacute;duos    e o mundo espiritual, tamb&eacute;m representa aos enlutados um instrumento    pragm&aacute;tico que determina um per&iacute;odo de tempo para a reflex&atilde;o    e a reorganiza&ccedil;&atilde;o da vida social de cada um em seu grupo e da    comunidade como um todo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; dessa forma que, em seus aspectos discursivos,    por meio das preces e das ora&ccedil;&otilde;es judaicas <I>post mortem</I>,    o m&uacute;ltiplo tende a dissolver-se no &uacute;nico e a presen&ccedil;a do    duplo &eacute; subtra&iacute;da ao se buscar a eternidade (<I>ein-sof)</I>,    onde o Um (<I>Echad</I>) predomina e ser Um significa Nele dissolver-se (<I>tikkun</I>),    negando a morte e o esquecimento. Refor&ccedil;a-se, assim, a ideia de ser &uacute;nico    a partir da exist&ecirc;ncia plena em um todo eterno e cont&iacute;nuo, ainda    que seja pela perpetua&ccedil;&atilde;o de uma identidade grupal e religiosa    &uacute;nica, indissol&uacute;vel e indel&eacute;vel. A quest&atilde;o de dissolu&ccedil;&atilde;o    do ser concreto em um todo espiritual e abstrato &eacute; representada nas pr&oacute;prias    palavras das preces e ora&ccedil;&otilde;es judaicas, as quais, pela exaustiva    repeti&ccedil;&atilde;o, tornam-se vazias de sentido, perdendo seu valor e significado    prim&aacute;rio, como, por exemplo, as v&aacute;rias palavras que designam o    nome de Deus, at&eacute; chegar ao ponto de n&atilde;o haver mais um sentido    exato, tal qual ocorre com a grafia impronunci&aacute;vel do tetragrama IHWH,    como veremos mais adiante. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamanho &eacute; o poder da palavra escrita e    oral na cultura religiosa judaica que, a partir da proibi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica    da representa&ccedil;&atilde;o material de figuras &#151; "N&atilde;o vos    volteis para os &iacute;dolos, nem fa&ccedil;ais para v&oacute;s deuses de undi&ccedil;&atilde;o<I>"</I>    (Lev&iacute;tico 19:4) &#151;, defende-se a ideia de que a inven&ccedil;&atilde;o    do alfabeto hebraico, feita ap&oacute;s o &ecirc;xodo do Egito, foi tamb&eacute;m    uma maneira de abandonar a forma de escrita eg&iacute;pcia por hier&oacute;glifos.    Os caracteres teriam sido adaptados, ent&atilde;o, a uma nova linguagem e a    um novo pensamento e pr&aacute;ticas religiosas, inclusive com a cria&ccedil;&atilde;o    da Sociedade Sagrada (<I>Chevra Kadisha</I>), para os funerais de Mois&eacute;s.    Essas pr&aacute;ticas perduram at&eacute; os dias de hoje na organiza&ccedil;&atilde;o    dos espa&ccedil;os e rituais mortu&aacute;rios judaicos (cf. Zuchiwschi 1998).    Pode-se explicar da&iacute; o poder das escrituras e do verbo na cultura judaica,    assim como todo o valor m&iacute;stico, m&aacute;gico e religioso das palavras    estudadas pela <I>gematria.</I> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A prece (<I>tefilah</I>) &eacute; uma pr&aacute;tica    para a qual converge a maior parte das manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute;    religiosa judaica. Mais do que qualquer outro fen&ocirc;meno relacionado a essa    denomina&ccedil;&atilde;o, a prece est&aacute; presente tanto no cerne do ritual    quanto na ess&ecirc;ncia da cren&ccedil;a. Assim, sob o olhar pragm&aacute;tico,    a prece &eacute; um rito, pois determina e ordena toda uma s&eacute;rie de condutas,    atitudes e posturas diante do sagrado, impondo-lhes limites de tempo e espa&ccedil;o.    De acordo com a defini&ccedil;&atilde;o que lhe d&aacute; Marcel Mauss: "...&eacute;    um rito religioso, oral, diretamente relacionado com as coisas sagradas"    (1979a:146). Por outro lado est&aacute;, por meio de suas palavras, sempre positivamente    afirmando ou reafirmando algo e, dessa maneira, transforma-se em um ato religioso.    A partir do momento em que a prece evolui, desvinculando-se de qualquer tipo    de objeto ritual material, buscando efic&aacute;cia em suas palavras, transforma-se    em um outro objeto ritual. Isto &eacute;: a palavra se materializa, recriando    a situa&ccedil;&atilde;o "primeira" do discurso, como <I>represent&aacute;men</I>.    A palavra, neste caso, torna-se um fetiche (Mauss 1979a:109) dentro de uma rede    comunicacional de trocas simb&oacute;licas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, o discurso assume o mesmo <I>status    </I>dos objetos materiais e, assim sendo, n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel    a todos ou a qualquer um, limitando-se e restringindo-se aos contextos de tempo    e espa&ccedil;o. A formula&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica e ritual da prece    reina em um campo restrito e &uacute;nico, no qual se preserva a efic&aacute;cia    simb&oacute;lica dos signos. Os cantores lit&uacute;rgicos, oficiantes, ou aqueles    que proferem a prece, agem de forma coordenada, dentro de um universo discursivo    fechado em fonemas e padr&otilde;es estruturais, os quais s&atilde;o exauridos    em seu significado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pronunciada com seu pr&oacute;prio ritmo, cad&ecirc;ncia    e "exatid&atilde;o" estrutural, a prece ultrapassa aquele sentido    que L&eacute;vi-Strauss (1989) chama de "efic&aacute;cia simb&oacute;lica",    isto &eacute;, a correspond&ecirc;ncia de significados entre o discurso, a palavra    e o corpo ou a natureza &#151; o que de certa maneira continua impl&iacute;cito    no fen&ocirc;meno da prece judaica, uma vez que ela est&aacute; intimamente    ligada ao vocabul&aacute;rio. Tamb&eacute;m difere do entendimento de Mauss    (1979a:142), pois esta n&atilde;o mais pode ser definida como um ato ritual    tradicional e eficaz simplesmente porque representa concretamente as coisas    consideradas sagradas. Em outras palavras, a "efic&aacute;cia simb&oacute;lica"    da prece n&atilde;o est&aacute; em ser simplesmente anal&oacute;gica ou representar    algo de concreto existente no mundo, mas, como afirma Baudrillard (1993), no    valor simb&oacute;lico da palavra dita, porque esta simplesmente existe como    um ser pr&oacute;prio. No juda&iacute;smo, a palavra &eacute; t&atilde;o sagrada    quanto a pr&oacute;pria ideia de Deus, pois Ele tamb&eacute;m &eacute; absoluto,    isto &eacute;: existe por Si s&oacute;, n&atilde;o representa nada al&eacute;m    de Si mesmo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pr&oacute;pria palavra dita e, por extens&atilde;o,    a prece, tornam-se objetos rituais, assim como o corpo humano transforma-se    em um corpo/objeto ritual, tal qual um ex-voto para a cultura crist&atilde;    cat&oacute;lica, ou um amuleto. A palavra, enquanto objeto ritual, encontra-se    fora da esfera do "valor" simplesmente utilit&aacute;rio, uma vez que o valor    m&aacute;gico est&aacute; nas for&ccedil;as transcendentais aos c&oacute;digos,    ordens e regras. Nesse caso, nenhum objeto possui essa dimens&atilde;o caso    n&atilde;o seja, tamb&eacute;m, da ordem do sagrado. A palavra, ritual, simplesmente    existe em sua primeiridade<a href="#nt1"><sup>1</sup></a><a name="tx1"></a>,    torna-se sagrada n&atilde;o s&oacute; porque &eacute; divina, mas tamb&eacute;m    porque &eacute; milagrosa. A palavra faz acontecer, pois a prece s&oacute; atua    por meio dela, que se constitui como o que h&aacute; de mais formal no mundo.    Portanto, o poder eficaz da forma jamais &eacute; t&atilde;o aparente. A cria&ccedil;&atilde;o    pelo verbo &eacute; o tipo da cria&ccedil;&atilde;o <I>ex-nihilo</I> (Mauss    1979a:121). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As aspira&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas    da prece dirigem-se &agrave;s mais altas esferas da pr&oacute;pria divindade    para influenci&aacute;-la. A prece consiste em atitudes, mentais e corporais,    disposi&ccedil;&atilde;o emocional e movimentos materiais a partir dos quais    se esperam resultados positivos tanto para os vivos quanto para os mortos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><B>2. As palavras e as preces: tempo e espa&ccedil;o</B>    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o judaica,    as ora&ccedil;&otilde;es, assim como o calend&aacute;rio, marcam e limitam os    per&iacute;odos de luto (<I>avelut</I>), cumprindo assim um duplo papel, pois    definem a passagem do tempo real e lit&uacute;rgico, determinam as etapas de    transi&ccedil;&atilde;o e imp&otilde;em os limites das a&ccedil;&otilde;es rituais    (cf. Zuchiwschi 1998). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> A cada um dos tr&ecirc;s per&iacute;odos sucessivos    de luto &#151; <I>shivah</I> (sete primeiros dias ap&oacute;s o sepultamento),    <I>sheloshim</I> (trinta dias ap&oacute;s o sepultamento) e <I>yahrtzeit</I>    (um ano ap&oacute;s o sepultamento) &#151; correspondem determinadas ora&ccedil;&otilde;es,    interdi&ccedil;&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o gradualmente    diminuindo de intensidade, at&eacute; terminarem por completo. Intimamente ligados    &agrave; recita&ccedil;&atilde;o das preces e ora&ccedil;&otilde;es votivas,    rememorativas ou de s&uacute;plica, os per&iacute;odos anunciam e refor&ccedil;am,    em alto grau, os preceitos, os dogmas e as cren&ccedil;as religiosas judaicas.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Durante o primeiro per&iacute;odo, em algumas    comunidades, &eacute; costume que os enlutados saiam de casa para dar um passeio    pela rua (alguns d&atilde;o a volta no quarteir&atilde;o), com a finalidade    de "acompanhar a alma", que agora deixa a casa na qual se realizou    o <I>shivah</I>. Nessa ocasi&atilde;o, despeja-se a &aacute;gua do copo que    &eacute; mantido junto a uma parte de tecido da mortalha (guardado at&eacute;    a cerim&ocirc;nia de "inaugura&ccedil;&atilde;o" tumular, ou o <I>sheloshim</I>)    e a vela votiva, acesa ap&oacute;s o sepultamento, a qual se deixa esvair por    si s&oacute;, como sinal do final de um per&iacute;odo de luto, da separa&ccedil;&atilde;o    e afastamento da alma. Esse procedimento tamb&eacute;m d&aacute; a ideia de    dissolu&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e do ser na luz do infinito, <I>ein-sof</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por n&atilde;o ser uma pr&aacute;tica obrigat&oacute;ria,    apenas em algumas comunidades judaicas, dependendo do estado f&iacute;sico e    moral dos enlutados, costuma-se visitar o t&uacute;mulo quando se completa o    per&iacute;odo de <I>shivah</I> (caso coincida com o <I>shabat</I>, isso dever&aacute;    ser feito no domingo) e rezar alguns salmos, especialmente o 91. Nesse momento,    somente se houver o <I>mynian</I> &eacute; recitada a <I>kaddish</I> e a prece    rememorativa <I>El Male Rachamim ("oh Deus, pleno de miseric&oacute;rdia")</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O segundo per&iacute;odo de luto, o <I>sheloshim</I>,    literalmente "trinta", inicia-se a partir do fim de <I>shivah</I>    (s&eacute;timo dia), estendendo-se por mais 23 dias, at&eacute; o nascer do    sol do 30&#186; dia ap&oacute;s o enterro. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na cerim&ocirc;nia que se realiza no cemit&eacute;rio    por ocasi&atilde;o do <I>sheloshim</I>, enterra-se o peda&ccedil;o de tecido    da mortalha na sepultura do falecido, recitam-se os Salmos 33, 16, 17, 72, 91,    104 e 130 e as estrofes alfab&eacute;ticas do Salmo 119 (compondo a palavra    <I>neshamah)</I> (alma), al&eacute;m do nome do falecido. Tamb&eacute;m, dependendo    do n&uacute;mero de pessoas presentes, o filho mais pr&oacute;ximo recita a    <I>kaddish</I> acompanhada da ora&ccedil;&atilde;o <I>El male rachamim</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com esses procedimentos, d&aacute;-se por encerrado    o per&iacute;odo de luto para os cinco dos sete parentes mais pr&oacute;ximos,    quais sejam: filho e filha, irm&atilde;o e irm&atilde; e c&ocirc;njuges (esposa    ou esposo). As exce&ccedil;&otilde;es que complementam os sete parentes s&atilde;o    pai e m&atilde;e, sobre os quais, e exclusivamente sobre eles, dever&aacute;    ser respeitado o per&iacute;odo completo de luto, isto &eacute;, um ano a partir    do sepultamento, incluindo-se, &eacute; claro, o terceiro per&iacute;odo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro per&iacute;odo de luto (<I>avelut</I>),    observado apenas pela morte de pai ou m&atilde;e, inicia-se ao nascer do sol    do 30&#186; dia a partir do enterro (<I>sheloshim</I>) e estende-se por doze    meses (contados pelo calend&aacute;rio judaico). N&atilde;o se pode confundi-lo    com o per&iacute;odo da recita&ccedil;&atilde;o da <I>kaddish</I>, que dura    apenas onze meses, at&eacute; o primeiro anivers&aacute;rio do falecimento (e    n&atilde;o do sepultamento). Entretanto, se este aconteceu dois ou mais dias    ap&oacute;s o falecimento, o <I>avelut</I> s&oacute; ser&aacute; encerrado no    anivers&aacute;rio do sepultamento. Nos anos seguintes, a data a ser rememorada    ser&aacute; a mesma do falecimento. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que o sentido completo e literal das palavras    contidas em algumas ora&ccedil;&otilde;es judaicas, como a <I>kaddish,</I> por    exemplo, tenha se tornado vazio de significado, a prece continua expressando    as ideias e os sentimentos religiosos porque nela n&atilde;o h&aacute; somente    pensamentos, mas determinantes de atos e a&ccedil;&otilde;es concretas. Por    isso &eacute; que, enquanto um conjunto ordenado e sequencial de palavras, a    prece votiva n&atilde;o s&oacute; exprime algo, mas, al&eacute;m disso, como    diria Austin (1975), faz as coisas acontecerem em seus tempos e espa&ccedil;os.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A tens&atilde;o entre os elementos ou as situa&ccedil;&otilde;es    opostas pressup&otilde;e, <I>a priori</I>, uma rela&ccedil;&atilde;o de interdepend&ecirc;ncia    entre os mesmos. Assim, na oposi&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&atilde;o e    pensamento, inclusive com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; nomina&ccedil;&atilde;o    dos n&iacute;veis da alma, esses elementos encontram-se tamb&eacute;m estreitamente    ligados, ou melhor, originam-se em um &uacute;nico espa&ccedil;o e em um tempo    sincr&ocirc;nico, no momento m&aacute;gico e profundo do pensamento religioso    que une, liga e reuni elementos os mais d&iacute;spares (cf. Durkheim 1989).    &Eacute; essa converg&ecirc;ncia de muitos fen&ocirc;menos religiosos, por vezes    opostos entre si, que faz com que Mauss (1979) defina a prece como um fen&ocirc;meno    &uacute;nico e total. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como fen&ocirc;meno eminentemente lingu&iacute;stico    &#151; porque se vale da palavra oral, da palavra dita, muito mais do que a    palavra escrita &#151;, a prece carrega um sentido e um objetivo. Por isso &eacute;    sempre um instrumento que determina uma a&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, suas    palavras agem exprimindo mais do que ideias, mas, sobretudo, sentimentos "que    as palavras traduzem para o exterior e substantificam" (Mauss 1979a:103).    Portanto, orar &eacute; ao mesmo tempo pensamento e a&ccedil;&atilde;o. Somente    dessa maneira, de acordo com as palavras de Mauss a prece poder&aacute; participar,    ao mesmo tempo, tanto da cren&ccedil;a como do culto religioso, como um ato    perform&aacute;tico ritual. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, o ritual da prece &eacute; fen&ocirc;meno    social total, pois comporta um todo, onde est&atilde;o dados os elementos m&iacute;ticos    necess&aacute;rios para compreend&ecirc;-lo. Pode-se mesmo dizer que uma &uacute;nica    prece compreende suas pr&oacute;prias raz&otilde;es de ser (Mauss 1979a:104).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao lado das <I>mitzvot</I> e das pr&aacute;ticas    funer&aacute;rias, as preces judaicas, de um modo geral, tamb&eacute;m s&atilde;o    importantes pontos-chave para a compreens&atilde;o do pensamento religioso,    uma vez que s&atilde;o um dos melhores sinais pelos quais se denota o pensamento    religioso e seu desenvolvimento no curso da hist&oacute;ria. Pois n&atilde;o    s&oacute; as preces como tamb&eacute;m o sentido da concep&ccedil;&atilde;o    e conceitua&ccedil;&atilde;o da alma, do <I>post mortem</I> e de Deus,    est&atilde;o estritamente associados ao processo hist&oacute;rico (Mauss 1979a:104);    al&eacute;m de estabelecer a evolu&ccedil;&atilde;o da ideia de indiv&iacute;duo    frente ao coletivo e a resist&ecirc;ncia ao desaparecimento, &agrave; dissolu&ccedil;&atilde;o    e &agrave; volatiliza&ccedil;&atilde;o do "ser", social e biol&oacute;gico.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O costume judaico de reverenciar os mortos por    meio de preces, ora&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m do cumprimento de outros    comandos divinos (as <I>mitzvot), </I>como a caridade, al&eacute;m do estudo    sistem&aacute;tico da <I>Torah</I>, t&ecirc;m como objetivo proporcionar &agrave;    alma do falecido m&eacute;ritos que a fa&ccedil;am ascender nos degraus da santidade    espiritual. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim como os atos t&eacute;cnicos, f&iacute;sicos,    os quais correspondem &agrave;s leis das <I>mitzvot</I> no tratamento corporal,    os atos m&aacute;gicos e religiosos das preces e ora&ccedil;&otilde;es memorativas    correspondem, por sua vez e em sua grande maioria, aos aspectos morais e transcendentais    das <I>mitzvot</I> e s&atilde;o, por isso, atos que fogem &agrave;s explica&ccedil;&otilde;es    de ordem pr&aacute;tica e l&oacute;gica, que pressuporiam consci&ecirc;ncia    por parte dos atores que as praticam. Por&eacute;m, s&atilde;o esses elementos    que, praticados automaticamente, conduzem a quest&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas    intrincadas, como a loca&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o individual dentro    dos contextos simb&oacute;licos e pragm&aacute;ticos de uma comunidade espec&iacute;fica    na luta entre a visibilidade e invisibilidade, entre a exist&ecirc;ncia concreta    e a completa volatiliza&ccedil;&atilde;o, entre a dissolubilidade e o desaparecimento    do ser. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Compreender os preceitos religiosos contidos    nas <I>mitzvot</I> &eacute; muito importante para o entendimento do ritual funer&aacute;rio    judaico, uma vez que determinam aspectos importantes para a sua observ&acirc;ncia,    como a n&iacute;tida tens&atilde;o dicot&ocirc;mica entre o corpo (estado f&iacute;sico)    e a alma (transcendental) enquanto par&acirc;metros anal&oacute;gicos do juda&iacute;smo.    Ainda que n&atilde;o seja totalmente consciente, essa tens&atilde;o est&aacute;    presente em quase todos os rituais e manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute;,    atuando conforme os preceitos divinos ou de acordo com a vontade de Deus. Por    isso as <I>mitzvot</I>, deveres do cora&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o    prescritas pela <I>Torah,</I> n&atilde;o se limitam apenas aos aspectos emocionais    ou psicol&oacute;gicos do amor transcendental ao pr&oacute;ximo, mas tamb&eacute;m    se aplicam diretamente &agrave; performance corporal e &agrave; pr&aacute;tica    do ritual funer&aacute;rio. Em sua maioria, as <I>mitzvot</I> comandam os atos    perform&aacute;ticos, f&iacute;sicos e corporais, de seus atores. Portanto,    mais uma vez, esse conceito refere-se, ao mesmo tempo, ao corpo f&iacute;sico    individual e ao corpo social invis&iacute;vel, enquanto blocos unit&aacute;rios    e indivis&iacute;veis (Jacobs 1992:64). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Mauss (1979a), as preces, por estarem submetidas    &agrave;s conting&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, sofrem um processo social de    espiritualiza&ccedil;&atilde;o progressiva, ou seja, passam cada vez mais a    anular as idiossincrasias e a consci&ecirc;ncia individual, pois buscam elementos    transcendentais de puro &ecirc;xtase e catarse religiosa. Portanto, as preces    tamb&eacute;m dissolvem a identidade particular e individualizante em um mundo    et&eacute;reo e di&aacute;fano da f&eacute; religiosa coletivizada e universalizante.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Isso significa, antes de mais nada, que a prece    &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social, pois o car&aacute;ter social e    coletivo da religi&atilde;o vem sendo suficientemente demonstrado pelos estudos    antropol&oacute;gicos contempor&acirc;neos, da mesma forma que qualquer religi&atilde;o    &eacute; um sistema org&acirc;nico de no&ccedil;&otilde;es e de pr&aacute;ticas    coletivas, e n&atilde;o individuais, as quais relacionam os homens com o sagrado    que reconhecem. Mesmo quando a prece &eacute; individual e livre, mesmo quando    o pio religioso faz valer sua livre escolha na utiliza&ccedil;&atilde;o das    palavras e dos momentos, n&atilde;o pode haver outras escolhas al&eacute;m daquelas    palavras e momentos social e coletivamente consagradas (Mauss 1979a:117). Mesmo    na rela&ccedil;&atilde;o do homem com as palavras deve haver a visibilidade    e a notoriedade. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, o conjunto dos rituais religiosos,    segundo Mauss (1979a:144-5), deve ser dividido em duas categorias: por um lado    os manuais e, por outro, os ritos orais. Os primeiros consistem em um conjunto    de movimentos, performances corporais, deslocamento e manipula&ccedil;&atilde;o    de objetos f&iacute;sicos. Os segundos s&atilde;o "locu&ccedil;&otilde;es    rituais", pois baseiam-se nas palavras, nas preces e ora&ccedil;&otilde;es.    Tratam-se, evidentemente, de rituais orais, ou seja, de uma "locu&ccedil;&atilde;o    ritual". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nem todos os rituais religiosos orais podem ser    considerados preces ou ora&ccedil;&otilde;es, que envolvem o pacto de alian&ccedil;a,    o juramento, o contrato verbal, a promessa, a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, a    maldi&ccedil;&atilde;o, a consagra&ccedil;&atilde;o, etc. Mesmo assim, a diferen&ccedil;a    entre a prece e os outros rituais religiosos orais n&atilde;o pode ser absolutamente    fixada com precis&atilde;o cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica (Mauss 1979a:146).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por isso entendem-se as preces votivas, ou de    s&uacute;plica, proferidas durante o per&iacute;odo de luto judaico como um    meio para se agir diretamente sobre os elementos sagrados envolvidos na quest&atilde;o    da separa&ccedil;&atilde;o, do perd&atilde;o, da ascens&atilde;o e da ressurrei&ccedil;&atilde;o    da alma, pois s&atilde;o elas (as palavras) que influenciam e possuem efic&aacute;cia    para modificar a ordem das coisas. Nem tanto por terem alguma evid&ecirc;ncia    de ordem pr&aacute;tica e concreta, uma vez que n&atilde;o h&aacute; como comprov&aacute;-la,    mas sobretudo porque transmitem e refor&ccedil;am a confian&ccedil;as nos la&ccedil;os    sociais. Dessa forma, as preces podem trazer conforto aos doentes, aos enlutados    e outros necessitados, re&uacute;nem os vivos, reafirmam o compromisso m&aacute;gico    de alian&ccedil;a com o sobrenatural e com Deus, promovem modifica&ccedil;&otilde;es    no comportamento individual e coletivo, trazem e demarcam privil&eacute;gios    e responsabilidades, delimitam as atividades, os espa&ccedil;os e os tempos    cotidianos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><B>3. As palavras e as preces: indiv&iacute;duo    e sociedade</B> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal como o per&iacute;odo de luto, o servi&ccedil;o    f&uacute;nebre judaico &eacute; composto por diversos momentos. Assim, tamb&eacute;m    a cada momento o servi&ccedil;o f&uacute;nebre &eacute; delimitado em seu tempo    e espa&ccedil;o por ora&ccedil;&otilde;es e preces especiais. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Depois do of&iacute;cio religioso da lavagem    (<I>rechitzah</I>) e purifica&ccedil;&atilde;o dos corpos (<I>taharah</I>),    conduz-se o caix&atilde;o at&eacute; o local da sepultura (<I>levaiah</I>).    L&aacute; chegando, &eacute; costume, em algumas comunidades, discursar pelo    falecido, com o objetivo de mencionar suas boas a&ccedil;&otilde;es e qualidades    (<I>hesped</I>). Ap&oacute;s essa cerim&ocirc;nia, os presentes, de prefer&ecirc;ncia    os familiares mais pr&oacute;ximos (homens acima dos 13 anos de idade), devem    pegar as al&ccedil;as do caix&atilde;o e carreg&aacute;-lo para fora do recinto    &#151; os p&eacute;s do morto na frente &#151; e s&oacute; ent&atilde;o as demais    pessoas saem e seguem o cortejo f&uacute;nebre. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A caminho da sepultura, enquanto recita-se o    salmo 91 &#151;<I> "Ioshev Bess&eacute;ter"</I>: "aquele que    habita no lugar secreto do Alt&iacute;ssimo, &agrave; sombra do Onipotente se    abriga" &#151;, algumas comunidades mant&ecirc;m o costume de dar sete    voltas ao redor dela, ou ao redor do caix&atilde;o antes que este baixe &agrave;    sepultura, ou, como observado diretamente no Cemit&eacute;rio Israelita do Butant&atilde;,    em S&atilde;o Paulo, costumam-se fazer sete paradas, repousando sete vezes o    caix&atilde;o sobre a terra. Segundo Slavsky (1993), as sete voltas, ou sete    paradas, referem-se &agrave;s sete vezes que a palavra "vaidade" &eacute;    repetida no Eclesiastes, como um momento para a reflex&atilde;o sobre a ef&ecirc;mera    exist&ecirc;ncia humana e a inutilidade das vaidades da vida. Por outro lado,    as sete voltas tamb&eacute;m podem sugerir os sete ju&iacute;zos que recaem    sobre o morto e aos sete degraus m&iacute;sticos que a <I>kabalah </I>considera    existirem para se chegar ao Para&iacute;so. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por&eacute;m, a raz&atilde;o principal em se    fazer<I> hakafot</I> (sete voltas), segundo alguns m&iacute;sticos religiosos,    seria a de manter os esp&iacute;ritos impuros (<I>ruach atumah</I>) afastados    do corpo morto. Por isso &eacute; que, em depoimento, membros da <I>Chevra Kadisha</I> de S&atilde;o Paulo, inspirados talvez nas cren&ccedil;as do    juda&iacute;smo popular, aconselham aos filhos homens (especialmente o mais    velho) a n&atilde;o acompanhar o enterro do pr&oacute;prio pai, assim como desencorajam    a presen&ccedil;a de mulheres (especialmente as gr&aacute;vidas) ou de crian&ccedil;as    nos cemit&eacute;rios (ver Zuchiwschi 1998). A origem dessa cren&ccedil;a pode    estar na rela&ccedil;&atilde;o que o pensamento hass&iacute;dico constr&oacute;i    acerca da vida sexual reprodutiva e do car&aacute;ter sagrado do s&ecirc;men    humano, que, uma vez desperdi&ccedil;ado ou perdido em rela&ccedil;&otilde;es    sexuais esp&uacute;rias, pode originar "esp&iacute;ritos malignos, ou maus"    (s<I>edim</I>). Desde que Caim matou Abel e Ad&atilde;o recusou-se a ter rela&ccedil;&otilde;es    sexuais com Eva, Lilith e outros esp&iacute;ritos malignos (s&uacute;cubos),    especialmente <I>Malat</I> (um dem&ocirc;nio feminino) conceberam filhos de    Ad&atilde;o (cf. Slavsky 1993:112). Assim, o ritual das "sete voltas"    d&aacute; lugar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um c&iacute;rculo sagrado,    fun&ccedil;&atilde;o dos <I>shomrim</I> (vigilantes), membros da <I>Chevra Kadisha;</I> portanto, trata-se de uma cerim&ocirc;nia defensiva cuja finalidade    consiste em impedir que os "falsos filhos" se acerquem do morto e    impurifiquem o cad&aacute;ver ou causem outros danos aos presentes nos funerais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o,    as palavras, votivas e de s&uacute;plicas "permita que ande no pa&iacute;s    da vida eterna, que sua alma descanse na fonte da vida<I>"</I>, da prece    "<I>Hakafot</I>" (Prece das sete voltas), proferidas em cada uma das    paradas ou a cada volta dada ao redor da sepultura, demonstram, mais uma vez,    o poder e a for&ccedil;a da institui&ccedil;&atilde;o da palavra como fonte    ordenadora e desencadeante dos atos corporais perform&aacute;ticos, como as    paradas obrigat&oacute;rias, as rever&ecirc;ncias, o avan&ccedil;o dos passos    contados, ou as voltas em torno da sepultura, exemplos anal&oacute;gicos de    uma s&eacute;rie de motivos e cren&ccedil;as do juda&iacute;smo sobre a morte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, <I>Tziduk Hadin</I>, <I>"justi&ccedil;a    do julgamento</I>" ou "<I>o juiz justo</I>", que reconhece a    justi&ccedil;a divina, &eacute; uma ora&ccedil;&atilde;o que a tradi&ccedil;&atilde;o    religiosa judaica recomenda apenas ao <I>avel</I> (enlutado), imediatamente    ap&oacute;s tomar conhecimento da morte de um parente pr&oacute;ximo, mas que    &eacute; de car&aacute;ter obrigat&oacute;rio durante todo o per&iacute;odo    de <I>shivah</I>. Ainda assim, existem diferen&ccedil;as de costumes entre os    <I>askenazim</I> e os <I>sefaradim<a href="#nt2"><SUP>2</SUP></a><a name="tx2"></a></I>.    Para os <I>sefaradim</I>, algumas outras ora&ccedil;&otilde;es substituem o    <I>Tziduk Hadin</I>, como, por exemplo, a <I>Hashcavah</I> (Slavsky 1993:126).    Portanto, essa ora&ccedil;&atilde;o refere-se, de um modo geral, ao costume    tradicional <I>askenaz</I>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><I>Tziduk Hadin</I>, ou justifica&ccedil;&atilde;o    da senten&ccedil;a divina, &eacute; uma ora&ccedil;&atilde;o que, assim como    a <I>Utane Tekef</I>, &eacute; dita pelo oficiante ou cantor lit&uacute;rgico    (<I>chazan</I>), tamb&eacute;m membro da <I>Chevra Kadisha</I>, pouco antes,    ou imediatamente ap&oacute;s, o sepultamento de um adulto ou de uma crian&ccedil;a    morta com mais de 30 dias de vida, independente do sexo. Essa prece, assim como    outras vinculadas ao servi&ccedil;o f&uacute;nebre e intituladas como "preces    de s&uacute;plica" ou "de miseric&oacute;rdia", n&atilde;o pode    ser pronunciada em dias sagrados (<I>yom tov</I>). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Observa-se que, em sua estrutura interna, a ora&ccedil;&atilde;o    <I>Tziduk Hadin</I> possui tr&ecirc;s momentos distintos. No primeiro, h&aacute;    a ordena&ccedil;&atilde;o Divina, onipotente e universal, das senten&ccedil;as    de vida e de morte para toda a humanidade, tal qual vista na ora&ccedil;&atilde;o    <I>Unetane Tekef</I>: "Ele domina embaixo e em cima, tira e restitui    a vida, leva ao abismo e eleva". </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> No segundo momento, h&aacute; o pedido de perd&atilde;o    e miseric&oacute;rdia divina, em princ&iacute;pio particularmente para os indiv&iacute;duos    mortos e depois para os enlutados<I>: </I>"Justo &eacute;s Tu, Eterno,    que tiras e restituis a vida, e em cujas m&atilde;os est&atilde;o enviados todos    os esp&iacute;ritos. Longe de Ti apagar nossas lembran&ccedil;as. Rogamos que    Teus olhos estejam misericordiosamente abertos sobre n&oacute;s, pois a Ti,    oh, Senhor, pertencem o perd&atilde;o e a miseric&oacute;rdia". </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> No terceiro e &uacute;ltimo momento dessa ora&ccedil;&atilde;o,    h&aacute; o refor&ccedil;o da unidade e integridade dos indiv&iacute;duos na    mem&oacute;ria de Deus, na aceita&ccedil;&atilde;o de Deus como &uacute;nico    Senhor (<I>Echad</I>) e, sobretudo, a refor&ccedil;o da cren&ccedil;a na justi&ccedil;a    divina e na eternidade da alma: </font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Grande conselheiro e abundante obrador, cujos      olhos fiscalizam todos os procedimentos dos homens, a fim de recompensar o      homem conforme seus atos e pelo fruto de suas obras, para anunciarem que o      Eterno &eacute; reto, que Ele &eacute; a minha for&ccedil;a e n&atilde;o h&aacute;      iniquidade Nele. </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Fica claro, tamb&eacute;m, que a aceita&ccedil;&atilde;o    da senten&ccedil;a divina, assim como a aceita&ccedil;&atilde;o de Deus &Uacute;nico    e Senhor, e a perpetua&ccedil;&atilde;o de seu nome e de sua f&eacute;, passam    invariavelmente pela quest&atilde;o da justi&ccedil;a, que, enfatizada a todo    o momento nesta ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; o fundamento da &eacute;tica    religiosa judaica (ao contr&aacute;rio da &eacute;tica crist&atilde;, que se    pauta pelo amor incondicional ao pr&oacute;ximo). Por isso &eacute; de se supor    que a perpetuidade de qualquer institui&ccedil;&atilde;o social, como afirma    Mary Douglas (1986), dependa do grau de validade e confian&ccedil;a depositado    em seu sentido social e coletivo de justi&ccedil;a, refor&ccedil;ado aqui pelo    poder da palavra. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A cren&ccedil;a na ressurrei&ccedil;&atilde;o    da alma (<I>tehiat hametin</I>) assegura que os mortos ser&atilde;o revividos    em seus pr&oacute;prios corpos quando acontecer o ju&iacute;zo final (Maim&ocirc;nides    1994). Nesse sentido, a doutrina da ressurrei&ccedil;&atilde;o das almas pressup&otilde;e    a ideia da recompensa e retribui&ccedil;&atilde;o, tanto do indiv&iacute;duo    como de todo o povo de Israel, a partir do julgamento divino. A ideia de ressurrei&ccedil;&atilde;o    mostra-se coletiva porque acontecer&aacute; em conjunto, nunca individualmente.    Implica, tamb&eacute;m, no sentido da unidade entre o corpo e a alma, pois ambos    ser&atilde;o reunidos no ju&iacute;zo final, da mesma forma que s&oacute; poder&atilde;o    ser punidos ou premiados em conjunto. Dessa forma, a ressurrei&ccedil;&atilde;o    da alma est&aacute; intimamente vinculada ao conceito de ju&iacute;zo, de julgamento,    e fortemente ligada ao sentido de justi&ccedil;a social, um dos pilares da validade    institucional e religiosa da <I>Chevra Kadisha</I>. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">H&aacute; de se observar tamb&eacute;m que, a    exemplo de outros aspectos rituais funer&aacute;rios, em v&aacute;rias culturas    existe a tens&atilde;o e resist&ecirc;ncia &agrave; ideia do desaparecimento    do ser, da individualidade do ser e da volatiliza&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo    em um corpo et&eacute;reo e impessoal, assim exemplificado nas seguintes trechos    da prece <I>Tziduk Hadin</I> (O juiz justo): "Longe de Ti apagar nossas    lembran&ccedil;as", pois, nesse caso, "o homem, se tiver um ano ou    viver mil, que vantagem ter&aacute;? Ser&aacute; como n&atilde;o houvesse sido".    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Depois que a prece <I>Tziduk Hadin</I> foi pronunciada    pelo <I>chazan</I> (cantor lit&uacute;rgico), estando a sepultura completamente    coberta de terra, o <I>avel</I> (enlutado) recita, ent&atilde;o, a <I>Kaddish</I>    especial, denominada <I>Kaddish Dehu Atid</I>, ou a primeira <I>Kaddish</I>.    Esta possui uma parte especial em seu in&iacute;cio, como se segue: </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">KADDISH DEHU ATID    <br>     Ysgadal U'Yiskadash Shmai Rabbah    <br>     Magnificado e santificado seja Seu grande      nome    <br>     B'Olmo D'Hu Asid L'Is Chadosho,    <br>     No mundo o qual Ele ir&aacute; renovar    <br>     U'Lachay'O Maisayo, Ul'Asoko Yos'Hone      Lechayaia Olmo,    <br>     Revivendo os mortos, levantando-os para      a vida eterna,    <br>     U'Lemivnai Karto D&yacute;erushalem,      U'Leshachlel Hechalai B'Gavah,    <br>     Reconstruindo a cidade de Jerusal&eacute;m      e estabelecendo para sempre Seu santu&aacute;rio,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     U'Lemekar Pulchana Nuchro'U Me'Aro,    <br>     O mais alto &iacute;dolo adorado da terra    <br>     U'La'Asovo Pulchono D'Shmayo Le'Asrei      &#151;    <br>     Substituindo-o pela adora&ccedil;&atilde;o      divina &#151;    <br>     U'yamlich Kudsho B'Rich Hu B'Malechusai      Vikorai    <br>     Possa o Todo Sagrado, bendito seja Ele,      reinar em sua majestosa gl&oacute;ria.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">(Lamm 1989:172)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A<I> Kaddish</I> "normal" ou convencional,    isto &eacute;, a <I>Kaddish Derabanan</I>, segue a partir desse ponto.    A reprodu&ccedil;&atilde;o, a translitera&ccedil;&atilde;o ou a tradu&ccedil;&atilde;o    para a l&iacute;ngua portuguesa da <I>Kaddish Derabanan, </I>que vem    a seguir, tem como objetivo promover a tentativa de uma an&aacute;lise livre    para um melhor entendimento desta prece que se imp&otilde;e como ponto principal    do ritual funer&aacute;rio oral judaico. </font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">KADDISH DERABANAN    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Yitgad&aacute;l Veyitcad&aacute;sh Shem&ecirc; Rab&aacute;.    <br>     Exaltado e santificado seja o Seu grande Nome (<I>Amen</I>)    <br>     Bealm&aacute; Di Ver&aacute; Chir'ut&ecirc;,    <br>     no mundo que Ele criou por Sua santidade    <br>     Veyaml&iacute;ch Malchut&ecirc; Veyatsm&aacute;ch Purcan&ecirc;, Vicar&ecirc;v      Meshich&ecirc;.    <br>     Queira Ele estabelecer o Seu reino e determinar o ressurgimento da Sua reden&ccedil;&atilde;o      e apressar o advento do Seu ungido (Mashiach)    <br>     Bechayech&ocirc;n, Uvymech&ocirc;n    <br>     no decurso da vossa vida, nos vossos dias    <br>     Uvchay&ecirc; Dech&ocirc;l Bet Yisrael,    <br>     e no decurso da vida de toda casa de Israel,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Baagal&aacute; Uvizm&aacute;n Car&iacute;v, Veimr&uacute; Am&ecirc;n.    <br>     prontamente e em tempo pr&oacute;ximo; e dizei AMEN.    <br>     Yeh&ecirc; Shem&ecirc; Rab&aacute; Mevar&aacute;ch Leal&aacute;m Ul'alm&ecirc;      Almay&aacute;.    <br>     Seja o Seu grande nome bendito eternamente e para todo o sempre;    <br>     Uitbar&ecirc;ch, Veyishtab&aacute;ch, Veyitpa&ecirc;r, Veyitrom&aacute;n,    <br>     Seja bendito, louvado, glorificado, exaltado,    <br>     Veyitnass&ecirc;, Veyit'had&aacute;r, Veyit'al&ecirc;, Veyit'hal&aacute;l,    <br>     engrandecido, honrado, elevado e excelentemente adorado    <br>     Shem&ecirc; Decudsh&aacute; Ber&iacute;ch Hu.    <br>     o nome do Sagrado, bendito seja Ele    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Le&ecirc;la Min Col Birchat&aacute; Veshirat&aacute;, Tushbechat&aacute; Venechemat&aacute;,    <br>     acima de todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os, hinos, louvores e consola&ccedil;&otilde;es    <br>     Daamir&aacute;n Bealm&aacute;, Veimr&uacute; Am&eacute;n.    <br>     que possam ser proferidos no mundo; e dizei AMEN.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Para o <I>Kaddish Derabanan</I>, acrescenta-se      o seguinte par&aacute;grafo:</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Al Yisrael Ve&aacute;l Raban&aacute;n, Ve&aacute;l      Talmidh&ocirc;n, Ve&aacute;l Col Talmid&ecirc; Talmideh&ocirc;n,    <br>     Sobre Israel, seus s&aacute;bios, seus disc&iacute;pulos e disc&iacute;pulo      de seus disc&iacute;pulos,    <br>     Ve&aacute;l Vol Man Deask&iacute;n Beorayt&aacute;,    <br>     e sobre todos que estudam diligentemente a lei,    <br>     Di Veatr&aacute; Had&ecirc;n, Ved&iacute; Vech&ocirc;l At&aacute;r Vaat&aacute;r,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     neste santo lugar e em qualquer outro lugar,    <br>     Yeh&ecirc; Leh&ocirc;n Ulech&ocirc;n Shelam&aacute; Rab&aacute;, Chin&aacute;      Vechisd&aacute;    <br>     haja para eles e para v&oacute;s grande paz, gra&ccedil;a, favor    <br>     Veracham&iacute;n, Vechay&iacute;n, Umzon&aacute; Revich&aacute;, Ufurcan&aacute;,    <br>     e miseric&oacute;rdia, vida longa e sustento farto    <br>     Min Cad&aacute;m Avuh&oacute;n Devishmay&aacute;, Veimru Am&ecirc;n.    <br>     e reden&ccedil;&atilde;o da parte do Pai que est&aacute; no c&eacute;u; e      dizei <I>Amen</I>.    <br>     Yeh&ecirc; Shelam&aacute; Rab&aacute; Min Shemay&aacute;    <br>     Que haja uma paz abundante emanada do c&eacute;u,    <br>     Vechay&iacute;m Tov&iacute;m Al&ecirc;nu Ve&aacute;l Col Yisrael Veimr&uacute;      Am&ecirc;n    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     e vida boa para n&oacute;s e para todo o povo de Israel; e dizei <I>Amen</I>.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">(D&aacute;-se tr&ecirc;s passos para tr&aacute;s).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Oss&ecirc; Shal&ocirc;m Bimrom&aacute;v, Hu      Yaass&ecirc; Shal&ocirc;m    <br>     Aquele que firma a paz nas alturas, com Sua miseric&oacute;rdia, conceda a      paz    <br>     Al&ecirc;nu, Ve&aacute;l Col Yisrael, Veimr&uacute; Am&ecirc;n.    <br>     Sobre n&oacute;s e sobre todo seu povo de Israel, e dizei AMEN.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">(D&aacute;-se tr&ecirc;s passos para frente).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">(Fridlin 1990). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Etimologicamente, <I>Kaddish</I> prov&eacute;m    da palavra <I>kadisha</I> (<I>kadosh</I> ou <I>kodosh</I>), de origem aramaica,    a qual pode ser literalmente traduzida, <I>stricto sensu</I>, como sagrado ou,    por extens&atilde;o, o nome daquilo que &eacute; ou que possui um car&aacute;ter    sagrado ou santificado (Kertzer 1992:72-73). <I>Kiddush Ha'Shem</I>, que em    seu sentido literal significa a santifica&ccedil;&atilde;o do nome de Deus,    &eacute; a prece principal que se diz sobre o vinho durante o ritual <I>shabbat</I>,    como parte da <I>havdalah</I>, isto &eacute;, o processo religioso da separa&ccedil;&atilde;o    entre o sagrado e o profano (Ramagem 1994). Dessa mesma forma, a <I>Kaddish</I>    &eacute; recitada nas cerim&ocirc;nias memoriais e como forma de encerramento    do per&iacute;odo de luto (<I>avelut</I>). Pronuncia-se, logo ap&oacute;s o    enterro, no s&eacute;timo e trig&eacute;simo dias, no anivers&aacute;rio de    um ano de falecimento (<I>yahrzeit</I>) do pai ou da m&atilde;e do enlutado    e na cerim&ocirc;nia de "inaugura&ccedil;&atilde;o" da pedra tumular    (<I>matzevah</I>) ou "fechamento" de t&uacute;mulo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A ora&ccedil;&atilde;o <I>Kaddish</I>, de origem    desconhecida, &eacute; uma das mais antigas da liturgia judaica. Suas primeiras    refer&ecirc;ncias datam do s&eacute;culo II da Era Crist&atilde; (Slavsky 1993:123).    Antigamente, era recitada apenas no final de uma sess&atilde;o de estudos da    <I>Torah</I> e s&oacute; em alguma &eacute;poca da Idade M&eacute;dia passou    a identificar-se tamb&eacute;m com os mortos e as obriga&ccedil;&otilde;es dos    enlutados, muito embora seu conte&uacute;do n&atilde;o fa&ccedil;a refer&ecirc;ncia    alguma aos falecidos ou ao luto. A recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I>    come&ccedil;a a ganhar apelo popular a partir do s&eacute;culo XVI, juntamente    o com desenvolvimento do pensamento cabal&iacute;stico, quando uma maior &ecirc;nfase    foi dada &agrave; conex&atilde;o dessa prece com a ascens&atilde;o da alma no    outro mundo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A <I>Kaddish</I> &eacute; considerada de vital    import&acirc;ncia para a cultura religiosa judaica. Ainda que recitada em aramaico,    a l&iacute;ngua falada pelos judeus na antiguidade &#151; para que todos, &agrave;    &eacute;poca, pudessem compreend&ecirc;-la &#151; a ora&ccedil;&atilde;o, nos    dias de hoje, n&atilde;o tem mais car&aacute;ter popular, mas sim um aspecto    m&aacute;gico e religioso muito forte. A constru&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria    da <I>Kaddish</I> adv&eacute;m do estilo da prosa-poema comum &agrave;s religi&otilde;es    em que os gestos em conjunto com as palavras &#151; isto &eacute;, os atos rituais    manuais e os atos rituais orais &#151; transformam-se em uma unidade de ritmo,    cad&ecirc;ncia, un&iacute;ssono, at&eacute; a repeti&ccedil;&atilde;o exaustiva    de elementos incompreens&iacute;veis, de tal maneira que a cren&ccedil;a em    sua efic&aacute;cia encontra-se em sua pr&oacute;pria estrutura mim&eacute;tica    e po&eacute;tica (Mauss 1979b). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A import&acirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o <I>Kaddish</I>    para a maioria dos religiosos judeus est&aacute; no seu car&aacute;ter mais    que humanit&aacute;rio, porque religioso, do cumprimento m&aacute;ximo da lei    divina das m<I>itzvot</I> (<I>deveres do cora&ccedil;&atilde;o</I>), ou seja:    do cumprimento solid&aacute;rio de gratid&atilde;o e da presta&ccedil;&atilde;o    obrigat&oacute;ria de respeito ao pr&oacute;ximo, como &uacute;ltima forma de    homenagem prestada aos membros da comunidade judaica. Assim, a <I>Kaddish</I>    evoca a ideia de que todos os judeus s&atilde;o especiais, n&atilde;o s&oacute;    enquanto indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m enquanto "povo eleito",    pois ao dizer "<I>Yitgadal</I>..." (exaltado...), todo judeu, at&eacute;    mesmo o n&atilde;o praticante, &eacute; evocado como parte integrante do todo,    da totalidade identit&aacute;ria do povo de Israel. Por isso tamb&eacute;m a    grandeza e a santidade reafirmada por meio do nome de Deus, o &Uacute;nico,    o Um (<I>Echad</I>), o Todo, o "Sem-Fim" (<I>Ein</I>-<I>Sof</I>).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <I>Kaddish</I>, que &eacute; normalmente recitada    pelos enlutados, possui dois tipos b&aacute;sicos diferenciados: um &eacute;    a <I>Kaddish Yatom</I>, do enlutado, mais curta e normalmente recitada pelos    enlutados para a ascens&atilde;o e conforto das almas; e o outro &eacute; a    <I>Kaddish Derabanan</I>, ou rab&iacute;nico, mais completa (que intercala no    meio da ora&ccedil;&atilde;o os dizeres "<I>al Yisrael"</I> (sobre    Israel). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ambas as formas de <I>Kaddish</I> s&atilde;o    invocadas universalmente. A <I>Kaddish Derabanan</I> &eacute; recitada n&atilde;o    apenas depois de profundo estudo erudito, explica&ccedil;&atilde;o ou nas formas    prescritas na <I>halachah</I>, como ap&oacute;s o estudo, disserta&ccedil;&atilde;o    ou explica&ccedil;&atilde;o homil&eacute;tica (lit&uacute;rgica) e de hist&oacute;rias    da <I>Torah</I> por judeus comuns, para os quais o estudo da se&ccedil;&atilde;o    di&aacute;ria do <I>Talmud</I> pode ser extremamente penoso. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A verdadeira fun&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I>    &eacute; ainda mais profunda. Ela estabelece a rela&ccedil;&atilde;o &#151;    a liga&ccedil;&atilde;o, no sentido pr&oacute;prio religioso (<I>religio</I>)    e social &#151; entre as gera&ccedil;&otilde;es (Lamm 1994:158). A recita&ccedil;&atilde;o    da <I>Kaddish</I> &eacute; a obriga&ccedil;&atilde;o, inalien&aacute;vel e intransfer&iacute;vel    do filho mais velho para com os pais mortos, um tributo estritamente pessoal.    Ao recit&aacute;-la em nome e mem&oacute;ria de seu pai, ele estabelece a extens&atilde;o    e a continuidade da rede de vida daquele indiv&iacute;duo que morreu, salvando-o    do esquecimento e de seu total desaparecimento nas "sombras da morte".    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tradicionalmente somente os filhos homens recitam    a <I>Kaddish;</I> as filhas s&atilde;o dispensadas por raz&otilde;es de ordem    pr&aacute;tica e religiosa. &Agrave;s mulheres s&atilde;o facultados os servi&ccedil;os    religiosos, assim como as ora&ccedil;&otilde;es obrigat&oacute;rias, uma vez    que a religiosidade est&aacute; contida nelas mesmas &#151; a religi&atilde;o    judaica &eacute; transmitida hereditariamente a partir da linhagem materna,    e n&atilde;o paterna, desde a &eacute;poca cl&aacute;ssica romana &#151;, cabendo    aos homens (pecadores) a obriga&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os religiosos.    A ordem pr&aacute;tica diz que a perda de uma pessoa da fam&iacute;lia necessita    de servi&ccedil;os dom&eacute;sticos femininos, tais como o cuidado com a casa    e outras tarefas que normalmente n&atilde;o s&atilde;o delegadas aos homens.    Atualmente, em algumas comunidades judaicas, a recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I>    pode ser feita por ambos os sexos (Kertzer 1992:96; Lamm 1994:149-150; Nulman    1993:184). Para tanto, a <I>Chevra Kaddisha</I> disp&otilde;e de um grupo    de mulheres (<I>shamashim</I>) para o atendimento exclusivo de outras mulheres    no ritual <I>taharah</I>, isto &eacute;, no ritual de purifica&ccedil;&atilde;o    e de prepara&ccedil;&atilde;o dos corpos para o sepultamento. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <I>Kaddish</I> serve como um marco, um ponto    sinalizador de um tempo ou de uma tarefa, como o estudo da <I>Torah</I>. Assim,    representa o final do tempo de vida do morto &#151; indicando uma passagem para    um outro estado do ser &#151; e, para os vivos, sinaliza tanto o final moment&acirc;neo    do ritual de sepultamento como tamb&eacute;m, para os enlutados, determinar&aacute;    (quando completarem-se os 12 meses judaicos) o final do per&iacute;odo de luto.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I> come&ccedil;a    exatamente ap&oacute;s o t&eacute;rmino do sepultamento. Por&eacute;m, para    os enlutados, o per&iacute;odo em que se deve recit&aacute;-la &eacute; recomendado,    pelo menos teoricamente, por um ano (12 meses), mesmo porque a alma ainda estaria    sob julgamento divino, o que coincide, mais uma vez, com o fato de ser essa    uma prece que marca o fim de uma etapa ou a passagem de um ciclo ou estado para    outro marcado em calend&aacute;rio, como uma nova vida, um novo <I>status</I>    social, ou um novo ano. Por&eacute;m, h&aacute; de se ressalvar que somente    para os sabidamente pecadores (como suicidas, criminosos, ap&oacute;statas,    prostitutas, etc) o per&iacute;odo exato de 12 meses &eacute; recomendado, porque    seria necess&aacute;rio o ciclo completo e todas as ora&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis.    No caso dos suicidas, a <I>Kaddish</I> &eacute; recitada pelos 12 meses em raz&atilde;o    de o morto haver cometido uma falta grave segundo as normas religiosas judaicas.    Para os sabidamente justos, apenas 11 meses ou um dia a menos antes de se completar    12 meses j&aacute; &eacute; o suficiente. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I> &eacute;    a demonstra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do valor daquele que faleceu, refletindo    um dos aspectos mais distintivos do pensamento judaico, o qual deu origem &agrave;    express&atilde;o proverbial "a mem&oacute;ria dos justos merece uma prece",    um dos epit&aacute;fios mais comuns entre os judeus. Por isso a <I>Kaddish</I>    possui aquele sentido do duplo, porque representa a parte diante do todo, representa    o indiv&iacute;duo diante do coletivo, n&atilde;o s&oacute; por colocar frente    a frente a individualidade e a coletividade, mas tamb&eacute;m por representar    o nome particular de um indiv&iacute;duo pelo nome coletivo de um grupo. Assim,    a continuidade da mem&oacute;ria e da vida do morto nada mais &eacute; do que    a continuidade e a sobreviv&ecirc;ncia do povo de Israel, da religi&atilde;o    judaica, de suas congrega&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora a <I>Kaddish</I> normalmente seja recitada    em todo servi&ccedil;o religioso (nunca dentro das sinagogas), pela manh&atilde;    e pela tarde, no <I>sabbath</I>, em dias de jejum e em outras festas religiosas,    os enlutados devem tomar cuidado para n&atilde;o desrespeitar algumas regras,    como, por exemplo, a presen&ccedil;a do <I>quorum</I> m&iacute;nimo, o <I>minyan,</I>    ou seja, no m&iacute;nimo dez homens judeus com mais de 13 anos de idade (aqueles    que, portanto, j&aacute; tenham passado pelo ritual de <I>bar mitzvah</I>) para    que se possa recit&aacute;-la. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nota-se, por meio da <I>Kaddish</I>, a duplicidade    de sentido das preces, pois transitam entre a esfera do secular, do pr&aacute;tico    e do pol&iacute;tico-social e a esfera do et&eacute;reo e do m&aacute;gico-religioso;    assim como entre os aspectos individuais e universais, entre o p&uacute;blico    e o privado, pois ela deve ser recitada por um filho em mem&oacute;ria de seu    pai, tal n&atilde;o podendo ser feito de forma privada ou isoladamente. Esse    ato religioso deve ser praticado em p&uacute;blico, na presen&ccedil;a de v&aacute;rias    outras pessoas. Nesse contexto, a <I>Kaddish</I> apresenta-se como um ato perform&aacute;tico    de car&aacute;ter comunit&aacute;rio, ou de <I>communitas</I> (Turner 1974),    pois s&oacute; deve ser recitada, como j&aacute; mencionado, na presen&ccedil;a    de um <I>minyan</I>. Al&eacute;m disso, deve ser recitada pelos presentes, palavra    por palavra, para que todos, ao mesmo tempo, possam responder <I>amen</I> e    <I>ieh&ecirc; shem&ecirc; rab&aacute;</I> ("seja seu grande nome...").    Refor&ccedil;a-se a ideia ou fun&ccedil;&atilde;o social da <I>Kaddish</I> porque    acaba por unir, reunir ou religar as pessoas a partir dessa exig&ecirc;ncia    religiosa em momentos dif&iacute;ceis, traum&aacute;ticos e emotivos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><B>4. As palavras e as preces: esquecimento e    mem&oacute;ria </B> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diz-se que, com a observ&acirc;ncia da <I>Kaddish</I>,    haveria como que um retorno &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o religiosa e &agrave;    unidade da comunidade judaica. Muito ao contr&aacute;rio da ideia de que essa    prece transformaria a f&eacute; judaica em uma "religi&atilde;o dos mortos",    sua observ&acirc;ncia demonstra que a mem&oacute;ria dos mortos tamb&eacute;m    contribui para estreitar os la&ccedil;os entre os vivos e para valorizar a vida.    Dessa maneira, jamais se ter&aacute; morrido em v&atilde;o (Fridlin 1993:78).    &Eacute; por essa raz&atilde;o que o autor afirma que o indiv&iacute;duo, para    o juda&iacute;smo, transforma-se em uma categoria de pensamento pela qual, sob    o ponto de vista religioso, devem passar o tempo, a hist&oacute;ria, a tradi&ccedil;&atilde;o    e as gera&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, mais uma vez, o aspecto ritual particular    e individualizante ressurge no pr&oacute;prio car&aacute;ter da prece <I>Kaddish,</I>    pois, apesar de possuir um apelo universal, ela s&oacute; &eacute; recitada    em mem&oacute;ria ou em nome de algu&eacute;m, a partir da santifica&ccedil;&atilde;o    no nome de Deus, o que marca definitivamente a duplicidade do pensamento religioso    judaico. Une-se o particular ao universal, notadamente em todos os aspectos    de suas pr&aacute;ticas funer&aacute;rias, seja por meio da reconstitui&ccedil;&atilde;o    de sua pr&oacute;pria trajet&oacute;ria hist&oacute;rica, seja nas concep&ccedil;&otilde;es    m&iacute;sticas do cuidado com o corpo e a alma. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim como na prece <I>Tziduk Hadin</I>,    a <I>Kaddish</I> &eacute; uma declara&ccedil;&atilde;o coletiva de f&eacute;    religiosa que cont&eacute;m uma s&uacute;plica pela reden&ccedil;&atilde;o e    salva&ccedil;&atilde;o da alma. Portanto, se no meio da afli&ccedil;&atilde;o    provocada pela perda de um parente, quando surge a tend&ecirc;ncia de culpar    e rejeitar a Deus, ainda assim uma pessoa se levantar para expressar publicamente    essas palavras de f&eacute;, ent&atilde;o esse &eacute; um ato de grande m&eacute;rito    para a alma do falecido, por ter criado algu&eacute;m capaz de tal demonstra&ccedil;&atilde;o.    Quando a <I>Kaddish</I> &eacute; dita, o julgamento &eacute; facilitado e a    alma do morto ascende aos c&eacute;us. Portanto, suas palavras s&atilde;o como    que uma escada para a ascens&atilde;o da alma (<I>neshamah</I>). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse pensamento m&aacute;gico, notadamente professado    entre os m&iacute;sticos <I>merkavah</I> (carruagem ou trono) e os m&iacute;sticos    <I>hekalot</I> (pal&aacute;cio celestial), do final do s&eacute;culo II at&eacute;    o final do s&eacute;culo V da Era Crist&atilde;, &eacute; plenamente encontrado    na literatura m&iacute;stica e esot&eacute;rica como a <I>kabalah</I>, tem como    base a passagem b&iacute;blica da vis&atilde;o de Ezequiel do ju&iacute;zo final    e assegura que, quando as pessoas acreditam e professam socialmente a mem&oacute;ria    positiva de um morto, "pela justi&ccedil;a que praticou, viver&aacute;"    (Ezequiel, 18:22), e, dessa forma, ascender&aacute; aos c&eacute;us. Al&eacute;m    da <I>Kaddish</I> cumprir seu papel m&aacute;gico e religioso, cumpre tamb&eacute;m    fun&ccedil;&atilde;o social (coletiva) e psicol&oacute;gica (individual). Assim,    assume seu lugar de ordem pragm&aacute;tica porque reorganiza a vida em comunidade,    ao mesmo tempo em que consola os enlutados. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <I>Kaddish</I> constitui tamb&eacute;m uma    parte integral e vital das ora&ccedil;&otilde;es judaicas di&aacute;rias. Estrategicamente    encontrada em certos pontos das ora&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, serve    como um ponto demarcat&oacute;rio para as atividades religiosas de diversas    maneiras. Essa prece de santifica&ccedil;&atilde;o aparece nos servi&ccedil;os    religiosos tradicionais 13 vezes e &eacute; recitada para marcar a passagem    de se&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os ou ao final de cada ora&ccedil;&atilde;o    maior e espec&iacute;fica. Dessa forma, a <I>Kaddish</I> &eacute; uma ora&ccedil;&atilde;o    de passagem, de transi&ccedil;&atilde;o, mesmo dentro da liturgia, ou mesmo    como um sinal de conclus&atilde;o de alguma tarefa. Por isso ela &eacute; recitada    ap&oacute;s o estudo da <I>Torah</I> ou do <I>Talmud</I>, logo ap&oacute;s o    sepultamento de uma pessoa no cemit&eacute;rio, ao t&eacute;rmino do per&iacute;odo    de luto, e depois anualmente a cada anivers&aacute;rio de morte de cada pessoa.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De maneira semelhante, a <I>Kaddish</I> dos enlutados    &eacute; recitada por todos os indiv&iacute;duos judeus e n&atilde;o apenas    por religiosos fervorosos. Mesmo para aqueles que foram ignorantes ou pecadores,    deve-se demonstrar honra e respeito atrav&eacute;s da recita&ccedil;&atilde;o    em sua mem&oacute;ria. Todo enlutado deve recit&aacute;-lo, n&atilde;o importa    qual seja seu <I>status</I> social ou religioso, ou suas convic&ccedil;&otilde;es    religiosas pessoais. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa pr&aacute;tica &eacute; dever e privil&eacute;gio    comum de todo judeu, uma vez que se presume que cada um &eacute;, <I>a priori</I>,    um homem justo e merecedor de uma prece de s&uacute;plica e de mem&oacute;ria    votiva. Pode-se inferir, por tal motivo, que a suspens&atilde;o da <I>Kaddish</I>    n&atilde;o &eacute; meramente uma demonstra&ccedil;&atilde;o exterior de respeito,    mas possui um efeito m&aacute;gico positivo. Quando socialmente declamado que    o falecido tenha sido uma pessoa justa durante sua vida terrena, isso certamente    ajudar&aacute; a neutralizar qualquer julgamento celestial negativo e, consequentemente,    o castigo divino, de modo que a alma daquele que partiu possa ascender &agrave;s    mais altas esferas do para&iacute;so. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O costume de concluir a <I>Kaddish</I> um m&ecirc;s    inteiro antes do <I>yahrzeit</I> enfatiza a forte cren&ccedil;a na efic&aacute;cia    das a&ccedil;&otilde;es e especialmente das palavras contidas nas ora&ccedil;&otilde;es,    no sentido de ajudar a alma a conseguir, o mais rapidamente poss&iacute;vel,    seu lugar no para&iacute;so. A tradi&ccedil;&atilde;o religiosa judaica determina    que se comece a recitar a <I>Kaddish</I> a partir do sepultamento, continuando    at&eacute; a conclus&atilde;o do d&eacute;cimo primeiro m&ecirc;s de luto. O    dia exato em que o enlutado parar de dizer a <I>Kaddish</I> depende da diferen&ccedil;a    de costumes, tradi&ccedil;&otilde;es e das orienta&ccedil;&otilde;es religiosas    recebidas, geralmente de consultas com o rabino de sua congrega&ccedil;&atilde;o.    O h&aacute;bito, comumente aceito, &eacute; concluir a recita&ccedil;&atilde;o    um dia antes de terminar o per&iacute;odo de onze meses judaicos ap&oacute;s    o sepultamento. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m do costume acima referido, h&aacute;    outros que prescrevem que a recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I> deve ser    conclu&iacute;da apenas uma semana ou um dia antes do fim do ano &#151; <I>Yahrzeit,    </I>do primeiro anivers&aacute;rio de morte ou da ascens&atilde;o revelada (Slavsky    1997:123-6). Esse costume parece potencializar os bons efeitos da prece. Ao    afirmar os m&eacute;ritos daquele que partiu para que sua alma possa elevar-se    ao para&iacute;so, essa ora&ccedil;&atilde;o cumpre seu papel de elo, ou <I>religio</I>    entre as s&uacute;plicas dos vivos e a justi&ccedil;a divina. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora pare&ccedil;a paradoxal, h&aacute; tamb&eacute;m    o costume de recitar a <I>Kaddish</I> no dia do <I>yahrzeit</I> e a cada anivers&aacute;rio    de morte, uma vez tendo conclu&iacute;do o per&iacute;odo formal de luto (pelas    raz&otilde;es positivas explicadas anteriormente). Neste sentido pode-se inferir    que o prop&oacute;sito da <I>Kaddish</I> anual &eacute; efetuar a ascens&atilde;o    do esp&iacute;rito a n&iacute;veis mais elevados, o que implicaria em um per&iacute;odo    mais longo do julgamento da alma. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se o prop&oacute;sito da <I>Kaddish</I> &eacute;    aliviar o julgamento da alma (<I>neshamah</I>), a raz&atilde;o pela qual &eacute;    deixada de ser dita aos onze meses, quando necessariamente deveria ser recitada    ao completar um ano de falecimento, &eacute; a cren&ccedil;a de que ela ajuda    apenas a salvar a alma do julgamento negativo e do <I>sheol</I> (mundo inferior)    que s&oacute; acontece depois de doze meses. Ent&atilde;o, para o justo, n&atilde;o    h&aacute; a necessidade de recit&aacute;-la at&eacute; o final do per&iacute;odo    de luto. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O benef&iacute;cio da <I>Kaddish</I> &eacute;    conduzir a alma para o <I>gan eden</I> e ajudar a elev&aacute;-la, de n&iacute;vel    em n&iacute;vel, at&eacute; chegar ao para&iacute;so, de maneira similar ao    processo que iniciamos pelo <I>tzadik </I>e ainda antes de se completar um ano    ap&oacute;s o sepultamento. A diferen&ccedil;a &eacute; que o <I>tzadik</I>    &eacute; capaz de elevar-se imediata e muito abertamente, enquanto que para    os outros trata-se de um processo lento. O efeito da <I>Kaddish</I> permanece    oculto e a ascens&atilde;o n&atilde;o se efetua at&eacute; depois dos onze meses,    quando o per&iacute;odo de julgamento &eacute; encerrado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; interessante notar que h&aacute; outras    &aacute;reas em que a associa&ccedil;&atilde;o do mundano com o espiritual,    ou do mundo inferior com o mundo superior, acrescenta for&ccedil;a ao &uacute;ltimo.    Filosoficamente, essa simbiose encontra sua fonte na <I>Torah</I> e nas <I>mitzvot</I>    e est&aacute; inclu&iacute;da na ordem do desenvolvimento dos mundos. O mesmo    princ&iacute;pio se aplica no caso do <I>Kaddish</I>: para salvar a alma do    judeu humilde, essa prece precisa ser invocada. Pode-se aplicar a analogia ao    fen&ocirc;meno da <I>Kaddish</I>, pois &eacute; uma forma de boa a&ccedil;&atilde;o    simples e b&aacute;sica para a alma &#151; redimindo-a do castigo. A alma pecadora    &eacute; elevada apenas pelo pronunciamento da palavra "<I>yitgadal</I>...".    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora os costumes e pr&aacute;ticas do <I>yahrzeit</I>    de doze meses sejam geralmente associados aos assuntos de luto, a ascens&atilde;o    da alma efetuada pelo <I>Kaddish</I> recitado ao fim do d&eacute;cimo segundo    m&ecirc;s &eacute; substancial e muito mais elevada do que meramente ser salva    do julgamento; pois, no caso, os aspectos negativos s&atilde;o removidos, permitindo    que a alma suba de n&iacute;vel no <I>gan Eden</I> (jardim do &eacute;den) e    se aque&ccedil;a na gl&oacute;ria da presen&ccedil;a divina (<I>shechinah</I>).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se a <I>Kaddish</I> efetua a ascens&atilde;o    da alma do falecido e minimiza seu julgamento, deixar de recit&aacute;-la ap&oacute;s    onze meses &eacute; uma quest&atilde;o de respeito para com a alma que partiu,    especialmente em se tratando de um <I>tzadik</I>, uma vez que o prop&oacute;sito    da <I>Kaddish</I> &eacute; unicamente positivo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para os judeus m&iacute;sticos, a <I>Kaddish</I>    gera mudan&ccedil;as na ordem do mundo f&iacute;sico, porque n&atilde;o eleva    apenas a alma do morto, mas tamb&eacute;m a de quem a pronuncia e as dos que    a ouvem, especialmente aqueles que respondem: <I>am&eacute;m. </I>Para todas    essas pessoas que participam do ritual oral, um novo est&aacute;gio come&ccedil;a    tanto na esfera f&iacute;sica como na ordem espiritual. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, todos recebem uma nova for&ccedil;a    atrav&eacute;s do processo de eleva&ccedil;&atilde;o da alma ao fim do per&iacute;odo    de luto e isso refor&ccedil;a o sentido coletivo do juda&iacute;smo e a religiosidade    por meio do cumprimento das <I>mitzvot</I>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na <I>Kaddish</I> diz-se: "santificado e    glorificado seja Seu grande nome", o que significa que essa prece &eacute;    a santifica&ccedil;&atilde;o do nome. Do nome de Deus, do nome daquele que morreu,    do nome do povo de Israel e especialmente da pr&oacute;pria palavra, do pr&oacute;prio    verbo. Assim, todos os nomes se confundem. A <I>Kaddish</I> &eacute; a glorifica&ccedil;&atilde;o    e a santifica&ccedil;&atilde;o do nome de Deus em suas v&aacute;rias formas,    at&eacute; a sua completa volatiliza&ccedil;&atilde;o, e cont&eacute;m em si    todos os nomes e os nomes daqueles que Nele existem. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A alus&atilde;o &agrave; ascens&atilde;o das    almas no texto e nas palavras da <I>Kaddish</I> pode ser observada a partir    da evoca&ccedil;&atilde;o do nome de Deus: "<I>yitgadal..."</I> &#151;    exaltado e santificado seja o Seu grande nome..., de acordo com o livro de ora&ccedil;&otilde;es    da semana, o <I>Siddur</I>. Em ess&ecirc;ncia, efetua-se um aumento (por assim    dizer) na grandeza e na santidade do nome de Deus: "que Seu grande nome    seja aben&ccedil;oado...". Por meio da recita&ccedil;&atilde;o da <I>Kaddish</I>    efetua-se uma ben&ccedil;&atilde;o em nome de Deus, por meio da glorifica&ccedil;&atilde;o    de Seu nome. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como dito anteriormente, a tradi&ccedil;&atilde;o    religiosa judaica, a exemplo do que acontece nas preces e ora&ccedil;&otilde;es,    prescreve e restringe o emprego do(s) nome(s) de Deus. Como mencionado no in&iacute;cio    deste artigo, o nome de Deus &#151; Y<I>HWH</I>, que, por ser apenas um s&iacute;mbolo,    n&atilde;o possui pronuncia exata e &eacute; comumente traduzido por <I>Adonai</I>,    <I>Elohim</I>, <I>Shadai</I> ou simplesmente o Nome, Ele, o Duplo Nome, ou o    Grande Nome (An-Ski 1988:71), nunca deve ser proferida pelos judeus. O pensamento    m&iacute;stico judaico atribui a todos esses nomes um poder m&aacute;gico capaz    de operar grandes milagres, quando devidamente combinados e empregados, assim    como as dez <I>sefirot</I> correspondem aos dez nomes divinos, <I>Ehieh, Ihwh,    Elohim, El, Iah, Ihwh Elohim, Ihwh Tzvaot, Elohim tzvaot, El Chai Shadai, Adonai</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sendo que o nome de Deus nunca &eacute; apenas    o significado e nem mesmo o significante. Acredita-se que a invoca&ccedil;&atilde;o    literal de Seu nome pode desencadear for&ccedil;as perigosas e incontrol&aacute;veis,    qualquer sentido dado pode modificar radicalmente os objetivos da prece, pois    se <I>Echad</I> significa o "Um", seu mau uso n&atilde;o se torna    apenas uma blasf&ecirc;mia, como pode, energicamente, desestruturar a "composi&ccedil;&atilde;o    dos mundos" e o universo inteiro. Por essa raz&atilde;o outras formas e    artif&iacute;cios, como o tetragrama (YHWH), s&atilde;o necess&aacute;rios para    ocultar e proteger o nome de Deus e invoc&aacute;-lo de maneira obl&iacute;qua,    al&eacute;m de trazer a ora&ccedil;&atilde;o/prece para dentro de limites bem    definidos e control&aacute;veis. Esse modo alusivo de evoca&ccedil;&atilde;o    difere radicalmente do modo da significa&ccedil;&atilde;o, porque o significante    se coloca em bela aus&ecirc;ncia, dispers&atilde;o e morte do significado. O    nome de Deus, ent&atilde;o, aparece como um eclipse de sua pr&oacute;pria destrui&ccedil;&atilde;o.    Do modo sacrificial, &eacute; exterminado em seu sentido literal. Assim, no    contexto da prece, o nome de Deus s&oacute; existe para ser aniquilado, extinguido,    volatilizado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, a quest&atilde;o da volatiliza&ccedil;&atilde;o,    do esvanecimento e do desaparecimento do nome de Deusn&atilde;o passa, de certa    maneira, de uma interpreta&ccedil;&atilde;o conjectural, ainda que outros pensadores,    como Freud (1997:37), levantem a possibilidade desse tipo de prescri&ccedil;&atilde;o    (ou proibi&ccedil;&atilde;o da pron&uacute;ncia dos nomes de Deus) ter sido    sistematicamente imposta a partir do aparecimento e da utiliza&ccedil;&atilde;o    livre de nomes pessoais te&oacute;foros, ou seja, nomes pessoais compostos a    partir do nome ou nomes de Deus, tais como: Jeov&aacute;, Jav&eacute;, Iav&eacute;    ou Jos&eacute;, banalizando sua import&acirc;ncia cerimoniosa. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das primeiras caracter&iacute;sticas do juda&iacute;smo,    em compara&ccedil;&atilde;o com algumas outras religi&otilde;es n&atilde;o ocidentais,    &eacute; a de ter adotado um monote&iacute;smo exclusivista em grande escala.    H&aacute; a cren&ccedil;a em apenas um e &uacute;nico Deus, o qual &eacute;    onipresente, onipotente e onisciente. Ali&aacute;s, antes da ado&ccedil;&atilde;o    do nome de Jav&eacute; ou Jeov&aacute;, nomes pessoais colados a um sujeito    singular, o primeiro nome de Deus, <I>Elohim</I>, possui paradoxalmente a concep&ccedil;&atilde;o    arcaica do duplo divino, uma vez que o nome cont&eacute;m em si a forma plural    "esp&iacute;ritos-deuses" (Morin 1997:206). Como professado nas palavras    da ora&ccedil;&atilde;o "<I>Shemah Yisrael, Adonai Eloh&ecirc;nu, Adonai    Echad</I>", cuja tradu&ccedil;&atilde;o &eacute;: "Ou&ccedil;a, Israel!    O Senhor &eacute; nosso Deus, o Senhor &eacute; Um" (Deuteron&ocirc;mio:    6). Sendo assim, Deus torna-se algo de extraordin&aacute;rio, muito acima da    capacidade e da imagina&ccedil;&atilde;o humana, sendo o seu aspecto mais do    que os olhos humanos podem suportar. Assim &eacute; que, para a doutrina judaica,    nenhuma imagem Dele deve ser feita ou at&eacute; mesmo o seu santo nome pronunciado    (Freud 1997:19). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O modelo de troca simb&oacute;lica acontece especialmente    no campo da linguagem, isto &eacute;, no poder metaf&oacute;rico das palavras,    em um espa&ccedil;o e tempo meramente discursivos. Nesse sentido, a teoria da    linguagem de Saussure (<I>apud</I> Baudrillard 1993:195) constitui uma descoberta    fundamental que faz aflorar o car&aacute;ter antag&ocirc;nico da forma de opera&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica da linguagem, para al&eacute;m das regras e conven&ccedil;&otilde;es    lingu&iacute;sticas, suas finalidades e seus axiomas, apontando para al&eacute;m    da opera&ccedil;&atilde;o estrutural da representa&ccedil;&atilde;o dos signos,    em dire&ccedil;&atilde;o oposta, rumo &agrave; desconstru&ccedil;&atilde;o do    signo e sua representa&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, tanto o objeto quanto    seu nome perdem significa&ccedil;&atilde;o concreta e passam a operar somente    no &acirc;mbito do abstrato. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na composi&ccedil;&atilde;o das preces e ora&ccedil;&otilde;es,    assim como na composi&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria de um poema, os elementos    fon&eacute;ticos encontram-se vinculados, geralmente, a uma palavra-tema. No    caso das preces e ora&ccedil;&otilde;es judaicas aqui apresentadas, um ou mais    versos cont&ecirc;m um anagrama de uma &uacute;nica palavra, em geral o pr&oacute;prio    nome de Deus, evitando a repeti&ccedil;&atilde;o de suas s&iacute;labas e dando-lhe    um uma exist&ecirc;ncia secund&aacute;ria e artificial, somada, assim por dizer,    &agrave; exist&ecirc;ncia original da palavra. Essa regra simples &eacute; repetida    de m&uacute;ltiplas maneiras at&eacute; a exaust&atilde;o, at&eacute; a alitera&ccedil;&atilde;o    ou esvaziamento de sentido, como &eacute; o caso do tetragrama YHWH. Por isso    &eacute; de pouca import&acirc;ncia utilizar aqui os conceitos de anagrama,    antigrama, hipograma, paragrama ou paratexto para designar essa complexa varia&ccedil;&atilde;o    e artif&iacute;cio lingu&iacute;stico elaborado, que permite perceber a presen&ccedil;a    de uma continua&ccedil;&atilde;o de fonemas. Assim, segundo Baudrillard (1993:197),    podemos utilizar o termo an&aacute;tema, o qual &eacute; originalmente equivalente    ao ex-voto, &agrave; oferta votiva, o nome divino correndo por entre ou debaixo    do texto, e para o qual o texto &eacute; consagrado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As teorias sobre o simbolismo erram quando dizem    que, quanto mais o homem deseja ser ele mesmo, um ser individual e &uacute;nico,    todos os outros que reconhece e nomeia passam a ser como v&aacute;rias partes    disjuntas (separadas) de um todo perdido ou distante daquilo que reconhece como    seu, sem nunca constitu&iacute;rem uma unidade, como met&aacute;foras de "seres    estranhos". Ao contr&aacute;rio, no caso dos rituais funer&aacute;rios    judaicos, seus preceitos e a observ&acirc;ncia dos costumes e das ora&ccedil;&otilde;es    indicam um retorno ao sentido de coletividade. As partes do corpo humano, com    suas fun&ccedil;&otilde;es, formam um todo que &eacute; o indiv&iacute;duo,    assim como os indiv&iacute;duos formam o corpo de sua coletividade. Ent&atilde;o    podemos ver que a quest&atilde;o de se chegar ao centro do valor epistemol&oacute;gico    desses s&iacute;mbolos est&aacute; resolvida, pois todos os membros perdidos    de forma alienada sempre voltam para o seu possuidor. Assim, toda a cria&ccedil;&atilde;o    volta ao Criador porque "Ele &eacute; Um e n&atilde;o h&aacute; unidade    como a Sua" &#151; <I>Yitgadal</I> (Kaplan 1992). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O ato simb&oacute;lico da recita&ccedil;&atilde;o    da <I>Kaddish</I> n&atilde;o est&aacute; de acordo com a "regra equivocada"    do simbolismo, a qual refor&ccedil;a a unidade individualizada dos seres ou    das coisas e sua restaura&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a aliena&ccedil;&atilde;o.    Na ressurrei&ccedil;&atilde;o da identidade religiosa, ao contr&aacute;rio,    est&aacute; sempre a volatiliza&ccedil;&atilde;o do nome, do significado, do    exterm&iacute;nio do termo, do desaparecimento em um todo &uacute;nico e abstrato,    sem retorno &agrave; individualiza&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; o que permite    a rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica e a troca simb&oacute;lica entre os    membros de uma mesma comunidade identit&aacute;ria apoiada nos rituais religiosos,    especialmente nas cerim&ocirc;nias funer&aacute;rias (cf. Baudrillard 1993),    pois como Deus n&atilde;o &eacute; um corpo nem qualquer outra entidade concreta,    nada que seja f&iacute;sico pode ser atribu&iacute;do a ele, assim como conceitos    tais como in&iacute;cio ou fim, posi&ccedil;&atilde;o ou tamanho, isto &eacute;,    tempo ou espa&ccedil;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para Baudrillard (1993), a lingu&iacute;stica    de Saussure primeiro desvenda essa regra que indica a redund&acirc;ncia do significado    e a frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncia de um fonema particular, o qual possui    uma efic&aacute;cia maior do que a linguagem comum e ordin&aacute;ria. Duplicando-se    e retornando a si mesmo, fechando-se como em um c&iacute;rculo, o significado    segue o mesmo movimento de reciprocidade na troca ritual de objetos (Mauss 1974b),    cancelando um ao outro o seu valor-uso e o seu valor-de-troca. Ao completar    o ciclo redundante resulta-se o vazio, o nada, de onde a intensidade da ora&ccedil;&atilde;o    fortalece os la&ccedil;os sociais e as rela&ccedil;&otilde;es de reciprocidade.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Da&iacute; a efic&aacute;cia da prece para Baudrillard    (1993), que n&atilde;o resulta apenas dessa rela&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica    de indu&ccedil;&atilde;o do pensamento refletido, caracter&iacute;stica pr&oacute;pria    de todo s&iacute;mbolo e de toda palavra imbu&iacute;da de poder metaf&oacute;rico.    O efeito adv&eacute;m, sobretudo, da capacidade de transforma&ccedil;&atilde;o    que ela provoca, em princ&iacute;pio nos termos de valor-fonema, sequencialmente    nos discursos e, por fim, nas pr&aacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es, especialmente    quando o fen&ocirc;meno da morte vem favorecer, no car&aacute;ter vol&aacute;til    das palavras, a dissolu&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es    concretas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa &eacute; a caracter&iacute;stica do pensamento    religioso, que muitos denominam herm&eacute;tico ou dogm&aacute;tico, pois possui    um fim em si mesmo, eliminando, por meio da volatiliza&ccedil;&atilde;o dos    pr&oacute;prios conceitos, seu objeto. Ou, novamente, eis a repeti&ccedil;&atilde;o    do processo que transforma o sujeito em objeto e vice-versa, aniquilando-se    os dois mutuamente, apagando sua pr&oacute;pria identidade. Somente neste ponto    &eacute; que o sujeito e o objeto s&atilde;o trocados. O pensamento religioso    est&aacute;, dessa forma, atado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o    do sagrado, por meio da sua repeti&ccedil;&atilde;o e redund&acirc;ncia, e da    reconstru&ccedil;&atilde;o do mesmo objeto at&eacute; sua total dissolu&ccedil;&atilde;o,    seu desaparecimento, ou seja, sua volatiliza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao recriar e repetir infinitamente o(s) nome(s)    de Deus, eliminam-se o paradoxo da morte e tudo aquilo que ela representa, o    caos a desordem e o completo desaparecimento. Aqui reside um fato antropol&oacute;gico    importante a ser ressaltado: na "exalta&ccedil;&atilde;o" e repeti&ccedil;&atilde;o    dos nomes de Deus, dando-se a import&acirc;ncia inclusive ao nome do morto gravado    em sua pedra tumular, as preces rememorativas ou votivas resistem ao tempo e    ao processo de volatiliza&ccedil;&atilde;o e, portanto, superam o esquecimento.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por isso a prece ou ora&ccedil;&atilde;o torna-se    comum a princ&iacute;pio, j&aacute; que correntemente aceita pela comunidade    e, depois, pela exaust&atilde;o, torna-se uma met&aacute;fora em si mesma, composta    por palavras "mortas", mas, ao mesmo tempo, por s&iacute;mbolos que    buscam a materialidade, a perpetuidade e a continuidade das coisas e dos sentimentos    na vida e para al&eacute;m dela. Mesmo porque possuem, como caracter&iacute;stica    b&aacute;sica, a repeti&ccedil;&atilde;o e a estabilidade. Por isso um s&iacute;mbolo    n&atilde;o morre. Apenas se transforma, com o passar do tempo, este naquele    e aquele neste. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As principais preces e ora&ccedil;&otilde;es    judaicas ditas durante o sepultamento e ao longo do per&iacute;odo de luto (<I>avelut</I>)    pelo enlutado (<I>avel</I>), como especialmente a <I>Kaadish</I>, remetem a    considera&ccedil;&otilde;es mais profundas quanto ao significado de suas palavras    e sua composi&ccedil;&atilde;o e recita&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade pragm&aacute;tica que possuem,    ao reafirmarem tradi&ccedil;&otilde;es, refor&ccedil;arem dogmas religiosos    e organizarem ritualmente o tempo e o espa&ccedil;o; mas, sobretudo, com rela&ccedil;&atilde;o    ao estilo liter&aacute;rio, muito pr&oacute;ximo &agrave; linguagem po&eacute;tica,    carregado de refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas e metaf&oacute;ricas que marcam    o sentido antag&ocirc;nico das palavras m&aacute;gicas porque excluem e reintegram,    dissolvem e condensam, expressando, assim, o duplo sentido e a tens&atilde;o    dualista entre o universal e o particular, entre o indiv&iacute;duo e o coletivo,    entre o concreto e o abstrato, entre o que resiste ao desaparecimento e que    dissolve, entre a mem&oacute;ria e o esquecimento. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><B>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</B></foNt></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">AN-SKI, Sch. (1988), <I>O Dibuk</I>. S&atilde;o    Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0100-8587201000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">AUSTIN, J. L. (1975), <I>How to do things with    words</I>. Cambridge: Harvad University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0100-8587201000010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BAUDRILLARD, Jean. (1993), <I>Symbolic Exchange    and Death</I>. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0100-8587201000010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BUBER, Martin. (1987), <I>Sobre Comunidade</I>.    S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0100-8587201000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DOUGLAS, Mary. (1986), <I>How Institutions Think</I>.    Syracuse: Syracuse University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0100-8587201000010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DURKHEIM, &Eacute;mile. (1989), <I>As Formas    Elementares de Vida Religiosa</I>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Paulinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0100-8587201000010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">FREUD, Sigmund. (1997), <I>Mois&eacute;s e o    Monote&iacute;smo</I>. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0100-8587201000010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">FRIDLIN, Jairo (Org.). (1990), <I>Sidur da Semana</I>.    S&atilde;o Paulo: Press Grafic.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0100-8587201000010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">________. (1993), <I>Minch&aacute; e Arvit</I>.    S&atilde;o Paulo: Press Grafic.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0100-8587201000010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">JACOBS, Louis. (1992), <I>Religion and the Individual:    A Jewish Perspective</I>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0100-8587201000010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">KAPLAN, Aryeh (1992), <I>Princ&iacute;pios de    Maim&ocirc;nides: Os fundamentos da f&eacute; judaica</I>. S&atilde;o Paulo:    S&ecirc;fer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0100-8587201000010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">KERTZER, Morris N. (Rabbi). (1992), <I>What is    a Jew? </I>New York: Collier Books, 4&#170; ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0100-8587201000010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LAMM, Maurice. (1989), <I>The Jewish Way in Death    and Mourning</I>. New York: Jonathan David Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0100-8587201000010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">________. (1994), <I>The Jewish Way in Death    and Mourning.</I> New York: Jonathan David Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0100-8587201000010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">L&Eacute;VI-STRAUSS, Claude. (1989), <I>Antropologia    Estrutural.</I> Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0100-8587201000010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MAIM&Ocirc;NIDES, Moses. (1994), <I>Tratado Sobre    a Ressurrei&ccedil;&atilde;o</I>. S&atilde;o Paulo: Maayanot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0100-8587201000010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MAUSS, Marcel. (1979a), "A Prece".    In: R. Cardoso de Oliveira (Org.), <I>Mauss</I>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0100-8587201000010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">________. (1979b), "Categorias Coletivas de Pensamento    e Liberdade". In: R. Cardoso de Oliveira (org.). <I>Mauss</I>. S&atilde;o Paulo:    &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0100-8587201000010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MORIN, Edgar. (1997), <I>O Homem e a Morte</I>.    Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0100-8587201000010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">NULMAN, Nancy. (1993), <I>The Encyclopedia of    Jewish Prayer.</I> New Jersey: Jeson Aronson Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0100-8587201000010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PIERCE, Charles Sanders. (1977), <I>Semi&oacute;tica</I>.    S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0100-8587201000010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">RAMAGEM, S&ocirc;nia Bloomfield. (1994), <I>A    f&ecirc;nix de Abra&atilde;o</I>. Bras&iacute;lia: Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0100-8587201000010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SLAVSKY, Leonor. (1993), <I>La Espada Encendida:    Un estudio sobre la muerte y la identidad &eacute;tnica en el juda&iacute;smo</I>.    Buenos Aires: Mila.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0100-8587201000010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">STEINSALTZ, Adin. (1992), <I>A Rosa de Treze    P&eacute;talas</I>. S&atilde;o Paulo: Maayanot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0100-8587201000010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">TURNER, Victor. (1974), <I>O Processo Ritual</I>.    Petr&oacute;polis: Vozes</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S0100-8587201000010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">________ (1987), "Body, Brain and Culture". <I>The    Anthropology of Performance</I>. Vol. 10, n&#186; 2: 26-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0100-8587201000010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ZUCHIWSCHI, Jos&eacute;. (1998), <I>De Corpo    e Alma: A dualidade no pensamento religioso judaico e sua implica&ccedil;&atilde;o    nas pr&aacute;ticas funer&aacute;rias.</I> Bras&iacute;lia: DAN/Universidade    de Bras&iacute;lia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0100-8587201000010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><B>Notas</B></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt1"></a><a href="#tx1">1</a>    O conceito de primeiridade utilizado aqui refere-se &agrave; caracter&iacute;stica    dos &iacute;cones, os quais, segundo Pierce (1977), representam a si mesmos,    o que lhe confere a qualidade de signos.    <br>   <a name="nt2"></a><a href="#tx2">2</a>    <I>Ashkenazim</I> s&atilde;o judeus de origem europeia, enquanto os <I>sefaradim</I>    s&atilde;o judeus de origem mediterr&acirc;nica e ib&eacute;rica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em abril de 2009.    <br>   Aprovado em mar&ccedil;o de 2010.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Jos&eacute; Zuchiwschi </b>(<a href="mailto:josez@terra.com.br">josez@terra.com.br</a>)    <br>   Doutor em Antropologia Cultural pela Universidade    de Bras&iacute;lia - UnB.</font></p>      ]]></body><back>
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