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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reiterando o pacto: história, teologias políticas cristãs e a religião civil americana em uma era de multiculturalismo e império]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Forty years ago, amidst the Cold War, Robert Bellah concluded his famous article on civil religion in America with the following question: how to conceive the applicability of the core values that undergird United States' imagined community beyond the territorial limits of its nation-state? The current article intends to revisit this important question critically while referring it to recent global regulatory incursions performed by the USA on the field of religious freedom. First, I review the history of the relationship among secularism, national identity and Christianity in America. Secondly, I analyze the political and religious negotiations that give birth to the International Freedom of Religion Act (IRFA), in 1998. As a conclusion, I stress how this exercise might offer broader contributions to debates on the mutual orientation of religion, nationalism and secular power in contemporaneity, with an emphasis on the relationship between these and the principle of sovereignty.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="1b"></a><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Reiterando o pacto: hist&oacute;ria, teologias pol&iacute;ticas crist&atilde;s e a religi&atilde;o civil americana em uma era de multiculturalismo e imp&eacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Reenacting the covenant: America's civil religion and christian political theologies in an imperial age</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bruno Reinhardt<a href="#1a"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; 40 anos, em plena Guerra Fria, Robert Bellah concluiu seu c&eacute;lebre artigo sobre a religi&atilde;o civil americana com a seguinte pergunta: como conceber a aplicabilidade leg&iacute;tima dos valores-chave que suportam o imagin&aacute;rio nacional americano para al&eacute;m dos confins territoriais do seu Estado-na&ccedil;&atilde;o? O presente artigo quer revisitar esta quest&atilde;o criticamente &agrave; luz de incurs&otilde;es regulat&oacute;rias recentes dos EUA sobre o campo da liberdade religiosa no globo. Primeiramente, reviso a hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o entre secularismo, identidade nacional e cristianismo nos EUA. A seguir, analiso as articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-religiosas que d&atilde;o origem ao <i>International Freedom of Religion Act</i> (IRFA), em 1998. Por fim, tento destacar como este exerc&iacute;cio pode fornecer contribui&ccedil;&otilde;es mais gerais para o estudo da rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o, nacionalismo e poder secular na contemporaeidade, com &ecirc;nfase na rela&ccedil;&atilde;o entre estes e o princ&iacute;pio de soberania do estado de direito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b> cristianismo, religi&atilde;o civil.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Forty years ago, amidst the Cold War, Robert Bellah concluded his famous article on civil religion in America with the following question: how to conceive the applicability of the core values that undergird United States' imagined community beyond the territorial limits of its nation-state? The current article intends to revisit this important question critically while referring it to recent global regulatory incursions performed by the USA on the field of religious freedom. First, I review the history of the relationship among secularism, national identity and Christianity in America. Secondly, I analyze the political and religious negotiations that give birth to the International Freedom of Religion Act (IRFA), in 1998. As a conclusion, I stress how this exercise might offer broader contributions to debates on the mutual orientation of religion, nationalism and secular power in contemporaneity, with an emphasis on the relationship between these and the principle of sovereignty. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> christianity, America's civil religion.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A no&ccedil;&atilde;o de religi&atilde;o civil, assim como revisitada por Robert Bellah (1970), &eacute; provavelmente a mais amplamente reconhecida reflex&atilde;o contempor&acirc;nea sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o, identidade nacional e pol&iacute;tica nos EUA. O termo designa e fornece uma abordagem funcional para o apego da popula&ccedil;&atilde;o local aos valores republicanos e &agrave; historia da sua incorpora&ccedil;&atilde;o em solo nacional, qualidade acessada por Bellah principalmente atrav&eacute;s da linguagem carregada de teor teol&oacute;gico que caracteriza a pol&iacute;tica partid&aacute;ria naquele pa&iacute;s<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>. De acordo com o c&eacute;lebre artigo, os axiomas pol&iacute;tico-teol&oacute;gicos que sustentam o imagin&aacute;rio da religi&atilde;o civil americana s&atilde;o: i) os valores formativos dos Estados Unidos (tais como liberdade, igualdade e justi&ccedil;a) t&ecirc;m uma base transcendental; ii) a soberania da na&ccedil;&atilde;o norte-americana &eacute; atribu&iacute;da, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a Deus, situando-se al&eacute;m da vontade geral e de outros centros discursivos t&iacute;picos da modernidade secular; e iii) os EUA s&atilde;o respons&aacute;veis por portar este desejo providencial de Deus na terra (Bellah 1970:171-2). Bellah adiciona &agrave; cr&iacute;tica republicana de Rousseau ao individualismo liberal uma hipostazia&ccedil;&atilde;o tipicamente durkheimiana do social quando postula a exist&ecirc;ncia de uma energ&eacute;tica religi&atilde;o secular na Am&eacute;rica, que sustentaria a sua vida pol&iacute;tica sobre valores absolutos e mission&aacute;rios. Assim, a religi&atilde;o civil encontraria seu <i>corpus</i> escrito na Constitui&ccedil;&atilde;o e na Declara&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia e sua linhagem prof&eacute;tica nos <i>founding fathers</i> e em outras personalidades carism&aacute;ticas da historia pol&iacute;tica local. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Bellah, a religi&atilde;o civil americana passou pela prova de fogo de dois julgamentos hist&oacute;ricos, a Independ&ecirc;ncia e a Guerra Civil, tendo sido internamente afetada por ambos. A rara alian&ccedil;a entre for&ccedil;as iluministas e puritanas no momento da Independ&ecirc;ncia estimula um forte compromisso com a no&ccedil;&atilde;o de "liberdade religiosa", enquanto o sangrento acerto de contas com a quest&atilde;o da escravid&atilde;o na Guerra Civil gera o progressivo alargamento e refor&ccedil;o dos seus ideais humanistas e universalistas. Bellah prossegue argumentando que, desde os anos 1960, a religi&atilde;o civil estaria vivendo um terceiro momento cr&iacute;tico com o fim da segrega&ccedil;&atilde;o racial, que levaria a cabo o processo curativo iniciado pela Guerra Civil,  assim como com o pleno estabelecimento dos EUA enquanto pot&ecirc;ncia mundial. O problema central posto pelo &uacute;ltimo fen&ocirc;meno seria o de como aplicar ou adaptar os princ&iacute;pios da religi&atilde;o civil americana, dotados de uma historicidade particular e gestados a partir de uma agenda marcadamente dom&eacute;stica, a um contexto internacional, regulado para al&eacute;m dos limites do princ&iacute;pio da soberania. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo &eacute; uma tentativa de recuperar a interessante quest&atilde;o originalmente levantada por Bellah, em 1967, ao abord&aacute;-la &agrave; luz da contemporaneidade. Uma mir&iacute;ade de importantes mudan&ccedil;as afetaram o globo desde quando o soci&oacute;logo norte-americano expressou sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a adaptabilidade da religi&atilde;o civil a uma escala internacional, a mais importante delas sendo o surgimento de uma ordem propriamente global com o fim da Guerra Fria, levando a um problem&aacute;tico pluralismo, onde os EUA n&atilde;o raramente asseguram todas as prerrogativas. Adicionando complexidade a este arranjo, pode-se ver o estabelecimento de um novo momento no pr&oacute;prio projeto secular, em que a religi&atilde;o volta &agrave; tona de modo robusto, tanto como objeto, quanto como fonte de discurso. Tal din&acirc;mica pode ser observada em ao menos dois est&aacute;gios paradigm&aacute;ticos: primeiramente, na "desprivatiza&ccedil;&atilde;o" da religi&atilde;o observada por Casanova (1994) desde os anos 80 e, finalmente, no contexto p&oacute;s-11 de Setembro, marcado pelo aquecimento das tens&otilde;es entre o Ocidente e o mundo isl&acirc;mico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, com o intuito de propriamente endere&ccedil;ar-me &agrave; quest&atilde;o levantada por Bellah, sou tamb&eacute;m obrigado a redefinir a pr&oacute;pria base conceitual e hist&oacute;rica que nela des&aacute;gua, ao mesmo tempo evitando seu tom normativo e, em algumas passagens, abertamente laudat&oacute;rio<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>. A mais urgente dessas mudan&ccedil;as me parece ser a necessidade de se incluir o espec&iacute;fico jogo de linguagem da religi&atilde;o civil americana na forma de vida englobante representada pelo secularismo norte-americano, logo recuperando algumas transi&ccedil;&otilde;es, tens&otilde;es e modos de coabita&ccedil;&atilde;o que caracterizaram a rela&ccedil;&atilde;o entre grupos religiosos propriamente ditos e o Estado-na&ccedil;&atilde;o ao longo da hist&oacute;ria daquele pa&iacute;s. Bellah leva a frente um projeto altamente seletivo, j&aacute; que confessamente interessado em dissociar um n&uacute;cleo "puro" de religiosidade civil de poss&iacute;veis "distor&ccedil;&otilde;es demon&iacute;acas" (Bellah 1970:178) que eventualmente a atormentariam. O mesmo tom tende a caracterizar em seu artigo a conex&atilde;o entre religi&atilde;o civil e cristianismo - o primeiro supostamente emprestando "(...) seletivamente da tradi&ccedil;&atilde;o religiosa de modo que o norte-americano m&eacute;dio n&atilde;o veja conflito entre as duas" (Bellah 1970:181). Esta seletividade permite &agrave; religi&atilde;o civil conservar sua "natureza n&atilde;o sect&aacute;ria", sendo "em nenhum sentido crist&atilde;" (Bellah 1970:174) e conectando-se com a hermen&ecirc;utica b&iacute;blica de modo apenas anal&oacute;gico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contrariamente, este artigo &eacute; interessado em tais distor&ccedil;&otilde;es demon&iacute;acas <i>per se</i>, esses <i>daemons </i>que, por tornarem vis&iacute;vel o trabalho de purifica&ccedil;&atilde;o (Latour 2000) inerente &agrave;s formas pol&iacute;ticas hegem&ocirc;nicas, fornecem um rico ponto de entrada para o restabelecimento dos v&iacute;nculos entre a religi&atilde;o civil e as m&uacute;ltiplas estrat&eacute;gias de publicidade de grupos crist&atilde;os denominacionais, alguns dos quais relegados por Bellah ao estatuto de "religi&atilde;o incivil" em outra ocasi&atilde;o (Bellah e Greenspahn 1987)<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a> . </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave; guisa de conclus&atilde;o, minha inten&ccedil;&atilde;o ser&aacute; abordar a recente cruzada global pela toler&acirc;ncia levada a cabo pelos EUA como um palco que possibilita a reconcilia&ccedil;&atilde;o das vertentes religiosas e seculares da sua cultura pol&iacute;tica para al&eacute;m dos confins dom&eacute;sticos do princ&iacute;pio de soberania. Para isso, tentarei destacar as articula&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas entre a recente ascens&atilde;o de mecanismos regulat&oacute;rios internacionais de defesa da liberdade religiosa, tais como o International Freedom of Religion Act (IRFA), e discursos teo-pol&iacute;ticos evang&eacute;licos relativos &agrave; persegui&ccedil;&atilde;o e ao mart&iacute;rio. Ao abordar o problema atrav&eacute;s dessas lentes emp&iacute;ricas, gostaria de demonstrar como a religi&atilde;o civil, assim como qualquer gram&aacute;tica pol&iacute;tica e/ou religiosa, tende a ser mais el&aacute;stica e contextual do que Bellah pode imaginar, operando atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas tanto de delimita&ccedil;&atilde;o e controle, quanto de licensa e liberta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cristianismo, secularismo e <i>Americaness </i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma extensa e ainda crescente literatura tem se dedicado ao tema da excepcionalidade da cultura pol&iacute;tica e do <i>state-formation</i> nos EUA no que tange &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com a religi&atilde;o. Esses argumentos, mesmo quando discordantes, tendem a se agrupar ao longo de um fio narrativo tra&ccedil;ado da seguinte maneira por um observador pioneiro: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>J&aacute; argumentei o suficiente at&eacute; aqui para enunciar a caracter&iacute;stica mais vital da civiliza&ccedil;&atilde;o anglo-americana. Ela &eacute; o produto (e esse ponto deve sempre ser lembrado) de dois elementos distintos, que alhures geraram conflito, mas que na Am&eacute;rica conseguiram coabitar. Refiro-me ao esp&iacute;rito da religi&atilde;o e ao esp&iacute;rito da liberdade (Tocqueville 2004:48).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A particularidade sublinhada por Tocqueville torna-se ainda mais clara quando comparada ao modelo operante na Fran&ccedil;a, pa&iacute;s onde os ventos revolucion&aacute;rios vieram acompanhados por uma teologia pol&iacute;tica explicitamente antropoc&ecirc;ntrica e anticlerical, magistralmente apresentada por Lefort (2006:170-82). Nesse sentido, o s&eacute;culo XVIII pode ser visto como um divisor de &aacute;guas que n&atilde;o somente separou politicamente os Estados Unidos da Europa, mas que tamb&eacute;m introduziu uma particularidade duradoura no projeto civilizat&oacute;rio do primeiro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua matriz, marcando a emerg&ecirc;ncia de um novo c&oacute;digo hegem&ocirc;nico, assentado em um uso particular da linguagem do republicanismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Casanova (1994), as m&uacute;ltiplas similaridades que aproximam os EUA da Inglaterra metropolitana, tais como a origem comum de suas principais denomina&ccedil;&otilde;es religiosas e uma hist&oacute;ria compar&aacute;vel de desenvolvimento capitalista seriam problematizadas por um importante cisma estrutural: "o que nunca houve na Am&eacute;rica foi um estado absolutista com uma contrapartida eclesi&aacute;stica, uma igreja cesaropapista estabelecida" (Casanova 1994:29). De fato, a equa&ccedil;&atilde;o entre absolutismo pol&iacute;tico e igrejas estabelecidas &eacute; respons&aacute;vel n&atilde;o somente pelo evidente decl&iacute;nio da relev&acirc;ncia p&uacute;blica da religi&atilde;o na Europa durante a chamada Era das Revolu&ccedil;&otilde;es, mas, ainda mais importante, pela concep&ccedil;&atilde;o euroc&ecirc;ntrica que, at&eacute; os nossos dias, insiste em equacionar moderniza&ccedil;&atilde;o e seculariza&ccedil;&atilde;o com "perda de religiosidade". Nesse sentido, coube ao experimento americano adaptar a gram&aacute;tica pol&iacute;tica iluminista do seu tempo a uma economia de inimizade e oposi&ccedil;&atilde;o bastante peculiar, onde a cr&iacute;tica &agrave; tirania do absolutismo, do colonialismo e da monarquia nunca p&ocirc;de ser estendida a uma cr&iacute;tica generalizada da "religi&atilde;o". N&atilde;o por acaso, o s&eacute;culo XVIII encontrou na Revolu&ccedil;&atilde;o Americana e na Primeira Rep&uacute;blica tanto a encena&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica do drama moderno da liberta&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, quanto um momento de potente revitaliza&ccedil;&atilde;o socio-pol&iacute;tica e teol&oacute;gica do cristianismo, conhecido como o Segundo Entusiasmo, ou <i>Second Great Awakening</i> (Hatch 1989; Warner 1990).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O chamado "muro constitucional" e a doutrina secular da neutralidade do Estado incorporados pela Primeira Emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o Americana representam originalmente uma dupla conquista, indicando a independ&ecirc;ncia tanto da religi&atilde;o quanto da pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o a uma fonte comum de regula&ccedil;&atilde;o externa. N&atilde;o por acaso, Mark Noll denomina "Republicanismo Crist&atilde;o" a cultura pol&iacute;tica h&iacute;brida que emerge &agrave;s v&eacute;speras do despontar revolucion&aacute;rio nos EUA e d&aacute; particular &ecirc;nfase &agrave; sua natureza linguageira: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Em longo prazo, valores religiosos migraram, atrav&eacute;s do constante uso pol&iacute;tico de termos religiosos que caracterizam a &eacute;poca, para o interior do pr&oacute;prio discurso pol&iacute;tico, logo alterando os valores pol&iacute;ticos vigentes. Mas esta migra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ocorreu na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria: a linguagem religiosa, uma vez posta em uso pol&iacute;tico, absorveu valores politicos que alteraram a subst&acirc;ncia mesma da religi&atilde;o na Am&eacute;rica (Noll 2002:85).</blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Forma primeva da religi&atilde;o civil, esse discurso &eacute; forjado em torno de dois temas principais: o medo dos abusos de um poder pol&iacute;tico ileg&iacute;timo ou ilimitado, e a cren&ccedil;a quase messi&acirc;nica nos benef&iacute;cios da liberdade. Retirando sua vitalidade e corr&ecirc;ncia n&atilde;o necessariamente de um consenso substancial, mas de uma abertura sem&acirc;ntica, o Republicanismo Crist&atilde;o prov&ecirc; uma ponte discursiva n&atilde;o apenas para o pacto origin&aacute;rio, que conforma a Primeira Rep&uacute;blica, mas tamb&eacute;m para a sua cont&iacute;nua, e muitas vezes tensa, reitera&ccedil;&atilde;o no decorrer da hist&oacute;ria do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Casanova retra&ccedil;a a trajet&oacute;ria do Protestantismo evang&eacute;lico nos EUA atrav&eacute;s de um &uacute;til esquema de tr&ecirc;s est&aacute;gios (1994:135-57). De acordo com essa perspectiva, a introdu&ccedil;&atilde;o do muro constitucional entre religi&atilde;o e Estado acima referida teria sido seguida por ao menos duas outras rupturas. Se em um primeiro momento, a no&ccedil;&atilde;o de liberdade religiosa &eacute; pivotal tanto para o recuo do estado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; religi&atilde;o quanto para o florecimento p&uacute;blico do Cristianismo, os dois momentos que apresento a seguir indicam a lenta marginaliza&ccedil;&atilde;o dos mesmos grupos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura pol&iacute;tica oficial, mais especificamente, &agrave; religi&atilde;o civil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro desses dois deslocamentos &eacute; observado por Casanova no p&oacute;s-Guerra Civil, e na forte industrializa&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o da sociedade norte-americana que sucede a reconstru&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Este processo inclui ondas mais recentes de imigra&ccedil;&atilde;o que trazem &agrave; tona novas tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, sobretudo o Catolicismo. Em adi&ccedil;&atilde;o, nota-se tamb&eacute;m o poderoso avan&ccedil;o das ideologias do Iluminismo americano sobre as classes populares, levado &agrave; cabo principalmente pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica secular e pelo come&ccedil;o da ocupa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gica do imagin&aacute;rio popular, representando duas importantes ofensivas aos conhecimentos e sensibilidades n&atilde;o-seculares (Schmidt 2000). Diferentes atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ci&ecirc;ncias naturais e sociais, particularmente o Darwinismo, foram respons&aacute;veis pela primeira ruptura denominacional entre o que Casanova denomina um "protestantismo liberal publicista" e um "conservadorismo protestante evang&eacute;lico privatista" (1994:138). Uma ruptura adicional &eacute; introduzida pela quest&atilde;o da ra&ccedil;a, a Guerra Civil gerando um cisma teol&oacute;gico duradouro no interior da matriz protestante c&iacute;vica (cf. Noll 2006). Desse ponto em diante, metodistas, batistas e presbiterianos passam a ser divididos institucionalmente entre ramos sulistas e nortistas aut&ocirc;nomos, aderindo a uma configura&ccedil;&atilde;o que se prolonga at&eacute; nossos dias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Casanova argumenta que uma constante f&eacute; p&oacute;s-milenarista haveria permitido ao protestantismo liberal do norte negociar alian&ccedil;as p&uacute;blicas primariamente em torno de uma coaliz&atilde;o protestante-republicana, oposta a uma coaliz&atilde;o cat&oacute;lica-democrata, que durou at&eacute; a elei&ccedil;&atilde;o de 1928. A partir de ent&atilde;o, e em resposta aos efeitos assimilativos do New Deal sobre grupos n&atilde;o-protestantes (que se tornam parte constitutiva do <i>American Way of Life</i>), tal alian&ccedil;a &eacute; ampliada de modo a ocasionalmente incluir cat&oacute;licos e judeus em uma luta comum por um <i>ethos </i>n&atilde;o denominacional de temperan&ccedil;a e puritanismo. Esses movimentos de redefini&ccedil;&atilde;o da <i>Americaness</i> ocorrem em paralelo ao crescimento institucional de associa&ccedil;&otilde;es religiosas filantr&oacute;picas, que rapidamente alcan&ccedil;am uma dimens&atilde;o transdenominacional e uma escopo nacional de atua&ccedil;&atilde;o, cuja finalidade seria estimular e disseminar virtudes tidas como tipicamente norte-americanas dentre a popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, enquanto um fen&ocirc;meno sulista e pr&eacute;-mileniarista, o fundamentalismo representa uma rejei&ccedil;&atilde;o de orienta&ccedil;&atilde;o pietista da moderniza&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica focada em tr&ecirc;s contra-posi&ccedil;&otilde;es principais: as heresias liberal-modernistas emanandas das tradi&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas nortistas; o ensino do Darwinismo nas escolas p&uacute;blicas; e a amea&ccedil;a de "rum e romanismo" que assombrara os ambientes urbanos da &eacute;poca (Marsden 2006)<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a>. Inicialmente definido como uma renova&ccedil;&atilde;o sect&aacute;ria do populismo religioso do Segundo Entusiasmo, o fundamentalismo diferencia-se por se basear mais enfaticamente no literalismo b&iacute;blico e em um retorno crist&atilde;o primitivista aos "fundamentos". Eventualmente, o movimento tamb&eacute;m manifesta forte tend&ecirc;ncia escatol&oacute;gica e dispensionalista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As revolu&ccedil;&otilde;es culturais de meados dos anos 1960 levaram a ainda um segundo ponto de ruptura no pacto entre o <i>nomos</i> secular e o protestantismo evang&eacute;lico nos EUA, caracterizado por Casanova como uma guinada pluralista na cultura pol&iacute;tica local para al&eacute;m dos limites da &eacute;tica protestante. Muitos fundamentalistas evang&eacute;licos contempor&acirc;neos s&atilde;o herdeiros diretos das mobiliza&ccedil;&otilde;es emergentes nos anos 1920, &agrave;s quais novos grupos vieram a se somar, especialmente os pentecostais. Billy Graham &eacute; provavelmente o principal pai fundador dessa nova corrente. Sua ascens&atilde;o ao estatuto de celebridade nacional nos anos 1950 &eacute; diretamente respons&aacute;vel pelo estabelecimento do termo "evang&eacute;lico" como diacr&iacute;tico do movimento. Esse grupo prepara a esfera p&uacute;blica local para o surgimento da Direita Religiosa (<i>Religious Right</i>) no final dos anos 1970, apesar de ainda defender uma posi&ccedil;&atilde;o pietista cl&aacute;ssica, assumindo que igrejas e lideran&ccedil;as religiosas deveriam se ater &agrave; salva&ccedil;&atilde;o de almas, arma considerada mais efetiva que a pol&iacute;tica partid&aacute;ria na luta pela reabilita&ccedil;&atilde;o moral da na&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como sintetiza Guth (1996), os anos 1970 testemunham o avan&ccedil;o organizado da Direita Religiosa no campo pol&iacute;tico, sob a lideran&ccedil;a de antigos fundamentalistas separatistas, destacadamente Jerry Falwell e Tim e Beverly LaHaye. Essa alian&ccedil;a tamb&eacute;m atrai outros grupos conservadores, como cat&oacute;licos romanos e m&oacute;rmons, logo dando um novo sentido ao termo "fundamentalismo", que passa a designar n&atilde;o mais um consenso de ordem teol&oacute;gica, mas um grau compartilhado de milit&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a certos temas pol&iacute;tico-culturais. A aglutina&ccedil;&atilde;o desses grupos em torno do Partido Republicano come&ccedil;a a acontecer logo ap&oacute;s a desilus&atilde;o com o cunho liberal do primeiro mandato de um presidente <i>born again</i>, Jimmy Carter (1977-1981). Organizados como uma coaliz&atilde;o em torno da defesa dos valores da fam&iacute;lia, padr&otilde;es normativos de sexualidade e a presen&ccedil;a mais enf&aacute;tica da religi&atilde;o na vida p&uacute;blica, a <i>Moral Majority</i> (o bra&ccedil;o pol&iacute;tico da Direita Crist&atilde;) &eacute; institu&iacute;da em 1979 em torno do tele-evangelista Jerry Falwell e o pentecostal Pat Robertson. O grupo assume um papel central na elei&ccedil;&atilde;o de Ronald Regan para presidente em 1981. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema de como de d&aacute; essa guinada radical de uma tradi&ccedil;&atilde;o marginal, privatista e extramundana na dire&ccedil;&atilde;o de uma exposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica secular &eacute; complexo por demais para ser exaurido aqui. No entanto, gostaria de sublinhar esquematicamente dois aspectos importantes destacados pela literatura sobre o tema:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A) mudan&ccedil;a na balan&ccedil;a cultural Norte/Sul: &Eacute; importante notar que a <i>Moral Majority </i>emerge atrav&eacute;s da lideran&ccedil;a de carism&aacute;ticos sulistas, como Jerry Falwell, Pat Robertson e James Robison. Em adi&ccedil;&atilde;o, e de acordo com a reconstitui&ccedil;&atilde;o cuidadosa fornecida por Harvey: "N&atilde;o &eacute; nenhum acidente o fato de conservadores religiosos al&ccedil;arem proemin&ecirc;ncia em n&iacute;vel nacional logo ap&oacute;s a derrocada da quest&atilde;o racial como diacr&iacute;tico central da vida sulista" (Harvey 2005:248). Os anos 1970, portanto, s&atilde;o marcados pelo avan&ccedil;o tenso, mas cont&iacute;nuo, da integra&ccedil;&atilde;o racial nos territ&oacute;rios do sul, ap&oacute;s o turbilh&atilde;o gerado pelo movimento em prol dos direitos civis no pa&iacute;s. Tal processo ocorre de modo paralelo &agrave; lenta incopora&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o, antes tida como uma &aacute;rea cultural isolada, pela consci&ecirc;ncia nacional. Nesses termos, a l&oacute;gica antagonista do fundamentalismo passa a operar n&atilde;o mais em refer&ecirc;ncia &agrave; sua cust&oacute;dia sobre a cultura sulista, mas em confronto com o que consideram uma crise de abrang&ecirc;ncia nacional<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>. Essa mudan&ccedil;a de escopo acompanha uma importante troca de prioridades. A &ecirc;nfase no tema da ra&ccedil;a passa ser substitu&iacute;da pela defesa da fam&iacute;lia atrav&eacute;s de temas relativos &agrave; vida, ao g&ecirc;nero e &agrave; sexualidade, tais como aborto e eutan&aacute;sia, pornografia, direitos reprodutivos e direitos dos gays.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">B) A "cruzada secularizante" do poder judici&aacute;rio: Um segundo est&iacute;mulo importante pode ser localizado na s&eacute;rie de decis&otilde;es das cortes estaduais e da Suprema Corte que, desde os anos 1960, t&ecirc;m intensificado a pol&iacute;tica de seculariza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es estatais nos EUA, especialmente no que concerne a pr&aacute;ticas antes comuns, como ora&ccedil;&otilde;es e leitura da B&iacute;blia em escolas p&uacute;blicas. Essas decis&otilde;es regulat&oacute;rias geraram um forte sentimento entre a popula&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica de que o pacto original estaria sendo definitivamente quebrado, logo requerendo mais uma vez uma presen&ccedil;a crist&atilde; p&uacute;blica expl&iacute;cita<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a>. A decis&atilde;o referente a Roe <i>vs</i>. Wade (1973), que submete juridicamente a possibilidade ou n&atilde;o da mulher levar a gesta&ccedil;&atilde;o a termo &agrave; no&ccedil;&atilde;o liberal de "direito &agrave; privacidade", &eacute; recebida como um assalto secular final &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es que haveriam forjado a Am&eacute;rica. O aborto, uma problem&aacute;tica exclusivamente cat&oacute;lica at&eacute; os anos 1970, tornou-se, ao longo dos anos 1980, o t&oacute;pico mais candente do publicismo religioso evang&eacute;lico, ultimamente determinando a alian&ccedil;a conservadora que deu origem &agrave; <i>Moral Majority</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fundamentalismo e pluralismo: paradoxos de uma intera&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na se&ccedil;&atilde;o anterior, demonstrei que o projeto &uacute;ltimo da <i>Moral Majority</i> seria o restabelecimento n&atilde;o denominacional da &eacute;tica protestante puritana como o estilo de vida pr&oacute;prio aos EUA. Sempre de acordo com a m&iacute;stica do pacto original, o discurso de algu&eacute;m como Falwell (1980) permanentemente equaciona a defasagem de cristianismo na Am&eacute;rica de sua &eacute;poca com a necessidade de um retorno da na&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas ra&iacute;zes aut&ecirc;nticas - que ele julga avessas ao relativismo moral e ao "assistencialismo" do estado de bem-estar social:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Devemos reverter a tend&ecirc;ncia em que a Am&eacute;rica se encontra hoje. Jovens entre vinte cinco e quarenta anos nasceram e foram criados em um mundo diferente daquele dos americanos do passado. (...) Eles foram educados num sistema p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o permeado por humanismo secular. Eles foram ensinados que a B&iacute;blia &eacute; apenas mais um livro de literatura. Eles foram ensinados que n&atilde;o h&aacute; mais absolutos no mundo de hoje. Eles foram introduzidos na cultura das drogas. Eles foram criados por uma fam&iacute;lia e uma escola p&uacute;blica que pertencem a uma sociedade vazia de disciplina e edifica&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter. Esses mesmos jovens t&ecirc;m sido criados sob a influ&ecirc;ncia de um governo que os ensinou socialismo e assistencialismo. Eles t&ecirc;m sido ensinados a acreditar que o mundo os deve um sustento, trabalhem eles ou n&atilde;o (Falwell 1980:5).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A passagem esclarece bem a temporalidade peculiar que embasa este novo regime teo-pol&iacute;tico. Diferente da utopia republicana original, que articula o secular ao religioso de modo libert&aacute;rio, trata-se aqui de uma l&oacute;gica marcadamente restaurativa, especialmente pelo fato do inimigo da Am&eacute;rica ter se tornado a Am&eacute;rica ela mesma. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, assim como a primeira onda de cristianismo fundamentalista, a breve vitalidade pol&iacute;tica de grupos como a <i>Moral Majority</i> e a <i>Christian Coalition</i> (o primeiro dissolvido nos anos 1980, o segundo, no in&iacute;cio dos anos 1990), pode ser lida paradoxalmente como um sinal enf&aacute;tico de isolamento desses setores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica. Apesar do seu alto volume, a luta do evangelismo contra seus inimigos dom&eacute;sticos &eacute; mediada pelo que considero um universo progressivamente restrito de enunica&ccedil;&atilde;o. O pr&oacute;prio avan&ccedil;o das causas citadas por Falwell ao longo dos anos teria dado um tom marcadamente contracultural &agrave; presen&ccedil;a religiosa na pol&iacute;tica nacional. No bojo desse processo estariam certas contradi&ccedil;&atilde;o que parecem assombrar a performance das "religi&otilde;es p&uacute;blicas" em uma ordem secular, liberal e democr&aacute;tica. Casanova destaca uma delas (como tentarei demonstrar, de um modo um tanto excessivo):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>O modelo discursivo da esfera p&uacute;blica &eacute; incompat&iacute;vel com fundamentalismo. A l&oacute;gica do discurso p&uacute;blico aberto implica que, ao proteger o exerc&iacute;cio livre do fundamentalismo na esfera privada, as sociedades modernas n&atilde;o podem toler&aacute;-lo na esfera p&uacute;blica. O fundamentalismo v&ecirc;-se obrigado a circular suas demandas atrav&eacute;s de argumento p&uacute;blico, o que o coloca numa escolha imposs&iacute;vel. Aqueles que aceitam as regras do jogo e come&ccedil;am a argumentar com seus vizinhos ter&atilde;o que abandornar o seu fundamentalismo, ao menos circunstancialmente (1994:166). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesses termos, a supostamente livre troca de ideias requerida pelo pluralismo tenderia a tornar automaticamente in&oacute;cua a presen&ccedil;a reivindicat&oacute;ria do fundamentalismo, j&aacute; que ele seria desde o in&iacute;cio (e por princ&iacute;pio) avesso ao racionalismo cr&iacute;tico da delibera&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. A tarefa de mobilizar meios pluralistas para se avan&ccedil;ar uma agenda antipuralista carrega limites inerentes, visto que a pr&oacute;pria l&oacute;gica da racionalidade comunicativa imporia condi&ccedil;&otilde;es normativas ao discurso fundamentalista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro universo de contradi&ccedil;&otilde;es, que se estende para al&eacute;m do fundamentalismo propriamente dito, refere-se ao grau de adequa&ccedil;&atilde;o do discurso religioso p&uacute;blico a certas mudan&ccedil;as no pr&oacute;prio conceito de pol&iacute;tica na modernidade tardia, o qual deixa de se referir exclusivamente &agrave; garantia jur&iacute;dica de direitos individuais (liberalismo) e &agrave; legitimiza&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es do Estado na vontade geral do corpo social (democracia) para tamb&eacute;m se tornar um espa&ccedil;o acumulativo de "reconhecimento" de minorias (Taylor 1994). O avan&ccedil;o da l&oacute;gica multicutural sobre as formas de vida<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a> crist&atilde;s nos EUA torna-se especialmente percept&iacute;vel em meio aos seus setores mais progressistas, como bem exemplificado pelo best-seller de Carter (1993), <i>The Culture of Disbelief: How American Law and Politics Trivialize Religious Devotion,</i> escrito com a finalidade de contrapor o que o autor considera a trivializa&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o pelas for&ccedil;as seculares do pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fruto de um momento p&oacute;s-<i>Moral Majority</i>, o livro come&ccedil;a ressaltando o "estranho mas necess&aacute;rio equil&iacute;brio" que teria sustentado a balan&ccedil;a da democracia norte-americana entre um "magn&iacute;fico respeito pela liberdade de consci&ecirc;ncia, incluindo a liberdade referente &agrave;s cren&ccedil;as religiosas" e um "compreens&iacute;vel pavor ao dom&iacute;nio religioso sobre o pol&iacute;tico", tens&atilde;o ultimamente incorporada pela Primeira Emenda. O argumento prossegue apontando criticamente para o pendor excessivo dessa balan&ccedil;a em fins do s&eacute;culo XX para uma interpreta&ccedil;&atilde;o da Primeira Emenda em termos de seculariza&ccedil;&atilde;o do estado (<i>disestabilishment</i>), ao inv&eacute;s de livre-exerc&iacute;cio da religi&atilde;o (<i>free exercise</i>), tido como a causa principal do que Carter considera a atual "aliena&ccedil;&atilde;o dos grupos religiosos da vida p&uacute;blica norte-americana". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carter &eacute; um cr&iacute;tico veemente em rela&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio conservador da religi&atilde;o p&uacute;blica nos EUA, insistindo que a visibilidade escandalosa dos seus porta-vozes pol&iacute;ticos n&atilde;o serviria como prova do sucesso da liberdade religiosa no pa&iacute;s. Esses grupos s&atilde;o objeto de uma leitura &aacute;cida e mesmo instrumentalista ao longo de todo o livro, que &eacute; explicitamente negativo no que tange &agrave; intera&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica partid&aacute;ria e religi&atilde;o<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a>. As cr&iacute;ticas de Carter se endere&ccedil;am ainda mais diretamente contra o que ele chama de a <i>God-talk</i> da pol&iacute;tica local, fundamentada sobretudo na religi&atilde;o civil, e que jogaria um papel estrutural no que ele considera a "exclus&atilde;o civil" da religi&atilde;o real no pa&iacute;s<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cr&iacute;tica acima &eacute; curiosamente acoplada a uma vis&atilde;o positiva da agenda pluralista, celebrada como um saud&aacute;vel acerto de contas da na&ccedil;&atilde;o com a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Ao apoiar a expans&atilde;o dessa agenda na dire&ccedil;&atilde;o de grupos n&atilde;o seculares, Carter acaba por incorporar (ainda mais do que a Direta Crist&atilde;) os paradoxos enfrentados pela religi&atilde;o p&uacute;blica numa era multicultural: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Imagine voc&ecirc; sendo o pai de uma crian&ccedil;a em idade escolar, que frequenta uma escola p&uacute;blica que, em vez de oferecer &agrave; crian&ccedil;a uma vis&atilde;o de mundo justa e equilibrada - incluindo o estilo de vida de sua escolha - prefere ensinar coisas que parecem provar ao seu filho que seu estilo de vida &eacute; inferior e talvez mesmo irracional. Se o curr&iacute;culo da escola &eacute; ofensivo a voc&ecirc; porque voc&ecirc; &eacute; gay ou negro ou deficiente, h&aacute; grandes chances de que ao menos a escola lhe dar&aacute; uma audi&ecirc;ncia. Caso contr&aacute;rio, os progressistas ir&atilde;o se acumular ao seu lado e voc&ecirc; com certeza encontrar&aacute; um ouvido amigo na m&iacute;dia. Mas se voc&ecirc; n&atilde;o gosta do modo com que a escola fala sobre religi&atilde;o, ou se voc&ecirc; acredita que a escola est&aacute; incitando sua crian&ccedil;a a abandonar sua religi&atilde;o, voc&ecirc; provavelmente ser&aacute; ca&ccedil;oado pela m&iacute;dia, o <i>status quo</i> progressista o acusar&aacute; de censura, e as cortes fatalmente o rejeitar&atilde;o (Carter 1993:52).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A passagem enfatiza uma importante mudan&ccedil;a no que venho tratando at&eacute; aqui como o pr&oacute;prio n&uacute;cleo conciliat&oacute;rio do pacto nacional norte-americano, isto &eacute;, a no&ccedil;&atilde;o de "liberdade religiosa". Tal mudan&ccedil;a pode ser diretamente relacionada a uma guinada na jurisprud&ecirc;ncia referente &agrave; Primeira Emenda reconhecida por Sandel desde o fim da Segunda Guerra Mundial: o pendor do estado em dire&ccedil;&atilde;o a uma maior neutralidade jur&iacute;dica no que tange &agrave; "quest&atilde;o da boa vida", ou, em outros termos, a aceita&ccedil;&atilde;o absoluta da "prioridade do jur&iacute;dico sobre o bom" (Sandel 1998:73)<a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a>. Tal mudan&ccedil;a conceitual &eacute; complementada pela sedimenta&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da no&ccedil;&atilde;o liberal de "liberdade de escolha" como o paradigma que sustentaria as decis&otilde;es jur&iacute;dicas relativas &agrave; liberdade religiosa, resultando na primazia quase ontol&oacute;gica de uma leitura da Primeira Emenda em termos de seculariza&ccedil;&atilde;o (<i>disestablishment</i>): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Para Madison ou Jefferson, liberdade de consci&ecirc;ncia significava liberdade para exercitar liberdade religiosa - para cultuar ou n&atilde;o, para suportar uma igreja ou n&atilde;o, para professar cren&ccedil;a ou descren&ccedil;a sem sofrer penalidades civis ou incapacidades. Ela n&atilde;o tinha nada a ver com o direito de se <i>escolher</i> a pr&oacute;pria cren&ccedil;a (Sandel 1998:85).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em contraposi&ccedil;&atilde;o, Sandel destaca que o cl&aacute;ssico argumento de Locke (2000), que afirma que a natureza interior das cren&ccedil;as religosas as torna insens&iacute;veis &agrave; coa&ccedil;&atilde;o do estado, n&atilde;o implica (como assume a leitura contempor&acirc;nea) na assun&ccedil;&atilde;o de que formas de vida religiosas seriam frutos de escolhas individuais revers&iacute;veis. Por outro lado, de acordo com a leitura jur&iacute;dica ora dominante nos EUA, onde a consci&ecirc;ncia dita, a escolha decide. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mesma opcionalidade conferida &agrave; religi&atilde;o, enquanto camada suplementar de valores que vestiria o sujeito sem afetar seu suposto n&uacute;cleo aut&ecirc;ntico e reflexivo, pode ser vista em funcionamento em nosso estranhamento quase intuitivo &agrave; demanda de Carter por um reconhecimento p&uacute;blico similar entre as diferen&ccedil;as de origem religiosa e aquelas que emanam de crit&eacute;rios como ra&ccedil;a, sexo, g&ecirc;nero ou defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas. A barreira que de imediato se imp&otilde;e entre esses dois universos de alteridade &eacute; a que se inscreve entre um conjunto de "cren&ccedil;as" escolhidas (religi&atilde;o) e um conjunto, tido como incontorn&aacute;vel, de qualidades constitutivas. O avan&ccedil;o da ideologia da liberdade, enquanto autonomia cr&iacute;tico-reflexiva, tende, portanto, a tornar o poder judici&aacute;rio insens&iacute;vel aos deveres de natureza pr&aacute;tica e existencial que impingem o sujeito religioso (cf. Asad 1993 e 2003; Sullivan 2005). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a quebra da conex&atilde;o antes org&acirc;nica entre <i>Americaness</i> e &eacute;tica protestante, levada a cabo pelas for&ccedil;as pluralistas desde os anos 1960, teria reduzido grupos crist&atilde;os evang&eacute;licos a uma subcultura da matriz liberal e multicultural hegem&ocirc;nica nos EUA. Com isso n&atilde;o pretendo inferir a redu&ccedil;&atilde;o do vigor p&uacute;blico desses grupos - ainda evidente, principalmente em processos decis&oacute;rios que envolvem a mobiliza&ccedil;&atilde;o do voto popular, como no recente plebiscito que determinou o anulamento da lei estadual que previa o casamento entre parceiros do mesmo sexo na Calif&oacute;rnia (Proposition 8)<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a>. Meu ponto &eacute; simplesmente que, no &acirc;mbito dom&eacute;stico, a gram&aacute;tica pol&iacute;tica do multiculturalismo imporia limites poderosos ao clamor p&uacute;blico por virtudes, caracterizando o discurso do cristianismo p&uacute;blico norte-americano. Nesse sentido, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o fundamentalismo torna-se - fazendo uso da sua pr&oacute;pria terminologia - progressivamente <i>unamerican</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A seguir, tentarei demonstrar como tal situa&ccedil;&atilde;o se apresenta de modo distinto sob uma &oacute;tica supranacional. Para isso, gostaria de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os modos de organiza&ccedil;&atilde;o e discurso de uma institui&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica transdenominacional que, apesar de baseada nos EUA, opera na arena internacional privilegiando a tematiza&ccedil;&atilde;o da liberdade religiosa como parte do conjunto dos direitos humanos. Trata-se da <i>Persecuted Church</i>. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ret&oacute;rica persecut&oacute;ria, imp&eacute;rio e teologias pol&iacute;ticas da toler&acirc;ncia global</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os v&iacute;nculos entre Cristianismo e pol&iacute;tica internacional nos EUA s&atilde;o t&atilde;o antigos quanto a pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o. O mito milenarista do destino manifesto, que est&aacute; na origem da religi&atilde;o civil, &eacute; apenas a face mais oficial dessa articula&ccedil;&atilde;o. Boyer (1992) oferece a an&aacute;lise mais detalhada do imagin&aacute;rio geopol&iacute;tico do dispensionalismo norte-americano. Uma das &aacute;reas mais operativas deste pr&eacute;-milenarismo encontra-se nas pol&iacute;ticas relacionadas ao Estado de Israel<a name="13b"></a><a href="#13a"><sup>13</sup></a>. Outro fator determinante tem sido a crescente presen&ccedil;a de evang&eacute;licos no ex&eacute;rcito norte-americano, de acordo com Loveland (1997), uma das mudan&ccedil;as demogr&aacute;ficas mais importantes ocorridas nessa institui&ccedil;&atilde;o desde o fim da Segunda Guerra. Por fim, Guerra Fria, anticomunismo, patriotismo e a consequente sedimenta&ccedil;&atilde;o do "estilo paranoico da pol&iacute;tica americana" (Hofstadter 1964) acabaram por instituir a geopol&iacute;tica como um palco central para o refor&ccedil;o da dimens&atilde;o mais agon&iacute;stica do v&iacute;nculo entre o cristianismo e a <i>americaness</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; estranho que a milit&acirc;ncia em torno da <i>Persecuted Church</i> tenha surgido de mobiliza&ccedil;&otilde;es iniciadas no &acirc;mbito da Guerra Fria. Sua organiza&ccedil;&atilde;o sede, a <i>Voice of the Martyrs</i>, antes chamada <i>Jesus to the Communist World</i>, foi fundada pela iniciativa do pastor romeno Richard Wurmbrand. Wurmbrand e sua esposa se destacaram como mission&aacute;rios das chamadas igrejas clandestinas (<i>underground churches</i>), que se mutiplicaram no mundo sovi&eacute;tico em resposta &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es aos direitos de associa&ccedil;&atilde;o religiosa e proselitismo impostas pelo regime socialista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s 20 anos de atividade mission&aacute;ria, maior parte dos quais passada em pris&otilde;es onde foram in&uacute;meras vezes torturados, o casal migrou para os Estados Unidos e fundou uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental dedicada &agrave; defesa da liberdade religiosa no mundo "n&atilde;o livre". Hoje baseada em Bartlesville, Oklahoma, a <i>Voice of the Martyrs</i> agrupa uma gigantesca estrutura, que articula igrejas e associa&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s conservadoras, assim como evang&eacute;licos liberais e moderados. O universo de influ&ecirc;ncias da institui&ccedil;&atilde;o transcende o pr&oacute;prio campo religioso, alcan&ccedil;ando ONGs de defesa dos direitos humanos, membros de diferentes correntes ideol&oacute;gicas do Congresso dos EUA, demais &oacute;rg&atilde;os do Estado e mesmo setores da ONU. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da B&iacute;blia, o c&acirc;none da organiza&ccedil;&atilde;o inclui como meta-narrativa central a biografia do seu pai fundador, o livro <i>Tortured for Christ </i>(Wurmbrand 2009), que fornece um modelo narrativo persecut&oacute;rio reiterado exaustivamente pelos seus diferentes bra&ccedil;os. Originalmente publicado em 1967 e hoje traduzido para mais de 60 l&iacute;nguas, o livro decreve o funcionamento das igrejas clandestinas e reproduz com s&aacute;dica min&uacute;cia o sofrimento vivido por Crist&atilde;os do mundo "n&atilde;o livre". Escrito "com tinta e sangue de cora&ccedil;&otilde;es feridos", o texto recorre a um curioso g&ecirc;nero h&iacute;brido, que articula o tema Crist&atilde;o cl&aacute;ssico do mart&iacute;rio com o modelo individualista e tipicamente evang&eacute;lico de enuncia&ccedil;&atilde;o da verdade enquanto testemunho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrutura das igrejas clandestinas &eacute; apresentada por Wurmbrand atrav&eacute;s de uma forma eclesi&aacute;stica tripla. Seus agentes mais diretos s&atilde;o dois. Primeramente, pastores e l&iacute;deres que se negam a abortar sua miss&atilde;o diante de situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas adversas, realizando suas atividades em segredo e a despeito de qualquer risco. A seguir, as congrega&ccedil;&otilde;es clandestinas, respons&aacute;veis por abrigar essa igreja m&oacute;vel em suas casas, contrabandear literatura devocional e levar adiante o processo silencioso de evangeliza&ccedil;&atilde;o das suas comunidades. No tratamento de ambos os grupos, o tema do sofrimento &eacute; ub&iacute;quo: a dor e o autodesprendimento dos m&aacute;rtires s&atilde;o elevados a virtudes e tidos como ind&iacute;cios de f&eacute;, qualificando-os como imita&ccedil;&otilde;es do Cristo: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Eu vi crist&atilde;os em pris&otilde;es comunistas com cinquenta libras de correntes em seus p&eacute;s, torturados com ferro quente, em cujas gargantas colheres de sal eram for&ccedil;adas, sendo mantidos sem &aacute;gua e comida, espancados, sofrendo com o frio - e que mesmo assim rezavam pelos comunistas. Isso &eacute; humanamente inexplic&aacute;vel! &Eacute; o amor de Cristo que transbordava em seus cora&ccedil;&otilde;es (Wurmbrand 2009:55).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazendo uso de t&iacute;pica tend&ecirc;ncia revivalista evang&eacute;lica, a narrativa tamb&eacute;m tece analogias entre o funcionamento das igrejas clandestinas e da igreja primitiva, especialmente quando destaca a natureza oral, furtiva e her&eacute;tica do pr&oacute;prio Cristianismo origin&aacute;rio:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Nunca havia entendido porque Cristo, quando organizava sua &uacute;ltima seia, n&atilde;o proveu os ap&oacute;stolos com um endere&ccedil;o espec&iacute;fico, dizendo apenas "Ide &agrave; cidade, e sair-vos-&aacute; ao encontro um homem, carregando um c&acirc;ntaro de &aacute;gua" (Marcos 14:13). Agora posso entender. N&oacute;s tamb&eacute;m us&aacute;vamos c&oacute;digos nas igrejas clandestinas. Se concordarmos em trabalhar assim - retornando aos m&eacute;todos do Cristianismo original -, poderemos trabalhar efetivamente por Cristo nestas comunidades fechadas (Wurmbrand 2009:61).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um terceiro componente dessa <i>ecclesia</i> s&atilde;o os l&iacute;deres das igrejas reconhecidas e a comunidade crist&atilde; do Ocidente, respons&aacute;veis pelo financiamento e pela divulga&ccedil;&atilde;o dos testemunhos das igrejas clandestinas na esfera p&uacute;blica do "mundo livre". A ret&oacute;rica acima esbo&ccedil;ada &eacute; aqui diretamente endere&ccedil;ada ao leitor, tendo em vista provoc&aacute;-lo a se engajar nas lutas da organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o que se v&ecirc; na seguinte vers&atilde;o torturada da met&aacute;fora paulina da Igreja enquanto corpo de Cristo: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Quando era espancado nas solas dos meus p&eacute;s, minha l&iacute;ngua gritava. Por que minha l&iacute;ngua gritava, se ela mesma n&atilde;o era afetada? Ela chorava porque tanto a l&iacute;ngua quato os p&eacute;s s&atilde;o parte do mesmo corpo. E voc&ecirc;, o crist&atilde;o livre, &eacute; parte do mesmo corpo de Cristo que neste momento est&aacute; sendo violentado nas pris&otilde;es das na&ccedil;&otilde;es autorit&aacute;rias, que produzem os novos m&aacute;rtires de Cristo. Ser&aacute; que voc&ecirc;s s&atilde;o insens&iacute;veis a esta dor? (Wurmbrand 2009:150). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O principal objetivo de Wurmbrand &eacute; utilizar sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de vida e a de outros "m&aacute;rtires" com a finalidade de acordar os crist&atilde;os do Ocidente do que ele considera um sono provinciano, que iniste em confinar a miss&atilde;o evangelizadora da igreja "reconhecida" aos limites territoriais impostos pelo princ&iacute;pio de soberania do estado de direito. Segundo Wurmbrand, essa situa&ccedil;&atilde;o teria canalizado err&ocirc;neamente a energia evangelizadora do movimento para o interior do pr&oacute;prio mundo crist&atilde;o: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>No Ocidente, eu econtrei dentre os l&iacute;deres da Igreja um sentimento oposto ao que predominava nas igrejas clandestinas sob o dom&iacute;nio das cortinas de bamb&uacute; e de ferro. Muitos crist&atilde;os do Ocidente n&atilde;o t&ecirc;m amor pelas na&ccedil;&otilde;es cativas. A prova disto &eacute; que eles se negam a fazer algo por sua salva&ccedil;&atilde;o. Eles assumem a miss&atilde;o de persuadir Crist&atilde;os de uma denomina&ccedil;&atilde;o a mudar para outra. Mas muitos se negam a estender suas miss&otilde;es &agrave;s na&ccedil;&otilde;es cativas, alegando que este trabalho seria "contra a lei"! (Wurmbrand 2009:63-4).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A justaposi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica sugerida pela ret&oacute;rica da <i>Persecuted Church </i>entre a produ&ccedil;&atilde;o narrativa do inimigo e o cultivo de uma atitude destemida e confrontativa encontra no solo da "guerra ao terror" condi&ccedil;&otilde;es ideais para germinar. Nesse contexto, a figura do Isl&atilde; radical e "intolerante" assume o papel pr&eacute;-milen&aacute;rio antes ocupado pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, logo renovando o potencial performativo do seu chamado origin&aacute;rio: "o Ocidente est&aacute; dormindo e deve ser acordado de modo a ver o calv&aacute;rio das na&ccedil;&otilde;es cativas" (Wurmbrand 2009:89). Essa configura&ccedil;&atilde;o &eacute; repetida nas publica&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas da organiza&ccedil;&atilde;o, que desde meados dos anos 1990 disseminam testemunhos de crist&atilde;os martirizados da China, Coreia do Norte e Cuba, mas cuja &ecirc;nfase passa a recair sobremaneira em pa&iacute;ses de maioria Isl&acirc;mica, onde a tradi&ccedil;&atilde;o religiosa imp&otilde;e fortes limites &agrave; convers&atilde;o (considerada apostasia), um dado refletido em legisla&ccedil;&otilde;es que permitem o pluralismo religioso, mas que proibem o proselitismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A milit&acirc;ncia contempor&acirc;nea da <i>Persecuted Church</i> tem, portanto, centrado-se no que ela exageradamente entende como a "criminaliza&ccedil;&atilde;o" do cristianismo em pa&iacute;ses isl&acirc;micos. A despeito disso, os m&aacute;rtires continuam a ser enviados, os casos de conflito multiplicados, e as hist&oacute;rias de dor e auto-imola&ccedil;&atilde;o reverberadas. Assim, antes recluso &agrave; esfera p&uacute;blica evang&eacute;lica dos EUA, o corpo torturado de Cristo ganha o sul global, seguindo a poderosa expans&atilde;o do evangelismo nessa regi&atilde;o desde fins do s&eacute;culo XX (Jenkins 2006). Livros escritos de acordo com o g&ecirc;nero estabelecido por Wurmbrand passam ent&atilde;o a ser tamb&eacute;m escritos por m&aacute;rtires iranianos, iraquianos, malaios, indon&eacute;sios e paquistaneses, sendo publicados e divugados em escala internacional pela organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mais impressionante das conquistas recentes da <i>Persecuted Church</i>, no entanto, foi a incrivelmente bem sucedida alian&ccedil;a constru&iacute;da em torno da aprova&ccedil;&atilde;o do <i>International Religious Freedom Act</i> (IRFA), assinado por Bill Clinton em 1998. Nos termos de Danchin: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>O ato se baseia no racioc&iacute;nio de que os EUA teriam a obriga&ccedil;&atilde;o (derivada principalmente da sua hist&oacute;ria constitucional, que coloca grande peso na no&ccedil;&atilde;o de liberdade religosa, assim como da lei internacional) de dar apoio e proteger minorias religiosas em todo o globo ao combater a intoler&acirc;ncia religiosa em Estados que limitam os direitos religiosos das suas popula&ccedil;&otilde;es (Danchin 2002:164). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aparelho de monitoramento unilateral, a legisla&ccedil;&atilde;o autoriza uma variedade de san&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e militares que, apesar de se embasarem no direito internacional, empregam meios exclusivamente nacionais de execu&ccedil;&atilde;o. Em adi&ccedil;&atilde;o, o ato inclui o monitoramento e a divulga&ccedil;&atilde;o anual de um relat&oacute;rio sobre a intoler&acirc;ncia religiosa no mundo, divulgado no site do Departamento de Estado Americano e contendo uma lista dos principais pa&iacute;ses violadores<a name="14b"></a><a href="#14a"><sup>14</sup></a>. A possibilidade de exonerar infratores atrav&eacute;s de veto presidencial insere flexibilidade na execu&ccedil;&atilde;o da lei e evita poss&iacute;veis embara&ccedil;os nas rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os EUA e alguns de seus aliados, como a Ar&aacute;bia Saudita, Israel e China, centrando seu impacto regulat&oacute;rio em pa&iacute;ses mul&ccedil;umanos n&atilde;o-aliados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua an&aacute;lise dos debates legislativos em torno do inicialmente rejeitado projeto de lei Wolf-Specter e do modificado projeto Nickles-Lieberman, a base final para o IRFA, Castelli demonstra como a racionalidade das rela&ccedil;&otilde;es exteriores &eacute; administrada no congresso de modo a abrigar uma ret&oacute;rica poderosa, que integra </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>a hist&oacute;ria da Am&eacute;rica contada enquanto uma hist&oacute;ria de ref&uacute;gio contra a persegui&ccedil;&atilde;o religiosa (convenientemente elidindo o fator complicador de que a intoler&acirc;ncia religiosa e mesmo a persegui&ccedil;&atilde;o foram tamb&eacute;m elementos centrais da hist&oacute;ria da pr&oacute;pria funda&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos) e a hist&oacute;ria do mart&iacute;rio crist&atilde;o (Castelli 2007:332).</blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De maneira an&aacute;loga ao espet&aacute;culo persecut&oacute;rio evang&eacute;lico acima referido, a suposta natureza inerentemente democr&aacute;tica da Am&eacute;rica passa a ser organicamente enraizada no mart&iacute;rio vivido e superado por seus antepassados crist&atilde;os n&atilde;o conformistas, o que implicaria no dever moral, atribu&iacute;do ao Estado americano contempor&acirc;neo, de assumir a fun&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia global da liberdade religiosa. Em 1996, p&ocirc;de-se ver, por exemplo, a publica&ccedil;&atilde;o de um <i>Statement of Conscience Concerning Worldwide Religious Persecution</i>, que cont&eacute;m a seguinte declara&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Evang&eacute;licos: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A liberdade religiosa n&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio a ser garantido ou negado por um estado todo poderoso, mas um direito humano fornecido por Deus. De fato, liberdade religiosa &eacute; a pedra fundamental que anima nossa Rep&uacute;blica e nos define enquanto um povo. Devemos compartilhar nosso amor pela liberdade religiosa com povos que, aos olhos de Deus, s&atilde;o nossos vizinhos. Portanto, &eacute; nossa responsabilidade, e tamb&eacute;m a do governo que nos representa, fazer tudo que podemos para assegurar a d&aacute;diva da liberdade religiosa a todos que sofrem persegui&ccedil;&atilde;o religiosa<a name="15b"></a><a href="#15a"><sup>15</sup></a>.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um novo uso da religi&atilde;o civil americana ganha aqui forma. A &ecirc;nfase na liberdade religiosa enquanto um direito humano fortuitamente enraizado na pr&oacute;pria origem da na&ccedil;&atilde;o permite, portanto, redefinir o conte&uacute;do imagin&aacute;rio dos EUA, seus v&iacute;nculos com grupos religiosos locais, e a sua &aacute;rea e poder de interven&ccedil;&atilde;o. Essa mobiliza&ccedil;&atilde;o se d&aacute; atrav&eacute;s de uma &ecirc;nfase renovada na universalidade dos valores axiom&aacute;ticos da religi&atilde;o civil, fator inicialmente destacado por Bellah, fazendo-os assim transcender, e de fato estender o campo de ag&ecirc;ncia da soberania estadunidense para al&eacute;m do seu territ&oacute;rio e popula&ccedil;&atilde;o. No caso do IRFA, o resultado dessa rearticula&ccedil;&atilde;o discursiva entre <i>Americaness</i> e evangelismo &eacute; uma alian&ccedil;a pol&iacute;tica surpreedentemente larga em torno da aprova&ccedil;&atilde;o da lei, fruto de lutas travadas, sobretudo, no campo das defini&ccedil;&otilde;es, e cujas quest&otilde;es-chave foram: i) Como discernir a "intoler&acirc;ncia" de outros fatores quando se trata de definir as motiva<i>&ccedil;&otilde;es de </i>um evento particular de conflito? e ii) Como atribuir a tal intoler&acirc;ncia uma adjetiva&ccedil;&atilde;o religiosa?<a name="16b"></a><a href="#16a"><sup>16</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inerente instabilidade sem&acirc;ntica da no&ccedil;&atilde;o de "intoler&acirc;ncia religiosa" aparece de forma evidente nos debates em torno da guerra civil do Sud&atilde;o, que ocuparam um lugar determinante na pr&oacute;pria aprova&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o (McAllister 2008). Hertzke (2004), membro da <i>Persecuted Church</i>, apresenta uma vers&atilde;o laudat&oacute;ria e rica em detalhes do lento processo de divulga&ccedil;&atilde;o, lobby e mobiliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em apoio ao IRFA, que conseguiu unir m&uacute;ltiplos grupos evang&eacute;licos denominacionais, judeus e republicanos &agrave; esquerda mais liberal. democratas, e ativistas do movimento negro. Por fim, ele adimite que "o que faltava para a aprova&ccedil;&atilde;o do IRFA era uma aprecia&ccedil;&atilde;o religiosa do conflito no Sud&atilde;o" (Hertzke 2004:248-9). Originalmente ventilada na m&iacute;dia local por mission&aacute;rios associados &agrave; <i>Persecuted Church</i>, essa vers&atilde;o representava a viol&ecirc;ncia em Darfur como fruto da opress&atilde;o de "&aacute;rabes mul&ccedil;umanos" do norte sobre "crist&atilde;os negros" do sul. Controversa em diversos aspectos, a narrativa obviamente submete complexos fatores econ&ocirc;micos, &eacute;tnicos e pol&iacute;ticos relativos &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do Estado-na&ccedil;&atilde;o sudan&ecirc;s a uma simpl&oacute;ria classifica&ccedil;&atilde;o religiosa<a name="17b"></a><a href="#17a"><sup>17</sup></a>. No entanto, ap&oacute;s tomar de modo avassalador a opini&atilde;o p&uacute;blica, essa vers&atilde;o alavancou a aprova&ccedil;&atilde;o da lei em ambas as casas, a despeito da oposi&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio governo Clinton e de importantes grupos de defesa dos direitos humanos, ambos preocupados com o foco excessivamente estreito na vitimiza&ccedil;&atilde;o de grupos crist&atilde;os. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase unilateral do IRFA na no&ccedil;&atilde;o de "liberdade religiosa" institui uma problem&aacute;tica hierarquia de direitos humanos na pol&iacute;tica externa dos EUA, colocando a religi&atilde;o em seu topo. Nesse sentido, a legisla&ccedil;&atilde;o antecipa problemas hom&oacute;logos aos da ret&oacute;rica da "guerra ao terror", principalmente a desqualifica&ccedil;&atilde;o de manifesta&ccedil;&otilde;es socio-pol&iacute;ticas antag&ocirc;nicas por meio da redu&ccedil;&atilde;o de suas motiva&ccedil;&otilde;es (normalmente multifacetadas) a uma dimens&atilde;o exclusivamente religiosa - logo "irracional" e "intolerante". Um segundo universo evidente de problemas estaria na neutralidade robusta assumida pelos EUA ao se autoqualificarem como uma autoridade soberana dotada de poder decis&oacute;rio irrestrito diante das lutas acerca da natureza e limites da ag&ecirc;ncia religiosa no mundo contempor&acirc;neo. Ambos os axiomas s&atilde;o problematizados por reflex&otilde;es acad&ecirc;micas recentes sobre o secularismo (Asad 1993; 2003; 2006; Connoly 2000), interessadas em provincializar alguns princ&iacute;pios-chave da ordem secular (como a impessoalidade racional do estado, a natureza autofundada das esferas pol&iacute;tica e religiosa e a abordagem secular do regime de verdade da religi&atilde;o enquanto "cren&ccedil;a") ao vincul&aacute;-los organicamente a processos socio-pol&iacute;ticos particulares &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos Estados-na&ccedil;&atilde;o na Europa, assim como a suas respectivas expans&otilde;es imperiais. Tidas como cristaliza&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas de determinados embates hist&oacute;ricos concretos, categorias seculares como "liberdade religiosa", "toler&acirc;ncia", "esfera p&uacute;blica" e mesmo a pr&oacute;pria "religi&atilde;o" exerceriam um poder regulat&oacute;rio formativo, e muitas vezes normativo, sobre formas de vida n&atilde;o seculares em contexto p&oacute;s-colonial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Referindo-se &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas do IRFA no Egito, Mahmood (2006) destaca como o est&iacute;mulo norte-americano &agrave; "liberdade religiosa" nesse pa&iacute;s tem se desenvolvido atrav&eacute;s de uma agenda necessariamente h&iacute;brida, que visa encorajar o exerc&iacute;cio de maior toler&acirc;ncia atrav&eacute;s de interven&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas estrat&eacute;gicas no campo da hermen&ecirc;utica cor&acirc;nica. Nesse sentido, o projeto secular de "democratiza&ccedil;&atilde;o do Isl&atilde;" &eacute; complementado pela defesa de uma reforma religiosa pietista que visa alterar a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o entre o sujeito Isl&acirc;mico e o seu texto sagrado. Um dos efeitos desta postura tem sido o estreitamento dos v&iacute;nculos financeiros e pol&iacute;ticos entre o Departamento de Estado Americano e te&oacute;logos isl&acirc;micos liberais, alguns deles publicamente reconhecidos no Egito como os "luteros do Isl&atilde;". Duas reformas centrais estariam aqui em jogo: o avan&ccedil;o de uma interpreta&ccedil;&atilde;o de natureza "simb&oacute;lica", e n&atilde;o mais "literal", de determinadas passagens escripturais e a reformula&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre fiel e profeta n&atilde;o mais em termos de emula&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, mas de "f&eacute;" interna e imaterial. Dentre os alvos visados pelo projeto encontra-se a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do proselitismo religioso no pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados acima apresentados demonstram bem como a no&ccedil;&atilde;o de liberdade religiosa veiculada no IRFA incorpora as vicissitudes de um momento paradoxal da hist&oacute;ria norte-americana, de imp&eacute;rio e multiculturalismo (Brown 2006). Por um lado, a lei autoriza a san&ccedil;&atilde;o n&atilde;o liberal da "intoler&acirc;ncia" por meios violentos leg&iacute;timos e soberanos. Por outro, ela abre espa&ccedil;o para uma governamentalidade (Foucault 1999) de ordem transnacional cujo intento seria regular pr&aacute;ticas n&atilde;o hegem&ocirc;nicas por meio do cultivo liberal de virtudes pluralistas que, como vimos, endorsam e autorizam de modo intervensionista uma modalidade espec&iacute;fica de subjetividade religiosa. No cerne dessa agenda pol&iacute;tico-teol&oacute;gica, podemos ver a rearticula&ccedil;&atilde;o entre interesses geopol&iacute;ticos e o proselitismo crist&atilde;o, ambos comungando em uma ideia de Am&eacute;rica disponibilizada pela religi&atilde;o civil. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As pol&iacute;ticas da religi&atilde;o civil: Estado, religi&atilde;o p&uacute;blica e soberania</b></font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Quando se tra&ccedil;a um limite, isto pode ter diferentes raz&otilde;es. Quando circunscrevo uma &aacute;rea usando uma cerca, um risco ou o que quer que seja, isto pode ter por finalidade n&atilde;o permitir que algu&eacute;m entre ou saia; pode tamb&eacute;m fazer parte de um jogo onde se espera que os jogadores transponham este limite; ou pode tamb&eacute;m indicar onde termina a propriedade de uma pessoa e come&ccedil;a a propriedade de outra, e assim por diante. Portanto, se tra&ccedil;o um limite, nem por isso est&aacute; dito porque o tra&ccedil;o (Wittgenstein 1968:138-139).</blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos problemas fundamentais de teses durkheimianas, como as de Bellah, que visam abstrair a "religiosidade" enquanto um princ&iacute;pio sociol&oacute;gico apto a ser direcionado a institui&ccedil;&otilde;es seculares, &eacute; a forma negligente com que elas concebem a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o entre a religi&atilde;o real e a ordem secular. Se os modos atrav&eacute;s dos quais uma determinada popula&ccedil;&atilde;o imagina sua comunidade nacional podem ser considerados uma religi&atilde;o (dotada de autoridade escritural e eclesi&aacute;stica, liturgias e escatologias), a quest&atilde;o de como ela se articula a setores denominacionais ainda resta em aberto. No entanto, minha proposta n&atilde;o foi defender a autenticidade do que chamo aqui de religi&atilde;o denominacional em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; sua r&eacute;plica secular, e menos ainda tecer um argumento nominalista, interessado em simplesmente desqualificar a realidade emp&iacute;rica universal de algo como "a religi&atilde;o". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo a linha de racioc&iacute;nio estabelecida por Talal Asad (1993; 2003), meu interesse foi antes entender como a ordem secular e a religi&atilde;o se articulam de modo generativo, j&aacute; que mutuamente dependente e contextualmente determinado. Nesses termos, a atividade de defini&ccedil;&atilde;o migra do campo do observador para o campo do observado, tornando-se enraziada nos pr&oacute;prios embates socio-pol&iacute;ticos, hist&oacute;ricos e discursivos que d&atilde;o origem ao presente<a name="18b"></a><a href="#18a"><sup>18</sup></a>. Nos termos do pr&oacute;prio Asad: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A raz&atilde;o pela qual defendo que n&atilde;o pode haver uma concep&ccedil;&atilde;o universal de religi&atilde;o n&atilde;o &eacute; que fen&ocirc;menos religiosos sejam infinitamente variados - e certamente n&atilde;o &eacute; porque algo como a religi&atilde;o n&atilde;o exista. &Eacute; que <i>definir algo</i> &eacute; sempre um ato hist&oacute;rico, e quando a defini&ccedil;&atilde;o &eacute; empregada, ela faz coisas diferentes em diferentes tempos e circunst&acirc;ncias, e assim responde a diferentes quest&otilde;es, necessidades, press&otilde;es (...). Em suma, 'defini&ccedil;&otilde;es universais de religi&atilde;o' nos desviam de quest&otilde;es importantes, que concernem o que estas defini&ccedil;&otilde;es incluem e excluem, por que, por quem - e com quais consequ&ecirc;ncias (Asad 2008:2-3).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, antes de responder a quest&atilde;o "o que &eacute; de fato a religi&atilde;o?" ou simplesmente rejeit&aacute;-la enquanto epifen&ocirc;meno do pol&iacute;tico, minha inten&ccedil;&atilde;o foi recuperar a din&acirc;mica definicional imanente &agrave; hist&oacute;ria do entrala&ccedil;amento entre o cristianismo p&uacute;blico (em suas manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o conformista, fundamentalista e evang&eacute;lica) e o imagin&aacute;rio nacional no interior da ordem secular norte-americana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de uma r&aacute;pida revis&atilde;o hist&oacute;rica, extra&iacute; analiticamente tr&ecirc;s contextos b&aacute;sicos de articula&ccedil;&atilde;o: complementaridade robusta na Primeira Rep&uacute;blica; crescente oposi&ccedil;&atilde;o, culminando na desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica protestante nos anos 1960; e uma complementaridade que eu chamaria de "ressonante", iniciada no fim dos anos 1990, alcan&ccedil;ando sua plenitude no contexto p&oacute;s-11 de Setembro. Antes de se contradizerem, as duas &uacute;ltimas tend&ecirc;ncias se sobrep&otilde;em, referindo-se respectivamente aos dom&iacute;nios dom&eacute;stico e internacional. Vimos tamb&eacute;m como, ao longo dessas tr&ecirc;s ondas, as categorias de "liberdade" e de "liberdade religiosa", pilares da religi&atilde;o civil, jogaram num papel central, potencializado justamente por sua inerente ambiguidade. Na Primeira Rep&uacute;blica, o solo em que germinou a comunidade imaginada, a liberdade representa o espa&ccedil;o compartilhado por grupos religiosos e seculares em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; tirania do outro imperial. Nos anos 1960, estabelece-se uma crescente polariza&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Primeira Emenda. Assim, o cristianismo p&uacute;blico passa a se agrupar em torno da liberdade enquanto livre-exerc&iacute;cio da religi&atilde;o, enquanto secularistas a utilizam como um instrumento jur&iacute;dico de dissocia&ccedil;&atilde;o entre estado e religi&atilde;o. No terceiro momento, a liberdade religiosa &eacute; tematizada enquanto uma d&aacute;diva tipicamente norte-americana para na&ccedil;&otilde;es tidas como n&atilde;o livres, e a religi&atilde;o civil serve como fonte de justificativa moral para a ag&ecirc;ncia geopol&iacute;tica secular. Por fim, localizei tr&ecirc;s modos discursivos de engajamento p&uacute;blico desses grupos crist&atilde;os: a unidade org&acirc;nica entre virtudes crist&atilde;s e <i>americaness</i>, observada na ret&oacute;rica do republicanismo crist&atilde;o; a ret&oacute;rica nost&aacute;lgica, incorporada pela Direita Religiosa, que acusa a aliena&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o a si mesma; e a capitaliza&ccedil;&atilde;o da empatia entre o Estado, interesses religiosos locais e minorias crist&atilde;s alhures atrav&eacute;s de uma ret&oacute;rica persecut&oacute;ria, possibilitando o reencontro da Am&eacute;rica consigo mesma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como conclus&atilde;o, gostaria de destacar alguns pontos que podem ser extra&iacute;dos dessa vis&atilde;o n&atilde;o essencialista da religi&atilde;o civil americana tendo em vista contribuir para debates mais gerais sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e pol&iacute;tica. Primeiramente, os exemplos apresentados aqui d&atilde;o a entender que, antes de uma vis&atilde;o de mundo interessada em dar sentido a eventos concretos, a religi&atilde;o civil opera como uma gram&aacute;tica, cuja finalidade &uacute;ltima seria instituir e delimitar o campo das pr&aacute;ticas e enuncia&ccedil;&otilde;es autorizadas. Esse aspecto &eacute; subvalorizado pela abordagem de Bellah, excessivamente focada em eventos cerimonias e, portanto, fortemente oficial e mesmo funcionalmente articulada ao problema da ordem. Diria que, ao longo de seu artigo, Bellah parece ser enfeiti&ccedil;ado pela poderosa m&iacute;stica do seu objeto de an&aacute;lise, seu essencialismo testemunhando para esse fasc&iacute;nio pessoal: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Uma religi&atilde;o civil mundial poderia ser aceita como a realiza&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o como a nega&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o civil americana. De fato, tal resultado tem sido a expectativa escatol&oacute;gica de nossa religi&atilde;o civil desde a sua origem. Negar tal desfecho seria negar o sentido da Am&eacute;rica ela mesma (Bellah 1970:186). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aten&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza regulat&oacute;ria da religi&atilde;o civil nos ajuda a dissoci&aacute;-la do campo dos fen&ocirc;menos simb&oacute;licos ou narrativos, aproximando-a do campo das tomadas de decis&atilde;o, onde jaz o princ&iacute;pio de soberania do Estado de Direito. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como argumenta Asad (2006), em sua an&aacute;lise das pol&ecirc;micas em torno do banimento da ostenta&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos religiosos em institui&ccedil;&otilde;es estatais francesas (com &ecirc;nfase no v&eacute;u Isl&acirc;mico), mais do que uma exce&ccedil;&atilde;o &agrave; regra secular da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o do estado na esfera religiosa, o fen&ocirc;meno representaria uma exce&ccedil;&atilde;o no sentido schmittiano (2007), ou seja, o sinal do exerc&iacute;cio do poder soberano. Diferindo de interpreta&ccedil;&otilde;es interessadas em sublinhar as particularidades do <i>Etat la&iuml;que</i>, Asad entende que o banimento do v&eacute;u de fato desvela caracter&iacute;sticas gerais da ordem secular, particularmente o modo duplo com que o Estado entraria na rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e pol&iacute;tica: tanto como uma esfera a ser separada da religi&atilde;o e autofundada, quanto como uma presen&ccedil;a ausente, que define os pr&oacute;prios termos desta separa&ccedil;&atilde;o e autoenraizamento. A capacidade leg&iacute;tima de definir a exce&ccedil;&atilde;o estaria, portanto, na pr&oacute;pria origem do englobamento hegem&ocirc;nico e generativo do religioso pelo secular, argumento que inclui o secularismo norte-americano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale lembrar que a compreens&atilde;o da religi&atilde;o civil em termos gramaticais n&atilde;o significa que a sua natureza regulat&oacute;ria nao deixe margem para (inov)a&ccedil;&atilde;o. Enquanto uma inst&acirc;ncia agregadora do corpo politico - apropriada tanto pelo Estado quanto por grupos religiosos e n&atilde;o religiosos na esfera p&uacute;blica -, a religi&atilde;o civil fornece importantes &aacute;reas de media&ccedil;&atilde;o e purifica&ccedil;&atilde;o, que podem tanto reduzir quanto ampliar a influ&ecirc;ncia da ag&ecirc;ncia religiosa no poder decis&oacute;rio soberano ao destacar seus v&iacute;nculos cosmog&ocirc;nicos com o imagin&aacute;rio nacional. Nesse sentido, a religi&atilde;o civil teria na hist&oacute;ria oficial n&atilde;o somente a sua subst&acirc;ncia sagrada, mas tamb&eacute;m o pr&oacute;prio alvo de sua pol&iacute;tica, que faz hist&oacute;ria com a hist&oacute;ria. A natureza sedutora e persuasiva da ret&oacute;rica esposada pela <i>Persecuted Church</i> perante agentes seculares atesta para semelhante maleabilidade, sendo caracterizada por duas tend&ecirc;ncias que a fazem tocar o pr&oacute;prio &acirc;mago do princ&iacute;pio de soberania: uma orienta&ccedil;&atilde;o internacional e a refer&ecirc;ncia constante &agrave; figura do inimigo<a name="19b"></a><a href="#19a"><sup>19</sup></a>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sob uma &oacute;tica dom&eacute;stica, observei, no aporte de Casanova, a resist&ecirc;ncia inerente que a linguagem (multicultural) do reconhecimento e (liberal) da liberdade de consci&ecirc;ncia imporiam &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es do cristianismo p&uacute;blico. Esse seria o ponto final de um longo processo de clivagem entre a ideia da Am&eacute;rica e suas origens crist&atilde;s. Associei tal processo &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do cristianismo conservador p&uacute;blico a uma subcultura do multiculturalismo hegem&ocirc;nico. No entanto, sob uma &oacute;tica internacional, vimos como o processo de gesta&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o do IRFA encontra nos direitos humanos um novo ambiente de concilia&ccedil;&atilde;o entre os esp&iacute;ritos da religi&atilde;o e da liberdade. A heterogeneidade das linhas de for&ccedil;a que comungam na cruzada norte-americana contra a intoler&acirc;ncia religiosa tende ao menos a problematizar a rigidez e o escopo das generaliza&ccedil;&otilde;e de Casanova sobre a oposi&ccedil;&atilde;o entre ordem democr&aacute;tica e fundamentalismo crist&atilde;o<a name="20b"></a><a href="#20a"><sup>20</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Processo similar &eacute; observado por Buss e Herman (2003) no lobby da Direita Crist&atilde; frente aos f&oacute;rums internacionais de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas para a fam&iacute;lia (principalmente a ONU), em que o motivo b&iacute;blico da fam&iacute;lia crist&atilde;, dotado de uma normatividade explicitamente &eacute;tico-religiosa, &eacute; sublimado e adquire legitimidade secular atrav&eacute;s da defesa dos direitos universais da fam&iacute;lia natural por meio da linguagem do direito, da sociologia, da demografia e da biologia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que mera ret&oacute;rica, forma sem conte&uacute;do ou fun&ccedil;&atilde;o, a guerra &agrave; intoler&acirc;ncia religiosa prov&ecirc; um palco performativo para a reitera&ccedil;&atilde;o do pacto da na&ccedil;&atilde;o, promovendo uma ampla comunh&atilde;o entre o pol&iacute;tico e o religioso na luta contra os inimigos globais da liberdade religiosa e, por meton&iacute;mia, dos EUA ele mesmo. Assim, se no campo dom&eacute;stico ainda valeria a m&aacute;xima liberal Lockeana concernente &agrave; interioridade da religi&atilde;o enquanto cren&ccedil;a, e sua consequente insensibilidade &agrave; coer&ccedil;&atilde;o estatal, no foro internacional, san&ccedil;&otilde;es governamentais s&atilde;o legitimadas como meios para estabelecer o campo religioso do outro dentro de padr&otilde;es secularmente aceit&aacute;veis. Como afirma o senador Chris Smith, conjurando um fantasma origin&aacute;rio, cuja oposi&ccedil;&atilde;o estaria na pr&oacute;pria base do republicanismo crist&atilde;o: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Tiranos entendem a for&ccedil;a. Eles tamb&eacute;m entendem a fraqueza (...) Esta legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; designada a ajudar povos cuja situa&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente comovente, e com quem muitos americanos t&ecirc;m fortes la&ccedil;os de afinidade e obriga&ccedil;&atilde;o (Danchin 2002:168).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tema pol&iacute;tico-teol&oacute;gico do mal &eacute;, n&atilde;o por acaso, inteiramente ignorado pela vers&atilde;o "n&atilde;o demon&iacute;aca" da religi&atilde;o civil fornecida por Bellah.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, &eacute; importante refletir sobre o ar particularmente civil das &uacute;ltimas investidas p&uacute;blicas do evangelismo norte-americano, especialmente se comparadas &agrave;s suas vertentes tidas como abertamente religiosas (e, portanto, provincianas) pelo grande p&uacute;blico, ainda operantes em contexto dom&eacute;stico<a name="21b"></a><a href="#21a"><sup>21</sup></a>. A vitalidade n&atilde;o sect&aacute;ria que o recurso &agrave; religi&atilde;o civil e aos direitos humanos prov&ecirc; a organiza&ccedil;&otilde;es como a <i>Persecuted Church</i> nos serve de advert&ecirc;ncia para a resist&ecirc;ncia anal&iacute;tica oferecida por certos coletivos pol&iacute;tico-religiosos contempor&acirc;neos a modos meramente causais de se conceber a rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e pol&iacute;tica. No caso do cristianismo norte-americano, isso significa dissociar a sua presen&ccedil;a p&uacute;blica do Partido Republicano. Mais do que uma inger&ecirc;ncia do religioso no pol&iacute;tico, ou mesmo uma ocupa&ccedil;&atilde;o organizada da pol&iacute;tica representativa, os debates e entrela&ccedil;amentos entre o esp&iacute;rito da religi&atilde;o e o esp&iacute;rito da liberdade que d&atilde;o origem ao IRFA atestam para o que Connolly (2005) chama, usando uma terminologia deleuziana, de v&iacute;nculos de "resson&acirc;ncia" entre a m&aacute;quina evang&eacute;lica e as m&aacute;quinas seculares do Estado e da m&iacute;dia de massa. No caso do IRFA, esse modo de vinculamento n&atilde;o causal &eacute; evidenciado pelo fato das agendas do chamado complexo militar-industrial norte-americano, dos grupos de defesa dos direitos humanos e do cristianismo p&uacute;blico serem irredut&iacute;veis a um m&iacute;nimo denominador comum. Capitaliza-se ent&atilde;o justamente a polissemia inerente a categorias como toler&acirc;ncia e liberdade religiosa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atento ao car&aacute;ter a um s&oacute; tempo pr&aacute;tico e poroso da ordem secular, este artigo tentou tra&ccedil;ar algumas de suas modula&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, entendendo que a atividade de se imaginar os EUA ocorreria no interior de uma pol&iacute;tica que povoa tanto o universo das separa&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias quanto das infiltra&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas. Sob essa perspectiva, mais do que uma ess&ecirc;ncia valorativa, a religi&atilde;o civil passa a ser julgada em sua capacidade pragm&aacute;tica de conter ou ampliar a resson&acirc;ncia entre formas de vida religiosas e o centro decis&oacute;rio soberano.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ASAD, Talal. (1993), <i>Genealogies of Religion: Discipline and Reasons of Power in Christianity and Islam</i>. Baltimore: John Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0100-8587201100020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2003), <i>Formations of the Secular: Christianity, Islam, Modernity</i>. Stanford: Stanford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0100-8587201100020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2006), "Trying to understand French secularism". In: H. De Vries; L. Sullivan (eds.). <i>Political Theologies: Public Religions in a Post-secular World</i>. New York: Fordhan University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0100-8587201100020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2008), "Thinking about belief, religion and politics". <i>Mimeo</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0100-8587201100020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BELLAH, Robert N. &#91;1967&#93; (1970), "Civil religion in America". In: R Bellah. <i>Beyond Belief: Essays on Religion in a Post-traditionalist World</i>. Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0100-8587201100020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BELLAH, Robert e GREENSPAH, Frederick E. (eds.). (1987), <i>Uncivil religion: interreligious hostility in America</i>. New York: Crossroad.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0100-8587201100020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOYER, Paul. (1992), <i>When Time Shall Be No More: Prophecy Belief in Modern American Culture</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0100-8587201100020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BROWN, Wendy. (2006), <i>Regulating Aversion: Tolerance in the Age of Identity and Empire.</i> New Haven: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0100-8587201100020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BUSS, D; HERMAN, D. (2003), <i>Globalizing Family Values: The Christian Right in International Politics</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0100-8587201100020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARTER, Stephen L. (1993), <i>The Culture of Disbelief: How American Law and Politics Trivialize Religious Devotion</i>. New York: Basic Books, Harper Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0100-8587201100020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASANOVA, Jose. (1994), <i>Public Religions in The Modern World</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0100-8587201100020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASTELLI, Elizabeth. (2007), "Persecution Complexes: Identity Politics and the 'War on Christians". <i>Differences</i>, nº 18(3):152-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0100-8587201100020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CONNOLLY, William. (2000), <i>Why I am not a Secularist</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0100-8587201100020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2005), "The Evangelical-Capitalist Resonance Machine". <i>Political Theory</i>, nº 33(6):869-886.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0100-8587201100020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DANCHIN, Peter. (2002), "External Monitoring and the International Protection of Freedom of Religion or Belief". In: P. Danchin; E. Cole (eds.). <i>Protecting the Human Rights of Religious Minorities in Eastern Europe</i>. New York: Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0100-8587201100020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DAS, Veena. (1998), "Wittgenstein and Anthropology". <i>Annual Review of Anthropology, </i>27:171-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0100-8587201100020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FALWELL, Jerry. (1980), <i>Listen America!.</i> New York: Doubleday.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0100-8587201100020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FOUCAULT, Michel. (1999), <i>Em defesa da sociedade: curso no Coll&egrave;ge de France (1975-1976)</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0100-8587201100020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GAUCHET, Marcel. (1997), <i>The Disenchantment of the World: a Political History of Religion</i>. Princenton: Princeton Unversity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0100-8587201100020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GUTH, James L. (1996), "The politics of the Christian Right". In: Green; Guth; Smidt &amp; Kellstedt (eds.). <i>Religion and the Culture Wars: Dispatches From the Front</i>. New York: Rowman &amp; Little Field Publishers, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0100-8587201100020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HARVEY, Paul. (2005), <i>Freedom's Coming: Religion, Culture and the Shaping of the South from the Civil War Through the Civil Rights Era</i>. Chapel Hill: UNC Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0100-8587201100020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HATCH, Nathan. (1989), <i>The Democratization of American Christianity</i>. New Haven: Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0100-8587201100020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HERTZKE, Alan. (2004), <i>Freeing God's Children: the Unlike Alliance for Global Human Rights</i>. Lanham, MD: Rowman and Littlefield.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0100-8587201100020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HOFSTADTER, Richard. (1964), "The Paranoid Style in American Politics".<i> Harper's Magazine</i>, November: 77-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0100-8587201100020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JENKINS, Philip. (2006), <i>The New Faces of Christianity: Believing the Bible in the Global South</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0100-8587201100020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LATOUR, Bruno. (2000), <i>Jamais fomos modernos: ensaios de antropologia sim&eacute;trica</i>. Rio de Janeiro: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0100-8587201100020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEFORT, Claude. (2006), "The permanence of theologico-political?". In: H. De Vries; L. Sullivan. <i>Political Theologies: Public Religions in a Post-secular World</i>. New York: Fordhan University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0100-8587201100020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOCKE, John. (2000),<i> Carta sobre a toler&acirc;ncia. </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0100-8587201100020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOVELAND, Anne C. (1997), <i>American Evangelicals and the U.S. Military, 1942-1993</i>. Baton Rouge: Louisiana State University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0100-8587201100020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MAHMOOD, Saba. (2006), "Secularism, Hermeneutics, Empire: The Politics of Islamic Reformation". <i>Public Culture</i>, 18(2):323-247.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0100-8587201100020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARSDEN, George M. (2006), <i>Fundamentalism and American Culture</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0100-8587201100020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">McALLISTER, Melani. (2008), "The Politics of Persecution". <i>Middle East Research &amp; Information Project</i>, nº 39(4):18-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0100-8587201100020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">McINTYRE, Alasdair. (2001), <i>Depois da Virtude</i>. Bauru: EDUSC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0100-8587201100020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NOLL, Mark. (2002), <i>America's God: from Jonathan Edwards to Abraham Lincoln</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0100-8587201100020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2006), <i>The Civil War as a Theological Crisis</i>. Chapel Hill: University of North Carolina Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0100-8587201100020000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANDEL, Michael. 1998. "Religious Liberty: Freedom of Choice or Freedom of Conscience". In: R. Bargava (ed.). <i>Secularism and its critics</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0100-8587201100020000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHMIDT, Leigh Eric. (2000), <i>Hearing Things: Religion, Illusion, and the American Enlightenment</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0100-8587201100020000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHMITT, Carl. (2007), <i>The Origins of the Political</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0100-8587201100020000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SULLIVAN, Winnifred F. (2005), <i>The Impossibility of Religious Freedom</i>. New Haven: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0100-8587201100020000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TAYLOR, Charles. (1994), "The politic of recognition". In: E. Gutmann (ed.). <i>Multiculturalism: Eexamining the Politics of Recognition</i>. New Haven: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0100-8587201100020000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TOCQUEVILLE, Alexis de. (2004), <i>Democracy in America</i>. New York: The Library of America.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0100-8587201100020000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WARNER, Michael. (1990), <i>The Letters of the Republic: Publication and the Public Sphere in Eighteenth-Century America</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0100-8587201100020000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. (2002), "Publics and counterpublics". <i>Public Culture</i>, nº 14(1): 49-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0100-8587201100020000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WITTGENSTEIN, Ludwig. (1968), <i>Philosophical Investigations.</i> New York: Macmillian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0100-8587201100020000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WURMBRAND, Richard. &#91;1979&#93; (2009), <i>Tortured for Christ</i>. Living Sacrifice Book Company: Bartlesville.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0100-8587201100020000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><a name="1a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#1b"><sup>1</sup></a> Gostaria de agradecer os coment&aacute;rios de Saba Mahmood e dos revisores de <i>Religi&atilde;o e Sociedade</i>. </font></p>     <p><a name="2a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#2b"><sup>2</sup></a> O artigo &eacute; focado na an&aacute;lise de "rituais", mais especificamente em como a palavra "Deus" &eacute; empregada por l&iacute;deres pol&iacute;ticos dos EUA em tais circunst&acirc;ncias: "Considerando a separa&ccedil;&atilde;o entre Igreja e Estado, como pode um presidente sequer usar de modo leg&iacute;timo a palavra Deus? A resposta &eacute; que a separa&ccedil;&atilde;o entre Igreja e Estado n&atilde;o nega ao campo pol&iacute;tico uma dimens&atilde;o religiosa. (...) Esta dimens&atilde;o se expressa atrav&eacute;s de um conjunto de cren&ccedil;as, s&iacute;mbolos e rituais que estou chamando aqui de a religi&atilde;o civil americana" (Bellah 1970:171). </font></p>     <p><a name="3a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#3b"><sup>3</sup></a> Bellah demonstra alguns sinais de consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica, no entanto, quando reconhece a eventual metamorfose das virtudes incorporadas pela religi&atilde;o civil em mera viol&ecirc;ncia no contexto da Guerra Fria: "Em momentos de incerteza, fomos tentados a nos apoiarmos em nosso poder f&iacute;sico avassalador em vez de em nossa intelig&ecirc;ncia, e temos, em parte, sucumbido a esta tenta&ccedil;&atilde;o. Nervosos e afoitos toda vez que nosso imenso poder n&atilde;o obt&eacute;m sucesso imediato, estamos no limite de um choque cuja extens&atilde;o nenhum homem pode saber" (Bellah 1970:184).</font></p>     <p><a name="4a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#4b"><sup>4</sup></a> O conceito de "religi&atilde;o incivil", que intitula o volume dedicado ao estudo hist&oacute;rico e sociol&oacute;gico dos conflitos de ordem religiosa nos EUA, n&atilde;o &eacute; esclarecido em nenhum momento, nem por Bellah nem pelos colaboradores. Quando a religi&atilde;o vivida torna-se "incivil" aos olhos da esfera p&uacute;blica secular? E como a religi&atilde;o civil &eacute; concretamente englobada por discursos religosos quando estes visam adquirir legitimadade? Essas s&atilde;o algumas quest&otilde;es que tentarei explorar aqui, cuja resposta demanda a pr&oacute;pria redefini&ccedil;&atilde;o do que seja a religi&atilde;o civil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a> A express&atilde;o "rum e romanismo" refere-se aos dois fatores que, de acordo com os primeiros fundamentalistas, estariam a enfraquecer a fibra moral da na&ccedil;&atilde;o: a flexibiliza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do uso de bebida alco&oacute;lica (fruto de uma longa luta pol&iacute;tica) e o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica no pa&iacute;s</font></p>     <p><a name="6a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#6b"><sup>6</sup></a> A forte migra&ccedil;&atilde;o de evang&eacute;licos sulistas para o sul da Calif&oacute;rnia entre os anos 1930 e 1950 &eacute; frequentemente conectada &agrave; assen&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Reagan ao cargo de governador do estado, em 1966.</font></p>     <p><a name="7a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#7b"><sup>7</sup></a> Essa jurisprud&ecirc;ncia come&ccedil;a com Everson <i>vs</i>. Board of Education (1947), e encontra desfecho em Engel <i>vs</i>. Vitale (1962) e School District Abington <i>vs</i>. Schempp (1963).</font></p>     <p><a name="8a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#8b"><sup>8</sup></a> As no&ccedil;&otilde;es de "forma de vida" e "gram&aacute;tica" utilizadas ao longo deste artigo referem-se a Wittgenstein (1968). Para uma boa avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do seu potencial para a an&aacute;lise antropol&oacute;gica, veja-se Das (1998). </font></p>     <p><a name="9a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#9b"><sup>9</sup></a> "Como um crist&atilde;o devoto, sou profudamente ofendido por pol&iacute;ticos, sejam eles da esquerda e ou da direita, que se apropriam da linguagem e s&iacute;mbolos religiosos com a finalidade de contabilizar votos. Quando l&iacute;deres de origem religiosa se utilizam desses s&iacute;mbolos de modo t&atilde;o divisivo quanto fizeram em Huston &#91;refer&ecirc;ncia &agrave; Conve&ccedil;&atilde;o Republicana de 1992&#93;, tendo em vista condenar seus advers&aacute;rios &agrave;s trevas, eu tremo de raiva - e j&aacute; que esta decis&atilde;o n&atilde;o pertence a nenhuma autoridade eclesi&aacute;stica, eu tamb&eacute;m temo por suas almas" (Carter 1993:47).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="10a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#10b"><sup>10</sup></a> Nesses termos, os "encantamentos ritual&iacute;sticos da religi&atilde;o civil" passam a ser vistos como atos de expropria&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o real de suas energias c&iacute;vicas: "Agradecem a Deus pelo sucesso de uma miss&atilde;o militar recentemente cumprida ou a ser iniciada. Pedem a Deus que aben&ccedil;oe a na&ccedil;&atilde;o, seu povo e seus l&iacute;deres. Mas ningu&eacute;m, na religi&atilde;o civil, se v&ecirc; obrigado a fazer nada por Deus" (Carter 1993:52). </font></p>     <p><a name="11a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#11b"><sup>11</sup></a> Um dos aspectos centrais do argumento cl&aacute;ssico de McIntyre (2001) sobre a dissocia&ccedil;&atilde;o entre &eacute;tica e virtude na modernidade.</font></p>     <p><a name="12a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#12b"><sup>12</sup></a> No entanto, o caso Perry <i>vs</i>. Schwarzenegger (2010) levar&aacute; o debate acerca da constitucionalidade da Proposition 8 &agrave; Suprema Corte.</font></p>     <p><a name="13a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#13b"><sup>13</sup></a> A funda&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel, em 1948, refor&ccedil;a a credibilidade das teologias dispensionalistas, j&aacute; que corrobora teses centrais de sua profecia. Uma variedade de int&eacute;pretes da B&iacute;blia, nos s&eacute;culos XIX e XX, incluindo dispensionalistas, previu o retorno dos judeus &agrave; Palestina, e tais vis&otilde;es tiveram impacto central no apoio material e pol&iacute;tico de grupos evang&eacute;licos aos projetos norte-americano e brit&acirc;nico que subjazem &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel. Nesse sentido, os EUA encontram-se a si mesmos (e de modo apocal&iacute;ptico) no texto B&iacute;blico atrav&eacute;s da promessa feita, em Genesis 12:3, por Deus a Abra&atilde;o: "E aben&ccedil;oarei os que te aben&ccedil;oarem, e amaldi&ccedil;oarei os que te amaldi&ccedil;oarem; e em ti ser&atilde;o benditas todas as fam&iacute;lias da terra".</font></p>     <p><a name="14a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#14b"><sup>14</sup></a> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.state.gov/g/drl/irf/" target="_blank">http://www.state.gov/g/drl/irf/</a>. Consultado em 15.02.10. </font></p>     <p><a name="15b"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#15a"><sup>15</sup></a> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nae.netindex.cfm?FUSEACTION=editor.page&amp;pageID=48&amp;IDCategory=9" target="_blank">http://www.nae.netindex.cfm?FUSEACTION=editor.page&amp;pageID=48&amp;IDCategory=9</a>. Consultado em 15.02.10. </font></p>     <p><a name="16a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#16b"><sup>16</sup></a> Como destaca Brown (2006), apesar de figurar de modo central em dispositivos de lei pertencentes ao direito internacional, "a toler&acirc;ncia ela mesma n&atilde;o pode ser legalmente codificada" (Brown 2006:11). A natureza negativa do conceito de "toler&acirc;ncia" torna sua presen&ccedil;a no desej&aacute;vel conjunto dos direitos humanos inerentemente aberta, sendo imposs&iacute;vel conceb&acirc;-la positivamente, como um "direito &agrave; toler&acirc;ncia". Esse fato indica que o termo &eacute; inteiramente determinado por suas circunst&acirc;ncias de enuncia&ccedil;&atilde;o, operando n&atilde;o "de acordo com a lei (<i>by law</i>)", mas sempre "em adi&ccedil;&atilde;o &agrave; lei" (Brown 2006:12), como um perigoso suplemento. N&atilde;o por acaso, o jogo de linguagem da "toler&acirc;ncia" &eacute; frequentemente utilizado como um mecanismo de despolitiza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que agiria como um dispositivo fora/dentro do pol&iacute;tico, tal como uma dobradi&ccedil;a, que media, traduz e pacifica lutas hist&oacute;ricas ao encapsul&aacute;-las na linguagem dos direitos.</font></p>     <p><a name="17a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#17b"><sup>17</sup></a> Um excelente recurso para a compreens&atilde;o desses fatores est&aacute; no site disponibilizado pelo Departamento de Estudos Africanos da Universidade da Calif&oacute;rnia, em Berkeley. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://understandingsudan.org/index.html" target="_blank">http://understandingsudan.org/index.html</a>. Consultado em 15/02/10.</font></p>     <p><a name="18a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#18b"><sup>18</sup></a> Percebe-se que a tese de Asad da coabita&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica e generativa do religioso no secular difere frontalmente tanto das teorias iluministas do "recuo" da religi&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao pol&iacute;tico, quanto de pensadores hegelianos como Gauchet (1997), interessados na emerg&ecirc;ncia dial&eacute;tica do secular a partir da "cosmologia" crist&atilde; europeia. </font></p>     <p><a name="19a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#19b"><sup>19</sup></a>  De acordo com a tese cl&aacute;ssica de Schmitt "o conceito do estado pressup&otilde;e o conceito do pol&iacute;tico" (Schmitt 2007:19), o &uacute;ltimo sendo ancorado ontologicamente na produ&ccedil;&atilde;o soberana de afinidades, direitos e exce&ccedil;&otilde;es &agrave; sombra do "inimigo". A decis&atilde;o, assim como a divis&atilde;o amigo/inimigo, norma/ exce&ccedil;&atilde;o, que a embasa, seria, portanto, a fonte de normatividade que precede a norma, sendo t&atilde;o autossuficiente quanto o milagre. A recupera&ccedil;&atilde;o geneal&oacute;gica das formas com que o Estado moderno e secular habita esse centro teo-pol&iacute;tico de normatividade &eacute; um dos alvos de Schmitt. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="20a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#20b"><sup>20</sup></a>  Uma s&eacute;rie de emendas poderia ser feita &agrave; no&ccedil;&atilde;o habermasiana de "p&uacute;blico" empregada por Casanova, especialmente se comparada a abordagens dispostas a considerar este conceito em sua plena historicidade, como o faz Warner, para quem "o ser imagin&aacute;rio do p&uacute;blico est&aacute; fadado a ser projetado a partir de discursos j&aacute; em circula&ccedil;&atilde;o" (Warner 2002:76). Em adi&ccedil;&atilde;o &agrave; fraca aten&ccedil;&atilde;o de Casanova &agrave; subst&acirc;ncia discursiva e, portanto, inerentemente pol&iacute;tica da categoria de p&uacute;blico, pode-se constatar que todo o argumento acima recuperado sobre os pardoxos do fundamentalismo enquanto "religi&atilde;o p&uacute;blica contra o pluralismo" &eacute; silenciosamente sustentado por um modelo exclusivamente dom&eacute;stico. </font></p>     <p><a name="21a"></a><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#21b"><sup>21</sup></a>  Castelli (2007) observa o avan&ccedil;o da mesma ret&oacute;rica persecut&oacute;ria na pr&oacute;pria agenda dom&eacute;stica dos evang&eacute;licos americanos, no que obt&ecirc;m menos sucesso. Central para essa estrat&eacute;ga seria a tentativa de tematizar o pr&oacute;prio "terceiro desestabelecimento" acima mencionado enquanto uma coloniza&ccedil;&atilde;o interna pelos inimigos dom&eacute;sticos da Am&eacute;rica. Dentre as &iacute;n&uacute;meras formas de mobiliza&ccedil;&atilde;o apresentadas pela autora, destacaria tr&ecirc;s. Primeiramente, o chamado <i>Justice Sunday</i>, um coletivo de pol&iacute;ticos n&atilde;o seculares, acad&ecirc;micos e lideran&ccedil;as religiosas organizados pelo <i>Family Research Council</i>, dentre 2005 e 2006, com o objetivo de conscientizar crist&atilde;os sobre a tirania de um poder judici&aacute;rio ilimitado e ativista. Outro fen&ocirc;meno signifcativo &eacute; o <i>Liberty Sunday</i>, interessado em defender a "primeira liberdade" contra o casamento gay e a homossexualidade. Uma terceira frente, o grupo Battle Cry, dedica-se &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e defesa dos jovens "soldados de Cristo" contra uma ind&uacute;stria cultural que massacra o seu estilo de vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Recebido em janeiro de 2011    <br>   Aprovado em junho de 2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bruno Reinhardt </b>(<a href="mailto:bmnreinhardt@gmail.com">bmnreinhardt@gmail.com</a>)    <br>   Mestre em Antropologia Social pela Unb e doutorando em Antropologia pela UC Berkeley. Bolsista CAPES/Fulbright.</font></p>     ]]></body>
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