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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crítica de Reid à concepção de identidade pessoal de Locke]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses Reid's critical analysis of Locke's theory of personal identity. Two significant consequences of this analysis are pointed out: a) that if the same consciousness can be transferred from one intelligent being to another, then two or twenty intelligences may be the same person; b) that a man can be, and at the same time not be, the person who practices a given action. Taking these consequences as a starting point, Reid expounds some considerations on the topic.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cr&iacute;tica de Reid &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de    identidade pessoal de Locke</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reid's critique of the conception of personal identity in Locke</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jos&eacute; Aparecido Pereira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutor em Filosofia. Professor do   Curso de Filosofia da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Paran&aacute; (PUCPR) e da   Faculdade Apucarana Cidade Educa&ccedil;&atilde;o (FACED). <a href="mailto:aparecido.pereira@pucpr.br">aparecido.pereira@pucpr.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazer uma abordagem na qual seja apresentada a   an&aacute;lise cr&iacute;tica de Reid acerca da teoria da identidade pessoal de Locke   constitui-se como o objetivo principal desse artigo. Tal an&aacute;lise aponta para   duas consequ&ecirc;ncias significativas: a) se a mesma consci&ecirc;ncia pode ser   transferida de um ser inteligente para outro, ent&atilde;o, dois ou vinte seres   inteligentes podem ser a mesma pessoa; b) a de que um homem pode ser e, ao   mesmo tempo, n&atilde;o ser a pessoa que praticou uma determinada a&ccedil;&atilde;o. Tendo como   ponto de partida essas consequ&ecirc;ncias, Reid explicitar&aacute; algumas considera&ccedil;&otilde;es em   torno do assunto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Cr&iacute;tica. Identidade. Pessoa. Consci&ecirc;ncia. Mem&oacute;ria. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This article discusses Reid's critical analysis of Locke's theory of personal   identity. Two significant consequences of this analysis are pointed out: a)   that if the same consciousness can be transferred from one intelligent being to   another, then two or twenty intelligences may be the same person; b) that a man   can be, and at the same time not be, the person who practices a given action.   Taking these consequences as a starting point, Reid expounds some   considerations on the topic.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> critique; identity; person; consciousness; memory.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fortemente seduzido pelos empreendimentos cient&iacute;ficos de   sua &eacute;poca, Thomas Reid<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>1</sup></a> acreditava que seria poss&iacute;vel   empreender um estudo an&aacute;logo no que diz respeito &agrave; natureza humana, ou seja,   fundament&aacute;-la atrav&eacute;s da base segura da observa&ccedil;&atilde;o e do m&eacute;todo do racioc&iacute;nio experimental.   Um esbo&ccedil;o bem delineado desse projeto j&aacute; o encontramos em suas <i>Investiga&ccedil;&otilde;es</i>,   nas quais ele procura analisar os componentes envolvidos na percep&ccedil;&atilde;o, tendo   como suporte a nossa constitui&ccedil;&atilde;o, mais especificamente, os nossos cinco   sentidos. Dessa forma, essa tentativa j&aacute; revela a sua pretens&atilde;o de aplicar &agrave;   ci&ecirc;ncia da natureza humana um procedimento parecido &agrave;quele comumente utilizado   nas ci&ecirc;ncias da natureza. A sua convic&ccedil;&atilde;o a prop&oacute;sito desse projeto o levar&aacute; a   rever uma gama de conceitos e princ&iacute;pios, exigindo que o pensador escoc&ecirc;s   problematizasse algumas interpreta&ccedil;&otilde;es tradicionais em torno do conhecimento,   porque, a seu ver, essas estariam muito distantes de uma leg&iacute;tima descri&ccedil;&atilde;o do   funcionamento de nossos processos cognitivos. Convicto da necessidade de uma   revis&atilde;o das quest&otilde;es que diziam respeito &agrave; epistemologia de seu tempo, o   trabalho de Reid se configura como uma nova maneira de conceber o problema da   aquisi&ccedil;&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o do nosso conhecimento e da forma&ccedil;&atilde;o das nossas cren&ccedil;as   epist&ecirc;micas. Tendo em vista essas considera&ccedil;&otilde;es, o objetivo primordial deste   artigo consiste em fazer uma abordagem sobre a rea&ccedil;&atilde;o de Reid em rela&ccedil;&atilde;o ao   modo como um dos principais representantes do empirismo moderno, John Locke,   discutiu em seu pensamento os elementos que comp&otilde;em a sua doutrina sobre a   identidade pessoal. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. AS  CONSEQU&Ecirc;NCIAS DA IDENTIDADE PESSOAL DE LOCKE SEGUNDO REID</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cumpre dizer que as obje&ccedil;&otilde;es de Reid endere&ccedil;adas ao modo   como Locke discutiu, em sua filosofia, a quest&atilde;o da identidade pessoal, encontram-se   no Ensaio III, cap&iacute;tulo VI, dos <i>Poderes Intelectuais do Homem</i><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>2</sup></a>. Desse modo, o fil&oacute;sofo escoc&ecirc;s inicia o cap&iacute;tulo fazendo a seguinte declara&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um longo cap&iacute;tulo sobre identidade e diversidade, Locke fez     muitas observa&ccedil;&otilde;es corretas e engenhosas e algumas que, penso, n&atilde;o podem ser     defendidas. Apenas quero enfatizar a explica&ccedil;&atilde;o que ele d&aacute; da nossa pr&oacute;pria     identidade pessoal. Sua doutrina sobre este assunto tem sido censurada pelo     Bispo Butler, em um curto ensaio anexado &agrave; sua Analogia, com cujos sentimentos     concordo perfeitamente. (EIP III.VI: 275).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como podemos observar que, na passagem supracitada, em   certa medida, Locke &eacute; elogiado por ter tratado o assunto de forma parcialmente   correta, mas que, mesmo assim, existem posi&ccedil;&otilde;es que devem ser revistas. &Eacute; isso   que Reid se prop&otilde;e apontar. Quanto a esse assunto, Reid defende que identidade   pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia continuada do ser da qual ela &eacute; afirmada, e, por   conseguinte, s&oacute; pode ser aplicada a coisas que t&ecirc;m uma exist&ecirc;ncia continuada.   Dessa maneira, enquanto um ser continua a existir, ele &eacute; o mesmo ser.   Entretanto, dois seres que tenham um come&ccedil;o diferente ou um t&eacute;rmino diferente,   em sua exist&ecirc;ncia, n&atilde;o podem ser o mesmo ser. Ele salienta que Locke observou   muito justamente que, para saber o que se entende pela mesma pessoa, temos de   considerar o significado de pessoa a qual ele define como sendo um ser   inteligente, dotado de raz&atilde;o e de consci&ecirc;ncia, sendo que ele pensa esta &uacute;ltima   como insepar&aacute;vel do pensamento. Tendo como ponto de partida essa defini&ccedil;&atilde;o de uma   pessoa, Reid manifesta a seguinte posi&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deve se seguir, necessariamente, que, enquanto o ser inteligente     continua a existir e a ser inteligente, ele deve ser a mesma pessoa. Dizer que     o ser inteligente &eacute; a pessoa e, ainda, que a pessoa deixa de existir ao mesmo     tempo em que o ser inteligente continua a existir, ou que a pessoa continua     enquanto o ser inteligente deixa de existir &eacute;, em minha compreens&atilde;o, uma     contradi&ccedil;&atilde;o manifesta. (EIP III.VI: 275).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir disso, Reid observa que algu&eacute;m poderia pensar   que a defini&ccedil;&atilde;o de uma pessoa deveria descrever perfeitamente a natureza da   identidade pessoal ou em que ela consiste, se bem que isso possa ser uma   quest&atilde;o sobre como chegamos a conhecer e a estar seguros de nossa identidade   pessoal. Por essa posi&ccedil;&atilde;o, ele faz alus&atilde;o a uma passagem das <i>Investiga&ccedil;&otilde;es</i> de Locke, na qual se afirma que </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; a identidade pessoal, isto &eacute;, a identidade de um ser     racional, consiste apenas em consci&ecirc;ncia e, na medida em que esta consci&ecirc;ncia     possa ser expandida para tr&aacute;s a qualquer a&ccedil;&atilde;o ou pensamento passado, o mesmo     alcance tem tamb&eacute;m a identidade dessa pessoa. Ent&atilde;o, o que quer que seja que     tenha consci&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es passadas e presentes &eacute; a mesma pessoa a quem     pertencem essas a&ccedil;&otilde;es<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>3</sup></a>. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o a essa maneira de entender a identidade   pessoal, Reid se mant&eacute;m muito reticente, pois, a seu ver, essa doutrina tem   algumas consequ&ecirc;ncias estranhas e, segundo ele, o autor est&aacute; plenamente   consciente disso. Desse modo, a passagem a seguir nos informa muito claramente   sobre a primeira consequ&ecirc;ncia vista por Reid, com respeito &agrave; doutrina de Locke: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a mesma consci&ecirc;ncia pode ser transferida de um ser     inteligente para outro, que ele pensa ser imposs&iacute;vel para n&oacute;s demonstrar,     ent&atilde;o, dois ou vinte seres inteligentes podem ser a mesma pessoa. E se o ser     inteligente pode perder a consci&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es efetivadas por ele, o que     certamente &eacute; poss&iacute;vel, ent&atilde;o ele n&atilde;o &eacute; a pessoa que efetivou essas a&ccedil;&otilde;es; de     modo que um ser inteligente pode ser duas ou vinte pessoas diferentes se ele     muitas vezes perder a consci&ecirc;ncia de suas a&ccedil;&otilde;es anteriores. (EIP III. VI: 276).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, no entender do pensador escoc&ecirc;s, existe outra   consequ&ecirc;ncia da doutrina lockeana que se segue n&atilde;o menos necessariamente,   apesar de Locke muito provavelmente n&atilde;o t&ecirc;-la visto: trata-se de que um homem   pode ser e, ao mesmo tempo, n&atilde;o ser a pessoa que praticou uma determinada a&ccedil;&atilde;o.   Nessa perspectiva, Reid sugere a seguinte suposi&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Suponha que um corajoso oficial, a&ccedil;oitado quando menino na     escola, por roubar um pomar, tenha tomado uma bandeira do inimigo, em sua     primeira campanha, e tenham chegado a general quando mais avan&ccedil;ado em vida;     suponha, tamb&eacute;m, que se deve admitir como poss&iacute;vel que, quando ele se tornou     general, ele estava consciente de ter tomado a bandeira mas tenha esquecido     completamente de ter sido a&ccedil;oitado. (EIP III. VI: 276).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo em vista essa passagem, parece-nos que a sugest&atilde;o   de Reid &eacute; que, a partir da doutrina de Locke, quem foi a&ccedil;oitado na escola &eacute; a   mesma pessoa que tomou a bandeira, e que quem tomou a bandeira &eacute; a mesma pessoa   que foi feita general. O que disso resulta? Que o general &eacute; a mesma pessoa que   foi a&ccedil;oitada na escola, caso haja alguma verdade na l&oacute;gica. Mas, segundo Reid,   a consci&ecirc;ncia do general n&atilde;o alcan&ccedil;a t&atilde;o longe quanto sua flagela&ccedil;&atilde;o, por isso,   segundo a doutrina de Locke, ele n&atilde;o &eacute; a pessoa que foi a&ccedil;oitada. Conclus&atilde;o: o   general, ao mesmo tempo, &eacute; e n&atilde;o &eacute; a mesma pessoa que foi a&ccedil;oitada na escola. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. AS  CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES DE REID SOBRE A NO&Ccedil;&Atilde;O E IDENTIDADE PESSOAL DE LOCKE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s indicar duas consequ&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doutrina de   Locke sobre a identidade pessoal, e guiado pelo desejo de analisar   minuciosamente esse assunto, Reid passa a fazer algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre o   tema. Assim, o nosso prop&oacute;sito neste momento consiste em explicit&aacute;-las. A   passagem a seguir faz alus&atilde;o &agrave; primeira considera&ccedil;&atilde;o, quando o pensador afirma:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>primeiro</i> lugar,     que Locke atribui &agrave; consci&ecirc;ncia a convic&ccedil;&atilde;o que temos a respeito das nossas     a&ccedil;&otilde;es passadas, como se um homem pudesse, agora, estar consciente do que fez h&aacute;     vinte anos atr&aacute;s. &Eacute; imposs&iacute;vel compreender o significado disto, salvo se     consci&ecirc;ncia significar mem&oacute;ria, a &uacute;nica faculdade pela qual temos um     conhecimento imediato das nossas a&ccedil;&otilde;es passadas. (EIP III. VI: 277). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Reid, &agrave;s vezes, no discurso popular, um   homem diz estar consciente de ter feito uma determinada coisa, o que significa   que ele se lembra claramente de t&ecirc;-la feito. A seu ver, &eacute; desnecess&aacute;rio, no   discurso comum, fixar com precis&atilde;o os limites entre a consci&ecirc;ncia e a mem&oacute;ria.   Mas, quando se trata do discurso filos&oacute;fico, a quest&atilde;o deve ser encarada de uma   outra forma. Isso fica expl&iacute;cito quando o pensador escoc&ecirc;s faz a seguinte   declara&ccedil;&atilde;o: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; mas isto deve ser evitado em filosofia, caso contr&aacute;rio,     confundimos os diferentes poderes da mente e atribu&iacute;mos a um o que realmente     pertence a outro. Se um homem pode estar consciente do que fez h&aacute; vinte anos ou     vinte minutos atr&aacute;s, n&atilde;o h&aacute; utilidade na mem&oacute;ria, nem n&oacute;s dever&iacute;amos admitir     que existisse uma tal faculdade. (EIP III. VI: 277). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, ele sustenta que as faculdades de consci&ecirc;ncia   e de mem&oacute;ria s&atilde;o distinguidas principalmente por isto: a primeira &eacute; um   conhecimento imediato do presente e a segunda, um conhecimento imediato do   passado. Portanto, quando a no&ccedil;&atilde;o de identidade pessoal de Locke &eacute; expressa   apropriadamente, ela salienta que a identidade pessoal consiste em recordar   distintamente; pois, mesmo no sentido popular, dizer que estou consciente de   uma a&ccedil;&atilde;o passada significa nada mais do que o fato que recordo distintamente   aquilo que fiz. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda considera&ccedil;&atilde;o de Reid acerca da concep&ccedil;&atilde;o   lockeana de identidade pessoal vem expressa numa longa passagem, podendo ser   demonstrada do seguinte modo: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>segundo</i> lugar, pode-se observar que, nesta doutrina,     n&atilde;o s&oacute; a consci&ecirc;ncia &eacute; confundida com a mem&oacute;ria, mas, o que &eacute; ainda mais     estranho, que a identidade pessoal &eacute; confundida com a evid&ecirc;ncia que temos de     nossa identidade pessoal. &Eacute; bem verdade que minha recorda&ccedil;&atilde;o de que fiz uma     determinada coisa &eacute; a prova que eu sou a pessoa id&ecirc;ntica a quem a fez. E a     isto, sou capaz de pensar, Locke atribu&iacute;a o mesmo significado; mas dizer que a     minha lembran&ccedil;a de que fiz tal coisa, ou a minha consci&ecirc;ncia de que fiz me faz     ser a pessoa que fez tal coisa &eacute;, na minha apreens&atilde;o, um absurdo demasiado     grosseiro para ser assumido por qualquer homem que atente para o significado     disto, pois seria atribuir &agrave; mem&oacute;ria ou &agrave; consci&ecirc;ncia um estranho poder m&aacute;gico     de produzir seu objeto, embora esse objeto deva ter existido anteriormente &agrave;     mem&oacute;ria ou &agrave; consci&ecirc;ncia que a produziu. (EIP III. VI: 277)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como podemos observar,   a passagem acima deixa bem claras as retic&ecirc;ncias de Reid quanto &agrave; vis&atilde;o de   Locke em rela&ccedil;&atilde;o ao problema da identidade de uma pessoa, j&aacute; que, num primeiro   momento, o erro desse pensador foi n&atilde;o ter atentado para o fato de que, quando   se trata da identidade pessoal, consci&ecirc;ncia e mem&oacute;ria n&atilde;o podem ser a mesma   coisa, isto &eacute;, por natureza elas s&atilde;o distintas. Parece-nos, ent&atilde;o, que o   problema que Reid detecta na teoria de Locke &eacute; que esse fil&oacute;sofo atribui o   mesmo significado para consci&ecirc;ncia e para mem&oacute;ria, o que, para o pensador   escoc&ecirc;s, &eacute; inaceit&aacute;vel. Uma vez contestada essa vis&atilde;o de Locke, Reid prop&otilde;e uma   distin&ccedil;&atilde;o entre essas duas faculdades. Desse modo, segundo ele, a consci&ecirc;ncia &eacute;   o testemunho de uma faculdade. Por sua vez, a mem&oacute;ria &eacute; o testemunho de uma   outra. E admitir que o testemunho &eacute; a causa da coisa testemunhada, certamente,   &eacute; um absurdo, argumenta Reid. Segundo ele, Locke poderia n&atilde;o ter dito isso, se   ele n&atilde;o tivesse confundido o testemunho com a coisa testemunhada. Assim, Reid   declara o seguinte: "&#91;...&#93; quando um cavalo que foi roubado &eacute; encontrado e   reclamado pelo propriet&aacute;rio, a &uacute;nica evid&ecirc;ncia que ele pode ter, ou que um juiz   ou testemunhas podem ter, de que este cavalo &eacute; muito id&ecirc;ntico &agrave;quele que &eacute; de   sua propriedade &eacute; a sua similaridade" (EIP III. VI: 278). Entretanto, Reid   pensa ser rid&iacute;culo inferir disso que a identidade de um cavalo consiste apenas   em similaridade. Nessa perspectiva, ele conclui da seguinte maneira: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; a &uacute;nica prova que     temos de que sou id&ecirc;ntico &agrave; pessoa que fez tais a&ccedil;&otilde;es &eacute; que me lembro     claramente que as fiz; ou, como Locke expressou, estou consciente de que as     fiz. Inferir, a partir disto, que a identidade pessoal consiste em ter     consci&ecirc;ncia &eacute; um argumento que, se tivesse alguma for&ccedil;a, provaria que a     identidade de um cavalo roubado consiste apenas em similaridade. (EIP III. VI:     278).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceira considera&ccedil;&atilde;o de Reid sobre a doutrina de Locke   &eacute; formulada atrav&eacute;s de um questionamento: "&#91;...&#93; n&atilde;o &eacute; estranho que a   semelhan&ccedil;a ou a identidade de uma pessoa deva consistir em algo que est&aacute; em   cont&iacute;nua muta&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o &eacute; o mesmo em dois minutos distintos?" (EIP III. VI:   278). Tendo como ponto de partida essa indaga&ccedil;&atilde;o, Reid afirma que a nossa   consci&ecirc;ncia, nossa mem&oacute;ria e cada opera&ccedil;&atilde;o da mente ainda est&atilde;o fluindo como a   &aacute;gua de um rio, ou como o pr&oacute;prio tempo. E complementa: "&#91;...&#93; a consci&ecirc;ncia   que tenho neste momento n&atilde;o pode mais ser a mesma consci&ecirc;ncia que eu tinha em   um momento anterior, porque este momento n&atilde;o pode ser o momento anterior" (EIP   III. VI: 278). Dessa forma, enfatiza ele, a identidade s&oacute; pode ser afirmada das   coisas que tenham uma exist&ecirc;ncia cont&iacute;nua, pois a consci&ecirc;ncia (e todo o tipo de   pensamento) &eacute; transit&oacute;ria, moment&acirc;nea e n&atilde;o tem exist&ecirc;ncia cont&iacute;nua e, por   conseguinte, se a identidade pessoal consistir em consci&ecirc;ncia, isso se seguiria   certamente: "&#91;...&#93; nenhum homem &eacute; a mesma pessoa em quaisquer dois momentos de   sua vida e, como o direito e a justi&ccedil;a de recompensar e punir s&atilde;o fundados na   identidade pessoal, nenhum homem poderia ser responsabilizado por seus atos"   (EIP III. VI: 278). Contudo, Reid salienta que, apesar de ele acreditar ser   este o resultado inevit&aacute;vel da doutrina relativa &agrave; identidade pessoal de Locke   e, embora alguns possam ter gostado da doutrina pelo que existe de melhor em   sua explica&ccedil;&atilde;o, ele (Reid) est&aacute; longe de imputar qualquer coisa desse g&ecirc;nero a   Locke. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfim, a &uacute;ltima considera&ccedil;&atilde;o apontada por Reid, com   respeito &agrave; teoria de Locke sobre a identidade pessoal pode ser explicitada na   passagem a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem muitas express&otilde;es utilizadas por Locke, ao falar da     identidade pessoal que, para mim, s&atilde;o totalmente inintelig&iacute;veis, a menos que     suponhamos que ele confundiu similaridade ou identidade, que atribu&iacute;mos a um     indiv&iacute;duo, com a identidade que, no discurso comum, &eacute; muitas vezes atribu&iacute;da a     muitos indiv&iacute;duos da mesma esp&eacute;cie. (EIP III. VI: 278-279).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da observa&ccedil;&atilde;o acima, o pensador escoc&ecirc;s comenta   que, quando se afirma que dor e prazer, consci&ecirc;ncia e mem&oacute;ria s&atilde;o os mesmos em   todos os homens, essa semelhan&ccedil;a s&oacute; pode significar similaridade ou semelhan&ccedil;a   de tipo. Mas que a dor de uma pessoa possa ser a mesma dor individual que a dor   de outra pessoa &eacute; n&atilde;o menos imposs&iacute;vel do que o fato de que uma pessoa devesse   ser uma outra pessoa. Nessa perspectiva, acrescenta Reid: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; a dor sentida por mim, ontem, n&atilde;o pode ser a dor que sinto     hoje tanto quanto hoje n&atilde;o pode ser ontem e a mesma coisa pode ser dita de cada     paix&atilde;o e de cada opera&ccedil;&atilde;o da mente; o mesmo tipo ou esp&eacute;cie de opera&ccedil;&atilde;o pode     estar em homens diferentes ou no mesmo homem, em momentos diferentes, mas &eacute;     imposs&iacute;vel que a mesma opera&ccedil;&atilde;o individual devesse estar em homens diferentes     ou no mesmo homem em momentos diferentes. (EIP III. VI: 279).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme Reid, quando Locke fala da mesma consci&ecirc;ncia   sendo continuamente atrav&eacute;s de uma sucess&atilde;o de diferentes subst&acirc;ncias, e quando   ele alude a repetir a ideia de uma a&ccedil;&atilde;o passada com a mesma consci&ecirc;ncia que   dela tivemos da primeira vez e da mesma consci&ecirc;ncia de alcan&ccedil;ar as a&ccedil;&otilde;es   passadas e as por vir<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>4</sup></a>, essas express&otilde;es, argumenta Reid, s&atilde;o   inintelig&iacute;veis, a n&atilde;o ser que Locke n&atilde;o tenha dado esse significado para a   mesma consci&ecirc;ncia individual, mas sim para uma consci&ecirc;ncia que &eacute; semelhante ou   de mesma natureza. Assim, para Reid, se a identidade pessoal consiste em   consci&ecirc;ncia, j&aacute; que esta n&atilde;o pode ser a mesma isoladamente, em quaisquer dois   momentos, mas apenas de mesma natureza, disso se seguiria que n&atilde;o somos o mesmo   indiv&iacute;duo em quaisquer dois momentos, mas sim o mesmo tipo de pessoa. Tal como   a nossa consci&ecirc;ncia, por vezes, deixa de existir, como acontece em um sono   profundo, a nossa identidade pessoal deve cessar com isso. Em decorr&ecirc;ncia,   Locke admite que a mesma coisa n&atilde;o pode ter dois in&iacute;cios de exist&ecirc;ncia, de modo   que a nossa identidade estaria irremediavelmente perdida, a cada vez que   deix&aacute;ssemos de pensar, ainda que fosse apenas por um momento, argumenta Reid.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES  FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O nosso artigo procurou evidenciar algumas observa&ccedil;&otilde;es   cr&iacute;ticas de Reid em torno da no&ccedil;&atilde;o de identidade pessoal de Locke, com base em   duas consequ&ecirc;ncias j&aacute; apontadas neste trabalho. O que pretendemos, neste   momento, &eacute; tecer algumas considera&ccedil;&otilde;es a t&iacute;tulo de conclus&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As quest&otilde;es discutidas neste trabalho suscitam a seguinte   quest&atilde;o: qual o fundamento para a identidade pessoal? Sem querer entrar em   detalhes sobre a concep&ccedil;&atilde;o de identidade pessoal sustentada por Locke,   resumidamente, podemos sublinhar que ela se encontra alicer&ccedil;ada sobre o   argumento da exist&ecirc;ncia de uma mente ou consci&ecirc;ncia que teria a fun&ccedil;&atilde;o de   sintetizar e unificar as experi&ecirc;ncias passadas de um indiv&iacute;duo at&eacute; o momento   presente de sua hist&oacute;ria. Nesse caso, esse processo se tornaria inteiramente   dependente da mem&oacute;ria, a qual deveria ser capaz de organizar as lembran&ccedil;as ou a   hist&oacute;ria de vida uma pessoa. Dessa forma, a mem&oacute;ria &eacute; que possibilitaria essa   consci&ecirc;ncia unificadora, garantindo, por exemplo, que a pessoa que foi a um congresso   de filosofia em S&atilde;o Paulo, na semana passada, &eacute; a mesma pessoa que est&aacute;   escrevendo a conclus&atilde;o deste artigo, agora, e que daqui a pouco vai jogar   futebol. Nesse sentido, podemos dizer que, para Locke, o fundamento para a   quest&atilde;o da identidade pessoa seria a mente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que notamos &eacute; que,   embora Thomas Reid tenha apontado duas consequ&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o a essa doutrina   lockeana e feito algumas considera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas acerca desse assunto, ele   comete o mesmo equ&iacute;voco, ao refletir sobre a identidade pessoal somente a   partir da mente ou consci&ecirc;ncia. O fato &eacute; que, apesar de suas cr&iacute;ticas, os   elementos que definem a sua concep&ccedil;&atilde;o de identidade pessoal ficam restritos &agrave;   quest&atilde;o da consci&ecirc;ncia e mem&oacute;ria. Isso ficou expl&iacute;cito quando ele faz a   distin&ccedil;&atilde;o entre ambas, afirmando que a primeira &eacute; um conhecimento imediato do   presente e a segunda, um conhecimento imediato do passado, concluindo que a   identidade pessoal consiste em consci&ecirc;ncia, haja vista que esta n&atilde;o pode ser a   mesma separadamente, em quaisquer dois momentos. Assim, podemos perceber que os   dois caem numa esp&eacute;cie de mentalismo, ao discutir o problema da identidade   pessoal a partir da mente ou da consci&ecirc;ncia. Entendemos, ent&atilde;o, que ambos se   equivocaram, pois se esqueceram de que mente e consci&ecirc;ncia mant&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o   estreita com o corpo. Desse modo, talvez fosse interessante discutir esse   problema com base em uma vis&atilde;o mais unit&aacute;ria do ser pessoa, entendendo-a como   uma totalidade, ou seja, como portadora de dimens&otilde;es ps&iacute;quicas e som&aacute;ticas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CLEVE, James V. Reid On The Principles of Contingent   Truths. <i>Reid Studies</i>, Vol. 03,   nº 01, p.03-23, Autumn 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0101-3173201200010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______.<i>Reid&acute;s Theory   of Perception</i>. In: CUNEO, Terence; VAN WOUDENBERG, Ren&eacute; (Ed.). <i>The Cambridge Companion to Reid</i>.   Cambridge: Cambridge UP, 2004. p. 101-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0101-3173201200010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Thomas Reid&acute;s Theory Of Memory.&nbsp; <i>History of Philosophy Quarterly</i>, Vol. 23,   nº 02, April 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0101-3173201200010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Thomas Reid's Philosophy of Mind: Consciousness   and Intentionality. <i>Philosophy Compass</i>,   p. 1-11, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0101-3173201200010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOCKE, John. <i>An Essay   Concerning Human Understanding.</i> Great Books In Philosophy. London:   George Routledge And Sons, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0101-3173201200010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REID, Thomas. <i>An   Inquiry into the Human Mind on the Principles of Common Sense</i>. Ed.   Derek R. Brooks, Edinburgh: Edinburgh UP, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0101-3173201200010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Essays on the   Intellectual Powers of Man</i>. Ed. Derek R. Brookes. Edinburgh:   Edinburgh UP, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0101-3173201200010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Essays on the   Active Powers of Man.</i> Ed. Baruch Brody. Cambridge. MA: MIT Press,   1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0101-3173201200010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Inquiry and   Essays</i>. Ed. Keith Leher and Ronald E. Beanblossom. Indianapolis: Bobbs-Merrill,   1975</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0101-3173201200010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>The   Philosophical Orations of Thomas Reid</i>. Edited with Introduction and   Bibliography by D. D. Todd. Carbondale: Southern Illinois UP, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0101-3173201200010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido   em: 05.09.2011<br />   Aprovado em: 02.12.2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">1</a> Fil&oacute;sofo escoc&ecirc;s (1710-1796). Foi   professor nas Universidades de Aberdeen e Glasgow. Fundador do movimento da   filosofia do senso comum, defende uma vis&atilde;o realista segundo a qual a mente   humana &eacute; capaz de ter contato direto com a realidade externa. </font>    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">2</a>&nbsp;Para essa obra de Reid, utilizaremos a     abreviatura que seus leitores e pesquisadores costumeiramente citam - EIP -,     tendo como refer&ecirc;ncia o texto editado por Derek R. Brookes, pela Edinbburgh     University Press, de 2002.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">3</a> Cf. LOCKE, <i>Essay</i>,     II. XXVII: 9, 1995, p. 247    <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">4</a> Cf. LOCKE, <i>Essay</i>,     II. XXVII: 10, 1995, p. 149.</font></p>      ]]></body><back>
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