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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0101-32622011000200006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jovens olhares sobre a escola do ensino médio]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the results of a research carried out with students from the State of Pará on the relations between the life projects of youth and public high schools. Data were collected in 2009 through twelve Dialogue Groups with 245 students from two hinterlands cities (Mojú and Santarém) and the Capital. These declarations allowed us to identify some of the schools' contributions to the concretization of their demands and expectations, as well as many gaps and dead ends. The text begins with a general discussion on the Brazilian high school context and the relationship with youth. It then situates the specific reality of schools in Pará, according to the youth's point of view, and tries to comprehend the distances and approximations between youth expectations and the experiences offered by their school.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGOS</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Jovens olhares sobre a escola do ensino m&eacute;dio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Fresh looks on high school</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Geraldo Le&atilde;o<sup>I</sup>; Juarez Tarc&iacute;sio    Dayrell<sup>II</sup>; Juliana Batista dos Reis<sup>III</sup></font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Doutor em Educa&ccedil;&atilde;o    e professor adjunto da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o e do Programa de    P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade    Federal de Minas Gerais (UFMG). <i>E-mail</i>: <a href="mailto:gleao2001@yahoo.com.br">gleao2001@yahoo.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Doutor em Educa&ccedil;&atilde;o e professor associado da Faculdade    de Educa&ccedil;&atilde;o e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Educa&ccedil;&atilde;o da UFMG. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:juareztd@uol.com.br">juareztd@uol.com.br</a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Doutoranda em Educa&ccedil;&atilde;o pelo Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Educa&ccedil;&atilde;o da UFMG e pesquisadora do Observat&oacute;rio da Juventude    da mesma Universidade. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:jubtr@yahoo.com.br">jubtr@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo discute os resultados de uma pesquisa    realizada com estudantes do Par&aacute; sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre    projetos de vida de jovens e as escolas p&uacute;blicas de ensino m&eacute;dio.    Os dados foram coletados em 2009, por meio de doze Grupos de Di&aacute;logos    com 245 jovens, organizados em duas cidades do interior do estado (Moju e Santar&eacute;m)    e na capital. A partir dos depoimentos dos jovens, foi poss&iacute;vel identificar    algumas contribui&ccedil;&otilde;es das escolas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    de suas demandas e expectativas, mas tamb&eacute;m muitas lacunas e impasses.    O texto parte de uma discuss&atilde;o geral sobre o contexto do ensino m&eacute;dio    no pa&iacute;s e a rela&ccedil;&atilde;o com a juventude para situar a realidade    espec&iacute;fica das escolas paraenses segundo o olhar dos jovens pesquisados,    compreendendo assim as dist&acirc;ncias e aproxima&ccedil;&otilde;es entre as    expectativas juvenis e as experi&ecirc;ncias oferecidas por suas escolas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Educa&ccedil;&atilde;o.    Ensino m&eacute;dio. Juventude. </font></p>  <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This paper discusses the results of a research    carried out with students from the State of Par&aacute; on the relations between    the life projects of youth and public high schools. Data were collected in 2009    through twelve Dialogue Groups with 245 students from two hinterlands cities    (Moj&uacute; and Santar&eacute;m) and the Capital. These declarations allowed    us to identify some of the schools' contributions to the concretization of their    demands and expectations, as well as many gaps and dead ends. The text begins    with a general discussion on the Brazilian high school context and the relationship    with youth. It then situates the specific reality of schools in Par&aacute;,    according to the youth's point of view, and tries to comprehend the distances    and approximations between youth expectations and the experiences offered by    their school. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>Education. High school. Youth.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo, buscamos discutir a realidade do    ensino m&eacute;dio na &oacute;tica dos jovens alunos, problematizando os sentidos    que atribuem &agrave; viv&ecirc;ncia escolar. Trata-se de um dos resultados    da pesquisa <i>Ensino M&eacute;dio em Di&aacute;logo, </i>realizada no estado    do Par&aacute;, em 2009, no &acirc;mbito do projeto <i>Di&aacute;logos com o    Ensino M&eacute;dio</i>,<a href="#nt1"><sup>1</sup></a><a name="tx1"></a> que    teve como objetivos apreender e analisar a situa&ccedil;&atilde;o do ensino    m&eacute;dio nesse estado, na &oacute;tica dos jovens alunos, buscando analisar    os sentidos atribu&iacute;dos e as expectativas dos jovens alunos em rela&ccedil;&atilde;o    a esse n&iacute;vel de ensino. No contexto desses objetivos mais gerais, optamos    em centrar a investiga&ccedil;&atilde;o em torno da rela&ccedil;&atilde;o que    os jovens estudantes estabelecem entre os processos educativos e seus projetos    de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Buscamos ainda discutir especificamente a vis&atilde;o    dos jovens alunos sobre a sua viv&ecirc;ncia escolar, evidenciando suas demandas    e necessidades em rela&ccedil;&atilde;o ao ensino m&eacute;dio. O texto parte    de uma discuss&atilde;o geral sobre este n&iacute;vel de ensino no pa&iacute;s,    evidenciando a import&acirc;ncia de se levar em conta nas an&aacute;lises o    aluno como jovem. Em seguida, partimos para uma descri&ccedil;&atilde;o dos    jovens alunos pesquisados, finalizando com os resultados da pesquisa desenvolvida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Os desafios do ensino m&eacute;dio e a juventude</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dilemas enfrentados pela educa&ccedil;&atilde;o    nos &uacute;ltimos anos n&atilde;o se restringem ao ensino m&eacute;dio, tampouco    ao contexto brasileiro. Tais dilemas t&ecirc;m sido definidos como uma crise    de legitimidade da escola (Krawczyk, 2009), como um reflexo das profundas muta&ccedil;&otilde;es    que v&ecirc;m afetando as sociedades ocidentais e que interferem nas institui&ccedil;&otilde;es    e processos socializadores (Dayrell, 2007), como um momento de muta&ccedil;&atilde;o    na educa&ccedil;&atilde;o (Can&aacute;rio, 2005) ou ainda como uma "etapa    n&atilde;o apenas de estancamento, mas de regress&atilde;o no campo educativo"    (Gadotti, 1992, p. 75). Seja qual for a tese utilizada para caracterizar o momento    vivido atualmente pela institui&ccedil;&atilde;o escolar e pela educa&ccedil;&atilde;o,    o que se destaca &eacute; a dist&acirc;ncia entre o que a sociedade espera da    escola e o que a escola tem sido capaz de oferecer. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A situa&ccedil;&atilde;o parece se acirrar especificamente    com o ensino m&eacute;dio, que enfrenta desafios consider&aacute;veis. Um deles,    que nos interessa mais de perto, refere-se &agrave; expans&atilde;o das matr&iacute;culas    ocorrida a partir dos anos de 1990<a href="#nt2"><sup>2</sup></a><a name="tx2"></a>    e a amplia&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade e gratuidade desse n&iacute;vel    de ensino,<a href="#nt3"><sup>3</sup></a><a name="tx3"></a> o que tem gerado    uma mudan&ccedil;a significativa do perfil dos jovens alunos que chegam a ele.    As escolas p&uacute;blicas de ensino m&eacute;dio no Brasil at&eacute; ent&atilde;o    eram restritas a jovens das camadas altas e m&eacute;dias da sociedade, os "herdeiros",    segundo Bourdieu (2003), com certa homogeneidade de habilidades, conhecimentos    e de projetos de futuro. Elas passam ent&atilde;o a receber um contingente de    alunos cada vez mais heterog&ecirc;neo, marcado pelo contexto de uma sociedade    desigual, com altos &iacute;ndices de pobreza e viol&ecirc;ncia que delimitam    os horizontes poss&iacute;veis de a&ccedil;&atilde;o dos jovens na sua rela&ccedil;&atilde;o    com essa institui&ccedil;&atilde;o. Os conflitos e contradi&ccedil;&otilde;es    de uma estrutura social excludente se tornam mais expl&iacute;citos em seu interior,    interferindo nas suas trajet&oacute;rias escolares e sentidos atribu&iacute;dos    a ela. Novos desafios se apresentam ent&atilde;o &agrave; escola e seus profissionais    (Sposito, 2005). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal expans&atilde;o ainda n&atilde;o respondeu    &agrave;s necessidades de universaliza&ccedil;&atilde;o desse n&iacute;vel de    ensino. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA)    (Castro et al., 2009), aproximadamente 82% dos jovens de 15 a 17 estudavam em    2007, mas apenas 48% deles cursavam o ensino m&eacute;dio, o que indica uma    enorme defasagem s&eacute;rie/idade. Mais s&eacute;rio ainda &eacute; o fato    de que 32,7% dos jovens de 15 a 19 anos n&atilde;o estavam estudando em 2007,    evidenciando o desafio de democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso aos anos finais    da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro desafio a ser enfrentado se refere &agrave;    identidade do ensino m&eacute;dio. H&aacute; uma permanente tens&atilde;o entre    forma&ccedil;&atilde;o geral e/ou profissional, ensino proped&ecirc;utico e/ou    t&eacute;cnico, que diz respeito ao papel da escola m&eacute;dia como etapa    final do ensino b&aacute;sico e sua rela&ccedil;&atilde;o com o mercado de trabalho,    com o ensino superior e com a forma&ccedil;&atilde;o pensada em termos mais    amplos, relacionada &agrave;s no&ccedil;&otilde;es de autonomia e cidadania.    Acresce-se a necessidade de docentes com forma&ccedil;&atilde;o adequada ao    desenvolvimento do trabalho com jovens, de novas tecnologias educacionais no    contexto escolar e de rever as rela&ccedil;&otilde;es professor/aluno e jovem/adulto    no contexto escolar, entre outros desafios (Krawczyk, 2009). Acrescentamos ainda    a necessidade de desvendar o papel e o sentido atribu&iacute;dos pelos jovens    &agrave; escola, o que aponta para a discuss&atilde;o necess&aacute;ria sobre    as poss&iacute;veis rela&ccedil;&otilde;es que os jovens estabelecem entre os    seus projetos de vida e a experi&ecirc;ncia escolar. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, propomos o deslocamento da an&aacute;lise    da institui&ccedil;&atilde;o escolar para os sujeitos jovens, centrando neles    o eixo da investiga&ccedil;&atilde;o. Partimos da constata&ccedil;&atilde;o    de que existe uma nova condi&ccedil;&atilde;o juvenil no Brasil, resultado das    muta&ccedil;&otilde;es nos processos mais amplos de socializa&ccedil;&atilde;o    (Dayrell, 2007). O jovem que chega &agrave;s escolas p&uacute;blicas, na sua    diversidade, apresenta caracter&iacute;sticas, pr&aacute;ticas sociais e um    universo simb&oacute;lico muito diferente das gera&ccedil;&otilde;es anteriores.<a href="#nt4"><sup>4</sup></a><a name="tx4"></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Entre as dimens&otilde;es dessa nova condi&ccedil;&atilde;o    juvenil, pode ser apontada a origem social, marcada pela pobreza, fazendo com    que a escola e o trabalho sejam realidades que se superp&otilde;em ou sofrem    &ecirc;nfases diversas. Outra dimens&atilde;o pontuada s&atilde;o as culturas    juvenis, evidenciando que o mundo da cultura aparece como um espa&ccedil;o privilegiado    de pr&aacute;ticas, representa&ccedil;&otilde;es, s&iacute;mbolos e rituais,    no qual os jovens buscam demarcar uma identidade juvenil. Ou mesmo a sociabilidade,    apontando a centralidade dessa dimens&atilde;o que se desenvolve entre os grupos    de pares, preferencialmente nos espa&ccedil;os e tempos do lazer e da divers&atilde;o,    mas tamb&eacute;m presente nos espa&ccedil;os institucionais como na escola    ou mesmo no trabalho. Essas diferentes dimens&otilde;es da condi&ccedil;&atilde;o    juvenil se configuram a partir do espa&ccedil;o onde s&atilde;o constru&iacute;das,    que passa a ter sentidos pr&oacute;prios, transformando-se em <i>lugar</i>,    o espa&ccedil;o do fluir da vida, do vivido, sendo o suporte e a media&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es sociais, investido de sentidos pr&oacute;prios, al&eacute;m    de ser a ancoragem da mem&oacute;ria, tanto individual quanto coletiva. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; atrav&eacute;s dessas dimens&otilde;es,    entre outras, que os jovens v&atilde;o se construindo como tais, com uma identidade    marcada pela diversidade nas suas condi&ccedil;&otilde;es sociais, culturais    (etnias, identidades religiosas, valores etc.), de g&ecirc;nero e at&eacute;    mesmo geogr&aacute;ficas, entre outros aspectos. A juventude se constitui como    um momento delicado de escolhas, de defini&ccedil;&otilde;es, no qual o jovem    tende a se defrontar com perguntas como: "Para onde vou?", "Qual    rumo devo dar &agrave; minha vida?", quest&otilde;es estas cruciais para    o jovem e diante das quais a escola teria de contribuir de alguma forma, no    m&iacute;nimo na sua problematiza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi nessa perspectiva que a pesquisa <i>Di&aacute;logos    com o Ensino M&eacute;dio</i> foi desenvolvida, tendo em vista a compreens&atilde;o    da realidade do ensino m&eacute;dio e seus desafios, especialmente no que se    refere &agrave; lacuna existente na compreens&atilde;o do aluno desse n&iacute;vel    de ensino como jovem. Nesse sentido, a escolha metodol&oacute;gica de eleger    os jovens como sujeitos da investiga&ccedil;&atilde;o fundamenta-se em um pressuposto    de pesquisa. Parte-se da ideia de que os jovens estudantes s&atilde;o interlocutores    v&aacute;lidos e privilegiados para a compreens&atilde;o do ensino m&eacute;dio.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A escolha dessa perspectiva implicou uma mudan&ccedil;a    no eixo da an&aacute;lise, passando das institui&ccedil;&otilde;es educativas    para os sujeitos jovens, em que a escola passa a ser problematizada a partir    da &oacute;tica destes &uacute;ltimos, buscando compreender as suas demandas    e necessidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; institui&ccedil;&atilde;o escolar.    Ao centrar a investiga&ccedil;&atilde;o em torno da realidade escolar que vivenciavam,    buscou-se apreender dessa forma os sentidos que os jovens atribuem &agrave;    escola e ao ensino m&eacute;dio. Quais as vis&otilde;es que possuem sobre a    sua viv&ecirc;ncia escolar? Quais os significados que atribuem &agrave; escola?    Quais os desafios que apontam? Ser&aacute; que correspondem &agrave;s quest&otilde;es    evidenciadas acima pelos estudiosos do ensino m&eacute;dio? S&atilde;o indaga&ccedil;&otilde;es    que buscaremos problematizar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A pesquisa e o contexto</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como j&aacute; afirmamos, a pesquisa foi desenvolvida    no estado do Par&aacute; em 2009. A sele&ccedil;&atilde;o do estado em que seria    realizada a pesquisa deu-se a partir da demanda do mec, a partir dos resultados    do &Iacute;ndice de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica    (IDEB) de 2007. Nesse ano, o Par&aacute; foi a unidade da Federa&ccedil;&atilde;o    que apresentou o menor ideb entre os estados brasileiros. Dessa forma, buscou-se    compreender as percep&ccedil;&otilde;es que os atores diretamente relacionados    &agrave; escola, especificamente os jovens, apresentavam sobre ela, tendo como    refer&ecirc;ncia a realidade educacional desse estado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A defini&ccedil;&atilde;o dos procedimentos de    campo est&aacute; intrinsecamente relacionada ao problema de pesquisa em quest&atilde;o.    Se, em um primeiro momento, foi necess&aacute;rio avistar um quadro geral dos    contextos social, econ&ocirc;mico e cultural em que a popula&ccedil;&atilde;o    jovem do Par&aacute; est&aacute; inserida, posteriormente foi imprescind&iacute;vel    escutar os sujeitos de pesquisa sobre suas viv&ecirc;ncias e expectativas. As    cidades e escolas e a amostra da pesquisa foram selecionadas a partir de bases    de dados secund&aacute;rias do ibge e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas    Educacionais (INEP).<a href="#nt5"><sup>5</sup></a><a name="tx5"></a> Para alcan&ccedil;ar    a voz dos jovens, desenvolvemos doze <i>Grupos de Di&aacute;logos</i> (GD) com    245 estudantes do ensino m&eacute;dio de tr&ecirc;s cidades do estado: Moju,    Santar&eacute;m e a capital Bel&eacute;m, com uma m&eacute;dia de tr&ecirc;s    horas cada encontro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A metodologia dos GDparte do pressuposto de    que os sujeitos, colocados em situa&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&atilde;o    e di&aacute;logo, estimulados a refletirem sobre um tema proposto, n&atilde;o    apenas manifestam suas opini&otilde;es, mas partilham, aprofundam e modificam    suas percep&ccedil;&otilde;es, representa&ccedil;&otilde;es e pontos de vista.    Nos doze GDrealizados, cada um deles com a dura&ccedil;&atilde;o de quatro    horas, os jovens foram convidados a falar sobre seus projetos de vida e as contribui&ccedil;&otilde;es    e n&atilde;o contribui&ccedil;&otilde;es do ensino m&eacute;dio que eles frequentavam    para a realiza&ccedil;&atilde;o.<a href="#nt6"><sup>6</sup></a><a name="tx6"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Jovens sujeitos de pesquisa</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para tra&ccedil;ar um perfil dos jovens sujeitos    de pesquisa, ou seja, os participantes dos doze GD, foram utilizados os dados    colhidos em um question&aacute;rio que foi respondido individualmente pelos    jovens, antes do in&iacute;cio das atividades de cada grupo. Com esses dados,    procuramos tra&ccedil;ar um breve perfil atrav&eacute;s de alguns dados socioecon&ocirc;micos    dos jovens pesquisados, que acabam por delinear um contorno geral e caracteriza&ccedil;&otilde;es    desse grupo. O total da amostra foi de 245 respondentes, sendo que o n&uacute;mero    de jovens por cidade de moradia foi de 126 de Bel&eacute;m, 88 de Santar&eacute;m    e 31 da cidade de Moju.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Levando-se em conta a faixa et&aacute;ria dos    participantes, todos eles matriculados no terceiro ano do ensino m&eacute;dio,    95 respondentes (39%) tinham entre 16 e 18 anos, 85 (35%) situavam-se entre    19 e 21 anos e 51 (21%) tinham acima dos 22 anos de idade, sendo que 14 (5%)    n&atilde;o responderam. Isso indica uma defasagem idade/s&eacute;rie para mais    de 60% dos jovens. Sobre o estado civil, a grande maioria era de solteiros (90%),    como era de se esperar, sendo uma pequena minoria de casados ou amasiados (7%).    Entretanto, quando perguntados se tinham filhos, 16% responderam positivamente,    indicando que havia uma parcela de pais e m&atilde;es solteiros. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro dado significativo refere-se ao trabalho.    Dos jovens pesquisados, 38,4% (94) estavam trabalhando no per&iacute;odo da    pesquisa, enquanto 61,6% (151) estavam desempregados ou nunca trabalharam. Assim,    para uma parcela significativa deles, a condi&ccedil;&atilde;o juvenil s&oacute;    &eacute; vivenciada porque trabalham, garantindo o m&iacute;nimo de recursos    para o lazer, o namoro ou o consumo. Para muitos, a inicia&ccedil;&atilde;o    ao trabalho ocorreu ainda na adolesc&ecirc;ncia, por meio dos mais variados    "biscates", caracterizando uma situa&ccedil;&atilde;o de instabilidade    que tende a persistir ao longo da juventude. Mas isso n&atilde;o significa,    necessariamente, o abandono da escola, apesar de influenciar no seu percurso    escolar. Os dados mostram que at&eacute; os 18 anos praticamente 20% dos jovens    conciliavam escola e trabalho, propor&ccedil;&atilde;o que vai diminuindo com    o avan&ccedil;o da idade. Em torno de 35% dos jovens contribu&iacute;am de alguma    forma para o sustento da fam&iacute;lia. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sobre a trajet&oacute;ria escolar, podemos constatar    que boa parte dos jovens apresenta um percurso irregular. Levando em conta a    faixa et&aacute;ria, podemos constatar a exist&ecirc;ncia de 56% dos jovens    em uma faixa acima daquela que seria esperada (15 a 17 anos), revelando uma    defasagem s&eacute;rie/idade consider&aacute;vel. Tal defasagem reflete de alguma    forma a realidade brasileira, como j&aacute; comentamos anteriormente. Buscando    problematizar tais dados, as informa&ccedil;&otilde;es sobre a reprova&ccedil;&atilde;o    nos mostram que 43,7% dos jovens j&aacute; haviam sido reprovados pelo menos    uma vez. Isso indica uma experi&ecirc;ncia escolar marcada por insucessos, o    que certamente influencia no envolvimento do jovem com a pr&oacute;pria escola.    Esses dados s&atilde;o refor&ccedil;ados pelo n&uacute;mero significativo de    quem j&aacute; interrompeu a vida escolar (27,3 %).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda sobre a trajet&oacute;ria escolar dos jovens,    outro dado importante refere-se &agrave; escolaridade dos pais. Temos que 77,6%    dos pais n&atilde;o chegaram a completar o ensino m&eacute;dio, &iacute;ndice    que cai para 64,1% no caso das m&atilde;es. Assim, a grande maioria dos jovens    pesquisados apresentava uma escolaridade maior do que a de seus pais, reflexo    da expans&atilde;o do ensino m&eacute;dio no Par&aacute; e no Brasil, conforme    vimos anteriormente. Ou seja, encontram-se inseridos em uma fam&iacute;lia com    pouca tradi&ccedil;&atilde;o escolar, o que interfere nas suas trajet&oacute;rias.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dados apresentados atrav&eacute;s desta amostra    da pesquisa nos oferecem representa&ccedil;&otilde;es sobre os concluintes do    ensino m&eacute;dio no estado do Par&aacute;. O instrumento da coleta de dados    por question&aacute;rios complementa um olhar sobre a condi&ccedil;&atilde;o    juvenil e se fundamenta na perspectiva de compreender atores centrais na escola    de ensino m&eacute;dio. Aqui esbo&ccedil;amos um perfil que precisa ser lido    em complementaridade com a produ&ccedil;&atilde;o qualitativa dos Grupos de    Di&aacute;logo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>As escolas nas perspectivas dos jovens</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Convidados a falar sobre a sua escola, de uma    maneira geral, os jovens tendiam a atribuir a ela uma grande import&acirc;ncia.    Com diferentes cores e pesos, a escola p&uacute;blica se apresentava como uma    institui&ccedil;&atilde;o central, mesmo reconhecendo os seus limites e lacunas.    Alguns depositavam nela, ao menos no plano do discurso, um alto valor: "A escola    &eacute; o alicerce do meu futuro, porque se a gente n&atilde;o passar por ela,    a gente n&atilde;o vai conseguir o que a gente quer l&aacute; na frente" (GD5). Outros jovens demonstravam um distanciamento cr&iacute;tico maior em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento: "Atrav&eacute;s da    escola &eacute; que a gente tem esse empurr&atilde;o para ir para frente, mesmo    a escola estando t&atilde;o 'avacalhada' ela contribui. De uma forma 'aperreada'    a escola ainda contribui" (GD1). Dependendo do contexto e da trajet&oacute;ria    social de cada jovem, nos depoimentos transpareciam tanto representa&ccedil;&otilde;es    da escola como uma "promessa redentora", enfatizando tanto a import&acirc;ncia    da educa&ccedil;&atilde;o como fator de mobilidade social, quanto uma "ades&atilde;o    cr&iacute;tica" que, mesmo reconhecendo o seu papel, n&atilde;o deixava de indicar    os seus limites. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o dos jovens com a escola    &eacute; permeada por m&uacute;ltiplos sentidos e significados, por sentimentos    positivos e negativos. Como espa&ccedil;o de encontro e sociabilidade, mas tamb&eacute;m    do ponto de vista da sua fun&ccedil;&atilde;o em termos de produ&ccedil;&atilde;o    e transmiss&atilde;o de saberes e conhecimentos &uacute;teis &agrave; vida,    &agrave; continuidade dos estudos e ao trabalho, ela &eacute; vista positivamente    pelos jovens. Por outro lado, a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas educacionais    adequadas, os problemas de infraestrutura e pessoal, o funcionamento prec&aacute;rio    do turno da noite, entre outros problemas, produziam um sentimento de abandono    que se expressava numa vis&atilde;o muito cr&iacute;tica sobre a escola (Dayrell    et al., 2009). Conforme constatou Sposito (2005), os jovens brasileiros viveram    a expans&atilde;o recente das oportunidades educacionais em um contexto de crise    social. Para a autora, a escola se constitui em uma refer&ecirc;ncia para esta    gera&ccedil;&atilde;o, fazendo parte de suas pr&aacute;ticas e expectativas,    "embora reconhe&ccedil;am os limites no impacto que a institui&ccedil;&atilde;o    escolar tem sobre suas vidas" (p. 123). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As quest&otilde;es emergentes nos GDforam agrupadas    em seis eixos: as condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento e infraestrutura,    a gest&atilde;o escolar, os professores, os estudantes, as aprendizagens e m&eacute;todos    de ensino e outras dimens&otilde;es educativas. De uma maneira geral, podemos    dizer que os dados encontram eco em outros estudos que indicam quest&otilde;es    semelhantes para as escolas do pa&iacute;s (Corti &amp; Souza, 2009). Tais dimens&otilde;es    nomeadas pelos estudantes durante os v&aacute;rios GDdemonstram um n&iacute;vel    de consci&ecirc;ncia desses jovens em rela&ccedil;&atilde;o ao contexto em que    vivem, seus limites e possibilidades, contrapondo-se a uma imagem distorcida    deles como alienados ou passivos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>As condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento    e a infraestrutura das escolas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um tema recorrente em todos os grupos dizia respeito    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento das escolas p&uacute;blicas.    Em alguns casos, havia a constata&ccedil;&atilde;o de que o quadro em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; estrutura f&iacute;sica e administrativa das escolas havia melhorado.    Mas, em geral, os estudantes tenderam a relatar uma s&eacute;rie de problemas    ligados &agrave; falta de infraestrutura escolar, os quais vinculavam ao descaso    do Estado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das reformas educacionais empreendidas    pelas pol&iacute;ticas educacionais a partir dos anos de 1990, a escola p&uacute;blica    ainda est&aacute; longe de atingir um patamar adequado em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento. Muitos depoimentos    revelaram o abandono e a falta de investimentos no ensino m&eacute;dio p&uacute;blico.    Muitas falas retratavam as piores condi&ccedil;&otilde;es das suas escolas em    rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rede privada de ensino, especialmente no caso    das noturnas e rurais. Diante da experi&ecirc;ncia cotidiana de estudar em uma    "escola pobre para pobres", muitos jovens denunciavam as prec&aacute;rias    condi&ccedil;&otilde;es em que estudavam e manifestavam sua indigna&ccedil;&atilde;o    diante desse quadro. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um dos grandes motivos de reclama&ccedil;&atilde;o    dos alunos referia-se ao estado de conserva&ccedil;&atilde;o e higiene dos banheiros.    Muitas vezes, eles chegavam &agrave; escola para estudar &agrave; noite sem    que a limpeza fosse realizada. Outros relatavam que, quando o material era insuficiente,    a escola reduzia o n&uacute;mero de limpezas. Em alguns casos, os pr&oacute;prios    alunos eram incentivados a fazer doa&ccedil;&otilde;es ou campanhas de arrecada&ccedil;&atilde;o    de produtos de limpeza. Em alguns relatos, registrou-se at&eacute; mesmo a pr&aacute;tica    de trocar pontos da avalia&ccedil;&atilde;o pela participa&ccedil;&atilde;o    em campanhas de arrecada&ccedil;&atilde;o de recursos: "Os alunos t&ecirc;m    que ajudar com dinheiro para reformar a escola. Por exemplo: a escola faz um    bingo e os alunos que comprarem ganham pontos. Mas as obras na escola n&atilde;o    aparecem" (GD5). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro aspecto dizia respeito &agrave; falta de    climatiza&ccedil;&atilde;o das salas de aula e de refrigera&ccedil;&atilde;o    da &aacute;gua consumida na escola. No estado do Par&aacute;, onde o clima quente    e &uacute;mido prevalece, tal situa&ccedil;&atilde;o gera um grande desconforto    para a realiza&ccedil;&atilde;o das aulas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m do estado prec&aacute;rio das escolas,    chama a aten&ccedil;&atilde;o o subaproveitamento da capacidade j&aacute; instalada    na rede estadual. A principal reclama&ccedil;&atilde;o dos jovens referia-se    a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o dos laborat&oacute;rios, salas de inform&aacute;tica    e bibliotecas, particularmente no caso do ensino noturno. A n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o    dos laborat&oacute;rios muitas vezes se dava pela falta de professores especializados    e monitores para cuidar dos equipamentos e materiais. No caso das salas de inform&aacute;tica,    al&eacute;m da falta de pessoas para cuidar dos equipamentos, a morosidade na    instala&ccedil;&atilde;o da rede de comunica&ccedil;&atilde;o dificultava o    seu uso. Em geral, os professores n&atilde;o sabiam como utilizar a inform&aacute;tica    em suas disciplinas e n&atilde;o contavam com um suporte adequado na escola    para desenvolverem projetos de ensino que utilizassem tais recursos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deve-se ressaltar que, durante a realiza&ccedil;&atilde;o    dos GD, manifestou-se uma grande diversidade de realidades entre os estabelecimentos    da mesma rede de ensino, verificando-se casos como de escolas de Bel&eacute;m    que, embora pr&oacute;ximas umas das outras, viviam realidades muito discrepantes    em termos das suas condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento e da sua estrutura    f&iacute;sica. Casos mais absurdos diziam respeito &agrave; diferen&ccedil;a    de funcionamento numa mesma escola, dependendo do turno estudado. De uma maneira    geral, os cursos noturnos tendiam a ser prejudicados em termos de funcionamento    de laborat&oacute;rios e outros servi&ccedil;os, como limpeza e reprografia.    Da mesma forma, tamb&eacute;m as escolas rurais costumavam funcionar em condi&ccedil;&otilde;es    piores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras escolas, ainda que pertencentes    ao mesmo sistema de ensino. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O problema de infraestrutura escolar parece ser    recorrente em muitos estados brasileiros. Em parte, isso se deve &agrave; resist&ecirc;ncia    a ampliar os gastos com a educa&ccedil;&atilde;o e a op&ccedil;&atilde;o por    uma pol&iacute;tica de financiamento focalizada no ensino fundamental iniciada    nos anos de 1990 e que perdurou at&eacute; 2007. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Caracter&iacute;sticas ligadas &agrave; lideran&ccedil;a    e &agrave; gest&atilde;o escolar</b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto muito citado nos GDdizia respeito    ao papel dos diretores e dos coordenadores pedag&oacute;gicos. Em geral, fazia-se    refer&ecirc;ncia &agrave; import&acirc;ncia da presen&ccedil;a desses profissionais    na escola para manter a organiza&ccedil;&atilde;o: "A diretora da escola    &eacute; respeitada e a escola n&atilde;o &eacute; avacalhada" (GD5).    Al&eacute;m disso, a presen&ccedil;a deles fazia diferen&ccedil;a na motiva&ccedil;&atilde;o    dos docentes e alunos. A proximidade dos gestores escolares, ouvindo e incentivando    os alunos, quando ocorria, foi muito valorizada pelos jovens. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das maiores reclama&ccedil;&otilde;es dos    entrevistados se referia exatamente &agrave; aus&ecirc;ncia da dire&ccedil;&atilde;o    escolar, geralmente no turno noturno. Tal aus&ecirc;ncia acarretava uma falta    de organiza&ccedil;&atilde;o da escola nesse turno. Os coordenadores, al&eacute;m    de cuidarem das demandas ligadas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica    da escola, eram obrigados a resolver quest&otilde;es de ordem administrativa.    Ao sobrecarregar esses profissionais com diversas tarefas, a escola deixava    de desenvolver outros projetos de ensino. Al&eacute;m disso, o sentimento de    desorganiza&ccedil;&atilde;o e a falta de controle tinham um impacto negativo    no clima escolar, o que gerava um desejo de maior rigidez: "A escola precisa    ser mais r&iacute;gida!" (GD1). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao mesmo tempo em que alguns desejavam uma melhor    organiza&ccedil;&atilde;o da escola, outros reclamavam da falta de di&aacute;logo    e de flexibilidade do diretor em rela&ccedil;&atilde;o aos alunos. Nesse caso,    embora o diretor estivesse presente, sua pr&aacute;tica era vista como autorit&aacute;ria    e pouco flex&iacute;vel com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s normas escolares.    A falta de escuta era uma das principais reclama&ccedil;&otilde;es. Em um dos    GD, os alunos exemplificaram com uma situa&ccedil;&atilde;o vivida por eles.    Na escola citada, a sala de aula estava sem ventilador e mal iluminada, causando    um grande desconforto, o que fez com que procurassem a secretaria e a dire&ccedil;&atilde;o.    Como n&atilde;o foram ouvidos, eles decidiram n&atilde;o entrar para a sala    de aula no dia seguinte, mesmo com a presen&ccedil;a do professor. Somente assim    o problema foi solucionado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro aspecto ressaltado dizia respeito &agrave;    falta de adequa&ccedil;&atilde;o da escola em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    realidade dos alunos e suas necessidades. Isso era evidente com rela&ccedil;&atilde;o    ao hor&aacute;rio de entrada na aula, que expressava um conflito muito comum    nas escolas noturnas. Mas tamb&eacute;m se referia &agrave; dificuldade dos    gestores em considerar a realidade vivida pelos alunos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em muitos casos, a discuss&atilde;o entre os    jovens girou em torno da compara&ccedil;&atilde;o entre escolas em que a dire&ccedil;&atilde;o    era ausente ou pouco acess&iacute;vel para os estudantes e outros col&eacute;gios    em que havia uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima entre esses atores.    Houve alguns casos em que os jovens que estudavam &agrave; noite se surpreendiam    ao saber que os alunos dos turnos do dia tinham uma boa rela&ccedil;&atilde;o    com a dire&ccedil;&atilde;o escolar. Muitas vezes, os alunos do noturno sequer    conheciam esses profissionais. Isso expressa uma desigualdade no tratamento    dos turnos que persiste na escola brasileira. Em muitos casos, a escola noturna    tem um <i>status</i> secund&aacute;rio, traduzido na aus&ecirc;ncia de alguns    profissionais espec&iacute;ficos (bibliotec&aacute;rios, diretores, monitores    de laborat&oacute;rios) e na consequente falta de oferta de determinados servi&ccedil;os,    como bibliotecas e reprografia. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os impactos negativos com rela&ccedil;&atilde;o    a esse aspecto n&atilde;o se referiam apenas aos problemas ligados &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o com dire&ccedil;&atilde;o escolar, mas tamb&eacute;m ao    fato de que os alunos ficavam privados de informa&ccedil;&otilde;es sobre a    escola (decis&otilde;es e regras de funcionamento) ou sobre atividades das quais    gostariam de participar (oficinas, semin&aacute;rios, atividades de lazer).    Isso gerava um sentimento de exclus&atilde;o, particularmente entre os estudantes    do noturno: "A gente n&atilde;o &eacute; informado de nada" (GD9). Perguntamo-nos    em que medida podemos solicitar a ades&atilde;o dos alunos, sua motiva&ccedil;&atilde;o    para a vida escolar, sem cuidar da produ&ccedil;&atilde;o de um ambiente escolar    em que os alunos se sintam valorizados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Soares et al. (2002), na perspectiva    dos estudos sobre o <i>efeito escola</i>,<a href="#nt7"><sup>7</sup></a><a name="tx7"></a>    a gest&atilde;o administrativa e pedag&oacute;gica escolar tem sido apontada    como um fator decisivo em rela&ccedil;&atilde;o ao seu desempenho. A capacidade    dos diretores em articular os sujeitos em torno de um projeto pedag&oacute;gico    comum, sua sensibilidade para interagir com as pessoas e conduzir adequadamente    as rela&ccedil;&otilde;es entre os n&iacute;veis administrativos e pedag&oacute;gicos    &eacute; um aspecto importante para compreender o desempenho da escola. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os depoimentos dos jovens nos diferentes GDparecem    apontar que a presen&ccedil;a constante da dire&ccedil;&atilde;o e da coordena&ccedil;&atilde;o,    al&eacute;m de contribuir como suporte e orienta&ccedil;&atilde;o ao trabalho    dos professores, possibilita que os alunos sejam informados, acompanhem as atividades    realizadas pela escola e tamb&eacute;m possam apresentar suas demandas. Al&eacute;m    disso, esses profissionais, quando est&atilde;o presentes na escola, acabam    transmitindo informa&ccedil;&otilde;es sobre eventos e atividades extraescolares    que podem orientar os estudantes quanto &agrave;s suas necessidades e projetos.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>O professor: um ator central</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Assim como em outras investiga&ccedil;&otilde;es    (Dayrell et al., 2009; Sposito &amp; Galv&atilde;o, 2004), em todos os GD, os    jovens ressaltaram a centralidade dos professores nas suas experi&ecirc;ncias    escolares. Os estudantes tinham alguns docentes como refer&ecirc;ncias e alimentavam    boas expectativas quanto ao apoio e &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o deles.    Uma das imagens mais comuns era a representa&ccedil;&atilde;o do professor como    um <i>incentivador dos alunos</i>, n&atilde;o apenas com rela&ccedil;&atilde;o    aos estudos, mas tamb&eacute;m aos seus planos de vida de uma maneira geral.    Geralmente, os depoimentos vinham acompanhados da imagem do professor como um    <i>orientador</i>, aquele que d&aacute; conselhos e informa&ccedil;&otilde;es.    Aqueles que apresentavam essas caracter&iacute;sticas eram vistos pelos jovens    como <i>comprometidos</i> e <i>interessados</i> pelo seu trabalho e pelos alunos,    o que se relacionava a v&aacute;rias posturas: "ser pontual"; "gostar    do que faz", "se preocupar com o aluno", "tirar d&uacute;vidas",    "ser acess&iacute;vel aos alunos", "dar espa&ccedil;o para o    aluno fazer perguntas". </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao lado do reconhecimento da import&acirc;ncia    dos docentes, muitos depoimentos ressaltavam pontos negativos. O aspecto mais    recorrente dizia respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno, quando    ela era marcada pela <i>falta de di&aacute;logo</i>. Tais demandas quanto ao    di&aacute;logo por parte desses jovens n&atilde;o se referiam apenas a ser algu&eacute;m    que conversa e faz brincadeiras com os alunos, mas dizia respeito ao modo de    ensinar. Os jovens demandavam rela&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas fundadas    na valoriza&ccedil;&atilde;o das d&uacute;vidas e da palavra do aluno em sala    de aula. Os estudantes manifestavam, nesses depoimentos, o desejo de que a rela&ccedil;&atilde;o    entre professor e aluno se baseasse na confian&ccedil;a m&uacute;tua. Tamb&eacute;m    desejavam um professor que n&atilde;o se pautasse apenas pela l&oacute;gica    transmissiva dos conte&uacute;dos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outros depoimentos frisavam a <i>desmotiva&ccedil;&atilde;o</i>    dos professores, que se revelava no grande n&uacute;mero de faltas durante o    ano letivo. Os alunos associavam a baixa qualidade das aulas &agrave; falta    de motiva&ccedil;&atilde;o dos docentes que n&atilde;o se preocupavam em preparar    suas aulas, em usar outros recursos al&eacute;m da exposi&ccedil;&atilde;o oral    e das anota&ccedil;&otilde;es no quadro, ou que sequer respeitavam os hor&aacute;rios.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma quest&atilde;o espec&iacute;fica se referia    &agrave; greve promovida pelos professores da rede estadual do Par&aacute;,    em per&iacute;odo um pouco anterior &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa.    Os jovens se sentiam prejudicados, j&aacute; que, al&eacute;m de "perder    conte&uacute;dos", a qualidade das aulas tendia a cair depois do retorno    dos professores. Sem deixar de reconhecer as dificuldades salariais e as piores    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho para os docentes, n&atilde;o havia uma reflex&atilde;o    junto aos alunos sobre essas quest&otilde;es. Assim, os estudantes tendiam a    exaltar o m&eacute;rito individual do professor, calcado na sua "boa vontade",    abnega&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o pessoal para se manter atualizado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como nos lembra Teixeira (2007, p. 426), "a    condi&ccedil;&atilde;o docente se instaura e se realiza a partir da rela&ccedil;&atilde;o    entre docente e discente, presente nos territ&oacute;rios da escola e da sala    de aula, em especial". Atrav&eacute;s dessas falas, os jovens d&atilde;o    visibilidade aos problemas e dificuldades que tal rela&ccedil;&atilde;o encontra    nos limites desses territ&oacute;rios. H&aacute;, nesse caso, uma consci&ecirc;ncia    de que a desmotiva&ccedil;&atilde;o, muitas vezes vista como uma falta de compromisso    com os seus alunos e com a escola p&uacute;blica, &eacute; produzida por desigualdades    que se instalam no interior dos sistemas escolares e que afetam a profiss&atilde;o    docente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse tipo de depoimento poderia ser menos frequente    se a escola se constitu&iacute;sse em um local de reflex&atilde;o sobre a educa&ccedil;&atilde;o    no pa&iacute;s, seus impasses e desigualdades. Uma vez que o exerc&iacute;cio    da cr&iacute;tica n&atilde;o &eacute; um dos eixos que orienta o trabalho escolar    e o desempenho no vestibular se apresenta como o objetivo &uacute;ltimo do ensino    m&eacute;dio, os jovens tendem a idealizar o esfor&ccedil;o pessoal dos alunos    e dos professores e a centrar o foco de suas demandas nos conte&uacute;dos disciplinares    e na qualidade das aulas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Os alunos tamb&eacute;m s&atilde;o respons&aacute;veis...</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O desinteresse e a falta de envolvimento com    as atividades da escola n&atilde;o eram atributos somente dos professores. Os    jovens reconheceram o desinteresse de parte dos alunos. Em muitos casos, eles    revelaram que a escolariza&ccedil;&atilde;o assumia um sentido instrumental,    voltado apenas para adquirir as credenciais exigidas para a inser&ccedil;&atilde;o    no trabalho. Os depoimentos reconheciam a dif&iacute;cil rela&ccedil;&atilde;o    de muitos jovens com o ensino m&eacute;dio e buscavam v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es    para isso: as condi&ccedil;&otilde;es sociais e econ&ocirc;micas das fam&iacute;lias,    o peso do trabalho, a falta de cobran&ccedil;as dos pais, entre outras. Para    al&eacute;m de uma tend&ecirc;ncia a se autorresponsabilizarem pelo sucesso    ou fracasso no percurso escolar, havia um reconhecimento comum de que <i>a produ&ccedil;&atilde;o    de si como aluno</i> torna-se uma tarefa &aacute;rdua e complexa. Tais dificuldades    se refletem no percurso escolar de muitos jovens paraenses, marcado por atrasos    e abandonos (Golgher &amp; Rezende, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Aprendizagens: o que a escola deve ensinar?</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; percep&ccedil;&atilde;o    dos alunos sobre as experi&ecirc;ncias educativas desenvolvidas pelas escolas,    havia o reconhecimento da import&acirc;ncia de v&aacute;rias atividades realizadas    na forma de projetos, oficinas, semin&aacute;rios, feiras de ci&ecirc;ncias,    feiras culturais, entre outras. Tais atividades tinham o potencial de proporcionar    aos jovens o acesso a informa&ccedil;&otilde;es ou a experi&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o    escolar e/ou profissional para al&eacute;m do curr&iacute;culo. No entanto,    muitas vezes, a improvisa&ccedil;&atilde;o e a falta de condi&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas resultavam na n&atilde;o continuidade de iniciativas avaliadas    como positivas por eles. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Muitos jovens tenderam a fazer a rela&ccedil;&atilde;o    entre essas experi&ecirc;ncias e o desenvolvimento de habilidades gerais e compet&ecirc;ncias    b&aacute;sicas que s&atilde;o exigidas no mundo do trabalho, como falar em p&uacute;blico    e trabalhar em equipe. Em outros casos, a valoriza&ccedil;&atilde;o dessas atividades    referia-se ao fato de que elas ampliavam as oportunidades de prepara&ccedil;&atilde;o    para o Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio (enem), vestibulares e/ou concursos    p&uacute;blicos, al&eacute;m de divulgar informa&ccedil;&otilde;es sobre datas,    inscri&ccedil;&otilde;es e realiza&ccedil;&atilde;o dos testes. Al&eacute;m    disso, alguns eventos auxiliavam na escolha dos cursos para os quais iriam concorrer,    atuando do ponto de vista da orienta&ccedil;&atilde;o vocacional. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar do reconhecimento do papel positivo que    desempenhavam na forma&ccedil;&atilde;o deles, os estudantes n&atilde;o deixaram    de indicar a fragilidade que acompanhava a execu&ccedil;&atilde;o de muitas    dessas experi&ecirc;ncias. O desenvolvimento de atividades que extrapolassem    a sala de aula e a institui&ccedil;&atilde;o acontecia de forma muito diferenciada    entre as escolas. Muitos jovens reclamaram da inexist&ecirc;ncia desse tipo    de a&ccedil;&atilde;o em sua escola. Outras vezes, as atividades eram inconstantes,    sem continuidade ou realizadas de uma forma prec&aacute;ria. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O futuro profissional &eacute; uma das principais    preocupa&ccedil;&otilde;es dos jovens brasileiros, como atestam algumas pesquisas    (Abramo &amp; Branco, 2005), o que justifica o fato de muitos jovens demandarem    a realiza&ccedil;&atilde;o de projetos que proporcionem a eles melhores condi&ccedil;&otilde;es    de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho ou de disputa por uma vaga    na educa&ccedil;&atilde;o superior. Atividades nesse campo tendiam a ser valorizadas,    na cren&ccedil;a de que o ac&uacute;mulo de experi&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o    profissional ampliaria as chances de uma inser&ccedil;&atilde;o futura.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Associada &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o    com o futuro profissional, havia uma cr&iacute;tica &agrave; qualidade e &agrave;    forma como as aulas eram ministradas em suas escolas. Em algumas falas, acentuava-se    o modo tradicional de lecionar de alguns professores, que n&atilde;o utilizavam    outras abordagens para envolver os alunos. Em outras falas, transparecia uma    preocupa&ccedil;&atilde;o com os conte&uacute;dos n&atilde;o abordados ou tratados    de uma forma superficial, o que tinha impactos na prepara&ccedil;&atilde;o para    os vestibulares. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mesmo com a preocupa&ccedil;&atilde;o com os    exames vestibulares e com a forma&ccedil;&atilde;o profissional, n&atilde;o    se exclu&iacute;a o fato de que as escolas tamb&eacute;m deveriam preparar para    a vida, de um modo geral. N&atilde;o havia uma contraposi&ccedil;&atilde;o entre    uma dimens&atilde;o ou outra, mas a ideia de uma complementaridade entre a forma&ccedil;&atilde;o    de habilidades espec&iacute;ficas (saber se comunicar, dominar os conte&uacute;dos    disciplinares etc.) e a forma&ccedil;&atilde;o geral.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma "aula mais atrativa" e "descontra&iacute;da"    para os jovens da pesquisa estava relacionada n&atilde;o apenas &agrave; metodologia    do professor, mas ao fato de que deveria tamb&eacute;m tratar de temas de interesse    deles. Ou seja, a cr&iacute;tica parecia dizer respeito n&atilde;o apenas &agrave;s    aulas em si, mas &agrave; aus&ecirc;ncia de propostas educacionais que, al&eacute;m    dos conte&uacute;dos e habilidades disciplinares, dialogassem com as demandas    juvenis em termos de orienta&ccedil;&otilde;es, acesso a informa&ccedil;&otilde;es,    espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo, entre outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Outras dimens&otilde;es educativas da escola</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora pouco citada, a dimens&atilde;o da sociabilidade    emergiu em alguns depoimentos, especialmente naquelas escolas que desenvolviam    projetos e incentivavam a participa&ccedil;&atilde;o dos alunos em atividades    culturais e no gr&ecirc;mio estudantil. Os projetos articulados pelas escolas    eram importantes para promover a intera&ccedil;&atilde;o dos jovens, o que contribu&iacute;a    para fortalecer os elos dos estudantes com elas. Tais experi&ecirc;ncias, no    entanto, ainda eram espor&aacute;dicas e distribu&iacute;das desigualmente entre    as escolas. Em muitos casos, os jovens se queixaram das poucas oportunidades    de lazer e de participa&ccedil;&atilde;o em atividades para al&eacute;m da sala    de aula.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os depoimentos chamavam a aten&ccedil;&atilde;o    para a import&acirc;ncia da esfera da participa&ccedil;&atilde;o e da sociabilidade    com rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos subjetivos da rela&ccedil;&atilde;o dos    jovens com a escola e suas autoimagens. A esfera da sociabilidade, potencializada    por espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o, permite desenvolver posturas,    valores e aprendizados, al&eacute;m de fortalecer v&iacute;nculos no plano das    rela&ccedil;&otilde;es humanas e redes sociais que podem ter um impacto positivo    na rela&ccedil;&atilde;o dos jovens com a escola. O fato de assumir posi&ccedil;&otilde;es    de lideran&ccedil;a, participar da organiza&ccedil;&atilde;o de algumas atividades    e tomar a iniciativa em algumas a&ccedil;&otilde;es desenvolve aspectos importantes    no plano da autoconfian&ccedil;a e da identidade que podem contribuir para fortalecer    os v&iacute;nculos dos estudantes com o mundo escolar, como se constata em algumas    pesquisas. Os espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o como o gr&ecirc;mio    estudantil tamb&eacute;m s&atilde;o importantes esferas de produ&ccedil;&atilde;o    de valores e aprendizagens coletivas (Barbosa, 2007; Martins, 2010). No entanto,    essas dimens&otilde;es da sociabilidade e da participa&ccedil;&atilde;o tendem    a ficar obscurecidas em muitos casos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Sintetizando...</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A escuta desses jovens nos permitiu constatar    que a escola tem uma grande import&acirc;ncia nas suas vidas, sendo uma institui&ccedil;&atilde;o    para a qual se dirigem muitas expectativas. Por outro lado, ela apresenta muitos    limites e dificuldades na sua capacidade de responder ao que se espera dela.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto mais vis&iacute;vel se apresentou    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento    e infraestrutura. Algumas escolas funcionavam sem as condi&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas de higiene e conforto. Outras n&atilde;o tinham laborat&oacute;rios    e bibliotecas adequados. Em outros casos, embora houvesse esses equipamentos,    as escolas n&atilde;o os usavam. Impressiona a diversidade de situa&ccedil;&otilde;es    entre as escolas de uma mesma rede de ensino que, a princ&iacute;pio, deveriam    ter as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento. Mais gritante ainda    &eacute; o fato de que tal desigualdade se manifeste ainda entre os turnos,    com a perman&ecirc;ncia hist&oacute;rica de uma pol&iacute;tica de desvaloriza&ccedil;&atilde;o    do ensino noturno, fato comum no caso das escolas p&uacute;blicas do ensino    m&eacute;dio no Brasil. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa escola empobrecida, do ponto de vista da    sua materialidade, tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es humanas se fazem    limitadas. Os professores e gestores foram alvo de muitas queixas por parte    dos alunos. Embora reconhecendo e valorizando alguns que se destacavam em rela&ccedil;&atilde;o    ao coletivo de profissionais da escola, constata-se uma grande desmotiva&ccedil;&atilde;o    com rela&ccedil;&atilde;o ao fazer docente. Isso contribui para um clima escolar    negativo, marcado pela desorganiza&ccedil;&atilde;o e pela dificuldade dos jovens    em se subjetivarem como alunos. Muitos depoimentos reconheceram a responsabilidade    dos estudantes quanto a esse aspecto. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa possibilitou descortinar um quadro    de grandes dificuldades das escolas investigadas em dialogarem com seus jovens.    Isso se torna grave no contexto de uma sociedade que passa por grandes mudan&ccedil;as,    com novas exig&ecirc;ncias em termos de habilidades e conhecimentos. Numa sociedade    onde a incerteza e a imprevisibilidade preponderam, ao mesmo tempo herdeira    e reprodutora de desigualdades hist&oacute;ricas, qual lugar a escola ocupar&aacute;    na vida deles? </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Parece-nos que a escola n&atilde;o vem possibilitando    uma forma&ccedil;&atilde;o humana mais ampla de seus jovens, de tal forma a    contribuir para uma compreens&atilde;o de si mesmos, das suas habilidades e    desejos, bem como da realidade onde se inserem, com uma vis&atilde;o sobre o    mundo do trabalho e suas demandas e exig&ecirc;ncias. No momento decisivo de    escolhas de poss&iacute;veis rumos de vida, parece que a escola pouco contribui    para um conhecimento do que a universidade pode ou n&atilde;o oferecer, os cursos    existentes com suas especificidades e demandas pr&oacute;prias. &Eacute; muito    sintom&aacute;tico que poucos deles se referiram, nos debates ocorridos, aos    programas seriados de ingresso no ensino superior p&uacute;blico no estado do    Par&aacute;, como o Programa de Ingresso Seriado (prise), da Universidade do    Estado do Par&aacute;, ou o Processe Seletivo Seriado (pss), da Universidade    Federal do Par&aacute;. Ou seja, os depoimentos parecem evidenciar que os jovens    se encontram abandonados &agrave; sua sorte, a n&atilde;o ser pelo apoio da    fam&iacute;lia. A escola e a sociedade em geral n&atilde;o lhes oferecem muitas    perspectivas. Eles se encontram com limitados suportes institucionais, materiais    e subjetivos que os ajudem a vislumbrar poss&iacute;veis caminhos no seu futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos que a oferta do ensino m&eacute;dio    deveria contemplar a diversidade de experi&ecirc;ncias juvenis que se expressou    no encontro desses jovens em situa&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logo. A partir    de seus diferentes contextos sociais e hist&oacute;rias de vida, eles expressaram    muitas demandas articuladas a partir de suas necessidades, gostos e estilos.    Nesse sentido, apresenta-se &agrave; escola de ensino m&eacute;dio o desafio    de se constituir em uma refer&ecirc;ncia e uma oportunidade para que os estudantes    das camadas populares tenham acesso a informa&ccedil;&otilde;es, habilidades    e compet&ecirc;ncias importantes para a sua forma&ccedil;&atilde;o humana e    como cidad&atilde;os.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt1"></a><a href="#tx1">1</a>. O projeto    "Di&aacute;logos com o Ensino M&eacute;dio" foi desenvolvido em 2009, no    &acirc;mbito de uma coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica entre a Secretaria    de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, o Observat&oacute;rio Jovem da Universidade    Federal Fluminense e o Observat&oacute;rio da Juventude da Universidade Federal    de Minas Gerais. A proposta desenvolveu uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es    que buscaram contribuir para favorecer a troca de informa&ccedil;&otilde;es    entre os atores envolvidos com o ensino m&eacute;dio brasileiro (estudantes,    profissionais da escola, pesquisadores e gestores), ampliando o conhecimento    sobre os jovens alunos desse n&iacute;vel de ensino. Para maiores detalhes,    ver o relat&oacute;rio final nos <i>sites</i> &lt;<a href="http://www.emdialogo.uff.br">www.emdialogo.uff.br</a>&gt;    e &lt;<a href="http://www.fae.UFMG.br/objuventude">www.fae.UFMG.br/objuventude</a>&gt;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt2"></a><a href="#tx2">2</a>. Segundo    dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), entre    1995 e 2001, por exemplo, o n&uacute;mero total de estudantes entre 15 e 24    anos passou de 11,7 para 16,2 milh&otilde;es. Nesse mesmo per&iacute;odo, o    ensino m&eacute;dio registrou um aumento de 3 milh&otilde;es de matr&iacute;culas,    significando um crescimento relativo de 65,1% (Sposito, 2005).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt3"></a><a href="#tx3">3</a>. A Emenda    Constitucional n. 59, de 11/11/2009, estabelece a obrigatoriedade e gratuidade    da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica dos 4 aos 17 anos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt4"></a><a href="#tx4">4</a>. Uma an&aacute;lise    mais aprofundada dessa quest&atilde;o encontra-se em Dayrell (2007).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt5"></a><a href="#tx5">5</a>. Nos limites    deste texto, n&atilde;o nos detemos &agrave; an&aacute;lise de dados da pesquisa    de cunho quantitativo. Em fun&ccedil;&atilde;o da impossibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o    de uma ampla pesquisa com os recursos dispon&iacute;veis, optou-se pela utiliza&ccedil;&atilde;o    de bases de dados secund&aacute;rias. Uma an&aacute;lise mais ampla desses dados    pode ser encontrada no texto "Um olhar sobre o jovem e o Ensino M&eacute;dio    no Par&aacute;", de Andr&eacute; Braz Golgher (CEDEPLAR/UFMG) e Daniela Rezende    (DCS/UFV). Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.fae.UFMG.br/objuventude" target="_blank">www.fae.UFMG.br/objuventude</a>&gt;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt6"></a><a href="#tx6">6</a>. Uma descri&ccedil;&atilde;o    detalhada da metodologia pode ser encontrada no relat&oacute;rio final da pesquisa    dispon&iacute;vel nos <i>sites</i>: &lt;<a href="http://www.emdialogo.uff.br">www.emdialogo.uff.br</a>&gt;    e &lt;<a href="http://www.fae.UFMG.br/objuventude" target="_blank">www.fae.UFMG.br/objuventude</a>&gt;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt7"></a><a href="#tx7">7</a>. A linha    de pesquisa denominada <i>Escola Eficaz </i>re&uacute;ne estudos emergentes    a partir dos anos de 1970 que pretendem abrir a<i> caixa-preta da escola</i>    para "compreender e conhecer, em cada contexto social, as v&aacute;rias caracter&iacute;sticas    da escola que podem interferir no desempenho dos alunos" (Soares, 2002, p. 8).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ABRAMO, H.W.; BRANCO, P.P.M. (Org.). <i>Retratos    da juventude brasileira</i>: an&aacute;lises de uma pesquisa nacional. S&atilde;o    Paulo: Instituto Cidadania; Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0101-3262201100020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BARBOSA, D.S. "<i>Tamo junto e misturado</i>":    um estudo sobre a sociabilidade de jovens alunos em uma escola p&uacute;blica.    2007. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o) Faculdade    de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0101-3262201100020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BOURDIEU, P.; PASSERON, J.C. <i>Los herederos:</i>    los estudiantes e la cultura. Buenos Aires: Siglo XXI, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0101-3262201100020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CAN&Aacute;RIO, R. <i>O que &eacute; a escola?:    </i>um olhar sociol&oacute;gico. Porto: Porto, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0101-3262201100020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CASTRO, J.A.; AQUINO, L.M.; ANDRADE, C.C. (Org.).    <i>Juventude e politicas sociais no Brasil</i>. Bras&iacute;lia, df: IPEA, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0101-3262201100020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CORTI, A.P.; SOUZA, R. <i>Que ensino m&eacute;dio    queremos?: </i>pesquisa quantitativa e grupos de di&aacute;logo sobre o ensino    m&eacute;dio. S&atilde;o Paulo: A&ccedil;&atilde;o Educativa, 2009. (Relat&oacute;rio    final).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0101-3262201100020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DAYRELL, J.T. A escola faz juventudes?: reflex&otilde;es    em torno da socializa&ccedil;&atilde;o juvenil. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp;    Sociedade</i>, Campinas, v. 28, n. 100, p. 1105-1128, out. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0101-3262201100020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DAYRELL, J.T. et al. Juventude e escola. In:    Sposito, M.P. <i>O estado da arte sobre juventude na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    brasileira</i>: Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncias Sociais e Servi&ccedil;o    Social (1999-2006). Belo Horizonte: Argumentum, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0101-3262201100020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">GADOTTI, M. <i>Diversidade cultural e educa&ccedil;&atilde;o    para todos</i>. Rio de janeiro: Graal, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0101-3262201100020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">GOLGHER, A.B.; REZENDE, D. <i>Um olhar sobre    o jovem e o ensino m&eacute;dio no Par&aacute;</i>. Belo Horizonte, 2009. (Mimeo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0101-3262201100020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">KRAWCZYK, N. <i>O ensino m&eacute;dio no Brasil</i>.    S&atilde;o Paulo: A&ccedil;&atilde;o Educativa, 2009. 77p. (Em quest&atilde;o,    6)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0101-3262201100020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MARTINS, F.A.S. <i>A voz do estudante na educa&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica</i>: um estudo sobre a participa&ccedil;&atilde;o de jovens atrav&eacute;s    de gr&ecirc;mio estudantil. 2010. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o)    Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo    Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0101-3262201100020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PINTO, J.M.R. O valor investido garante qualidade?    <i>Desafios da Conjuntura: </i>o ensino m&eacute;dio no debate educacional,    S&atilde;o Paulo, n. 26, p. 10-11, out. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0101-3262201100020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SOARES, J.F.; ALVES, M.T.G.; MARI, F.A.O.T. <i>Escola    eficaz</i>: um estudo de caso em tr&ecirc;s escolas da rede p&uacute;blica de    ensino do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Grupo de Avalia&ccedil;&atilde;o    e Medidas Educacionais (game); Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o/UFMG, 2002.    114p. (Relat&oacute;rio de pesquisa).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0101-3262201100020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SOARES, J.F.; BROOKE, N. <i>Pesquisa em efic&aacute;cia    na escola</i>: origem e trajet&oacute;rias. Belo Horizonte: UFMG, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0101-3262201100020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SPOSITO, M.P. Algumas reflex&otilde;es e muitas    indaga&ccedil;&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre juventude e escola    no Brasil. Abramo, H.W.; Branco, P.P.M. <i>Retratos da juventude brasileira:    </i>an&aacute;lises de uma pesquisa nacional. S&atilde;o Paulo: Instituto Cidadania;    Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2005. p. 87-128.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0101-3262201100020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SPOSITO, M.P.; GALV&Atilde;O, I. A experi&ecirc;ncia    e as percep&ccedil;&otilde;es de jovens na vida escolar na encruzilhada das    aprendizagens: o conhecimento, a indisciplina, a viol&ecirc;ncia. <i>Perspectiva</i>,    Florian&oacute;polis, v. 22, n. 2, p. 345-380, jul./dez. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0101-3262201100020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">TEIXEIRA, I. Da condi&ccedil;&atilde;o docente:    primeiras aproxima&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. <i>Educa&ccedil;&atilde;o    &amp; Sociedade</i>, Campinas, v. 28, n. 99, p. 426-443, maio/ago. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0101-3262201100020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 24 de mar&ccedil;o&#160;de 2011.</font>    <br>   <font face="Verdana" size="2">Aprovado em 28 de abril de 2011.</font></p>      ]]></body><back>
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