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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A crise de sentidos e significados na escola: a contribuição do olhar sociológico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Senses and meanings crisis: the contribution of a sociological perspective]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Faculdade de Filosofia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper is to point the social function of schools in modern capitalist society. Having historically the function of the transmission of knowledge, the school in recent decades, has experienced serious difficulties in fulfilling, at least in part, this social function. Students and teachers do not identify themselves anymore in this institutional space, some because they do not "learn" and other because they cannot "teach". The estrangement of social agents in their relationships at school makes sense and meaning get lost in the educational process. The motivations of both agents distance themselves inside the activity, emptying the actions and goals achievement, which a priori should be common to both of them. What is the basis of this conflict? Would the school have exhausted its social function, evanishing itself as a space of production and socialization of knowledge? Must the contribution of the sociological perspective be constituted as a challenge to Social Sciences in general and the teaching of Sociology, in particular?]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Função social da escola]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Teaching of Sociology]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"> <font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="4">A crise de sentidos e significados na escola:    a contribui&ccedil;&atilde;o do olhar sociol&oacute;gico </font></b></p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Senses and meanings crisis: the contribution    of a sociological perspective</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> </p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Sueli Guadelupe de Lima Mendon&ccedil;a</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o e professora    da Faculdade de Filosofia e Ci&ecirc;ncias da Universidade Estadual Paulista    J&uacute;lio de Mesquita Filho (unesp, campus de Mar&iacute;lia). E-mail: <a href="mailto:sueli_guadelupe@uol.com.br">sueli_guadelupe@uol.com.br</a>    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1"noshade>     <p> </p>     <p> </p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> O objetivo desse artigo &eacute; problematizar    a fun&ccedil;&atilde;o social da escola na sociedade capitalista atual. Tendo    historicamente a fun&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do conhecimento,    a escola, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, vem passando por s&eacute;rias    dificuldades em cumprir, ao menos em parte, essa fun&ccedil;&atilde;o social.    Estudantes e professores n&atilde;o se identificam mais nesse espa&ccedil;o    institucional, uns porque n&atilde;o &quot;aprendem&quot; e outros porque n&atilde;o    conseguem &quot;ensinar&quot;. O estranhamento dos agentes sociais em suas rela&ccedil;&otilde;es    na escola faz com que sentidos e significados se percam no processo pedag&oacute;gico.    As motiva&ccedil;&otilde;es de ambos se distanciam na atividade, esvaziando    as a&ccedil;&otilde;es e o alcance dos objetivos que, a priori, deveriam ser    comuns. O que est&aacute; na base desse conflito? A escola teria esgotado sua    fun&ccedil;&atilde;o social, esvaindo-se como espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o    e socializa&ccedil;&atilde;o de conhecimentos? A contribui&ccedil;&atilde;o    do olhar sociol&oacute;gico nessa problem&aacute;tica deve se constituir como    um desafio &agrave;s Ci&ecirc;ncias Sociais, de modo geral, e ao ensino de Sociologia,    de modo particular? </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Fun&ccedil;&atilde;o social    da escola. Significados e sentidos. Ensino de Sociologia. </font></p> <hr size="1"noshade>     <p></p> <b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b>     <p></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The aim of this paper is to point the social    function of schools in modern capitalist society. Having historically the function    of the transmission of knowledge, the school in recent decades, has experienced    serious difficulties in fulfilling, at least in part, this social function.    Students and teachers do not identify themselves anymore in this institutional    space, some because they do not &quot;learn&quot; and other because they cannot    &quot;teach&quot;. The estrangement of social agents in their relationships    at school makes sense and meaning get lost in the educational process. The motivations    of both agents distance themselves inside the activity, emptying the actions    and goals achievement, which a priori should be common to both of them. What    is the basis of this conflict? Would the school have exhausted its social function,    evanishing itself as a space of production and socialization of knowledge? Must    the contribution of the sociological perspective be constituted as a challenge    to Social Sciences in general and the teaching of Sociology, in particular?    </font></p> <b></b>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Social function of school. Meanings    and senses. Teaching of Sociology. </font></p> <hr size="1"noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A escola na sociedade atual provoca cr&iacute;ticas    de toda ordem. H&aacute; aquelas que ressaltam a sua inadequa&ccedil;&atilde;o    &agrave;s novas demandas sociais. H&aacute; outras que lamentam o abandono de    seu <i>status</i> de transmissora de conhecimentos, ordem e disciplina, sintetizando    uma nostalgia de tempos de outrora, numa vis&atilde;o saudosista do seu papel    regulador na manuten&ccedil;&atilde;o da hierarquia social. De todo modo, a    escola s&oacute; n&atilde;o desperta consensos, frente a uma crise identificada    por diferentes segmentos sociais, com explica&ccedil;&otilde;es diversas, que    perpassam desde o obsoletismo institucional at&eacute; a aus&ecirc;ncia de inova&ccedil;&otilde;es.    Talvez o &uacute;nico consenso poss&iacute;vel seja o fato de a escola n&atilde;o    mais conseguir ensinar e, consequentemente, os estudantes n&atilde;o mais aprenderem    os conte&uacute;dos escolares. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pensar a escola hoje nos imp&otilde;e um desafio    sociol&oacute;gico e, ao mesmo tempo, pedag&oacute;gico. Sociol&oacute;gico    porque as mudan&ccedil;as estruturais da sociedade capitalista das &uacute;ltimas    d&eacute;cadas desencadearam uma crise global que afetou as institui&ccedil;&otilde;es,    levando-as a rupturas, conflitos e reorganiza&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito    de suas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Esse processo, muitas vezes, se apresenta    de modo &quot;natural&quot;, aparentemente irrevers&iacute;vel na sociedade,    requerendo uma a&ccedil;&atilde;o mais efetiva para uma problematiza&ccedil;&atilde;o.    Nesse sentido, a Sociologia se apresenta como uma ferramenta valiosa. Pedag&oacute;gico    porque tamb&eacute;m o processo de socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento    escolar se reveste dos elementos hist&oacute;ricos globais das rela&ccedil;&otilde;es    sociais, trazendo para esse espa&ccedil;o a concretiza&ccedil;&atilde;o de conflitos,    crises e disputas concomitantes no cen&aacute;rio social maior, mas guardando    sua especificidade. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas o que faz a escola se distanciar da fun&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica que a originou na sociedade capitalista? Compreender esse fen&ocirc;meno    requer capturar a totalidade social e construir as explica&ccedil;&otilde;es    necess&aacute;rias, a fim de possibilitar uma a&ccedil;&atilde;o transformadora    diante da problem&aacute;tica. Assim, mais que desafio, &eacute; uma necessidade    desvendar o real e dele apreender as contradi&ccedil;&otilde;es e possibilidades    de supera&ccedil;&atilde;o dos problemas originados da realidade (Dias, 2006).    Discutir a escola implica, primeiro, reconhecer a articula&ccedil;&atilde;o    das dimens&otilde;es sociol&oacute;gica e pedag&oacute;gica no interior de um    mesmo projeto; segundo, procurar apreend&ecirc;-las em sua totalidade, em sua    objetiva&ccedil;&atilde;o no real. A indaga&ccedil;&atilde;o sobre a crise de    sentido e significado nos faz pensar sobre a finalidade da escola na sociedade    capitalista atual e suas consequ&ecirc;ncias na vida social, j&aacute; que os    sentidos e significados constru&iacute;dos por estudantes e professores t&ecirc;m    se distanciado de uma forma&ccedil;&atilde;o humanizadora. No cerne dessa quest&atilde;o,    a reflex&atilde;o recai, especialmente, na contribui&ccedil;&atilde;o que o    ensino de Sociologia poderia dar na dire&ccedil;&atilde;o de compreender como    se concretiza esse fen&ocirc;meno, de torn&aacute;-lo consciente e, assim, provocador    de mudan&ccedil;as, j&aacute; que, como institui&ccedil;&atilde;o e espa&ccedil;o    de sociabilidade, a escola se constitui, ou deveria se constituir, como objeto    das Ci&ecirc;ncias Sociais no contexto atual.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Fun&ccedil;&atilde;o social da escola </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A escola, na sociedade capitalista, tornou-se    a institui&ccedil;&atilde;o dominante no oferecimento de educa&ccedil;&atilde;o    formal, tendo como tarefa central a reprodu&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o    social do trabalho e dos valores ideol&oacute;gicos dominantes. N&atilde;o podemos    esquecer que a escola moderna nasce junto com as f&aacute;bricas, com a Revolu&ccedil;&atilde;o    Industrial. Este duplo processo de morte da antiga produ&ccedil;&atilde;o artesanal    e de nascimento da produ&ccedil;&atilde;o fabril gera o espa&ccedil;o para a    moderna institui&ccedil;&atilde;o escolar p&uacute;blica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As revolu&ccedil;&otilde;es burguesas do s&eacute;culo    XVIII desencadearam o processo de politiza&ccedil;&atilde;o, democratiza&ccedil;&atilde;o    e laiciza&ccedil;&atilde;o da instru&ccedil;&atilde;o e fizeram com que a exig&ecirc;ncia    de uma instru&ccedil;&atilde;o universal e de uma reorganiza&ccedil;&atilde;o    do saber, que acompanharia o surgimento da ci&ecirc;ncia e da ind&uacute;stria    moderna, se tornasse objeto de discuss&atilde;o, tendo na bandeira pol&iacute;tica    <i>Educa&ccedil;&atilde;o como direito do cidad&atilde;o e dever do Estado</i>    sua express&atilde;o maior com base no ideal da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa    de igualdade, liberdade e fraternidade , ainda que fosse um ideal muito longe    de ser alcan&ccedil;ado pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o na sociedade    capitalista. &Agrave; escola coube produzir um novo homem que expressasse a    ruptura com a ordem feudal e disciplinasse o oper&aacute;rio ao novo modo de    vida, onde a transmiss&atilde;o de determinados conhecimentos &eacute; elemento    fundamental no modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos processos educativos, eles penetram      na sociedade inteira e incidem sobre a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, que      se especializa e se libera da centralidade da oficina artesanal (no n&iacute;vel      manual) e da forma&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter human&iacute;stico-religioso      (no n&iacute;vel intelectual), dando espa&ccedil;o &agrave; manufatura e depois      &agrave; f&aacute;brica, por um lado, &agrave;s academias e &agrave;s escolas      t&eacute;cnicas, por outro; mas incidem tamb&eacute;m sobre o controle social,      contra os desvios de todo o g&ecirc;nero, inclusive os juvenis, como tamb&eacute;m      na formata&ccedil;&atilde;o de um imagin&aacute;rio social alimentado pelos      mitos do Moderno e por um estilo de vida civilizado, normatizado, regulado      por c&oacute;digos e limitado por interdi&ccedil;&otilde;es. Processos, estes,      que transformam <i>abimis</i> o sujeito individual e o enredam numa socializa&ccedil;&atilde;o      que tende a tornar-se cada vez mais integral: o sujeito moderno &eacute; realmente      um &quot;si&quot; individual e consciente da pr&oacute;pria irrepetibilidade,      mas &eacute; tamb&eacute;m um sujeito radicalmente governado pela sociedade      e pelas suas regras, j&aacute; que cada vez menos pode viver sem ela ou longe      dela. (Cambi, 1999, p. 279) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A tarefa hist&oacute;rica da escola, nessa nova    realidade social, foi cunhada na transmiss&atilde;o do conhecimento, tendo na    organiza&ccedil;&atilde;o da f&aacute;brica seu modelo estrutural e ideol&oacute;gico.    Ao professor cabia garantir a transmiss&atilde;o/reprodu&ccedil;&atilde;o de    um conjunto de conhecimentos necess&aacute;rios &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    do trabalhador como trabalhador na f&aacute;brica, sob a &eacute;gide do capital.    Com o capitalismo h&aacute; a necessidade de uma nova sociabilidade, uma nova    subjetividade, e a&iacute; entra a escola, como elemento-chave nesse processo    de forma&ccedil;&atilde;o de novos valores, novos modos de ser e viver. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A escola burguesa representa um avan&ccedil;o    frente &agrave; sociedade feudal, ao ter como meta pol&iacute;tica a transmiss&atilde;o    de conhecimentos para todos os cidad&atilde;os. A possibilidade de grandes massas    poderem acessar o que antes se restringia a um segmento da nobreza colocava-as    mais perto de conhecimentos historicamente constru&iacute;dos pela humanidade.    Por&eacute;m, as contradi&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias do capitalismo j&aacute;    ensejam as restri&ccedil;&otilde;es impostas a essas massas classe trabalhadora    que se constituem em condi&ccedil;&otilde;es de explora&ccedil;&atilde;o muito    definidas na nova ordem social. </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">(...) a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial      vem transformar profundamente a sociedade moderna no sistema produtivo e no      estilo de trabalho, na mentalidade e nas institui&ccedil;&otilde;es (fam&iacute;lia,      par&oacute;quia, vila), na consci&ecirc;ncia individual , produzindo tamb&eacute;m      uma nova classe social (o proletariado) e um novo sujeito socioecon&ocirc;mico      (o oper&aacute;rio). Este complexo processo de transforma&ccedil;&atilde;o      econ&ocirc;mico-social manifestou-se como a submiss&atilde;o de massas bastante      numerosas de homens, mulheres e crian&ccedil;as &agrave;s f&eacute;rreas leis      da mais-valia, da explora&ccedil;&atilde;o do mercado, etc. e reorganizou      sua exist&ecirc;ncia, mentalidade e aspira&ccedil;&otilde;es, dando vida a      um processo &quot;educativo&quot; bastante articulado, mas que girava em torno      do princ&iacute;pio da aliena&ccedil;&atilde;o. Aliena&ccedil;&atilde;o das      necessidades e aliena&ccedil;&atilde;o na m&aacute;quina, produzida por um      trabalho cego, regulado pela explora&ccedil;&atilde;o, e por uma vida social      estruturada pelo trabalho organizado n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do      homem, mas apenas da produ&ccedil;&atilde;o da mais-valia. (Idem, ibid., p.      370) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">As condi&ccedil;&otilde;es objetivas de explora&ccedil;&atilde;o    da classe trabalhadora e a pr&oacute;pria divis&atilde;o social do trabalho    decorrente da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial trazem elementos contradit&oacute;rios    que comprometem a fun&ccedil;&atilde;o social da escola moderna. A vida e o    trabalho reduzem esses sujeitos constitutivos da nova classe social a uma condi&ccedil;&atilde;o    t&atilde;o desumanizada, dedicada compulsoriamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    capitalista, que despertou a cr&iacute;tica de Adam Smith ao <i>esp&iacute;rito    comercial</i> da sociedade capitalista que </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">(...) limita as vis&otilde;es do homem. Na      situa&ccedil;&atilde;o em que a divis&atilde;o do trabalho &eacute; levada      at&eacute; a perfei&ccedil;&atilde;o, todo homem tem apenas uma opera&ccedil;&atilde;o      simples para realizar; a isso se limita toda a sua aten&ccedil;&atilde;o,      e poucas ideias passam pela sua cabe&ccedil;a, com exce&ccedil;&atilde;o daquelas      com que ele tem <i>liga&ccedil;&atilde;o imediata</i>. Quando a mente &eacute;      empregada numa diversidade de assuntos, ela &eacute; de certa forma ampliada      e aumentada, e devido a isso geralmente se reconhece que um artista do campo      tem uma variedade de pensamentos bastante superior      <!-- Generation of PM publication page 10 -->         ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     a de um citadino. Aquele talvez seja simultaneamente um carpinteiro e um marceneiro,      e sua aten&ccedil;&atilde;o certamente deve estar voltada para v&aacute;rios      objetos, de diferentes tipos. Esse talvez seja apenas um marceneiro; esse      tipo espec&iacute;fico de trabalho ocupa todos os seus pensamentos, e como      ele n&atilde;o teve a oportunidade de comparar v&aacute;rios objetos, sua      vis&atilde;o das coisas que n&atilde;o estejam relacionadas com seu trabalho      jamais ser&aacute; <i>t&atilde;o ampla como a do artista. Dever&aacute; ser      esse o caso, sobretudo quando toda a aten&ccedil;&atilde;o de uma pessoa &eacute;      dedicada a uma entre dezessete partes de um alfinete ou a uma entre oitenta      partes de um bot&atilde;o</i>, de t&atilde;o dividida que est&aacute; a fabrica&ccedil;&atilde;o      de tais produtos (...). Essas s&atilde;o as desvantagens de um esp&iacute;rito      comercial. As mentes dos homens ficam limitadas, tornam-se incapazes de se      elevar. <i>A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; desprezada</i>, <i>ou no m&iacute;nimo      negligenciada</i>, e o esp&iacute;rito her&oacute;ico &eacute; quase totalmente      extinto. Corrigir esses defeitos deveria ser assunto digno de uma s&eacute;ria      aten&ccedil;&atilde;o. (Smith, apud M&eacute;z&aacute;ros, 2005, p. 28-29)      </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A constata&ccedil;&atilde;o de Smith das limita&ccedil;&otilde;es    das rela&ccedil;&otilde;es materiais de vida da classe trabalhadora corrobora,    por outra perspectiva, o estranhamento posto por Marx,<sup><a name="tx1"></a><a href="#nt1">1</a></sup>    trazendo essa dimens&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, mais precisamente    ao problema estrutural, que permanece na sociedade contempor&acirc;nea. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A escola moderna origina-se com as contradi&ccedil;&otilde;es    do pr&oacute;prio capitalismo e ter&aacute; de enfrentar, em sua trajet&oacute;ria    hist&oacute;rica, o conflito permanente entre um objetivo pol&iacute;tico ousado    e a intensa explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, que n&atilde;o    possui condi&ccedil;&otilde;es objetivas de acesso e perman&ecirc;ncia na escola.    Tal fato enraizou-se na sociedade capitalista e est&aacute; na base do problema    educacional atual, na medida em que a base material para a efetiva&ccedil;&atilde;o    do processo educacional destinado &agrave; maioria da popula&ccedil;&atilde;o    encontra-se restrita e empobrecida. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O projeto burgu&ecirc;s de educa&ccedil;&atilde;o    &eacute; fortemente marcado como elemento de racionaliza&ccedil;&atilde;o da    vida econ&ocirc;mica, da produ&ccedil;&atilde;o, do tempo e do corpo dos trabalhadores.    A estes, um modelo de escola destinado &agrave;s atividades mais b&aacute;sicas    do conhecimento ler, escrever e contar em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;    escola de car&aacute;ter mais geral, cl&aacute;ssica e cient&iacute;fica destinada    &agrave;s elites dirigentes. Essa dualidade n&atilde;o atravessa a hist&oacute;ria    de modo linear. &Eacute; na exist&ecirc;ncia das contradi&ccedil;&otilde;es    que se forjam as necessidades sociais e suas possibilidades de supera&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As mudan&ccedil;as do processo produtivo da sociedade    capitalista geraram impactos na escola. A intensifica&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o    social do trabalho e suas especificidades expressas no taylorismo/fordismo trouxeram    elementos profundos na produ&ccedil;&atilde;o material e subjetiva da sociedade.    A fragmenta&ccedil;&atilde;o/especializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    provocou um distanciamento cada vez maior entre o produtor e seu produto. O    trabalhador, com suas fun&ccedil;&otilde;es cada vez mais fragmentadas e especializadas,    n&atilde;o mais se reconhece no produto do seu trabalho, gerando uma situa&ccedil;&atilde;o    de estranhamento, de falta de identidade com o resultado da sua atua&ccedil;&atilde;o    direta no processo de produ&ccedil;&atilde;o. O estranhamento se intensifica,    propiciando contornos mais gerais da coisifica&ccedil;&atilde;o do trabalho,    numa complexa articula&ccedil;&atilde;o entre o mundo da materialidade e o mundo    da subjetividade social. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Em geral, a quest&atilde;o de que o homem est&aacute;      estranhado do seu ser gen&eacute;rico quer dizer que um homem est&aacute;      estranhado do outro, assim como cada um deles &#91;est&aacute; estranhado&#93; da      ess&ecirc;ncia humana. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">O estranhamento do homem, em geral toda a rela&ccedil;&atilde;o      na qual o homem est&aacute; diante de si mesmo, &eacute; primeiramente efetivado,      se expressa, na rela&ccedil;&atilde;o em que o homem est&aacute; para com      outro homem. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Na rela&ccedil;&atilde;o do trabalho estranhado      cada homem considera, portanto, o outro segundo o crit&eacute;rio e a rela&ccedil;&atilde;o      na qual ele mesmo se encontra como trabalhador. (Marx, 2004, p. 86) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse modelo de produ&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    ter&aacute; sua repercuss&atilde;o no trabalho pedag&oacute;gico. O processo    de estranhamento tamb&eacute;m est&aacute; presente no trabalho do professor    e faz com que este perca o controle sobre seu trabalho, trazendo mudan&ccedil;as    tanto em sua objetiva&ccedil;&atilde;o na escola, como na sua forma&ccedil;&atilde;o,    fazendo vir &agrave; tona conflitos que se tornam obst&aacute;culos na realiza&ccedil;&atilde;o    de seu trabalho. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Escola, significado e sentidos </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Discutir a crise da escola, em pleno s&eacute;culo    XXI, exige uma reflex&atilde;o mais profunda sobre seus significados e sentidos.    Historicamente, coube &agrave; institui&ccedil;&atilde;o escolar a <i>guarda    e a responsabilidade social da transmiss&atilde;o do conhecimento.</i> Essa    caracter&iacute;stica marca o objetivo da escola, que embora passe por crises    exatamente por n&atilde;o <i>atender a contento </i>tal meta, nem por isso tem    negada sua fun&ccedil;&atilde;o social, ou seja, h&aacute;, ainda, um reconhecimento    social da sua necessidade e de seu conte&uacute;do hist&oacute;rico espec&iacute;fico.    H&aacute;, tamb&eacute;m, a expectativa de que a escola deva transmitir conte&uacute;dos    escolares, traduzidos na rela&ccedil;&atilde;o professor/estudante e ensino/aprendizagem.    Por&eacute;m, os problemas que v&ecirc;m se materializando no cotidiano escolar    p&otilde;em em xeque esse papel hist&oacute;rico da escola. Concretamente, ela    n&atilde;o tem conseguido a socializa&ccedil;&atilde;o/transmiss&atilde;o de    conte&uacute;dos escolares, a ponto de seus agentes sociais diretos professor    e estudante definirem claramente o objetivo da escola, por um lado, e, por outro,    tamb&eacute;m reconhecerem que tal objetivo n&atilde;o se concretiza, n&atilde;o    se efetiva como espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o    de conhecimento. &Eacute; exatamente esse n&oacute; que merece uma reflex&atilde;o    maior. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Leontiev, significado expressa o resultado    objetivo das rela&ccedil;&otilde;es sociais historicamente realizadas pelos    homens em sua trajet&oacute;ria de produ&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o    de necessidades, num processo cont&iacute;nuo, material e objetivo. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) Significado es la generalizaci&oacute;n      de la realidad que ha cristalizado, que se ha fijado en su veh&iacute;culo      sensorial, por lo general, en una palabra o una combinaci&oacute;n de palabras.      Es la forma ideal, espiritual, en que cristaliza la experiencia social, la      pr&aacute;ctica social de la humanidad. El conjunto de nociones de una sociedad,      su ciencia, su idioma, todo esto son sistemas de significados. Por consiguiente,      el significado pertenece en primer t&eacute;rmino al mundo de los fen&oacute;menos      objetivo-hist&oacute;ricos ideales (...). </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">En el curso de su vida el hombre asimila la      experiencia de la humanidad, la experiencia de las generaciones precedentes;      esto ocurre precisamente a trav&eacute;s de la asimilaci&oacute;n por el hombre      de los significados, y en la medida en que los asimila. Por consiguiente,      es la forma en que cada hombre asimila la experiencia generalizada por la      humanidad. (Leontiev, 1978, p. 213) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa dire&ccedil;&atilde;o, professores e estudantes    encontram posto o significado social da escola, independentemente das rela&ccedil;&otilde;es    que venham a estabelecer com esse significado. Isto quer dizer que a rela&ccedil;&atilde;o    entre os sujeitos e o significado n&atilde;o &eacute; direta e imediata, ela    exige media&ccedil;&otilde;es que possibilitem a atribui&ccedil;&atilde;o de    sentido pessoal, por parte dos sujeitos, ao significado, express&atilde;o de    pr&aacute;ticas sociais cristalizadas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Sociologia, como um conte&uacute;do a ser trabalhado    no interior da escola, precisa ter essa preocupa&ccedil;&atilde;o de selecionar    os conte&uacute;dos culturais que s&atilde;o pr&oacute;prios de sua &aacute;rea,    pelos quais os estudantes possam agir, assimilando conhecimentos e desenvolvendo    capacidades que lhes permitam compreender o mundo em que vivem e nele se inserirem    ativamente. O que faz o m&eacute;todo sociol&oacute;gico? Permite analisar as    contradi&ccedil;&otilde;es existentes nos diversos planos de atividade humana,    com diferentes olhares e, com isso, desvendar o que se passa na realidade social.    O ensino de Sociologia poderia contribuir nessa perspectiva, como, por exemplo,    pela an&aacute;lise da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o escolar e de    seu entorno, para dar in&iacute;cio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de sentidos    individuais, dirigidos &agrave; sua verdadeira fun&ccedil;&atilde;o social:    produzir e socializar conhecimentos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desnaturalizar as rela&ccedil;&otilde;es sociais    do cotidiano escolar pode se transformar em conte&uacute;do concreto para estudantes    e ferramenta estrat&eacute;gica para o professor de Sociologia, j&aacute; que    a an&aacute;lise do conte&uacute;do material da disciplina, posto em atividade,    propiciaria a constru&ccedil;&atilde;o de sentidos individuais para estes agentes    sociais da escola (estudantes/professor), a sua consci&ecirc;ncia da realidade    circundante e a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o da&iacute; decorrente.    </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A diferencia de los significados, los sentidos      personales, lo mismo que la trama sensorial de la conciencia, no posea una      existencia `supraindividual', 'no psicol&oacute;gica'. Mientras que la sensorialidad      externa vincula en la conciencia del sujeto los significados con la realidad      del mundo objetivo, el sentido personal los vincula con la realidad de su      propia vida en este mundo, con sus motivos. <i>El sentido personal es la que      crea la parcialidad de la conciencia humana.</i> (Idem, ibid., p. 120; grifos      no original) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, &eacute; o sentido o v&iacute;nculo entre    o indiv&iacute;duo e o mundo objetivo, materializado nos significados. Para    a efetiva&ccedil;&atilde;o desse v&iacute;nculo, se fazem necess&aacute;rias    as media&ccedil;&otilde;es que consigam estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre    a pr&aacute;tica social maior e as pr&aacute;ticas dos indiv&iacute;duos, a    partir de suas necessidades espec&iacute;ficas. Tais pr&aacute;ticas s&atilde;o    mediadas pela atividade daqueles indiv&iacute;duos mais experientes e se desenvolvem    orientadas pelo motivo que as gerou e que mant&ecirc;m os sujeitos em atividade,    ou seja, em processo de aprendizagem. A escola &eacute; o espa&ccedil;o singular    para as media&ccedil;&otilde;es, que visam &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o    dos conhecimentos, a partir de atividades pedag&oacute;gicas organizadas para    esse fim, em cuja condu&ccedil;&atilde;o o professor tem um papel fundamental    de fazer a articula&ccedil;&atilde;o entre esses conhecimentos (significados    sociais) e os conhecimentos dos estudantes (sujeitos que atribuir&atilde;o sentido    pessoal a essas pr&aacute;ticas sociais consolidadas). Em particular, o ensino    de Sociologia tem essa tarefa de desenvolver atividades que lidem com conte&uacute;dos/significados    relevantes &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de sentidos transformadores da    subjetividade humana, materializando seu objetivo central de desnaturalizar    as rela&ccedil;&otilde;es sociais, possibilitando aos sujeitos estabelecerem    uma rela&ccedil;&atilde;o consciente com o mundo. Para tanto, a organiza&ccedil;&atilde;o    da atividade tem de contemplar, desde o in&iacute;cio, sua finalidade, que deve    motivar os diretamente nela envolvidos. O motivo &eacute; o elemento-chave nesse    processo, j&aacute; que &eacute; ele que leva os indiv&iacute;duos a agirem,    e sem a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de sentidos.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A aus&ecirc;ncia de media&ccedil;&otilde;es tem    feito da escola espa&ccedil;o para crise de sentidos e significados, onde o    estranhamento domina os sujeitos hist&oacute;ricos, tornando-os seres distantes,    com rela&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o favorecem a motiva&ccedil;&atilde;o    para o trabalho, para a atividade na escola. Vale lembrar que as rela&ccedil;&otilde;es    v&atilde;o se construindo no cotidiano escolar, confrontando-se significados    sociais com experi&ecirc;ncias concretas de estudantes e professores, possuidores    de necessidades pr&oacute;prias presentes nessas rela&ccedil;&otilde;es. Esses    elementos devem nortear a atividade desenvolvida na escola, pois somente o confronto    desses polos poder&aacute; gerar uma nova produ&ccedil;&atilde;o de significados    na dimens&atilde;o social e de sentidos na dimens&atilde;o pessoal , oriunda    de um processo dial&eacute;tico. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, a nova materialidade das rela&ccedil;&otilde;es    sociais da escola depende diretamente do planejamento do seu trabalho pedag&oacute;gico,    que tenha, na media&ccedil;&atilde;o, no di&aacute;logo entre o mundo material    e as necessidades imediatas dos sujeitos, a base para a motiva&ccedil;&atilde;o    de estudantes e professores &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novos sentidos    e significados sociais, atendendo a suas demandas como sujeitos hist&oacute;ricos    concretos. Essa necessidade se apresenta como uma exig&ecirc;ncia para a escola    hoje, pois sem a mudan&ccedil;a na dire&ccedil;&atilde;o do trabalho nela realizado,    com a participa&ccedil;&atilde;o consciente, com intencionalidade de estudantes    e professores, n&atilde;o ocorrer&aacute; a supera&ccedil;&atilde;o desse problema.    Se, especialmente, o professor n&atilde;o consegue atribuir um sentido positivo    ao que faz, ou seja, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da subjetividade de seus    estudantes, como estes &uacute;ltimos poder&atilde;o ter motivos para aprenderem    e se apropriarem de conhecimentos historicamente constru&iacute;dos pela humanidade?    Aqui se pode destacar a import&acirc;ncia do ensino de Sociologia na constru&ccedil;&atilde;o    dessa mudan&ccedil;a. Como nos alerta Leontiev (op. cit.), </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">El concepto de sentido se revela de modo esencialmente      distinto cuando se enfoca la conciencia partiendo del an&aacute;lisis de la      vida misma, del an&aacute;lisis de las relaciones que caracterizan la interacci&oacute;n      del sujeto real con el su vida real. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Con ese enfoque el sentido aparece en la conciencia      del hombre como algo que refleja directamente, y lleva impl&iacute;citas sus      propias relaciones vitales. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">El sentido consciente, psicol&oacute;gicamente      concreto, es creado por la relaci&oacute;n objetiva, que se refleja en la      mente del hombre, de aquello que lo impulsa a actuar con aquello hac&iacute;a      lo cual est&aacute; orientada su acci&oacute;n como resultado inmediato de      &eacute;sta. En otras palabras, el sentido expresa la relaci&oacute;n del      motivo de la actividad con la finalidad inmediata de la acci&oacute;n (...).      (p. 215) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Em nossas pesquisas,<sup><a name="tx2"></a><a href="#nt2">2</a></sup>    temos observado que os estudantes reconhecem na escola o seu papel de transmissora    de conhecimentos, ou seja, o seu significado social, ao afirmarem que o papel    da escola &eacute; ensinar. Existe um reconhecimento e legitimidade da escola    quanto a sua especificidade. Por&eacute;m, constatamos que o seu interesse pela    escola passa mais pelo espa&ccedil;o de sociabilidade que esta possibilita,    do que pelo acesso a conte&uacute;dos escolares. Em outras palavras, os estudantes    gostam da escola, mas n&atilde;o da sala de aula. Apreendem o significado social    da institui&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m n&atilde;o o veem presente diretamente    em suas vidas, n&atilde;o lhe atribuem sentido: &quot;Eu venho &#91;&agrave; escola&#93;    para estudar, s&oacute; que sabe como que &eacute; n&eacute;, muitas vezes voc&ecirc;    acaba se desencaminhando do rumo da sala de aula, do rumo da escola&quot; (B.,    estudante do 3&#186; ano, ensino m&eacute;dio). Neste depoimento, vemos esse    conflito presente na escola e nos questionamos: O que faz o estudante se &quot;desencaminhar    do rumo da sala de aula&quot;? </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O fato de existir um significado posto social    e historicamente n&atilde;o implica o estabelecimento direto e imediato de sentido    para os sujeitos sociais, pois o significado n&atilde;o est&aacute; presente,    <i>a priori</i>, no conte&uacute;do do sentido dos sujeitos. &Eacute; necess&aacute;rio    estabelecer rela&ccedil;&atilde;o, realizar atividade, na vis&atilde;o de Leontiev    (1978), entre o significado e o sentido, entre o mundo real e os sujeitos reais.    Assim, quando analisamos a escola, vemos o distanciamento entre o sentido que    estudantes e professores lhe atribuem e seu significado hist&oacute;rico. As    condi&ccedil;&otilde;es objetivas dessa institui&ccedil;&atilde;o, hoje, desmobilizam,    comprometem as a&ccedil;&otilde;es dos sujeitos hist&oacute;ricos, especialmente    na escola p&uacute;blica, no desenvolvimento do trabalho pedag&oacute;gico com:    sucateamento de infraestrutura; superlota&ccedil;&atilde;o das salas de aulas;    baixos sal&aacute;rios de professores e funcion&aacute;rios; bibliotecas fechadas    e/ou em prec&aacute;rio funcionamento; aus&ecirc;ncia de um projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico;    precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho (rotatividade de trabalhadores, terceiriza&ccedil;&atilde;o);    pol&iacute;ticas governamentais autorit&aacute;rias com cerceamento da autonomia    did&aacute;tico- pedag&oacute;gica, enfim, elementos presentes h&aacute; muito    tempo no cotidiano escolar. Uma das consequ&ecirc;ncias mais diretas desse processo    se concretiza no esvaziamento da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos, da socializa&ccedil;&atilde;o    de conte&uacute;dos escolares, que v&atilde;o se esvaindo no dia a dia da escola,    distanciando-a de sua fun&ccedil;&atilde;o social, do ponto de vista do capital,    ou seja, a de transmissora de conhecimentos cient&iacute;fico-escolares necess&aacute;rios    &agrave; expans&atilde;o do sistema capitalista, bem como reprodutora de um    conjunto de valores ideol&oacute;gicos que visam &agrave; hegemonia dos interesses    dominantes. Hoje, a escola n&atilde;o est&aacute; em sua fun&ccedil;&atilde;o    ativa na perspectiva anunciada, muito menos naquela em que se pauta na emancipa&ccedil;&atilde;o    humana. H&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de sentidos, por&eacute;m com conte&uacute;dos    distantes de uma forma&ccedil;&atilde;o que realmente desenvolva as capacidades    humanizadoras dos sujeitos hist&oacute;ricos, que os torne capazes de desenvolver    uma percep&ccedil;&atilde;o adequada do meio a sua volta e de, conscientemente,    nele agir para transform&aacute;-lo e, com isso, transformar-se. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, os conte&uacute;dos de Sociologia,    indicados pela Proposta Curricular em vig&ecirc;ncia no estado de S&atilde;o    Paulo, possibilitam um f&eacute;rtil campo de trabalho pedag&oacute;gico ao    ter o <i>estudante jovem </i>como ponto de partida e de chegada do ensino de    Sociologia, por meio de problematiza&ccedil;&otilde;es pertinentes e significativas    de conte&uacute;dos como diversidade cultural, viol&ecirc;ncia no Brasil, desigualdade    social, trabalho, cidadania, entre    <!-- Generation of PM publication page 13 -->       <br>   outros. O grande desafio &eacute; como fazer a media&ccedil;&atilde;o entre    sentidos individuais e significado, entre esses conte&uacute;dos e as necessidades    dos estudantes, que permita a transforma&ccedil;&atilde;o dessas necessidades    em motivos de aprendizagem. </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">La conciencia c&oacute;mo relaci&oacute;n con      el mundo se revela psicol&oacute;gicamente para nosotros como un sistema de      sentidos, y las particularidades de su estructura, como particularidades de      la relaci&oacute;n de sentidos y significados. El desarrollo de sentidos es      un producto del desarrollo de los motivos de la actividad; a su vez, el desarrollo      de los propios motivos de la actividad est&aacute; determinado por el desarrollo      de las relaciones reales que el hombre tiene con el mundo, que dependen de      las condiciones hist&oacute;ricas objetivas de su vida. La conciencia como      relaci&oacute;n: este es precisamente el sentido que tiene para el hombre      la realidad que se refleja en su conciencia. Por lo tanto, lo que distingue      el car&aacute;cter consciente de los conocimientos es, justamente, qu&eacute;      sentido adquieren &eacute;stos para el hombre. (Leontiev, op. cit., p. 217;      tradu&ccedil;&atilde;o nossa) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Educa&ccedil;&atilde;o como mercadoria </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Sader (apud M&eacute;z&aacute;ros, 2005),    &eacute; imposs&iacute;vel compreender a educa&ccedil;&atilde;o hoje sem ser    pela l&oacute;gica da mercadoria, pois ela mesma &eacute; uma mercadoria. </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">(...) Da&iacute; a crise do sistema p&uacute;blico      de ensino, pressionado pelas demandas do capital e pelo esgotamento dos cortes      dos recursos dos or&ccedil;amentos p&uacute;blicos. Talvez nada exemplifique      melhor o universo instaurado pelo neoliberalismo, em que &quot;tudo se vende,      tudo se compra&quot;, &quot;tudo tem pre&ccedil;o&quot;, do que a mercantiliza&ccedil;&atilde;o      da educa&ccedil;&atilde;o. Uma sociedade que impede a emancipa&ccedil;&atilde;o      s&oacute; pode se transformar em <i>shopping centers</i>, funcionais &agrave;      sua l&oacute;gica do consumo e do lucro. (Sader, apud M&eacute;z&aacute;ros,      2005, p. 16) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Mudan&ccedil;as no mundo do trabalho interferem    diretamente nesse processo de mercantiliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o.    A l&oacute;gica de formar para o trabalho est&aacute; presente desde as finalidades    da educa&ccedil;&atilde;o brasileira em documentos oficiais (Constitui&ccedil;&atilde;o    Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o, Propostas Curriculares)    at&eacute; a internaliza&ccedil;&atilde;o pelos indiv&iacute;duos das necessidades    e valores da sociedade capitalista, esta &uacute;ltima fortemente marcada pela    nova reorganiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. A intensifica&ccedil;&atilde;o    do modelo mais enxuto de empresa, pautado nas tecnologias, gera um cen&aacute;rio    contradit&oacute;rio de novas rela&ccedil;&otilde;es entre o capital e o trabalho.    </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Mas h&aacute; ainda outra contradi&ccedil;&atilde;o      que se evidencia quando o olhar se volta para a (des)sociabilidade contempor&acirc;nea      no mundo produtivo: quanto maior &eacute; a incid&ecirc;ncia do ide&aacute;rio      e da pragm&aacute;tica na chamada &quot;empresa moderna&quot;, quanto mais      racionalizado &eacute; seu <i>modus operandi</i>, quanto mais as empresas      laboram na implanta&ccedil;&atilde;o das &quot;compet&ecirc;ncias&quot;, da      chamada &quot;qualifica&ccedil;&atilde;o&quot;, da gest&atilde;o do &quot;conhecimento&quot;,      mais intensos parecem tornar-se os n&iacute;veis de degrada&ccedil;&atilde;o      do trabalho. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">E isso se d&aacute; porque a gest&atilde;o      do &quot;conhecimento e da compet&ecirc;ncia&quot; est&aacute; inteiramente      conformada pelo receitu&aacute;rio e pela pragm&aacute;tica presente na &quot;empresa      enxuta&quot;, na empresa liofilizada, que, para ser competitiva, deve reduzir      ainda mais o trabalho vivo e ampliar sua dimens&atilde;o tecnocient&iacute;fica,      o trabalho morto, cujo resultado n&atilde;o &eacute; outro sen&atilde;o o      aumento da informalidade, da terceiriza&ccedil;&atilde;o, da precariza&ccedil;&atilde;o      do trabalho e do desemprego estrutural em escala global. (Antunes, 2005, p.      18) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Ent&atilde;o, formar para o trabalho implica    enfrentar um processo extremamente contradit&oacute;rio: por um lado, a intensifica&ccedil;&atilde;o    do uso das tecnologias, com o objetivo de limitar o trabalho vivo, ou seja,    o trabalhador; por outro, tamb&eacute;m consequ&ecirc;ncia da quest&atilde;o    anterior, aumento cada vez maior do desemprego estrutural e da informalidade    das rela&ccedil;&otilde;es trabalhistas. Como fica a escola, se seu objetivo    central j&aacute; se v&ecirc; prejudicado diretamente pela realidade? Essa contradi&ccedil;&atilde;o,    vivenciada cotidianamente, produz um desencontro entre a finalidade da escola    e o mundo do trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se for poss&iacute;vel pensar num primeiro est&aacute;gio    do trabalho do professor como <i>artesanal</i>, onde este tinha o planejamento    e o controle sobre o processo e produto de sua atividade, com a influ&ecirc;ncia    do taylorismo/fordismo, a partir do s&eacute;culo XX, h&aacute; outra racionalidade,    onde o professor se proletariza como os demais trabalhadores, tendo seu trabalho    controlado por superiores (diretor, coordenador, entre outros) no interior da    escola. O processo de estranhamento se torna cada vez mais presente. Hoje, em    pleno s&eacute;culo XXI, o discurso das compet&ecirc;ncias e do profissional    polivalente se confronta com a intensifica&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o    e precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, colocando o professor num grau tal    de <i>estranhamento</i> que o leva a n&atilde;o se identificar com a sua produ&ccedil;&atilde;o,    com sua rela&ccedil;&atilde;o com seus estudantes e outros trabalhadores, chegando    ao ponto de negar o produto de seu trabalho, isto &eacute;, a rela&ccedil;&atilde;o    com os estudantes e as decorr&ecirc;ncias diretas dessa rela&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; fato que o estranhamento permeia as    rela&ccedil;&otilde;es sociais na escola, ao ponto de estudantes e professores    n&atilde;o se identificarem mais nesse espa&ccedil;o institucional, uns porque    n&atilde;o &quot;aprendem&quot; e outros porque n&atilde;o conseguem &quot;ensinar&quot;,    fazendo com que sentidos e significados se percam no processo pedag&oacute;gico.    As motiva&ccedil;&otilde;es de ambos se distanciam na atividade, esvaziando    as a&ccedil;&otilde;es e o alcance dos objetivos que, a priori, deveriam ser    comuns. </font><font face="Verdana" size="2">O espa&ccedil;o reconquistado pela    Sociologia que historicamente ficou anulado por algum tempo no curr&iacute;culo    escolar m&eacute;dio precisa ser reelaborado: h&aacute; uma possibilidade de    iniciar um processo de conscientiza&ccedil;&atilde;o do jovem em rela&ccedil;&atilde;o    ao estranhamento a que todos estamos submetidos na sociedade em que vivemos    e, em consequ&ecirc;ncia, abrir brechas para a desconstru&ccedil;&atilde;o desse    estranhamento existente nas rela&ccedil;&otilde;es sociais na escola. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, adentrar a escola, visando a enfrentar    a complexidade do real, exige ir al&eacute;m do pedag&oacute;gico e do sociol&oacute;gico/pol&iacute;tico.    Na crise atual, a restri&ccedil;&atilde;o a um dos aspectos impede a possibilidade    de supera&ccedil;&atilde;o dos problemas. Somente uma articula&ccedil;&atilde;o    entre essas duas diferentes dimens&otilde;es insepar&aacute;veis, por&eacute;m    com suas especificidades poder&aacute; fazer avan&ccedil;ar o processo da constru&ccedil;&atilde;o    do novo na escola. Um caminho poss&iacute;vel, por um lado, &eacute; a an&aacute;lise    sociol&oacute;gica dessa institui&ccedil;&atilde;o. Por outro, &eacute; o trabalho    direto com estudantes em sala de aula, buscando articular na pr&aacute;tica    o sociol&oacute;gico e o pedag&oacute;gico, por meio de atividades com possibilidades    de <i>novos significados e sentidos</i>. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa postura na verdade um projeto implica considerar    a atualidade do papel hist&oacute;rico da escola e a singularidade de sua fun&ccedil;&atilde;o,    ainda n&atilde;o superada por outro espa&ccedil;o institucional. Por&eacute;m,    a escola n&atilde;o cumprir&aacute; seu papel hist&oacute;rico na ordem do capital,    mas poder&aacute; propiciar um ac&uacute;mulo de experi&ecirc;ncias para construir    o novo modo de fazer essa institui&ccedil;&atilde;o ou algo equivalente, no    sentido mais amplo do termo. Mas, para tanto, a escola precisa mudar, professores    e estudantes devem constituir um projeto coletivo de classe que contemple n&atilde;o    s&oacute; a educa&ccedil;&atilde;o, mas a sociedade para al&eacute;m do capital,    e o ensino de Sociologia precisa aproveitar ao m&aacute;ximo o espa&ccedil;o    que reconquistou para dar a sua contribui&ccedil;&atilde;o nesse processo de    transforma&ccedil;&atilde;o da escola. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Concluindo </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A avalia&ccedil;&atilde;o mais otimista da escola    hoje a caracteriza como espa&ccedil;o desfavor&aacute;vel &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos, mesmo na perspectiva do capital. Por&eacute;m, &eacute; fato    que a escola agrega um contingente de crian&ccedil;as, jovens e adultos que    passam boa parte de suas vidas nessa institui&ccedil;&atilde;o. Negar a escola    por n&atilde;o mais propiciar e garantir o acesso e dom&iacute;nio de conhecimentos    seria uma atitude muito simplista frente &agrave; complexidade do problema.    As novas demandas sociais, oriundas das rela&ccedil;&otilde;es materiais de    produ&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o foram assimiladas pela escola, tampouco    as demandas que apontam para um projeto educacional que realmente v&aacute;    al&eacute;m do imediato, que tenha na emancipa&ccedil;&atilde;o humana sua diretriz    primeira. O caos presente na escola expressa, por um lado, a aus&ecirc;ncia    de sentidos que favore&ccedil;am o processo emancipador da constru&ccedil;&atilde;o    da humanidade em cada indiv&iacute;duo; por outro, a necessidade de uma rela&ccedil;&atilde;o    direta, intencional com o significado social da escola, que n&atilde;o &eacute;    algo est&aacute;tico, &eacute; din&acirc;mico, representativo dos novos conte&uacute;dos    hist&oacute;ricos da sociedade. Pensar a escola como espa&ccedil;o do encontro    de sentidos e significados exigir&aacute; a elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto    social maior, que rompa com a l&oacute;gica do capital, que tenha na humaniza&ccedil;&atilde;o    o foco central da emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, social e econ&ocirc;mica.    O ensino de Sociologia, considerando seu objetivo de <i>desnaturalizar as rela&ccedil;&otilde;es    sociais e a natureza de seus conte&uacute;dos</i>, pode contribuir para esse    processo. Tal fato implica pensar a escola como espa&ccedil;o de contradi&ccedil;&otilde;es,    de disputa de projetos, de rela&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas que alimentam    a pr&aacute;xis de sujeitos hist&oacute;ricos e geram a esperan&ccedil;a da    constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade e uma escola com <i>identidade de    novos sentidos e significados</i>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">De fato, o papel dos educadores e sua correspondente      responsabilidade n&atilde;o poderiam ser maiores. Pois, como Jos&eacute; Mart&iacute;      deixou claro, a busca da cultura, no verdadeiro sentido do termo, envolve      o mais alto risco, por ser insepar&aacute;vel do objetivo fundamental da liberta&ccedil;&atilde;o.      Ele insistia que &quot;ser cultos es el &uacute;nico modo de ser libres&quot;.      E resumia de uma bela maneira a raz&atilde;o de ser da pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o:      &quot;Educar es depositar en cada hombre toda la obra humana que le ha antecedido;      es hacer a cada hombre resumen del mundo viviente hasta el dia en que vive...&quot;.      (M&eacute;z&aacute;ros, 2005, p. 58) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Um posicionamento consciente sobre as possibilidades    e limites da escola atual frente a seu papel social &eacute; fundamental. A    escola ainda &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, pois    nela os indiv&iacute;duos passam hoje boa parte de suas vidas, embora muito    distantes da apropria&ccedil;&atilde;o dos significados sociais expressos nos    conte&uacute;dos escolares. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, partir dessa    realidade e construir uma transi&ccedil;&atilde;o, que possibilite a constru&ccedil;&atilde;o    de sentidos e significados, reelaborada &agrave; luz de uma perspectiva de educa&ccedil;&atilde;o    emancipadora, que certamente gerar&aacute; mais conflitos, mas tamb&eacute;m    pode gerar novas possibilidades pedag&oacute;gicas, que superem o distanciamento    e a aus&ecirc;ncia de sentidos t&atilde;o presentes no cotidiano escolar, nas    rela&ccedil;&otilde;es entre seus principais agentes: professor e estudantes.    Certamente, o ensino de Sociologia se far&aacute; presente nesse processo n&atilde;o    s&oacute; pelos conte&uacute;dos que se prop&otilde;e a abordar no ensino m&eacute;dio,    mas principalmente pelo seu objetivo central de <i>desnaturalizar as rela&ccedil;&otilde;es    sociais</i>. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ANTUNES, R. <i>O caracol e sua concha</i>. S&atilde;o    Paulo: Boitempo, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0101-3262201100030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CAMBI, F. <i>Hist&oacute;ria da pedagogia</i>.    Trad. &Aacute;lvaro Lorencini. S&atilde;o Paulo: unesp, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0101-3262201100030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DIAS, E.F. <i>Pol&iacute;tica brasileira</i>:    embate de projetos hegem&ocirc;nicos. S&atilde;o Paulo: Instituto Jos&eacute;    Luis e Rosa Sundermann, 2006 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0101-3262201100030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LEONTIEV, A.N. <i>Actividad, conciencia y personalidad</i>.    Buenos Aires: Ciencias Del Hombre, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0101-3262201100030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MARX, K. <i>Manuscritos econ&oacute;micos e filos&oacute;ficos</i>.    Trad. Jesus Ranieri. S&atilde;o Paulo: Boitempo, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0101-3262201100030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">M&Eacute;SZAROS, I. <i>A educa&ccedil;&atilde;o    para al&eacute;m do capital</i>. Trad. Isa Tavares. S&atilde;o Paulo: Boitempo,    2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0101-3262201100030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">RANIERI, J. Apresenta&ccedil;&atilde;o: sobre    os chamados manuscritos econ&ocirc;mico-filos&oacute;ficos de Karl Marx. In:    Marx, K. <i>Manuscritos econ&oacute;micos e filos&oacute;ficos</i>. Trad. Jesus    Ranieri. S&atilde;o Paulo: Boitempo, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0101-3262201100030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 11 de fevereiro de 2011</font>    <br>   <font face="Verdana" size="2">Aprovado em 22 de setembro de 2011 </font></p> <i></i>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt1"></a><a href="#tx1">1</a>. Aqui    compartilhamos a tradu&ccedil;&atilde;o de Jesus Ranieri do livro <i>Manuscritos    econ&ocirc;micos e filos&oacute;ficos</i>, de Karl Marx, na qual faz a distin&ccedil;&atilde;o    do original alem&atilde;o dos conceitos <i>Ent&auml;sserung</i> (aliena&ccedil;&atilde;o/exterioriza&ccedil;&atilde;o)    e <i>Entfremdung</i> (estranhamento). O primeiro diretamente relacionado &agrave;    objetiva&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o em si; o segundo definido    como a &quot;obje&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    humana, na medida em que veio, historicamente, determinar o conte&uacute;do    do conjunto das exterioriza&ccedil;&otilde;es ou seja, o pr&oacute;prio conjunto    de nossa sociabilidade atrav&eacute;s da apropria&ccedil;&atilde;o do trabalho,    assim como da determina&ccedil;&atilde;o dessa apropria&ccedil;&atilde;o pelo    advento da propriedade privada (...)&quot; (Ranieri, 2004, p. 16).     <br>   </font><font face="Verdana" size="2"><a name="nt2"></a><a href="#tx2">2</a>.    Pesquisas desenvolvidas junto ao N&uacute;cleo de Ensino da unesp a respeito    do tema &quot;Ci&ecirc;ncias Sociais na escola.&quot; </font></p>      ]]></body><back>
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