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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sociologia no ensino médio em um mundo em mudanças: a questão da "confluência perversa"]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Sociology in high school in a changing world: question of "perverse confluence"]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents a reflection on the Sociology Pedagogical Workshops offered monthly for the continuing formation of high school teachers of public schools, as well as for the formation of teachers certified in Social Sciences by the Laboratory of Teaching Society and Culture (lesc, puc-campinas 1998-2007). The concept of `perverse confluence' allowed us to rethink the workshops through the dispute between the democratic and neoliberal political projects, once school and education have, since the beginning of 1990, undergone transformation that have reached cademician relations, increasingly fragmented and deregulated. In addition, besides the implementation of large-scale assessments with a ranking among public schools, these started to be disputed by civil society's projects of non-formal education in `partnerships' little concerned with an internal emocratic discussion aiming to adapt to the concrete reality of schools. Such challenges as far we can judge, are one of the manifestation focuses of `perverse confluence' in the country, hardly noticed during those lesc years and perhaps even today.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Formação de professores]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p> </p>     <p><b><font face="Verdana" size="4">Sociologia no ensino m&eacute;dio em um mundo    em mudan&ccedil;as: a quest&atilde;o da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot;</font></b></p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Sociology in high school in a changing world:    question of &quot;perverse confluence&quot;</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> </p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Doraci Alves Lopes<sup>I</sup>; Dulce Maria    Pomp&ecirc;o de Camargo<sup>II</sup>; Rafael Fernando da Costa<sup><sup>III</sup></sup></font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">IDoutora em Sociologia e professora aposentada    da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica    de Campinas (puc-campinas). E-mail: <a href="mailto:doraci.lopes@gmail.com">doraci.lopes@gmail.com</a>        <br>   </font><font face="Verdana" size="2">IIDoutora em Educa&ccedil;&atilde;o e professora    aposentada do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o    da puc-campinas e da Universidade Estadual de Campinas (unicamp). E-mail: <a href="mailto:dpompeo@mpc.com.br">dpompeo@mpc.com.br</a>        <br>   </font><font face="Verdana" size="2">IIIMestre em Educa&ccedil;&atilde;o e professor    do Programa de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores da Educa&ccedil;&atilde;o    B&aacute;sica (parfor puc-campinas). E-mail<i>: </i> <a href="mailto:rafaelich@ig.com.br">rafaelich@ig.com.br</a>    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1"noshade>     <p></p>     <p><b><font face="Verdana" size="2"> RESUMO </font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Este artigo apresenta uma reflex&atilde;o sobre    Oficinas Pedag&oacute;gicas de Sociologia oferecidas mensalmente para a forma&ccedil;&atilde;o    continuada de professores de ensino m&eacute;dio da escola p&uacute;blica, bem    como para a forma&ccedil;&atilde;o de licenciados de Ci&ecirc;ncias Sociais    pelo Laborat&oacute;rio de Ensino, Sociedade e Cultura (lesc) da puc-campinas    (1998-2007). O conceito de &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot; permitiu-nos    repensar as oficinas em meio &agrave; disputa entre o projeto pol&iacute;tico    democr&aacute;tico e o projeto pol&iacute;tico neoliberal, uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o    e a escola passaram, desde o in&iacute;cio de 1990, por transforma&ccedil;&otilde;es    que atingiram as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho docente, cada vez mais fragmentado    e desregulamentado. E mais, al&eacute;m da implanta&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&otilde;es    de larga escala com cria&ccedil;&atilde;o de <i>rankings</i> entre as escolas    p&uacute;blicas, estas passaram a ser disputadas por projetos de educa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o formal da sociedade civil, em &quot;parcerias&quot; pouco preocupadas    com uma discuss&atilde;o democr&aacute;tica interna para se adequarem &agrave;    realidade concreta das escolas. Tais desafios, ao nosso entender, s&atilde;o    um dos n&uacute;cleos de atua&ccedil;&atilde;o da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot;    no pa&iacute;s, pouco percebida naqueles anos de lesc e talvez at&eacute; nos    dias de hoje. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Forma&ccedil;&atilde;o    de professores. Sociologia. Ensino m&eacute;dio. Conflu&ecirc;ncia perversa.    </font></p> <hr size="1"noshade>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> This article presents&#160;a&#160;reflection    on&#160;the Sociology Pedagogical Workshops offered monthly for the continuing    formation&#160;of&#160;high school teachers&#160;of public schools,&#160;as    well as for the&#160;formation&#160;of&#160;teachers&#160;certified in Social    Sciences by&#160;the Laboratory of Teaching Society and Culture (lesc, puc-campinas    1998-2007). The concept of `perverse confluence' allowed us to rethink the workshops    through the dispute between the democratic and neoliberal political projects,    once school and education&#160; have, since the beginning of 1990, undergone    transformation that have reached cademician relations, increasingly fragmented    and deregulated. In addition, besides the implementation of large-scale assessments    with a ranking among public schools, these started to be disputed by civil society's    projects of non-formal education in `partnerships' little concerned with an    internal emocratic discussion aiming to adapt to the concrete reality of schools.    Such challenges as far we can judge, are&#160;one&#160;of the manifestation    focuses of&#160;`perverse confluence' in the&#160;country, hardly&#160;noticed    during those lesc&#160;years&#160;and perhaps even&#160;today. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Education of teachers. Sociology.    High school. Perverse confluence. </font></p> <hr size="1"noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> A inten&ccedil;&atilde;o desta reflex&atilde;o    &eacute; analisar uma experi&ecirc;ncia de Oficinas Pedag&oacute;gicas desenvolvida    no Laborat&oacute;rio de Ensino, Sociedade e Cultura (lesc) entre os anos de    1998 e 2007, na puc-campinas, a partir da discuss&atilde;o da &quot;conflu&ecirc;ncia    perversa&quot;. A ideia de se retomar este processo &eacute; parte de um compromisso    maior de um conjunto de docentes motivados em discutir os caminhos da Sociologia    no ensino m&eacute;dio no Brasil, marcados por altern&acirc;ncias curriculares    dif&iacute;ceis, &agrave;s vezes autorit&aacute;rias. O artigo pretende explicitar    uma leitura <i>a posteriori</i> do trabalho no lesc com a expectativa de encontrar    e trocar novos olhares, de enriquecer a continuidade desta reflex&atilde;o sobre    a Sociologia no ensino m&eacute;dio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O objetivo principal das oficinas era o de intensificar    a forma&ccedil;&atilde;o inicial dos licenciandos das Ci&ecirc;ncias Sociais    da puc-campinas em conjunto com a forma&ccedil;&atilde;o continuada para professores    de Sociologia de escolas p&uacute;blicas de Campinas, combinando atividades    de ensino, pesquisa e extens&atilde;o universit&aacute;ria. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Inicialmente, faremos uma introdu&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica e te&oacute;rica do debate da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot;    que permeia a an&aacute;lise para, em seguida, dialogar com outros autores representativos    das Ci&ecirc;ncias Sociais e da educa&ccedil;&atilde;o que nos auxiliam a situar    a Sociologia em determinadas quest&otilde;es sobre o ensino m&eacute;dio, especialmente    na d&eacute;cada de 1990 per&iacute;odo de intensas mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas,    pol&iacute;ticas e sociais no modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista mundial,    atingindo diretamente a educa&ccedil;&atilde;o, inclusive no Brasil. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Posteriormente, apresentamos um balan&ccedil;o    e o detalhamento sobre a experi&ecirc;ncia das Oficinas Pedag&oacute;gicas de    Sociologia do lesc levando em conta pelo menos dois desafios enfrentados na    realiza&ccedil;&atilde;o destas: a hist&oacute;rica lacuna da disciplina Sociologia    no universo curricular do ensino m&eacute;dio; o peso das mudan&ccedil;as em    curso na educa&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da influ&ecirc;ncia do mercado    perante a competitividade nacional e internacional exigida pela economia global;    e outros desafios mais locais, como a n&atilde;o dispensa mensal dos professores    da rede p&uacute;blica pelas escolas, dificultando a forma&ccedil;&atilde;o    continuada nas oficinas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A parte final &eacute; uma tentativa de contar    o estranhamento vivido pela equipe respons&aacute;vel com rela&ccedil;&atilde;o    aos deslocamentos conceituais encontrados nos materiais did&aacute;ticos apresentados,    principalmente pelos professores da rede p&uacute;blica, e n&atilde;o compreendidos    naquela &eacute;poca. Estranhamentos certamente n&atilde;o inteiramente desvendados    ainda por esta an&aacute;lise, o que pode provocar certas d&uacute;vidas tamb&eacute;m    no leitor. Mas esperamos que estas dificuldades possam se transformar em uma    nova fase de reflex&atilde;o coletiva e propiciem maior clareza para propormos    caminhos mais consistentes e duradouros para a Sociologia no ensino m&eacute;dio.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O esfor&ccedil;o &eacute; localizar este balan&ccedil;o    tamb&eacute;m no contexto das transforma&ccedil;&otilde;es da sociedade civil,    do Estado e de projetos pol&iacute;ticos em disputa no pa&iacute;s. A referida    &eacute;poca foi um momento de cria&ccedil;&atilde;o de novos &quot;experimentos&quot;    de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no espa&ccedil;o p&uacute;blico    e, ao mesmo tempo, momento de defesa dos processos de privatiza&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Dagnino, 2006). &Eacute; preciso reconhecer    ainda a exist&ecirc;ncia da vertente de um pensamento autorit&aacute;rio que    disputa igualmente um lugar no espa&ccedil;o p&uacute;blico, continuamente saudoso    de um Estado que se considera &quot;demiurgo&quot; da sociedade (Ianni, 2000).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A perspectiva te&oacute;rica que embasa a discuss&atilde;o    desta experi&ecirc;ncia &eacute; dada pela preocupa&ccedil;&atilde;o com certos    deslocamentos conceituais de termos caros ao pensamento das ci&ecirc;ncias humanas,    como os de cidadania, democracia, sociedade civil, participa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica, entre outros. Debate que tem sido aprofundado por diferentes    autores das Ci&ecirc;ncias Sociais e da educa&ccedil;&atilde;o. Destacamos em    especial as an&aacute;lises de Evelina Dagnino centradas na problematiza&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es entre Estado e sociedade civil e suas complexas transforma&ccedil;&otilde;es    nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, a partir de um amplo    conjunto de pesquisas emp&iacute;ricas, com a participa&ccedil;&atilde;o de    representativos estudiosos brasileiros e latino-americanos. A autora defende    que &eacute; no campo das &quot;experi&ecirc;ncias&quot; de projetos pol&iacute;ticos    que se pode afirmar a exist&ecirc;ncia de uma renova&ccedil;&atilde;o do debate    sobre a democracia, seus avan&ccedil;os, possibilidades e limites. Como tamb&eacute;m    explicita os complexos e heterog&ecirc;neos &quot;tr&acirc;nsitos&quot; entre    as esferas da sociedade pol&iacute;tica e da sociedade civil, uma vez que esses    estudos rejeitam a vis&atilde;o tradicional de uma &quot;dicotomia&quot; entre    uma e outra esfera no campo das lutas pol&iacute;ticas (Dagnino, 2006). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Repensando as Oficinas Pedag&oacute;gicas    de Sociologia do lesc e os desafios do ensino m&eacute;dio </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir dos processos vivenciados na licenciatura    de Sociologia, temos refletido acerca do distanciamento entre a cultura do ensinar    e a realidade concreta de professores e alunos de Sociologia em um contexto    hist&oacute;rico de r&aacute;pidas e intensas transforma&ccedil;&otilde;es nas    v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida social, especialmente marcadas pela hegemonia    do projeto neoliberal em amplas esferas da vida social desde as &uacute;ltimas    d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos que um dos grandes problemas vivenciados    na licenciatura de Sociologia &eacute; o desencontro pouco vis&iacute;vel entre    projetos pol&iacute;ticos, interesses, culturas e vis&otilde;es de mundo, seja    no universo de forma&ccedil;&atilde;o docente, seja na experi&ecirc;ncia posterior,    como professores. Tendo em vista o contexto hist&oacute;rico em que as oficinas    do lesc ocorreram, tentaremos interpretar esta experi&ecirc;ncia a partir da    discuss&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada de professores    de Sociologia com base no conceito de <i>conflu&ecirc;ncia perversa</i>, conforme    Dagnino (2005). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo a autora, o grande desafio &eacute; discutir    a &quot;apropria&ccedil;&atilde;o e re-significa&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias    caras ao projeto democr&aacute;tico que, redefinidas, passam a abrigar significados    fundamentais do projeto neoliberal&quot;<i> </i>(op. cit., p. 45), principalmente    a partir da d&eacute;cada de 1990. Dagnino (2005) afirma que essa apropria&ccedil;&atilde;o    gera uma <i>crise discursiva </i>e destaca tr&ecirc;s refer&ecirc;ncias importantes    neste processo de re-significa&ccedil;&atilde;o: as no&ccedil;&otilde;es de    sociedade civil, participa&ccedil;&atilde;o e cidadania. Tal processo obscurece    as diferen&ccedil;as entre estes dois projetos pol&iacute;ticos, necessitando    ser enfrentado pelo que denomina de uma <i>agenda intelectual, cultural e pol&iacute;tica    </i>(p. 61). Proposta com a qual nos identificamos e tomamos como desafio para    repensarmos a realidade da Sociologia no ensino m&eacute;dio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesta experi&ecirc;ncia, no lesc da puc-campinas    (1998-2007), a &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot; e a &quot;crise discursiva&quot;    perpassavam nossa dificuldade de compreender as ambiguidades que permeavam o    processo de forma&ccedil;&atilde;o inicial e a continuada, de professores de    Sociologia da rede oficial de ensino que atuam na Regi&atilde;o Metropolitana    de Campinas. A interpreta&ccedil;&atilde;o realizada deste processo trouxe uma    s&eacute;rie de indaga&ccedil;&otilde;es. Como tornar vis&iacute;veis as diferen&ccedil;as    entre o projeto pol&iacute;tico democr&aacute;tico e o projeto pol&iacute;tico    neoliberal, mais especificamente no ensino de Sociologia? Qual a particularidade    do ensino de Sociologia no projeto democr&aacute;tico, uma vez que n&atilde;o    &eacute; suficiente nos referirmos a determinados conceitos fundantes como os    de cidadania, participa&ccedil;&atilde;o e sociedade civil, dadas suas re-significa&ccedil;&otilde;es?    Enfim, como superar a &quot;crise discursiva&quot; que atinge tamb&eacute;m    o ensino e a forma&ccedil;&atilde;o de professores de Sociologia? </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A seguir, procuramos analisar tamb&eacute;m os    Cadernos de Sociologia do governo do estado de S&atilde;o Paulo na mesma perspectiva    te&oacute;rica, no sentido de apontar algumas pr&aacute;ticas de ensino a partir    de um programa de ensino oficial mais recente na rede de ensino. A ideia foi    contribuir para a oportuna proposta apresentada pelo Centro de Estudos Educa&ccedil;&atilde;o    e Sociedade (cedes) para pensarmos o lugar da Sociologia no ensino m&eacute;dio.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O trabalho que desenvolvemos no grupo de pesquisa    lesc inclu&iacute;a atividades ligadas a ensino, pesquisa e extens&atilde;o,    por cerca de nove anos, e tinha como preocupa&ccedil;&atilde;o central a forma&ccedil;&atilde;o    inicial de licenciados e a continuada de professores de Sociologia da rede oficial    de ensino da Regi&atilde;o Metropolitana de Campinas. O objetivo central foi    o de contribuir para a autonomia e a emancipa&ccedil;&atilde;o intelectual da    pr&aacute;tica docente por interm&eacute;dio de conte&uacute;dos tem&aacute;ticos    levantados durante as oficinas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse caminhar, os diferentes conhecimentos,    ao serem constru&iacute;dos, foram a cada passo abrindo novas frentes, novas    necessidades, novos objetos de estudo. A experi&ecirc;ncia que ora relatamos    &eacute; parte de um longo processo de luta, que extrapola a temporalidade do    lesc, e no qual nos inserimos a partir de 1984. A busca foi para a amplia&ccedil;&atilde;o    e manuten&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o para a disciplina Sociologia    no curr&iacute;culo escolar do ensino m&eacute;dio em Campinas e regi&atilde;o,    antes mesmo da conquista pela sua obrigatoriedade (Lei Federal n. 11.684/08).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse processo, atualiz&aacute;vamos constantemente    o mapeamento das escolas de ensino m&eacute;dio que adotavam a disciplina, ampliando    o acervo bibliogr&aacute;fico sobre temas fundamentais e, nas Oficinas Pedag&oacute;gicas    oferecidas mensalmente aos professores da rede, d&aacute;vamos continuidade    &agrave; discuss&atilde;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gica dos conte&uacute;dos    a serem trabalhados por eles. Tais procedimentos, aliados ao acompanhamento    da legisla&ccedil;&atilde;o pertinente, foram fundamentais para o desenvolvimento    e a finaliza&ccedil;&atilde;o deste projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico    da licenciatura da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais da puc-campinas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com base nas r&aacute;pidas mudan&ccedil;as mencionadas,    tanto na sociedade como tamb&eacute;m no mundo do trabalho, enfrentamos exig&ecirc;ncias    para a constru&ccedil;&atilde;o de novos processos pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicos    para a forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada de professores que permitissem    outras formas de leituras, rela&ccedil;&otilde;es, conex&otilde;es entre os    conhecimentos e a interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade aliada &agrave; a&ccedil;&atilde;o    educacional. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal perspectiva implicava a recupera&ccedil;&atilde;o    do esp&iacute;rito de ci&ecirc;ncia como constru&ccedil;&atilde;o social permanente,    uma vez que o conhecimento cient&iacute;fico est&aacute; estreitamente vinculado    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es reais e materiais, em &eacute;poca e contextos    sociais determinados. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse processo a Sociologia, cada vez mais, deve    ser pensada como uma ci&ecirc;ncia que se interroga de novo sobre sua especificidade    diante de outras &aacute;reas de conhecimento. O fato de a obrigatoriedade da    Sociologia no ensino m&eacute;dio s&oacute; ter sido conquistada recentemente    torna a tarefa da doc&ecirc;ncia muito mais complexa, dadas as contradi&ccedil;&otilde;es    e tens&otilde;es permanentes vivenciadas em uma sociedade profundamente marcada    por mudan&ccedil;as de valores sociais e &eacute;ticos. </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Comparado com os idos de 1960, o panorama atual      da Sociologia exibe uma complexidade desconcertante, aqui e pelo mundo afora.      Sua marca mais evidente &eacute; a diversidade. (...) Da&iacute; a import&acirc;ncia,      no seu programa &#91;Confer&ecirc;ncia X Congresso Brasileiro de Sociologia, 2001&#93;,      dos <i>temas emergentes. </i>(...) Pensar a Sociologia a s&eacute;rio &eacute;      pensar a sociedade; mas pensar a sociedade ainda n&atilde;o &eacute; pensar      a Sociologia. Cumpre, portanto, &agrave; Sociologia manter vivo seu autoquestionamento      (...) para descobrir os seus potenciais e, neles, as novas dimens&otilde;es      da sociedade que lhe cabe introduzir nos seus esquemas anal&iacute;ticos.      (...) a Sociologia perdeu terreno, a ponto de continuar sendo uma tarefa premente      a defini&ccedil;&atilde;o e a implementa&ccedil;&atilde;o do ensino da Sociologia      nos curr&iacute;culos de Segundo Grau (tema sobre o qual a Assembleia deste      congresso certamente se manifestar&aacute;). (Cohn, 2003, p. 83-84) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A par da discuss&atilde;o do papel da Sociologia    como ci&ecirc;ncia e como forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada de docentes,    tentamos pensar sobre o significado da dimens&atilde;o social da escola e da    constru&ccedil;&atilde;o de alternativas pedag&oacute;gicas que possibilitassem    ao aluno compreender e transformar o mundo. Neste contexto o ensino m&eacute;dio    parece ser o mais prejudicado, tanto pela falta de investimentos a ele destinados    como pela falta de uma pol&iacute;tica que permita atender minimamente &agrave;s    expectativas e aspira&ccedil;&otilde;es de alunos e professores. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar dos esfor&ccedil;os em v&aacute;rios campos    da educa&ccedil;&atilde;o para alcan&ccedil;ar uma mudan&ccedil;a no ensino    m&eacute;dio nos aspectos humano e material, que considere priorit&aacute;ria    a forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os participantes, transformadores,    continua sendo dif&iacute;cil romper com a exclusiva preocupa&ccedil;&atilde;o    de colocar m&atilde;o de obra &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do mercado de    trabalho, projeto pol&iacute;tico caro aos interesses do mercado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">O curr&iacute;culo do ensino m&eacute;dio tamb&eacute;m      precisa ser reformado, disse Magalh&atilde;es, que &eacute; presidente do      Instituto de Co-Responsabilidade pela Educa&ccedil;&atilde;o (ice). &quot;Temos      de repensar a grade&quot;. Para ele, s&oacute; deveriam ser obrigat&oacute;rias      as disciplinas de portugu&ecirc;s e l&iacute;ngua estrangeira, al&eacute;m      de matem&aacute;tica, f&iacute;sica, qu&iacute;mica e biologia. As outras      mat&eacute;rias seriam eletivas. &quot;Hoje o aluno que vai prestar vestibular      para engenharia <i>perde tempo estudando filosofia</i>. Se ele achar importante,      deveria ter a op&ccedil;&atilde;o de curs&aacute;-la, n&atilde;o a obriga&ccedil;&atilde;o&quot;.      (Lordelo, 2011; grifo nosso) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Para tanto, a escola necessita encontrar meios    para resistir, ter criatividade e autonomia e, principalmente, se propor a elaborar    o seu pr&oacute;prio projeto pol&iacute;tico democr&aacute;tico, portanto com    a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade escolar. &Eacute; nesse bojo que    se situa a discuss&atilde;o e o redimensionamento da concep&ccedil;&atilde;o    de curr&iacute;culo, entre outras quest&otilde;es a serem repensadas no ensino    m&eacute;dio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(...) alguns col&eacute;gios particulares decidiram    fazer lobby para desbastar os curr&iacute;culos. A ideia &eacute; que as novas    disciplinas sejam lecionadas como parte das disciplinas b&aacute;sicas (...).    Em S&atilde;o Paulo, por exemplo, o Conselho Estadual de Educa&ccedil;&atilde;o    acaba de emitir um parecer permitindo que os conte&uacute;dos de filosofia e    sociologia sejam dados dentro de outras disciplinas como hist&oacute;ria. &Eacute;    um exemplo a ser seguido pelos outros estados. (<i>O Estado de S. Paulo</i>,    2010, p. A3) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Moraes (1996, p. 124) chama a aten&ccedil;&atilde;o    para o fato de o ensino m&eacute;dio ser talvez o mais problematizado na hist&oacute;ria    da educa&ccedil;&atilde;o brasileira, uma vez que &quot;historicamente manifesta    o n&oacute; da rela&ccedil;&atilde;o social impl&iacute;cita no ensino escolar    nacional&quot;. Em s&iacute;ntese, a pol&iacute;tica educacional para o ensino    m&eacute;dio tem se baseado fundamentalmente na &quot;teoria do capital humano&quot;,    que privilegia a produ&ccedil;&atilde;o em detrimento da forma&ccedil;&atilde;o    do cidad&atilde;o aut&ocirc;nomo e criativo. Com um empobrecimento social dos    curr&iacute;culos e o esvaziamento dos conte&uacute;dos voltados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    geral, s&atilde;o descartadas as bases fundamentais para a compreens&atilde;o    cr&iacute;tica da realidade pelo educando. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tais transforma&ccedil;&otilde;es acabaram por    desestabilizar no campo educacional o rigor cient&iacute;fico, o qual, como    processo institu&iacute;do, considerava eficaz a transmiss&atilde;o do conhecimento.    Nesta perspectiva, h&aacute; uma transforma&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel    tanto na concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia como de ensino, que passam    a exigir novas metodologias no processo de ensino e aprendizagem em raz&atilde;o    das estrat&eacute;gias globais de desenvolvimento econ&ocirc;mico contempor&acirc;neo.    Essas mudan&ccedil;as est&atilde;o sendo pensadas em uma realidade de disputas    entre dois projetos pol&iacute;ticos, o neoliberal e o democr&aacute;tico participativo.    Este &uacute;ltimo implica combater a vis&atilde;o hegem&ocirc;nica da racionalidade    t&eacute;cnica nas escolas: </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O modelo de racionalidade t&eacute;cnica apesar    de ser muito questionado ainda se encontra presente na organiza&ccedil;&atilde;o    curricular dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o de professores e tamb&eacute;m    introjetado na concep&ccedil;&atilde;o dos licenciandos sobre a forma&ccedil;&atilde;o    de professores que, mesmo de forma cr&iacute;tica, exp&otilde;e uma vis&atilde;o    do papel do professor como o possuidor do saber que deve &quot;aplicar&quot;    aos alunos do ensino m&eacute;dio o conhecimento aprendido na teoria. (Costa,    2009, p. 110) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O quadro atual, como vemos, bastante controvertido,    traduz perspectivas pouco n&iacute;tidas e duvidosas, preservando a velha trama    de indefini&ccedil;&otilde;es e dubiedades para o ensino m&eacute;dio e profissional    que precisam ser mais bem entendidas e estudadas (Bueno, 2000). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em S&atilde;o Paulo, a inser&ccedil;&atilde;o    da Sociologia no curr&iacute;culo dependia, e, como vimos, ainda depende, da    &quot;boa vontade&quot; de diretores, coordenadores pedag&oacute;gicos e dos    demais envolvidos na elabora&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo escolar, gerando    uma tens&atilde;o nos professores a cada novo ano letivo. Isso sem considerar    a falta de tradi&ccedil;&atilde;o da disciplina no contexto curricular do ensino    m&eacute;dio, no trabalho do lesc; mesmo assim buscamos alternativas para resistir    &agrave; hegemonia da racionalidade t&eacute;cnica. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento justifica    a op&ccedil;&atilde;o por uma metodologia de trabalho, onde o &quot;ir e vir&quot;    permita a abordagem integrada do conte&uacute;do trabalhado com o mundo percebido    pelo aluno. Al&eacute;m de evitar a fragmenta&ccedil;&atilde;o do conhecimento,    respeita as diferentes formas de ver e ler a realidade, pr&oacute;prias de professores    e de alunos de camadas sociais e culturais distintas. (Camargo, 2000, p. 219)    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">(...) &#91;vivemos&#93; certos processos e modelos cientificistas,    como os da hierarquiza&ccedil;&atilde;o do saber, que selecionam que educadores    valem mais e que educadores valem menos... &Eacute; poss&iacute;vel interromper    essa din&acirc;mica educacional social est&uacute;pida, que cria desigualdades    inaceit&aacute;veis no reconhecimento institucional entre os graduados/licenciados    nas diversas &aacute;reas das ci&ecirc;ncias, e tamb&eacute;m no interior das    ci&ecirc;ncias humanas? (Lopes, 2001) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(...) T&atilde;o importante &eacute; esta integra&ccedil;&atilde;o    entre a universidade e a escola p&uacute;blica (...) foram valios&iacute;ssimas    as reflex&otilde;es sobre a ldb/96, sobre o papel da Sociologia no ensino m&eacute;dio,    as ci&ecirc;ncias humanas e suas tecnologias, os Par&acirc;metros Curriculares    Nacionais, entre outros assuntos igualmente importantes... &Eacute; urgente    a uni&atilde;o de todas as for&ccedil;as para o resgate do valor das Ci&ecirc;ncias    Sociais na educa&ccedil;&atilde;o e na sociedade... (Professora de Sociologia,    2004) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, a cria&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    das concep&ccedil;&otilde;es que permeavam o cotidiano escolar e a elabora&ccedil;&atilde;o    e utiliza&ccedil;&atilde;o de materiais de ensino constitu&iacute;am, no Laborat&oacute;rio,    um campo f&eacute;rtil para que pud&eacute;ssemos refletir acerca dos problemas    relativos ao ensino e &agrave; aprendizagem, no curso de Ci&ecirc;ncias Sociais.    Nesse processo a participa&ccedil;&atilde;o de professores da rede oficial de    ensino nas oficinas mensais foi de fundamental import&acirc;ncia. Em suma, o    lesc teve por objetivos: </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Estreitar a coopera&ccedil;&atilde;o entre    o corpo docente e discente nas atividades de ensino, pesquisa e extens&atilde;o;    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Contribuir para as atividades de est&aacute;gios    desenvolvidos por nossos alunos, nas escolas da rede oficial de ensino; </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Incentivar e apoiar, em n&iacute;vel de gradua&ccedil;&atilde;o,    o desenvolvimento de pesquisas cient&iacute;ficas na &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o,    contribuindo para a consolida&ccedil;&atilde;o de sua forma&ccedil;&atilde;o;    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- Contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o profissional    do professor do ensino m&eacute;dio, por interm&eacute;dio de novas metodologias    de a&ccedil;&atilde;o em sala de aula e conte&uacute;do espec&iacute;fico da    &aacute;rea (Projeto de Pesquisa e Extens&atilde;o &quot;Laborat&oacute;rio    de Ensino, Sociedade e Cultura&quot;, puc-campinas). (Camargo, 1997) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tais oficinas, realizadas aos s&aacute;bados,    das 8 &agrave;s 11 horas, abordavam diferentes temas entre os quais destacamos:    &quot;cidadania&quot;, &quot;movimentos sociais&quot; e &quot;cultura&quot;,    e se constitu&iacute;ram em uma experi&ecirc;ncia &iacute;mpar para todos. Os    registros das atividades desenvolvidas e dos depoimentos de professores e alunos    da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e do ensino m&eacute;dio oficial se deram    por meio de fotos, filmagem e registro no di&aacute;rio de campo. A frequ&ecirc;ncia    de professores de Sociologia nas Oficinas Pedag&oacute;gicas variava muito apesar    de termos mais de 25 professores da rede oficial de ensino cadastrados, que    na &eacute;poca n&atilde;o eram liberados para participar dessas oficinas. Quanto    aos alunos de Ci&ecirc;ncias Sociais, o n&uacute;mero de participantes oscilava    muito tamb&eacute;m, especialmente no in&iacute;cio, quando as oficinas ocorriam    durante a semana. Em s&iacute;ntese, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos alunos    bolsistas, tanto alunos da licenciatura como professores da rede oficial n&atilde;o    dispunham de muito tempo. Assim, a participa&ccedil;&atilde;o de muitos dos    interessados deu-se de forma comprometida e volunt&aacute;ria, o que provocou    a necessidade de retomarmos frequentemente alguns dos temas discutidos anteriormente.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As Oficinas Pedag&oacute;gicas eram, portanto,    tem&aacute;ticas. Depois de apresentado o tema, quando da prepara&ccedil;&atilde;o    dos conte&uacute;dos, faz&iacute;amos um levantamento junto com os professores    do ensino m&eacute;dio, para defini&ccedil;&atilde;o dos aspectos poss&iacute;veis    de serem trabalhados em sala de aula conforme a realidade de suas escolas. Simultaneamente,    os licenciandos, junto com os professores de Sociologia no ensino m&eacute;dio    e os docentes da universidade, pensavam em conte&uacute;dos, objetivos, metodologia/estrat&eacute;gias    e atividades. Para a supera&ccedil;&atilde;o conjunta das diversas dificuldades,    foi importante estarmos sempre avaliando a que dist&acirc;ncia nos encontr&aacute;vamos    dos objetivos tra&ccedil;ados e/ou a necessidade de caminharmos em outra dire&ccedil;&atilde;o.    Por isso tivemos, muitas vezes, de redimensionar o trabalho, estabelecendo prioridades    ante os temas desenvolvidos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O licenciando, mesmo cursando o per&iacute;odo    noturno, colaborava nessas atividades e, quando poss&iacute;vel, participava    em reuni&otilde;es e minicursos destinados a professores do ensino m&eacute;dio.    Assim, as Oficinas Pedag&oacute;gicas contribu&iacute;ram tanto para a forma&ccedil;&atilde;o    inicial como continuada de professores. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Consolidada a implanta&ccedil;&atilde;o do Laborat&oacute;rio,    a partir dos dados obtidos no processo de observa&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o    em sala de aula e produ&ccedil;&atilde;o de material did&aacute;tico, possibilitamos    a integra&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s inst&acirc;ncias de atividades que    s&atilde;o o eixo da universidade: ensino, pesquisa e extens&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As Oficinas Pedag&oacute;gicas desenvolvidas    nos quase nove anos de exist&ecirc;ncia assessoraram o trabalho de professores    da rede de ensino, mas tamb&eacute;m acompanharam tanto os est&aacute;gios realizados    pelos licenciandos como as monografias de final de curso cujo objeto fosse o    ensino de Sociologia no ensino m&eacute;dio. Nesse processo, procuramos ainda    discutir como o conhecimento cient&iacute;fico, desenvolvido pelas diferentes    disciplinas que compunham o curr&iacute;culo do curso de Ci&ecirc;ncias Sociais,    transformava-se em conte&uacute;do escolar, no ensino m&eacute;dio. Para tanto,    &eacute; importante reiterarmos que a contribui&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o    do licenciando advinha tanto das disciplinas da &aacute;rea espec&iacute;fica    como da &aacute;rea pedag&oacute;gica do curso. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o inicial,    as Oficinas Pedag&oacute;gicas possibilitaram o enfrentamento de um problema    muito antigo, que &eacute; a integra&ccedil;&atilde;o entre o bacharelado e    a licenciatura. Tal experi&ecirc;ncia minimizou o problema do processo dicot&ocirc;mico    entre forma e conte&uacute;do e processo e produto entre as duas modalidades    acad&ecirc;micas. Conseguiu, assim, dar maior visibilidade &agrave; licenciatura    ante o esfor&ccedil;o de n&atilde;o a considerarmos uma simples complementa&ccedil;&atilde;o    do bacharelado, e consequentemente cumprir um importante papel no processo de    forma&ccedil;&atilde;o de professores de Sociologia. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir de 2006, uma das quest&otilde;es apontadas    pelos alunos dizia respeito &agrave; disciplina sob a nossa responsabilidade<a name="tx1"></a><a href="#nt1"><sup>1</sup></a>    Projeto de Atua&ccedil;&atilde;o em Ensino III, dada a exig&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o    de 17 horas de est&aacute;gio para alunos do noturno, na sua maioria trabalhadores.    Mas o problema maior dizia respeito tamb&eacute;m &agrave; quase aus&ecirc;ncia    da Sociologia no curr&iacute;culo do ensino m&eacute;dio. Por se constituir    em uma disciplina do n&uacute;cleo diversificado naquela &eacute;poca, era encontrada    em apenas 23 escolas da regi&atilde;o de Campinas. Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada, a participa&ccedil;&atilde;o    nas Oficinas Pedag&oacute;gicas mensais oferecidas pelo lesc contribuiu para    a troca de experi&ecirc;ncias dos licenciandos com professores do ensino m&eacute;dio.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s cada oficina, realiz&aacute;vamos,    em sala de aula, com os alunos de Ci&ecirc;ncias Sociais do 7&#186; e 8&#186;    semestres, uma avalia&ccedil;&atilde;o das diferentes experi&ecirc;ncias que    tiveram a oportunidade de vivenciar, no sentido de ampliar a troca entre eles:    est&aacute;gio em salas de aula, est&aacute;gio no projeto Escola da Fam&iacute;lia,    est&aacute;gio a partir do oferecimento das oficinas para alunos e professores    do ensino m&eacute;dio. As avalia&ccedil;&otilde;es eram sempre bastante ricas.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi a primeira vez que um planejamento de ensino    foi colocado em pr&aacute;tica. Nas oficinas fizemos com que todos atuassem    para ficarmos mais confiantes. (Equipe respons&aacute;vel pelo tema &quot;cidadania&quot;,    2006) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; a primeira vez que temos a oportunidade    para realizar uma atividade que envolve alunos do 7&#186; e 8&#186; semestres.    Foi &oacute;timo para o entrosamento e para aprender a trabalhar em equipe.    (Aluno de Ci&ecirc;ncias Sociais do 8&#186; semestre, 2006) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante destacar que enfrentar uma    sala de aula &eacute; diferente de os alunos virem para a universidade como    volunt&aacute;rios. (Aluna de Ci&ecirc;ncias Sociais do 7&#186; semestre, com    est&aacute;gio realizado em sala de aula, 2007) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante do prop&oacute;sito colocado pelos pcn    (1999) de se formar o aluno com vistas &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es    que ocorrem em n&iacute;vel mundial, em especial &agrave;s mudan&ccedil;as referentes    ao mundo do trabalho, v&iacute;amos, cada vez com mais clareza, a necessidade    de o ensino de Sociologia vir a ocupar uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada    no curr&iacute;culo. No entanto, a trajet&oacute;ria percorrida por n&oacute;s    foi permeada de momentos de vit&oacute;rias e momentos de decep&ccedil;&otilde;es.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O desafio maior foi o de oferecer uma forma&ccedil;&atilde;o    ao jovem do ensino m&eacute;dio que possibilitasse a reflex&atilde;o e o desenvolvimento    de habilidades de pesquisa que permitissem a comunica&ccedil;&atilde;o, a criatividade,    o saber resolver problemas e trabalhar em equipe. E, ainda, desenvolver no aluno    a reflex&atilde;o cr&iacute;tica que deveria ir muito al&eacute;m do desenvolvimento    das capacidades t&eacute;cnicas necess&aacute;rias para a inser&ccedil;&atilde;o    do futuro profissional no mercado de trabalho, principal objetivo da proposta    de reforma educacional ent&atilde;o em curso. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nos final dos anos de 1990 e no in&iacute;cio    do s&eacute;culo atual foram comuns questionamentos relacionados &agrave; pr&aacute;tica    de ensino da Sociologia. Havia muitas perguntas sobre o que fazia o soci&oacute;logo...    Muitos alunos do ensino m&eacute;dio frequentemente perguntavam por que e para    que estudavam Sociologia. Em vista desses questionamentos, foi necess&aacute;rio    fortalecer junto aos professores os argumentos sobre a import&acirc;ncia da    Sociologia e realizar constantes debates sobre esta disciplina no ensino m&eacute;dio,    uma vez que a quest&atilde;o da hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos saberes da    ci&ecirc;ncia est&aacute; muito enraizada tamb&eacute;m no cotidiano da sala    de aula. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para intensificar a forma de prepara&ccedil;&atilde;o    das aulas e a an&aacute;lise da atua&ccedil;&atilde;o de professores de Sociologia    da rede oficial de ensino, optamos, ao longo da experi&ecirc;ncia, por realizar    e discutir relatos de suas experi&ecirc;ncias em sala de aula. Paralelamente    ao esfor&ccedil;o despendido por tais docentes, pudemos notar que, embora algumas    escolas tivessem optado pela Sociologia na grade curricular, havia uma diferencia&ccedil;&atilde;o    no tratamento dado a esta disciplina em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras    consideradas obrigat&oacute;rias. O pouco tempo destinado &agrave; Sociologia    contribu&iacute;a para dificultar ainda mais o seu reconhecimento. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Periodicamente realiz&aacute;vamos avalia&ccedil;&otilde;es    com os professores da rede oficial que participavam das oficinas e os relatos    mais frequentes diziam respeito ao sentimento de ser professor, &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica e &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o dos    conte&uacute;dos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os depoimentos desses professores de Sociologia    revelaram, desde o in&iacute;cio das Oficinas Pedag&oacute;gicas, que a grande    maioria estava interessada em renovar-se teoricamente e disposta &agrave; mudan&ccedil;a    e &agrave; busca de formas alternativas de trabalho pedag&oacute;gico. Quando    perguntamos acerca das expectativas e do que gostariam de discutir nos encontros    promovidos pelo lesc, responderam que queriam trabalhar as tem&aacute;ticas    propostas pelos Par&acirc;metros Curriculares da &aacute;rea. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As oficinas do lesc influenciaram na minha pr&aacute;tica    pedag&oacute;gica na medida em que me colocou novamente em contato com a universidade    e consequentemente com as discuss&otilde;es atuais das Ci&ecirc;ncias Sociais.    Isso aumentou incrivelmente meu est&iacute;mulo pela Sociologia porque, partilhando    experi&ecirc;ncias com os colegas do lesc e com as professoras (que s&atilde;o    o elo entre eu e as discuss&otilde;es acad&ecirc;micas), deixei de sentir-me    isolada em minha pr&aacute;tica e pude rever conceitos. Dessa forma, aumentei    minha autoestima, que anda baixa entre os professores da rede<i>. </i>(Professora    da rede oficial de ensino, 2000) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sociologia &eacute; importante, sim, ela deveria    continuar no ensino m&eacute;dio, mas n&atilde;o s&oacute; no terceiro ano,    no primeiro e no segundo ano tamb&eacute;m. Pois em um s&oacute; ano &eacute;    muito corrido para guardar tanta coisa importante. (Professor da rede oficial    de ensino, 2004) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Muitos outros depoimentos relevantes foram registrados    no decorrer do processo. Ao longo dos nove anos, constatamos que as dificuldades    em sala de aula continuavam sendo profundas e muito d&iacute;spares, e que,    apesar das constantes reflex&otilde;es que realiz&aacute;vamos nas Oficinas    Pedag&oacute;gicas oferecidas pelo lesc, os professores de Sociologia n&atilde;o    haviam transformado, como esper&aacute;vamos, a pr&aacute;tica de ensino no    cotidiano escolar. Perceb&iacute;amos alguns estranhamentos did&aacute;tico-pedag&oacute;gicos,    sem muita compreens&atilde;o do que ocorria com o alcance e a influ&ecirc;ncia    dos conceitos trabalhados no processo de forma&ccedil;&atilde;o de professores    no Laborat&oacute;rio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Permaneciam alguns h&aacute;bitos muito arraigados    no momento da revis&atilde;o de seus planos de ensino, como o uso de materiais    did&aacute;ticos tradicionais e refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas de &aacute;reas    de forma&ccedil;&atilde;o docente diferentes da Sociologia. A reflex&atilde;o    sobre certos temas, teorias e conceitos revelava ambiguidades, fragilidades,    inseguran&ccedil;as, pr&aacute;ticas limitadoras para o alcance de um projeto    pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico democr&aacute;tico a que se propunha o lesc.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Analisar a realidade social &eacute; uma tarefa    &aacute;rdua, mas necess&aacute;ria nas escolas, pois desconstr&oacute;i no&ccedil;&otilde;es    prematuras e simpl&oacute;rias. Caso contr&aacute;rio, os alunos poder&atilde;o    sair da escola com seus preconceitos ainda mais refor&ccedil;ados, com baixa    autoestima, naturalizando ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o social em que    vivem sem perspectiva para melhorar socialmente sua vida, sua comunidade e seu    pa&iacute;s. (Camargo, &quot;Proposta de Trabalho&quot;, s/d) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, as experi&ecirc;ncias vivenciadas tornaram-se    dif&iacute;ceis para todos os envolvidos neste processo, uma vez que os docentes    e licenciandos sentiam motiva&ccedil;&atilde;o para os encontros mensais e para    a partilha de conhecimentos durante as oficinas. No entanto, pouca altera&ccedil;&atilde;o    acontecia no cotidiano da sala de aula das escolas p&uacute;blicas envolvidas,    gerando inclusive des&acirc;nimo entre os licenciandos da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    Sociais quanto &agrave; escolha da profiss&atilde;o. O encerramento das atividades    do lesc em 2007 deu-se por raz&otilde;es de altera&ccedil;&otilde;es funcionais    da coordena&ccedil;&atilde;o da equipe de docentes respons&aacute;veis pela    organiza&ccedil;&atilde;o das oficinas, mas as indaga&ccedil;&otilde;es permaneceram    &agrave; espera de revis&otilde;es para momentos mais oportunos para serem explicitadas.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O contato com os textos de Dagnino (2004, 2005,    2006) e a compreens&atilde;o da dimens&atilde;o da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot;    posterior &agrave; exist&ecirc;ncia do lesc possibilitaram-nos entender melhor    o processo vivenciado na forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada de professores    a partir das Oficinas Pedag&oacute;gicas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>A Sociologia, o ensino m&eacute;dio e a quest&atilde;o    da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot; </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No per&iacute;odo de exist&ecirc;ncia do lesc,    como indicamos, a educa&ccedil;&atilde;o e a escola passavam por um conjunto    de mudan&ccedil;as bastante influenciadas pelo projeto pol&iacute;tico neoliberal,    provavelmente com intensidade maior no Estado de S&atilde;o Paulo, mudan&ccedil;as    essas que atingiram as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho docente, cada vez    mais precarizado, fragmentado e desregulamentado. Ao mesmo tempo, ocorriam a    implanta&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento de avalia&ccedil;&otilde;es    de larga escala com &quot;ranqueamento&quot; entre as escolas, preocupa&ccedil;&otilde;es    que passaram a marcar diretamente os conte&uacute;dos did&aacute;tico-pedag&oacute;gicos    em fun&ccedil;&atilde;o dos resultados p&uacute;blicos dos exames nacionais    e estaduais (enem e saresp) para os alunos de ensino m&eacute;dio. E mais, o    espa&ccedil;o da escola p&uacute;blica passou a ser disputado ainda por projetos    sociais diversos de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal (Lopes, 2009; Lopes    &amp; Oliveira, 2010) pensados por &quot;parcerias&quot; com a sociedade civil&#160;(como    as ong), que em nosso entender se tornaram um dos n&uacute;cleos de atua&ccedil;&atilde;o    da &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot; no pa&iacute;s, pouco percebida naqueles    anos de funcionamento do lesc e talvez at&eacute; nos dias de hoje. A autonomia    do docente e do projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico da escola foram duramente    atingidos, uma vez que tais &quot;parcerias&quot; e &quot;servi&ccedil;os&quot;    sociais quase sempre n&atilde;o s&atilde;o submetidos a uma discuss&atilde;o    democr&aacute;tica interna da comunidade escolar envolvida para a aprova&ccedil;&atilde;o    de crit&eacute;rios e de conte&uacute;dos que se adequem &agrave; realidade    concreta da escola.<a name="tx2"></a><a href="#nt2"><sup>2</sup></a> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na reforma de ensino brasileira, a diretriz de    privatiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o assumiu o formato    de transfer&ecirc;ncia direta de servi&ccedil;os p&uacute;blicos ao setor privado    porque a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 estabeleceu que o ensino p&uacute;blico    seria gratuito em todos os n&iacute;veis (...). A privatiza&ccedil;&atilde;o,    entretanto, vem ocorrendo por um mecanismo indireto, que &eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o    do mercado de consumo de servi&ccedil;os educacionais privados. (Pierro, 2001,    p. 326) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conceitos cl&aacute;ssicos tornam-se cada vez    menos hist&oacute;ricos, como o de cidadania e participa&ccedil;&atilde;o, deslocando-se    para defini&ccedil;&otilde;es como &quot;ajuda ao pr&oacute;ximo&quot;, &quot;voluntariado&quot;,    &quot;empreendedorismo&quot;, &quot;direitos do consumidor&quot;, &quot;responsabilidade    social&quot; (Paoli, 2003a), em conhecidos projetos que est&atilde;o atuando    nas escolas por meio de &quot;parcerias&quot; do setor p&uacute;blico com o    setor privado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na d&eacute;cada de 1990 e no in&iacute;cio dos    anos de 2000, a experi&ecirc;ncia democr&aacute;tica de base popular, mesmo    existindo de forma subalterna, constru&iacute;da na d&eacute;cada de 1980, fazia-se    presente em nossos referenciais te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos, seja    nas Ci&ecirc;ncias Sociais, seja na educa&ccedil;&atilde;o. Per&iacute;odo hist&oacute;rico    em que Paoli (2003b, p. 184) aponta como sendo &quot;o &uacute;nico per&iacute;odo    em que se delineia a constitui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, com base popular,    de uma real experi&ecirc;ncia de cidadania e forma&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os    p&uacute;blicos e sujeitos coletivos discern&iacute;veis na cena p&uacute;blica&quot;.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que n&atilde;o t&iacute;nhamos no&ccedil;&atilde;o    naquele momento era sobre a extensa penetra&ccedil;&atilde;o que as concep&ccedil;&otilde;es    neoliberais estavam operando em todos os n&iacute;veis da sociedade brasileira,    e com igual influ&ecirc;ncia em todos os n&iacute;veis educacionais, por meio    da hegemonia da racionalidade t&eacute;cnica (Costa, 2009). Momento em que se    dava uma &quot;estrat&eacute;gia do Estado para a implementa&ccedil;&atilde;o    do ajuste neoliberal (...) que se isenta progressivamente de seu papel garantidor    de direitos (...)&quot; (Dagnino, 2004, p. 96). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Enfrent&aacute;vamos no per&iacute;odo de trabalho    do lesc uma &quot;crise discursiva&quot; para pensarmos as rela&ccedil;&otilde;es    entre realidade social, ci&ecirc;ncia e conhecimento escolar para a Sociologia    do ensino m&eacute;dio. Na verdade est&aacute;vamos no centro de v&aacute;rias    ambiguidades que se explicitavam nas dificuldades de abordagem de conte&uacute;dos    nas Oficinas Pedag&oacute;gicas. Na pr&aacute;tica, certos planos de aula podiam    atender a um ou outro &quot;projeto pol&iacute;tico&quot; que, conforme define    Dagnino (2004; 2005), inspirada em Gramsci, &eacute; um conjunto de cren&ccedil;as,    interesses, representa&ccedil;&otilde;es do que deve ser a vida em sociedade,    orientando a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de diferentes sujeitos sociais,    em que cultura e pol&iacute;tica s&atilde;o processos indissoci&aacute;veis.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vivenciamos desde ent&atilde;o, de um lado, a    cultura pol&iacute;tica do projeto democr&aacute;tico participativo, forjada    nas experi&ecirc;ncias dos novos movimentos sociais e de redemocratiza&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s. A produ&ccedil;&atilde;o intelectual da educa&ccedil;&atilde;o    debatia intensamente temas como o de conquistar a gest&atilde;o democr&aacute;tica    participativa da escola, para mencionar um exemplo. De outro lado, a cultura    pol&iacute;tica do projeto neoliberal, que passa a se apropriar daquela cultura,    re-significando concep&ccedil;&otilde;es caras ao pensamento cr&iacute;tico    e social do pa&iacute;s, que inclu&iacute;am reconhecidos projetos educacionais    emancipat&oacute;rios. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entendemos neste momento que a tend&ecirc;ncia    em curso &eacute; a de que o trabalho docente no ensino m&eacute;dio tem sido    pressionado a tratar os conceitos com sentidos cada vez mais restritos, imediatistas,    para atender a forma&ccedil;&atilde;o para o trabalho e para o mercado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A Sociologia tamb&eacute;m foi e &eacute; pressionada    a se adaptar ao projeto neoliberal voltado para a educa&ccedil;&atilde;o. O    balan&ccedil;o cr&iacute;tico que temos oportunidade de realizar neste momento    sobre o lesc influencia na an&aacute;lise do que supomos estar ocorrendo com    os Cadernos de Sociologia para o ensino m&eacute;dio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A proposta curricular do estado de S&atilde;o    Paulo prev&ecirc; o desenvolvimento de um conjunto de conte&uacute;dos program&aacute;ticos    nos Cadernos de Sociologia do Professor e do Aluno. Afirma serem esses cadernos    norteadores das disciplinas a serem ministradas e que t&ecirc;m o objetivo de    criar uma base curricular que n&atilde;o prejudique as caracter&iacute;sticas    locais de um estado t&atilde;o grande e diverso. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que cabe ao professor de Sociologia, esses    Cadernos foram solicitados e escritos seguindo as orienta&ccedil;&otilde;es    de uma das mais representativas entidades dos soci&oacute;logos, a Sociedade    Brasileira de Sociologia (sbs), que tem estado cada vez mais &agrave; frente    destas discuss&otilde;es<a name="tx3"></a><a href="#nt3"><sup>3</sup></a> Esta    entidade discute temas relativos ao ensino de Sociologia no ensino m&eacute;dio    desde o per&iacute;odo em que participou da luta pela inclus&atilde;o obrigat&oacute;ria    da disciplina no ensino m&eacute;dio. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Eles &#91;Cadernos&#93; foram um desafio, entre outras    raz&otilde;es, pois tive a responsabilidade de concretizar a Proposta Curricular    para o Ensino de Sociologia que foi elaborada pela Sociedade Brasileira de Sociologia    e aceita pela Secretaria Estadual de Educa&ccedil;&atilde;o. (Schrijnemaekers,    2009, p. 3) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em trabalho apresentado XIV Congresso Brasileiro    de Sociologia, o grupo de trabalho &quot;Ensino de Sociologia&quot;, representado    por Schrijnemaekers, exp&ocirc;s sobre o processo de constru&ccedil;&atilde;o    de tal material por meio do artigo &quot;O ensino de Sociologia e a escola p&uacute;blica:    desafios&quot; (2009). A autora demonstra que a constru&ccedil;&atilde;o do    Caderno de Sociologia foi e &eacute; um grande desafio, tendo em vista a complexidade    da disciplina e a carga hor&aacute;ria reservada &agrave; Sociologia no ensino    m&eacute;dio, entre outros limites j&aacute; indicados anteriormente. Schrijnemaekers    (2009) afirmou ter escrito o material de maneira conjunta com Melissa de Mattos    Pimenta, entre outros colaboradores, todos sob coordena&ccedil;&atilde;o da    professora Heloisa de Souza Martins.<a name="tx4"></a><a href="#nt4"><sup>4</sup></a>    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em nossa compreens&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o    e a utiliza&ccedil;&atilde;o desses Cadernos &eacute; uma proposta da Secretaria    de Educa&ccedil;&atilde;o do estado e visa sugerir um roteiro de trabalho, logo,    na sua cria&ccedil;&atilde;o, por autoras como Schrijnemaekers, Pimenta e Martins,    n&atilde;o se pensou em criar modelos e/ou uma apostila de Sociologia a ser    seguida de maneira engessada. Nesta proposta curricular de Sociologia, representada    pelo grupo de trabalho da sbs, h&aacute; um compromisso com a ideia de que &eacute;    poss&iacute;vel, por via da constru&ccedil;&atilde;o processual e coletiva do    conhecimento, uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica da realidade. Para tanto a    divis&atilde;o dos Cadernos foi feita em tr&ecirc;s grandes eixos do conhecimento    articulados no decorrer dos tr&ecirc;s anos do ensino m&eacute;dio; s&atilde;o    estes: o que &eacute; Sociologia e como se constr&oacute;i um olhar sociol&oacute;gico;    o Brasil e as diversidades; quest&otilde;es relativas &agrave; cidadania.<a name="tx5"></a><a href="#nt5"><sup>5</sup></a>    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Schrijnemaekers (2009), o material foi    encadeado de maneira que, com o passar dos anos, fique mais complexo e, por    conseguinte, possibilite ao aluno o aprendizado a partir do l&uacute;dico (primeiro    ano), de pesquisas mais consistente sobre temas do bimestre (segundo ano) e    da discuss&atilde;o te&oacute;rica mais aprofundada (terceiro ano). A preocupa&ccedil;&atilde;o    na constru&ccedil;&atilde;o deste material foi pensada para ser relacionada    &agrave; realidade encontrada e a todo o momento se buscava n&atilde;o se caracterizar    como um instrumento imposs&iacute;vel de ser utilizado por sua complexidade    ou simples demais perante a import&acirc;ncia da Sociologia. Contudo, tal preocupa&ccedil;&atilde;o    parece n&atilde;o bastar para garantir que sua utiliza&ccedil;&atilde;o pela    escola tenha seus objetivos alcan&ccedil;ados, pois, como vimos, a escola passa    por problemas estruturais e enfrenta a hegemonia da racionalidade t&eacute;cnica    em seu interior. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que foi poss&iacute;vel observar no contato    com docentes<a name="tx6"></a><a href="#nt6"><sup>6</sup></a> de Sociologia    do ensino m&eacute;dio da rede p&uacute;blica, na pr&aacute;tica tais Cadernos,    por vezes, s&atilde;o transformados em cartilhas, apostilas a serem seguidas    &agrave; risca, uma vez que, entregue o material que &eacute; composto tamb&eacute;m    por exerc&iacute;cios, a tend&ecirc;ncia &eacute; pedir ao aluno que concentre    a aten&ccedil;&atilde;o para dar respostas mec&acirc;nicas e n&atilde;o para    a reflex&atilde;o da tem&aacute;tica abordada. Os conte&uacute;dos est&atilde;o    condicionados pelas avalia&ccedil;&otilde;es do ensino m&eacute;dio (saresp)    e devem estar na ponta da l&iacute;ngua dos alunos para se conseguir &quot;boa    coloca&ccedil;&atilde;o&quot; no &quot;ranqueamento&quot; existente e, por consequ&ecirc;ncia,    bonifica&ccedil;&otilde;es para a escola, sobretudo b&ocirc;nus salarial.<b><i>    </i></b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essas situa&ccedil;&otilde;es fazem com que temas    t&atilde;o importantes da Sociologia sejam trabalhados de forma a-hist&oacute;rica    e teoricamente descontextualizados. Muitas dessas situa&ccedil;&otilde;es podem    ser atribu&iacute;das ao projeto de racionalidade instrumental que prioriza    mudan&ccedil;as quantitativas e incentiva o crescimento individual, a competi&ccedil;&atilde;o    para o mercado de trabalho, e n&atilde;o o bem da coletividade, a vida em sociedade.    Estas s&atilde;o algumas das situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o estavam    claras na experi&ecirc;ncia do lesc e que est&atilde;o sendo enfrentadas em    outras realidades mais amplas e oficiais nos sistemas da rede de ensino. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante destes desafios, a especificidade do ensino    de Sociologia pode estar na decis&atilde;o de se inserir em uma agenda pol&iacute;tico-cultural    (Dagnino, 2005), com a explicita&ccedil;&atilde;o mais concreta de conflitos    e de interesses que a &quot;conflu&ecirc;ncia perversa&quot; obscurece. A tarefa    sociol&oacute;gica cl&aacute;ssica de desnaturaliza&ccedil;&atilde;o dos preconceitos    e estere&oacute;tipos sociais passa por uma urgente e renovada desnaturaliza&ccedil;&atilde;o    dos pr&oacute;prios conceitos, como os de cidadania, sociedade civil e participa&ccedil;&atilde;o    (ressignificados desde a expans&atilde;o nacional e internacional da economia    global) para superar as ambiguidades dos discursos que permeiam a sala de aula    e a educa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Concordando com Dagnino (2004), &eacute; preciso    reafirmar a import&acirc;ncia da &quot;pol&iacute;tica&quot;, desta vez para    repensar tanto o processo de forma&ccedil;&atilde;o inicial como a continuada    de professores, uma vez que objetivamos a defesa do projeto democr&aacute;tico    participativo e a cidadania ampliada tamb&eacute;m no ensino de Sociologia.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Refer&ecirc;ncias </font></b></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BRASIL. Lei n. 11.684, de 02 de junho de 2008.    Altera o art. 36 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as    diretrizes e bases da educa&ccedil;&atilde;o nacional, para incluir a filosofia    e a sociologia como diciplinas obrigat&oacute;rias nos curr&iacute;culos do    ensino m&eacute;dio. <i>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,</i> Bras&iacute;lia,    df, 03/06/2008. p. 1. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.%20planalto.gov.br/ccivil/_Ato20072010/2008/Lei/L11684.htm" target="_blank">http://www.    planalto.gov.br/ccivil/_Ato20072010/2008/Lei/L11684.htm</a>#art1 Acesso em:    13 jun. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0101-3262201100030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BUENO, M.S.S. <i>Pol&iacute;ticas atuais para    o ensino m&eacute;dio</i>. Campinas: Papirus, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0101-3262201100030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CAMARGO, D.M.P. Projeto de Pesquisa e Extens&atilde;o    &quot;Laborat&oacute;rio de Ensino, Sociedade e Cultura&quot;, aprovado pela    puc-campinas, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0101-3262201100030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CAMARGO, D.M.P. Conhecimento escolar: o mito    da fronteira entre a ci&ecirc;ncia e a cultura. In: Veiga, I.; Castanho, M.E.    (Org.). <i>Pedagogia universit&aacute;ria:</i> a aula em foco. Campinas: Papirus,    2000. p. 213-230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0101-3262201100030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">COHN, G. A sociologia como interroga&ccedil;&atilde;o.    In: Barreira, C. (Org.)<i>.</i> <i>A sociologia no tempo: </i>mem&oacute;ria,    imagina&ccedil;&atilde;o e utopia.<i> </i>S&atilde;o Paulo: Cortez, 2003. p.    83-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0101-3262201100030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">COSTA, R.F. <i>Forma&ccedil;&atilde;o inicial    de professores de sociologia:</i> uma an&aacute;lise de suas necessidades formativas.    2009. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o) Pontif&iacute;cia    Universidade Cat&oacute;lica de Campinas, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0101-3262201100030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DAGNINO, E. Sociedade civil, participa&ccedil;&atilde;o    e cidadania: de que estamos falando? In: Mato, D. (Coord.). <i>Pol&iacute;ticas    de ciudadan&iacute;a y sociedad civil em tiempos de globalizaci&oacute;n. </i>Caracas:    faces, Universidad Central de Venezuela, 2004. p. 95-110. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/venezuela%20/faces/mato/Dagnino.pdf" target="_blank">http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/venezuela    /faces/mato/Dagnino.pdf</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0101-3262201100030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DAGNINO, E. Pol&iacute;ticas culturais, democracia    e o projeto neoliberal. <i>Revista Rio de Janeiro</i>, Rio de Janeiro,<i> </i>n.    15, p. 45-65, jan./abr. 2005. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_%2015/15_dossie_EvelinaDagnino.pdf" target="_blank">http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_    15/15_dossie_EvelinaDagnino.pdf</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0101-3262201100030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DAGNINO, E.; OLVERA, A.J.; PANFICHI, A. (Org.).    <i>A disputa pela constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica na Am&eacute;rica    Latina</i>. S&atilde;o Paulo: Paz &amp; Terra; Campinas: Unicamp, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0101-3262201100030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">IANNI, O. Tend&ecirc;ncias do pensamento brasileiro.    <i>Tempo Social</i>, S&atilde;o Paulo, v. 12, n. 2, p. 55-74, nov. 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0101-3262201100030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">O incha&ccedil;o do curr&iacute;culo escolar.    <i>O Estado de S. Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, 20 ago. 2010, Notas e informa&ccedil;&otilde;es,    Caderno A, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0101-3262201100030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LORDELO, C. Ensino m&eacute;dio n&atilde;o prepara    aluno para o mercado, diz empres&aacute;rio. <i>O Estado de S. Paulo</i>, S&atilde;o    Paulo, 18 ago. 2011. Dispon&iacute;vel em: &lt; <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,ensino-medio-nao%20-prepara-aluno-para-o-mercado-diz-empresario,760447,0.htm" target="_blank">http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,ensino-medio-nao    -prepara-aluno-para-o-mercado-diz-empresario,760447,0.htm</a> &gt; Acesso em:    15 set. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0101-3262201100030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LOPES, D.A. Sociologia e PLC 9/00: o fim do imponder&aacute;vel.    <i>Correio Popular</i>, Campinas, 8 set. 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0101-3262201100030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LOPES, D.A. Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    formal e avalia&ccedil;&atilde;o: em busca de um debate. In: SIMP&Oacute;SIO    INTERNACIONAL O ESTADO E AS POL&Iacute;TICAS EDUCACIONAIS NO TEMPO PRESENTE,    5., 2009, Uberl&acirc;ndia. <i>Anais</i>... Uberl&acirc;ndia: Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia, 2009. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://www.simposioestadopoliticas.ufu.br/anais/001-integra.doc" target="_blank">http://www.simposioestadopoliticas.ufu.br/anais/001-integra.doc</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0101-3262201100030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LOPES, D.A.; OLIVEIRA, L.S. Movimentos sociais    e a ambiguidade do conceito de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal. <i>Revista    Iberoamericana de Educaci&oacute;n</i>, Madrid, n. 53/54, 2010. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://www.rieoei.org/deloslectores/3790Silva.pdf" target="_blank">http://www.    rieoei.org/deloslectores/3790Silva.pdf</a> &gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0101-3262201100030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MORAES, C.S.V. Ensino m&eacute;dio e qualifica&ccedil;&atilde;o    profissional: uma perspectiva hist&oacute;rica. In: Bruno, L. <i>Educa&ccedil;&atilde;o    e trabalho no capitalismo contempor&acirc;neo: </i>leituras selecionadas. S&atilde;o    Paulo: Atlas, 1996. p. 124-145.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0101-3262201100030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PAOLI, M.C. Empresas e responsabilidade social:    os enredamentos da cidadania no Brasil. In: Santos, B.S. (Org.). <i>Democratizar    a democracia: </i>os caminhos da democracia participativa. 2. ed. Rio de Janeiro:    Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2003a. p. 373-418.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0101-3262201100030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PAOLI, M.C. Movimentos sociais, movimentos republicanos?    In: Silva, F.T et al. (Org.). <i>Rep&uacute;blica, liberalismo, cidadania.</i>    Piracicaba: unimep, 2003b. p. 163-189.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0101-3262201100030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PIERRO, M.C. Descentraliza&ccedil;&atilde;o,    focaliza&ccedil;&atilde;o e parceria: uma an&aacute;lise das tend&ecirc;ncias    nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos.    <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Pesquisa</i>,<i> </i>S&atilde;o Paulo, v. 27,    n. 2, p. 321-337, jul./dez. 2001. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br/pdf/ep/v27n2/a09v27n2.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/ep/v27n2/a09v27n2.pdf</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0101-3262201100030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SCHRIJNEMAEKERS, S.C. O ensino de Sociologia    e a escola p&uacute;blica: desafios. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA,    14., 2009, Rio de Janeiro. <i>Anais</i>... Rio de Janeiro: sbs, 2009. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://starline.dnsalias.com:8080/sbs/arquivos/16_6_2009_%208_12_40.pdf" target="_blank">http://starline.dnsalias.com:8080/sbs/arquivos/16_6_2009_    8_12_40.pdf</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0101-3262201100030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <p> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 3 de novembro de 2010 </font>    <br>   <font face="Verdana" size="2">Aprovado em 22 de setembro de 2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="nt1"></a><a href="#tx1">1</a>. Professora    doutora Dulce Maria Pomp&ecirc;o de Camargo.     <br>   <a name="nt2"></a><a href="#tx2">2</a>. Ver, por exemplo: Programa Aprendiz    comg&aacute;s (dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.%20aprendizcomgas.com.br" target="_blank">http://www.    aprendizcomgas.com.br</a>/&gt;); Amigos da Escola Todos pela Educa&ccedil;&atilde;o    (dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://amigosdaescola.globo.com" target="_blank">http://amigosdaescola.globo.com</a>/&gt;);    Instituto Ayrton Senna Supera&ccedil;&atilde;o Jovem (dispon&iacute;vel em:    &lt;<a href="http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/novo_site/home/index.asp" target="_blank">http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/novo_site/home/index.asp</a>&gt;).    <br>   <a name="nt3"></a><a href="#tx3">3</a>. A Comiss&atilde;o de Ensino da Sociedade    Brasileira de Sociologia (sbs) conta, em n&iacute;vel estadual, com a participa&ccedil;&atilde;o    de docentes da unesp, unicamp, usp e unifesp que trabalham nas licenciaturas    do Curso de Ci&ecirc;ncias Sociais. O I Encontro Estadual foi realizado em outubro    de 2010 na usp e, em julho de 2011, foi realizado o II Encontro Nacional sobre    o Ensino de Sociologia, que teve uma participa&ccedil;&atilde;o importante do    estado de S&atilde;o Paulo. A Secretaria Estadual de Educa&ccedil;&atilde;o    atendeu a solicita&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Organizadora e autorizou    os professores de Sociologia da rede p&uacute;blica estadual a participarem.    <br>   <a name="nt4"></a><a href="#tx4">4</a>. Artigo dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://starline.dnsalias.com:8080/sbs/arquivos/16_6_2009_8_%2012_40.pdf" target="_blank">http://starline.dnsalias.com:8080/sbs/arquivos/16_6_2009_8_    12_40.pdf</a>&gt;.     <br>   <a name="nt5"></a><a href="#tx5">5</a>. Ver orienta&ccedil;&otilde;es no Programa    &quot;S&atilde;o Paulo Faz Escola&quot;, dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.rededosaber.sp.gov.br/portais/Portals/18/arquivos/PPC_soc_revisado.pdf" target="_blank">http://www.rededosaber.sp.gov.br/portais/Portals/18/arquivos/PPC_soc_revisado.pdf</a>&gt;.    <br>   </font><font face="Verdana" size="2"><a name="nt6"></a><a href="#tx6">6</a>.    Com alguns alunos egressos ou estagi&aacute;rios de licenciatura do Curso de    Ci&ecirc;ncias Sociais da puc-campinas e docentes participantes do ent&atilde;o    lesc. </font></p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Lei n. 11.684, de 02 de junho de 2008. Altera o art. 36 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a filosofia e a sociologia como diciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio]]></source>
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