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<journal-title><![CDATA[Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quintais de Olinda: uma leitura indiciária sobre sua gênese]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to reflect, from the documentary evidence of the historical and stay on the formation of the gardens (backyard) in the village of Olinda, northeastern Brazil. Founded in the mid sixteenth century, the village became one of the main towns of the Portuguese Empire, being quite the referenced reports at the time and represented in the iconography of the sixteenth and seventeenth centuries. The wealth that represented the town encourages the invasion of the West India Company in 1630, that the difficulty of mastering your urban space, transferring the administrative core for the region of the port: Recife. This change puts a marginal situation Olinda, which among other effects, allowed the urban space maintained to this day its original features. This legacy has made the city achieving the title of World Heritage by Unesco. Although the gardens constitute a significant part of the historical and, therefore, a considerable part of that heritage, they end up receiving a different treatment with respect to buildings. Little attention has been directed to the subject by those who investigate the urban planning in Brazil. And it is in response to this gap that this research stands as an initial step to studies on the formation of the backyards of Olinda, knowing, above all, their failure to exhaust the numerous questions arising from the investigative process. The main research sources were used to historical cartography, reports of time and permanence of the historic site.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DOSSI&Ecirc; - CAMINHOS DA HIST&Oacute;RIA DA URBANIZA&Ccedil;&Atilde;O NO BRASIL-COL&Ocirc;NIA </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quintais de Olinda - uma leitura indici&aacute;ria sobre sua g&ecirc;nese</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Juliana Coelho Loureiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Docente da Universidade Federal de Alagoas, doutoranda do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Urbanismo - PROURB/UFRJ. E-mail: &lt;<a href="mailto:rodrigobastos.arq@gmail.com">julianacloureiro@yahoo. com.br</a>&gt;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este artigo tem como objetivo refletir, a partir dos vest&iacute;gios documentais e perman&ecirc;ncias do s&iacute;tio hist&oacute;rico, sobre a forma&ccedil;&atilde;o dos quintais na Vila de Olinda, nordeste do Brasil. Fundada em meados do s&eacute;culo XVI, tornou-se uma das principais vilas do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s, tendo sido bastante referenciada pelos relatos da &eacute;poca e representada na iconografia dos s&eacute;culos XVI e XVII. A riqueza por ela representada motiva a invas&atilde;o da Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais, em 1630, que, pela dificuldade em dominar seu espa&ccedil;o urbano, transfere o n&uacute;cleo administrativo para a regi&atilde;o do porto: o Recife. A mudan&ccedil;a coloca Olinda numa situa&ccedil;&atilde;o marginal, o que, dentre outros efeitos, permitiu ao espa&ccedil;o urbano manter at&eacute; os dias atuais suas fei&ccedil;&otilde;es originais. Tal legado fez com que a cidade alcan&ccedil;asse o t&iacute;tulo de Patrim&ocirc;nio Mundial da Humanidade pela Unesco. Embora os quintais constituam parte expressiva do s&iacute;tio hist&oacute;rico e, portanto, parte consider&aacute;vel desse patrim&ocirc;nio, eles acabam por receber um tratamento diferenciado com rela&ccedil;&atilde;o aos edif&iacute;cios. Pouca aten&ccedil;&atilde;o tem sido dirigida ao tema por parte daqueles que investigam o urbanismo no Brasil. E &eacute; em resposta a esta lacuna que esta investiga&ccedil;&atilde;o se coloca como um passo inicial aos estudos referentes &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos quintais de Olinda, ciente, acima de tudo, da sua incapacidade de esgotar as in&uacute;meras interroga&ccedil;&otilde;es decorrentes do processo investigativo. As principais fontes de pesquisa utilizadas foram a cartografia hist&oacute;rica, os relatos de &eacute;poca e as perman&ecirc;ncias do s&iacute;tio hist&oacute;rico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Quintal. Patrim&ocirc;nio. Urbanismo. Olinda.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> This article aims to reflect, from the documentary evidence of the historical and stay on the formation of the gardens (backyard) in the village of Olinda, northeastern Brazil. Founded in the mid sixteenth century, the village became one of the main towns of the Portuguese Empire, being quite the referenced reports at the time and represented in the iconography of the sixteenth and seventeenth centuries. The wealth that represented the town encourages the invasion of the West India Company in 1630, that the difficulty of mastering your urban space, transferring the administrative core for the region of the port: Recife. This change puts a marginal situation Olinda, which among other effects, allowed the urban space maintained to this day its original features. This legacy has made the city achieving the title of World Heritage by Unesco. Although the gardens constitute a significant part of the historical and, therefore, a considerable part of that heritage, they end up receiving a different treatment with respect to buildings. Little attention has been directed to the subject by those who investigate the urban planning in Brazil. And it is in response to this gap that this research stands as an initial step to studies on the formation of the backyards of Olinda, knowing, above all, their failure to exhaust the numerous questions arising from the investigative process. The main research sources were used to historical cartography, reports of time and permanence of the historic site. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Backyard. Heritage. Urbanism. Olinda. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os quintais s&atilde;o &aacute;reas urbanas que, nos dias atuais, nos remetem a uma atmosfera de desafio, experimenta&ccedil;&atilde;o e descobertas; e, talvez por este motivo, t&atilde;o presentes nas hist&oacute;rias infantis. Algumas vezes, s&atilde;o espa&ccedil;os de limites frouxos, de composi&ccedil;&atilde;o variada e mutante, onde, para forma&ccedil;&atilde;o de sua ambi&ecirc;ncia, contribuem reciprocamente o homem e a natureza (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig01.jpg">Figura 1</a>). Sua arquitetura irregular desafia a racionalidade humana, propondo continuamente uma nova perspectiva. Esse movimento incessante, sentido por seus fluxos, ciclos e velocidades, fornecem os par&acirc;metros da rela&ccedil;&atilde;o do homem com o tempo e o espa&ccedil;o. Nos quintais de Olinda, o tempo recua ao in&iacute;cio de nossa hist&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Olinda faz parte de um grupo de cidades brasileiras que surgiram no in&iacute;cio da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa no Novo Mundo. Fundada no dia 12 de mar&ccedil;o de 1537, foi o centro da capitania de Pernambuco e, pelo not&aacute;vel desenvolvimento, tornou-se uma das principais vilas do Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelo seu valioso acervo arquitet&ocirc;nico e urban&iacute;stico, Olinda alcan&ccedil;ou o estatuto de Monumento Nacional, com a Lei Federal n.º 6863 de 26 de novembro de 1980. Em 1982, foi tombada pela Unesco e, consequentemente, passou a constituir Patrim&ocirc;nio Cultural da Humanidade. Nesse mesmo ano, foi concedido &agrave; cidade, pelo valor de suas &aacute;reas verdes, o t&iacute;tulo de Cidade Ecol&oacute;gica (Decreto Municipal n.º 23, de 29 de junho). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O s&iacute;tio hist&oacute;rico &eacute;, atualmente, &aacute;rea protegida e de interesse p&uacute;blico. Seu territ&oacute;rio tem 1,89 km<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a> definido como Zonas Especiais de Prote&ccedil;&atilde;o Cultural e Urban&iacute;stica - ZEPEC 1 (&aacute;rea de tombamento) e 7,84 km<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a> de &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o ao entorno do s&iacute;tio hist&oacute;rico, compreendendo a &aacute;rea da antiga vila de Olinda<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a>. Sua paisagem &eacute; caracterizada pelo grande n&uacute;mero de edif&iacute;cios hist&oacute;ricos que pontuam o espa&ccedil;o p&uacute;blico, emoldurados pela significativa massa vegetal. Esta, em sua grande maioria, oriunda dos quintais e cercas conventuais que ainda compreendem boa parte do territ&oacute;rio da cidade, como &eacute; poss&iacute;vel constatar pela experi&ecirc;ncia urbana. Apesar de fazerem parte do pol&iacute;gono de tombamento, muitas vezes, n&atilde;o s&atilde;o compreendidos pela popula&ccedil;&atilde;o como espa&ccedil;os patrimoniais, suportes da mem&oacute;ria coletiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia patrimonial dos quintais tamb&eacute;m n&atilde;o parece encontrar repercuss&atilde;o nos estudos sobre a hist&oacute;ria das cidades brasileiras. At&eacute; o momento, n&atilde;o foi identificada nenhuma bibliografia que tratasse a forma&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os urbanos, o que causa obst&aacute;culo &agrave; pesquisa e, como estudo inaugural, em grande esfor&ccedil;o para construir o objeto de estudo. De modo um pouco mais amplo, ainda h&aacute; muito para investigar sobre a vida privada no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, &eacute; necess&aacute;rio investigar os quintais por seus vest&iacute;gios, buscando - atrav&eacute;s de uma leitura indici&aacute;ria das fontes documentais e das perman&ecirc;ncias no s&iacute;tio - reconstituir sua espacialidade original. Partiremos de um "paradigma indici&aacute;rio", uma vez que n&atilde;o podemos acessar diretamente o objeto de pesquisa; e &eacute; desta forma que ele tem se apresentado, por ind&iacute;cios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal caminho foi tratado em um artigo seminal escrito por Carlo Ginzburg. Este historiador vai mostrar que a busca do conhecimento atrav&eacute;s dos sinais tem origem muito antiga. "Por mil&ecirc;nios o homem foi ca&ccedil;ador. Durante in&uacute;meras persegui&ccedil;&otilde;es, ele aprendeu a reconstituir as formas e movimentos das presas invis&iacute;veis pelas pegadas na lama, ramos quebrados"<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>. O artigo prossegue mostrando a longevidade desta forma de conhecimento, que na modernidade ser&aacute; absorvida por diversos campos do saber, como a psican&aacute;lise, por exemplo. Neste sentido, seguindo os rastros legados pelos portugueses e holandeses, faremos uma pequena incurs&atilde;o no universo da representa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo &eacute; parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o que tinha como objetivo entender a forma&ccedil;&atilde;o do quintal enquanto espa&ccedil;o urbano<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>. Junta-se a outros esfor&ccedil;os de pesquisa que investigam a estrutura&ccedil;&atilde;o inicial da vila de Olinda, como os que foram realizados pela Secretaria do Patrim&ocirc;nio, Ci&ecirc;ncia e Cultura de Olinda<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a>. Tem o intuito de trazer contribui&ccedil;&otilde;es sobre o papel dessas &aacute;reas n&atilde;o edificadas que, chegando aos dias de hoje, s&atilde;o fundamentais para manter a fei&ccedil;&atilde;o patrimonial de Olinda, e, portanto, o seu t&iacute;tulo junto &agrave; Unesco. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inicialmente trataremos o modo como a vila foi concebida, sua configura&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio e seus crit&eacute;rios de apropria&ccedil;&atilde;o. Para isto, &eacute; feita uma breve an&aacute;lise do documento compreendido como sua certid&atilde;o de nascimento, sua <i>Carta Foral</i>. E assim, seguimos com um olhar mais ampliado, investigando a forma&ccedil;&atilde;o urbana, aproximando-nos em seguida &agrave; escala da quadra, onde analisaremos sua morfologia e composi&ccedil;&atilde;o. Em seguida, iremos nos deter na constitui&ccedil;&atilde;o do lote e, finalmente, na do quintal. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano de Olinda inicia-se no processo de escolha do s&iacute;tio para a vila e, a partir deste momento, poderemos observar a considera&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de crit&eacute;rios, demonstrando claramente haver racionalidade em tal decis&atilde;o. Esta racionalidade tamb&eacute;m &eacute; percebida na concep&ccedil;&atilde;o de suas partes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Duarte Coelho, primeiro donat&aacute;rio da capitania de Pernambuco, chega &agrave;s terras do Novo Mundo no dia 9 de mar&ccedil;o de 1535. Desembarca em &aacute;rea pr&oacute;xima &agrave; ilha de Itamarac&aacute;, buscando uma antiga feitoria, depois chamada "dos Marcos", onde toma posse da capitania<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a>. Acreditando que o lugar era inseguro, o donat&aacute;rio parte para o sul a busca de um local mais adequado, que mais tarde, resultaria na vila de Olinda. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A funda&ccedil;&atilde;o da vila se d&aacute; atrav&eacute;s do documento que transfere a posse do territ&oacute;rio &agrave; c&acirc;mara da vila e ao povo, a <i>Carta Foral</i>. A doa&ccedil;&atilde;o feita pelo donat&aacute;rio data de 12 de mar&ccedil;o de 1537, quando se comemora o nascimento da Vila. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tradicionalmente, o foral era um documento que regulava a administra&ccedil;&atilde;o, as rela&ccedil;&otilde;es sociais e os direitos e encargos dos moradores, instrumento que baseava a institui&ccedil;&atilde;o do Concelho<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>. Embora as cidades portuguesas tivessem foral, o de Olinda &eacute; bem diferente. N&atilde;o cont&ecirc;m as diretrizes fiscais, normas judiciais ou penais, nem os limites do termo, &eacute; uma carta de doa&ccedil;&atilde;o dos bens destinados ao patrim&ocirc;nio p&uacute;blico da c&acirc;mara, al&eacute;m de conferir o t&iacute;tulo de vila ao povoado e instituir patrim&ocirc;nio para o concelho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a an&aacute;lise deste documento, utilizamos a reconstitui&ccedil;&atilde;o produzida por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a>, em que se l&ecirc;: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>No ano de 1537 deu e doou o senhor governador a esta sua Vila de Olinda, para seu servi&ccedil;o e de todo o seu povo, moradores e povoadores, as cousas seguintes: Os assentos deste monte e fraldas dele, para casaria e vivendas dos ditos moradores e povoadores, os quais lhes d&aacute; livres, forros e isentos de todo o direito para sempre, e &agrave;s v&aacute;rzeas das vacas e a de Beberibe e as que v&atilde;o pelo caminho que vai para o passo do Governador e isto para os que n&atilde;o t&ecirc;m onde pastem os seus gados e isto ser&aacute; nas campinas para passigo, e as reboleiras de matos para ro&ccedil;as a quem o concelho as arrendar, que est&atilde;o das campinas para o alagadi&ccedil;o e para os mangues, com que confinam as terras dadas a Rodrigo &Aacute;lvares e outras pessoas. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se, no texto, uma n&iacute;tida preocupa&ccedil;&atilde;o com o tipo de ocupa&ccedil;&atilde;o do solo da Vila, estabelecendo lugares diferenciados para determinados equipamentos. Esta "setoriza&ccedil;&atilde;o" delimita: "Os assentos deste monte e fraldas dele para casarias e vivendas dos ditos moradores e povoadores", estipulando dessa forma a situa&ccedil;&atilde;o das habita&ccedil;&otilde;es. Mais adiante, indica lugar para o pasto de gado: "as v&aacute;rzeas das vacas e a de Beberibe e as que v&atilde;o pelo caminho que vai para o passo do Governador e isto para os que n&atilde;o t&ecirc;m onde pastem seus gados e isto ser&aacute; nas campinas para passigo", que antecipa inclusive uma poss&iacute;vel decis&atilde;o da c&acirc;mara para este tipo de produ&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>Carta Foral</i> estabelece na vila uma esp&eacute;cie de zoneamento, especificando as terras doadas e sua situa&ccedil;&atilde;o, e relata especialmente o patrim&ocirc;nio da c&acirc;mara. Este zoneamento chega &agrave; min&uacute;cia de prever a rua de serventia para o povo da Vila: " ha de ir uma <i>rua de serventia</i> ao longo do dito rio novo para serventia do povo, de que se possa servir de carros, que ser&aacute; de cinco ou seis bra&ccedil;as de largo<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a> e rodear&aacute; pelo p&eacute; do montinho at&eacute; o varadouro da galeota"<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a>, definindo, deste modo, fluxos e conex&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste momento, &eacute; relevante observar como o donat&aacute;rio estabelece o di&aacute;logo cont&iacute;nuo entre o espa&ccedil;o urbano e as caracter&iacute;sticas do lugar, sua natureza. Os elementos da geografia s&atilde;o partes constituintes de suas determina&ccedil;&otilde;es, por exemplo, ao citar "montinho", "os assentos do monte e fraldas dele" e "do ribeiro a lombada do monte". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Preocupa&ccedil;&otilde;es com o fornecimento de lenha e madeira para a Vila fazem parte do documento. Na <i>Carta Foral</i> l&ecirc;-se: "Todos os mangues ao redor desta Vila, que est&atilde;o ao longo do rio Beberibe, assim para baixo como para cima, at&eacute; onde tiver terra de arvoredo e ro&ccedil;as ou fazendas pelo Senhor Governador, todos os ditos mangues ser&atilde;o para servi&ccedil;o da dita Vila e povo. E assim os rios dos Cedros e ilha e porto dos navios"<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a>. O mangue, enquanto vegeta&ccedil;&atilde;o nativa, passa a fazer parte do texto do <i>Foral</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Olinda, portanto, n&atilde;o parece se conformar sobre suas colinas, mas a partir delas (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig02.jpg">Figura 2</a>). As defini&ccedil;&otilde;es de Duarte Coelho visam promover o melhor desenvolvimento da Vila e seu uso por parte dos moradores, distinguindo zonas de interesse comum e particular, como por exemplo, o local para cultivo de ro&ccedil;as, o fornecimento de &aacute;gua, madeira e lenha. O que de certa forma confirma a teoria de Nestor Goulart quando diz que, a ordem que norteava as cidades coloniais portuguesas foi "necessariamente elaborada na pr&aacute;tica"<a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim sua conforma&ccedil;&atilde;o demonstra ser resultado de uma racionalidade pr&oacute;pria, gerada a partir da tradi&ccedil;&atilde;o lusitana, da experi&ecirc;ncia ultramarina e sua capacidade de assimilar elementos vern&aacute;culos dos lugares conquistados. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pr&oacute;pria escolha do s&iacute;tio para a vila parece estar balizada por uma s&eacute;rie de crit&eacute;rios, como por exemplo, as condi&ccedil;&otilde;es de defesa da vila, a comunica&ccedil;&atilde;o com a metr&oacute;pole e a liga&ccedil;&atilde;o com o interior do territ&oacute;rio (engenhos), atrav&eacute;s do sistema mar&iacute;timo e fluvial. Deste modo, garantiriam o dom&iacute;nio das terras, circula&ccedil;&atilde;o e escoamento de mercadorias. Jos&eacute; Luis da Mota Menezes comenta:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>N&atilde;o parece obra do acaso tais formas de escolha &#91;do s&iacute;tio&#93;. Elas foram fruto de um h&aacute;bito que espelhava ainda uma tradi&ccedil;&atilde;o que vinha desde as cidades medievais. Talvez a Mem&oacute;ria Urbana tenha se aliado &agrave; racionalidade, decorrente dos princ&iacute;pios defensivos que se encontravam presentes na Arte da Defesa das Pra&ccedil;as, e estes falaram mais alto. Isto n&atilde;o querendo dizer que tal escolha, pela altura dos s&iacute;tios, nos leve de pronto a afirmativa de que esses desenhos urbanos, &agrave;s vezes por suas irregularidades nos tra&ccedil;ados das ruas, sejam medievais<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O autor confirma as inten&ccedil;&otilde;es de defesa, por&eacute;m destaca que essa atitude &eacute; consequ&ecirc;ncia de uma nova forma de pensar, indicando que as a&ccedil;&otilde;es do donat&aacute;rio representavam uma racionalidade particular e uma estrat&eacute;gia para o futuro, distinguindo-se, deste modo, das cidades medievais. Estas, por exemplo, aumentavam sucessivamente os muros da cidade &agrave; medida que fossem crescendo, n&atilde;o tendo <i>a priori</i> um planejamento de expans&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vila se desenha a partir de princ&iacute;pios racionais de apropria&ccedil;&atilde;o do solo. Quest&otilde;es relativas &agrave; defesa, subsist&ecirc;ncia, moradia, cren&ccedil;a est&atilde;o dentro de uma codifica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da experi&ecirc;ncia urbana lusitana, presente desde o primeiro momento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>Carta Foral</i>, elaborada pelo donat&aacute;rio, registra as determina&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas da vila, estabelecendo espa&ccedil;os para determinados fins, a partir de um planejamento pr&eacute;vio. Embora seu pensamento n&atilde;o esteja representado por uma planta, &eacute; facilmente identific&aacute;vel pelos pontos de refer&ecirc;ncia no territ&oacute;rio. Estes participam n&atilde;o apenas como suporte, mas como coadjuvantes do processo de concep&ccedil;&atilde;o urbana. A proposta da carta de Olinda parece possuir caracter&iacute;sticas modernas, principalmente quando expressa preocupa&ccedil;&otilde;es com necessidades futuras. O grau de abstra&ccedil;&atilde;o na concep&ccedil;&atilde;o de Olinda nos indica uma l&oacute;gica diferenciada na constru&ccedil;&atilde;o urbana. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O tra&ccedil;ado urbano a partir da iconografia do s&eacute;culo XVII </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o iconogr&aacute;fica sobre a Vila constitui fonte importante para o estudo do espa&ccedil;o urbano de Olinda e, consequentemente, dos seus quintais. Faremos uma an&aacute;lise comparativa entre o discurso textual e iconogr&aacute;fico dos s&eacute;culos XVI e XVII, buscando, a partir destas representa&ccedil;&otilde;es, tecer considera&ccedil;&otilde;es acerca de seu poss&iacute;vel desenho original. Desse modo, teremos subs&iacute;dios para aferir a forma&ccedil;&atilde;o urbana do s&iacute;tio, bem como de seus componentes: os quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais, que invadiu Pernambuco em 1630 e a&iacute; permaneceu at&eacute; 1654, foi respons&aacute;vel por importante levantamento cartogr&aacute;fico e natural do Nordeste brasileiro. Foi produzido extenso levantamento do territ&oacute;rio, que superou a produ&ccedil;&atilde;o portuguesa pela quantidade e qualidade das obras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora tenham sido reunidos vinte e um registros iconogr&aacute;ficos sobre a Vila (5 mapas portugueses e 5 holandeses, 3 plantas holandesas, 4 gravuras, 4 pinturas), neste artigo focamos em apenas algumas imagens. Inicialmente nos detivemos especificamente na imagem denominada <i>Mapa de Olinda </i>(<a href="#fig3">Figura 3</a>), por conter informa&ccedil;&otilde;es importantes sobre o desenho urbano - em especial o parcelamento do solo - e, mais especificamente, sobre as &aacute;reas n&atilde;o edificadas dentro da urbe. Na verdade, &eacute; o &uacute;nico que mostra os quintais em um surpreendente grau de detalhamento. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre a origem dessa imagem, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gonsalves Mello localiza uma carta do Coronel Waerdenburch, datada de 3 de abril de 1630, endere&ccedil;ada ao &oacute;rg&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o da Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais, o Conselho dos XIX, onde constava o seguinte trecho: "com esta vai uma planta &#91;plaan&#93; desta cidade &#91;de Olinda&#93;, o melhor que o conseguiu fazer um pintor &#91;schilder&#93;; a do engenheiro Commersteijn ainda estar por concluir e ser&aacute; enviada na primeira oportunidade"<a name="13b"></a><a href="#13a"><sup>13</sup></a>Ou seja, a imagem seria uma pr&eacute;via do que estava sendo feito pelo engenheiro<a name="14b"></a><a href="#14a"><sup>14</sup></a>. No entanto n&atilde;o &eacute; a primeira planta da cidade, pois Matias de Albuquerque j&aacute; havia determinado um levantamento, em 1629, pelo engenheiro Crist&oacute;v&atilde;o &Aacute;lvares para a fortifica&ccedil;&atilde;o da dita pra&ccedil;a<a name="15b"></a><a href="#15a"><sup>15</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>Mapa de Olinda</i> pertence ao Arquivo Nacional da Holanda. O invent&aacute;rio indica ser a obra de autoria de Johannes Vingboons, inclu&iacute;da em seu <i>Atlas</i>, datada de aproximadamente 1665. Sabe-se, no entanto, que tal data n&atilde;o corresponde aos desenhos feitos <i>in loco</i>. Estes devem ser contempor&acirc;neos &agrave; estada dos holandeses em Pernambuco, e no primeiro per&iacute;odo, onde ainda se cogitava ocupar Olinda. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Johannes Vingboons nasceu em 1616, trabalhou como aprendiz com Hessel Gerritz e Willem Blaeu, que na &eacute;poca era cart&oacute;grafo-mor da Companhia das &Iacute;ndias Orientais. Um de seus exerc&iacute;cios era copiar mapas antigos, o que de certa forma lhe aproximara muito das conven&ccedil;&otilde;es anteriormente adotadas em v&aacute;rios lugares da Europa<a name="16b"></a><a href="#16a"><sup>16</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Mota Menezes, Vingboons fez uso dos levantamentos cartogr&aacute;ficos de G. Marcgraf e C. B. Golijath. O desenhista n&atilde;o confeccionou obra original e, sim, transferiu para uma linguagem uniforme e convencional, dentro das caracter&iacute;sticas aceitas na &eacute;poca, os desenhos existentes nos arquivos holandeses. A qualidade dessa interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; que faz de Vingboons excelente artista da cartografia<a name="17b"></a><a href="#17a"><sup>17</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo, esses mapas s&atilde;o produtos culturais e, portanto, com linguagem pr&oacute;pria que, dependendo do per&iacute;odo, estava comprometida, em maior ou menor grau, com a universalidade dos c&oacute;digos. Segundo Beatriz Bueno, "As particularidades gr&aacute;ficas revelam determinadas escolhas culturais, concep&ccedil;&otilde;es de mundo, estado do conhecimento cient&iacute;fico e conven&ccedil;&otilde;es cartogr&aacute;ficas - medidas, c&oacute;digos de figura&ccedil;&atilde;o, paleta crom&aacute;tica, grafismos, ornamentos - pr&oacute;prios de cada per&iacute;odo<a name="18b"></a><a href="#18a"><sup>18</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, em outras plantas de Olinda, vamos encontrando similitudes, por exemplo, quanto ao tra&ccedil;ado das ruas e a localiza&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, como &eacute; o caso da <i>Civitas Olinda, </i>que ilustra o livro de Barl&eacute;u (<a href="#fig4">Figura 4</a>). Apesar de n&atilde;o ter o mesmo colorido e detalhamento dos quintais, a semelhan&ccedil;a entre as imagens &eacute; surpreendente, podendo indicar a mesma base cartogr&aacute;fica, usualmente atribu&iacute;da a Marcgrave. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra planta de Olinda que apresenta um tra&ccedil;ado urbano n&iacute;tido, com a representa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de plantio na Vila, &eacute; a imagem que ilustra o livro de Nieuhof (<a href="#fig5">Figura 5</a>). Esta planta &eacute; interessante por se preocupar em mostrar as &aacute;reas onde se localizam algumas das atividades de subsist&ecirc;ncia a&iacute; existentes. Por um lado, junto ao mar, a pesca feita com rede pelos escravos, esbo&ccedil;ando seus modos, por outro lado, no arrabalde da vila, variadas planta&ccedil;&otilde;es que se estendem do rio em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; v&aacute;rzea. Grandes lotes de cultura diversificada, compreendem, possivelmente, as ro&ccedil;as e s&iacute;tios descritos no <i>Foral</i>. </font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s &aacute;reas verdes (<a href="#fig6">Figura 6</a>), podemos perceber uma clara distin&ccedil;&atilde;o entre as zonas representadas. A primeira corresponde a uma borda de natureza "selvagem" junto &agrave; vila, com madeira que possivelmente devia servir para fornecimento de lenha e atendimento das necessidades de expans&atilde;o urbana. Uma segunda &aacute;rea, que se estende da margem do rio at&eacute; as proximidades da Igreja do Amparo, &eacute; nitidamente de plantio e, por seu destaque, deve atender &agrave; vila como um todo. Esta regi&atilde;o &eacute; caracterizada por glebas divididas por vias, semelhantes &agrave;s quadras da &aacute;rea edificada. Uma terceira &aacute;rea compreende as cercas conventuais e, possivelmente, quintais de quadras de ocupa&ccedil;&atilde;o parcial. N&atilde;o h&aacute; men&ccedil;&atilde;o alguma a tipos de apropria&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter dom&eacute;stico. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig06.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que podemos deduzir &eacute; que, em sua maioria, essas plantas se pautavam por preocupa&ccedil;&otilde;es militares. A princ&iacute;pio, informa&ccedil;&otilde;es que subsidiassem a Companhia e suas tropas para conhecer e invadir a vila. Em outro momento, fornecer dados sobre a estrutura e manuten&ccedil;&atilde;o de uma nova ocupa&ccedil;&atilde;o, sob um novo governo. A justificativa seria esta, pela quase aus&ecirc;ncia de identifica&ccedil;&atilde;o da arquitetura civil e, consequentemente dos quintais, que s&atilde;o revelados em poucos momentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Civitas </i>&eacute; poss&iacute;vel observar ruas de tra&ccedil;ados org&acirc;nicos e com representa&ccedil;&atilde;o mais delicada, situadas nas &aacute;reas internas &agrave;s quadras ou posteriores &agrave;s edifica&ccedil;&otilde;es, que provavelmente corresponde &agrave;s ruas de serventias. Estas pouco aparecem nas representa&ccedil;&otilde;es dos primeiros s&eacute;culos, possivelmente por seu car&aacute;ter ordin&aacute;rio, servindo de acesso aos carros e cavalos, que n&atilde;o poderia se fazer pela frente, e para despejo dos dejetos (tigres), tr&acirc;nsito dos escravos etc. Em meados do s&eacute;culo XVIII, &eacute; poss&iacute;vel observar n&iacute;tida refer&ecirc;ncia a tais vias, em Olinda, no quadro que fazia parte da Igreja de S&atilde;o Cosme e Dami&atilde;o em Igarassu e hoje pertence ao Museu da mesma cidade (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig07.jpg">Figura 7</a>). A antiga vila, j&aacute; reconquistada pelos portugueses, se refaz. O que antes era ru&iacute;na retoma as fei&ccedil;&otilde;es da agora cidade. Na parte inferior do quadro h&aacute; uma legenda descrevendo o motivo pintura - a amea&ccedil;a da peste, que havia matado muitas pessoas na regi&atilde;o em 1685. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A imagem inverte o sentido tradicional das representa&ccedil;&otilde;es de Olinda. A come&ccedil;ar pelo ponto de observa&ccedil;&atilde;o, que se desloca do mar para o rio. Olinda &eacute; enquadrada pelo lado sul, pr&oacute;ximo &agrave; ponte, que est&aacute; em primeiro plano. A Morte parece vir do Recife e caminha para a cidade, e outras caveiras est&atilde;o representadas nas cercas e quintais das casas. No extremo direito da figura, ao alto, temos o Mosteiro de S&atilde;o Bento e sua generosa cerca. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O "esvaziamento" dos quintais promove uma leitura sob outra perspectiva. As casas formam as linhas limites das quadras, com grande &aacute;rea verde em seu interior, representada como um tapete verde no solo, sem volume, nem &aacute;rvores. Por&eacute;m o mais interessante s&atilde;o os caminhos formados nesse interior, ao modo das ruas de serventia, para atender aos fundos dos quintais. Quase todas as quadras apresentam essas suaves linhas org&acirc;nicas que as penetram. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quadra mais central da composi&ccedil;&atilde;o, por estar bem sedimentada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es, revela falhas propositais na sequ&ecirc;ncia de casas, para favorecer o acesso aos interiores e a abertura das ruas de serventia<a name="19b"></a><a href="#19a"><sup>19</sup></a>. Na imagem, os quintais est&atilde;o presentes na maior parte do solo urbano, e quase n&atilde;o h&aacute; habita&ccedil;&atilde;o sem uma &aacute;rea verde correspondente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Constatamos tamb&eacute;m que a forma das quadras, assim como a das ruas, tende &agrave; ortogonalidade. N&atilde;o sendo isso poss&iacute;vel, por quest&otilde;es topogr&aacute;ficas, adaptam-se &agrave;s superf&iacute;cies existentes, tornando-se, em alguns momentos, esconsas, triangulares e ass	im por diante. Helder Carita mostra esse modelo portugu&ecirc;s de parcelamento urbano da seguinte forma: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>A estrutura de quarteir&otilde;es e a estrutura de loteamento caracterizam igualmente as formas urbanas portuguesas, apresentando tr&ecirc;s tipos fundamentais que se desenvolvem ao longo do tempo, mas ao mesmo tempo coexistindo em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es. O primeiro tipo de quarteir&atilde;o &eacute; o quarteir&atilde;o medieval, estreito e comprido, com lotes que v&atilde;o de lado a lado do quarteir&atilde;o, definindo uma altern&acirc;ncia de ruas de frente e de traseira. O segundo, mais tardio, &eacute; o quarteir&atilde;o em que existem lotes dispostos costas-com-costas virados para faces opostas do quarteir&atilde;o. <i>O terceiro tipo de quarteir&atilde;o &eacute; quadrado, ou tendendo para o quadrado, e tem lotes virados para suas quatro faces; este &uacute;ltimo, permitindo uma melhor utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, surge a partir do s&eacute;culo XVI</i><a name="20b"></a><a href="#20a"><sup>20</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observando o <i>Mapa de Olinda</i>, podemos verificar que em Olinda a tend&ecirc;ncia de parcelamento e apropria&ccedil;&atilde;o dos lotes na quadra, mesmo quando n&atilde;o quadrada, d&aacute;-se pela ocupa&ccedil;&atilde;o em todas as faces. Por&eacute;m, ao compararmos as plantas da Vila (<a href="#fig8">Figura 8</a>), a ocupa&ccedil;&atilde;o da quadra ocorria de modo subordinado ao relevo. </font></p>     <p><a name="fig8"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig08.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, havia a&iacute; uma hierarquiza&ccedil;&atilde;o do valor do lote, sendo mais cobi&ccedil;ados os situados mais pr&oacute;ximos ao cume das colinas. Podemos verificar a valoriza&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas no relato do reverendo Jo&atilde;o Baers, que veio a Pernambuco junto com a esquadra da Companhia: "As casas &#91;...&#93; todas com largas escadarias de pedra, porque, as pessoas de qualidade moram todas no alto"<a name="21b"></a><a href="#21a"><sup>21</sup></a>. A parte mais importante da vila era a &aacute;rea pr&oacute;xima &agrave; igreja Matriz e &agrave; da Miseric&oacute;rdia, junto &agrave; rua dos Nobres, por exemplo. Quanto mais alto a moradia se localizasse, mais bem instalado o morador estaria na escala social. O relevo deixa de ser apenas caracter&iacute;stica topogr&aacute;fica, para representar a distribui&ccedil;&atilde;o social, confirmando a impress&atilde;o registrada nos relatos dos antigos viajantes e as normas da <i>Carta Foral</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dos fatores sociais, a posi&ccedil;&atilde;o em que a edifica&ccedil;&atilde;o se localiza no lote come&ccedil;a a desenhar uma perspectiva pr&oacute;pria do per&iacute;odo, pois inicialmente a constru&ccedil;&atilde;o &eacute; rente &agrave; rua, suas paredes tomando os limites do lote, deixando apenas uma &aacute;rea verde ao fundo: o quintal. Este muitas vezes se estendia at&eacute; a outra rua e, em alguns momentos, at&eacute; a denominada rua de serventia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A quadra, o lote e o quintal </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui vamos observar a inser&ccedil;&atilde;o do quintal na composi&ccedil;&atilde;o da quadra. Em tal contexto, podemos especular como os quintais se apresentaram nas rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a e, mais adiante, na resid&ecirc;ncia dos primeiros moradores da vila e, assim, permitir o confronto com as casas atuais do s&iacute;tio hist&oacute;rico, indicando suas perman&ecirc;ncias e participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o da paisagem de Olinda. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nestor Goulart caracteriza as quadras da primeira fase do urbanismo no Brasil da seguinte forma: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>As quadras, quando completamente edificadas, compunham-se de uma linha cont&iacute;nua de constru&ccedil;&otilde;es, dos lados das ruas, <i>com um grande vazio constitu&iacute;do pelos quintais</i>, na parte interior. Os telhados das casas, de duas &aacute;guas, que as lan&ccedil;avam para a rua e para o interior dos lotes, coroavam o conjunto e, algumas vezes, formavam uma segunda linha de continuidade. Internamente, por&eacute;m as dimens&otilde;es das quadras sendo grandes, estendiam-se os quintais em vazios surpreendentes, que contrastavam de modo violento, com a apar&ecirc;ncia de concentra&ccedil;&atilde;o das vias p&uacute;blicas<a name="22b"></a><a href="#22a"><sup>22</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Olinda, existem alguns tipos diferentes de apropria&ccedil;&atilde;o de quadra, pois apresentam-se bastante dependentes da situa&ccedil;&atilde;o na topografia e, consequentemente, do arruamento. Na <a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig09.jpg">Figura 9</a>, temos uma apropria&ccedil;&atilde;o de quadra que faz limite com o Convento do Carmo. Nela observamos que, embora a arquitetura seja mais recente, o loteamento remonta ao parcelamento apresentado no <i>Mapa de Olinda</i> e similar ao dos edif&iacute;cios remanescentes do s&eacute;culo XVI. S&atilde;o lotes de pouca testada, condicionando uma arquitetura adensada e solu&ccedil;&atilde;o da coberta em duas &aacute;guas, formando, como diz Nestor, uma segunda linha de continuidade, e, pela experi&ecirc;ncia urbana, uma barreira compacta entre a rua e as &aacute;reas n&atilde;o edificadas. Neste caso, a quadra est&aacute; ocupada por constru&ccedil;&otilde;es apenas em um dos lados, por fazer limites com o convento. H&aacute; outros casos, como junto &agrave; Igreja do Amparo, em que a solu&ccedil;&atilde;o se repete, por&eacute;m com uma via secund&aacute;ria ao fundo dos lotes. Entretanto, a constitui&ccedil;&atilde;o das quadras apresenta varia&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma e apropria&ccedil;&atilde;o dos lotes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebemos que a constru&ccedil;&atilde;o da quadra resulta, em maior escala, do plano proposto pelo <i>Foral</i>, respeitando a aptid&atilde;o de &aacute;reas para determinados fins; e, de modo mais espec&iacute;fico, de uma concep&ccedil;&atilde;o que considera, como elementos significativos, as igrejas e o direcionamento das vias. Isso corrobora a tend&ecirc;ncia de expans&atilde;o a oeste, e, principalmente, as caracter&iacute;sticas do s&iacute;tio. Ao fazermos a sobreposi&ccedil;&atilde;o da planta altim&eacute;trica de Olinda ao tra&ccedil;ado da antiga vila (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig10.jpg">Figura 10</a>), podemos concluir que as ruas principais, em sua grande maioria, foram tra&ccedil;adas nas linhas de cumeadas dos montes (a linha vermelha) ou nos espig&otilde;es (divisor de &aacute;guas - a linha laranja). Deste modo, a partir de uma classifica&ccedil;&atilde;o especulativa das ruas, foi produzido um esquema cujo princ&iacute;pio se baseia em sua rela&ccedil;&atilde;o com as caracter&iacute;sticas do s&iacute;tio, bem como na contribui&ccedil;&atilde;o desse sistema para o escoamento das &aacute;guas pluviais. Novamente se comprova a import&acirc;ncia da topografia no desenho da Vila e, consequentemente, na loca&ccedil;&atilde;o dos quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro tipo de via &eacute; a que se situa sobre as linhas de talvegue da topografia (linha amarela). Funcionando como uma esp&eacute;cie de calha, elas captam as &aacute;guas de chuva e as direcionam para cotas menores. Tal apropria&ccedil;&atilde;o est&aacute; em parte representada pelas ruas de serventia, que, al&eacute;m de atender a fun&ccedil;&otilde;es mais ligadas ao cotidiano dom&eacute;stico, servem para o escoamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Nestor Goulart, o tra&ccedil;ado das ruas, durante o per&iacute;odo colonial, atendia a duas refer&ecirc;ncias b&aacute;sicas: os acessos e o caminho das &aacute;guas. "No caso da vila de S&atilde;o Paulo, cujas casas eram todas constru&iacute;das de taipa, os cuidados deveriam ser redobrados"<a name="23b"></a><a href="#23a"><sup>23</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Olinda, a rela&ccedil;&atilde;o entre a vila e as forma&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas j&aacute; est&aacute; presente na <i>Carta Foral</i>. Duarte Coelho se refere recorrentemente a termos espec&iacute;ficos como: "assentos desse monte e fraldas dele", "v&aacute;rzeas", "campinas", "alagadi&ccedil;o", "mangues", "ribeiro", "lombada do monte", "arrecifes", "montinho"<a name="24b"></a><a href="#24a"><sup>24</sup></a>, entre outros. O <i>Foral</i> tamb&eacute;m relaciona esses elementos com os usos, incluindo parte da infraestrutura, pois revela, em determinado momento, que o desenho da vila tamb&eacute;m leva em considera&ccedil;&atilde;o o movimento das &aacute;guas: "O monte de Nossa Senhora do Monte, &aacute;guas vertentes para toda parte"<a name="25b"></a><a href="#25a"><sup>25</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da classifica&ccedil;&atilde;o anterior, podemos caracterizar ainda um quarto tipo de rua, que acompanha as curvas de n&iacute;vel do terreno. Elas geralmente s&atilde;o paralelas &agrave;s anteriores e formam quadras estreitas e compridas. Aproveitam, sempre que poss&iacute;vel, as diferen&ccedil;as de cotas do relevo para caracterizar usos espec&iacute;ficos no interior dos lotes. Um bom exemplo &eacute; o conjunto de casas das &aacute;reas comerciais que se serve do andar inferior, junto &agrave; rua, para loja (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig11.jpg">Figura 11</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quadra ganha o desenho que melhor se adapta a esses princ&iacute;pios e, neste momento, recebe dimens&otilde;es menores na largura, com grande declividade, dificultando sobremaneira o desmembramento em outros lotes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apresentando zonas distintas de apropria&ccedil;&atilde;o - quintal e compactas massas edificadas - a quadra &eacute; um fragmento urbano que, embora suas dimens&otilde;es n&atilde;o estejam especificadas ou padronizadas por documentos textuais, est&aacute; subordinada &agrave; concep&ccedil;&atilde;o urbana inicial. Esta &uacute;ltima, voltamos a afirmar, presente desde a escolha do s&iacute;tio at&eacute; a composi&ccedil;&atilde;o do lote. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na abertura das ruas e na constru&ccedil;&atilde;o das quadras, havia apenas uma aparente liberdade encobrindo uma l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o que se orientava, por exemplo, pelo escoamento de &aacute;gua. &Eacute; n&iacute;tida a preocupa&ccedil;&atilde;o comum de manter os limites dos quintais paralelos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e ortogonais &agrave; rua<a name="26b"></a><a href="#26a"><sup>26</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conjunto formado pelos quintais de Olinda aponta, em cada quadra, para uma investiga&ccedil;&atilde;o que considere essa rela&ccedil;&atilde;o. Portanto, para o estudo da forma&ccedil;&atilde;o destes espa&ccedil;os tornou-se fundamental analisar n&atilde;o apenas o lote, mas tamb&eacute;m o modo como este se comporta em conjunto, pois isto auxilia na determina&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, dos limites, e de sua forma e inser&ccedil;&atilde;o na vila. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Utilizaremos novamente o <i>Mapa de Olinda</i>, pois os quintais a&iacute; est&atilde;o representados e poderemos aferir tamb&eacute;m outras &aacute;reas afins, como &eacute; o caso das cercas conventuais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No mapa (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig12.jpg">Figura 12</a>) v&ecirc;-se claramente o desenho sinuoso que a vila adota e os cora&ccedil;&otilde;es verdes das quadras, onde se instalam os quintais. A implanta&ccedil;&atilde;o da vila bem como seu arruamento, discutidos anteriormente, definem um tipo de quadra irregular, que se molda &agrave; topografia e ao encaminhamento de determinados pontos de interesse da &eacute;poca, como as edifica&ccedil;&otilde;es religiosas. Mesmo submetida a esta ordem urbana, a quadra demonstra ter est&aacute;gios de sedimenta&ccedil;&atilde;o indicados pela diferen&ccedil;a da apropria&ccedil;&atilde;o do solo, no sentido centro-periferia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na periferia, zona mais pr&oacute;xima aos limites urbanos, os quintais se mostram mais "frouxos" no terreno, possuindo dimens&otilde;es muito maiores que os das quadras centrais. O desenho &eacute; menos compactado, havendo algumas quadras ainda "abertas", ou seja, com lotes sem edifica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No n&uacute;cleo mais antigo, pr&oacute;ximo &agrave; matriz, v&ecirc;-se um aumento na quantidade de ruas e consequente diminui&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o das quadras; e, por extens&atilde;o, tamb&eacute;m dos quintais. Os maiores, nessa &aacute;rea, restringem-se aos das casas da rua Nova, &aacute;rea nobre da vila, embora, apenas as da parte norte, pois a acentuada declividade do terreno n&atilde;o favorece a ocupa&ccedil;&atilde;o da parte sul. Outro motivo para a diminui&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es das quadras deve ter sido o valor desse solo - quanto mais alto mais valioso. Como se viu, a sociedade podia se ver representada pela topografia do s&iacute;tio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo a quadra n&atilde;o tendo medidas regulares, os lotes relativamente o eram (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig13.jpg">Figura 13</a>). Neles, a propor&ccedil;&atilde;o entre edif&iacute;cios e quintais &eacute;, em sua maioria, desigual. Os &uacute;ltimos, em geral, eram de dimens&otilde;es maiores que a dos edif&iacute;cios, em alguns casos, mais que o dobro da &aacute;rea constru&iacute;da. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas quadras pr&oacute;ximas &agrave; antiga zona comercial dos Quatro Cantos, considerada &aacute;rea central, a primeira quadra que tomamos como refer&ecirc;ncia &eacute; a delimitada pelas atuais rua Prudente de Moraes, ladeira da Miseric&oacute;rdia e rua do Bonfim. A propor&ccedil;&atilde;o entre edif&iacute;cio e quintal, do lote 1, &eacute; de aproximadamente 1:2.28, isto se considerarmos a imagem apresentada anteriormente<a name="27b"></a><a href="#27a"><sup>27</sup></a>. Na segunda quadra, a que lhe faz fronteira (delimitada pela ladeira da S&eacute; - antiga rua dos Palhais -, a Prudente de Morais e a rua do Bonfim), a propor&ccedil;&atilde;o do lote 2 &eacute; de aproximadamente 1:4.42. Estes dados foram levantados a partir da carta holandesa antes citada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; prov&aacute;vel que o <i>Mapa de Olinda</i> seja uma proposta de ocupa&ccedil;&atilde;o holandesa da antiga vila, id&eacute;ia que Jos&eacute; Luis da Mota Menezes e Vanildo Cavalcanti compartilham, pois o adensamento das edifica&ccedil;&otilde;es representado no mapa n&atilde;o corresponde a outras imagens da vila. Ao compararmos o <i>Mapa de Olinda</i> com a vista intitulada <i>Marin D'Olinda de Pernambuco</i> (ca. 1630), logo percebemos que n&atilde;o h&aacute; correspond&ecirc;ncia com a parte das edifica&ccedil;&otilde;es representadas no primeiro (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig14.jpg">Figura 14</a>). Sabe-se que o objetivo da vista &eacute; revelar o espa&ccedil;o urbano, e isto &eacute; percept&iacute;vel quando se verifica que a situa&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios religiosos corresponde, com certo grau de precis&atilde;o, &agrave;s localiza&ccedil;&otilde;es atuais dos mesmos. O mosteiro de S&atilde;o Bento, por exemplo, apresenta-se na vista ainda bem isolado e h&aacute; alguns outros vazios entre ele e o convento franciscano. Assim sendo, a propor&ccedil;&atilde;o acima referida, entre &aacute;rea edificada e n&atilde;o edificada, devia ter valores diferentes, em que a &aacute;rea de quintal, novamente, seria bem maior. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando &eacute; representada a vegeta&ccedil;&atilde;o dos quintais (destacada na imagem), observa-se refer&ecirc;ncia a &aacute;rvores de grande porte, adensadas no espa&ccedil;o, permitindo n&atilde;o apenas situ&aacute;-las como tamb&eacute;m perceber suas formas e dimens&otilde;es. Na compara&ccedil;&atilde;o entre as duas imagens da Vila de Olinda, podemos evidenciar, al&eacute;m das refer&ecirc;ncias dos elementos constru&iacute;dos, a morfologia desses espa&ccedil;os e a distribui&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o no terreno. Este tipo de apropria&ccedil;&atilde;o deve ter sido suprimido na maior parte da vista, pois o objetivo dela era informar o m&aacute;ximo de dados do espa&ccedil;o urbano, o que de fato seria omitido se as copas das &aacute;rvores fossem reproduzidas nos demais quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &aacute;rea pr&oacute;xima ao Mosteiro de S&atilde;o Bento, a vegeta&ccedil;&atilde;o urbana deveria ser tal que Barl&eacute;u comenta: "Na regi&atilde;o superior da cidade, estava o mosteiro de S. Bento, <i>protegido pela natureza</i> e pela sua constru&ccedil;&atilde;o"<a name="28b"></a><a href="#28a"><sup>28</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Mapa de Olinda</i>, o adensamento das &aacute;reas edificadas pode n&atilde;o corresponder &agrave; realidade da &eacute;poca, o arruamento, entretanto, corresponde ao tra&ccedil;ado atual da cidade. Podemos deduzir, portanto, que as quadras mais centrais tenham dimens&otilde;es menores e formato tendendo ao quadrado. A apropria&ccedil;&atilde;o do lote forma n&uacute;cleos vegetais, pois as edifica&ccedil;&otilde;es se situam rentes &agrave;s ruas, sem recuos laterais. Na atualidade, tais centralidades permanecem e, na perspectiva da rua, os quintais assumem uma apar&ecirc;ncia indivisa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na an&aacute;lise das quadras, foi poss&iacute;vel constatar que a largura dos lotes n&atilde;o era de dimens&otilde;es uniformes. As casas situadas na rua Bispo Coutinho, antiga rua Nova, por exemplo, possuem testadas em torno de 9 metros. Esta dimens&atilde;o corresponde, possivelmente, ao seu grau de import&acirc;ncia enquanto antiga &aacute;rea nobre da vila, pois, como veremos mais adiante, em outras regi&otilde;es as medidas s&atilde;o menores. A largura das casas n&atilde;o deve ter sido alterada ao longo do tempo, pois as constru&ccedil;&otilde;es se situavam no limite do lote e, portanto, n&atilde;o havia espa&ccedil;o para amplia&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas casas da rua do Amparo, as testadas dos lotes t&ecirc;m dimens&otilde;es que variam do m&iacute;nimo de 4,5 metros a raros 8 metros, aproximando-se, na maioria, a 6 metros. Portanto, as medidas das larguras das fachadas encontradas nessa parte da cidade s&atilde;o menores que as das levantadas na antiga rua Nova. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; lotes de testadas ainda mais estreitas, como podemos verificar nas casas de n. 92 e n. 94, na Estrada do Bom Sucesso, que vai da Igreja do Amparo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; de Nossa Senhora do Monte, tendo, respectivamente, 3,91 e 3,61 metros de frente. Embora no <i>Mapa de Olinda</i> n&atilde;o haja delas refer&ecirc;ncia, observamos cotas similares em lotes existentes no interior da vila, como &eacute; o caso das casas n. 280 e n. 314 da atual rua Prudente de Morais, antiga rua da Sarralheira, indicadas nos mapas do s&eacute;culo XVII. Essas casas t&ecirc;m 4,22 e 3,1 metros de testada. Percebemos, consequentemente, uma grada&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; frente dos lotes, que variam de 3 a 9 metros, dependendo de sua situa&ccedil;&atilde;o na vila. De modo aproximado, pode haver uma tend&ecirc;ncia para valores m&uacute;ltiplos de 3. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez essa rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;trica n&atilde;o seja aleat&oacute;ria, podendo estar relacionada com as reformas urban&iacute;sticas que ocorreram em Lisboa no fim do s&eacute;culo XV e princ&iacute;pio do s&eacute;culo XVI. Quando Carita se refere ao processo urban&iacute;stico da Vila Nova de Andrade, datando seu in&iacute;cio em 1498, deixa evidente que havia um plano de urbaniza&ccedil;&atilde;o baseado em lotes de m&eacute;trica e geometria precisas. Ao analisar o contrato de 1498, documento anexo ao testamento de Luis de Atouguia, conclui: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Nos termos do acordo, os Andrades doavam a Lopo de Atouguia um lote na nova urbaniza&ccedil;&atilde;o, qual devia respeitar "hua rua que tem ordenado de se por ali fazer", confirmando a exist&ecirc;ncia de um plano de urbaniza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;vio. O documento transcreve ainda as medidas deste ch&atilde;o: "doze bra&ccedil;as de largo &#91;26,4 m&#93; e seis de largo &#91;13,2m&#93;". Encontramo-nos num universo de m&eacute;tricas e proporcionalidades afectas &agrave; mesma mentalidade moderna que identificamos nas grandes reformas urbanas promovidas pela Casa Real na Ribeira e centro da cidade. Afastamo-nos de uma urban&iacute;stica medieval, com matriz de desenvolvimento a partir de um modelo linear de rua (direita) com travessas, confrontando-nos aqui com uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o abstracta de tra&ccedil;ado urbano baseado num m&oacute;dulo geom&eacute;trico<a name="29b"></a><a href="#29a"><sup>29</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora em Olinda ainda n&atilde;o tenha sido identificado nenhum documento que comprove a exist&ecirc;ncia de um sistema de medidas, h&aacute; que se atentar para a perman&ecirc;ncia, at&eacute; os dias atuais, de conjuntos de lotes de larguras similares e que se localizam por zonas. Este tipo de aferi&ccedil;&atilde;o requer uma investiga&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, que possa levantar com maior precis&atilde;o as dimens&otilde;es dos lotes. Nesses, embora possam abrigar-se em alguns casos altera&ccedil;&otilde;es na arquitetura da casa, mant&eacute;m-se a composi&ccedil;&atilde;o de lotes estreitos e casas geminadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que se refere &agrave;s &aacute;reas de quintais, as fontes textuais revelam que o espa&ccedil;o do quintal era delimitado por cercas ou muros, que podiam ser de taipa, estreitos, seguindo em continuidade as paredes da edifica&ccedil;&atilde;o. Contudo, n&atilde;o se encontrou nenhuma refer&ecirc;ncia ao quintal como lugar de regula&ccedil;&atilde;o, que tivesse m&eacute;trica ou forma definida. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Mapa de Olinda</i> h&aacute; uma profus&atilde;o de signos que constroem um discurso sobre a paisagem. A partir desses sinais, ind&iacute;cios e s&iacute;mbolos, tentamos, de outro modo, especular acerca do quintal em Olinda, observando seus pormenores e sua representa&ccedil;&atilde;o, e por diversos suportes buscamos encontrar tra&ccedil;os em comum que caracterizam esse espa&ccedil;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada vez mais observando os detalhes das cartas, podemos ver que, em certos exemplares da iconografia hist&oacute;rica, os quintais ganham uma conven&ccedil;&atilde;o formal, que se caracteriza por forte influ&ecirc;ncia do desenho geom&eacute;trico, havendo uma not&aacute;vel distin&ccedil;&atilde;o entre as &aacute;reas de quintal e as que ainda n&atilde;o o s&atilde;o. Em Vingboons, o preenchimento dos quintais apresenta um repert&oacute;rio de signos alusivos &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o, que se repetem em todos em arranjos diferenciados. Esses &iacute;cones podem indicar determinados usos e que estes s&atilde;o constantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o sistema de representa&ccedil;&atilde;o, devemos considerar que: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&eacute;todos tradicionais antes usados nos mapas manuscritos logo passaram a orientar os que coloriam os impressos, a tal ponto que em quase nada mudou as conven&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o estabelecidas durante longo tempo. Florestas, bosques e propriedades eram iluminadas na cor verde; colinas em marrom ou preto; cidades em vermelho; o mar, lagos e rios em &iacute;ndigo (anil); e assim por diante<a name="30b"></a><a href="#30a"><sup>30</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muito desse tipo de simbologia adotada nesse per&iacute;odo para descrever as &aacute;reas de quintais - e neste caso por Vingboons - ser&aacute;, por exemplo, assimilada pelos tratados posteriores. Segundo Beatriz Bueno, a partir desse mesmo s&eacute;culo h&aacute; uma transforma&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o cartogr&aacute;fica, evoluindo de uma representa&ccedil;&atilde;o mais naturalista para outra mais abstrata. "Os motivos foram sucessivamente convencionados, e a natureza representada por meio de pictogramas (sistema primitivo de escrita no qual as id&eacute;ias s&atilde;o expressas por meio de figuras simb&oacute;licas), ideogramas (sinal que exprime uma id&eacute;ia) e outros s&iacute;mbolos gr&aacute;ficos (tramas, varia&ccedil;&atilde;o de valor, etc)."<a name="31b"></a><a href="#31a"><sup>31</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No mapa, os quintais s&atilde;o representados como um espa&ccedil;o composto de v&aacute;rios elementos simb&oacute;licos, que se repetem em diferentes arranjos entre lotes vizinhos. As &aacute;rvores, quando nas &aacute;reas de quintal, encontram-se ordenadas em quase todos os momentos. Essa ordena&ccedil;&atilde;o diferenciada da natureza talvez reflita uma mudan&ccedil;a de <i>status</i> do elemento vegetal, o que a princ&iacute;pio representava o selvagem, ao ser incorporado no espa&ccedil;o urbano passa por um processo cultural, que confere &agrave; esp&eacute;cie uma nova condi&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A representa&ccedil;&atilde;o das &aacute;rvores no <i>Mapa de Olinda</i> se aproxima muito das simbologias empregadas por desenhistas dos s&eacute;culos XVI e XVIII, denunciando a exist&ecirc;ncia e manuten&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig15.jpg">Figura 15</a>). De 1560 a 1756, o &iacute;cone que representa a &aacute;rvore, por exemplo, tende a ter menos detalhes, conservando, cada vez mais, apenas tra&ccedil;os essenciais para sua identifica&ccedil;&atilde;o. Seu perfil, por exemplo. A floresta que circunda a vila &eacute; representada por uma textura colorida nos tons de terra (ocre) e de vegeta&ccedil;&atilde;o (verde), compreendendo deste modo um maior grau de abstra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao tratar da representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, &eacute; oportuno destacar um trecho de <i>O engenheiro portuguez</i><a name="32b"></a><a href="#32a"><sup>32</sup></a>, embora escrito posteriormente ao mapa de Vingboons: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Os pumares se risca&otilde; com arvores iguaes, e igualmente compassadas humas de outras, no que s&oacute; se destinguem dos olivaes, e arvoredos, que na&otilde; guarda&otilde; regularidade &#91;...&#93; o corpo da arvore he de figura ovada mas pontuda &#91;...&#93; se lava de uma aguada de meia tinta de verde-bechiga, ou verde-l&iacute;rio, e depois de da parte opposta da luz<a name="33b"></a><a href="#33a"><sup>33</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na representa&ccedil;&atilde;o dos quintais de Vingboons, existem arranjos que remetem aos pomares descritos por Fortes, pois aparecem como &aacute;rvores organizadas em fileiras e espa&ccedil;adas em intervalos iguais, e diferentes dos arvoredos. Estes &uacute;ltimos parecem referir-se as &aacute;rvores em sua habitat natural, n&atilde;o subjugado &agrave; ordem de composi&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E em outra obra ao referir-se a quintais, hortas e jardins, Fortes comenta: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>O va&otilde; das casas, e edifficios se p&oacute;de lavar de huma meia tinta de carmim igual por toda a parte; &#91;...&#93; os quintaes, hortas, e jardins, que houver se devem notar as plantas, que se riscar&atilde;o, e lavar&atilde;o do modo, que adiante diremos &#91;...&#93;</p>       <p>As hortas se risca&otilde; com a regoa sobre o papel, sem a aguada clara dos montes, terras lavradas, a respeito da brancura, em que devem ficar os caminhos, fazendo os canteiros em paralelogramos desiguaes, ou quadrados, de sorte, que na&otilde; affecte a regularidade dos jardins<a name="34b"></a><a href="#34a"><sup>34</sup></a>.&#91;...&#93;</p>       <p>O desenho dos jardins, quanto aos canteiros, na&otilde; differem do desenho das hortas, se na&otilde; na regularidade e simetria<a name="35b"></a><a href="#35a"><sup>35</sup></a>. </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale notar que, embora Fortes aconselhe uma distin&ccedil;&atilde;o inicial entre os quintais, hortas e jardins, classificando-os enquanto unidades distintas, ele n&atilde;o se refere ao conte&uacute;do e forma dos quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O quintal pode conter em seu espa&ccedil;o hortas e jardins, mas isto n&atilde;o os torna sin&ocirc;nimos, ou seja, os significados s&atilde;o distintos. Buscamos identificar, na confronta&ccedil;&atilde;o entre o discurso textual e o imag&eacute;tico, as &aacute;reas citadas (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig16.jpg">Figura 16</a>). As hortas (sombra lil&aacute;s) representadas por quadriculas sem regularidade, e os jardins (verde) pelo desenho mais regular e sim&eacute;trico. H&aacute; uma repeti&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dessas composi&ccedil;&otilde;es em quase todas as casas onde havia quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal compara&ccedil;&atilde;o permite inferir os quintais como espa&ccedil;os de m&uacute;ltiplos usos, do deleite nos jardins &agrave; utilidade das hortas. Veremos mais adiante que eles n&atilde;o se prestavam apenas para plantio, mas a v&aacute;rias outras atividades dom&eacute;sticas. Interessa-nos, neste momento, destacar que, na imagem holandesa, os quintais de Olinda s&atilde;o representados como se tomados totalmente por atividades produtivas e de plantio, sempre desenhados com formas determinadas, ou seja, quase uma aus&ecirc;ncia de &aacute;reas inutilizadas ou vazias. J&aacute; na <i>Hist&oacute;ria da Vida Privada no Brasil</i>, Algranti caracteriza os quintais da seguinte forma: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Essas &aacute;reas destinadas ao conv&iacute;vio, ao cuidado dos animais e &agrave; ind&uacute;stria dom&eacute;stica forneciam tamb&eacute;m produtos para a subsist&ecirc;ncia. Era das hortas e pomares que vinham muitas vezes alimentos b&aacute;sicos para a mesa dos colonos, uma vez que a economia colonial voltada para o exterior impunha cultura de certos produtos para o dia a dia. &Aacute;rvores e plantas forneciam gordura vegetal para a cozinha e para os candeeiros, al&eacute;m de mat&eacute;ria-prima para as mezinhas caseiras. Nos quintais criavam-se tamb&eacute;m aves e porcos, e neles se instalavam galinheiros e currais<a name="36b"></a><a href="#36a"><sup>36</sup></a>.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferente dos portugueses, os quintais despertaram nos holandeses uma extensa narrativa simb&oacute;lica. O mosaico de signos representado no interior dos quintais est&aacute; relacionado ao modo como os holandeses percebiam esses espa&ccedil;os. A tomada da vila exige dos invasores uma tentativa de adapta&ccedil;&atilde;o aos componentes urbanos anteriormente constru&iacute;dos, conhecimento e dom&iacute;nio de suas partes. Desse modo, o mapa serve para revelar a vila, e permitir a reflex&atilde;o e at&eacute; servir de suporte para um futuro plano de a&ccedil;&atilde;o. Os quintais, mais do que outro espa&ccedil;o urbano, s&atilde;o minuciosamente descritos, n&atilde;o a partir de uma an&aacute;lise individual de cunho cient&iacute;fico, mas na tentativa de apreender suas formas, composi&ccedil;&otilde;es e inser&ccedil;&atilde;o no tecido de Olinda. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Mapa de Olinda</i> n&atilde;o h&aacute; distin&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o das ruas, n&atilde;o se verificando, por exemplo, ruas de serventia, que d&atilde;o acesso aos fundos dos quintais. A distribui&ccedil;&atilde;o das constru&ccedil;&otilde;es nos lotes e nas ruas se d&aacute; de modo uniforme. Embora os portugueses n&atilde;o tenham nos legado uma &uacute;nica planta da vila, sabemos, pela confronta&ccedil;&atilde;o entre imagens e discursos, que a realidade se distinguia em parte da ocupa&ccedil;&atilde;o descrita pelos holandeses nesse mapa. Os quintais, em sua maioria, se apresentavam resguardados ao acesso direto do p&uacute;blico, e esbo&ccedil;am espa&ccedil;os de privacidade junto &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o estudo sobre a casa e o quintal depara-se com os limites impostos pela hist&oacute;ria da vida privada do Brasil. &Eacute; quando h&aacute; demanda por uma aproxima&ccedil;&atilde;o muito maior entre o arquiteto e o historiador, pois a dist&acirc;ncia temporal e a escassa informa&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e grandes desafios ao estudo deste objeto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A adaptabilidade portuguesa, festejada por Gilberto Freyre e identificada por este autor como presente em quase todas as a&ccedil;&otilde;es lusitanas, constituiu, na coloniza&ccedil;&atilde;o do Brasil, seu maior triunfo. Segundo o soci&oacute;logo: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A casa-grande de engenho que o colonizador come&ccedil;ou, ainda no s&eacute;culo XVI, a levantar no Brasil, grossas paredes de taipa ou de pedra e cal, cobertas de palha ou de telha-v&atilde;, alpendre na frente e nos lados, telhados ca&iacute;dos em um m&aacute;ximo de prote&ccedil;&atilde;o contra o sol forte e as chuvas tropicais - n&atilde;o foi nenhuma reprodu&ccedil;&atilde;o das casas portuguesas, <i>mas uma express&atilde;o nova, correspondendo ao nosso ambiente f&iacute;sico e a uma fase surpreendente, inesperada, do imperialismo portugu&ecirc;s </i>&#91;...&#93;. Desde esse momento que o portugu&ecirc;s &#91;...&#93; tornou-se luso-brasileiro; o fundador de uma nova ordem econ&ocirc;mica e social; o Criador de um novo tipo de habita&ccedil;&atilde;o<a name="37b"></a><a href="#37a"><sup>37</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De certo que as primeiras casas brasileiras nascem acompanhadas pela necessidade de adequar-se &agrave;s diversas situa&ccedil;&otilde;es encontradas, seja em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es geogr&aacute;ficas, clim&aacute;ticas, culturais ou econ&ocirc;micas, seja em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;o de obra ou materiais construtivos. Existe, de fato, uma facilidade por parte dos colonizadores &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o, e esta caracter&iacute;stica favorece o surgimento de novas solu&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m tal arquitetura n&atilde;o &eacute; &oacute;rf&atilde;. Os portugueses trazem consigo experi&ecirc;ncias, tradi&ccedil;&otilde;es, costumes, desejos e, acima tudo, a mem&oacute;ria da pr&oacute;pria casa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A arquitetura das casas, mesmo com as dificuldades impostas pelas circunst&acirc;ncias, deveria responder aos anseios dessa sociedade em forma&ccedil;&atilde;o e bem relacionada com outras partes do Reino. Produtos de luxo que, chegando &agrave; col&ocirc;nia, confraternizavam, por exemplo, na cozinha, com os frutos, animais e alimentos nativos aceitos pelos portugueses. A cozinha, assim como a arquitetura em geral, deixa de ser unicamente lusitana para incorporar novos modos de produzir. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ciclo de produ&ccedil;&atilde;o alimentar, por exemplo, percorre dois espa&ccedil;os determinados da casa: o quintal e a cozinha, que muitas vezes se fundem em um s&oacute;. Ao tratar sobre as casas do s&eacute;culo XIX, Algranti comenta: "Isso sem falar nas varandas que se abriam para <i>o quintal</i>, onde o movimento e burburinho das atividades era incessante"<a name="38b"></a><a href="#38a"><sup>38</sup></a>. Esse espa&ccedil;o, quando n&atilde;o havia a cozinha anexa &agrave; casa, assumia a fun&ccedil;&atilde;o de intermediar as rela&ccedil;&otilde;es entre a casa e o quintal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As refer&ecirc;ncias sobre o quintal demonstram ser diferentes das da rua, opostas e complementares e, assim como o trajar domiciliar, dispensam todas as formalidades. Lugar onde a maioria das atividades &eacute; relacionada &agrave; vida em seu sentido mais necess&aacute;rio. As regras, quando existem, s&atilde;o definidas pelo cotidiano e pela praticidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da quest&atilde;o da subsist&ecirc;ncia, o quintal participa da vida familiar e comunit&aacute;ria de outras formas. Nas <i>Denuncia&ccedil;&otilde;es do Santo Of&iacute;cio de Pernambuco</i>, de 1593 a 1595, h&aacute; testemunhas que incriminam Branca Dias, crist&atilde; nova, habitante da vila de Olinda, de suas pr&aacute;ticas judias, mas nesse ensejo revelam algumas atividades dom&eacute;sticas e sua espacializa&ccedil;&atilde;o no quintal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isabel Fragoso denuncia Branca Dias, suas filhas e outras pessoas: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>E nos ditos sabbados se fechav&atilde;o a ditta Branca Dias com as dittas suas filhas todo o dia pela menha&atilde; at&eacute; &aacute; noite, e n&atilde;o trabalhav&atilde;o, e m&atilde;odav&atilde;o as mo&ccedil;as que aprendiam p&ecirc;ra suas casas nos dittos sabbados e algumas vezes <i>as m&atilde;odav&atilde;o p&ecirc;ra hum quintal a folgar</i>, outros si vio que as dittas Branca Dias e suas filhas trabalhav&atilde;o nos domingos em todo o ditto tempo que <i>em sua casa esteve abrindo algod&atilde;o e fiando e fazendo outros servi&ccedil;os</i> assim como nos dias da semana toda mais<a name="39b"></a><a href="#39a"><sup>39</sup></a>.</blockquote>  </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O quintal &eacute; representado como um espa&ccedil;o tamb&eacute;m de lazer, onde se poderia <i>folgar</i>. Segundo Bluteau, <i>folgar</i> significa "Recrearse"<a name="40b"></a><a href="#40a"><sup>40</sup></a>, e este car&aacute;ter recreativo, portanto, insinua que no quintal deveria haver espa&ccedil;o para tal atividade ou, ao menos, que habilitasse a este uso. Isabel relata, inclusive, outras atividades dom&eacute;sticas desenvolvidas pelas mulheres, como abrir algod&atilde;o, fiar e outros servi&ccedil;os. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda nas denuncia&ccedil;&otilde;es sobre Branca Dias, a mameluca Isabel de Lamas, tamb&eacute;m denunciante, confessa: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Ho dito Bento Dias estav&atilde;o na ditta casa per grande espa&ccedil;o de tempo as vezes pellas manha&atilde;s, e as vezes depois de jantar com as portas fechadas por dentro e entretanto assim estav&atilde;o andav&atilde;o as mo&ccedil;as pequenas assim filhas da mesma Branca Dias com outras de fora que <i>vinh&atilde;o aprender e lavrar folgando no quintal </i>das mesmas casas pera onde a ditta Branca Dias lhes m&atilde;odav&atilde;o que fossem lavrar e folgar na ditta ora e tempo em quanto estav&atilde;o fechados como ditto he<a name="41b"></a><a href="#41a"><sup>41</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O destaque dado &agrave;s "portas fechadas por dentro" indica que essa atitude n&atilde;o deveria ser comum durante o dia, revelando, portanto, um ritual diferente dos h&aacute;bitos comuns dos crist&atilde;os e moradores de Olinda. Por outro lado, quando sua vida &eacute; comum, fica evidente que o quintal tamb&eacute;m servia a fins pedag&oacute;gicos; o ensino tamb&eacute;m era uma atividade dom&eacute;stica corriqueira no per&iacute;odo colonial e se estendia algumas vezes at&eacute; o quintal. Este acolhia o ensino e a pr&aacute;tica do oficio, ao mesmo tempo em que era absorvido como parte do espa&ccedil;o social feminino. Um segmento da popula&ccedil;&atilde;o extremamente importante para a vida na col&ocirc;nia, pois quase todas as atividades dom&eacute;sticas estavam a cargo da mulher - portuguesa, nativa ou negra - seja na execu&ccedil;&atilde;o ou na supervis&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas os quintais quinhentistas e seiscentistas possivelmente n&atilde;o eram &aacute;reas livres de edifica&ccedil;&otilde;es, teriam pequenas estruturas que auxiliavam nas tarefas do dia a dia, como as encontrados no s&eacute;culo XIX. Alguns telheiros simples e r&uacute;sticos, outros melhor edificados, abrigavam a casa da farinha, o monjolo ou a moenda. Serviam tamb&eacute;m para guardar utens&iacute;lios e alimentos de toda esp&eacute;cie, e era nessas depend&ecirc;ncias de trabalho que passavam boa parte do tempo, principalmente as mulheres da casa<a name="42b"></a><a href="#42a"><sup>42</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos quintais deveria haver essas pequenas constru&ccedil;&otilde;es, em geral cobertas de palha, de execu&ccedil;&atilde;o bastante inferior &agrave; da edifica&ccedil;&atilde;o principal, onde ocorreriam atividades complementares &agrave; casa e, por esse motivo, chamadas de anexos, o que poderia ser um pequeno quarto para os escravos ou, ainda, um dep&oacute;sito, ou abrigo para os cavalos. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Al&eacute;m das &aacute;reas de servi&ccedil;o, <i>o quintal podia conter a senzala e a secreta</i>. Esta &uacute;ltima era uma edifica&ccedil;&atilde;o com fins de higiene existente em algumas casas, mas que consistia muitas vezes apenas num buraco na terra, embaixo do qual podiam se instalar os chiqueiros. &#91;...&#93; Na maioria das vezes, todavia, era o urinol e os potes ou tigres que recebiam os excrementos, esvaziados depois pelos escravos, nas praias ou nos terrenos distantes<a name="43b"></a><a href="#43a"><sup>43</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos primeiros anos do per&iacute;odo colonial as preocupa&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias eram m&iacute;nimas, tendo como principal aten&ccedil;&atilde;o deslocar os dep&oacute;sitos fecais para fora do corpo da edifica&ccedil;&atilde;o, nos fundos do terreno<a name="44b"></a><a href="#44a"><sup>44</sup></a>. Essa pr&aacute;tica de fazer as necessidades longe da moradia era tamb&eacute;m um h&aacute;bito dos nativos. "Dos ind&iacute;genas parece ter ficado no brasileiro rural ou semi-rural o h&aacute;bito de defecar longe de casa; em geral no meio de tou&ccedil;a de bananeiras perto do rio"<a name="45b"></a><a href="#45a"><sup>45</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas cidades medievais portuguesas, Am&eacute;lia Aguiar Andrade comenta que existiam esterqueiras situadas nas periferias urbanas para dep&oacute;sito desses materiais. "Para essas periferias podiam ainda empurrar-se as esterqueiras, esses terrenos abertos onde as popula&ccedil;&otilde;es urbanas iam fazer seus despejos, <i>sobretudo aquelas que n&atilde;o podiam recorrer &agrave; horta das traseiras da casa para este fim</i>"<a name="46b"></a><a href="#46a"><sup>46</sup></a>. Os fundos dos quintais tamb&eacute;m serviam para tal fim - uma esp&eacute;cie de monturo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A necessidade de despejo desses materiais justifica em grande parte a exist&ecirc;ncia das ruas de serventia, por permitirem a sa&iacute;da e entradas dos <i>tigres</i>. Sabe-se tamb&eacute;m que um dos principais meios de transporte na col&ocirc;nia eram os cavalos e estes tamb&eacute;m precisavam pousar pr&oacute;ximo &agrave; casa. Logo, era necess&aacute;rio ter uma estrebaria m&iacute;nima e, de acordo com a apropria&ccedil;&atilde;o do lote, que n&atilde;o permitia outras &aacute;reas livres que n&atilde;o fossem os quintais, seu lugar seria atr&aacute;s das casas. Os cavalos deveriam compartilhar o mesmo acesso que os <i>tigres</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais pr&aacute;ticas tamb&eacute;m alcan&ccedil;ariam o s&eacute;culo XIX. &Eacute; o que confirma o depoimento de Vauthier: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Assim, o cavalo &eacute; auxiliar indispens&aacute;vel do brasileiro que se preza e toda casa bem posta tem a sua cocheira, colocada sempre, como esta, a um &acirc;ngulo do p&aacute;tio <i>&#91;quintal&#93; </i>e aberta a todos os ventos. Quanto a cisterna que vemos tamb&eacute;m no p&aacute;tio, disposta a servir duas casas cont&iacute;guas, &eacute; um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico da cidade de Pernambuco e daquelas que, constru&iacute;das, embora, em praias arenosas e na vizinhan&ccedil;a do oceano, filtram constantemente &aacute;guas doces subterr&acirc;neas, que se encontram a alguns metros de profundidade<a name="47b"></a><a href="#47a"><sup>47</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferente das edifica&ccedil;&otilde;es, as subdivis&otilde;es dos quintais muitas vezes n&atilde;o eram r&iacute;gidas em seus limites internos que, por exemplo, definiam o espa&ccedil;o da horta e o da circula&ccedil;&atilde;o. Muitos dos animais eram criados soltos, ao modo "natural", o que n&atilde;o significa que n&atilde;o houvesse uma aptid&atilde;o de uso para determinadas &aacute;reas. A aus&ecirc;ncia de limites de fundo em alguns quintais parece indicar uma esp&eacute;cie de simbiose com a paisagem circundante. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto espa&ccedil;o urbano e, portanto, palco de representa&ccedil;&atilde;o, os quintais absorveram as mudan&ccedil;as e reconstru&iacute;ram-se, assim como os outros espa&ccedil;os dom&eacute;sticos, a partir de uma nova concep&ccedil;&atilde;o que considera as influ&ecirc;ncias do lugar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse momento delicado da hist&oacute;ria marca altera&ccedil;&otilde;es nos costumes portugueses, que v&atilde;o caracterizar o modo de ser e viver brasileiro e, consequentemente, a arquitetura, tamb&eacute;m em uma outra dimens&atilde;o, a do preenchimento dos quintais com vegeta&ccedil;&atilde;o. A escolha das esp&eacute;cies que passaram a fazer parte deste cen&aacute;rio urbano, em especial nos quintais, constituem a resposta a uma gama de valores influenciados pelo contexto da expans&atilde;o ultramarina e das descobertas da&iacute; decorrentes. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os quintais como espa&ccedil;o de (re)produ&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora os quintais n&atilde;o fossem assunto relevante para os cronistas do s&eacute;culo XVI e XVII, eles surgem nos relatos como espa&ccedil;os relativos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o em atividades cotidianas das habita&ccedil;&otilde;es e na subsist&ecirc;ncia dos moradores. A eles somam-se as cercas dos conventos, mosteiros e col&eacute;gios, essas mais citadas pelo fato de muito desses escritores serem religiosos e por ser informa&ccedil;&atilde;o vinculada &agrave; express&atilde;o religiosa da vila. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os quintais tamb&eacute;m est&atilde;o relacionados &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas tradicionais, herdadas principalmente dos costumes lusitanos, mas tamb&eacute;m dos modos de fazer ind&iacute;genas. A influ&ecirc;ncia do colonizador torna-se significativa n&atilde;o apenas em suas caracter&iacute;sticas, mas tamb&eacute;m pela etimologia do nome, que nos remete &agrave;s quintas e quintais portugueses. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, h&aacute; diferen&ccedil;as entre os dois termos e, antes de tudo, &eacute; preciso contextualiz&aacute;-los no tempo e espa&ccedil;o. Segundo Raphael Bluteau, a "quinta" se definia como: "Casa de campo, ou fazenda, de lavoura no campo com sua casaria. Chamou-se assim porque de ordinario o que arrenda a Quinta, d&aacute; ao dono della a quinta parte do que colhe de fructos"<a name="48b"></a><a href="#48a"><sup>48</sup></a>. Ou seja, a quinta tem um car&aacute;ter rural, semelhante ao das nossas ch&aacute;caras e s&iacute;tios. Os quintais por sua vez eram definidos da seguinte forma: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Quintal he na cidade, ou villa, hu peda&ccedil;o de cha&otilde;, com &aacute;rvores fructiferas &amp; cerca de muros. Chama de Quintal por servir como de Quinta no povoado. Nas casas religiosas chama-se cerca. Na&otilde; he f&aacute;cil acharlhe nome proprio Latino, porque Hortus he jardim, Hortus oitorius he Horta, Pomarium he Pomar, como tambem Vividarium, &amp; propriamente fallando, Quintal, n&atilde;o he jardim, nem horta, nem pomar. Mas a necessidade no obriga a usar Vividarium ou Pomarium, &amp; sendo preciso se lhe poder&aacute; acrescentar, Muro septum<a name="49b"></a><a href="#49a"><sup>49</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo, o quintal tamb&eacute;m est&aacute; relacionado ao cultivo e &agrave; casa, nascido para "servir como de Quinta no povoado". &Eacute;, por&eacute;m, espa&ccedil;o por excel&ecirc;ncia urbano, delimitado e com fun&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se restringem apenas ao plantio. Como a quinta, o quintal est&aacute; vinculado a uma casa, portanto &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica. Como cita Bluteau, o quintal n&atilde;o &eacute; jardim, nem horta, nem pomar, por&eacute;m, assim como a cerca dos religiosos, absorve, de modo &agrave;s vezes segmentado, mais de uma dessas apropria&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A dificuldade de Bluteau de achar correspondente latino denuncia a semelhan&ccedil;a funcional entre esses termos, certamente com caracter&iacute;sticas comuns, com as hortas, hortos, pomares e jardins. Por outro lado, a complexidade dessa defini&ccedil;&atilde;o pode estar amparada pelo car&aacute;ter livre de sua composi&ccedil;&atilde;o e por ser um espa&ccedil;o bastante relacionado ao cotidiano familiar. Uma aparente fluidez e a liberdade na apropria&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os contrastam com as regras crist&atilde;s para os espa&ccedil;os p&uacute;blicos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suas linhas, Olinda guarda influ&ecirc;ncias da tradi&ccedil;&atilde;o e dos costumes lusitanos, entretanto, sabe-se que estes tiveram que sofrer ajustes para se adequar &agrave; nova realidade. E foi a partir desta necessidade, juntamente com a possibilidade de fazer algo novo longe da metr&oacute;pole, que determinados elementos urbanos ganharam diferentes concep&ccedil;&otilde;es no Novo Mundo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, n&atilde;o se pode pensar que os quintais olindenses tivessem guardado a mesma apar&ecirc;ncia e composi&ccedil;&atilde;o dos portugueses, a come&ccedil;ar pelas diferen&ccedil;as clim&aacute;ticas, topogr&aacute;ficas e temporais, entre outras. Por haver neles &aacute;reas de plantio, definidas pelo tipo das esp&eacute;cies cultivadas, e estas foram aqui bastante modificadas. E, como se pode observar em Bluteau, os portugueses n&atilde;o possu&iacute;am minimamente um modelo ou padr&atilde;o para quintal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sabe-se, portanto, que seriam &aacute;reas estreitamente relacionadas com a subsist&ecirc;ncia, ou seja, com o fornecimento de produtos para a alimenta&ccedil;&atilde;o e suporte das atividades dom&eacute;sticas, mesmo quando estas n&atilde;o aparecem nos relatos de modo distinto e definido no espa&ccedil;o. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cerca, esta pluralidade aparece, por exemplo, nas not&iacute;cias do padre jesu&iacute;ta Doutor Torres, em carta de 10 de junho de 1562, proveniente do Esp&iacute;rito Santo, em que relaciona, inclusive, a proximidade entre o cultivo e a produ&ccedil;&atilde;o: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Um dos Irm&atilde;os &eacute; coadjuntor temporal; n&atilde;o sabe ler nem escrever; homem de meia idade, manso e humilde e prompto na obedi&ecirc;ncia, serve commumente de <i>cozinheiro</i> e <i>hortel&atilde;o</i>, trata com muitos amos aos Irm&atilde;os, tem muitos legumes e fructas em seu <i>pomar</i>, especialmente a que chamam de bananas, que duram todo o anno e s&atilde;o grande ajuda para a sustenta&ccedil;&atilde;o desta casa<a name="50b"></a><a href="#50a"><sup>50</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota-se a sobreposi&ccedil;&atilde;o de atividades distintas, cozinhar e cultivar, produzidas de modo complementar, pelo mesmo indiv&iacute;duo, o que n&atilde;o deve constituir regra, mas mostra a exist&ecirc;ncia do v&iacute;nculo entre ambas. De outro modo, n&atilde;o faz distin&ccedil;&atilde;o entre o cultivo da horta e do pomar, tratando-os quase como sin&ocirc;nimos, "cozinheiro e <i>hortel&atilde;o</i>, trata &#91;...&#93; em seu <i>pomar</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O abastecimento alimentar &eacute; um assunto recorrente nos registros dos primeiros anos do Brasil, pois n&atilde;o era poss&iacute;vel garantir a subsist&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o valendo-se apenas de mantimentos trazidos da metr&oacute;pole. O custo, a dist&acirc;ncia e a irregularidade do transporte desencorajava essa pr&aacute;tica e estimulava a popula&ccedil;&atilde;o a construir sua pr&oacute;pria rede de abastecimento. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o dos mantimentos era uma das primeiras preocupa&ccedil;&otilde;es dos colonizadores, seja em Olinda, Salvador, S&atilde;o Vicente etc. Nos primeiros anos, o abastecimento de produtos para a alimenta&ccedil;&atilde;o deveria ser muito dependente da produ&ccedil;&atilde;o da unidade residencial, seja nos quintais das casas ou nas cercas dos conventos, embora se contasse com as ro&ccedil;as e os plantios nos engenhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo alguns anos depois da funda&ccedil;&atilde;o da Vila de Olinda, quando nela j&aacute; havia um com&eacute;rcio e abastecimento bem desenvolvidos - e tamb&eacute;m na Bahia e em S&atilde;o Vicente -, N&oacute;brega escreve ao rei D. Jo&atilde;o, em 1552, relatando a necessidade que tem do trabalho dos gentios para a produ&ccedil;&atilde;o de mantimentos: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Na convers&atilde;o do gentio nos ajudou muito, porque fez logo ajuntar quatro ou cinco aldeias que estavam derredor da cidade, em uma povoa&ccedil;&atilde;o junto ao Rio Vermelho, onde pareceu mais conveniente, <i>para que toda essa gente pudesse aproveitar-se das ro&ccedil;as e mantimentos que tinham feito,</i> e aqui mandou fazer uma igreja grande, em que coubesse toda a gente, a que chamam S&atilde;o Paulo<a name="51b"></a><a href="#51a"><sup>51</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paralelo ao conhecimento adquirido na Am&eacute;rica, somavam-se as constantes permutas entre os povos colonizados, das ilhas e do Oriente. "Outra circunst&acirc;ncia ou condi&ccedil;&atilde;o favoreceu o portugu&ecirc;s, tanto quanto a miscibilidade e a mobilidade, na conquista de terras e no dom&iacute;nio de povos tropicais: a aclimatabilidade"<a name="52b"></a><a href="#52a"><sup>52</sup></a>. Podemos citar tamb&eacute;m que, nesse movimento, os portugueses promovem, por exemplo, um intenso interc&acirc;mbio entre as esp&eacute;cies cultivadas, onde muitas foram trazidas de lugares distantes e aclimatadas, diminuindo as fronteiras das col&ocirc;nias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No per&iacute;odo colonial, era comum a cria&ccedil;&atilde;o de determinados animais no per&iacute;metro dom&eacute;stico, e, na tentativa de elencar algumas esp&eacute;cies possivelmente existentes nos quintais, foram reunidos fragmentos textuais a partir da pesquisa nos relatos de v&aacute;rios cronistas. Com tais informa&ccedil;&otilde;es, buscamos relacionar as esp&eacute;cies apresentadas, por exemplo, na obra de Christov&atilde;o Lisboa intitulada <i>Historia dos animaes e arvores do Maranh&atilde;o. Pelo muito Reverendo Padre F. Christov&atilde;o de Lisboa calificador do Santo Officio, e fundador da Custodia do Maranh&atilde;o da Recolec&ccedil;&atilde;o de Santo Ant&ocirc;nio de Lisboa</i><a name="53b"></a><a href="#53a"><sup>53</sup></a>, escrita provavelmente entre 1625 e 1631, logo, anterior ao per&iacute;odo nassoviano. O estudo revela o interesse dos portugueses pelo conhecimento das esp&eacute;cies animais e vegetais encontradas em solo maranhense. Sabe-se, por&eacute;m, que tais esp&eacute;cies n&atilde;o s&atilde;o apenas maranhenses, mas existem em quase todo o Nordeste<a name="54b"></a><a href="#54a"><sup>54</sup></a>. Dessa obra, foram selecionadas algumas imagens para acompanhar este nosso trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante os primeiros anos, muitos dos animais que faziam parte do cen&aacute;rio europeu foram trazidos para o territ&oacute;rio conquistado. Na carta do Padre N&oacute;brega para o Provincial em Portugal, em 1557, se l&ecirc;: "No fim de julho (1557) chegou aqui uma caravella d'El Rei que trazia gado"<a name="55b"></a><a href="#55a"><sup>55</sup></a>. Gabriel Soares de Sousa refere-se &agrave; trajet&oacute;ria que esses animais faziam nas col&ocirc;nias do Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s: "As primeiras vacas que foram &agrave; Bahia levaram-nas de Cabo Verde e depois de Pernambuco, as quais se d&atilde;o de fei&ccedil;&atilde;o que parem cada ano e n&atilde;o deixam nunca de parir por velhas"<a name="56b"></a><a href="#56"><sup>56</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando da perman&ecirc;ncia dos jesu&iacute;tas no Brasil, a car&ecirc;ncia de mantimentos foi um dos principais temas tratados em suas cartas. A princ&iacute;pio, os mantimentos ficavam a cargo de gentios convertidos, que se encarregavam de traz&ecirc;-los de sua planta&ccedil;&atilde;o de mandioca (as ro&ccedil;as) e dos matos - frutas, v&iacute;veres, pescados etc. No final do s&eacute;culo XVII, o padre Aires de Casal nos lembra que n&atilde;o fazia parte da cultura ind&iacute;gena o cultivo de esp&eacute;cies ao modo europeu<a name="57b"></a><a href="#57a"><sup>57</sup></a>; e, no s&eacute;culo XX, Gilberto Freyre complementa: "Os animais dom&eacute;sticos entre os ind&iacute;genas quase eram simplesmente para fazer companhia &agrave; pessoa e n&atilde;o para servi-la nem fornecer-lhe alimento"<a name="58b"></a><a href="#58a"><sup>58</sup></a>. Com a introdu&ccedil;&atilde;o de outras pr&aacute;ticas, h&aacute; uma mudan&ccedil;a de comportamento entre os gentios da prov&iacute;ncia de Pernambuco: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Todas errantes, sem conhecimento de g&ecirc;nero algum de agricultura, mantendo-se de frutas silvestres, mel, e ca&ccedil;a: um porco, um veado, um p&aacute;ssaro tudo era assado com cabelo, pena e intestinos Todos receberam o batismo; e depois de aldeados come&ccedil;aram a cultivar os v&iacute;veres mais necess&aacute;rios &agrave; vida, como mandioca, milho, ab&oacute;boras, e algumas frutas: conservando uma grande paix&atilde;o pela ca&ccedil;a, e pretendendo ter o mesmo direito sobre os bois, e carneiros dos fazendeiros circunvizinhos: sem o qual sestro os crist&atilde;os da primitiva n&atilde;o teriam sido de costumes mais inocentes, segundo publicavam os catequistas<a name="59b"></a><a href="#59a"><sup>59</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frei Vicente do Salvador ressalta a import&acirc;ncia dessas esp&eacute;cies na produ&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica: "Criam-se no Brasil todos os animais dom&eacute;sticos e dom&aacute;veis de Espanha, cavalos, vacas, porcos, ovelhas e cabras, e parem a dois e a tr&ecirc;s filhos de cada ventre, e a carne do porco se come indiferentemente de inverno e ver&atilde;o, e a d&atilde;o a doentes como a de galinha"<a name="60b"></a><a href="#60a"><sup>60</sup></a>. E destaca, inclusive, uma nova rela&ccedil;&atilde;o que estes mesmos animais passam a ter na vida dos habitantes do Novo Mundo - a import&acirc;ncia simb&oacute;lica e cerimonial do consumo passa a sofrer transforma&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A introdu&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica desses animais foi de grande relev&acirc;ncia para a constru&ccedil;&atilde;o da paisagem<a name="61b"></a><a href="#61a"><sup>61</sup></a>. Mas n&atilde;o apenas pela tentativa de trazer consigo um determinado gosto ou modo de vida, mas por produzir, na popula&ccedil;&atilde;o urbana em forma&ccedil;&atilde;o, um instante de ajuste na rela&ccedil;&atilde;o entre nativos e estrangeiros frente a determinadas quest&otilde;es. No m&iacute;nimo, introduzir na paisagem - aparentemente indivisa - &aacute;reas de criat&oacute;rio que, no quintal, reorganizam seus limites. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o aos animais, Frei Vicente do Salvador tratou de citar as esp&eacute;cies criadas, certamente nos quintais, para abastecimento do lar: "Al&eacute;m das aves que se criam em casa: galinhas, patos, pombos e perus, h&aacute; no Brasil muitas galinhas bravas e umas aves chamadas jacus, que na fei&ccedil;&atilde;o e grandeza s&atilde;o todas como perus"<a name="62b"></a><a href="#62a"><sup>62</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo os quintais das primeiras vilas portuguesas deveriam passar a abrigar uma diversidade maior de esp&eacute;cies, n&atilde;o apenas aclimatando as trazidas do exterior, mas acolhendo as nativas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um bom exemplo &eacute; a capivara: "Outros h&aacute; o que chamam capiguaras, que quer dizer comedores de erva: andam sempre na &aacute;gua, tirado quando saem a pascer pelos vales e margens dos rios, e alguns tomam e criam em casa fora da &aacute;gua, pelo que se julgam por carne e n&atilde;o por pescado"<a name="63b"></a><a href="#63a"><sup>63</sup></a>. Percebe-se a incorpora&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies nativas no cen&aacute;rio dom&eacute;stico, o que implica no trato diferenciado n&atilde;o apenas da cria&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o eram porcos, mas tamb&eacute;m na forma de consumi-las, pois n&atilde;o demonstravam ter convic&ccedil;&atilde;o se era "carne" ou "pescado" (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig17.jpg">Figura 17</a>). Fern&atilde;o Cardim as denomina Capijuara: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Destes porcos d'&aacute;gua ha muitos e s&atilde;o do mesmo tamanho dos porcos, mas differem nas fei&ccedil;&otilde;es; no c&eacute;o da bocca t&ecirc;m pedra muito grossa que lhes serve de dentes queixaes. Esta tem os &Iacute;ndios por j&oacute;ia para os filhos e filhas; n&atilde;o t&ecirc;m rabo, and&atilde;o muito tempo debaixo d'&aacute;gua, por&eacute;m habitam na terra, e nella cri&atilde;o seus filhos; seu comer he ervas e fructas que ao longo dos rios ach&atilde;o<a name="64b"></a><a href="#64a"><sup>64</sup></a>.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas proximidades da vila de Olinda, h&aacute; refer&ecirc;ncia ao rio das Capivaras -provavelmente foi assim denominado pelos nativos -,que originou o nome do rio que hoje &eacute; conhecido como Capibaribe. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m o tatu foi citado por Cardim como animal dom&eacute;stico: "A carne parece de gallinha, ou leit&atilde;o, muito gostosa, das pelles fazem bolsa, e s&atilde;o muito galantes, e de dura; fazem-se domesticos e cri&atilde;o-se em casa"<a name="65b"></a><a href="#65a"><sup>65</sup></a>. Ele denuncia a dificuldade de o capturarem, destacando sua habilidade em cavar buracos (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig18.jpg">Figura 18</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gabriel Soares de Sousa, quando se refere aos animais do Brasil, destaca a anta como dom&eacute;stica. "Se tomam estas antas pequenas, criam-se em casa, onde se fazem muito dom&eacute;sticas, e t&atilde;o mansas que comem as espinhas, os ossos, com os cachorros e gatos de mistura; e brincam todos juntos"<a name="66b"></a><a href="#66a"><sup>66</sup></a>. Dentre as utilidades, ele revela que o animal tem boa carne e a pele faz boa coura&ccedil;a. E que os ossos, quando queimados, possuem propriedades terap&ecirc;uticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certamente o que fez os portugueses passar a consumir e criar determinados animais "ex&oacute;ticos" foi a influ&ecirc;ncia do card&aacute;pio ind&iacute;gena, logicamente motivada pela necessidade, mas alcan&ccedil;ada principalmente pela capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda hoje, h&aacute; muitas esp&eacute;cies vegetais que foram descritas pelos relatos dos viajantes como relacionadas &agrave; subsist&ecirc;ncia da col&ocirc;nia e cultivadas no quintal, cuja fun&ccedil;&atilde;o era compartilhada com as cercas e ro&ccedil;as. Pode-se supor que n&atilde;o provinham unicamente da colheita no campo e nem seu fornecimento era irregular, mas fazia-se seu cultivo em escalas diferenciadas, portanto, possivelmente tamb&eacute;m nos quintais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao observarmos as descri&ccedil;&otilde;es de Frei Vicente de Salvador e Fern&atilde;o Cardim, por exemplo, percebemos que a rela&ccedil;&atilde;o dos colonizadores com os frutos da terra n&atilde;o se restringiu apenas &agrave; admira&ccedil;&atilde;o. Experimentaram-nos e aprenderam suas propriedades, acrescentando-os &agrave;s esp&eacute;cies de consumo cotidiano. Al&eacute;m de alimento, eram recorrentemente citados por suas versatilidades funcionais, servindo tamb&eacute;m, al&eacute;m de rem&eacute;dio, para constru&ccedil;&atilde;o e como mat&eacute;ria-prima para utens&iacute;lios dom&eacute;sticos, industriais e de transporte. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do universo vegetal, podemos discorrer sobre algumas esp&eacute;cies que se destacaram por sua inser&ccedil;&atilde;o na vida colonial, dentre elas a mandioca, extensamente citada nos discursos dos s&eacute;culos XVI e XVII como principal alimento do Novo Mundo portugu&ecirc;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mandioca &eacute; tamb&eacute;m um dos temas da gravura holandesa denominada <i>Pernambuco</i> (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig19.jpg">Figura 19</a>). Nesta imagem est&aacute; reportada a base da economia agroexportadora e da subsist&ecirc;ncia da col&ocirc;nia: a produ&ccedil;&atilde;o, em suas etapas, do a&ccedil;&uacute;car e da farinha mandioca. Esta &uacute;ltima consistiu, por longo per&iacute;odo, uma das principais fontes aliment&iacute;cias da col&ocirc;nia, sendo considerada por muitos o p&atilde;o da terra. Nessa mesma gravura est&atilde;o representados produtos de consumo local, como palmeiras (lado esquerdo), <i>Annanas</i> e <i>Bataten </i>(os desenhos destes &uacute;ltimos, assim denominados). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante o per&iacute;odo de ocupa&ccedil;&atilde;o de Pernambuco, os holandeses come&ccedil;aram a dar import&acirc;ncia &agrave; cultura da mandioca, pois constitu&iacute;a um dos principais g&ecirc;neros aliment&iacute;cios da popula&ccedil;&atilde;o e, mais tarde, deles pr&oacute;prios. Na expedi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de Nassau, Piso e Marcgrave estudaram minuciosamente a esp&eacute;cie, particularizando-a, analisando sua produ&ccedil;&atilde;o e virtudes medicinais. Em edital de 15 de abril de 1640, os holandeses chegaram a impor seu cultivo, ficando todos os moradores obrigados a plantar trezentas covas de mandioca por cada pe&ccedil;a de trabalho (negro ou negra) que tivessem na propriedade<a name="67b"></a><a href="#67a"><sup>67</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O plantio da mandioca era feito em "ro&ccedil;as". Segundo Barl&eacute;u, "os portugueses chamam 'ro&ccedil;a" aos campos que a d&atilde;o, e aos agricultores designam com o nome de "lavradores" e de "roceiros"<a name="68b"></a><a href="#68a"><sup>68</sup></a>. Ao que parece, a ro&ccedil;a tem antepassado ind&iacute;gena, sendo herdeira da mandiotuba<a name="69b"></a><a href="#69a"><sup>69</sup></a>, que seria a planta&ccedil;&atilde;o de mandioca, geralmente em uma &aacute;rea mais afastada da aldeia. Desde o in&iacute;cio da Vila, tal tipo de cultivo foi trazido para os arredores do n&uacute;cleo urbano. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na <i>Carta Foral</i> l&ecirc;-se: "E as reboleiras de matos para ro&ccedil;as a quem o concelho as arrendar"; e, mais adiante, "at&eacute; onde faz um esteiro que est&aacute; detr&aacute;s da ro&ccedil;a de Bras Pires, conjunta com outra de Rodrigues Alvares"<a name="70b"></a><a href="#70a"><sup>70</sup></a>, fazendo cita&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de alguns propriet&aacute;rios de ro&ccedil;as. H&aacute; a possibilidade de ter a mandioca sido cultivada, em menor escala tamb&eacute;m nos quintais - ainda hoje &eacute; costume em algumas cidades interioranas -, onde os moradores t&ecirc;m pequenas planta&ccedil;&otilde;es. Pereira da Costa refor&ccedil;a a import&acirc;ncia desse cultivo que se estende ao longo do tempo. Ele cita: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Bando do governador Jos&eacute; C&eacute;sar de Menezes, ordenando aos corregedores da comarca e c&acirc;maras respectivamente, que &agrave; vista da redu&ccedil;&atilde;o e decad&ecirc;ncia da cultura da mandioca, e de conformidade com a ordem r&eacute;gia de 27 de fevereiro de 1701, promovessem e ativassem a cultura desse importante g&ecirc;nero de primeira necessidade a alimenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica<a name="71b"></a><a href="#71a"><sup>71</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelo pr&oacute;prio nome, que a define como util&iacute;ssima, a <i>Manihot util&iacute;ssima </i>entra definitivamente no card&aacute;pio brasileiro. Segundo C&acirc;mara Cascudo, "A farinha &#91;de mandioca&#93; &eacute; o primeiro conduto alimentar brasileiro pela extens&atilde;o e continuidade nacional, com o beiju e a carim&atilde; consolidam a prestigiosa presen&ccedil;a da mandioca"<a name="72b"></a><a href="#72a"><sup>72</sup></a>. Dos produtos derivados da sua farinha e ainda presentes at&eacute; hoje na cultura brasileira, poder&iacute;amos ainda citar a tapioca, a manicueira, o molho tucupi e a manisaua (mani&ccedil;oba). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As palm&aacute;ceas s&atilde;o outra esp&eacute;cie recorrente nas imagens e relatos sobre as paisagens urbanas coloniais. Aparecem representadas em v&aacute;rias imagens da Vila de Olinda, em especial nas vistas. Tamb&eacute;m comp&otilde;em o livro do Frei Christov&atilde;o de Lisboa (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig20.jpg">Figura 20</a>), onde a inaj&aacute; (esp&eacute;cie de palmeira) aparece com o nome de "<i>Inaya"</i>, com o seguinte coment&aacute;rio: "deste palmo saem os melhores palmitos"<a name="73b"></a><a href="#73a"><sup>73</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Frei Vicente do Salvador, "H&aacute; muitas castas de palmeiras, de que se comem palmitos e o fruto, que s&atilde;o uns cachos de cocos, e se faz deles azeite para comer e para candeia, e das palmas se cobrem as casas"<a name="74b"></a><a href="#74a"><sup>74</sup></a>. Logo se percebe que as palm&aacute;ceas foram incorporadas na vida da col&ocirc;nia de v&aacute;rias formas. As mais destacadas s&atilde;o para cobertura das primeiras casas, ao modo ind&iacute;gena, que tamb&eacute;m as utilizavam para constru&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Geralmente eram materiais para constru&ccedil;&otilde;es de natureza ef&ecirc;mera - por exemplo, para cobrir estruturas de menor import&acirc;ncia, como os anexos das edifica&ccedil;&otilde;es - pois, devido ao pr&oacute;prio desgaste, precisam ser renovadas periodicamente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eram esp&eacute;cies que tamb&eacute;m se cultivavam nos quintais, como relata Gabriel Soares de Sousa acerca da Bahia: "&#91;As&#93; casas de moradores com <i>seus quintais, os quais est&atilde;o povoados de palmeiras</i> carregadas de cocos e outras de t&acirc;maras, e de laranjeiras e outras &aacute;rvores de espinho, figueiras, romeiras e parreiras"<a name="75b"></a><a href="#75a"><sup>75</sup></a>. E mais adiante, ao se referir a paisagem da Bahia, destaca com precis&atilde;o as esp&eacute;cies plantadas nos quintais: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A vista desta cidade &eacute; mui apraz&iacute;vel ao longe, por estarem as casas com os <i>quintais</i> cheios de &aacute;rvores, a saber: de <i>palmeiras</i>,  que aparecem por cima dos telhados; e de laranjeiras, que todo o ano est&atilde;o carregadas de laranjas, cuja vista de longe &eacute; mui alegre, especialmente do mar, por a cidade se estender muito ao longo dele, neste alto<a name="76b"></a><a href="#76a"><sup>76</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As palm&aacute;ceas eram utilizadas n&atilde;o s&oacute; como alimento, substituindo o azeite portugu&ecirc;s, mas tamb&eacute;m como combust&iacute;vel para o candeeiro e suas folhas para a ornamenta&ccedil;&atilde;o das ruas em dias de prociss&atilde;o ou outras festividades religiosas e p&uacute;blicas, "o que primeiro se fez foi uma prociss&atilde;o logo pela manh&atilde;, estando <i>ornadas de palmeiras as ruas</i>"<a name="77b"></a><a href="#77a"><sup>77</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos destacar v&aacute;rias frutas ex&oacute;ticas aos portugueses, mas muito apreciadas aqui e incorporadas ao card&aacute;pio lusitano, como &eacute; o caso do caju (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig21.jpg">Figura 21</a>). Fern&atilde;o Cardim descreve o cajueiro com o nome de Acaju e destaca as infinitas formas de se aproveitar dele: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A castanha he t&atilde;o boa, e melhor que as de Portugal; comem-se assadas, e cruas deitadas em &aacute;gua como am&ecirc;ndoas piladas, e dellas fazem ma&ccedil;ap&atilde;es, e bocados doces com amendoas. A madeira desta &aacute;rvore serve pouco ainda para o fogo, deita de si goma boa para pintar, e escrever em muita abund&atilde;ncia. Com a casca tingem o fiado, e as cuias que lhe servem de panellas. Esta pizada e cozida com algum cobre at&eacute; se rasgar a ter&ccedil;a d'agua, he &uacute;nico rem&eacute;dio para chagas velhas e s&aacute;r&atilde;o depressa &#91;...&#93; Destes acajus fazem os &iacute;ndios vinho<a name="78b"></a><a href="#78a"><sup>78</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra fruta muito apreciada pelos portugueses era o maracuj&aacute; (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig22.jpg">Figura 22</a>). Sobre a disposi&ccedil;&atilde;o deste cultivo nos quintais da Bahia, Gabriel Soares de Sousa comenta: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Dos maracuj&aacute;s, que &eacute; uma rama como hera e tem a folha da mesma fei&ccedil;&atilde;o, a qual atrepa pelas &aacute;rvores e as cobre todas, do que se fazem <i>nos quintais</i> ramadas muito frescas, porque duram sem se secar, muitos anos. A folha da erva &eacute; muito fria e boa para desafogar, pondo-se em cima de qualquer nascida ou chaga e tem outras muitas virtudes; e d&aacute; uma flor branca muito formosa e grande que cheira muito bem, de onde nascem umas frutas como laranjas pequenas, &#91;...&#93; e tudo o que tem dentro se come, que al&eacute;m de ter bom cheiro tem suave sabor<a name="79b"></a><a href="#79a"><sup>79</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tempos depois, Aires do Casal cita v&aacute;rias outras esp&eacute;cies nativas incorporadas &agrave; paisagem urbana colonial, dentre elas, o umbuzeiro, o juazeiro, a jabuticabeira, a mangabeira, o jenipapeiro, o murici, o urucu, a barriguda, as caneleiras, o pau-brasil, o mangue, o pequi, a pinda&iacute;ba, o vinh&aacute;tico etc., muitas delas presentes nos quintais at&eacute; os dias atuais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As referencias sobre as esp&eacute;cies nativas geralmente vinham acompanhadas da descoberta de alguma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Alguns m&eacute;dicos, tempos mais tarde, n&atilde;o s&oacute; acreditavam como receitavam esses rem&eacute;dios, como era o caso do Dr. Joaquim Serpa, em Olinda, que veremos adiante. O cuidado com enfermos podia estender-se ao cultivo, no quintal, de determinadas ervas medicinais. No primeiro momento foram os padres que fizeram &agrave;s vezes de m&eacute;dico, combatendo os curandeiros ind&iacute;genas e suas pr&aacute;ticas. Frei Vicente do Salvador explica: "As &#91;folhas&#93; de jurubeba saram as chagas, e as ra&iacute;zes s&atilde;o contrape&ccedil;onha. A caroba sara das boubas; o cip&oacute; das c&acirc;meras. <i>Enfim n&atilde;o h&aacute; enfermidade contra a qual n&atilde;o haja ervas em esta terra, nem os &iacute;ndios naturais dela t&ecirc;m outra botica ou usam de outras medicinas</i><a name="80b"></a><a href="#80a"><sup>80</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; Gabriel Soares de Sousa, em seu <i>Tratado</i>, de 1587, tamb&eacute;m &eacute; enf&aacute;tico quando se refere &agrave;s propriedades terap&ecirc;uticas de algumas esp&eacute;cies, citando, dentre elas, cabure&iacute;ba, emba&iacute;ba, copa&iacute;ba, caraobu&ccedil;u, caraobamirim, ubiracica<a name="81b"></a><a href="#81a"><sup>81</sup></a>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os religiosos, combatendo as pr&aacute;ticas m&iacute;sticas dos &iacute;ndios, foram conhecendo as esp&eacute;cies nativas, principalmente seu car&aacute;ter medicinal. Pela dist&acirc;ncia do Reino, o custo de trazer mantimentos e o gosto pela aventura, os portugueses come&ccedil;am a descobrir infinitas possibilidades de uso da vegeta&ccedil;&atilde;o local. Os pr&oacute;prios religiosos, pela car&ecirc;ncia de &oacute;leo da P&eacute;rsia, come&ccedil;am a utilizar o &oacute;leo de cabore&iacute;ba, que &eacute; reconhecido pelo Papa. "Outras &aacute;rvores h&aacute; chamadas cabore&iacute;bas, que d&atilde;o o suav&iacute;ssimo b&aacute;lsamo com que se fazem as mesmas curas, e o Sumo Pont&iacute;fice o tem declarado com mat&eacute;ria leg&iacute;tima da santa un&ccedil;&atilde;o e crisma, e como tal se mistura e sagra com os santos &oacute;leos onde falta o da P&eacute;rsia."<a name="82b"></a><a href="#82a"><sup>82</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cultivo de determinadas esp&eacute;cies nativas para fins medicinais foi introduzido nos quintais coloniais. As mesinhas, t&atilde;o comuns nos discursos do s&eacute;culo XVI, deixam transparecer a facilidade de acesso, desde os primeiros anos, a essas ervas. Por outro lado, no Brasil, muitas dessas esp&eacute;cies s&atilde;o adicionadas ao repert&oacute;rio j&aacute; conhecido e utilizado pelos portugueses no quintal, como &eacute; o caso da erva-santa (tabaco). "Petume &eacute; a erva a que em Portugal chamam santa; onde h&aacute; muitas delas pelas hortas e <i>quintais</i>, pelas grandes mostras que tem dado da sua virtude, com a qual se tem feito curas estranhas"<a name="83b"></a><a href="#83a"><sup>83</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poder&iacute;amos supor ser natural a manuten&ccedil;&atilde;o do cultivo dom&eacute;stico de plantas de utiliza&ccedil;&atilde;o tradicional, e ele ocorreu, com efeito, para as que permitiram aclimata&ccedil;&atilde;o. No entanto, &eacute; surpreendente sua conviv&ecirc;ncia com as nativas, modificando ambientes e costumes. Em alguns momentos, houve dupla denomina&ccedil;&atilde;o para a mesma esp&eacute;cie: um nome portugu&ecirc;s e outro ind&iacute;gena<a name="84b"></a><a href="#84a"><sup>84</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Boa parte dos cronistas do s&eacute;culo XVI - dentre eles Gabriel Soares de Sousa, Frei Cardim e Frei Vicente do Salvador - descrevem minuciosamente a utiliza&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies aut&oacute;ctones rec&eacute;m-adquiridas dos ind&iacute;genas. Essa pr&aacute;tica foi incorporada &agrave; cultura de tal modo que, mais tarde, no s&eacute;culo XIX, os pr&oacute;prios m&eacute;dicos se valiam desses preparados para tratamento dos doentes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um bom exemplo disso &eacute; Joaquim Jer&ocirc;nimo Serpa. Nascido no Recife, em 1773, cursou medicina na Escola de Cirurgia do Hospital Real de S&atilde;o Jos&eacute;, em Lisboa, e regressou ao Brasil como cirurgi&atilde;o-mor do Regimento de Artilharia de Olinda. Foi diretor do Hospital de S&atilde;o Bento em 1814 e, em 1829, ao afastar-se do hospital, deixa seu <i>Receitu&aacute;rio</i> para o precioso acervo beneditino. Nele est&atilde;o impressas todas as receitas m&eacute;dicas produzidas no per&iacute;odo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua dedica&ccedil;&atilde;o aos estudos da flora, Serpa foi nomeado, em 1834, ap&oacute;s concurso, diretor do Jardim Bot&acirc;nico de Olinda<a name="85b"></a><a href="#85a"><sup>85</sup></a>, lugar onde lecionou a cadeira de Agricultura e Bot&acirc;nica, e morou at&eacute; falecer em 1842. O Jardim Bot&acirc;nico, tamb&eacute;m chamado de Horto de Olinda<a name="86b"></a><a href="#86a"><sup>86</sup></a>, foi constru&iacute;do a partir dos fundos dos quintais das casas da rua Nova, aproveitando-se da &aacute;rea e da vegeta&ccedil;&atilde;o j&aacute; existente. No trabalho do diretor Serpa, interessa-nos a rela&ccedil;&atilde;o que o m&eacute;dico fez entre a pr&aacute;tica da cura e o conhecimento das esp&eacute;cies vegetais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>Receitu&aacute;rio</i> &#91;<i>Formul&aacute;rio</i>&#93; de Joaquim Serpa indica o quanto de inspira&ccedil;&atilde;o nativista permeava seu of&iacute;cio, incluindo em suas receitas muitas esp&eacute;cies utilizadas pelos ind&iacute;genas e outras que acreditava ter propriedades medicinais. Para Joaquim Serpa, a <i>Ipecacuanha</i>, por exemplo, tinha aplica&ccedil;&atilde;o para quase todos os males. Na receita n&uacute;mero 8, de 1823, o m&eacute;dico prescreve "P.a Feciciana e Cypriana. R. e Ipecacuanha em p&oacute; oitava huma: infunda em &aacute;gua fervente q.do baste, coado com forte express&atilde;o, marq.e em duas por&ccedil;&otilde;ez. Por este d&ecirc; outro. $120"<a name="87b"></a><a href="#87a"><sup>87</sup></a>. Para o historiador Schmalz, que estudou o <i>Receitu&aacute;rio </i>&#91;<i>Formul&aacute;rio</i>&#93;: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Esta raiz medicinal &eacute; largamente empregada na farmacop&eacute;dia olindense. Durante tr&ecirc;s s&eacute;culos da difus&atilde;o da flora medicinal no Brasil, constituiu ipecacuanha o rem&eacute;dio universal e gozava aplica&ccedil;&atilde;o preferencial em muitas doen&ccedil;as. A ipecacuanha era conhecida e utilizada pelo abor&iacute;genes para diversos fins medicinais<a name="88b"></a><a href="#88a"><sup>88</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na receita para Alexandrina (n&uacute;mero 30, ano 1825), l&ecirc;-se: "R.e Folhas de carobinha, fumaria e flor de violo adorata an&aacute; meia on&ccedil;a: fa&ccedil;a cosim. to q. e fique em libra huma: coado marq.e em seiz por&ccedil;&otilde;ez"<a name="89b"></a><a href="#89a"><sup>89</sup></a>. Aqui observamos a utiliza&ccedil;&atilde;o de folhas de caroba, esp&eacute;cie nativa, indicada em linguagem coloquial, pois j&aacute; deveria ser muito conhecida da popula&ccedil;&atilde;o de Olinda. Al&eacute;m da f&oacute;rmula, ele trata do modo de fazer o medicamento, ou seja, seu procedimento culin&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns rem&eacute;dios, como o citado, deveriam ser elaborados a partir de esp&eacute;cies plantadas e colhidas junto &agrave; casa, por moradores que tinham conhecimento de suas virtudes medicinais. E faziam um caminho comum, indo do quintal para a panela da cozinha, e da cozinha para o enfermo. Tal pr&aacute;tica, provavelmente muito adotada desde os primeiros anos do per&iacute;odo colonial, permanece at&eacute; os dias atuais em algumas localidades, principalmente em cidades de interior onde o acesso a produtos industriais &eacute; menor e a influ&ecirc;ncia dos antigos costumes se mant&eacute;m. Em Olinda, mesmo nos quintais atuais, podemos observar &aacute;reas reservadas para esse fim. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Continuando com o <i>Receitu&aacute;rio</i> &#91;<i>Formul&aacute;rio</i>&#93;, mais adiante aparecem certas curiosidades, como na receita n&uacute;mero 11, de 1823: "P.a Fillippa. R. e Olhoz de carangueijoz e marfim pp: an&aacute; oitavaz trez, extracto de &oacute;pio duro, gr&atilde;oz seiz, nitro purificado oitavaz duas: tudo em p&oacute; se m.e divida em d&eacute;zeseis por&ccedil;&otilde;es iguaiz. 22 de 8 br.o de 1823 Serpa J. J."<a name="90b"></a><a href="#90a"><sup>90</sup></a>. Segundo Schmalz, o <i>marfim pp.</i> &eacute; uma &aacute;rvore, da fam&iacute;lia das palmeiras, que produz um coco grande com uma subst&acirc;ncia l&iacute;quida e transparente, usada como refrigerante. Atrav&eacute;s das receitas, Serpa indica propriedades terap&ecirc;uticas n&atilde;o apenas relacionadas &agrave;s plantas, mas tamb&eacute;m aos animais aut&oacute;ctones, deixando transparecer uma grande dose de empirismo em suas a&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma podem-se imaginar os procedimentos m&eacute;dicos na col&ocirc;nia portuguesa do s&eacute;culo XVI. Em carta do padre Jesu&iacute;ta Ruy Pereira, da Bahia, aos irm&atilde;os da Companhia da Prov&iacute;ncia de Portugal, em 1560, ele relata os procedimentos de cura da &eacute;poca: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>E era cousa pera haver piadade v&ecirc;l-os morrer sem lhes poder dar rem&eacute;dio, porque, posto que trabalhamos todo o poss&iacute;vel com sangrias, com mandar pedir muitas laranjas a quem sab&iacute;amos que as tinha, e assucar por esses engenhos e posto que nos provinham de tudo com muita caridade, todavia as doen&ccedil;as iam por diante, e tomava-os t&atilde;o rijos com pontadas e dores, que posto que fosse um mancebo mui robusto, em 4 ou 8 dias lhe tirava a vida<a name="91b"></a><a href="#91a"><sup>91</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se que o "m&eacute;dico" da &eacute;poca era o religioso, que trazia da metr&oacute;pole suas pr&aacute;ticas de cura, como as sangrias e frutas estrangeiras, por&eacute;m sem grandes resultados para as doen&ccedil;as que acometiam a popula&ccedil;&atilde;o colonial. Na primeira noite depois da invas&atilde;o holandesa, Baers comenta: "Ainda nesta mesma noite provamos e saboreamos, com gratid&atilde;o e prazer, as frutas da terra, como laranjas e lim&otilde;es, para regalo nosso e al&iacute;vio dos nossos doentes"<a name="92b"></a><a href="#92a"><sup>92</sup></a>. Ele se refere a essas esp&eacute;cies como se fossem nativas, revelando o modo como estavam aclimatadas. No entanto, estariam mais relacionadas ao costume e &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o portuguesa e, portanto, foram plantadas em abund&acirc;ncia nos quintais, como &eacute; o caso de laranjeiras, limoeiros, e outros arbustos de frutos c&iacute;tricos, tamb&eacute;m conhecidos como &aacute;rvores de espinhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora ainda n&atilde;o se possa quantificar nem qualificar com precis&atilde;o a contribui&ccedil;&atilde;o dos quintais e cercas conventuais - &aacute;reas urbanas cultivadas - para o abastecimento alimentar, sabemos que eram importantes aliados na subsist&ecirc;ncia da col&ocirc;nia. Como antes citado pelo jesu&iacute;ta, "Tem muitos legumes e fructas em seu pomar, especialmente a que chamam de bananas, que duram todo o anno <i>e s&atilde;o grande ajuda para a sustenta&ccedil;&atilde;o desta casa</i>"<a name="93b"></a><a href="#93a"><sup>93</sup></a>, ou seja, o cultivo junto &agrave;s moradias era significativo e, embora n&atilde;o fosse o &uacute;nico meio de abastecimento, fazia parte da estrutura. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os quintais por suas perman&ecirc;ncias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o poder&aacute; ter a sua perman&ecirc;ncia como espa&ccedil;o servido para assegurar tamb&eacute;m a perman&ecirc;ncia de usos? Ao recorrermos &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o, podemos, por exemplo, valer-nos da mem&oacute;ria dos quintais portugueses. Ao percorrer a obra Arquitetura Popular em Portugal (1955-1960), embora v&aacute; al&eacute;m do recorte temporal desta investiga&ccedil;&atilde;o, podemos observar as rela&ccedil;&otilde;es entre &aacute;rea edificada, n&atilde;o edificada (quintal) e seus limites (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig23-24.jpg">Figuras 23</a> e <a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig23-24.jpg">24</a>), em exemplares do Ribatejo: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>N&atilde;o h&aacute; avareza no terreno que &eacute; f&aacute;cil e vasto. <i>As casas chegam-se &agrave; rua e deixam para tr&aacute;s o quintal &#91;...&#93; nos quintais cultivam pequenas hortas que amparam o sustento da fam&iacute;lia.</i> Nos n&uacute;cleos compactos o limite da casa para a rua passa-se num plano definido, onde as aberturas aparecem como acidentes. A superf&iacute;cie fechada domina<a name="94b"></a><a href="#94a"><sup>94</sup></a>.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os arquitetos Nuno Teot&ocirc;nio Pereira, Ant&oacute;nio Pinto de Freitas e Francisco da Silva Dias - respons&aacute;veis pelo levantamento das edifica&ccedil;&otilde;es nas prov&iacute;ncias da Estremadura, Ribatejo e parte da Beira Litoral - fazem o seguinte relato:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>A casa isola-se da rua. Pode galg&aacute;-la e viver sobre ela, mas mantem-se sempre fechada - <i>toda a actividade se passa no interior, no quintal,</i> abrigado por trepadeiras ou latadas, verdadeiro prolongamento da habita&ccedil;&atilde;o, desarrumado, confuso de planos, de escadas e anexos, atafulhado de vasos e gaiolas, entre as casas, ou roubado &agrave; rua pelo muro que nos aparece a&iacute; verdadeiramente integrado na sua fun&ccedil;&atilde;o de elemento de arranjo urbano. O dia a dia em rela&ccedil;&atilde;o ao quarteir&atilde;o, um movimento centr&iacute;pedo. &Eacute; que as popula&ccedil;&otilde;es do sul gostam do ar livre, <i>s&oacute; vivem ou trabalham em casa quando n&atilde;o podem o fazer no quintal.</i> &#91;...&#93; e ao mesmo tempo apreciam a intimidade que a rua lhes nega. As janelas da frente abrem-se em dias de festa<a name="95b"></a><a href="#95a"><sup>95</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na atualidade, buscando os quintais remanescentes em Olinda, podemos observar elementos e modos acima citados no quintal da casa n. 94, na rua do Amparo, entre eles, por exemplo, a espontaneidade e "desordem" na apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig25.jpg">Figura 25</a>). Mas, al&eacute;m da disposi&ccedil;&atilde;o dos equipamentos, constatamos que os moradores conservam a&iacute; fun&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; subsist&ecirc;ncia. Identificamos ainda: a &aacute;gua guardada num reservat&oacute;rio; os utens&iacute;lios do lar afixados na parede e distribu&iacute;dos conforme o uso; o varal para as roupas; gaiola; as plantas medicinais; e a constru&ccedil;&atilde;o de anexos, como dep&oacute;sitos, cozinha etc. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de sua aparente desorganiza&ccedil;&atilde;o e de algumas atividades estarem sobrepostas, podemos destacar espa&ccedil;os para fins espec&iacute;ficos e delimitados, como a &aacute;rea reservada &agrave; pequena horta. Algumas dessas caracter&iacute;sticas fazem alus&atilde;o ao per&iacute;odo em que os quintais constitu&iacute;am um precioso suporte ao abastecimento alimentar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro exemplo, dentre as casas pesquisadas, &eacute; a de n. 358, da rua de S&atilde;o Jo&atilde;o, situada ao lado da Igreja de S&atilde;o Jo&atilde;o, uma das mais antigas da cidade, e em frente &agrave; Igreja do Amparo (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig26.jpg">Figura 26</a>). A casa de morada inteira tem a fachada principal rebocada, caiada, com beiral alinhado, portas e janelas de madeira com vergas retas, ombreiras, peitoril e soleira de pedra. Nas janelas h&aacute; conversadeiras, tamb&eacute;m de pedra. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tratamento da fachada posterior &eacute; mais desleixado, parecendo que ela se molda &agrave; necessidade interna, sem se preocupar com regras de composi&ccedil;&atilde;o e apar&ecirc;ncia. As paredes n&atilde;o est&atilde;o rebocadas; as janelas e a porta - com vergas, ombreiras e peitoril de madeira - est&atilde;o desalinhadas. A casa &eacute;, em sua maior parte, constru&iacute;da de tijolos e madeira. Embora esteja mal conservada, mant&eacute;m em sua estrutura caracter&iacute;sticas originais. Mesmo as paredes internas das alcovas, que ru&iacute;ram, mantiveram no piso seu testemunho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale salientar que at&eacute; hoje, os moradores fizeram relativamente poucas altera&ccedil;&otilde;es de uso na concep&ccedil;&atilde;o da antiga casa. Sala da frente para receber, alcovas para dormir, e sala dos fundos para comer e cozinhar. O acr&eacute;scimo foi o banheiro e a pia na sala de jantar, que com certeza n&atilde;o &eacute; original (<a href="#fig27">Figura 27</a>). </font></p>     <p><a name="fig27"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig27.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O piso da casa est&aacute; situado numa cota bem mais alta que a do piso do quintal, havendo, portanto, uma escadaria para fazer a comunica&ccedil;&atilde;o com a &aacute;rea posterior. No quintal, o ch&atilde;o &eacute; de barro varrido, e a cobertura feita pelas copas das &aacute;rvores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Junto &agrave; escadaria est&aacute; uma &aacute;rea destinada para varal de roupas, esp&eacute;cies frut&iacute;feras e ornamentais, e o po&ccedil;o de &aacute;gua para o abastecimento da casa. Ao centro, em espa&ccedil;os delimitados, h&aacute; cria&ccedil;&atilde;o de coelhos e, ao fundo, uma vala por onde escorre a &aacute;gua servida em continuidade com a dos vizinhos, al&eacute;m de um monte de entulhos de antigas constru&ccedil;&otilde;es e o acesso secund&aacute;rio (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig28.jpg">Figura 28</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sala posterior ainda &eacute; a sala para alimenta&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, diretamente ligada ao quintal e &agrave; cozinha que, no per&iacute;odo colonial, poderia estar juntada &agrave; casa ou isolada no p&aacute;tio (quintal). O acesso &agrave; sala posterior era restrito a visitantes, principalmente a cozinha. Em meados do s&eacute;culo XIX, o curioso Vauthier adverte: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Quando as portas que d&atilde;o para o interior da casa se entreabrirem para deixar passar as negras apressadas que acorrem ao chamado do senhor, aproveitai a ocasi&atilde;o, se n&atilde;o receais ser indiscreto, para lan&ccedil;ar um olhar furtivo e essa parte dos aposentos, pois n&atilde;o conseguireis ver mais do que isso daquelas misteriosas profundidades, severamente fechadas ao olhar profano<a name="96b"></a><a href="#96a"><sup>96</sup></a>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave; experi&ecirc;ncia de Vauthier, soma-se a quest&atilde;o dos limites cerrados por cercas e muros, indicando n&atilde;o apenas a cozinha, mas tamb&eacute;m o quintal como lugar de acesso restrito. Em contraponto, a sala de visitas localiza-se junto &agrave; rua, onde o tratamento formal da fachada principal, com sua porta e janelas, participa da cerim&ocirc;nia de recep&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No mundo americano, durante os primeiros s&eacute;culos de coloniza&ccedil;&atilde;o, o espa&ccedil;o de sociabilidade, para a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o, se concentrava fora das paredes do domic&iacute;lio, fosse ele a rua ou a igreja, uma vez que os grandes momentos de intera&ccedil;&atilde;o social eram as festas religiosas comemoradas com prociss&otilde;es, missas e te-d&eacute;uns. &#91;...&#93; Nas janelas, tinha-se o cuidado de arrumar vasos de flores e mantilhas, numa intera&ccedil;&atilde;o maior ainda do que a habitual entre a casa e a rua<a name="97b"></a><a href="#97a"><sup>97</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O quintal, nesse momento, demonstra ser a ant&iacute;tese da rua e, portanto, da vida social, n&atilde;o apenas por sua localiza&ccedil;&atilde;o resguardada atr&aacute;s da casa, mas pelo pr&oacute;prio desprendimento no aspecto formal. N&atilde;o h&aacute;, no quintal, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a apar&ecirc;ncia, pois n&atilde;o tinha a finalidade de aparecer ao p&uacute;blico em geral. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos relatos da &eacute;poca, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a apar&ecirc;ncia p&uacute;blica &eacute; recorrente, evidenciada principalmente no vestu&aacute;rio de passeio e de festas, e na fachada principal, que passa durante muito tempo a deter a aten&ccedil;&atilde;o, inclusive das C&acirc;maras. "Por ocasi&atilde;o das festas religiosas &eacute; que se determinava aos moradores que capinassem e limpassem as ruas e tapassem os buracos e valos abertos pelas enxurradas, em frente &agrave;s suas casas, que por sua vez, deviam ser caiadas."<a name="98b"></a><a href="#98a"><sup>98</sup></a> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica - n&atilde;o apenas das ruas, das fachadas das casas, mas tamb&eacute;m, do vestu&aacute;rio -, Gilberto Freyre remarca uma certa contradi&ccedil;&atilde;o: "Mas toda essa opul&ecirc;ncia de roupa e criadagem a rua &agrave; custa de verdadeiro ascetismo dentro de casa. Esse brilho de vestu&aacute;rio &agrave; custa de verdadeira indig&ecirc;ncia na alimenta&ccedil;&atilde;o. Da falta absoluta de conforto dom&eacute;stico. Ou ent&atilde;o &agrave; custa de d&iacute;vidas"<a name="99b"></a><a href="#99a"><sup>99</sup></a>. Alguns viajantes chegam mesmo a afirmar que, quando em casa, era dif&iacute;cil reconhecer as senhoras que iam para a igreja no domingo, devido ao demasiado descaso que apresentavam &agrave; sua apar&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Segundo eles, n&atilde;o era raro encontrar homens de ceroulas, mulheres de camis&atilde;o e crian&ccedil;as nuas, mas, deste modo, nunca ultrapassavam os limites da esfera domiciliar. E mesmo na casa, n&atilde;o se entrava na sala de visitas assim, pois era o lugar de recep&ccedil;&atilde;o. Nesta composi&ccedil;&atilde;o, o quintal, espa&ccedil;o mais informal e recuado do acesso principal, passava a ser quase inacess&iacute;vel a visitas cerimoniosas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda hoje, &eacute; poss&iacute;vel perceber uma grande distin&ccedil;&atilde;o entre a vida p&uacute;blica e a dom&eacute;stica, muito embora as escalas e contextos sejam diferentes. Os espa&ccedil;os urbanos, principalmente os s&iacute;tios hist&oacute;ricos, refletem essa mudan&ccedil;a comportamental e as transforma&ccedil;&otilde;es ao longo do tempo, contendo, em suas rugas, vest&iacute;gios de uma trajet&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltemos &agrave; casa n. 358 da rua S&atilde;o Jo&atilde;o. J&aacute; referida, a casa &eacute; uma morada de fam&iacute;lia simples e acolhedora. &Eacute; uma das poucas de que h&aacute; registro fotogr&aacute;fico do quintal na Prefeitura, em 1999, quando houve o levantamento cadastral do s&iacute;tio hist&oacute;rico (<a href="#fig29">Figura 29</a>). Tal fato permite uma an&aacute;lise comparativa das mudan&ccedil;as ocorridas nesse espa&ccedil;o durante os 7 &uacute;ltimos anos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig29"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig29.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na foto de 1999, o quintal era mais rico, possu&iacute;a mais equipamentos e cria&ccedil;&atilde;o de animais mais diversificada. Na primeira imagem, podemos perceber patos e galinhas criados soltos. A &aacute;gua servida escorre pelo meio do quintal at&eacute; a vala ao fundo - isto permanece. Nota-se que o quintal n&atilde;o &eacute; apenas uma &aacute;rea de plantio: o ch&atilde;o, na maior parte, &eacute; de barro varrido, e essa limpeza expressa a ordem que o submete. Os espa&ccedil;os possuem fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, mas bem mais flex&iacute;veis e din&acirc;micas que a casa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta casa e a sucess&atilde;o das fotos mostram o empobrecimento da fam&iacute;lia que est&aacute; refletida, entre outras coisas, na diminui&ccedil;&atilde;o de sua mob&iacute;lia interna e da variedade de atividades no quintal. Na maior parte das casas visitadas, pode-se observar uma perda gradativa das atividades tradicionais que formavam o espa&ccedil;o, pela substitui&ccedil;&atilde;o, proporcionada pela vida moderna, por novas fontes de abastecimento e servi&ccedil;os. Outra quest&atilde;o importante &eacute; a diminui&ccedil;&atilde;o do interesse pela transmiss&atilde;o dos valores. Poucos moradores, e antigos, det&ecirc;m informa&ccedil;&otilde;es preciosas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies vegetais, que cada vez mais v&ecirc;m sendo perdidas na mem&oacute;ria de outros tempos. Esse panorama apresenta desafios para as estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o patrimonial. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os quintais de Olinda n&atilde;o podem ser compreendidos fora do contexto espacial e temporal em que foram concebidos, estando diretamente vinculados &agrave; proposta inicial da Vila. Proposta esta nascida da inten&ccedil;&atilde;o do donat&aacute;rio, mas, acima de tudo, de sua experi&ecirc;ncia acumulada, seja nas outras col&ocirc;nias portuguesas, seja em sua mem&oacute;ria urbana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o urbana surge ent&atilde;o condicionada por uma s&eacute;rie de quest&otilde;es que norteiam a apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio. Isso permite uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre a experi&ecirc;ncia urbana e as caracter&iacute;sticas do s&iacute;tio, expondo assim uma determinada racionalidade na a&ccedil;&atilde;o urbana. Particularidades quanto &agrave; declividade do terreno, aos cursos de &aacute;gua, &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o nativa complementam a proposta colonizadora, fazendo-se expl&iacute;cita na <i>Carta Foral</i> e no espa&ccedil;o urbano. Tais fatores repercutem no sistema defensivo, na circula&ccedil;&atilde;o, no com&eacute;rcio, no abastecimento de &aacute;gua e de produtos, no autoabastecimento, nas cren&ccedil;as, na apropria&ccedil;&atilde;o da natureza, e, logicamente, nos quintais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao confrontarmos as iconografias do s&eacute;culo XVI e XVII e a foto a&eacute;rea do sitio hist&oacute;rico podemos perceber que a cidade ainda guarda muitos tra&ccedil;os originais da antiga Vila (<a href="/img/revistas/anaismp/v20n1/a09fig30.jpg">Figura 30</a>), representados na perman&ecirc;ncia do tra&ccedil;ado, e tamb&eacute;m dos edif&iacute;cios religiosos, da &aacute;rea do antigo Horto del'Rey (atual S&iacute;tio do Manguinho), e, principalmente, dos quintais e cercas que ainda compreendem boa parte do territ&oacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos quintais atuais podemos perceber que ainda permanecem v&aacute;rias atividades descritas para o contexto colonial, como o cultivo de determinadas esp&eacute;cies vegetais e animais, a lavagem de roupas, o dep&oacute;sito entulho etc. Contudo, novas demandas colocadas pela vida moderna, como a necessidade de garagem, de amplia&ccedil;&atilde;o de c&ocirc;modos, por exemplo, t&ecirc;m retalhado os quintais e amea&ccedil;ado a continuidade de sua exist&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo da forma&ccedil;&atilde;o dos quintais nos permite, portanto, compreender a import&acirc;ncia desses espa&ccedil;os enquanto suporte de nossa mem&oacute;ria coletiva, enquanto abrigo de pr&aacute;ticas tradicionais, mantenedores da biodiversidade e de uma proposta eficiente de apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio. Cabe acrescentar que a investiga&ccedil;&atilde;o sobre a g&ecirc;nese dos quintais provoca uma reflex&atilde;o consistente sobre a experi&ecirc;ncia urbana brasileira. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BILIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALGRANTI, Leila Mezan. Fam&iacute;lias e vida dom&eacute;stica. In: SOUZA, Laura de Mello e (Org.). <i>Hist&oacute;ria da vida privada no Brasil: </i>cotidiano e vida privada na Am&eacute;rica Portuguesa, 1. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000278&pid=S0101-4714201200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ANDRADE, Am&eacute;lia Aguiar. <i>Horizontes urbanos medievais</i>. Lisboa: Horizonte, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000280&pid=S0101-4714201200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SINDICATO NACIONAL DOS ARQUITECTOS. <i>Arquitectura popular em Portugal</i>, 1. Lisboa: Gr&aacute;fica S&atilde;o Gon&ccedil;alo, 1961.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000282&pid=S0101-4714201200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BAERS, Jo&atilde;o. <i>Olinda Conquistada</i>.Trad.Alfredo de Carvalho; Org. Leonardo Dantas Silva. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000284&pid=S0101-4714201200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BARL&Eacute;U, Gaspar &#91;Caspar van Baerle&#93;. <i>Hist&oacute;ria dos fatos recentemente praticados durante oito anos no Brasil (1648)</i>. Pref. e notas M&aacute;rio G. Ferri. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000286&pid=S0101-4714201200010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BARREIROS, Maria Helena (Coord.). <i>Lisboa: conhecer, pensar, fazer cidade</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal de Lisboa - Departamento de Informa&ccedil;&atilde;o Urbana, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000288&pid=S0101-4714201200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLUTEAU, Raphael. <i>Vocabul&aacute;rio portuguez, e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico</i>... Coimbra: Real Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712. 10 v.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000290&pid=S0101-4714201200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOOGART, Ernst et al. <i>Viver e morrer no Brasil holand&ecirc;s</i>. Org. Marcos Galindo. Recife: Massangana, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000292&pid=S0101-4714201200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BUENO, Beatriz P. Siqueira.A iconografia dos engenheiros militares no s&eacute;culo XVIII: instrumentos de conhecimento e controlo do territ&oacute;rio. In: CARITA, H&eacute;lder;ARA&Uacute;JO, Renata (Coord.). <i>Colet&acirc;nea de estudos: </i>universo urban&iacute;stico portugu&ecirc;s 1415-1822. Lisboa: CNCDP, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000294&pid=S0101-4714201200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Decifrando mapas: sobre o conceito de "territ&oacute;rio" e suas vincula&ccedil;&otilde;es com a cartografia<i>. Anais do Museu Paulista</i>, S&atilde;o Paulo, v. 12, n. 1, p. 193-234, jan.-dez. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000296&pid=S0101-4714201200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CALADO, Frei Manuel. <i>O valoroso Lucideno e o triunfo da liberdade</i>, 1. 4 ed. Pref. Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello. Recife: Fundarpe-Diretoria de Assuntos Culturais, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000298&pid=S0101-4714201200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARDIM, Fern&atilde;o. <i>Tratados de terra e gente do Brasil.</i> &#91;Introdu&ccedil;&atilde;o de Rodolfo Garcia&#93;. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000300&pid=S0101-4714201200010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARITA, Helder. <i>Lisboa manuelina e a forma&ccedil;&atilde;o de modelos urban&iacute;sticos da &eacute;poca moderna (1495-1521). </i>Lisboa: Horizonte, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S0101-4714201200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASAL, Manuel Aires de. <i>Corografia bras&iacute;lica </i>ou rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-geogr&aacute;fica do Reino do Brasil &#91;pelo&#93; Pe. Manuel Aires de Casal.  Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S0101-4714201200010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASCUDO, Lu&iacute;s da C&acirc;mara. <i>Hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Global, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S0101-4714201200010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAVALCANTI, Vanildo Bezerra. <i>Olinda do Salvador do Mundo: biografia da cidade</i>. Recife: ASA, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000308&pid=S0101-4714201200010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COSTA, Francisco Augusto Pereira da. <i>Anais Pernambucanos,</i> 1, 2 e 6. Recife: Fundarpe-Diretoria de Assuntos Culturais, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000310&pid=S0101-4714201200010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>DENUNCIA&Ccedil;&Otilde;ES de Pernambuco, 1593-1595</i>. Primeira Visita&ccedil;&atilde;o do Santo Officio &aacute;s partes do Brasil. Pelo licenciado Heitor Furtado de Mendo&ccedil;a. Capell&atilde;o Fidalgo Del Rey nosso Senhor e do Seu Desembargo,Deputado do Santo Officio.S&atilde;o Paulo:Paulo Prado,1929 &#91;Lisboa,Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Cart&oacute;rio da Inquisi&ccedil;&atilde;o, C&oacute;dice 130&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000312&pid=S0101-4714201200010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FERREIRA, Aur&eacute;lio Buarque de Holanda. <i>Novo dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio da l&iacute;ngua portuguesa</i>. 2. ed rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000314&pid=S0101-4714201200010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FORTES, Manoel de Azevedo. <i>Tratado do modo o mais f&aacute;cil e o mais exacto de fazer as cartas geographicas</i>. Lisboa: Pascoal da Sylva, 1722.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000316&pid=S0101-4714201200010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>O engenheiro portuguez</i>: dividido em dous tratados... Lisboa Occidental: Manoel Fernandes da Costa, 1728-1729. 2v.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S0101-4714201200010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREYRE, Gilberto. Casa <i>grande &amp; senzala: </i>forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia sob o regime da economia patriarcal. 4. ed. S&atilde;o Paulo: Global, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000320&pid=S0101-4714201200010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GALINDO, Marcos; MENEZES, Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota. <i>Desenhos da terra. </i>Atlas Vingboons. Recife: Bandepe, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000322&pid=S0101-4714201200010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GINZBURG, Carlo. <i>Mitos e emblemas</i>: sinais, morfologia e hist&oacute;ria. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000324&pid=S0101-4714201200010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HORTO DE OLINDA. <i>Plano Diretor do Horto de Olinda</i>. Governo do Estado de Pernambuco-Fidem. Recife, set. 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000326&pid=S0101-4714201200010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LISBOA, Frei Christov&atilde;o de<i>. Historia dos animaes e arvores do/ Maranh&atilde;o. Pelo muito Reverendo Padre Fr. Chis/tov&atilde;o de Lisboa Calificador do Santo/ Officio, e fundador da custodia do/ Maranh&atilde;o da Recolec&ccedil;&atilde;o de/ Santo Antonio de/ Lisboa/.Anno/.</i> &#91;Escrita, presumivelmente, entre os anos de 1625 a 1631&#93; C&oacute;dice 1660. In: PROJETO RESGATE. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Cultura; Lisboa:Arquivo Hist&oacute;rico Ultramarino, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000328&pid=S0101-4714201200010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARX, Murillo. <i>Cidade no Brasil terra de quem?</i> S&atilde;o Paulo: Edusp; Nobel, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000330&pid=S0101-4714201200010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MELLO, Ant&ocirc;nio Gonsalves de. <i>Cartografia holandesa do Recife. </i>Estudo dos principais mapas da cidade, do per&iacute;odo 1631-1648. Recife: PHNG/Iphan/MEC, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000332&pid=S0101-4714201200010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MENEZES, Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota. <i>Olinda: </i>evolu&ccedil;&atilde;o urbana. In: CARITA, H&eacute;lder;ARA&Uacute;JO, Renata (Coord.). <i>Colet&acirc;nea de estudos: </i>universo urban&iacute;stico portugu&ecirc;s, 1415-1822. Lisboa: CNCDP, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000334&pid=S0101-4714201200010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NIEUHOF, Joan. <i>Memor&aacute;vel viagem mar&iacute;tima e terrestre ao Brasil</i>.Trad. Moacir N.Vasconcelos; introd. e notas Jos&eacute; Hon&oacute;rio Rodrigues. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1981 &#91;cf.edi&ccedil;&atilde;o holandesa de 1682&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000336&pid=S0101-4714201200010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NOVAIS, Fernando A. Condi&ccedil;&otilde;es da privacidade na col&ocirc;nia. In: SOUZA, Laura de Mello e (Org.). <i>Hist&oacute;ria da vida privada no Brasil: </i>cotidiano e vida privada na Am&eacute;rica Portuguesa, 1. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000338&pid=S0101-4714201200010000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PEIXOTO, Afr&acirc;nio (Org.).<i> Cartas Jesu&iacute;ticas 1.</i> Manoel da N&oacute;brega, Cartas do Brasil, 1549-1560. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1988a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000340&pid=S0101-4714201200010000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______ <i>Cartas Jesu&iacute;ticas 2. </i>Aspicuelta Navarro e outros, Cartas Avulsas, 1550-1568. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Edusp, 1988b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000342&pid=S0101-4714201200010000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>PROJETO Foral</i>. Relat&oacute;rio II. Olinda: Prefeitura de Olinda-Secretaria do Patrim&ocirc;nio, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000344&pid=S0101-4714201200010000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REIS FILHO, Nestor Goulart. <i>Evolu&ccedil;&atilde;o Urbana no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp, 1968.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000346&pid=S0101-4714201200010000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial</i>. S&atilde;o Paulo: Imprensa Oficial do Estado; Fapesp, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000348&pid=S0101-4714201200010000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>S&atilde;o Paulo: </i>vila, cidade, metr&oacute;pole. S&atilde;o Paulo:Takano, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000350&pid=S0101-4714201200010000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RYBCZYNSKY, Wiltold. <i>Casa: </i>pequena hist&oacute;ria de uma ideia. Rio de Janeiro: Record, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000352&pid=S0101-4714201200010000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SALVADOR, Frei Vicente do. <i>Hist&oacute;ria do Brasil 1500 - 1627</i>. 7ª Ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Ed. da Universidade de S&atilde;o Paulo, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000354&pid=S0101-4714201200010000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHMALZ, Alfredo Carlos. <i>Receitu&aacute;rio de Joaquim Jer&ocirc;nimo Serpa. </i>Hospital de S&atilde;o Bento de Olinda, 1823-1829. Recife:Arquivo P&uacute;blico Estadual-Imprensa Oficial, 1966.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000356&pid=S0101-4714201200010000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOUSA, Gabriel Soares de. <i>Tratado descritivo do Brasil em 1578</i>. 4 ed. S&atilde;o Paulo: Nacional; Edusp, 1971.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000358&pid=S0101-4714201200010000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. <i>Hist&oacute;ria geral do Brasil:</i>antes da sua separa&ccedil;&atilde;o e independ&ecirc;ncia de Portugal. S&atilde;o Paulo: Melhoramentos, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000360&pid=S0101-4714201200010000900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VAUTHIER, Louis L&eacute;ger. Casas de Resid&ecirc;ncia no Brasil. In: FAU-USP; MEC-IPHAN. <i>Textos escolhidos da Revista do Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional</i>:Arquitetura Civil I. S&atilde;o Paulo: FAU-USP, 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000362&pid=S0101-4714201200010000900043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SITE VISITADO </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&lt;<a href="http://www.olinda.pe.gov.br/portal/olinda_em_dados.php" target="_blank">http://www.olinda.pe.gov.br/portal/olinda_em_dados.php</a>&gt;. Site oficial da Prefeitura Municipal de Olinda.Acessado 20.06.2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000365&pid=S0101-4714201200010000900044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Artigo apresentado em 1/2011.    <br>   Aprovado em 12/2011. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a>. Site oficial da Prefeitura Municipal de Olinda.Acessado 28.06.2012    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a>. Cf. Carlo Ginzburg (1990,  p.  151).    <br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a>. Este trabalho &eacute; resultado da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Din&acirc;micas do Espa&ccedil;o Habitado, orientada pela profa. Dra. Maria Ang&eacute;lica da Silva, defendida em 2008 na Universidade Federal de Alagoas e teve apoio da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL.    <br>   <a name="4a"></a><a href="#4b">4</a>. Com destaque ao trabalho realizado pela arquiteta Val&eacute;ria Agra, que produziu um estudo detalhado e comparativo da <i>Carta Foral</i>.     <br>   <a name="5a"></a><a href="#5b">5</a>. Cf. Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota Menezes (1998, p. 333).    <br>   <a name="6a"></a><a href="#6b">6</a>. A Prefeitura Municipal de Olinda, com o intuito de reaver a cobran&ccedil;a do foro das &aacute;reas pertencentes ao munic&iacute;pio, iniciou uma investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica para determinar o territ&oacute;rio de Olinda a partir de sua demarca&ccedil;&atilde;o mais antiga. Baseou-se ent&atilde;o no legado de Duarte Coelho, a <i>Carta Foral</i> de Olinda, que marcou o nascimento da vila, bem como as &aacute;reas que ela abrangia. A equipe, dirigida pela arquiteta Val&eacute;ria Agra, fez as transcri&ccedil;&otilde;es paleogr&aacute;ficas do livro de Tombo nº 01-B de 1783-1806. Este livro tem, entre outros dados importantes, a c&oacute;pia do Foral de 1783, sua confirma&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Demarcat&oacute;ria feita pelo juiz do Tombo, Jos&eacute; Ign&aacute;cio Arouche, em 1710. Para esse empreendimento, tamb&eacute;m foi importante a reconstitui&ccedil;&atilde;o textual do Foral - O chamado Foral de Olinda de 1537 - feita por Ant&ocirc;nio Gonsalves Mello; cf. <i>PROJE-TO Foral</i> (2000, p. 16-17).    <br>   <a name="7a"></a><a href="#7b">7</a>. Ibidem.. A <i>Carta Foral </i>&eacute; resultado de reconstitui&ccedil;&atilde;o textual produzida pelo historiador Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello, baseado em 7 c&oacute;pias: 1. C&oacute;pia datada de 1675, existente no Arquivo Hist&oacute;rico Ultramarino (AHU-Lisboa), Pernambuco, pap&eacute;is avulsos, caixa 6; 2. C&oacute;pia de 1723, no mesmo AHU, Pernambuco, pap&eacute;is avulsos caixa 39; 3. C&oacute;pia de 1783, existente na Prefeitura de Olinda, no Livro de Tombo dos bens pertencentes &agrave; C&acirc;mara Municipal; 4. C&oacute;pia de 1822, conservada na mesma Prefeitura, no livro intitulado <i>Foral</i>, texto de que se serviu Pereira da Costa para publica&ccedil;&atilde;o em seus <i>Anais Pernambucanos</i>; 5. C&oacute;pia de 1842, guardada no mosteiro de S&atilde;o Bento de Olinda, c&oacute;dice Monte Documento 1766-1876, p. 1-4; 6. C&oacute;pia do Instituto Arqueol&oacute;gico Pernambucano, ca. 1876,"; 7. C&oacute;pia de 1805, existente no Arquivo P&uacute;blico Estadual Pernambucano, Livro de ordens R&eacute;gias 1534-1824, p. 62-64.    <br>   <a name="8a"></a><a href="#8b">8</a>. A rua de serventia prevista por Duarte Coelho no <i>Foral </i>deveria medir entre 11 m e 13,2 m de largura.    <br>   <a name="9a"></a><a href="#9b">9</a>. Cf.<i>PROJETO Foral </i>(2000, p.16-17); grifo nosso.    <br>   <a name="10a"></a><a href="#10b">10</a>. Ibidem.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="11a"></a><a href="#11b">11</a>. Cf. Nestor G. Reis Filho (1968, p. 15).    <br>   <a name="12a"></a><a href="#12b">12</a>. Cf. Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota Menezes (1998, p. 336).    <br>   <a name="13a"></a><a href="#13b">13</a>. Diederik Waerdenburch, apud Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello (1976, p. 9).    <br>   <a name="14a"></a><a href="#14b">14</a>. Nestor Goulart corrobora Gonsalves de Mello a respeito da data da imagem, justificada pelo interesse da Companhia em conhecer a vila: "Em 1630 ainda era importante para a diretoria da Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais, em Amsterdam, conhecer detalhes sobre a povoa&ccedil;&atilde;o, para deliberar sobre suas condi&ccedil;&otilde;es de defesa e possibilidades de desenvolvimento, sendo essas alternativas recha&ccedil;adas e deliberada a destrui&ccedil;&atilde;o pelo inc&ecirc;ndio"; cf. Nestor Goulart Reis Filho (2000 , p. 331).    <br>   <a name="15a"></a><a href="#15b">15</a>. Cf.Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello (1976, p. 9).    <br>   <a name="16a"></a><a href="#16b">16</a>. Ver Marcos Galindo e Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota Menezes (2003).    <br>   <a name="17a"></a><a href="#17b">17</a>. Idem, p. 17.    <br>   <a name="18a"></a><a href="#18b">18</a>. Cf. Beatriz P. Siqueira Bueno (2004, p. 193).    <br>   <a name="19a"></a><a href="#19b">19</a>. Na cartografia, a rua de serventia vai surgir mais explicitamente a partir do s&eacute;culo XVIII, nos projetos de vilas e cidades, como por exemplo, na planta da Vila de S&atilde;o Jos&eacute;, no Rio Grande do Sul; ver Nestor Goulart Reis Filho (2000, p.233).    <br>   <a name="20a"></a><a href="#20b">20</a>. Cf. Helder Carita (1999, p. 29); grifo nosso.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="21a"></a><a href="#21b">21</a>. Cf. Jo&atilde;o Baers (2004, p. 39-41).    <br>   <a name="22a"></a><a href="#22b">22</a>. Cf. Nestor Goulart Reis Filho (1968, p. 148); grifo nosso.    <br>   <a name="23a"></a><a href="#23b">23</a>. Cf. Idem (2004, p. 20).    <br>   <a name="24a"></a><a href="#24b">24</a>. cf.<i>PROJETO Foral</i> (2000,  p.  16-17).    <br>   <a name="25a"></a><a href="#25b">25</a>. Ibidem.    <br>   <a name="26a"></a><a href="#26b">26</a>. Cf. Murillo Marx (1991, p.  77).    <br>   <a name="27a"></a><a href="#27b">27</a>. A escolha do lote se deu por ter dimens&otilde;es semelhantes &agrave;s da maior parte dos lotes da quadra.    <br>   <a name="28a"></a><a href="#28b">28</a>.  Cf. Gaspar Barl&eacute;u (1974,  p.  40); grifo nosso.    <br>   <a name="29a"></a><a href="#29b">29</a>. Helder Carita, apud Maria Helena Barreiros (2001,  p.  19).    <br>   <a name="30a"></a><a href="#30b">30</a>. Cf. Marcos Galindo e Jos&eacute; Lu&iacute;s Mota Menezes (2003,  p.  17).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="31a"></a><a href="#31b">31</a>. Cf. Beatriz P. Siqueira Bueno (2004, p. 206).    <br>   <a name="32a"></a><a href="#32b">32</a>. Cf. Manoel de Azevedo Fortes (1728-1729), <i>apud </i>Beatriz P. Siqueira Bueno (2004).    <br>   <a name="33a"></a><a href="#33b">33</a>. Idem, p. 218.    <br>   <a name="34a"></a><a href="#33b">33</a>. Cf. Manoel de Azevedo Fortes (1722)<i> apud</i> Beatriz P. Siqueira Bueno (1998, p. 111).    <br>   <a name="35a"></a><a href="#35b">35</a>. Idem, p. 112.    <br>   <a name="36a"></a><a href="#36b">36</a>. Cf. Leila Mezan Algranti (1997, p. 91-92); grifo nosso.    <br>   <a name="37a"></a><a href="#37b">37</a>. Cf. Gilberto Freyre (2005,  p.  35-36); grifo nosso.    <br>   <a name="38a"></a><a href="#38b">38</a>. Cf. Leila Mezan Algranti (1997, p. 97); grifo nosso.    <br>   <a name="39a"></a><a href="#39b">39</a>. Cf. <i>DENUNCIA&Ccedil;&Otilde;ES </i>(1929, p. 44); grifo nosso.    <br>   <a name="40a"></a><a href="#40b">40</a>. Cf. Raphael Bluteau, s.v. folgar (1712, p. 158).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="41a"></a><a href="#41b">41</a>. Cf. <i>DENUNCIA&Ccedil;&Otilde;ES </i>(1929, p. 181); grifo nosso.    <br>   <a name="42a"></a><a href="#42b">42</a>. Cf. Leila Mezan Algranti (1997, p. 92).    <br>   <a name="43a"></a><a href="#43b">43</a>. Idem, p. 95; grifo nosso.    <br>   <a name="44a"></a><a href="#44b">44</a>. O costume de despejar os res&iacute;duos no quintal n&atilde;o parece ser caracter&iacute;stica apenas portuguesa. "Foram feitas algumas tentativas para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o &#91;de saneamento&#93; e, a partir do s&eacute;culo XVI, uma ordem da cidade de Paris exigia que todas as casas fossem equipadas com uma latrina que desembocasse em uma fossa subterr&acirc;nea no <i>quintal</i>". Cf. Wiltold Rybczynski (2002, p. 49-50); grifo nosso.    <br>   <a name="45a"></a><a href="#45b">45</a>. Cf. Gilberto Freyre (2005,  p.  182).    <br>   <a name="46a"></a><a href="#46b">46</a>. Cf.Am&eacute;lia Aguiar Andrade (2003, p. 35); grifo nosso.    <br>   <a name="47a"></a><a href="#47b">47</a>. Cf. Louis L&eacute;ger Vauthier (1975, p. 43).    <br>   <a name="48a"></a><a href="#48b">48</a>. Cf. Raphael Bluteau, s. v. quinta (1712, v. 7, p. 65).    <br>   <a name="49a"></a><a href="#49b">49</a>. Idem,s.v. quintal (1712,v. 7, p. 65).    <br>   <a name="50a"></a><a href="#50b">50</a>. Cf. Afr&acirc;nio Peixoto (1988b, p. 364).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="51a"></a><a href="#51b">51</a>. Idem (1988a, p. 204); grifo nosso.    <br>   <a name="52a"></a><a href="#52b">52</a>. Cf. Gilberto Freyre (2005,  p.  72).    <br>   <a name="53a"></a><a href="#53b">53</a>. Ver Frei Christov&atilde;o de Lisboa (1625-1631). Fonte gentilmente indicada e fornecida por Alexandre Alves Dias, do Arquivo P&uacute;blico de Olinda, que participou do Projeto Resgate no Arquivo Hist&oacute;rico Ultramarino.    <br>   <a name="54a"></a><a href="#54b">54</a>. O livro se divide em 3 partes, a primeiras &eacute; relativa aos peixes, um invent&aacute;rio das esp&eacute;cies at&eacute; ent&atilde;o conhecidas (ex.: Acaracoro, Amoreta, Camurym, Mandi etc). A segunda se refere aos animais (ex.: Bugio, Capivara, Machacha, Prigrissa etc); a terceira &agrave;s aves (ex.:Acara,Arara, Hema, Jaburu etc); e a quarta &agrave;s &aacute;rvores (ex.:Anan&aacute;s, Cara, Mandioqua, Mamoeiro, Mangaba, jinipapo etc).Todas as esp&eacute;cies s&atilde;o identificadas por nome, cuja maioria parece ter origem ind&iacute;gena; e por desenhos que comunicam seu aspecto exterior; Ver Frei Christov&atilde;o de Lisboa (1625-1631).    <br>   <a name="55a"></a><a href="#55b">55</a>. Cf. Afr&acirc;nio Peixoto (1988a, p.170).    <br>   <a name="56a"></a><a href="#56b">56</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 163); grifo nosso.    <br>   <a name="57a"></a><a href="#57b">57</a>. Cf. Manuel Aires de Casal (1976, p. 253).    <br>   <a name="58a"></a><a href="#58b">58</a>. Cf. Gilberto Freyre (2005,  p.  166)    <br>   <a name="59a"></a><a href="#59b">59</a>. Cf. Manuel Aires de Casal, (1976, p. 253).    <br>   <a name="60a"></a><a href="#60b">60</a>. Cf. Frei Vicente do Salvador (1982, p.70).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="61a"></a><a href="#61b">61</a>. A palavra "dom&eacute;stico" implica numa rela&ccedil;&atilde;o direta com a casa, a vida familiar: "Diz-se do animal que vive ou &eacute; criado em casa"; cf. Aur&eacute;lio B. de H. Ferreira, s.v. dom&eacute;stico (1986).    <br>   <a name="62a"></a><a href="#62b">62</a>. Cf. Frei Vicente do Salvador (1982, p.73).    <br>   <a name="63a"></a><a href="#63b">63</a>. Idem, p.70; grifo nosso.    <br>   <a name="64a"></a><a href="#64b">64</a>. Cf. Fern&atilde;o Cardim (1980, p. 56).    <br>   <a name="65a"></a><a href="#65b">65</a>. Idem, p. 27; grifo nosso.    <br>   <a name="66a"></a><a href="#66b">66</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 244).    <br>   <a name="67a"></a><a href="#67b">67</a>. Cf. Francisco Augusto Pereira da Costa (1983, v. 6,  p.  397).    <br>   <a name="68a"></a><a href="#68b">68</a>. Cf. Gaspar Barl&eacute;u (1974,  p.  72).    <br>   <a name="69a"></a><a href="#69b">69</a>. Cf. Francisco Augusto Pereira da Costa (1983, v. 6,  p.  397).    <br>   <a name="70a"></a><a href="#70b">70</a>. Cf.<i>PROJETO Foral</i> (2000,  p.  16-17); grifo nosso.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="71a"></a><a href="#71b">71</a>. Cf. Francisco Augusto Pereira da Costa (1983, v. 6,  p.  397).    <br>   <a name="72a"></a><a href="#72b">72</a>. Cf. Lu&iacute;s da C&acirc;mara Cascudo (2004, p. 96).    <br>   <a name="73a"></a><a href="#73b">73</a>. Cf. Microfilme 0552, Invent&aacute;rio Alberto Iria (1960).    <br>   <a name="74a"></a><a href="#74b">74</a>. Cf. Frei Vicente do Salvador (1982, p.64).    <br>   <a name="75a"></a><a href="#75b">75</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 137).    <br>   <a name="76a"></a><a href="#76b">76</a>. Idem, p. 138; grifo nosso.    <br>   <a name="77a"></a><a href="#77b">77</a>. Antonio Blasquez, apud Afr&acirc;nio Peixoto (1988b, p. 343); grifo nosso.    <br>   <a name="78a"></a><a href="#78b">78</a>. Cf. Fern&atilde;o Cardim (1980,  p.  35).    <br>   <a name="79a"></a><a href="#79b">79</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 199); grifo nosso.    <br>   <a name="80a"></a><a href="#80b">80</a>. Cf. Frei Vicente do Salvador (1982, p. 68); grifo nosso.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="81a"></a><a href="#81b">81</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 203).    <br>   <a name="82a"></a><a href="#82b">82</a>. Cf. Frei Vicente do Salvador (1982, p. 65).    <br>   <a name="83a"></a><a href="#83b">83</a>. Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 206); grifo nosso.    <br>   <a name="84a"></a><a href="#84b">84</a>. "Pelos mesmos campos se criam outras ervas, a que o gentio chama caapi&aacute;, e os portugueses malva&iacute;sco, porque n&atilde;o em outra diferen&ccedil;a do de Portugal que ser muito vi&ccedil;oso."; Cf. Gabriel Soares de Sousa (1971, p. 210).    <br>   <a name="85a"></a><a href="#85b">85</a>. O Jardim Bot&acirc;nico de Olinda, criado por Carta R&eacute;gia de 19 de novembro de 1798, foi instalado e inaugurado no dia 21 de junho de 1811."Aos poucos crescia de import&acirc;ncia o Jardim Bot&acirc;nico de Olinda - Horto d'El Rei - e ao entreg&aacute;-lo a seu substituto, o bot&acirc;nico Franc&ecirc;s Estev&atilde;o Paulo Germain, j&aacute; deixava, o Pe. Jo&atilde;o Ribeiro, grande quantidade de mudas de especiarias e &aacute;rvores europ&eacute;ias, devidamente desenvolvidas e aclimatadas &#91;...&#93; Afora especiarias e madeiras de constru&ccedil;&atilde;o, no Horto j&aacute; se cultivava &aacute;rvores frut&iacute;feras e plantas ex&oacute;ticas que, pela natureza tropical de nosso clima, aqui se desenvolveram e se aclimataram rapidamente, tornando-se valiosas para a economia da Regi&atilde;o."; cf. Horto de Olinda (1979, p. 19).    <br>   <a name="86a"></a><a href="#86b">86</a>. Segundo Cavalcanti, o Horto teve outros nomes como: "Viveiro de Plantas" ou "Real Viveiro de Plantas" (1811); "Jardim de Especiarias e Plantas Ex&oacute;ticas" (1818); "Estabelecimento de Plantas Ex&oacute;ticas" (1823); "Jardim Nacional e Imperial" (1827); "Jardim das Plantas Ex&oacute;ticas da Cidade de Olinda" (1829);"Horto Bot&acirc;nico" (1835); "Horto D'El Rey" (1915). Ainda segundo o autor, o povo preferia chamar de "Quintas do Rei"; cf. Vanildo Bezerra Cavalcanti (1986, p. 135). De qualquer modo, sua principal fun&ccedil;&atilde;o era o estudo, aclimata&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies trazidas da Europa e de outras col&ocirc;nias.A introdu&ccedil;&atilde;o desses g&ecirc;neros vinha ocorrendo sistematicamente nos quintais pelas m&atilde;os (e necessidades) dos colonos.    <br>   <a name="87a"></a><a href="#87b">87</a>. Ver O Formul&aacute;rio; cf Alfredo Carlos Schmalz (1966,  p.  57).    <br>   <a name="88a"></a><a href="#88b">88</a>. Idem, p. 49.    <br>   <a name="89a"></a><a href="#89b">89</a>. Idem, p. 83.    <br>   <a name="90a"></a><a href="#90b">90</a>. Idem, p. 57.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="91a"></a><a href="#91b">91</a>. Aspicuelta Navarro,<i>apud </i>Afr&acirc;nio Peixoto (1988b, p. 285); grifo nosso.    <br>   <a name="92a"></a><a href="#92b">92</a>. Cf. Jo&atilde;o Baers (2004, p. 31).    <br>   <a name="93a"></a><a href="#93b">93</a>. Aspicuelta Navarro, apud Afr&acirc;nio Peixoto (1988b, p. 364); grifo nosso.    <br>   <a name="94a"></a><a href="#94b">94</a>. Cf. Sindicato Nacional dos Arquitectos (1961, p. 29). grifo nosso.    <br>   <a name="95a"></a><a href="#95b">95</a>. Idem, p. 30; grifo nosso     <br>   <a name="96a"></a><a href="#96b">96</a>. Cf. Louis L&eacute;ger Vauthier (1943) (1975, p. 85).    <br>   <a name="97a"></a><a href="#97b">97</a>. Cf. Leila Mezan Algranti (1997, 113).    <br>   <a name="98a"></a><a href="#98b">98</a>. ATAS da C&acirc;mara de Salvador (v.VI, p. 194), apud Nestor Goulart Reis Filho (1968,  p.  145).    <br>   <a name="99a"></a><a href="#99b">99</a>. Cf. Gilberto Freyre (2005, p. 318). </font></p>      ]]></body><back>
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