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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Darwinismo em James: a função da consciência na evolução]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Darwinism plays a major role in jamesian psychology. In fact, the concepts of variation and selection provide a way to escape from both physiological and sociological determinism. Moreover, Darwinism allows James to show the function and the causal efficacy of consciousness in the evolution of human beings. By means of an historical and conceptual analysis, we discuss these questions which inform the first scientific psychology developed in the United States.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top10"></a>Darwinismo    em James: a fun&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia na evolu&ccedil;&atilde;o<a href="#back1"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Darwinism in    James: the function of consciousness in the evolution</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Renato Rodrigues    Kinouchi<a href="#back2"><sup>2</sup></a></b></font>    <p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Federal    do ABC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O darwinismo desempenha    um papel central na psicologia jamesiana. Com efeito, os conceitos de varia&ccedil;&atilde;o    e sele&ccedil;&atilde;o fornecem uma maneira de escapar tanto do determinismo    fisiol&oacute;gico quanto do determinismo sociol&oacute;gico. Ademais, o darwinismo    permite a James mostrar a fun&ccedil;&atilde;o e a efic&aacute;cia causal da    consci&ecirc;ncia na evolu&ccedil;&atilde;o dos seres humanos. Este trabalho    pretende, por meio de uma an&aacute;lise hist&oacute;rico-conceitual, discutir    tais quest&otilde;es que informam a primeira psicologia cient&iacute;fica feita    nos Estados Unidos.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    darwinismo; evolu&ccedil;&atilde;o; varia&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o;    consci&ecirc;ncia; William James.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Darwinism plays    a major role in jamesian psychology. In fact, the concepts of variation and    selection provide a way to escape from both physiological and sociological determinism.    Moreover, Darwinism allows James to show the function and the causal efficacy    of consciousness in the evolution of human beings. By means of an historical    and conceptual analysis, we discuss these questions which inform the first scientific    psychology developed in the United States.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key words:</b>    darwinism; evolution; variation and selection; consciousness; William James.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Credita-se ao    psic&oacute;logo alem&atilde;o Wilhelm Wundt (1832-1920) o m&eacute;rito de    haver sido o fundador da Psicologia como disciplina cient&iacute;fica e aut&ocirc;noma.    A nova abordagem, muito mais emp&iacute;rica do que a praticada at&eacute; ent&atilde;o,    tinha como ponto inovador o uso do m&eacute;todo experimental de pesquisa. Um    dos cientistas que naquela &eacute;poca tamb&eacute;m se aventurava na aplica&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo experimental era o norte-americano William James (1842-1910),    m&eacute;dico e professor na Universidade de Harvard. Fato interessante, embora    pouco divulgado, &eacute; que James, em 1875, quando era instrutor de Fisiologia,    j&aacute; havia estabelecido informalmente um pequeno laborat&oacute;rio de    Fisiologia aplicada &agrave; Psicologia, onde realizava demonstra&ccedil;&otilde;es    pedag&oacute;gicas para seus alunos. Ou seja, no &uacute;ltimo quarto do s&eacute;culo    XIX, a Psicologia Experimental j&aacute; se encontrava incipiente na Am&eacute;rica,    com pouca defasagem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa. Diga-se de passagem    que James n&atilde;o tinha especial voca&ccedil;&atilde;o para trabalho laboratorial    &#150; preferia dedicar-se ao trabalho te&oacute;rico &#150; mas indubitavelmente    se mostrava atualizado com o rumo tomado do outro lado do Atl&acirc;ntico.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muito embora n&atilde;o almejasse, para si, sucesso extraordin&aacute;rio na pesquisa de laborat&oacute;rio, sem sombra de d&uacute;vida deveu-se a James o m&eacute;rito de haver escrito um dos primeiros manuais para ensino de Psicologia. De fato, no ano de 1878, fora convidado a escrever um livro para ser utilizado por estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o. O plano inicial era que o trabalho estivesse pronto em dois anos, mas o livro ganhou uma tal dimens&atilde;o que s&oacute; foi definitivamente terminado em 1890, 12 anos ap&oacute;s a assinatura do contrato. S&oacute; ent&atilde;o o editor Henry Holtz p&ocirc;de publicar a obra <i>Os Princ&iacute;pios de Psicologia</i> (James, 1890/1983b), originalmente composta em dois volumes, que ganhou adeptos, bem como cr&iacute;ticos, ao longo de todo o s&eacute;culo XX.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James trazia de sua forma&ccedil;&atilde;o em medicina a id&eacute;ia de que seres humanos s&atilde;o sistemas biol&oacute;gicos que procuram sobreviver no meio ambiente. E, para que um sistema dessa natureza sobreviva, seus diversos &oacute;rg&atilde;os precisam executar fun&ccedil;&otilde;es vitais de maneira coordenada. O cora&ccedil;&atilde;o tem a fun&ccedil;&atilde;o de bombear sangue para os tecidos, o pulm&atilde;o tem a fun&ccedil;&atilde;o de proceder &agrave;s trocas gasosas, e assim por diante. O c&eacute;rebro, por sua vez, coordena tais fun&ccedil;&otilde;es, e ainda tem a caracter&iacute;stica adicional, e peculiar, de ser o &oacute;rg&atilde;o onde se d&aacute; a <i>fun&ccedil;&atilde;o</i> da cogni&ccedil;&atilde;o. Note-se, portanto, que James naturalizava os processos cognitivos sem reduzi-los ao substrato material (Harrison, 2004), e isso o levava a considerar as rela&ccedil;&otilde;es funcionais entre o organismo e o meio no qual se encontra. Aparece aqui o que se convenciona chamar de funcionalismo jamesiano. Para um estudo espec&iacute;fico sobre a naturaliza&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia proposta por James, consultar Flanagan (1997).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em paralelo ao    funcionalismo, uma outra concep&ccedil;&atilde;o, inovadora para a &eacute;poca,    informava a psicologia preconizada por James: a saber, o evolucionismo de Charles    Darwin (1809-1882). Mas o psic&oacute;logo aplicava o darwinismo de maneira    peculiar, analisando tanto fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos como socioculturais.    Esses dois usos do darwinismo foram motivados por quest&otilde;es com o mesmo    foco, mas em n&iacute;veis distintos: o rep&uacute;dio a ambas, tanto teorias    deterministas na fisiologia quanto na sociologia. No primeiro caso, James utiliza    o darwinismo para criticar teorias mecanicistas na fisiologia. No segundo, critica    uma teoria evolucion&aacute;ria determinista defendida pelo fil&oacute;sofo    brit&acirc;nico Herbert Spencer (1820-1903). Ambas as quest&otilde;es foram    tratadas quase no mesmo per&iacute;odo (entre 1878 e 1880), sendo dif&iacute;cil    precisar em qual delas James trabalhou primeiro. O mais prov&aacute;vel &eacute;    que ele as tenha enfrentado concomitantemente. Julgamos mais acertado explorar    primeiro a faceta psicofisiol&oacute;gica do problema, pois se espera que isso    facilite a posterior compreens&atilde;o do tema sociol&oacute;gico mais amplo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O Mecanicismo    Fisiol&oacute;gico e o Problema da Efic&aacute;cia Causal da Consci&ecirc;ncia</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1878, James    apresenta seu argumento darwinista em favor da autonomia e efici&ecirc;ncia    causal da consci&ecirc;ncia sobre os processos fisiol&oacute;gicos cerebrais    &#150; o qual se encontra no artigo "<i>Are we automatas</i>?" (James, 1878/1983a).    Tal argumento chegou &agrave; sua vers&atilde;o definitiva no <i>Princ&iacute;pios    de Psicologia</i> (1890/1983b), no cap&iacute;tulo intitulado "Teoria do Aut&ocirc;mato".    Para nossos prop&oacute;sitos, utilizaremos a vers&atilde;o contida no <i>Princ&iacute;pios</i>,    pois ali o argumento se apresenta de forma completa e expl&iacute;cita<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas antes de examinar essa quest&atilde;o, vale assinalar algumas considera&ccedil;&otilde;es gerais que ir&atilde;o facilitar nossa tarefa. Em especial, &eacute; not&oacute;rio que James, ao escrever, se esmerava em quest&otilde;es estil&iacute;sticas, imprimindo ao seu texto caracter&iacute;sticas bem peculiares. Uma delas era escrever em primeira pessoa, dando aos seus escritos uma entona&ccedil;&atilde;o similar &agrave;quela exigida em apresenta&ccedil;&otilde;es orais. Ou seja, conquanto o texto jamesiano seja adequado &agrave; norma culta, sua estrutura dial&oacute;gica lhe confere fluidez e dinamicidade. Mas &eacute; exatamente por isso que n&atilde;o se deve sempre l&ecirc;-lo literalmente, pois, &agrave;s vezes, aquilo que &eacute; exposto no in&iacute;cio de um cap&iacute;tulo vem a ser recha&ccedil;ado no final. Assim, &eacute; habitual que James exponha os pontos de vista de seus advers&aacute;rios, de modo que o leitor desavisado chega a crer que ele est&aacute; defendendo tal ponto de vista. Mas isso &eacute; parte da estrat&eacute;gia de dar voz ao advers&aacute;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James inicia o    cap&iacute;tulo "Teoria do aut&ocirc;mato" disposto a analisar os pressupostos    da neurofisiologia de sua &eacute;poca. Partindo unicamente dessa perspectiva,    indaga sobre o que seria preciso aceitar como premissa b&aacute;sica para que    se pudesse explicar o fen&ocirc;meno da intelig&ecirc;ncia. Antes de tudo, se    adotada a abordagem neurofisiol&oacute;gica, &eacute; preciso aceitar que cada    uma de nossas a&ccedil;&otilde;es inteligentes est&aacute; ligada a processos    neurais que lhes s&atilde;o simult&acirc;neos e subjacentes &#150; de modo que    para cada ato deve corresponder um processo cerebral. E, por mais complexa que    possa ser uma cadeia de a&ccedil;&otilde;es, a cadeia de processos cerebrais    subjacentes deve se apresentar com o mesmo grau de complexidade. Caso contr&aacute;rio,    o fisiologista teria que admitir uma a&ccedil;&atilde;o inteligente sem correspond&ecirc;ncia    com um evento neural. Portanto, &eacute; preciso adotar um <i>princ&iacute;pio    de continuidade</i> entre as a&ccedil;&otilde;es inteligentes e o aparato neural    que as produz.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com efeito, James    (1890/1983b) enfatiza que at&eacute; mesmo nas estruturas nervosas mais simples    e inferiores, tais como a medula espinhal e o sistema simp&aacute;tico, encontram-se    respostas comportamentais que em grande medida podem sem consideradas como dotadas    de intelig&ecirc;ncia, mesmo que sejam a&ccedil;&otilde;es inconscientes, no    vago sentido de <i>n&atilde;o-percebidas</i> &#150; por exemplo, reflexos motores    que nos mant&ecirc;m na posi&ccedil;&atilde;o "em p&eacute;", sem que nos apercebamos    disso. Mas cabe ent&atilde;o a pergunta: "<i>J&aacute; que a&ccedil;&otilde;es    de alguma complexidade s&atilde;o ocasionadas por um mero mecanismo, por que    as a&ccedil;&otilde;es ainda mais complexas n&atilde;o seriam resultado de um    mecanismo mais refinado?</i>" (p. 133). Com essa indaga&ccedil;&atilde;o James    levanta um forte argumento da teoria fisiol&oacute;gica mecanicista, como se,    digamos, proporcionasse muni&ccedil;&atilde;o ao advers&aacute;rio. Nas palavras    de James:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A concep&ccedil;&atilde;o      de a&ccedil;&atilde;o reflexa &eacute; sem d&uacute;vida uma das maiores conquistas      da teoria fisiol&oacute;gica; por que n&atilde;o radicaliz&aacute;-la? Por      que n&atilde;o dizer que assim como a medula espinhal &eacute; uma m&aacute;quina      com poucos reflexos, os hemisf&eacute;rios cerebrais s&atilde;o uma m&aacute;quina      com muitos, e que nisso est&aacute; toda a diferen&ccedil;a?</i> (p. 133).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ou seja, aceitando tamb&eacute;m o <i>princ&iacute;pio de continuidade</i> entre as estruturas mais simples (medula espinhal) e as mais complexas (c&oacute;rtex cerebral) &eacute; poss&iacute;vel supor que as diferen&ccedil;as entre as respectivas a&ccedil;&otilde;es se devam apenas &agrave;s quantidades de reflexos de cada uma das estruturas mencionadas. Por&eacute;m, ao efetuar a radicaliza&ccedil;&atilde;o do argumento mecanicista da a&ccedil;&atilde;o reflexa, James indaga:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Mas nessa      vis&atilde;o qual seria a fun&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia ela mesma?      Fun&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica ela n&atilde;o poderia ter. Os &oacute;rg&atilde;os      dos sentidos despertariam as c&eacute;lulas cerebrais (...) uma seq&uuml;&ecirc;ncia      racional e ordenada, at&eacute; que a a&ccedil;&atilde;o ocorresse; e ent&atilde;o,      a &uacute;ltima vibra&ccedil;&atilde;o cerebral iria descarregar na dire&ccedil;&atilde;o      motora &#91;downward into the motor tracts&#93;. Isso seria uma completa cadeia      de ocorr&ecirc;ncias aut&ocirc;nomas, e onde quer que estivesse a consci&ecirc;ncia,      ela seria apenas um epifen&ocirc;meno, um espectador inerte, uma esp&eacute;cie      de espuma, aura ou melodia</i> (p.133).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso significa que a radicaliza&ccedil;&atilde;o da teoria mecanicista da a&ccedil;&atilde;o reflexa n&atilde;o prev&ecirc; a possibilidade de efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia sobre a fisiologia cerebral (o chamado epifenomenalismo). Incorre-se em uma no&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia passiva e fantasmag&oacute;rica, que simplesmente acompanha e justap&otilde;e-se &agrave; cadeia de eventos cerebrais, mas que se mostra incapaz de influenci&aacute;-los (cf. Kinouchi 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A seguir, James    discorre sobre a origem das concep&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas que    negam a efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia sobre a s&eacute;rie de    eventos cerebrais. No entender dele, deve-se creditar a Descartes (1649/1999)    a concep&ccedil;&atilde;o de um aparelho neural auto-suficiente, capaz de executar    atos aparentemente inteligentes. Muito embora o fil&oacute;sofo franc&ecirc;s    tenha feito claramente a distin&ccedil;&atilde;o entre o ser humano &#150; possuidor    de uma alma racional &#150; e os animais e aut&ocirc;matos &#150; que n&atilde;o    teriam racionalidade <i>stricto sensu</i> &#150; sua perspectiva est&aacute;    na base do pensamento mecanicista dos fisiologistas da segunda metade do s&eacute;culo    XIX. Ocorre que esses &uacute;ltimos deram o passo final na dire&ccedil;&atilde;o    do princ&iacute;pio de continuidade, e de uma vez por todas defenderam que nem    mesmo no homem a consci&ecirc;ncia exerce influ&ecirc;ncia significativa<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>.    Assim sendo, n&atilde;o se nega a exist&ecirc;ncia da s&eacute;rie de eventos    mentais, no entanto, concebe-os apenas como um epifen&ocirc;meno simult&acirc;neo    aos processos mec&acirc;nicos cerebrais. Todavia, tal epifen&ocirc;meno &eacute;    t&atilde;o capaz de influenciar a s&eacute;rie de eventos cerebrais quanto a    fuma&ccedil;a expelida por uma locomotiva a vapor pode alterar o rumo do comboio;    ou seja, em nada.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No subt&iacute;tulo "Raz&otilde;es a Favor da Teoria" s&atilde;o discutidas raz&otilde;es usualmente levantadas pelos defensores da teoria do aut&ocirc;mato consciente. Neste ponto &eacute; preciso que o leitor mantenha-se atento, pois, caso contr&aacute;rio, ele pode ser levado a crer que James realmente defendia a validade dessa teoria. Por&eacute;m essas raz&otilde;es a favor s&atilde;o na verdade o pre&acirc;mbulo da cr&iacute;tica propriamente dita.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Duas s&atilde;o as virtudes da abordagem fisiol&oacute;gica mecanicista: simplicidade e coer&ecirc;ncia. O <i>princ&iacute;pio de continuidade</i> garante que se os processos fisiol&oacute;gicos elementares das estruturas mais simples (tal como os reflexos da medula espinhal) s&atilde;o inteligentes, ent&atilde;o os processos superiores claramente racionais devem ser a conseq&uuml;&ecirc;ncia natural da complexidade das estruturas cerebrais superiores do c&oacute;rtex. Dessa forma, os defensores do ponto de vista fisiol&oacute;gico mecanicista transformam uma quest&atilde;o qualitativa em uma de natureza quantitativa. Seria apenas uma quest&atilde;o de quantidades de reflexos em cada uma das estruturas (poucos para a medula espinhal, e muit&iacute;ssimos para o c&oacute;rtex cerebral). Essa transforma&ccedil;&atilde;o do qualitativo em termos quantitativos assemelha-se aos procedimentos utilizados nas chamadas ci&ecirc;ncias exatas, e os cientistas da &eacute;poca buscavam incessantemente analogias dessa natureza.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, James (1890/1983b) aponta que no pr&oacute;prio &acirc;mbito da Fisiologia se origina uma quest&atilde;o amb&iacute;gua. Dois pesquisadores da &eacute;poca, Pfl&uuml;ger e Lewes (citado por James, 1890/1983b), utilizaram o mesmo princ&iacute;pio de continuidade e propuseram um contra-argumento do seguinte tipo: "<i>J&aacute; que a&ccedil;&otilde;es complexas e inteligentes s&atilde;o acompanhadas de consci&ecirc;ncia num n&iacute;vel superior (c&oacute;rtex), ent&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es simples e inteligentes da medula espinhal podem ser acompanhadas pela invis&iacute;vel presen&ccedil;a de uma consci&ecirc;ncia em n&iacute;vel inferior</i>" p. (137). Ora, o <i>princ&iacute;pio de continuidade</i> deve permanecer v&aacute;lido tanto quando &eacute; aplicado ascensionalmente, quanto descensionalmente. Mas quando aplicado do complexo para o simples (descensionalmente), traz consigo dificuldades imensas, tais como postular "<i>a invis&iacute;vel presen&ccedil;a de uma consci&ecirc;ncia em n&iacute;vel inferior</i>" (p. 137), no &acirc;mbito das a&ccedil;&otilde;es reflexas da medula espinhal.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James assinala que um impasse desse tipo mostra motiva&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas e ideol&oacute;gicas que podem impregnar a pesquisa cient&iacute;fica. A atitude dos fisiologistas mecanicistas, frente ao impasse imposto pelo uso do <i>princ&iacute;pio de continuidade</i> descensionalmente, consistia em simplesmente negar efic&aacute;cia causal &agrave; consci&ecirc;ncia, esquivando-se do &aacute;rduo trabalho de pesquis&aacute;-la nos processos autom&aacute;ticos inferiores, e por fim generalizando essa pr&aacute;tica at&eacute; mesmo para os processos superiores. Assim a consci&ecirc;ncia passa a ficar fora do campo da ci&ecirc;ncia, e quem se atreva a desrespeitar o interdito, &eacute; sumariamente desqualificado.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da parte dos educados homens de laborat&oacute;rio &eacute; certamente muito forte o desejo de n&atilde;o terem suas argumenta&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas mescladas com fatores incomensur&aacute;veis, tais como os sentimentos. Tenho ouvido a maioria dos bi&oacute;logos inteligentes dizendo: "&eacute; tempo dos homens de ci&ecirc;ncia protestarem contra o reconhecimento, na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, de uma coisa tal como a consci&ecirc;ncia". Em s&iacute;ntese, sentimentos constituem a metade n&atilde;o-cient&iacute;fica da experi&ecirc;ncia, e nos estudos de sua predile&ccedil;&atilde;o qualquer um que queira chamar a si mesmo de "cientista" estar&aacute; contente em comprar uma homogeneidade de termos j&aacute; engatados, ao irris&oacute;rio pre&ccedil;o de admitir um dualismo que, ao mesmo tempo em que concede &agrave; consci&ecirc;ncia um <i>status</i> independente, bane-a para o limbo da inefic&aacute;cia causal, de onde nenhuma intromiss&atilde;o precisa ser temida.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa atitude sect&aacute;ria    insinua o dualismo epifenomenalista dos pesquisadores mecanicistas. Ao abolir    a efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia n&atilde;o se nega a exist&ecirc;ncia    da consci&ecirc;ncia, mas sim se estabelece uma absoluta separa&ccedil;&atilde;o    entre o ps&iacute;quico e o f&iacute;sico, e, dogmaticamente, afirma-se que    o estudo cient&iacute;fico deve se restringir apenas ao &uacute;ltimo<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>.    James comenta que os pesquisadores de orienta&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica    mecanicista, no intuito de definitivamente banir a consci&ecirc;ncia do campo    de estudo da ci&ecirc;ncia, costumavam levantar a perene quest&atilde;o filos&oacute;fica    de como seria poss&iacute;vel imaginar o <i>modus operandi</i> pelo qual o pensamento    afetaria as mol&eacute;culas cerebrais, de modo que fosse poss&iacute;vel suplantar    o abismo entre processos ps&iacute;quicos e processos f&iacute;sicos. Mas James    salienta que, se os fisiologistas estivessem dispostos a seriamente pensar de    modo filos&oacute;fico, ent&atilde;o eles deveriam levar em conta tamb&eacute;m    o ceticismo humeano acerca da causalidade (Hume, 1748/2000) e considerar que    qualquer no&ccedil;&atilde;o de causa, at&eacute; entre processos absolutamente    materiais, enfrenta certas dificuldades. Ou seja, os fisiologistas mecanicistas    da &eacute;poca baseavam-se em argumentos de natureza filos&oacute;fica somente    quando bem lhes apetecia. Entretanto, se <i>esqueciam</i> de que a pr&oacute;pria    no&ccedil;&atilde;o de causalidade mecanicista esbarrava em longevas controv&eacute;rsias.    &Eacute; bem verdade que James considerava a abordagem fisiol&oacute;gica como    sendo simples e coerente. Por&eacute;m, ao lev&aacute;-la &agrave;s suas &uacute;ltimas    conseq&uuml;&ecirc;ncias, os respectivos pesquisadores esquivavam-se do &aacute;rduo    trabalho do estudo emp&iacute;rico da consci&ecirc;ncia, movidos muito mais    por dogmatismo filos&oacute;fico do que por s&oacute;lidas bases emp&iacute;ricas.    Ocorre que, para James (1890/1983b), a quest&atilde;o de se a consci&ecirc;ncia    tem efic&aacute;cia causal, ou n&atilde;o, sobre processos fisiol&oacute;gicos    n&atilde;o poderia ser abandonada sem que ao menos se cogitasse tal possibilidade:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Mas a Psicologia      &eacute; uma ci&ecirc;ncia natural, aceitando como seus dados certos termos      de forma n&atilde;o-cr&iacute;tica, e cessando com reconstru&ccedil;&otilde;es      metaf&iacute;sicas. Como a F&iacute;sica ela deve ser ing&ecirc;nua &#91;na&iuml;ve&#93;;      e se, em um campo de estudo muito particular, ela encontrar que as id&eacute;ias      parecem &#91;funcionar como&#93; causas, seria melhor continuar a falar delas      de tal modo</i> (p. 141).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir desse    ponto, James passa a se dedicar a essa possibilidade, por meio de um argumento    darwinista que indicar&aacute; evid&ecirc;ncias da efic&aacute;cia causal da    consci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O Darwinismo    Aplicado &agrave;s Rela&ccedil;&otilde;es entre a Consci&ecirc;ncia e o C&eacute;rebro</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No &uacute;ltimo subt&iacute;tulo do cap&iacute;tulo "Teoria do Aut&ocirc;mato", James refuta a argumenta&ccedil;&atilde;o precedente e exp&otilde;e seu pr&oacute;prio ponto de vista. Come&ccedil;a afirmando que a complexidade da psique humana se mostra associada ao desenvolvimento evolutivo de nossa esp&eacute;cie. Mas se a consci&ecirc;ncia fosse t&atilde;o somente um subproduto inerte, por que ela haveria de ser selecionada durante a evolu&ccedil;&atilde;o? Para James, a consci&ecirc;ncia deve ter alguma utilidade, que por sua vez deve traduzir-se em vantagens adaptativas que ajudem o organismo na luta pela sobreviv&ecirc;ncia. Caso contr&aacute;rio, se fosse incapaz de proporcionar vantagens adaptativas, a sele&ccedil;&atilde;o natural de organismos mais conscientes, em detrimento daqueles que possuem consci&ecirc;ncia em menor grau, n&atilde;o teria explica&ccedil;&atilde;o. Em s&iacute;ntese, para que consci&ecirc;ncia seja uma <i>vari&aacute;vel cr&iacute;tica</i> no processo de evolu&ccedil;&atilde;o, ela deve efetivamente auxiliar a sobreviv&ecirc;ncia de seu detentor.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ou seja, James    entende que a consci&ecirc;ncia s&oacute; poderia prestar tal aux&iacute;lio    se tivesse efic&aacute;cia causal sobre a s&eacute;rie de eventos fisiol&oacute;gicos    &#150; efic&aacute;cia causal do ps&iacute;quico sobre o f&iacute;sico. Em outros    termos, se fosse capaz de influenciar decisivamente o comportamento dos organismos    nas luta pela vida (<i>struggle for existence</i>). &Eacute; nesse ponto que    as id&eacute;ias de Darwin (1855/1902), mostram-se claramente. Percebe-se que    James procura naturalizar a consci&ecirc;ncia, inquirindo sobre seu <i>valor    adaptativo</i>. Com esse movimento, tanto concebe a consci&ecirc;ncia como condicionada    &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o, bem como infere a efic&aacute;cia causal dos    eventos ps&iacute;quicos sobre os eventos cerebrais, afastando-se tanto do espiritualismo    metaf&iacute;sico quanto do mecanicismo fisiol&oacute;gico, respectivamente.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Note-se ainda que na argumenta&ccedil;&atilde;o jamesiana aparece o <i>valor adaptativo</i> da consci&ecirc;ncia, mas n&atilde;o existe men&ccedil;&atilde;o aos <i>custos</i> de sua manuten&ccedil;&atilde;o. Atualmente tem sido aceito que existe um custo metab&oacute;lico nos processos ocorridos no c&oacute;rtex cerebral (<i>e.g</i>., a exist&ecirc;ncia de c&eacute;lulas <i>glia</i> que d&atilde;o suporte metab&oacute;lico aos neur&ocirc;nios corticais, bem como a atividade registrada pelos aparelhos de <i>brain imaging</i>). Mas, se houver um <i>custo</i> sem benef&iacute;cio algum, ent&atilde;o a consci&ecirc;ncia estaria gerando, na verdade, um desperd&iacute;cio energ&eacute;tico; o que deveria levar &agrave; extin&ccedil;&atilde;o de seres conscientes. Apesar de James n&atilde;o postular tal custo de manuten&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia disso ap&oacute;ia a linha de racioc&iacute;nio jamesiana. Na &eacute;poca talvez se pudesse dizer que tal custo n&atilde;o era realmente constatado. Mas, nesse caso, o &ocirc;nus da prova recairia sobre o epifenomenalismo; isto &eacute;, seria necess&aacute;rio provar que a consci&ecirc;ncia n&atilde;o tem um custo metab&oacute;lico e, mais cedo ou mais tarde, isso entraria em conflito com os resultados da psicofisiologia.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas apenas inferir a efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia n&atilde;o nos leva muito adiante. &Eacute; preciso tamb&eacute;m que se explicite como se d&aacute; tal processo. James apresenta em seguida um dos pontos centrais de sua teoria, qual seja: que a consci&ecirc;ncia atua como uma fun&ccedil;&atilde;o selecionadora das in&uacute;meras possibilidades proporcionadas por aparato cerebral extremamente complexo. Sustentava suas infer&ecirc;ncias salientando que, indubitavelmente, o c&eacute;rebro &eacute; uma estrutura muito complexa, e que os poss&iacute;veis estados que esse &oacute;rg&atilde;o pode realizar s&atilde;o praticamente inumer&aacute;veis. Era tamb&eacute;m consenso que o c&oacute;rtex cerebral, respons&aacute;vel por processos altamente inteligentes, difere essencialmente das estruturas inferiores. Essas &uacute;ltimas realizam a&ccedil;&otilde;es simples e invari&aacute;veis, que contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o de curto prazo da vida do indiv&iacute;duo. Por&eacute;m, os processos complexos e conscientes s&atilde;o, na sua grande maioria, dirigidos para eventos futuros, muitas vezes indetermin&aacute;veis no curto prazo. Para James, essa indetermina&ccedil;&atilde;o capacita o detentor de um c&oacute;rtex bem desenvolvido a se adaptar &agrave;s m&iacute;nimas altera&ccedil;&otilde;es das circunst&acirc;ncias ambientais; de modo que um determinado processo pode ser suspenso, modificado, ou procrastinado, at&eacute; que as circunst&acirc;ncias tornem-se plenamente favor&aacute;veis para alcan&ccedil;ar determinado fim. Mas, por outro lado, se adotada a posi&ccedil;&atilde;o puramente mecanicista, tal capacidade de mudan&ccedil;a de um curso de a&ccedil;&atilde;o ficaria em muito prejudicada. Na verdade, o automatismo mecanicista tolhe a variabilidade de a&ccedil;&atilde;o que garantiria adapta&ccedil;&atilde;o dentro de um meio ambiente inconstante.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas afinal, como a consci&ecirc;ncia influiria na adapta&ccedil;&atilde;o do sujeito &agrave;s mudan&ccedil;as do ambiente? Mais uma vez baseado em princ&iacute;pios darwinistas, arg&uuml;ia que a consci&ecirc;ncia inibiria processos que n&atilde;o est&atilde;o ligados aos <i>interesses</i> do indiv&iacute;duo, atuando como uma ag&ecirc;ncia seletiva sobre as infindas possibilidades proporcionadas pelo aparato cerebral. Portanto, essa press&atilde;o seletiva da consci&ecirc;ncia possibilitaria, ao detentor de um c&eacute;rebro capaz de in&uacute;meras possibilidades de a&ccedil;&atilde;o, dirigir-se a uma delas por aproxima&ccedil;&otilde;es sucessivas. Segundo James (1890/1983b):</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Permita-se      que a consci&ecirc;ncia seja apenas aquilo que ela parece ser para si mesma,      e assim ela ir&aacute; ajudar um c&eacute;rebro inst&aacute;vel a alcan&ccedil;ar      seus fins pr&oacute;prios. Os movimentos do c&eacute;rebro per se fornecem      os meios de obten&ccedil;&atilde;o desses fins mecanicamente, mas somente      quando se afastam de outros fins, se assim podem ser chamados, que n&atilde;o      s&atilde;o os pr&oacute;prios do animal, e freq&uuml;entemente completamente      opostos. O c&eacute;rebro &eacute; um instrumento de possibilidades, mas n&atilde;o      de certezas. Se a consci&ecirc;ncia possuir efic&aacute;cia causal ela ir&aacute;,      mediante seus pr&oacute;prios fins apresentados ao c&eacute;rebro, e conhecendo      bem as possibilidades que levam a eles, refor&ccedil;ar as possibilidades      favor&aacute;veis e reprimir as desfavor&aacute;veis ou indiferentes. Neste      caso, espera-se que as correntes nervosas, caminhando atrav&eacute;s de c&eacute;lulas      e fibras, sejam fortalecidas pelo despertar da consci&ecirc;ncia em determinado      curso, sendo que os outros cursos s&atilde;o abafados. Permanece insol&uacute;vel,      para o presente momento, como uma tal rea&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia      possa ocorrer sobre as correntes nervosas; mas &eacute; o bastante para meu      prop&oacute;sito ter mostrado que a consci&ecirc;ncia n&atilde;o pode ter      uma exist&ecirc;ncia in&uacute;til, e que o problema &eacute; bem menos simples      do que os automatistas-cerebrais sustentam</i> (pp. 144-145).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s discorrer sobre tal uma hip&oacute;tese de que a&ccedil;&otilde;es adaptativas complexas s&atilde;o oriundas da <i>sele&ccedil;&atilde;o</i> da consci&ecirc;ncia sobre a <i>varia&ccedil;&atilde;o</i> dos processos cerebrais, James procura fornecer evid&ecirc;ncias para essa hip&oacute;tese, pois n&atilde;o bastava que sua argumenta&ccedil;&atilde;o fosse teoricamente coerente (a teoria do Aut&ocirc;mato Consciente tamb&eacute;m o era), mas havia tamb&eacute;m a necessidade de que se encontrassem considera&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas que a justificassem. James (1890/1983b) ent&atilde;o apresenta considera&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas que fortaleceriam sua hip&oacute;tese:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Por exemplo,      a consci&ecirc;ncia &eacute; mais intensa quando os processos nervosos s&atilde;o      hesitantes. Em situa&ccedil;&otilde;es habituais, r&aacute;pidas e autom&aacute;ticas,      ela diminui-se ao m&iacute;nimo. Nada poderia ser mais apropriado do que isso      se a consci&ecirc;ncia tivesse efic&aacute;cia causal, nada seria mais sem      sentido se assim n&atilde;o fosse. A&ccedil;&otilde;es habituais s&atilde;o      certas, e n&atilde;o havendo perigo de que se desviem, n&atilde;o necessitam      ajuda alheia. J&aacute; nas situa&ccedil;&otilde;es de hesita&ccedil;&atilde;o,      aparecem diversas possibilidades de descarga nervosa final (...) Onde a indecis&atilde;o      &eacute; grande, como quando diante de um salto perigoso, a consci&ecirc;ncia      &eacute; agonizantemente intensa.</i> (p. 145).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m desse    dado &#150; que a consci&ecirc;ncia mostra-se mais ativa quando existem cursos    de a&ccedil;&otilde;es diversos a serem escolhidos &#150; &eacute; apresentada    uma outra considera&ccedil;&atilde;o que contradiz a teoria fisiol&oacute;gica    mecanicista. &Eacute; que se um processo mec&acirc;nico (tal como a a&ccedil;&atilde;o    de uma m&aacute;quina) sofre danos em seu aparato f&iacute;sico (tal como a    quebra de uma pe&ccedil;a), o processo subseq&uuml;ente se desenrolar&aacute;    sempre de forma diversa daquela esperada, ou seja, de forma errada. Mas um c&eacute;rebro    que sofre algum dano, e que poderia ser comparado a uma m&aacute;quina quebrada,    pode, depois de algum tempo, retornar &agrave;s suas fun&ccedil;&otilde;es habituais.    Ora, se a consci&ecirc;ncia conseguisse ajudar a formar novas configura&ccedil;&otilde;es    de canais nervosos, que restaurassem as fun&ccedil;&otilde;es prejudicadas,    o c&eacute;rebro poderia voltar a exerc&ecirc;-las. Mas, se a consci&ecirc;ncia    n&atilde;o tiver efic&aacute;cia causal, como explicar o restabelecimento de    fun&ccedil;&otilde;es danificadas? Para James, &eacute; a a&ccedil;&atilde;o    ativa da consci&ecirc;ncia que possibilita a reconstitui&ccedil;&atilde;o dessas    fun&ccedil;&otilde;es danificadas, por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o de outras    vias de condu&ccedil;&atilde;o capazes de contornar os danos f&iacute;sicos.    Com o aux&iacute;lio da consci&ecirc;ncia, uma mesma fun&ccedil;&atilde;o poderia    ser exercida de maneiras diversas pelo mesmo aparato cerebral &#150; assim como    um homem pode contornar uma montanha tanto tomando o rumo da esquerda quanto    o da direita, se lhe for imposs&iacute;vel transp&ocirc;-la por cima. A hip&oacute;tese    de James &eacute; ainda atual, pois, n&atilde;o fala em reconstitui&ccedil;&atilde;o    dos tecidos danificados, mas sim em reconstitui&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es.    Embora possa haver controv&eacute;rsias acerca da capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o    do tecido cerebral, e mesmo sobre a cria&ccedil;&atilde;o de novas liga&ccedil;&otilde;es    sin&aacute;pticas na idade adulta, h&aacute; consenso cl&iacute;nico sobre a    possibilidade de restaura&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es por meio    de interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Herbert Spencer    e sua Teoria Evolucion&aacute;ria</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora o darwinismo,    aplicado no contexto da fisiologia, pudesse legar ao indiv&iacute;duo um espa&ccedil;o    de a&ccedil;&atilde;o consciente e volunt&aacute;ria, James buscava mais evid&ecirc;ncias    contra o determinismo que informava o <i>mainstream</i> da ci&ecirc;ncia da    &eacute;poca. Um assunto central no qual o determinismo vinha sendo aplicado    era na formula&ccedil;&atilde;o de teorias da evolu&ccedil;&atilde;o. A bem    da verdade, &eacute; preciso assinalar que, em meados do s&eacute;culo XIX,    o evolucionismo n&atilde;o era uma id&eacute;ia de todo original. Atualmente    pode parecer que Charles Darwin n&atilde;o tivesse concorrentes diretos, como    se tudo que concerne ao conceito de evolu&ccedil;&atilde;o fosse de sua autoria    &#150; o que n&atilde;o &eacute; de todo certo, pois que A. R. Wallace pode    ser considerado praticamente como co-descobridor da sele&ccedil;&atilde;o natural    (cf. Horta, 2003). No entanto, a concep&ccedil;&atilde;o de que os seres vivos    evolu&iacute;ram ao longo das eras tinha defensores desde muito antes. Na &eacute;poca    de Darwin, a quest&atilde;o mais urgente era explicar como funcionavam os mecanismos    dessa evolu&ccedil;&atilde;o; trabalho ao qual dedicara-se tamb&eacute;m, por    exemplo, o naturalista franc&ecirc;s Jean Lamarck (1744&#150;1829). O fil&oacute;sofo    evolucionista brit&acirc;nico Herbert Spencer tamb&eacute;m empreendera a tarefa    de encontrar tais mecanismos, mas de tal modo que fosse poss&iacute;vel aplic&aacute;-los    n&atilde;o s&oacute; &agrave; biologia, incluindo desde a forma&ccedil;&atilde;o    do universo at&eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o da moral e da est&eacute;tica.    Sua abrangente teoria evolucion&aacute;ria era uma forte concorrente do darwinismo.    Spencer se baseava prioritariamente em princ&iacute;pios lamarckianos, como    a concep&ccedil;&atilde;o de que h&aacute;bitos adquiridos por um indiv&iacute;duo    poderiam produzir adapta&ccedil;&otilde;es cong&ecirc;nitas em seus descendentes    (mais adiante ficar&aacute; claro que, em raz&atilde;o desse pressuposto, sua    teoria acabava por se mostrar determinista, e ainda por cima racista). Ali&aacute;s,    Darwin tamb&eacute;m iniciara sua abordagem por essa via (a da adapta&ccedil;&atilde;o    cong&ecirc;nita), abandonando-a gradualmente a partir de 1838, por&eacute;m    sem neg&aacute;-la por completo. J&aacute; Spencer era essencialmente lamarckiano,    divergindo do Darwin de <i>A Origem das Esp&eacute;cies.</i> Contudo, &eacute;    preciso informar que, no spencerianismo, tamb&eacute;m h&aacute; espa&ccedil;o    para um conceito an&aacute;logo &agrave; sele&ccedil;&atilde;o natural, denominado    de <i>equilibra&ccedil;&atilde;o indireta</i>. Ao se comparar Spencer com Darwin,    n&atilde;o se deve pensar que eles fossem inimigos (ver Dennett, 1998)<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>.    As diferen&ccedil;as referem-se mais ao grau de utiliza&ccedil;&atilde;o do    lamarckismo: baixo em Darwin e destacado em Spencer.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James (1890/1983b) admite que o trabalho de Spencer tivesse algum valor, pois, por se tratar de uma abordagem evolucionista, ao menos o spencerianismo era uma alternativa melhor do que uma psicologia puramente racional:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>At&eacute;      um certo est&aacute;gio de desenvolvimento de uma ci&ecirc;ncia, um certo      grau de indefini&ccedil;&atilde;o &eacute; o que h&aacute; de melhor para      sua fertilidade. No geral, poucas f&oacute;rmulas recentes t&ecirc;m feito      um maior real servi&ccedil;o, conquanto incompleto, do que o spencerianismo,      segundo o qual a ess&ecirc;ncia da vida mental e corporal &eacute;, a saber,      "o ajustamento de rela&ccedil;&otilde;es internas &agrave;s externas". Tal      f&oacute;rmula &eacute; a vagueza encarnada; mas por levar em conta o fato      de que a consci&ecirc;ncia habita o ambiente, que age sobre o ambiente, e      que por sua vez o ambiente reage; sendo breve, na medida em que o spencerianismo      toma a consci&ecirc;ncia em meio a todas as suas rela&ccedil;&otilde;es concretas,      isso faz com que tal teoria seja imensamente mais f&eacute;rtil do que a antiquada      "psicologia racional", que tratou a alma como um ente separado, suficiente      em si mesmo, considerada apenas em suas propriedades e natureza</i> (James,      1890/1983b, p. 19)<i>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com a teoria spenceriana a "vida &eacute; um cont&iacute;nuo ajustamento de rela&ccedil;&otilde;es internas &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es externas" (Spencer, citado por James, 1890/1983, p.19). Essas rela&ccedil;&otilde;es externas se d&atilde;o pela experi&ecirc;ncia, mais especificamente pela ordem e freq&uuml;&ecirc;ncia das impress&otilde;es recebidas pelo sujeito. Por sua vez, a mente do indiv&iacute;duo copiaria as ordens de seq&uuml;&ecirc;ncias e coexist&ecirc;ncias, de maneira que as imagens das coisas, internamente, tornar-se-iam assemelhadas &agrave;s coisas externas propriamente ditas. Para impress&otilde;es constantes entre si ocorrem conjun&ccedil;&otilde;es constantes de id&eacute;ias; para impress&otilde;es fortuitas ocorrem conjun&ccedil;&otilde;es casuais de id&eacute;ias. Em s&iacute;ntese, as rela&ccedil;&otilde;es internas espelham rela&ccedil;&otilde;es externas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa perspectiva, centrada na experi&ecirc;ncia, alinha-se bem com a tradi&ccedil;&atilde;o do empirismo ingl&ecirc;s, e adiciona um fator evolucion&aacute;rio quando aceita que, durante a filog&ecirc;nese, as experi&ecirc;ncias mais freq&uuml;entes vividas pelos organismos, tais como as rela&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;o-temporais, tornam-se de alguma forma heredit&aacute;rias. Isto &eacute;, o argumento torna-se evolucion&aacute;rio quando admite que as inumer&aacute;veis experi&ecirc;ncias dos antepassados de uma ra&ccedil;a possam vir a ser cong&ecirc;nitas na descend&ecirc;ncia (lamarckismo). Aqui, recorrer a uma passagem do pr&oacute;prio Spencer ser&aacute; um procedimento bastante elucidativo:</font></p>      <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A lei universal      de que, mantidas outras coisas constantes, a coes&atilde;o de estados ps&iacute;quicos      &eacute; proporcional &agrave; freq&uuml;&ecirc;ncia com que eles seguiram      uns aos outros na experi&ecirc;ncia, fornece uma explica&ccedil;&atilde;o      para as assim denominadas "formas de pensamento", t&atilde;o logo seja ela      complementada pela lei de que sucess&otilde;es ps&iacute;quicas habituais      acarretam alguma tend&ecirc;ncia heredit&aacute;ria para tais sucess&otilde;es,      as quais, sob condi&ccedil;&otilde;es persistentes, ir&atilde;o tornar-se      cumulativas de gera&ccedil;&atilde;o para gera&ccedil;&atilde;o. Vemos que      o estabelecimento daquelas a&ccedil;&otilde;es reflexas compostas chamadas      de instintos &eacute; assim compreens&iacute;vel mediante o princ&iacute;pio      de que as rela&ccedil;&otilde;es internas s&atilde;o, pela perp&eacute;tua      repeti&ccedil;&atilde;o, organizadas em correspond&ecirc;ncia com as rela&ccedil;&otilde;es      externas. Tamb&eacute;m devemos observar que o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es      mentais instintivas, consolidadas e indissol&uacute;veis, constituintes de      nossas id&eacute;ias de Espa&ccedil;o e Tempo s&atilde;o compreens&iacute;veis      pelo mesmo princ&iacute;pio (...) A organiza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es      subjetivas ajustadas &agrave;quelas rela&ccedil;&otilde;es objetivas tem sido      cumulativa, n&atilde;o apenas em cada ra&ccedil;a de criatura, mas em todas      as sucessivas ra&ccedil;as de criaturas; e tais rela&ccedil;&otilde;es subjetivas      t&ecirc;m, portanto, se tornado mais consolidadas do que qualquer outra (...)      Sendo &#91;Espa&ccedil;o e Tempo&#93; os elementos do pensamento mais constantes      e infinitamente repetidos, eles devem tornar-se elementos autom&aacute;ticos      do pensamento </i>&#150;<i> os elementos imposs&iacute;veis de serem descartados      </i>&#150;<i> as "formas de intui&ccedil;&atilde;o"</i> (Spencer, citado por      James 1890/1983b, p. 1219).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por essa via, Spencer    conciliava suas id&eacute;ias com certos aspectos da doutrina kantiana sobre    o Espa&ccedil;o e o Tempo (Kant, 1781/1999). As <i>formas da intui&ccedil;&atilde;o</i>    seriam aqueles tipos de experi&ecirc;ncia mais freq&uuml;entes do que quaisquer    outras. E sua universalidade se deveria ao fato de que os organismos atuais    est&atilde;o congenitamente ajustados a tais rela&ccedil;&otilde;es exteriores    espa&ccedil;o-temporais. J&aacute; no que tange rela&ccedil;&otilde;es contingentes    &#150; isto &eacute;, n&atilde;o necess&aacute;rias, no linguajar da l&oacute;gica    formal &#150; Spencer achava que quando o meio ambiente exterior de um organismo    altera-se, esse organismo naturalmente procura alterar seu pr&oacute;prio comportamento,    com o intuito de restabelecer o seu devido ajustamento &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es.    Essas altera&ccedil;&otilde;es, por sua vez, engendrariam novas configura&ccedil;&otilde;es    anat&ocirc;micas. Spencer denominou <i>equilibra&ccedil;&atilde;o direta</i>    a esse mecanismo pelo qual os organismos adaptam-se &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es    do meio externo, evidentemente seguindo princ&iacute;pios tipicamente lamarckianos.    Richards (1982) comenta que na teoria de Spencer "<i>o principal mecanismo de    evolu&ccedil;&atilde;o era a internaliza&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    externas, e que esse mecanismo progressivamente compeliu as formas anat&ocirc;micas    e as estruturas mentais pouco generalizadas a se tornarem correspond&ecirc;ncias    mais definidas com o ambiente</i>" (p.400).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m da    <i>equilibra&ccedil;&atilde;o direta</i>, Spencer afirmava que um segundo mecanismo    colabora no processo de evolu&ccedil;&atilde;o dos seres vivos. De forma breve,    se varia&ccedil;&otilde;es acidentais favorecerem a adequa&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es internas dos indiv&iacute;duos &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es    exteriores do ambiente, ent&atilde;o essas varia&ccedil;&otilde;es acidentais    ser&atilde;o selecionadas &#150; algo muito semelhante ao que Darwin defendia.    Spencer denominou esse mecanismo como <i>equilibra&ccedil;&atilde;o indireta</i>,    concedendo-lhe, no entanto, import&acirc;ncia menor.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; expusemos que, para James, embora o spencerianismo fosse equivocado, havia nele algum m&eacute;rito, pois levava em conta a evolu&ccedil;&atilde;o dos organismos e suas rela&ccedil;&otilde;es com o meio ambiente. Ressalvado o valor disso, agora &eacute; necess&aacute;rio mostrar as raz&otilde;es que o levaram a criticar Spencer, &agrave;s vezes de forma bastante &aacute;spera.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Obje&ccedil;&otilde;es ao Determinismo na Evolu&ccedil;&atilde;o Sociocultural</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As cr&iacute;ticas de James a Spencer se referem a quest&otilde;es socioculturais engendradas numa concep&ccedil;&atilde;o determinista de evolu&ccedil;&atilde;o. Isso porque, admitindo-se o spencerianismo, e sua &ecirc;nfase sobre a id&eacute;ia de equilibra&ccedil;&atilde;o direta, deve-se tamb&eacute;m aceitar que, durante a evolu&ccedil;&atilde;o, o ambiente externo moldou coercitivamente as caracter&iacute;sticas e as capacidades das v&aacute;rias etnias humanas. Para que se mantenha a consist&ecirc;ncia do argumento, &eacute; preciso admitir que aqueles indiv&iacute;duos de uma etnia que apresentaram capacidades excepcionais, e que por sua vez produziram pensamentos que mudaram a hist&oacute;ria da humanidade, conseq&uuml;entemente tamb&eacute;m foram determinados por fatores heredit&aacute;rios. Por exemplo, Spencer afirma que:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Segue do argumento      geral o corol&aacute;rio de que o c&eacute;rebro humano &eacute; um registro      de um sem-n&uacute;mero de experi&ecirc;ncias recebidas durante a evolu&ccedil;&atilde;o      da vida, mais precisamente durante a evolu&ccedil;&atilde;o das s&eacute;ries      de organismos aos quais o organismo humano tem estado ligado. Os efeitos das      experi&ecirc;ncias mais uniformes e freq&uuml;entes nos t&ecirc;m sido legados,      e vagarosamente somam-se sobre aquela alta intelig&ecirc;ncia que subjaz latente      no c&eacute;rebro da crian&ccedil;a &#151; a qual a crian&ccedil;a quando      em vida exercita ou fortalece &#151; e que, com uma m&iacute;nima adi&ccedil;&atilde;o,      ser&aacute; legada &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras. E assim acontece      ao Europeu herdar de 20 a 30 polegadas quadradas de c&eacute;rebro a mais      que o habitante de Papua. Assim acontece que faculdades, tais como a m&uacute;sica,      que escassamente existem em algumas ra&ccedil;as inferiores, v&ecirc;m a ser      cong&ecirc;nitas nas ra&ccedil;as superiores. Isso explica porque &eacute;      que, longe dos selvagens que n&atilde;o conseguem contar os dedos, falantes      de uma linguagem constitu&iacute;da apenas de nomes e verbos, surgem finalmente      nossos Newtons e Shakespeares. (</i>Spencer, citado por James, 1890/1983b,      p. 1222).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, v&ecirc;-se claramente qu&atilde;o conveniente, para brit&acirc;nicos, &eacute; o empirismo evolucion&aacute;rio de Spencer quando aplicado &agrave; sociologia. James considera falso tal argumento. Quando afirma que Shakespeare e Newton s&atilde;o descendentes de uma ra&ccedil;a mais avan&ccedil;ada, e que por isso possuem habilidades mais desenvolvidas, Spencer destaca a filog&ecirc;nese em detrimento da ontog&ecirc;nese. Assim sendo, pouco haveria de individualmente original na obra desses grandes pensadores. Eles seriam apenas a conseq&uuml;&ecirc;ncia natural das experi&ecirc;ncias passadas de sua ra&ccedil;a, um produto da superioridade racial anglo-sax&ocirc;nica. James n&atilde;o aceitava tal concep&ccedil;&atilde;o, pois achava o g&ecirc;nio deveria ser entendido como um agente independente, ativo e transformador. Essa sua vis&atilde;o do papel ativo do g&ecirc;nio na evolu&ccedil;&atilde;o humana foi inspirada pelas id&eacute;ias de seu padrinho, o n&atilde;o menos importante pensador norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Segundo Richards (1982): "<i>Contra esse abstrato, que para James era um relato evolucion&aacute;rio moralmente detest&aacute;vel, ele enfatizava o que acreditava ser, por via emersoniana, a evid&ecirc;ncia hist&oacute;rica de que a evolu&ccedil;&atilde;o social &eacute; devida ao trabalho dos grandes l&iacute;deres de uma sociedade</i>" (p. 405).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James (1880/1992) opunha-se ao determinismo sociocultural, por acreditar que era preciso distinguir entre as <i>causas que originam um fen&ocirc;meno</i> e as <i>causas que o preservam</i>. Para ele, um dos m&eacute;ritos do darwinismo residia exatamente no fato de que o conceito de varia&ccedil;&atilde;o acidental responde pelas primeiras (causas da origem) e a sele&ccedil;&atilde;o natural pelas segundas (causas da preserva&ccedil;&atilde;o). No contexto da evolu&ccedil;&atilde;o sociocultural, James acreditava que o darwinismo poderia ser aplicado do seguinte modo: o g&ecirc;nio deveria ser tomado como uma fonte de <i>varia&ccedil;&atilde;o</i> dentro do tecido social. Quando as id&eacute;ias do g&ecirc;nio encontram aceita&ccedil;&atilde;o no ambiente social, passam a gerar um novo modo de exist&ecirc;ncia; mas se o ambiente social mostra-se hostil, ent&atilde;o as id&eacute;ias e seu proponente s&atilde;o rejeitados, n&atilde;o promovendo mudan&ccedil;a alguma, ou, no m&aacute;ximo, muito aqu&eacute;m do poss&iacute;vel.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rejeitado ou n&atilde;o pelo ambiente social, o g&ecirc;nio tem um papel ativo nas transforma&ccedil;&otilde;es. Ele &eacute; a fonte das varia&ccedil;&otilde;es das id&eacute;ias, n&atilde;o sendo, portanto, um mero recept&aacute;culo das experi&ecirc;ncias passadas de sua ra&ccedil;a. Note o leitor que, embora as cr&iacute;ticas agora discutidas refiram-se ao evolucionismo sociocultural determinista, retorna o argumento de que o c&eacute;rebro (por sua organiza&ccedil;&atilde;o extremamente complexa) &eacute; a fonte das varia&ccedil;&otilde;es, e de que a consci&ecirc;ncia seria a ag&ecirc;ncia que selecionaria um dos poss&iacute;veis processos neurais em detrimento dos demais processos concorrentes. Nesse ponto articulam-se as discuss&otilde;es de natureza fisiol&oacute;gica, apresentadas anteriormente, com quest&otilde;es de &acirc;mbito epistemol&oacute;gico e sociol&oacute;gico mais geral. No <i>Princ&iacute;pios de Psicologia</i>, especificamente no cap&iacute;tulo "Verdades necess&aacute;rias e os efeitos da experi&ecirc;ncia," James (1890/1983b) apresenta sua concep&ccedil;&atilde;o acerca da cria&ccedil;&atilde;o de importantes teorias cient&iacute;ficas:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Toda concep&ccedil;&atilde;o      cient&iacute;fica &eacute;, antes de qualquer coisa, uma varia&ccedil;&atilde;o      espont&acirc;nea no c&eacute;rebro de algu&eacute;m. Para cada concep&ccedil;&atilde;o      que se prove &uacute;til e aplic&aacute;vel, existem milhares de outras que      perecem devido sua falta de valor. Sua g&ecirc;nese &eacute; estritamente      aparentada com aquelas inspira&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas, ou com as      m&aacute;ximas de sabedoria, das quais as varia&ccedil;&otilde;es cerebrais      tamb&eacute;m s&atilde;o a fonte. Mas enquanto a poesia e a sabedoria (como      a ci&ecirc;ncia dos antigos) s&atilde;o sua pr&oacute;pria raz&atilde;o de      ser, e n&atilde;o v&atilde;o muito al&eacute;m disso, as concep&ccedil;&otilde;es      cient&iacute;ficas devem provar seu valor sendo verific&aacute;veis. Tal teste      &eacute; a causa de sua preserva&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o de sua produ&ccedil;&atilde;o</i>      (pp. 1232-1233).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa passagem    fica claro como James aplica o darwinismo sobre a g&ecirc;nese de id&eacute;ias    cient&iacute;ficas. Para ele, essas &uacute;ltimas originam-se na varia&ccedil;&atilde;o    das id&eacute;ias no c&eacute;rebro do cientista, evidenciando qu&atilde;o ativo    e transformador &eacute; o seu trabalho. O fundamental &eacute; que os testes,    aos quais as concep&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas s&atilde;o submetidas,    s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de sua preserva&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o    de sua origem. Na verdade, a g&ecirc;nese das teorias cient&iacute;ficas est&aacute;    na varia&ccedil;&atilde;o dos processos nos c&eacute;rebros dos cientistas.    O darwinismo, no entender de James, tem o m&eacute;rito de separar essas duas    esferas de causalidade (origem e preserva&ccedil;&atilde;o); enquanto que o    spencerianismo, com sua &ecirc;nfase somente na passividade do ajustamento das    rela&ccedil;&otilde;es interiores &agrave;s exteriores, releva o papel ativo    dos cientistas na produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Formado em Medicina, e a par das descobertas da Fisiologia de sua &eacute;poca, James considerava que o mecanicismo fisiol&oacute;gico era coerente; no entanto, via na teoria do <i>aut&ocirc;mato consciente</i>, digamos, apenas meia verdade. De certo existem leis mec&acirc;nicas no que concerne o aparato cerebral, mas &eacute; preciso tamb&eacute;m considerar a possibilidade de que haja efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia sobre a s&eacute;rie de eventos fisiol&oacute;gicos. Al&eacute;m disso, naquela &eacute;poca vigorava uma forte tend&ecirc;ncia determinista acerca da evolu&ccedil;&atilde;o, representada pela teoria spenceriana. James discordava desse tipo de abordagem evolucion&aacute;ria, particularmente em raz&atilde;o das pressuposi&ccedil;&otilde;es &eacute;tico-morais engendradas por um determinismo sociocultural.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O eixo comum das considera&ccedil;&otilde;es jamesianas consiste na aceita&ccedil;&atilde;o do evolucionismo darwinista, que se baseia nos conceitos de varia&ccedil;&atilde;o acidental e sele&ccedil;&atilde;o. Em resumo, "<i>de acordo com a nova e influente teoria evolucion&aacute;ria, James achava que o comportamento do homem e, em especial, a sua mente, deve ter alguma fun&ccedil;&atilde;o para que a sus sobreviv&ecirc;ncia se justifique</i>" (Marx &amp; Hillix, 1978, p.193). Foi essa perspectiva que capacitou James a defender que a consci&ecirc;ncia, embora condicionada pela hist&oacute;ria natural, poderia influenciar decisivamente as a&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos. A consci&ecirc;ncia teria a fun&ccedil;&atilde;o de selecionar certos cursos de a&ccedil;&atilde;o dentre as in&uacute;meras possibilidades oferecidas por um aparato cerebral complexo (Kinouchi, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia jamesiana,    ao inferir a efic&aacute;cia causal da consci&ecirc;ncia, fundamenta uma perspectiva    distinta da neurofisiologia mecanicista europ&eacute;ia de ent&atilde;o. O darwinismo,    tal como James o entendia, tamb&eacute;m fornecia o devido m&eacute;rito aos    grandes g&ecirc;nios que <i>constru&iacute;ram</i> a hist&oacute;ria humana,    j&aacute; que suas id&eacute;ias e a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consideradas    como sendo varia&ccedil;&otilde;es selecionadas devido ao seu valor para a humanidade,    e n&atilde;o apenas como conseq&uuml;&ecirc;ncias de uma pretensa superioridade    racial. Tal &ecirc;nfase sobre o papel do indiv&iacute;duo, que por sinal &eacute;    algo t&iacute;pico do pensamento norte-americano, encontra indubit&aacute;vel    express&atilde;o na psicologia jamesiana, a qual, como mostrado, baseava-se    nas id&eacute;ias de Darwin.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Darwin, C. (1902). <i>The origin of species</i>. London: John Murray, Albemarle Street. (Trabalho original publicado em 1855)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0102-3772200600030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dennett, D. (1998). <i>A perigosa id&eacute;ia de Darwin</i>. (T. M. Rodrigues, Trad.) Rio de Janeiro: Editora Rocco.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0102-3772200600030001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Descartes, R. (1999). As paix&otilde;es da alma. (E. Corvisieri, Trad.). Em J. Florido (Org.), <i>Os Pensadores: Descartes</i> (pp. 101-232). S&atilde;o Paulo: Editora Nova Cultural. (Trabalho original publicado em 1649)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0102-3772200600030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Flanagan, O. (1997). Consciousness as a pragmatist viwes it. Em R. A. Putnam (Org.), <i>The Cambridge Companion to William James</i> (pp. 25-48). New York: Cambridge University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0102-3772200600030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Harrison, S. (2004). Was James a redutionist? <i>Streams of William James, 6</i>(3), 19-24.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0102-3772200600030001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Herrnstein, R. J. &amp; Boring, E. G. (Org.) (1971). <i>Textos b&aacute;sicos de Hist&oacute;ria da Psicologia</i>. S&atilde;o Paulo: Herder e EDUSP.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0102-3772200600030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Horta, M. R. (2003). O impacto do manuscrito de Wallace de 1858. <i>Scientiae Studia, 1</i>(2), 217-229.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0102-3772200600030001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hume, D. (2000). Investiga&ccedil;&atilde;o acerca do entendimento humano. (A. Aiex, Trad.) Em J. Florido (Org.), <i>Os Pensadores: Hume</i> (pp. 17-154). S&atilde;o Paulo: Editora Nova Cultural. (Trabalho original publicado em 1748)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0102-3772200600030001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James, W. (1983a). Are we automata? Em I. Skruspkelis, I. (Org.), <i>The Works of William James: Essays in Psychology</i>. Cambridge: Harvard University Press. (Trabalho original publicado em 1878)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0102-3772200600030001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James, W. (1983b). <i>The Principles of Psychology</i>. Cambridge: Harvard University Press. (Trabalho original publicado em 1890)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0102-3772200600030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">James, W. (1992). Great Men and Their Environment. Em G. E. Myers (Org.), <i>William James Writings 1878-1899</i> (pp. 618-646). New York: Literary Classics of United States.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0102-3772200600030001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kant, I. (1999). Cr&iacute;tica da Raz&atilde;o Pura. (V. Rohden &amp; U. B. Moosburger, Trad.). Em J. Florido (Org.), <i>Os Pensadores: Kant</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Nova Cultural. (Trabalho original publicado em 1781)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0102-3772200600030001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kinouchi, R. R. (2001). Surmounting Rationalism and Associationism Controversies. <i>Streams of William James, 3</i>(2), 1-4.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0102-3772200600030001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kinouchi, R. R. (2004). Ainda existe consci&ecirc;ncia? <i>Scientiae Studia, 2</i>(3), 415-425.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0102-3772200600030001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marx, M. H. &amp; Hillix, W. A. (1978). <i>Sistemas e Teorias em Psicologia</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Cultrix.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0102-3772200600030001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Richards, R. J.    (1982). The Personal Equation in Science: William James's Psychological and    Moral Uses of Darwinian Theory. Em K. E. Carpenter (Org.), <i>A William James    Renaissance: Four essays by Young Scholars</i> (pp. 387-425)<i>.</i> Boston:    Harvard Library Bulletin.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0102-3772200600030001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 31.10.2005    <br>   Primeira decis&atilde;o editorial em 06.04.2006    <br>   Vers&atilde;o final em 21.06.2006    <br>   Aceito em 04.08.2006</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top10">1</a>    O autor agradece &agrave; FAPESP aux&iacute;lio por meio de bolsa de P&oacute;s-doutoramento    junto ao Projeto Tem&aacute;tico "Estudos de Filosofia e Hist&oacute;ria da    Ci&ecirc;ncia". Este trabalho cont&eacute;m partes da tese de doutoramento "Consci&ecirc;ncia    n&atilde;o-linear: de William James aos Sistemas din&acirc;micos", defendida    junto ao Departamento de Filosofia e Metodologia das Ci&ecirc;ncias, da Universidade    Federal de S&atilde;o Carlos.    <br>   <a name="back2"></a><a href="#top10">2</a> Endere&ccedil;o: Rua Catequese, 242,    Jardim, Santo Andr&eacute;, SP, Brasil 09090-400. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:kinouchi@scientiaestudia.org.br">kinouchi@scientiaestudia.org.br</a>    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> H&aacute; uma tradu&ccedil;&atilde;o    parcial desse cap&iacute;tulo em Herrnstein e Boring (1971). Mas todas as cita&ccedil;&otilde;es    e passagens utilizadas neste artigo foram traduzidas pelo autor deste presente    artigo    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Interessante notar que as premissas    mecanicistas do behaviorismo watsoniano j&aacute; se encontravam colocadas e    que, de alguma maneira, o conceito de reflexo condicionado tamb&eacute;m foi    uma forma de explicar o comportamento seguindo um princ&iacute;pio de continuidade    entre o simples (um reflexo isolado) e o complexo (cadeias de reflexos condicionados).    <br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> Note-se que atitudes sect&aacute;rias,    promovidas por estudiosos da neurofisiologia, n&atilde;o s&atilde;o exclusividade    da fisiologia mecanicista do s&eacute;culo XIX. Quando deparamo-nos com argumentos    reducionistas como aqueles apresentados pelo <i>materialismo eliminativo</i>    (mesmo este n&atilde;o sendo dualista), ficamos estupefatos com a longevidade    vigorosa do m&eacute;todo (digamos, "ostracist&oacute;ide") de banir os termos    mentalistas de uma psicologia da consci&ecirc;ncia para o terreno do n&atilde;o-cient&iacute;fico.    <br>   <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a> De acordo com Dennett (1998), Spencer    era um entusiasmado defensor das id&eacute;ias de Darwin, mesmo que por vezes    a utilizasse equivocadamente, e chegasse a conclus&otilde;es diversas daquelas    propostas pro Darwin.</font></p>      ]]></body><back>
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