<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0102-3772</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Psicologia: Teoria e Pesquisa]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Psic.: Teor. e Pesq.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0102-3772</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0102-37722006000300014</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0102-37722006000300014</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ayahuasca e redução do uso abusivo de psicoativos: eficácia terapêutica?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ayahuasca and reduction of the abusive use of psychoactives: therapeutic efficacy?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rafael Guimarães dos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moraes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Célia Carvalho de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Holanda]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adriano]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Brasília  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto de Gestalt-Terapia de Brasília  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>22</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>363</fpage>
<lpage>370</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-37722006000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0102-37722006000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0102-37722006000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Trata-se de uma avaliação do possível papel do uso da ayahuasca, em contexto religioso, como auxiliar na redução do consumo abusivo de psicoativos, a partir de uma pesquisa de estudo de caso. Foi realizada uma entrevista aberta com uma usuária regular de cocaína, nicotina e álcool que abandonou este comportamento após entrar em contato com a ayahuasca num contexto ritualizado. O caso foi analisado à luz da comparação deste com a literatura existente sobre o assunto. Foi traçada uma relação entre o início do uso da ayahuasca e o abandono do uso de cocaína, nicotina e álcool pela entrevistada, a partir da avaliação das representações simbólicas e das descrições de suas primeiras experiências com a bebida.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper evaluates the possible role of the use of ayahuasca, in a religious context, as an auxiliary in the reduction of the abusive consume of psychoactives, using a case report research. An open interview with a regular consumer of cocaine, nicotine and alcohol, which abandoned this behavior after the encounter with the ritualized use of ayahuasca, was made. The case was analyzed comparing it with the literature on the subject. From the evaluation of the symbolic representations and the descriptions of her first experiences with the brew, a relation was constructed between the moment the interviewee began to use ayahuasca and the moment that she abandoned the use of cocaine, nicotine and alcohol.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ayahuasca]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[alucinógenos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[psicoativos]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[ayahuasca]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[hallucinogens]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[psychoactives]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top10"></a>Ayahuasca    e redu&ccedil;&atilde;o do uso abusivo de psicoativos: efic&aacute;cia terap&ecirc;utica?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Ayahuasca and    reduction of the abusive use of psychoactives: therapeutic efficacy?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rafael Guimar&atilde;es    dos Santos<sup>I, <a href="#back1">1</a></sup>; C&eacute;lia Carvalho de Moraes<sup>II</sup>;    Adriano Holanda<sup>I</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Universidade    de Bras&iacute;lia    <br>   <sup>II</sup>Instituto de Gestalt-Terapia de Bras&iacute;lia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de uma    avalia&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel papel do uso da ayahuasca, em contexto    religioso, como auxiliar na redu&ccedil;&atilde;o do consumo abusivo de psicoativos,    a partir de uma pesquisa de estudo de caso. Foi realizada uma entrevista aberta    com uma usu&aacute;ria regular de coca&iacute;na, nicotina e &aacute;lcool que    abandonou este comportamento ap&oacute;s entrar em contato com a ayahuasca num    contexto ritualizado. O caso foi analisado &agrave; luz da compara&ccedil;&atilde;o    deste com a literatura existente sobre o assunto. Foi tra&ccedil;ada uma rela&ccedil;&atilde;o    entre o in&iacute;cio do uso da ayahuasca e o abandono do uso de coca&iacute;na,    nicotina e &aacute;lcool pela entrevistada, a partir da avalia&ccedil;&atilde;o    das representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e das descri&ccedil;&otilde;es    de suas primeiras experi&ecirc;ncias com a bebida.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    ayahuasca; alucin&oacute;genos; psicoativos.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This paper evaluates    the possible role of the use of ayahuasca, in a religious context, as an auxiliary    in the reduction of the abusive consume of psychoactives, using a case report    research. An open interview with a regular consumer of cocaine, nicotine and    alcohol, which abandoned this behavior after the encounter with the ritualized    use of ayahuasca, was made. The case was analyzed comparing it with the literature    on the subject. From the evaluation of the symbolic representations and the    descriptions of her first experiences with the brew, a relation was constructed    between the moment the interviewee began to use ayahuasca and the moment that    she abandoned the use of cocaine, nicotine and alcohol.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key words:</b>    ayahuasca; hallucinogens; psychoactives.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A palavra <i>ayahuasca</i>    tem sua origem na l&iacute;ngua <i>Qu&eacute;chua</i>, l&iacute;ngua falada    nos altiplanos andinos (Dobkin de Rios, 1972), e significa, dentre outras, "corda    dos mortos", em refer&ecirc;ncia &agrave;s v&aacute;rias esp&eacute;cies de    cip&oacute; utilizadas como base da prepara&ccedil;&atilde;o de um psicoativo    utilizado por pelo menos 72 grupos ind&iacute;genas diferentes, espalhados pelo    Brasil, Col&ocirc;mbia, Peru, Venezuela, Bol&iacute;via e Equador (Luna, 1986).    O termo ayahuasca refere-se a diferentes elementos: 1) a for&ccedil;a espiritual    que estaria presente na subst&acirc;ncia e 2) a pr&oacute;pria subst&acirc;ncia,    que &eacute; feita a partir de diferentes esp&eacute;cies do cip&oacute; <i>Banisteriopsis</i>    (<i>Malpighiaceae</i>) adicionadas com outras plantas (Groisman, 2000)<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.    Pode-se dizer que o termo aplica-se tamb&eacute;m &agrave; subst&acirc;ncia    preparada somente com esp&eacute;cies do cip&oacute;, pr&aacute;tica esta encontrada,    por exemplo, entre os &iacute;ndios Maku, na regi&atilde;o fronteiri&ccedil;a    entre Brasil e Col&ocirc;mbia (Davis, 1997).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desde meados do s&eacute;culo XIX, com a expans&atilde;o do Ciclo da Borracha, a ayahuasca vem sendo utilizada por popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ind&iacute;genas, como seringueiros, pescadores e agricultores das &aacute;reas rurais dos estados brasileiros do Acre e de Rond&ocirc;nia, por exemplo (Ara&uacute;jo, M., 2004). Por volta da segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, no interior de Rio Branco-AC, foi criada por Raimundo Irineu Serra a religi&atilde;o do Santo Daime, culto que consagra a ayahuasca (neste contexto, batizada de <i>Daime</i>) em rituais religiosos com influ&ecirc;ncias do catolicismo popular, do espiritismo kardecista, dos cultos afro e do xamanismo (Couto, 1989; Goulart, 1996; Labate &amp; Ara&uacute;jo, 2004; MacRae, 1992).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na d&eacute;cada de 1940 foi fundada por Daniel Pereira de Mattos, tamb&eacute;m em Rio Branco-AC, a Barquinha, religi&atilde;o ayahuasqueira tamb&eacute;m formada com elementos ind&iacute;genas, crist&atilde;os e afro-brasileiros, com uma maior influ&ecirc;ncia da Umbanda (Ara&uacute;jo, W., 2004; Frenopoulo, 2004; Labate, 2004, Santos, 2004). E em 1961, foi fundada por Jos&eacute; Gabriel da Costa, em Porto Velho-RO, a Uni&atilde;o do Vegetal (UDV), a maior e mais institucionalmente organizada das religi&otilde;es ayahuasqueiras, cujos ensinamentos s&atilde;o baseados em uma doutrina crist&atilde;-reencarnacionista permeada por elementos do espiritismo kardecista e de outras manifesta&ccedil;&otilde;es religiosas urbanas. Al&eacute;m disso, possui um car&aacute;ter mais s&oacute;brio e menos festivo que as outras organiza&ccedil;&otilde;es (Santo Daime e Barquinha), n&atilde;o praticando dan&ccedil;as ou cantos com instrumentos (Brissac, 1999, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em recente publica&ccedil;&atilde;o, Labate (2004) estudou os usos ritualizados da ayahuasca em contextos urbanos, usos estes marcados por uma influ&ecirc;ncia de orientalismos, vocabul&aacute;rios provenientes do universo <i>New Age</i> e da Psicologia. Os usos religioso-institucionais da ayahuasca se encontram hoje em v&aacute;rios pa&iacute;ses do mundo, como Espanha, Fran&ccedil;a, Holanda, Estados Unidos e Jap&atilde;o (Lima, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ayahuasca, xamanismo e o uso problem&aacute;tico de psicoativos</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que caracteriza o uso problem&aacute;tico ou abusivo de certas subst&acirc;ncias n&atilde;o &eacute;, necessariamente, a quantidade e a freq&uuml;&ecirc;ncia de uso destes psicoativos, embora estes fatores possam fazer parte do comportamento descrito. Mais do que quantidade de subst&acirc;ncias e freq&uuml;&ecirc;ncia de uso destas, que poderiam atuar num <i>n&iacute;vel prim&aacute;rio</i> (f&iacute;sico-biol&oacute;gico) do indiv&iacute;duo, s&atilde;o as desarmonias na vida sociocultural, familiar e psico-social deste indiv&iacute;duo (p. ex., estigmatiza&ccedil;&atilde;o no emprego e na vida social mais ampla, isolamento social pela comunidade, maus-tratos por parte da pol&iacute;cia), ou seja, num <i>n&iacute;vel secund&aacute;rio</i>, que seriam as principais caracter&iacute;sticas deste uso problem&aacute;tico de psicoativos.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existem v&aacute;rios relatos na literatura sobre os poss&iacute;veis efeitos ben&eacute;ficos do uso ritual e/ou supervisionado de subst&acirc;ncias alucin&oacute;genas como uma alternativa &agrave;s terapias contempor&acirc;neas para o aux&iacute;lio na depend&ecirc;ncia ou no uso problem&aacute;tico de certos psicoativos, sobretudo o &aacute;lcool (Blewett &amp; Chwelos, 1959/2005; Carneiro, 2005; Grob, 2002; Grof, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Logo ap&oacute;s a descoberta dos efeitos do LSD-25 por Albert Hofmann em 1943, v&aacute;rias subst&acirc;ncias desta classe foram aplicadas e testadas no contexto psicoterap&ecirc;utico, m&eacute;dico, espiritual e em pr&aacute;ticas "psicoespirituais", ou seja, pr&aacute;ticas que, em condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis de supervis&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o, buscam a reestrutura&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo por meio de um estado de <i>consci&ecirc;ncia c&oacute;smica</i> que seria semelhante aos &ecirc;xtases religiosos espont&acirc;neos conhecidos como <i>unio mystica</i>, <i>samadhi</i> ou <i>satori</i>, que s&atilde;o experienciados como uma <i>ilumina&ccedil;&atilde;o por uma realidade transcendente em qual a Cria&ccedil;&atilde;o e o Ego s&atilde;o Um</i> (Schultes &amp; Hofmann, 1992).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como exemplo destas pr&aacute;ticas pode-se citar a a) terapia <i>psicod&eacute;lica</i>, na qual, ap&oacute;s uma intensa prepara&ccedil;&atilde;o, &eacute; administrada uma &uacute;nica dose do psicoativo, dose esta bastante alta, visando desencadear uma experi&ecirc;ncia m&iacute;stico-espiritual no indiv&iacute;duo e, a partir da&iacute;, elaborar as mudan&ccedil;as cognitivo-comportamentais necess&aacute;rias; e b) a terapia <i>psicol&iacute;tica</i>, na qual pequenas doses s&atilde;o administradas ao longo do tempo, geralmente semanalmente ou mensalmente, intercaladas por psicoterapias baseadas em grande parte no modelo psicanal&iacute;tico, com o objetivo de facilitar o processo de transfer&ecirc;ncia entre o paciente e o terapeuta e, al&eacute;m disso, facilitar o acesso a mem&oacute;rias reprimidas da inf&acirc;ncia (Adaime, no prelo; Grob, 2002; Grof, 2001; Schultes &amp; Hofmann, 1992).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta op&ccedil;&atilde;o de se utilizar certos psicoativos para auxiliar o tratamento do uso abusivo de outros psicoativos tamb&eacute;m ocorre em grupos ind&iacute;genas extremamente afetados pelo &aacute;lcool. O fato de o &aacute;lcool ser muitas vezes uma subst&acirc;ncia ex&oacute;gena e descontextualizada nestes grupos humanos, pode ser um dos motivos de seu abuso por parte desta popula&ccedil;&atilde;o (Mabit, 2002). Como exemplos do uso tradicional de psicoativos no tratamento do alcoolismo pode-se citar a) o uso ritual de cactos contendo mescalina por parte dos curandeiros da costa peruana, uma pr&aacute;tica com uma alta taxa de sucesso (por volta de 60%, ap&oacute;s cinco anos) e b) a recupera&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas ancestrais, incluindo o uso ritual do peiote e do tabaco, por grupos ind&iacute;genas norte-americanos (Mabit, 2002).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No final da d&eacute;cada de 60 do s&eacute;culo XX, devido &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es alarmistas provenientes da m&iacute;dia e &agrave; expans&atilde;o do uso de alucin&oacute;genos dos centros de pesquisa das faculdades para as ruas, a pesquisa envolvendo seres humanos e estas subst&acirc;ncias foram proibidas, dificultando o aprofundamento dos potenciais neuroqu&iacute;micos e psicoterap&ecirc;uticos destas subst&acirc;ncias peculiares (Carneiro, 2005; Grob, 2002; Grof, 2001). No entanto, o uso religioso de certos vegetais como o peiote nos EUA e M&eacute;xico, a iboga na &Aacute;frica, e a ayahuasca no Brasil e na Amaz&ocirc;nia Ocidental, continuou sendo praticado com uma certa liberdade e autonomia (Fericgla, 1998; Furst, 1994; Labate, 2003).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nestes contextos,    as plantas s&atilde;o carregadas de um simbolismo altamente complexo, no qual    fazem parte de seu consumo os aspectos: a) biol&oacute;gicos &#150; a planta    em si, suas subst&acirc;ncias e o organismo do indiv&iacute;duo; b) psicol&oacute;gicos    &#150; o indiv&iacute;duo, suas expectativas, motiva&ccedil;&otilde;es e prepara&ccedil;&otilde;es    para o consumo do psicoativo; c) socioculturais &#150; o indiv&iacute;duo, sua    comunidade e suas regras sociais; e d) ambientais &#150; local do uso da subst&acirc;ncia,    m&uacute;sica, dan&ccedil;as, plantas arom&aacute;ticas, decora&ccedil;&atilde;o    etc (Grob, 2002; Grof, 2001; Leary, Metzner &amp; Alpert, 1964/1995). Tanto    a mescalina (do peiote) como a iboga&iacute;na (da iboga) v&ecirc;m sendo estudadas    como poss&iacute;veis alternativas para a depend&ecirc;ncia e o uso problem&aacute;tico    de psicoativos (Grof, 2001; Labate, 2003).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recentemente, um estudo realizado com 15 membros da Uni&atilde;o do Vegetal que consagravam a ayahuasca ritualmente por pelo menos 10 anos demonstrou, entre outras coisas, que de acordo com os crit&eacute;rios da CID-10 e DSM-III-R, cinco dos examinandos tinham antecedentes de desordens formais por abuso de &aacute;lcool, dois de depress&atilde;o maior e tr&ecirc;s de ansiedade f&oacute;bica; 11 examinandos tinham uma hist&oacute;ria de uso moderado a grave de &aacute;lcool anterior &agrave; sua entrada na UDV, com cinco deles referindo epis&oacute;dios associados com comportamento violento (dois deles tinham sido presos por causa de sua viol&ecirc;ncia) (Grob &amp; cols., 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m destes dados, o estudo de Grob e cols. (2004) evidenciou que quatro indiv&iacute;duos tamb&eacute;m relataram envolvimento anterior com abuso de outros psicoativos, incluindo coca&iacute;na e anfetamina, e que oito dos 11 examinandos com hist&oacute;rias anteriores de &aacute;lcool e abuso de outros psicoativos eram dependentes de nicotina na &eacute;poca do seu primeiro encontro com a UDV. Muitos dos examinandos do estudo de Grob e cols. referiram uma variedade de comportamentos disfuncionais anteriores &agrave; sua entrada na UDV. Autodescri&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;ram "impulsivo, sem respeito, raivoso, agressivo, opositor, rebelde, irrespons&aacute;vel, alienado, fracassado".</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, avalia&ccedil;&otilde;es de diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico revelaram que apesar de uma porcentagem apreci&aacute;vel de usu&aacute;rios de longo tempo da ayahuasca terem tido desordens relativas ao &aacute;lcool, depressivas ou de ansiedade anteriores &agrave; sua inicia&ccedil;&atilde;o com o alucin&oacute;geno, todas as desordens tinham remitido sem reca&iacute;das depois de sua entrada na UDV. Os examinandos referiram que desde sua entrada na UDV suas vidas passaram por mudan&ccedil;as profundas. Al&eacute;m da total descontinuidade do abuso de psicoativos, os sujeitos enfaticamente afirmaram que sua conduta di&aacute;ria e orienta&ccedil;&atilde;o para o mundo &agrave; sua volta tinham tido radical reestrutura&ccedil;&atilde;o (Grob &amp; cols., 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Baseado no estudo de Grob e cols. (2004), Labigalini (1998) desenvolveu uma pesquisa sobre as viv&ecirc;ncias subjetivas de quatro indiv&iacute;duos que apresentavam depend&ecirc;ncia grave ao &aacute;lcool, dois deles tamb&eacute;m dependentes de coca&iacute;na, e que remitiram poucos meses ap&oacute;s come&ccedil;arem a freq&uuml;entar os rituais da UDV. A principal conclus&atilde;o do trabalho foi a de que os indiv&iacute;duos entrevistados n&atilde;o trocaram a depend&ecirc;ncia ao &aacute;lcool por outra depend&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, ficou evidenciado que o uso de ayahuasca que esses indiv&iacute;duos passaram a fazer periodicamente durante os rituais n&atilde;o possu&iacute;a contornos psicopatol&oacute;gicos de uma compuls&atilde;o. Esta compuls&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o foi encontrada na rela&ccedil;&atilde;o destes indiv&iacute;duos com a institui&ccedil;&atilde;o religiosa, por meio de seus valores e pr&aacute;ticas rituais, e com o grupo (Labigalini, 1998).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Baseando-se na an&aacute;lise das entrevistas e nas observa&ccedil;&otilde;es participantes neste estudo, Labigalini apontou os seguintes fatores como vari&aacute;veis importantes na melhora dos sujeitos: a) as caracter&iacute;sticas do estado de consci&ecirc;ncia vivenciados nas experi&ecirc;ncias com a ayahuasca, b) a inser&ccedil;&atilde;o social em um novo grupo e c) a estrutura&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o dos rituais por meio de suas san&ccedil;&otilde;es sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda neste contexto,    vale citar a exist&ecirc;ncia do Centro Takiwasi, em Tarapoto, Peru, fundado    em 1992 (Mabit, 2004). Neste centro, Mabit e colaboradores &#150; curandeiros    locais, m&eacute;dicos, psic&oacute;logos e terapeutas &#150; exploram os potenciais    curativos do racionalismo ocidental juntamente com as pr&aacute;ticas espirituais    do xamanismo e das terapias tradicionais amaz&ocirc;nicas, utilizando plantas    em&eacute;ticas, dietas, isolamento na floresta, vida comunit&aacute;ria, psicoterapia    e a ayahuasca, desenvolvendo m&eacute;todos alternativos para lidar com o uso    problem&aacute;tico de psicoativos, principalmente a pasta base de coca&iacute;na,    cuja &aacute;rea &eacute; uma das principais consumidoras do mundo (Mabit, 1996a,    1996b, 2002). Segundo Mabit (2002, p. 28):</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ap&oacute;s      15 anos de observa&ccedil;&atilde;o de mais de oito mil casos de ingest&atilde;o      da Ayahuasca sob condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de prepara&ccedil;&atilde;o,      prescri&ccedil;&atilde;o e acompanhamento terap&ecirc;utico, n&oacute;s podemos      afirmar que a ingest&atilde;o destas prepara&ccedil;&otilde;es possui uma      ampla variedade de indica&ccedil;&otilde;es, com uma total aus&ecirc;ncia      de depend&ecirc;ncia. A expans&atilde;o do espectro perceptual, que simultaneamente      envolve o corpo, as sensa&ccedil;&otilde;es e os pensamentos, permite a des-focaliza&ccedil;&atilde;o      da percep&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria da realidade, proporcionando ao      sujeito a possibilidade de confrontar seus problemas habituais por conta pr&oacute;pria      e sob uma nova perspectiva. A intensa acelera&ccedil;&atilde;o dos processos      cognitivos que acompanha esta experi&ecirc;ncia pode permitir ao sujeito a      capacidade de conceber solu&ccedil;&otilde;es originais que se enquadram &agrave;      sua personalidade e situa&ccedil;&atilde;o &uacute;nicas.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir destas    refer&ecirc;ncias e modelos te&oacute;ricos pretendemos elaborar e investigar,    por meio da an&aacute;lise fenomenol&oacute;gica da entrevista e de observa&ccedil;&otilde;es    participantes em rituais de consagra&ccedil;&atilde;o da ayahuasca, o caso de    uma jovem que abandonou o uso problem&aacute;tico de &aacute;lcool, coca&iacute;na    e nicotina ap&oacute;s conhecer o uso ritualizado da ayahuasca. Esta jovem apresentou-se    como uma volunt&aacute;ria para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa sobre    os aspectos legais, hist&oacute;ricos, doutrin&aacute;rios e religiosos do uso    da ayahuasca, trabalho este que partiu dos estudos do grupo Arch&eacute; &#150;    Programa de Pesquisas em Psicologia e Fenomenologia da Religi&atilde;o e da    Espiritualidade &#150;, que se encontra atualmente vinculado ao Laborat&oacute;rio    de Psicopatologia e Psican&aacute;lise, do Departamento de Psicologia Cl&iacute;nica,    no Instituto de Psicologia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB).</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de um    estudo de caso associado a uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre o consumo    ritualizado da ayahuasca por pessoas que faziam um uso abusivo ou problem&aacute;tico    de outras subst&acirc;ncias &#150; coca&iacute;na e pasta base de coca&iacute;na,    &aacute;lcool, nicotina, anfetaminas etc &#150; e que posteriormente abandonaram    ou controlaram este comportamento. Foram utilizadas t&eacute;cnicas da antropologia,    como a observa&ccedil;&atilde;o participante, realizada em diversos grupos ayahuasqueiros    nos arredores de Bras&iacute;lia, e referenciais te&oacute;ricos do grupo Arch&eacute;,    como o texto de Amatuzzi (1998).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No grupo Arch&eacute;, tivemos contato com Maria (nome fict&iacute;cio), jovem desinibida e espont&acirc;nea com 20 anos na &eacute;poca e que se apresentou como estudante universit&aacute;ria <i>com pendores art&iacute;sticos</i>, segundo ela mesma, membro de um grupo que utiliza a ayahuasca em suas cerim&ocirc;nias religiosas e como volunt&aacute;ria para nos auxiliar na pesquisa mais ampla sobre a ayahuasca. Maria come&ccedil;ou nos ajudando no levantamento de documentos sobre as principais religi&otilde;es ayahuasqueiras brasileiras (Santo Daime, Barquinha e Uni&atilde;o do Vegetal) e nas semanas subseq&uuml;entes permitiu que fiz&eacute;ssemos uma entrevista aberta sobre sua experi&ecirc;ncia pessoal com a ayahuasca. Esta entrevista ocorreu na casa de um dos autores do presente artigo, em um ambiente de tranq&uuml;ilidade e conforto. A entrevista, aberta, foi norteada por perguntas abertas, tais como: "O que &eacute; a ayahuasca para voc&ecirc;?", "Como foi a sua primeira experi&ecirc;ncia com a ayahuasca?", "Porque ou com que finalidade voc&ecirc; utiliza a ayahuasca?". Esta entrevista foi gravada, transcrita e posteriormente analisada.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na conversa com Maria, chamou a aten&ccedil;&atilde;o o fato de que ela fazia um uso abusivo de &aacute;lcool, coca&iacute;na e nicotina e que este comportamento se remitiu pouco tempo ap&oacute;s o in&iacute;cio do consumo cerimonial da ayahuasca. N&atilde;o s&oacute; o uso problem&aacute;tico de alguns psicoativos foi abandonado, mas Maria passou por uma transforma&ccedil;&atilde;o radical em seus valores e atitudes perante o mundo. Este trajeto foi descrito com detalhes em sua entrevista e enfocou-se a rela&ccedil;&atilde;o entre o abandono do uso de &aacute;lcool, coca&iacute;na e nicotina e o in&iacute;cio do uso religioso da ayahuasca.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O rico e complexo    material proveniente deste recorte foi re-analisado e comparado com a literatura    sobre o assunto, buscando avaliar os elementos significativos da experi&ecirc;ncia    de Maria nos estados alterados de consci&ecirc;ncia proporcionados pelo uso    da ayahuasca em contexto ritualizado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e    Discuss&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apenas trechos de maior import&acirc;ncia ser&atilde;o comentados. As palavras textuais da entrevistada foram assinaladas em it&aacute;lico.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria apresentou-se    como uma jovem de vida turbulenta, vida esta caracterizada por uma <i>busca    de algo</i> e por um envolvimento com certos psicoativos &#150; &aacute;lcool,    coca&iacute;na e nicotina &#150; e com pessoas que <i>n&atilde;o eram muito    legais</i>. Ela havia consumido coca&iacute;na por dois anos consecutivos <i>quase    todo dia</i>, segundo ela, al&eacute;m do &aacute;lcool e da nicotina. N&atilde;o    gostava de religi&atilde;o. Antes de conhecer a ayahuasca Maria j&aacute; tinha    uma inten&ccedil;&atilde;o, uma iniciativa pessoal de parar de usar os outros    psicoativos, subst&acirc;ncias que ela caracterizou como <i>estimulantes</i>,    da vida noturna.</font></p>      <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Porque eu      fiquei um ano sem ver Sol. S&oacute; saia seis horas de casa e voltava sete      horas da manh&atilde;. Dormia o dia inteiro, sa&iacute;a... N&atilde;o fazia      nada, n&atilde;o estudava... Era maluca.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi quando Maria conheceu pessoas que n&atilde;o faziam parte de seu contexto que sua vida come&ccedil;ou a mudar. Durante uma crise de abstin&ecirc;ncia Maria viu a oportunidade de conhecer a ayahuasca que, segundo ela, <i>a salvou</i>:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A&iacute;      eu comecei uma crise de abstin&ecirc;ncia e no dia que eu conversei com o      Jo&atilde;o (nome fict&iacute;cio), que foi a pessoa que me levou para conhecer      o vegetal (nome da ayahuasca neste contexto), falei para ele "Jo&atilde;o,      sabe onde vende coca&iacute;na?", "Sei", "Vamos sair comigo na sexta?", "N&atilde;o,      eu tenho compromisso", "Para onde voc&ecirc; vai?", "Vou beber um ch&aacute;",      "Me leva?". A&iacute; ele me levou. A&iacute; eu me salvei.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu primeiro    contato com a ayahuasca &#150; caracterizado pela entrevistada como sendo a    experi&ecirc;ncia mais forte e poderosa &#150; Maria relatou viv&ecirc;ncias    de car&aacute;ter m&iacute;stico-religioso, altera&ccedil;&atilde;o de percep&ccedil;&otilde;es    e de emo&ccedil;&otilde;es, susto, medo de morrer, rea&ccedil;&otilde;es som&aacute;ticas    intensas como v&ocirc;mito, choro e tosse al&eacute;m de ab-rea&ccedil;&otilde;es    e catarses. Estas experi&ecirc;ncias, realizadas em um local onde ocorrem periodicamente    cerim&ocirc;nias com a ayahuasca, estavam culturalmente contextualizadas e sancionadas,    permeadas por conceitos pr&oacute;prios e, de certo modo, eram inclusive estimuladas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Mabit (2002, pp. 26-27), "<i>a indu&ccedil;&atilde;o ritualizada de modifica&ccedil;&otilde;es da consci&ecirc;ncia, com ou sem subst&acirc;ncias, estabelece uma estrutura simb&oacute;lica universal dentro da qual estas experi&ecirc;ncias adquirem significado, permitindo que o indiv&iacute;duo se inscreva dentro de um modelo de integra&ccedil;&atilde;o cultural"</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ambiente f&iacute;sico e o contexto simb&oacute;lico-ritual onde se realizou a cerim&ocirc;nia, o <i>setting</i>, era prop&iacute;cio para este tipo de experi&ecirc;ncia. Segundo Strassman (1984), um ambiente controlado e supervisionado, como geralmente ocorre nas religi&otilde;es ayahuasqueiras, tem uma maior possibilidade de otimizar as experi&ecirc;ncias com subst&acirc;ncias alucin&oacute;genas, como a ayahuasca, diminuindo as chances da ocorr&ecirc;ncia de rea&ccedil;&otilde;es adversas. Neste caso, o ambiente exerce papel primordial na experi&ecirc;ncia como um todo.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto em quest&atilde;o, as rea&ccedil;&otilde;es som&aacute;ticas foram explicadas e encaradas por Maria como sendo um processo de <i>limpeza</i>, no qual, juntamente com as vis&otilde;es e demais experi&ecirc;ncias sensoriais e cognitivas proporcionadas pela ayahuasca, toda a experi&ecirc;ncia pode ser reconstru&iacute;da e contextualizada, permitindo a reavalia&ccedil;&atilde;o de comportamentos, valores e atitudes anteriores de Maria.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Comecei a      sentir minha press&atilde;o baixa. Nesse momento eu fiquei assustada porque      eu tinha press&atilde;o baixa e achei que podia ter um problema. Percebi que      quanto mais eu lutava contra aquela sensa&ccedil;&atilde;o pior ela ficava,      uma sensa&ccedil;&atilde;o bem forte. Relaxei, deitei, e quando eu deitei      comecei a ver cobras, umas coisas bem esquisitas mesmo. Vomitei muito nesse      momento, e quando vomitava eu n&atilde;o vomitava coisa do est&ocirc;mago,      eu vomitava &aacute;lcool, eu bebia muito... Eu vomitava e sentia cheiro de      &aacute;lcool. Cheirei muita coca&iacute;na... Tive nesse momento de limpeza      um dos momentos mais fortes da minha vida, mais incr&iacute;veis, porque foi      uma pot&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es do meu ser e uma limpeza...      Senti minha garganta arranhar, minha cabe&ccedil;a do&iacute;a e adormeceu      minha boca e eu n&atilde;o forcei nada pra sair do meu nariz, simplesmente      saiu uma placa branca, uma placa assim no ch&atilde;o e eu "Caramba! Isso      aqui &eacute; coca&iacute;na". Peguei e disse "Me limpou!". Depois disso eu      comecei a chorar muito, mas eu chorava de alegria, eu estava me sentindo t&atilde;o      bem naquele momento, t&atilde;o bem t&atilde;o bem t&atilde;o bem e ao mesmo      tempo eu estava triste porque eu sabia que a minha caminhada ia ser longa,      que eu tinha muita coisa para resolver. A&iacute; eu pensei na minha fam&iacute;lia,      no meu pai na minha m&atilde;e, quanto tempo que eu n&atilde;o tinha uma rela&ccedil;&atilde;o      legal com eles sabe? Regress&atilde;o, lembrei da minha inf&acirc;ncia...      Uma pessoa na fogueira falou "&Eacute; assim mesmo. A gente limpa, faz a limpeza,      t&ecirc;m essa rela&ccedil;&atilde;o mesmo...". Estava uma noite linda, uma      lua cheia maravilhosa, eu nunca tinha percebido o tanto que a natureza &eacute;      linda... Naquele momento eu percebi que &eacute; de l&aacute; que eu vim.      Senti-me viva naquele momento. Eu acordei, como se eu tivesse acordado para      vida, sabe?</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se perceber na fala uma enorme carga emocional depositada em tr&ecirc;s momentos principais: religa&ccedil;&atilde;o com os valores familiares, integra&ccedil;&atilde;o com a Natureza e, principalmente, durante os processos de <i>limpeza</i>, processos estes comuns nos meios ayahuasqueiros (p. ex., Couto, 1989). Nesta <i>limpeza</i>, o que mais chama a aten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as percep&ccedil;&otilde;es do cheiro de &aacute;lcool e da vis&atilde;o da placa de coca&iacute;na que teria sa&iacute;do de seu nariz. Sabe-se que a ayahuasca, bem como demais subst&acirc;ncias desta classe, tem a capacidade de desencadear sinestesias e que estas podem ser manipuladas para os mais diversos fins, inclusive com finalidades terap&ecirc;uticas (Luna, 1986). Ao estudar as pr&aacute;ticas dos <i>vegetalistas</i> e dos xam&atilde;s sul-americanos, Luna (1986, p. 106) os caracteriza como <i>mestres de sinestesia</i>:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Suas m&uacute;sicas      (do xam&atilde;, entre os Shipibo-Conibo) podem, por assim dizer, ser ouvidas      de maneira visual e os padr&otilde;es geom&eacute;tricos podem ser vistos      acusticamente. Este fen&ocirc;meno &eacute; freq&uuml;entemente relatado nos      textos das can&ccedil;&otilde;es xam&acirc;nicas. Por exemplo, um rem&eacute;dio      pode ser chamado de 'minha m&uacute;sica pintada', 'minha voz', 'meu pequeno      vaso pintado', 'minhas palavras com aqueles desenhos', ou 'meu padr&atilde;o      vibrante.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso das altera&ccedil;&otilde;es sensoriais, emotivas e cognitivas, e independente de se classificar o que ela passou como sendo sinestesia, alucina&ccedil;&atilde;o, ilus&atilde;o, imagina&ccedil;&atilde;o ou se ela <i>realmente</i> sentiu o cheiro de &aacute;lcool ou se o que ela viu era <i>realmente</i> coca&iacute;na, o que deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o &eacute; o potencial transformativo que esta experi&ecirc;ncia tem para o indiv&iacute;duo. Claro, seria de muito interessante saber se a ayahuasca teria esta capacidade de "limpar", literalmente, o organismo de um ser humano nestes n&iacute;veis, mas esta &eacute; uma pergunta que n&atilde;o poder ser respondida pela presente pesquisa.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste processo relatado por Maria, a alta carga emocional e cognitiva presente em suas experi&ecirc;ncias e falas demonstra um enorme potencial para que uma mudan&ccedil;a de seus valores e atitudes possa ocorrer. Tal experi&ecirc;ncia do transcendente se assemelha &agrave;s psicoterapias psicod&eacute;licas praticadas nos anos 1960 com subst&acirc;ncias como o LSD-25, na qual um dos objetivos buscados e muitas vezes atingidos, era o da mudan&ccedil;a radical de valores, filosofia de vida e atitudes perante os outros, o mundo e consigo mesmo (Grof, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale ainda citar a import&acirc;ncia e a compreens&atilde;o do papel da <i>amizade</i> para a an&aacute;lise do processo de Maria. Durante o per&iacute;odo turbulento de sua vida, ela disse que estava andando com pessoas <i>n&atilde;o muito legais</i>, mas que ao se afastar destas pessoas, ela p&ocirc;de conhecer a ayahuasca e outro grupo social. Neste novo contexto Maria descobre <i>amigos mesmo</i>, que a <i>auxiliam</i>:</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>S&oacute;      me auxiliam aqui. E a amizade, e as pessoas que eu convivo... nossa, muito,      muito, muito bom. S&atilde;o amigos mesmo, porque amigo hoje em dia &eacute;      dif&iacute;cil n&eacute;? &Eacute; dif&iacute;cil, porque agente convive com      v&aacute;rias pessoas ao mesmo tempo e acha que um &eacute; amigo, outro &eacute;      amigo. Vou te dizer que desde quando eu comecei a beber o vegetal, eu percebi      que daquela galera que eu andava antes, quem s&atilde;o meus amigos daquela      galera... Eu tinha assim cerca de uns 40 amigos, que eu achava que eram amigos.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, Maria parece atribuir grande responsabilidade por sua "cura" a si mesma, &agrave; ayahuasca e a colocar em pr&aacute;tica aquilo que aprendeu nos rituais. Mesmo n&atilde;o menosprezando o poss&iacute;vel papel do acolhimento em um contexto religioso, da mudan&ccedil;a de amizades e da melhora das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais como prov&aacute;veis causas de sua mudan&ccedil;a de comportamento, Maria diz que:</font></p>      <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Foi o vegetal      mesmo. Na verdade n&atilde;o foram as pessoas, foi eu mesma que me encontrei.      N&atilde;o foi o contexto n&atilde;o, isso &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia.      N&atilde;o adianta nada eu ir l&aacute; beber o ch&aacute;, posso beber um      litro de vegetal, posso beber todo dia, se eu receber o que &eacute; certo      e n&atilde;o colocar em pr&aacute;tica na minha vida eu vou ficar empacada.      (...) &Eacute; s&oacute; agente querer mesmo.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso do estudo realizado por Grob e cols. (2004) com membros da Uni&atilde;o do Vegetal, encontramos paralelos entre as experi&ecirc;ncias relatadas pelos membros da UDV e aquelas descritas por Maria. Todos os examinandos da UDV relataram que suas experi&ecirc;ncias com o uso ritual da ayahuasca tiveram um profundo impacto no curso de suas vidas. Para muitos deles o ponto cr&iacute;tico foi sua primeira experi&ecirc;ncia com a bebida, quando relatam como tema comum desta experi&ecirc;ncia a viv&ecirc;ncia de se estar num caminho autodestrutivo que os conduziria inevitavelmente &agrave; sua pr&oacute;pria ru&iacute;na e mesmo &agrave; morte, a menos que embarcassem numa mudan&ccedil;a radical de sua conduta pessoal e orienta&ccedil;&atilde;o (Grob &amp; cols., 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria relata que as experi&ecirc;ncias com a ayahuasca teriam a capacidade de <i>mostrar a verdade</i>, e que este tipo de viv&ecirc;ncia seria <i>para nos encontrarmos</i>. Al&eacute;m disso, a bebida psicoativa seria como <i>um amigo</i>, id&eacute;ia que lembra o conceito de <i>planta professora</i> ou <i>esp&iacute;rito planta</i>, presente entre as religi&otilde;es ayahuasqueiras e tamb&eacute;m entre os curandeiros da Amaz&ocirc;nia (Luna, 1986; MacRae, 1992):</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Porque ele      fala mesmo, ele coloca agente l&aacute; no acocho, ele d&aacute; paulada na      gente...</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio destas falas, nas quais fica evidente o discurso de autoconhecimento e de encontro com a realidade, e n&atilde;o a fuga desta, podemos encontrar semelhan&ccedil;as entre as experi&ecirc;ncias e valores atribu&iacute;dos &agrave; ayahuasca por Maria e as viv&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos pesquisados por Labigalini (1998, pp. 58-59):</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Atrav&eacute;s      das entrevistas foi poss&iacute;vel perceber que os indiv&iacute;duos entrevistados      relatavam que no per&iacute;odo em que estavam usando &aacute;lcool e outras      drogas sentiam muita ansiedade e apresentavam dificuldades emocionais importantes      em suas vidas. No entanto, ao come&ccedil;arem a freq&uuml;entar os rituais      da UDV e beberem a ayahuasca, referiram que passaram por mudan&ccedil;as profundas      a partir de um contato direto com aspectos dif&iacute;ceis de suas personalidades.      Neste sentido, a experi&ecirc;ncia com a ayahuasca parece n&atilde;o reproduzir      um aspecto presente na experi&ecirc;ncia e na busca dos farmacodependentes,      onde o uso das diferentes subst&acirc;ncias, como o &aacute;lcool e a coca&iacute;na,      acontece motivado por uma vontade de obter prazer e se distanciar da realidade.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Levando-se em conta    todas estas an&aacute;lises, cita&ccedil;&otilde;es e observa&ccedil;&otilde;es    sobre a rela&ccedil;&atilde;o do uso cerimonial da ayahuasca e o abandono do    uso problem&aacute;tico de psicoativos, vale citar que, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; depend&ecirc;ncia pelo &aacute;lcool, estudos realizados com inibidores    de recapta&ccedil;&atilde;o de serotonina com ratos dependentes de &aacute;lcool    demonstraram que havia uma redu&ccedil;&atilde;o importante no consumo de &aacute;lcool    ap&oacute;s tratamento com estes agentes (Labigalini, 1998). No caso da ayahuasca,    existem relatos de que uma das suas principais subst&acirc;ncias &#150; a -carbolina    tetrahidroharmina, ou THH, presente no cip&oacute; &#150; teria uma fraca capacidade    de inibir a recapta&ccedil;&atilde;o de serotonina (Frecska, White &amp; Luna,    2004; McKenna, Callaway &amp; Grob, 1998).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Logo, mesmo comentando    de maneira breve e simples este aspecto psicofarmacol&oacute;gico da ayahuasca    &#150; pois n&atilde;o &eacute; o objetivo deste artigo &#150; valeria a pena    explorar de maneira met&oacute;dica e a longo prazo, o poss&iacute;vel papel    do ch&aacute; <i>per se</i> como um agente farmacologicamente eficaz no aux&iacute;lio    do tratamento de depend&ecirc;ncia ou uso problem&aacute;tico de psicoativos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo alguns pesquisadores (Samorini, 2002), o desejo de alterar periodicamente a consci&ecirc;ncia seria um impulso inato ao ser humano, an&aacute;logo &agrave; fome ou ao impulso sexual. Al&eacute;m disso, encontramos em McKenna, T. (1995) e em Amatuzzi (1998) sugest&otilde;es de que a consci&ecirc;ncia religiosa seria biologicamente natural &agrave; esp&eacute;cie humana, tendo se desenvolvido por meio do processo de sele&ccedil;&atilde;o natural, pois teria valor de adapta&ccedil;&atilde;o e subsist&ecirc;ncia para o indiv&iacute;duo, pois estas experi&ecirc;ncias m&iacute;stico-religiosas seriam potencialmente adaptativas e ligadas &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de problemas e &agrave; criatividade, porque a partir de uma tens&atilde;o, proporcionariam uma reestrutura&ccedil;&atilde;o cognitiva.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda referindo-se ao texto de Amatuzi, encontramos a refer&ecirc;ncia de Tamminen sobre a complexidade do fen&ocirc;meno religioso e de suas complica&ccedil;&otilde;es: 1) o acesso que se pode ter &agrave; experi&ecirc;ncia religiosa &eacute; indireto, ou seja, se faz por meio do que as pessoas lembram e relatam, e em como elas a sentem e interpretam; 2) essa interpreta&ccedil;&atilde;o que os sujeitos fazem, depende de sua filosofia geral; e 3) a lembran&ccedil;a da experi&ecirc;ncia &eacute; determinada pelos valores presentes. Al&eacute;m disso, ele menciona tamb&eacute;m as cinco dimens&otilde;es da religiosidade sistematizadas por Glock e Stark (conforme citados por Amatuzzi, 1998), que s&atilde;o dimens&otilde;es que se interpenetram: dimens&atilde;o experiencial (= experi&ecirc;ncia religiosa), dimens&atilde;o ideol&oacute;gica (= cren&ccedil;as religiosas), dimens&atilde;o intelectual (= conceitos com os quais &eacute; pensada), dimens&atilde;o ritual&iacute;stica (= pr&aacute;ticas religiosas) e dimens&atilde;o conseq&uuml;ente (= efeitos na vida di&aacute;ria).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na an&aacute;lise da entrevista de Maria podem-se vislumbrar v&aacute;rios pontos de conex&atilde;o com os autores anteriormente citados. Na perspectiva de Hay e de Jackson (conforme citados por Amatuzzi, 1998), contempla-se a experi&ecirc;ncia de Maria, com todas as suas manifesta&ccedil;&otilde;es som&aacute;tico-psicol&oacute;gicas, como uma capacidade e possibilidade intr&iacute;nseca do ser humano, na qual, numa situa&ccedil;&atilde;o de aparente caos corporal e mental, o corpo-mente tem a capacidade de se adaptar de maneira criativa, valendo-se de seus mecanismos end&oacute;genos para voltar ao equil&iacute;brio. Neste sentido, tra&ccedil;am-se paralelos com as experi&ecirc;ncias de emerg&ecirc;ncia, perigos, doen&ccedil;a, dificuldades, experi&ecirc;ncias de quase-morte ou de amea&ccedil;a &agrave; exist&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo (Grof, 2001; Lumby, 1998; Tamminen, citado por Amatuzzi, 1998).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nestas experi&ecirc;ncias, o indiv&iacute;duo pode ver sua pr&oacute;pria morte com uma nitidez e realismo t&atilde;o intensos que ele pode acreditar que est&aacute; realmente morrendo (Grof, 2001; Lumby, 1998). Estas passagens s&atilde;o situadas no modelo de Grof (2001) no n&iacute;vel transpessoal, que s&atilde;o caracterizadas por elementos de cria&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o do mundo, experi&ecirc;ncias filogen&eacute;ticas, seq&uuml;&ecirc;ncias de morte e renascimento, cenas naturais (tempestades, nascer do sol etc), expans&atilde;o da consci&ecirc;ncia e do ego, vis&otilde;es de seres celestiais e/ou infernais etc. Segundo Grof, estas experi&ecirc;ncias possuem um enorme potencial transformativo para o indiv&iacute;duo, se s&atilde;o realizadas com a devida supervis&atilde;o, prepara&ccedil;&atilde;o e cuidado, por parte tanto do indiv&iacute;duo como da pessoa que orienta o processo.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com a hip&oacute;tese de Lumby (1998), a efic&aacute;cia destas experi&ecirc;ncias de quase-morte no tratamento de pessoas que fazem um uso problem&aacute;tico e abusivo de psicoativos estaria em sua capacidade de desencadear <i>insights</i> sist&ecirc;micos e orienta&ccedil;&otilde;es cognitivas expl&iacute;citas caracter&iacute;sticas da consci&ecirc;ncia humana quando esta se encontra perante uma situa&ccedil;&atilde;o imediatamente amea&ccedil;adora &agrave; sua exist&ecirc;ncia. Neste estado de consci&ecirc;ncia, a pessoa teria a oportunidade de vivenciar uma morte-simb&oacute;lica, na qual seus valores, comportamentos e filosofia seriam questionados e, ap&oacute;s a experi&ecirc;ncia, os <i>insights</i> poderiam ser vislumbrados e direcionados para uma nova pr&aacute;tica cotidiana.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>...&eacute;      como entrar numa nave, eu boto f&eacute;. Assim, voc&ecirc; nunca viajou numa      nave espacial, vamos imaginar a&iacute;... A&iacute; tu entra numa nave de      repente voc&ecirc; se v&ecirc; l&aacute; no espa&ccedil;o pff! Voc&ecirc;      sai de uma... voc&ecirc; sai de um contexto assim &oacute;, de coisas que      voc&ecirc; transformou pra voc&ecirc; n&eacute;, pra sua vida, coisas que      voc&ecirc; vai adquirindo ao longo dos anos n&eacute;? Tipo, uma coisa material      mesmo n&eacute;, de tipo "isso &eacute; certo, isso &eacute; errado", "voc&ecirc;      tem que aprender isso porque se n&atilde;o voc&ecirc; n&atilde;o vai ser ningu&eacute;m      na vida". Sabe esses contextos assim e de repente, naquele momento que eu      bebi o vegetal, eu percebi que a gente faz tanta coisa que &eacute; in&uacute;til      pra nossa vida, e agente se mata por conta dessas coisas assim, e agente esquece      de dar valor pras coisa que realmente s&atilde;o importantes. Eu acredito      que &eacute; o nosso ser, o que &eacute; bom pra gente, que faz bem pra gente.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aqui podemos dialogar com Tamminen (citado por Amatuzzi, 1998) e com Glock e Stark (citado por Amatuzzi, 1998). O acesso que tivemos da experi&ecirc;ncia de Maria possui a complica&ccedil;&atilde;o de ser um relato de um evento passado, permeado por elabora&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es feitas pela entrevistada. Tal complexidade pode ser comparada com as dimens&otilde;es intelectual (conceitos) e ideol&oacute;gica (cren&ccedil;as), pois Maria teve tempo para lembrar, re-lembrar, conceituar e, inclusive, desenvolver uma linguagem religiosa que n&atilde;o possu&iacute;a antes da experi&ecirc;ncia.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, no n&iacute;vel das dimens&otilde;es experiencial (experi&ecirc;ncia religiosa) e conseq&uuml;ente (efeitos na vida di&aacute;ria) o que importa &eacute; o significado e a compreens&atilde;o que a experi&ecirc;ncia desencadeou em Maria. No caso, o sentido parece ter sido o de uma experi&ecirc;ncia de Deus, do numinoso, do raro, excepcional e extraordin&aacute;rio, a experi&ecirc;ncia esmagadora do <i>mysterium tremendum et fascinas</i>, de Sentido Radical, segundo Vaz (conforme citado Amatuzzi, 1998).</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O vegetal      abre tudo. Abre tudo, escancara mesmo. Escancara mesmo.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De maneira geral, podemos concluir que o abandono do uso problem&aacute;tico e abusivo de certos psicoativos por parte de Maria (coca&iacute;na e &aacute;lcool) foi uma experi&ecirc;ncia radical, com efeitos de longo prazo em sua vida e que n&atilde;o parece possuir nenhuma caracter&iacute;stica de "troca de um psicoativo por outro" ou de depend&ecirc;ncia da institui&ccedil;&atilde;o, embora Maria tenha passado por um processo de convers&atilde;o religiosa.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Passou. Foi      incr&iacute;vel. Incr&iacute;vel. Mudou assim, eu entrei no arco-&iacute;ris,      sabe quando voc&ecirc; achou o pote de ouro no final do arco-&iacute;ris?      Foi isso que aconteceu na minha vida. Agora eu fico impressionada assim &oacute;,      e outra coisa, e essa hist&oacute;ria de largar de fumar, de largar essas      coisa, eu vejo assim, o pessoal fala dessa hist&oacute;ria da tal da fisiologia,      cara, a nossa cabe&ccedil;a &eacute; capaz de tanta coisa. As pessoas n&atilde;o      sabem disso. (...) Eu n&atilde;o vejo o vegetal como uma necessidade. Tipo      "&eacute; necess&aacute;rio pra minha sobreviv&ecirc;ncia". N&atilde;o. Eu      vejo ele como um auxiliador pra minha consci&ecirc;ncia. Ele assim &oacute;,      quando eu conheci ele eu percebi que "puts, cara, que legal ele me ajudou      a abrir v&aacute;rias coisas", que tavam aqui cafifadas na minha cabe&ccedil;a      e eu n&atilde;o sabia porque que tavam atrapalhando a minha vida, porque que      eu tava seguindo determinados caminhos. &Eacute; que nem aquelas gavetinhas      da nossa mem&oacute;ria, quando agente tem aula de psicologia, o pessoal fala      que agente vai guardando at&eacute; que agente n&atilde;o consegue mais abrir.      (...) A&iacute;, quando voc&ecirc; vai bebendo constantemente ele, voc&ecirc;      vai aprendendo a abrir uma de cada vez. Entendeu?</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria afirma nunca    mais ter sentido vontade de consumir &aacute;lcool ou coca&iacute;na &#150;"<i>Deus    me livre, Nossa Senhora! Ningu&eacute;m merece n&atilde;o"</i> &#150;, embora    confessasse ainda sentir vontade de fumar tabaco (na &eacute;poca da pesquisa    Maria estava h&aacute; dois meses sem fumar).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tudo isso ocorreu dentro de um processo, numa transforma&ccedil;&atilde;o que dialoga com os acontecimentos ao redor do indiv&iacute;duo, n&atilde;o podendo ser reduzida nem a um aspecto estritamente farmacol&oacute;gico (poss&iacute;vel efeito da ayahuasca <i>per se</i>) nem estritamente m&iacute;stico-religioso, conforme conclus&atilde;o do estudo realizado por Grob e cols. (2004, p. 664-665):</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Tal mudan&ccedil;a      foi particularmente notada na &aacute;rea de consumo excessivo de &aacute;lcool,      onde al&eacute;m dos cinco examinandos que tiveram diagn&oacute;sticos anteriores      do CIDI relativos a desordens por abuso de &aacute;lcool, seis examinandos      adicionais referiram padr&otilde;es moderados de consumo de &aacute;lcool      que se aproximavam do status de diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico real      na entrevista formal estruturada. Todos estes onze examinandos com envolvimento      anterior com &aacute;lcool alcan&ccedil;aram a completa abstin&ecirc;ncia      pouco depois de se filiarem &agrave; seita da hoasca (nome da ayahuasca neste      contexto). Al&eacute;m disto, foram bastante enf&aacute;ticos quanto a transforma&ccedil;&otilde;es      radicais no seu comportamento, atitudes em rela&ccedil;&atilde;o aos outros      e vis&atilde;o da vida. Eles est&atilde;o convictos de que t&ecirc;m sido      capazes de eliminar sua raiva cr&ocirc;nica, ressentimento, agress&atilde;o      e aliena&ccedil;&atilde;o, assim como em adquirir maior autocontrole, responsabilidade      para com a fam&iacute;lia e comunidade e realiza&ccedil;&atilde;o pessoal      atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o nas cerim&ocirc;nias da hoasca      na UDV. Embora os efeitos salutares de um forte sistema de suporte em grupo      e filia&ccedil;&atilde;o religiosa n&atilde;o possam ser minimizados, n&atilde;o      &eacute; inconceb&iacute;vel que o uso por longo tempo da hoasca por si mesmo      possa ter tido um efeito terap&ecirc;utico e positivo direto no status psiqui&aacute;trico      e funcional dos indiv&iacute;duos. An&aacute;lises bioqu&iacute;micas anteriores      de preparados da hoasca indicaram significativa a&ccedil;&atilde;o inibidora      da monoamino-oxidase, o que pode ser relevante para esses achados cl&iacute;nicos.</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para finalizar, com a palavra, Maria:</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Porque hoje    em dia eu dou muito mais valor na vida do que pessoas que nunca passaram por    situa&ccedil;&otilde;es que eu passei.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Adaime, R. D. (no prelo). A pesquisa do inconsciente no s&eacute;culo dos alucin&oacute;genos. <i>Cadernos de Subjetividade</i>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0102-3772200600030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Amatuzzi, M. M. (1998). A Experi&ecirc;ncia Religiosa: estudando depoimentos. <i>Estudos de Psicologia</i>, <i>15</i>(2), 3-27.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0102-3772200600030001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ara&uacute;jo, M. G. J. (2004). Cip&oacute; e Imagin&aacute;rio entre Seringueiros do Alto Juru&aacute;. <i>Revista de Estudos da Religi&atilde;o 1,</i> 41-59.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0102-3772200600030001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ara&uacute;jo, W. S. (2004). A Barquinha: Espa&ccedil;o Simb&oacute;lico de uma Cosmologia em Constru&ccedil;&atilde;o. Em B. C. Labate &amp; W. S. Ara&uacute;jo (Orgs.), <i>O uso ritual da ayahuasca</i> (2ª ed., pp.541-555). Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0102-3772200600030001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Blewett, D. B. &amp; Chwelos, N. (2005). <i>Handbook for the Therapeutic Use of LSD-25: Individual and Group Procedures.</i> Regina, Saskatchewan (Trabalho original publicado em 1959)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0102-3772200600030001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Brissac, S. (1999). <i>Alcan&ccedil;ar o Alto das Cordilheiras: A viv&ecirc;ncia m&iacute;stica de disc&iacute;pulos urbanos da Uni&atilde;o do Vegetal</i>. Trabalho apresentado em IX Jornadas sobre Alternativas Religiosas na Am&eacute;rica Latina, Rio de Janeiro.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0102-3772200600030001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Brissac, S. (2004). Jos&eacute; Gabriel da Costa: Trajet&oacute;ria de um brasileiro, Mestre e autor da Uni&atilde;o do Vegetal. Em B. C. Labate &amp; W. S. Ara&uacute;jo (Orgs.), <i>O uso ritual da ayahuasca</i> (2ª ed., pp. 571-587). Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0102-3772200600030001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Carneiro, H. (2005). A odiss&eacute;ia psicon&aacute;utica: a hist&oacute;ria de um s&eacute;culo e meio de pesquisas sobre plantas e subst&acirc;ncias psicoativas. Em B. C. Labate &amp; S. L. Goulart (Orgs.), <i>O uso ritual das plantas de poder</i> (pp. 57-81). Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0102-3772200600030001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Couto, F. L. (1989). <i>Santos e Xam&atilde;s.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0102-3772200600030001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Davis, W. (1997). <i>One River: Explorations and Discoveries in the Amazon Rain Forest.</i> New York: Simon &amp; Schuster Inc., Touchstone.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0102-3772200600030001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dobkin de Rios, M. (1972). <i>Visionary Vine: Hallucinogenic Healing in the Peruvian Amazon.</i> Illinois: Waveland Press, Inc.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0102-3772200600030001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fericgla, J. M. (1998). El peyote y la ayahuasca en las nuevas religiones mist&eacute;ricas americanas. Em A. Espina (Ed.), <i>Antropolog&iacute;a en Castilla y Le&oacute;n e Iberoam&eacute;rica.</i> Aspectos generales y religiosidades populares (pp. 325-347). Salamanca, Espa&ntilde;a: Instituto de Investigaciones Antropol&oacute;gicas de Castilla y Le&oacute;n.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0102-3772200600030001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Frecska, E., White, K. D. &amp; Luna, L. E. (2004). Effects of ayahuasca on binocular rivalry with dichoptic stimulus alternation. <i>Psychopharmacology 173</i>, 79_87.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0102-3772200600030001400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Frenopoulo, C. (2004). The mechanics of religious synthesis in the Barquinha religion. <i>Revista de Estudos da Religi&atilde;o 1</i>, 19-40.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0102-3772200600030001400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Furst, P. T. (1994). <i>Alucin&oacute;genos y cultura</i>. M&eacute;xico: Fondo de Cultura Econ&oacute;mica.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0102-3772200600030001400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Goulart, S. (1996). <i>As ra&iacute;zes culturais do Santo Daime.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0102-3772200600030001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Grob, C. S. (2002). <i>Hallucinogens: a reader.</i> New York: Tarcher/Putnam.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0102-3772200600030001400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Grob, C. S., McKenna, D. J., Callaway, J. C., Brito, G. S., Neves, E. S., Oberlaender, G., Saide, O. L., Labigalini, E., Tacla, C., Miranda, C. T., Strassman, R. J., &amp; Boone, K. B. (2004). Farmacologia humana da hoasca: efeitos psicol&oacute;gicos. Em B. C. Labate &amp; W. S. Ara&uacute;jo (Orgs.), <i>O uso ritual da ayahuasca</i> (2ª ed., pp. 653-669). Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0102-3772200600030001400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Grof, S. (2001). <i>LSD psychoterapy</i> (3ª ed.) Sarasota, Florida: Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0102-3772200600030001400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Groisman, A. (2000). Santo Daime in the Netherlands: An Anthropological Study of a New World Religion in a European Setting. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutorado, Universidade de Londres, Londres.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0102-3772200600030001400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Labate, B. C. (2003).    Viagem ao encontro da iboga. <i>N&uacute;cleo de Estudos Interdisciplinares    sobre Psicoativos.</i> Retirado em 21/08/2005, do NEIP (<i>N&uacute;cleo de    Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos</i>), <a href="http://www.neip.info/downloads/Eboka.pdf" target="_blank">http://www.neip.info/downloads/Eboka.pdf</a>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0102-3772200600030001400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Labate, B. C. (2004). <i>A reinven&ccedil;&atilde;o do uso da ayahuasca nos centros urbanos</i>. Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0102-3772200600030001400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Labate, B. C. &amp; Ara&uacute;jo, W. S. (Orgs.) (2004). <i>O uso ritual da ayahuasca</i> (2ª ed.) Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0102-3772200600030001400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Labigalini, E. (1998). <i>O uso de ayahuasca em um contexto religioso por ex-dependentes de &aacute;lcool - um estudo qualitativo</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade Federal de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0102-3772200600030001400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Leary, T., Metzner, R. &amp; Alpert, R. (1995). <i>The Psychedelic Experience: a manual based on the Tibetan Book of the Dead</i>. New York: Citadel Press. (Trabalho original publicado em 1964)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0102-3772200600030001400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lima, E. G. C. (2004). <i>O uso ritual da Ayahuasca: da Floresta Amaz&ocirc;nica aos centros urbanos.</i> Monografia em Geografia Cultural, Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0102-3772200600030001400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lumby, M. (1998).    Religions of the Twice-Born: Northwest Amazonian Ayahuasca Shamanism and Near-Death    Experience. <i>MAPS Newsletter 8</i>(3), 16-17. Retirado em 21/08/2005, da MAPS    (<i>Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies</i>), <a href="http://www.maps.org/news-letters/v08n3/08316lum.html" target="_blank">http://www.maps.org/news-letters/v08n3/08316lum.html</a>    .</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0102-3772200600030001400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Luna, L. E. (1986). <i>Vegetalismo: shamanism among the mestizo population of the Peruvian Amazon</i>. Studies in Comparative Religion, Almqvist and Wiksell International, Stockholm.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0102-3772200600030001400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mabit, J. (1996a).    Takiwasi: <i>Ayahuasca</i> and Shamanism in Addiction Therapy. <i>MAPS Newsletter    6</i>(3). Retirado em 21/08/2005, da MAPS (<i>Multidisciplinary Association    for Psychedelic Studies</i>), <a href="http://www.maps.org/news-letters/v06n3/06324aya.html" target="_blank">http://www.maps.org/news-letters/v06n3/06324aya.html</a>    .</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0102-3772200600030001400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mabit, J. (1996b).    The Takiwasi Patient's Journey. <i>MAPS Newsletter 6</i>(3). Retirado em 21/08/2005,    da MAPS (<i>Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies</i>), <a href="http://www.maps.org/news-letters/v06n3/06327tak.html" target="_blank">http://www.maps.org/news-letters/v06n3/06327tak.html</a>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0102-3772200600030001400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mabit, J. (2002).    Bleding Traditions - Using Indigenous Medicinal Knowledge to Treat Drug Addiction.    <i>MAPS Newsletter 12</i>(2), 25-32. Retirado em 21/08/2005, da MAPS (<i>Multidisciplinary    Association for Psychedelic Studies</i>), <a href="http://www.maps.org/news-letters/v12n2/12225mab.html" target="_blank">http://www.maps.org/news-letters/v12n2/12225mab.html</a>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0102-3772200600030001400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mabit, J. (2004). Produ&ccedil;&atilde;o vision&aacute;ria da ayahuasca no contexto dos curandeiros da Alta Amaz&ocirc;nia Peruana. Em B. C. Labate &amp; W. S. Ara&uacute;jo (Orgs.), <i>O uso ritual da ayahuasca</i> (pp. 147-180). 2ª ed. Campinas, S&atilde;o Paulo: Mercado de Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0102-3772200600030001400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MacRae, E. (1992). <i>Guiado pela Lua: Xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do Santo Daime</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0102-3772200600030001400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">McKenna, D. J.,    Callaway, J. C. &amp; Grob, C. S. (1998). The scientific investigation of Ayahuasca:    a review of past and current research. <i>The Heffter Review of Psychedelic    Research 1</i>, 65-77. Retirado em 21/08/2005, do EROWID, <a href="http://www.erowid.org/chemicals/ayahuasca/ayahuasca_journal3.shtml" target="_blank">http://www.erowid.org/chemicals/ayahuasca/ayahuasca_journal3.shtml</a>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0102-3772200600030001400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">McKenna, T. (1995). <i>O retorno &agrave; Cultura Arcaica</i>. Rio de Janeiro: Ed. Record</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0102-3772200600030001400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ott, J. (1994). <i>Ayahuasca Analogues: Pangaean Entheogens</i>. Kennewick: Natural Books Co.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0102-3772200600030001400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Samorini, G. (2002). <i>Animals and Psychedelics: The Natural Word and the Instinct to Alter Consciousness</i>. Rochester, Vermont: Park Street Prees.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0102-3772200600030001400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Santos, R. G. (2004). A cura religiosa no contexto de um grupo da Barquinha: uma religi&atilde;o ayahuasqueira brasileira &#91;Resumo&#93;. Em Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (Org.), <i>Resumos de comunica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas</i>, <i>V Simp&oacute;sio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia</i>. Mato Grosso: SBEE.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0102-3772200600030001400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Schultes, R. E. &amp; Hofmann, A. (1992). <i>Plants of the gods: their sacred, healing, and hallucinogenic powers</i><b>.</b> Rochester: Healing Arts Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0102-3772200600030001400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Strassman, R. J.    (1984). Adverse Reactions to Psychedelic Drugs: A Review of the Literature.    <i>The Journal of Nervous and Mental Disease, 172</i>(10), 577-595.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0102-3772200600030001400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 15.12.2005    <br>   Primeira decis&atilde;o editorial em 28.03.2006    <br>   Vers&atilde;o final em 21.09.2006    <br>   Aceito em 07.11.2006</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top10">1</a>    Endere&ccedil;o: Calle Rossell&oacute; 407bis, ent 02, Barcelona, Espanha, 08025.    <i>E-mail</i>: <a href="mailto:banisteria@gmail.com">banisteria@gmail.com</a>    <br>   <a name="back2"></a></font><a href="#top2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2</font></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    Principais plantas empregadas como misturas &agrave; ayahuasca (Ott, 1994):    <i>Achornea castaneifolia, Brunfelsia grandiflora, Mansoa allicea, Illex guayusa,    Paullinia yoco, Erythoxylum coca var. ipad&uacute;, Nicotiana sp., Brugmansia    sp., Brunfelsia sp., Psychotria viridis, Diplopteris cabrerana etc</i>.    <br>   3 Curandeiros que habitam o interior do Peru e da Col&ocirc;mbia que adquirem    seus conhecimentos sobre o mundo sobrenatural, doen&ccedil;as <i>diretamente</i>    de algumas plantas especiais, como por exemplo, <i>ayahuasca</i>, tabaco, diversas    esp&eacute;cies da fam&iacute;lia Solanaceae etc (Luna, 1986).</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Adaime]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pesquisa do inconsciente no século dos alucinógenos]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Subjetividade]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amatuzzi]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Experiência Religiosa: estudando depoimentos]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos de Psicologia]]></source>
<year>1998</year>
<volume>15</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>3-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. G. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cipó e Imaginário entre Seringueiros do Alto Juruá]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Estudos da Religião]]></source>
<year>2004</year>
<volume>1</volume>
<page-range>41-59</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Barquinha: Espaço Simbólico de uma Cosmologia em Construção]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da ayahuasca]]></source>
<year>2004</year>
<edition>2</edition>
<page-range>541-555</page-range><publisher-loc><![CDATA[CampinasSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Blewett]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chwelos]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Handbook for the Therapeutic Use of LSD-25: Individual and Group Procedures]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Regina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Saskatchewan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brissac]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alcançar o Alto das Cordilheiras: A vivência mística de discípulos urbanos da União do Vegetal]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>1999</year>
<conf-name><![CDATA[IX Jornadas sobre Alternativas Religiosas na América Latina]]></conf-name>
<conf-loc>Rio de Janeiro </conf-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brissac]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[José Gabriel da Costa: Trajetória de um brasileiro, Mestre e autor da União do Vegetal]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da ayahuasca]]></source>
<year>2004</year>
<edition>2</edition>
<page-range>571-587</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carneiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A odisséia psiconáutica: a história de um século e meio de pesquisas sobre plantas e substâncias psicoativas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Goulart]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual das plantas de poder]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>57-81</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Couto]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Santos e Xamãs]]></source>
<year>1989</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Davis]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[One River: Explorations and Discoveries in the Amazon Rain Forest]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Simon & Schuster Inc.Touchstone]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dobkin de Rios]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Visionary Vine: Hallucinogenic Healing in the Peruvian Amazon]]></source>
<year>1972</year>
<publisher-loc><![CDATA[Illinois ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Waveland Press, Inc.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fericgla]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El peyote y la ayahuasca en las nuevas religiones mistéricas americanas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Espina]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Antropología en Castilla y León e Iberoamérica: Aspectos generales y religiosidades populares]]></source>
<year>1998</year>
<page-range>325-347</page-range><publisher-loc><![CDATA[Salamanca ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Investigaciones Antropológicas de Castilla y León]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frecska]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[White]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Luna]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Effects of ayahuasca on binocular rivalry with dichoptic stimulus alternation]]></article-title>
<source><![CDATA[Psychopharmacology]]></source>
<year>2004</year>
<volume>173</volume>
<page-range>79_87</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frenopoulo]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The mechanics of religious synthesis in the Barquinha religion]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Estudos da Religião]]></source>
<year>2004</year>
<volume>1</volume>
<page-range>19-40</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Furst]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Alucinógenos y cultura]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[México ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fondo de Cultura Económica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goulart]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As raízes culturais do Santo Daime]]></source>
<year>1996</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grob]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Hallucinogens: a reader]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tarcher/Putnam]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grob]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McKenna]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Callaway]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brito]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Neves]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oberlaender]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Saide]]></surname>
<given-names><![CDATA[O. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Labigalini]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tacla]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Miranda]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Strassman]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Boone]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da ayahuasca]]></source>
<year></year>
<edition>2</edition>
<page-range>653-669</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grof]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[LSD psychoterapy]]></source>
<year>2001</year>
<edition>3</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Sarasota^eFlorida Florida]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Groisman]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Santo Daime in the Netherlands: An Anthropological Study of a New World Religion in a European Setting]]></source>
<year>2000</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Viagem ao encontro da iboga]]></article-title>
<source><![CDATA[Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos]]></source>
<year>2003</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da ayahuasca]]></source>
<year>2004</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Labigalini]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso de ayahuasca em um contexto religioso por ex-dependentes de álcool: um estudo qualitativo]]></source>
<year>1998</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Leary]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Metzner]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alpert]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Psychedelic Experience: a manual based on the Tibetan Book of the Dead]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Citadel Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. G. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da Ayahuasca: da Floresta Amazônica aos centros urbanos]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de Brasília]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lumby]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Religions of the Twice-Born: Northwest Amazonian Ayahuasca Shamanism and Near-Death Experience]]></article-title>
<source><![CDATA[MAPS Newsletter]]></source>
<year>1998</year>
<volume>8</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>16-17</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luna]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Vegetalismo: shamanism among the mestizo population of the Peruvian Amazon]]></article-title>
<source><![CDATA[Studies in Comparative Religion]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[Stockholm ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Almqvist and Wiksell International]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mabit]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Takiwasi: Ayahuasca and Shamanism in Addiction Therapy]]></article-title>
<source><![CDATA[MAPS Newsletter]]></source>
<year>1996</year>
<volume>6</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mabit]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Takiwasi Patient's Journey]]></article-title>
<source><![CDATA[MAPS Newsletter]]></source>
<year>1996</year>
<volume>6</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mabit]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Bleding Traditions: Using Indigenous Medicinal Knowledge to Treat Drug Addiction]]></article-title>
<source><![CDATA[MAPS Newsletter]]></source>
<year>2002</year>
<volume>12</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>25-32</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mabit]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Produção visionária da ayahuasca no contexto dos curandeiros da Alta Amazônia Peruana]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Labate]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O uso ritual da ayahuasca]]></source>
<year>2004</year>
<edition>2</edition>
<page-range>147-180</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSão Paulo São Paulo]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mercado de Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MacRae]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Guiado pela Lua: Xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do Santo Daime]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McKenna]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Callaway]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Grob]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The scientific investigation of Ayahuasca: a review of past and current research]]></article-title>
<source><![CDATA[The Heffter Review of Psychedelic Research]]></source>
<year>1998</year>
<volume>1</volume>
<page-range>65-77</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McKenna]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O retorno à Cultura Arcaica]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Record]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ott]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ayahuasca Analogues: Pangaean Entheogens]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Kennewick ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Natural Books Co]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Samorini]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Animals and Psychedelics: The Natural Word and the Instinct to Alter Consciousness]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rochester^eVermont Vermont]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Park Street Prees]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A cura religiosa no contexto de um grupo da Barquinha: uma religião ayahuasqueira brasileira]]></article-title>
<collab>Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia</collab>
<source><![CDATA[Resumos de comunicações científicas, V Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Mato Grosso ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SBEE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schultes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hofmann]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Plants of the gods: their sacred, healing, and hallucinogenic powers]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rochester ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Healing Arts Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Strassman]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Adverse Reactions to Psychedelic Drugs: A Review of the Literature]]></article-title>
<source><![CDATA[The Journal of Nervous and Mental Disease]]></source>
<year>1984</year>
<volume>172</volume>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>577-595</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
