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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Resenha: filhos:    op&ccedil;&atilde;o ou dever?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Book review:    children: an option or a duty?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rosani Gambatto;    Andr&eacute; Luiz Picolli da Silva</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade do    Oeste de Santa Catarina</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Poder ter filhos,    significa necessariamente desejar, conseguir ou dever t&ecirc;-los? Quest&otilde;es    como estas surgem no cotidiano de mulheres que, por op&ccedil;&atilde;o ou circunst&acirc;ncia    n&atilde;o possuem filhos. O tema da n&atilde;o-maternidade mobiliza emocionalmente    v&aacute;rias mulheres, pois, n&atilde;o ter filhos implica em n&atilde;o realizar    um potencial, em desviar-se de um padr&atilde;o constru&iacute;do socialmente,    sendo que, a feminilidade para a maioria da sociedade, est&aacute; associada    &agrave; maternidade. No entanto, escapando &agrave; concep&ccedil;&atilde;o    linear de feminilidade/maternidade, a vida das mulheres contempor&acirc;neas    pode ter dimens&otilde;es variadas e satisfat&oacute;rias, como: carreira profissional,    trabalho, estudo, divers&atilde;o. &Eacute; com essa no&ccedil;&atilde;o de    mulher e mais especificamente da maternidade e n&atilde;o-maternidade que Luci    H. B. Mansur, em seu livro "Sem filhos: a mulher singular no plural" explora    o fen&ocirc;meno da n&atilde;o-maternidade, buscando ultrapassar abordagens    tradicionais e, por vezes preconceituosas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A autora apresenta    um estudo qualitativo e explorat&oacute;rio das dimens&otilde;es atribu&iacute;das    &agrave; n&atilde;o-maternidade e as contribui&ccedil;&otilde;es do saber cient&iacute;fico    de diversas &aacute;reas das ci&ecirc;ncias humanas e sociais. O livro trata,    portanto, de um fen&ocirc;meno dificilmente redut&iacute;vel a um &uacute;nico    determinante, sendo que, sua compreens&atilde;o requer a revis&atilde;o das    expectativas da sociedade, em rela&ccedil;&atilde;o aos pap&eacute;is femininos    tradicionais, bem como o questionamento do instinto materno, do reconhecimento    e a aceita&ccedil;&atilde;o da diversidade dos desejos e das circunst&acirc;ncias    das mulheres ocidentais contempor&acirc;neas. A escrita do livro, assim, &eacute;    moldada na intersec&ccedil;&atilde;o entre hist&oacute;ria, cultura, sociedade,    fam&iacute;lia e personalidade, desmistificando a id&eacute;ia da n&atilde;o-maternidade    ligada &agrave; inferioridade ou patologia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com a    autora, principalmente no s&eacute;culo XXI, &eacute; poss&iacute;vel perceber    que a sexualidade das mulheres n&atilde;o se encontra mais refletida somente    na maternidade. As fronteiras entre o espa&ccedil;o da fam&iacute;lia e o espa&ccedil;o    do trabalho v&ecirc;m sendo redefinidas, o que provoca a fal&ecirc;ncia do modelo    referencial de conjugalidade convencional, visto que, a mulher possui outras    op&ccedil;&otilde;es para integrar-se &agrave; sociedade. Tendo em vista as    transforma&ccedil;&otilde;es dos desejos e necessidades humanas, &eacute; poss&iacute;vel    identificar que lugares sociais pr&eacute;-definidos e caminhos naturalizados,    deixaram de ordenar o destino feminino que se tornou, muitas vezes, imprevis&iacute;vel.    Nesse sentido, as mulheres, est&atilde;o diante da possibilidade de se auto-inventarem    cada vez mais e, no jogo de espelhos socioculturais, produzisr imagens in&eacute;ditas,    nas quais, inexistem modelos pr&eacute;-determinados de certo e errado, existindo    isso sim, leituras amb&iacute;guas e divergentes dessas imagens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da segunda metade    do s&eacute;culo XX em diante &#150; com a inser&ccedil;&atilde;o definitiva    da mulher no mercado de trabalho; o acesso &agrave; forma&ccedil;&atilde;o profissional    e &agrave;s atividades antes exclusivamente masculinas, o dom&iacute;nio sobre    a procria&ccedil;&atilde;o e o prazer resultante do advento da p&iacute;lula    anti-concepcional, as altera&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o    familiar e do v&iacute;nculo conjugal &#150; foram rompidos antigos padr&otilde;es    e revistas in&uacute;meras convic&ccedil;&otilde;es (estudo, profiss&atilde;o,    carreira, casamento, filhos). Ao ser desvitalizado o ideal da mulher no lar,    a rela&ccedil;&atilde;o entre os sexos come&ccedil;a a ser redefinida e as mulheres    percebem que essa imagem fixa da maternidade-fecundidade, moldada pela biologia,    n&atilde;o necessariamente lhes conv&eacute;m, pois a estrita circunscri&ccedil;&atilde;o    no papel materno promove a exclus&atilde;o de outros espa&ccedil;os, considerados    por elas mais importantes no atual momento de suas vidas. Com isso, permanecer    sem filhos significa viver uma diferen&ccedil;a significativa em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; comunidade e, sobretudo, a comunidade das mulheres-m&atilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No livro, Mansur    apresenta a perspectiva de oito mulheres, residentes na regi&atilde;o central,    e pertencentes aos segmentos sociais m&eacute;dios da cidade de S&atilde;o Paulo.    Todas com forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria, economicamente independentes,    das diversas &aacute;reas de trabalho, com faixa et&aacute;ria entre 40 e 50    anos, e que, por sua vez, optaram por permanecer sem filhos, uma vez que a maternidade    para elas representava uma limita&ccedil;&atilde;o da liberdade e dos objetivos    pessoais e profissionais. As mulheres que buscaram uma inser&ccedil;&atilde;o    social vinculada &agrave; n&atilde;o-maternidade (cujo exerc&iacute;cio implicaria    em encargos e compromissos considerados por elas limitadores de seus objetivos    priorit&aacute;rios) se diferenciaram da "senten&ccedil;a biol&oacute;gica",    e demonstraram ter uma percep&ccedil;&atilde;o de si mesmas como pessoas produtivas    e realizadas &#150; independente de suas escolhas reprodutivas. Em cada experi&ecirc;ncia    das mulheres entrevistadas &eacute; poss&iacute;vel encontrar uma singularidade    particular, que remete diretamente &agrave; complexa quest&atilde;o da maternidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos relatos, a    n&atilde;o-maternidade &eacute; vista de v&aacute;rias maneiras e tem v&aacute;rias    justificativas, desde a impossibilidade org&acirc;nica (infertilidade), at&eacute;    o outro extremo, de mulheres que optaram deliberadamente pela n&atilde;o-maternidade.    Essas &uacute;ltimas, chamadas pela autora de "transformadoras" ou "manifestantes    precoces", constituem uma categoria minorit&aacute;ria de mulheres que rejeitam    precocemente o papel materno, escolhendo uma vida, na qual, n&atilde;o h&aacute;    especificamente a necessidade de ter filhos. Em todos os relatos, perdura a    emo&ccedil;&atilde;o de cada entrevistada, de forma que a n&atilde;o-maternidade    assume diversos significados, dependendo da perspectiva e do momento em que    o tema foi objeto de reflex&atilde;o pessoal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desse modo, o livro    de Luci Mansur consiste no resultado de uma pesquisa recente sobre um fen&ocirc;meno    freq&uuml;ente: a n&atilde;o-maternidade, principalmente na primeira d&eacute;cada    do s&eacute;culo XXI mas, sem a suficiente investiga&ccedil;&atilde;o nos meios    acad&ecirc;micos. Trata-se de uma leitura envolvente e emocionante pelos relatos    das mulheres alvo da pesquisa. A autora, em seu di&aacute;logo relata a evolu&ccedil;&atilde;o    social da mulher, ao mesmo tempo em que remete &agrave; realidade atual, a autora    demonstra como o tema da n&atilde;o-maternidade se torna a cada momento hist&oacute;rico,    percebido e tratado pela sociedade de forma diferente. Assim sendo, o livro    pode ser considerado como um porta-voz da pluralidade e singularidade da experi&ecirc;ncia    de mulheres em geral e de mulheres sem filhos em particular. O cuidado na constru&ccedil;&atilde;o    e apresenta&ccedil;&atilde;o dos depoimentos e a complementar sensibilidade    e intelig&ecirc;ncia das linhas de interpreta&ccedil;&atilde;o da autora, abrem    o caminho para uma abordagem cr&iacute;tica da estigmatiza&ccedil;&atilde;o,    suscita pelas id&eacute;ias de desvio e patologia e das vis&otilde;es estereotipadas    que recaem sobre as mulheres sem filhos. &Eacute; uma obra em que mais do que    conclus&otilde;es sobre o tema, Luci Mansur e as mulheres por ela entrevistadas,    oferecem ao leitor, de forma generosa, uma oportunidade de rever sentimentos    e id&eacute;ias sobre a maternidade e a n&atilde;o-maternidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mansur, L. H. B.    (2003). <i>Sem filhos: a mulher singular no plural</i>. S&atilde;o Paulo: Casa    do Psic&oacute;logo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 02.05.2005    <br>   Primeira decis&atilde;o editorial em 13.02.2006    <br>   Vers&atilde;o final em 05.07.2006    <br>   Aceito em 09.11.2006</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Endere&ccedil;o:    Rua Jos&eacute; Veronese, 299, Bairro Santa Rita, S&atilde;o Miguel do Oeste,    SC, Brasil 89900-000. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:rosani_gambatto@yahoo.com.br">rosani_gambatto@yahoo.com.br</a></font></p>      ]]></body>
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