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<journal-title><![CDATA[DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0102-44502011000100005</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Letramento, etnicidade e diálogo intercultural]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Literacy, ethnicity and intercultural dialogue]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de São Carlos Departamento de Letras ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[I defend the relevance of the application of the concept of ethnicity in the area of New Literacy Studies for an in-depth understanding of phenomena bearing aspects of hybridism and cultural tension inherent in intercultural dialogue. I present a report of field research developed in a participative way in order to make clearer the form of application of this concept in the area of New Literacy Studies. I conclude that the concept of ethnicity is rich for the understanding of situations involving invisibility factors typical of conflict zones, propitiating also a better understanding of the bakhtinian concepts of dialogism, polyphony and conflict arena.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Letramento, etnicidade e di&aacute;logo intercultural</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Literacy, ethnicity and intercultural   dialogue</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria Sílvia Cintra Martins<sup>*</sup></b> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Professora do   Departamento de Letras da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar). P&oacute;s-doutora   em Ling&uuml;&iacute;stica Aplicada (IEL/Unicamp). L&iacute;der do Grupo de Pesquisa LEETRA - "Linguagens,   etnicidades e estilos em transi&ccedil;&atilde;o" (Cnpq) e pesquisadora vinculada ao Grupo de Pesquisa "Letramento do Professor" (Cnpq). E-mail: <a href="mailto:msilviam@ufscar.br">msilviam@ufscar.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Defendo a relevância   da aplicação do conceito de etnicidade na área dos Estudos do Letramento com   vistas à compreensão mais adequada e detalhada de fenômenos que comportam   aspectos de hibridismo e de tensão cultural inerentes ao diálogo intercultural.   Apresento relato de pesquisa de campo de viés participativo com a intenção de   explicitar a forma de aplicação desse conceito na área dos Estudos do   Letramento. Concluo que o conceito de etnicidade mostra-se fértil para dar   conta de situações que envolvem fatores de invisibilidade típicos de zonas de   conflito, propiciando, ainda, a compreensão mais adequada dos conceitos   bakhtinianos de dialogismo, de polifonia e de arena de conflito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>etnicidade; hibridismo; diálogo; multiculturalismo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">I defend the   relevance of the application of the concept of ethnicity in the area of New Literacy     Studies for an in-depth understanding of phenomena bearing aspects of hybridism     and cultural tension inherent in intercultural dialogue. I present a report of     field research developed in a participative way in order to make clearer the     form of application of this concept in   the area of New Literacy Studies. I conclude that the concept of ethnicity is   rich for the understanding of situations involving invisibility factors typical   of conflict zones, propitiating also a better understanding of the bakhtinian   concepts of dialogism, polyphony and conflict arena.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-words: </b>ethnicity; hybridism;   dialogue; multiculturalism.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align=right><font size="2" face="verdana"><i>"Os Estudos do   Letramento defendem uma     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   concep&ccedil;&atilde;o pluralista e multicultural das pr&aacute;ticas     <br>   de   uso da l&iacute;ngua escrita (...) sem cair em     <br>   simplifica&ccedil;&otilde;es que neguem a evidente   hierarquiza&ccedil;&atilde;o     <br>   das pr&aacute;ticas sociais (...)"</i></font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana">(Angela Kleiman)</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><i>"Por quest&otilde;es   heur&iacute;sticas e te&oacute;ricas, este interesse     <br>   pelo fen&ocirc;meno da etnicidade dever&aacute; se   tornar,     <br>   por muitos anos, uma preocupa&ccedil;&atilde;o maior"</i></font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana">(Abner Cohen).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>1. INTRODUÇÃO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Exploro,   neste trabalho, as contribuições do conceito de etnicidade para os Estudos do   Letramento com base na apresentação e discussão de relato parcial de pesquisa   de campo de perfil etnográfico e interpretativista realizada em território   considerado de periferia urbana. A pesquisa foi desenvolvida dentro dos   pressupostos da pesquisa empoderadora (Cameron, 1992) e teve como objetivos: a)   o levantamento da diversidade dos letramentos praticados na comunidade em   questão; b) a verificação do contraste entre certos aspectos dos letramentos   vernáculos e outros do letramento institucional; c) a verificação de aspectos   sócio-culturais de comunidade de bairro de município localizado na região   central do estado de São Paulo; d) a verificação, em termos sócio-econômico-culturais,   das implicações da noção de periferia urbana para os Estudos do Letramento. Os   resultados parciais apontam para a fertilidade da exploração do conceito   antropológico de etnicidade particularmente para se pensar a zona de conflito   característica dos bairros denominados periféricos; também para se   reconsiderar a denominação de periferia urbana com a estigmatização que lhe é   própria; e, ainda, para melhor elucidar os conceitos bakhtinianos, já bastante   conhecidos e mencionados na área dos Estudos do Letramento, de polifonia, dialogismo e arena de conflito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para o desenvolvimento da pesquisa, assim como para a análise posterior   dos dados, parti da pressuposição dos letramentos enquanto práticas sociais (Barton&amp;Hamilton,   1998), das identidades no sentido construtivo e contrastante, em íntima relação   com o conceito de pessoalidade (Hall, 2003; Street, 1993), e da etnicidade   enquanto <i>"essencialmente a forma de interação entre grupos culturais   que operam dentro de contextos sociais comuns"</i>, configurando-se como   uma variável, sujeita a diferentes graus, que se dá na interconexão com fatores sócio-político-culturais (cf.: Cohen, 2004: xi).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A discussão que apresento nos itens   seguintes comporta, propositalmente, a articulação entre segmentos próprios do discurso argumentativo de teor científico   e segmentos na forma de relatos em estilo narrativo. Com esta opção, viso   deixar mais nítida a maneira como se deu, de forma contínua, o vaivém entre   teoria e prática, na medida em que não tínhamos, de antemão, no início da   pesquisa, total clareza com relação ao aparato teórico de que passamos a nos   servir em face dos dados que foram sendo gerados. É interessante notar, nesse   sentido, que mesmo os pressupostos metodológicos de que nos valemos, de viés   participativo e empoderador, foram sendo repensados, à medida que a   interlocução que travávamos com os sujeitos de pesquisa nos fazia rever a forma   como em princípio entendiamos o multiculturalismo e a própria viabilidade do   diálogo intercultural em toda a sua complexidade, ou seja, no que implica tanto   fatores éticos, quanto étnicos, questões que se tornarão mais claras para o   leitor à luz dos recortes dos dados de pesquisa que vou efetuar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Destaco, de toda forma, que trato aqui da noção de etnicidade do ponto   de vista das gradações que comporta, ou seja, no sentido de que há etnicidades   e etnicidades (cf.: Cohen, 2004: xiv), consciente de que, à primeira vista e   para um leitor que ainda não está habituado com a utilização desta noção &#150;   mesmo porque a trago do campo dos estudos em Antropologia urbana para pensar   questões da área dos Estudos do Letramento &#150;, pode parecer que os dados que ora   exploro teriam pouco ou nada a ver com essa noção, ou mesmo que prescindem de sua aplicação.<a name="top01"></a><a href="#end01"><sup>1</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>2. DO CONCEITO DE ETNICIDADE   E DA METODOLOGIA</b><i><a name="top02"></a><a href="#end02"><sup>2</sup></a></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante quatro anos coordenei pesquisa de campo nos bairros Gonzaga e   Monte Carlo, em São Carlos, município de porte médio localizado no interior   paulista, na região central do estado de São Paulo. A coleta de dados foi   efetuada em ambientes institucionais, como foi o caso de uma escola da rede   estadual de ensino, e também em ambientes não institucionais, como foi o caso da sede de uma cooperativa de limpeza que visitamos quinzenalmente, no   decorrer de um ano. Também pude observar a forma de interlocução de jovens da   faixa etária dos onze aos quinze anos no decorrer de uma série de visitas que   estes efetuaram ao campus da Universidade Federal de São Carlos, como parte de   projeto coordenado por mim.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para melhor compreender e analisar os dados que levantamos nesse período,   comecei, a partir de certo momento, a explorar o conceito antropológico de   etnicidade, que me pareceu fértil para elucidar a forma de comunicação travada   entre sujeitos pertencentes às comunidades em questão e sujeitos advindos de   outras esferas sociais. Este conceito mostrou-se apropriado para descrever a   forma com que se dá, por exemplo, a relação entre os jovens e seus professores,   assim como entre eles e o corpo administrativo da escola, e mesmo entre   elementos do corpo administrativo e do corpo docente.<a name="top03"></a><a href="#end03"><sup>3</sup></a>Passei a entender, assim, que poderia   contribuir para uma compreensão mais profunda da própria relação que buscávamos   construir, sempre em meio a entraves que não nos eram, em princípio, nítidos, entre   sujeitos pertencentes à esfera acadêmica (sejam alunos ou professores) e sujeitos pertencentes às comunidades dos bairros e à comunidade escolar.<a name="top04"></a><a href="#end04"><sup>4</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi nesse sentido que trouxe, para a área de reflexão dos Estudos do   Letramento e para a análise de uma realidade urbana, a insatisfação que se   coaduna com aquela de Cardoso de Oliveira (2006b: 172-173), quando este levanta   questões quanto aos critérios de objetividade de que o antropólogo, na ida a   campo, pode se servir, sabendo-se diante de culturas que guardam, entre si, relações   profundamente assimétricas e, ainda, consciente do fato de que ele próprio   participa, como cidadão, da cultura dominante. Passei, assim, a compreender que   também nós, enquanto professores e graduandos pertencentes ao círculo da   atividade acadêmica, nos encontrávamos nessa posição contraditória e paradoxal,   de quem busca o diálogo horizontal e, simultaneamente, participa da cultura hegemônica.<a name="top05"></a><a href="#end05"><sup>5</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Passei a   adotar, nesse percurso, a definição efetuada pelo mesmo antropólogo (Cardoso de   Oliveira, 2006a: 135) a respeito da etnicidade como <i>"fenômenos   socioculturais emergentes de situações de confronto entre diferentes etnias   situadas no interior de Estados nacionais". </i>Segundo ele, a noção implica a presença de espaço social interno a determinado país onde as etnias existentes   mantêm relações assimétricas, sendo que, particularmente no caso brasileiro, uma   das etnias desfruta de posição hegemônica num Estado de cuja constituição   participa de forma majoritária; diz, assim, respeito a um panorama no qual se   confrontam grupos étnicos no interior de um mesmo espaço social e político dominado mais fortemente por um deles (cf.: Cardoso de Oliveira, 2006b: 178).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">É   interessante, de toda forma, enfatizar que a noção de grupo étnico não remete, necessariamente,   a questões raciais (muito embora os grupos étnicos possam, historicamente, ter   tido uma origem de base racial), mas, preferencialmente, a grupos de poder e de   interesse. Lembro, ainda, que Candido (1964), em volume que já se tornou   clássico nos estudos da sociedade brasileira, destacou, no caipira por ele   estudado há cerca de cinqüenta anos na zona rural do município de Bofete (também   no estado de São Paulo), a preeminência dos aspectos culturais, enquanto <i>"um   modo de ser, um tipo de vida, nunca um tipo racial"</i>, destacando, de   toda maneira, que essa categoria envolve, do ponto de vista racial, a   mestiçagem do branco, do caboclo &#150; com sua parcela de sangue indígena -, do preto e do mulato.<a name="top06"></a><a href="#end06"><sup>6</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos   itens que seguem explorarei em mais detalhe o conceito de etnicidade, na   medida em que for, também, apresentando alguns relatos referentes à pesquisa   que desenvolvemos. Por ora, interessa-me adiantar, na linha de Cohen (1974: 117), que </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">um grupo étnico é     uma coletividade de pessoas que partilham alguns padrões de comportamento     normativo, ou cultura, e que representam uma parcela de um grupo populacional     mais amplo, interagindo no quadro de um sistema social comum (...). O termo     etnicidade se refere especificamente ao grau de conformidade existente em     relação a essas normas coletivas no processo de interação social.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Do ponto   de vista metodológico, baseamo-nos, no decorrer da pesquisa de campo, em parte,   em Freire (1978), que propõe um método de pesquisa intimamente relacionado com   a educação, na medida em que se torna muito sutil o limite existente entre a   pesquisa propriamente dita, no que esta envolve levantamento de dados, e o   processo educacional que já começa a se desdobrar nesse momento. Pressupõe-se, na   linha da proposta freireana, que o educador vá à comunidade em que pretende   desenvolver o processo educativo com a finalidade de levantar os assim chamados   "temas geradores" nos quais deverá basear seu trabalho pedagógico. No entanto, como   se espera que o processo de pesquisa seja efetuado de forma dialógica, e como o   pesquisador deve estar atento aos problemas e tensões presentes na comunidade, acaba   não se dando, de forma objetiva ou distante, o levantamento de dados; o   processo de problematização da realidade já principia no decorrer da coleta de   dados, em função da necessidade que o pesquisador sente de discutir, junto com   os sujeitos de pesquisa, as questões que começam a surgir mesmo antes do início do processo educacional propriamente dito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">É fato que a assunção, da nossa parte, da categoria de etnicidade a   partir de certo momento da pesquisa, trouxe à tona, também, algum questionamento   com relação à própria possibilidade da horizontalidade do diálogo prevista por Freire, assunto ao qual voltarei no decorrer deste capítulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale lembrar, ainda, que para Cameron (1992), que possui uma posição   semelhante à do educador brasileiro, a pesquisa empoderadora é uma forma de   pesquisa acadêmica que busca respeitar a agenda dos sujeitos de pesquisa, ou   seja, a ênfase, nesse caso, não recai nas prioridades estabelecidas pelo   pesquisador, mas, de preferência, nos problemas e tensões presentes em dada   comunidade e no compromisso ético do pesquisador com relação às questões   inerentes à marginalidade, às lutas hegemônicas e contra-hegemônicas, e ao empoderamento dos sujeitos envolvidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>3. ETNICIDADE, PERIFERIA URBANA E FATORES DE INVISIBILIDADE</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Iniciamos, no ano de 2006, nossas primeiras visitas aos bairros Gonzaga   e Monte Carlo. O município de São Carlos é conhecido na região a que pertence   pelo cognome de "capital da tecnologia", associado ao fato da presença de duas   universidades públicas de porte, a USP e a UFSCar, com ênfase marcada para a pesquisa na área tecnológica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Chamou-me   a atenção, desde as primeiras incursões aos bairros em questão, o fato de que   distam apenas cerca de cinco quilômetros dos campi universitários principais, trajeto   que se faz, em dias de pouco trânsito, em torno de vinte minutos. À medida que   vários alunos de graduação foram se envolvendo no projeto, como coordenadora   sempre os alertava para esse fato intrigante: a forma com que em parcos vinte   minutos saíamos de um universo cultural acadêmico, marcado pela cultura própria   que aí circula (ou, para adotar termos bakhtinianos, do círculo da atividade   acadêmica, impregnado de fatores ideológicos e hegemônicos que lhe são próprios),   e entrávamos num outro universo (ou em outro círculo de atividade), que logo   imprimia suas marcas em nossos sentidos e sensações, já pela aparência das   casas, pelo aspecto sinuoso de certas ruas, pela qualidade do asfalto, pela   presença de ribanceiras e, ainda, pela própria feição das pessoas que por ali   circulavam.<a name="top07"></a><a href="#end07"><sup>7</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trata-se   de uma área fronteiriça do perímetro urbano da cidade de São Carlos detentora   de um dos maiores índices de vulnerabilidade social da cidade (extrema pobreza,   altos índices de violência, de desemprego, de drogas, de baixa escolaridade e   de crianças e adolescentes em risco pessoal e social), e que teve seu início de   ocupação há cerca de vinte anos. Considerado zona crítica de acordo com o   perfil sócio-econômico - de tal modo que seus moradores sofrem por problemas   também relacionados à estigmatização da pobreza - este bairro se caracteriza   por ter uma ocupação irregular tanto no que se refere às dimensões e à ocupação   dos lotes, como no que tange ao caráter de ilegalidade das suas novas   construções, que se localizam cada vez mais próximas de uma grande área   conhecida pelos moradores locais como "buracão" (local que possui três   nascentes, mas no qual são despejados os esgotos das casas do Jardim Gonzaga, bem   como de outros bairros vizinhos). Além disso, verifica-se a falta de serviços   urbanos considerados essenciais, principalmente nas áreas de saúde, lazer e esportes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Lembro, neste   ponto, quanto à questão da carência de serviços considerados essenciais, que   Candido (1964: 9) faz menção, nos termos que seguem, à quantidade e à qualidade   das necessidades humanas a serem satisfeitas: <i>"(...) as sociedades se caracterizam, antes de mais nada, pela natureza das necessidades de   seus grupos, e os recursos de que dispõem para satisfazê-las". </i>É digna de   nota, aliás, a forma com que o autor trata a cultura caipira, em termos que, sendo   próprios à sua época, buscavam dar conta de fenômenos a que hoje aludimos sob o   enfoque da desterritorialização e da hibridização cultural. Para ele, a cultura   rural rústica ou caipira implicaria uma <i>"sociedade parcial dotada de   cultura parcial" </i>(Candido, 1964: 8), no sentido do caráter híbrido   dessa cultura, decorrente da pertença compartilhada entre valores rurais   tradicionais e um mesmo sistema de valores que os da gente da cidade, situação   própria do processo de transformação em que essa sociedade se encontrava no momento em que se efetuou a pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesta   medida, a reflexão que Candido construiu a respeito da comunidade caipira da   zona rural do interior paulista, com base nas necessidades que aí vinham se   criando na época por ele estudada e na constatação da tensão decorrente da   busca por sua satisfação, pareceu-me fundamental para a definição do que   passamos a entender por periferia urbana ou por populações marginais, mesmo   porque, nos momentos atuais, nem sempre as populações tidas como marginais ou   periféricas habitam, sob um enfoque estritamente espacial, zonas periféricas em   relação ao que poderiam ser consideradas as zonas mais centrais de dado município.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Também a categoria da etnicidade, no sentido definido por Cohen (2004: ix,   tradução minha), remete à mesma questão própria dos fenômenos inerentes à hibridização e às tensões sociais:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">A etnicidade é um     fenômeno ubíquo, no presente e no passado, tanto nos países desenvolvidos como     naqueles em desenvolvimento. No Terceiro Mundo, as tribos, vilarejos, bandos e     comunidades isoladas, que até recentemente eram nosso assunto tradicional (o     tema de pesquisa dos antropólogos), estão em todo lugar hoje, vindo a se tornar     parte constituinte das novas estruturas de Estado e estão, assim, sendo     transformados em grupos étnicos com graus variados de diferenciação cultural.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, passamos a nos dar conta de que, independentemente do   fato de os bairros visitados se localizarem em região fronteiriça do município   em questão, o certo é que ali se encontram traços de uma cultura híbrida, resultantes,   exatamente, das necessidades que ali se criam em função da proximidade da   convivência com outros grupos do mesmo município, e da precariedade dos   recursos de que os moradores dessa comunidade dispõem para satisfazê-las. Essas   necessidades, assim como as deformações delas decorrentes, se refletem nos mais diversos setores: na habitação, nas vestimentas, no acesso à educação, aos   bens culturais, aos serviços de saúde, aos meios de transporte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale   notar, ainda, que o fenômeno de desterritorialização e de hibridismo cultural,   que vem sendo descrito como característico da pós-modernidade (cf.: Canclini, 2006)   e que, conforme pudemos constatar, já vinha se desdobrando desde momentos   anteriores, remete ao estabelecimento do fato de que muitos grupos, em função   da informalidade com que se organizam, possuem certo caráter de invisibilidade,   cabendo-nos, na pesquisa etnográfica, o papel de descrevê-los e de reconhecer a   existência da situação de conflito em que se inserem: ou seja, o estudo da   estrutura desses grupos assim informalmente organizados passa a ser a chave   para a compreensão da forma de organização das sociedades complexas (cf.: Cohen, 1974).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Para o   melhor entendimento desses fenômenos, lembro, ainda, que, se é fato, como já   sabíamos e pudemos confirmar no decorrer dos quatro anos de pesquisa   etnográfica, que bairros como os do Gonzaga e Monte Carlo envolvem zonas de   conflito, de instabilidade e de crise, também entendo ser fato, como já nos   alertava Candido (1964: 9-10), que <i>"o equilíbrio social depende em   grande parte da correlação entre as necessidades e sua satisfação" </i>e que<i> "as situações de crise aparecem como dificuldade ou impossibilidade de   correlacioná-las." </i>Nesse sentido, vale notar, para a melhor compreensão das   questões inerentes à definição de periferia urbana e de marginalidade, que,   quando certo grupo passa a ser incorporado à esfera de influência de outro, sua   vida como um todo passa a ser avaliada em função de novos padrões. Como   decorrência deste fato, pode vir a se estabelecer desequilíbrio no sentido de   se deixar, a partir de dado momento, de atingir o que até então poderia ser   considerado como um <i>"mínimo cultural"</i>, nos termos adotados por Candido, e   aos quais me reporto aqui para enfatizar o caráter de tensão e de conflito   inerente ao hibridismo cultural. É assim que os meios de subsistência de um   grupo não podem ser compreendidos separadamente do conjunto de suas "reações   culturais" (Candido, 1965: 13), desenvolvidas sob o estímulo do que passaram a   se constituir, no contato com os demais grupos residentes no mesmo município, as necessidades consideradas básicas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>4. RELATO PARCIAL DA COLETA   DE DADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nossas visitas às comunidades dos bairros em pauta, com o   intuito de levantamento de dados etnográficos associado à intenção da   mobilização empoderadora de   seus moradores, deram-se no decurso dos anos de 2006 a 2009. De início, a ação   esteve voltada para um grupo de cooperados associados à Cooperlimp, cooperativa   de limpeza sediada no Jardim Cruzeiro do Sul e cujos sócios, em sua grande   maioria, residiam no bairro do Gonzaga, sem muitas vezes quererem ser   identificados por essa residência. Sempre que tinham que preencher o requisito   de fornecer o endereço de moradia (ou o endereço de correspondência), davam   preferência a apontar o endereço da sede da cooperativa, que ficava numa   travessa da avenida principal do bairro Cruzeiro do Sul, e não na baixada   característica do bairro do Gonzaga, ainda conhecido como a favela, apesar de   já ter passado por processo de urbanização.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Conforme   mencionei antes, o termo etnicidade, ao qual me reporto aqui para melhor   compreender alguns aspectos inerentes a esses fenômenos sócio-culturais, implica   certo grau de (in)conformidade a padrões de comportamento normativo adotados   por determinado grupo no contexto das interações sociais que mantém com outros   grupos no interior de um sistema social mais abrangente. Embora se manifestem   no comportamento individual, não se trata de hábitos idiossincráticos adotados por pessoas isoladas, mas de representações amplamente coletivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os recortes que efetuarei a seguir são portadores de aspectos que   apontam, cada um à sua maneira, para a necessidade de se apelar para a noção de   etnicidade de modo a abordar em mais detalhe certas questões que vimos tentando   compreender na área dos Estudos do Letramento, tais como: o contínuo do oral   para o escrito; as dificuldades diversas que envolvem a competência na leitura   e na escrita; os problemas inerentes ao acesso à cultura letrada considerada de prestígio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale notar que, em função do espaço, apresento aqui apenas alguns   recortes de todas as ações coordenadas por mim no período em pauta. Nesses   recortes, chamo a atenção para uma série de lacunas, defasagens, descompassos   que se deram no decorrer da pesquisa que empreendemos. Neste momento é para   esses espaços aparentemente vazios que me interessa apontar, assim como para a   aparente invisibilidade de certas tensões, o que não significa, é certo, que   alimento uma predisposição pessimista em relação a ações semelhantes às que   desenvolvemos ou, mesmo, que essas mesmas ações não tenham sido, apesar de   todas as lacunas, válidas e proveitosas, tanto para nós, da academia, quanto para a comunidade para cuja melhoria da qualidade de   vida buscávamos contribuir. Significa, sim, que busco trazer à tona, com base   nos dados de pesquisa gerados, questões que dizem respeito à organização   informal de certos grupos, da qual de modo geral não nos damos conta, ou à qual   não atribuímos a necessária ênfase, sendo, no entanto, fatores que estão   concretamente presentes e que exercem pressões e modificações sobre a realidade   em transformação, sendo característicos, por isso mesmo, do que vem se   entendendo, no campo da Antropologia urbana, à luz da noção de etnicidade (cf.:   Cohen, 2004: xviii).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>4.1. As sessões culturais</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante   o período em questão, coordenei um grupo de alunos que se vinculavam ao Projeto   da Incoop/UFSCar, e juntos realizamos encontros quinzenais, no decorrer do   segundo semestre de 2007, denominados <i>"Sessões Culturais" </i>&#150; que   envolveram leitura de textos de complexidade variada, sessões de cinema,   rodas de conversa, entre outras atividades. Tínhamos o intuito de contribuir   para a ampliação do acesso ao letramento de prestígio por parte da população   local com base nos princípios da pesquisa empoderadora e do diálogo freireano em seu sentido da comunicação horizontal entre educadores e educandos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante   esses encontros foram detectadas as seguintes problemáticas que passamos a   entender melhor, à medida que as enfocamos do ponto de vista dos fatores de etnicidade:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">1) Necessidade   de encontrar uma forma mais adequada de envolvimento dos moradores do bairro   para esse tipo de trabalho de viés cultural e educativo. O número de pessoas   foi em média de três por encontro e foi possível perceber, com certa freqüência,   que a vice-diretora da cooperativa popular em que se realizavam os encontros   conseguia a participação dos moradores na base do princípio de colaboração com   a equipe provinda da academia, e não por seu interesse genuíno nas situações de ensino e aprendizagem que seriam desenvolvidas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pudemos   perceber, aliás, nesse tipo de comportamento aquilo que Schwarz (1992: 16) denomina <i>mecanismo de favor</i> e que, à sua maneira, remete à questão do <i>acobertamento</i> que explorarei mais adiante, assim como aos fenômenos de invisibilidade aos quais busco dar ênfase neste trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entendo que a   relação que temos observado entre moradores do bairro e sujeitos provenientes   de outros grupos sociais &#150; e particularmente a forma com que os sujeitos da   comunidade tendem a se relacionar com os acadêmicos &#150; guarda resquícios do   comportamento colonial e da política do favor destacada pelo autor, o que   caracterizaria, no caso brasileiro, e contrariamente às nossas expectativas   iniciais, a assimetria na relação dialógica característica da presença de   grupos portadores de interesses diferenciados em torno de questões de poder e   de hegemonia. Caracteriza, além disso, a organização relativamente informal de   um grupo, naquele sentido destacado por Cohen (2004: xviii), de que a   organização dos grupos se dá em duas dimensões, apresentando, de modo geral, características   mistas, na medida em que se encontra dentro de um mesmo contínuo: por um lado, a   organização formal, governada pelo contrato, e, sob o enfoque da abordagem em   que nos inserimos dos Estudos do Letramento, mais fortemente regulada por   normatizações escritas; por outro lado, a organização informal, regulada por   obrigações morais ou rituais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entende-se, nos estudos em Antropologia urbana, que os membros dos   grupos de interesse que não conseguem ou ainda não conseguem se organizar   formalmente fazem uso, mesmo que de modo não totalmente consciente, de   quaisquer mecanismos culturais que tiverem a seu alcance com vistas a articular,   à sua maneira, a organização de seu grupo. A noção de etnicidade, em sua   conotação política, torna-se adequada particularmente para dar conta desta   forma de organização relativamente invisível e informal, tal como aquela com   que nos deparamos no decorrer de nossas <i>Sessões Culturais. </i>Passei   a entender, com a apreensão dessa variedade de critérios implícitos na   noção de etnicidade, que através dela se poderia descrever em mais detalhe e   com mais precisão aquilo a que, por exemplo, Bonvini (2001) se refere nos termos da "civilização da oralidade" em contraste com a "civilização da escrita".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O conceito de etnicidade passou, dessa forma, a se mostrar fértil, mesmo   porque implica um contínuo dentro de uma realidade em transformação e seu   cruzamento com variáveis sócio-político-culturais. Além disso, por aludir à   organização mais ou menos informal dos grupos sociais, alude conjuntamente a   seu acesso mais pleno ou mais restrito à linguagem escrita e a suas normatizações.   Assim, a assunção dessa noção para pensar o contínuo oralidade/escrita leva-nos   a incluir nesse processo a reflexão sobre diferentes formas de organização dos diversos grupos sociais, contribuindo, de forma mais precisa e   detalhada, para a compreensão das esferas de atividade social previstas na   reflexão bakhtiniana (Bakhtin/Voloshinov, 1995) e, ainda, para uma compreensão   mais adequada, do ponto de vista sócio-político-cultural, do que sejam as   práticas de letramento que estudamos e da riqueza de conotações que implicam.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">2) Dificuldade   dos cooperados no acesso a textos que caracterizam o letramento de prestígio, sendo   possível perceber a tendência ao "acobertamento" (Goffman, 1975) dessa   condição, fato que dificulta ou mesmo inviabiliza a possibilidade de um acesso direto para o levantamento de dados de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo   Goffman (1975), o comportamento do <i>acobertamento</i> é típico de comunidades   ou de indivíduos estigmatizados em seu grupo social. Indícios desse   comportamento se manifestaram, por exemplo, quer na falta de prontidão e de   envolvimento dos cooperados na leitura de textos, quer na justificativa do   esquecimento ou da falta de tempo para realizar a escrita prevista de certos   textos, quer mesmo na justificativa da falta de óculos para poder ler os textos de forma adequada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ressalto,   mais uma vez, o fato de que, à luz da noção de etnicidade, todos passamos a   compreender, com mais precisão, a afirmação de Bakhtin/ Voloshinov (1995) segundo   a qual os atos de fala correspondem a determinados círculos de atividade   social, dentro de uma abordagem menos pragmática e, preferencialmente, político-social.   Ou seja: não se trataria da questão bastante simples e corriqueira, de se   imaginar que de acordo com a vivência em determinado círculo de atividade pomos   em funcionamento dado gênero do discurso compatível com a atividade em andamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A   pesquisa de campo em bairros com as características que venho destacando   revelou-se bastante fértil, pois trouxe à tona uma questão bem mais complexa, obrigando-nos   a enveredar para conotações próprias aos hábitos, aos costumes, em uma palavra:   à cultura de determinado grupo. Cultura atravessada de nuances político-ideológicos,   de tal forma que pensar a transição de uma a outra modalidade da linguagem &#150;   dentro do contínuo do oral para o escrito &#150; ou de um a outro gênero do discurso   veio a comportar implicações muito mais profundas do que poderíamos imaginar de antemão.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>4.2. A montagem da biblioteca</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foi   também nesse final do ano de 2007 que se realizou uma campanha para a doação de   livros para a Cooperlimp, com base na iniciativa de uma das graduandas em   Letras envolvida no projeto e na sua sensação de que a instalação de uma   biblioteca poderia vir a se configurar como um dos elementos propulsores do   processo de ampliação do letramento dos moradores do bairro em questão. A   montagem efetiva dessa biblioteca se deu no decorrer do primeiro semestre de 2008,   com a colaboração de vários graduandos que freqüentavam a disciplina de caráter   extensional "Letramentos Múltiplos". Apenas no final do semestre foi possível   conseguir um pequeno envolvimento dos moradores do bairro na instalação da biblioteca: de início, porém, só de algumas crianças.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entendíamos   que a biblioteca montada, assim, de forma inédita dentro de uma cooperativa   popular cumpria o papel dos <i>artefatos culturais</i> enquanto motivadores com   relação ao processo de alfabetização ou de inserção em práticas letradas de   prestígio vivenciado pelos moradores da comunidade, e visava contribuir para   sua construção identitária e pessoal, na eventual busca de parecerem ou se   sentirem letrados. Vale notar, aliás, a ponderação de Bartlett (2007), a   respeito dos <i>artefatos culturais</i>, que podem, segundo a autora, ser   materiais (livros, cadernos, material para estudo, mochilas etc.) ou imateriais   (diferentes rotulações, como as denominações de "burro", "analfabeto" ou   "favelado", por exemplo, que dariam entrada a determinados mundos figurados). Foi   nessa medida que a criação de uma biblioteca - embora portadora de um número   ainda pequeno de volumes sem muita diversificação e com uma presença marcante   de livros didáticos &#150; foi vista por nós como a configuração, no interior de uma   cooperativa popular, de um <i>artefato cultural</i> impregnado de conotações da   cultura letrada de prestígio em nossa sociedade e, por isso mesmo, passível de mobilizar processos de identificação com relação a essa cultura letrada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No que   diz respeito ao processo de formação da biblioteca dentro da cooperativa, é   fato que este não se deu através de um questionamento junto aos moradores que   trouxesse à tona essa reivindicação, mas, sim, através do convívio com eles nas   "Sessões Culturais" que mencionei e da percepção da carência material em que   vivem, o que levou uma das graduandas, que era bolsista-extensão na   universidade, a mobilizar o processo de doação de livros pela comunidade acadêmica. Esta iniciativa se coadunava, de resto, com o viés de   extensão da disciplina "Letramentos Múltiplos" que coordeno, dentro da   tentativa de estabelecer uma aproximação entre a academia e a comunidade. Coadunava-se,   também, com o relato de Freire (1978) de que nem sempre os <i>temas geradores</i> surgiam diretamente da comunidade em questão; muitas vezes eram resultado da   percepção dos coordenadores com relação às necessidades ali presentes, sem que   tivessem sido verbalizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando   o número de livros foi se acumulando no Departamento de Letras, entramos em   contato com a diretoria da cooperativa, comunicamos o fato de que havia cerca   de 300 volumes de livros diversos que lhes haviam sido doados e apontamos para   a possibilidade de haver uma triagem, de modo a que não se levassem para o   recinto da cooperativa volumes que pudessem não ser de seu interesse. Foi feito,   no entanto, por parte da diretoria da cooperativa (e sem uma consulta prévia   aos cooperados em assembléia, como costumava ser de praxe) o pedido para que   todos os volumes fossem levados e que a triagem se fizesse de forma natural, ao   longo do tempo, na medida do interesse ou não dos moradores do bairro. Iniciava-se,   dessa forma, o envolvimento real dos moradores do bairro com relação à biblioteca que começava a ser montada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>4.3. A mostra de fotografias</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um   segundo grupo também vinculado à disciplina "Letramentos Múltiplos" efetuou uma   série de visitas ao bairro do Gonzaga. No decorrer dessas visitas, foram   feitas gravações de conversas mais ou menos espontâneas com moradores do   bairro e foi tirada uma série de fotos em três momentos diferentes, sendo que   algumas delas foram tiradas pelos próprios moradores. Entendíamos que as fotos   implicavam um dos letramentos em que poderíamos envolver a comunidade. Além   disso, entendíamos, ainda, que, com as fotos, era possível mobilizar um processo envolvendo memória, identificação e recuperação da auto-estima.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O painel   com fotos foi montado e foi digno de nota o processo de memória e de   identificação que foi gerado entre os cooperados que se encontravam na sede da   cooperativa nesse momento. Além do reconhecimento de pessoas e de locais, deu-se,   neste caso por parte da diretora da cooperativa, o processo de desencadeamento   daquele lado escuro da memória, que, segundo ela, preferia esquecer. De acordo com seu depoimento, as fotos revelam uma   realidade do bairro muito melhor do que aquela de sua juventude: <i>"isso aqui   agora é um paraíso".</i> Ela relatou sua forma de vida vinte ou trinta anos   antes: a maneira como a família veio da zona rural procurar trabalho na cidade;   a forma com que se sentiu valorizada ao trabalhar na indústria local; a forma   com que não pôde manter esse emprego e foi levada a voltar ao corte de cana; a   perda dos pais e a necessidade de cuidar dos irmãos mais novos; o momento   extremo em que quase tiveram que doar a irmã mais nova; a ajuda de pessoas da comunidade; a forma de apoio da Incubadora de Cooperativas (Incoop/UFSCar).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vivências como essa confirmaram minha percepção anterior do quanto podem   ser produtivas as dinâmicas desenvolvidas dentro desse viés participativo por   seu potencial de trazer à tona dados que de outra maneira dificilmente seriam   gerados, particularmente quando estamos diante da tendência ao "acobertamento" (Goffman,   1975) que relatei acima, revelando-se, assim, como formas mais fidedignas de   geração de dados quando lidamos com pesquisa de base qualitativa e, mais especificamente, em contextos portadores, em maior grau, de fricção interétnica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>4.4. A oficina de texto e o jornal escolar </i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A partir   do primeiro semestre de 2008, passei a supervisionar, ainda, ação pedagógica em   escola estadual do bairro Monte Carlo, unidade que atende a cerca de setecentos   alunos e mantém o Ensino Fundamental no período diurno e o Ensino Médio no   noturno. Um grupo de seis licenciandos em Letras desenvolveu, nessa escola, o   trabalho denominado "Oficina de Texto", com vistas a tentar suprir as   defasagens que alguns alunos demonstravam com relação ao grau escolar a que   pertenciam.<a name="top08"></a><a href="#end08"><sup>8</sup></a> Foram montadas duas   classes: uma com alunos de sexto e sétimo anos; outra com alunos de oitavo e   nono anos. O trabalho pedagógico desenvolvido através dessas "Oficinas de   Texto" culminou, nesse momento, com a redação de um jornal escolar de apenas   uma folha, no qual, entre outros aspectos, era transcrita uma entrevista com os alunos do grupo pertencente ao oitavo e ao nono ano. Na entrevista,   apareciam alguns questionamentos com relação à merenda escolar, assim como com   relação a outros aspectos do cotidiano escolar, como uma reforma em andamento e   o funcionamento da escola em período integral. O jornal não pôde, no entanto, ser   publicado &#150; havia a intenção de se distribuírem cerca de 200 cópias &#150; por ser   considerado inconveniente, pela direção, em função de eventuais atritos que   poderiam ser gerados entre o corpo docente e o discente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em   Martins (2008) relato outra experiência de trabalho coordenada por mim no mesmo   período, na linha da pesquisa empoderadora, a qual envolveu a revitalização da   biblioteca dessa unidade escolar e também careceu de um envolvimento maior do   corpo docente e discente, se comparado com as expectativas que alimentávamos, nesse   caso em parte por questões de política governamental (falta de concursos para   bibliotecários em escolas estaduais nos últimos dez anos, contraditoriamente ao   riquíssimo acervo que as escolas continuamente recebem para preencher suas   prateleiras). Quanto ao jornal, tivemos que redirecioná-lo para que passasse a   tratar, de preferência, de questões culturais. Sem dúvida, mesmo assim foi um   instrumento útil na mobilização dos saberes dos educandos, na dinamização de   seu domínio das práticas escritas; porém, é necessário destacar o quanto deixou   de cumprir o papel cidadão que deveria caber a um genuíno jornal escolar se a escola pudesse, de fato, ser um local de comunicação humana mais simétrica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi   nessa mesma época que visitamos, também, a Estação Comunitária do Jardim   Gonzaga &#150; um complexo urbanístico que envolve um posto de saúde, quadras   esportivas e salas para desenvolvimento de oficinas de formação &#150; por ocasião   de uma mostra dos trabalhos ali desenvolvidos durante o semestre. Chamou-me a   atenção certo desenho que representava a escola estadual do bairro em que   vínhamos desenvolvendo nossa ação. Aparecia cercada por muro no qual três   jovens faziam uma pichação: <i>"Escola é o caminho para o futuro"</i>. Junto   aos jovens havia um skate.<a name="top09"></a><a href="#end09"><sup>9</sup></a> Essa representação em desenho vinha confirmar a sensação que vínhamos tendo com relação à forma conflituosa   com que os jovens se relacionam com a escola: por um lado, estão do lado de   fora e são portadores de certos elementos típicos da cultura não escolar que   praticam cotidianamente (implícita em seus trajes, no skate, no próprio ato de   pichar); por outro lado, alimentam expectativas de futuro que estão   relacionadas com a passagem pelo ambiente escolar &#150; do qual, seja como for, se encontram relativamente excluídos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>5. CONCLUSÕES PARCIAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi   sempre certa sensação de incompletude, de inacabamento, de dificuldade para de   fato realizar nossas ações em conformidade com nossos propósitos iniciais, que   me conduziu à busca de uma explicação de caráter sociológico e antropológico. Eram   vários esses vazios que procurávamos preencher de forma a responder algumas   perguntas: por que sempre nos sobrava a impressão de certa artificialidade no   diálogo que nós, da academia, tentávamos travar com os sujeitos da comunidade,   mesmo quando munidos dos propósitos éticos da pesquisa empoderadora? De onde   vinha todo o antagonismo que presenciávamos entre o corpo docente e discente da   escola? De onde vinha certa desconfiança do corpo docente da escola para com o trabalho que buscávamos empreender?<a name="top10"></a><a href="#end10"><sup>10</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A   adoção do conceito de etnicidade para explicitar as relações sociais presentes,   não só em realidades como essas que venho descrevendo, mas também em outros   ambientes (até mesmo para dar conta da complexa relação que se trava no próprio   âmbito universitário) tem contribuído para uma compreensão mais aprofundada dos   conceitos de ideologia e de hegemonia (Fairclough, 2001), como também dos   conceitos bakhtinianos de polifonia, de dialogismo e de arena de conflito. Entende-se,   nesse caso, a etnicidade como resultado de uma intensa interação entre   diferentes grupos culturais que almejam posições estratégicas de poder, sendo   alguns símbolos de sua cultura utilizados como mecanismos de articulação de alinhamentos políticos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, conforme passei a entender, fenômenos que   muitas vezes consideramos como desvios ou aberrações, em função da falta de adaptação que apresentam na   realidade em transformação<a name="top11"></a><a href="#end11"><sup>11</sup></a>, podem ser vistos como traços de   etnicidade e, assim, como positividades (cf.: Foucault, 1992), contribuindo, dessa   maneira, para uma visada diferenciada de questões que, na área da Educação, e   particularmente do ponto de vista das avaliações oficiais (Saresp, Saeb, Prova   Brasil, Enem), são vistas, via de regra, como negatividades. Essas   positividades, como traços de etnicidade, podem ser mais bem avaliadas, assim   entendo, se as abordarmos enquanto traços de resistência e de conservação   dentro de uma realidade em transformação. Conforme assevera Cohen (1974: 124),</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">Mesmo quando o grupo     passa por um processo de transformação, ele se adapta à nova situação guardando     seus costumes tradicionais, sem adotar costumes que poderiam ser compartilhados     com elementos de outros grupos, ou dos grupos com que passam a estar em contato.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Para   finalizar, lembro, ainda, as três questões dialéticas inerentes à etnicidade e   para as quais o mesmo autor chama nossa atenção por merecerem aprofundamento   de pesquisa: a relação entre símbolos e relações de poder; as relações entre   símbolos e questões identitárias; a relação entre os símbolos e a transformação   social. Vale notar que, segundo me parece, estas questões estão implícitas na   formulação bakhtiniana, tantas vezes mencionada, de que todo signo lingüístico   é ideológico, que, por isso mesmo, em meu entender, mereceria maior   detalhamento com base em enfoque antropológico e sociológico, de forma a que possamos aplicá-la com maior precisão às práticas que analisamos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Concluo,   assim, lembrando o quanto considero os conceitos bakhtinianos, utilizados   frequentemente na área dos Estudos do Letramento, de "arena de conflito", "polifonia"   e "dialogismo", extremamente adequados para se refletir sobre toda essa   realidade de conflito ideológico e cultural à qual me referi no decorrer deste   trabalho servindo-me do conceito de etnicidade. Se dei, no entanto, preferência   a este percurso que acabei de efetuar, isso se deveu ao fato de perceber a necessidade   de se buscarem detalhamentos na   área de estudos da Antropologia e da Sociologia de forma a proporcionar que   esses próprios conceitos bakhtinianos possam ser revisitados ou redespertados   naquela força conceitual profundamente humana, e por isso mesmo conflituosa, que   contêm &#150; e que muitas vezes, talvez em função do próprio objeto de pesquisa que   abordamos, não se torna suficientemente explícita.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">É digna   de nota também a fertilidade da pesquisa de campo de cunho etnográfico, pela   exigência que comporta em termos teóricos e práticos, conduzindo-nos a uma   contínua revisão de nossos pressupostos, assim como à busca de novos paradigmas   que nos ajudem a enxergar, problematizar e analisar a realidade que se apresenta à nossa frente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Destaco,   por fim, um fato que me parece evidente do ponto de vista dos próprios ideais   da pesquisa que se quer genuinamente dialógica e empoderadora. Se queremos   contribuir para o empoderamento desses sujeitos em sua luta, às vezes mais, às   vezes menos visível, por um espaço mais confortável em meio à disputa   territorial &#150; e aqui aludo, também, à disputa por territórios ocupados por bens   simbólicos e culturais &#150;, isto não se dará pelo ocultamento ou eventual   negligência desse embate microfísico do poder que se trava na frente dos olhos de todos nós: daqueles que queremos vê-lo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BAKHTIN, Mikhail (Voloshinov). 1995. <i>Marxismo e Filosofia da Linguagem</i><b>.</b> São Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0102-4450201100010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BARTLETT, Lesley. 2007. "To   seem and to feel: situated identities and literacy practices", in: <i>Teachers College Record.</i> Columbia University. Volume 109, Number 1, pp.51-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0102-4450201100010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BARTON, D; HAMILTON, M. 1998. <i>Local Literacies:</i> Reading and writing in one community. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0102-4450201100010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BONVINI, Emílio. 2001. Tradição oral afro-brasileira: as   razões de uma vitalidade. In: <i>Projeto História:</i> história e oralidade. São Paulo: EDUC, 22, pp.37-48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0102-4450201100010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CANDIDO, Antônio. 1964. <i>Os parceiros do Rio Bonito.</i> Estudo   sobre o caipira paulista e a transformação de seus meios de vida. Rio de   Janeiro: José Olympio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0102-4450201100010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CAMERON, Deborah et al. 1992. <i>Researching language:</i> issues of power and method. London/ New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0102-4450201100010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CANCLINI<b>,</b> Néstor   Garcia. 2006. <i>Culturas híbridas:</i> estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0102-4450201100010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. 2006a. <i>O trabalho do antropólogo.</i> São Paulo: Editora UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0102-4450201100010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">_____. 2006b. Etnicidade, eticidade e   globalização. In: Cardoso de Oliveira, Roberto. 2006. <i>O trabalho do antropólogo.</i> São Paulo: Editora UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0102-4450201100010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">COHEN, Abner. 1974. O homem bidimensional.   Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0102-4450201100010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">_____ .2004. The lesson of ethnicity. In: Urban ethnicity. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0102-4450201100010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">DORNELES, Edson. 2008. Escola, lugar relativamente   estável: reflexões e relatos de uma experiência de prática de letramento. <i>Linguasagem</i>, 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0102-4450201100010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FAIRCLOUGH, Norman. 2001. <i>Discurso e Mudança Social.</i> Brasília:   Editora da UNB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0102-4450201100010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FOUCAULT, Michel. 1992. <i>Microfísica   do poder</i>. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0102-4450201100010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> FREIRE, Paulo. 1978. <i>Pedagogia do oprimido.</i> Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0102-4450201100010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> GOFFMAN, Erving. 1975. <i>Estigma:</i> Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0102-4450201100010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">HABERMAS, Jürgen. 1987. Dialética e hermenêutica: para a crítica da hermenêutica de Gadamer. Porto Alegre: L&amp;PM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0102-4450201100010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">KLEIMAN, Angela. 2008. "Os estudos do letramento e a   formação do professor de língua materna", in: <i>Linguagem em (Dis)curso,</i> vol.8, n.3, set/dez, pp. 487-517.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0102-4450201100010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">KLEIMAN, Angela; MARTINS, M. Silvia Cintra.   2007. Formação de professores: a contribuição das instâncias administrativas na   conservação e na transformação de práticas docentes. In: Kleiman &amp; Cavalcanti (Orgs.). <i>Lingüística Aplicada</i>: suas faces e interfaces. Campinas, SP: Mercado de Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0102-4450201100010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">MARTINS, Maria Sílvia C. 2008.   As bibliotecas escolares à luz dos Estudos do Letramento. In: Romão, L. M. Sousa. <i>Discursos e sentidos sobre biblioteca escolar</i>. Ribeirão Preto: Alphabeto. Disponível em: <a href="http://www.letramento.iel.unicamp.br/portal/" target="_blank">http:// www.letramento.iel.unicamp.br/portal/</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0102-4450201100010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">_____.2009. The continuum   illiterate-literate and the contrast between different ethnicities. In: Bazerman &amp; Krut (Org.) <i>Traditions of Writing Research</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0102-4450201100010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">_____.2010. Ethos e estilo em textos   produzidos na esfera acadêmica. In: Serrani, Silvana (Org.). <i>Letramento, Discurso   e Trabalho Docente:</i> uma homenagem a Angela Kleiman. São Paulo: Ed. Hedra/Ecidade,   2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0102-4450201100010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCHWARZ, Roberto.1992. As idéias fora do lugar. In: <i>Ao vencedor as batatas.</i> São Paulo: Duas Cidades.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0102-4450201100010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">STREET, Brian (Ed.). 1993. <i>Cross-cultural approaches to literacy.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0102-4450201100010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em: dezembro de 2009    <br>   Aprovado em: fevereiro de 2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">E-mail: <a href="mailto:msilviamart@yahoo.com.br">msilviamart@yahoo.com.br</a>    <br>     <a name="end01"></a><a href="#top01">1</a>. Lembro   que &eacute; nesse sentido, de que h&aacute; etnicidades e etnicidades, que o relato que   apresentarei em parte diz respeito a uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica que presenciamos nos   bairros em quest&atilde;o; em parte, &eacute; representativo de situa&ccedil;&otilde;es recorrentes no   panorama social brasileiro, por&eacute;m portadoras de diferentes graus do mesmo fen&ocirc;meno   que exploro aqui.    <br>   <a name="end02"></a><a href="#top02">2</a>. Parte   do que relato aqui &eacute; resultado de projeto de pesquisa "Pr&aacute;ticas de letramento e   de identifica&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s comunidades em processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o" desenvolvido   com aux&iacute;lio CNPq (400419/07-6) no per&iacute;odo 2007-2009.     <br>   <a name="end03"></a><a href="#top03">3</a>. Desenvolvemos   mais amplamente a reflex&atilde;o a respeito da responsabilidade das inst&acirc;ncias administrativas   na forma com que se d&aacute; o trabalho escolar, assim como das tens&otilde;es inerentes &agrave;   rela&ccedil;&atilde;o que se trava entre secretarias da educa&ccedil;&atilde;o e unidades escolares, em   Kleiman &amp; Martins (2007).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="end04"></a><a href="#top04">4</a>. Iniciei   a reflex&atilde;o em torno do conceito de etnicidade em Martins (2009). J&aacute; nesse   trabalho apresentei relato inicial das a&ccedil;&otilde;es que menciono aqui e chamei a   aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de problematizar a quest&atilde;o referente ao di&aacute;logo   intercultural, trazendo &agrave; tona, para reflex&atilde;o e an&aacute;lise, os aspectos de   conflito e de disputa de poder inerentes a esse di&aacute;logo, na linha da   constata&ccedil;&atilde;o de Habermas (1987) da "compreens&atilde;o distorcida" decorrente do processo de domina&ccedil;&atilde;o em qualquer comunidade de comunica&ccedil;&atilde;o.    <br> <a name="end05"></a><a href="#top05">5</a>. Alinho-me   com Cardoso de Oliveira (2006b: 180) quando este aponta para a assimetria   presente na comunica&ccedil;&atilde;o social em cr&iacute;tica &agrave; horizontalidade prevista por   Gadamer e mesmo por Habermas, na medida em que <i>"(...) mesmo que formada uma comunidade inter&eacute;tnica de comunica&ccedil;&atilde;o e de argumenta&ccedil;&atilde;o, e que   pressuponha rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas democr&aacute;ticas &ndash; pelo menos na inten&ccedil;&atilde;o do p&oacute;lo   dominante &ndash; mesmo assim o di&aacute;logo estar&aacute; comprometido pelas regras do discurso hegem&ocirc;nico".</i>    <br> <a name="end06"></a><a href="#top06">6</a>. Mereceram   destaque algumas considera&ccedil;&otilde;es de Candido (1964) para minha reflex&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o   de seu enfoque numa sociedade em transforma&ccedil;&atilde;o, que, naquele momento, se   localizava na zona rural e que, como consequ&ecirc;ncia dos pr&oacute;prios problemas   destacados pelo autor, no sentido de sua paulatina desintegra&ccedil;&atilde;o, veio a   adensar as periferias urbanas. Pareceu-me digna de nota a forma com que o autor   atribui &ecirc;nfase aos aspectos de conserva&ccedil;&atilde;o de elementos tradicionais impl&iacute;citos no processo geral de transforma&ccedil;&atilde;o.    <br> <a name="end07"></a><a href="#top07">7</a>. Entendo que n&atilde;o   podemos negligenciar o fato de que nas universidades p&uacute;blicas brasileiras ainda   &eacute; prec&aacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o de grupos &eacute;tnicos negros ou ind&iacute;genas, o que tamb&eacute;m   acontece na universidade &agrave; qual me refiro neste trabalho e onde as a&ccedil;&otilde;es   afirmativas encontram-se em fase inicial de implanta&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="end08"></a><a href="#top08">8</a>. Lembro que o   Movimento "Todos pela Educa&ccedil;&atilde;o" denuncia o fato da defasagem bastante generalizada   dos estudantes da escola p&uacute;blica com rela&ccedil;&atilde;o ao grau escolar que freq&uuml;entam. Um   dos dados aponta que menos de 5% das crian&ccedil;as que freq&uuml;entam a quarta s&eacute;rie do   Ensino Fundamental est&atilde;o plenamente alfabetizadas. Informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no   s&iacute;tio <a href="http://www.todospelaeducacao.com.br/" target="_blank">http://www.todospelaeducacao. com.br/</a> (Acesso em 05/10/2010).    <br>   <a name="end09"></a><a href="#top09">9</a>. Cohen (1974: 74) anota: <i>"Os membros do grupo podem adotar alguns s&iacute;mbolos externos de distin&ccedil;&atilde;o, como marcas faciais, estilos de penteado, roupas especiais, uniformes (...)". </i>Lembro,   a esse prop&oacute;sito, que chamou a aten&ccedil;&atilde;o de uma das graduandas que atuou   no projeto a presen&ccedil;a freq&uuml;ente da sigla "SMDM" no caderno dos alunos. Perguntando   a um deles, obteve como resposta tratar-se da express&atilde;o "sem medo do medo"   utilizada como s&iacute;mbolo do grupo dos alunos tidos como problem&aacute;ticos dentro da   unidade escolar.    <br>   <a name="end10"></a><a href="#top10">10</a>.O trabalho de   Dorneles (2008), um dos licenciandos em Letras que participou desse projeto, traz   alguns relatos e reflex&otilde;es a respeito das a&ccedil;&otilde;es empreendidas na escola estadual   do bairro no ano de 2008. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao04/04_021.php" target="_blank">http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao04/04_021.php</a>    <br>   <a name="end11"></a><a href="#top11">11</a>.Incluo, aqui, as   quest&otilde;es referentes aos desvios com rela&ccedil;&atilde;o aos padr&otilde;es normativos de escrita e   de ortografia. Entendo, assim, que a diversidade dos assim chamados problemas   com a escrita, que remetem ao fato de muitos jovens serem caracterizados como   analfabetos ou com problemas relativos &agrave; alfabetiza&ccedil;&atilde;o, pode ser compreendida   de forma mais l&uacute;cida sob o enfoque da problem&aacute;tica que diz respeito aos   conflitos e tens&otilde;es que se estabelecem em territ&oacute;rio de etnicidade. Em outro   trabalho (Martins, 2010) exploro quest&otilde;es mais propriamente textuais envolvidas nessa problem&aacute;tica.</font></p>      ]]></body><back>
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