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<journal-title><![CDATA[DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Revelando sentidos na prática docente: a abordagem de corpus na análise do discurso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the feasibility of using Corpus Linguistics tools in the analysis of pedagogic discourse. For doing this, two case studies are presented. The first one focuses on the discourse of English language teachers of a well-known languages course in Rio de Janeiro about the implementation of technological resources in the classroom. The second study, in its turn, seeks to realize the position held by university professors of literatures in English language with regard to literature and its teaching. The results point out to the richness of contextual data which can be inferred from a linguistic analysis with an empirical basis. All in all, the paper uncovers the importance and flexibility of the corpus approach in discourse analysis, which may be applied to several contexts.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Linguística de Corpus]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b> ARTICLE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Revelando sentidos na pr&aacute;tica docente: a abordagem    de <i>corpus</i> na an&aacute;lise do discurso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Uncovering meanings in pedagogical practice:    the corpus approach in discourse analysis</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Vander Viana<sup>I</sup>; Danielle Menezes<sup>II</sup>;    Milena Mendes<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Queen's University Belfast, E-mail:    <a href="mailto:vander.viana@gmail.com">vander.viana@gmail.com</a>; <a href="mailto:milenapmendes@gmail.com">milenapmendes@gmail.com</a></font>    <br>   <font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>UFRJ, E-mail: <a href="mailto:danielle.menezes1981@gmail.com">danielle.menezes1981@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Este artigo discute a viabilidade da utiliza&ccedil;&atilde;o    de ferramentas da Lingu&iacute;stica de Corpus na an&aacute;lise do discurso pedag&oacute;gico. Para    tanto, s&atilde;o apresentados dois estudos de caso. O primeiro focaliza o discurso    de professores de l&iacute;ngua inglesa de um renomado curso de idiomas do Rio de Janeiro    acerca da implementa&ccedil;&atilde;o de recursos tecnol&oacute;gicos na sala de aula. O segundo    estudo, por sua vez, busca perceber qual &eacute; o posicionamento de professores universit&aacute;rios    de literaturas em l&iacute;ngua inglesa sobre literatura e seu ensino. Os resultados    apontam para a riqueza dos dados contextuais que podem ser depreendidos a partir    de uma an&aacute;lise lingu&iacute;stica de base emp&iacute;rica. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, o artigo revela    a import&acirc;ncia e a flexibilidade da abordagem de corpus na an&aacute;lise do discurso,    que pode ser aplicada a in&uacute;meros contextos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Lingu&iacute;stica de Corpus,    an&aacute;lise do discurso, discurso pedag&oacute;gico, ensino de l&iacute;ngua/literatura inglesa.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> This paper discusses the feasibility of using    Corpus Linguistics tools in the analysis of pedagogic discourse. For doing this,    two case studies are presented. The first one focuses on the discourse of English    language teachers of a well-known languages course in Rio de Janeiro about the    implementation of technological resources in the classroom. The second study,    in its turn, seeks to realize the position held by university professors of    literatures in English language with regard to literature and its teaching.    The results point out to the richness of contextual data which can be inferred    from a linguistic analysis with an empirical basis. All in all, the paper uncovers    the importance and flexibility of the corpus approach in discourse analysis,    which may be applied to several contexts.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key-words:</b> Corpus Linguistics, discourse    analysis, pedagogic discourse, English language/literature teaching.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">O saber dos professores &eacute; o saber    <i>deles</i> e est&aacute; relacionado com a pessoa e a identidade deles, com a sua    experi&ecirc;ncia de vida e com a sua hist&oacute;ria profissional, com as suas rela&ccedil;&otilde;es    com os alunos em sala de aula e com os outros atores escolares na escola. </font></p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">(Tardif, 2005:11, grifo do autor)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>&nbsp;</b></font><font face="Verdana" size="2">A    ep&iacute;grafe que inicia este artigo chama aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o da subjetividade    intr&iacute;nseca ao conhecimento docente, proveniente n&atilde;o somente das leituras e cursos    realizados ao longo e ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, mas, tamb&eacute;m, decorrente dos    contatos interpessoais estabelecidos por meio da pr&aacute;tica. Esse conhecimento    docente, pessoal, &uacute;nico, mas, simultaneamente, fruto de processos interativos,    pode ser revelado por meio da an&aacute;lise do que verbalizam os profissionais em    quest&atilde;o. Uma forma de entender o que acontece no contexto pedag&oacute;gico &eacute; observar,    analisar, interpretar e compreender o discurso que o norteia. Isso decorre do    fato de que "n&oacute;s n&atilde;o usamos simplesmente o discurso para expressar nossas atitudes,    ideias e compreens&otilde;es, mas esses s&atilde;o por sua vez formatados pelo discurso" (Hyland,    2009:23)<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>1</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo surge do interesse de se conhecer    o que professores falam a respeito de suas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, de como concebem    suas experi&ecirc;ncias profissionais e, principalmente, do que se pode depreender    do que &eacute; (consciente ou inconscientemente) omitido. Assim sendo, a an&aacute;lise do    discurso pode revelar sentidos, realidades e contextos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Aqui s&atilde;o reportados dois estudos de caso que    enfocam comunidades distintas de professores de l&iacute;nguas, a fim de entender seus    respectivos pontos de vista. No primeiro, a aten&ccedil;&atilde;o se voltou para o uso de    novas tecnologias, j&aacute; que essa era uma quest&atilde;o primordial &agrave; &eacute;poca da pesquisa    no contexto investigado. O curso no qual o estudo foi realizado havia recentemente    equipado suas salas de aulas com o que havia de mais moderno em tecnologia educacional    e seu quadro docente deveria fazer uso dos recursos &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o. No segundo    caso, a an&aacute;lise buscou compreender como professores universit&aacute;rios de literaturas    em l&iacute;ngua inglesa concebiam a disciplina que lecionavam e suas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas.    A pesquisa envolveu dez professores de diferentes forma&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias para    que fosse poss&iacute;vel levantar os pontos comuns e destoantes entre esses profissionais,    que s&atilde;o respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o de novas gera&ccedil;&otilde;es de docentes. De forma resumida,    a discuss&atilde;o dos estudos supracitados visa a alcan&ccedil;ar tr&ecirc;s objetivos principais:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)  mostrar como ferramentas computacionais provenientes    da Lingu&iacute;stica de Corpus podem contribuir para a an&aacute;lise do discurso docente;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) depreender inten&ccedil;&otilde;es discursivas e cren&ccedil;as    te&oacute;rico-pedag&oacute;gicas a partir da an&aacute;lise de determinadas escolhas lexicais dos    participantes;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)   apresentar o discurso docente como uma forma    de acesso a contextos institucionais e realidades de ensino. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao todo, h&aacute; sete se&ccedil;&otilde;es neste artigo, incluindo    esta introdu&ccedil;&atilde;o. A fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica se inicia com considera&ccedil;&otilde;es a respeito    do ensino de l&iacute;ngua e de literatura no &acirc;mbito da Lingu&iacute;stica Aplicada. Em seguida,    os princ&iacute;pios norteadores da pr&aacute;tica explorat&oacute;ria s&atilde;o apresentados e seu potencial    como instrumento de reflex&atilde;o por parte de professores &eacute; ressaltado. Posteriormente,    o artigo considera os conceitos de "discurso" e "an&aacute;lise do discurso" para que    seja poss&iacute;vel detalhar a proposta anal&iacute;tica baseada em <i>corpus</i>. Nas duas    se&ccedil;&otilde;es seguintes, os estudos de caso s&atilde;o apresentados seguindo um mesmo padr&atilde;o:    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">a)  introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa realizada abarcando,    tamb&eacute;m, uma breve descri&ccedil;&atilde;o do procedimento de coleta de dados; </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) indica&ccedil;&atilde;o de como as ferramentas da Lingu&iacute;stica    de Corpus foram empregadas na an&aacute;lise do discurso; e </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)   discuss&atilde;o dos resultados encontrados. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, apresentam-se as conclus&otilde;es e encaminhamentos    futuros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>2. Lingu&iacute;stica Aplicada e ensino de l&iacute;ngua/literatura</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa em Lingu&iacute;stica Aplicada &eacute; comumente    caracterizada a partir da investiga&ccedil;&atilde;o do uso da l&iacute;ngua em situa&ccedil;&otilde;es comunicativas    da vida social (Sealey &amp; Carter, 2004), buscando respaldo em outras &aacute;reas    para a compreens&atilde;o e/ou resolu&ccedil;&atilde;o de suas perguntas motivadoras. Para tanto,    s&atilde;o utilizados dados emp&iacute;ricos e observadas experi&ecirc;ncias do mundo real (Cavalcanti,    1986).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de o campo de atua&ccedil;&atilde;o da Lingu&iacute;stica Aplicada    transcender o ensino, em especial o de l&iacute;nguas, n&atilde;o se pode esquecer que esse    foi o interesse que lhe deu origem e permanece como um dos focos principais    sob os quais pesquisas s&atilde;o desenvolvidas (Almeida Filho, 2007). Em meados das    d&eacute;cadas de 1960 e 1970, quando chegou ao Brasil, essa &aacute;rea do conhecimento provinha    de uma tradi&ccedil;&atilde;o em que era sin&ocirc;nimo de aplica&ccedil;&atilde;o de teorias lingu&iacute;sticas ao    ensino de ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua estrangeira (Cavalcanti, 2004). Nesse sentido,    o foco de aten&ccedil;&atilde;o se localizava quase exclusivamente na sala de aula enquanto    local de experimenta&ccedil;&atilde;o da lingu&iacute;stica. Atualmente, por terem adquirido um car&aacute;ter    interdisciplinar e devido &agrave; complexidade e &agrave; riqueza de possibilidades que oferecem,    n&atilde;o &eacute; de se espantar que as salas de aula e os agentes que atuam nelas continuem    ocupando lugar de destaque. Sendo assim, n&atilde;o s&oacute; a observa&ccedil;&atilde;o e a problematiza&ccedil;&atilde;o    de contextos educacionais, mas, tamb&eacute;m, a compreens&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o de discursos    acerca deles s&atilde;o reveladores de quest&otilde;es ideol&oacute;gicas que subjazem os chamados    <i>saberes docentes</i>, aludidos na ep&iacute;grafe.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O professor de l&iacute;nguas e/ou literatura, um linguista    aplicado em potencial, lida com dois dos aspectos mais essencialmente pol&iacute;ticos    da vida: linguagem e educa&ccedil;&atilde;o, uma vez que s&atilde;o respons&aacute;veis pelo controle ideol&oacute;gico    de um povo e determinantes dos grupos hegem&ocirc;nicos (Pennycook, 1998). O ensino    de l&iacute;nguas e literaturas pode ser compreendido como intimamente relacionado    &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o ou transforma&ccedil;&atilde;o da realidade na qual os membros de uma sociedade    est&atilde;o inseridos. Tanto as aulas de l&iacute;ngua como as de literatura podem tornar-se    espa&ccedil;os de afirma&ccedil;&atilde;o de determinados valores pr&eacute;-concebidos socialmente, ambientes    de coer&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i> ou de questionamento e promo&ccedil;&atilde;o    de mudan&ccedil;a. O car&aacute;ter social vinculado &agrave; pesquisa em Lingu&iacute;stica Aplicada favorece    n&atilde;o s&oacute; o conhecimento das diferentes situa&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas, mas, tamb&eacute;m, sugere    que as aulas de l&iacute;ngua e literatura articulem-se &agrave; problematiza&ccedil;&atilde;o que modifica    o contexto no qual ocorrem. Isso se faz sumariamente importante quando se observa    que ainda h&aacute; salas de aula nas quais a fala do professor &eacute; privilegiada em detrimento    da do aluno, numa rela&ccedil;&atilde;o essencialmente assim&eacute;trica (Edwards &amp; Mercer,    1987).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Talvez n&atilde;o seja poss&iacute;vel desfazer integralmente    a assimetria existente em sala de aula, j&aacute; que o professor possivelmente precise    ser entendido como um par mais competente, capaz de auxiliar e conduzir os alunos    no processo de ensino-aprendizagem. Entretanto, o excessivo controle do professor    e o fato de a voz do aluno ser determinada por ele ocasionam problemas de compreens&atilde;o    e de comunica&ccedil;&atilde;o que dificultam a aprendizagem (Edwards &amp; Mercer, 1987).    De forma geral, as salas de aula podem ser percebidas como regidas pela chamada    regra dos "dois ter&ccedil;os" (Edwards &amp; Mercer, 1987:129): em aproximadamente    dois ter&ccedil;os do tempo de aula h&aacute; algu&eacute;m falando; dois ter&ccedil;os dessa fala pertence    ao professor; e dois ter&ccedil;os da fala docente consiste em aula expositiva ou perguntas.    Por conseguinte, de acordo com os autores, a fala do aluno se limita a respostas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise do discurso de profissionais da educa&ccedil;&atilde;o    revela-se como uma maneira eficiente n&atilde;o s&oacute; de perceber ou confirmar a referida    regra mencionada, mas, tamb&eacute;m, de se deflagrarem valores, cren&ccedil;as ou at&eacute; mesmo    de se problematizarem essas quest&otilde;es. Nesse sentido, considerando que o interesse    principal da Lingu&iacute;stica Aplicada reside no estudo da l&iacute;ngua em uso como um    instrumento de controle e mudan&ccedil;a social, &eacute; poss&iacute;vel entender o por que de o    desenvolvimento te&oacute;rico e pr&aacute;tico da an&aacute;lise do discurso, nos &uacute;ltimos anos,    ter sido realizado por pesquisadores dessa &aacute;rea (Trappes-Lomax, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa em Lingu&iacute;stica Aplicada, ao articular    conhecimento proveniente de diferentes ramos do saber leva a um "distanciamento    tremendamente salutar do pesquisador em rela&ccedil;&atilde;o ao seu pr&oacute;prio universo de refer&ecirc;ncia,    contribuindo para a n&atilde;o reprodu&ccedil;&atilde;o &#91;...&#93; de uma certa ordem institucionalizada    de posi&ccedil;&otilde;es, cren&ccedil;as e valores hierarquizados" (Signorini, 1998:108). Assim    sendo, esta pesquisa possibilita o (re)pensar e o questionar de pr&aacute;ticas j&aacute;    estabelecidas nas variadas situa&ccedil;&otilde;es em que se faz uso da linguagem, como as    salas de aula, as quais precisam ser compreendidas em sua totalidade. Em suma,    o investigador lan&ccedil;a um olhar de estranhamento ao que antes tinha como familiar    e, a partir disso, o produto de sua investiga&ccedil;&atilde;o torna-se capaz de provocar    mudan&ccedil;as. Para lan&ccedil;ar esse olhar, h&aacute; diferentes possibilidades investigativas.    Uma delas concerne &agrave; reflex&atilde;o ocasionada, dentre outras metodologias, pelos    princ&iacute;pios da pr&aacute;tica explorat&oacute;ria, explicados na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>3. Pr&aacute;tica explorat&oacute;ria como instrumento de    reflex&atilde;o docente</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos de Lingu&iacute;stica Aplicada no contexto    pedag&oacute;gico revelam-se importantes para que se entenda a intera&ccedil;&atilde;o que ocorre    entre professores e alunos em sala de aula. Considerando-se, no entanto, que    o saber docente n&atilde;o se limita unicamente a aspectos tang&iacute;veis sobre o conte&uacute;do    lecionado, como j&aacute; indicado na ep&iacute;grafe, entende-se que cada situa&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica    reflete conceitos e premissas hist&oacute;rico-sociais, das quais os participantes    podem nem estar cientes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, a compreens&atilde;o de cultura n&atilde;o se    resume somente &agrave;quela de uma na&ccedil;&atilde;o ou de uma cidade. H&aacute;, al&eacute;m dessa, as pequenas    culturas (Holliday, 1999), ou seja, as que determinam o comportamento de um    grupo, uma institui&ccedil;&atilde;o, uma empresa, dentre outras. Portanto, pode-se dizer    que h&aacute; uma cultura caracter&iacute;stica do ensino de l&iacute;nguas e literaturas estrangeiras.    Os professores devem agir segundo certas regras, adotar posturas consideradas    adequadas por seus pares e seus superiores. Al&eacute;m da preocupa&ccedil;&atilde;o com o m&eacute;todo    a ser utilizado, h&aacute; outros fatores em jogo no contexto pedag&oacute;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para que se possa compreender o que acontece    nesse ambiente, &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;ria uma vis&atilde;o mais detalhada acerca do comportamento    dos corpos discente e docente. Tem-se, por vezes, que a sala de aula &eacute; o local    onde o professor ensina enquanto o aluno aprende, tal qual no modelo de educa&ccedil;&atilde;o    banc&aacute;ria criticado por Freire (1978). No entanto, tal descri&ccedil;&atilde;o representa apenas    um ponto de partida para a compreens&atilde;o desse contexto, j&aacute; que tamb&eacute;m devem ser    considerados outros aspectos, como, por exemplo, a motiva&ccedil;&atilde;o e o interesse do    aluno por determinado t&oacute;pico, seu conhecimento pr&eacute;vio sobre o assunto e o relacionamento    interpessoal entre professores e alunos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para que haja um entendimento sobre a sala de    aula, deve-se considerar o professor como um participante ao lado de seus alunos    (Allwright, 1996), que desempenha um papel fundamental em todas as intera&ccedil;&otilde;es    e conhecimentos constru&iacute;dos nesse contexto. Sendo assim, &eacute; preciso entender    de que maneira os profissionais da educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o formados, ou seja, que conhecimentos    adquirem ao longo de sua vida acad&ecirc;mica, e, posteriormente, quais pap&eacute;is desempenham    no curso de experi&ecirc;ncia profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A fim de conhecer o perfil docente, aqui se utiliza    a pr&aacute;tica explorat&oacute;ria (Allwright &amp; Bailey, 1991; Allwright, 2003; Allwright,    2006), que visa &agrave; integra&ccedil;&atilde;o da pesquisa ao contexto pedag&oacute;gico propriamente    dito. Nesse sentido, objetiva-se que o tempo em sala de aula seja utilizado    proveitosamente, sem que o aprendizado e o ensino sejam prejudicados. Espera-se,    com essa abordagem, atingir "qualidade de vida" a partir do envolvimento de    todos os participantes, sejam eles professores ou alunos. Ademais, o processo    de entendimento n&atilde;o come&ccedil;a ou termina com um &uacute;nico estudo; por isso, &eacute; esperado    que haja um comprometimento cont&iacute;nuo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se considerarmos as formas pelas quais a quest&atilde;o    educacional j&aacute; foi abordada na literatura da &aacute;rea, h&aacute;, segundo Allwright (2003),    alguns conceitos que devem ser revistos. Por exemplo, acreditava-se que o desenvolvimento    de melhores estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas era um dos objetivos principais. Este seria    atingido por meio da observa&ccedil;&atilde;o de problemas isolados, que seriam resolvidos    um a um, sem uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a rela&ccedil;&atilde;o entre eles. Acreditava-se, tamb&eacute;m,    que a melhoria no ensino seria alcan&ccedil;ada apenas se os professores envolvidos    considerassem os problemas como desdobramentos de quest&otilde;es t&eacute;cnicas, facilmente    solucionadas por meio do desenvolvimento de diferentes procedimentos. Consequentemente,    as duas posturas mencionadas originaram uma vis&atilde;o que reduz esses problemas    a quest&otilde;es a-sociais, simplesmente como rela&ccedil;&otilde;es de causa e efeito. A investiga&ccedil;&atilde;o    concentrava-se em determinar poss&iacute;veis causas para as falhas observadas de forma    que, por meio do desenvolvimento de novas pr&aacute;ticas, fosse poss&iacute;vel atingir resultados    mais eficazes. Allwright (2003) prop&otilde;e, portanto, tr&ecirc;s novas propostas que definiriam    a pr&aacute;tica explorat&oacute;ria, a saber:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">a)  priorizar qualidade de vida na sala de aula;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)  desenvolver entendimentos sobre a qualidade    de vida em sala de aula em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; busca por melhorias nas t&eacute;cnicas pedag&oacute;gicas;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)   buscar o entendimento de uma quest&atilde;o social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A &uacute;ltima proposta retoma a import&acirc;ncia de estudos    em Lingu&iacute;stica Aplicada (Pennycook, 1998). Dado o car&aacute;ter social e pol&iacute;tico    da linguagem, &eacute; crucial que as pesquisas em sala de aula enfoquem essas dimens&otilde;es,    buscando entender, por meio do discurso, o que de fato ocorre no &acirc;mbito pedag&oacute;gico    e as consequ&ecirc;ncias para os envolvidos nesse processo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A observa&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es no contexto pedag&oacute;gico    desempenha um papel fundamental, pois &eacute; a partir dela que muitos questionamentos    tomam forma e se apresentam ao pesquisador/professor. O entendimento da situa&ccedil;&atilde;o    de pesquisa &eacute; proposto por meio de questionamentos (ou <i>puzzles</i>), que    surgem ao longo da viv&ecirc;ncia dos participantes e os instigam a buscar compreender    melhor o ambiente em que est&atilde;o inseridos. Para que tal entendimento seja poss&iacute;vel,    deve haver uma constante reflex&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa para a pr&aacute;tica explorat&oacute;ria est&aacute; associada    ao fazer educacional e &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de aprendizado. Assim sendo, espera-se que    o professor-pesquisador construa instrumentos que sejam relevantes para todos    os participantes do processo e que, ao mesmo tempo, contribuam para o ensino.    Dentre os objetivos principais da investiga&ccedil;&atilde;o est&atilde;o a colabora&ccedil;&atilde;o com o ensino    e o aprendizado, bem como com o desenvolvimento profissional, tanto individual    quanto coletivo. Sendo assim, a pr&aacute;tica explorat&oacute;ria pode igualmente ser &uacute;til    na forma&ccedil;&atilde;o (inicial e continuada) de professores. Allwright (2003:122-124)    estabelece sete princ&iacute;pios para tal metodologia de pesquisa:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)  almejar "qualidade de vida";</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)  trabalhar para entender a vida em sala de    aula;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)   envolver a todos;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d)  trabalhar para unir pessoas;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">e)  trabalhar para desenvolvimento m&uacute;tuo;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">f)    integrar a busca por entendimento com a    pr&aacute;tica pedag&oacute;gica;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">g)  buscar um trabalho cont&iacute;nuo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao associar esses princ&iacute;pios &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores,    &eacute; poss&iacute;vel entender a necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o entre todos os participantes    do processo de ensino e aprendizagem. Desde o in&iacute;cio de sua forma&ccedil;&atilde;o, os docentes    devem ser sensibilizados para a import&acirc;ncia da troca de conhecimentos entre    profissionais, bem como para poss&iacute;veis contribui&ccedil;&otilde;es de outras &aacute;reas, refor&ccedil;ando    a import&acirc;ncia de desenvolver um saber interdisciplinar. H&aacute; a necessidade de    compreender a sala de aula como um momento de criar v&iacute;nculos em que a troca    de informa&ccedil;&otilde;es e a busca pelo entendimento sejam poss&iacute;veis. Considerando que    o trabalho explorat&oacute;rio &eacute; cont&iacute;nuo, n&atilde;o h&aacute; um momento ideal para come&ccedil;ar a entender    a vida em sala de aula, sendo esse um processo duradouro que deve continuar    por toda a vida profissional de professores. O entendimento, no entanto, n&atilde;o    se limita a um trabalho conjunto <i>in loco</i>. Um olhar distanciado por meio    da an&aacute;lise do discurso de profissionais da educa&ccedil;&atilde;o pode iluminar a quest&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">4. An&aacute;lise do discurso e a abordagem de <i>corpus</i></font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma forma de compreender a cultura da sala de    aula, como j&aacute; apontado anteriormente, &eacute; estudar o discurso que a permeia. Apesar    de a palavra "discurso" ser constantemente empregada nas mais diversas esferas,    seu conceito n&atilde;o se apresenta de forma fixa ou estanque. Ao analisar a literatura,    Schriffin, Tannen e Hamilton (2001:1) prop&otilde;em que as acep&ccedil;&otilde;es do termo sejam    resumidas a tr&ecirc;s categorias: "(1) qualquer coisa al&eacute;m do per&iacute;odo, (2) linguagem    em uso, e (3) uma ampla extens&atilde;o de pr&aacute;tica social que inclui inst&acirc;ncias de    linguagem n&atilde;o lingu&iacute;sticas e n&atilde;o espec&iacute;ficas"<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>2</sup></a>. Justamente pelo car&aacute;ter sint&eacute;tico da proposta, ela    tem sido empregada na &aacute;rea (Baker, 2006; Biber, Connor &amp; Upton, 2007, para    citar apenas dois exemplos).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como desdobramento da variedade de significados    para "discurso", tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel levantar uma &uacute;nica possibilidade para    o termo "an&aacute;lise do discurso" (Blakemore, 2001; Schriffin, Tannen &amp; Hamilton    2001). De forma pontual, Scollon &amp; Scollon (2001:538) prop&otilde;em que o termo    em tela pode-se referir a </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)  an&aacute;lises de linguagem em uso a partir da    perspectiva da lingu&iacute;stica, da etnografia da comunica&ccedil;&atilde;o, da filosofia da linguagem,    entre outros; ou </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)  investiga&ccedil;&otilde;es de naturezas cr&iacute;tica, sociocultural,    sociol&oacute;gica ou hist&oacute;rica com foco principal na sociedade ou na pr&aacute;tica social.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; interessante notar que as defini&ccedil;&otilde;es de "an&aacute;lise    do discurso" podem, de certa forma, corresponder &agrave;s tr&ecirc;s concep&ccedil;&otilde;es de "discurso"    previamente delineadas. Em (a), "discurso" corresponderia ou a fragmentos maiores    do que o per&iacute;odo ou &agrave; linguagem em uso; enquanto que em (b), o termo refere-se    a pr&aacute;ticas sociais e concep&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas que podem ser tanto lingu&iacute;sticas    quanto n&atilde;o lingu&iacute;sticas. Consoante a essa distin&ccedil;&atilde;o, Gee (1999) coloca que haveria    "discurso", com inicial min&uacute;scula, referindo-se ao sentido descrito em (a);    ao passo que o outro corresponderia a "Discurso", com inicial mai&uacute;scula. Ressalta-se    tamb&eacute;m que a forma pluralizada &eacute; empregada somente quando o termo assume a segunda    acep&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo aqui realizado se alinha ao significado    descrito em (a), j&aacute; que se observa o uso da linguagem. No entanto, acredita-se    que a investiga&ccedil;&atilde;o de recursos lingu&iacute;sticos pode revelar detalhes importantes    a respeito da popula&ccedil;&atilde;o em foco, j&aacute; que o discurso n&atilde;o pode ser compreendido    em um v&aacute;cuo contextual (Lakoff, 2001:200). Ele representa, na verdade, uma forma    de se chegar a um contexto maior.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A unidade anal&iacute;tica da an&aacute;lise do discurso, como    era de se esperar, n&atilde;o apresenta um consenso. Dentre as possibilidades que s&atilde;o    frequentemente investigadas, de acordo com Fleischman (2001:471), encontram-se    a organiza&ccedil;&atilde;o do discurso, as estruturas discursivas e caracter&iacute;sticas l&eacute;xico-gramaticais.    &Eacute; nesta &uacute;ltima possibilidade que a investiga&ccedil;&atilde;o aqui proposta se concentra,    observando os itens lexicais que se destacam seja pela simples ocorr&ecirc;ncia (cf.    Se&ccedil;&atilde;o 5.1) ou chavicidade (cf. Se&ccedil;&atilde;o 6.1). No entanto, a an&aacute;lise n&atilde;o se limita    ao levantamento desses itens, observando tamb&eacute;m as fun&ccedil;&otilde;es que eles desempenham    no discurso dos docentes envolvidos na pesquisa (cf. Se&ccedil;&otilde;es 5.3 e 6.2). Em outras    palavras, busca-se revelar os sentidos &#150; nem sempre expl&iacute;citos &#150; que s&atilde;o constru&iacute;dos    pelos professores que participam dos dois estudos de caso.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das caracter&iacute;sticas principais na an&aacute;lise    do discurso &eacute; a interdisciplinaridade, que, segundo Steen (2004), &eacute; o que a    torna um campo de investiga&ccedil;&atilde;o desafiador. Esse atributo tamb&eacute;m encontra espa&ccedil;o    na argumenta&ccedil;&atilde;o de Lakoff (2001:200): "&#91;p&#93;ara fazer um trabalho completo de    falar a respeito de 'discurso' ou 'um discurso', o analista tem que recorrer    aos resultados e m&eacute;todos de outras (sub)disciplinas; n&atilde;o h&aacute; nenhuma 'an&aacute;lise    do discurso' de outra forma"<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>3</sup></a>.    Neste estudo, uma abordagem lingu&iacute;stica &eacute; favorecida; por&eacute;m, s&atilde;o empregados    preceitos da Lingu&iacute;stica Aplicada, pr&aacute;tica explorat&oacute;ria e Lingu&iacute;stica de Corpus    &#150; tr&ecirc;s &aacute;reas que tamb&eacute;m valorizam a an&aacute;lise interdisciplinar<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>4</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; metodologia empregada, a an&aacute;lise    do discurso &eacute; majoritariamente qualitativa (Lazaraton, 2002; Trappes-Lomax,    2004). Essa preponder&acirc;ncia &eacute; facilmente compreendida, dado que o trabalho investigativo    recai principalmente na descoberta de significados veiculados no discurso co-constru&iacute;do    pelos participantes da pesquisa. O analista do discurso qualitativo estaria    mais interessado em entender perguntas do tipo <i>como?</i> e <i>por qu&ecirc;?</i>    em contraste a estudos que enfocariam a quest&atilde;o <i>qu&atilde;o frequente?</i> (Lazaraton,    2002:32).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise do discurso qualitativa, no entanto,    &eacute; alvo de muitas cr&iacute;ticas por n&atilde;o apresentar caracter&iacute;sticas como replicabilidade    e objetividade nas an&aacute;lises (Dubois &amp; Sankoff, 2001; Trappes-Lomax, 2004)<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>5</sup></a>.    Uma das formas de superar esse julgamento de valor consiste em semi-automatizar    o procedimento de an&aacute;lise. &Eacute; nesse panorama que as ferramentas da Lingu&iacute;stica    de Corpus podem auxiliar, podendo ser utilizadas para garantir uma forma quantitativa    e replic&aacute;vel de prospec&ccedil;&atilde;o dos dados. Trata-se de uma possibilidade de trazer    &agrave; tona tanto padr&otilde;es recorrentes nos corpora investigados como aqueles usos    que se revelam escassos, ambos possivelmente n&atilde;o observados em uma an&aacute;lise manual    (Baker, 2004)<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>6</sup></a>. No    entanto, a interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados &eacute; naturalmente qualitativa. Nesse sentido,    Conrad (2002:78) resume a perspectiva da Lingu&iacute;stica de Corpus:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">O reconhecimento de padr&otilde;es de uso da linguagem      necessariamente exige uma avalia&ccedil;&atilde;o se o fen&ocirc;meno &eacute; comum ou n&atilde;o usual &#150; uma      avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa. Ao mesmo tempo, n&uacute;meros por si s&oacute; fornecem reduzida      percep&ccedil;&atilde;o sobre a linguagem. Mesmo as mais sofisticadas an&aacute;lises quantitativas      devem ser amarradas a interpreta&ccedil;&otilde;es funcionais dos padr&otilde;es de linguagem<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>7</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A esse aspecto junta-se outro, a saber, a redu&ccedil;&atilde;o    do pr&eacute;-julgamento do pesquisador (Baker, 2006). O uso de procedimentos da Lingu&iacute;stica    de Corpus permite um aumento da objetividade, especialmente no tocante &agrave; sele&ccedil;&atilde;o    dos itens a serem investigados. Apesar de o uso de corpora na pesquisa em an&aacute;lise    do discurso criar restri&ccedil;&otilde;es aos pr&eacute;-conceitos de ordem cognitiva, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    excluir toda e qualquer inst&acirc;ncia de pr&eacute;-julgamento. Como afirma Baker (2006:12),    "os pesquisadores de <i>corpus</i> podem teoricamente ser simplesmente t&atilde;o seletivos    quanto qualquer outra pessoa na escolha de que aspecto de suas pesquisas eles    reportar&atilde;o ou esconder&atilde;o"<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A observa&ccedil;&atilde;o de itens lexicais espec&iacute;ficos responde    a uma cr&iacute;tica feita por Trappes-Lomax (2004:146) de que o aspecto lingu&iacute;stico    presente no discurso n&atilde;o &eacute; comumente ressaltado. Ao seguir esse caminho metodol&oacute;gico,    &eacute; poss&iacute;vel neste estudo levantar considera&ccedil;&otilde;es contextuais a partir da observa&ccedil;&atilde;o    da linguagem em uso. Tem-se, ent&atilde;o, aqui, um caso de interpreta&ccedil;&atilde;o informada    calcada em dados do mundo real.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O foco emp&iacute;rico da an&aacute;lise do discurso &eacute;, na    verdade, um dos pontos em comum com a Lingu&iacute;stica de Corpus. Afinal, toda a    an&aacute;lise &eacute; baseada no que &eacute; efetivamente observado nos dados, atentando para    o que &eacute; recorrente em determinadas circunst&acirc;ncias (Conrad, 2002:77). &Eacute; exatamente    esse aspecto que &eacute; ressaltado como um dos pontos positivos da an&aacute;lise do discurso    auxiliada pela abordagem de <i>corpus</i>: a investiga&ccedil;&atilde;o se concentra no que    &eacute; percebido no discurso e as interpreta&ccedil;&otilde;es surgem a partir da observa&ccedil;&atilde;o de    usos de itens isolados ou estruturas maiores no discurso (Baker, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em termos metodol&oacute;gicos, registra-se a impossibilidade    de trabalhar, por exemplo, com o discurso oral no mesmo meio de produ&ccedil;&atilde;o, visto    que n&atilde;o seria poss&iacute;vel reter na mente todos os detalhes e as sutilezas do que    &eacute; dito, nem de entender o n&atilde;o expl&iacute;cito que se revela de forma indireta (Edwards,    2001). Assim sendo, um tipo de transcri&ccedil;&atilde;o precisa ser adotado de acordo com    os objetivos da an&aacute;lise e com os procedimentos metodol&oacute;gicos a serem empregados.    Deve-se ressaltar, no entanto, que nenhuma transcri&ccedil;&atilde;o &eacute; totalmente imparcial    (Gee, 1999), dado que "&#91;o&#93; pesquisador escolhe que tipos de informa&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o    preservadas, que categorias descritivas ser&atilde;o usadas, como a informa&ccedil;&atilde;o ser&aacute;    disposta no meio escrito e espacial de uma transcri&ccedil;&atilde;o" (Edwards 2001:321)<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>9</sup></a>. N&atilde;o obstante a abrang&ecirc;ncia    da transcri&ccedil;&atilde;o em termos de detalhes a serem capturados, o resultado final n&atilde;o    ser&aacute; igual ao evento de fala propriamente dito (Gee, 1999). Cada uma das escolhas    realizadas durante o processo de transcri&ccedil;&atilde;o naturalmente afeta a forma como    o discurso &eacute; apreendido pelo pesquisador (Edwards, 2001).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa restri&ccedil;&atilde;o de trabalho com dados orais no    &acirc;mbito da an&aacute;lise do discurso tamb&eacute;m encontra espa&ccedil;o na Lingu&iacute;stica de Corpus    visto que, no presente momento, as ferramentas dispon&iacute;veis obrigam que o registro    oral seja necessariamente transcrito para ser leg&iacute;vel por computador. O formato    em quest&atilde;o, muitas das vezes, ser&aacute; o de arquivo de texto sem formata&ccedil;&atilde;o (.txt),    o que exige que a transcri&ccedil;&atilde;o seja a mais simples poss&iacute;vel. Em outras palavras,    opta-se apenas por transcrever as palavras sem muitas das marcas que tentam    dar conta dos in&uacute;meros eventos que ocorrem na fala como pausas, hesita&ccedil;&otilde;es,    &ecirc;nfases, prolongamentos, entre outros. Um princ&iacute;pio b&aacute;sico na an&aacute;lise do discurso    auxiliada pelo computador &eacute; de que as ocorr&ecirc;ncias similares sejam transcritas    de forma igualmente semelhantes (Edwards, 2001), a fim de que o agrupamento    autom&aacute;tico delas possa ocorrer. O tipo de transcri&ccedil;&atilde;o aqui adotado pode ser    criticado pela economia de informa&ccedil;&otilde;es; por&eacute;m, como prop&otilde;e Gee (1999), a validade    da an&aacute;lise a ser realizada n&atilde;o est&aacute; na forma como a transcri&ccedil;&atilde;o ser&aacute; realizada,    mas em como ela contribui, de forma confi&aacute;vel, para o estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, ressalta-se que a combina&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise    do discurso e da Lingu&iacute;stica de Corpus &eacute; uma fus&atilde;o contempor&acirc;nea, como afirmam    Baker (2004; 2006), Berns e Matsuda (2006), McEnery, Xiao e Tono (2006), Biber,    Connor e Upton (2007), entre outros. Por&eacute;m, a justaposi&ccedil;&atilde;o das duas &aacute;reas parece    se configurar como uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica para ambas, como ser&aacute; demonstrado    a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">5. O fazer de professores de l&iacute;ngua inglesa    e as novas tecnologias</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro estudo de caso observou mais de perto    o contexto de um curso livre em que muito se investe na tecnologia associada    ao ensino de ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua estrangeira. Objetivou-se analisar, a partir    das escolhas lexicais de professores, como estes se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    inser&ccedil;&atilde;o da tecnologia na sala de aula. Embora a contribui&ccedil;&atilde;o de recursos tecnol&oacute;gicos    para a pr&aacute;tica em sala de aula seja extremamente relevante, o foco aqui &eacute; a    percep&ccedil;&atilde;o desses profissionais sobre tal uso.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para que seja poss&iacute;vel entender a investiga&ccedil;&atilde;o    realizada, &eacute; preciso caracterizar o contexto de pesquisa. O curso em quest&atilde;o    encontra-se dispon&iacute;vel no mercado desde 1934, quando possu&iacute;a apenas duas salas    na cidade do Rio de Janeiro. No ano de 2004, a institui&ccedil;&atilde;o passou de uma entidade    sem fins lucrativos para uma sociedade an&ocirc;nima, mudan&ccedil;a esta que a sujeitaria    a maiores encargos financeiros e impostos. Nesse panorama, foi poss&iacute;vel notar    uma altera&ccedil;&atilde;o na postura administrativa, visto que naquele momento passava a    interessar n&atilde;o s&oacute; o aprendizado dos alunos, mas, tamb&eacute;m, o lucro a ser obtido.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A &ecirc;nfase em tecnologia sempre foi considerada    um dos diferenciais do curso em quest&atilde;o e todas as salas de aula eram equipadas    com computadores e televisores. A partir do ano de 2007, quadros interativos    foram instalados nas 26 unidades localizadas no estado do Rio de Janeiro. H&aacute;    tamb&eacute;m em cada uma delas uma biblioteca para os alunos, em que estes t&ecirc;m acesso    a computadores ligados &agrave; internet.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A unidade escolhida para a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo    se localiza na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e possu&iacute;a, em 2008, aproximadamente    1.400 alunos. Por estar situada em uma &aacute;rea de menor poder econ&ocirc;mico, s&atilde;o cobradas    mensalidades abaixo da tabela vigente em outras partes da cidade. No entanto,    a infraestrutura e a organiza&ccedil;&atilde;o dos cursos &eacute; exatamente a mesma. No ano de    2008, a equipe era composta por 15 professores, dos quais 13 trabalhavam exclusivamente    nessa unidade. Dentre os 15 membros, 9 eram rec&eacute;m-contratados, que j&aacute; iniciaram    suas aulas utilizando os quadros interativos sem ter participado do processo    de mudan&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora o impacto da tecnologia educacional envolvesse    outros participantes, tais como alunos e ger&ecirc;ncia da unidade, o enfoque principal    deste estudo era o discurso docente. Tendo em vista o objetivo de entender como    os professores reagiram a tal inser&ccedil;&atilde;o, foi necess&aacute;rio envolv&ecirc;-los nesse processo    de compreens&atilde;o. Dessa forma, as conclus&otilde;es seriam pautadas na viv&ecirc;ncia dos professores    em quest&atilde;o e a investiga&ccedil;&atilde;o contribuiria para que eles adquirissem um melhor    entendimento de seu ambiente de trabalho e de sua pr&aacute;tica pedag&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para selecionar os participantes da pesquisa,    optou-se por uma abordagem semelhante &agrave; de Traylen (1994), tendo como primeiro    passo um semin&aacute;rio que mostrasse aos participantes a proposta do estudo a ser    realizado. Nesse caso, j&aacute; que a equipe se reunia regularmente para estabelecer    projetos e pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, foi poss&iacute;vel organizar dois encontros com vistas    &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o da pesquisa. Na &eacute;poca, como a pesquisadora era respons&aacute;vel pelo    acompanhamento pedag&oacute;gico da unidade, teve-se cautela ao realizar as reuni&otilde;es    para que o seu cargo n&atilde;o fosse entendido como fator coercitivo de participa&ccedil;&atilde;o.    Para minimizar tal aspecto, ressaltou-se a n&atilde;o obrigatoriedade de envolvimento    no estudo e que ele n&atilde;o fazia parte do treinamento compuls&oacute;rio desenvolvido    na unidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dois encontros foram realizados, nos turnos da    manh&atilde; e da tarde. Do primeiro participaram 3 professores, enquanto no segundo    estavam presentes 5 professores e a monitora da filial. Em ambas as ocasi&otilde;es,    algumas quest&otilde;es que orientaram o in&iacute;cio da pesquisa foram mostradas, enfatizando    de que forma surgira o interesse em questionar o uso da tecnologia em sala de    aula. Para que os docentes participassem dessa reflex&atilde;o, foi pedido a eles que    mencionassem palavras associadas ao quadro interativo. Dentre as contribui&ccedil;&otilde;es    iniciais surgiram os temas de (a) variedade, (b) intera&ccedil;&atilde;o, (c) flexibilidade,    (d) realidade na sala de aula, (e) mudan&ccedil;as, (f) internet, (g) facilidade de    se achar o que procura e (h) maior &ecirc;nfase em conversa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s esse levantamento inicial, as etapas do    projeto foram apresentadas. Um dos objetivos era que os professores refletissem    juntos com a pesquisadora sobre quest&otilde;es que os intrigassem, sendo o foco n&atilde;o    exclusivamente definido pela &uacute;ltima. Esperava-se, com isso, incluir os participantes    no processo de pesquisa. No total, seis professores aceitaram integrar o estudo    e foram acordados os melhores hor&aacute;rios para as reuni&otilde;es. Os professores foram    divididos em dois grupos, organizados de acordo com o turno que disponibilizaram    para os encontros. Antes de cada reuni&atilde;o, a pesquisadora elaborava uma lista    de itens que possivelmente seriam abordados. Entretanto, optou-se por deixar    os participantes livres para discutir o que desejassem, mesmo que seus t&oacute;picos    n&atilde;o figurassem na lista previamente delineada pela pesquisadora, porque se objetivava    que os encontros refletissem as preocupa&ccedil;&otilde;es dos professores. Al&eacute;m disso, ao    final de cada reuni&atilde;o, os professores eram convidados a sugerir assuntos para    a pauta vindoura. Dessa forma, a coleta de dados foi guiada pelos princ&iacute;pios    da pr&aacute;tica explorat&oacute;ria, que busca uma associa&ccedil;&atilde;o entre a pesquisa e o interesse    pedag&oacute;gico de cada participante. Objetivava-se, consequentemente, que os participantes    tivessem um entendimento mais detalhado acerca do seu contexto de ensino e,    a partir da reflex&atilde;o proposta, buscassem melhor qualidade de vida pessoal e    profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao todo, foram realizadas 6 reuni&otilde;es, 5<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>10</sup></a> das quais foram gravadas por meio    de &aacute;udio e posteriormente transcritas de forma que pudessem ser analisadas com    o computador. Nas duas se&ccedil;&otilde;es seguintes s&atilde;o detalhados os procedimentos de an&aacute;lise    empregados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5.1. A lista de palavras como recuso metodol&oacute;gico</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em um primeiro est&aacute;gio, decidiu-se investigar    a intera&ccedil;&atilde;o ocorrida nas cinco reuni&otilde;es descritas por meio de uma lista de palavras.    Essa escolha metodol&oacute;gica foi pautada pelo fato de que, apesar de a intera&ccedil;&atilde;o    ter o uso das novas tecnologias como macrotema, ela n&atilde;o se restringiu a ele.    Assim sendo, ao verificar as palavras mais/menos recorrentemente empregadas,    seria poss&iacute;vel identificar quais foram os aspectos comumente/esporadicamente    levantados pelos professores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Utilizou-se, nesta pesquisa, o programa computacional    <i>WordSmith Tools</i> (Scott, 2007b) para a explora&ccedil;&atilde;o do <i>corpus</i> de    estudo. Dentre as in&uacute;meras facilidades oferecidas pelo programa<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>11</sup></a>, encontra-se uma ferramenta    chamada <i>WordList</i>, que, como o nome em ingl&ecirc;s indica, &eacute; respons&aacute;vel por    gerar listas de palavras. Ela processa todos os dados lingu&iacute;sticos contemplados    no <i>corpus</i> e os rearruma em uma lista de palavras distintas com suas respectivas    indica&ccedil;&otilde;es de quantidade (Scott &amp; Tribble, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o obstante a sua comum ado&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise de    <i>corpus</i> (O'Keeffe, McCarthy &amp; Carter, 2007), a lista de palavras ainda    se revela um instrumento importante porque:</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; a simples ideia de pegar um texto ou      uma cole&ccedil;&atilde;o de textos e dar uma nova forma ao mesmo &eacute; transformacional no      sentido de que muda radicalmente o objeto sendo considerado de um texto que      pode ser lido linearmente para alguma outra forma que dar&aacute; origem a novas      percep&ccedil;&otilde;es, reconhecimentos de padr&otilde;es ou implica&ccedil;&otilde;es para o ensino (Scott      &amp; Tribble, 2006:12)<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup>12</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">De forma semelhante, Baker (2006) prop&otilde;e que    a lista de palavras &eacute; um bom ponto inicial na an&aacute;lise do discurso, simplesmente,    uma vez que a linguagem n&atilde;o &eacute; um evento aleat&oacute;rio. A escolha de palavras e a    combina&ccedil;&atilde;o delas revelam muito a respeito de como se posicionam ideologicamente    os participantes da pesquisa, por exemplo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao solicitar a gera&ccedil;&atilde;o de listas de palavras    no <i>WordSmith Tools</i> (Scott, 2007b), tr&ecirc;s possibilidades de resultado surgem:    (a) lista em ordem de frequ&ecirc;ncia, (b) lista em ordem alfab&eacute;tica, e (c) os dados    a respeito do <i>corpus</i> investigado. No &uacute;ltimo caso, o usu&aacute;rio tem &agrave; sua    disposi&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero total de palavras (<i>tokens</i>), o n&uacute;mero de palavras    distintas (<i>types</i>), a rela&ccedil;&atilde;o entre esses dois valores, que indica a riqueza    lexical do <i>corpus</i>, entre outras informa&ccedil;&otilde;es. A lista em ordem alfab&eacute;tica    &eacute; interessante quando se deseja investigar a frequ&ecirc;ncia de um dado item lexical,    ou de um prefixo/sufixo espec&iacute;fico. Aqui, a lista em ordem de frequ&ecirc;ncia &#150; reproduzida    na <a href="#fig01">Figura 1</a> &#150; se mostra mais relevante para essa pesquisa    por destacar o que &eacute; numericamente relevante, seja pela alta ou baixa frequ&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/delta/v27n2/a01fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <a href="#fig01">Figura 1</a> indica que, por    exemplo, "gente" ocorre 292 vezes nas transcri&ccedil;&otilde;es analisadas, correspondendo    a 0,80% do n&uacute;mero de palavras. H&aacute; o emprego dessa palavra em todos os cinco    arquivos analisados, o que corresponde a 100% deles.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como explica Viana (2008:129): "o princ&iacute;pio que    rege esta ferramenta &eacute; o da ocorr&ecirc;ncia, visto que somente os itens &#150; isto &eacute;,    as palavras &#150; presentes s&atilde;o listados". Assim sendo, ao trabalhar com a ferramenta,    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel detectar o n&atilde;o dito, o omitido, o impl&iacute;cito. Pode-se apenas observar    a n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de algum item lexical que se esperaria figurar no <i>corpus</i>    e que, por ventura, n&atilde;o conste na lista de palavras gerada pelo programa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das limita&ccedil;&otilde;es da lista de palavras &eacute; que    ela s&oacute; permite acesso aos itens lexicais de forma isolada. Assim sendo, esse    procedimento metodol&oacute;gico deve ser visto como um ponto de partida. Muito frequentemente    ser&aacute; necess&aacute;rio expandir o horizonte de investiga&ccedil;&atilde;o, observando o entorno das    palavras selecionadas a partir da lista de frequ&ecirc;ncia, para que se possa verificar    como elas s&atilde;o efetivamente empregadas no <i>corpus</i> em estudo, como explicado    a seguir.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>5.2. O concordanciador e a amplia&ccedil;&atilde;o do cotexto</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma forma de superar a limita&ccedil;&atilde;o das listas de    palavras &eacute; por meio do uso das linhas de concord&acirc;ncia, que listam todas as ocorr&ecirc;ncias    de uma dada palavra de busca e seu respectivo cotexto &#150; isto &eacute;, seu ambiente    lingu&iacute;stico. Pode-se, ent&atilde;o, inicialmente investigar o <i>corpus</i> de pesquisa    por meio da verifica&ccedil;&atilde;o dos itens lexicais mais frequentes e depois obter uma    percep&ccedil;&atilde;o mais espec&iacute;fica de como os itens escolhidos s&atilde;o empregados pelos participantes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O uso de linhas de concord&acirc;ncias n&atilde;o &eacute; um recurso    recente, j&aacute; existindo desde a Idade M&eacute;dia (Tribble &amp; Jones, 1990; O'Keeffe,    McCarthy &amp; Carter, 2007). Por&eacute;m, a diferen&ccedil;a &eacute; que o atual est&aacute;gio do conhecimento    computacional permite que essa tarefa seja autom&aacute;tica e realizada em segundos    com o aux&iacute;lio, por exemplo, da ferramenta <i>Concord</i> do <i>WordSmith Tools</i>    (Scott, 2007b). O princ&iacute;pio norteador dessa ferramenta &eacute; o da co-ocorr&ecirc;ncia:    "ressaltam-se os itens que s&atilde;o utilizados na presen&ccedil;a de outros" (Viana, 2008:135).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A novidade na concep&ccedil;&atilde;o moderna das linhas de    concord&acirc;ncia &eacute; o modo como elas devem ser lidas (Tognini-Boneli, 2001; O'Keeffe,    McCarthy &amp; Carter 2007). Em vez da forma normalmente associada &agrave; leitura    ocidental (da esquerda para a direita); ao trabalhar com as linhas de concord&acirc;ncia,    o pesquisador deve observ&aacute;-las verticalmente em um primeiro momento, atentando    para a palavra de busca. A seguir, deve analisar cada linha a partir dessa palavra    tanto da esquerda para a direita como no sentido inverso. A <a href="#fig02">Figura    2</a> ilustra algumas das linhas de concord&acirc;ncia para a palavra "gente".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/delta/v27n2/a01fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para facilitar essa leitura, o <i>WordSmith Tools</i>    (Scott, 2007b) permite que o usu&aacute;rio arrume as linhas em ordem alfab&eacute;tica desde    a quinta palavra &agrave; esquerda da palavra de busca at&eacute; a quinta &agrave; direita dela.    Na <a href="#fig02">Figura 2</a>, as linhas foram ordenadas de acordo com a    ordem alfab&eacute;tica das tr&ecirc;s primeiras palavras &agrave; direita de "gente". Nesse caso,    os exemplos ressaltam o que os professores participantes da pesquisa t&ecirc;m que    fazer na institui&ccedil;&atilde;o em que trabalham. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o concerne &agrave; linha 248    na qual "gente" se refere aos alunos para os quais a professora em quest&atilde;o diz    a frase.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das vantagens do uso das linhas de concord&acirc;ncia    &eacute; possibilitar que o pesquisador revele "padr&otilde;es no cotexto ao redor &#91;da palavra    de busca&#93; que possa sugerir pistas para o uso de palavras alvo" (Hyland, 2009:29)<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>13</sup></a>.    Assim, se, por um lado, os dados fornecidos pelas listas de palavras s&atilde;o essencialmente    quantitativos, as linhas de concord&acirc;ncia permitem a explora&ccedil;&atilde;o do aspecto qualitativo    do uso da linguagem. &Eacute; verdade que os concordanciadores facilitam a vida de    pesquisadores; por&eacute;m, &eacute; v&aacute;lido lembrar que a estes cabe todo o trabalho anal&iacute;tico    dos dados apresentados pela ferramenta computacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>5.3. A "coisa" no discurso docente</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conforme mencionado na se&ccedil;&atilde;o anterior, a frequ&ecirc;ncia    de palavras pode ser um importante ponto de partida para a an&aacute;lise de dados.    Ap&oacute;s observar as palavras mais frequentes das reuni&otilde;es realizadas com os professores,    verificou-se que um dos substantivos mais utilizados era "coisa", com 283 ocorr&ecirc;ncias.    Se forem reunidas as entradas referentes a "coisa" e "coisas", esse lema passa    a totalizar 394 ocorr&ecirc;ncias. Diante desse fato, foram geradas linhas de ocorr&ecirc;ncia,    para que fosse poss&iacute;vel um entendimento mais apurado acerca de como os participantes    empregam tais itens lexicais. Devido &agrave; variedade de poss&iacute;veis usos de "coisa"    observado nas reuni&otilde;es, suas inst&acirc;ncias foram classificadas duplamente. Em uma    primeira inst&acirc;ncia, foi observado o significado que o lema possui no cotexto    em quest&atilde;o. Posteriormente, analisou-se o padr&atilde;o verbal no qual estava inserido<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup>14</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5.3.1. O significado da "coisa"</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quando o aspecto sem&acirc;ntico do lema "coisa" &eacute;    levado em considera&ccedil;&atilde;o, duas possibilidades s&atilde;o observadas. A associa&ccedil;&atilde;o mais    recorrente &eacute; aquela na qual os participantes da pesquisa empregam "coisa" como    sin&ocirc;nimo de ferramentas ou recursos dispon&iacute;veis ao fazer docente. As linhas    de concord&acirc;ncia abaixo ilustram o emprego desse lema, referindo-se, muitas vezes,    &agrave;s in&uacute;meras possibilidades que a tecnologia oferece (<i>blog</i>, <i>podcast</i>,    internet, <i>YouTube</i>, entre outros).</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">real eu acho que blog &eacute; que acham uma coisa      in&uacute;til que eles escrevem e ningu&eacute;m olh    <br>     essa coisa de tecnologia que tem muita coisa de entretenimento tem que t&aacute;      muito lin    <br>     s coisas, porque assim, voc&ecirc; tem muita coisa dispon&iacute;vel mas voc&ecirc; n&atilde;o acha      e assim,    <br>     Os meus alunos, eles comentam as coisas que eles usam eles falam Orkut mas      n&atilde;</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Na primeira linha de concord&acirc;ncia, a professora    faz men&ccedil;&atilde;o ao fato de que, apesar do grande investimento no uso de <i>blogs</i>    em sala de aula, essa ferramenta n&atilde;o &eacute; apreciada pelos alunos, que a consideram    in&uacute;til. No segundo caso, h&aacute; uma refer&ecirc;ncia &agrave;s in&uacute;meras possibilidades, principalmente    no que tange ao entretenimento; por&eacute;m, essa variedade de recursos pode dificultar    o trabalho do professor em sala de aula, caso n&atilde;o esteja familiarizado com eles.    Da mesma forma, a inst&acirc;ncia seguinte reitera essa multiplicidade de instrumentos    tecnol&oacute;gicos; contudo, tamb&eacute;m ressalta um aspecto negativo, a saber, a localiza&ccedil;&atilde;o    de recursos no meio virtual. Por fim, no &uacute;ltimo exemplo, a professora se refere    ao Orkut como uma ferramenta que &eacute; utilizada por seus alunos fora de sala de    aula, o que n&atilde;o ocorre com os <i>blogs</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em suma, uma an&aacute;lise dos referentes tecnol&oacute;gicos    do lema "coisa" parece indicar que todos os modernos recursos dispon&iacute;veis no    curso no qual esses professores trabalham s&atilde;o comentados de forma gen&eacute;rica.    Vale ressaltar novamente que as reuni&otilde;es foram realizadas um ano ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o    da tecnologia educacional e que os participantes da pesquisa eram fortemente    incentivados a utilizar essas inova&ccedil;&otilde;es de forma cont&iacute;nua em sua pr&aacute;tica pedag&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O outro significado observado para o lema "coisa"    aponta para problemas vivenciados pelos participantes da pesquisa. Nesse sentido,    os professores lan&ccedil;am m&atilde;o desse item lexical tanto no singular como no plural    para fazer refer&ecirc;ncia a situa&ccedil;&otilde;es negativas vividas em seus respectivos cotidianos,    como pode ser visto a seguir.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">fazer no s&aacute;bado, mas aconteceu alguma coisa      que eu agora n&atilde;o lembro que aconteceu    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">o que aconteceu na minha sala, alguma      coisa l&aacute; que eu acabei desistindo, a&iacute; quando    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">e, n&atilde;o as dificuldades, mas assim, as      coisas todas que eu me deparei, &eacute; que &eacute; muito    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">e tecnologia, e coisa e tal, uma das      coisas principais &eacute; como catalogar e como gua</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos dois primeiros exemplos, a participante usa    o voc&aacute;bulo "coisa" para justificar o por que de n&atilde;o haver realizado uma grava&ccedil;&atilde;o    em sala de aula. Houve, segundo o relato, algum empecilho em sala que inviabilizou    a realiza&ccedil;&atilde;o da atividade conforme previamente planejado. Na terceira linha,    "coisas" pode ser novamente compreendida na categoria de problema, uma vez que    a participante antecede a sua men&ccedil;&atilde;o pela palavra "dificuldades" e utiliza a    constru&ccedil;&atilde;o "se deparar". Aqui h&aacute; uma nova refer&ecirc;ncia, por parte de outra participante,    aos contratempos vivenciados para realizar algumas grava&ccedil;&otilde;es em sala de aula.    Na &uacute;ltima inst&acirc;ncia, ap&oacute;s o coment&aacute;rio acerca de um dos aspectos positivos das    novas tecnologias &#150; a saber, a disponibilidade de recursos &#150; a palavra "coisas"    &eacute; empregada para se referir &agrave; complexidade inerente &agrave; cataloga&ccedil;&atilde;o desses recursos    de forma eficiente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; poss&iacute;vel notar, no entanto, que, mesmo nessa    segunda acep&ccedil;&atilde;o de problema, h&aacute; uma refer&ecirc;ncia indireta ao uso da tecnologia    em sala de aula. Isso decorre do fato de que as dificuldades reportadas pelos    participantes se ligam, de uma forma ou de outra, &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es que eles s&atilde;o    instados a utilizar em suas aulas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>5.3.2. O que se faz com a "coisa"</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Enquanto a primeira classifica&ccedil;&atilde;o lida com o    significado do lema "coisa", a segunda enfoca a atividade que &eacute; reportada pelos    participantes. Uma an&aacute;lise das linhas de concord&acirc;ncia indicou haver padr&otilde;es    repetidos na escolha verbal. Aqui tamb&eacute;m s&atilde;o propostas duas categorias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em repetidas inst&acirc;ncias, os professores empregam    o lema "coisa" com verbos de a&ccedil;&atilde;o, ou seja, os participantes fazem algo com    esse item lexical. De outra forma, pode-se compreender que "coisa" e suas varia&ccedil;&otilde;es    podem ser substitu&iacute;das no discurso dos professores pelas atividades a que se    referem, como ilustrado a seguir.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">essores da gente fazer, gravar algumas coisas      com os alunos, depois colocar no YouT    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">como que voc&ecirc; adapta &agrave;s vezes, certas      coisas, voc&ecirc; generaliza, voc&ecirc; acha que todo    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">r l&aacute; e interage com o quadro e tal tem      coisas de production que eles podiam fazer (    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">sse adolescente eu n&atilde;o ia escrever uma      coisa minha particular pra todo mundo ler</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">No primeiro exemplo, a express&atilde;o "gravar algumas    coisas" retoma o t&oacute;pico da grava&ccedil;&atilde;o em sala de aula, bastante estimulada pela    institui&ccedil;&atilde;o e fonte de alguns dos problemas mencionados na se&ccedil;&atilde;o anterior. No    segundo caso, um dos participantes emprega o sintagma verbal indicando a&ccedil;&atilde;o    para mencionar a necessidade de fazer certas adapta&ccedil;&otilde;es nas atividades a serem    realizadas em sala de aula. O terceiro exemplo ilustra o emprego de "fazer"    com o lema "coisas" para se referir &agrave;s pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas utilizadas a fim    de que os alunos produzam em l&iacute;ngua inglesa. Na &uacute;ltima linha, a express&atilde;o &eacute;    empregada quando uma das participantes questiona a falta de privacidade no ambiente    virtual, afirmando que n&atilde;o escreveria informa&ccedil;&otilde;es sobre sua vida pessoal em    um <i>blog</i> ou p&aacute;gina de relacionamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra padroniza&ccedil;&atilde;o do lema "coisa" se refere    a verbos que indicam discurso reportado ou contempla&ccedil;&atilde;o, sendo uma indica&ccedil;&atilde;o    de assunto. Em outras palavras, eles falam sobre ou consideram alguma "coisa",    como pode ser observado nos exemplos abaixo.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">s &agrave;s vezes que a gente conversou muita coisa      sobre problemas de sala de aula, por e    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">tador, n&atilde;o posso usar internet, alguma      coisa assim foi uma turma de &#91;n&iacute;vel&#93; que fal    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">o que tudo, a&iacute; n&atilde;o querem discutir uma      coisa que, por si s&oacute;, j&aacute; foi discutido, acab    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">Pra mim eu tenho que pensar em coisas      pra minha aula, assim o que eu n&atilde;o en</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">No primeiro exemplo, a professora se refere aos    assuntos previamente discutidos em outros encontros. A segunda inst&acirc;ncia, por    sua vez, refere-se, de forma indireta, &agrave; fala dos alunos que teriam argumentado    para a participante que n&atilde;o poderiam usar a internet. Na terceira linha, a participante    faz men&ccedil;&atilde;o a pessoas que gostam de se destacar e se recusam a discutir assuntos    que j&aacute; foram comentados anteriormente. No &uacute;ltimo caso, a participante emprega    "coisa" para se referir &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o de suas aulas, que precisa ser cuidadosamente    pensada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, deve-se ressaltar novamente que as duas    categorias propostas na Se&ccedil;&atilde;o 5.3.1 e nesta, que se referem ao significado e    &agrave; a&ccedil;&atilde;o associada ao lema "coisa" n&atilde;o s&atilde;o excludentes. Na verdade, ambas devem    ser compreendidas de forma complementar, como indicado a partir dos exemplos    a seguir.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">adro, mas n&atilde;o sabem fazer determinadas coisas,      ent&atilde;o precisaria ficar ali monitoran    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">overuse do e-board enfim, porque &eacute; uma      coisa que t&aacute; todo mundo falando, n&atilde;o foi s&oacute;</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Na primeira linha, por exemplo, a participante    emprega "coisa" para se referir a recursos tecnol&oacute;gicos propiciados pela inser&ccedil;&atilde;o    do quadro interativo e utiliza um verbo de a&ccedil;&atilde;o ("fazer"). Nesse caso, o participante    enfatiza a necessidade de monitoramento dos alunos ao utilizarem o quadro. No    segundo exemplo, "coisa" se refere a um problema &#150; o uso exagerado dos quadros    interativos na sala de aula &#150;, que tem sido frequentemente comentado. Os participantes    reiteraram a preocupa&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o com o fato de muitos professores, pela    exist&ecirc;ncia do quadro interativo, terem deixado de usar outros recursos, considerados    mais tradicionais, como "<i>realia</i>" e "<i>flashcards</i>". Esses dois casos    ilustram o fato de que as classifica&ccedil;&otilde;es podem e devem ser realizadas concomitantemente    para cada linha de concord&acirc;ncia do lema "coisa". A se&ccedil;&atilde;o seguinte detalha os    resultados encontrados para os dois grupos de professores envolvidos neste estudo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>5.3.3. Cada "coisa" por grupo</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir da observa&ccedil;&atilde;o do lema "coisa", foi poss&iacute;vel    notar algumas diferen&ccedil;as com rela&ccedil;&atilde;o aos dois grupos que participaram dos encontros.    Para melhor compreens&atilde;o dos resultados, faz-se necess&aacute;rio apontar para quest&otilde;es    importantes na coleta de dados. Primeiramente, a dura&ccedil;&atilde;o dos encontros n&atilde;o foi    uma vari&aacute;vel constante. Apesar de inicialmente terem sido planejadas reuni&otilde;es    de meia hora, nem sempre esse limite foi respeitado, principalmente para o Grupo    1. Nesse, os encontros duraram de 40 a 60 minutos e, consequentemente, as transcri&ccedil;&otilde;es    resultaram em textos maiores. Quanto ao Grupo 2, o planejamento inicial foi    seguido e a dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de cada sess&atilde;o &eacute; de 30 minutos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dentre os motivos que contribu&iacute;ram para essa    diferen&ccedil;a, pode-se citar a alta incid&ecirc;ncia de digress&otilde;es nas reuni&otilde;es do Grupo    1. Nesses casos, os encontros come&ccedil;avam com conversas sobre assuntos outros    que n&atilde;o a tecnologia e nem sempre a tarefa de retomar o t&oacute;pico da pesquisa era    realizado de forma eficaz e em pouco tempo. Portanto, &eacute; poss&iacute;vel notar men&ccedil;&otilde;es    a diversos t&oacute;picos, que, embora estejam, sob alguns aspectos, relacionados &agrave;    sala de aula, n&atilde;o enfocavam o uso de recursos tecnol&oacute;gicos. Considerando-se    o enfoque nas contribui&ccedil;&otilde;es dos participantes e em suas problematiza&ccedil;&otilde;es, que    por vezes destoavam das da pesquisadora, era de se esperar que aparecessem outros    t&oacute;picos ao longo das discuss&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra poss&iacute;vel raz&atilde;o para a dura&ccedil;&atilde;o prolongada    dos encontros refere-se ao hor&aacute;rio de realiza&ccedil;&atilde;o deles. No Grupo 1, os participantes    se reuniam ap&oacute;s as aulas do turno da manh&atilde;, sendo que todos possu&iacute;am um intervalo    de aproximadamente duas horas at&eacute; o hor&aacute;rio do almo&ccedil;o, que tamb&eacute;m era realizado    em conjunto. Havia, portanto, mais tempo dispon&iacute;vel para os encontros e notou-se    uma atmosfera mais informal durante as reuni&otilde;es. O Grupo 2, por sua vez, reunia-se    no turno da tarde, um pouco antes do in&iacute;cio das aulas. Por esse motivo, a dura&ccedil;&atilde;o    dos encontros era limitada devido &agrave; necessidade daqueles professores de preparar    recursos relacionados &agrave; sua aula, bem como organizar suas salas. Havia uma constante    preocupa&ccedil;&atilde;o com o tempo e as sess&otilde;es foram mais focadas no tema em quest&atilde;o,    ou seja, a tecnologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Curiosamente, no Grupo 2, em que as reuni&otilde;es    foram mais focadas no t&oacute;pico da pesquisa e realizadas em 30 minutos, h&aacute; mais    ocorr&ecirc;ncias do voc&aacute;bulo "coisa". A <a href="#fig03">Figura 3</a> ilustra esse    ponto com o aux&iacute;lio do programa computacional utilizado na an&aacute;lise dos dados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/delta/v27n2/a01fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cada linha na <a href="#fig03">Figura 3</a> representa    um arquivo contendo a transcri&ccedil;&atilde;o das reuni&otilde;es realizadas. O n&uacute;mero ap&oacute;s a letra    "r" identifica a reuni&atilde;o ao passo que o que se encontra ap&oacute;s "g" aponta para    o grupo. A segunda coluna indica o n&uacute;mero total de palavras em cada uma das    reuni&otilde;es enquanto que a terceira registra o n&uacute;mero de ocorr&ecirc;ncias de "coisa(s)"    em cada uma delas. Como os tamanhos dos textos transcritos s&atilde;o diferentes, n&atilde;o    se pode comparar os n&uacute;meros absolutos, devendo-se atentar para a coluna "<i>per    1,000". &Eacute; nessa parte que o analista tem &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o a frequ&ecirc;ncia relativa    do referido lema. Como as linhas foram ordenadas por ordem decrescente desse    valor, pode-se observar que as duas reuni&otilde;es do Grupo 2 s&atilde;o as que mais contemplam    a verbaliza&ccedil;&atilde;o de "coisa(s)". Considerando-se a escolha desse lema como consequ&ecirc;ncia    de certo grau de indefini&ccedil;&atilde;o (Ferreira, 1999), verifica-se que o grupo mais    focado apresenta maior incerteza. Tal caracter&iacute;stica pode estar associada ao    uso da tecnologia, visto que os significados mais recorrentes de "coisa" referem-se    a ferramentas e a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades. Pode ser que esses participantes,    ao mencionar suas experi&ecirc;ncias com a tecnologia, n&atilde;o se sintam seguros o suficiente    para refletir sobre sua pr&aacute;tica, estabelecer seus benef&iacute;cios ou tecer cr&iacute;ticas    quanto &agrave; sua utiliza&ccedil;&atilde;o.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A <a href="#fig03">Figura 3</a> tamb&eacute;m aponta    para dados relativos &agrave; dispers&atilde;o de "coisa(s)" com um valor matem&aacute;tico e uma    representa&ccedil;&atilde;o visual. Ao observar a coluna "<i>dispersion</i>", verifica-se    que as tr&ecirc;s reuni&otilde;es do Grupo 1 apresentam uma distribui&ccedil;&atilde;o da palavra de busca    menos equilibrada do que &agrave;quela que se observa no outro grupo. Nesse caso, um    menor valor indica maior ocorr&ecirc;ncia de polos de concentra&ccedil;&atilde;o. Isso pode ser    visualizado na coluna "<i>plot</i>", que representa graficamente cada um dos    textos analisados. As barras verdes entre o in&iacute;cio e o fim da coluna indicam    ocorr&ecirc;ncias de "coisa(s)": quanto mais grossa for a barra, maior &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o    da palavra de busca nessa parte espec&iacute;fica da reuni&atilde;o. Como se pode ver, nas    transcri&ccedil;&otilde;es do Grupo 1, h&aacute; momentos em que a palavra quase n&atilde;o aparece, o que    ocorre principalmente quando os participantes fazem divaga&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo,    em:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">L &#150; daqui a pouco a crian&ccedil;a percebe que o <i>naughty      chair</i> n&atilde;o adianta de nada. Hoje mesmo, todas as crian&ccedil;as j&aacute; tinham percebido,      tinham se tocado, se mancado e ele continuava do mesmo jeito e ele fica assim,      o quadro &eacute; ali e ele fica assim, a&iacute; tem um menino que &eacute; muito comportado,      ele &eacute; um fofo, e ele vai l&aacute; atazanar o garoto, a&iacute; o garoto fica assim, ele      ficado parado na frente, a&iacute; o menino, tentando assim, n&atilde;o dar confian&ccedil;a pra      ele, e ele fica perturbando, &eacute; impressionante, a&iacute; junta com os outros, que      n&atilde;o s&atilde;o tanto assim, mas juntou j&aacute; era</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">J &#150; Falta de aten&ccedil;&atilde;o, ele n&atilde;o deve ter aten&ccedil;&atilde;o</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">L &#150; A&iacute; eles rolam no ch&atilde;o, eles ficam pulando,      botam o joelho no assento, e fica jogando o corpo pra frente, a&iacute; realmente,      eu acho que &eacute; dif&iacute;cil conduzir uma atividade que, por exemplo, para gravar      com eles, eles n&atilde;o sabem, eles sabem mexer no quadro, mas n&atilde;o sabem fazer      determinadas coisas, ent&atilde;o precisaria ficar ali monitorando, e eu fico com      receio de me desligar um pouco de outras coisas</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">J &#150; &Eacute;, grava o grupo todo, ao mesmo tempo</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse momento, os participantes estavam conversando    sobre um programa de televis&atilde;o acerca da educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as. Esse epis&oacute;dio    serve como introdu&ccedil;&atilde;o para uma situa&ccedil;&atilde;o vivenciada em sala de aula por uma das    participantes da pesquisa, que descreve em detalhes o que acontece em sua sala    de aula. Nota-se, nesse caso, a aus&ecirc;ncia do emprego do lema "coisa" no discurso    das participantes L e J.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Parece que a indefini&ccedil;&atilde;o comumente associada    &agrave; palavra "coisa" se faz mais presente e recorrente quando os participantes    falam sobre a tecnologia (cf. Se&ccedil;&atilde;o 5.3.1), possivelmente por ser esse um t&oacute;pico    que n&atilde;o dominam totalmente. Por exemplo, quando R, participante do Grupo 2,    no qual h&aacute; maior concentra&ccedil;&atilde;o do lema "coisa", se posiciona em rela&ccedil;&atilde;o a <i>podcasts</i>,    notam-se repetidas inst&acirc;ncias de indefini&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">R &#150; mas a ideia &eacute; essa, voc&ecirc; pode ouvir uma      <i>coisa</i> real e que tenha, aquela <i>coisa</i> do mundo, n&eacute; &#91;...&#93; porque      &eacute; aquilo: o neg&oacute;cio t&aacute; l&aacute;, t&aacute; na rede, todo mundo pode acessar aquilo e serve      pra ele tamb&eacute;m, &eacute; aquela <i>coisa </i>do <i>sense of achievement</i> que ele      vai saber que consegue entender uma <i>coisa</i> que foi feita de repente      por uma pessoa num outro pa&iacute;s, entendeu? Porque os que eles deram de link      era sempre assim, algu&eacute;m que fez na Inglaterra, entendeu? O que eu fiz, por      exemplo, era uma adolescente como se ela tivesse um programa de r&aacute;dio, a&iacute;      ela falava da escola dela, e &eacute; uma <i>coisa</i> realmente feita por um <i>native      speaker</i>, ent&atilde;o eu acho que isso talvez motive e eu acho que se informam      mais de produzir do que de ouvir tamb&eacute;m, porque tem essa <i>coisa</i> da competi&ccedil;&atilde;o      tamb&eacute;m n&eacute;, de repente deles fazerem e depois ouvir o que os outros fizeram      e a&iacute; eles gostam muito de comparar, ah n&oacute;s somos melhores ou n&oacute;s somos piores</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na primeira linha, R n&atilde;o consegue definir satisfatoriamente    o que &eacute; poss&iacute;vel ouvir por meio de <i>podcasts</i>. Pode-se perceber, no discurso    da professora, a sua falta de familiaridade com o recurso, embora a institui&ccedil;&atilde;o    solicite que ela o utilize em suas aulas. Cabe lembrar que a professora em quest&atilde;o    era a mais experiente do grupo, tendo trabalhado mais de dez anos com ensino    de l&iacute;nguas. Por&eacute;m, tinha menos contato com recursos tecnol&oacute;gicos em sua vida    pessoal e se mostrava bastante reticente a determinadas ferramentas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De forma resumida, foi poss&iacute;vel perceber, em    ambos os grupos, uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos participantes com o uso da tecnologia em    sala de aula. H&aacute;, na fala docente, um reconhecimento da grande quantidade de    ferramentas tecnol&oacute;gicas, o que pode ser percebido nos exemplos da Se&ccedil;&atilde;o 5.3.1.    Em alguns casos, os participantes sugerem que a prepara&ccedil;&atilde;o de aulas foi facilitada    pela inser&ccedil;&atilde;o dos quadros interativos em sala de aula. Contudo, essa positividade    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s compara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; uma constante. Ao se referir a alguns recursos    espec&iacute;ficos relacionados &agrave; tecnologia, muitas vezes h&aacute; uma cr&iacute;tica &agrave; obrigatoriedade    de sua utiliza&ccedil;&atilde;o, como no caso em que os participantes referem-se ao uso exagerado    do quadro interativo. V&ecirc;-se tamb&eacute;m uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o excesso de possibilidades    e a dificuldade em lidar de forma eficaz com todos os recursos dispon&iacute;veis.    Assim sendo, a inser&ccedil;&atilde;o da tecnologia representa ao mesmo tempo uma zona de    conforto quando comparada a est&aacute;gios anteriores e, ao mesmo tempo, uma &aacute;rea    de inseguran&ccedil;a dado que os participantes ainda n&atilde;o se encontram familiarizados    com os recursos que lhes s&atilde;o impostos pela institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo de caso buscou unir a pr&aacute;tica explorat&oacute;ria    e a Lingu&iacute;stica de Corpus para um melhor entendimento do contexto pedag&oacute;gico    em uma institui&ccedil;&atilde;o destinada ao ensino de ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua estrangeira. Primeiramente,    os encontros com os professores facilitaram a discuss&atilde;o sobre o impacto da tecnologia    nesse ambiente de trabalho. Os participantes mencionaram, durante ou ap&oacute;s a    pesquisa, que aquela intera&ccedil;&atilde;o contribuiu para que eles refletissem sobre suas    pr&aacute;ticas. Em determinados momentos, os professores optaram por testar e modificar    atividades de acordo com as conversas realizadas ao longo do estudo. Ademais,    a an&aacute;lise do discurso, aqui realizada com o aux&iacute;lio da ferramenta computacional,    possibilitou a descoberta de sentidos criados por meio da fala desses profissionais.    Tal abordagem nos permite verificar como os agentes nesse contexto espec&iacute;fico    se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tecnologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">6. Professores de literaturas em l&iacute;ngua inglesa    e o discurso do ensino</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim como no primeiro estudo de caso, este tamb&eacute;m    enfoca o fazer docente. No entanto, ele investiga a sala de aula de literaturas    em l&iacute;ngua inglesa no &acirc;mbito universit&aacute;rio. Esse ensino tem, tradicionalmente,    seguido o modelo de educa&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria (Freire, 1978): alunos atenciosos tomam    nota de tudo o que professores falam, ou seja, &eacute; um ambiente em que a troca    de ideias, o di&aacute;logo e o confronto de perspectivas acabam por n&atilde;o ter espa&ccedil;o    (Jord&atilde;o, 2001; Izarra, 1999; Zyngier, 1999), o que confirma a chamada regra    dos "dois ter&ccedil;os" acerca da configura&ccedil;&atilde;o das salas de aula (cf. Se&ccedil;&atilde;o 2).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; poss&iacute;vel, no entanto, que docentes n&atilde;o percebam    suas salas de aula da mesma maneira que as pesquisas citadas apontam. Sendo    assim, optou-se por investigar como professores de literaturas em l&iacute;ngua inglesa    compreendem esse ensino e o objeto de seu trabalho: a literatura. A fim de lhes    dar voz, foram realizadas dez entrevistas semiestruturadas com docentes de diferentes    institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior da cidade do Rio de Janeiro. Grosso modo, pode-se    dizer que nesse m&eacute;todo de coleta de dados o pesquisador possui uma s&eacute;rie de    perguntas previamente formuladas; por&eacute;m, n&atilde;o limita a intera&ccedil;&atilde;o a elas, permitindo    que quest&otilde;es n&atilde;o planejadas surjam (Nunan, 1992; D&ouml;rnyei, 2007). A escolha por    esse tipo de entrevista possibilitou que cada uma tivesse suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas,    apesar de todas seguirem uma mesma estrutura de base composta por cinco partes:    (a) forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, (b) perfil docente, (c) defini&ccedil;&atilde;o de literatura, (d)    relev&acirc;ncia do ensino/aprendizado de literaturas em l&iacute;ngua inglesa, e (e) metodologia    das aulas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As entrevistas foram realizadas entre setembro    de 2007 e mar&ccedil;o de 2008, com 3 homens e 7 mulheres. Cada uma teve dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia    de 30 minutos. Em se tratando de suas realidades e experi&ecirc;ncias profissionais,    o grupo mostrou-se heterog&ecirc;neo: dois professores, na &eacute;poca da entrevista, eram    substitutos de uma universidade p&uacute;blica, al&eacute;m de trabalhar em uma ou mais institui&ccedil;&otilde;es    particulares (Edna e L&uacute;cio<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup>15</sup></a>);    dois lecionavam somente em faculdades particulares (Bernardo e Paula); duas    participantes eram professoras de uma conceituada universidade particular (Maria    e Raquel) e os demais entrevistados atuavam em universidades p&uacute;blicas (F&aacute;tima,    Let&iacute;cia, Rog&eacute;rio e V&acirc;nia). Os dados gravados foram transcritos entre fevereiro    e maio de 2008 e, posteriormente, analisados com o uso do <i>WordSmith Tools</i>    (Scott, 2007b).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6.1. O uso de palavras-chave como recurso    metodol&oacute;gico</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse segundo estudo de caso, n&atilde;o se objetivava    saber qual era o t&oacute;pico comum a todas as entrevistas. Uma vez que essas eram    semiestruturadas, o assunto j&aacute; era conhecido e, de certa forma, controlado pelas    perguntas previamente delineadas. O objetivo aqui era entender de que forma    as vis&otilde;es de dez professores universit&aacute;rios acerca de literatura e desse ensino    se aproximavam ou diferiam. Por esse motivo, uma lista de palavras n&atilde;o seria    t&atilde;o &uacute;til. De forma semelhante, caso as entrevistas fossem analisadas inicialmente    a esmo &#150; mesmo que por meio do <i>Concord</i> (cf. Se&ccedil;&atilde;o 5.2) &#150;, a investiga&ccedil;&atilde;o    poderia se perder na imensid&atilde;o de dados (mais de 41 mil palavras).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, notou-se que a ferramenta adequada    ao estudo do posicionamento discursivo dos participantes da pesquisa seria <i>Keywords</i>,    tamb&eacute;m parte integrante do programa <i>WordSmith Tools</i> (Scott, 2007b). Para    utilizar a mesma, no entanto, &eacute; preciso gerar duas listas de palavras separadas:    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)  uma referente ao <i>corpus</i> de estudo    &#150; ou seja, aquele que se deseja investigar de forma mais detalhada; e</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)  uma correspondente ao <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia,    de tamanho maior. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O procedimento de extra&ccedil;&atilde;o de palavras-chave    consiste basicamente em comparar as duas listas e indicar quais s&atilde;o as palavras    que ocorrem com frequ&ecirc;ncia significativamente maior e menor no <i>corpus</i>    de estudo quando contrastado ao que &eacute; observado no <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia.    Nesse caso, o <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia funciona como uma esp&eacute;cie de "padr&atilde;o"    de compara&ccedil;&atilde;o a partir do qual todos os resultados s&atilde;o gerados. Como h&aacute; dois    tipos de palavras-chave, elas s&atilde;o nomeadas de positivas (quando a frequ&ecirc;ncia    no <i>corpus</i> de estudo &eacute; maior do que no <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia) ou    de negativas (quando o inverso ocorre, ou seja, a frequ&ecirc;ncia observada no <i>corpus</i>    de estudo fica aqu&eacute;m do que seria esperado).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim sendo, nota-se que a concep&ccedil;&atilde;o de palavra-chave    n&atilde;o corresponde &agrave; ideia cotidianamente aceita de que uma palavra &eacute; presumida    e intuitivamente relevante e representativa de um dado texto. A ferramenta <i>Keyword</i>    automatiza um conceito de chavicidade que implica "uma qualidade &#91;que&#93; as palavras    podem ter em um dado texto ou conjunto de textos, sugerindo que elas s&atilde;o importantes,    &#91;que&#93; elas refletem sobre o que o texto &eacute;, evitando ninharias e detalhes insignificantes"    (Scott &amp; Tribble 2006:55-56)<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><sup>16</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesta investiga&ccedil;&atilde;o realizou-se o procedimento    de levantamento de palavras-chave dez vezes consecutivas, sendo que, em cada    inst&acirc;ncia, considerou-se uma das entrevistas como <i>corpus</i> de pesquisa    e as outras nove como partes integrantes do <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia. Como    o objetivo do estudo era revelar os padr&otilde;es individuais de cada entrevistado,    optou-se por analisar somente as palavras-chave positivas. O resultado, ent&atilde;o,    ressalta de que forma cada um dos dez entrevistados constroem o seu discurso    acerca da literatura e ensino e o que enfocam no curso da entrevista<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><sup>17</sup></a>.    A <a href="#fig04">Figura 4</a> indica as palavras-chave referentes &agrave; entrevista    de V&acirc;nia quando comparada ao <i>corpus</i> de refer&ecirc;ncia que contempla as entrevistas    de Bernardo, Edna, F&aacute;tima, Let&iacute;cia, L&uacute;cio, Maria, Paula, Raquel e Rog&eacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig04"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/delta/v27n2/a01fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o aos resultados que s&atilde;o encontrados    por meio dessa ferramenta, Scott (2007a:122) indica haver tr&ecirc;s tipos principais:    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)  nomes pr&oacute;prios &#150; mesmo que n&atilde;o sejam necessariamente    caracter&iacute;sticos do texto; </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)  palavras que indicam o conte&uacute;do do texto;    e </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)   palavras gramaticais que podem ser indicativas    de escolhas estil&iacute;sticas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s palavras-chave de V&acirc;nia, notam-se    exemplos dos tr&ecirc;s casos: Fund&atilde;o (nome pr&oacute;prio); obrigados, colegas e se&ccedil;&atilde;o (palavras    de conte&uacute;do); eles, dez e IV (palavras gramaticais).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa ferramenta, dois princ&iacute;pios s&atilde;o igualmente    importantes: o da ocorr&ecirc;ncia (cf. Se&ccedil;&atilde;o 5.1) e o da recorr&ecirc;ncia, isto &eacute;, o uso    reiterado de um determinado item lexical. Este &uacute;ltimo &eacute; relevante para o levantamento    de palavras-chave porque o <i>Keywords</i> tem como op&ccedil;&atilde;o padr&atilde;o considerar    apenas as palavras que ocorrem no m&iacute;nimo tr&ecirc;s vezes em uma das listas comparadas.    A op&ccedil;&atilde;o, no entanto, pode ser alterada pelo usu&aacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De forma geral, "as palavras-chave n&atilde;o revelar&atilde;o    discursos, mas direcionar&atilde;o o pesquisador para conceitos importantes em um texto    (em rela&ccedil;&atilde;o a outros textos) que podem auxiliar a destacar a exist&ecirc;ncia de tipos    de discurso ou ideologia (embutidos)" (Baker, 2004:347)<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title=""><sup>18</sup></a>. A etapa seguinte &eacute; verificar de que forma as palavras    indicadas s&atilde;o efetivamente empregadas no <i>corpus</i> em estudo a partir de    uma an&aacute;lise detalhada das linhas de concord&acirc;ncia (cf. Se&ccedil;&atilde;o 5.3). Deve-se ressaltar,    no entanto, &agrave; semelhan&ccedil;a dos procedimentos metodol&oacute;gicos descritos, que a interpreta&ccedil;&atilde;o    a ser realizada dos resultados encontrados &eacute; derivada da habilidade do pesquisador    para explicar os padr&otilde;es, que s&atilde;o apenas levantados pela ferramenta computacional.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>6.2. O discurso como espelho de viv&ecirc;ncias    pessoais e pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">S&atilde;o aqui reportados os resultados da an&aacute;lise    da entrevista com Bernardo. A escolha por esse relato em particular se deve    ao fato de o discurso do professor sugerir uma pr&aacute;tica docente que, apesar de    muito bem intencionada, reproduz o modelo de ensino tradicional de literatura    discutido na Se&ccedil;&atilde;o 6. Disso, pode-se pensar em uma configura&ccedil;&atilde;o de sala de aula    como instrumento de sustenta&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i> ao n&atilde;o suscitar a participa&ccedil;&atilde;o    ativa e colaborativa dos alunos enquanto sujeitos do processo de ensino-aprendizagem    (cf. Se&ccedil;&otilde;es 2 e 3). Ao comparar o discurso de Bernardo com o dos outros nove    entrevistados, foram encontradas as palavras-chave indicadas na <a href="#tab01">Tabela    1</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab01"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/delta/v27n2/a01tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">No tocante &agrave; palavra-chave "livro", as linhas    de concord&acirc;ncia revelam alguns sentidos embutidos na pr&aacute;tica docente de Bernardo.    Para come&ccedil;ar, parece existir uma preocupa&ccedil;&atilde;o com livro enquanto um objeto concreto    de estudo e com a maneira como ele &eacute; trabalhado em sala de aula, como exemplificado    a seguir.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">to e j&aacute; na segun na leitura do segundo livro      a coisa j&aacute; t&aacute; mais leve j&aacute; t&aacute; mais pur    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">sso sabe, ent&atilde;o prefiro concentrar num      livro a leitura, sabe? e poder analisar cont    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">mas, eu vou num passo a passo lendo o      livro analisando a obra, junto com eles e de    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">umo fazer. e porque eu gosto de ler um      livro com eles claro, eu n&atilde;o leio tudo com e</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, essa perspectiva metodol&oacute;gica &eacute; confrontada    com a realidade vivenciada pelo professor, que precisa adaptar suas escolhas    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es financeiras de seus alunos (compreens&atilde;o de livro enquanto um objeto    de consumo). Em outras palavras, o contexto em que o professor est&aacute; inserido    &eacute; determinante para suas escolhas pedag&oacute;gicas, influindo em seu trabalho e fazendo    com que ele abra m&atilde;o de suas prefer&ecirc;ncias particulares: "&#91;...&#93; &agrave;s vezes ainda    tenho que escolher o <i>livro</i> de acordo com o pre&ccedil;o &#91;...&#93;. Por exemplo,    eu adoraria dar <i>O Grande Gatsby</i> &eacute; um <i>livro</i> que eu gosto muito    s&oacute; que <i>O Grande Gatsby</i>, na tradu&ccedil;&atilde;o brasileira, custa cinquenta e tr&ecirc;s    reais". A quest&atilde;o financeira &eacute; apontada pelo professor como decorrente n&atilde;o s&oacute;    da falta de recursos dos alunos como dos valores culturais que estes possuem.    Ele exemplifica essa quest&atilde;o ao reproduzir, durante a entrevista, a fala de    seus alunos: "num <i>livro</i>, num <i>livro</i>, se fosse numa roupinha, eu    comprava, mas num <i>livro</i>, n&atilde;o".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Percebe-se, ent&atilde;o, que, a partir da palavra "livro",    certo descontentamento &eacute; denunciado quanto &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es que o professor se    v&ecirc; obrigado a impor ao seu trabalho. Tais restri&ccedil;&otilde;es prov&ecirc;m tamb&eacute;m da falta    de tempo, o que &eacute; algo que foge &agrave; vontade do docente, sendo uma decis&atilde;o institucional:    "&#91;...&#93; e eu trabalho com um <i>livro</i> por semestre, eu acho que se eu dou    mais de um <i>livro</i> por semestre, devido &agrave; carga hor&aacute;ria muito pequena eu    n&atilde;o conseguiria cumprir o programa".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir disso, talvez seja poss&iacute;vel dizer que    o professor atribui a elementos exteriores uma esp&eacute;cie de "culpa" por n&atilde;o poder    realizar o trabalho que gostaria. Todavia, embora ele esteja impossibilitado    de realizar o trabalho ideal, busca fazer aquilo que considera o melhor dentro    do que lhe &eacute; permitido: "porque eu acho que mais de um <i>livro</i> mexeria    com o, eu diria o, eu n&atilde;o poderia aprofundar o que eu aprofundo &#91;...&#93;".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda no tocante &agrave; ocorr&ecirc;ncia da palavra "livro",    observa-se que o participante opta por trabalhar o livro (a obra liter&aacute;ria)    de uma maneira que parece reproduzir ou espelhar a sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. Trata-se    de um trabalho de detalhamento do texto liter&aacute;rio em foco (t&eacute;cnica conhecida    como <i>close reading</i>), em que trechos mais importantes s&atilde;o analisados:    "&#91;...&#93; eu gosto de ler um <i>livro</i> com eles. Claro, eu n&atilde;o leio tudo com    eles, mas fazendo uma leitura de passo a passo como a gente fazia, como pelo    menos eu fiz na &#91;nome da universidade&#93;".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O tipo de pr&aacute;tica descrita parece confirmar a    caracteriza&ccedil;&atilde;o de Zyngier (1999) das salas de aula de literatura como espa&ccedil;o    de reprodu&ccedil;&atilde;o de modelos. Al&eacute;m disso, quando o professor assume que l&ecirc; o livro    com os alunos, deixa transparecer sua posi&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica em sala de aula, exemplificando    a no&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria, definida por Freire (1978).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m da reprodu&ccedil;&atilde;o do modelo metodol&oacute;gico por    ele conhecido, &eacute; poss&iacute;vel observar que o trabalho realizado pelo professor em    quest&atilde;o tamb&eacute;m privilegia uma determinada vis&atilde;o de literatura. Tal vis&atilde;o relaciona-se    com a ideia de que a literatura &eacute; pass&iacute;vel de divis&atilde;o em &eacute;pocas ou estilos com    suas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias. Assim sendo, pode-se pensar que se trata de um    uso do texto, ao menos em alguns momentos, como pretexto para a exemplifica&ccedil;&atilde;o    de um determinado per&iacute;odo liter&aacute;rio.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">em momento nenhum da minha leitura do livro      eu fecho se &eacute; romance g&oacute;tico ou se &eacute; c    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">lo, ah isso aqui &eacute; um exemplo disso no      livro, porque vamos analisar, geralmente vem    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">eu destaco diversas cita&ccedil;&otilde;es durante      o livro eu falo, ah isso aqui &eacute; um exemplo dis    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">esa a maioria fala todos os dois que      o livro &eacute; um pouco dos dois ao mesmo tempo. En</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">De modo geral, a recorr&ecirc;ncia da palavra "livro"    liga-se, de maneira bastante consistente, a uma preocupa&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica com    o ensino de literatura, em que s&atilde;o contrastados "como o professor aprendeu a    fazer", "como ele o faz", e "como ele gostaria de faz&ecirc;-lo".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em se tratando de <i>supor</i>, a palavra, em    todas as ocorr&ecirc;ncias, aparece junto com <i>vamos</i>, funcionando como sin&ocirc;nimo    de "por exemplo". Trata-se, portanto, de uma caracter&iacute;stica idiossincr&aacute;tica    da fala do professor.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">ent, que seria um t&oacute;pico frasal, vamos supor,      e a partir dali eles se envolveriam e    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">io liter&aacute;rio defendendo um conto vamos      supor, n'O Retrato de Dorian Gray, geralment    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">mas eu tamb&eacute;m n&atilde;o posso excluir, vamos      supor 80% de uma turma num processo de avali    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">muito amplo ent&atilde;o se n&oacute;s falamos vamos      supor cultura americana eu posso t&aacute; falando</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisar a terceira palavra-chave, "eles",    foi poss&iacute;vel perceber que a maioria das ocorr&ecirc;ncias do voc&aacute;bulo volta-se para    a quest&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o dos alunos e a metodologia empregada nas aulas.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">alia&ccedil;&atilde;o. Se eles n&atilde;o conseguem a m&eacute;dia, eles      t&ecirc;m direito a fazer mais uma outra pro    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     </font><font face="Verdana" size="2">rante a aula leio o texto em ingl&ecirc;s com      eles e vou tentando analisar, claro &agrave;s veze    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">&atilde;o, nas minhas disciplinas por semestre      eles leem um livro inteiro um livro eu trab    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">aula analisando os trabalhos deles com      eles, ent&atilde;o quando eu tenho tempo eu fa&ccedil;o i</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, ao analisar as ocorr&ecirc;ncias da palavra-chave    "eles", novamente nota-se o enfoque que o falante atribui ao aspecto metodol&oacute;gico    de suas aulas. Pode-se pensar que o uso de "eles" mostra uma separa&ccedil;&atilde;o entre    o "<i>eu</i> professor" e "<i>eles</i> alunos". Isso talvez indique que a sala    de aula n&atilde;o &eacute; percebida como espa&ccedil;o de co-constru&ccedil;&atilde;o, o que poderia ser expresso    pelo "<i>n&oacute;s</i>". Esse resultado reafirma a compreens&atilde;o das atitudes do professor    como caracterizadoras de uma pr&aacute;tica hegem&ocirc;nica. Por outro lado, pode-se pensar    que o grande n&uacute;mero de "eles" com refer&ecirc;ncia aos alunos leva a considerar o    professor fortemente interessado em realizar um trabalho para ou com eles.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante chamar aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para o fato    de que em apenas 2 das 76 ocorr&ecirc;ncias de "eles", o professor utilizou o voc&aacute;bulo    como refer&ecirc;ncia &agrave; institui&ccedil;&atilde;o de ensino em que leciona. Nesses casos, o participante    aponta a procura reduzida pelo curso de Letras ("&#91;...&#93; a demanda &eacute; pequena,    <i>eles</i> n&atilde;o conseguem formar duas turmas &#91;...&#93;") e aborda as decis&otilde;es institucionais    como determinantes para o processo de avalia&ccedil;&atilde;o dos alunos ("&#91;...&#93; de uns tempos    pra c&aacute;, <i>eles</i> passaram a dividir isso, ent&atilde;o a primeira avalia&ccedil;&atilde;o pode    ser um trabalho e a segunda tem que ser necessariamente uma prova").</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa vis&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o como respons&aacute;vel por    parte das decis&otilde;es tomadas nos cursos ministrados vai ao encontro da an&aacute;lise    feita acerca das ocorr&ecirc;ncias de "livro", quando se refletiu sobre o fato de    o professor se perceber impossibilitado de realizar o trabalho por ele idealizado    devido a fatores exteriores a si. Uma vez mais, ele mostra a dificuldade de    articular a sua vontade &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es impostas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A palavra "turma" tamb&eacute;m foi considerada chave.    Na maioria das ocorr&ecirc;ncias, Bernardo fala das diferentes turmas com as quais    trabalha para, na verdade, comentar sobre si mesmo e/ou sobre sua experi&ecirc;ncia    profissional.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">ter&ccedil;a-feira tamb&eacute;m ent&atilde;o eu tinha uma turma      de ter&ccedil;a e uma turma na sexta tamb&eacute;m g    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">or exemplo v&aacute;rias pessoas dessa ultima      turma que leu Macbeth comigo, v&aacute;rias pessoas    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     </font><font face="Verdana" size="2">eria que eu posso trazer em ingl&ecirc;s pra      turma, eu trago, mas coisas que eu sei que v    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">to dando Literatura Brit&acirc;nica 2 em uma      turma na outra turma eu estou dando a Litera</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Tanto <i>Macbeth</i> quanto <i>O Retrato de Dorian    Gray</i> foram utilizados na perspectiva de ilustrar parte do conte&uacute;do trabalhado    nas aulas de Bernardo, deflagrando novamente seu interesse em abordar aspectos    metodol&oacute;gicos e o tratamento das obras liter&aacute;rias como modelos de &eacute;pocas e caracter&iacute;sticas    liter&aacute;rias. Isso pode ser pensado como uma subutiliza&ccedil;&atilde;o do texto liter&aacute;rio,    uma vez que possivelmente n&atilde;o promove reflex&atilde;o e engajamento discente.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">mas eu vou demonstrando o caminho que Macbeth      vai fazendo como her&oacute;i tr&aacute;gico como e    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">eth n&oacute;s vamos ler Macbeth e vamos ler      Macbeth que &eacute; simples e tal &eacute; interessante qu    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">como por exemplo vamos supor O Retrato      de Dorian Gray &eacute; express&atilde;o e &eacute; uma cr&iacute;tica    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">Gray, geralmente eu pergunto O Retrato      de Dorian Gray &eacute; uma com&eacute;dia de costume ou</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">As linhas de concord&acirc;ncia para "express&atilde;o" revelam    que o voc&aacute;bulo &eacute; usado com refer&ecirc;ncia &agrave; nomenclatura das disciplinas com as    quais trabalha, o que coloca literatura no escopo da institucionaliza&ccedil;&atilde;o, como    nos exemplos abaixo.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&atilde;o tr&ecirc;s disciplinas s&oacute; eh literatura Express&atilde;o      Liter&aacute;ria Brit&acirc;nica I e II Express&atilde;o    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">Express&atilde;o Liter&aacute;ria Brit&acirc;nica I e II      Express&atilde;o Liter&aacute;ria Estado-Unidense e eu ainda</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, as linhas para "express&atilde;o" tamb&eacute;m    apresentam conceitos de literatura que o participante possui, como express&atilde;o    de cultura e de l&iacute;ngua:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">idos. Ent&atilde;o eu acho que literatura &eacute; express&atilde;o      da cultura de cada povo n&atilde;o necessar    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">pontos tamb&eacute;m era a literatura como express&atilde;o      da l&iacute;ngua, mas isso numa universidad    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">ent&atilde;o, eu pude ver a literatura como      express&atilde;o da l&iacute;ngua, mas com os meus alunos eu    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">eu acho que cultura, literatura como      express&atilde;o de uma cultura &eacute; &eacute; ao meu ver &eacute; a pr</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; palavra gramatical "durante", nota-se    uma liga&ccedil;&atilde;o a aspectos metodol&oacute;gicos em metade das ocorr&ecirc;ncias. As linhas de    concord&acirc;ncia a seguir indicam como o professor &eacute; al&ccedil;ado a uma posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a,    determinando o direcionamento da aula, do conte&uacute;do trabalhado e at&eacute; mesmo da    compreens&atilde;o do texto liter&aacute;rio.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">ginal Mas a&iacute; eu pe&ccedil;o que eles leiam e durante      a aula leio o texto em ingl&ecirc;s com ele    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">como eu dou muito contexto hist&oacute;rico      durante durante as aulas eu tento abordar alg    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">ualidades e os padr&otilde;es que se repetem      durante a obra eu acho que a&iacute; eles tem um est    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">&oacute;tico como de com&eacute;dia de costumes na,      durante a minha leitura em aula. E eles t&ecirc;m q</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, a &uacute;ltima palavra-chave de Bernardo foi    "semestre". Assim como "turma", o voc&aacute;bulo se reporta &agrave; sua viv&ecirc;ncia profissional.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o, nas minhas disciplinas por semestre eles      leem um livro inteiro um livro    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">te, porque a gente eu quando come&ccedil;o o      semestre eu come&ccedil;o como o vil&atilde;o que vai dar m    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">a a Shakepeare eu j&aacute; dei no in&iacute;cio do      semestre eu j&aacute; falei pra eles que a gente vai    <br>     </font><font face="Verdana" size="2">outra prova que envolve o conte&uacute;do do      semestre inteiro, e nessa sim eu n&atilde;o perdoo &eacute;</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os resultados encontrados para Bernardo abordam    aspectos que tratam do tema da entrevista: <i>literatura</i> e <i>ensino</i>,    oferecendo informa&ccedil;&otilde;es acerca de como o participante compreende essa rela&ccedil;&atilde;o.    Os dados se complementam e apontam que Bernardo fala de si mesmo quando n&atilde;o    se coloca. Todo o tempo, sua experi&ecirc;ncia pessoal permeia seu discurso, inclusive    quando se tem palavras-chave que n&atilde;o fazem refer&ecirc;ncia ao indiv&iacute;duo, como "durante".    Ele parece sentir necessidade de falar sobre sua pr&aacute;tica. Ao fazer isso, nota-se    que elas s&atilde;o fruto de uma tentativa de reprodu&ccedil;&atilde;o de modelos por ele vivenciados    ao longo de sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. Por&eacute;m, esses padr&otilde;es s&atilde;o adaptados &agrave; sua    realidade profissional, que, por sua vez, difere daquela de sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica.    Dessa diverg&ecirc;ncia nota-se que ter que adaptar seu modelo ideal (baseado em sua    experi&ecirc;ncia discente) ao seu contexto de atua&ccedil;&atilde;o causa desconforto por perceber-se    for&ccedil;ado a rejeitar o que gosta, ou o que cr&ecirc; ser adequado, a fim de tornar fact&iacute;vel    o seu trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por &uacute;ltimo, ressalta-se que o discurso de Bernardo    reproduz um modelo centrado na figura do professor, destinando aos alunos um    papel passivo e secund&aacute;rio no processo de ensino-aprendizagem. Pr&aacute;ticas desse    tipo parecem contribuir para a perpetua&ccedil;&atilde;o de atitudes alienantes e desengajadas    socialmente (cf. Se&ccedil;&atilde;o 2). Contudo, pesquisas como esta, que questionam tal    pr&aacute;tica, possivelmente representem o primeiro passo para a mudan&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante enfatizar que metodologia empregada,    baseada em ferramentas de <i>corpus</i>, permitiu perceber essas quest&otilde;es acerca    de como o participante compreende seu comportamento did&aacute;tico-pedag&oacute;gico. Uma    an&aacute;lise do discurso puramente qualitativa, al&eacute;m de mais trabalhosa, dificilmente    ofereceria essa vis&atilde;o abrangente dos dados calcada no uso da linguagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">7. Considera&ccedil;&otilde;es finais e encaminhamentos</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dois estudos de caso apontam para a riqueza    contextual que pode ser revelada a partir da an&aacute;lise do discurso docente. Essa    atividade anal&iacute;tica permite trazer &agrave; tona perspectivas a respeito das quais    os professores n&atilde;o estejam conscientes ou que talvez n&atilde;o desejem verbaliz&aacute;-las    de forma expl&iacute;cita.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso dos docentes de l&iacute;ngua estrangeira, o    emprego do lema "coisa" para se referir &agrave; tecnologia talvez sirva para corroborar    a falta de familiaridade e/ou conforto com o uso desses recursos. Apesar de    consider&aacute;-los positivos pelas facilidades que s&atilde;o trazidas pelas novas inven&ccedil;&otilde;es,    a decis&atilde;o de adotar esses equipamentos e de utiliz&aacute;-los constantemente foi tomada    pela institui&ccedil;&atilde;o sem uma consulta pr&eacute;via aos profissionais docentes. Nesse sentido,    tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel compreender o emprego de "coisa" e "coisas" com uma carga    negativa para se referir aos problemas que s&atilde;o enfrentados no dia a dia na nova    sala de aula tecnologicamente equipada. A listagem das palavras mais frequentes    e a an&aacute;lise subsequente do lexema "coisa" traz &agrave; luz cren&ccedil;as e atitudes relacionadas    &agrave; tecnologia. Durante os encontros, os professores participantes puderam verbalizar    suas preocupa&ccedil;&otilde;es e dificuldades, o que contribuiu para a reflex&atilde;o e entendimento    priorizados pela pr&aacute;tica explorat&oacute;ria. A pesquisa n&atilde;o se concentrou apenas nas    preocupa&ccedil;&otilde;es dos pesquisadores, buscando estabelecer melhor qualidade de vida    para os envolvidos no processo (Allwright, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, a investiga&ccedil;&atilde;o acerca de professores    de literatura indica de que forma o discurso de um dos professores se distancia    dos outros. A an&aacute;lise da fala de Bernardo revela que ele tem uma forte preocupa&ccedil;&atilde;o    metodol&oacute;gica e constantemente faz alus&atilde;o &agrave;s suas experi&ecirc;ncias profissionais.    Isso se mostra de forma transparente em seu discurso. Contudo, sua poss&iacute;vel    vis&atilde;o de ensino-aprendizado no qual o professor &eacute; o grande respons&aacute;vel por direcionar    as aulas e "transferir" conhecimento aos alunos s&oacute; &eacute; compreendida de forma indireta    a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o de seus posicionamentos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em termos metodol&oacute;gicos, os estudos de caso aqui    reportados indicam a proficuidade do emprego da abordagem de <i>corpus</i> na    &aacute;rea de an&aacute;lise do discurso assim como o fazem Conrad (2002), Baker (2004; 2006),    Scott &amp; Tribble (2006), Biber, Connor e Upton (2007), entre outros. As ferramentas    computacionais apresentadas nos dois estudos de caso possibilitam diferentes    tipos de an&aacute;lise no &acirc;mbito da Lingu&iacute;stica Aplicada. No primeiro, a an&aacute;lise do    discurso baseou-se na listagem de palavras mais frequentes, enquanto o segundo    estudo utilizou-se de levantamento de palavras-chave. Este trabalho, portanto,    mostra como ambos os procedimentos podem contribuir para o entendimento do discurso    docente.  Em outras palavras, esses m&eacute;todos de prospec&ccedil;&atilde;o de <i>corpora</i>    representam duas formas distintas de se ter acesso ao discurso dos professores    participantes de ambos os estudos por meio de suas escolhas lingu&iacute;sticas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os encaminhamentos futuros nesse campo s&atilde;o desafiadores.    Dentre as necessidades vindouras, Conrad (2002:87) aponta que novos programas    precisam ser desenvolvidos de forma que an&aacute;lises mais sofisticadas e espec&iacute;ficas    &agrave; compreens&atilde;o do discurso possam ser realizadas e de forma semiautom&aacute;tica. Contudo,    n&atilde;o adianta somente criar os programas, faz-se necess&aacute;rio torn&aacute;-los dispon&iacute;veis    a uma comunidade cada vez maior de pesquisadores, que tamb&eacute;m necessitar&aacute; de    treinamento tanto para utiliz&aacute;-los como para que possam desenvolver suas pr&oacute;prias    ferramentas (Conrad, 2002:87).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Por fim, as palavras de Trappes-Lomax (2004:159)    a respeito do potencial da an&aacute;lise do discurso devem ser retomadas:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">&#91;A an&aacute;lise do discurso&#93; tem mostrado, e mostra      de forma crescente, que ela &eacute; <i>necess&aacute;ria</i> &#150; &agrave; nossa compreens&atilde;o de linguagem,      de sociedade e de n&oacute;s mesmos como seres humanos; ela &eacute; <i>&uacute;til</i> &#150; em uma      gama de atividades pr&aacute;ticas e socialmente ben&eacute;ficas que n&atilde;o para de expandir      &#91;...&#93;; e, como um espelho de nossos <i>selves</i> sempre fascinantes, ela      &eacute;, como muitos alunos chegam at&eacute; ela pela primeira vez, uma fonte de interesse      inesgot&aacute;vel<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title=""><sup>19</sup></a>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Com esse conjunto de aplica&ccedil;&otilde;es, a an&aacute;lise do    discurso n&atilde;o se revela menos importante na forma&ccedil;&atilde;o continuada de professores    de l&iacute;nguas, como o artigo mostrou. Seja como parte de uma pesquisa acad&ecirc;mica    propriamente dita ou como instrumento para autorreflex&atilde;o e desenvolvimento,    a an&aacute;lise do discurso pode desvelar aspectos desconhecidos e relevantes da pr&aacute;tica    pedag&oacute;gica. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, esse tipo de investiga&ccedil;&atilde;o auxilia a revelar os    sentidos que permeiam a pr&aacute;tica docente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Allwright, D. 1996. Social and pedagogical pressures    in the language classroom: the role of socialization. In: Coleman, H. (Ed.).    <i>Society and the language classroom</i>. Cambridge: Cambridge University Press,    p. 207-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000299&pid=S0102-4450201100020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. 2003. Exploratory practice: rethinking    practitioner research in language teaching. <i>Language Teaching Research</i>,    v. 7, n. 2, p. 113-141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000301&pid=S0102-4450201100020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. 2006. Six promising directions in applied    linguistics. In: Gieve, S.; Miller, I. K. (Ed.). <i>Understanding the language    classroom</i>. Hampshire: Palgrave Macmillan, p. 11-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000303&pid=S0102-4450201100020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Allwright, D.; Bailey, K. M. 1991. <i>Focus on    the language classroom</i>: an introduction to classroom research for language    teachers. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000305&pid=S0102-4450201100020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Almeida Filho, J. C. P. 2007. <i>Lingu&iacute;stica    aplicada</i>: ensino de l&iacute;nguas e comunica&ccedil;&atilde;o. 2. ed. Campinas, SP: Pontes/Arte    L&iacute;ngua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000307&pid=S0102-4450201100020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baker, P. 2004. Querying keywords: questions    of difference, frequency, and sense in keywords analysis. <i>Journal of English    Linguistics</i>, v. 32, n. 4, p. 346-359.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000309&pid=S0102-4450201100020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. 2006. <i>Using corpora in discourse analysis</i>.    London/New York: Continuum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000311&pid=S0102-4450201100020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Berns, M.; Matsuda, K. 2006. Applied linguistics:    overview and history. In: Brown, K. (Ed.). <i>Encyclopedia of language and linguistics</i>.    2. ed. Oxford: Elsevier, p. 394-405.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000313&pid=S0102-4450201100020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Biber, D.; Connor, U.; Upton, T. A. 2007. <i>Discourse    on the move</i>: using corpus analysis to describe discourse structure. Amsterdam/Philadelphia:    John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000315&pid=S0102-4450201100020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Blakemore, D. 2001. Discourse and relevance theory.    In: Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. (Ed.). <i>The handbook of discourse    analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p. 100-118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000317&pid=S0102-4450201100020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cavalcanti, M. C. 1986. A prop&oacute;sito de lingu&iacute;stica    aplicada. <i>Trabalhos em Lingu&iacute;stica Aplicada</i>, Campinas, n. 7, p. 5-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000319&pid=S0102-4450201100020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. 2004. Applied linguistics: Brazilian    perspectives. <i>AILA Review</i>, v. 17, p. 23-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000321&pid=S0102-4450201100020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Conrad, S. 2002. Corpus linguistic approaches    for discourse analysis. <i>Annual Review of Applied Linguistics</i>, v. 22,    p. 75-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000323&pid=S0102-4450201100020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">D&ouml;rnyei, Z. 2007. <i>Research methods in applied    linguistics</i>. Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000325&pid=S0102-4450201100020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dubois, S.; Sankoff, D. 2001. The variationist    approach toward discourse structural effects and socio-interactional dynamics.    In: Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. (Ed.). <i>The handbook of discourse    analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p. 282-303.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000327&pid=S0102-4450201100020000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Edwards, D.; Mercer, N. 1987. <i>Common knowledge</i>:    the development of understanding in the classroom. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000329&pid=S0102-4450201100020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Edwards, J. A. 2001. The transcription of discourse.    In: Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. (Ed.). <i>The handbook of discourse    analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p. 321-348.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000331&pid=S0102-4450201100020000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ferreira, A. B. H. 1999. <i>Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio    eletr&ocirc;nico</i>: s&eacute;culo XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000333&pid=S0102-4450201100020000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fleischman, S. 2001. Language and medicine. In:    Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. (Ed.). <i>The handbook of discourse    analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p. 470-502.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000335&pid=S0102-4450201100020000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freire, P. 1978. <i>Pedagogia do oprimido</i>.    5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000337&pid=S0102-4450201100020000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gee, J. P. 1999. <i>An introduction to discourse    analysis</i>: theory and method. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000339&pid=S0102-4450201100020000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Holliday, A. 1999. Small cultures. <i>Applied    Linguistics</i>, v. 20, n. 2, p. 237-264.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000341&pid=S0102-4450201100020000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hyland, K. 2009. <i>Academic discourse</i>: English    in a global context. London/New York: Continuum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000343&pid=S0102-4450201100020000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Izarra, L. P. Z. 1999. 'Teaching back' literatures    in English: reading (de)centered voices as a cultural hologram. In: Encontro    Nacional de Professores Universit&aacute;rios de L&iacute;ngua Inglesa, 14., 1999, Belo Horizonte.    <i>Anais do XIV ENPULI</i>. Belo Horizonte: UFMG, p. 199-205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000345&pid=S0102-4450201100020000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jord&atilde;o, C. M. 2001. <i>A</i><i> educa&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria    no lado dos anjos</i>. 218 f. Tese (Doutorado em Estudos Lingu&iacute;sticos e Liter&aacute;rios)    &#150; Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade de S&atilde;o Paulo,    S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000347&pid=S0102-4450201100020000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lakoff, R. T. 2001. Nine ways of looking at apologies:    the necessity for interdisciplinary theory and method in discourse analysis.    In: Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. (Ed.). <i>The handbook of discourse    analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p. 199-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000349&pid=S0102-4450201100020000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lazaraton, A. 2002. Quantitative and qualitative    approaches to discourse analysis. <i>Annual Review of Applied Linguistics</i>,    v. 22, p. 32-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000351&pid=S0102-4450201100020000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mcenery, T.; Xiao, R.; Tono, Y. 2006. <i>Corpus-based    language studies</i>: an advanced resource book. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000353&pid=S0102-4450201100020000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nunan, D. 1992. <i>Research methods in language    learning</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000355&pid=S0102-4450201100020000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">O'Keeffe, A.; McCarthy, M.; Carter, R. 2007.    <i>From corpus to classroom</i>: language use and language teaching. Cambridge:    Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000357&pid=S0102-4450201100020000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pennycook, A. 1998. A lingu&iacute;stica aplicada dos    anos 90: em defesa de uma abordagem cr&iacute;tica. In: Signorini, I.; Cavalcanti,    C. (Org.). <i>Lingu&iacute;stica aplicada e transdisciplinaridade</i>: quest&otilde;es e perspectivas.    Campinas, SP: Mercado de Letras, p. 23-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000359&pid=S0102-4450201100020000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E. 2001.    Introduction. In: ______ (Ed.). <i>The handbook of discourse analysis</i>. Malden,    MA: Blackwell, p. 1-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000361&pid=S0102-4450201100020000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Scollon, R.; Scollon, S. W. 2001. Discourse and    intercultural communication. In: Schriffin, D.; Tannen, D.; Hamilton, H. E.    (Ed.). <i>The handbook of discourse analysis</i>. Malden, MA: Blackwell, p.    538-547.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000363&pid=S0102-4450201100020000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Scott, M. 2007a. <i>Oxford</i><i> WordSmith Tools</i>:    version 4.0. Oxford: Oxford University Press. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.lexically.net/downloads/version4/wordsmith.pdf" target="_blank">http://www.lexically.net/downloads/version4/wordsmith.pdf</a>&gt;.    Acesso em: 13 abr. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000365&pid=S0102-4450201100020000100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. 2007b. <i>WordSmith Tools</i>. Version    4.0. Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000367&pid=S0102-4450201100020000100035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Scott, M.; Tribble, C. 2006. <i>Textual patterns</i>:    key words and corpus analysis in language education. Amsterdam: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000369&pid=S0102-4450201100020000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sealey, A.; Carter, B. 2004. <i>Applied linguistics    as social science</i>. London: Continuum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000371&pid=S0102-4450201100020000100037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Signorini, I. 1998. Do residual ao m&uacute;ltiplo e    ao complexo: o objeto da pesquisa em lingu&iacute;stica aplicada. In: Signorini, I;    Cavalcanti, C. (Org.). <i>Lingu&iacute;stica aplicada e transdisciplinaridade</i>:    quest&otilde;es e perspectivas. Campinas, SP: Mercado de Letras, p. 99-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000373&pid=S0102-4450201100020000100038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Steen, G. 2004. Perspectives on discourse: the    state of the art. <i>Language and Literature</i>, v. 13, n. 2, p. 161-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000375&pid=S0102-4450201100020000100039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tardif, M. 2005. <i>Saberes docentes e forma&ccedil;&atilde;o    profissional</i>. 5. ed. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000377&pid=S0102-4450201100020000100040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tognini-Boneli, E. 2001. <i>Corpus linguistics    at work</i>. Amsterdam: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000379&pid=S0102-4450201100020000100041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Trappes-Lomax, H. 2004. Discourse analysis. In:    Davies, A.; Elder, C. (Ed.). <i>The handbook of applied linguistics</i>. Malden,    MA; Blackwell, p. 133-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000381&pid=S0102-4450201100020000100042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Traylen, H. 1994. Confronting hidden agendas:    co-operative inquiry with health visitors. In: Pearson, P. (Ed.). <i>Participation    in human inquiry</i>. London: Sage, p. 59-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000383&pid=S0102-4450201100020000100043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tribble, C.; Jones, G. 1990. <i>Concordances    in the classroom</i>: a resource book for teachers. London: Longman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000385&pid=S0102-4450201100020000100044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Viana, V. 2008. <i>Verbos modais em contraste</i>:    an&aacute;lise de corpus da escrita de universit&aacute;rios em ingl&ecirc;s. 230 f. Disserta&ccedil;&atilde;o    (Mestrado em Letras) &#150; Departamento de Letras, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica    do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000387&pid=S0102-4450201100020000100045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Zyngier, S. 1999. Research and practice in the    teaching of literature: mapping the area. In: Encontro Nacional de Professores    Universit&aacute;rios de L&iacute;ngua Inglesa, 14., 1999, Belo Horizonte. <i>Anais do XIV    ENPULI</i>. Belo Horizonte: UFMG, p. 307-325.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000389&pid=S0102-4450201100020000100046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Recebido em fevereiro de 2010    <br>   </font><font face="Verdana" size="2">Aprovado em maio de 2011</font></p>     <p><br clear=all> </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a>.    Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte fragmento: "we don't only use discourse to express    our attitudes, ideas and understandings, but these are themselves shaped by    discourse".    <br>   <a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">2</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "(1) anything beyond the sentence, (2) language use, and (3) a broader    range of social practice that includes nonlinguistic and nonspecific instances    of language".    <br>   <a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">3</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "to do a thorough job of talking about 'discourse,' or 'a discourse,'    the analyst must have recourse to the findings and methods of other (sub)disciplines;    there is no 'discourse analysis' otherwise".    <br>   <a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">4</a>. Justamente por privilegiar    o interc&acirc;mbio entre as &aacute;reas, n&atilde;o ser&aacute; abordada aqui a quest&atilde;o de qual seria    a "melhor" compartimentaliza&ccedil;&atilde;o para a an&aacute;lise do discurso. A t&iacute;tulo de exemplifica&ccedil;&atilde;o,    recorre-se &agrave;s palavras de Trappes-Lomax (2004), que apesar de afirmar ser essa    &aacute;rea parte integrante da lingu&iacute;stica aplicada, defende que a ela n&atilde;o se restringe.    <br>   <a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">5</a>. N&atilde;o se deseja entrar aqui nas    especificidades, controv&eacute;rsias, vantagens e desvantagens dos m&eacute;todos quantitativos    e qualitativos. Nesse sentido, ampla discuss&atilde;o pode ser encontrada em v&aacute;rias    fontes como Nunan (1992) e D&ouml;rnyei (2007). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; an&aacute;lise do discurso,    sugere-se uma consulta a Lazaraton (2002) e Trappes-Lomax (2004), entre outros.    <br>   <a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">6</a>. N&atilde;o &eacute; o caso de culpar o analista    pela falha em quest&atilde;o. Trata-se apenas de identificar que o computador realiza    tarefas repetitivas de contagem e identifica&ccedil;&atilde;o com mais precis&atilde;o do que o ser    humano.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">7</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "recognizing patterns of language use necessarily entails assessing    whether a phenomenon is common or unusual &#150; a quantitative assessment. At the    same time, numbers alone give little insight about language. Even the most sophisticated    quantitative analyses must be tied to functional interpretations of the language    patterns".    <br>   <a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">8</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "corpus researchers can theoretically be just as selective as anyone    in choosing which aspects of their research to report or bury".    <br>   <a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">9</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "the researcher chooses what types of information to preserve, which    descriptive categories to use, and how to display the information in the written    and spatial medium of a transcript".    <br>   <a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">10</a>. Durante uma das reuni&otilde;es    houve um problema t&eacute;cnico que impossibilitou sua grava&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">11</a>. H&aacute;, no entanto, etapas de    tratamento de dados que devem ser observadas para o trabalho com o programa    em quest&atilde;o. Essas etapas n&atilde;o ser&atilde;o discutidas aqui uma vez que fugiriam ao escopo    do artigo. No entanto, detalhes a esse respeito podem ser encontrados em Scott    (2007a) e Viana (2008).    <br>   <a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">12</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "the very idea of taking a text or collection of texts and re-casting    it in another shape is transformational in the sense that it changes the object    being considered radically from a text which can be read linearly to some other    form which will give rise to important insights, pattern recognitions or teaching    implications".    <br>   <a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">13</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "patterns in the surrounding co-text which can suggest clues to the    use of target words".    <br>   <a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">14</a>. Como se pode esperar, essas    classifica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o esgotam as possibilidades do lema "coisa". &Eacute; poss&iacute;vel perceber    sua associa&ccedil;&atilde;o, em quantidades menores, a outras ideias. Estas, no entanto,    n&atilde;o ser&atilde;o aqui enfocadas por n&atilde;o constitu&iacute;rem um padr&atilde;o.    <br>   <a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">15</a>. Nomes fict&iacute;cios dados aos    participantes a fim de que suas identidades fossem preservadas.    <br>   <a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">16</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "a quality words may have in a given text or set of texts, suggesting    that they are important, they reflect what the text is really about, avoiding    trivia and insignificant detail".    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">17</a>. A quest&atilde;o de como os entrevistados    enfocam esses assuntos s&oacute; p&ocirc;de ser respondida com a utiliza&ccedil;&atilde;o do <i>Concord</i>    (cf. Se&ccedil;&atilde;o 5.2), como ser&aacute; descrito a seguir.    <br>   <a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">18</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "keywords will therefore not reveal discourses but will direct the    researcher to important concepts in a text (in relation to other texts) that    may help to highlight the existence of types of (embedded) discourse or ideology".    <br>   <a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">19</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o livre do seguinte    fragmento: "&#91;…&#93; has shown, and increasingly shows, that it is <i>necessary</i>    &#150; to our understanding of language, of society and of ourselves as human beings;    it is <i>useful</i> &#150; in an ever-expanding range of practical and socially beneficial    activities &#91;…&#93;; and, as a mirror to our ever-fascinating selves, it is, as many    students who come to it for the first time find, endlessly interesting".</font></p>      ]]></body><back>
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