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<journal-title><![CDATA[DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Manual de Linguística": homonímia ou polissemia na história?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From theoretical and methodological principles of the Historiography of Linguistics (with the use of categories such as research programs, theory groups and the argument of influence), this paper presents an analysis of two moments of Brazilian production in linguistics, taking as its object, two handbooks published with the same title (Manual de linguística) in 1979 and 2009. The article tries to point out continuities (seen as polysemic phenomenon) and discontinuities (seen as a homonymic phenomenon) in the validation of knowledge in an interval of thirty years of study and teaching of linguistics in Brazil, checking to what extent there are similarities and contrasts between the two books with the same name. As a result of the analysis, the text shows that the historiographic interpretation might result from the viewpoint adopted by the historiographer.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RETROSPECTIVA </b> RETROSPECTIVE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>"Manual de Lingu&iacute;stica": homon&iacute;mia ou polissemia na hist&oacute;ria?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>"Manual de Lingu&iacute;stica": homonymous or polysemy in the history? </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ronaldo de Oliveira Batista</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(Universidade Presbiteriana Mackenzie). E-mail: <a href="mailto:robatista@mackenzie.br">robatista@mackenzie.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A partir de princ&iacute;pios te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos da Historiografia da Lingu&iacute;stica (com utiliza&ccedil;&atilde;o de categorias como programas de investiga&ccedil;&atilde;o, grupos de especialidade e argumento da influ&ecirc;ncia), apresenta-se uma an&aacute;lise de dois momentos da produ&ccedil;&atilde;o brasileira em lingu&iacute;stica, tomando como objeto dois manuais publicados com o mesmo t&iacute;tulo (Manual de Lingu&iacute;stica) em 1979 e 2009. O artigo procura apontar continuidades (vistas como fen&ocirc;meno poliss&ecirc;mico) e descontinuidades (vistas como fen&ocirc;meno homon&iacute;mico) na valida&ccedil;&atilde;o de saberes em um intervalo de trinta anos de estudos e ensino de lingu&iacute;stica no Brasil, verificando em que medida h&aacute; semelhan&ccedil;as ou distin&ccedil;&otilde;es entre dois livros que se apresentaram com a mesma designa&ccedil;&atilde;o. Em consequ&ecirc;ncia das an&aacute;lises, o texto evidencia que a interpreta&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica pode ser resultante do ponto de vista adotado pelo histori&oacute;grafo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Historiografia Lingu&iacute;stica, Programas de Investiga&ccedil;&atilde;o, Grupos de Especialidade, Argumento da Influ&ecirc;ncia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> From theoretical and methodological principles of the Historiography of Linguistics (with the use of categories such as research programs, theory groups and the argument of influence), this paper presents an analysis of two moments of Brazilian production in linguistics, taking as its object, two handbooks published with the same title (Manual de lingu&iacute;stica) in 1979 and 2009. The article tries to point out continuities (seen as polysemic phenomenon) and discontinuities (seen as a homonymic phenomenon) in the validation of knowledge in an interval of thirty years of study and teaching of linguistics in Brazil, checking to what extent there are similarities and contrasts between the two books with the same name. As a result of the analysis, the text shows that the historiographic interpretation might result from the viewpoint adopted by the historiographer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key-words:</b> Linguistic Historiography, Research Programs, Theory Groups, Argument of  Influence.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este texto apresenta, logo em seu in&iacute;cio, uma pequena provoca&ccedil;&atilde;o, no sentido de que desloca de seus dom&iacute;nios habituais de circula&ccedil;&atilde;o dois termos presentes na tradi&ccedil;&atilde;o de estudos da sem&acirc;ntica lexical: <i>homon&iacute;mia</i> e <i>polissemia</i>. O deslocamento desestabiliza sentidos j&aacute; cristalizados e os coloca em outra esfera de reflex&atilde;o: a que pertence aos dom&iacute;nios da Historiografia da Lingu&iacute;stica. Dessa forma, o que se pretende neste trabalho &eacute; apresentar uma avalia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica brasileira a partir de uma an&aacute;lise de dois manuais de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica publicados em recortes temporais distintos. Os objetos de an&aacute;lise s&atilde;o o <i>Manual de lingu&iacute;stica</i>, organizado por Cidmar Teodoro Pais (1940-2009) e Monica Rector, publicado em 1979 pela Editora Vozes, e o <i>Manual de lingu&iacute;stica</i>, organizado por M&aacute;rio Eduardo Martelotta (1958-2011), publicado em 2009 pela Editora Contexto<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a>. Procurando situar essas publica&ccedil;&otilde;es como consequ&ecirc;ncia dos esfor&ccedil;os de comunidades de pesquisadores, com atua&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas em seu tempo, utilizam-se categorias de an&aacute;lise da Historiografia da Lingu&iacute;stica, como <b>ret&oacute;rica, grupos de especialidade, argumento da influ&ecirc;ncia, programas de investiga&ccedil;&atilde;o</b>, na tentativa de delinear uma vis&atilde;o do que se considerou como conhecimento v&aacute;lido nas d&eacute;cadas de 1970 e 2000 no pensamento lingu&iacute;stico. Em um primeiro momento, define-se o quadro te&oacute;rico do trabalho e explana-se em que sentido s&atilde;o empregados os termos <i>homon&iacute;mia </i>e <i>polissemia</i>, em seguida aponta-se de que forma o manual atua na institucionaliza&ccedil;&atilde;o de um corpo de conhecimento cient&iacute;fico, para, na sequ&ecirc;ncia, estabelecer uma an&aacute;lise da presen&ccedil;a das obras na lingu&iacute;stica brasileira. A conclus&atilde;o busca uma an&aacute;lise interpretativa das formas de desenvolvimento do conhecimento lingu&iacute;stico no Brasil, a partir das an&aacute;lises do <i>corpus </i>definido.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. HIST&Oacute;RIA &amp; HISTORIOGRAFIA, HOMON&Iacute;MIA &amp; POLISSEMIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>1.1. A Historiografia da Lingu&iacute;stica: dimens&otilde;es interna e externa</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Historiografia da Lingu&iacute;stica (HL) pode ser definida como uma &aacute;rea dos estudos lingu&iacute;sticos que coloca como objeto de observa&ccedil;&atilde;o os desenvolvimentos da Hist&oacute;ria da Lingu&iacute;stica<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>. Nessa perspectiva, a HL define-se por dois eixos complementares, que determinam par&acirc;metros internos e externos de observa&ccedil;&atilde;o, ou seja, enfoques internalista e externalista.  Ao enfoque internalista interessa a reconstru&ccedil;&atilde;o dos estudos sobre a linguagem a partir da an&aacute;lise da formula&ccedil;&atilde;o e reformula&ccedil;&atilde;o de conceitos te&oacute;ricos e pr&aacute;ticas de tratamento dos fen&ocirc;menos lingu&iacute;sticos. Ao enfoque externalista interessa o aspecto social como parte do processo hist&oacute;rico de forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de uma ci&ecirc;ncia e suas pr&aacute;ticas discursivas, revelando posicionamentos ideol&oacute;gicos, sociais e hist&oacute;ricos, em torno do estabelecimento de ret&oacute;ricas (formas e tipos de discurso adotados) t&iacute;picas de comunidades de pesquisadores. Em linhas gerais, costuma-se dizer que &agrave; historiografia interessa investigar, al&eacute;m das teorias, o contexto de forma&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o dessas teorias. Essa vis&atilde;o cindida em historiografias <i>content-oriented</i> e <i>context-oriented</i>, no entanto, anula-se no desenvolvimento da narrativa e observa&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica, pois na perspectiva proposta <i>interno</i> e <i>externo</i> est&atilde;o relacionados, e, ainda que se possa privilegiar uma dessas dimens&otilde;es, subentende-se que uma implica a outra. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>1.2. O deslocamento dos termos homon&iacute;mia e polissemia</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na forma&ccedil;&atilde;o do pensamento lingu&iacute;stico ocidental, a disputa cl&aacute;ssica entre anomalistas e analogistas j&aacute; colocava em jogo, entre outros temas, o fato de que formas lingu&iacute;sticas poderiam apresentar mais de um significado, como aponta Lyons (1979: 430) ao definir que "em princ&iacute;pio, a associa&ccedil;&atilde;o de dois ou mais significados a uma forma &eacute; suficiente para justificar o reconhecimento de duas ou mais palavras", caracterizando, assim, o que se reconhece como o fen&ocirc;meno da <i>homon&iacute;mia</i> (palavras distintas, com origens diversas, que acabam por apresentar uma mesma forma). O caso exemplar na literatura sem&acirc;ntica em l&iacute;ngua portuguesa &eacute; o das palavras <i>manga</i>, "fruta", e <i>manga</i>, "parte da camisa". Reconhecida como fen&ocirc;meno distinto, a <i>polissemia</i> aponta para significados relacionados entre si, que "n&atilde;o s&atilde;o vistos tradicionalmente como suficientemente diferentes para justificar o reconhecimento de palavras distintas" (Lyons 1979: 431). O emprego de <i><u>rede</u> de luz</i> e <i><u>rede</u> de contatos</i> pode exemplificar um caso poliss&ecirc;mico no portugu&ecirc;s. Dessa forma &eacute; que a tradi&ccedil;&atilde;o dos estudos lingu&iacute;sticos e gramaticais caracterizou como diversos os fen&ocirc;menos, ainda que "a distin&ccedil;&atilde;o entre <i>homon&iacute;mia </i>e <i>polissemia</i> &#91;seja&#93; indeterminada e arbitr&aacute;ria", como lembra Lyons (1979: 431).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste trabalho, retiram-se os dois termos do seu dom&iacute;nio privilegiado de atua&ccedil;&atilde;o e faz-se um deslocamento que situa a <i>homon&iacute;mia</i> como formas distintas de atribuir sentidos a um conjunto de ideias, enquanto situa-se a <i>polissemia</i> como a presen&ccedil;a de semelhan&ccedil;a no tratamento de determinado corpo te&oacute;rico-metodol&oacute;gico. Colocam-se, portanto, os dois termos a servi&ccedil;o de uma an&aacute;lise historiogr&aacute;fica, procurando analisar se o emprego de uma mesma forma - "manual de lingu&iacute;stica" -, ao longo do desenvolvimento da lingu&iacute;stica brasileira, correspondeu sempre a um mesmo sentido (referindo-se a semelhantes propostas te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas), ou, ao contr&aacute;rio, se a forma pode ser relacionada a presen&ccedil;as distintas de modos de tratamento da linguagem (havendo, ent&atilde;o, uma ruptura na cadeia de significados atribu&iacute;dos ao que se entende por ci&ecirc;ncia da linguagem). Sendo assim, a quest&atilde;o a ser respondida &eacute; se a express&atilde;o "manual de lingu&iacute;stica" coloca-se como a representa&ccedil;&atilde;o do mesmo sentido expandido em outros sentidos relacionados (<i>polissemia</i>) ou se a express&atilde;o atua como representa&ccedil;&atilde;o do diferente, apenas semelhante numa sequ&ecirc;ncia de sons e letras que leva a denota&ccedil;&otilde;es diversas (<i>homon&iacute;mia</i>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. GRUPOS DE ESPECIALIDADE E FORMAS DE ATUA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>2.1 Os grupos de especialidade e suas ret&oacute;ricas</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma reconstru&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica pode considerar fatores que possibilitaram a forma&ccedil;&atilde;o de um campo de pesquisa atuante em uma esfera social espec&iacute;fica, as condi&ccedil;&otilde;es sociais e acad&ecirc;micas que permitiram o estabelecimento e a continuidade, ou n&atilde;o, de comunidades de pesquisa ou grupos de especialidade, e tamb&eacute;m a imagem projetada por esses pesquisadores dentro e fora de suas comunidades de interlocu&ccedil;&atilde;o, por meio de suas pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas, intelectuais e discursivas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando esses aspectos, a HL prop&otilde;e como focos de observa&ccedil;&atilde;o, entre outros, comunidades de pesquisadores que se encarregam de propor, difundir e mesmo defender propostas te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas. Essas comunidades s&atilde;o reconhecidas como <b>grupos de especialidade </b>(<i>theory groups</i>, Murray 1994), organizados em torno de lideran&ccedil;as intelectuais e organizacionais, que promovem a forma&ccedil;&atilde;o, institucionaliza&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o de saberes, constituindo formas t&iacute;picas de discurso como atua&ccedil;&atilde;o social na &aacute;rea cient&iacute;fica, as <b>ret&oacute;ricas</b>, caracterizando as propostas dos grupos em torno de continuidades com saberes presentes em uma &aacute;rea ou em torno de descontinuidades, clamando por rupturas no conhecimento cient&iacute;fico<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>. Assim, a suposta neutralidade do discurso cient&iacute;fico coloca-se em meio a um posicionamento que se quer leg&iacute;timo e ocupa seu lugar social, pois manifesta a presen&ccedil;a de um espa&ccedil;o cient&iacute;fico espec&iacute;fico e demarcado, e a ret&oacute;rica, revolucion&aacute;ria ou continu&iacute;sta, como se caracteriza pelos modos de dizer de determinado indiv&iacute;duo ou grupo, delimita esses espa&ccedil;os discursivos, no sentido de que todo proferimento cient&iacute;fico (enunciados que requerem aten&ccedil;&atilde;o para um procedimento) imp&otilde;e um contexto que o torna poss&iacute;vel. "Um proferimento &eacute; intencional, em primeiro lugar, porque est&aacute; associado a determinado contexto" (Dutra 2008: 62). Essas comunidades cient&iacute;ficas e sua ret&oacute;rica articulam-se a <b>programas de investiga&ccedil;&atilde;o</b>, conjuntos de diretrizes te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas compartilhadas pelos pesquisadores, que definem problemas e formas de solu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prios e identificadores de modos semelhantes de atua&ccedil;&atilde;o diante do objeto que consideram cient&iacute;fico<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>2.2 O manual como g&ecirc;nero: esferas de atua&ccedil;&atilde;o e de influ&ecirc;ncia </b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A a&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores, em busca da legitimidade de seus esfor&ccedil;os acad&ecirc;micos, coloca a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em meio a uma s&eacute;rie de processos sociais que materializam verdadeiros capitais de troca, determinando o que ser&aacute; reconhecido e o que ser&aacute; negado como conhecimento v&aacute;lido<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a>. Sendo assim, a linguagem utilizada pelos linguistas e o dialeto t&eacute;cnico adotado (o vocabul&aacute;rio especializado), configurando a metalinguagem de um programa de investiga&ccedil;&atilde;o, colaboram para criar uma imagem de cientificidade. No entanto, nada disso tem valor se o grupo de especialidade n&atilde;o for capaz de divulgar de forma apropriada seus conhecimentos; e nesse ponto a escrita de manuais de introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento de um grupo &eacute; crucial para que novas gera&ccedil;&otilde;es sejam "seduzidas" pela linguagem adotada por uma comunidade de pesquisadores. Portanto, o manual atua como forma de comunica&ccedil;&atilde;o de resultados e cria uma literatura espec&iacute;fica do grupo, do programa e da comunidade cient&iacute;fica e educacional em geral (uma vez que atua na transmiss&atilde;o de conhecimentos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No presente caso, ser&atilde;o analisados dois manuais did&aacute;ticos de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s teorias e aos m&eacute;todos da ci&ecirc;ncia da linguagem, o que permite observar que se est&aacute; diante de um g&ecirc;nero discursivo espec&iacute;fico, veiculado por meio de um suporte material e gr&aacute;fico, o livro. O g&ecirc;nero manual did&aacute;tico apresenta algumas particularidades, sobretudo porque ele &eacute; uma forma de a&ccedil;&atilde;o social, elaborada por uma cultura espec&iacute;fica, tendo em vista a comunica&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos com prop&oacute;sitos delimitados, direcionadores do contato entre g&ecirc;nero e seus usu&aacute;rios. Parte de um dom&iacute;nio discursivo mais amplo, o instrucional (Marcuschi 2008: 194), do campo cient&iacute;fico e educacional, os dois manuais s&atilde;o resultantes do trabalho de institui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e veiculam, como g&ecirc;nero, forma&ccedil;&otilde;es discursivas que delineiam as formas de saber que cada autor dos textos que comp&otilde;em os livros assumiu como v&aacute;lidas em um momento hist&oacute;rico. Naturalmente que a defini&ccedil;&atilde;o de manual como g&ecirc;nero &eacute; algo problem&aacute;tico, uma vez que o pr&oacute;prio livro cont&eacute;m diferentes g&ecirc;neros, como texto explicativo, exerc&iacute;cios, tabelas, gravuras, &iacute;ndices, instru&ccedil;&otilde;es, sum&aacute;rios etc; no entanto, assume-se aqui essa classifica&ccedil;&atilde;o para que se possa perceber, essencialmente, que o manual exerce uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em um processo comunicativo caracterizado, mesmo que o leitor n&atilde;o tenha consci&ecirc;ncia, por afirma&ccedil;&otilde;es e nega&ccedil;&otilde;es de saberes, estabelecidos por meio das escolhas do que cada texto aborda, revelando influ&ecirc;ncias e formas de continuidade ou ruptura com conjuntos espec&iacute;ficos de conhecimentos cient&iacute;ficos a respeito do que &eacute; a linguagem humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O manual tamb&eacute;m atua como ve&iacute;culo dos di&aacute;logos que o grupo pretende estabelecer com outras comunidades e outros pesquisadores. Ele permite, portanto, mapear o chamado argumento da influ&ecirc;ncia<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>. Neste texto, a quest&atilde;o do argumento da influ&ecirc;ncia ser&aacute; estabelecida levando em considera&ccedil;&atilde;o que posicionamentos cient&iacute;ficos s&atilde;o resultantes de um complexo direcionamento que coloca o autor de um trabalho situado num eixo permanente de influ&ecirc;ncias advindas n&atilde;o s&oacute; de seu processo de forma&ccedil;&atilde;o intelectual e pessoal (a partir de contatos estabelecidos), mas tamb&eacute;m daqueles resultantes do clima de opini&atilde;o (contexto hist&oacute;rico, social, ideol&oacute;gico, pol&iacute;tico, cultural) concernente ao momento  e fe n&ocirc;menos lingu&iacute;sticos, sendo influ&ecirc;ncias resultantes do contato com uma atmosfera intelectual espec&iacute;fica, sem a necessidade de um debate travado exatamente entre pares<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o manual, na vis&atilde;o aqui adotada, atua como express&atilde;o de uma comunidade de pesquisadores, ele, considerado elemento da divulga&ccedil;&atilde;o de um programa de investiga&ccedil;&atilde;o que procura formas pr&oacute;prias de tratamento da linguagem, passa a funcionar como objeto discursivo com atua&ccedil;&otilde;es delimitadas na troca comunicativa entre pesquisadores, professores, alunos. Nesse sentido, o livro de introdu&ccedil;&atilde;o a uma &aacute;rea estabelece, por si mesmo, o crit&eacute;rio da cientificidade para um conjunto de conhecimentos, tendo como um de seus elementos a forma&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de termos t&eacute;cnicos que configura a metalinguagem adotada pelo grupo. Essa linguagem especializada tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela imagem de cientificidade atribu&iacute;da a correntes de pensamento divulgadas por meio do livro de inicia&ccedil;&atilde;o, possibilitando que o ideal de objetividade (ainda que apenas um simulacro) esteja presente por meio da linguagem e dos modos de atua&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero espec&iacute;fico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O manual, por meio de sua ret&oacute;rica, metalinguagem e formas de apresenta&ccedil;&atilde;o, organiza e difunde uma imagem ideal de ci&ecirc;ncia e de pesquisador, projetando para o leitor e seu autor uma vis&atilde;o universal, integral e praticamente inquestion&aacute;vel para o texto produzido que, por ser objeto do processo pedag&oacute;gico, cria um espa&ccedil;o atemporal, n&atilde;o consciente da hist&oacute;ria e das formula&ccedil;&otilde;es e reformula&ccedil;&otilde;es pelas quais o conhecimento passa. Indefini&ccedil;&otilde;es, rupturas, discuss&otilde;es e revis&otilde;es de temas de uma &aacute;rea n&atilde;o fazem parte, pelo menos na vis&atilde;o tradicional, do discurso do manual, que provoca um apagamento das controv&eacute;rsias e funciona como discurso homog&ecirc;neo, transmitindo a contento, portanto, a imagem ideal de cientificidade que um grupo quer ver pr&oacute;xima a ele na divulga&ccedil;&atilde;o de suas ideias: "podemos citar, por exemplo, o material did&aacute;tico, que tem esse car&aacute;ter de media&ccedil;&atilde;o e cuja fun&ccedil;&atilde;o sofre o processo de apagamento" (Orlandi 2006: 22)<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o, observa-se de que forma dois manuais brasileiros de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica atuaram, em suas respectivas &eacute;pocas, como forma de comunica&ccedil;&atilde;o de grupos de especialidade espec&iacute;ficos, divulgando formas privilegiadas de tratamento do objeto linguagem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. NA LINGU&Iacute;STICA BRASILEIRA, DOIS MANUAIS E A DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O DE SABERES CIENT&Iacute;FICOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>3.1 O Manual de lingu&iacute;stica na d&eacute;cada de 1970</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Organizado por Cidmar Teodoro Pais e Monica Rector<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a>, o <i>Manual de Lingu&iacute;stica</i> de 1979 caracteriza-se pela sua pluralidade, como resenha publicada no mesmo no <i>Jornal do Brasil</i>, por Adriano da Gama Kury, anunciava: "um manual ecl&eacute;tico". Esse ecletismo encaixava-se perfeitamente ao panorama da lingu&iacute;stica brasileira da &eacute;poca, que come&ccedil;ava a sair dos seus primeiros momentos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o de fato (cursos na gradua&ccedil;&atilde;o mais consolidados, ap&oacute;s o decreto de 1962, organiza&ccedil;&atilde;o dos primeiros centros de forma&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-graduada, publica&ccedil;&otilde;es mais correntes e regulares). Nesse per&iacute;odo, os estudos lingu&iacute;sticos brasileiros caracterizaram-se, num panorama geral, da seguinte forma: em um primeiro momento, lingu&iacute;stica descritiva sincr&ocirc;nica (fonologia e morfologia), lingu&iacute;stica de orienta&ccedil;&atilde;o gerativa, com destaque para a sintaxe, semi&oacute;tica/semiologia e os primeiros di&aacute;logos interdisciplinares. Essas primeiras orienta&ccedil;&otilde;es permitem o reconhecimento de diferentes esferas de influ&ecirc;ncia na lingu&iacute;stica brasileira: uma norte-americana descritivista e gerativista e uma francesa nas orienta&ccedil;&otilde;es discursiva e semiol&oacute;gica e tamb&eacute;m na lingu&iacute;stica geral. &Eacute; poss&iacute;vel notar nessa configura&ccedil;&atilde;o a pluralidade do pensamento lingu&iacute;stico brasileiro<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a>. Essa diversidade de propostas te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas, entre outros fatores, n&atilde;o pode deixar de ser relacionada ao fato de que o pensamento lingu&iacute;stico brasileiro pode ser caracterizado, em muitos momentos, pela recep&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o de ideias advindas daqueles que s&atilde;o considerados como centros de produ&ccedil;&atilde;o em teoria lingu&iacute;stica, notadamente pa&iacute;ses considerados como desenvolvidos na organiza&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica mundial<a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na tentativa de apresentar um manual que fosse abrangente e fizesse, portanto, eco a uma pluralidade do campo dos estudos lingu&iacute;sticos (ainda n&atilde;o exatamente organizado em grupos de especialidade, como se nota a partir da d&eacute;cada de 1980), os textos coletados por Pais e Rector vinham acompanhados de uma ret&oacute;rica que pontuava com vigor a complexidade n&atilde;o s&oacute; da forma&ccedil;&atilde;o em lingu&iacute;stica como tamb&eacute;m da pr&oacute;pria escrita de um manual. Observe-se no texto de quarta capa do livro a presen&ccedil;a dessa vis&atilde;o valorativa da &aacute;rea, associada &agrave; dificuldade e necessidade de entrega e estudo. Sem d&uacute;vida, essa forma de divulga&ccedil;&atilde;o procurava, al&eacute;m de justificar a pluralidade e a configura&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica presentes no manual, inserir os saberes a serem divulgados numa esfera em que o capital simb&oacute;lico envolvido (Bourdieu 2004) definia a imagem de um pesquisador efetivamente dedicado a um processo de constru&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Conscientes das dif&iacute;ceis op&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o exigidas daqueles que se lan&ccedil;am &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia, particularmente no caso da Lingu&iacute;stica, os organizadores deste trabalho procuraram escapar &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de fazer uma apressada apresenta&ccedil;&atilde;o de numerosas escolas e correntes, o que, al&eacute;m de superficial, deixaria o leitor t&atilde;o perplexo como desinformado.</p>       <p>............................................................................................................</p>       <p>A escolha de professores universit&aacute;rios de diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, e de especialidades diversas, obedeceu ao crit&eacute;rio de oferecer aos leitores uma perspectiva ampla, n&atilde;o dogm&aacute;tica, de modo a estimular-lhes uma sadia inquieta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, proporcionando-lhes o ensejo de habituar-se a quest&otilde;es de cunho epistemol&oacute;gico, modelos e t&eacute;cnicas de pesquisa, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da metalinguagem que &eacute; indissoci&aacute;vel do progresso da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. (Texto de quarta capa de Pais e Rector 1979)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>Manual de Lingu&iacute;stica</i> (1979), al&eacute;m da apresenta&ccedil;&atilde;o dos organizadores Pais e Rector, apesenta sete cap&iacute;tulos, acompanhados de listas de exerc&iacute;cios, que contribuem na caracteriza&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero, ampliando sua funcionalidade no processo de ensino-aprendizagem, ainda que o formato dos exerc&iacute;cios seja distinto e irregular (ora testes, ora atividades de an&aacute;lise, ora quest&otilde;es te&oacute;ricas, ora sugest&otilde;es de pesquisa). Os cap&iacute;tulos seguem elencados a seguir, acompanhados dos autores e do espa&ccedil;o institucional que estes ocupavam na d&eacute;cada de 1970:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>&#149; 	"Elementos de fonologia estrutural", Cidmar Teodoro Pais (professor, principalmente, de fon&eacute;tica, fonologia, semi&oacute;tica e lingu&iacute;stica geral na USP);</p>       <p>&#149; 	"Lexicologia: aspectos estruturais e sem&acirc;ntico-sint&aacute;ticos", Maria Aparecida Barbosa (professora na &aacute;rea de lexicologia e lexicografia na USP);</p>       <p>&#149; 	"Sintaxe", Eunice Pontes (professora na Universidade Federal de Minas Gerais, com publica&ccedil;&otilde;es reconhecidas na &eacute;poca na &aacute;rea da sintaxe);</p>       <p>&#149; 	"Lingu&iacute;stica Aplicada", Monica Rector (professora no Rio de Janeiro, com atua&ccedil;&otilde;es na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Federal Fluminense, em diferentes &aacute;reas da lingu&iacute;stica e tamb&eacute;m na semi&oacute;tica);</p>       <p>&#149; 	"Psicolingu&iacute;stica", Geraldina Porto Witter (professora da mesma &aacute;rea na USP na &eacute;poca);</p>       <p>&#149; 	"Sociolingu&iacute;stica", J&uuml;rgen Heye (na d&eacute;cada de 1970 atuava, com destaque em sociolingu&iacute;stica, na PUC-RJ, na PUC-Campinas e na Federal do Rio de Janeiro);</p>       <p>&#149; 	"Informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o", Eduardo Neiva Jr. (autor de outros trabalhos, na d&eacute;cada de 1970, em colabora&ccedil;&atilde;o com Monica Rector, vinha da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o e do estudo da imagem visual e era tamb&eacute;m uma ponte com o Rio de Janeiro).</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A distribui&ccedil;&atilde;o e ordena&ccedil;&atilde;o dos cap&iacute;tulos &eacute; especular a uma vis&atilde;o estruturalista da linguagem, com seus n&iacute;veis de an&aacute;lise expostos hierarquicamente, em meio a rela&ccedil;&otilde;es de segmenta&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o: da menor unidade significativa ao complexo comunicativo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No processo de valida&ccedil;&atilde;o do conhecimento que todo manual realiza, a organiza&ccedil;&atilde;o e escrita do livro de 1979, ao delimitar fronteiras do conhecimento que considerava como pertinente a uma introdu&ccedil;&atilde;o (ainda que o texto de quarta capa fale em algo n&atilde;o dogm&aacute;tico, os textos, ao efetuar seus recortes, atuam discretamente de forma dogm&aacute;tica), definiu as seguintes &aacute;reas:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>a)	fonologia estrutural, fon&eacute;tica ac&uacute;stica e articulat&oacute;ria. Em v&aacute;rios trechos do cap&iacute;tulo em que essas &aacute;reas s&atilde;o explanadas, &eacute; poss&iacute;vel perceber a ret&oacute;rica do moderno, das humanidades que, via lingu&iacute;stica e fon&eacute;tica em especial, entravam no laborat&oacute;rio, o que permitia a cria&ccedil;&atilde;o da imagem favor&aacute;vel do cientista da linguagem. Os conceitos te&oacute;ricos (como fone e fonema) s&atilde;o explicados ao lado da exposi&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios de an&aacute;lise (como a comuta&ccedil;&atilde;o). Escrito por Pais, o cap&iacute;tulo que abre o manual se apoia numa metalinguagem constru&iacute;da com aux&iacute;lio de recursos visuais e f&oacute;rmulas de fei&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica: era preciso deixar claro que se tratava de <i>ci&ecirc;ncia</i>. E a metalinguagem (como o texto de quarta capa j&aacute; anunciava) atua como um dos elementos que constr&oacute;i a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de um tipo de conhecimento (e de um dialeto t&eacute;cnico) que cientificamente transmite um valor simb&oacute;lico, no sentido de que divulga, ou pretende divulgar, uma imagem de cientificidade;</p>       <p>b)	lexicologia, nas dimens&otilde;es estrutural, sint&aacute;tica e sem&acirc;ntica, a partir de uma perspectiva essencialmente estruturalista (europeia), como se depreende pelas formas discursivas adotadas por Barbosa, "a sem&acirc;ntica lexical e gramatical possuem o mesmo tipo de estrutura&ccedil;&atilde;o, diferindo, por&eacute;m, quanto &agrave; natureza dos elementos nelas implicados" (Barbosa 1978: 103, in Pais e Rector 1978). Abordando desde campos sem&acirc;nticos at&eacute; a estrutura morfol&oacute;gica das "lexias lexicais e gramaticais", passando por an&aacute;lises das rela&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em o significado tanto no n&iacute;vel lexical quanto no n&iacute;vel gramatical ("sem&acirc;ntica lexical e gramatical"), a ret&oacute;rica adotada, na exposi&ccedil;&atilde;o dos apectos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos da lexicologia e da lexicografia, real&ccedil;a, como esperado, a busca da cientificidade, uma vez que se faz um "tratamento cient&iacute;fico do l&eacute;xico" (Barbosa 1978: 87, in Pais e Rector 1978), inserido numa perspectiva exploradora do di&aacute;logo da lingu&iacute;stica com a semi&oacute;tica ("o l&eacute;xico e a semi&oacute;tica humana", como indica o t&iacute;tulo de uma das subse&ccedil;&otilde;es), outra esfera de influ&ecirc;ncia presente no manual e tamb&eacute;m campo de atua&ccedil;&atilde;o dos organizadores do livro;</p>       <p>c)	sintaxe, em seus aspectos te&oacute;ricos e descritivos. O texto de Pontes, autora que fazia parte do que come&ccedil;ava a se configurar como um grupo de especialidade da Gram&aacute;tica Gerativa, que no final da d&eacute;cada de 1970 caminhava para uma s&oacute;lida imagem de grupo institucionalizado, explora conceitos te&oacute;ricos propostos pelo norte-americano Noam Chomsky (compet&ecirc;ncia, performance, gramaticalidade, estruturas profunda e superficial) e exp&otilde;e as regras sint&aacute;ticas e de transforma&ccedil;&atilde;o, como era comum em outros manuais da &eacute;poca escritos por pesquisadores da Gram&aacute;tica Gerativa (cf. Batista 2010). Os temas e representa&ccedil;&otilde;es caracter&iacute;sticos da pesquisa gerativista est&atilde;o presentes (ora&ccedil;&otilde;es complexas e representa&ccedil;&otilde;es arb&oacute;reas, por exemplo), assim como a ret&oacute;rica de ruptura e modernidade, t&iacute;pica dos gerativistas na &eacute;poca, que entre outras coisas insistia numa redefini&ccedil;&atilde;o de gram&aacute;tica, agora sim baseada no crit&eacute;rio da cientificidade: "podemos sistematizar agora a organiza&ccedil;&atilde;o da gram&aacute;tica, como a entendemos, no que se refere &agrave; sintaxe" (Pontes 1978: 144, in Pais e Rector 1978). Observa-se, ainda, o combate &agrave;s formas da Gram&aacute;tica Tradicional, fazendo coro a uma manifesta&ccedil;&atilde;o discursiva dos linguistas em geral, expressa pelos pares de oposi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fico X n&atilde;o cient&iacute;fico, prescritivo X descritivo;</p>       <p>d)	lingu&iacute;stica aplicada, com a presen&ccedil;a de temas como minorias lingu&iacute;sticas e ensino, l&iacute;nguas estrangeiras, ensino de l&iacute;ngua materna. O cap&iacute;tulo que trata da &aacute;rea evidencia, mais uma vez, a tentativa de expor a variedade de assuntos da ci&ecirc;ncia da linguagem. Ao lado da lingu&iacute;stica do sistema, apresenta-se a preocupa&ccedil;&atilde;o com a aplica&ccedil;&atilde;o do conjunto te&oacute;rico-metodol&oacute;gico, t&iacute;pica da ret&oacute;rica dos primeiros momentos de uma &aacute;rea em busca de sua legitimidade tamb&eacute;m em uma atua&ccedil;&atilde;o social, atingindo, assim, esferas da pol&iacute;tica educacional: "por lingu&iacute;stica aplicada entende-se a utiliza&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da lingu&iacute;stica te&oacute;rica para resolver problemas de comunica&ccedil;&atilde;o ligados &agrave; vida cotidiana e profissional, assim como a outras esferas do conhecimento" (Rector 1978: 151, in Pais e Rector 1978). Pode-se notar a necessidade de criar, nos termos de Bourdieu (2004), um capital simb&oacute;lico que torne leg&iacute;tima uma &aacute;rea de conhecimento;</p>       <p>e)	psicolingu&iacute;stica, apresentada por Witter com a utiliza&ccedil;&atilde;o da ret&oacute;rica clamando por cientificidade e antes de mais nada ruptura com um conhecimento considerado tradicional e ultrapassado: "o interesse dos fen&ocirc;menos &#91;...&#93; cientificamente s&oacute; &#91;tenha&#93; adquirido consist&ecirc;ncia suficiente h&aacute; pouco tempo" (Witter 1978: 179, in Pais e Rector 1978).  A imagem do novo e do alcance cient&iacute;fico da &aacute;rea s&atilde;o veiculados em um cap&iacute;tulo que explora sobretudo os processos da comunica&ccedil;&atilde;o humana e o comportamento lingu&iacute;sticos, abrindo, por assim dizer, a passagem para que o manual saia da esfera da lingu&iacute;stica imanente e entre numa abordagem mais externa dos fen&ocirc;menos lingu&iacute;sticos;</p>       <p>f)	sociolingu&iacute;stica, com destaque para o tratamento da varia&ccedil;&atilde;o em uma perspectiva que exp&otilde;e a l&iacute;ngua como parte do processo comunicativo em meio a diferentes comunidades de falantes. O m&eacute;todo de coleta de dados &eacute; descrito, o que n&atilde;o deixa de colaborar para a transmiss&atilde;o do aspecto valorativo de um procedimento metodol&oacute;gico que, enfim, acaba por plasmar a seu modo a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o do rigor do fazer cient&iacute;fico. A abordagem sociolingu&iacute;stica &eacute; a &uacute;nica que deixa de apresentar uma sequ&ecirc;ncia de exerc&iacute;cios objetivos, em seu lugar est&atilde;o sugest&otilde;es para "futuras pesquisas na &aacute;rea &#91;...&#93; que concernem &agrave; realidade lingu&iacute;stica brasileira" (Heye 1978: 235, in Pais e Rector 1978). Presen&ccedil;a do chamado para as novas gera&ccedil;&otilde;es observarem aspectos sociais dos usos lingu&iacute;sticos, inserindo, dessa forma, os assuntos pertinentes em uma esfera de produ&ccedil;&atilde;o de um capital de valor n&atilde;o s&oacute; para a ci&ecirc;ncia mas para o conhecimento p&uacute;blico tamb&eacute;m;</p>       <p>g)	informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, cumprindo, portanto, o delineamento hier&aacute;rquico dos n&iacute;veis de an&aacute;lise: do fonema ao processo comunicativo, com falantes inseridos em trocas efetivas de informa&ccedil;&atilde;o e sentidos. Em um texto com caracter&iacute;sticas pr&oacute;ximas daquelas do g&ecirc;nero ensaio (destoando, portanto, dos outros textos), baseado no que se concebia &agrave; &eacute;poca como teoria da informa&ccedil;&atilde;o, coloca-se em di&aacute;logo a lingu&iacute;stica, a teoria da comunica&ccedil;&atilde;o/informa&ccedil;&atilde;o e a literatura. A constru&ccedil;&atilde;o do texto explora a interdisciplinaridade, transmitindo, desse modo, a perspectiva que considera positivamente uma ci&ecirc;ncia em colabora&ccedil;&atilde;o constante com outras &aacute;reas que lhe s&atilde;o pr&oacute;ximas.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escrita desse manual situa-se numa esfera de influ&ecirc;ncia bastante espec&iacute;fica, concretizada em meio aos momentos de fato de uma institucionaliza&ccedil;&atilde;o do que se concebia como cient&iacute;fico no tratamento da linguagem humana. O manual n&atilde;o deixa de representar o que se considerava como pertinente para um curso de lingu&iacute;stica, principalmente reproduzindo o que um de seus organizadores, Pais, reconhecia como leg&iacute;timo no ensino introdut&oacute;rio. A proposi&ccedil;&atilde;o de um curso de gradua&ccedil;&atilde;o na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), coordenado por Pais, &eacute; imagem em outra dimens&atilde;o da sele&ccedil;&atilde;o de cap&iacute;tulos do manual de 1979. Na sua avalia&ccedil;&atilde;o da lingu&iacute;stica brasileira do per&iacute;odo 1968-1988, Altman (1998) explora os processos que constitu&iacute;ram os estudos lingu&iacute;sticos em diferentes institui&ccedil;&otilde;es e sobre Pais e a USP faz as seguintes considera&ccedil;&otilde;es: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A &aacute;rea de Lingu&iacute;stica da USP prop&ocirc;s, ainda, no ano de 1971, um 'Ante-Projeto' de Licen&ccedil;a em Lingu&iacute;stica (Processo FFLCH-USP no. 644/71, fls. 4), a n&iacute;vel de gradua&ccedil;&atilde;o, elaborado por Pais, que definiu, como principais objetivos a serem atingidos pelo curso: a) a forma&ccedil;&atilde;o de especialistas em pesquisa lingu&iacute;stica, aplicada &agrave; descri&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s; b) a forma&ccedil;&atilde;o de professores de Lingu&iacute;stica para o curso secund&aacute;rio; c) a forma&ccedil;&atilde;o (a t&iacute;tulo de inicia&ccedil;&atilde;o) de professores especializados para o Ensino Superior. (Altman 1998: 143-144) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os objetivos de Pais podem ser vislumbrados como uma base de susten&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria estrutura do manual que ele iria organizar sete anos ap&oacute;s sua proposi&ccedil;&atilde;o de uma "licen&ccedil;a em Lingu&iacute;stica". E as esferas de influ&ecirc;ncia do manual tamb&eacute;m reproduziriam as pr&oacute;prias esferas de influ&ecirc;ncia determinantes na configura&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Lingu&iacute;stica na Universidade de S&atilde;o Paulo, com a coordena&ccedil;&atilde;o centralizada na figura de Pais, que assumia, ent&atilde;o, as figuras das lideran&ccedil;as intelectual e organizacional (atuando at&eacute;, via organiza&ccedil;&atilde;o do manual, na divulga&ccedil;&atilde;o de um saber que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a sua figura autorizava como v&aacute;lido):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Pautado em um modelo de cientificidade proposto pelas universidades europeias, sobretudo francesas, segundo as proposi&ccedil;&otilde;es de Pais, seu idealizador, o curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo previa para os alunos atividades de pesquisa e frequ&ecirc;ncia a disciplinas na chamada &aacute;rea central e na &aacute;rea complementar. (Altman 1998: 141)</p>       <p>Pais era o respons&aacute;vel por v&aacute;rias disciplinas, pela coordena&ccedil;&atilde;o e aglutina&ccedil;&atilde;o de um grupo. &#91;...&#93; ainda nos anos setenta, come&ccedil;ou a desenvolver, acoplado ao programa da Lingu&iacute;stica, uma nova linha de pesquisa em Semiologia e Semi&oacute;tica que passaria, aos poucos, a se tornar dominante no Departamento. (Altman 1998: 143)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As considera&ccedil;&otilde;es de Altman acima nos auxiliam na configura&ccedil;&atilde;o de uma esfera de influ&ecirc;ncia europeia, concretizada no manual na escrita dos cap&iacute;tulos referentes ao estudo do som e da palavra. Pais, no seu tratamento fon&eacute;tico-fonol&oacute;gico, cita em sua bibliografia autores predominantemente europeus: nomes como Bondy, Grammont, Jakobson, Lyons, Llorach, Malmberg, Marcus, Martinet, Pottier, Revzin e Troubetzkoy colaboram para destacar a presen&ccedil;a de uma influ&ecirc;ncia que chegava principalmente por meio da l&iacute;ngua francesa. Ainda outros nomes como Dubois, Genouvrier, Peytard, Guilbert, Muller colaboram para solidificar a esfera de influ&ecirc;ncia no texto de Barbosa sobre aspectos lexicais. Nesse cap&iacute;tulo, ainda, uma influ&ecirc;ncia se faz mais not&aacute;vel: Pais &eacute; citado por Barbosa em tr&ecirc;s obras. Colegas no departamento de Lingu&iacute;stica da Universidade de S&atilde;o Paulo, reproduziram a parceria n&atilde;o s&oacute; na escrita do manual como tamb&eacute;m no compartilhamento de uma esfera de influ&ecirc;ncia notadamente europeia. De certa forma, as refer&ecirc;ncias cruzadas de Barbosa e Pais sinalizam um di&aacute;logo entre os dois pesquisadores, na dire&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o de um grupo de especialidade, o que de fato se deu, n&atilde;o em termos t&atilde;o extensivos, mas concretizada na Sociedade Brasileira de Lingu&iacute;stica (com dire&ccedil;&atilde;o e secretaria nas m&atilde;os de Pais, Barbosa e tamb&eacute;m Rector, em momentos variados) e na <i>Revista Brasileira de Lingu&iacute;stica</i>, com atua&ccedil;&atilde;o em destaque do mesmo grupo (cf. Altman 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exposi&ccedil;&atilde;o de uma teoria sint&aacute;tica gerativista, assegurando ao manual o car&aacute;ter de cientificidade associado ao programa na &eacute;poca, vincula-se &agrave; esfera de influ&ecirc;ncia norte-americana, por conta do recorte te&oacute;rico utilizado. O texto de Pontes, al&eacute;m da inevit&aacute;vel presen&ccedil;a de Chomsky, apresentava refer&ecirc;ncias a autores brasileiros (nos cap&iacute;tulos de Pais e Barbosa essa presen&ccedil;a se d&aacute; em nomes como Joaquim Mattoso Camara e Francisco da Silva Borba): Leila Barbara, M&aacute;rio Perini, Antonio Quicoli (estrangeiro com atua&ccedil;&atilde;o no Brasil). Nessa sele&ccedil;&atilde;o estavam os primeiros textos que contribu&iacute;ram para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de uma imagem de grupo para os pesquisadores da Gram&aacute;tica Gerativa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sele&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos bibliogr&aacute;ficos das &aacute;reas de psicolingu&iacute;stica, sociolingu&iacute;stica, lingu&iacute;stica aplicada, teoria da informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permite uma descri&ccedil;&atilde;o semelhante, uma vez que as esferas diluem-se na dire&ccedil;&atilde;o de textos de origens diversas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A dificuldade em apontar uma &uacute;nica esfera de influ&ecirc;ncia associa-se, sem d&uacute;vida, ao ideal de pluralidade do manual, como j&aacute; informava o texto de quarta capa:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A inten&ccedil;&atilde;o dos autores &eacute; apresentar um elenco v&aacute;lido de dire&ccedil;&otilde;es da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, que v&atilde;o dos aspectos estritamente lingu&iacute;sticos &agrave;s v&aacute;rias abordagens interdisciplinares e &agrave;s aplica&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia no campo das comunica&ccedil;&otilde;es. (Texto de quarta capa de Pais e Rector 1979) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De qualquer modo, mesmo diante da pluralidade, &eacute; poss&iacute;vel notar que a organiza&ccedil;&atilde;o e a escrita do manual conceberam como conhecimentos lingu&iacute;sticos v&aacute;lidos, institucionalizados na vis&atilde;o de seus autores, aqueles que pertenciam a uma lingu&iacute;stica do sistema em di&aacute;logo com &aacute;reas mais interdisciplinares, chegando ao processo comunicativo. Essa sele&ccedil;&atilde;o de assuntos, que acaba por configurar n&atilde;o s&oacute; o que se privilegiou, mas tamb&eacute;m o que se descartou, mais uma vez reproduz a vis&atilde;o de Pais sobre o momento lingu&iacute;stico que vivia. Em um material distribu&iacute;do no curso de Lingu&iacute;stica Hist&oacute;rica, ministrado por ele em 1997 na USP, Pais assim definia um dos ramos dos estudos lingu&iacute;sticos:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Concep&ccedil;&atilde;o estrutural-funcional: processos semi&oacute;ticos. L&iacute;ngua como institui&ccedil;&atilde;o social, cultural, hist&oacute;rica e atividade cognitiva. L&iacute;ngua X discurso como processo semi&oacute;tico verbal. Disciplinas: Lingu&iacute;stica Geral, Semi&oacute;tica, seus ramos - n&iacute;veis e campos e rela&ccedil;&otilde;es multidisciplinares. Metateoria: conjunto das ci&ecirc;ncias humanas e sociais. Abordagem: pancr&ocirc;nica, em sentido amplo. Concep&ccedil;&atilde;o s&iacute;gnica: significa&ccedil;&atilde;o como fun&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica. (Texto divulgado por Pais em material distribu&iacute;do em sala de aula no 2o. semestre de 1997. Arquivo pessoal do autor deste artigo.) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na descri&ccedil;&atilde;o dessa concep&ccedil;&atilde;o estrutural-funcional, pode ser inserida a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica subjacente ao manual que Pais organizou com Rector, possibilitando que a historiografia veja, anos depois, a sistematiza&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de uma forma de compreender a linguagem e seus fen&ocirc;menos. H&aacute; na a&ccedil;&atilde;o intelectual e tamb&eacute;m social do manual a presen&ccedil;a de um "col&eacute;gio invis&iacute;vel" de pensamento, que aglutinou informalmente pesquisadores em torno de uma mesma concep&ccedil;&atilde;o e que validou uma s&eacute;rie de conhecimentos, vistos como pertinentes para o ensino a partir do momento em que figuraram em um manual que se definiu como de introdu&ccedil;&atilde;o a um campo do conhecimento humano<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a>. Essa agremia&ccedil;&atilde;o informal, concretizada na reuni&atilde;o dos autores dos textos do manual, tem sua for&ccedil;a, no sentido de que promove a circula&ccedil;&atilde;o social de uma s&eacute;rie de conhecimentos que adquirem um valor na  faz do termo <i>invisible colleges</i>, referente a agremia&ccedil;&otilde;es (ou mesmo "col&eacute;gios", no sentido de reuni&atilde;o) que se reconhecem em uma troca de informa&ccedil;&otilde;es, mesmo que n&atilde;o oficialmente institucionalizada em grupo de aspecto mais formalizado (como se pode notar na configura&ccedil;&atilde;o das participa&ccedil;&otilde;es do manual de 2009). Ainda que os autores estejam reunidos em um manual e alguns deles de fato tenham uma atua&ccedil;&atilde;o conjunta em sociedades e publica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel associar os autores a uma imagem de fato de um grupo de especialidade, levando em conta principalmente a pluralidade te&oacute;rica que os circunda, pois eles n&atilde;o se limitam exatamente a um programa de investiga&ccedil;&atilde;o, aspecto que possibilita a aglutina&ccedil;&atilde;o de pesquisadores em um grupo reconhecidamente institucionalizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo isso em vista, &eacute; interessante observar a avalia&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica feita sobre a constitui&ccedil;&atilde;o do departamento de lingu&iacute;stica na Universidade de S&atilde;o Paulo. A mem&oacute;ria constru&iacute;da do processo institucional articula-se com a escrita do manual de Pais e Rector:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A cria&ccedil;&atilde;o do bacharelado de Lingu&iacute;stica em 1970, que passaria a funcionar a partir de 1972, favorece a difus&atilde;o das novas ideias e do avan&ccedil;o cient&iacute;fico. Tratava-se do primeiro e &uacute;nico curso do g&ecirc;nero no Brasil. O curr&iacute;culo, voltado para os diversos n&iacute;veis de articula&ccedil;&atilde;o e v&aacute;rias dimens&otilde;es lingu&iacute;sticas, esbo&ccedil;a as tend&ecirc;ncias vigentes. Tamb&eacute;m o curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &#91;...&#93; seria elemento catalisador das novas ideias e tend&ecirc;ncias. Assim, o bacharelado de Lingu&iacute;stica, constitu&iacute;do de cursos, inicialmente anuais, posteriormente semestrais, &#91;...&#93; cobre disciplinas como a Lingu&iacute;stica IndoEuropeia, a Lingu&iacute;stica Geral, a Lexicologia, a Sem&acirc;ntica e a Fon&eacute;tica. H&aacute; outras que se reportam &agrave; rela&ccedil;&atilde;o da Lingu&iacute;stica com outros campos do conhecimento, como a Sociolingu&iacute;stica e a Psicolingu&iacute;stica. A primeira se ocupa do estudo da varia&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica em todos os n&iacute;veis - dialetos e registros; enquanto a segunda se volta para os processos de aquisi&ccedil;&atilde;o/aprendizagem de l&iacute;ngua materna, bem como segunda l&iacute;ngua/l&iacute;ngua estrangeira. Por &uacute;ltimo cumpre destacar as dimens&otilde;es que se reportam ao estudo dos sistemas de significa&ccedil;&atilde;o verbais e n&atilde;o verbais - a Semi&oacute;tica. (Santos 1994: 482-483). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>3.2 O Manual de lingu&iacute;stica da d&eacute;cada de 2000</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Publicado no final da d&eacute;cada de 2000 (em 2009, trinta anos ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do manual de Pais e Rector), dedicado ao linguista Anthony Julius Naro (o que j&aacute; indica uma das esferas de influ&ecirc;ncia presentes no manual<a name="13b"></a><a href="#13a"><sup>13</sup></a>), o <i>Manual de Lingu&iacute;stica</i> foi organizado por M&aacute;rio Eduardo Martelotta<a name="14b"></a><a href="#14a"><sup>14</sup></a>, que congregou pesquisadores que, de fato, constituem um grupo de especialidade em torno de propostas, principalmente, funcionalistas ou que dialogam com os temas da linguagem em uso e do ensino de l&iacute;ngua. Os autores dos textos para o manual ou est&atilde;o vinculados ao "Grupo de Estudos Discurso e Gram&aacute;tica"<a name="15b"></a><a href="#15a"><sup>15</sup></a>, ou a uma forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, ou atua&ccedil;&atilde;o profissional na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (locais de atua&ccedil;&atilde;o de um grupo em torno das propostas norte-americanas de abordagem funcionalista da l&iacute;ngua), ou, ainda, s&atilde;o parceiros em publica&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter funcionalista<a name="16b"></a><a href="#16a"><sup>16</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A avalia&ccedil;&atilde;o que Maria Helena de Moura Neves faz dos estudos funcionalistas brasileiros permite observar que o grupo que se reuniu em torno da escrita do <i>Manual de lingu&iacute;stica</i> constitui de fato uma comunidade de pesquisadores em torno de um programa de investiga&ccedil;&atilde;o definido:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Ainda no Rio de Janeiro, outro grupo desenvolve pesquisas na linha do funcionalismo norte-americano. O projeto de estudos Discurso e Gram&aacute;tica, sediado na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense - UFF, &eacute; financiado pelo CNPq e pelas duas universidades. Est&aacute; conclu&iacute;do um trabalho sobre gramaticaliza&ccedil;&atilde;o e complementa&ccedil;&atilde;o verbal, em que se analisam os processos sem&acirc;ntico-sint&aacute;ticos de integra&ccedil;&atilde;o dos objetos diretos. Est&aacute; em desenvolvimento um estudo sobre gramaticaliza&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o no encaixamento de cl&aacute;usulas, que analisa os processos de integra&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntico-sint&aacute;tica das estruturas oracionais do portugu&ecirc;s, no qual est&atilde;o envolvidos tr&ecirc;s doutores (Sebasti&atilde;o Votre, M&aacute;rio Martelotta e Mari&acirc;ngela Rios), tr&ecirc;s doutorandos e cerca de dez bolsistas.</p>       <p>...............................................................................................................</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A orienta&ccedil;&atilde;o do projeto Discurso e Gram&aacute;tica foi levada a outro centro, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) por Maria Ang&eacute;lica Furtado da Cunha &#91;...&#93; (Neves 1999: 78-79)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses espa&ccedil;os demarcados de atua&ccedil;&atilde;o permitem, logo de entrada, circunscrever o manual no &acirc;mbito de uma produ&ccedil;&atilde;o relacionada &agrave; teoria funcionalista da linguagem (em suas diferentes vertentes), n&atilde;o sendo poss&iacute;vel, dessa forma, associar o livro de Martelotta a uma heterogeneidade, uma vez que mesmo que os assuntos sejam variados h&aacute; uma linha de pensamento subjacente que conecta os diferentes textos, abrindo de fato o caminho para a percep&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos da linguagem relacionados com o uso lingu&iacute;stico e com as fun&ccedil;&otilde;es que o processo comunicativo determina. Em certa medida, portanto, h&aacute; um cen&aacute;rio de fundo estabilizando, por assim dizer, as esferas de influ&ecirc;ncia<a name="17b"></a><a href="#17a"><sup>17</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O livro &eacute; dividido em tr&ecirc;s grandes se&ccedil;&otilde;es: "Lingu&iacute;stica e Linguagem", "Abordagens lingu&iacute;sticas", "Aquisi&ccedil;&atilde;o, processamento e ensino". Essa divis&atilde;o, se heterog&ecirc;nea num primeiro e r&aacute;pido olhar, revela na verdade di&aacute;logos, uma vez que se privilegiam, na maioria das se&ccedil;&otilde;es, temas que colocam em jogo a perspectiva da linguagem em funcionamento. A presen&ccedil;a de temas que se distanciam dessa concep&ccedil;&atilde;o (como os cap&iacute;tulos sobre o estruturalismo e o gerativismo) refor&ccedil;am o vi&eacute;s funcionalista do manual, no sentido de que o circunscreve numa perspectiva ampla que refor&ccedil;a o comprometimento do manual com um programa de investiga&ccedil;&atilde;o. E o pertencimento a um programa gramatical funcionalista &eacute; indicado em meio a uma ret&oacute;rica que n&atilde;o se exime de assegurar esfor&ccedil;os dos autores para o chamado de novos integrantes, nesse sentido s&atilde;o exemplares as palavras do organizador na apresenta&ccedil;&atilde;o:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>E mais: pretendemos cumprir essa tarefa &#91;introduzir leitores na lingu&iacute;stica&#93;, buscando estimular o estudante a fazer reflex&otilde;es sobre a natureza e o funcionamento da linguagem, atrav&eacute;s de uma abordagem instigante, convidando-o a se aprofundar em seus estudos no sentido de participar de projetos de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e, em seguida, partir para a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. (Martelotta 2008: 11). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre a "tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade", Martelotta na sua apresenta&ccedil;&atilde;o, tomando para si via discurso a figura de l&iacute;der organizacional na produ&ccedil;&atilde;o do manual, conduz o leitor por uma ret&oacute;rica conciliadora, estabelendo um elo entre uma tradi&ccedil;&atilde;o de escrita de manuais e a vis&atilde;o difundida por seu manual, que seria inovadora por incluir aspectos que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o eram vistos em livros de introdu&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o d&aacute; para deixar de notar que a rela&ccedil;&atilde;o proposta &eacute; na verdade uma conex&atilde;o materializada entre passado e futuro. Futuro nesse caso &eacute; a proposta de um grupo que se reconhece inovador:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Cientes das dificuldades - ou at&eacute; da impossibilidade, se pensarmos na imensa quantidade de informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel - que tal tarefa imp&otilde;e aos que tentam execut&aacute;-la, buscamos selecionar o conte&uacute;do transmitido a fim de harmonizar tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade. Em outras palavras, o livro tenta conciliar algumas informa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter tradicional, buscando dialogar com outros manuais j&aacute; publicados de conte&uacute;do semelhante, com reflex&otilde;es mais modernas, apontando tend&ecirc;ncias que atualmente est&atilde;o se delineando nas pesquisas acerca da lingaugem. (Martelotta 2008: 11). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A imagem do manual que tanto procura apoiar um caminho complexo na compreens&atilde;o do que &eacute; a linguagem humana e seus fen&ocirc;menos como estabelecer di&aacute;logo com outras &aacute;reas do conhecimento (como aparecia no manual da d&eacute;cada de 1970) &eacute; mais uma vez presente:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Este livro foi concebido para suprir as necessidades de alunos e professores nas salas de aula de lingu&iacute;stica e de l&iacute;ngua portuguesa em cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em letras e em outras &aacute;reas, como fonoaudiologia e comunica&ccedil;&atilde;o social.</p>       <p>Nesse sentido, resolvemos juntar esfor&ccedil;os para elaborar um manual que nos fornecesse meios mais eficazes de executar a dif&iacute;cil tarefa de introduzir informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas acerca de uma ci&ecirc;ncia que &eacute; inteiramente desconhecida para a imensa maioria dos estudantes brasileiros que ingressam em uma universidade, al&eacute;m de apresentar uma s&eacute;rie de discuss&otilde;es acerca da natureza da linguagem que ajudar&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o desses alunos no decorrer de sua gradua&ccedil;&atilde;o (Martelotta 2008: 11).</p> </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da divis&atilde;o tripartite do manual, os seguintes t&oacute;picos s&atilde;o apresentados em quinze cap&iacute;tulos (todos acompanhados de exerc&iacute;cios):</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) <i>Lingu&iacute;stica e Linguagem</i>:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>&#149; 	"Lingu&iacute;stica" (por Ang&eacute;lica Furtado da Cunha, Marcos Antonio Costa e M&aacute;rio Eduardo Martelotta): trata essencialmente da conceitua&ccedil;&atilde;o de lingu&iacute;stica como estudo cient&iacute;fico e suas rela&ccedil;&otilde;es com &aacute;reas como a semiologia e a gram&aacute;tica; uma se&ccedil;&atilde;o denominada "Aplica&ccedil;&otilde;es" parece cumprir o que se espera da ret&oacute;rica dos manuais, assegurar o espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o social mais ampla para uma &aacute;rea de pesquisa que se quer divulgar;</p>       <p>&#149; 	"Fun&ccedil;&otilde;es da linguagem" (por M&aacute;rio Eduardo Martelotta): tema tradicional e fundador dos estudos funcionalistas, &eacute; feita uma breve abordagem do processo comunicativo a partir das proposi&ccedil;&otilde;es de Jakobson;</p>       <p>&#149; 	"Dupla articula&ccedil;&atilde;o" (por M&aacute;rio Eduardo Martelotta): tratamento da dualidade da linguagem humana na vis&atilde;o tradicional, presente nos estudos lingu&iacute;sticos principalmente a partir de Martinet (outro nome que pode ser associado a uma concep&ccedil;&atilde;o fundadora da vis&atilde;o funcionalista);</p>       <p>&#149; 	"Conceitos de gram&aacute;tica" (por M&aacute;rio Eduardo Martelotta): delimita&ccedil;&atilde;o dos sentidos poss&iacute;vel para o termo <i>gram&aacute;tica</i>, ao lado de uma exposi&ccedil;&atilde;o de formas de tratamento da linguagem, ao falar da gram&aacute;tica tradicional, da gram&aacute;tica hist&oacute;rico-comparativa, da gram&aacute;tica estrutural, da gram&aacute;tica gerativa e, por fim, mas nem de longe menos importante, da gram&aacute;tica coginitivo-funcional;</p>       <p>&#149; 	"Arbitrariedade e iconicidade" (por Victoria Wilson e M&aacute;rio Eduardo Martelotta): apresenta&ccedil;&atilde;o com vi&eacute;s historiogr&aacute;fico demonstrando como a rela&ccedil;&atilde;o forma e sentido foi abordada na lingu&iacute;stica e na semi&oacute;tica, com destaque para uma revis&atilde;o do conceito de arbitr&aacute;rio de Saussure, chegando at&eacute; sua reformula&ccedil;&atilde;o pela teoria funcionalista;</p>       <p>&#149; 	"Motiva&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas" (por Victoria Wilson): abordagem te&oacute;rica dos fen&ocirc;menos da linguagem em uso. A apresenta&ccedil;&atilde;o da lingu&iacute;stica n&atilde;o se faz por meio da abordagem reconhecida como estruturalista na exposi&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de an&aacute;lise lingu&iacute;stica (de perspectiva imanente). Dos princ&iacute;pios de an&aacute;lise da ci&ecirc;ncia da linguagem, o destaque fica para a pragm&aacute;tica, &aacute;rea outrora desprestigiada por uma lingu&iacute;stica do sistema e que no manual de 2009 ocupa lugar privilegiado.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b) <i>Abordagens lingu&iacute;sticas</i>:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta se&ccedil;&atilde;o faz uma apresenta&ccedil;&atilde;o com vi&eacute;s tradicional comum em manuais de hist&oacute;ria da lingu&iacute;stica ou mesmo aqueles que fazem uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rea por meio da explica&ccedil;&atilde;o das diferentes escolas que trataram da linguagem e seus fen&ocirc;menos. S&atilde;o apresentados programas de investiga&ccedil;&atilde;o bastante conhecidos no Brasil:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>&#149; 	"Estruturalismo" (por Marcos Antonio Costa): trata do legado de Saussure, nas palavras do autor, e tamb&eacute;m da escola estruturalista norte-americana;</p>       <p>&#149; 	"Gerativismo" (por Eduardo Kennedy): exp&otilde;e fundamentalmente o que se entende por faculdade da linguagem e os princ&iacute;pios te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos de base chomskiana;</p>       <p>&#149; 	"Sociolingu&iacute;stica" (por Maria Maura Cezario e Sebasti&atilde;o Votre, orientador na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de Martelotta): apresenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e hist&oacute;rica da &aacute;rea, das rela&ccedil;&otilde;es entre sociedade e linguagem, da corrente variacionista e dos aspectos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos;</p>       <p>&#149; 	"Funcionalismo" (por Maria Ang&eacute;lica Furtado da Cunha): defini&ccedil;&atilde;o do programa e de suas vertentes eurpeia e norte-americana, exposi&ccedil;&atilde;o de t&oacute;picos como informatividade, iconicidade, gramaticaliza&ccedil;&atilde;o;</p>       <p>&#149; 	"Lingu&iacute;stica Cognitiva" (por M&aacute;rio Eduardo Martelotta e Roza Palomanes): breve discuss&atilde;o comparativa entre as correntes gerativista e cognitiva, apresenta&ccedil;&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o de conhecimento na perspectiva do programa cognitivista e tratamento de temas como princ&iacute;pio da proje&ccedil;&atilde;o e mesclagem;</p>       <p>&#149; 	"Lingu&iacute;stica textual" (por Mariangela Rios de Oliveira): consciente de que o cap&iacute;tulo n&atilde;o apresenta exatamente um abordagem lingu&iacute;stica mas um ramo que se caracteriza pelo seu objeto de investiga&ccedil;&atilde;o (como parece ser o ponto de vista adotado por muitos membros do programa funcionalista), o interesse da abordagem do texto encontra-se vinculado principalmente a uma s&eacute;rie de estudos que aproximam a an&aacute;lise textual de uma perspectiva funcionalista;</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">c) <i>Aquisi&ccedil;&atilde;o, processamento e ensino</i>:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa terceira parte cumpre uma das importantes diretrizes do grupo funcionalista: a colabora&ccedil;&atilde;o para o ensino de l&iacute;ngua nos n&iacute;veis b&aacute;sicos. De fato muitos daqueles linguistas que se reconhecem como funcionalistas possuem um n&uacute;mero significativo de trabalhos e livros sobre a problem&aacute;tica do ensino gramatical<a name="18b"></a><a href="#18a"><sup>18</sup></a>. Os primeiros textos da terceira parte s&atilde;o consagrados a temas que tradicionalmente podem ser reconhecidos como pertencentes &agrave; &aacute;rea da psicolingu&iacute;stica e da aquisi&ccedil;&atilde;o.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>&#149; 	"Aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem" (por Maria Maura Cezario e M&aacute;rio Eduardo Martelotta): explana&ccedil;&atilde;o das hip&oacute;teses que procuram explicar o processo de aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem pelas crian&ccedil;as;</p>       <p>&#149; 	"Psicolingu&iacute;stica experimental: focalizando o processamento da linguagem" (por M&aacute;rcio Martins Leit&atilde;o): breve hist&oacute;rico dos estudos e exposi&ccedil;&atilde;o do se que compreende como psicolingu&iacute;stica experimental, com apresenta&ccedil;&atilde;o de modelos e de estudo de caso;</p>       <p>&#149; 	"Lingu&iacute;stica e ensino" (por Mariangela Rios de Oliveira e Victoria Wilson): apresenta um tipo de texto j&aacute; tradicional nas proposi&ccedil;&otilde;es de rela&ccedil;&otilde;es entre o ensino b&aacute;sico e a ci&ecirc;ncia da linguagem, com a defini&ccedil;&atilde;o de diferentes concep&ccedil;&otilde;es de linguagem com uma avalia&ccedil;&atilde;o da contribui&ccedil;&atilde;o de cada uma para o ensino.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A observa&ccedil;&atilde;o dos prop&oacute;sitos do manual da d&eacute;cada de 2000 permite, mais uma vez, reconhecer a presen&ccedil;a do discurso t&iacute;pico que delineia formas de conhecimento que seus autores julgaram como v&aacute;lidas e institucionalizadas. No caso de um manual brasileiro, novamente se perpetua a nossa imagem de recep&ccedil;&atilde;o, ainda que emoldurada num discurso de novidade. O Brasil permanece aplicando a dados nossos propostas dos pa&iacute;ses que se reconhecem como esferas de influ&ecirc;ncia. No caso do manual organizado por Martelotta, essas esferas se situam principalmente nos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua inglesa (Estados Unidos e Inglaterra) propositores de teorias funcionalistas. E uma influ&ecirc;ncia notadamente norte-americana (com base nos estudos do funcionalista Giv&oacute;n) pode ser apontada para os pesquisadores que se re&uacute;nem em torno do grupo "Discurso e Gram&aacute;tica", segundo a avalia&ccedil;&atilde;o de Neves (1999: 78-79).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda se pode apontar a presen&ccedil;a do programa funcionalista quando se tem em mente as t&atilde;o discutidas e analisadas diretrizes educacionais para o ensino b&aacute;sico, os Par&acirc;metros Curriculares Nacionais, publicados no final da d&eacute;cada de 1990, que apontam nitidamente a colabora&ccedil;&atilde;o da perspectiva funcionalista para o ensino de l&iacute;ngua<a name="19b"></a><a href="#19a"><sup>19</sup></a>. Esse direcionamento permite apontar que o grupo est&aacute; institucionalizado no sentido de que, al&eacute;m de outros fatores, conseguiu interferir em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, o manual dialoga de forma expressiva com um momento dos estudos lingu&iacute;sticos nacionais, sendo fruto n&atilde;o s&oacute; de sua &eacute;poca como tamb&eacute;m dos esfor&ccedil;os claramente explicitados de um grupo de especialidade:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Os estudos funcionalistas no Brasil tiveram significativo incremento na &uacute;ltima d&eacute;cada, tanto assentados em modelos altamente sedimentados e desenvolvidos na Europa (Martinet, Coseriu, Halliday, Dik e seguidores) e nos Estados Unidos (Giv&oacute;n e Chafe), quanto inspirados em uma grande variedade de trabalhos norte-americanos &#91;...&#93; e em pesquisas de orienta&ccedil;&atilde;o cognitivista &#91;...&#93;</p>       <p>Em alguns casos associada a pressupostos sociolingu&iacute;sticos, especialmente a Teoria da Varia&ccedil;&atilde;o e Mudan&ccedil;a, a orienta&ccedil;&atilde;o funcionalista conduziu, nos &uacute;ltimos anos, um sem n&uacute;mero de pesquisas, muitas delas interligadas em propostas conjuntas, preparadas por grupos constitu&iacute;dos. (Neves 1999: 93)</p> </blockquote> </font>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS: <i>HOMON&Iacute;MIA </i>OU <i>POLISSEMIA</i> NA PRESEN&Ccedil;A HIST&Oacute;RICA DOS MANUAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A historiografia opera, na sua constru&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, uma s&eacute;rie de sele&ccedil;&otilde;es e define, dessa maneira, um caminho de observa&ccedil;&atilde;o que pode privilegiar continuidades ou descontinuidades no desenvolvimento dos estudos sobre a linguagem. Assim, a hist&oacute;ria a ser contada &eacute; vista a partir de recortes e pontos de vista determinados pelo histori&oacute;grafo (concretizando a m&aacute;xima que afirma n&atilde;o serem isomorfas a Hist&oacute;ria e a Historiografia). Retomam-se nesta conclus&atilde;o essas considera&ccedil;&otilde;es para come&ccedil;ar a colocar em exposi&ccedil;&atilde;o algumas tentativas de interpreta&ccedil;&atilde;o a respeito da presen&ccedil;a dos manuais analisados neste artigo na lingu&iacute;stica brasileira ap&oacute;s seus momentos efetivos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 1960. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o norteadora desta an&aacute;lise &eacute; se o t&iacute;tulo dos manuais (<i>Manual de lingu&iacute;stica</i>), pela sua identidade formal, leva a uma considera&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; semelhan&ccedil;as na forma como os autores entenderam o processo de ensino-aprendizagem, via material did&aacute;tico, em torno de uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica, ou se o t&iacute;tulo leva, por outro lado, &agrave; considera&ccedil;&atilde;o de que a semelhan&ccedil;a &eacute; apenas na forma empregada, uma vez que ele denota concep&ccedil;&otilde;es distintas do que se define como inicia&ccedil;&atilde;o aos estudos lingu&iacute;sticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Havendo semelhan&ccedil;as, h&aacute; <i>polissemia </i>(identidade na forma e di&aacute;logos no tratamento dos assuntos selecionados). Havendo rupturas, no sentido de que diverg&ecirc;ncias est&atilde;o em maior destaque, h&aacute; <i>homon&iacute;mia</i> (identidade na forma, distanciamento no sentido denotado, isto &eacute;, na apreens&atilde;o do que &eacute; apresentar lingu&iacute;stica). Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o pode ser vista de forma imediatista, e um tanto ing&ecirc;nua at&eacute;, pela historiografia, pois, como ressaltado, a interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; resultante de escolhas do histori&oacute;grafo, o que permite caracterizar a historiografia como uma s&eacute;rie de pontos de vista sobre seus objetos de an&aacute;lise, vis&otilde;es nem sempre em perspectiva homog&ecirc;nea. Dessa forma, a interpreta&ccedil;&atilde;o estabelecida n&atilde;o ser&aacute; dicot&ocirc;mica (<i>polissemia</i> OU <i>homon&iacute;mia</i>), pois coloca duas possibilidades de caracterizar o processo hist&oacute;rico aqui em an&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Uma interpreta&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; continuidade e &agrave; polissemia</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vis&atilde;o continu&iacute;sta destaca um primeiro di&aacute;logo entre os manuais na proposi&ccedil;&atilde;o comum de introduzir alunos de Letras e &aacute;reas afins nos estudos sobre a linguagem humana. Certamente que n&atilde;o &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil arriscar a hip&oacute;tese continu&iacute;sta se a aten&ccedil;&atilde;o recair sobre os modos de organiza&ccedil;&atilde;o e funcionamento do g&ecirc;nero manual, sua configura&ccedil;&atilde;o, seu espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o social em meio aos processos de ensino-aprendizagem e seus objetivos. Nessa perspectiva, h&aacute; de comum entre os livros de 1979 e 2009 a presen&ccedil;a da tentativa de valida&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos selecionados (sejam quais forem), a ret&oacute;rica que assegura (ou pretende assegurar) ao livro tanto o car&aacute;ter de inova&ccedil;&atilde;o como de tradi&ccedil;&atilde;o (atribuindo o capital simb&oacute;lico valorativo que delineia modos de presen&ccedil;a do manual entre usu&aacute;rios e leitores), a busca pela cientificidade (e nesse sentido uma forma de atrair novos estudantes e garantir legitimidade &agrave; &aacute;rea), a presen&ccedil;a de uma linguagem t&eacute;cnica (com uma metalinguagem que tamb&eacute;m pretende contribuir para a divulga&ccedil;&atilde;o positiva por meio do uso de um vocabul&aacute;rio especializado, que de fato constr&oacute;i a imagem cient&iacute;fica) expressa ao mesmo tempo por uma linguagem em busca do tom did&aacute;tico, claro e acess&iacute;vel, a presen&ccedil;a de listas de exerc&iacute;cios e sele&ccedil;&otilde;es de t&iacute;tulos para refer&ecirc;ncia e leituras complementares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao lado desses aspectos, uma outra faceta da continuidade n&atilde;o &eacute; t&atilde;o vis&iacute;vel e pode at&eacute; ser pol&ecirc;mica. Em certo sentido, os dois manuais colocam em di&aacute;logo no processo hist&oacute;rico dois programas de investiga&ccedil;&atilde;o que de fato se reconhecem como distintos - estruturalismo e funcionalismo. No entanto, &eacute; poss&iacute;vel que se avalie o funcionalismo como resultado de uma expans&atilde;o, muito mais do que ruptura total, de uma lingu&iacute;stica estrutural sist&ecirc;mica para a observa&ccedil;&atilde;o da estrutura em funcionamento, com, naturalmente, uma invers&atilde;o importante do ponto de observa&ccedil;&atilde;o privilegiado (no estruturalismo, o destaque para o sistema; no funcionalismo, o sistema condicionado ao uso). Assim, h&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o estrutural-funcional da linguagem que permite, em certa medida, aproximar os manuais, e, portanto, coloca-se uma interpreta&ccedil;&atilde;o <i>poliss&ecirc;mica</i> do processo hist&oacute;rico, em torno n&atilde;o de uma identidade absoluta, mas de uma expans&atilde;o a partir de uma base que no fundo pode apresentar alguns pontos em comum. Al&eacute;m disso &eacute; importante notar que &agrave; sua &eacute;poca o manual de 1979 observou a estrutura lingu&iacute;stica em funcionamento tamb&eacute;m, ao tratar de aspectos comunicativos da linguagem (sem que com isso se entenda um funcionalismo da linha de Giv&oacute;n, por exemplo, presente na obra de 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Uma interpreta&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; descontinuidade e &agrave; homon&iacute;mia</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a perspectiva continu&iacute;sta encontra seu apoio na observa&ccedil;&atilde;o da estrutura e fun&ccedil;&atilde;o dos manuais e num prov&aacute;vel di&aacute;logo entre programas de investiga&ccedil;&atilde;o, a imagem de descontinuidade apoia-se, principalmente, na observa&ccedil;&atilde;o que aponta a forma&ccedil;&atilde;o de distintos processos hist&oacute;rico-sociais que garantiram a atua&ccedil;&atilde;o de grupos na tarefa de constiui&ccedil;&atilde;o de saberes no objetivo de introduzir leitores &agrave; lingu&iacute;stica. Isso porque, no caso desta an&aacute;lise, a ruptura &eacute; percept&iacute;vel quando os manuais s&atilde;o vistos como produ&ccedil;&otilde;es de linguistas inseridos em diferentes contextos em busca de valida&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o de conjuntos espec&iacute;ficos e diversos, em sua maior parte, de conhecimentos sobre a linguagem humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, h&aacute; uma ruptura no intervalo de cerca de trinta anos (1979-2009), porque os programas que os dois grupos validaram (ainda que dentro de uma concep&ccedil;&atilde;o bastante ampla que se caracteriza como estrutural-funcional) apresentam alcances distintos e constru&iacute;ram, cada um a seu modo e &eacute;poca, espec&iacute;ficas imagens de modernidade na ci&ecirc;ncia da linguagem e sua divulga&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em paralelo com a Semi&oacute;tica e a Teoria da Informa&ccedil;&atilde;o/Comunica&ccedil;&atilde;o, o manual de 1979 via sobretudo o moderno associado, em rela&ccedil;&atilde;o ao programa estruturalista, a uma perspectiva imanente acerca da l&iacute;ngua e seus fen&ocirc;menos. J&aacute; em 2009 o destaque da modernidade se d&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva funcionalista, em conson&acirc;ncia com uma pol&iacute;tica educacional (da qual &eacute; causa e consequ&ecirc;ncia ao mesmo tempo, dependendo da perspectiva adotada) que de certa forma contribuiu para a valida&ccedil;&atilde;o das possibilidades do programa. Os autores do livro atuam de fato como membros de um grupo de especialidade que se reconhece e se afirma como funcionalista. Esse mesmo grupo, por meio do manual e da ret&oacute;rica de seu organizador na apresenta&ccedil;&atilde;o, percebeu-se como inovador ao levar sua perspectiva para os livros de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica, que no cen&aacute;rio brasileiro at&eacute; ent&atilde;o, pela observa&ccedil;&atilde;o geral das publica&ccedil;&otilde;es de manuais, concentravam-se na tradi&ccedil;&atilde;o estruturalista (europeia ou norte-americana) ou gerativista. Assim, a descontinuidade se faz presente em rela&ccedil;&atilde;o a uma s&eacute;rie de publica&ccedil;&otilde;es, na qual o manual de 1979 se insere, e a vis&otilde;es distintas de compreender fen&ocirc;menos da linguagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se na sele&ccedil;&atilde;o de assuntos que cada grupo e manual efetuou um distanciamento, j&aacute; que em trinta anos o conjunto de conhecimentos introdut&oacute;rios &agrave; lingu&iacute;stica alterou-se significativamente (pelo menos em rela&ccedil;&atilde;o ao que os manuais expuseram). Por exemplo, o manual de 2009 n&atilde;o traz cap&iacute;tulos dedicados a &aacute;reas tradicionais da perspectiva imanente (fonologia, morfologia, sintaxe) e coloca em seu lugar a pragm&aacute;tica, tratando brevemente desse n&uacute;cleo tradicional nos cap&iacute;tulos de fei&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica sobre abordagens lingu&iacute;sticas e tamb&eacute;m no cap&iacute;tulo sobre a dupla articula&ccedil;&atilde;o. O <i>locus</i> em que figuram &aacute;reas mais tradicionais &eacute; o do espa&ccedil;o hist&oacute;rico ("Abordagens lingu&iacute;sticas"), transmitindo, ainda que n&atilde;o explicitamente, a imagem de inova&ccedil;&atilde;o do manual do grupo funcionalista, em dire&ccedil;&atilde;o a novas formas de entender a linguagem humana. Essa configura&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o diversa j&aacute; permite perceber a descontinuidade, uma vez que h&aacute; um posicionamento diferente dos autores envolvidos a respeito do que seria um conjunto nuclear de t&oacute;picos da lingu&iacute;stica. Claro que &eacute; poss&iacute;vel apontar conex&otilde;es, como escolhas de temas s&oacute;cio e psicolingu&iacute;sticos, mas mesmo nesses campos de observa&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise os prop&oacute;sitos n&atilde;o s&atilde;o id&ecirc;nticos, uma vez que sua presen&ccedil;a no livro de 2009 j&aacute; sofre influ&ecirc;ncia de uma concep&ccedil;&atilde;o da linguagem ausente em termos de aplica&ccedil;&atilde;o em larga escala no manual de 1979: a que considera a linguagem em funcionamento nos processos de intera&ccedil;&atilde;o verbal, concebendo linguagem como intera&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o mais como c&oacute;digo exclusivamente (concep&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel de ser delineada na d&eacute;cada de 1970). Por outro lado, na d&eacute;cada de 2000, a Teoria da Informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o exercia a influ&ecirc;ncia percept&iacute;vel no manual de Pais e Rector.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E mais que tudo, h&aacute; na constru&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva de descontinuidade a vis&atilde;o em 2009 (sutilmente percebida nas entrelinhas da constru&ccedil;&atilde;o do manual organizado por Martelotta) de que a lingu&iacute;stica se encontra em um trajeto din&acirc;mico e hist&oacute;rico, garantindo, portanto, a pluralidade caracter&iacute;stica da ci&ecirc;ncia da linguagem. Nesse aspecto encontra-se de fato um grande distanciamento entre as propostas de escrita dos manuais, pois essa dimens&atilde;o hist&oacute;rica n&atilde;o se encontra no manual de 1979, que acaba transmitindo uma imagem acabada da ci&ecirc;ncia da linguagem, enquanto que no livro de 2009 a presen&ccedil;a de cap&iacute;tulos tratando de diferentes programas de investiga&ccedil;&atilde;o coloca o leitor, ainda que de forma n&atilde;o expl&iacute;cita, diante da apreens&atilde;o dos movimentos hist&oacute;ricos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, pode-se apontar que h&aacute; entre os manuais, escritos num intervalo de trinta anos, em virtude das distin&ccedil;&otilde;es e distanciamentos, um processo que real&ccedil;a o que se definiu no in&iacute;cio deste texto como <i>homon&iacute;mia</i>. Semelhan&ccedil;as mesmo, apenas no t&iacute;tulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Uma coloca&ccedil;&atilde;o final</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se observarmos a ret&oacute;rica adotada nos dois manuais, estaremos diante, pelo menos em uma primeira considera&ccedil;&atilde;o, de um processo de descontinuidade, uma vez que os organizadores dos livros insistiram em seu papel de originalidade diante do cen&aacute;rio de produ&ccedil;&atilde;o de manuais de lingu&iacute;stica em que cada &eacute;poca. No entanto, o olhar interpretativo da HL pode apontar que, em an&aacute;lise retrospectiva, n&atilde;o &eacute; apenas a ret&oacute;rica que nos possibilitar&aacute; avaliar pertencimento ou n&atilde;o a uma tradi&ccedil;&atilde;o de estudos, j&aacute; que a observa&ccedil;&atilde;o do material selecionado em perspectiva comparativa nos levar&aacute; &agrave; conclus&atilde;o de que estamos diante de duas ret&oacute;ricas de ruptura. H&aacute;, por&eacute;m, uma distin&ccedil;&atilde;o a fazer: a descri&ccedil;&atilde;o do material nos leva a captar determinada ret&oacute;rica adotada por um grupo em um est&aacute;gio espec&iacute;fico em que ele se encontra; mas a interpreta&ccedil;&atilde;o do processo hist&oacute;rico e sua evolu&ccedil;&atilde;o, fun&ccedil;&atilde;o da HL, poder&aacute; validar ou n&atilde;o essa ret&oacute;rica apontada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo esse aspecto em vista, ao analisar apenas ret&oacute;ricas ter&iacute;amos de admitir que os dois manuais seriam da esfera do distanciamento e da ruptura (homon&iacute;mia, portanto), uma vez que, como se apontou, apresentam ret&oacute;ricas de ruptura. O recuo do histori&oacute;grafo, no entanto, ao colocar os manuais em perspectiva hist&oacute;rica, possibilita anular ou reafirmar a for&ccedil;a e validade da ret&oacute;rica de ruptura adotada, uma vez que &eacute; capaz de analisar se h&aacute; <i>de fato</i> entre as dimens&otilde;es hist&oacute;ricas continuidade ou n&atilde;o. Diante dessa fragilidade em observar somente o que foi defendido por pesquisadores em momentos espec&iacute;ficos da hist&oacute;ria, optou-se por observar a ret&oacute;rica em conjunto com uma s&eacute;rie de outros fatores, tendo em vista captar analiticamente o desenvolvimento de formas de conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retomando, ent&atilde;o, nossa proposta de an&aacute;lise, caminhando para a conclus&atilde;o, temos de retomar o cl&aacute;ssico de 1968 de John Lyons, <i>Introduction to Theoretical Linguistics</i>, pois nesse livro ele alertava que uma distin&ccedil;&atilde;o entre homon&iacute;mia e polissemia era arbitr&aacute;ria e n&atilde;o apresentava uma base segura que a determinasse, sendo, portanto, muito mais resultado de um <i>posicionamento assumido pelo linguista</i> ao analisar fen&ocirc;menos lexicais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo o posicionamento de Lyons se encerra este texto, sem uma resposta definitiva para a quest&atilde;o colocada no t&iacute;tulo do artigo, mas apontando que nos processos hist&oacute;ricos que possibilitaram a forma&ccedil;&atilde;o de grupos e a publica&ccedil;&atilde;o de manuais nas d&eacute;cadas de 1970 e 2000 haver&aacute; homon&iacute;mia <i>ou</i> polissemia, dependendo da <i>perspectiva que adotar o histori&oacute;grafo da lingu&iacute;stica</i> ao observar movimentos din&acirc;micos da hist&oacute;ria, concretizada, no presente caso, na forma&ccedil;&atilde;o de comunidades em torno de ideias lingu&iacute;sticas, de processos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o do saber e de ret&oacute;ricas que podem conferir capital simb&oacute;lico de valor em cada &eacute;poca.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALTMAN, Cristina. 1998. <i>A pesquisa lingu&iacute;stica no Brasil (1968-1988)</i>. S&atilde;o Paulo: Humanitas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0102-4450201200010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BATISTA, Ronaldo de Oliveira. 2010. Em busca de uma hist&oacute;ria a ser contada: a recep&ccedil;&atilde;o brasileira &agrave; Gram&aacute;tica Gerativa. <i>Revista da Anpoll</i>, n. 29, v. 1, p. 260-291.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0102-4450201200010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> BOURDIEU, Pierre. 2004. <i>Os usos sociais da ci&ecirc;ncia</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. da Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0102-4450201200010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BUNGE, Mario. 1980. <i>Ci&ecirc;ncia e desenvolvimento</i>. &#91;Trad. de Claudia Regis Junqueira do orig. espanhol.&#93; Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Ed. da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0102-4450201200010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COSERIU, Eugenio. 1976. Perspectivas gerais. In: Naro, Anthony (org.) <i>Tend&ecirc;ncias atuais da lingu&iacute;stica e da filologia no Brasil</i>. Rio de Janeiro: Francisco Alves. p. 11-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0102-4450201200010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CUNHA, Maria Ang&eacute;lica Furtado da; Mariangela Rios de OLIVEIRA, M&aacute;rio Eduardo MARTELOTTA (orgs.). 2003. <i>Lingu&iacute;stica funcional: teoria e pr&aacute;tica</i>. Rio de Janeiro: Faperj: DP&amp;A Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0102-4450201200010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DUTRA, Luiz Henrique de Ara&uacute;jo. 2008. <i>Pragm&aacute;tica da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>. S&atilde;o Paulo: Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0102-4450201200010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KOERNER, Konrad. 1989. <i>Practicing Linguistic Historiography. </i>Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0102-4450201200010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LYONS, John. 1979. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica te&oacute;rica</i>. &#91;Trad. de Rosa Virg&iacute;nia Mattos e Silva e H&eacute;lio Pimentel do orig. ingl&ecirc;s de 1968.&#93; S&atilde;o Paulo: Nacional: Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0102-4450201200010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARCUSCHI, Luiz Ant&ocirc;nio. 2008. <i>Produ&ccedil;&atilde;o textual, an&aacute;lise de g&ecirc;neros e compreens&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0102-4450201200010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARTELOTTA, M&aacute;rio Eduardo (org.). 2009. <i>Manual de lingu&iacute;stica</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0102-4450201200010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MURRAY, Stephen. 1994. <i>Theory Groups and the Study of Language in North America: a Social History</i>. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0102-4450201200010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NARO, Anthony Julius. 2003. Pref&aacute;cio. In: Cunha, Maria Ang&eacute;lica Furtado da; Mariangela Rios de Oliveira, M&aacute;rio Eduardo Martelotta (orgs.). <i>Lingu&iacute;stica funcional: teoria e pr&aacute;tica</i>. Rio de Janeiro: Faperj: DP&amp;A Editora. p. 9-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0102-4450201200010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NEVES, Maria Helena de Moura. 1999. Estudos funcionalistas no Brasil. <i>DELTA</i>, v. 15, n. especial, p. 70-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0102-4450201200010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ORLANDI, Eni. 2006. <i>A linguagem e seu funcionamento</i>: as formas do discurso. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0102-4450201200010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIS, Cidmar Teodoro e Monica RECTOR (org.). 1979. <i>Manual de lingu&iacute;stica</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0102-4450201200010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANTOS, Irenilde Pereira dos. 1994. Lingu&iacute;stica. <i>Estudos avan&ccedil;ados</i>, v. 8, n. 22, setembro/dezembro, p. 481-486.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0102-4450201200010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SWIGGERS, Pierre. 1981. The History Writing of Linguistics: a Methodological Note. <i>General Linguistic </i>n. 21, v. 1, p. 11-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0102-4450201200010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZIMAN, John. 1979. <i>Conhecimento p&uacute;blico</i>. &#91;Trad. de Regina Regis Junqueira do orig. ingl&ecirc;s de 1968.&#93; Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: Ed. da USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0102-4450201200010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Recebido em novembro de 2011    <br>   Aprovado em dezembro de 2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a>. Essas datas, nos livros, s&atilde;o acompanhadas das datas do <i>copyright, </i>1978 e 2008, respectivamente.    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a>.   "Hist&oacute;ria e historiografia da Lingu&iacute;stica t&ecirc;m, pois, estatutos e dimens&otilde;es diferentes. Principalmente n&atilde;o s&atilde;o co-extensivas. Suas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o compar&aacute;veis &agrave;quelas existentes entre uma gram&aacute;tica descritiva e a l&iacute;ngua que ela descreve &#91;...&#93;. Assim como a gram&aacute;tica n&atilde;o esgota (e nem pretende esgotar) a l&iacute;ngua sob descri&ccedil;&atilde;o em toda sua complexidade, o trabalho historiogr&aacute;fico tamb&eacute;m efetua um recorte." (Altman 1998: 25)    <br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a>.  "O termo <i>ret&oacute;rica</i> pode parecer fora de lugar aqui, pois sugere vagamente uma tentativa de se refor&ccedil;ar um argumento apelando-se para as emo&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o para o intelecto. Mas n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que essa &eacute; a &uacute;nica palavra que podemos usar, j&aacute; que banimos o termo 'positivismo' e questionamos o absolutismo da prova 'cient&iacute;fica'. Nela est&aacute; impl&iacute;cita uma dose adequada de ceticismo e de d&uacute;vida com rela&ccedil;&atilde;o a qualquer descoberta cient&iacute;fica reivindicada, sem que no entanto haja a sugest&atilde;o de que a quest&atilde;o toda deva ser encarada como uma fraude." (Ziman 1979: 47)    <br>   <a name="4a"></a><a href="#4b">4</a>.  "<i>A program is a complex cognitive system which makes possible some particular operations and results, while excluding other possibilities. One program can subsume several theories which, despite technical and terminological differences, have the same concept of how the object of the discipline must be investigated. Both object and method are defined intra-theoretically; but the unity of a program resides in the similar conception of how a certain method must 'deal with' the object of a particular discipline</i>." (Swiggers 1981: 12)    <br>   <a name="5a"></a><a href="#5b">5</a>.  "Os campos s&atilde;o o lugar de duas formas de poder que correspondem a duas esp&eacute;cies de capital cient&iacute;fico: de um lado, um poder que se pode chamar temporal (ou pol&iacute;tico), poder institucional e institucionalizado que est&aacute; ligado &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es importantes nas institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, dire&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios ou departamentos, pertencimento a comiss&otilde;es, comit&ecirc;s de avalia&ccedil;&atilde;o etc., e ao poder sobre os meios de produ&ccedil;&atilde;o (contratos, cr&eacute;ditos, postos etc.) e de reprodu&ccedil;&atilde;o (poder de nomear e de fazer as carreiras) que ela assegura. De outro, um poder espec&iacute;fico, 'prest&iacute;gio' pessoal que &eacute; mais ou menos independente do precedente, segundo os campos e as institui&ccedil;&otilde;es, e que repousa quase exclusivamente sobre o reconhecimento, pouco ou mal objetivado e institucionalizado, do conjunto de pares ou de fra&ccedil;&atilde;o mais consagrada dentre eles." (Bourdieu 2004: 35)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="6a"></a><a href="#6b">6</a>.  Dentre as categorias de an&aacute;lise da Historiografia da Lingu&iacute;stica est&aacute; a que prop&otilde;e uma observa&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de di&aacute;logo estabelecidos no processo hist&oacute;rico, tendo em vista caracter&iacute;sticas da pr&oacute;pria natureza social e cultural de cada &eacute;poca, promovendo transforma&ccedil;&otilde;es em pontos a partir dos quais se podem detectar influ&ecirc;ncias, mais diretas ou mais indiretas.    <br>   <a name="7a"></a><a href="#7b">7</a>.  Koerner (1989) discute criticamente a utiliza&ccedil;&atilde;o do argumento da influ&ecirc;ncia nas an&aacute;lises. Entre outras considera&ccedil;&otilde;es, o autor coloca como pontos relevantes para observa&ccedil;&atilde;o: a forma&ccedil;&atilde;o intelectual de um autor, considerando influ&ecirc;ncias recebidas na forma&ccedil;&atilde;o; e a presen&ccedil;a de rela&ccedil;&otilde;es intertextuais nos materiais em an&aacute;lise, observando cita&ccedil;&otilde;es feitas das mais variadas formas. Ainda que a quest&atilde;o seja objeto de discuss&otilde;es, considera-se aqui o clima de opini&atilde;o de uma &eacute;poca como um dos elementos poss&iacute;veis para delimitar influ&ecirc;ncias.    <br>   <a name="8a"></a><a href="#8b">8</a>.  "... formulam-se, atrav&eacute;s de metalinguagem da &eacute;poca, problemas cl&aacute;ssicos, de maneiras diferentes, sem que se tenha consci&ecirc;ncia disso, uma vez que n&atilde;o se trata de uma reflex&atilde;o sobre fatos nem da hist&oacute;ria das diferentes formula&ccedil;&otilde;es dos mesmos problemas colocados pelos fatos. Desconhece-se a hist&oacute;ria dos conceitos, ou melhor, que os conceitos t&ecirc;m uma hist&oacute;ria." (Orlandi 2006: 20-21)    <br>   <a name="9a"></a><a href="#8b">9</a>.  Cidmar Teodoro Pais graduou-se em Letras pela Universidade de S&atilde;o Paulo e pela Universit&eacute; Lumi&egrave;re Lyon 2.  Doutorado pela Universit&eacute; de Paris IV, pela Universit&eacute; de Montpellier e pela Universidade de S&atilde;o Paulo, p&oacute;s-doutorado pela &Eacute;cole des Hautes &Eacute;tudes en Sciences Sociales e pela Universit&eacute; de Paris IV. Foi um dos principais respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o do departamento de lingu&iacute;stica na Universidade de S&atilde;o Paulo, onde atuou em lingu&iacute;stica descritiva e semi&oacute;tica. Monica Rector &eacute; professora aposentada da Universidade Federal Fluminense e da Federal do Rio de Janeiro. Atualmente leciona Estudos Luso-brasileiros na University of North Carolina, em Chapel Hill, EUA. Tem publicado nas &aacute;reas de Lingu&iacute;stica, Semi&oacute;tica, Comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal e Literatura Portuguesa. Doutorou-se no Brasil na d&eacute;cada de 1970 e suas principais &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o foram a sem&acirc;ntica, a semi&oacute;tica e a teoria da comunica&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="10a"></a><a href="#10b">10</a>.  "A prolifera&ccedil;&atilde;o de artigos de tipo program&aacute;tico na d&eacute;cada de setenta indica o alto grau de diversifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e metodol&oacute;gica buscado entre os linguistas brasileiros do per&iacute;odo. Tal caracter&iacute;stica, definida muitas vezes como o 'ecletismo' da Lingu&iacute;stica Brasileira, se confirma pelas frequentes cita&ccedil;&otilde;es de linguistas estrangeiros num mesmo artigo, pela redu&ccedil;&atilde;o das teorias adotadas a seus aparatos descritivos, ou &agrave;s suas nomenclaturas e, principalmente, pela produ&ccedil;&atilde;o de resultados parciais, fragmentados, que n&atilde;o suscitaram continuidade em termos de pesquisa." (Altman 1998: 280)    <br>   <a name="11a"></a><a href="#11b">11</a>.   "... a lingu&iacute;stica latino-americana caracteriza-se pela sua <i>receptividade</i> &#91;...&#93;: tende a absorver informa&ccedil;&atilde;o e a adotar e aplicar m&eacute;todos que j&aacute; foram experimentados em outros lugares, mas com finalidades apenas locais e imediatas, sem a inten&ccedil;&atilde;o de participar do di&aacute;logo internacional da lingu&iacute;stica. &#91;...&#93; a lingu&iacute;stica latino-americana &eacute; uma lingu&iacute;stica que em geral n&atilde;o luta pela originalidade e que n&atilde;o tem ambi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas ou metodol&oacute;gicas. Seu lema &eacute; absorver e aplicar, e n&atilde;o criar e renovar." (Coseriu 1976: 29)    <br>   "Salvo em alguns pontos, nosso pa&iacute;ses &#91;latino-americanos&#93; continuaram sendo col&ocirc;nias culturais, apesar de terem progredido &agrave; medida que passaram a depender de na&ccedil;&otilde;es criadoras de cultura moderna. Inclusive hoje, quase um s&eacute;culo depois dos primeiros passos da Ci&ecirc;ncia e da T&eacute;cnica, a maioria das ex-col&ocirc;nias continua importando quase todos os seus temas de pesquisa e, &agrave;s vezes, limita-se a colher informa&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; elaborada na metr&oacute;pole." (Bunge 1980: 61)    <br>   "Mattoso n&atilde;o prop&ocirc;s, nos <i>Princ&iacute;pios</i>, uma teoria pr&oacute;pria, ao contr&aacute;rio, inaugurou uma pr&aacute;tica que traria importantes consequ&ecirc;ncias para as gera&ccedil;&otilde;es que o sucederam, que consistia em derivar ideias lingu&iacute;stias da Europa e dos Estados Unidos e aplic&aacute;-las na descri&ccedil;&atilde;o do Portugu&ecirc;s. A imagem da 'receptividade' da Lingu&iacute;stica brasileira foi, antes de mais nada, uma pr&aacute;tica." (Altman 1998: 102)    <br>   <a name="12a"></a><a href="#12b">12</a>. <i>"The formulation 'invisible colleges' was hardly new. It has been used at least as early as the 17th century to refer to those scientists who recognize each other as competent to judge good work in science. Such scientists are not invisible to each other. Their collegiality is 'invisible' in the sense that the participants are not gathered in a single formal organization at a specific places and that important parts of their communicatios are informal assessments, not formal publications." </i>(Murray 1994: 10)troca entre os pesquisadores e entre professores e alunos. Retoma-se o uso que Murray (1994: 10)    <br>   <a name="13a"></a><a href="#13b">13</a>.  "Pesquisador de grande experi&ecirc;ncia no grupo &#91;de funcionalistas do Rio de Janeiro&#93; &eacute; Anthony Julius Naro, que tem apresentado em congressos trabalhos sobre o modelo funcionalista e sobre a natureza funcional da varia&ccedil;&atilde;o. Na linha funcionalista de Giv&oacute;n, Naro publicou v&aacute;rios trabalhos em colabora&ccedil;&atilde;o com Sebasti&atilde;o Votre." (Neves 1999: 78)Votre foi orientador de Martelotta, o que j&aacute; nos permite, inicialmente, perceber a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de comunica&ccedil;&atilde;o bastante intensa entre pesquisadores em torno de um mesmo programa de investiga&ccedil;&atilde;o.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="14a"></a><a href="#14b">14</a>.  Doutorado (1994) em Lingu&iacute;stica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde atuou como professor de lingu&iacute;stica. Membro e coordenador do Grupo de Estudos Discurso e Gram&aacute;tica, bolsista de produtividade do CNPq, participou do Projeto para a Hist&oacute;ria do Portugu&ecirc;s Brasileiro. Entre os principais temas com os quais trabalhou alguns colocam em destaque a perspectiva funcionalista no tratamento da linguagem: funcionalismo, mudan&ccedil;a lingu&iacute;stica, gramaticaliza&ccedil;&atilde;o. Martelotta faleceu precocemente em 2011, aos 53 anos, em consequ&ecirc;ncia de complica&ccedil;&otilde;es no seu estado de s&aacute;ude por conta de um linfoma.    <br>   <a name="15a"></a><a href="#15b">15</a>.  O grupo descreve da seguinte forma seus objetivos de trabalho (relacionados &agrave; perspectiva funcionalista): "O <b>Grupo Discurso &amp; Gram&aacute;tica</b> (D&amp;G) trabalha com pesquisa na &aacute;rea de ling&uuml;&iacute;stica funcional , com especial aten&ccedil;&atilde;o para os processos de mudan&ccedil;a ling&uuml;&iacute;stica e gramaticaliza&ccedil;&atilde;o. Seus <b>pesquisadores</b> v&ecirc;m publicando, desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, <b>livros e artigos</b> nesta &aacute;rea , buscando, n&atilde;o apenas divulgar os fundamentos te&oacute;ricos funcionalistas, mas tamb&eacute;m apresentar novas propostas de an&aacute;lise acerca do portugu&ecirc;s brasileiro e de l&iacute;nguas antigas como o grego e o latim. &#91;...&#93; O Grupo D&amp;G distribui-se em tr&ecirc;s sedes: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Federal Fluminense (UFF). Nessas sedes professores graduados de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mestrando e doutorandos atuam em pesquisas voltadas para an&aacute;lise interpretativa de procedimentos discursivos e gramaticais do portugu&ecirc;s em uso." (Texto dispon&iacute;vel no site do grupo)    <br>   <a name="16a"></a><a href="#16b">16</a>.  "Ao final da d&eacute;cada de 1970 surgiu no Rio de Janeiro uma nova corrente de pesquisa lingu&iacute;stica orientada sobretudo para o estudo do uso da l&iacute;ngua em situa&ccedil;&otilde;es diversas no mundo real. No in&iacute;cio, as pesquisas concentravam-se principalmente na &aacute;rea de sociolingu&iacute;stica e varia&ccedil;&atilde;o, com um certo direcionamento para quest&otilde;es relacionadas aos reflexos da diacronia na sincronia. &#91;...&#93; J&aacute; na d&eacute;cada seguinte, o espectro de estudo ampliou-se com a inclus&atilde;o da orienta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica funcionalista norte-americana e, mais tarde, com um interesse especial para o fen&ocirc;meno da gramaticaliza&ccedil;&atilde;o." (Naro 2003: 9)    <br>   <a name="17a"></a><a href="#17b">17</a>.  O grupo de especialidade funcionalista, com inspira&ccedil;&atilde;o principal nos estudos norte-americanos, privilegia os seguintes pontos: linguagem como atividade sociocultural; estrutura (male&aacute;vel) est&aacute; subordinada a fun&ccedil;&otilde;es comunicativas e cognitivas, sendo portanto n&atilde;o arbitr&aacute;ria; mudan&ccedil;a e varia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o constantes; o sentido &eacute; dependente do contexto; categorias n&atilde;o podem ser definidas discretamente, mas em fun&ccedil;&atilde;o do contexto de emprego e fun&ccedil;&atilde;o; gram&aacute;ticas s&atilde;o emergentes; as regras gramaticais permitem exce&ccedil;&otilde;es (como informam Cunha, Oliveira, Martelotta (orgs.) 2003).    <br>   <a name="18a"></a><a href="#18b">18</a>.  Al&eacute;m dos trabalhos de Moura Neves (como <i>Que gram&aacute;tica estudar na escola? </i>e <i>Ensino de l&iacute;ngua e viv&ecirc;ncia de linguagem</i>, publicados na d&eacute;cada de 2000 pela Editora Contexto), autores do manual e seu organizador (Maria Ang&eacute;lica Furtado da Cunha, Mariangela Rios de Oliveira e M&aacute;rio Eduardo Martelotta) tamb&eacute;m publicaram <i>Lingu&iacute;stica Funcional: teoria e pr&aacute;tica</i> pela Editora Dp&amp;A, com apoio da Faperj, em 2003. Esse livro apresenta cap&iacute;tulos que tratam da colabora&ccedil;&atilde;o do Funcionalismo para o ensino de l&iacute;ngua.    <br>   <a name="19a"></a><a href="#19b">19</a>.  "Comparadas genericamente as propostas da antiga LDB (5.692/71) com as da atual, em termos de ensino de l&iacute;ngua materna no Brasil, o que se destaca na nova orienta&ccedil;&atilde;o governamental s&atilde;o duas vertentes, em torno das quais deve fundamentar-se e inspirar-se a atividade docente nessa &aacute;rea: a transdisciplinaridade e o car&aacute;ter social do uso lingu&iacute;stico." (Cunha, Oliveira, Martelotta (orgs.) 2003: 91) "O trabalho anal&iacute;tico e reflexivo sobre a l&iacute;ngua &#91;tal como indicado nos Par&acirc;metros Curriculares Nacionais da d&eacute;cada de 1990&#93; tem como ponto b&aacute;sico e inicial a observa&ccedil;&atilde;o das estruturas mais regulares verificadas no desempenho discursivo. Ora, o que se est&aacute; propondo &eacute;, na verdade, a investiga&ccedil;&atilde;o dos usos lingu&iacute;sticos como um cont&iacute;nuo; &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o male&aacute;vel e relativamente inst&aacute;vel da gram&aacute;tica, tal como o faz a abordagem funcionalista aqui apresentada." (Cunha, Oliveira, Martelotta (orgs.) 2003: 92)</font></p>      ]]></body><back>
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