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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A interiorização da assistência à infância durante a primeira república: de São Paulo a Ribeirão Preto]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The internalization, in analysis in this text refers to a region and its exponent city, Ribeirão Preto, from late nineteenth to early twentieth century, which was reformed/altered due to coffee farming, the arrival of the railroad, paid labor, immigration and the resultant increase of population, leading to it becoming urbanized. Due to these processes, the city experienced many social problems, including the abandonment of children. To respond to the abandonment of children, as well as providing medical care, and hygiene, to children and to deal with juvenile delinquency, the institutional models adopted by the city, imitated or incorporated elements of existing care practices utilized at the beginning of the First Republic, especially those established in the state capital, São Paulo. Thus, the purpose of this paper is to demonstrate that the Asilo Anália Franco, the Institute for Protection and Assistance of Children, and the Patronage of "Diogo Feijó" are examples of this process of child care in Ribeirão Preto.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="tx"></a>A interioriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia durante a primeira rep&uacute;blica: de S&atilde;o Paulo a Ribeir&atilde;o Preto</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>The internalization of childhood welfare along the first republic in Brazil: from S&atilde;o Paulo to Ribeir&atilde;o Preto</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>S&eacute;rgio C. Fonseca</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Doutor em Educa&ccedil;&atilde;o Escolar pela Univeridade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (UNESP) e Professor Doutor no Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o, Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto (FFCLRP) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). E&#45;mail: <a href="mailto:sergiofonseca@ffclrp.usp.br">sergiofonseca@ffclrp.usp.br</a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Contato</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A interioriza&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise neste texto refere&#45;se a uma regi&atilde;o e sua cidade expoente, Ribeir&atilde;o Preto, que, entre o final do s&eacute;culo XIX e o in&iacute;cio do XX, se recriou devido &agrave; cafeicultura, &agrave; ferrovia, ao trabalho assalariado, &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o e ao aumento demogr&aacute;fico, motivador de sua urbaniza&ccedil;&atilde;o. Devido a esses processos, a cidade experimentou diversos problemas sociais, entre os quais o abandono de crian&ccedil;as. Para resolver o abandono de crian&ccedil;as, assim como prover os cuidados m&eacute;dicos e higi&ecirc;nicos com a inf&acirc;ncia e lidar com a delinqu&ecirc;ncia infanto&#45;juvenil, os modelos institucionais adotados na cidade imitaram ou incorporam elementos das pr&aacute;ticas assistenciais vigentes no in&iacute;cio da Primeira Rep&uacute;blica, sobretudo daquelas estabelecidas na capital paulista. Assim, o prop&oacute;sito deste artigo &eacute; demonstrar que o Asilo An&aacute;lia Franco, o Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia e o Patronato "Diogo Feij&oacute;" s&atilde;o exemplos do processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia em Ribeir&atilde;o Preto. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras&#45;chave:</b> Interioriza&ccedil;&atilde;o. Assist&ecirc;ncia. Primeira Rep&uacute;blica. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> The internalization, in analysis in this text refers to a region and its exponent city, Ribeir&atilde;o Preto, from late nineteenth to early twentieth century, which was reformed/altered due to coffee farming, the arrival of the railroad, paid labor, immigration and the resultant increase of population, leading to it becoming urbanized. Due to these processes, the city experienced many social problems, including the abandonment of children. To respond to the abandonment of children, as well as providing medical care, and hygiene, to children and to deal with juvenile delinquency, the institutional models adopted by the city, imitated or incorporated elements of existing care practices utilized at the beginning of the First Republic, especially those established in the state capital, S&atilde;o Paulo. Thus, the purpose of this paper is to demonstrate that the Asilo An&aacute;lia Franco, the Institute for Protection and Assistance of Children, and the Patronage of "Diogo Feij&oacute;" are examples of this process of child care in Ribeir&atilde;o Preto. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords:</b> Internalization. Welfare. First Republic. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>A assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave; inf&acirc;ncia e a complementaridade das organiza&ccedil;&otilde;es privadas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No dia 14 de maio de 1922, na inaugura&ccedil;&atilde;o do novo pr&eacute;dio do "Asylo de Orphans An&aacute;lia Franco de Ribeir&atilde;o Preto", a Sra. Anita dos Santos, diretora do asilo, avisava que, a partir de ent&atilde;o, a cidade podia contar "em seu seio, al&eacute;m das muitas institui&ccedil;&otilde;es de ensino, tamb&eacute;m um Asylo para amparar, educar e instruir crean&ccedil;as orphans e pobres" (ASYLO, 1922a, p. 6). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde 1917, ano de sua funda&ccedil;&atilde;o, o "Asilo de Orphans An&aacute;lia Franco" atuava na cidade, recebendo e cuidando de meninas pobres e &oacute;rf&atilde;s. Datam de 1922 o t&eacute;rmino da obra e a inaugura&ccedil;&atilde;o da nova sede, ocasi&atilde;o do discurso da diretora, registrado no livro de atas do asilo, aberto nesse momento. At&eacute; ent&atilde;o, essa era a &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o na cidade com as caracter&iacute;sticas delineadas na &eacute;poca para um orfanato: recebia crian&ccedil;as pequenas, abandonadas ou deixadas pelos pais, na totalidade, pobres; cuidava de sua cria&ccedil;&atilde;o e oferecia alguma instru&ccedil;&atilde;o escolar e para o trabalho. Quanto aos meios empregados para se sustentar e praticar o que se propunha, contava com aux&iacute;lios e subven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, sempre parciais e insuficientes, e com a contribui&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;os, em dinheiro e g&ecirc;neros oferecidos pela popula&ccedil;&atilde;o. Completavam esses meios de manuten&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre seus mantenedores e os representantes das elites econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas locais, em geral ocupantes de fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, fato atestado pela presen&ccedil;a do prefeito da cidade, Jo&atilde;o Rodrigues Gui&atilde;o, nessa cerim&ocirc;nia de inaugura&ccedil;&atilde;o. Pouco tempo depois, esse mesmo prefeito reconheceu, no relat&oacute;rio sobre sua gest&atilde;o, entre 1920 e 1923, que "a iniciativa privada tem feito muito em prol do movimento social, principalmente no que diz respeito &agrave; assist&ecirc;ncia &agrave;s classes pobres", em especial o "asilo de orphans An&aacute;lia Franco, a Sociedade Amiga dos Pobres, a Sociedade de Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia, a Sociedade S. Vicente de Paula e o Asilo de Mendicidade" (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1924, p. 8). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antes, em 1909, Candido Mota (1909, p. 35) elogiava o servi&ccedil;o prestado por estabelecimentos privados &agrave; inf&acirc;ncia pobre e abandonada na cidade de S&atilde;o Paulo, listando entre os mais ativos o "Lyceo do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, fundado e dirigido pelos revdms. padres Salesianos", que, para ele, era "uma institui&ccedil;&atilde;o digna de prote&ccedil;&atilde;o". Mota (1909, p. 35) assinalava, ainda, o apoio estatal a outro estabelecimento colocado na mesma ordem de import&acirc;ncia, pois "assim o tem entendido os poderes p&uacute;blicos", que n&atilde;o "tem regateado aux&iacute;lios e subven&ccedil;&otilde;es pecuni&aacute;rias" destinados ao "Instituto 'D. Anna Rosa', fundado e mantido &agrave;s expensas da ilustre fam&iacute;lia Sousa Queiroz, e que t&atilde;o bons aux&iacute;lios tem prestado &aacute; orphams e meninos pobres" na capital paulista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Menos de vinte anos ap&oacute;s o elogio de Mota, no relat&oacute;rio de sua administra&ccedil;&atilde;o interina do Estado, ao final de 1927 (ALVES, 1986), Antonio Dino da Costa Bueno assinalava os aux&iacute;lios prestados por organiza&ccedil;&otilde;es privadas &agrave; assist&ecirc;ncia aos menores na capital paulista, fazendo refer&ecirc;ncia &agrave;s medidas como a "installa&ccedil;&atilde;o do 'Abrigo Provis&oacute;rio' de menores, o augmento do numero de comiss&aacute;rios, mediante contracto" somadas ao "auxilio prestado por diversos asylos particulares &#150; entre os quaes se destacam o do 'Bom Pastor', o da 'Divina Providencia' e o 'An&aacute;lia Franco', que receberam diversas meninas que lhes foram encaminhadas de acc&ocirc;rdo com a lei, para a respectiva interna&ccedil;&atilde;o", cuja combina&ccedil;&atilde;o com as a&ccedil;&otilde;es estatais "contribuiu para que o magno problema da protec&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia aos menores tivesse parcial solu&ccedil;&atilde;o" (MENSAGEM, 1927, p. 31). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ponto comum nos discursos de Candido Mota, do presidente interino do Estado, Antonio Dino, de Anita dos Santos, diretora do asilo ribeir&atilde;o&#45;pretano, e do prefeito Rodrigues Gui&atilde;o &eacute; o reconhecimento da complementaridade do servi&ccedil;o de organiza&ccedil;&otilde;es privadas &agrave; assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave; inf&acirc;ncia pobre. A "parcial solu&ccedil;&atilde;o" do "magno problema da prote&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia aos menores" &eacute; exatamente aquela das organiza&ccedil;&otilde;es privadas, &agrave; frente em n&uacute;mero e presen&ccedil;a na assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia quando comparadas com as a&ccedil;&otilde;es estatais na cidade de S&atilde;o Paulo (<a href="#qdr01">Quadro 1</a>). Desde o s&eacute;culo XIX, o n&uacute;mero, o tipo e a motiva&ccedil;&atilde;o confirmam o amparo &agrave; inf&acirc;ncia pobre e abandonada como realiza&ccedil;&atilde;o quase sempre produzida por pessoas e organiza&ccedil;&otilde;es particulares, por sua vez, inspiradas por ide&aacute;rios humanit&aacute;rio&#45;crist&atilde;os ou, quando aparentemente despidos de impregna&ccedil;&atilde;o religiosa, assumidamente humanit&aacute;rio&#45;filantr&oacute;picos, conforme o quadro a seguir: </font></p>     <p><a name="qdr01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/edur/v28n1/a05qdr01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Do come&ccedil;o do s&eacute;culo XIX, precisamente a partir de 1825, at&eacute; meados da d&eacute;cada de 1930<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a>, um dos resultados da a&ccedil;&atilde;o privada na assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave;s crian&ccedil;as pobres ou abandonadas na capital paulista &eacute; o conjunto de estabelecimentos fundados nesse tempo. Embora asilos, orfanatos, casas de expostos, semin&aacute;rios, liceus e institutos componham tipos peculiares de organiza&ccedil;&otilde;es, dotados de diferen&ccedil;as entre si e de complexidade pr&oacute;pria, num exame sum&aacute;rio e geral, podem ser agrupados como integrantes de um sistema majoritariamente privado de cria&ccedil;&atilde;o e tutela de crian&ccedil;as pobres ou abandonadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na cidade de S&atilde;o Paulo, foi de segmentos externos ao poder p&uacute;blico que costumaram partir as iniciativas concretizadas em diferentes tipos de atendimento prestado &agrave; inf&acirc;ncia pobre. No per&iacute;odo de 1825 at&eacute; 1897, a a&ccedil;&atilde;o de segmentos particulares foi ainda mais numerosa, conforme o <a href="#qdr01">Quadro 1</a>, de sorte que os estabelecimentos criados entre 1892 e 1897 s&atilde;o duradouros e permaneceram ativos durante a Primeira Rep&uacute;blica, a ponto de constarem entre aqueles citados por Mota (1909) e por Antonio Dino (MENSAGEM, 1927) como auxiliares ao poder p&uacute;blico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto a Ribeir&atilde;o Preto, a assist&ecirc;ncia a alguma forma de necessidade social passou a ser conhecida na cidade, no final do s&eacute;culo XIX, em raz&atilde;o da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia e das associa&ccedil;&otilde;es de socorros m&uacute;tuos fundadas por imigrantes. Sob o nome de Sociedade Beneficente, a Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de Ribeir&atilde;o Preto, desde 1896, prestava assist&ecirc;ncia aos doentes na cidade. A fim de realizar esse prop&oacute;sito, a Santa Casa contou com a conjuga&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os entre religiosos e membros da sociedade local para, ainda que precariamente, se viabilizar como prestadora de assist&ecirc;ncia a enfermos pobres na cidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ser&aacute; no s&eacute;culo XX, durante sua primeira d&eacute;cada, que outras sociedades beneficentes e caritativas iniciar&atilde;o suas atividades em Ribeir&atilde;o Preto, a exemplo da Sociedade Amiga dos Pobres, criada nessa mesma &eacute;poca. Entre os seus prop&oacute;sitos, sendo o primeiro fundar e manter um abrigo para mendigos, consta uma escola para crian&ccedil;as pobres, obra mantida durante anos por essa sociedade, segundo o memorialista local Prisco da Cruz Prates (1956). A assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia com as caracter&iacute;sticas institu&iacute;das pelos estabelecimentos paulistanos existentes desde fins do s&eacute;culo XIX encontrar&aacute; seus representantes em Ribeir&atilde;o Preto na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX. Em 1917, entraram em atividade na cidade o Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia, cujo principal fundador foi o m&eacute;dico Antonio Gouv&ecirc;a, e o "Asylo de Orphans An&aacute;lia Franco de Ribeir&atilde;o Preto". Na d&eacute;cada seguinte, alguns textos de jornais locais, como <I>A Cidade</I>, e o relat&oacute;rio da C&acirc;mara Municipal e da Prefeitura (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1929) noticiavam a exist&ecirc;ncia, no munic&iacute;pio, desde 1922, do Patronato Agr&iacute;cola Diogo Feij&oacute;, uma esp&eacute;cie de col&ocirc;nia agr&iacute;cola para menores criada pelo governo federal e inscrita na estrutura do Minist&eacute;rio da Agricultura (BRASIL, 1918). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em Ribeir&atilde;o Preto, portanto, entre 1895 e 1922, tr&ecirc;s ordens de a&ccedil;&otilde;es assistenciais atuaram sobre a inf&acirc;ncia pobre e abandonada, &agrave; semelhan&ccedil;a das tend&ecirc;ncias ratificadas na cidade de S&atilde;o Paulo na mesma &eacute;poca. O recolhimento e os cuidados m&eacute;dicos e higi&ecirc;nicos, junto da caridade prestada aos enfermos, contavam com o trabalho da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, desde 1896. Quanto &agrave; assist&ecirc;ncia institucional, o "Asilo de Orphans An&aacute;lia Franco", ao iniciar suas atividades, em 1917, fez as vezes de institui&ccedil;&atilde;o capaz de receber e criar meninas &oacute;rf&atilde;s ou, em certas situa&ccedil;&otilde;es excepcionais, entregues pelos pais, nos moldes estabelecidos na &eacute;poca para um orfanato. Por sua vez, o Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia "Dr. Antonio Gouveia" cumpriu o papel de prestador de cuidados m&eacute;dicos e higi&ecirc;nicos &agrave;s m&atilde;es e &agrave;s crian&ccedil;as pobres, reproduzindo caracter&iacute;sticas dos institutos de prote&ccedil;&atilde;o espalhados pelo pa&iacute;s e inspirados no modelo do Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia (IPAI), do m&eacute;dico fluminense Carlos Arthur Moncorvo Filho. At&eacute; mesmo a delinqu&ecirc;ncia infanto&#45;juvenil chegou a ser objeto da a&ccedil;&atilde;o institucional no tempo em que esteve ativo na cidade o Patronato Agr&iacute;cola "Diogo Feij&oacute;". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse conjunto de agentes e institui&ccedil;&otilde;es atuantes em Ribeir&atilde;o Preto, quando comparado &agrave; hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia na cidade de S&atilde;o Paulo, evidencia que as formas de cuidar do abandono e da pobreza de crian&ccedil;as e da menoridade, consagradas no decorrer da Primeira Rep&uacute;blica, tiveram uma ocorr&ecirc;ncia inicial na capital paulista e a seguida repercuss&atilde;o no interior. Esse movimento de produ&ccedil;&atilde;o de meios de assistir crian&ccedil;as pobres em S&atilde;o Paulo e as semelhan&ccedil;as encontradas em Ribeir&atilde;o Preto, devido &agrave; interioriza&ccedil;&atilde;o de ideias e pr&aacute;ticas, pode ser estudado conforme quatro tend&ecirc;ncias percept&iacute;veis na hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia nessa &eacute;poca: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">a) Entre o final do s&eacute;culo XIX e o come&ccedil;o do XX acontecem tr&ecirc;s ordens de mudan&ccedil;as verific&aacute;veis: na presen&ccedil;a, na vida urbana, de crian&ccedil;as nas ruas como fato cotidiano, fossem abandonadas, pobres ou menores; nas formas de entender e cuidar de &oacute;rf&atilde;os e abandonados; na produ&ccedil;&atilde;o das no&ccedil;&otilde;es de abandono material e moral; e na farta elabora&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o sobre inf&acirc;ncia, tanto federal quanto nos estados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">b) A hist&oacute;ria da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia pobre na cidade de S&atilde;o Paulo consagrou as sociedades particulares, os benem&eacute;ritos, os filantropos, as associa&ccedil;&otilde;es confessionais e outros cong&ecirc;neres como idealizadores, promotores e mantenedores da assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave; inf&acirc;ncia pobre. Essa variedade de organiza&ccedil;&otilde;es e sujeitos, por sua vez, contribuiu para edificar, durante a passagem do s&eacute;culo XIX para o XX, as bases do sistema privado de assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia pobre, cujo produto &eacute; um conjunto de estabelecimentos fechados, a exemplo de semin&aacute;rios, recolhimentos, asilos e orfanatos; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">c) Apesar da exist&ecirc;ncia de alguns semin&aacute;rios e liceus p&uacute;blicos durante o s&eacute;culo XIX em S&atilde;o Paulo, as a&ccedil;&otilde;es de recolhimento, cria&ccedil;&atilde;o e ensino de of&iacute;cios em geral foram produzidas por particulares. O poder p&uacute;blico estadual, assim como nas inst&acirc;ncias municipais, agiu como subvencionador, a ponto de os governos do Estado, da capital e de Ribeir&atilde;o Preto naturalizarem a a&ccedil;&atilde;o privada como compensadora da evas&atilde;o p&uacute;blica da necessidade de cuidar e assistir a inf&acirc;ncia pobre; </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">d) S&atilde;o Paulo e Ribeir&atilde;o Preto, no que concerne &agrave; interioriza&ccedil;&atilde;o aqui estudada, s&atilde;o, respectivamente, a partida e o extremo do processo. No caso da interioriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia, os modelos e pr&aacute;ticas encontrados em Ribeir&atilde;o Preto durante a Primeira Rep&uacute;blica, embora tenham fortes particularidades, coincidem e, ao mesmo tempo, reproduzem as formas de assist&ecirc;ncia existentes em S&atilde;o Paulo. </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A interioriza&ccedil;&atilde;o paulista em dire&ccedil;&atilde;o a velhos e novos "oestes" </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pierre Monbeig (1984, p. 23) sintetizou o processo de interioriza&ccedil;&atilde;o paulista sob a forma de marcha das frentes pioneiras de povoamento que foram antecedidas pelo desmatamento, pela territorializa&ccedil;&atilde;o da agricultura e pelas cidades resultantes, desenvolvidas ou criadas na "retaguarda", de maneira que era "preciso ir mais longe, para atingir a frente do povoamento", em meados do s&eacute;culo XX. Nessa l&oacute;gica da marcha em dire&ccedil;&atilde;o ao interior, a cafeicultura, a ferrovia e a imigra&ccedil;&atilde;o fizeram uma regi&atilde;o se recriar pela acumula&ccedil;&atilde;o do capital, pelo trabalho assalariado e pelo crescimento demogr&aacute;fico, o que produziu sua peculiar urbaniza&ccedil;&atilde;o. A imigra&ccedil;&atilde;o influenciou ativamente o crescimento populacional e, por que n&atilde;o considerar, a territorializa&ccedil;&atilde;o de contingentes humanos estranhos &agrave; zona mogiana do entorno de Ribeir&atilde;o Preto. Desde 1870, sucessivos contingentes de imigrantes passaram por S&atilde;o Paulo e depois foram levados aos n&uacute;cleos urbanos do complexo cafeeiro e a&iacute; se estabeleceram, conforme o sentido do movimento de interioriza&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica das terras de cultivo de caf&eacute;. O fluxo da imigra&ccedil;&atilde;o partia de S&atilde;o Paulo para o interior, percorrendo o caminho da ferrovia Mogiana, distribuindo pessoas por pequenas vilas e cidades e, depois, nas fazendas, em suas col&ocirc;nias, fazendo aumentar sua popula&ccedil;&atilde;o (MONBEIG, 1984; BACELLAR, 1999). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ribeir&atilde;o Preto &eacute; exemplo nesse sentido, uma vez que, em 1902 e 1912, quando fez a contagem de sua popula&ccedil;&atilde;o, o munic&iacute;pio tinha, no primeiro censo, na "cidade e nos sub&uacute;rbios", 13.236 habitantes (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1903, p. 15), passando a 58.220, no segundo recenseamento, em 1912 (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1920, p. 68). Entre esses n&uacute;meros, na contagem de 1912, grande parte da popula&ccedil;&atilde;o estava nas &aacute;reas rurais, essencialmente em col&ocirc;nias de fazendas de caf&eacute;, na condi&ccedil;&atilde;o de trabalhadores assalariados, contando a cidade com 18.732 habitantes na &aacute;rea urbana e 39.488, na zona rural, sendo 27.000 imigrantes, na quase totalidade italianos (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1920). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se a cidade foi capaz de contar sua popula&ccedil;&atilde;o, ainda que o servi&ccedil;o tenha sido contratado pelas duas inst&acirc;ncias do poder p&uacute;blico municipal, C&acirc;mara e Prefeitura (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1920), isso demonstra duas formas progressivas de institucionaliza&ccedil;&atilde;o em processo no interior, durante o tempo de transi&ccedil;&atilde;o de s&eacute;culo entre o XIX e o XX: a primeira &eacute; a extens&atilde;o a Ribeir&atilde;o Preto de institui&ccedil;&otilde;es oficiais de representa&ccedil;&atilde;o do Estado, a come&ccedil;ar pelo judici&aacute;rio, pelo policiamento, pelos grupos escolares estaduais; e a segunda &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o e o funcionamento do legislativo e do executivo da localidade. De acordo com indica&ccedil;&otilde;es de Lages (1996) e Bacellar (2002), Ribeir&atilde;o Preto foi fundada em 1854, sendo elevada &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de vila em 1871 e, em 1892, tornou&#45;se sede da comarca, separando&#45;se de S&atilde;o Sim&atilde;o. Em 1874, o munic&iacute;pio, j&aacute; reconhecido assim desde 1871, estabeleceu sua primeira C&acirc;mara Municipal, at&eacute; ent&atilde;o e durante a Primeira Rep&uacute;blica respondendo pelo governo da cidade. Nesse ritmo, at&eacute; 1912, a cidade possu&iacute;a cadeia, C&acirc;mara, Prefeitura e F&oacute;rum instalados e atuantes, bem como delegado e subdelegados, Comiss&atilde;o Sanit&aacute;ria, coletoria de impostos e dois gin&aacute;sios estaduais (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1920). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fato de Ribeir&atilde;o Preto entrar o s&eacute;culo XX dotada de entes representativos do poder p&uacute;blico, sobretudo daqueles encarregados do governo local, &eacute; prova do enraizamento de determinados elementos da interioriza&ccedil;&atilde;o, no caso, o estabelecimento de meios de aplica&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, de arrecada&ccedil;&atilde;o de tributos, de instru&ccedil;&atilde;o, de controle sanit&aacute;rio e de policiamento. Na l&oacute;gica da ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e da resultante retaguarda aberta, assim entendida por Monbeig (1984), onde cresceram ou nasceram cidades, viabilizadas, entre outras causas, pelo assentamento de popula&ccedil;&otilde;es, pode&#45;se acrescentar que esse processo de interioriza&ccedil;&atilde;o se fez acompanhar pelo estabelecimento da estrutura administrativa e burocr&aacute;tica, viabilizando, assim, os meios de a&ccedil;&atilde;o institucional sobre a vida social na urbanidade e nos n&uacute;cleos rurais de habita&ccedil;&atilde;o e trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar do estabelecimento de entes administrativos estatais na cidade, dotados de meios de a&ccedil;&atilde;o, sua efici&ecirc;ncia era discut&iacute;vel, uma vez que as fun&ccedil;&otilde;es de policiar, de aplicar a lei, de arrecadar tributos, assim como a incumb&ecirc;ncia local de gerir a cidade, de legislar e de fiscalizar os cuidados sanit&aacute;rios estavam limitadas quanto ao seu alcance. Pesa, para tanto, o fato de os or&ccedil;amentos p&uacute;blicos municipais n&atilde;o contarem com arrecada&ccedil;&atilde;o suficiente ou deixarem de destinar recursos, limitando as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &agrave;s obras de melhoramento da cidade, manuten&ccedil;&atilde;o de sua infraestrutura e fiscaliza&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria, restando estreita margem para os parcos servi&ccedil;os oferecidos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, em geral apoiados na subven&ccedil;&atilde;o a organiza&ccedil;&otilde;es privadas prestadoras de assist&ecirc;ncia aos pobres, por exemplo<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde 1896, com a funda&ccedil;&atilde;o da Sociedade Beneficente Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, depois com a Sociedade Amiga dos Pobres, de 1905, com a Sociedade S&atilde;o Vicente de Paulo e com as associa&ccedil;&otilde;es de socorros m&uacute;tuos das comunidades imigrantes (sendo as primeiras fundadas por italianos, em 1895), entre os exemplos de organiza&ccedil;&otilde;es ativas na cidade, a sociedade ribeir&atilde;o&#45;pretana acostumou&#45;se a recorrer a meios particulares de a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para cuidar dos doentes, assistir os pobres e oferecer educa&ccedil;&atilde;o escolar prim&aacute;ria &agrave;s crian&ccedil;as. A presen&ccedil;a dessas organiza&ccedil;&otilde;es e a forma como se modelavam e atuavam, por sua vez, indicam outro aspecto da interioriza&ccedil;&atilde;o: a elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em Ribeir&atilde;o Preto referenciadas em experi&ecirc;ncias, ideias e institui&ccedil;&otilde;es produzidas em outros tempos e lugares. E, uma vez que entraram em atividade, nos relat&oacute;rios e or&ccedil;amentos apresentados pelas administra&ccedil;&otilde;es municipais, entre 1903 e 1930, a Santa Casa, a Sociedade Amiga dos Pobres e a Sociedade S&atilde;o Vicente de Paulo constaram seguidamente como destinat&aacute;rias de subven&ccedil;&otilde;es da municipalidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de interioriza&ccedil;&atilde;o, portanto, &eacute; composto internamente por interioriza&ccedil;&otilde;es, como as da popula&ccedil;&atilde;o, da cafeicultura, dos profissionais liberais, dos empreendedores, das rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas com o exterior, da urbaniza&ccedil;&atilde;o, das representa&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico e, tamb&eacute;m, da caridade crist&atilde;, da filantropia e da pr&aacute;tica dos socorros m&uacute;tuos, por sua vez representadas pelos agentes e pelas organiza&ccedil;&otilde;es que estabeleceram meios para resolver quest&otilde;es como a assist&ecirc;ncia aos pobres. Nesse sentido, a igreja cat&oacute;lica &eacute; uma agente da interioriza&ccedil;&atilde;o em Ribeir&atilde;o Preto. At&eacute; que a Diocese fosse criada na cidade, em 1908, e instalada, em 1910, muito antes, desde 1856 (LAURIANO, 1973), v&aacute;rios religiosos foram convocados de outras par&oacute;quias, dioceses e ordens, com o fim de cuidar da assist&ecirc;ncia espiritual e da religiosidade dos fi&eacute;is e, quest&atilde;o igualmente importante, edificar materialmente nas povoa&ccedil;&otilde;es a Igreja na regi&atilde;o. Quando os primeiros padres foram nomeados vig&aacute;rios, por volta de 1870, n&atilde;o s&oacute; a vila e seus moradores seriam atendidos, como tamb&eacute;m "sua miss&atilde;o pastoral" seria estendida &agrave; "popula&ccedil;&atilde;o rural que vivia em regi&atilde;o bastante ampla e dif&iacute;cil, pois abrangia &aacute;reas que futuramente seriam ocupadas pelas par&oacute;quias de Sert&atilde;ozinho, Pontal, Guatapar&aacute;, Santa Cruz das Posses, Cravinhos, Serrana e Serra Azul" (LAURIANO, 1973, p. 25). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os religiosos, nacionais ou estrangeiros, geralmente faziam sua forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal em semin&aacute;rios de Minas Gerais, na cidade de S&atilde;o Paulo ou nas suas p&aacute;trias de origem, e realizavam sua "miss&atilde;o pastoral" na cidade e na regi&atilde;o de Ribeir&atilde;o Preto portando convic&ccedil;&otilde;es que orientavam suas rela&ccedil;&otilde;es com os fi&eacute;is e com as obras que realizavam. Os religiosos que atuaram em Ribeir&atilde;o Preto desde 1870 (LAURIANO, 1973) pertenciam j&aacute; a uma gera&ccedil;&atilde;o de sacerdotes cuja forma&ccedil;&atilde;o aconteceu sob a influ&ecirc;ncia da romaniza&ccedil;&atilde;o da Igreja, durante o pontificado de Pio IX, de sorte que uma das tend&ecirc;ncias desse processo &eacute; a reitera&ccedil;&atilde;o da autoridade religiosa centrada nos padres e, no caso particular de uma regi&atilde;o ainda em processo de crescimento populacional, como Ribeir&atilde;o Preto, o empenho em cuidar da f&eacute; do povo antes que ma&ccedil;ons, esp&iacute;ritas e protestantes o fizessem (LAURIANO, 1973). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por extens&atilde;o, como parte desse processo de difus&atilde;o das convic&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s&#45;cat&oacute;licas, as obras de caridade passaram a receber o empenho dos religiosos e a convoca&ccedil;&atilde;o aos fi&eacute;is para sua ades&atilde;o na futura Diocese de Ribeir&atilde;o Preto, realiza&ccedil;&atilde;o que se concretizaria em 1908 (LAURIANO, 1973). De in&iacute;cio, as esmolas, o servi&ccedil;o religioso dedicado aos enfermos e, a seguir, as obras caritativo/assistenciais estabelecidas, como a Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, desde 1896, e o Asilo de Mendicidade "Padre Euclides", em 1919, ao lado das sociedades leigas, como a Confer&ecirc;ncia de S&atilde;o Vicente de Paulo (e seus membros, os vicentinos), fizeram da Igreja um agente interiorizador das estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o social em uso nesse tempo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O contraponto &agrave; a&ccedil;&atilde;o social de fundo religioso fica por conta dos esp&iacute;ritas, que, assim como os religiosos e leigos cat&oacute;licos, s&atilde;o tamb&eacute;m agentes da interioriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia aos necessitados, em especial das crian&ccedil;as, trazendo para a cidade modelos aplicados de antem&atilde;o em outros lugares. Para tanto, a hist&oacute;ria da cria&ccedil;&atilde;o do "Asylo de Orphans An&aacute;lia Franco" coloca ma&ccedil;ons e esp&iacute;ritas como protagonistas do processo meio aut&oacute;ctone e meio modelado por refer&ecirc;ncias externas da produ&ccedil;&atilde;o na cidade de institui&ccedil;&otilde;es e meios de a&ccedil;&atilde;o sobre a pobreza e o abandono de crian&ccedil;as. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia desde o s&eacute;culo XIX, em S&atilde;o Paulo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em comum, certos memorialistas e estudiosos da hist&oacute;ria da cidade de S&atilde;o Paulo noticiam a exist&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&otilde;es caritativas e assistenciais destinadas &agrave; inf&acirc;ncia pobre na capital paulista desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX. Diferentes textos, de artigos na <I>Revista do Arquivo Municipal</I>, a exemplo de Lowrie (1936), Franco (1944) e Ferreira (1940), de mem&oacute;rias hist&oacute;ricas como as de Primitivo Moacyr ou Ernani Silva Bruno (1984), ao dicion&aacute;rio organizado por Amaral (2006), destacam as irmandades, a caridade, a benemer&ecirc;ncia e o esp&iacute;rito filantr&oacute;pico de particulares como respons&aacute;veis por criar e manter esses estabelecimentos, respondendo quase exclusivamente pela assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave; inf&acirc;ncia paulistana desde o s&eacute;culo XIX. No mesmo campo assistencial e na mesma &eacute;poca, o poder p&uacute;blico mon&aacute;rquico e sua representa&ccedil;&atilde;o na prov&iacute;ncia ofereceram menor contribui&ccedil;&atilde;o para a instru&ccedil;&atilde;o e a tutela de meninos e meninas pobres e abandonados, participando pontualmente, portanto, de um sistema de cuidados p&uacute;blicos cujas iniciativas em geral costumaram partir de organiza&ccedil;&otilde;es particulares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os estabelecimentos existentes at&eacute; pr&oacute;ximo ao fim do Imp&eacute;rio, Ferreira (1940), Moacyr (1942) e Amaral (2006) mencionam o Semin&aacute;rio de Educandas da Gl&oacute;ria, fundado em 1825, o Semin&aacute;rio de Educandos de Santana, de 1825, e o Instituto de Educandos Art&iacute;fices, de 1869, como obra dos governos provincial e imperial, respectivamente. O primeiro deles, o Semin&aacute;rio da Gl&oacute;ria, foi concebido para receber e cuidar da educa&ccedil;&atilde;o de meninas "&oacute;rf&atilde;s, filhas de militares que, tendo servido &agrave; P&aacute;tria, morressem indigentes", conforme estabelecia o aviso "expedido pelo Governo Imperial, de 8&#45;1&#45;1825" (AMARAL, 2006, p. 582). Outro cong&ecirc;nere seu, o Semin&aacute;rio de Santana, foi idealizado para fins semelhantes, destinado "&agrave; educa&ccedil;&atilde;o de meninos &oacute;rf&atilde;os e pobres, especialmente filhos de militares que haviam servido &agrave; p&aacute;tria e morreram indigentes" (AMARAL, 2006, p. 582). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O terceiro estabelecimento, o Instituto de Educandos Art&iacute;fices, tinha origens parecidas a esses seus similares, "criado pela Lei nº 26, de 5&#45;7&#45;1869, com car&aacute;ter militar, anexo ao Corpo Policial e funcionando em quartel, teve seu regulamento baixado pelo presidente da Prov&iacute;ncia, Jo&atilde;o Teodoro Xavier, em 3&#45;1&#45;1874" (AMARAL, 2006, p. 343). Esse estabelecimento n&atilde;o sobreviveu at&eacute; o fim do Imp&eacute;rio em raz&atilde;o da inconst&acirc;ncia dos recursos financeiros recebidos do governo provincial e da dificuldade de existir sob o fim de criar e educar &oacute;rf&atilde;os pobres. Por isso, o Semin&aacute;rio de Santana foi extinto em 1868, como atesta Amaral (2006), tendo seu lugar preenchido pelo Instituto de Educandos Art&iacute;fices, cuja vida institucional n&atilde;o foi longa, porquanto foi extinto em 1880 (AMARAL, 2006). Dos tr&ecirc;s estabelecimentos criados pelo poder p&uacute;blico, apenas o Semin&aacute;rio da Gl&oacute;ria seguiu em atividade, atravessando o s&eacute;culo XIX para o XX. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sob prop&oacute;sitos semelhantes, entre 1873 e 1896, foram criados, pela iniciativa de associa&ccedil;&otilde;es particulares, o Liceu de Artes e Of&iacute;cios, o Instituto D. Ana Rosa, o Liceu Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus e o Asilo de Expostos da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de S&atilde;o Paulo (<a href="#qdr01">Quadro 1</a>). Em comum, todos foram concebidos pela iniciativa de sociedades civis ou caritativas, quase sempre inspirados por princ&iacute;pios humanit&aacute;rio&#45;religiosos, exce&ccedil;&atilde;o feita ao primeiro liceu citado, bem como representaram certo tipo de a&ccedil;&atilde;o assistencial p&uacute;blica organizada por particulares. Uma dessas associa&ccedil;&otilde;es nasceu como Sociedade Propagadora da Instru&ccedil;&atilde;o Popular, em 1873, para se tornar, em 1882, o Liceu de Artes e Of&iacute;cios, cujo fim, desde sua origem, era oferecer escolariza&ccedil;&atilde;o elementar e profissional a meninos pobres. &Agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos cong&ecirc;neres aqui citados, o Liceu alcan&ccedil;ou o s&eacute;culo XX ativo, estando, no in&iacute;cio da Rep&uacute;blica, "em fase de grande atividade e desenvolvimento, com uma matr&iacute;cula de 738 alunos", dados estes reunidos por Ferreira (1940, p. 61), continuando suas atividades em tempos republicanos com "583 alunos, sendo do curso prim&aacute;rio 320 e do curso secund&aacute;rio 263", conforme os matriculados entre os anos de 1893 e 1894 (MOACYR, 1942, p. 317). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; registro, ainda, do Col&eacute;gio D. Carolina Tamandar&eacute;, como informa Franco (1944), criado na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX, durante a quarta administra&ccedil;&atilde;o estadual paulista na Rep&uacute;blica<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a>. A funda&ccedil;&atilde;o desse col&eacute;gio resultou da iniciativa de um dos membros do c&iacute;rculo da fam&iacute;lia Souza Queir&oacute;s, Manoel Batista da Cruz Tamandar&eacute;, que, em homenagem &agrave; esposa, D. Carolina de Souza Queir&oacute;s Tamandar&eacute;, e aos filhos, falecidos, recolheu fundos para tanto e contou com o reconhecimento do governo estadual, que atestou sua utilidade, al&eacute;m de destinar subven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas a esse estabelecimento. Assim como os similares da &eacute;poca, o Col&eacute;gio D. Carolina Tamandar&eacute;, conforme definido em seu estatuto (no Decreto n. 91), tinha como finalidade prec&iacute;pua "acommodar, segundo as regras de hygiene, sessenta meninas desvalidas" para difundir "a educa&ccedil;&atilde;o intellectual, moral e religiosa e ensinar tudo quanto deve saber uma mulher para ganhar honesta e independentemente sua vida e tornar&#45;se uma boa m&atilde;e de fam&iacute;lia" (S&Atilde;O PAULO, 1892, p. 1). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Comparando os exemplos provenientes do s&eacute;culo XIX, &eacute; certo que a assist&ecirc;ncia privada oferecida ao p&uacute;blico respondeu com maior n&uacute;mero de estabelecimentos e iniciativas &agrave;s demandas do amparo &agrave; doen&ccedil;a, &agrave; pobreza, &agrave; instru&ccedil;&atilde;o de meninos e meninas pobres e &agrave;s crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s, quando comparada &agrave;s a&ccedil;&otilde;es estatais nessa mesma &eacute;poca. As amas&#45;de&#45;leite, por exemplo, pagas para alimentar e cuidar de crian&ccedil;as pequenas entregues &agrave; roda da Santa de Casa de Miseric&oacute;rdia de S&atilde;o Paulo, fizeram parte de um sistema de cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rf&atilde;os concebido quase totalmente por particulares; algo nomeado por Marc&iacute;lio (1998, p. 136) como "sistema informal ou privado de cria&ccedil;&atilde;o dos expostos". Quanto &agrave; instru&ccedil;&atilde;o de meninos e meninas pobres, desde a primeira gest&atilde;o do Estado em tempos republicanos<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a>, o or&ccedil;amento estadual consignou recursos ao "Liceu Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, como aux&iacute;lio &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de meninos pobres, conforme contrato", num total de 10:000$000, e "ao Liceu de Artes e Of&iacute;cios, da Propagadora da Instru&ccedil;&atilde;o Popular, para a educa&ccedil;&atilde;o de meninos pobres" a quantia de 12:000$000 (FRANCO, 1944, p. 8). Portanto, at&eacute; fins do s&eacute;culo XIX, em S&atilde;o Paulo, a assist&ecirc;ncia inspirada pelas motiva&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias e/ou religiosas, associada aos poderes p&uacute;blicos ou suprindo sua aus&ecirc;ncia e em resposta &agrave; pobreza e ao abandono de crian&ccedil;as, era a forma geral de amparo com que contavam as pessoas, em caso de doen&ccedil;a, e a sociedade, em raz&atilde;o dos filhos sem pais ou fam&iacute;lia<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As ra&iacute;zes desse tipo de a&ccedil;&atilde;o assistencial foram lan&ccedil;adas desde o s&eacute;culo XIX e se firmaram &agrave; medida que os estabelecimentos continuaram suas atividades, alcan&ccedil;ando o s&eacute;culo seguinte, uma vez que passou ao XX a conviv&ecirc;ncia entre a presta&ccedil;&atilde;o particular de cuidados p&uacute;blicos e a inst&aacute;vel a&ccedil;&atilde;o estatal, no mais das vezes legitimando e subvencionando as organiza&ccedil;&otilde;es assistenciais privadas<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a>. Trata&#45;se, portanto, de um grande modelo baseado no recolhimento e na tutela, no caso dos &oacute;rf&atilde;os ou abandonados, ou na instru&ccedil;&atilde;o para o trabalho, quando se tratava das crian&ccedil;as pobres, cuja caracter&iacute;stica geral &eacute; a assist&ecirc;ncia institucionalizada. Nesse rol de estabelecimentos mencionados (<a href="#qdr01">Quadro 1</a>) constam semin&aacute;rios, institutos e liceus fundados ainda no Imp&eacute;rio, na ent&atilde;o Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, especialmente as institui&ccedil;&otilde;es ligadas a ordens religiosas, &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s e cat&oacute;licas, ou aquelas de iniciativa de organiza&ccedil;&otilde;es como a Sociedade Propagadora da Instru&ccedil;&atilde;o Popular, respons&aacute;vel pelo Liceu de Artes e Of&iacute;cios (MOACYR, 1942). Tal assist&ecirc;ncia institucionalizada, por sua vez, consagrou determinados agentes e pap&eacute;is, sendo benem&eacute;ritos, associa&ccedil;&otilde;es civis ou ligadas a confiss&otilde;es religiosas, ordens religiosas, membros das elites, intelectuais e ilustrados os propositores de a&ccedil;&otilde;es institucionalizadas. E, acessoriamente, o poder p&uacute;blico mant&eacute;m institui&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, em geral atuando como contratante e subvencionador, o que reiterou igualmente a a&ccedil;&atilde;o concretizada em modelos institucionais com &ecirc;nfase no recolhimento, na disciplina, no encaminhamento social e no ensino de of&iacute;cios subalternos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nota&#45;se, ent&atilde;o, que, at&eacute; a &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX, a cidade de S&atilde;o Paulo possu&iacute;a estabelecimentos existentes a tempo suficiente para instituir certas formas de lidar com o problema da inf&acirc;ncia desvalida que continuaram como refer&ecirc;ncia durante o ciclo de mudan&ccedil;as vivido pela cidade no s&eacute;culo seguinte. Ao passo que a assist&ecirc;ncia privada oferecida ao p&uacute;blico seguia ativa, a cidade de S&atilde;o Paulo mudava em v&aacute;rios sentidos, recebendo progressivas somas de imigrantes, experimentando mudan&ccedil;as na rela&ccedil;&atilde;o entre o capital e o trabalho, a exemplo da forma&ccedil;&atilde;o do proletariado urbano, conhecendo a marginaliza&ccedil;&atilde;o dos pobres, a delinqu&ecirc;ncia infanto&#45;juvenil, enfim, uma s&eacute;rie de processos que alteraram sensivelmente a vida social na capital do Estado em tempos republicanos (CAMPOS, 2004). Nesse sentido, um fato em especial assinala a mudan&ccedil;a da cidade sob o ponto de vista humano e social, no caso, o crescimento demogr&aacute;fico, uma vez que sua popula&ccedil;&atilde;o passou, num intervalo de tempo entre 1890 a 1900, de 64.934 a 239.820 habitantes<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a>, progress&atilde;o de crescimento que n&atilde;o cessou at&eacute; 1940, quando o n&uacute;mero de um milh&atilde;o de habitantes foi alcan&ccedil;ado (MEM&Oacute;RIA, 2001). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Enquanto a cidade crescia em n&uacute;mero de habitantes, as possibilidades de ocupa&ccedil;&atilde;o dos bairros, de alimenta&ccedil;&atilde;o, de moradia, enfim, de estabelecimento pelos novos moradores que chegavam &agrave; cidade, na entrada do s&eacute;culo XX, e assim foi pelas d&eacute;cadas seguintes, encontraram na especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria urbana, na press&atilde;o do custo de vida e na vigil&acirc;ncia policial associada ao urbanismo higienista for&ccedil;as capazes de mover o proletariado urbano e toda sorte de pobres a ocuparem as regi&otilde;es perif&eacute;ricas em rela&ccedil;&atilde;o ao centro (PETRONE, 2001; REIS, 2004). Para essa cidade em crescimento, convivendo com a novidade dos bairros oper&aacute;rios e industriais, por exemplo, aquilo que responderia por servi&ccedil;os p&uacute;blicos capazes de atender &agrave;s necessidades da sa&uacute;de dessa popula&ccedil;&atilde;o, da educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos, de regular as rela&ccedil;&otilde;es entre capital e trabalho, enfim, de minimizar os efeitos colaterais do aumento demogr&aacute;fico era desproporcional em rela&ccedil;&atilde;o ao contingente de necessitados e perante certo conjunto de demandas (CAMPOS, 2004). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; certo que as a&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias e m&eacute;dicas do poder p&uacute;blico paulista aconteceram desde a primeira d&eacute;cada republicana, no s&eacute;culo XIX, e foram ainda mais expressivas a partir de 1900 e nos dec&ecirc;nios seguintes, quando foram criados hospitais de isolamento, a Faculdade de Medicina, o Instituto de Higiene, institutos para a produ&ccedil;&atilde;o de vacinas, miss&otilde;es sanit&aacute;rias no interior, enfim, um conjunto de organiza&ccedil;&otilde;es estatais atuantes na sa&uacute;de p&uacute;blica (VASCONCELLOS, 1995). Tamb&eacute;m a instru&ccedil;&atilde;o, tanto na capital quanto no interior, conheceu o c&eacute;lebre per&iacute;odo dos gin&aacute;sios do estado e da expans&atilde;o das escolas p&uacute;blicas prim&aacute;rias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em compara&ccedil;&atilde;o com a sa&uacute;de p&uacute;blica e a instru&ccedil;&atilde;o, os cuidados com a inf&acirc;ncia pobre, com as condi&ccedil;&otilde;es da sua cria&ccedil;&atilde;o e mesmo do estabelecimento de estrat&eacute;gias para responder ao abandono e &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o ainda dependiam muito das vigentes pr&aacute;ticas assistenciais humanit&aacute;rio&#45;filantr&oacute;picas, crist&atilde;s e caritativas, que, no s&eacute;culo XX, continuaram convocadas para remediar as necessidades dos novos pobres e desafortunados da cidade. Desse modo, &eacute; poss&iacute;vel considerar que a produ&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas assistenciais na cidade de S&atilde;o Paulo recebeu influ&ecirc;ncia de dois processos, sendo um deles a acelera&ccedil;&atilde;o do crescimento populacional, acentuado pela imigra&ccedil;&atilde;o, produzindo, por sua vez, a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas poss&iacute;veis para a moradia, problemas estes conjugados &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre explora&ccedil;&atilde;o do trabalho e forma&ccedil;&atilde;o de contingentes de semi&#45;inclu&iacute;dos, prec&aacute;rios ou n&atilde;o inclu&iacute;dos no trabalho, enquanto o segundo processo resultou das ideias, das percep&ccedil;&otilde;es, dos agentes e dos modos escolhidos e institu&iacute;dos de assistir &agrave; inf&acirc;ncia desvalida e aos pobres. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A assist&ecirc;ncia institucionalizada &agrave; inf&acirc;ncia em Ribeir&atilde;o Preto </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O discurso de Anita dos Santos, citado no in&iacute;cio deste texto, naquele dia de inaugura&ccedil;&atilde;o, teve a qualidade de sintetizar determinados elementos inerentes ao modo de manter, ao relacionamento e ao prop&oacute;sito de uma institui&ccedil;&atilde;o assistencial dessa &eacute;poca. Para a diretora do asilo essa era uma institui&ccedil;&atilde;o reconhecidamente produzida pelo empenho de agentes externos ao poder p&uacute;blico, "prova cabal do esfor&ccedil;o dos directores", na qual os cidad&atilde;os "poder&atilde;o ver para o que s&atilde;o empregados os donativos do hospitaleiro povo desta terra" (ASYLO, 1922, p. 6). E qual a raz&atilde;o para se orgulhar disso? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O primeiro motivo era o esfor&ccedil;o para levantar o pr&eacute;dio, a sede pr&oacute;pria do asilo, "feita unicamente com as esmolas do povo", sendo ent&atilde;o "um abrigo seguro e confort&aacute;vel, edificado pelos homens livres e independentes desta terra" (ASYLO, 1922, p. 6). Junto dessa causa de orgulho, havia outro motivo para comemorar pelo fato de esse orfanato ser "uma gloria para Ribeir&atilde;o Preto que conta em seu seio, al&eacute;m das muitas institui&ccedil;&otilde;es de ensino, tamb&eacute;m um Asylo para amparar, educar e instruir crean&ccedil;as orphans e pobres" (ASYLO, 1922, p. 6). Logo, a cidade tinha nas escolas, subvencionadas ou mantidas diretamente pelo Estado e pelo munic&iacute;pio, a primeira institui&ccedil;&atilde;o, perante outras, a receber as crian&ccedil;as, ainda que parcelas consider&aacute;veis do contingente de escolares n&atilde;o fossem atendidas, conforme sucessivos relat&oacute;rios de seus prefeitos, entre 1903 e 1929 (FONSECA, 2009), passando, a partir de ent&atilde;o, a contar com uma organiza&ccedil;&atilde;o especialmente definida para um contingente infantil espec&iacute;fico: os &oacute;rf&atilde;os. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Curiosamente, a cidade passou a dispor, desde 1917, dos servi&ccedil;os desse orfanato, cuja inspira&ccedil;&atilde;o, pelos menos quanto aos princ&iacute;pios e quanto ao p&uacute;blico atendido &#150; meninas &#150;, liga o estabelecimento de Ribeir&atilde;o Preto &agrave; obra de An&aacute;lia Franco, conhecida na capital e em outras partes do Estado. At&eacute; o ano de cria&ccedil;&atilde;o do orfanato ribeir&atilde;o&#45;pretano, outros similares existiam em cidades paulistas, muitos deles batizados com o nome de sua inspiradora, An&aacute;lia Franco. Para tal homenagem, n&atilde;o contava apenas a condi&ccedil;&atilde;o de figura em&eacute;rita da caridade, junto da posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a de esfor&ccedil;os para a educa&ccedil;&atilde;o feminina. Merece considera&ccedil;&atilde;o igualmente o fato de An&aacute;lia Franco ter interlocutores no governo paulista, de ser filiada ao Partido Republicano Paulista (PRP) e de possuir v&iacute;nculo com esp&iacute;ritas e ma&ccedil;ons, estes os inauguradores e mantenedores do asilo de Ribeir&atilde;o Preto (OLIVEIRA, 2007). Por &uacute;ltimo, conta a condi&ccedil;&atilde;o de mulher portadora e divulgadora de ideias e produtora de a&ccedil;&otilde;es, concretizadas nos asilos, creches, escolas e col&ocirc;nias com que contribuiu diretamente ou que inspirou, na funda&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As escolas, os asilos, as col&ocirc;nias e as creches que An&aacute;lia Franco ajudou a criar, em geral, concretizaram a pr&aacute;tica da assist&ecirc;ncia institucionalizada, na capital e no interior de S&atilde;o Paulo. Em Ribeir&atilde;o Preto, pelo fato de ser precursor, o Asylo de Orphans estabeleceu no munic&iacute;pio essa forma de atuar. Antes de 1917, na cidade de S&atilde;o Paulo, receber, alimentar, criar, disciplinar, instruir e encaminhar socialmente meninos e meninas &oacute;rf&atilde;os e/ou abandonados, recolhidos das ruas ou entregues pelos pais, compunham o conjunto de a&ccedil;&otilde;es praticadas por institui&ccedil;&otilde;es, fossem p&uacute;blicas ou particulares. Em 1917, os criadores do asilo de Ribeir&atilde;o tinham as realiza&ccedil;&otilde;es de An&aacute;lia Franco como refer&ecirc;ncia e, t&atilde;o logo, exemplo para modelar a cria&ccedil;&atilde;o de um estabelecimento na cidade. A diretora, Anita dos Santos, evocava a figura de "D. An&aacute;lia Franco", na solenidade de abertura do novo pr&eacute;dio, em 1922, lembrando que "si hoje lhe fosse dado o poder de quebrar o somno eterno que a retem nas alturas infinitas, sorriria de prazer em ver que as crean&ccedil;as a quem ella tanto amou, hoje tem um abrigo seguro e confort&aacute;vel, edificado pelos homens livres e independentes desta terra!" (ASYLO, 1922, p. 6). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A cidade contava, at&eacute; existir o Asylo, com "muitas institui&ccedil;&otilde;es de ensino", mas ainda necessitava de meios para lidar com a inf&acirc;ncia abandonada. Essa necessidade n&atilde;o era nova em Ribeir&atilde;o Preto e nem a constata&ccedil;&atilde;o de que uma institui&ccedil;&atilde;o seria a solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel. Em janeiro de 1913, o editor do <I>Di&aacute;rio da Manh&atilde;</I>, En&eacute;ias da Silva (1913, p. 1), reclamava "Pela infancia abandonada" alguma solu&ccedil;&atilde;o, propondo "a ideia de congregar os bons elementos desta cidade ou deste munic&iacute;pio para funda&ccedil;&atilde;o de um estabelecimento ou de um instituto de protec&ccedil;&atilde;o &agrave; infancia abandonada, &aacute;s crean&ccedil;as de um e de outro sexo, atiradas pela mis&eacute;ria ou pelo abandono dos Paes no v&oacute;rtice da perdi&ccedil;&atilde;o". E a quem se dirigia o editorialista? Ele responde: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Por vezes tenho externado esse pensamento a varias pessoas de colloca&ccedil;&atilde;o social e directamente interessadas pela miss&atilde;o que na sociedade exercem, e entre estas, posso citar o exc. Sr. Dr. Polycarpo, juiz de direito da comarca e o revimo pe. Euclides Carneiro, recordando at&eacute; que ao ultimo fiz sentir a necessidade em que se achava a igreja catholica de Ribeir&atilde;o Preto de impulsionar ou auxiliar fortemente essa iniciativa, dando assim mostras de seu amor aos pequenos (SILVA, 1913, p. 1). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os nomes citados pelo editorialista, assim lembrados em raz&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es ocupadas, representam certa forma de agir quando se tratava da proposta de estabelecer uma institui&ccedil;&atilde;o para assistir os necessitados: recorrer aos nomes de proje&ccedil;&atilde;o da localidade, uns posicionados numa confiss&atilde;o religiosa, outros integrados &agrave; administra&ccedil;&atilde;o ou a algum poder p&uacute;blico, um benem&eacute;rito ou membro da elite capaz de contribuir em prest&iacute;gio ou materialmente para o projeto. Essa era a estrat&eacute;gia que costumava associar as express&otilde;es da sociedade civil e os representantes do poder p&uacute;blico num esfor&ccedil;o/causa comum: as crian&ccedil;as pobres. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De forma aut&oacute;ctone, Ribeir&atilde;o Preto produzia pobres e miser&aacute;veis porque recebia imigrantes, dentre os quais certo contingente n&atilde;o era integrado ou deixava os processos produtivos cafeeiros, causa maior de sua vinda, enquanto levas de migrantes circulavam entre Minas Gerais e a regi&atilde;o mogiana, sem meios para trabalhar, acumular e sobreviver, chegando at&eacute; a cidade para "tentar a vida". O notici&aacute;rio local<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a>, inclusive, na cr&ocirc;nica da vida di&aacute;ria, informava sobre casos como esse em que o "sr. dr. delegado de policia desta cidade passou attestado de indigencia a favor de Alfredo Maroni, que segue para a It&aacute;lia" (A CIDADE, 1912a, p. 1). Uma vez miser&aacute;veis, tanto os estrangeiros quanto os nacionais podiam tornarse pedintes, devendo receber a autoriza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia local, como fizeram um imigrante e um nativo, "a fim de mendigar pelas ruas da cidade", recorrendo ao "dr. Delegado regional", que "forneceu chapas de licen&ccedil;a a Luiz Dinarelli, italiano, de 60 annos e a Jos&eacute; Lima da Silva, brasileiro, de 23 annos" (A CIDADE, 1917a, p. 1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em paralelo, o aviltamento dos sal&aacute;rios e as oscila&ccedil;&otilde;es do custo dos alimentos, da moradia e das possibilidades de engajamento no trabalho pressionavam os pobres. Na mesma &eacute;poca das greves de 1917, na capital paulista, o custo de vida deu causa a uma convoca&ccedil;&atilde;o de greve em Ribeir&atilde;o Preto, transcrita pelo <I>A Cidade </I>(1917b, p. 1): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">"Aviso ao operariado". A exemplo da attitude dos operarios da capital e demais cidades do interior, reclamando dentro do direito e da lei contra a actual carestia de vida, os operairos da Companhia Antarctica, banco Constructor e outros, convidam s operarios em geral desta cidade a se reunirem 5. Feira, 26, &aacute;s 7 horas da tarde em frente ao theatro Carlos Gomes, afim de deliberarem, um com&iacute;cio pac&iacute;fico, a attitude a assumir ante os patr&otilde;es em beneficio da classe oper&aacute;ria. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">De forma combinada, devido &agrave; refer&ecirc;ncia em modelos externos, e em raz&atilde;o de cria&ccedil;&otilde;es locais, a assist&ecirc;ncia era praticada na cidade com o fim de responder setorialmente aos efeitos desses processos de empobrecimento de sua popula&ccedil;&atilde;o. A resposta &agrave; pobreza era setorial porque, para agir sobre essas express&otilde;es das quest&otilde;es sociais locais, estavam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de uma parte a repress&atilde;o e, de outra, a caridade e a assist&ecirc;ncia para atenuar as necessidades dos pobres e dos miser&aacute;veis. Com o fim de conter a insurg&ecirc;ncia dos trabalhadores nas fazendas e na cidade, a for&ccedil;a policial era, a todo tempo, mobilizada, assim como, para reprimir a pequena criminalidade, os pedintes e as demais amea&ccedil;as &agrave; ordem p&uacute;blica, a ponto de ser comum a not&iacute;cia de "Ca&ccedil;a aos vagabundos", a exemplo dessa ocasi&atilde;o, na qual o "major Antonio Alves da Costa Ferreira, subdelegado de policia, deu hontem ca&ccedil;a aos vagabundos que infestam alguns pontos da cidade" e "intimou os proprietarios de botequins que n&atilde;o admittam reuni&otilde;es dessa gente em suas casas" (A CIDADE, 1912b, p. 1). Ao passo que aconteciam essas reprimendas aos desocupados, entre os desvalidos de Ribeir&atilde;o Preto, seus filhos eram aqueles para quem o editorialista h&aacute; pouco citado reclamava solu&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, a solu&ccedil;&atilde;o proposta estava referenciada num modelo de assist&ecirc;ncia institucional &agrave; inf&acirc;ncia que ainda n&atilde;o fora concretizado em Ribeir&atilde;o Preto. Antes de contar com asilos e institutos de prote&ccedil;&atilde;o, a tutela e os contratos de soldada, por exemplo, eram pr&aacute;ticas conhecidas em Ribeir&atilde;o, desde o s&eacute;culo XIX, e respondiam pelos meios de transferir crian&ccedil;as da guarda dos pais para as fam&iacute;lias dos contratantes ou, ainda, como forma de criar os &oacute;rf&atilde;os. Na verdade, a tutela e o contrato de soldada eram institutos jur&iacute;dicos antigos, origin&aacute;rios das Ordena&ccedil;&otilde;es do Reino, e aplicados largamente no Brasil at&eacute; o C&oacute;digo Civil de 1916 (LEAL, 1930). Apesar de substituir as ordena&ccedil;&otilde;es, o c&oacute;digo brasileiro continuou a determinar como centro do p&aacute;trio poder o pai, uma vez que, em seu lugar, os parentes de sexo masculino seriam as escolhas prefer&iacute;veis para nomear o tutor de uma crian&ccedil;a, &agrave; semelhan&ccedil;a do que legislavam as Ordena&ccedil;&otilde;es Filipinas (LEAL, 1930). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sem pretender simplificar os institutos jur&iacute;dicos da tutela e da soldada e as rela&ccedil;&otilde;es sociais nas quais eram aplicados, &eacute; certo que o fato de crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s, desvalidas ou n&atilde;o, e filhas de pais e/ou m&atilde;es pobres serem inclu&iacute;das numa outra fam&iacute;lia descreve um tipo de recurso, se n&atilde;o uma estrat&eacute;gia, vigente em Ribeir&atilde;o Preto e que respondia, parcialmente, pela cria&ccedil;&atilde;o dos filhos sem pais e se servia do trabalho subalterno de meninos e meninas. Durante um per&iacute;odo de 55 anos, entre 1874 e 1931, que passa do Imp&eacute;rio &agrave; Rep&uacute;blica, os autos de tutela, curatela e os contratos de soldada somam 218 processos no Primeiro Of&iacute;cio da Comarca de Ribeir&atilde;o Preto<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a>. As situa&ccedil;&otilde;es que levaram a esses processos s&atilde;o variadas, embora existam algumas frequentes, como o conflito de interesses das partes envolvidas no auto, quando se trata das rela&ccedil;&otilde;es entre parentes da crian&ccedil;a tutelada e o tutor, da cobran&ccedil;a das obriga&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de um menino ou menina, mediante o compromisso de remunera&ccedil;&atilde;o (o contrato de soldada), e da necessidade de presta&ccedil;&atilde;o de contas dos curadores dos bens herdados por menores, quando &oacute;rf&atilde;os. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">At&eacute; que o primeiro asilo para &oacute;rf&atilde;os existisse, em Ribeir&atilde;o Preto, em 1917, quando se tratava de criar os filhos sem pais, ou apenas sem o pai, a tutela era o recurso aplic&aacute;vel sobre as crian&ccedil;as pobres ou sobre as herdeiras de bens. Al&eacute;m dessa situa&ccedil;&atilde;o, os processos de tutela demonstram que, em Ribeir&atilde;o Preto, era comum a recoloca&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as filhas de pais falecidos ou ausentes junto de outros familiares, havendo assim raz&atilde;o para demandar ao judici&aacute;rio local o reconhecimento do novo ente respons&aacute;vel. Mesmo na &eacute;poca do asilo de &oacute;rf&atilde;os da cidade, o An&aacute;lia Franco, era frequente o recurso &agrave; tutela para reparar situa&ccedil;&otilde;es de abandono e orfandade. O pr&oacute;prio Asilo An&aacute;lia Franco previa, em seu regulamento, que suas internas ingressariam mediante "interfer&ecirc;ncia do curador geral de orphans, que dar&aacute; a directoria do asylo, a renuncia paternal de accordo com as leis civis em vigor" (ASYLO, 1922c, p. 1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na tutela, os encaminhamentos das crian&ccedil;as formavam um circuito fam&iacute;lia&#45;fam&iacute;lia, isto &eacute;, as crian&ccedil;as tuteladas, fossem &oacute;rf&atilde;s pobres ou herdeiras, eram alocadas do seu grupo familiar original para outro, &agrave;s vezes dos colaterais ou, em outras ocasi&otilde;es, de pessoas sem parentesco. Quando o "Asylo An&aacute;lia Franco" recebeu suas primeiras internas, em 1917, outro circuito entrou em atividade em Ribeir&atilde;o Preto: fam&iacute;lia&#45;institui&ccedil;&atilde;o. Se, na aplica&ccedil;&atilde;o da tutela, em Ribeir&atilde;o Preto, havia nos processos a influ&ecirc;ncia de interesses quanto &agrave; heran&ccedil;a, de res&iacute;duos de v&iacute;nculos de parentesco que permitiam a um colateral ser tutor ou, em alguns casos, a motiva&ccedil;&atilde;o era a inten&ccedil;&atilde;o de usufruir dos servi&ccedil;os de um menino ou menina, como praticado na soldada, no circuito fam&iacute;lia&#45;institui&ccedil;&atilde;o, o "Asylo" determinava os crit&eacute;rios de ingresso das internas, se pautava por um programa instrutivo/educativo e previa meios para o encaminhamento das asiladas. Em compara&ccedil;&atilde;o com a tutela, na qual a crian&ccedil;a era absorvida pela vida familiar de outro e nela permanecia por tempo indefinido, na institui&ccedil;&atilde;o, a l&oacute;gica operante era a do percurso que iniciava com o recebimento da asilada, seguia com a sua cria&ccedil;&atilde;o e findava com a previs&atilde;o do seu desligamento: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">§ 1º&#150; Para admiss&atilde;o de uma crian&ccedil;a no Asylo, s&atilde;o requisitos: a) ser orpham e pobre, b) ser menor de dez annos, c) trazer documentos passados pelo curador geral de orphans, tutores ou parentes collateraes, d) attestado medico que garanta o bom estado de sa&uacute;de e respectivo attestado de vacina, e) apresentar a directoria, documento assignado por tres pessoas de reconhecida idoneidade que affirmem o desprezo dos paes pela crian&ccedil;a e neste caso, s&oacute; pode ser admittida com a interfer&ecirc;ncia do curador geral de orphans, que dar&aacute; a directoria do asylo, a renuncia paternal de accordo com as leis civis em vigor. </font></p>       <p> <font size="2" face="verdana">&#91;...&#93; § 3º&#150; A emancipa&ccedil;&atilde;o das orphans, da&#45;se aos vinte annos de idade, salvo motivo de casamento, que ser&aacute; feito com aquiesc&ecirc;ncia da directoria. (ASYLO, 1922c, p. 5101) </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, o asilo ribeir&atilde;o&#45;pretano viabilizou outra forma de assistir crian&ccedil;as sem pais ou abandonadas, dessa vez deslocando o encaminhamento de &oacute;rf&atilde;os e abandonados dos arremedos e simula&ccedil;&otilde;es de substitui&ccedil;&atilde;o familiar pr&oacute;prios da tutela, para outro ambiente e para outros agentes. Pelo fato de estabelecer lugares exteriores &agrave; vida familiar, quando n&atilde;o em substitui&ccedil;&atilde;o, no caso dos &oacute;rf&atilde;os, sob o fim de abrigar, criar e instruir os atendidos, suas realiza&ccedil;&otilde;es se inscrevem no campo da assist&ecirc;ncia infantojuvenil em ambiente institucional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para tanto, a vers&atilde;o ribeir&atilde;o&#45;pretana modelou seu estatuto, seus processos instrutivos e educativos, bem como suas convic&ccedil;&otilde;es, em conformidade com as ideias, propostas e realiza&ccedil;&otilde;es de An&aacute;lia Franco, na cidade e no Estado de S&atilde;o Paulo. A come&ccedil;ar pela coincid&ecirc;ncia de princ&iacute;pios e pelo modelo institucional, h&aacute; mais converg&ecirc;ncias do que diferen&ccedil;as entre o asilo de Ribeir&atilde;o Preto e seus cong&ecirc;neres paulistanos. Desde os primeiros movimentos de funda&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Feminina Beneficente e Instrutiva (AFBI), da qual An&aacute;lia Franco foi fundadora e ativa lideran&ccedil;a, os fins dessa organiza&ccedil;&atilde;o eram "n&atilde;o s&oacute; distribuir o p&atilde;o que mata a fome, como o p&atilde;o dos bons exemplos, da educa&ccedil;&atilde;o e do amor de Deus e do amor ao pr&oacute;ximo, o que forma boas m&atilde;es de fam&iacute;lia, o que faz o cidad&atilde;o honrado e o operario laborioso, sem contanto filiar&#45;se a credo algum, a fim de abranger todas as classes sociaes" (ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O, 1903, p. 218). Desse modo, a AFBI assumia princ&iacute;pios crist&atilde;os e, ao mesmo tempo, n&atilde;o se filiava a determinada confiss&atilde;o religiosa. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Sob princ&iacute;pios semelhantes, o "Asylo de Orphans An&aacute;lia Franco de Ribeir&atilde;o Preto", desde seu regimento, assumia a condi&ccedil;&atilde;o de "institui&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria cujo programma &eacute; praticar a caridade moral, intelectual e material &aacute;s criancinhas orphans sem distin&ccedil;&atilde;o de cor, nacionalidade e cren&ccedil;a religiosa", enfatizando o prop&oacute;sito de oferecer "manuten&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e instru&ccedil;&atilde;o, sem o menor constrangimento de opini&otilde;es religiosas, respeitando todas as cren&ccedil;as" (ASYLO, 1922c, p. 5101). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em compara&ccedil;&atilde;o com as realiza&ccedil;&otilde;es da AFBI, em S&atilde;o Paulo, a cidade de Ribeir&atilde;o Preto esperou at&eacute; 1917 para ter seu primeiro orfanato e, no mesmo ano, outro modelo de institui&ccedil;&atilde;o iniciava suas atividades: o Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &agrave; Inf&acirc;ncia. Com essa organiza&ccedil;&atilde;o local, um campo da a&ccedil;&atilde;o institucional sobre a inf&acirc;ncia pobre, comum durante a Primeira Rep&uacute;blica, estava contemplado, uma vez que prestava "servi&ccedil;os de assistencia medica, pharmceutica, alimentar e dentaria", bem como distribu&iacute;a leite aos "protegidos" (INSTITUTO, 1922, p. 1). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O nome dessa organiza&ccedil;&atilde;o ribeir&atilde;o&#45;pretana imitava o c&eacute;lebre IPAI, do Rio de Janeiro, fundado por Moncorvo Filho, em 1901, assim como havia semelhan&ccedil;a quanto ao tipo de a&ccedil;&atilde;o desenvolvida por ambos e pelo fato de serem liderados por m&eacute;dicos. O IPAI de Ribeir&atilde;o Preto tamb&eacute;m era conhecido pelo nome de seu fundador, o m&eacute;dico Antonio Gouveia, e, conforme a conex&atilde;o formal entre os dois institutos, ratificada pelo Decreto Federal 3.877 de 1919<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a>, a organiza&ccedil;&atilde;o, os prop&oacute;sitos e os apoiadores do IPAI de Ribeir&atilde;o Preto apresentavam caracter&iacute;sticas que remetiam ao modelo do Instituto do Rio de Janeiro. Al&eacute;m de seu fundador, o IPAI ribeir&atilde;o&#45;pretano contava com um grupo de diretoras origin&aacute;rias das fam&iacute;lias cujos membros estavam integrados ao circuito do poder pol&iacute;tico e institucional local, formado pelo trin&ocirc;mio Diret&oacute;rio do Partido Republicano Paulista&#45;C&acirc;mara Municipal&#45;Prefeitura. A presidente do Instituto, Anita Proc&oacute;pio Junqueira, era casada com o presidente da C&acirc;mara Municipal entre 1920 e 1926, Francisco da Cunha Junqueira, mais tarde deputado estadual em S&atilde;o Paulo. Ao lado de Maria Concei&ccedil;&atilde;o Junqueira Ferraz, Sylvia Stauffer e Benedita Gomide Morgan, al&eacute;m de comporem a diretoria, Anita Junqueira e suas colegas formavam um grupo de apoiadoras com v&iacute;nculos familiares, pol&iacute;ticos e de classe, aos quais recorriam para ativar uma rede de apoios ao IPAI, em Ribeir&atilde;o Preto, algo comum ao estabelecimento de alian&ccedil;as entre o p&uacute;blico e o privado, sob o fim de praticar a assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o IPAI e o Asilo An&aacute;lia Franco, duas vers&otilde;es da assist&ecirc;ncia institucional &agrave; inf&acirc;ncia produzidas e praticadas durante a Primeira Rep&uacute;blica, no Brasil e em S&atilde;o Paulo, tinham seus representantes em Ribeir&atilde;o Preto. Restava ainda um exemplar das institui&ccedil;&otilde;es disciplinares, largamente difundidas durante essa mesma &eacute;poca. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sem resultar de alguma a&ccedil;&atilde;o local, embora En&eacute;ias da Silva mencionasse, no editorial antes citado, que a C&acirc;mara Municipal adquiriu um terreno, por volta de 1913, "com o fim de doal&#45;o ao Governo do Estado, se este ali estabelecesse um instituto disciplinar" (SILVA, 1913, p. 1), Ribeir&atilde;o Preto recebeu um estabelecimento desse tipo em 1922. Nesse ano, o Patronato Agr&iacute;cola "Diogo Feij&oacute;" passou a ser o representante, em Ribeir&atilde;o Preto, dos modelos institucionais vigentes durante a Primeira Rep&uacute;blica, quando se tratava de recolher das ruas, tutelar e instruir meninos, fazendo uso do trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diferente do IPAI e do Asilo An&aacute;lia Franco, o Patronato foi instalado por iniciativa do governo federal, uma vez que pertencia ao Minist&eacute;rio da Agricultura, que adotou esse modelo em v&aacute;rios estados e o manteve at&eacute; 1930, quando todos foram desativados (OLIVEIRA, 2003). Nas justificativas para a cria&ccedil;&atilde;o dos patronatos, presentes no relat&oacute;rio do Minist&eacute;rio da Agricultura do exerc&iacute;cio de 1918, era lembrada a miss&atilde;o do governo de "organizar a assist&ecirc;ncia publica em favor dos pequeninos enjeitados da sorte e de preparar, com essa materia prima, uma gera&ccedil;&atilde;o nova de trabalhadores familiarizados com a mec&acirc;nica agr&iacute;cola, versados na pratica dos manejos e execu&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;res que conduzem &aacute; obten&ccedil;&atilde;o (...) dos produtos agr&iacute;colas", raz&atilde;o pela qual era necess&aacute;rio fundar "Patronatos Agr&iacute;colas numerosos e espalhados pelo interior de todos os Estados da Republica" (BRASIL, 1918, p. 138). Com esse fim, o "decreto n. 12.893, de 28 de fevereiro de 1918" autorizou o Minist&eacute;rio da Agricultura a "crear institui&ccedil;&otilde;es dessa natureza nos Postos Zootechnicos, Fazendas&#45;Modelo e estabelecimentos outros, com o duplo objectivo de socorrer a inf&acirc;ncia desherdada e formar cidad&atilde;os uteis &aacute; p&aacute;tria, pelo cultivo da hygiene, da moral, da instrucc&ccedil;&atilde;o e do trabalho ordenado e methodico" (BRASIL, 1918, p. 138&#45;139). Por coincid&ecirc;ncia, Ribeir&atilde;o Preto possu&iacute;a, h&aacute; algum tempo antes de 1922, um Posto Zoot&eacute;cnico e, nesse mesmo ano, o Patronato foi instalado nesse local, onde funcionou at&eacute; 1926, quando n&atilde;o recebeu mais internos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A diferen&ccedil;a marcante do Patronato em compara&ccedil;&atilde;o com o Asilo An&aacute;lia Franco e o IPAI&#45;RP n&atilde;o era apenas o fato de sua especificidade quanto aos m&eacute;todos de atua&ccedil;&atilde;o sobre a inf&acirc;ncia, a origem deles e suas justificativas legais. Na perspectiva da interioriza&ccedil;&atilde;o, o Patronato &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o que mais representa um modelo externo, trazido pronto para ser instalado na cidade. O processo de sua origem, embora um instituto disciplinar fosse pretendido, segundo En&eacute;ias da Silva, n&atilde;o indica articula&ccedil;&otilde;es com filantropos, pol&iacute;ticos ou expoentes das a&ccedil;&otilde;es assistenciais ribeir&atilde;opretanas. Ao contr&aacute;rio, a exist&ecirc;ncia do Patronato indicava mais a a&ccedil;&atilde;o institucional do Minist&eacute;rio da Agricultura, visando a disseminar esse modelo pelo interior paulista e do Brasil. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A interioriza&ccedil;&atilde;o: entre modelos externos e solu&ccedil;&otilde;es locais </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A tese da interioriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia trata da ado&ccedil;&atilde;o de modelos produzidos em outras localidades e da compara&ccedil;&atilde;o com a elabora&ccedil;&atilde;o local de respostas aos problemas da pobreza e do abandono de crian&ccedil;as. O centro e a ponta desse processo s&atilde;o, respectivamente, S&atilde;o Paulo e Ribeir&atilde;o Preto, sendo a primeira a cidade onde ideias e pr&aacute;ticas foram produzidas e concretizadas em institui&ccedil;&otilde;es e a segunda, a localidade interiorana, representando aquela que modelou suas institui&ccedil;&otilde;es conforme essas influ&ecirc;ncias de forma a elaborar respostas pr&oacute;prias para o problema da inf&acirc;ncia pobre. Portanto, seja pela refer&ecirc;ncia seja pela reprodu&ccedil;&atilde;o de modelos, pois a &uacute;ltima d&eacute;cada do XIX e as duas primeiras do s&eacute;culo XX s&atilde;o o tempo instituinte da assist&ecirc;ncia particular prestada ao p&uacute;blico, da elabora&ccedil;&atilde;o do arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico sobre a menoridade, da consagra&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rf&atilde;os e abandonados em institui&ccedil;&otilde;es fechadas, do ensino de of&iacute;cios subalternos e do encaminhamento social para atividades geralmente servis como alternativas &agrave; vida dos internos fora do ambiente institucional, &eacute; poss&iacute;vel caracterizar que, at&eacute; meados da d&eacute;cada de 1930, essas tend&ecirc;ncias se territorializam junto com pessoas, ideias e institui&ccedil;&otilde;es, no interior de S&atilde;o Paulo, a exemplo de Ribeir&atilde;o Preto. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Assim, com o Asilo An&aacute;lia Franco, o Instituto Antonio Gouveia e o Patronato Agr&iacute;cola "Diogo Feij&oacute;", Ribeir&atilde;o Preto conheceu, respectivamente, a pr&aacute;tica de tr&ecirc;s ordens de institui&ccedil;&otilde;es e as formas de a&ccedil;&atilde;o que praticavam. Com o Asilo An&aacute;lia Franco, a assist&ecirc;ncia asilar, a substitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, a cria&ccedil;&atilde;o e o encaminhamento de &oacute;rf&atilde;os e abandonados contaram com os servi&ccedil;os desse estabelecimento para levar para a cidade e nela estabelecer esses modos de agir consagrados tempos antes em S&atilde;o Paulo, pois, al&eacute;m da necessidade da forma&ccedil;&atilde;o, ministrada na rela&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria entre os assistidos e o corpo de funcion&aacute;rios, devido a terem inclu&iacute;do entre seus prop&oacute;sitos a tarefa de instruir, orfanatos, semin&aacute;rios e asilos prolongaram sua interven&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m de prover, associando o futuro desligamento de seus assistidos ao aprendizado de algum of&iacute;cio, capaz de dot&aacute;&#45;los de meios de subsist&ecirc;ncia. Assim se organizaram o Semin&aacute;rio da Gl&oacute;ria e Col&eacute;gio D. Carolina Tamandar&eacute;, em S&atilde;o Paulo, bem como o "Asylo de Orphans An&aacute;lia Franco", em Ribeir&atilde;o Preto, por exemplo, quando definiram certas ocupa&ccedil;&otilde;es como capazes de prover suas ex&#45;internas, ou o casamento e o magist&eacute;rio como dois horizontes poss&iacute;veis e visados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao Instituto de Prote&ccedil;&atilde;o, coube a ele e a seus fundadores implantar, em Ribeir&atilde;o, a a&ccedil;&atilde;o higienista, modelado pelos similares de outras partes. E, por fim, o Patronato Agr&iacute;cola, quando instalado em Ribeir&atilde;o Preto, apesar de ser produzido externamente, viabilizou a interioriza&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o disciplinar e corretiva das institui&ccedil;&otilde;es para menores, t&atilde;o conhecidas e adotadas durante a Primeira Rep&uacute;blica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">A CIDADE. <i>Indigente</i>. Ribeir&atilde;o Preto, n. 2241, p. 1, 11 jan. 1912a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0102-4698201200010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> A CIDADE. <i>Ca&ccedil;a aos vagabundos</i>. Ribeir&atilde;o Preto, n. 2363, p. 1, 15 jun. 1912b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0102-4698201200010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> A CIDADE. <i>Mendicidade</i>. Ribeir&atilde;o Preto, n. 3903, p. 1, 7 fev. 1917a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0102-4698201200010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> A CIDADE. <i>Rumores de Gr&eacute;ve</i>. Ribeir&atilde;o Preto, n. 4038, p. 1, 25 jul. 1917b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0102-4698201200010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> AMARAL, Antonio Barreto do. <i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Imprensa   Oficial, 2006. (Cole&ccedil;&atilde;o Paul&iacute;stica, v. 19)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0102-4698201200010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O FEMININA BENEFICIENTE E INSTRUCTIVA DO ESTADO DE   S&Atilde;O PAULO. Estatutos da Associa&ccedil;&atilde;o, Beneficiente e Instructiva do Estado de S. Paulo. <i>Di&aacute;rio Oficial do Estado de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, p. 218, 27 jan. 1903</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0102-4698201200010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ASYLO DE ORPHANS ANALIA FRANCO DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Livro de atas</i>.   Ribeir&atilde;o Preto: &#91;s.n.&#93;, 1922a. (manuscrito).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0102-4698201200010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ASYLO DE ORPHANS ANALIA FRANCO DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. Requerimento.   Ribeir&atilde;o Preto: &#91;s.n.&#93;, 1922b. &#91;Datilo. Arquivo P&uacute;blico e Hist&oacute;rico de Ribeir&atilde;o Preto,   Requerimentos diversos, 1920&#45;1925.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0102-4698201200010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&#93;</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ASYLO DE ORPHANS ANALIA FRANCO DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. Regulamento   do Asylo de Orfhans Analia Franco. <i>Di&aacute;rio Oficial do Estado de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, n. 171,   v. 34, p. 1, 2 ago. 1922c.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0102-4698201200010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ASYLO DE ORPHANS ANALIA FRANCO DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Livro de atas</i>.   Ribeir&atilde;o Preto: &#91;s.n.&#93;, 1923. (manuscrito).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0102-4698201200010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BACELLAR, Carlos de Almeida Prado. O apogeu do caf&eacute; na Alta Mogiana. In:   BACELLAR, Carlos de Almeida Prado; BRIOSCHI, Lucila Reis (Org.). <i>Na estrada do Anhanguera</i>: uma vis&atilde;o regional da hist&oacute;ria paulista. S&atilde;o Paulo: Humanitas/FFLCH/USP,   1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0102-4698201200010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BRASIL. Minist&eacute;rio da Agricultura. <i>Relat&oacute;rio apresentado ao Presidente da Rep&uacute;blica dos   Estados Unidos do Brasil pelo Ministro da Agricultura, Ind&uacute;stria e Commercio, Dr. Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves   Pereira Lima.</i> &#91;S.l.: s.n.&#93;, 1918.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0102-4698201200010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BRUNO, Ernani Silva. <i>Hist&oacute;rias e tradi&ccedil;&otilde;es da cidade de S&atilde;o Paulo</i>: metr&oacute;pole do Caf&eacute; (1872&#45;1918), S&atilde;o Paulo de agora (1919&#45;1954). 3 ed. S&atilde;o Paulo: HUCITEC/Prefeitura do   Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0102-4698201200010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> v. 3.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> C&Acirc;MARA MUNICIPAL DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Relat&oacute;rio apresentado pelo prefeito municipal   Dr. Manoel Aureliano de Gusm&atilde;o na sess&atilde;o de 10 de janeiro de 1903</i>. S&atilde;o Paulo: Duprat&amp;  Comp., 1903.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0102-4698201200010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> C&Acirc;MARA MUNICIPAL DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Relat&oacute;rio apresentado em sess&atilde;o de 15 de   janeiro de 1920, pelo Dr. Joaquim Macedo Bittencourt, Prefeito Municipal</i>. Ribeir&atilde;o Preto: Typ. da   Casa Selles, 1920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0102-4698201200010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> C&Acirc;MARA MUNICIPAL DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Relat&oacute;rio da Prefeitura, correspondente ao   exerc&iacute;cio de 1923, apresentado &agrave; C&acirc;mara Municipal em sess&atilde;o de 26 de abril de 1924</i>. Ribeir&atilde;o   Preto: Typ. Livro Verde, 1924.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0102-4698201200010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> C&Acirc;MARA MUNICIPAL DE RIBEIR&Atilde;O PRETO. <i>Relat&oacute;rios correspondentes ao exerc&iacute;cio de   1928, apresentados &aacute; C&acirc;mara Municipal em sess&atilde;o de 15 de janeiro de 1929, pelo presidente Dr.   Joaquim Camillo de Moraes Mattos e pelo prefeito municipal Jos&eacute; Martimiano da Silva</i>. Ribeir&atilde;o   Preto: Casa Beschizza, 1929.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0102-4698201200010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> CAMPOS, Candido Malta; GAMA, Lucia Helena; SACHETTA, Vladimir. <i>S&atilde;o Paulo</i>:   104   Educa&ccedil;&atilde;o em Revista | Belo Horizonte | v.28 | n.01 | p.79&#45;108 | mar. 2012   metr&oacute;pole em tr&acirc;nsito: percursos urbanos e culturais. S&atilde;o Paulo: Senac, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0102-4698201200010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> FERREIRA, Tolstoi de Paula. Subs&iacute;dios para a hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia social em S&atilde;o   Paulo. <i>Revista do Arquivo Municipal de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo: Departamento de Cultura, v.   67, jun. 1940.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0102-4698201200010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> FONSECA, S&eacute;rgio C&eacute;sar da. A assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia pobre na Rep&uacute;blica Velha: compara&ccedil;&otilde;es   entre S&atilde;o Paulo e Ribeir&atilde;o Preto (1900&#45;1917). <i>Cadernos de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</i>.   Uberl&acirc;ndia: Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia, v. 8, n. 1, p. 203&#45;220, jan.&#45;jun. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0102-4698201200010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> FRANCO, Jo&atilde;o Evangelista. O servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia aos menores no Estado de S&atilde;o   Paulo. <i>Revista do Arquivo Municipal</i>. S&atilde;o Paulo, v. 97, ano 10, p. 7&#45;44, set.&#45;out 1944.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0102-4698201200010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> INSTITUTO DE PROTE&Ccedil;&Atilde;O E ASSIST&Ecirc;NCIA &Agrave; INF&Acirc;NCIA DE RIBEIR&Atilde;O   PRETO. <i>Requerimento</i>. Ribeir&atilde;o Preto: &#91;s.n.&#93;, 1922. (datilo)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0102-4698201200010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> KFOURI, Nadir Gouv&ecirc;a. <i>Estabelecimentos particulares cujo objetivo &eacute; prestar assistencia aos menores   abandonados do Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: &#91;s.n.&#93;, &#91;1936&#93;. (datilo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0102-4698201200010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LAURIANO, Monsenhor Dr. Jo&atilde;o. <i>Subs&iacute;dios para a hist&oacute;ria religiosa de Ribeir&atilde;o Preto (1845&#45;1905). Ribeir&atilde;o Preto</i>: C&uacute;ria Metropolitana de Ribeir&atilde;o Preto, 1973.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0102-4698201200010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LEAL, Antonio Luiz da C&acirc;mara. <i>Manual Elementar de Direito Civil</i>. S&atilde;o Paulo: Saraiva &amp;  Cia Editores, 1930.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0102-4698201200010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LOWRIE, Samuel H. Assist&ecirc;ncia filantr&oacute;pica na cidade de S&atilde;o Paulo. <i>Revista do Arquivo   Municipal</i>. v. 27, ano 3, S&atilde;o Paulo: Departamento de Cultura, Set. 1936.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0102-4698201200010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MARC&Iacute;LIO, Maria Lu&iacute;za. <i>Hist&oacute;ria social da crian&ccedil;a abandonada</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0102-4698201200010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MEM&Oacute;RIA urbana. <i>A grande S&atilde;o Paulo at&eacute; 1940</i>. S&atilde;o Paulo: Arquivo do Estado;   Imprensa Oficial, 2001. v. 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0102-4698201200010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MENSAGEM apresentada ao Congresso Legislativo, em 14 de julho de 1927, pelo Dr.   Antonio Dino da Costa Bueno, Presidente do Estado de S&atilde;o Paulo. In: S&Atilde;O PAULO. <i>Relat&oacute;rios dos Presidentes de Estado</i>: 1a Rep&uacute;blica, 1890&#45;1927 (microfilme). Rio de Janeiro:   Biblioteca Nacional, 1984. 542 fotogramas, 35 mm.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0102-4698201200010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MOACYR, Primitivo. <i>A instru&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Estado de S&atilde;o Paulo</i>: primeira d&eacute;cada republicana   (1890&#45;1893). S&atilde;o Paulo: Cia. Editora Nacional, 1942.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0102-4698201200010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MONBEIG, Pierre. <i>Pioneiros e fazendeiros de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: HUCITEC/Polis, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0102-4698201200010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MOTTA, C&acirc;ndido N. N. da. <i>Os menores delinq&uuml;entes e o seu tratamento no Estado de S&atilde;o Paulo</i>.   S&atilde;o Paulo: Tipografia do Di&aacute;rio Oficial, 1909.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0102-4698201200010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> OLIVEIRA, Eliane de Christo. <i>An&aacute;lia Franco e a Associa&ccedil;&atilde;o Feminina Beneficente e Instrutiva</i>:   id&eacute;ias e pr&aacute;ticas educativas para a crian&ccedil;a e a mulher (1870&#45;1920). &#91;2007&#93;. Disserta&ccedil;&atilde;o   (Mestrado) &#45; Universidade S&atilde;o Francisco, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0102-4698201200010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> PETRONE, Pasquale. No cintur&atilde;o em torno do centro da cidade, definiram&#45;se in&uacute;meras   pequenas It&aacute;lias. In: MEM&Oacute;RIA urbana. <i>A grande S&atilde;o Paulo at&eacute; 1940</i>. S&atilde;o Paulo: Arquivo do Estado; Imprensa Oficial, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0102-4698201200010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> PRATES, Prisco da Cruz. <i>Ribeir&atilde;o Preto de outrora</i>. Ribeir&atilde;o Preto: &#91;s.n.&#93;, 1956.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0102-4698201200010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> REIS, Nestor Goulart. S&atilde;o Paulo: vila, cidade, metr&oacute;pole. Prefeitura Municipal de S&atilde;o   Paulo: 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0102-4698201200010000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> S&Atilde;O PAULO. Decreto Estadual n. 91, 18 ago, 1892. Approva os estatutos apresentados   pelo dr. Manoel Baptista da Cruz Tamandar&eacute;, para o collegio&#45;Dona Carolina Tamandar&eacute;. <i>Di&aacute;rio Official do Estado de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, n. 374, ano 2, p. 1, 20 ago. 1892.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0102-4698201200010000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> SILVA, En&eacute;ias da. Pela inf&acirc;ncia abandonada. <i>Di&aacute;rio da Manh&atilde;</i>, Ribeir&atilde;o Preto, n. 4079, p.   1, coluna 5, 12 jan. 1913.   105 Educa&ccedil;&atilde;o em Revista | Belo Horizonte | v.28 | n.01 | p.79&#45;108 | mar. 2012</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0102-4698201200010000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> TUON, Liamar. <i>O cotidiano cultural em Ribeir&atilde;o Preto (1880&#45;1920)</i>. &#91;1997&#93;. Disserta&ccedil;&atilde;o   (Mestrado em Hist&oacute;ria) &#45; Faculdade de Hist&oacute;ria, Direito e Servi&ccedil;o Social, Universidade   Estadual de S&atilde;o Paulo, Franca, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0102-4698201200010000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> VASCONCELLOS, Maria da Penha Cunha. (Coord.). <i>Mem&oacute;rias da sa&uacute;de p&uacute;blica</i>: a fotografia   como testemunha. S&atilde;o Paulo: Hucitec/Abrasco, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0102-4698201200010000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Duas refer&ecirc;ncias sustentam essa periodiza&ccedil;&atilde;o, sendo uma delas o in&iacute;cio das atividades, em 1825, dos Semin&aacute;rios de Santana e da Gl&oacute;ria, os primeiros estabelecimentos p&uacute;blicos para &oacute;rf&atilde;os na cidade de S&atilde;o Paulo, e a outra &eacute; o mapeamento das institui&ccedil;&otilde;es assistenciais filantr&oacute;picas ativas na capital paulista realizado por Samuel H. Lowrie (1936) durante 1935. Sustenta, ainda, essa delimita&ccedil;&atilde;o o levantamento produzido por Nadir Gouv&ecirc;a Kfouri, em 1935, sobre estabelecimentos assistenciais para crian&ccedil;as em S&atilde;o Paulo, no qual aparecem informadas como ativas v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es citadas no <a href="#qdr01">Quadro 1</a>, principalmente aquelas criadas no per&iacute;odo de 1892 a 1897. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> A maior parte dos relat&oacute;rios conjuntos da C&acirc;mara Municipal e da Prefeitura procura justificar que, em raz&atilde;o do montante de impostos arrecadados, as possibilidades de aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos costumavam priorizar os melhoramentos na capta&ccedil;&atilde;o e na distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, na rede de esgoto, no cal&ccedil;amento das ruas, na limpeza p&uacute;blica, junto do que se nomeava, &agrave; &eacute;poca, de "pol&iacute;cia sanit&aacute;ria", nesse caso, uma pr&aacute;tica levada a efeito pela Comiss&atilde;o Sanit&aacute;ria local, dotada de poder de pol&iacute;cia para fiscalizar resid&ecirc;ncias e estabelecimentos comerciais (C&Acirc;MARA MUNICIPAL, 1920; 1924). Esses eram os compromissos em que as administra&ccedil;&otilde;es locais se empenhavam, o que abria margem &agrave; a&ccedil;&atilde;o privada, principalmente, quando se tratava de suprir as necessidades impostas pela pobreza. Desse modo, a a&ccedil;&atilde;o assistencial privada e seus promotores precisavam negociar benef&iacute;cios, incentivos e subven&ccedil;&otilde;es com os ocupantes do poder p&uacute;blico. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Trata&#45;se do per&iacute;odo em que Jos&eacute; Alves de Cerqueira C&eacute;sar assumiu a presid&ecirc;ncia do Estado, de 15/12/1891 a 23/8/1892.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> Em 1890, durante o tempo em que Prudente de Morais foi governador do Estado, o or&ccedil;amento para o exerc&iacute;cio seguinte foi fixado pelo Decreto n. 50, de 28 de abril de 1890, no qual se previam subven&ccedil;&otilde;es aos referidos liceus, bem como ao Semin&aacute;rio de Educandas da Gl&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> As ordens religiosas estavam presentes na cidade de S&atilde;o Paulo desde o s&eacute;culo XVI, pelo menos, praticando, entre outros feitos, a caridade aos doentes, aos pobres e a toda sorte de necessitados, embora tal a&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o representasse, como ocorreu no s&eacute;culo XIX, algo semelhante ao sistema privado de assist&ecirc;ncia aos desvalidos, conforme indicado por Marc&iacute;lio (1998). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Num artigo tamb&eacute;m comparativo, discuto (FONSECA, 2009) as rela&ccedil;&otilde;es entre o p&uacute;blico e o privado na assist&ecirc;ncia &agrave; inf&acirc;ncia pobre e abandonada, cotejando, para tanto, as cidades de S&atilde;o Paulo e Ribeir&atilde;o Preto, durante a Primeira Rep&uacute;blica. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Os anu&aacute;rios estat&iacute;sticos estaduais desse per&iacute;odo indicam essa progress&atilde;o acelerada do crescimento da popula&ccedil;&atilde;o da cidade de S&atilde;o Paulo em raz&atilde;o dos n&uacute;meros da imigra&ccedil;&atilde;o (MEM&Oacute;RIA, 2001). Quando o per&iacute;odo &eacute; ampliado, no espa&ccedil;o de tempo entre 1890 e 1938, segundo os dados compilados no volume 2 de <I>Mem&oacute;ria urbana </I>(2001), os n&uacute;meros do crescimento populacional da capital paulista impressionam mais, uma vez que, em 1938, sua popula&ccedil;&atilde;o passou da marca de um milh&atilde;o de habitantes. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> Os textos do jornal <I>A Cidade </I>citados neste artigo s&atilde;o provenientes de pesquisa realizada na Biblioteca Padre Euclides, de Ribeir&atilde;o Preto, e outra parte resulta das transcri&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis no Arquivo P&uacute;blico e Hist&oacute;rico da cidade, doadas pela pesquisadora Liamar Tuon (1997), autora de estudo sobre a cidade na Primeira Rep&uacute;blica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> Esses n&uacute;meros resultam das pesquisas que realizo no acervo dos processos da Comarca de Ribeir&atilde;o Preto guardados no Arquivo P&uacute;blico e Hist&oacute;rico da cidade. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> O Decreto Federal 3.877 de 12 de novembro de 1919 estabeleceu, em seu artigo primeiro, que: "S&atilde;o considerados de utilidade p&uacute;blica a Liga Brasileira contra o Analphabetismo, a Liga Pro&#45;Saneamento do Brasil e o Instituto de Protec&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia &aacute; Inf&acirc;ncia, todos com sede nesta Capital, bem como suas filiaes j&aacute; existentes". Para o IPAI de Ribeir&atilde;o Preto, esse era o decreto com o qual sustentava sua condi&ccedil;&atilde;o de utilidade p&uacute;blica, uma vez que o citava em seus documentos, assumindo, desse modo, um v&iacute;nculo formal/legal com o IPAI do Rio de Janeiro (INSTITUTO, 1922). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><a name="end"></a><a href="#tx"><img src="/img/revistas/edur/v28n1/seta.jpg" border="0"></a> Contato:</b>    <br>   Universidade de S&atilde;o Paulo &#45; Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncia e Letras de Ribeir&atilde;o Preto &#45; Departamento de Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o    <br>   Avenida Bandeirantes, 3900    <br>   CEP 14040&#45;901 Ribeir&atilde;o Preto, SP Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Recebido: </b>30/09/2010    <br>   <b>Aprovado: </b>04/07/2011</font></p>     ]]></body>
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