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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Intenção educacional da ética de Tomás de Aquino no contexto citadino no século XIII]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The goal here is to consider the ethical conception reasoned out by Thomas Aquinas (12245?/1274), beginning with the relationship between knowledge production and social transformation. We selected, for analysis, the topic: "The consequences of human actions on grounds of goodness and malice" from the author's main work, the Summa of Theology. We will stage this debate in the light of contemporary scholars dealing with the issue, paying attention, in particular, to Le Goff, Lauand and Oliveira. It is our understanding that the ideas developed by Thomas Aquinas conceived of, both in and for the city, confirmed the need for knowledge of, and teaching of, virtues; such virtues being oriented towards social relationships that have personal responsibility implicit in them. We consider that this study may point the way to a debate about ethics suited to the present day.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="tx"></a>Inten&ccedil;&atilde;o educacional da &eacute;tica de Tom&aacute;s de Aquino no contexto  citadino no s&eacute;culo XIII</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>The  educational intention in the ethics of Thomas Aquinas, and its urban context,  in the thirteenth century</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tatyana Murer Cavalcante<sup>I</sup>; Terezinha Oliveira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Doutoranda em Educa&ccedil;&atilde;o, com bolsa CAPES, do Programa de P&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de    Maring&aacute; (UEM) e pesquisadora do GTSEAM. E&#45;mail: <a href="mailto:tayonca@gmail.com">tayonca@gmail.com</a>    <br>   <sup>II</sup>Doutora em Hist&oacute;ria pela Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho; Professora associada n&iacute;vel C da    Universidade Estadual de Maring&aacute; e bolsista produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico  e Tecnol&oacute;gico (CNPq) &#150; n&iacute;vel 2. E&#45;mail: <a href="mailto:toliveira@uem.br">toliveira@uem.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#nt">Contato</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo deste texto &eacute; tecer considera&ccedil;&otilde;es sobre a concep&ccedil;&atilde;o de &eacute;tica de Tom&aacute;s de Aquino (1224&#45;5?/1274), a partir da rela&ccedil;&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento e transforma&ccedil;&otilde;es sociais. Selecionamos para an&aacute;lise a quest&atilde;o "As consequ&ecirc;ncias dos atos humanos em raz&atilde;o da bondade e da mal&iacute;cia", oriunda da obra principal do autor, a <I>Suma de Teologia</I>. Faremos este debate &agrave; luz de estudiosos da contemporaneidade que tratam do tema, com destaque especial para Le Goff, Lauand e Oliveira. Compreendemos que a elabora&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s de Aquino, gestada <I>na </I>e <I>para a </I>cidade, afirmava a necessidade do conhecimento e do ensino de virtudes orientadas para as rela&ccedil;&otilde;es sociais que implicavam a responsabilidade pessoal. Consideramos que este estudo pode nos apontar caminhos para o debate sobre a &eacute;tica na atualidade.     <br><B>Palavras&#45;chave:</b> Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o. &Eacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o. Tom&aacute;s de Aquino. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> The goal here is to consider the ethical conception reasoned out by Thomas Aquinas (12245?/1274), beginning with the relationship between knowledge production and social transformation. We selected, for analysis, the topic: "The consequences of human actions on grounds of goodness and malice" from the author's main work, the Summa of Theology. We will stage this debate in the light of contemporary scholars dealing with the issue, paying attention, in particular, to Le Goff, Lauand and Oliveira. It is our understanding that the ideas developed by Thomas Aquinas conceived of, both in and for the city, confirmed the need for knowledge of, and teaching of, virtues; such virtues being oriented towards social relationships that have personal responsibility implicit in them. We consider that this study may point the way to a debate about ethics suited to the present day. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</B> History of Education. Ethics and Education. Thomas Aquinas. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;tica &eacute; um tema em evid&ecirc;ncia na atualidade. O debate vem &agrave; tona na m&iacute;dia, a cada not&iacute;cia de viol&ecirc;ncia, vandalismo, m&aacute; utiliza&ccedil;&atilde;o de dinheiro p&uacute;blico, apropria&ccedil;&atilde;o privada de bens p&uacute;blicos, entre outros temas. &Agrave; sociedade brasileira se coloca a necessidade de refletir sobre a &eacute;tica e se imp&otilde;e &agrave; universidade, de maneira especial, a responsabilidade por essa reflex&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim como nos demais campos do saber, a Educa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se prop&otilde;e debater a &eacute;tica. Essa reflex&atilde;o, t&atilde;o fundamental aos nossos dias, &eacute; reincidente. Em diferentes sociedades, os homens se dispuseram a compreender, a estabelecer os limitese as a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a conviv&ecirc;ncia comum. &Eacute; nesse sentido que consideramos importante investigar, na Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o, o conhecimento que a humanidade nos legou. Compreendemos, entretanto, que algumas situa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas podem contribuir mais incisivamente nessa reflex&atilde;o, como o nascimento da universidade, na vida citadina do s&eacute;culo XIII. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A cidade<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> medieval alargou as possibilidades da viv&ecirc;ncia humana, pela multiplicidade de pap&eacute;is sociais que impunha. Os citadinos precisaram organizar&#45;se de forma coletiva. Ainda no s&eacute;culo XII, eles criaram a Corpora&ccedil;&atilde;o de Of&iacute;cio, sistematizando o trabalho. Naquela nova realidade, os homens reconsideraram suas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, para compreenderem&#45;se no espa&ccedil;o dessas novas rela&ccedil;&otilde;es, motivo pelo qual conhecimentos de diferentes campos do saber eram questionados, como direito, medicina, pol&iacute;tica, teologia e educa&ccedil;&atilde;o. A exemplo dos demais campos de trabalho, no s&eacute;culo XIII, conhecimento e ensino ganharam uma nova institui&ccedil;&atilde;o, a universidade, local privilegiado de debate te&oacute;rico daquela sociedade. No universo que se abria, era necess&aacute;rio redefinir regras de conviv&ecirc;ncia e ideais sociais, tamb&eacute;m originados e debatidos no seio da universidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; sob a perspectiva dessas transforma&ccedil;&otilde;es que, no decorrer do texto, ponderaremos a elabora&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de &eacute;tica em Tom&aacute;s de Aquino (12245?/1274), te&oacute;logo dominicano e mestre universit&aacute;rio, reconhecido como um dos principais &iacute;cones da literatura escol&aacute;stica. Por esse motivo, consideramos essencial debater a produ&ccedil;&atilde;o desse autor na ambi&ecirc;ncia citadina do s&eacute;culo XIII. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, por um lado, alguns fatores da experi&ecirc;ncia humana podem ser reconhecidos como reincidentes, &eacute; fundamental lembrarmos que essa experi&ecirc;ncia &eacute; tamb&eacute;m ressignificada do ponto de vista te&oacute;rico. Assim, os dois principais termos envolvidos na elabora&ccedil;&atilde;o desse artigo, &eacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podem ser tomados domesmo modo no s&eacute;culo XIII e no XXI. &Eacute;tica, em nosso tempo, diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o normativa de a&ccedil;&otilde;es e de car&aacute;ter de indiv&iacute;duos ou grupos sociais (O'NEILL, 1996, p. 278), distinguido&#45;se da moralidade, que implica um conjunto de considera&ccedil;&otilde;es ao modo mais correto de se bem viver numa sociedade, no sentido descritivo ou prescritivo (CRISP, 1996, p. 483). A distin&ccedil;&atilde;o das inst&acirc;ncias &eacute;tica&#45;moralidade &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o da Modernidade (O'NEILL, 1996, p. 278). Desse modo, ao vislumbrarmos um per&iacute;odo hist&oacute;rico anterior &agrave; Modernidade, como o s&eacute;culo XIII, &eacute; necess&aacute;rio considerar &eacute;tica e moralidade como indissoci&aacute;veis. Nesse sentido, n&atilde;o era a pergunta "como devo agir?" posta no debate &eacute;tico, mas sim a pergunta "que pessoa eu devo ser?"<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a> impunha&#45;se &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o em quest&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao segundo elemento &#150; a educa&ccedil;&atilde;o &#150; tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio considerar que embora ela n&atilde;o tenha perdido o car&aacute;ter de socializa&ccedil;&atilde;o, a partir da Modernidade ela est&aacute; mais associada a processos do ensino preferencialmente escolares e tem, mais recentemente, sofrido uma sistematiza&ccedil;&atilde;o como saber cient&iacute;fico (PATEMAN, 1996, p. 233). Assim, muito embora os homens do passado n&atilde;o tenham se furtado de refletir sobre a educa&ccedil;&atilde;o e o ensino, esse estudo se configurava como parte de um debate mais amplo, vinculado &agrave; &eacute;tica, &agrave; sociabilidade e ao car&aacute;ter e, no caso da elabora&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica crist&atilde; medieval, a uma &eacute;tica religiosa. Ao tomarmos a obra de Tom&aacute;s de Aquino &eacute; importante tamb&eacute;m compreendermos que os aspectos educacionais eram parte de um estudo filos&oacute;fico&#45;teol&oacute;gico, este sim muito bem delineado pelo autor. Por esses motivos, n&atilde;o nos &eacute; poss&iacute;vel encontrar, na obra tomasiana, instru&ccedil;&otilde;es sistematizadas sobre o fazer educativo, tal como encontrar&iacute;amos se tom&aacute;ssemos nossos contempor&acirc;neos, sendo poss&iacute;vel apenas tra&ccedil;ar, a partir da an&aacute;lise da obra em seu contexto, as inten&ccedil;&otilde;es educativas do autor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para refletirmos sobre a produ&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s de Aquino no espa&ccedil;o citadino do s&eacute;culo XIII, selecionamos para an&aacute;lise um texto do autor, a quest&atilde;o "As consequ&ecirc;nciasdos atos humanos em raz&atilde;o da bondade e da mal&iacute;cia" (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21)<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a>, oriunda da obra principal do mestre, a <I>Suma de Teologia</I><a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a>. Essa quest&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da de quatro partes, nomeadas artigos, e cada um deles inicia&#45;se por meio de indaga&ccedil;&atilde;o. A an&aacute;lise que empreendemos tem como ponto de partida a pr&oacute;pria estrutura do texto do autor, ou seja, partiremos das perguntas elaboradas por ele para organizar a exposi&ccedil;&atilde;o. Entretanto, dividimo&#45;la em tr&ecirc;s partes. A primeira delas, nomeada "Os atos humanos e os citadinos no s&eacute;culo XIII", refere&#45;se &agrave; quest&atilde;o proposta no primeiro artigo: "O ato humano, enquanto bom ou mau, tem raz&atilde;o de retid&atilde;o ou de pecado?", em que apresentaremos o autor e alguns elementos essenciais de seu tempo, de forma a introduzir a relev&acirc;ncia do debate te&oacute;rico sobre os atos humanos. A segunda parte, "Responsabilidades pessoais e consci&ecirc;ncia de grupo" se refere &agrave; quest&atilde;o proposta no segundo artigo, se o ato humano tem raz&atilde;o "de louv&aacute;vel ou de culp&aacute;vel", em que apresentaremos a biografia do autor e aprofundamos a exposi&ccedil;&atilde;o de alguns elementos hist&oacute;ricos essenciais &agrave; no&ccedil;&atilde;o de bem comum. Finalmente, a terceira parte, "Conhecimento, ensino e responsabilidade", est&aacute; relacionada &agrave;s quest&otilde;es propostas no terceiro e no quarto artigos, se os atos humanos t&ecirc;m raz&atilde;o de "m&eacute;rito ou dem&eacute;rito" entre os homens e diante de Deus. Nesta parte, aprofundaremos a concep&ccedil;&atilde;o de &eacute;tica de Tom&aacute;s de Aquino, pautada na no&ccedil;&atilde;o de homem como totalidade corp&oacute;reo&#45;mental, social e espiritual. As duas primeiras partes nos auxiliam a cercar a concep&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do autor no seio do s&eacute;culo XIII, enquanto a &uacute;ltima nos permite um questionamento sobre a possibilidade de este estudo nos auxiliar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;tica no presente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para realizarmos este estudo, n&oacute;s nos basearemos em diferentes obras da historiografia contempor&acirc;nea, notadamente &#150; mas n&atilde;o exclusivamente &#150; a de Jacques Le Goff<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a>, reconhecido medievalista franc&ecirc;s, bem como de Jean Lauand e Terezinha Oliveira, pesquisadores brasileiros que se dedicam ao estudo da Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o Medieval. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os atos humanos e os citadinos no s&eacute;culo XIII</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O ato humano, enquanto bom ou mau, tem raz&atilde;o de retid&atilde;o ou de pecado?" Assim Tom&aacute;s de Aquino lan&ccedil;ava a primeira das quatro perguntas da quest&atilde;o: "As consequ&ecirc;ncias dos atos humanos em raz&atilde;o da bondade e da mal&iacute;cia" (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 1). Essa indaga&ccedil;&atilde;o permite&#45;nos apresentar os elementos essenciais da elabora&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica do Aquinate<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a>. Em primeiro lugar, por seu objeto pr&oacute;prio, o "ato" humano. Em segundo, pelo tratamento teol&oacute;gico dispensado ao tema. Em terceiro e &uacute;ltimo, porque a escrita &eacute; iniciada por uma pergunta, em vez de explicitar uma afirma&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como anunciamos na introdu&ccedil;&atilde;o, Tom&aacute;s de Aquino foi te&oacute;logo dominicano e mestre universit&aacute;rio. Os intelectuais que se dedicam a estud&aacute;&#45;lo indicam que aquele mestre viveu integralmente para a evangeliza&ccedil;&atilde;o e para o ensino (TORRELL, 1999; LAUAND, 1999; OLIVEIRA, 2005). Confiramos como Le Goff descreve o Mestre de Aquino: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Tom&aacute;s de Aquino &eacute; o escol&aacute;stico que deixou a maior influ&ecirc;ncia no pensamento europeu at&eacute; hoje. Italiano, da pequena nobreza, que morou muitas vezes em Paris como estudante e depois como professor, tamb&eacute;m em Orvieto, em Roma e em N&aacute;poles, foi um professor da moda que atra&iacute;a e entusiasmava os estudantes, e um pensador audacioso que provocou a hostilidade de numerosos colegas e de certos prelados influentes. &Eacute; o tipo do intelectual europeu, sedutor e contestado, que iluminava e perturbava ao mesmo tempo os meios intelectuais e religiosos (LE GOFF, 2007, p. 188). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Este autor apresenta o dominicano como pensador atuante e destemido, que se posicionou frente aos debates te&oacute;ricos, ou seja, como um homem de a&ccedil;&atilde;o. O medievalista franc&ecirc;s n&atilde;o est&aacute; sozinho ao afirmar a for&ccedil;a da atua&ccedil;&atilde;o do Aquinate em seu tempo. Segundo Lauand (1999), o "Doutor Ang&eacute;lico", como tamb&eacute;m ficou conhecido, viveu plenamente o s&eacute;culo XIII, especialmente quanto &agrave;s suas tens&otilde;es e aos seus desafios. Segundo o autor: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Os cinq&uuml;enta anos da vida de Tom&aacute;s de Aquino (1225&#45;1274) est&atilde;o plenamente centrados no s&eacute;culo XIII, e n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista cronol&oacute;gico: todas as significativas novidades culturais desse tempo mant&ecirc;m estreita rela&ccedil;&atilde;o com sua vida e lutas. Ao contr&aacute;rio do clich&ecirc; que o apresenta como uma &eacute;poca de paz e equil&iacute;brio harm&ocirc;nico, esse s&eacute;culo &eacute; um tempo de agudas contradi&ccedil;&otilde;es, tanto no plano econ&ocirc;mico e social como no do pensamento (LAUAND, 1999, p. 4&#45;5). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">As palavras de Lauand nos auxiliam a tra&ccedil;ar os caminhos que percorremos ao refletir sobre o texto do Aquinate: o dominicano era, antes de tudo, um homem do s&eacute;culo XIII. O debate sobre os atos humanos desse autor precisa ser compreendido como elabora&ccedil;&atilde;o de um pensador citadino que buscou, no conhecimento dispon&iacute;vel em seu contexto, aux&iacute;lio para a reflex&atilde;o sobre os conflitos que a sua &eacute;poca apresentava.&Eacute;, pois, em virtude do comprometimento do autor com o seu tempo e com sua ambi&ecirc;ncia que devemos analisar as caracter&iacute;sticas da produ&ccedil;&atilde;o de sua obra. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Segundo Le Goff, o s&eacute;culo XIII &eacute; considerado o apogeu do Ocidente medieval (2007, p. 143). Para esse autor, naquela &eacute;poca, se firmaram a personalidade e a nova for&ccedil;a da cristandade, pela qual se imp&ocirc;s um modelo "europeu". Le Goff afirma ainda que esse &ecirc;xito se verifica em quatro campos: o crescimento urbano, a renova&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio e a promo&ccedil;&atilde;o dos mercadores, a expans&atilde;o do saber e, por fim, um fator que "sustenta e alimenta" os outros tr&ecirc;s: a cria&ccedil;&atilde;o e a extraordin&aacute;ria difus&atilde;o das novas ordens religiosas, as ordens "mendicantes". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Retomemos as palavras de Lauand (1999). Se, como afirma Le Goff, o s&eacute;culo XIII &eacute; considerado o apogeu do Ocidente medieval, esse n&atilde;o foi um tempo de paz, mas de agudas contradi&ccedil;&otilde;es. As novas possibilidades para a vida humana eram orientadas pelas cidades e se contrapunham &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es da vida social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Compreendemos, como Le Goff, a centralidade das cidades<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a> no forjar de uma nova sociedade. Numa obra dedicada especialmente ao apogeu das cidades medievais, esse autor afirma que, sob a &eacute;gide da Igreja, na cidade se adaptava uma nova sociedade. "As cidades s&atilde;o uma das principais manifesta&ccedil;&otilde;es e um dos motores essenciais dessa culmina&ccedil;&atilde;o medieval" (LE GOFF, 1992, p. 1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O autor observa tamb&eacute;m que os s&eacute;culos XI e XII correspondem ao per&iacute;odo de desenvolvimento "selvagem" das cidades, mas a sua consolida&ccedil;&atilde;o efetiva ocorreria a partir da segunda metade do s&eacute;culo XII e durante o s&eacute;culo XIII. Para Le Goff, o termo que melhor exprime a realidade ideol&oacute;gica da cidade &eacute; <I>universitas </I>(corpora&ccedil;&atilde;o), a coletividade formada pelos habitantes. A comunidade urbana &eacute; mais do que a soma do conjunto de indiv&iacute;duos, ela &eacute; "&#91;...&#93; a consci&ecirc;ncia de grupo que se afirma na a&ccedil;&atilde;o e na oposi&ccedil;&atilde;o" (LE GOFF, 1992, p. 81). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por esse motivo &eacute; essencial, ao considerarmos "atos humanos" em Tom&aacute;s de Aquino, compreendermos a especificidade hist&oacute;rica do debate. Ao Aquinate n&atilde;o interessava simplesmente investigar os atos humanos como conceitos universais, mas sua caracteriza&ccedil;&atilde;o segundo a tomada de consci&ecirc;ncia da comunidade urbana. Nesse sentido, &eacute; necess&aacute;rio que investiguemos o car&aacute;ter teol&oacute;gico da abordagem tomasiana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Numa obra dedicada ao estudo historiogr&aacute;fico da Filosofia Medieval (Escol&aacute;stica), Oliveira (2005) apresenta uma contribui&ccedil;&atilde;o essencial para esse debate. Segundo a autora, no surgimento da Idade M&eacute;dia, as condi&ccedil;&otilde;es da exist&ecirc;ncia dos homens os afastavam da forma de viver da Antiguidade e, especialmente, da vida citadina, condi&ccedil;&otilde;es nas quais aqueles homens tinham preocupa&ccedil;&otilde;es e quest&otilde;es que lhes eram pr&oacute;prias. A busca pela verdade, o filosofar medieval, desde o s&eacute;culo VI, deslocouse das academias citadinas para os mosteiros. Em suas palavras: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O mosteiro n&atilde;o &eacute; apenas um local de preserva&ccedil;&atilde;o da cultura. Acima de tudo, nele preserva&#45;se a vida a partir de uma nova perspectiva, a do cristianismo. Assim, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o local, o espa&ccedil;o que &eacute; novo. Tamb&eacute;m o que ser&aacute; ensinado e vivido &eacute; novo. Trata&#45;se de uma nova filosofia, imbu&iacute;da antes de tudo pelo princ&iacute;pio da convers&atilde;o (OLIVEIRA, 2005, p. 18). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao propor o mosteiro como espa&ccedil;o privilegiado de uma nova filosofia, a autora indica uma posi&ccedil;&atilde;o que nos &eacute; cara: ao contr&aacute;rio do lugar comum que apresenta essa institui&ccedil;&atilde;o como local de preserva&ccedil;&atilde;o da cultura, o mosteiro foi tamb&eacute;m o local da reflex&atilde;o, o espa&ccedil;o para o filosofar, em uma sociedade em processo de "ruraliza&ccedil;&atilde;o" e "embrutecimento". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Destacamos, anteriormente, apoiando&#45;nos em Le Goff (2007), que a expans&atilde;o do saber foi um dos fatores essenciais ao &ecirc;xito urbano. Comungamos da ideia que ele sustenta de que a expans&atilde;o do universo escolar ocorreu no ambiente urbano com bastante for&ccedil;a a partir do s&eacute;culo XII. Entretanto consideramos relevante o fato de que, nos seis s&eacute;culos que precederam esse fen&ocirc;meno, a elabora&ccedil;&atilde;o do conhecimento filos&oacute;fico e seu ensino aconteceram privilegiadamente em mosteiros. Al&eacute;m disso, grande parte das escolas urbanas do s&eacute;culo XII ainda era ligada &agrave;s catedrais (catedral&iacute;cias) ou aos mosteiros. Essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para que retomemos o terceiro elemento &agrave; nossa an&aacute;lise, ou seja, o fato de Tom&aacute;s de Aquino principiar a exposi&ccedil;&atilde;o de suas formula&ccedil;&otilde;es, sempre, por meio da indaga&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Poder&iacute;amos simplesmente afirmar que essa era a forma preferida dos escritos no s&eacute;culo XIII, no entanto, essa conven&ccedil;&atilde;o expressa uma realidade que se impunha &agrave;queles homens. Se considerarmos a <I>Suma de Teologia </I>de Tom&aacute;s de Aquino como exemplo, verificaremos que essa obra foi nomeada por sua forma e por seu objeto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse estilo liter&aacute;rio (a <I>summa</I>), que pretendia tratar o necess&aacute;rio de cada disciplina, foi remodelado no s&eacute;culo XIII. Do anterior "resumo r&aacute;pido", transformou&#45;se em exame minucioso do conte&uacute;do essencial de cada ci&ecirc;ncia. As <I>summas </I>passaram a organizar os temas em quest&otilde;es, e estas, em artigos. Cada artigo era composto tendo como <I>corpus </I>uma pergunta de duas s&eacute;ries de argumentos que se contrapunham, seguidas por uma resposta do autor e, em geral, conclu&iacute;do por refuta&ccedil;&otilde;es individuais &agrave; primeira s&eacute;rie de argumentos (KENNY; PINBORG, 1997). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No novo molde, as <I>summas </I>eram desdobramentos das cole&ccedil;&otilde;es de <I>quaestio disputata</I>, muito comuns no s&eacute;culo XIII e herdeiras da tradi&ccedil;&atilde;o medieval. Confiramos as palavras de Le Goff, autoridade suficiente para fundamentar nossa compreens&atilde;o sobre o desenvolvimento da quest&atilde;o disputada: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Seria presun&ccedil;oso pretender definir em poucas linhas o m&eacute;todo escol&aacute;stico. A evolu&ccedil;&atilde;o primordial foi a que levou da <I>lectio </I>&agrave; <I>quaestio </I>e da <I>quaestio </I>&agrave; <I>disputatio</I>. O m&eacute;todo escol&aacute;stico &eacute;, em primeiro lugar, a generaliza&ccedil;&atilde;o do velho procedimento, empregado notadamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; B&iacute;blia, das <I>quaestiones </I>e <I>responsiones</I>, quest&otilde;es e respostas. Mas colocar problemas, p&ocirc;r os autores "em quest&otilde;es" (no plural), levou a que fossem colocados "em quest&atilde;o" (no singular). Neste primeiro momento, a escol&aacute;stica foi o estabelecimento de uma problem&aacute;tica. Passou em seguida a ser um debate, a "disputa", e aqui a evolu&ccedil;&atilde;o consistiu em que, ante o puro argumento de autoridade, o recurso &agrave; raz&atilde;o ganhou import&acirc;ncia crescente. Enfim, a disputa acabava com uma <I>conclusio</I>, dada pelo mestre. Sem d&uacute;vida tal conclus&atilde;o podia sofrer com limita&ccedil;&otilde;es pessoais daquele que a pronunciava, e como os mestres universit&aacute;rios tendiam a colocar&#45;se eles pr&oacute;prios como autoridades, a conclus&atilde;o podia ser fonte de uma tirania intelectual. Mas mais do que estes abusos, o que importa &eacute; que <I>ela constrangia o intelectual ao engajamento. Ele n&atilde;o podia contentar&#45;se de apenas colocar em quest&atilde;o, mas devia comprometer&#45;se</I>. No extremo do m&eacute;todo escol&aacute;stico estava a afirma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo na sua responsabilidade intelectual (LE GOFF, 2005, p. 346. Grifos nossos). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao situarmos a <I>Suma de Teologia </I>do Mestre de Aquino no contexto de sua produ&ccedil;&atilde;o e compreendermos, como Le Goff, que essa forma de escrita implicava o comprometimento intelectual, temos uma excelente motiva&ccedil;&atilde;o para considerar que a realidade impunha aos homens a organiza&ccedil;&atilde;o dos estudos a partir da indaga&ccedil;&atilde;o e da d&uacute;vida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A obra &agrave; qual o Aquinate dedicou &#150; entre outras atividades &#150; os &uacute;ltimos sete anos de sua vida (1266/73 &#150; TORRELL, 1999, p. 388&#45;389), visava ao conhecimento de Deus. Todavia, o objetivo principal da obra n&atilde;o era o conhecimento de Deus em si mesmo, mas ele enquanto princ&iacute;pio e fim das criaturas e, especialmente, apreciar como o movimento humano possibilitaria atingir esse fim. Nas palavras do autor:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"> O objetivo principal da doutrina sagrada est&aacute; em transmitir o conhecimento de Deus n&atilde;o apenas quanto ao que ele &eacute; em si mesmo, mas tamb&eacute;m enquanto &eacute; o princ&iacute;pio e o fim das coisas, especialmente da criatura racional, como ficou demonstrado. No intento de expor esta doutrina, havemos de tratar: 1. de Deus; 2. do movimento da criatura racional para Deus; 3.do Cristo, que, enquanto homem, &eacute; para n&oacute;s o caminho que leva a Deus (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia, q. 2, pr&oacute;logo). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao apresentar as possibilidades do caminhar humano, o autor colocou como ponto de partida (e de chegada) um objetivo religioso, a <I>bem aventuran&ccedil;a</I>. Mas, ao debater especialmente os movimentos, fixou o olhar nos atos concretos. O mestre Tom&aacute;s precisava compreender como os homens atingiriam esse objetivo na realidade do s&eacute;culo XIII. Ora, a realidade, para o citadino do s&eacute;culo XIII, se apresentava de maneira diversa do que poderia se verificar na tradi&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica/filos&oacute;fica consolidada por seis s&eacute;culos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A complexidade da vida na cidade expunha a necessidade de se reconsiderar as posi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. Dessa forma, ao investigar minuciosamente o conhecimento dispon&iacute;vel, era preciso contrapor diferentes compreens&otilde;es sobre cada tema. Que caminhos poderiam ser mais adequados aos crist&atilde;os na nova vida que se apresentava? Seria poss&iacute;vel equilibrar valores celestes e terrestres? Como? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em <I>A bolsa e a vida</I>, Le Goff, afirma: "O s&eacute;culo XIII &eacute; a &eacute;poca em que os valores se tornam mais terrenos" (2004, p. 65). As condi&ccedil;&otilde;es gestadas nas cidades propiciaram o debate sobre a validade do desejo e dos usos dos bens terrenos sob as novas condi&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, podemos compreender a import&acirc;ncia dos mercadores para o que o Le Goff chama de "apogeu" do Ocidente medieval. Ao mesmo tempo em que concorreram para tornar mais terrenos os valores, os mercadores levantaram problemas com a difus&atilde;o do dinheiro na economia e na sociedade (2007, p. 143). Al&eacute;m disso, contribu&iacute;ram para a abertura do horizonte intelectual medieval. Em outro texto, afirma o mesmo autor: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Filha do tempo, a verdade o &eacute; tamb&eacute;m do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico. As cidades s&atilde;o placas girat&oacute;rias da circula&ccedil;&atilde;o dos homens, respons&aacute;veis tanto pelas id&eacute;ias como pelas mercadorias, s&atilde;o os pontos de troca, os mercados e as encruzilhadas do com&eacute;rcio intelectual. Nesse s&eacute;culo XII em que o Ocidente quase s&oacute; pode exportar mat&eacute;rias&#45;primas &#150; ainda que esteja nascendo o desenvolvimento t&ecirc;xtil &#150;, os produtos raros, os objetos valiosos v&ecirc;m do Oriente, de Biz&acirc;ncio, de Damasco, de Bagd&aacute;, de C&oacute;rdoba. Com as especiarias e a seda, os manuscritos trazem ao Ocidente crist&atilde;o a cultura greco&#45;&aacute;rabe (LE GOFF, 2006, p. 37). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao munirem o Ocidente de mercadorias e ideias, os mercadores contribu&iacute;am para a dessacraliza&ccedil;&atilde;o dos valores. Mas, segundo o medievalista franc&ecirc;s, juntamente com a atua&ccedil;&atilde;o dos mercadores, o surgimento de outra categoria profissional tamb&eacute;m foi elemento essencial para a transforma&ccedil;&atilde;o do saber naquela sociedade: os "intelectuais" (categoria que congrega os profissionais do saber). Afirma: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Homem de of&iacute;cio, o intelectual tem consci&ecirc;ncia da profiss&atilde;o a assumir. Reconhece a liga&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria entre a ci&ecirc;ncia e o ensino. N&atilde;o pensa mais que a ci&ecirc;ncia deve ser entesourada: est&aacute; persuadido de que deve ser posta em circula&ccedil;&atilde;o. As escolas s&atilde;o oficinas de onde s&atilde;o exportadas as id&eacute;ias, como mercadorias (LE GOFF, 2006, p. 88). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A especificidade da quest&atilde;o do saber &eacute; muito relevante. Mais uma vez (a exemplo do in&iacute;cio da Idade M&eacute;dia) o conhecimento n&atilde;o mudara apenas de endere&ccedil;o. Ao sair do mosteiro e do campo e instalar&#45;se nas escolas das cidades, alteraram&#45;se tamb&eacute;m as categorias sociais, os homens que conheciam e ensinavam, seus modos de viver, seus ideais e objetivos com os estudos. O universo escolar reorganizou os conhecimentos. Ainda no s&eacute;culo XII, as escolas de Paris come&ccedil;aram a destacar&#45;se: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Paris deve sua fama primeiro &agrave; explos&atilde;o do ensino teol&oacute;gico, que est&aacute; no topo das disciplinas escolares, por&eacute;m logo, mais ainda, ao ramo da filosofia que, usando plenamente a contribui&ccedil;&atilde;o aristot&eacute;lica e o recurso ao racioc&iacute;nio, faz triunfar os m&eacute;todos racionais do esp&iacute;rito: a dial&eacute;tica (LE GOFF, 2006, p. 44). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Como os demais of&iacute;cios, essa nova categoria profissional tendeu a organizar&#45;se em corpora&ccedil;&atilde;o, em <I>universitas</I>. Segundo Le Goff, o movimento corporativo foi favorecido pela reabilita&ccedil;&atilde;o do trabalho, uma vez que a ideia de trabalho&#45;castigo foi lentamente substitu&iacute;da pela ideia de trabalho&#45;&uacute;til&#45;aos&#45;homens, capaz de conduzir &agrave; salva&ccedil;&atilde;o. Assim, "Entre meados do s&eacute;culo XII e meados do XIII, duas novas categorias de homens se introduzem no mundo dos of&iacute;cios urbanos e se apresentam, se justificam como trabalhadores: o mercador e o intelectual" (LE GOFF, 1992, p. 102). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observamos anteriormente que a complexidade da vida provoca a necessidade de reinterpretar a exist&ecirc;ncia. Nesse sentido, a organiza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es e a elabora&ccedil;&atilde;o de saberes <I>s&atilde;o </I>essenciais &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o social, que n&atilde;o podem ser caracterizadas por uma evolu&ccedil;&atilde;o simples, mas por uma tens&atilde;o entre ideais desejados por seus componentes. Ao falar sobre as origens das corpora&ccedil;&otilde;es, Le Goff afirma que suas motiva&ccedil;&otilde;es foram amb&iacute;guas. Segundo ele: "A organiza&ccedil;&atilde;o corporativa &eacute; uma esp&eacute;cie de pol&iacute;cia no interior do of&iacute;cio e entre of&iacute;cios, onde entram os citadinos e os estrangeiros. Ela &eacute; tamb&eacute;m o lugar da solidariedade profissional"<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a> (LE GOFF, 1992. p. 99). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao nascimento da corpora&ccedil;&atilde;o dedicada ao conhecimento e ao ensino, afirma Le Goff: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Essas escolas &#91;as escolas urbanas&#93; receberam, no final do s&eacute;culo XII, o nome de <I>studium generale</I>, escola geral, que indicava ao mesmo tempo um <I>status </I>superior e um ensino de tipo enciclop&eacute;dico. Essas escolas, que se situavam no ambiente do grande movimento de organiza&ccedil;&atilde;o dos of&iacute;cios nas cidades constitu&iacute;ram&#45;se em corpora&ccedil;&atilde;o como os outros of&iacute;cios e tomaram o termo universidade, que significava corpora&ccedil;&atilde;o, e apareceu pela primeira vez em 1221 em Paris<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a>, para designar a comunidade de mestres e de estudantes parisienses (<I>universitas magistrorum et scholarium</I>) (LE GOFF, 2007, p. 173). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Verger (1999), entre 1180 e 1220 estabeleceu&#45;se em Paris uma corpora&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria que nasceu com dupla tend&ecirc;ncia. De um lado, afirmar&#45;se eclesi&aacute;stico, de outro, ostentar uma tend&ecirc;ncia laicizante j&aacute; presente nas escolas. Para o autor, o estabelecimento da universidade n&atilde;o significou a conquista de uma concord&acirc;ncia sobre o conhecimento, uma vez que, em seu interior, as duas posturas distintas rivalizavam, em debates institucionais e doutrinais. Forjar&#45;se com car&aacute;ter eclesi&aacute;stico poderia afastar a corpora&ccedil;&atilde;o de seus interesses por conhecimentos e ensinos laicos. Entretanto, em 1231, a Universidade de Paris completou sua sujei&ccedil;&atilde;o &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o eclesi&aacute;stica, com a Bula <I>Parens Scientiarum</I>, fato que, por aproximar a institui&ccedil;&atilde;o da Igreja, refor&ccedil;ou sua autonomia. Isso foi poss&iacute;vel porque uma vez que ela foi atrelada ao papado &#150; poder geral e mais distante &#150;, a universidade manteve&#45;se afastada dos poderes locais que, por sua proximidade, poderiam causar&#45;lhe influ&ecirc;ncia mais decisiva. A partir de ent&atilde;o, a Universidade de Paris tornou&#45;se a maior institui&ccedil;&atilde;o da cristandade medieval. Por sua rela&ccedil;&atilde;o com o Papado, a institui&ccedil;&atilde;o destinada ao saber diferiu&#45;se das demais corpora&ccedil;&otilde;es. Mas os conflitos no interior da institui&ccedil;&atilde;o permaneceram durante todo o s&eacute;culo XIII, motivados pela integra&ccedil;&atilde;o das ordens mendicantes, pela abertura do ensino &agrave; totalidade dos textos aristot&eacute;licos (VERGER, 2001) ou mesmo pelas disc&oacute;rdias entre Franciscanos e Dominicanos (OLIVEIRA, 2005). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, a dupla tend&ecirc;ncia da universidade expressava as duas tend&ecirc;ncias da sociedade: a terra ou o c&eacute;u? Naquela situa&ccedil;&atilde;o, afinal, o ato humano, enquanto bom ou mal, teria raz&atilde;o de retid&atilde;o ou pecado?  Confiramos a resposta do Mestre de Aquino: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Para os que agem pela vontade &#91;os homens&#93;, a <I>regra pr&oacute;xima &eacute; a raz&atilde;o humana </I>e a regra suprema, a lei para o fim segundo a ordena&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o e da lei eterna, ser&aacute; reto; quando por&eacute;m, se desvia dessa retid&atilde;o, se diz que h&aacute; pecado. Dessas premissas evidentemente se conclui que todo ato volunt&aacute;rio &eacute; mau porque se afasta da ordena&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o e da lei eterna e que todo ato bom concorda com raz&atilde;o e a lei eterna. Da&iacute; se segue que o ato humano pelo fato de serbom ou mau, tem a raz&atilde;o de retid&atilde;o ou de pecado (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 1. c. Grifos nossos). </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Como esper&aacute;vamos, o Aquinate avaliava os atos humanos numa perspectiva teol&oacute;gica, celeste. Entretanto, ao apontar a raz&atilde;o humana como regra pr&oacute;xima, abria ocaminho para a considera&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, terrestre. &Eacute; nesse sentido que Le Goff afirma: "&#91;...&#93; a escol&aacute;stica pode ser considerada como o estabelecimento e a justifica&ccedil;&atilde;o de uma conc&oacute;rdia entre Deus e o homem" (2007, p. 185). Os artigos seguintes nos auxiliar&atilde;o a aprofundar o terreno da conc&oacute;rdia sugerida por Le Goff, na disc&oacute;rdia do s&eacute;culo XIII. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Responsabilidades pessoais e consci&ecirc;ncia de grupo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O ato humano, enquanto bom ou mau, tem raz&atilde;o de louv&aacute;vel ou culp&aacute;vel?"(TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 2). Essa &eacute; a pergunta sob a qual o autor inseriu o segundo artigo da quest&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, no artigo anterior, o Mestre de Aquino abriu espa&ccedil;o para a considera&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica para a raz&atilde;o humana, neste, tratou, especificamente, do alcance da responsabilidade pessoal pelos atos cometidos. Anunciamos anteriormente, segundo Le Goff, que a comunidade urbana &eacute; a consci&ecirc;ncia de grupo (1992) e que o "intelectual" tem consci&ecirc;ncia da profiss&atilde;o a assumir (2006). Para que compreendamos o comprometimento intelectual no s&eacute;culo XIII, &eacute; necess&aacute;rio que nos voltemos &agrave; biografia do Aquinate. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Torrell (1999, p. 1&#45;12), Tom&aacute;s de Aquino nasceu na prov&iacute;ncia de Aquino (1224&#45;5?), destinado &agrave; vida religiosa, motivo pelo qual foi entregue como oblato ao Mosteiro Beneditino de Monte Cassino, com cerca de seis anos de idade. Depois, entre 1239 e 1244, o Aquinate estudou Artes Liberais em N&aacute;poles, situa&ccedil;&atilde;o na qual conheceu a Ordem dos Dominicanos, &agrave; qual se integrou provavelmente em 1244. Segundo o mesmo autor, o ingresso do aplicado estudante nessa ordem desagradou a sua fam&iacute;lia, que planejava t&ecirc;&#45;lo como Abade em Monte Cassino, motivo pelo qual o manteve em c&aacute;rcere privado por cerca de um ano, para dissuadi&#45;lo, entretanto sem alcan&ccedil;ar sucesso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Torrell sustenta que a inclina&ccedil;&atilde;o para os estudos de Tom&aacute;s de Aquino seria melhor satisfeita na "nova ordem", baseando&#45;se num argumento da pr&oacute;pria <I>Suma de Teologia </I>(<I>ST</I>, IIa IIae, q. 188, a. 6): "segundo a teoria por ele &#91;o Aquinate&#93; desenvolvida posteriormente, se &eacute; bom contemplar as coisas divinas, melhor ainda &eacute; contempl&aacute;&#45;las e transmiti&#45;las" (TORRELL, 1999, p. 19). O argumento de Torrell nos remete ao quarto aspecto ao qual Le Goff atribui o apogeu do Ocidente medieval: as ordens mendicantes (2007), express&atilde;o da primeira tomada de consci&ecirc;ncia urbana, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIII (1992, p. 6). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao refletir sobre o nascimento das novas ordens religiosas no s&eacute;culo XIII, Le Goff sustenta que os grandes problemas da Igreja, naquele s&eacute;culo, eram a reforma gregoriana inacabada, a difus&atilde;o das heresias, a falta de adapta&ccedil;&atilde;o a uma sociedade em que a circula&ccedil;&atilde;o do dinheiro acelerava e que "&#91;...&#93; a cultura mon&aacute;stica ligada a uma sociedade rural n&atilde;o era mais capaz de responder &agrave;s exig&ecirc;ncias dos crist&atilde;os" (2007, p. 198). Para o autor, a resposta a essas quest&otilde;es veio de algumas personalidades religiosas e leigas que constitu&iacute;ram ordens n&atilde;o mon&aacute;sticas e por isso, de novo tipo, e que foram mais ou menos aceitas pelo papado<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a>. Em outro texto, Le Goff esclarece, de um lado, a inadapta&ccedil;&atilde;o das ordens mon&aacute;sticas &agrave; nova realidade e, de outro, as preocupa&ccedil;&otilde;es das duas novas ordens mais importantes do s&eacute;culo XIII, Dominicanos e Franciscanos: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">As ordens mendicantes originaram&#45;se do agudo sentimento que tiveram alguns homens e mulheres, principalmente dois, Domingos de Osma e Francisco de Assis, da inadapta&ccedil;&atilde;o das estruturas e pr&aacute;ticas da Igreja &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de um mundo submetido a uma acelera&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria. Suas motiva&ccedil;&otilde;es conscientes eram sobretudo, para o primeiro, a luta contra a heresia e, para o segundo, a luta contra o dinheiro. Mas cada um desses combates conduzia&#45;os a um mesmo terreno, a cidade. Querendo romper com a tradi&ccedil;&atilde;o mon&aacute;stica que preconizava a instala&ccedil;&atilde;o na solid&atilde;o &#91;...&#93; (LE GOFF, 1992, p. 46). </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Le Goff argumenta que os homens das novas ordens<a name="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>11</sup></a> n&atilde;o viviam na solid&atilde;o coletiva dos mosteiros isolados, mas em comunidades no meio das pessoas das cidades, que ajudaram a formar, por meio da prega&ccedil;&atilde;o e da pr&aacute;tica lit&uacute;rgica. As ordens mendicantes preocupavam&#45;se tanto com a forma&ccedil;&atilde;o dos cl&eacute;rigos quanto com a dos leigos e ensinavam &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es, particularmente urbanas, um cristianismo novo, que adaptava os homens ao progresso da cristandade (LE GOFF, 2007, p. 198&#45;201). Assim, cada mendicante, consciente de fazer parte de um grupo, assumia a responsabilidade pelo ensino. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Le Goff considera as ordens mendicantes t&atilde;o fundamentais &agrave; vida citadina que chega a fundi&#45;las. Em suas palavras: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Insisto em pensar e dizer que h&aacute; uma Idade M&eacute;dia antes das ordens mendicantes e uma Idade M&eacute;dia depois dessas ordens. <I>Ora, as ordens mendicantes s&atilde;o as cidades</I>! Elas &eacute; que primeiro desenvolvem uma verdadeira imagem daquilo que deve ser a cidade, imagem de paz, de justi&ccedil;a, de seguran&ccedil;a (LE GOFF, 1998, p. 90. Grifos nossos). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Especificamente quanto &agrave; Ordem dos Dominicanos (Pregadores), reconhecida pelo papado em 1217, esta se instalou imediatamente nas grandes cidades<a name="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>12</sup></a>(LE GOFF, 2007, p. 199) e, desde cedo, nas universidades: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Os dominicanos, &eacute; verdade, desde a origem procuraram um lugar nas Universidades. O pr&oacute;prio objetivo de seu fundador &#150; a prega&ccedil;&atilde;o e a luta contra a heresia &#150; os levava em busca de uma s&oacute;lida bagagem intelectual. Os franciscanos logo chegaram &agrave; universidade, acorrendo mais a ela &agrave; medida que assumiam uma influ&ecirc;ncia crescente na ordem aqueles que se afastavam, ao menos sob alguns pontos de vista, das posi&ccedil;&otilde;es de S&atilde;o Francisco, hostil, como se sabe, a uma ci&ecirc;ncia em que via um obst&aacute;culo &agrave; pobreza, ao despojamento, &agrave; fraternidade para os humildes. No in&iacute;cio foram bem acolhidos. Em 1220, o papa Hon&oacute;rio III felicita a Universidade de Paris pela acolhida dada aos dominicanos. Depois, houve choques violentos. Na Universidade de Paris, produziram&#45;se os piores deles, entre 1252 e 1290, e particularmente durante os anos de 1252 e 1259 e nos per&iacute;odos de 1265&#45;1271 e 1282&#45;1290 (LE GOFF, 2006, p. 129). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Pelo pr&oacute;prio objetivo da funda&ccedil;&atilde;o da Ordem dos Pregadores, exposto por Le Goff, o conhecimento era requerido para solu&ccedil;&atilde;o de um problema real, a luta contra a heresia. Nesse sentido, a presen&ccedil;a dessa ordem no seio de uma institui&ccedil;&atilde;o citadina nova (a universidade), que proporcionava o debate sobre o conhecimento e a difus&atilde;o de novos saberes, era essencial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, podemos compreender as palavras de Torrell (1999) quanto &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o que a Ordem dos Pregadores proporcionaria a Tom&aacute;s de Aquino, uma vez que, nela, estudo e ensino eram fundamentais. De fato, nosso autor permaneceu nessa ordem por toda a vida. Pouco depois de se integrar &agrave; Ordem dos Dominicanos, ele tornou&#45;se disc&iacute;pulo do mestre Alberto Magno, estudando com ele em Paris (1245&#45;1248) e em Col&ocirc;nia (1248&#45;1252). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Evocamos anteriormente que o Mestre de Aquino viveu intensamente o s&eacute;culo XIII (LAUAND, 1999). Uma das grandes caracter&iacute;sticas da cultura universit&aacute;ria naquele per&iacute;odo foi o internacionalismo dos mestres e disc&iacute;pulos, que se locomoviam entre as institui&ccedil;&otilde;es de diferentes cidades. Afirma Le Goff: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Na cristandade do s&eacute;culo XIII, acostumada pela Igreja ao internacionalismo, as universidades impressionaram por fazer que mestres e estudantes se tornassem itinerantes, indo procurar o saber no estrangeiro e mudando&#45;se facilmente de um pa&iacute;s ao outro seguindo a moda ou a reputa&ccedil;&atilde;o de uma universidade ou de um mestre. Os mestres parisienses mais c&eacute;lebres do s&eacute;culo XIII foram os dominicanos Alberto Magno, alem&atilde;o, e Tom&aacute;s de Aquino, italiano, e o franciscano italiano Boaventura (LE GOFF, 2007, p. 178). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Tom&aacute;s de Aquino, "mestre parisiense", fez&#45;se professor em Paris, primeiro como Bacharel Sentenci&aacute;rio, entre 1252 e 1256, e, em seguida, como Mestre Regente, lecionando naquela cidade at&eacute; 1259. No per&iacute;odo seguinte, por cerca de oito anos (12601268), realizou suas tarefas de evangeliza&ccedil;&atilde;o e ensino fora de Paris, atuando em N&aacute;poles, Orvieto, Roma e Viterbo. O mestre viveu ainda um segundo per&iacute;odo de reg&ecirc;ncia na Universidade de Paris entre 1269 e 1272. Entre 1272 e 1273, foi regente em N&aacute;poles e faleceu em 1274 (TORRELL, 1999). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dois per&iacute;odos nos quais ele lecionou em Paris (1252&#45;1259 e 1269&#45;1272) foram justamente os mais conturbados daquela universidade, em que seus membros se contrapunham com maior viol&ecirc;ncia (LE GOFF, 2006, p. 199)<a name="tx13"></a><a href="#nt13"><sup>13</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Torrell (1999), o Mestre geral dos Dominicanos pediu a Alberto Magno que sugerisse um jovem te&oacute;logo para ser nomeado bacharel e ensinar em Paris e este sugeriu Tom&aacute;s de Aquino, que, apesar de jovem (tinha ent&atilde;o 27 anos), era considerado por seu mestre suficientemente avan&ccedil;ado na ci&ecirc;ncia e na vida. Desse modo, o Aquinate come&ccedil;ou sua carreira docente em Paris, num clima mais tenso, uma vez que, naquela ocasi&atilde;o, mendicantes e seculares acirravam suas diferen&ccedil;as quanto aos rumos que a corpora&ccedil;&atilde;o deveria tomar, o que exigia, diversas vezes, a interven&ccedil;&atilde;o do Papado<a name="tx14"></a><a href="#nt14"><sup>14</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao retorno de Tom&aacute;s de Aquino para sua segunda reg&ecirc;ncia em Paris, afirma Torrell: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o podemos mais do que conjeturar acerca das raz&otilde;es que podem ter motivado a convoca&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s a Paris. Para Mandonnet, a crise averro&iacute;sta era a principal raz&atilde;o; Weispheipl pensa, em vez disso, que se tratava de uma recrudesc&ecirc;ncia da agita&ccedil;&atilde;o dos seculares contra os mendicantes. Verbeke resume muito bem a situa&ccedil;&atilde;o, acrescentando um terceiro motivo: de retorno a Paris, Tom&aacute;s deveria "lan&ccedil;ar simultaneamente em tr&ecirc;s frentes: combater os esp&iacute;ritos conservadores da faculdade de teologia, que s&oacute; viam em Arist&oacute;teles um perigo para a f&eacute; crist&atilde;; em sentido inverso, opor&#45;se ao monopsiquismo averro&iacute;sta; enfim, fazer a apologia das ordens mendicantes contra os seculares, que queriam exclu&iacute;&#45;los do ensino universit&aacute;rio" (TORRELL, 1999, p. 213). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao retornar a Paris, Tom&aacute;s de Aquino j&aacute; iniciara a escrita da <I>Suma de Teologia</I>, da qual tinha tra&ccedil;ado o plano geral e escrito a sua primeira parte. Entretanto, a segunda e parte da terceira foram escritas naquela cidade. O texto que ora utilizamos, retirado da primeira se&ccedil;&atilde;o da segunda parte da obra, foi elaborado em Paris e sob as condi&ccedil;&otilde;es apresentadas (TORRELL, 1999, p. 174). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Grabmann sustenta que "&#91;...&#93; a segunda parte da <I>Suma teol&oacute;gica </I>considera o homem enquanto ser livre moral e, como tal, podendo tender para Deus como para seu fim &uacute;ltimo, mas tamb&eacute;m afastar&#45;se deste fim supremo" (1944, p. 137). Segundo o mesmo autor, essa parte da obra se divide em duas, sendo que a primeira se&ccedil;&atilde;o discute o fim &uacute;ltimo do homem e os atos humanos como meios para atingir o fim (GRABMANN, 1944, p. 138). A quest&atilde;o espec&iacute;fica que trabalhamos situa&#45;se no subconjunto que trata as a&ccedil;&otilde;es humanas consideradas em si mesmas (GRABMANN, 1944, p. 6&#45;12). Para Grabmann: "&#91;...&#93; os atos pr&oacute;prios do homem &#91;que lhe s&atilde;o exclusivos, no que se diferem dos animais&#93;, aqueles que lhe pertencem a titulo de ser espiritual e moral, est&atilde;o, pois, numa rela&ccedil;&atilde;o muito mais estreita com a felicidade" (1944, p.139). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao explicitarmos as condi&ccedil;&otilde;es nas quais o Mestre de Aquino escreveu o texto em quest&atilde;o, podemos voltar &agrave; pergunta do segundo artigo e refletir sobre as responsabilidades pessoais em rela&ccedil;&atilde;o aos atos cometidos. Para analisarmos a complexidade de seu significado, apresentaremos o debate contido nos argumentos iniciais. A primeira linha de argumentos considerados pelo autor assegurava que o ato humano, enquanto bom ou mal, n&atilde;o teria raz&atilde;o de retid&atilde;o ou pecado. Os dois primeiros argumentos baseavam&#45;se em Arist&oacute;teles, sendo que o primeiro afirmava que os pecados (erros) acontecem tamb&eacute;m nas coisas naturais, que n&atilde;o s&atilde;o louv&aacute;veis nem culp&aacute;veis e, por isso, os erros cometidos pelos homens tamb&eacute;m n&atilde;o o seriam. J&aacute; o segundo igualava os atos morais aos das artes<a name="tx15"></a><a href="#nt15"><sup>15</sup></a> e, assim como o art&iacute;fice n&atilde;o poderia ser culpado por fazer algo mau, mas pr&oacute;prio da profiss&atilde;o, tamb&eacute;m o ato moral n&atilde;o teria raz&atilde;o de culp&aacute;vel. O terceiro e &uacute;ltimo argumento, assentado em Dion&iacute;sio, afirmava que a fraqueza e a impot&ecirc;ncia excluem ou diminuem a raz&atilde;o da culpa. O argumento em sentido contr&aacute;rio era tamb&eacute;m aristot&eacute;lico e sustentava que as obras das virtudes s&atilde;o louv&aacute;veis, enquanto as contr&aacute;rias, culp&aacute;veis. Ao resolver o problema, Tom&aacute;s de Aquino assegurava que os atos especificamente humanos eram louv&aacute;veis e culp&aacute;veis: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; um ato &eacute; imputado ao que faz quando est&aacute; sob seu poder, de modo que o domine. Isso &eacute; pr&oacute;prio de todo ato da vontade, porque &eacute; pela vontade que o homem tem dom&iacute;nio sobre seus atos, como est&aacute; claro pelo j&aacute; exposto. Portanto, resulta que o bem ou o mal s&atilde;o raz&atilde;o de louvor ou de culpa somente nos atos volunt&aacute;rios; consequentemente, h&aacute; um s&oacute; mal no pecadoe na culpa, e nestes se identificam o mal, o pecado e a culpa (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 2, c.). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em sua resposta geral, o autor afirmou a responsabilidade dos homens por seus atos. Entretanto, a preocupa&ccedil;&atilde;o com os atos humanos, tais quais se davam no s&eacute;culo XIII, encontra maior especificidade na resposta do autor ao segundo argumento, uma vez que ela trazia &agrave; tona suas preocupa&ccedil;&otilde;es sobre as diferentes categorias desses atos, ao trat&aacute;&#45;los como parte de uma rela&ccedil;&atilde;o social mais complexa. Consideremos as palavras do autor: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">QUANTO AO 2º, deve&#45;se dizer que <I>a raz&atilde;o se tem diferentemente nas coisas artificiais e nas morais.  Nas artificiais, se ordena para um fim particular que &eacute; algo pensado por ela mesma. Nas coisas morais, ordena&#45;se para o fim comum de toda vida humana</I>. Ora, o fim particular ordena&#45;se para o fim universal. Sendo o pecado um afastamento da ordena&ccedil;&atilde;o para o fim, como foi dito, no ato da arte haver&aacute; pecado de dois modos. Primeiro, pelo afastamento de um fim particular intencionado pelo art&iacute;fice, sendo este um pecado pr&oacute;prio da arte. Por exemplo se o art&iacute;fice intencionando fazer uma obra boa, a faz m&aacute; ou intencionando faz&ecirc;&#45;la m&aacute;, a faz boa. <I>Segundo, pelo afastamento do fim comum da vida humana, e assim se peca intencionando fazer uma obra m&aacute; que engane a algu&eacute;m e a faz. Este pecado, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; pr&oacute;prio do art&iacute;fice enquanto art&iacute;fice, mas enquanto homem</I>. Por isso, do primeiro pecado o art&iacute;fice &eacute; culpado enquanto art&iacute;fice, mas do segundo, o homem &eacute; culpado enquanto homem, &#45;Na moral em que se considera a ordena&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o para o fim comum da vida humana, sempre pecado e mal s&atilde;o considerados pelo afastamento da ordem da raz&atilde;o do fim comum da vida humana. Por isso, &eacute; culpado deste pecado ohomem enquanto homem e enquanto moral (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 2, ad2m. Grifos nossos). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa longa passagem &eacute; elucidativa. Em primeiro lugar, destacamos a quest&atilde;o das categorias profissionais. O Aquinate compreendia que, enquanto profissional, o homem podia cometer um erro particular &agrave;quela categoria. De maneira semelhante, outros erros se relacionavam &agrave;s suas categorias profissionais espec&iacute;ficas, o que caracteriza a preocupa&ccedil;&atilde;o do Mestre de Aquino com a complexidade da vida social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Le Goff, a ideia aristot&eacute;lica de que o homem &eacute; um animal da cidade e, dessa forma, os diferentes componentes do corpo social s&atilde;o necess&aacute;rios e devem ser respeitados para que o bem comum seja poss&iacute;vel, fez&#45;se presente na elabora&ccedil;&atilde;o do Mestre de Aquino. Le Goff afirma: "Assim, para Tom&aacute;s de Aquino h&aacute; uma lei dos mercadores que difere da lei dos cavaleiros (<I>alia lex mercatorum</I>... <I>alia militum</I>) &#91;...&#93;" (1992, p. 219). Era em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; especificidade de cada categoria que se deveriam definir regras pr&oacute;prias e, em fun&ccedil;&atilde;o de cada uma, os "pecados"<a name="tx16"></a><a href="#nt16"><sup>16</sup></a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em segundo lugar, a cita&ccedil;&atilde;o do Mestre de Aquino tamb&eacute;m apontava para a responsabilidade do homem enquanto animal, necessariamente, social. Essa caracter&iacute;stica &eacute; essencial &agrave; no&ccedil;&atilde;o de bem comum, ess&ecirc;ncia da &eacute;tica tomasiana. Mas para compreendermos a "natureza" social do homem, precisamos recorrer a outra parte da obra, na qual o Aquinate discute a virtude da amizade. Em suas palavras: "&#91;...&#93; deve&#45;se dizer que o homem &eacute;, por sua natureza, um animal social e deve com honestidade manifestar a verdade aos outros homens, sem o que a sociedade humana n&atilde;o poderiadurar" (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, IIa IIae, q. 114, a. 2, ad1m). Ora, um ato cometido intencionalmente em detrimento de outro homem era, para o Mestre de Aquino, uma agress&atilde;o ao fim comum da vida, uma agress&atilde;o &agrave; sociedade, ao homem enquanto totalidade. Essa teia que envolveria o conjunto dos homens, em suas diversas categorias. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Conhecimento, ensino e responsabilidade </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O ato humano e enquanto bom ou mau tem raz&atilde;o de m&eacute;rito ou de dem&eacute;rito?" Com essa pergunta o Mestre de Aquino inicia as reflex&otilde;es do terceiro artigo(TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 3). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como no anterior, os argumentos iniciais negavam a responsabilidade humana, mas esse artigo referia&#45;se ao m&eacute;rito ou ao dem&eacute;rito dos atos humanos, ou seja, o que estava em jogo era o olhar exterior aos atos cometidos, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre os homens. Por esse motivo, tamb&eacute;m apresentaremos o debate contido nos argumentos iniciais. O primeiro deles afirmava que m&eacute;rito e dem&eacute;rito ordenavam&#45;se &agrave; retribui&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o valeriam para todos os atos humanos, uma vez que diversos deles seriam bons ou maus apenas para a pessoa que os cometia. J&aacute; o segundo sustentava que o homem, como senhor de seus atos, n&atilde;o mereceria pena ou pr&ecirc;mio pelo que j&aacute; era seu. O terceiro e &uacute;ltimo assegurava que ao adquirir um bem ou fazer um mal para si mesmo, um homem n&atilde;o merecia que algu&eacute;m o retribu&iacute;sse ou punisse. Dessa forma, ao fazer um ato bom ou mal, o homem n&atilde;o mereceria recompensa ou puni&ccedil;&atilde;o. O argumento em sentido contr&aacute;rio, por sua vez, afirmava que se deveria bendizer o justo e maldizer o &iacute;mpio, porque para ambos haveria retribui&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A resposta de Tom&aacute;s de Aquino explicitava a evidente rela&ccedil;&atilde;o de responsabilidade do indiv&iacute;duo para com a sociedade. Nela, o autor exp&ocirc;s sua no&ccedil;&atilde;o de totalidade. Para o Aquinate, todas as a&ccedil;&otilde;es tinham raz&atilde;o de m&eacute;rito ou dem&eacute;rito porque estavam de acordo com o entendimento da justi&ccedil;a. O ato humano, ainda que parecesse incidir apenas sobre a pessoa que agia, incidia sobre o conjunto dos homens. Nessa perspectiva, os homens eram respons&aacute;veis por si e pelos demais. Observemos sua resposta: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">RESPONDO. M&eacute;rito e dem&eacute;rito se dizem de acordo com a retribui&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita segundo a justi&ccedil;a. A retribui&ccedil;&atilde;o segundo a justi&ccedil;a &eacute; feita a quem agiu para o proveito ou para o preju&iacute;zode outrem. &Eacute; de se considerar que quem vive em sociedade &eacute; parte e membro de toda sociedade. Por isso, quem faz o bem ou o mal para algu&eacute;m dessa sociedade, isso recai sobre toda a sociedade; por exemplo, aquele que fere a m&atilde;o, consequentemente fere o homem. Portanto, se algu&eacute;m faz o mal ou o bem para uma outra pessoa singular, lhe corresponde de dois modos a raz&atilde;o de m&eacute;rito ou de dem&eacute;rito. Primeiro, enquanto lhe &eacute; devida a retribui&ccedil;&atilde;o da pessoa singular que ajudou ou ofendeu. Segundo, enquanto lhe &eacute; devida a retribui&ccedil;&atilde;o de todo grupo. &#150; Quando algu&eacute;m ordena diretamente seu ato para o bem ou mal de todo grupo, lhe &eacute; devida a retribui&ccedil;&atilde;o primeiro e principalmente de todo grupo; em segundo lugar, de todas partes do grupo. &#150; Quando algu&eacute;m age para seu pr&oacute;prio bem ou mal, tamb&eacute;m lhe &eacute; devida a retribui&ccedil;&atilde;o enquanto isso reverte para a comunidade, porque &eacute; parte do grupo, embora n&atilde;o lhe seja devida retribui&ccedil;&atilde;o enquanto &eacute; um bem ou mal da pessoa singular que &eacute; a mesma que age, a n&atilde;o ser talvez a si mesma, por uma certa semelhan&ccedil;a, enquanto existe a justi&ccedil;a do homem para consigo. Conclui&#45;se, pois, que o ato bom ou mau, tem raz&atilde;o de louv&aacute;vel ou de culp&aacute;vel, segundo est&aacute; sob o poder da vontade; raz&atilde;o de retid&atilde;o e de pecado, segundo se ordena para o fim; raz&atilde;o de m&eacute;rito ou de dem&eacute;rito, segundo a retribui&ccedil;&atilde;o dejusti&ccedil;a para o outro (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 3, c.). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Com essa resposta, o Mestre de Aquino afirmava o compromisso que os homens teriam perante si e diante do grupo ao qual pertenciam, atrelando&#45;a &agrave; virtude da justi&ccedil;a. Em outra parte da obra, ao debater a amizade enquanto parte da justi&ccedil;a, o Aquinate afirmava: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Arist&oacute;teles diz: "ningu&eacute;m consegue passar um dia inteiro com uma pessoa triste e sem atrativos". Por isso o homem &eacute; obrigado, por uma esp&eacute;cie de d&iacute;vida natural de honestidade, a tornar agrad&aacute;veis as rela&ccedil;&otilde;es com os outros, a menos que, por um motivo particular, <I>seja necess&aacute;rio contristar outros para o pr&oacute;prio bem deles </I>(TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, IIa IIae, q. 114, a. 1, ad1m. Grifos nossos). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Para o Mestre de Aquino, os homens, por sua natureza social, estariam obrigados a agirem bem, a serem agrad&aacute;veis com os outros homens, mas tamb&eacute;m, se necess&aacute;rio, a manifestarem&#45;se contra o outro, se esse outro n&atilde;o agisse adequadamente. Em outras palavras, cada homem seria respons&aacute;vel por si, pelo outro e, desse modo, por toda a sociedade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O Aquinate, entretanto, n&atilde;o deixava a responsabilidade sobre os homens apenas em m&atilde;os terrenas. Ao responder ao quarto e &uacute;ltimo artigo da quest&atilde;o, nomeado "O ato humano enquanto bom ou mau tem raz&atilde;o de m&eacute;rito ou dem&eacute;rito diante deDeus?" (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21, a. 4), o autor assegurava que todo ato humano teria raz&atilde;o de m&eacute;rito ou dem&eacute;rito enquanto se ordenava para a comunidade e, sendo Deus o fim &uacute;ltimo do homem, todo ato deveria ordenar&#45;se para Deus. Portanto, caberia a Deus tamb&eacute;m o cuidado com o bem comum e a retribui&ccedil;&atilde;o dos atos para a comunidade. Com essa elabora&ccedil;&atilde;o, o autor garantia, por fim, a conc&oacute;rdia entre o c&eacute;u e a terra. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Retomemos as palavras de Le Goff (1998) em rela&ccedil;&atilde;o ao fato de as Ordens Mendicantes terem sido as primeiras a promover a imagem da cidade e avancemos nesse ponto. Segundo o autor, a reflex&atilde;o escol&aacute;stica sobre a cidade repousava numa confus&atilde;o mais ou menos volunt&aacute;ria, pautada em dois modelos intelectuais (Agostinho e Arist&oacute;teles), que foi elaborada na Universidade de Paris (1992, p. 218). Para Le Goff, o principal elaborador da "ideologia urbana" foi o Aquinate: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A ideologia urbana &eacute; formulada sobretudo por Tom&aacute;s de Aquino, que reside em Paris como estudante, depois como licenciado, depois como professor, de 1245 a 1248, de 1252 a 1259, de 1269 a 1272, e seus disc&iacute;pulos, Gilles de Roma &#91;...&#93; e Pierre d'Auvergne &#91;...&#93; (LE GOFF, 1992, p. 218&#45;219). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando analisamos a import&acirc;ncia que a "comunidade" imprime na elabora&ccedil;&atilde;o &eacute;tica de Tom&aacute;s de Aquino, aproximamo&#45;nos da influ&ecirc;ncia da obra aristot&eacute;lica no pensamento desse autor. Precisamente por esse motivo, Le Goff afirma: "Arist&oacute;teles foi, de certa maneira, o grande homem das universidades do s&eacute;culo XIII e, sobretudo, da universidade parisiense" (2007, p. 175). O autor sustenta que somente no s&eacute;culo XIII o Ocidente descobriu a metaf&iacute;sica, a &eacute;tica e a pol&iacute;tica aristot&eacute;licas, obras que atra&iacute;am a curiosidade e o desejo dos estudantes e, por volta de 1260&#45;1270, estavam presentes em quase todo o ensino universit&aacute;rio, tornando&#45;se uma moda, sendo poss&iacute;vel falar de um "aristotelismo latino medieval". Para Le Goff, "Um mestre, que tamb&eacute;m estava na moda, o dominicano Tom&aacute;s de Aquino, fora um de seus grandes introdutores nas universidades" (2007, p. 175). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Compreendemos, entretanto, que devemos ser cautelosos ao sugerir um "aristotelismo" em Tom&aacute;s de Aquino. Quando Tom&aacute;s de Aquino esteve de volta a Paris &#150; &eacute;poca, segundo Le Goff, da "moda" aristot&eacute;lica e tamb&eacute;m da reda&ccedil;&atilde;o do texto que debatemos &#150;, Torrell (1999) sustenta que os advers&aacute;rios enfrentados pelo Aquinate n&atilde;o eram os fil&oacute;sofos do passado, mas seus contempor&acirc;neos. Esse autor afirma que a primeira frente de batalha do mestre foi, como dominicano e ao lado dos franciscanos, o combate doutrinal aos seculares em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica da pobreza. Entretanto, o desconforto gerado pelas ideias aristot&eacute;licas e interpreta&ccedil;&otilde;es de Averr&oacute;is gerou conflitos entre os dominicanos e franciscanos e entre os pr&oacute;prios dominicanos (1999, p. 209&#45;228). O Aquinate, durante o per&iacute;odo de sua segunda reg&ecirc;ncia em Paris, al&eacute;m de debater com seus pares e lecionar, dedicou&#45;se a comentar a obra aristot&eacute;lica (TORRELL, 1999, p. 229&#45;261), mas isso n&atilde;o implica faz&ecirc;&#45;lo aristot&eacute;lico. O que encontramos ao estudar sua obra &eacute; um pensador que, ao olhar para o seu tempo, muniu&#45;se do que havia de mais elaborado, em termos de conhecimento te&oacute;rico dispon&iacute;vel, para analisar a sociedade na qual vivia e, para ela, propor caminhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Afirma Lauand, na introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; sua tradu&ccedil;&atilde;o do texto <I>de magistro</I> do Aquinate: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A antropologia de Tom&aacute;s &#150; revolucion&aacute;ria para a &eacute;poca &#150; afirma o homem em sua totalidade (espiritual, sim, mas de um esp&iacute;rito integrado &agrave; mat&eacute;ria) e est&aacute; em sintonia com uma teologia (tamb&eacute;m ela dissonante para a &eacute;poca) que, precisamente para afirmar a dignidade de Deus criador, afirma a dignidade do homem e da cria&ccedil;&atilde;o como um todo: material e espiritual (LAUAND, 2004, p. 6). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Com essas palavras, Lauand sustenta a extens&atilde;o da elabora&ccedil;&atilde;o tomasiana que nos leva al&eacute;m da simples considera&ccedil;&atilde;o de nosso autor como um "aristot&eacute;lico". Ao debater o pensamento de Arist&oacute;teles e contrast&aacute;&#45;lo aos pensadores crist&atilde;os, o Aquinate pode anunciar um homem crist&atilde;o que, por assemelhar&#45;se a Deus pela raz&atilde;o, podia constituir&#45;se em sujeito, em animal <I>social</I>, sendo respons&aacute;vel por si e por sua comunidade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Le Goff, evocando Ruedi Imach, afirma que Tom&aacute;s de Aquino entendia o homem como um ser determinado por tr&ecirc;s rela&ccedil;&otilde;es: com a raz&atilde;o, com Deus e com seu semelhante. Assim "Segundo Tom&aacute;s, o homem &eacute; um homem total. N&atilde;o &eacute; somente uma criatura de Deus, que &eacute; um animal racional, mas tamb&eacute;m um 'animal social e pol&iacute;tico'" (LE GOFF, 2007, p. 188). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao debater a quest&atilde;o "As consequ&ecirc;ncias dos atos humanos em raz&atilde;o da bondade e da mal&iacute;cia" (TOM&Aacute;S DE AQUINO, <I>ST</I>, Ia IIae, q. 21), procuramos compreender a elabora&ccedil;&atilde;o do Aquinate sobre &eacute;tica no seio do s&eacute;culo XIII. Com efeito, entendemos que ele buscou, no conhecimento acumulado pela humanidade, a base para construir um conhecimento sobre a realidade de sua &eacute;poca. No entanto, gostar&iacute;amos aqui de salientar, como parte fundamental da responsabilidade pessoal na constru&ccedil;&atilde;o do bem comum, a import&acirc;ncia do ensino. Muito embora, neste texto, n&atilde;o tenhamos selecionado nenhum escrito do autor que o discutisse, entendemos que trouxemos elementos substanciais para essa discuss&atilde;o, que gostar&iacute;amos de retomar. Esses elementos dizem respeito &agrave; pr&oacute;pria atua&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s de Aquino que, enquanto mestre dominicano, responsabilizou&#45;se pelo ensino. Segundo Torrell, a pr&oacute;pria motiva&ccedil;&atilde;o para a escrita da <I>Suma de Teologia</I>, que &eacute; uma "s&iacute;ntese org&acirc;nica" de teologia, parece ter sido a preocupa&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o dos irm&atilde;os da Ordem dos Pregadores (1999, p. 170&#45;171). Nesse sentido, &eacute; poss&iacute;vel reconhecer em Tom&aacute;s de Aquino uma responsabilidade que &eacute;, ao mesmo tempo, da al&ccedil;ada do conhecimento e do ensino. A pr&oacute;pria <I>Suma de Teologia </I>&eacute; uma obra pedag&oacute;gica, pois tem como inten&ccedil;&atilde;o "educar os educadores", os dominicanos. Virtudes<a name="tx17"></a><a href="#nt17"><sup>17</sup></a> como amizade, justi&ccedil;a, coragem, honestidade, fundamentais &agrave; &eacute;tica terrestre, s&atilde;o debatidas na obra, ao lado das j&aacute; consagradas virtudes teologais, f&eacute;, esperan&ccedil;a e caridade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim Oliveira descreve Tom&aacute;s de Aquino: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Homem de sua &eacute;poca e, por isso, um dos maiores expoentes do pensamento crist&atilde;o ocidental do s&eacute;culo XIII, n&atilde;o passou ao largo das transforma&ccedil;&otilde;es que a sociedade medieva sofria. Antes, percebendo que os novos valores impostos pelo com&eacute;rcio, pelas cidades e pelo conhecimento das Universidades n&atilde;o permitiram explica&ccedil;&otilde;es estritamente religiosas das coisas humanas e divinas, buscou nas grandes autoridades do passado a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica necess&aacute;ria para entender e explicar aos homens de seu tempo Deus, a ci&ecirc;ncia, a raz&atilde;o, o intelecto, o governo dos homens e o pecado, entre outros assuntos. Assim, n&atilde;o por acaso, sua base te&oacute;rica foi Agostinho e Arist&oacute;teles. Ao retomar as formula&ccedil;&otilde;es desses dois grandes mestres do conhecimento ocidental, Aquino legitima o poder da Igreja e afirma a import&acirc;ncia do homem sobre a terra (OLIVEIRA, 2005, p. 42). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao estudarmos a elabora&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do Mestre de Aquino, especialmente centrada nos atos humanos, mas visando &agrave; vida eterna, &eacute; not&aacute;vel sua preocupa&ccedil;&atilde;o com as transforma&ccedil;&otilde;es vivenciadas pelos homens do s&eacute;culo XIII, fato que nos permite verificar sua preocupa&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;tica, ou seja, &agrave; necessidade do conhecimento e do ensino de certas virtudes orientadas para o bem viver, nas novas condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, propostas como condicionantes para se atingir a beatitude. Entretanto, cabe perguntar: se pode &#150; e em que &#150; sua elabora&ccedil;&atilde;o nos auxiliar no debate &eacute;tico na atualidade? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste sentido, uma pergunta pertinente seria: &eacute; ainda defens&aacute;vel, em n&iacute;vel acad&ecirc;mico, uma &eacute;tica que encontra seu escopo e sua justifica&ccedil;&atilde;o numa "vida ap&oacute;s a morte", numa transcend&ecirc;ncia tal qual a concebiam os crist&atilde;os do s&eacute;culo XIII, numa sociedade como a nossa, em que Estado e Igreja s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es juridicamente distintas e na qual a pr&oacute;pria Carta Magna (BRASIL, 1988, art. 5º, VI) possibilita a liberdade irrestrita de cren&ccedil;a? Mais pertinente ainda que essa garantia &eacute; verificar, no seio da pr&oacute;pria lei, qual &eacute; o seu escopo: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil:    <br>      I &#45; construir uma sociedade livre, justa e solid&aacute;ria;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>      II &#45; garantir o desenvolvimento nacional;          <br>     III &#45; erradicar a pobreza e a marginaliza&ccedil;&atilde;o e reduzir as desigualdades sociais e regionais;    <br>      IV &#45; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra&ccedil;a, sexo, cor, idade e quaisquer      outras formas de discrimina&ccedil;&atilde;o (BRASIL, 1988, art. 3º).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao observarmos os objetivos fundantes de nossa Carta Magna, quanto ao primeiro sentido proposto, compreendemos que a resposta &eacute; certamente negativa, visto que n&atilde;o apenas a liberdade de cren&ccedil;a impede a imposi&ccedil;&atilde;o de determinada religiosidade sobre as demais, como, neste caso, uma religiosidade crist&atilde; cat&oacute;lica, mas tamb&eacute;m, e principalmente, porque os alvos de nossas leis restringem&#45;se a conte&uacute;dos laicos. H&aacute;, entretanto, outra forma de se considerar a quest&atilde;o, que n&atilde;o implica, de nenhuma maneira, a defesa da "verdade" tomasiana, mas, ao contr&aacute;rio, a compreens&atilde;o do tratamento que esse intelectual dispensou ao tema, questionando o conhecimento estabelecido e utilizando nessa empreitada um autor anterior ao pr&oacute;prio cristianismo. Trazer um autor pag&atilde;o para junto da experi&ecirc;ncia material vivenciada pelos homens de seu tempo e da concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica estabelecida pela tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; permitiu que Tom&aacute;s de Aquino formulasse, do ponto de vista te&oacute;rico, uma totalidade do homem, contra uma ruptura que parecia se impor. Sem d&uacute;vida, o Aquinate adaptou Arist&oacute;teles &agrave; filosofia crist&atilde;, o que, no entanto, lhe permitiu integrar perfeitamente filosofia e teologia, num conhecimento sistem&aacute;tico e de tipo novo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Muito embora n&atilde;o tenhamos analisado explicitamente o debate sobre a &eacute;tica na contemporaneidade, mas apenas considerado a Carta Magna, esta se configura como salutar por ter sido estabelecida como resultado de um amplo debate &eacute;tico. Ela nos permite considerar que, do ponto de vista acad&ecirc;mico, &eacute; evidente que ao debate se imp&otilde;e a laicidade, ao considerarmo&#45;lo de maneira mais universal, visto que o bemcomum n&atilde;o se refere a um ideal posto fora da vida material. A pergunta mais coerente por este &acirc;ngulo seria: em que medida estudar a obra de um intelectual da filosofiateologia crist&atilde; medieval pode nos auxiliar a formular mais explicitamente nossas quest&otilde;es &eacute;ticas e a buscar para ela respostas exclusivamente laicas? </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Consideramos de suma import&acirc;ncia, para as reflex&otilde;es que vinculam o debate entre &eacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o nos dias atuais, retomar os escritos tomasianos, porque nossos debates podem ser enriquecidos com a contribui&ccedil;&atilde;o desse mestre. Essa relev&acirc;ncia incide no fato de que o autor n&atilde;o se esquivou dos problemas de seu tempo e procurou elaborar um conhecimento te&oacute;rico que contribu&iacute;sse para o bem viver dos homens na sociedade crist&atilde; do s&eacute;culo XIII. A exemplo de Tom&aacute;s de Aquino, &eacute; imperativo que debatamos nossas pr&oacute;prias quest&otilde;es hist&oacute;ricas e, dessa forma, nos apropriemos do conhecimento te&oacute;rico que acumulamos, n&atilde;o apenas em nossa produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, mas tamb&eacute;m em nossos atos pedag&oacute;gicos cotidianos, pois s&atilde;o estes atos que podem educar a comunidade escolar/universit&aacute;ria para novos caminhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Concordamos com Tom&aacute;s de Aquino quanto a sermos animais sociais e, embora nossas condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e intelectuais sejam bastante distintas daquelas do contexto no qual ele produziu a sua obra, ainda somos citadinos. Nossa refer&ecirc;ncia existencial s&atilde;o as cidades, em toda a complexidade de rela&ccedil;&otilde;es que elas nos imp&otilde;em. Falar de bem comum em nosso tempo &eacute; refletir sobre os direitos e deveres, valores que precisam ser exercitados e ensinados, se realmente temos o ideal do bem viver em sociedade (OLIVEIRA, 2008; OLIVEIRA, 2010). Evidentemente que se estiv&eacute;ssemos somente em busca do animal social, citadino, poder&iacute;amos nos esquivar do medievo e estudar, por exemplo, o pr&oacute;prio Arist&oacute;teles, visto que suas preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas se referiam, com exclusividade, &agrave; sociedade material. Mas se estivermos dispostos a questionar &#150; e mesmo superar &#150; nossas verdades institu&iacute;das, &eacute; salutar considerarmos tamb&eacute;m a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, ao menos seus mestres mais influentes, n&atilde;o apenas para nos certificarmos do que &eacute; novo e do que remete a um tempo mais longo em nossas escolas de pensamento, mas tamb&eacute;m para que possamos nos apropriar da experi&ecirc;ncia humana em repensar h&aacute;bitos e atitudes, tendo em vista ideais sociais. Tom&aacute;s de Aquino &eacute; um dos autores que nos ensina essa abertura &agrave; totalidade do conhecimento, bem como a responsabilidade intelectual que nos &eacute; imputada quando estudamos, refletimos e agimos em sintonia com um projeto mais amplo: o de sermos part&iacute;cipes do bem comum da nossa comunidade/sociedade. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRASIL. <I>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988</I>. Bras&iacute;lia: Casa Civil, 1988. Dispon&iacute;vel em:    &lt;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm</a>&gt;. Acesso em: 8 dez. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0102-4698201200020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CRISP, R. Moiralidade &#91;verbete&#93;. In: OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. (Ed.). <I>Dicion&aacute;rio do pensamento social no s&eacute;culo XX.</I> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p. 483&#45;484.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0102-4698201200020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> GRABMANN, M. <I>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Suma Teol&oacute;gica de Santo Tom&aacute;s de Aquino</I>. Petr&oacute;polis; Rio de Janeiro; S&atilde;o    Paulo, Vozes, 1944.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0102-4698201200020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KENNY, A.; PINBORG, J. Medieval philosophical literature. In: KRETZMANN, N.; KENYY, A.;    PINBORG, J. (Ed.). <I>The Cambridge History of Late Medieval Philosophy: </I>from the rediscovery of Aristotle to    the disintegration of Scholasticism, 1100&#45;1600. Cambridge: Cambridge University Press, 1997, p. 11&#45;42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0102-4698201200020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAUAND, L. Estudos introdut&oacute;rios. In: TOM&Aacute;S DE AQUINO. <I>Sobre o ensino (De magistro), os sete pecados capitais</I>. 2 ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 3&#45;22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0102-4698201200020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LAUAND, L. Estudos introdut&oacute;rios e notas. In: TOM&Aacute;S DE AQUINO. <I>Verdade e Conhecimento</I>. S&atilde;o    Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 1&#45;80; p. 387&#45;390.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0102-4698201200020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LE GOFF, J. <I>As ra&iacute;zes medievais da Europa</I>. 2 ed. S&atilde;o Paulo: Vozes, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0102-4698201200020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LE GOFF, J. <I>Os intelectuais na Idade M&eacute;dia</I>. 2 ed. Rio de Janeiro: Jos&eacute; Olympio, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0102-4698201200020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LE GOFF, J. <I>A civiliza&ccedil;&atilde;o no Ocidente Medieval</I>. Bauru: Edusc, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0102-4698201200020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    LE GOFF, J. <I>A bolsa e a vida</I>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0102-4698201200020001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> LE GOFF, J. <I>Por amor &agrave;s cidades</I>. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0102-4698201200020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LE GOFF, J. <I>O apogeu da cidade medieval</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0102-4698201200020001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA, T. Universidade e Cultura na ambi&ecirc;ncia citadina do s&eacute;culo XIII: um olhar sobre os mestres    Tom&aacute;s de Aquino e Boaventura de Bagnoregio. In: OLIVEIRA, T. (Org.) <I>Hist&oacute;ria e Historiografia da Educa&ccedil;&atilde;o nos Cl&aacute;ssicos</I>: estudos sobre antiguidade e medievo. Dourados: Ed. da UEMS, 2010, p. 261&#45;304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0102-4698201200020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> OLIVEIRA, T. O ambiente citadino e universit&aacute;rio do s&eacute;culo XIII: <I>l&oacute;cus </I>de conflitos e de novos saberes.    In: OLIVEIRA, T (Org.) <I>Antiguidade e Medievo</I>. Olhares Hist&oacute;rico&#45;filos&oacute;ficos da Educa&ccedil;&atilde;o. Maring&aacute;:    Eduem, 2008, p. 227&#45;250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0102-4698201200020001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> O'NEIL, J. &Eacute;tica &#91;verbete&#93;. In: OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. (Ed). <I>Dicion&aacute;rio do pensamento social no s&eacute;culo XX.</I> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p. 278&#45;280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0102-4698201200020001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PATEMAN, T. Educa&ccedil;&atilde;o e teoria social &#91;verbete&#93;. In: OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. (Ed.). <I>Dicion&aacute;rio do pensamento social no s&eacute;culo XX.</I> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p. 233&#45;235.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0102-4698201200020001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PATEMAN, T. <I>Escol&aacute;stica</I>. S&atilde;o Paulo/Porto: Mandruv&aacute;/Univ. do Porto, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0102-4698201200020001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TOM&Aacute;S DE AQUINO. A amizade ou afabilidade (<I>ST</I>, IIa IIae, q. 114). In: TOM&Aacute;S DE AQUINO. <I>Suma Teol&oacute;gica</I>. S&atilde;o Paulo: Loyola, 2004, v. VI, p. 642&#45;646.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0102-4698201200020001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> TOM&Aacute;S DE AQUINO. As consequ&ecirc;ncias dos atos humanos em raz&atilde;o da bondade e da mal&iacute;cia ( <I>ST</I>, Ia    IIae, q. 21). In: TOM&Aacute;S DE AQUINO. <I>Suma Teol&oacute;gica</I>. S&atilde;o Paulo: Loyola, 2003, v. III, p. 290&#45;298.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0102-4698201200020001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TOM&Aacute;S DE AQUINO. A exist&ecirc;ncia de Deus (<I>ST</I>, Ia, q. 2). In: TOM&Aacute;S DE AQUINO. <I>Suma Teol&oacute;gica</I>.    S&atilde;o Paulo: Loyola, 2001, v. I, p. 161&#45;169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0102-4698201200020001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TORRELL, J.&#45;P. <I>Inicia&ccedil;&atilde;o a Santo Tom&aacute;s de Aquino</I>: sua pessoa e sua obra. S&atilde;o Paulo: Loyola, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0102-4698201200020001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> VERGER, J. <I>Cultura, ensino e sociedade no Ocidente nos s&eacute;culos XII e XIII</I>. Bauru: Edusc, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0102-4698201200020001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VERGER, J. <I>Homens e saber na Idade M&eacute;dia</I>. Bauru: Edusc, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0102-4698201200020001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> O renascimento das cidades foi parte de um conjunto de profundas transforma&ccedil;&otilde;es que ocorreram no Ocidente medieval, a partir do Ano Mil. Pela complexidade dessas transforma&ccedil;&otilde;es n&atilde;o nos cabe discutilas neste artigo, uma vez que nos afastaria de nosso objetivo. Todavia, indicamos a leitura de dois textos que explicitam essas mudan&ccedil;as hist&oacute;ricas. O primeiro se intitula "O ambiente citadino e universit&aacute;rio do s&eacute;culo: l&oacute;cus de conflitos e novos saberes" (OLIVEIRA, 2008) e o segundo "Universidade e Cultura na ambi&ecirc;ncia citadina do s&eacute;culo XIII: um olhar sobre os mestres Tom&aacute;s de Aquino e Boaventura de Bagnoregio" (OLIVEIRA, 2010). Consultar refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas.     <br> <a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> A pergunta "como devo agir?" remete &agrave;s &eacute;ticas de origem kantiana, dado que se pressup&otilde;e que os princ&iacute;pios &eacute;ticos s&atilde;o universais, enquanto a pergunta "que tipo de pessoa eu quero ser?" remete &agrave;s &eacute;ticas de inspira&ccedil;&atilde;o aristot&eacute;lica. O'Neill (1996) afirma que esta &uacute;ltima forma de pensar a &eacute;tica tem sido retomada, na atualidade, por autores de inspira&ccedil;&atilde;o aristot&eacute;lica, entretanto n&atilde;o os nomeia.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Sabemos que a norma para a refer&ecirc;ncia em cita&ccedil;&atilde;o obedece ao padr&atilde;o: (AUTOR, data da publica&ccedil;&atilde;o utilizada, p&aacute;gina); entretanto, para textos medievais utilizamos: (AUTOR, <I>sigla da obra</I>, localiza&ccedil;&atilde;o da cita&ccedil;&atilde;o no interior da obra).    <br>    <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> O nome mais antigo da obra &eacute; <I>Summa Theologiae </I>(<I>Suma de Teologia</I>). Hoje a obra &eacute; mais referenciada por <I>Summa Theologica </I>(<I>Suma Teol&oacute;gica</I>), entretanto, essa forma &eacute; mais recente e teve menor frequ&ecirc;ncia na literatura medieval (TORRELL, 1999). Por esse motivo, preferimos utilizar o nome <I>Suma de Teologia</I>, ainda que a tradu&ccedil;&atilde;o mais recente da obra para a l&iacute;ngua portuguesa nomeie&#45;a de <I>Suma Teol&oacute;gica</I>.    <br>    <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Le Goff n&atilde;o &eacute; especialista em Tom&aacute;s de Aquino. Entretanto, ao propormos uma discuss&atilde;o que se pautasse principalmente nesse autor, o fizemos porque Le Goff privilegia a an&aacute;lise da cidade medieval em diversos textos, espa&ccedil;o essencial para a universidade e seus mestres.     <br>   <a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Aquinate, Mestre de Aquino, Mestre Tom&aacute;s, Doutor Ang&eacute;lico s&atilde;o formas de tratamento que designam Tom&aacute;s de Aquino e sua obra, convencionadas pela bibliografia especializada no autor.    <br>    <a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> No s&eacute;culo XIII e por muito tempo depois, a maioria da popula&ccedil;&atilde;o do que veio a se tornar "Europa" habitava os campos. Sabemos que muitas rela&ccedil;&otilde;es sociais persistiram nos moldes feudais at&eacute; pelo menos a &eacute;poca da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e que as cidades n&atilde;o foram ilhas independentes. No entanto, consideramo&#45;las como espa&ccedil;os privilegiados do processo de transforma&ccedil;&atilde;o social.     <br>   <a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> Segundo Le Goff, "Um documento excepcional diz respeito &agrave;s corpora&ccedil;&otilde;es parisienses na segundametade do s&eacute;culo XIII, no final do reinado de S&atilde;o Lu&iacute;s. &Eacute; a colet&acirc;nea de estatutos de of&iacute;cio &#151; com aexce&ccedil;&atilde;o, not&aacute;vel, dos a&ccedil;ougueiros &#151; que o preboste real de Paris, &Eacute;tienne Boileau, fez redigir para fins de controle e vigil&acirc;ncia por volta de 1268. Esse registro, do qual apenas possu&iacute;mos c&oacute;pias, entre elas uma contempor&acirc;nea do original, denominava&#45;se <I>L'Establissement des mestiers </I>de Paris e &eacute; conhecido sob o nome de <I>Livre des m&eacute;tiers </I>(Livro dos of&iacute;cios). Os cento e um of&iacute;cios cujas regulamenta&ccedil;&otilde;es ele fornece sob diversas formas &#151; o que testemunha a divis&atilde;o extremamente minuciosa do trabalho segundo as diferentes opera&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de fabrica&ccedil;&atilde;o e segundo os diversos objetos fabricados e vendidos &#91;...&#93;" (LE GOFF, 1992, p. 105).     <br>   <a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> Segundo Le Goff (2007), dois modelos de corpora&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria foram institu&iacute;dos na Idade M&eacute;dia: o parisiense e o bolonh&ecirc;s, sendo que s&oacute; o primeiro chegou aos dias de hoje. Segundo o mesmo autor, a primeira universidade foi a de Bolonha, que, embora tenha recebido seus primeiros estatutos do Papa somente em 1252, desde 1154 conseguira privil&eacute;gios do imperador. J&aacute; a Universidade de Paris obteve privil&eacute;gios papais em 1174 e do rei em 1200, mas s&oacute; recebeu o estatuto do legado pontif&iacute;cio em 1215 e a bula <I>Parens scientiarum </I>em 1231. N&atilde;o temos, nesse trabalho, a inten&ccedil;&atilde;o de discutir o modelo bolonh&ecirc;s, nem o nascimento da institui&ccedil;&atilde;o naquela cidade. Para maiores detalhes, consultar: VERGER, J. <I>As universidades na Idade M&eacute;dia</I>. S&atilde;o Paulo: Editora da Unesp, 1990.     <br>   <a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> Le Goff afirma "mais ou menos" uma vez que diversas ordens n&atilde;o mon&aacute;sticas surgiram no s&eacute;culo XIII e o papado tratou de controlar o movimento, reduzindo&#45;as a apenas quatro, em 1274, no Segundo Conc&iacute;lio de Lyon: os Pregadores (conhecidos por Dominicanos ou Jacobinos), os Menores (Franciscanos ou <I>Cordeliers</I>), os Agostinianos e os Carmelitas (LE GOFF, 1992, p. 46).    <br> <a name="nt11"></a><a href="#tx11">11</a> A dissemina&ccedil;&atilde;o dessas ordens foi grande: "Com o aux&iacute;lio do cat&aacute;logo dos conventos mendicantes da Fran&ccedil;a medieval de Richard W. Emery, foi poss&iacute;vel localizar 423 conventos fundados entre o in&iacute;cio dos anos 1210&#45;1220 e 1275, 215 entre 1275 e 1350" (LE GOFF, 1992, p. 54).    <br>      <a name="nt12"></a><a href="#tx12">12</a> Le Goff afirma que as cidades importantes do Ocidente medieval possu&iacute;am em torno de 10 a 20 mil habitantes e apenas algumas tinham um n&uacute;mero bem superior, sendo a maior, incontestavelmente, Paris, que, por volta de 1300, tinha, "sem d&uacute;vida", 200 mil habitantes (LE GOFF, 2007, p. 147).     ]]></body>
<body><![CDATA[<br><a name="nt13"></a><a href="#tx13">13</a> O terceiro per&iacute;odo apontado por Le Goff &eacute; posterior &agrave; morte de Tom&aacute;s de Aquino.     <br>   <a name="nt14"></a><a href="#tx14">14</a> O conflito entre seculares e mendicantes pelos rumos que a institui&ccedil;&atilde;o deveria tomar foi complexo e teve alguns picos. Por esse motivo, n&atilde;o nos cabe tratar detalhadamente dele neste trabalho. Grosso modo, come&ccedil;ou com a op&ccedil;&atilde;o da corpora&ccedil;&atilde;o por uma greve em defesa de seus direitos (1229&#45;1231), que n&atilde;o foi acatada pelos mendicantes e durante a qual foi outorgada a primeira licen&ccedil;a de teologia para um dominicano. A partir de ent&atilde;o, em diferentes situa&ccedil;&otilde;es, os seculares acusavam os mendicantes de n&atilde;o se integrarem &agrave; universidade, pois privilegiavam a pr&oacute;pria regra e colocavam em risco a autonomia da corpora&ccedil;&atilde;o. Na quest&atilde;o doutrinal, conflitaram principalmente em rela&ccedil;&atilde;o ao lugar que se deveria conceder aos estudos de Arist&oacute;teles. Para um acesso inicial &agrave; discuss&atilde;o, consultar, entre outros: CAVALCANTE, T. M. A corpora&ccedil;&atilde;o de mestres e estudantes de Paris, foco privilegiado das rela&ccedil;&otilde;es de poder. In: CAVALCANTE, T. M. <I>Aspectos educacionais da obra de Santo Tom&aacute;s de Aquino no contexto escol&aacute;sticouniversit&aacute;rio do s&eacute;culo XIII</I>. 2006. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o) Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Estadual de Campinas, 2006. p. 55&#45;79.     <br><a name="nt15"></a><a href="#tx15">15</a> <I>Artes </I>se referem &agrave; divis&atilde;o do conhecimento: Artes Liberais e, desde o s&eacute;culo XII, tamb&eacute;m as Mec&acirc;nicas.    <br>    <a name="nt16"></a><a href="#tx16">16</a> A refer&ecirc;ncia &agrave;s categorias profissionais &eacute; reincidente nos textos formulados no s&eacute;culo XIII: "A nova palavra das ordens mendicantes, pronunciada do p&uacute;lpito ou na pra&ccedil;a, dirige&#45;se muitas vezes a esta ou aquela categoria socioprofissional e leva amplamente em conta a nova sociedade urbana. S&atilde;o os <I>sermones ad status </I>('serm&otilde;es aos estados do mundo'), atentos aos pecados considerados espec&iacute;ficos de cada categoria, consignando a constitui&ccedil;&atilde;o de novos grupos sociais, como outras tantas comunidades pecadoras, a serem salvas em comum" (LE GOFF, 1992, p. 190).     <br><a name="nt17"></a><a href="#tx17">17</a> Por sua complexidade, este trabalho n&atilde;o objetiva esmiu&ccedil;ar essas virtudes, objeto da segunda parte da obra tomasiana, mas apontar a relev&acirc;ncia do conhecimento e do ensino de virtudes terrestres. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><a name="nt"></a><a href="#tx"><img src="/img/revistas/edur/v28n2/seta.jpg" border="0"></a> Contato:</B>     <br> Rua L&uacute;cia Helena Zampieri, 100 Jardim Boa Esperan&ccedil;a     <br> CEP 13091&#45;525 Campinas, SP Brasil </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B>Recebido:</B> 14/01/2011     <br><B>Aprovado:</B> 21/12/2012 </font></p>      ]]></body><back>
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