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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cartografias da escola: controle e práticas de comunicação em análise]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[School's cartographies: controls and potencies in communication practices]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we elected communication at school as the discussion focus, in particular the one which apparently would not be held at work situation - the teachers' room interactions, where teachers meet during the break. From the way the notice board is used we intend to engage in a controversy about the relations between the professionals and the meanings of work. The perspective is to analyze the communication devices holding attention to the produced effects in a truth regime that authorizes a way of working which increases the exclusion of students and teachers in their ability on practice management. First of all we will situate the reader in the problematic and reference adopted. Then, we will go through the controversy of work, health and knowledge production concepts, bringing the notice board as a processes analyzer. Finally, we will point out leeways and other formation possibilities.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[intervention research]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana">ARTIGOS</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font size="4" face="Verdana"><b>Cartografias da escola: controle e pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">School's cartographies: controls and potencies in   communication practices</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Bruno Deusdar&aacute;; Marisa   Lopes da Rocha&nbsp; </font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Universidade do Estado do   Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, elegemos como eixo de discuss&atilde;o a   comunica&ccedil;&atilde;o na escola, em particular a que, aparentemente, n&atilde;o estaria em   situa&ccedil;&atilde;o de trabalho &#150; as intera&ccedil;&otilde;es realizadas na sala de professores, onde os   profissionais se encontram nos intervalos. A partir do funcionamento do quadro-mural,   o que se busca polemizar s&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es entre os profissionais e os sentidos   do trabalho. A perspectiva &eacute; a de colocar em an&aacute;lise os dispositivos de   comunica&ccedil;&atilde;o, atentando para os efeitos produzidos em um regime de verdade que   autoriza uma maneira de trabalhar docente que fortalece a exclus&atilde;o de alunos e   profissionais na sua capacidade de gest&atilde;o das pr&aacute;ticas. Iniciamos por situar o   leitor na problem&aacute;tica e no referencial adotado, passando &agrave; polemiza&ccedil;&atilde;o dos   conceitos de trabalho, sa&uacute;de e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e trazendo o   quadro-mural como analisador dos processos. Por fim, evidenciamos as derivas e   outros poss&iacute;veis na forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> comunica&ccedil;&atilde;o escolar;   trabalho docente; pesquisa-interven&ccedil;&atilde;o</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In this article we elected   communication at school as the discussion focus, in particular the one which   apparently would not be held at work situation &#150; the teachers' room   interactions, where teachers meet during the break. From the way the notice   board is used we intend to engage in a controversy about the relations between   the professionals and the meanings of work. The perspective is to analyze the   communication devices holding attention to the produced effects in a truth   regime that authorizes a way of working which increases the exclusion of   students and teachers in their ability on practice management. First of all we   will situate the reader in the problematic and reference adopted. Then, we will   go through the controversy of work, health and knowledge production concepts,   bringing the notice board as a processes analyzer. Finally, we will point out   leeways and other formation possibilities.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords</b>: educational communication; teacher's work; intervention research</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">(...) as verdades s&atilde;o ilus&otilde;es, das quais se esqueceu que o     s&atilde;o, met&aacute;foras que se tornaram gastas e sem for&ccedil;a sens&iacute;vel, moedas que perderam     sua ef&iacute;gie e agora s&oacute; entram em considera&ccedil;&atilde;o como metal, n&atilde;o mais como moedas</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, compartilhamos inquieta&ccedil;&otilde;es que emergem de   nossa pr&aacute;tica como pesquisadores de escolas p&uacute;blicas de ensino fundamental e   m&eacute;dio. Nosso investimento tem se dado no sentido de contribuir para a   desnaturaliza&ccedil;&atilde;o<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> do cotidiano escolar,   abordando-o como produ&ccedil;&atilde;o coletiva e colocando em an&aacute;lise as pr&aacute;ticas &#150; que afirmam   as tradi&ccedil;&otilde;es &#150; e os conceitos &#150; que d&atilde;o significado &agrave; vida como algo j&aacute; sempre   dado.&nbsp; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na perspectiva   adotada aqui, a dimens&atilde;o de an&aacute;lise &eacute; micropol&iacute;tica<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a>, colocando em quest&atilde;o uma anal&iacute;tica das   for&ccedil;as molares e moleculares que comp&otilde;em um campo social. Para Guattari, a   quest&atilde;o micropol&iacute;tica est&aacute; no agenciamento de singulariza&ccedil;&otilde;es no n&iacute;vel de sua   emerg&ecirc;ncia, s&oacute; podendo ser feito pelos pr&oacute;prios implicados na composi&ccedil;&atilde;o de   planos de iman&ecirc;ncia de outros poss&iacute;veis em que sujeitos, cenas e atmosferas s&atilde;o   insepar&aacute;veis (Guatarri &amp; Rolnik, 2005). Tal perspectiva desafia a cria&ccedil;&atilde;o   de dispositivos-analisadores que sustentem um campo de indaga&ccedil;&atilde;o, (re)colocando   permanentemente as problem&aacute;ticas em discuss&atilde;o. A exemplo desse desafio,   apontamos queixas, den&uacute;ncias e ang&uacute;stias, presentes no delineamento da paisagem   escolar, como analisadores dos diferentes modos de agenciamento da rotina de   trabalho, quase nunca afirmando mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em nossas pr&aacute;ticas de pesquisa-interven&ccedil;&atilde;o, o desafio   reside na abertura de um espa&ccedil;o-tempo, convocando permanentemente os envolvidos   no processo de ensinar e aprender a interferir na produ&ccedil;&atilde;o do cotidiano. Tal   interfer&ecirc;ncia se d&aacute; na constitui&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as intensificadoras das for&ccedil;as que   possam sustentar um campo de problematiza&ccedil;&atilde;o entre o que acontece e o que faz   acontecer e uma pr&aacute;tica reflexiva que (re)conceitualize a forma&ccedil;&atilde;o. Partimos do   pressuposto de que a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho n&atilde;o &eacute; s&oacute; um meio para consecu&ccedil;&atilde;o   de tarefas, mas um &acirc;mbito importante de interfer&ecirc;ncia coletiva para a constru&ccedil;&atilde;o   da atividade constitu&iacute;da entre alunos e professores, profissionais e   institui&ccedil;&atilde;o, fam&iacute;lias e escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, elegemos como entrada a problematiza&ccedil;&atilde;o dos   modos de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho docente, interrogando as pr&aacute;ticas de   comunica&ccedil;&atilde;o entre profissionais na escola. Considerando a maquinaria   disciplinar de que nos fala Foucault (2004), exercida minuciosamente,   apropriando-se de tudo o que pode gerar movimento entre os corpos, na   composi&ccedil;&atilde;o dos gestos, dos atos, apontamos o funcionamento do quadro-mural da   sala de professores como um campo produtor de pistas para as an&aacute;lises aqui   propostas. Com efeito, o quadro-mural &eacute; um daqueles elementos que comp&otilde;em a   tradi&ccedil;&atilde;o educacional, sobre o qual, ao menos aparentemente, pouco se teria a   discutir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nessa paisagem escolar "cl&aacute;ssica", o quadro-mural   comparece como divulga&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria oficial, afixando-se nele lembretes,   informa&ccedil;&otilde;es importantes, que remetem a datas, prazos, tudo o que se espera ver   cumprido. H&aacute; ainda o quadro-mural no qual se apresenta o que &eacute; julgado como os   melhores trabalhos dos alunos. Mostram-se como exemplares modelos de uma l&oacute;gica   a ser seguida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando optamos por interrogar as pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o   na escola a partir da an&aacute;lise do quadro-mural, propomos de sa&iacute;da algumas   quest&otilde;es que podem tensionar n&atilde;o apenas seu funcionamento, mas tamb&eacute;m o de um   diagrama de for&ccedil;as que possibilita sua emerg&ecirc;ncia. Assim, cabe perguntar: de   que maneira conversas informais nos intervalos, comunicados, memorandos,   circulares, t&ecirc;m intensificado uma organiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica do trabalho escolar?   Que resist&ecirc;ncias t&ecirc;m se efetivado como afirma&ccedil;&atilde;o de outros modos de ordena&ccedil;&atilde;o   da vida e do trabalho?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Parece-nos necess&aacute;rio   p&ocirc;r em suspenso algumas das premissas que marcam o trabalho na escola, no   intuito de encaminhar a constru&ccedil;&atilde;o de outros modos de exist&ecirc;ncia. Um primeiro   aspecto a ser considerado aponta para a urg&ecirc;ncia de problematizar a sala de   aula como &uacute;nico referencial de espa&ccedil;o-tempo do trabalho docente. Vemos assim   que a escola como institui&ccedil;&atilde;o de disciplinamento/confinamento, mesmo que em   crise, ainda traz a premissa da hierarquia, associando espa&ccedil;o-tempo-atividade a   um lugar restrito e a uma a&ccedil;&atilde;o isolada e parcializada. Afinal, a educa&ccedil;&atilde;o   escolarizada como produtora de enunciados e como campo de visibilidade sobre a   forma&ccedil;&atilde;o, se constitui dando/adquirindo sentido e estrutura &agrave; sociedade   disciplinar e sendo, portanto, tribut&aacute;ria da l&oacute;gica capital&iacute;stica que atravessa   as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho na configura&ccedil;&atilde;o da sociedade moderna. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao pretender p&ocirc;r em suspenso a ordena&ccedil;&atilde;o do trabalho do   professor na escola, evidenciamos sua realiza&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m da sala de aula com   o aluno. H&aacute;, portanto, outras coordenadas de espa&ccedil;o-tempo que se constituem em   atividades de forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o explicitadas, principalmente, atuando nos modos de   subjetiva&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio professor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Optamos assim por compreender que, na sala de   professores, apenas aparentemente os profissionais estariam descansando. &Eacute;   nesse contexto que circulares, bilhetes e memorandos s&atilde;o entregues, recados s&atilde;o   dados. Al&eacute;m disso, circulam ainda coment&aacute;rios sobre os sucessos ou as   dificuldades no trabalho com uma dada turma, com um ou outro t&oacute;pico dos   programas das disciplinas, reclama&ccedil;&otilde;es e reivindica&ccedil;&otilde;es a respeito das   condi&ccedil;&otilde;es de precariza&ccedil;&atilde;o do sistema de ensino, mas que, na qualidade de   "intervalo", n&atilde;o ganham consist&ecirc;ncia para fortalecer movimentos de discuss&atilde;o e   transforma&ccedil;&atilde;o da rotina institucional. Assim, colocar em relevo os modos a   partir dos quais as pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o acontecem na sala de professores   nos faculta abordar a dimens&atilde;o de uma micropol&iacute;tica do trabalho docente que   atua nos corpos, gerando m&uacute;ltiplos afetos, entre estes a ang&uacute;stia, sem, no   entanto, ter express&atilde;o interventiva a favor de uma outra qualidade de vida   coletiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Trabalho e sa&uacute;de: produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento na escola</font></b><font size="3" face="Verdana"></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Come&ccedil;amos por afirmar que vida e trabalho s&atilde;o processos   de constru&ccedil;&atilde;o insepar&aacute;veis e, quando buscamos compreender os modos de produ&ccedil;&atilde;o   de subjetividade na escola, &eacute; fundamental incluir nas discuss&otilde;es dos percursos,   escolhas e pr&aacute;ticas do professor as quest&otilde;es vinculadas ao mundo do trabalho   docente na atualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O trabalho enquanto uma experi&ecirc;ncia fundante da nossa   esp&eacute;cie se faz na qualidade de um exerc&iacute;cio de estrutura&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica. Mesmo   quando, nas rela&ccedil;&otilde;es capitalistas, se evidencia adoecedora, tal experi&ecirc;ncia se   constitui de pr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o/desorganiza&ccedil;&atilde;o na crescente complexidade   da vida dos sujeitos como produtores de situa&ccedil;&otilde;es que potencializam ou n&atilde;o a   sa&uacute;de. Desse modo, pensar a sa&uacute;de no trabalho implica colocar em an&aacute;lise a   atividade, refletindo sobre as condi&ccedil;&otilde;es, rela&ccedil;&otilde;es e organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho,   sobre a cultura j&aacute; estabilizada no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas que   agenciam mudan&ccedil;as a partir das viv&ecirc;ncias no coletivo em a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para definir <u>atividade</u>, recorremos a Clot (1999),   para quem tal no&ccedil;&atilde;o envolve o previsto em uma situa&ccedil;&atilde;o funcional, assim como o   imprevisto, o realizado em uma tarefa e o n&atilde;o realizado, o que se queria fazer   e n&atilde;o se fez. <u>O realizado &eacute; a &iacute;nfima parte do que &eacute; poss&iacute;vel</u> (Santos,   2006). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para o autor, a atividade implica sempre um destinat&aacute;rio,   ou seja, nosso fazer &eacute; dirigido a outros, dos quais nos aproximamos, aos quais   nos contrapomos, enfim, nossas atividades est&atilde;o sempre, de algum modo,   entrela&ccedil;adas e nos entrela&ccedil;ando nas atividades de outros. Dessa forma, &eacute;   preciso considerar que a atividade individual &eacute; organicamente produzida em   suportes de uma hist&oacute;ria coletiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Levando em considera&ccedil;&atilde;o os estudos de Oddone sobre o   movimento oper&aacute;rio italiano, Clot (1999) estabelece que o agir de um   trabalhador s&oacute; amplia o poder de interven&ccedil;&atilde;o na tarefa prescrita quando usa a   experi&ecirc;ncia para abrir espa&ccedil;o a outras experi&ecirc;ncias. O meio profissional,   ent&atilde;o, nunca &eacute; somente um meio social, mas sempre tamb&eacute;m um meio hist&oacute;rico, uma   vez que um certo repert&oacute;rio funcional se constitui permanentemente em meio &agrave;s   pr&aacute;ticas de cada um, implicadas nas pr&aacute;ticas de todos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Clot (1999) afirma ainda que, quando os trabalhadores n&atilde;o   se sentem potencializados para desenvolver estrat&eacute;gias de organiza&ccedil;&atilde;o do   trabalho, de gest&atilde;o da atividade, aumenta-se a dist&acirc;ncia entre o prescrito e os   desafios a enfrentar, levando &agrave; fragiliza&ccedil;&atilde;o do coletivo e ao adoecimento. Por   outro lado, cultivar as habilidades de forma a enriquecer as experi&ecirc;ncias   coletivas fortalece o exerc&iacute;cio da atividade, transformando a cultura   institucionalizada. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A experi&ecirc;ncia do trabalho traz a pot&ecirc;ncia da inven&ccedil;&atilde;o de   si e do mundo e, nesse contexto, a sa&uacute;de passa a ser uma pr&aacute;tica que amplia a   qualidade de vida. Podemos considerar que o trabalho, enquanto dispositivo a   favor da sa&uacute;de, traz uma dimens&atilde;o de normatividade, modula&ccedil;&atilde;o e arbitragem no   curso da a&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es imprevistas que requerem sempre outros balizamentos   e pondera&ccedil;&otilde;es, funcionando como usinagem de novos modos de operar, pensar e   cooperar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O professor, para dar conta de seu trabalho, cria   atalhos, novas normas frente &agrave; variabilidade de desafios que se constituem   cotidianamente, embora quase nunca tais a&ccedil;&otilde;es ganhem visibilidade, consist&ecirc;ncia   e valoriza&ccedil;&atilde;o. Como em Brito, Athayde e Neves (2003) e Barros (2003), a   normatividade se constitui na capacidade do homem de criar novas normas que   possam dar conta da variabilidade do meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A experi&ecirc;ncia do trabalho nas condi&ccedil;&otilde;es crescentes de   precariza&ccedil;&atilde;o e vulnerabilidade do mundo atual n&atilde;o vem se evidenciando como   potencializadora de expans&atilde;o da vida, uma vez que o homem vive conflitos que   acarretam sofrimentos e desestrutura&ccedil;&atilde;o no cotidiano, sem conseguir produzir   a&ccedil;&otilde;es que interfiram a seu favor. As lutas por deslocamentos das formas de   produ&ccedil;&atilde;o em busca de novas pr&aacute;ticas, as tentativas dos trabalhadores de   imprimir mudan&ccedil;as nas situa&ccedil;&otilde;es que resistem aos regulamentos, escores e   produtividade exigida, v&ecirc;m se mostrando fr&aacute;geis ante a dimens&atilde;o do desafio a enfrentar   (Brito, 2004; Brito, Athayde, &amp; Neves, 2003). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando colocamos aten&ccedil;&atilde;o no trabalho docente,   evidenciamos que muitas vezes a tarefa apresentada no trabalho prescrito &eacute;   difusa e nem sempre o professor tem clareza do que pode ser feito, do que se constitui   como invis&iacute;vel de seu trabalho, ou seja, de tudo o que o atravessa e n&atilde;o se   deixa perceber sem tempo para reflex&atilde;o e an&aacute;lise. Nossas an&aacute;lises em torno da   produ&ccedil;&atilde;o de sentido a partir do funcionamento do quadro-mural partem da   hip&oacute;tese de que a referida ferramenta de comunica&ccedil;&atilde;o participa dessa   constitui&ccedil;&atilde;o do trabalho prescrito, mesmo que supostamente esteja apenas   informando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A quest&atilde;o, portanto, est&aacute; em como nos aproximarmos dessa   complexidade, como adotar um olhar m&uacute;ltiplo que, no caso da sa&uacute;de do professor   nas situa&ccedil;&otilde;es de trabalho, passa pela desnaturaliza&ccedil;&atilde;o dos modos de organiza&ccedil;&atilde;o   tradicionais do trabalho na educa&ccedil;&atilde;o. E, para abordar as condi&ccedil;&otilde;es de   realiza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o escolarizada, somamo-nos &agrave;queles(as) que prop&otilde;em fazer   da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho cotidiano objeto de an&aacute;lises e interven&ccedil;&otilde;es   (Minayo-Gomez &amp; Barros, 2002; Rocha, 2001). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nossas inquieta&ccedil;&otilde;es apontam sobretudo para certa divis&atilde;o   do trabalho de forma&ccedil;&atilde;o&nbsp; calcada nas dicotomias que op&otilde;em teoria e pr&aacute;tica,   conhecimento formal e conhecimento informal, cujos efeitos ampliam a   fragmenta&ccedil;&atilde;o no (des)encontro entre professores e destes com os alunos,   dificultando a constru&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios de experimenta&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de   saberes singularizantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No espa&ccedil;o/tempo dos desencontros, a rela&ccedil;&atilde;o que a   comunidade escolar estabelece com o conhecimento &eacute; disciplinar, ou seja,   ritualizada e repetitiva, fazendo das turbul&ecirc;ncias da conviv&ecirc;ncia um campo de   batalha e m&uacute;ltiplos problemas &#150; um c&iacute;rculo vicioso que alimenta insatisfa&ccedil;&otilde;es,   lamentos e adoecimentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a preponder&acirc;ncia do car&aacute;ter administrativo nas   pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o traz a dimens&atilde;o de regramento para o imprevis&iacute;vel e a   perspectiva de corre&ccedil;&atilde;o do que escapa aos c&oacute;digos, colocando em a&ccedil;&atilde;o um   repert&oacute;rio de solu&ccedil;&otilde;es incompat&iacute;vel com o tempo do ensaio, com o espa&ccedil;o para o   pensamento, o que poderia gerar interfer&ecirc;ncias coletivas e produzir sentidos no   trabalho docente. &Eacute; preciso acrescentar que esse car&aacute;ter administrativo nas   pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o se fortalece em um regime de visibilidade que supostamente   circunscreveria o trabalho docente aos limites da sala de aula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em certa medida, o quadro-mural de que iremos tratar,   como um elemento que comp&otilde;e a tradi&ccedil;&atilde;o escolar na ritualiza&ccedil;&atilde;o de saberes, pode   tornar-se um analisador das lutas travadas na gest&atilde;o das pr&aacute;ticas e dos valores   na educa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A esse respeito, considere-se a seguinte rela&ccedil;&atilde;o entre   educa&ccedil;&atilde;o e as pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o na escola:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Todo aparato escolarizador tem como centro ativo de produ&ccedil;&atilde;o da     imobilidade a cela comunicacional da rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem. Educa&ccedil;&atilde;o e     comunica&ccedil;&atilde;o que formam, como qualquer pedagogia, visa conduzir o outro rumo ao     mesmo, adequar a uma realidade social, harmonizar o <i>socius</i> pela     pacifica&ccedil;&atilde;o de cada um, pelo ajustamento &agrave; moral e pelo controle da pot&ecirc;ncia de     diferir. (Corr&ecirc;a, 2004, p.46)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir de tal disciplinaria que vai se compondo nas   tradi&ccedil;&otilde;es escolares, o conhecimento fica reduzido a dado, a blocos compactados   de saber, cuja exist&ecirc;ncia, supostamente aut&ocirc;noma das circunst&acirc;ncias em que se   constituem, pressup&otilde;e como tarefa do professor uma din&acirc;mica predominantemente   individualizante e reprodutiva de apenas fazer circular informa&ccedil;&atilde;o. Tais   imagens p&otilde;em em cena uma l&oacute;gica que desarticula a gest&atilde;o do processo de   trabalho e de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, agenciando porta-vozes ou testemunhos   de 'saberes-verdade' (Stengers, 1990).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O quadro-mural como diagrama de for&ccedil;as</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Convidamos o leitor a nos acompanhar em uma visita &agrave; sala   de professores de uma escola p&uacute;blica estadual do Rio de Janeiro. Chegando ao <i>hall</i> de entrada, identificamos &agrave; nossa direita o balc&atilde;o de atendimento ao p&uacute;blico &#150;   alunos e seus respons&aacute;veis &#150; da secretaria da escola. &Agrave; esquerda, avistamos uma   escada, que nos levaria aos seis andares das salas de aula. Em frente, h&aacute; uma   porta azul entreaberta, de onde era poss&iacute;vel ouvir vozes de diferentes pessoas.   Cruzamos a porta em um momento de discuss&atilde;o acalorada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma professora, que   assistia &agrave; discuss&atilde;o, tenta nos situar frente &agrave; pol&ecirc;mica deflagrada a partir da   leitura de um informe colocado no mural, que se refere a uma convoca&ccedil;&atilde;o para o   conselho de classe. Tal informe fora afixado durante as aulas daquele turno e   tornado conhecido aos professores quando esses foram chegando para o hor&aacute;rio do   recreio. Muitas falas concomitantes e, entre elas, a de um professor que,   procurando se justificar, comunica que iria faltar ao conselho de classe, j&aacute;   que s&aacute;bado era seu dia de estar com os filhos. Outros dois professores fizeram   gestos que pareciam manifestar concord&acirc;ncia quanto &agrave; falta ao conselho, um   movimento meio displicente com a cabe&ccedil;a e um leve sorriso, aparentando uma   convic&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&atilde;o firme quanto &agrave; do colega mais incisivo. Talvez considerasse   tratar-se de um dever de of&iacute;cio ao qual n&atilde;o podia deixar de comparecer. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um deles moveu os ombros para frente, ajeitou-se na   cadeira, chegou mesmo a ensaiar uma opini&atilde;o, quando outro colega o interrompeu,   dizendo enfaticamente que, se n&atilde;o era seu dia de trabalho, como n&atilde;o era o de   nenhum dos presentes, n&atilde;o havia por que falar em "falta", ele tamb&eacute;m n&atilde;o   compareceria &#150; como fez quest&atilde;o de ressaltar &#150; e, em momento nenhum, poderia se   sentir faltando ao trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com esse curto epis&oacute;dio hipot&eacute;tico (mas n&atilde;o tanto!),   pretendemos iniciar nossas an&aacute;lises, explicitando ao leitor alguns elementos   que constituem as pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o entre os profissionais de educa&ccedil;&atilde;o em   uma escola com funcionamento dividido nos tr&ecirc;s turnos. N&atilde;o sem antes colocar em   relevo os controles acessados pela escola que, ao propor trabalho no s&aacute;bado,   estabelece tamb&eacute;m um crivo avaliativo divisor dos bons e maus profissionais,   pressupondo que os que t&ecirc;m interesse por seus alunos n&atilde;o medir&atilde;o esfor&ccedil;os para   continuar a trabalhar. O sentimento de falta se inscreve nos corpos dos   professores em todas as vezes que as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho docente n&atilde;o entram   em an&aacute;lise, deixando de fora da carga hor&aacute;ria a gest&atilde;o coletiva do trabalho   (incluindo a&iacute; prepara&ccedil;&atilde;o, corre&ccedil;&atilde;o, estudos, planejamentos, sala dos professores...   reuni&otilde;es). Ren&eacute; Lourau traz o conceito de sobretrabalho, apontando para a   mais-valia como uma exig&ecirc;ncia de rentabilidade suplementar: "Por sobretrabalho   compreendemos algo diverso daquilo que seria simplesmente o dever do cidad&atilde;o   perante o Estado, o qual consiste, para os crist&atilde;os, no exerc&iacute;cio correto de um   of&iacute;cio, a fim de provar que n&atilde;o est&atilde;o fora deste mundo" (Lourau, 2004, p. 189)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vejamos como isso vai se constituindo no cotidiano   educacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Essa escola tem, aproximadamente, dois mil e quinhentos   alunos frequentando turmas nas tr&ecirc;s s&eacute;ries do Ensino M&eacute;dio. O turno da manh&atilde;   conta com o maior n&uacute;mero de alunos, em torno de mil e trezentos. Os outros mil   e duzentos dividem-se entre os turnos da tarde e da noite. Em cada um dos cinco   dias da semana, a grade de hor&aacute;rio prev&ecirc; uma rotina de seis aulas, com dura&ccedil;&atilde;o   de cinquenta minutos cada uma, entre as quais h&aacute; um intervalo de trinta   minutos, com exce&ccedil;&atilde;o do turno da noite.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para atender a esses alunos, a escola conta com,   aproximadamente, duzentos e dez profissionais, dos quais um pouco mais de cento   e oitenta s&atilde;o professores e apenas trinta funcion&aacute;rios de apoio, entre vigias,   merendeiras, inspetores, administrativos e uma bibliotec&aacute;ria. Os funcion&aacute;rios   de apoio dividem-se em duas equipes, que se alternam em jornadas de oito horas   di&aacute;rias. J&aacute; os professores contam com dois tipos de v&iacute;nculo, um deles prevendo   carga semanal de dezesseis tempos de aula, dos quais doze s&atilde;o cumpridos em sala   e quatro se destinam a trabalhos complementares. Nesse regime est&atilde;o vinculados   aproximadamente oitenta por cento dos professores. Os demais possuem v&iacute;nculo   que prev&ecirc; carga semanal de quarenta horas, das quais trinta devem ser cumpridas   em sala e as dez horas restantes destinam-se a trabalhos complementares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante do &uacute;ltimo "enxugamento" proposto para a grade   curricular do Ensino M&eacute;dio da rede estadual do Rio de Janeiro, as disciplinas   de Hist&oacute;ria, Geografia, Qu&iacute;mica, F&iacute;sica, Biologia, Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Artes   Pl&aacute;sticas, L&iacute;ngua Estrangeira s&atilde;o oferecidas em dois tempos de aula semanais   para cada uma das turmas das tr&ecirc;s s&eacute;ries. Assim sendo, um professor de Hist&oacute;ria   ou F&iacute;sica, por exemplo, para preencher os doze tempos semanalmente previstos em   sala de aula, ter&aacute; de trabalhar com seis turmas, com uma m&eacute;dia de trinta e   cinco alunos em cada uma delas. S&atilde;o, portanto, duzentos e dez alunos em m&eacute;dia.   Se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o que, para dar essas doze aulas semanais, o   professor de F&iacute;sica vai &agrave; escola duas vezes por semana, em cada uma delas tendo   contato com tr&ecirc;s das suas seis turmas, as chances que h&aacute; de ele conhecer o professor   de Hist&oacute;ria ou Geografia, com quem divide as mesmas turmas, s&atilde;o poucas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, o uso do tempo e do espa&ccedil;o escolar gera efeitos   como a precariedade das rela&ccedil;&otilde;es e da constru&ccedil;&atilde;o do sentido do trabalho entre   os profissionais, fortalecendo a comunica&ccedil;&atilde;o formal e unilateral da   administra&ccedil;&atilde;o para os demais segmentos, e gera tamb&eacute;m os informes generalizantes   (mas n&atilde;o menos formadores) do quadro-mural. Sem d&uacute;vida que os contatos entre os   professores e destes com os alunos e familiares ficam fragmentados,   fragilizando movimentos de insurg&ecirc;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O leitor deve ter notado, a esta altura, que a descri&ccedil;&atilde;o   detalhada trata de uma forma de organiza&ccedil;&atilde;o em que, aparentemente, haveria   apenas o efeito de uma enorme dificuldade em construir alternativas para o   funcionamento escolar. &Eacute; preciso considerar que uma descri&ccedil;&atilde;o minuciosa das   diversas estrat&eacute;gias de disciplinamento dos gestos e fixa&ccedil;&atilde;o dos corpos na   institui&ccedil;&atilde;o escolar produz, tamb&eacute;m ela, a sensa&ccedil;&atilde;o de estarmos no pan&oacute;ptico.   Nesse tipo de arquitetura, as diferentes formas de dissocia&ccedil;&atilde;o entre "ver" e   "ser visto" fazem nos sentirmos em um dispositivo em que nada escapa ao poder   (Foucault, 2004). O que escapa ao confinamento do professor &agrave; sala de aula? Que   problematiza&ccedil;&otilde;es levantar com o objetivo de questionar o que resiste em tal   contexto?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se insist&iacute;ssemos em afirmar que a cena e suas condi&ccedil;&otilde;es   descritas anteriormente s&atilde;o a "causa" da falta de comunica&ccedil;&atilde;o entre os   professores, talvez nos apress&aacute;ssemos em elaborar propostas que combateriam   tais "causas", como, por exemplo, a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de reuni&atilde;o. Logo,   ter&iacute;amos encontros previstos em meio a tantos desencontros de hor&aacute;rio e a tanto   confinamento espacial com rotinas repetitivas. Por outro lado, todos sabemos   que h&aacute; certo "reunionismo" que consome boa parte de nosso tempo em encontros   entediantes, cujas pautas infind&aacute;veis restringem-se em atualizar rotinas   burocratizantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante desse impasse   aparente, estamos propondo que n&atilde;o nos antecipemos. Isso significa n&atilde;o tomar o   quadro anteriormente elucidado como "causa", mas sim como efeito das rela&ccedil;&otilde;es   produzidas na escola. S&oacute; uma an&aacute;lise das for&ccedil;as que possibilitam a emerg&ecirc;ncia   de formas de comunica&ccedil;&atilde;o e de vida, sejam elas o n&atilde;o-encontro dos profissionais   que atuam em uma mesma s&eacute;rie, sejam elas as reuni&otilde;es que s&oacute; produzem   desencontros e t&eacute;dio. Desse modo, parece-nos poss&iacute;vel pensar quais estrat&eacute;gias   est&atilde;o em jogo, apropriando-se de uma s&eacute;rie de movimentos tais como os   "enxugamentos" das grades curriculares, a refer&ecirc;ncia salarial em hora-aula,   entre outras tantas estrat&eacute;gias alimentadas por certas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Retomemos nossa visita &agrave; sala de professores e a pol&ecirc;mica   convoca&ccedil;&atilde;o do conselho de classe aos s&aacute;bados. Provavelmente, o leitor se   perguntar&aacute;, a essa altura, como o professor de Hist&oacute;ria saber&aacute; que o de F&iacute;sica   n&atilde;o concorda com a convoca&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o de conselho de classe em um s&aacute;bado.   Verificamos que as redes de contato acionadas pela administra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o   verticalizantes, funcionando como dispositivos de liga&ccedil;&atilde;o entre os   profissionais que t&ecirc;m sua presen&ccedil;a fracionada pela semana, por&eacute;m bloqueando as   centelhas de movimentos que podem provocar rupturas locais. N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil   perceber que as intera&ccedil;&otilde;es orais como conversas, coment&aacute;rios, protestos, se   articulam de maneira complementar com a circula&ccedil;&atilde;o de textos escritos afixados   no mural, o que muitas vezes se perde na informalidade das reclama&ccedil;&otilde;es ou   lamentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">E passamos a questionar um suposto car&aacute;ter meramente   informativo atribu&iacute;do ao quadro-mural. Quando algu&eacute;m afixa algo no mural, de   certo modo dialoga com pressupostos do trabalho docente. Aproximando-nos mais   uma vez do mural da sala de professores, vemos que, ao lado do pol&ecirc;mico   bilhete, h&aacute; uma reportagem retirada de um jornal sobre gravidez na   adolesc&ecirc;ncia. Dir&iacute;amos que, quando algu&eacute;m afixa um texto sobre gravidez na   adolesc&ecirc;ncia, deve supor que, de algum modo, os profissionais que circulam por   aquele espa&ccedil;o, ou seja, os(as) professores(as) da escola, precisariam ou   quereriam ler sobre o tema (Deusdar&aacute;, 2006). &Eacute; interessante notar que a   produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade que vai se montando no "entre avisos" traz tamb&eacute;m uma   dimens&atilde;o de "cuidados", uma vez que as informa&ccedil;&otilde;es importantes para o exerc&iacute;cio   da profiss&atilde;o docente est&atilde;o ali dispon&iacute;veis para que sejam usadas. Os informes,   ao mesmo tempo em que chamam aten&ccedil;&atilde;o para as obriga&ccedil;&otilde;es (extras?), passam   tamb&eacute;m a ideia de um "cuidado" com o professor para que este cuide de seu   aluno, n&atilde;o importando se sua miss&atilde;o exige o sacrif&iacute;cio do s&aacute;bado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Logo, estamos diante do questionamento desse car&aacute;ter   meramente informativo expresso no confronto entre bilhete de convoca&ccedil;&atilde;o e a   not&iacute;cia sobre gravidez na adolesc&ecirc;ncia que nos permite perceber que a leitura   dos textos parece n&atilde;o se dar isoladamente. Ou seja, ao considerar que o que se   afixa no mural, de certa maneira, se sustenta na pressuposi&ccedil;&atilde;o de um interesse   / necessidade dos profissionais da escola, os sentidos que emergem da leitura   de cada texto s&atilde;o atravessados por essa pressuposi&ccedil;&atilde;o (Deusdar&aacute; &amp; Rocha,   2008). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Aquele que afixa um texto no quadro-mural n&atilde;o est&aacute; diante   de uma superf&iacute;cie verde quando o faz como o artista que n&atilde;o se encontra diante   de uma superf&iacute;cie branca ao pintar:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O pintor tem v&aacute;rias coisas na cabe&ccedil;a, ao seu redor ou no     ateli&ecirc;. ... Tudo isso est&aacute; presente na tela, sob a forma de imagens, atuais ou     virtuais. De tal forma que o pintor n&atilde;o tem de preencher uma superf&iacute;cie em     branco, mas sim esvazi&aacute;-la, desobstru&iacute;-la, limp&aacute;-la. Portanto, ele n&atilde;o pinta     para reproduzir na tela um objeto que funciona como modelo; ele pinta sobre as     imagens que j&aacute; est&atilde;o l&aacute;, para produzir uma tela cujo funcionamento subverta as     rela&ccedil;&otilde;es do modelo com a c&oacute;pia. (Deleuze, 2007, p. 91)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O que se instaura no quadro-mural nos remete ao movimento   das for&ccedil;as na pintura. A leitura n&atilde;o emerge apenas das palavras de cada um dos   textos. Os textos passam a funcionar n&atilde;o mais a partir de suas pr&oacute;prias fronteiras.   Trata-se de sentidos em disputa nas diferentes enuncia&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o consist&ecirc;ncia   a certa configura&ccedil;&atilde;o do quadro-mural, que constitui o embate entre as   pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es dos enunciados nele afixados e o que se atualiza a partir de   textos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Olhando mais atentamente, percebemos duas tiras, com   dizeres, que parecem compor a ornamenta&ccedil;&atilde;o desse mural, no canto superior   direito. Na primeira delas, a mais alta, h&aacute; o seguinte texto: "Descansa junto   ao Senhor; espera nele; n&atilde;o te inflames contra aquele que tem sucesso". Ao   lado, havia letras e n&uacute;meros que remetem o leitor ao vers&iacute;culo b&iacute;blico do qual   teria sido retirado. Na segunda tira havia outro vers&iacute;culo: "A porta estreita e   o caminho dif&iacute;cil levam para a vida, e poucos encontram esse caminho".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vejamos o exemplo dos dois vers&iacute;culos b&iacute;blicos. Esses   dois textos chamam a aten&ccedil;&atilde;o pelo fato de falarem aos professores n&atilde;o como   profissionais, mas como membros de dada comunidade religiosa. Os vers&iacute;culos   b&iacute;blicos dirigem-se a leitores individualizados. Sua mensagem os interpela   individualmente, e a salva&ccedil;&atilde;o por ela prometida tamb&eacute;m o faz. Por esses textos,   fala-se a indiv&iacute;duos "em si", espera-se que sejam conscientes de seus preceitos   morais, tenham-nos em mente, ajam a partir dos dispositivos de autocontrole.   Encontrar o caminho "correto" significaria aceitar as dificuldades, como   poucos, resignar-se diante delas de modo exemplar. Desse modo, d&aacute;-se   visibilidade a um profissional que trabalha com parcim&ocirc;nia e individualmente. A   solid&atilde;o constitutiva do trabalho docente &eacute; aqui celebrada como aproxima&ccedil;&atilde;o de   um tempo sagrado, para o qual os encontros parecem perturbadores, porque   provocam desordena&ccedil;&otilde;es nos modos de sentir, pensar e agir. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O que podemos observar &eacute; que as tens&otilde;es que atravessam o   mural muitas vezes ganham express&atilde;o por dispositivos apaziguadores, de   conten&ccedil;&atilde;o, em que o compenetrar-se na miss&atilde;o &eacute; entregar-se ao trabalho. Quando   recusamos o car&aacute;ter meramente informativo do quadro-mural, queremos evidenciar   seu funcionamento estrat&eacute;gico. Se o bilhete de convoca&ccedil;&atilde;o do conselho de classe   no s&aacute;bado permanecer, como fazer com que os outros saibam, participem e possam   tomar posi&ccedil;&atilde;o no debate que se abria? Ser&aacute; que outro bilhete questionando a   convoca&ccedil;&atilde;o desencadear&aacute; rea&ccedil;&otilde;es, indigna&ccedil;&otilde;es, transgress&otilde;es? H&aacute; como resistir,   como escapar &agrave; montagem cujas for&ccedil;as hegem&ocirc;nicas aprisionam cada um em si   mesmo? Que dispositivos potencializam coletivos em an&aacute;lise, dando express&atilde;o &agrave;   gest&atilde;o coletiva do trabalho docente? Pode-se iniciar um abaixo-assinado   solicitando a mudan&ccedil;a da data, ou indicar um respons&aacute;vel, que compare&ccedil;a na   escola no dia seguinte, para compartilhar com os colegas a insatisfa&ccedil;&atilde;o do   grupo do dia anterior, ou ainda, arrancar o bilhete como protesto, considerando   que o mesmo tenha sido simplesmente afixado, sem qualquer discuss&atilde;o com os   professores, por parte da administra&ccedil;&atilde;o da escola. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Vale ressaltar, nesse momento, que a leitura que fazemos   dessa rede de enuncia&ccedil;&otilde;es que atravessam o quadro-mural nos aproxima de um modo   de conceber a subjetividade como produ&ccedil;&atilde;o.<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como afixar textos no mural, simultaneamente, produz e   pressup&otilde;e um conjunto de pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es (o h&aacute;bito de ler os textos do mural por   parte dos docentes, a expectativa de que tais textos sejam importantes   profissional ou pessoalmente, necessidades de conhecimento relativo a certos   temas, possibilidade de algu&eacute;m "alimentar" o mural com textos, entre outros   aspectos), consideramos esta pr&aacute;tica como a enuncia&ccedil;&atilde;o de saberes que se sup&otilde;em   importante ao trabalho docente. Ou seja, vemos assim que o mural corresponderia   a um projeto comunicativo que fala muito sobre o trabalho docente e nos d&aacute;   pistas acerca das pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o na escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ora, em uma escola cujos profissionais pouco se   encontram, um mural em que s&atilde;o afixados bilhetes e circulares, tratando de   datas de semanas de prova e de reuni&otilde;es, procedimentos de solicita&ccedil;&atilde;o de   c&oacute;pias, prazos de entrega de notas e materiais, apresenta-nos um trabalho ritmado,   organizado burocraticamente, bastante afeito &agrave;s estrat&eacute;gias de exerc&iacute;cio de um   poder disciplinar atrav&eacute;s de uma rede vertical que sup&otilde;e m&atilde;o &uacute;nica na   comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nosso desafio, ao considerar o quadro-mural como campo   produtor de pistas para an&aacute;lise, constitui-se em um esfor&ccedil;o de desnaturaliza&ccedil;&atilde;o   de significados cristalizados e segmentados, produzindo um efeito de apagamento   da din&acirc;mica processual do cotidiano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, consideramos que as pr&aacute;ticas na escola se   constituem a partir de um exerc&iacute;cio de poder modelador, de uma escala de valor   que organiza as a&ccedil;&otilde;es pela fragmenta&ccedil;&atilde;o dos corpos e parcializa&ccedil;&atilde;o dos discursos.   A dimens&atilde;o burocr&aacute;tica que atravessa a comunica&ccedil;&atilde;o na escola n&atilde;o apenas informa   ao(&agrave;)s professore(a)s sobre procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o, datas de prova e de   reuni&otilde;es de conselho de classe, mas hierarquiza o tempo e o espa&ccedil;o da forma&ccedil;&atilde;o.   Al&eacute;m de situar as decis&otilde;es relativas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho docente fora do   cotidiano de trabalho escolar, aponta para a emerg&ecirc;ncia de imagens/pap&eacute;is como   a de "professor(a)-colaborador(a)". Tais imagens situam-se em uma dimens&atilde;o   prescritiva do trabalho, delineando o "bom" professor, "o dedicado". O mural,   como "instrumento" de comunica&ccedil;&atilde;o na sala de professores, n&atilde;o apenas pressup&otilde;e   a exist&ecirc;ncia de professores com o(a)s quais se comunica, mas tamb&eacute;m, ao   autorizar certas vozes a falarem ao(&agrave;)s professore(a)s em situa&ccedil;&atilde;o de trabalho,   produz simultaneamente diferentes lugares para os coenunciadores dessas vozes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com isso, sublinhamos no quadro-mural o funcionamento de   um dispositivo de produ&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas e mecanismos no trabalho docente,   produtor, ao mesmo tempo, de modos de ser e de fazer docente. Ou seja, ao   veicular "informa&ccedil;&otilde;es", o quadro-mural proporia certa forma de ler / pensar /   agir no cotidiano escolar. Nessa pol&ecirc;mica, o quadro-mural pode se constituir   como um dispositivo de an&aacute;lise das pr&aacute;ticas na escola e de modos de produ&ccedil;&atilde;o de   sentido, desconstruindo o que vem dando suporte aos processos de subjetiva&ccedil;&atilde;o   serializados e segmentados, apontando para o fortalecimento de resist&ecirc;ncias e   para a produ&ccedil;&atilde;o de coletivos potencializadores de mudan&ccedil;as na ordem institu&iacute;da.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Derivas para o trabalho docente</font></b><font size="3" face="Verdana"></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No contexto em que o conhecimento &eacute; quase sempre algo   essencializado, que se espera que seja transmitido para que possa continuar   sendo repetido, a escola faz funcionar uma maquinaria de controle das condi&ccedil;&otilde;es   de realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho &#150; aqui nos referimos tanto ao trabalho do(a)   professor(a) quanto ao do(a) aluno(a) &#150; que pretende diagnosticar desvios e   propor seu reenquadramento permanente. Como vimos, pensar o conhecimento como   est&aacute;tico requer p&ocirc;r em movimento dispositivos de bloqueio &agrave;s singulariza&ccedil;&otilde;es,   perspectiva que faz supor a exist&ecirc;ncia de uma universalidade a ser atualizada   em cada um e em todos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A sustenta&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o como um territ&oacute;rio de tens&atilde;o   necess&aacute;rio &agrave; atividade docente, &agrave; inven&ccedil;&atilde;o de modos de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho,   afirma o desafio de problematizar o tempo e seus usos no coletivo. Isso porque   as subjetiva&ccedil;&otilde;es v&atilde;o se fazendo nos embates di&aacute;rios, compondo linhas de fuga &agrave;   conformidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, &eacute; fundamental a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os em que as   turbul&ecirc;ncias possam ser acolhidas e pensadas para a constitui&ccedil;&atilde;o de outros   poss&iacute;veis. Nas contribui&ccedil;&otilde;es de Foucault (1998), a perspectiva &eacute; a de colocar   em an&aacute;lise os regimes de pr&aacute;ticas constitutivas do real, e isso significa dar   visibilidade tanto aos efeitos de prescri&ccedil;&atilde;o &#150; do que deve se fazer &#150;, como aos   efeitos de codifica&ccedil;&atilde;o &#150; do que se deve saber. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; nesse sentido que afirmar o trabalho docente como   deriva envolve, antes de tudo, considerar a no&ccedil;&atilde;o de trabalho como atividade,   dispositivo de expans&atilde;o da vida, e a sa&uacute;de como um exerc&iacute;cio permanente de   arbitragem que envolve avan&ccedil;os e retrocessos na negocia&ccedil;&atilde;o da vida do   trabalhador (Neves &amp; Athayde, 1998). Isto porque cada um de n&oacute;s cria modos   de fazer sentido no encontro com o aluno e demais afazeres docentes que ficam &agrave;   sombra das luzes prescritivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No que tange &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, poder&iacute;amos evidenciar   que seus modos de constitui&ccedil;&atilde;o na/da educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m privilegiado uma l&oacute;gica de   cumprimento de metas previamente estabelecidas e de produ&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas   que, almejando falar de um panorama da educa&ccedil;&atilde;o nacional, acaba por   desconsiderar a singulariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es e circunst&acirc;ncias em que se realiza   o trabalho do professor. A dimens&atilde;o conjuntural, que vem ganhando relevo, s&atilde;o   estat&iacute;sticas, gr&aacute;ficos e n&uacute;meros pouco encarnados, desafiando-nos a colocar em   pauta um debate relativo ao modo como o trabalho e a sa&uacute;de vem ganhando corpo   nas pr&aacute;ticas cotidianas. Vale ressaltar que na perspectiva micropol&iacute;tica o   sentido de pol&iacute;tica p&uacute;blica aponta para coletivos em a&ccedil;&atilde;o, para publiciza&ccedil;&atilde;o do   que se faz, de como se faz, dimens&atilde;o em que um quadro de avisos passa de "mero   informante" a analisador das for&ccedil;as em tens&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Um leitor mais atento talvez esteja, neste momento,   perguntando-se que rela&ccedil;&otilde;es pretend&iacute;amos estabelecer entre as quest&otilde;es que   foram apresentadas e a cita&ccedil;&atilde;o de Nietzsche posta em ep&iacute;grafe. Ser&aacute; que   estar&iacute;amos propondo uma relativiza&ccedil;&atilde;o das "verdades" infal&iacute;veis dos n&uacute;meros que   se mostram nos dados estat&iacute;sticos? Ou, por outro lado, as "met&aacute;foras gastas e   sem for&ccedil;a" estariam fazendo refer&ecirc;ncia &agrave; mat&eacute;ria-prima de nossas pr&aacute;ticas de   forma&ccedil;&atilde;o, ou seja, os conhecimentos com os quais lidamos diariamente em sala de   aula e que parecem falar de um outro mundo que n&atilde;o o nosso, falando de ideias   descoladas das coisas, dos eventos, dos microprocessos nos quais estamos   investidos e das apostas em favor das quais vivemos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A nosso ver, o   fragmento em ep&iacute;grafe parece prescindir de maiores explica&ccedil;&otilde;es interpretativas,   que contribuiriam apenas para pretender fixar um sentido &#150; aquele que   corresponderia ao projeto dos autores do texto e que estaria subjacente &agrave; sua   escolha. Preferimos mant&ecirc;-lo vibrante naquilo que nos convoca (autores e   leitores!) &agrave; aventura do pensamento como um inquietante intercessor: que nos   inspire nos deslocamentos frente a uma tradi&ccedil;&atilde;o que optou por ver na ordem   te&oacute;rica e social uma dimens&atilde;o transcendente e de recusa do caos a enfrentar   pela cria&ccedil;&atilde;o de t&aacute;ticas nas situa&ccedil;&otilde;es sempre singulares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao colocarmos em jogo, com Nietzsche, as "ilus&otilde;es" que se   naturalizam como "verdade", n&atilde;o estar&iacute;amos, de algum modo, nos desgarrando dos   binarismos com os quais se optou por cindir universal/particular,   regra/exce&ccedil;&atilde;o, conjuntura/cotidiano? N&atilde;o estar&iacute;amos pretendendo produzir   trajet&oacute;rias a partir das quais o cotidiano possa ser vivido n&atilde;o apenas como   particularidades das quais se extrairiam regularidades e universalismos, que   nos dariam a ver totalidades, mas afirmando sua pot&ecirc;ncia disruptiva?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Verdades em suspenso, &eacute; preciso que se digam ainda   algumas palavras acerca do projeto de reflex&otilde;es que oferecemos ao leitor no   curso deste texto. Ao pretender desafiar a "inven&ccedil;&atilde;o" de novos modos de   produzir os sentidos e valores que se forjam nas pr&aacute;ticas cotidianas, como no   quadro de avisos de uma sala de professores, optamos por investigar as pr&aacute;ticas   de comunica&ccedil;&atilde;o entre os profissionais de uma escola p&uacute;blica estadual do Rio de   Janeiro, analisando as formas de trabalho e os modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o   em jogo, assim como que configura&ccedil;&otilde;es de atua&ccedil;&atilde;o coletiva ganham consist&ecirc;ncia a   partir dessas formas. Tal qual a lembran&ccedil;a de Nietzsche, apenas uma provoca&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Naturalizar significa dar o estatuto de espontaneidade, de   natureza ao que socialmente &eacute; produzido em campos de for&ccedil;as pol&iacute;tico,   econ&ocirc;mico, existencial. Uma pr&aacute;tica desnaturalizadora exige que, pela an&aacute;lise   coletiva, seja deslocado para o n&iacute;vel institucional o que foi naturalizado e   considerado como fora de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Em Guattari encontramos que "A an&aacute;lise micropol&iacute;tica se   situaria exatamente no cruzamento entre esses diferentes modos de apreens&atilde;o de   uma problem&aacute;tica. &Eacute; claro que os modos n&atilde;o s&atilde;o apenas dois: sempre haver&aacute; uma   multiplicidade, pois n&atilde;o existe uma subjetividade de um lado e, do outro, a   realidade social material. ... N&atilde;o h&aacute; uma l&oacute;gica de contradi&ccedil;&atilde;o entre os n&iacute;veis   molar e molecular. Os mesmos tipos de elementos, os mesmos tipos de componentes   individuais e coletivos, em jogo num determinado espa&ccedil;o social, podem   funcionar, a n&iacute;vel molar, de modo emancipador, e coextensivamente, a n&iacute;vel   molecular, serem extremamente reacion&aacute;rios e microfascistas. <u>A quest&atilde;o     micropol&iacute;tica &eacute; a de como reproduzimos (ou n&atilde;o) os modos de subjetividade     dominante</u>." (Guattari &amp; Rolnik, 2005, pp. 132-133).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Em Guattari encontramos que "Os processos de subjetiva&ccedil;&atilde;o   ou de semiotiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o centrados em agentes individuais (no funcionamento   de inst&acirc;ncias intraps&iacute;quicas, eg&oacute;icas, microssociais), nem em agentes grupais.   Esses processos s&atilde;o duplamente descentrados. Implicam o funcionamento de   m&aacute;quinas de express&atilde;o que podem ser tanto de natureza extrapessoal,   extra-individual (sistemas maqu&iacute;nicos, econ&ocirc;micos, sociais, tecnol&oacute;gicos,...   sistemas que n&atilde;o s&atilde;o mais imediatamente antropol&oacute;gicos), quanto de natureza   infra-humana, infraps&iacute;quica, infrapessoal (sistemas de percep&ccedil;&atilde;o, de   sensibilidade, de afeto, de desejo, de representa&ccedil;&atilde;o,.... assim por diante)"   (Guattari &amp; Rolnik, 2005, p. 39).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Barros, M. E. B. (2003). Modos de gest&atilde;o-produ&ccedil;&atilde;o de   subjetividade. <i>Revista do Departamento de Psicologia da UFF, 14</i>(2),   59-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0102-7182201200020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Brito, J. (2004). Sa&uacute;de do trabalhador: reflex&otilde;es a partir   da abordagem ergol&oacute;gica. In M. Figueiredo et al. (Orgs.), <i>Labirintos do     trabalho. Interroga&ccedil;&otilde;es e olhares sobre o trabalho vivo</i> (pp. 91-114). Rio   de Janeiro: DP&amp;A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0102-7182201200020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Brito, J., Athayde, M., &amp; Neves, M. Y. (2003). <i>Programa   de forma&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de, g&ecirc;nero e trabalho nas escolas.</i> Jo&atilde;o Pessoa:   Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0102-7182201200020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">&nbsp;Clot, Y. (1999). Ivair Oddone: les   instruments de l'action. <i>Les territoires du travail</i>, 3, 12-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0102-7182201200020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Corr&ecirc;a, G. (2004). Do livro de receitas: como produzir um   homem. In E. Passeti (Org.), <i>Kafka-Foucault, sem medos</i> (pp. 45-54).   Cotia: Ateli&ecirc; editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0102-7182201200020001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Deleuze, G. (2007). <i>Francis Bacon: l&oacute;gica da sensa&ccedil;&atilde;o</i> (R. Machado, Trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0102-7182201200020001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Deusdar&aacute;, B. (2006). <i>Imagens Alteridade no Trabalho Docente:   enuncia&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Instituto   de Letras, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0102-7182201200020001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Deusdar&aacute;, B. &amp; Rocha, D. (2008). Cenografias do   Trabalho Docente: produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade no mural da sala de professores". <i>Interc&acirc;mbio</i>,   18, 43-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0102-7182201200020001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Foucault, M. (1998). <i>Microf&iacute;sica do poder</i>. (R.   Machado, Trad., 13&ordf; ed.). Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0102-7182201200020001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Foucault, M. (2004). <i>Vigiar e Punir: o nascimento da   pris&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0102-7182201200020001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Guattari, F. &amp; Rolnik, S. (2005). <i>Micropol&iacute;tica:   cartografias do desejo</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0102-7182201200020001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lourau, R. (2004). Implica&ccedil;&atilde;o e sobreimplica&ccedil;&atilde;o. In S.   Alto&eacute; (Org.), <i>Ren&eacute; Lourau. Analista institucional em tempo integral</i> (pp.   186-198). S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0102-7182201200020001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Minayo-Gomez , C. &amp; Barros, M. E.B. (2002). Sa&uacute;de,   trabalho e processos de subjetiva&ccedil;&atilde;o nas escolas. <i>Psicologia: reflex&atilde;o e     cr&iacute;tica, 15</i>(3), 24-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0102-7182201200020001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Neves, M. Y. &amp; Athayde, M. (1998). Sa&uacute;de, g&ecirc;nero e   trabalho na escola&nbsp;: um campo de conhecimento em constru&ccedil;&atilde;o. In J. Brito, M. Athayde, &amp; M. Y. Neves (Orgs.), <i>Sa&uacute;de e     trabalho na escola</i> (pp. 23-35). Rio de Janeiro: CESTEHENSP/FIOCRUZ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0102-7182201200020001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Nietzsche, F. (1987). <i>Sobre a verdade e a mentira no   sentido extramoral</i> (Col. Os pensadores). S&atilde;o Paulo: Nova Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0102-7182201200020001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Rocha, M. L. (2001). Forma&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica docente:   implica&ccedil;&otilde;es com a pesquisa-interven&ccedil;&atilde;o. In I. Maciel (Org.), <i>Psicologia e     Educa&ccedil;&atilde;o: novos caminhos para a forma&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 175-191). S&atilde;o Paulo: Ci&ecirc;ncia   Moderna.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0102-7182201200020001500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Santos, M. (2006). An&aacute;lise psicol&oacute;gica   do trabalho: dos conceitos aos m&eacute;todos. <i>Laboreal, 1</i>(2), 34-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0102-7182201200020001500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Stengers, I. (1990). <i>Quem tem medo da ci&ecirc;ncia? Ci&ecirc;ncia   e poderes</i>. S&atilde;o Paulo: Siciliano.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0102-7182201200020001500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em: 28/01/2010</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <font size="2" face="Verdana">Revis&atilde;o em: 26/09/2010</font>    <br>     <font size="2" face="Verdana">Aceite em: 14/09/2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>Bruno Deusdar&aacute;</i> &eacute; professor Assistente do Instituto   de Letras e do Instituto de Aplica&ccedil;&atilde;o Fernando Rodrigues da Silveira da   Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Letras e doutor em   Psicologia Social (UERJ). Endere&ccedil;o: R. Mariz e Barros, 1098/307. Tijuca. Rio de   Janeiro/RJ, Brasil. CEP 20270-002. Email: <a href="mailto:brunodeusdara@yahoo.com.br">brunodeusdara@yahoo.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>Marisa Lopes da Rocha</i> &eacute; professora do Programa de   P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro   (PPGPS/UERJ), doutora em Psicologia pela PUC/SP e bolsista em pesquisa do CNPq.   Email: <a href="mailto:marisalrocha@uol.com.br">marisalrocha@uol.com.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Modos de gestão-produção de subjetividade]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista do Departamento de Psicologia da UFF]]></source>
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