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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O projeto do submarino nuclear brasileiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article aims to reconstruct the history of the Brazilian nuclear-powered submarine program, from its origins to the present. Using the concept of technological opportunism, it seeks to understand the position of the different federal administrations vis-à-vis the project, concluding that the Collor, Franco and Cardoso administrations did not support the program. However, they did not terminate the project. Surprisingly, there is a continuity between the military governments and the Lula administration, in the decisive support each gave to the program. With repect to the Navy, the analysis concludes that there were no significant disagreements, with the exception of personal conflicts originating in the autarchic features that the program had assumed and in the problem of scarcity of resources. The article is based on interviews with key actors.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS    <br>   BRASIL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>O projeto do submarino nuclear brasileiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>The Brazilian nuclear submarine project</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Jo&atilde;o Roberto Martins Filho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Doutor em Ci&ecirc;ncias Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor associado do Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais e Programa de P&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar). E&#45;mail: <a href="mailto:djrm@ufscar.br">djrm@ufscar.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O artigo procura reconstruir a trajet&oacute;ria do programa do submarino nuclear brasileiro desde suas origens, no governo Geisel, aos dias atuais. Lan&ccedil;ando m&atilde;o do conceito de oportunismo tecnol&oacute;gico, procura analisar a atitude dos diferentes governos federais sobre o projeto, mostrando que os governos neoliberais de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso cortaram radicalmente verbas para o programa, sem, no entanto, suspend&ecirc;&#45;lo por completo. Surpreendentemente, parece haver uma continuidade entre os governos militares e o governo Lula, quanto ao apoio decidido &agrave; ideia do submarino nuclear. Quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a na Marinha, o texto conclui que n&atilde;o h&aacute; diverg&ecirc;ncias significativas sobre a relev&acirc;ncia do programa, o que n&atilde;o exclui choques de personalidades navais, em virtude do car&aacute;ter aut&aacute;rquico assumido pelo projeto e da dificuldade de continu&aacute;&#45;lo apenas com verbas da pr&oacute;pria for&ccedil;a. O artigo utilizou entrevistas recentes com atores&#45;chaves do processo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras&#45;chave: </B>Poder Naval &#150; Estrat&eacute;gia &#150; For&ccedil;as Armadas &#150; Defesa Nacional </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The article aims to reconstruct the history of the Brazilian nuclear&#45;powered submarine program, from its origins to the present. Using the concept of technological opportunism, it seeks to understand the position of the different federal administrations vis&#45;&agrave;&#45;vis the project, concluding that the Collor, Franco and Cardoso administrations did not support the program. However, they did not terminate the project. Surprisingly, there is a continuity between the military governments and the Lula administration, in the decisive support each gave to the program. With repect to the Navy, the analysis concludes that there were no significant disagreements, with the exception of personal conflicts originating in the autarchic features that the program had assumed and in the problem of scarcity of resources. The article is based on interviews with key actors. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords: </B>Naval Power &#150; Strategy &#150; Armed Forces &#150; National Defense </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>D</b>esde fins de 1978, o Brasil resolveu investir em um programa tecnologicamente aut&ocirc;nomo de constru&ccedil;&atilde;o de um submarino de propuls&atilde;o nuclear, que, quando completado, incluiria o pa&iacute;s no clube restrito das na&ccedil;&otilde;es capazes de construir esse tipo de equipamento. Tomada &agrave; &eacute;poca do regime militar e no contexto do Acordo Nuclear Brasil&#45;Alemanha de 1975, a decis&atilde;o visava, sobretudo, possibilitar o controle das tecnologias de enriquecimento do ur&acirc;nio e de constru&ccedil;&atilde;o de reatores para propuls&atilde;o naval submarina. &Agrave; &eacute;poca da concep&ccedil;&atilde;o do projeto, sua justificativa estrat&eacute;gica b&aacute;sica fundava&#45;se na efic&aacute;cia dessa embarca&ccedil;&atilde;o na defesa do imenso litoral do pa&iacute;s no Atl&acirc;ntico Sul, por suas caracter&iacute;sticas de discri&ccedil;&atilde;o, autonomia e velocidade. A isso se aliava o argumento existente desde o come&ccedil;o dos anos 1950 de que o Brasil precisava dominar a tecnologia at&ocirc;mica, em um quadro em que os Estados detentores desse conhecimento dificilmente se disporiam a compartilh&aacute;&#45;lo com o pa&iacute;s. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na sua origem, sob o governo do quarto presidente militar, o general Ernesto Geisel, a decis&atilde;o da Marinha de caminhar no sentido do dom&iacute;nio da tecnologia da propuls&atilde;o nuclear para submarinos de ataque motivou&#45;se pela rivalidade regional com a Argentina. Posteriormente, a utilidade estrat&eacute;gica do submarino deslocou&#45;se para a vis&atilde;o de que o Brasil precisava dispor de uma arma que dissuadisse aventuras de pot&ecirc;ncias mundiais em sua costa. As recentes descobertas de petr&oacute;leo na camada do pr&eacute;&#45;sal fortaleceram a decis&atilde;o tomada h&aacute; mais de quatro d&eacute;cadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, procuraremos analisar a evolu&ccedil;&atilde;o de um programa que se alongou j&aacute; por mais de trinta anos, dois regimes pol&iacute;ticos e profundas mudan&ccedil;as no cen&aacute;rio internacional, a fim de entender o que levou as diferentes administra&ccedil;&otilde;es da Marinha e os diversos governos federais a mant&ecirc;&#45;lo, bem como as dificuldades que o projeto enfrentou desde sua defini&ccedil;&atilde;o e as opini&otilde;es que suscitou na for&ccedil;a naval. Para tanto, partiremos da ideia de <I>oportunismo tecnol&oacute;gico</I>, segundo a qual as decis&otilde;es tomadas por um pa&iacute;s sobre tecnologias militares n&atilde;o se referem &agrave;s prefer&ecirc;ncias por um determinado armamento, mas a vis&otilde;es estrat&eacute;gicas mais amplas, que conjunturalmente encontram em um armamento espec&iacute;fico canal para sua implementa&ccedil;&atilde;o. Ao estudar essas vis&otilde;es estrat&eacute;gicas, tanto na Marinha como no Executivo, chega&#45;se &agrave; conclus&atilde;o de que as diferen&ccedil;as no apoio ao programa do submarino parecem se relacionar n&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a entre os regimes pol&iacute;ticos, mas a vis&otilde;es diversas quanto ao lugar do pa&iacute;s no sistema internacional e &agrave; melhor maneira de defender os interesses nacionais. No caso espec&iacute;fico da Marinha, h&aacute; que se considerar tamb&eacute;m conflitos pessoais e intraburocr&aacute;ticos, al&eacute;m de problemas colocados pelo car&aacute;ter aut&aacute;rquico e secreto que o programa adquiriu. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Breve Hist&oacute;ria do Programa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 27 de junho de 1975, sob o impacto da crise do petr&oacute;leo, o Brasil surpreendeu o mundo ao assinar com a Rep&uacute;blica Federal da Alemanha um acordo nuclear que previa a constru&ccedil;&atilde;o at&eacute; 1985 de dois reatores nucleares para produ&ccedil;&atilde;o de energia no pa&iacute;s, tendo como motiva&ccedil;&atilde;o a expectativa de dominar o ciclo do combust&iacute;vel nuclear, especialmente sua etapa mais dif&iacute;cil: o enriquecimento isot&oacute;pico do ur&acirc;nio. Como lembra um ex&#45;oficial da Marinha e assessor da presid&ecirc;ncia da Eletronuclear no governo Lula (2003&#45;2010): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Quando da assinatura do Acordo, o Pa&iacute;s &#91;Brasil&#93; j&aacute; dominava a etapa inicial do ciclo do combust&iacute;vel &#150; da minera&ccedil;&atilde;o do ur&acirc;nio at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o do "yellow cake" &#150; nas instala&ccedil;&otilde;es de Po&ccedil;os de Caldas, e o Centro de Engenharia Qu&iacute;mica do IPEN j&aacute; dominava, em escala laboratorial, as etapas de purifica&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de hexafluoreto de ur&acirc;nio. Ainda no IPEN, j&aacute; havia incurs&otilde;es &agrave;s etapas de reconvers&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de pastilhas (GUIMAR&Atilde;ES, 2003, p. 137).<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em maio de 1976, o subsecret&aacute;rio de Pesquisa Tecnol&oacute;gica e Cient&iacute;fica da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, Hans&#45;Hilger Haunschild, escreveu a Paulo Nogueira Batista, presidente da Nuclebr&aacute;s &#150; empresa estatal criada em 1974 para implementar o Programa Nuclear Brasileiro &#150;, para destacar o <I>know&#45;how </I>de seu pa&iacute;s no desenvolvimento da propuls&atilde;o nuclear naval, gra&ccedil;as ao projeto iniciado nos anos 1950 e que resultou no navio cient&iacute;fico <I>Otto Hahn</I>.<a name="tx"></a><a href="#nt"><sup>*</sup></a> Em 15 de julho de 1976, o ministro brasileiro da Marinha, Geraldo Henning, explicou ao presidente Geisel que sua for&ccedil;a estava disposta a pensar no desenvolvimento futuro de propuls&atilde;o nuclear para navios de guerra, mas que no momento sua participa&ccedil;&atilde;o deveria se restringir &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 59). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dois dias depois, o presidente da Nuclebr&aacute;s dirigiu&#45;se ao presidente, comentando a correspond&ecirc;ncia com os alem&atilde;es citada acima e aventando a possibilidade de o Brasil vir a construir, a longo prazo, um navio auxiliar da Marinha, possivelmente de pesquisas oceanogr&aacute;ficas, com propuls&atilde;o nuclear. Nogueira Batista referia&#45;se tamb&eacute;m ao eventual interesse "parcial e n&atilde;o prioritirio" da Nuclebr&aacute;s e da for&ccedil;a naval nos projetos alem&atilde;es nessa &aacute;rea. Para tanto, propunha a cria&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;cleo inicial de trabalho, e conclu&iacute;a: "Sugiro que um ou dois engenheiros navais se agreguem a este n&uacute;cleo sem perder sua vincula&ccedil;&atilde;o com a Marinha, para iniciar e motivar suas atividades no campo da propuls&atilde;o naval nuclear, a cargo da Diretoria de Engenharia Naval."<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No m&ecirc;s seguinte, Murillo de Castro, assessor da presid&ecirc;ncia da Nuclebr&aacute;s, encontrou&#45;se com o comandante Armando Vidigal, subchefe de Gabinete do ministro Henning. Vidigal reafirmou que a Marinha do Brasil (MB) tinha interesse no projeto, embora seus recursos fossem limitados. Em seu relat&oacute;rio ao presidente da Nuclebr&aacute;s, Castro explicou: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Pensou&#45;se em que o primeiro objetivo material poderia ser a instala&ccedil;&atilde;o de um reator de propuls&atilde;o nuclear em um dos estabelecimentos ou bases navais que pudesse manter vivo e consubstanciado o interesse pelo assunto e servir de base ao ensino e adestramento dos t&eacute;cnicos e experimenta&ccedil;&atilde;o. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">E concluiu: "Nada foi debatido com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de reatores em navios mercantes ou militares." Em 14 de setembro, foi feita nova reuni&atilde;o na sede da Nuclebr&aacute;s, no Rio de Janeiro, da qual participaram Nogueira Batista, Castro, Vidigal e outros. Logo depois, os alem&atilde;es efetivamente propuseram a coopera&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses em um projeto de propuls&atilde;o nuclear para um navio mercante. No dia 24 do mesmo m&ecirc;s, o presidente da estatal dirigiu&#45;se ao presidente Geisel para relatar que teria ouvido do diretor da empresa alem&atilde; Interatom, que construiu o reator do <I>Otto Hahn</I>, "a hip&oacute;tese de um trabalho conjunto para a produ&ccedil;&atilde;o no Brasil de submarinos nucleares". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Nogueira Batista, "a hip&oacute;tese de constru&ccedil;&atilde;o de submarinos nucleares no Brasil poderia &#91;...&#93; merecer estudo acurado de nossa parte". Para ele, "o interesse alem&atilde;o explica&#45;se pelas limita&ccedil;&otilde;es nesse campo a que est&aacute; sujeita a RFA em seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio, em consequ&ecirc;ncia dos acordos de Paris de 1954". O of&iacute;cio terminava com um pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o a Geisel para que a Nuclebr&aacute;s pudesse "manter entendimentos com o Minist&eacute;rio da Marinha a respeito do assunto".<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a> Conv&eacute;m destacar que esses movimentos extrapolavam os termos do acordo com a Alemanha, que vetava qualquer emprego militar dos resultados da colabora&ccedil;&atilde;o entre aquele pa&iacute;s e o Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na carta de Nogueira Batista ao presidente Geisel, o primeiro referiu&#45;se a "planos bastante elaborados nesse sentido, que foram objeto inclusive de conversa&ccedil;&otilde;es com a Gr&atilde;&#45;Bretanha, em passado relativamente recente". N&atilde;o h&aacute; mais evid&ecirc;ncia atualmente sobre esses contatos. Mas, ainda em 1976, em visita ao estaleiro Vickers&#45;Armstrong, em Barrow&#45;in&#45;Furness, na Inglaterra, o diretor&#45;geral do Material da Marinha, almirante Eddy Sampaio Espellet, teria ouvido do presidente dessa firma a sugest&atilde;o de que a tecnologia dos submarinos de propuls&atilde;o nuclear da classe <I>Churchill</I>, constru&iacute;dos naqueles estaleiros, poderia servir no futuro ao Brasil. "N&atilde;o se esque&ccedil;a de n&oacute;s", teria dito o executivo. Com efeito, desde pelo menos 1974, a Marinha brasileira registrava o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico representado pela inven&ccedil;&atilde;o do submarino nuclear e dizia&#45;se que: "Dentro ainda do quadro de obten&ccedil;&atilde;o de unidades novas, h&aacute; dois projetos em estudo destinados a causar grande impacto, a saber: a constru&ccedil;&atilde;o ou aquisi&ccedil;&atilde;o de um porta&#45;helic&oacute;pteros e a ado&ccedil;&atilde;o de propuls&atilde;o nuclear em unidades navais" (ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA, 1975, p. 46). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Voltando ao Brasil, o almirante comunicou o fato ao ministro Henning. Em seguida, teria tomado a iniciativa de entrar em contato com o diretor de Engenharia Naval da MB, almirante Nelson Xavier, para sugerir que este conseguisse uma vaga na &aacute;rea de Energia Nuclear do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (Massachusetts Institute of Technology &#91;MIT&#93;) e indicasse um oficial para cursar aquela institui&ccedil;&atilde;o. Segundo a narrativa de Espellet, Xavier disse&#45;lhe em seguida que conseguira a vaga. Foi ent&atilde;o escolhido o nome do capit&atilde;o&#45;tenente Othon Luiz Pinheiro da Silva para cursar o programa nos EUA. O jovem oficial reuniria as qualidades de "lideran&ccedil;a, iniciativa e entusiasmo", procuradas pelo almirante, e isso ficou claro em conversa que tiveram. Al&eacute;m disso, ele teria garantido que n&atilde;o pretendia deixar a for&ccedil;a. A sugest&atilde;o teria sido enviada ao ministro da Marinha, que a aprovou, submetendo&#45;a em seguida ao pr&oacute;prio presidente Geisel e obtendo sua concord&acirc;ncia (ESPELLET, 2009).<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando, em 1978, Othon retornou ao Brasil, j&aacute; com sua p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em Energia Nuclear, o diretor&#45;geral do Material da Marinha, o almirante Maximiano da Fonseca, o alocou na Diretoria de Engenharia Naval (DEN). &Agrave; mesma &eacute;poca, Maximiano chamou o oficial e lhe indagou quais eram as chances de que se pudesse ter a propuls&atilde;o nuclear naval no Brasil. Este respondeu que precisaria de tr&ecirc;s meses para escrever um relat&oacute;rio sobre o assunto, ficando acertado que seu primeiro trimestre na DEN seria dividido entre suas atribui&ccedil;&otilde;es regulamentares e a reda&ccedil;&atilde;o do texto.<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a> Entregue o relat&oacute;rio, em maio de 1978, Maximiano, "muito impressionado" com este, o encaminhou ao Estado&#45;Maior da Armada (EMA), onde foi atribu&iacute;do para parecer ao subchefe de Estrat&eacute;gia do EMA, o almirante Mario C&eacute;sar Flores, e certamente acompanhado de perto pelo almirante Espellet, chefe do EMA (ESPELLET, 2009). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O Projeto Chalana</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O almirante Flores estudou cuidadosamente o relat&oacute;rio, recorrendo a consultas a "v&aacute;rias pessoas da comunidade cient&iacute;fica" e chamando a Bras&iacute;lia algumas vezes o pr&oacute;prio autor do documento, antes de emitir parecer favor&aacute;vel &agrave; sua aprova&ccedil;&atilde;o. Em reuni&atilde;o do almirantado realizada entre o Natal e o final do ano de 1978, Flores apresentou seu parecer e foi tomada a decis&atilde;o de levar adiante o programa do submarino de propuls&atilde;o nuclear.<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a> O relat&oacute;rio de Othon continha duas metas principais a serem cumpridas no pa&iacute;s para chegar &agrave; capacidade de construir um submarino de propuls&atilde;o nuclear no Brasil: o dom&iacute;nio do ciclo de enriquecimento do combust&iacute;vel nuclear e a constru&ccedil;&atilde;o de um reator piloto para testes. Segundo lembra o almirante Maximiano, essas metas deveriam ser alcan&ccedil;adas "usando unicamente esfor&ccedil;o nacional, de forma a evitar qualquer impasse com os tratados e acordos assinados" (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 62). O programa secreto da Marinha recebeu o nome de Chalana e "se desmembrava em dois projetos. O Ciclone, que perseguia o desenvolvimento do ciclo do combust&iacute;vel nuclear, e o projeto Remo, que era o desenvolvimento de propuls&atilde;o nuclear para submarino".<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a> Altamente secreto, o projeto era de conhecimento apenas dos almirantes de esquadra. Com efeito, o almirante Mauro Cesar Rodrigues Pereira esclarece que em 1983 foi nomeado pelo ministro da Marinha para servir na Secretaria Geral do Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional, "dizendo&#45;me haver l&aacute; assunto sigiloso de muita import&acirc;ncia para a MB". Ainda assim, ele teria passado virios meses sem conhecer "o problema, pois era tratado com alto grau de sigilo em outro setor que n&atilde;o o meu".<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Retomando a narrativa cronol&oacute;gica, naquela altura Othon desenvolvera, com base em conhecimento e informa&ccedil;&otilde;es obtidos em sua estada nos EUA, uma postura bastante cr&iacute;tica com rela&ccedil;&atilde;o ao modelo de enriquecimento fornecido pela Alemanha, baseado na tecnologia de enriquecimento por jato centr&iacute;fugo, o <I>jet nozzle</I>: "O m&eacute;todo que n&oacute;s t&iacute;nhamos comprado &#91;...&#93; no acordo Brasil&#45;Alemanha n&atilde;o passava por uma an&aacute;lise t&eacute;cnica um pouco mais rigorosa. N&oacute;s t&iacute;nhamos investido em uma coisa que n&atilde;o tinha sentido".<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a> A isso se acrescentavam as r&iacute;gidas restri&ccedil;&otilde;es do acordo quanto a qualquer aplica&ccedil;&atilde;o militar de seus resultados. Diante desse quadro, o engenheiro naval prop&ocirc;s que, para ganhar tempo e para contornar as press&otilde;es e restri&ccedil;&otilde;es internacionais, o programa investisse no m&eacute;todo de enriquecimento por laser ent&atilde;o em curso no Centro Tecnol&oacute;gico da Aeron&aacute;utica (CTA) sob a chefia do coronel Jos&eacute; Albano do Amarante, no interior do Programa Nuclear Paralelo criado pelo general Geisel. Se essa tentativa n&atilde;o funcionasse, sugeria "que n&oacute;s apostissemos na tecnologia da ultracentr&iacute;fuga, que essa eu tinha certeza de que daria certo". Segundo o almirante Espellet, foi sua a iniciativa de propor ao almirante Maximiano, agora ministro da Marinha do governo Figueiredo, que Othon fosse mandado ao CTA, onde trabalhava o f&iacute;sico S&eacute;rgio Mendes, tamb&eacute;m professor da Universidade Estadual de Campinas: "Perguntei ao brigadeiro Lucena, chefe do Estado&#45;Maior da Aeron&aacute;utica, se ele receberia o Othon. Pouco depois ele me deu o afirmativo." Espellet pediu ent&atilde;o ao ministro que "fizesse um aviso ao Brigadeiro Araripe, ministro da Aeron&aacute;utica, solicitando a transfer&ecirc;ncia" de Othon para aquela unidade da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira (ESPELLET, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa forma, em mar&ccedil;o de 1979, Othon foi designado para servir com    o tenente&#45;coronel Amarante no CTA. No entanto, a ideia da colabora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o avan&ccedil;ou. Pesou para tanto o falecimento de Amarante &#150; acometido por leucemia, ap&oacute;s visita aos EUA &#150; e a conclus&atilde;o do pr&oacute;prio Othon de que o enriquecimento a laser "em um universo de vinte anos n&atilde;o teria resultados pr&aacute;ticos".<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a> Em meados daquele ano, o oficial teria enviado um relat&oacute;rio nesse sentido ao Estado&#45;Maior da Armada, recebendo sinal verde para contatar as institui&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para viabilizar o projeto da ultracentrifuga&ccedil;&atilde;o (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 75). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas a colabora&ccedil;&atilde;o com o CTA renderia um fruto fundamental: ela possibilitaria o uso pela Marinha de um conv&ecirc;nio que o centro mantinha com o Instituto de Pesquisa Energ&eacute;ticas e Nucleares (IPEN) (at&eacute; 16 de mar&ccedil;o de 1979, Instituto de Pesquisas At&ocirc;micas), da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Com a cumplicidade de Amarante, e sem consultar o chefe da Comiss&atilde;o Naval em S&atilde;o Paulo, Othon conseguiu assinar um conv&ecirc;nio com a Secretaria de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Estado de S&atilde;o Paulo, o que possibilitou a contrata&ccedil;&atilde;o de vinte engenheiros e quarenta t&eacute;cnicos para implementar o programa do submarino. Em seguida, com base no argumento de que a Marinha tinha que ficar &agrave; altura do apoio do governo de S&atilde;o Paulo, ele foi capaz de convencer o ministro a elevar a equipe que ele chefiava no IPEN para sessenta engenheiros e 120 t&eacute;cnicos, o que exigiu uma autoriza&ccedil;&atilde;o direta do presidente Figueiredo. Em fevereiro de 1980, tem in&iacute;cio efetivamente o desenvolvimento da primeira ultracentr&iacute;fuga, conclu&iacute;da em dezembro de 1981. Em agosto de 1982, o programa da Marinha separou&#45;se definitivamente do da Aeron&aacute;utica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 4 de setembro de 1982, os experimentos com ultracentrifuga&ccedil;&atilde;o realizados nas instala&ccedil;&otilde;es da USP levaram a Marinha a anunciar o controle do ciclo de enriquecimento do ur&acirc;nio. Com apenas duas m&aacute;quinas, alcan&ccedil;ou&#45;se o primeiro salto, consubstanciado na passagem"de 711 para um zero alguma coisa", na express&atilde;o do pr&oacute;prio Othon. Para ele, "n&oacute;s, com menos de tr&ecirc;s anos, t&iacute;nhamos feito aquilo que a Nuclebr&aacute;s, gastando um bilh&atilde;o de d&oacute;lares, n&atilde;o fez". Em setembro de   1984, o programa contava com nove centr&iacute;fugas trabalhando em cascata: "A fase de 1982 a 1984 foi para a gente entender o funcionamento coletivo das m&aacute;quinas", completa o oficial. Nos tr&ecirc;s anos seguintes, os esfor&ccedil;os concentraram&#45;se no programa de "industrializa&ccedil;&atilde;o", dentro do qual foram desenvolvidos todos os componentes necess&aacute;rios para a futura usina de enriquecimento, inclusive a liga leve (<I>maraging</I>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nessa altura, as evid&ecirc;ncias de que o regime militar se aproximava do fim induziram &agrave; ideia de colocar o programa da Marinha sob o guarda&#45;chuva de um organismo civil, a Comiss&atilde;o Nacional de Energia Nuclear (CNEN). No clima de abertura pol&iacute;tica ent&atilde;o vigente, o comandante do I Distrito Naval, com jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre S&atilde;o Paulo, almirante Luiz Leal Ferreira, defendeu na imprensa o submarino nuclear, embora ressaltando que n&atilde;o era um projeto para curto prazo (ALMIRANTE..., 1983).<a name="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>11</sup></a> Logo em seguida, o pr&oacute;prio ministro da Marinha saiu em defesa do programa, com base nas vantagens operacionais e estrat&eacute;gicas do submarino nuclear (MARINHA..., 1983).<a name="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>12</sup></a> Para Guimar&atilde;es (2003, p. 139), </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; o IPEN voltou, em outubro de 1982, &agrave; esfera federal, e &eacute; atualmente subordinado &agrave; CNEN. A Marinha, por sua vez, criou a Coordenadoria para Projetos Especiais &#150; COPESP (que teve sua denomina&ccedil;&atilde;o alterada em 1995 para Centro Tecnol&oacute;gico da Marinha em S&atilde;o Paulo CTMSP), sediada junto ao IPEN, para executar o programa. &#91;...&#93; A colabora&ccedil;&atilde;o com o IPEN evolui ao longo do tempo, envolvendo os demais institutos de pesquisa da CNEN, como o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), de Belo Horizonte, e o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), do Rio de Janeiro. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Enquanto isso, o programa progrediu para a ideia da necessidade de se construir uma usina de enriquecimento, mais do que simples ultracentr&iacute;fugas. O cr&ocirc;nico problema da escassez de verbas na for&ccedil;a naval foi resolvido com um artif&iacute;cio: para as necessidades dos experimentos com o enriquecimento do ur&acirc;nio, usaram&#45;se verbas advindas do Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional (CSN), enquanto a Marinha patrocinava, com o apoio decidido do ministro Maximiano, o projeto dos reatores. A movimenta&ccedil;&atilde;o dessa verba lan&ccedil;ou m&atilde;o de contas secretas, conhecidas em setores restritos pelo codinome <I>Delta </I>(CORR&Ecirc;A, 2010, p. 93).<a name="tx13"></a><a href="#nt13"><sup>13</sup></a> O almirante Mauro afirma que, quando assumiu a chefia do Gabinete da Secretaria Geral do CSN, o projeto recebia apoio desse &oacute;rg&atilde;o, "inclusive vultosas verbas".<a name="tx14"></a><a href="#nt14"><sup>14</sup></a> Nessa &eacute;poca, foi estabelecido um conv&ecirc;nio entre os governos federal e estadual que permitiu que o IPEN passasse a funcionar como institui&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida. Segundo o almirante Othon, o governo do estado de S&atilde;o Paulo, ocupado pelo oposicionista Franco Montoro, n&atilde;o colocou obst&aacute;culos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fim do regime militar, em 1985, com a posse do presidente civil Jos&eacute; Sarney (1985&#45;1989) n&atilde;o alterou o apoio ao programa. Diante das den&uacute;ncias vinculadas pela imprensa sobre o Programa Nuclear Paralelo, o novo ministro da Marinha, almirante Henrique Sab&oacute;ia, explicou que o governo brasileiro n&atilde;o pretendia nem planejava construir a bomba at&ocirc;mica no pa&iacute;s e insistiu que a fabrica&ccedil;&atilde;o da bomba ou de armas nucleares dependia de decis&atilde;o pol&iacute;tica do governo, o que exigiria recursos n&atilde;o dispon&iacute;veis (O BRASIL..., 1986).<a name="tx15"></a><a href="#nt15"><sup>15</sup></a> Nesse contexto, chegou &agrave; imprensa a not&iacute;cia de que a Marinha pretendia construir um centro de pesquisas no interior de S&atilde;o Paulo para possibilitar a pr&oacute;xima etapa de seu programa.<a name="tx16"></a><a href="#nt16"><sup>16</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com efeito, os laborat&oacute;rios da Marinha at&eacute; hoje situados na USP permitiram experimentos enquanto o programa tinha apenas escala de laborat&oacute;rio. O almirante Othon resume assim as fases do programa: "O que &eacute; emescala laboratorial &eacute; na USP, o que &eacute; em escala piloto &eacute; em Aramar, e j&aacute; preparando para aderir ao programa energ&eacute;tico do pa&iacute;s, em escala industrial, em Resende". Segundo Guimar&atilde;es (2003, p. 139): </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Desde a Segunda Guerra Mundial havia uma conviv&ecirc;ncia muito pr&oacute;xima da Marinha com a comunidade cient&iacute;fica e universit&aacute;ria de S&atilde;o Paulo, que se iniciara com os trabalhos no Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) na &aacute;rea de desenvolvimento de sonares, mas que se ampliara com o conv&ecirc;nio com o Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas (IPT), e com a decis&atilde;o de formar a maior parte dos oficiais engenheiros na Escola Polit&eacute;cnica da USP. Ocorreu, assim, naturalmente uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre a Marinha e o IPEN, que se tornaram parceiros no empreendimento. A coopera&ccedil;&atilde;o foi institucionalizada atrav&eacute;s de um conv&ecirc;nio entre a Diretoria Geral do Material da Marinha (DGMM) e o IPEN. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A usina piloto de enriquecimento e a constru&ccedil;&atilde;o do primeiro reator exigiam instala&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias. Em maio de 1985, o presidente Jos&eacute; Sarney decidiu criar o Centro Experimental da Marinha, em uma &aacute;rea onde se situava o s&iacute;tio Aramar, no interior de S&atilde;o Paulo, pr&oacute;ximo &agrave; cidade de Sorocaba (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 108), onde seriam constru&iacute;das instala&ccedil;&otilde;es piloto com "tamanho suficiente para atender as necessidades da Marinha". Segundo Othon, "quando foi inaugurado Aramar, em 1988, aquilo j&aacute; era uma usinazinha de enriquecimento, com todos os componentes fabricados no Brasil". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O local foi escolhido por sua proximidade com S&atilde;o Paulo e Campinas, sedes de duas das maiores universidades do pa&iacute;s. Aramar prepararia as condi&ccedil;&otilde;es para a futura produ&ccedil;&atilde;o industrial do combust&iacute;vel e dos reatores de pot&ecirc;ncia do tipo &aacute;gua pressurizada (PWR), que seria feita fora dali, nas instala&ccedil;&otilde;es das Ind&uacute;strias Nucleares do Brasil (INB), localizadas em Resende, RJ. O centro foi inaugurado solenemente em 8 de abril de 1988 pelo presidente Jos&eacute; Sarney com a presen&ccedil;a do presidente argentino, Raul Alfons&iacute;n. Foi a forma encontrada pelo governo brasileiro de retribuir o convite que o presidente argentino fizera a seu colega brasileiro para visitar as instala&ccedil;&otilde;es de enriquecimento de ur&acirc;nio de Pilcaniyeu, em setembro de 2007. Efetivado no come&ccedil;o daquele ano, o convite teria levado o presidente Sarney a apressar a inaugura&ccedil;&atilde;o de Aramar, o que implicou na obriga&ccedil;&atilde;o de construir os pr&eacute;dios e instalar neles as 48 ultracentr&iacute;fugas no espa&ccedil;o de um ano. A Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira de 1988 estabeleceu que a atividade nuclear do pa&iacute;s s&oacute; poderia ter lugar em suas fronteiras e com prop&oacute;sitos pac&iacute;ficos, previamente aprovados pelo Congresso Nacional (BITENCOURT; VAZ, 2009, p. 9). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ascens&atilde;o &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica de Fernando Collor de Mello, no in&iacute;cio de 1990, resultou na diminui&ccedil;&atilde;o das verbas suplementares do programa do submarino nuclear. J&aacute; a escolha do almirante Mario C&eacute;sar Flores como ministro da Marinha garantiu a manuten&ccedil;&atilde;o das verbas da for&ccedil;a.<a name="tx17"></a><a href="#nt17"><sup>17</sup></a> Segundo ele, diante da interrup&ccedil;&atilde;o das verbas antes garantidas pela Secretaria do CSN, a decis&atilde;o n&atilde;o foi isenta de tens&otilde;es na Marinha: "Foi um processo decis&oacute;rio dif&iacute;cil, mas que eu tive que arbitrar, quando foi trazido para o EMA, a de sustentar o projeto unilateralmente pela Marinha, o que representou para a Marinha &#150; &eacute; importante registrar isso &#150; uma carga pesada."<a name="tx18"></a><a href="#nt18"><sup>18</sup></a> Em 13 de dezembro, o Brasil e Argentina concordaram em assinar o Acordo de Guadalajara para o Uso Exclusivamente Pac&iacute;fico da Energia Nuclear, com a cria&ccedil;&atilde;o, em seguida, da Ag&ecirc;ncia Brasileiro&#45;Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais (ABACC). Com o <I>impeachment </I>do presidente Collor, no final de 1992, e a posse do vice&#45;presidente, Itamar Franco, foi nomeado para o Minist&eacute;rio da Marinha o almirante Ivan da Silveira Serpa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na narrativa do almirante Othon, com essa nomea&ccedil;&atilde;o o problema sofreu s&eacute;rio abalo: "Ele era contririo, e a prioridade caiu logo depois de 1 para 18. A&iacute; come&ccedil;ou a complica&ccedil;&atilde;o: a par&aacute;lise do programa e a destrui&ccedil;&atilde;o at&eacute; de uma parcela dele." Na narrativa do criador do programa nuclear da Marinha, seu &uacute;ltimo ano e meio na dire&ccedil;&atilde;o do programa "eu confesso que foi de pauleira. Todos os processos, tudo que se podia fazer para complicar a vida foi feito". Segundo Othon, a tens&atilde;o chegou a tal ponto que ele disse a Serpa: "Ministro, a &uacute;nica chance do Sr. ficar livre de mim &eacute; pegar a caneta e ter coragem de me demitir." E continua: "Um m&ecirc;s antes de eu sair, ele abriu 33 sindic&acirc;ncias. Eu passei em todas."<a name="tx19"></a><a href="#nt19"><sup>19</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A narrativa de Othon &eacute; contestada frontalmente pelo almirante Mauro. Para este, ao exercer o cargo de presidente da Comiss&atilde;o Naval em S&atilde;o Paulo (CNSP), a Coordenadoria para Projetos Especiais, respons&aacute;vel pelo programa do submarino, era parte integrante da CNSP, mas at&eacute; a&iacute; seus antecessores na fun&ccedil;&atilde;o "n&atilde;o tinham acesso ao projeto e sua administra&ccedil;&atilde;o, por for&ccedil;a do sigilo que lhe era atribu&iacute;do". Conhecedor do projeto desde o final de 1983, como vimos, o almirante considerou que tal situa&ccedil;&atilde;o administrativa "era dif&iacute;cil de ser aceita", o que fez ver a seus superiores desde sua posse, "resultando que logo ap&oacute;s a COPESP fosse transformada em Organiza&ccedil;&atilde;o Militar Independente". Para o almirante, nessa altura, o sigilo do projeto era totalmente desnecess&aacute;rio.<a name="tx20"></a><a href="#nt20"><sup>20</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1995, com o in&iacute;cio do governo Fernando Henrique Cardoso, o almirante Mauro foi escolhido como novo ministro da Marinha. Apoiador da pol&iacute;tica de Serpa, assumiu com postura cr&iacute;tica diante do apoio incondicional que o almirante Flores deu ao programa do submarino nuclear.<a name="tx21"></a><a href="#nt21"><sup>21</sup></a> Segundo sua narrativa, quando comandava em 1991 o 5º Distrito Naval, foi convocado pelo almirante Serpa: "havia solicitado ao ministro de ent&atilde;o, Alte. Flores, a realiza&ccedil;&atilde;o daquele encontro, que foi a primeira vez em que n&uacute;mero significativo de almirantes e oficiais em posi&ccedil;&otilde;es&#45;chave na estrutura naval tomou conhecimento do projeto." E continua: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Nesse encontro, embora com aprova&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime ao trabalho e conquistas nas &aacute;reas de enriquecimento de ur&acirc;nio, ciclo do combust&iacute;vel e reatores nucleares, houve desaprova&ccedil;&atilde;o generalizada &agrave;s ideias aventadas para a constru&ccedil;&atilde;o do submarino, seja por sua concep&ccedil;&atilde;o ou por sua condu&ccedil;&atilde;o &agrave; margem da estrutura normal da Marinha, mormente por quem n&atilde;o tinha viv&ecirc;ncia em constru&ccedil;&atilde;o naval.<a name="tx22"></a><a href="#nt22"><sup>22</sup></a></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ainda segundo Mauro, os ataques de Othon a Serpa, por ter supostamente aniquilado o programa nuclear da Marinha, s&atilde;o improcedentes e denotam talvez "represilia ao fato de ter sido ele o respons&aacute;vel maior pelo afastamento" de Othon "da condu&ccedil;&atilde;o do projeto, com apoio integral do Almirantado", para o que "havia raz&otilde;es muito fortes, embora a decis&atilde;o tenha sido tomada com toda a cautela na ocasi&atilde;o em que, por for&ccedil;a de lei, o depoente terminava o prazo m&aacute;ximo de perman&ecirc;ncia no servi&ccedil;o ativo, buscando assim n&atilde;o prejudicar o projeto, por todos, inclusive pelo Alte. Serpa, considerado de import&acirc;ncia vital para a Marinha". Finalmente, para Mauro, a afirma&ccedil;&atilde;o de que na gest&atilde;o de Serpa o projeto caiu "de prioridade 1 para prioridade 18" &eacute; falsa: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O planejamento or&ccedil;ament&aacute;rio da Marinha &eacute; elaborado no Sistema de Plano Diretor, introduzido pelo Ministro Alte. Silvio Motta em 1963 e, desde ent&atilde;o, sempre e muito aprimorado. &Eacute; formado por projetos numerados que se agrupam em Planos B&aacute;sicos (PB), um dos quais &eacute; o PBW (plano Whiskey, pelo alfabeto fon&eacute;tico naval) relativo a energia e submarino nuclear. At&eacute; certa &eacute;poca, as prioridades dos projetos eram consideradas apenas dentro do seu PB. A partir de 1994/1995, passou&#45;se a adotar uma &uacute;nica escala de prioridades para todos os projetos da Marinha. &Eacute; ent&atilde;o que surge o tal n&uacute;mero 18. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo ele, in&uacute;meros outros projetos fundamentais para a manuten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da for&ccedil;a "teriam de vir &agrave; frente do submarino nuclear". E pergunta: "Ou seria razo&aacute;vel destruir a Marinha e descurar de suas obriga&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para privilegiar um investimento que, se tivesse total sucesso, s&oacute; se materializaria em quinze ou vinte anos?"<a name="tx23"></a><a href="#nt23"><sup>23</sup></a></font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Na &eacute;poca em que estava na Secretaria do Conselho de Seguran&ccedil;a, aplicava&#45;se nesse projeto coisa da ordem de R$ 100 milh&otilde;es, dos quais a Marinha entrava com uns 20 milh&otilde;es. Depois come&ccedil;ou a Marinha a ter que entrar praticamente sozinha e depois sozinha com esses recursos. Ora, se a Marinha recebia 120 e poucos milh&otilde;es totais para investimento, ela n&atilde;o podia botar 100 milh&otilde;es no submarino nuclear. Ent&atilde;o, o projeto tinha que ser reduzido na sua velocidade.<a name="tx24"></a><a href="#nt24"><sup>24</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Na narrativa do almirante Flores: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O almirante Serpa foi excessivamente rigoroso em cortar o que ele chamava de excessiva liberdade do Othon. O Othon, por sua vez, n&atilde;o facilitava muito. Eu, o Sab&oacute;ia que me antecedeu, o almirante Karan, t&iacute;nhamos paci&ecirc;ncia com ele, uma certa condescend&ecirc;ncia, porque entend&iacute;amos que era o pre&ccedil;o a pagar para que aquilo avan&ccedil;asse, mas quando o almirante Serpa assumiu o Minist&eacute;rio ele resolveu cortar essas coisas e a&iacute; houve um conflito violento entre ele e o Othon, do qual eu n&atilde;o participei, pois n&atilde;o estava mais. Eu sabia indiretamente e, a meu ver, foi prejudicial ao projeto.<a name="tx25"></a><a href="#nt25"><sup>25</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O sucessor de Mauro Cesar, o &uacute;ltimo almirante a ocupar o cargo de ministro da Marinha, S&eacute;rgio Chagastelles, manteve a pol&iacute;tica de seus dois antecessores. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O Renascimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A vit&oacute;ria de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais do final de 2002 abriria as condi&ccedil;&otilde;es para uma nova valoriza&ccedil;&atilde;o do programa do submarino nuclear. Em fins de 2005, a Marinha debatia&#45;se com a falta de recursos e com a possibilidade de que o or&ccedil;amento de 2006 fosse menor que o de 2005. Seu novo comandante, o almirante Roberto de Guimar&atilde;es Carvalho, preocupava&#45;se, sobretudo, em estancar o que considerava a degrada&ccedil;&atilde;o do material flutuante, que teria chegado a "n&iacute;veis considerados cr&iacute;ticos" (ENTREVISTA..., &#91;s.d.&#93;). Nesse sentido, ele encaminhou &agrave; Casa Civil da Presid&ecirc;ncia um programa de investimentos para um per&iacute;odo de vinte anos, no valor de US$ 2,57 bilh&otilde;es, com o fim de superar a deteriora&ccedil;&atilde;o do material flutuante e retomar os projetos estrat&eacute;gicos da for&ccedil;a. Surgiu ent&atilde;o a proposta de R$ 130 milh&otilde;es durante oito anos para retomar o projeto do submarino nuclear, o que possibilitaria construir duas usinas de enriquecimento de ur&acirc;nio e instala&ccedil;&otilde;es adequadas para o Laborat&oacute;rio de Gera&ccedil;&atilde;o Nucleoel&eacute;trica (Labgene) (MARINHA..., 2006a). A Marinha anunciou em seguida que completara com sucesso no Labgene, em uma sala improvisada, a montagem do vaso de press&atilde;o e componentes internos do prot&oacute;tipo de reator do futuro submarino (MARINHA..., 2006b). Mesmo assim, ainda uma vez, na gest&atilde;o de Carvalho o projeto perdeu prioridade diante das necessidades mais prementes da for&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Somente no in&iacute;cio do segundo governo Lula, no in&iacute;cio de 2007, a escolha do almirante Moura Neto para o comando da Marinha recolocou o submarino nuclear como prioridade da for&ccedil;a. Na vis&atilde;o do almirante Othon, terminava a&iacute; a predomin&acirc;ncia de quatro administra&ccedil;&otilde;es da Marinha que tinham resist&ecirc;ncias ao projeto. Em entrevista concedida ao jornal de esquerda <B>Hora do Povo</B>, publicada em 22 de novembro de 2006, Othon afirmou: "Determinada escola de pensamento &#150; e n&oacute;s tivemos quatro administra&ccedil;&otilde;es dessa escola &#150; n&atilde;o quer terminar. &#91;...&#93; O atual chefe do Estado&#45;Maior da Armada &#150; que espero que entre na compuls&oacute;ria &#150; prop&ocirc;s a parilise do programa". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sua vis&atilde;o &eacute; novamente contestada pelo almirante Mauro. Segundo ele, as administra&ccedil;&otilde;es da Marinha a que Othon se refere (Serpa, Mauro, Chagastelles e Guimar&atilde;es Carvalho), "al&eacute;m de serem conscientemente defensoras da necessidade vital de a MB contar com o submarino nuclear, lutaram com as ferramentas de que podiam dispor, cada uma a seu modo, para n&atilde;o deixar o projeto morrer, condenado que estaria se n&atilde;o houvesse imagina&ccedil;&atilde;o para superar o estrangulamento de recursos com que tiveram que lidar". Ainda conforme o almirante, quando ocorreu a elimina&ccedil;&atilde;o do financiamento conjunto do projeto pelo CSN, n&atilde;o houve inicialmente "redu&ccedil;&atilde;o significativa dos recursos aplicados, sendo facilmente verificado que foi de 1994 a 1998 que a Marinha aplicou a maior porcentagem dos recursos a ela pr&oacute;pria destinados no PBW". Depois disso, veio a redu&ccedil;&atilde;o dos or&ccedil;amentos das For&ccedil;as Armadas, segundo Mauro conhecida por todos, "exceto os mal&#45;intencionados". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na sua pr&oacute;pria gest&atilde;o, o ministro Mauro levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a Aramar e visitou a Fran&ccedil;a, onde entabulou negocia&ccedil;&otilde;es com o ministro da Defesa e o comandante da Marinha, com o prop&oacute;sito de receber tecnologia para abreviar o caminho de obten&ccedil;&atilde;o do submarino nuclear. Tais a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o prosperaram devido &agrave; impossibilidade de atender ent&atilde;o &agrave; exig&ecirc;ncia francesa de compra simult&acirc;nea de submarinos convencionais, o que a situa&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria da &eacute;poca impedia. Por fim, o ministro Mauro teria conseguido do governo Cardoso a revers&atilde;o da decis&atilde;o de utilizar ur&acirc;nio enriquecido importado na f&aacute;brica de combust&iacute;vel nuclear de Resende (RJ). Teve sucesso, pois o governo concordou em utilizar para esse fim a produ&ccedil;&atilde;o de Aramar. Para Mauro, em s&iacute;ntese, "durante as quatro administra&ccedil;&otilde;es citadas, houve necessidade de recolocar a condu&ccedil;&atilde;o do Projeto Nuclear nos moldes de seriedade e cuidados, como &eacute; pr&aacute;tica na Marinha e que havia sido distorcida, em certos caso de forma grave, em todo o per&iacute;odo anterior &agrave; reorienta&ccedil;&atilde;o ordenada pelo ministro Serpa".<a name="tx26"></a><a href="#nt26"><sup>26</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Voltando ao governo Lula, em 10 de julho de 2007, o presidente da Rep&uacute;blica visitou as instala&ccedil;&otilde;es de Aramar, na companhia do almirante Othon, que retornava ao local pela primeira vez desde 1994, e na ocasi&atilde;o anunciou ao diretor do programa, almirante Bezerril, que liberaria a verba almejada de 1 bilh&atilde;o de reais, no espa&ccedil;o de oito anos (GOVERNO..., 2007). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Enquanto isso, a Marinha criava a Coordenadoria Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino Nuclear (COGESN), para a qual foi nomeado o almirante Jos&eacute; Alberto Accioly Fragelli, ex&#45;chefe do Estado&#45;Maior da Armada. No in&iacute;cio de 2008, o titular da pasta da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que iria &agrave; Fran&ccedil;a para encontrar&#45;se com o presidente Nicolas Sarkozy, conhecer a base naval de Toulon, visitar um submarino at&ocirc;mico da frota daquele pa&iacute;s e manter contato com Jean Poimboeuf, presidente do DCNS, estaleiro que fabricava o submarino <I>Sc&oacute;rpene </I>(JOBIM..., 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Logo depois, o presidente da Fran&ccedil;a, em encontro com Lula, na fronteira da Guiana Francesa com o territ&oacute;rio brasileiro do Amap&aacute;, anunciou que os dois pa&iacute;ses assinariam ainda naquele ano um amplo acordo na &aacute;rea militar e da defesa e que poderia incluir a constru&ccedil;&atilde;o de um submarino da classe <I>Sc&oacute;rpene </I>em nosso pa&iacute;s (FRAN&Ccedil;A..., 2008a). Para o mandat&aacute;rio franc&ecirc;s, tratava&#45;se de uma "parceria estrat&eacute;gica" que incluiria o apoio decidido de seu pa&iacute;s &agrave; aspira&ccedil;&atilde;o brasileira por um assento permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seguida, os presidentes da Fran&ccedil;a e do Brasil assinaram o compromisso de coopera&ccedil;&atilde;o militar que previa a constru&ccedil;&atilde;o de quatro submarinos diesel&#45;el&eacute;tricos da classe <I>Sc&oacute;rpene </I>e do casco do submarino que abrigar&aacute; a propuls&atilde;o nuclear, a serem fabricados no Brasil, al&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o, na Ba&iacute;a de Sepetiba, litoral do Rio de Janeiro, de uma nova base para a for&ccedil;a de submarinos e de um estaleiro a ser operado no Brasil pelo setor privado franc&ecirc;s e devolvido ao pa&iacute;s em vinte anos (FRAN&Ccedil;A..., 2008b). O almirante Fragelli atribuiu a nova disposi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s "&agrave; vis&atilde;o estrat&eacute;gica do presidente Lula e do comandante J&uacute;lio de Moura Neto", e disse que, quando o Brasil se tornar o sexto pa&iacute;s do mundo a dispor de um submarino nuclear, "ser&aacute; muito maior do que &eacute; hoje como na&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista militar e estrat&eacute;gico" (SUBMARINO..., 2009a). Para o almirante Othon: "O presidente Lula tem uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica. &Eacute; uma coisa impressionante."<a name="tx27"></a><a href="#nt27"><sup>27</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em fins de mar&ccedil;o de 2010, a Marinha anunciou que se preparava para come&ccedil;ar os testes de uma usina para produ&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s hexafluoreto de ur&acirc;nio (UF&#45;6), fechando o dom&iacute;nio do ciclo nuclear (BRASIL..., 2010). O custo oficial do projeto dos submarinos, a ser basicamente financiado pelo banco franc&ecirc;s BNP Paribas, seria de 6,8 bilh&otilde;es de euros, dos quais 2 bilh&otilde;es de euros apenas com a constru&ccedil;&atilde;o do casco do primeiro submarino nuclear (SUBMARINO..., 2009b; BRASIL..., 2009). Em visita &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es de Iper&oacute;, no segundo semestre de 2010, este pesquisador p&ocirc;de constatar que o local se tornara um canteiro de obras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, dados os imensos investimentos exigidos pelo projeto, seu pr&oacute;prio sucesso no passado recente desperta incertezas quanto ao futuro. Em depoimento ao autor deste artigo, gravado poucos meses antes de seu falecimento, em 14 de dezembro de 2009, o almirante Vidigal externou suas d&uacute;vidas nas palavras seguintes: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O submarino nuclear transformou&#45;se em um s&iacute;mbolo para a Marinha. Nosso objetivo supremo &eacute; o submarino nuclear. E eu tenho medo de que isso n&atilde;o seja saud&aacute;vel para a Marinha. Do mesmo modo de que no passado n&oacute;s nos fixamos na guerra antissubmarino, como a solu&ccedil;&atilde;o de todos os problemas navais, e deixamos de enxergar outras coisas que podiam estar acontecendo, eu tenho medo de que o submarino nuclear possa ter esse mesmo papel no futuro. Acima de tudo, por causa do custo extraordin&aacute;rio dele, n&atilde;o s&oacute; para construir o submarino, o que j&aacute; &eacute; uma despesa fant&aacute;stica, mas vai ser preciso construir uma base pr&oacute;pria para o submarino nuclear. Uma base capacitada para fazer todos os reparos, toda a manuten&ccedil;&atilde;o para o submarino nuclear. Vamos ter que ter um estaleiro com uma compet&ecirc;ncia extraordin&aacute;ria no sentido de construir esse submarino. Ent&atilde;o, ao pre&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do submarino, vamos ter que somar o pre&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de uma base futura para ele, com um estaleiro capaz de constru&iacute;&#45;lo. Tenho eu o receio de que, se n&oacute;s nos direcionarmos somente nesse sentido, outras coisas deixar&atilde;o de ser feitas. Ser&aacute; que n&oacute;s temos recursos para olhar a &aacute;rea de m&iacute;sseis, que cada vez tem um papel mais relevante na guerra no mar? Ser&aacute; que n&oacute;s vamos ter capacidade para desenvolver o nosso pr&oacute;prio navio&#45;aer&oacute;dromo, com avia&ccedil;&atilde;o, se poss&iacute;vel, nacional? Ou ser&aacute; que todos os recursos da Marinha v&atilde;o ficar concentrados nessa &uacute;nica dire&ccedil;&atilde;o? A&iacute;, o submarino nuclear pode ser uma amea&ccedil;a &agrave; Marinha. Eu digo com muito receio porque a Marinha transformou o submarino nuclear em um s&iacute;mbolo, e quem for contra esse s&iacute;mbolo vai encontrar uma s&eacute;ria oposi&ccedil;&atilde;o na Marinha. </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Marinha, Tecnologia e Pol&iacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O programa do submarino nuclear oferece condi&ccedil;&otilde;es privilegiadas &#150; por sua dura&ccedil;&atilde;o e complexidade &#150; para avan&ccedil;ar na compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre processos decis&oacute;rios militares e pol&iacute;ticas de governo. No exame dessas rela&ccedil;&otilde;es entre tecnologia militar e pol&iacute;tica, recorreremos ao conceito de <I>oportunismo tecnol&oacute;gico</I>. Esse conceito parte da percep&ccedil;&atilde;o de que as doutrinas e estrat&eacute;gias militares respondem mais a orienta&ccedil;&otilde;es militares e a percep&ccedil;&otilde;es dos estadistas sobre a pol&iacute;tica internacional do que &agrave; natureza em si das tecnologias dos armamentos. Nesse quadro, "as elites pol&iacute;ticas e militares n&atilde;o tendem a moldar suas estrat&eacute;gias com base na tecnologia militar, mas em vez disso a ver a utilidade de novas tecnologias atrav&eacute;s das lentes de suas estrat&eacute;gias correntes" (LIEBER, 2005, p. 153). Em outras palavras, os pol&iacute;ticos e os estrategistas pensam, em geral, em como uma dada tecnologia pode ajudar sua pr&oacute;pria estrat&eacute;gia, n&atilde;o como uma dada tecnologia pode mudar sua estrat&eacute;gia. &Eacute; a vis&atilde;o do cen&aacute;rio internacional por parte dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos e dos estrategistas militares o que pesa &#150; e n&atilde;o a ades&atilde;o a um programa tecnol&oacute;gico militar espec&iacute;fico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Lieber (2005, p. 157), "os Estados raramente veem os novos desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos como um meio para preservar o <I>status quo </I>ou sinalizar inten&ccedil;&otilde;es benignas, mas, ao contr&aacute;rio", apropriam&#45;se de tecnologias, mesmo aquelas apresentadas como defensivas, enquanto oportunidades potenciais para ganhar vantagens militares e pol&iacute;ticas no cen&aacute;rio internacional. O <I>oportunismo tecnol&oacute;gico </I>explicaria melhor que outros conceitos as raz&otilde;es das posturas de apoio ou antipatia diante de determinado projeto militar. Al&eacute;m disso, ajudaria a compreender porque, mesmo com o risco de enfrentar desconfian&ccedil;as no cen&aacute;rio internacional, os Estados ousam apresentar projetos tecnol&oacute;gicos de grande impacto. Em suma, n&atilde;o &eacute; a predile&ccedil;&atilde;o pelo projeto do submarino nuclear em si, nem a ades&atilde;o a uma vis&atilde;o defensiva ou ofensiva do papel desse submarino, o que leva militares e pol&iacute;ticos a apoiar o projeto da Marinha; chega&#45;se a esse apoio por motivos relacionados a vis&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a internacionais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Eventualmente, o apoio conjuntural a um projeto pode por certo responder a outro tipo de oportunismo, aquele que se relaciona a necessidades transit&oacute;rias da pol&iacute;tica dom&eacute;stica. Contudo, s&atilde;o as vis&otilde;es voltadas para rela&ccedil;&otilde;es internacionais o fator fundamental. O projeto tecnol&oacute;gico n&atilde;o &eacute; assim um fetiche, mas um meio para alcan&ccedil;ar determinados fins, que resultam de percep&ccedil;&otilde;es sobre os interesses nacionais. No caso que nos interessa, tudo indica que as coaliz&otilde;es pol&iacute;tico&#45;militares nacionalistas tenderam a apoiar com mais vigor o projeto do submarino nuclear do que as coaliz&otilde;es "internacionalistas", ou, para usar um termo corrente, "neoliberais". Isso se deu independentemente do regime pol&iacute;tico ou da ideologia dominante. Mas resta entender como as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;as dos componentes dessas coaliz&otilde;es variam com o tempo e influenciam de forma diversa o processo de decis&otilde;es. Esse ser&aacute; o objetivo da an&aacute;lise seguinte. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>As Rela&ccedil;&otilde;es de For&ccedil;a na Marinha</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nossa narrativa anterior trouxe &agrave; luz as tens&otilde;es que ocorreram na Marinha em torno do programa aqui examinado. Em certa medida, essas diverg&ecirc;ncias podem ser atribu&iacute;das a posturas defensivas dentro da corpora&ccedil;&atilde;o, resultantes de disputa por parcelas do or&ccedil;amento e pessoal. Um exemplo disso s&atilde;o os atritos dos encarregados do programa do submarino nuclear com o pessoal da Diretoria de Material da Marinha. Para Othon, "a &aacute;rea de engenharia da Marinha era muito contra. Teve um momento em que os tr&ecirc;s almirantes engenheiros eram contra. E era explic&aacute;vel, porque a gente come&ccedil;ou a tirar recursos humanos da outra parte e isso gerava atritos internos".<a name="tx28"></a><a href="#nt28"><sup>28</sup></a> Na literatura da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, essas tens&otilde;es poderiam ser vistas como o choque entre dois modelos de processos decis&oacute;rios. O primeiro, conhecido como racional, seria fundado em argumentos modernizantes e de interesse comum. O segundo, chamado de incremental, est&aacute; mais preso a considera&ccedil;&otilde;es corporativas, preocupando&#45;se em manter a estrutura da for&ccedil;a e os gastos com pessoal (DAGNINO, 2010, p. 123). Outras fontes de tens&atilde;o podem ser localizadas no car&aacute;ter aut&aacute;rquico e de alto segredo do programa. Por fim, mas n&atilde;o menos importante, &eacute; preciso mencionar os conflitos de personalidades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Restaria examinar se as tens&otilde;es no interior da for&ccedil;a naval se vinculam a diferentes vis&otilde;es estrat&eacute;gicas. Nesse sentido, &eacute; bom lembrar que, no processo decis&oacute;rio da Marinha, ideias surgidas no setor de Engenharia prosperam apenas se obtiverem apoio de setores que podem ser minorit&aacute;rios, desde que tenham postos&#45;chave de comando. De modo geral, o que ocorre &eacute; que coincidem proposi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas com vis&otilde;es estrat&eacute;gicas. No caso do submarino nuclear brasileiro, o marco decisivo foi a decis&atilde;o tomada em novembro de 1978 no &acirc;mbito do Estado&#45;Maior da Armada. O relato que apresentamos acima deixa claro o papel que tiveram alguns altos oficiais nesse processo, especialmente os almirantes Flores, Vidigal e Maximiano. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, &eacute; bom lembrar que, em mar&ccedil;o de 1976, Flores e Vidigal tinham publicado um pequeno livro, classificado como "confidencial", com o t&iacute;tulo de Desenvolvimento naval brasileiro &#150; t&oacute;picos para debate, que constitu&iacute;a uma esp&eacute;cie de tradu&ccedil;&atilde;o para a teoria estrat&eacute;gica naval da estrat&eacute;gia pol&iacute;tica do presidente Ernesto Geisel (1974&#45;1979), que procurava explorar ao m&aacute;ximo os espa&ccedil;os de autonomia do pa&iacute;s no cen&aacute;rio bipolar da Guerra Fria, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o aos Estados Unidos: "Acreditamos que nos conv&eacute;m aliviar as concep&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas b&aacute;sicas que orientam o preparo do poder militar brasileiro de sua excessiva vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; estrat&eacute;gia americana, que nos subordina aos interesses estrat&eacute;gicos dos EUA em seu confronto com a URSS" &#150; diziam os dois oficiais (VIDIGAL; FLORES, 1976, p. 47). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse quadro, eles propunham que a Marinha abandonasse a perspectiva estrat&eacute;gica do papel auxiliar do Brasil na defesa do Atl&acirc;ntico Sul, baseada na hip&oacute;tese de um conflito generalizado entre as duas superpot&ecirc;ncias, e passasse a pensar em seus pr&oacute;prios interesses. Em nossa vis&atilde;o, a conjun&ccedil;&atilde;o dessas vis&otilde;es estrat&eacute;gicas com a <I>oportunidade tecnol&oacute;gica </I>propiciada pelas ideias do comandante Othon explica o lan&ccedil;amento do programa do submarino nuclear. Quando indagado por este pesquisador sobre a prov&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o entre as ideias expostas no livro e o come&ccedil;o do programa que ele coordenou, Othon respondeu: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Foi exatamente o que ocorreu. Havia algumas pessoas que tinham pensamento estrat&eacute;gico. A capacidade de uma s&oacute; pessoa &eacute; muito limitada. Ou existe um pensamento ou as coisas n&atilde;o saem. Existia um pensamento embrion&aacute;rio, que era minorit&aacute;rio, mas era muito forte. Esse era o cen&aacute;rio. At&eacute; hoje &eacute; assim. A cultura do conflito bilateral, n&atilde;o mais a cultura, mas o costume, permanece. Naquela &eacute;poca, havia a cultura e o costume. A propuls&atilde;o nuclear era vista como uma abstra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica pela maior parte. Mas tinha um grupo que n&atilde;o, que achava que realmente era necess&aacute;rio. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora no livro citado acima a autonomia estrat&eacute;gica naval fosse pensada em termos de navios de superf&iacute;cie, ainda sob o impacto da aquisi&ccedil;&atilde;o das fragatas brit&acirc;nicas, o relat&oacute;rio redigido pelo almirante Othon possibilitou que capturassem a oportunidade, vendo no submarino nuclear um caminho para o futuro. Para usar as palavras do pr&oacute;prio criador do programa, os adeptos da mudan&ccedil;a de vis&atilde;o estrat&eacute;gica viram&#45;se diante de um projeto que, embora temeririo, era concreto e viivel e "apontava in&iacute;cio, meio e fim". No governo Geisel, completou esse quadro a presen&ccedil;a do almirante Henning no Minist&eacute;rio (tendo Armando Vidigal na chefia do Gabinete) e do almirante Maximiano na Diretoria de Materiais. No governo Figueiredo, a for&ccedil;a do grupo expressou&#45;se na pr&oacute;pria ascens&atilde;o de Maximiano a ministro. Essa coaliz&atilde;o teve continuidade com os almirantes Karam e, j&aacute; no governo civil, Sab&oacute;ia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando chegou ao Minist&eacute;rio, j&aacute; no quadro do p&oacute;s&#45;Guerra Fria, o almirante Flores era um entusiasta radical do programa. Com efeito, no livro Bases para uma pol&iacute;tica militar, Flores via o submarino como o eixo da defesa distante da costa brasileira: "Hoje em dia parece mais razo&aacute;vel que, para ser &uacute;til &agrave; dissuas&atilde;o de press&otilde;es militares e de aventuras regionais, o preparo naval deva ser direcionado para a defesa distante (inquieta&ccedil;&atilde;o do fator amea&ccedil;a)" (FLORES, 1992, p. 133). A continuidade com as ideias do autor de meados dos anos 1970 parece estar aqui na no&ccedil;&atilde;o de "press&otilde;es militares", uma esp&eacute;cie de senha para se referir discretamente &agrave; efic&aacute;cia do submarino contra press&otilde;es das grandes pot&ecirc;ncias, principalmente os Estados Unidos. Mais recentemente, como vimos, esse conceito evoluiria para a ideia de nega&ccedil;&atilde;o do mar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fase mais problem&aacute;tica para a verifica&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese &eacute; o per&iacute;odo p&oacute;s&#45;Guerra Fria. A manuten&ccedil;&atilde;o de clivagens dentro da Marinha que remetem ao contexto bipolar, proposta pelo almirante Othon, &eacute; negada frontalmente pelo almirante Mauro, para quem essa vers&atilde;o &eacute; esp&uacute;ria e se relacionaria aos oficiais mais pr&oacute;ximos ao projeto ou a supostos especialistas navais em estrat&eacute;gia, "sem embasamento na pr&aacute;tica dos exerc&iacute;cios no mar e na esquadra", que influenciaram a vis&atilde;o civil sobre a Marinha. O ex&#45;ministro da Marinha nega inclusive a pertin&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de considerar os per&iacute;odos da Guerra Fria e do p&oacute;s&#45;Guerra Fria como fases diferentes para analisar as tens&otilde;es em torno do projeto do submarino nuclear em termos de vis&otilde;es estrat&eacute;gicas distintas: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Esse embate de opini&otilde;es existiu nas discuss&otilde;es da d&eacute;cada de 1960, mas estava absolutamente superado nos anos 1970. Bem antes do t&eacute;rmino da Guerra Fria e n&atilde;o por causa de sua extin&ccedil;&atilde;o, o pensamento naval brasileiro j&aacute; considerava a necessidade de tra&ccedil;armos nossos rumos por considera&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas pr&oacute;prias.<a name="tx29"></a><a href="#nt29"><sup>29</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">De nossa perspectiva, a distin&ccedil;&atilde;o entre os dois per&iacute;odos se mant&eacute;m, mas &eacute; preciso reconhecer tr&ecirc;s complicadores que se colocam ao entendimento da conjuntura do p&oacute;s&#45;1989. Em primeiro lugar, no Brasil, a mudan&ccedil;a da conjuntura estrat&eacute;gica internacional coincidiu com as pol&iacute;ticas neoliberais de conten&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria. Em segundo, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que pelo menos nas gest&otilde;es dos almirantes Mauro e Guimar&atilde;es Carvalho houve medidas destinadas a preservar o projeto, que resultaram infrut&iacute;feras em raz&atilde;o da conjuntura econ&ocirc;mica acima. E, por fim, parece ineg&aacute;vel que &eacute; forte na Marinha a vis&atilde;o do submarino nuclear como arma de prest&iacute;gio, como lembrou o almirante Vidigal no depoimento citado antes. Assim, no est&aacute;gio atual da pesquisa, diante da escassez de documentos, somente novas entrevistas poder&atilde;o nos fazer avan&ccedil;ar na compreens&atilde;o do quadro interno &agrave; Marinha. O <a href="#grf01">Gr&aacute;fico 1</a>, abaixo, fornecido pelo Comando da Marinha, permite verificar a flutua&ccedil;&atilde;o dos gastos no Programa Nuclear da Marinha (PNM):<a name="tx30"></a><a href="#nt30"><sup>30</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="grf01"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana"><img src="/img/revistas/cint/v33n2/a02grf01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A Pol&iacute;tica e o Submarino</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O argumento do oportunismo tecnol&oacute;gico aparece com mais clareza quando se analisa a atitude dos sucessivos governos brasileiros diante do programa da Marinha. Nossa hip&oacute;tese &eacute; de que os sete presidentes da Rep&uacute;blica aqui considerados se posicionaram sobre a quest&atilde;o a partir de suas vis&otilde;es de pol&iacute;tica internacional e, em alguns casos, de necessidades de pol&iacute;tica dom&eacute;stica. A partir da cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Defesa, em 1999, abre&#45;se a possibilidade de introdu&ccedil;&atilde;o de outro ator pol&iacute;tico decisivo, mas esse fator demorou a sentir sua presen&ccedil;a, dada a fragilidade e transitoriedade que marcaram as gest&otilde;es dos cinco primeiros titulares da pasta (MARTINS FILHO, 2010). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No que diz respeito ao primeiro dos governos da s&eacute;rie, em 1974, no in&iacute;cio da administra&ccedil;&atilde;o Geisel, o ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores Azeredo da Silveira ofereceu ao general Ernesto Geisel uma avalia&ccedil;&atilde;o ousada das perspectivas internacionais que se abriam ao pa&iacute;s em plena Guerra Fria. Nessa vis&atilde;o, </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; o sistema internacional n&atilde;o era mais um ambiente de limita&ccedil;&otilde;es intranspon&iacute;veis; havia oportunidades &#150; limitadas, mas reais. Caso a diplomacia brasileira realizasse algumas opera&ccedil;&otilde;es conscientes para "furar as cascas" do sistema internacional, ent&atilde;o este cederia &agrave;s press&otilde;es brasileiras (SPEKTOR, 2009, p. 75). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir da&iacute;, presidente e chanceler lan&ccedil;aram a pol&iacute;tica do "pragmatismo ecum&ecirc;nico e respons&aacute;vel", cujo argumento expl&iacute;cito era, segundo Matias Spektor (2009, p. 76), "que as prioridades internacionais do pa&iacute;s, em seguida ao Golpe de 1964, eram excessivamente estreitas para o mundo de 1974 e chegara a hora de guiar&#45;se mais firmemente pelo 'interesse nacional'". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O corol&aacute;rio dessa vis&atilde;o era que a Guerra Fria n&atilde;o era mais o crit&eacute;rio exclusivo da pol&iacute;tica entre as na&ccedil;&otilde;es; as rela&ccedil;&otilde;es Norte&#45;Sul assumiam nova import&acirc;ncia (SPEKTOR, 2009, p. 90). Foi esse o quadro que permitiu o Acordo Nuclear Brasil&#45;Alemanha, resultado da cren&ccedil;a do general e de seu ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores na autonomia como valor da pol&iacute;tica externa. Como destacou Spektor (2009, p. 125), "para eles, o nacionalismo era um &#150; se n&atilde;o o mais &#150; importante instrumento para fortalecer o pa&iacute;s, enriquecer a na&ccedil;&atilde;o, projetar a influ&ecirc;ncia brasileira no mundo, resistir &agrave;s press&otilde;es hegem&ocirc;nicas dos Estados Unidos e defender o regime". &Eacute; preciso entender, nesse quadro, o apoio de Geisel &agrave;s tratativas iniciais relativas &agrave; quest&atilde;o da propuls&atilde;o nuclear naval e &agrave;s propostas do comandante Othon quanto &agrave; possibilidade do Brasil dominar as tecnologias de enriquecimento e do reator. Apesar da narrativa de Othon, tudo indica que o presidente aprovou pessoalmente a ida desse oficial ao MIT, que teve pouco de aleat&oacute;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O governo do general Figueiredo (1979&#45;1985), embora enfrentando uma situa&ccedil;&atilde;o internacional adversa &#150; segundo choque petrol&iacute;fero, crise da d&iacute;vida externa dos pa&iacute;ses do Terceiro Mundo e advento da Segunda Guerra Fria, sob o impulso da pol&iacute;tica de Ronald Reagan &#150;, n&atilde;o mudou a orienta&ccedil;&atilde;o geral de nossa pol&iacute;tica externa (VIZENTINI, 2006, p. 154&#45;156). Ao contr&aacute;rio, a Guerra das Malvinas consolidou as desconfian&ccedil;as brasileiras sobre as inten&ccedil;&otilde;es das pot&ecirc;ncias mundiais. Sintoma disso, na &aacute;rea militar, foi a frieza com que foi recebida a iniciativa dos EUA de reatar os la&ccedil;os militares rompidos com a den&uacute;ncia do acordo bilateral de 1952 (CERVO; BUENO, 2010, p. 440). No governo Figueiredo, ganha for&ccedil;a o Programa Nuclear Paralelo; o CSN garante, como vimos, verbas pr&oacute;prias (e secretas) para a pesquisa de enriquecimento do ur&acirc;nio; e a CNEN, sob a dire&ccedil;&atilde;o de Rex Nazar&eacute; Alves, apoia o programa da Marinha. Nesse quadro geral, embora o pr&oacute;prio almirante Othon insista na aus&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o entre a Guerra das Malvinas e o programa nuclear da Marinha, tudo indica que depois desse conflito o governo militar agu&ccedil;ou a percep&ccedil;&atilde;o sobre a oportunidade oferecida pelo submarino nuclear de fortalecer, no futuro, nossa defesa mar&iacute;tima contra a&ccedil;&otilde;es das grandes pot&ecirc;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A mudan&ccedil;a de regime n&atilde;o alterou os termos da equa&ccedil;&atilde;o. O governo Jos&eacute; Sarney nomeou para a rec&eacute;m&#45;criada pasta da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia o nacionalista Renato Archer. O novo presidente e o governador oposicionista de S&atilde;o Paulo, Andr&eacute; Franco Montoro, concordaram com a constru&ccedil;&atilde;o do Centro de Aramar, em 1985. Mas foi na pol&iacute;tica externa, mais uma vez, que surgiram as raz&otilde;es para fortalecer o programa. Em sua estrat&eacute;gia de aproxima&ccedil;&atilde;o com a Argentina, Sarney viu na r&aacute;pida inaugura&ccedil;&atilde;o do Laborat&oacute;rio de Enriquecimento Isot&oacute;pico (LEI), primeira etapa da Usina de Demonstra&ccedil;&atilde;o de Enriquecimento Isot&oacute;pico de Ur&acirc;nio, a oportunidade para retribuir o convite que recebeu do presidente Alfons&iacute;n, para visitar as instala&ccedil;&otilde;es nucleares de Pilcaniyeu. Dessa maneira, as injun&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa puseram o almirante Othon diante do desafio de completar o laborat&oacute;rio pioneiro de Aramar em tempo recorde: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">E, quando chegou 17 de janeiro de 1987, eu me lembro bem dessa data, o general Bayma me chamou em Bras&iacute;lia e me disse: "Othon, o presidente Sarney foi convidado para ir em setembro a Pilcaniyeu, onde os argentinos enriquecem o ur&acirc;nio, &eacute; o centro de pesquisa deles e o presidente Sarney gostaria de fazer um convite a uma coisa da mesma estatura, e n&oacute;s achamos que a &uacute;nica coisa que pode ter a mesma estatura &eacute; aquilo que voc&ecirc; est&aacute; propondo, fazer um usinazinha de enriquecimento. E a pergunta &eacute; a seguinte: voc&ecirc; tem praticamente um ano, d&aacute; para fazer?"<a name="tx31"></a><a href="#nt31"><sup>31</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No final dos anos 1980, as situa&ccedil;&otilde;es externa e interna come&ccedil;am a mudar e, de novo, o programa perde atrativo. No plano internacional, ressurge a perspectiva de uma <I>d&eacute;tente </I>entre EUA e URSS; no plano interno, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 define&#45;se como antibelicista e cr&iacute;tica da corrida at&ocirc;mica. Mas a mudan&ccedil;a realmente crucial se deu com a ascens&atilde;o de Fernando Collor de Mello &agrave; Presid&ecirc;ncia. Com uma pol&iacute;tica externa voltada para uma maior inser&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio internacional por meio da ado&ccedil;&atilde;o das agendas dominantes nos pa&iacute;ses centrais, o novo presidente v&ecirc; na cr&iacute;tica aos programas militares, consubstanciada em lances de propaganda como o fechamento do po&ccedil;o de testes da Serra do Cachimbo, uma oportunidade de diferenciar&#45;se do passado. Funciona a&iacute;, em nossa hip&oacute;tese, uma esp&eacute;cie de oportunismo tecnol&oacute;gico &agrave;s avessas. Em abril de 1990, em seus depoimentos para a Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito que investigava o Programa Nuclear Paralelo, Renato Archer e o almirante Othon criticam as press&otilde;es dos Estados Unidos e defendem a independ&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica nuclear (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 134). Mas nessa altura j&aacute; eram profetas desarmados. Para Collor, Aramar representava o passado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos anos 1990, </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; a pol&iacute;tica exterior do Brasil desqualificou a for&ccedil;a como meio de a&ccedil;&atilde;o, em favor da persuas&atilde;o. O pa&iacute;s abandonou a tend&ecirc;ncia iniciada nos anos 1970, em termos pol&iacute;ticos, com a transi&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a coletiva para a nacional e, em termos industriais, com a produ&ccedil;&atilde;o de meios de defesa e dissuas&atilde;o. Refor&ccedil;ou seu pacifismo, firmando os pactos internacionais de desarmamento (CERVO; BUENO, 2010, p. 469). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse quadro, o almirante Flores afirma que o projeto do submarino "entrou em um processo de congelamento, n&atilde;o foi extinto, mas n&atilde;o avan&ccedil;ava". Para ele, isso durou "todo o governo de Fernando Henrique Cardoso, que eu tenho certeza &#150; eu estive muitas vezes com ele (ele foi ministro da Fazenda quando eu era secret&aacute;rio de Assuntos Estrat&eacute;gicos) &#150; nunca manifestou nenhum entusiasmo pelo projeto".<a name="tx32"></a><a href="#nt32"><sup>32</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ap&oacute;s o <I>impeachment </I>de Collor, o governo Itamar Franco promoveu certa reaproxima&ccedil;&atilde;o com os militares, mas a pol&iacute;tica externa dos chanceleres Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer manteve os rumos definidos no governo anterior. Em 18 de novembro de 1998, o chanceler Felipe Lampreia assinou finalmente o Tratado de N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas Nucleares (TNP), removendo um motivo de tens&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es externas, principalmente com os Estados Unidos. Na nova conjuntura, o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios em Iper&oacute;, que chegara a oitocentos no apogeu do programa, caiu para a metade (GOVERNO..., 2007). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No final do governo Cardoso, podiam&#45;se perceber mudan&ccedil;as na orienta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa. Para dois analistas, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; o ataque de 11 de setembro de 2001 e as dificuldades advindas da Rodada Doha da OMC foram choques externos que colaboraram para a altera&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica exterior brasileira, modificando em alguns pontos o curso final do governo FHC, adiantando elementos de mudan&ccedil;a que s&oacute; ficariam mais claros na administra&ccedil;&atilde;o Lula da Silva (VIGEVANI; CEPALUNI, 2007, p. 280). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">De todo modo, por motivos de pol&iacute;tica dom&eacute;stica, em fevereiro de 2000 o governo federal j&aacute; anunciara que destinaria R$ 34,7 milh&otilde;es para o programa, no rastro da crise energ&eacute;tica do ano anterior, que provocou um apag&atilde;o de eletricidade de graves propor&ccedil;&otilde;es (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 162). A verba liberada foi dividida em quatro rubricas, sendo cerca de metade do total destinada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do prot&oacute;tipo do reator nuclear; um quarto para infraestrutura e constru&ccedil;&atilde;o do prot&oacute;tipo do submarino; e a parcela restante para desenvolvimento e aplica&ccedil;&atilde;o da tecnologia nuclear "em pesquisa e empreendimentos". Na &eacute;poca, a imprensa anunciou que o reator de 11 megawatts j&aacute; tinha seus componentes adquiridos, mas ainda n&atilde;o montados (PROJETO..., 2000). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com a vit&oacute;ria de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais do final de 2002, sobe ao poder uma coaliz&atilde;o pol&iacute;tica mais disposta a explorar as potencialidades do pa&iacute;s no quadro internacional, em uma estrat&eacute;gia que alguns analistas chamaram de estrat&eacute;gia da autonomia pela "diversifica&ccedil;&atilde;o", em contraposi&ccedil;&atilde;o ao "distanciamento" do governo Geisel e da "participa&ccedil;&atilde;o" dos governos dos anos 1990 (VIGEVANI; CEPALUNI, 2010). Nesse quadro, antes mesmo da posse, uma das figuras mais importantes do Partido dos Trabalhadores, o deputado federal Jos&eacute; Geno&iacute;no, defendeu que no novo governo as For&ccedil;as Armadas seriam reequipadas e o projeto do submarino nuclear ganharia novamente prioridade (PETISTA..., 2002). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seguida, surgiram sinais de retomada da pol&iacute;tica nuclear. O almirante Othon foi retirado do ostracismo e nomeado diretor da Eletronuclear. Entre 2003 e 2004, o governo brasileiro confrontou a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA), quando o Centro Tecnol&oacute;gico da Marinha em S&atilde;o Paulo, respons&aacute;vel pelo programa do submarino nuclear, decidiu ocultar com pain&eacute;is o conjunto de centr&iacute;fugas, permitindo apenas a medi&ccedil;&atilde;o do ur&acirc;nio que entra no sistema e do material enriquecido extra&iacute;do (LULA..., 2007). Ao mesmo tempo, Lula recusou&#45;se a assinar o Protocolo Adicional ao TNP, criado em 1997, que possibilitaria a amplia&ccedil;&atilde;o da capacidade de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da AIEA das instala&ccedil;&otilde;es nucleares brasileiras. Em fins de 2008, a Estrat&eacute;gia Nacional de Defesa (END, Decreto n. 6703 de 18 de dezembro de 2008) deu express&atilde;o mais concreta a essas tend&ecirc;ncias, ao colocar entre suas diretrizes o fortalecimento de tr&ecirc;s setores de import&acirc;ncia estrat&eacute;gica &#150; o espacial, o cibern&eacute;tico e o nuclear. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nesse quadro, definiu&#45;se o projeto de submarino nuclear como prioridade nacional e como iniciativa que exigiria independ&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. Ao mencionar a hierarquia dos objetivos estrat&eacute;gicos e t&aacute;ticos da Marinha, a END defendeu que, "para assegurar o objetivo de nega&ccedil;&atilde;o de uso do mar, o Brasil contar&aacute; com for&ccedil;a submarina de envergadura composta de submarinos convencionais e de submarinos de propuls&atilde;o nuclear". Prometia ainda que o pa&iacute;s iria acelerar "os investimentos e as parcerias necess&aacute;rias para executar o projeto do submarino de propuls&atilde;o nuclear". Dizia tamb&eacute;m que "a Marinha acelerar&aacute; o trabalho de constru&ccedil;&atilde;o de suas bases de submarinos, convencionais e de propuls&atilde;o nuclear", e assegurava "completar, no que diz respeito aos programas de submarino nuclear, a nacionaliza&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento em escala industrial do ciclo do combust&iacute;vel (inclusive a gaseifica&ccedil;&atilde;o e o enriquecimento) e da tecnologia da constru&ccedil;&atilde;o de reatores, para uso exclusivo do Brasil". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Finalmente, o acordo assinado entre Brasil e Fran&ccedil;a na mesma &eacute;poca deu destaque &agrave; compra de quatro submarinos convencionais da classe <I>Sc&oacute;rpene </I>(FRAN&Ccedil;A..., 2008b). O programa do submarino nuclear inseriu&#45;se assim no novo quadro estrat&eacute;gico esbo&ccedil;ado nos &uacute;ltimos anos do governo Lula, em que se radicalizou a pol&iacute;tica externa, com a&ccedil;&otilde;es como a condena&ccedil;&atilde;o ao golpe de Honduras e a aproxima&ccedil;&atilde;o com o Ir&atilde;. O contexto mais amplo dessas a&ccedil;&otilde;es foi o sucesso do pa&iacute;s na supera&ccedil;&atilde;o da crise econ&ocirc;mica mundial de 2008 e a descoberta das reservas de petr&oacute;leo do pr&eacute;&#45;sal. Segundo alguns estudiosos: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Fica claro que esses dois novos itens colocam o Brasil dentro de um contexto estrat&eacute;gico distinto. Embora esses feitos sejam ainda not&iacute;cias novas que reverberam em toda a arena internacional, &eacute; f&aacute;cil antecipar que ir&atilde;o criar consider&aacute;veis demandas e, assim, press&otilde;es, para defini&ccedil;&otilde;es mais ousadas diante da seguran&ccedil;a e da defesa. &#91;...&#93; As descobertas de petr&oacute;leo aumentar&atilde;o as press&otilde;es por "capacidades de defesa" proporcionais &agrave; vulnerabilidade dos novos espa&ccedil;os estrat&eacute;gicos (BITENCOURT; VAZ, 2009, p. 29). </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Procuramos neste artigo explorar a ideia de "oportunismo ideol&oacute;gico", que nega a hip&oacute;tese corrente na teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, segundo a qual a escolha de armamentos defensivos ou ofensivos &eacute; determinante para explicar as tens&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es entre as pot&ecirc;ncias. Ao contr&aacute;rio, defendemos aqui que os pol&iacute;ticos e os militares n&atilde;o aderem a um novo armamento ou a uma nova tecnologia em virtude de suas caracter&iacute;sticas intr&iacute;nsecas, mas em decorr&ecirc;ncia de uma vis&atilde;o pr&eacute;via das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, a partir da qual um determinado armamento ou tecnologia s&atilde;o vistos como importantes. No caso do programa do submarino nuclear, os governos militares de Geisel e Figueiredo e os governos civis de Sarney e Lula foram favor&aacute;veis ao projeto, a partir de uma vis&atilde;o espec&iacute;fica da pol&iacute;tica externa. J&aacute; os governos Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso se posicionaram contrariamente &agrave; ideia, embora n&atilde;o tomassem a iniciativa de cancelar o projeto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No plano interno da Marinha, a hip&oacute;tese do oportunismo tecnol&oacute;gico tamb&eacute;m parece se sustentar, uma vez que foi a partir de uma nova vis&atilde;o estrat&eacute;gica naval que, no final dos anos 1970, importantes oficiais viram o projeto apresentado pelo almirante Othon como &uacute;til e relevante. Por outro lado, o artigo procurou mostrar as tens&otilde;es que ocorreram no interior da for&ccedil;a, dado o car&aacute;ter secreto e aut&aacute;rquico do projeto em tela. Essas tens&otilde;es opuseram almirantes de influ&ecirc;ncia, mas aparentemente o corte de verbas n&atilde;o dependeu da for&ccedil;a, mas de circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas externas. Como ocorre em todas as marinhas, as vers&otilde;es oficiais tentam esconder essas tens&otilde;es, preferindo passar em p&uacute;blico uma imagem de for&ccedil;a naval unida e coesa. Como qualquer outra comunidade humana, por&eacute;m, a Marinha tamb&eacute;m &eacute; palco de choques de personalidades e diverg&ecirc;ncias agudas de opini&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01"><b>1</b></a> Salvo refer&ecirc;ncia contr&aacute;ria, as informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas constantes neste artigo foram retiradas desse autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02"><b>2</b></a> Para informa&ccedil;&otilde;es e fontes citadas a seguir, ver CPDOC (FGV), Arquivo Paulo Nogueira Batista, PNB pn n1976.05.26; 26/05/1976 a 28/08/1978.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03"><b>3</b></a> Em 23 de agosto de 1978, o diretor da Interatom ainda escrevia ao presidente da Nuclebr&aacute;s manifestando seu interesse em avan&ccedil;ar a colabora&ccedil;&atilde;o mencionada acima, referindo&#45;se apenas ao <I>Otto Hahn</I>. O almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado o criador do projeto do submarino nuclear brasileiro, duvida dessas informa&ccedil;&otilde;es. Para ele, a Alemanha n&atilde;o poderia fornecer ao Brasil uma tecnologia que n&atilde;o tinha, uma vez que dominava apenas a propuls&atilde;o nuclear para navios civis e de superf&iacute;cie. (Depoimento ao autor em 14 de fevereiro de 2011). Contudo, a documenta&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no CPDOC n&atilde;o deixa d&uacute;vida sobre este ponto. Othon tamb&eacute;m n&atilde;o considera a possibilidade de que a Marinha viesse pensando na propuls&atilde;o nuclear j&aacute; antes do acordo com a Alemanha. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt04"></a><a href="#tx04"><b>4</b></a> O almirante Othon nega a narrativa acima, afirmando que sua ida ao MIT foi resultado de iniciativa pr&oacute;pria e a autoriza&ccedil;&atilde;o para a viagem foi fortuita: "N&atilde;o foi uma sele&ccedil;&atilde;o, como as pessoas disseram." (Depoimento ao autor em 14 de fevereiro de 2011). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt05"></a><a href="#tx05"><b>5</b></a> Sigo aqui a narrativa do almirante Othon. Corr&ecirc;a (2010, p. 62) defende que a origem do relat&oacute;rio foi uma ordem da Diretoria de Engenharia Naval, depois que o almirante Maximiano designou Othon para a DEN. As informa&ccedil;&otilde;es seguintes, inclusive as cita&ccedil;&otilde;es entre aspas, referem&#45;se ao depoimento de Othon ao autor em fevereiro de 2011, a menos que indicado o contr&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt06"></a><a href="#tx06"><b>6</b></a> Depoimento do almirante M&aacute;rio C&eacute;sar Flores ao autor em 5 de setembro de 2011. Para o almirante Othon, a reuni&atilde;o teria ocorrido em novembro. Segundo ele: "Foi uma decis&atilde;o de alto n&iacute;vel, porque o vice&#45;chefe do Estado&#45;Maior da Armada, o almirante Ricarti, me levou ao chefe do Estado&#45;Maior da Armada na &eacute;poca, o almirante Auto, e na frente dele me disse: 'Meu filho, voc&ecirc; est&aacute; indo para uma das miss&otilde;es mais importantes que um oficial da Marinha j&aacute; teve: Deus te ilumine!'" (Depoimento ao autor em 14 de fevereiro de 2011). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt07"></a><a href="#tx07"><b>7</b></a> Ver Entrevista... (&#91;s.d.&#93;).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt08"></a><a href="#tx08"><b>8</b></a> Resposta a question&aacute;rio enviado pelo autor em agosto de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt09"></a><a href="#tx09"><b>9</b></a> "Em 1977, o Acordo Nuclear Brasil&#45;Alemanha tinha duas facetas. A faceta das centrais e a faceta do ciclo do combust&iacute;vel. As centrais, em geral, eram de muito boa qualidade. Por&eacute;m, no que diz respeito ao ciclo do combust&iacute;vel, o Brasil quis comprar a tecnologia certa, que lhe foi negada por press&atilde;o dos norte&#45;americanos. Em raz&atilde;o disso, os alem&atilde;es ofereceram outra tecnologia, chamada jato&#45;centr&iacute;fuga, cuja concep&ccedil;&atilde;o ainda era muito embrion&aacute;ria, praticamente pr&eacute;&#45;laboratorial. O Brasil comprou esta tecnologia". (Resposta a question&aacute;rio enviado pelo autor em agosto de 2011). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt10"></a><a href="#tx10"><b>10</b></a> Para o general Jos&eacute; Carlos Albano do Amarante, em conversa com o autor em 8 de agosto de 2011, a origem da doen&ccedil;a foi o contato com material nuclear, para ele intencionalmente criminoso. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt11"></a><a href="#tx11"><b>11</b></a> Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00486.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00486.pdf</a>&gt;. Acesso em: mar. 2012. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt12"></a><a href="#tx12"><b>12</b></a> Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00489.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00489.pdf</a>&gt;. Acesso em: mar. 2012. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt13"></a><a href="#tx13"><b>13</b></a> Embora logo depois da Guerra das Malvinas uma exposi&ccedil;&atilde;o de motivos do CSN defendesse o apoio mais incisivo ao projeto, Othon nega que houvesse rela&ccedil;&atilde;o entre aquele conflito e o programa. Para a Exposi&ccedil;&atilde;o de Motivos n.0080/82 do CSN, ver Corr&ecirc;a (2010, p. 87). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt14"></a><a href="#tx14"><b>14</b></a> Respostas dadas ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt15"></a><a href="#tx15"><b>15</b></a> Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00510.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00510.pdf</a>&gt;. Acesso em: mar. 2012. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt16"></a><a href="#tx16"><b>16</b></a> Ver Marinha... (1986a), Marinha... (1986b) e Sab&oacute;ia... (1986).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt17"></a><a href="#tx17"><b>17</b></a> Em depoimento ao autor em setembro de 2011, o ex&#45;ministro afirmou: "Tive influ&ecirc;ncia para impedir que o projeto ca&iacute;sse no ostracismo completo. O presidente Collor decididamente n&atilde;o era simp&aacute;tico ao projeto, tinha l&aacute; suas raz&otilde;es pol&iacute;ticas, de pol&iacute;tica externa. Nunca se manifestou a mim peremptoriamente contr&aacute;rio, mas nunca se manifestou entusiasmado." Apesar disso, em 31 de maio de 1991, o almirante Flores conseguiu levar o presidente a uma visita oficial a Aramar (CORR&Ecirc;A, 2010, p. 133). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt18"></a><a href="#tx18"><b>18</b></a> Depoimento ao autor em setembro de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt19"></a><a href="#tx19"><b>19</b></a> Depoimento, j&aacute; citado, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt20"></a><a href="#tx20"><b>20</b></a> Respostas dadas ao autor.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt21"></a><a href="#tx21"><b>21</b></a> "Ele &eacute; que deu toda a cobertura &agrave;s coisas que o Othon come&ccedil;ou a fazer de errado. N&atilde;o vou dizer que ele tivesse a inten&ccedil;&atilde;o de fazer isso. Mas dava cobertura ao Othon e n&atilde;o via o que se passava." (CASTRO; D'ARAUJO, 2001, p. 272). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt22"></a><a href="#tx22"><b>22</b></a> Respostas, j&aacute; citadas, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt23"></a><a href="#tx23"><b>23</b></a> Respostas, j&aacute; citadas, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt24"></a><a href="#tx24"><b>24</b></a> Depoimento ao autor em 17 de agosto de 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt25"></a><a href="#tx25"><b>25</b></a> Depoimento ao autor em setembro de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt26"></a><a href="#tx26"><b>26</b></a> Respostas, j&aacute; citadas, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt27"></a><a href="#tx27"><b>27</b></a> Depoimento ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt28"></a><a href="#tx28"><b>28</b></a> Depoimento, j&aacute; citado, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt29"></a><a href="#tx29"><b>29</b></a> Respostas, j&aacute; citadas, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt30"></a><a href="#tx30"><b>30</b></a> Agradecemos ao almirante Silvio Starling pelo envio desses dados, acompanhados do coment&aacute;rio: "O gr&aacute;fico anexo demonstra claramente que, al&eacute;m de n&atilde;o mais recebermos as dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias que receb&iacute;amos, os controles que passaram a existir tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para, mesmo tendo recursos do Fundo Naval, estes n&atilde;o poderem ser utilizados a crit&eacute;rio exclusivo da Marinha do Brasil." E&#45;mail ao autor em 1º de novembro de 2011. O almirante Starling foi designado pelo Comando da Marinha para facilitar o acesso do autor a dados sobre o projeto aqui analisado. Com sua ajuda, foi poss&iacute;vel visitar, em 24 de outubro de 2011, a coordenadoria do programa, situada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, onde fomos recebidos pelo almirante Fragelli. Esta nota de agradecimento n&atilde;o compromete os dois almirantes com as vis&otilde;es aqui expostas, de exclusiva responsabilidade do autor. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt31"></a><a href="#tx31"><b>31</b></a> Depoimento, j&aacute; citado, ao autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt32"></a><a href="#tx32"><b>32</b></a> Depoimento ao autor em setembro de 2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMIRANTE defende o uso de submarinos nucleares. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 2 dez. 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0102-8529201100020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BITENCOURT, L; VAZ, A. C. <B>Brazilian strategic culture</B>. Miami: Florida International University, Applied Research Center, Latin American and Caribbean    Center, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0102-8529201100020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">BRASIL pagar&aacute; &euro; 3,66 bi por submarinos. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 22 ago. 2009.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> BRASIL far&aacute; combust&iacute;vel para submarino. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 28 mar. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0102-8529201100020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> CASTRO, C.; D'ARAUJO, M. C. <B>Militares e pol&iacute;tica na Nova Rep&uacute;blica</B>. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0102-8529201100020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> CERVO, A. L.; BUENO, C. <B>Hist&oacute;ria da pol&iacute;tica exterior do Brasil</B>. Bras&iacute;lia:    Editora da UNB, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0102-8529201100020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CORR&Ecirc;A, F. das G. <B>O projeto do submarino nuclear brasileiro</B>. Rio de Janeiro: Capax Dei, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0102-8529201100020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DAGNINO, R. <B>A ind&uacute;stria de defesa no governo Lula</B>. Rio de Janeiro: Express&atilde;o Popular, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0102-8529201100020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ENTREVISTA com o comandante da Marinha. <B>Tecnologia &amp; Defesa</B>, v. 22, n. 106, &#91;s.d.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0102-8529201100020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> ENTREVISTA do almirante Othon Pinheiro da Silva, atual presidente da Eletronuclear. (12/07). &#91;s.d.&#93;. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.nacaodosol.org/conteudo.php?a=estudos&p=32&n=242I" target="_blank">http://www.nacaodosol.org/conteudo.php?a=estudos&p=32&n=242I</a>&gt;. Acesso em: 8 mar. 2011. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA &#150; ESG. Aspectos da Doutrina da Marinha Brasileira, CSG&#45;CEMCFA, T 304&#45;75, 1975. &#91;Documento reservado&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0102-8529201100020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> ESPELLET, E. S. Carta dos leitores. <B>Revista Mar&iacute;tima Brasileira</B>, v. 129, n.    10/12, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0102-8529201100020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLORES, M. C. <B>Bases para uma pol&iacute;tica militar</B>. Campinas: Editora da Unicamp, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0102-8529201100020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> FRAN&Ccedil;A construir&aacute; submarino no Brasil. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 13 fev. 2008a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0102-8529201100020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FRAN&Ccedil;A far&aacute; estaleiro no Pa&iacute;s, diz Jobim. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 23 dez. 2008b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0102-8529201100020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOVERNO vai dar R$ 1 bi para programa nuclear da Marinha. <B>O Estado de S.    Paulo</B>, 11 jul. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0102-8529201100020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GUIMAR&Atilde;ES, L. D. S. Estrat&eacute;gias de implementa&ccedil;&atilde;o e efeitos de arraste dos    grandes programas de desenvolvimento tecnol&oacute;gico nacionais: experi&ecirc;ncias do    Programa de Propuls&atilde;o Nuclear da Marinha do Brasil. <B>Revista Mar&iacute;tima Brasileira</B>, n. 16, 2003. &#91;<B>Pesquisa Naval</B>, suplemento especial da revista&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0102-8529201100020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">JOBIM vai &agrave; Fran&ccedil;a e R&uacute;ssia discutir reequipamento. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 25 jan. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0102-8529201100020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIEBER, K. A. <B>War and the engineers</B>. Londres: Cornell University Press,    2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0102-8529201100020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LULA marca visita a instala&ccedil;&otilde;es da Marinha. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 21 jun. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0102-8529201100020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARINHA ter&aacute; submarino nuclear. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 13 dez. 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0102-8529201100020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MARINHA instala em S&atilde;o Paulo f&aacute;brica de combust&iacute;vel nuclear para submarino. <B>Jornal do Brasil</B>, 4 set. 1986a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0102-8529201100020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARINHA testar&aacute; propuls&atilde;o nuclear no centro de Iper&oacute;. <B>Folha de S. Paulo</B>,5    set. 1986b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0102-8529201100020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARINHA cobra recursos para se reaparelhar. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 22 jan. 2006a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0102-8529201100020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARINHA conclui outra fase do programa nuclear. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 27 jan. 2006b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0102-8529201100020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> MARTINS FILHO, J. R. Tens&otilde;es militares no governo Lula: a pr&eacute;&#45;hist&oacute;ria do    acordo com a Fran&ccedil;a. <B>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica</B>, n. 4, p. 283&#45;306,    jul./dez. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0102-8529201100020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">O BRASIL n&atilde;o quer a bomba at&ocirc;mica, s&oacute; o submarino. <B>O Estado de S. Paulo, </B>20 ago. 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0102-8529201100020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PETISTA defende projeto de submarino nuclear. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 4 dez. 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0102-8529201100020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PROJETO de submarino &eacute; retomado. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 1º fev. 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0102-8529201100020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SAB&Oacute;IA confirma que Brasil pesquisa combust&iacute;vel nuclear para submarinos. <B>O Globo</B>, 5 set. 1986. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00533.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R00533.pdf</a>&gt;. Acesso em: 18 mar. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0102-8529201100020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SPEKTOR, M. <B>Kissinger e o Brasil</B>. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0102-8529201100020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SUBMARINO pode sair daqui a doze anos. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 17 mai. 2009a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0102-8529201100020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">SUBMARINO ter&aacute; cr&eacute;dito de &euro;4,3 bilh&otilde;es. <B>O Estado de S. Paulo</B>, 14 ago. 2009b. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VIDIGAL, A. A. F; FLORES, M. C. <b>O desenvolvimento do poder naval brasileiro</b>: t&oacute;picos para debate. Rio de Janeiro: &#91;s.l.&#93;, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0102-8529201100020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> VIGEVANI, T.; CEPALUNI, G. A pol&iacute;tica externa de Lula da Silva: a estrat&eacute;gia    da autonomia pela diversifica&ccedil;&atilde;o. <B>Contexto Internacional</B>, v. 29, n. 2, p. 273&#45;335, jul./dez. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0102-8529201100020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VIZENTINI, P. G. F. O regime militar e sua pol&iacute;tica externa. In: FILHO, J. R. M.    (Ed.). <B>O golpe de 1964 e o regime militar</B>: novas perspectivas. S&atilde;o Carlos: EdUFScar, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0102-8529201100020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Artigo recebido em 15 de agosto de 2011 e aprovado para publica&ccedil;&atilde;o em 12 de dezembro de 2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt"></a><a href="#tx">*</a> O nav&iacute;o <I>Otto Hahn </I>funcionou predominantemente como navio de pesquisa, at&eacute; ser transformado em navio puramente mercante, sem propuls&atilde;o nuclear, em 1982. &#91;<I>N.do E.</I>&#93; </font></p>      ]]></body><back>
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