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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Twitter de Renê Silva e a ocupação da tecnologia: o morro (do Alemão) tem vez]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Renê Silva's Twitter and technology occupation: the time of Alemão's slum]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In late 2010, during the military occupation of the Adeus' slum in Rio de Janeiro, Renê Silva, 17, stood out by using the microblog Twitter to transmit real-time information about the events that marked the invasion. Silva, who made his posts from the slum itself, is an example of a subject belonging to the peripheral group and who, despite the socio-economic barriers imposed, appropriated the ICT through strategies and tactics that in action destabilized the hegemonic order (DE CERTEAU, 1980/2008), here mainly represented by the mass media. Thus, this work highlights how Silva, through his plural and hybrid literacies, appropriated new technologies and thereby became a privileged reporter of the conflicts that occurred in the Alemão's complex of slums.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O <i>Twitter</i> de Ren&ecirc; Silva e a ocupa&ccedil;&atilde;o da tecnologia: o morro (do Alem&atilde;o) tem vez</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ren&ecirc; Silva's Twitter and technology occupation: the time of Alem&atilde;o's slum</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Junot de Oliveira Maia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">UNICAMP-IEL/DLA/PPGLA, Campinas (SP), Brasil. <a href="mailto:junotmaia@gmail.com">junotmaia@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final do ano de 2010, durante a ocupa&ccedil;&atilde;o militar do Morro do Adeus, no Rio de Janeiro, Ren&ecirc; Silva, de 17 anos, destacou-se por usar o microblog Twitter para transmitir informa&ccedil;&otilde;es em tempo real sobre os acontecimentos que marcavam a invas&atilde;o. O jovem, o qual fazia suas postagens de dentro da pr&oacute;pria favela, &eacute; exemplo de sujeito pertencente a grupo perif&eacute;rico e que, a despeito das barreiras socioecon&ocirc;micas impostas, se apropriou das TIC por meio de estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas que, em a&ccedil;&atilde;o, desestabilizaram a ordem hegem&ocirc;nica (DE CERTEAU, 1980/2008), aqui principalmente representada pelos ve&iacute;culos de informa&ccedil;&atilde;o em massa. Assim, este trabalho destaca como Ren&ecirc;, por meio de seus letramentos plurais e h&iacute;bridos, se apropriou das novas tecnologias e, dessa forma, tornou-se locutor privilegiado dos conflitos que ocorriam no Complexo do Alem&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> apropria&ccedil;&atilde;o das TIC; grupos perif&eacute;ricos; Ren&ecirc; Silva.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">In late 2010, during the military occupation of the Adeus' slum in Rio de Janeiro, Ren&ecirc; Silva, 17, stood out by using the microblog <i>Twitter</i> to transmit real-time information about the events that marked the invasion. Silva, who made his posts from the slum itself, is an example of a subject belonging to the peripheral group and who, despite the socio-economic barriers imposed, appropriated the ICT through strategies and tactics that in action destabilized the hegemonic order (DE CERTEAU, 1980/2008), here mainly represented by the mass media. Thus, this work highlights how Silva, through his plural and hybrid literacies, appropriated new technologies and thereby became a privileged reporter of the conflicts that occurred in the Alem&atilde;o's complex of slums.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> TIC appropriation; peripheral groups; Ren&ecirc; Silva.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"o morro pede passagem"    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   (Tom Jobim e Vin&iacute;cius de Moraes)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pol&iacute;cia ocupa morro do Alem&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tla/v51n1/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia em que a manchete acima estampou a capa do jornal Folha de S&atilde;o Paulo, tropas da Pol&iacute;cia Militar do Estado do Rio de Janeiro, juntamente com as For&ccedil;as Armadas, invadiram o Complexo do Alem&atilde;o, conjunto formado por 13 diferentes comunidades<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a>, a fim de acabar com o dom&iacute;nio, sobre aquela &aacute;rea, dos traficantes do Comando Vermelho, uma das fac&ccedil;&otilde;es criminosas existentes no Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em fun&ccedil;&atilde;o da relev&acirc;ncia social de tal ato, o processo de ocupa&ccedil;&atilde;o, que se estendeu por cerca de 2 horas, dominou as not&iacute;cias daquele per&iacute;odo, tendo sido, portanto, amplamente divulgado. O Complexo do Alem&atilde;o era, ent&atilde;o, t&oacute;pico na TV, no r&aacute;dio, nos jornais impressos e, &eacute; claro, na Internet, que detalhava a a&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de seus in&uacute;meros portais de not&iacute;cias, redes sociais, <i>blogs</i> e <i>microblogs</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi justamente em um desses <i>microblogs</i>, o <i>Twitter</i><a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>, que, em meio ao contexto de a&ccedil;&atilde;o militar no morro e ampla promo&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica, um jovem passou a chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos outros usu&aacute;rios, os chamados "twitteiros". Ren&ecirc; Silva, 17 anos, morador do Morro do Adeus, uma das favelas que comp&otilde;em o Complexo do Alem&atilde;o, e idealizador do projeto "Voz da Comunidade", um pequeno jornal mensal que tem como p&uacute;blico-alvo os pr&oacute;prios habitantes da periferia, passou a relatar e divulgar a invas&atilde;o policial de dentro da favela e em tempo real. O <i>twitter</i> institucional de seu ve&iacute;culo, o @vozdacomunidade<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>, tornou-se reconhecido como fonte privilegiada de novas e instant&acirc;neas informa&ccedil;&otilde;es e, por isso, teve um salto em n&uacute;mero de seguidores (de 180 no in&iacute;cio da cobertura para 22.000 no auge da ocupa&ccedil;&atilde;o); os <i>twitters</i> pessoais da equipe de reda&ccedil;&atilde;o do jornal, composta, a saber, por Ren&ecirc; (@Rene_Silva_RJ) e mais dois amigos (@JackComunidade e @IgorComunidade), transformaram rapidamente esses menores an&ocirc;nimos em celebridades (su)perseguidas no mundo virtual. O "Voz da Comunidade" aumentou seu n&uacute;mero de seguidores, bem como passou a ser amplamente promovido pelos usu&aacute;rios do <i>Twitter</i>, sendo divulgado, inclusive, por algumas celebridades da grande m&iacute;dia, como atores e jornalistas.<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nesse contexto, considerando que "a distribui&ccedil;&atilde;o desigual de recursos materiais e as barreiras levantadas para o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o em certos contextos sociais de prest&iacute;gio historicamente sempre favoreceram os grupos economicamente privilegiados" (BRAGA, 2010, p. 374), que o percurso de Ren&ecirc; Silva, l&iacute;der do jornal, pode ser caracterizado como um caso de apropria&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias por parte de um sujeito pertencente &agrave; periferia do mercado de bens culturais, o que se configura como uma atitude de subvers&atilde;o das pr&aacute;ticas sociais hegem&ocirc;nicas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, levando em considera&ccedil;&atilde;o as novas possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o de sentido por meio das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a> (em especial, a Internet) e das m&uacute;ltiplas pr&aacute;ticas contempor&acirc;neas de letramento, este estudo de caso objetiva mostrar, com base em reportagens sobre Ren&ecirc; Silva e em declara&ccedil;&otilde;es que ele pr&oacute;prio concedeu em entrevistas<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>, como os sujeitos pertencentes aos grupos perif&eacute;ricos s&atilde;o capazes de se apropriar desses novos recursos a fim de promover uma coliga&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica (SOUZA-SANTOS, 2005), subvertendo, assim, a ordem vigente, valorizada e estabilizada pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. O PROCESSO DE APROPRIA&Ccedil;&Atilde;O DAS TIC: A SUBVERS&Atilde;O DA HEGEMONIA COMO INVEN&Ccedil;&Atilde;O DO COTIDIANO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao se pensar a apropria&ccedil;&atilde;o das TIC por parte de grupos perif&eacute;ricos e os in&uacute;meros letramentos que ela envolve, considerando que os sujeitos que os comp&otilde;em praticam um movimento de subvers&atilde;o e resist&ecirc;ncia diante das (im)posi&ccedil;&otilde;es do poder hegem&ocirc;nico, o trabalho de De Certeau (1980/2008) mostra-se produtivo no que tange a um embasamento cr&iacute;tico das complexidades envolvidas nesse processo. O autor acredita em um sujeito que lan&ccedil;a m&atilde;o de seus usos astuciosos no limiar entre a autonomia relativa aos determinantes de sua condi&ccedil;&atilde;o social e a passividade tangente &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es disciplinadoras da raz&atilde;o t&eacute;cnica, do poder majorit&aacute;rio vigente. O homem ordin&aacute;rio de De Certeau (1980/2008), diante dos in&uacute;meros enquadramentos sociais que lhe s&atilde;o impostos entre o aut&ocirc;nomo e o modelador, &eacute; "(...) Cada vez mais coagido e sempre menos envolvido por esses amplos enquadramentos, (...) se destaca deles sem poder escapar-lhes, e s&oacute; lhe resta a ast&uacute;cia no relacionamento com eles, 'dar golpes'" (1980/2008, p. 52). S&atilde;o esses movimentos de ast&uacute;cia na estrutura social, s&atilde;o esses "golpes" que marcam o sujeito perif&eacute;rico, ordin&aacute;rio, como indiv&iacute;duo a ser reprimido pelas for&ccedil;as dominantes e, simultaneamente, agente fortalecedor de resist&ecirc;ncias e lutas em dire&ccedil;&otilde;es contra-hegem&ocirc;nicas (BRAGA, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um fator relevante proveniente dessa ast&uacute;cia perif&eacute;rica &eacute; que, inusitadamente, embora esse homem ordin&aacute;rio esteja submetido a jogos de poder e discursos da raz&atilde;o que buscam fortemente exclu&iacute;-lo das pr&aacute;ticas sociais valorizadas, suas a&ccedil;&otilde;es inventivas e transgressoras ocorrem justamente no campo da hegemonia, do poder, da ordem t&eacute;cnica que acredita dominar os meios de organizar fun&ccedil;&otilde;es e pessoas. &Eacute;, pois, na trincheira desse opositor hegem&ocirc;nico, que ele conseguir&aacute; agir e resistir para democratizar os objetos sociais dominantes, hibrid&aacute;-los a fim de propor novos usos para os produtos que lhe s&atilde;o impostos, e isso inclui as diferentes e h&iacute;bridas pr&aacute;ticas de letramento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1.1. Reconhecendo as pr&aacute;ticas contempor&acirc;neas de letramento como h&iacute;bridas: os Novos Estudos do Letramento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O surgimento dos estudos iniciais sobre letramento se deu em fun&ccedil;&atilde;o do reconhecimento, por parte dos estudiosos de linguagem, da urg&ecirc;ncia de se separar as pesquisas e trabalhos sobre alfabetiza&ccedil;&atilde;o daqueles que visavam &agrave; an&aacute;lise cr&iacute;tica dos impactos sociais concernentes &agrave; escrita (KLEIMAN, 1995).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho que inaugurou os Novos Estudos do Letramento, <i>New Literacy Studies</i><a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a>, foi concebido por Street (1984 <i>apud</i> ROJO, 2009) justamente para marcar a dist&acirc;ncia existente entre o car&aacute;ter individual relativo aos alfabetismos e os in&uacute;meros usos e pr&aacute;ticas sociais de linguagem que caracterizam a circula&ccedil;&atilde;o contextualizada da escrita. Seriam, ent&atilde;o, dois os poss&iacute;veis enfoques regentes dos estudos de letramento: o aut&ocirc;nomo, ligado a aspectos majoritariamente cognitivos, independentes do contexto, e que, consequentemente, reconhecem os alfabetismos como habilidades capazes de hierarquizar os sujeitos; e o ideol&oacute;gico, que analisa a leitura e a escrita como pr&aacute;ticas necessariamente imersas nos contextos sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; ancorado nesse &uacute;ltimo enfoque, o ideol&oacute;gico, que Street (2003) reconhece a varia&ccedil;&atilde;o relativa &agrave;s pr&aacute;ticas de letramento em fun&ccedil;&atilde;o dos diferentes contextos. Segundo o autor,</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#91;pensar o letramento como pr&aacute;tica social&#93; implica o reconhecimento dos m&uacute;ltiplos letramentos, que variam no tempo e no espa&ccedil;o, mas que s&atilde;o tamb&eacute;m contestados nas rela&ccedil;&otilde;es de poder. Assim, os NLS n&atilde;o pressup&otilde;em coisa alguma como garantida em rela&ccedil;&atilde;o aos letramentos e &agrave;s pr&aacute;ticas sociais com que se associam, problematizando aquilo que conta como letramento em qualquer tempo-espa&ccedil;o e interrogando-se sobre 'quais letramentos' s&atilde;o dominantes e quais s&atilde;o marginalizados ou de resist&ecirc;ncia (STREET, 2003, p.77).<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a></blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir desse reconhecimento, o conceito de letramento passa a ser pensado de modo plural: ao inv&eacute;s de letramento, letramentos. Uma postura de an&aacute;lise cr&iacute;tica tamb&eacute;m se faz indispens&aacute;vel para "o trato &eacute;tico dos discursos em uma sociedade saturada de textos e que n&atilde;o pode lidar com eles de maneira instant&acirc;nea" (MOITA-LOPES e ROJO, 2004 <i>apud</i> ROJO, 2009, p. 108), pois, imersas nas rela&ccedil;&otilde;es de poder, as diversas pr&aacute;ticas e, portanto, os diferentes letramentos, s&atilde;o determinantemente influenciados pela contemporaneidade, a qual, por sua vez, &eacute; marcada pela intensifica&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, pelo encurtamento das dist&acirc;ncias espa&ccedil;o-tempo e pelas multissemioses caracter&iacute;sticas das rela&ccedil;&otilde;es texto-hiperm&iacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atitude de admitir, ent&atilde;o, m&uacute;ltiplos letramentos, plurais e cr&iacute;ticos, como &eacute; poss&iacute;vel inferir de Street (2003), tamb&eacute;m nos leva a pensar que as pr&aacute;ticas atuais que envolvem leitura e escrita, quando analisadas no contexto das TIC, hibridam-se, misturam-se, interpenetram-se, amalgamam-se a fim de conseguir dar conta das complexidades impostas pela contemporaneidade. Fazendo isso, elas enfraquecem a resist&ecirc;ncia do hegem&ocirc;nico na medida em que lhe imp&otilde;em instabilidade, o que, consequentemente, permite que os sujeitos perif&eacute;ricos consigam se destacar em meio ao cartesianismo for&ccedil;ado pelos grupos de poder nas pr&aacute;ticas cotidianas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, no que tange &agrave; relev&acirc;ncia das TIC em meio &agrave;s pr&aacute;ticas h&iacute;bridas, a complexa gama de implica&ccedil;&otilde;es decorrentes dessa nova din&acirc;mica </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> revela que as intera&ccedil;&otilde;es das novas tecnologias com a cultura anterior as torna parte de um processo muito maior do que aquele que elas desencadearam ou manejam. Uma dessas transforma&ccedil;&otilde;es de longa data, que a interven&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica torna mais patente, &eacute; a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos entre grupos e sistemas simb&oacute;licos; os descolecionamentos e as hibrida&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o permitem vincular rigidamente as classes sociais com os estratos culturais. (...) a tend&ecirc;ncia predominante &eacute; que todos os setores misturem em seus gostos objetos de proced&ecirc;ncias antes separadas. (GARCIA-CANCLINI, 2008, 309).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, como afirma o mesmo Garc&iacute;a-Canclini (2008), considerando que essa <i>cultura anterior</i> envolve as pr&aacute;ticas de leitura e escrita anteriores aos adventos digitais, n&atilde;o se trata de defender que a circula&ccedil;&atilde;o, mais fluida e complexa, proporcionada pelas TIC, tenha dado fim &agrave;s fronteiras que determinam as diverg&ecirc;ncias sociais; mas, por outro lado, uma nova forma de analisar a (re)organiza&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio de consumo dos bens culturais, relevando o fato de que a hibrida&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas outrora separadas &eacute; recorrente, faz-se urgente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais uma vez, o trabalho de De Certeau (1980/2008) imp&otilde;e-se como fundamental para a an&aacute;lise proposta. N&atilde;o bastasse a descri&ccedil;&atilde;o do sujeito ordin&aacute;rio, agente transgressor componente dos grupos perif&eacute;ricos, o autor tamb&eacute;m ir&aacute; propor uma esp&eacute;cie de teoria formal que visa a detalhar o <i>modus operandi</i>, as maneiras de fazer dos sujeitos exclu&iacute;dos, reconhecendo a necessidade de que essas pr&aacute;ticas sociais sejam problematizadas, criticamente analisadas, segundo seu car&aacute;ter de subvers&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas valorizadas, longe das exalta&ccedil;&otilde;es cab&iacute;veis a uma <i>cultura popular</i> ou a uma bandeira de resist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1.2. A rede de conceitos certeaunianos para a apropria&ccedil;&atilde;o anti-hegem&ocirc;nica: o uso diante do lugar das estrat&eacute;gias e do n&atilde;o-lugar das t&aacute;ticas<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme destaca Buzato (2007), a busca fundamental de De Certeau (1980/2008) com seus modelos anal&iacute;ticos, mais do que fazer uma colet&acirc;nea de pr&aacute;ticas, seria "caracterizar as trajet&oacute;rias dos praticantes, entender as s&eacute;ries de opera&ccedil;&otilde;es encadeadas em sequ&ecirc;ncias temporais, e seguir a circula&ccedil;&atilde;o social dos fragmentos de conhecimento privado entre amigos, parentes, vizinhos e colegas de trabalho" (GIARD, 2003 <i>apud</i> BUZATO, 2007, p. 47). Por isso, trata-se de conceitos flex&iacute;veis - e n&atilde;o de um modelo estrito -, que, al&eacute;m de permitir aplica&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas, s&atilde;o capazes de servir de inspira&ccedil;&atilde;o para a an&aacute;lise cr&iacute;tica da apropria&ccedil;&atilde;o das TIC por parte de sujeitos perif&eacute;ricos, o que envolve, por conseguinte, o contato com diversos letramentos circulantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, da complexa rede de conceitos de De Certeau (1980/2008) que buscam compreender a produ&ccedil;&atilde;o do cotidiano por parte dos sujeitos marginalizados, merecem destaque os de <i>produtores</i> e <i>consumidores, estrat&eacute;gias</i> e <i>t&aacute;ticas, lugar</i> e <i>espa&ccedil;o</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1.2.1. Produtores e consumidores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; poss&iacute;vel extrair, das ideias de De Certeau (1980/2008), que o <i>consumo</i>, embora requeira certa carga de passividade, n&atilde;o &eacute; s&oacute; por ela caracterizado. Ora, isso &eacute; tanto verdade na medida em que um sujeito, quando consome uma mercadoria, ao mesmo tempo em que assim age por estar subordinado (e, portanto, passivo) a um sistema fortemente disciplinador que o obriga a consumir, ele, a partir desse ato, tamb&eacute;m faz um <i>uso</i> espec&iacute;fico do produto, o que marca sua atividade nesse processo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>uso</i> &eacute;, dessa forma, a a&ccedil;&atilde;o fundamental para que um sujeito possa ser caracterizado como consumidor ou produtor. N&atilde;o se trata de estabelecer uma diferen&ccedil;a entre quem <i>produz</i> ou n&atilde;o, mas sim de analisar criticamente o <i>uso</i> que &eacute; feito dos produtos sociais: de um lado, h&aacute; os sujeitos que o fazem de forma racional, centralizada, estrategicamente a fim de metaforizar a ordem vigente; de outro, os que usam de modo astucioso, descentralizado, colocando em a&ccedil;&atilde;o suas t&aacute;ticas de forma dispersa e, dessa forma, empregando, de acordo com seus interesses, aquilo que &eacute; imposto pela ordem dominante (BUZATO 2007, p. 50).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; de se imaginar, no entanto, que a complexidade das rela&ccedil;&otilde;es que marcam a din&acirc;mica social faz com que o posicionamento<i> produtor-consumidor</i> seja relativo, ou seja, que varie de acordo com os contextos. Isso implica o entendimento de que um mesmo sujeito, <i>consumidor</i> em uma determinada situa&ccedil;&atilde;o, pode ser <i>produto</i>r em outra. Dessa forma, analisar as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a envolvidas nos processos cotidianos de produ&ccedil;&atilde;o social e, portanto, de apropria&ccedil;&atilde;o, &eacute; indispens&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1.2.2. Estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas; lugar e espa&ccedil;o</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando o processo de <i>apropria&ccedil;&atilde;o</i> como um "golpe" aplicado por meio do uso dos bens culturais caracter&iacute;sticos da ordem dominante, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer que ele "deriva num relevo imposto" (DE CERTEAU, 1980/2008, p. 97), ou seja, ocorre marcado pelas determina&ccedil;&otilde;es da ordem vigente. Nesse contexto, os conceitos utilizados por De Certeau (1980/2008) para pensar as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a que caracterizam as din&acirc;micas da produ&ccedil;&atilde;o cotidiana s&atilde;o concebidos ou como <i>estrat&eacute;gia</i>, ou como <i>t&aacute;tica</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o autor, <i>estrat&eacute;gia</i> &eacute;</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> o c&aacute;lculo (ou a manipula&ccedil;&atilde;o) das rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;as que se torna poss&iacute;vel a partir do momento em que um sujeito de querer e poder (uma empresa, um ex&eacute;rcito, uma cidade, uma institui&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica) pode ser isolado. A <i>estrat&eacute;gia</i> postula um <i>lugar</i> suscet&iacute;vel de ser circunscrito como <i>algo pr&oacute;prio</i> e ser a base de onde se podem gerir as rela&ccedil;&otilde;es com uma <i>exterioridade</i> de alvos e amea&ccedil;as. (2008, p. 99).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, a <i>estrat&eacute;gia</i> implica sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a, estabilidade que pressup&otilde;e uma esp&eacute;cie de encistamento cuja casca protege o sujeito dos poderes opressores, por&eacute;m invis&iacute;veis, do Outro. Consequentemente, al&eacute;m de permitir o estabelecimento de um <i>pr&oacute;prio</i>, um triunfo sobre o tempo que implica autonomia, ela se configura como uma vis&atilde;o antecipada, uma <i>pr&aacute;tica pan&oacute;ptica</i> a partir de um <i>lugar</i> que, tal como a estrat&eacute;gia exige, privilegia a possibilidade de prever adversidades. &Eacute; por isso, ent&atilde;o, que De Certeau afirma que, no <i>lugar</i>, "impera a lei do <i>pr&oacute;prio</i>: os elementos considerados se acham uns <i>ao lado</i> dos outros, situados num lugar 'pr&oacute;prio' e distinto que define. (...) Implica uma indica&ccedil;&atilde;o de estabilidade" (1980/2008, p. 201).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a <i>estrat&eacute;gia</i> se define pela seguran&ccedil;a, a <i>t&aacute;tica</i>, por sua vez, ocorre justamente no <i>lugar</i> do outro, um <i>n&atilde;o-lugar</i> marcado pela instabilidade. Arte caracterizadora da ast&uacute;cia do marginalizado, ela &eacute;</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> a a&ccedil;&atilde;o calculada que &eacute; determinada pela aus&ecirc;ncia de um pr&oacute;prio. Ent&atilde;o nenhuma delimita&ccedil;&atilde;o de fora lhe fornece a condi&ccedil;&atilde;o de autonomia. (...) &#91;Ela&#93; deve jogar com o terreno do outro que lhe &eacute; imposto tal como o organiza a lei de uma for&ccedil;a estranha. (...) Ela opera golpe por golpe, lance por lance. Aproveita as 'ocasi&otilde;es' e delas depende, sem base para estocar benef&iacute;cios, aumentar a propriedade e prever sa&iacute;das. (...) Tem que utilizar, vigilante, as falhas que as conjunturas particulares v&atilde;o abrindo na vigil&acirc;ncia do poder propriet&aacute;rio. A&iacute; vai ca&ccedil;ar. Cria ali surpresas. Consegue estar onde ningu&eacute;m espera. &Eacute; ast&uacute;cia. (DE CERTEAU, 1980/2008, p. 100).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, sucintamente, a <i>t&aacute;tica</i> aproveita as ocasi&otilde;es e delas depende, na medida em que se aproveita das lacunas camufladas pela suposta homogeneidade de um sistema. Pode ser considerada recurso-limite, ast&uacute;cia poss&iacute;vel e pertinente ao sujeito marginalizado diante da ocasi&atilde;o oportuna; &eacute; "movimento 'dentro do campo de vis&atilde;o do inimigo' (...) e no espa&ccedil;o por ele controlado" (DE CERTEAU, 1980/2008, p. 100). Esse <i>espa&ccedil;o</i> da t&aacute;tica, pois, &eacute; marcado pela instabilidade, &eacute; "efeito produzido pelas opera&ccedil;&otilde;es que o orientam, o circunstanciam, o temporalizam e o levam a funcionar em unidade polivalente de programas conflituais ou de proximidades contratuais" (DE CERTEAU, 1980/2008, p. 202), &eacute; marcado pelo apagamento da estabilidade de um pr&oacute;prio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O modelo de <i>estrat&eacute;gias</i> e <i>t&aacute;ticas</i>, dessa forma, permite que o sujeito marginalizado, a despeito das barreiras impostas pelo poder hegem&ocirc;nico, consiga se apropriar de letramentos valorizados, o que inclui, consequentemente, o uso das TIC. &Eacute; nesse embate entre a seguran&ccedil;a do lugar estrat&eacute;gico e a ousadia do espa&ccedil;o t&aacute;tico que ele conseguir&aacute; "dar o golpe". O caso a ser analisado em seguida procura entender o percurso de apropria&ccedil;&atilde;o do "golpista" Ren&ecirc; Silva, que assistiu &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o do Morro do Alem&atilde;o ocupando-se do poder de subvers&atilde;o das novas tecnologias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. OCUPA&Ccedil;&Atilde;O E APROPRIA&Ccedil;&Atilde;O: REN&Ecirc; SILVA E SEUS "GOLPES" DA VEZ</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ren&ecirc; Silva, jovem do morador do Morro do Adeus, twitou em tempo real a invas&atilde;o da pol&iacute;cia ao Complexo do Alem&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tla/v51n1/a14fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa manchete do jornal "O Globo" deixa claro que Ren&ecirc; Silva, um jovem habitante da periferia carioca, conseguiu aplicar seu golpe, dobrar o poder hegem&ocirc;nico ao fazer uso das TIC e se tornar o informante privilegiado de fatos ocorridos durante a tomada do Complexo do Alem&atilde;o pelos militares. Reconhecido isso, importante &eacute; entender, com apoio nos conceitos de De Certeau (1980/2008), de que forma se deu esse processo de apropria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.1. Estrat&eacute;gias: a relev&acirc;ncia de variados letramentos para a prepara&ccedil;&atilde;o do "golpista"<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O destaque conseguido por Ren&ecirc; Silva<a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a> em meio &agrave; circula&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica de discursos, o que envolve algumas pr&aacute;ticas valorizadas de diferentes letramentos, n&atilde;o foi conseguido, &eacute; claro, de forma aleat&oacute;ria. Isso significa que ele j&aacute; dominava, antes da ocupa&ccedil;&atilde;o do morro, <i>estrat&eacute;gias</i> importantes, as quais, ao passo que garantiam sua estabilidade e seguran&ccedil;a frente &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder, serviriam posteriormente como embasamento para a a&ccedil;&atilde;o <i>t&aacute;tica</i> no terreno do Outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma primeira estrat&eacute;gia pode ser reconhecida na participa&ccedil;&atilde;o de Ren&ecirc; Silva no jornal de sua escola. Ele admite esse primeiro contato como a grande inspira&ccedil;&atilde;o para que ele conseguisse expandir suas pr&aacute;ticas de letramento para al&eacute;m dos muros de sua escola: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R1</b> A ideia surgiu quando eu resolvi participar do jornal escolar, na escola municipal onde eu estudava. E eu participei do jornal escolar, aprendi a usar o computador, aprendi a tirar foto, aprendi a fazer o jornal escolar. Depois de um m&ecirc;s, mais ou menos, eu tive uma ideia assim de, poxa, por que n&atilde;o criar um jornal pra dentro da comunidade, com o apoio da escola, tirando os x&eacute;rox, fazendo tudo, n&eacute;. E a&iacute; eu conversei com a diretora e a diretora achou super boa a ideia e a&iacute; incentivou, "vamos fazer, sim".</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando que o jornal envolve a pr&aacute;tica de diferentes letramentos e que se configura como manifesta&ccedil;&atilde;o de grande m&iacute;dia, &eacute; imposs&iacute;vel negar que houve um contato do jovem, justamente por meio das pr&aacute;ticas de letramento escolar, com g&ecirc;neros textuais de elite. O folhetim da escola era, dessa forma, uma representa&ccedil;&atilde;o, em pequeno contexto, dos grandes jornais que veiculam, por meio de diferentes e valorizados g&ecirc;neros, as informa&ccedil;&otilde;es que interessam ao poder letrado. Trata-se, pois, de um descolecionamento, uma hibrida&ccedil;&atilde;o que permitiu que um jovem marginalizado tivesse contato com pr&aacute;ticas letradas hegem&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o fato de ter sido na escola o contato de Ren&ecirc; com o jornal n&atilde;o implicou que ele restringisse suas formas de fazer sentido &agrave;s pr&aacute;ticas de letramento escolar. Ele come&ccedil;ou, ent&atilde;o, a diversificar suas m&iacute;dias e, assim, lidar com outras tantas pr&aacute;ticas de letramento que viabilizavam a&ccedil;&otilde;es pertinentes ao contexto de produ&ccedil;&atilde;o de um jornal, como a manipula&ccedil;&atilde;o de programas de computador para fazer a diagrama&ccedil;&atilde;o, o uso de m&aacute;quinas de x&eacute;rox para a impress&atilde;o das edi&ccedil;&otilde;es e o levantamento de fontes de pesquisa para a sele&ccedil;&atilde;o dos textos e temas a compor um n&uacute;mero:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R2</b> &#91;tive&#93; todo suporte na &aacute;rea de tirar x&eacute;rox, de fazer impress&atilde;o, de organizar, e eu fui aprendendo a usar o computador, o programa Word, que eu usava no come&ccedil;o (...) Eu seleciono as not&iacute;cias fazendo o seguinte, &eacute;... atrav&eacute;s da Internet, do Twitter... t&ocirc; bem atualizado, n&eacute;. Atrav&eacute;s do Twitter, eu consigo fazer a pesquisa com as pessoas dizendo "quais assuntos eu devo abordar este m&ecirc;s".</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse trecho, &eacute; claro o uso de diferentes letramentos, pr&aacute;ticas h&iacute;bridas, plurais e cr&iacute;ticas, t&atilde;o pertinente ao contexto das TIC. Inicialmente com o uso do editor de textos <i>Word</i> e, <i>a posteriori</i>, gra&ccedil;as ao advento da <i>Internet</i>, o jovem conseguiu munir-se de diferentes recursos para buscar informa&ccedil;&otilde;es, fatos a serem comentados ou noticiados, e para organizar estruturalmente o pr&oacute;prio jornal a ser impresso. N&atilde;o bastasse, a mesma ferramenta que ele usa como fonte de informa&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m &eacute; usada como instrumento de intera&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico do jornal, como ele denota ao citar o <i>Twitter</i> como instrumento de intera&ccedil;&atilde;o que exp&otilde;e a opini&atilde;o dos "seguidores-leitores". Em suma, s&atilde;o multiletramentos que permitem multissemioses (COPE;  KALANTZIS, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; que se ressaltar, ainda, que o uso da <i>Internet</i> e os multiletramentos s&atilde;o fundamentais para as iniciativas de localiza&ccedil;&atilde;o assumida (SOUZA-SANTOS, 2005) colocadas em pr&aacute;tica por Ren&ecirc;. No entanto, ele n&atilde;o usa as m&iacute;dias simplesmente como forma de resist&ecirc;ncia local em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hegemonia; trata-se tanto de uma sociabilidade cooperativa e participativa que promove intera&ccedil;&atilde;o em contexto marginalizado, como &eacute; uma tentativa de divulgar globalmente seu local, de "dar voz ao morro":</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R3</b> (...)tem a coluna "Empreendedores da Comunidade", que eu criei, tive a ideia de criar, que conta a hist&oacute;ria de cada morador que investiu em um projeto dentro da comunidade, criou uma empresa, dono de um bar, entendeu, e eu conto a hist&oacute;ria. Tem uma coluna chamada "Da comunidade para o Brasil", que s&atilde;o pessoas com talentos, cantores, que t&ecirc;m alguma coisa pra mostrar pra fora, entendeu, e a&iacute; atrav&eacute;s (...) dessa intera&ccedil;&atilde;o com a Internet, eu consigo montar o jornal e discutir quais assuntos devem entrar ou n&atilde;o.</blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os relatos anteriores, portanto, exp&otilde;em o <i>lugar</i> marcado por Ren&ecirc; Silva para conseguir estabilidade, para tornar-se sujeito de querer e poder, e d&atilde;o destaque &agrave;s <i>estrat&eacute;gias</i> por ele desenvolvidas (DE CERTEAU, 1980/2008). Esse movimento cartesiano se torna ainda mais verdade na medida em que a entrevista &eacute; de data anterior &agrave;s a&ccedil;&otilde;es militares na periferia do Rio de Janeiro. &Eacute; importante, ent&atilde;o, mostrar como a invas&atilde;o ao morro do Alem&atilde;o foi a oportunidade ideal para que Ren&ecirc;, seguro em suas estrat&eacute;gias, colocasse suas <i>t&aacute;ticas</i> em a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.2. T&aacute;ticas: a vez de Ren&ecirc; Silva na trincheira do Outro<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o jovem tenha afirmado que n&atilde;o esperava tamanha repercuss&atilde;o, por parte da grande m&iacute;dia, sobre sua atua&ccedil;&atilde;o, a ocupa&ccedil;&atilde;o militar do Complexo do Alem&atilde;o foi o acontecimento que projetou Ren&ecirc; Silva como sujeito a ser valorizado pelos grupos de poder. Notadamente, esse acontecimento se configurou como a oportunidade perfeita para que ele, ancorado em suas estrat&eacute;gias, conseguisse aplicar suas <i>t&aacute;ticas</i> em um movimento desestabilizador da ordem hegem&ocirc;nica, representada, nesse contexto, pelos grandes ve&iacute;culos de m&iacute;dia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No seguinte depoimento, ele exp&otilde;e como come&ccedil;ou a cobrir os acontecimentos da a&ccedil;&atilde;o militar:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R4</b> Comecei postando do meu Twitter pessoal, e meus seguidores falaram que era melhor twittar do perfil do jornal, que representava melhor a comunidade. Comecei a escrever em tempo real o que estava acontecendo ao meio-dia de s&aacute;bado e fiquei at&eacute; 2h da manh&atilde; de ontem. Fui deitar, mas, se ouvia um cada (sic) disparo, me levantava para twittar. N&atilde;o imaginava que ia causar tanta repercuss&atilde;o.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo essa declara&ccedil;&atilde;o, a ideia de usar o <i>twitter</i> institucional, o @vozdacomunidade, foi de um dos seguidores iniciais de Ren&ecirc; Silva, que j&aacute; conheciam o jornal e as iniciativas do jovem. Foi atrav&eacute;s desse usu&aacute;rio que disparos, a&ccedil;&otilde;es militares dentro da favela, atitudes de resist&ecirc;ncia por parte dos traficantes e manifesta&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es dos moradores das comunidades foram divulgados na Internet, em tempo real.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale ressaltar que, mesmo diante da ideia de postar por meio do <i>twitter</i> do jornal, tamb&eacute;m houve manifesta&ccedil;&otilde;es importantes atrav&eacute;s dos <i>twitters</i> pessoais da equipe do "Voz da Comunidade", composta por dois jovens colegas de Ren&ecirc;. Igor, um deles, twittou "os traficantes jogaram uma granada nos policiais!!! tenso" e "Um carro de bombeiros acabou de chegar pr&oacute;ximo a (<i>sic</i>) rua Joaquim de Queiroz, na grota!!!", detalhando algumas das a&ccedil;&otilde;es que ocorreram no morro na noite da invas&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de esses jovens estarem imersos no contexto da ocupa&ccedil;&atilde;o fez com que eles se tornassem um canal privilegiado de informa&ccedil;&otilde;es sobre o andamento dos acontecimentos no morro. Foram, dessa forma, equiparados aos maiores ve&iacute;culos da grande imprensa, fossem eles jornais impressos, televisionados, ou portais da Internet, mas com diferenciais que os destacavam de todas as outras manifesta&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas, como a realidade decorrente do contexto de produ&ccedil;&atilde;o dos <i>tweets</i> e o conhecimento acerca do espa&ccedil;o ocupado, justamente por serem moradores da &aacute;rea invadida. Isso fez com que, em v&aacute;rios momentos, eles respondessem a d&uacute;vidas postadas pelos internautas sobre fatos como a possibilidade de os bandidos estarem usando civis como ref&eacute;ns, ou sobre o que retratavam imagens transmitidas pela televis&atilde;o e pela Internet:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tla/v51n1/a14fig03.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em alguns momentos, inclusive, o "Voz da Comunidade" chegou a corrigir informa&ccedil;&otilde;es noticiadas pela grande m&iacute;dia, como mostra a declara&ccedil;&atilde;o a seguir:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R5</b> &Agrave;s vezes, a gente at&eacute; corrigia algumas informa&ccedil;&otilde;es dadas na tev&ecirc;, como as &aacute;reas que os helic&oacute;pteros estavam sobrevoando, porque n&oacute;s conhecemos melhor a comunidade.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A repercuss&atilde;o da cobertura feita pelo "Voz da Comunidade" tornou-se ainda maior quando algumas celebridades, como o jornalista Marcelo Tas, a atriz Fernanda Paes Leme, a novelista Gl&oacute;ria Perez e a cantora Gal Costa elogiaram, em seus <i>twitters</i>, a cobertura feita pelos jovens. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamanha repercuss&atilde;o alcan&ccedil;ada pelo "Voz da Comunidade", mais especificamente, por seu idealizador, fez, inclusive, com que Ren&ecirc;, em alguns momentos, passasse a dar declara&ccedil;&otilde;es de autoridade, n&atilde;o mais meramente informativas. Firmando-se, pois, como pessoa que vivia a ocupa&ccedil;&atilde;o da forma como nenhum espectador, ou mesmo jornalista, o fazia, ele chegou a dar declara&ccedil;&otilde;es &agrave; imprensa sobre o que ele esperava que a opera&ccedil;&atilde;o fosse gerar:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <b>R6</b> N&atilde;o senti medo, pois j&aacute; estou acostumado. Mas espero agora descansar, n&atilde;o ouvir mais disparos de tiros e que haja mudan&ccedil;as.</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse momento, ent&atilde;o, o "golpe" se esclarece: o jovem faz da ocupa&ccedil;&atilde;o do Complexo do Alem&atilde;o seu momento de agir taticamente. Agora, Ren&ecirc; &eacute; sujeito que se apropriou de bens culturais da elite e, por meio deles, fez ecoar a sua voz. Ele se dirige ao grupo hegem&ocirc;nico, age discursivamente no lugar do inimigo, a fim de clamar por mudan&ccedil;as: ele quer descansar sem ser acordado pelo barulho de tiros; ele n&atilde;o quer estar acostumado &agrave; viol&ecirc;ncia; ele tamb&eacute;m quer a paz, que parece ser um anseio e um direito somente dos grupos de poder. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo diante da admiss&atilde;o do fato de que os processos de estrutura&ccedil;&atilde;o social imp&otilde;em barreiras que sempre favoreceram os grupos hegem&ocirc;nicos (BRAGA, 2010), os marginalizados conseguem, por meio de suas a&ccedil;&otilde;es, se apropriar de bens culturais caracter&iacute;sticos da elite. Esse processo de apropria&ccedil;&atilde;o se d&aacute;, &agrave; luz de De Certeau (1980/2008), segundo o uso de estrat&eacute;gias, pr&oacute;prias e est&aacute;veis, que permitem que t&aacute;ticas, inst&aacute;veis e deslocadoras da ordem racional vigente, sejam colocadas em a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As TIC, dessa forma, configuram-se como bens culturais, feitos por e para a elite, que habilitam os grupos perif&eacute;ricos a fazerem apropria&ccedil;&otilde;es no equil&iacute;brio imposto pelos grupos de poder. Nesse sentido, o caso de Ren&ecirc; Silva &eacute; exemplar,  na medida em que, al&eacute;m de denotar estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas sendo postas em a&ccedil;&atilde;o, demonstra que elas s&atilde;o marcadas pelos letramentos m&uacute;ltiplos, plurais e h&iacute;bridos, t&atilde;o produtivos no que tange a diferentes formas de fazer sentido. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O jovem do morro do Alem&atilde;o, que se define como sujeito que est&aacute; onde a imprensa n&atilde;o entra, &eacute; exemplo claro de ataque direto &agrave; linearidade do poder hegem&ocirc;nico e, portanto, de apropria&ccedil;&atilde;o bem sucedida. Ele prova, pois, que n&atilde;o se trata de fazer demais: os perif&eacute;ricos, quando t&ecirc;m oportunidade, ancoram-se em suas estrat&eacute;gias e colocam suas t&aacute;ticas em a&ccedil;&atilde;o a fim de subverter a ordem cartesiana. O canto de Ren&ecirc; Silva &eacute; pela voz, pela vez do morro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRAGA, D. B. (2010) Tecnologia e participa&ccedil;&atilde;o social no processo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo de bens culturais: novas possibilidades trazidas pelas praticas letradas digitais mediadas pela Internet. <i>Trabalhos em Lingu&iacute;stica Aplicada,</i> Campinas, v. 49, n. 2, p. 373-391.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0103-1813201200010001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BUZATO, M. E. K. (2007) <i>Entre a fronteira e a periferia: linguagem e letramento na inclus&atilde;o digital.</i> Tese de Doutorado em Lingu&iacute;stica Aplicada. Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp. Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0103-1813201200010001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COPE, B.; KALANTZIS, M. (2009) Multiliteracies: new literacies, new learning. In: <i>Pedagogies, an International Journal</i>. Singapore, v. 4, p. 164-195.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0103-1813201200010001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DE CERTEAU, M. (1980) <i>A inven&ccedil;&atilde;o do cotidiano - Artes de fazer.</i> 14ª ed., tradu&ccedil;&atilde;o de Ephraim Ferreira Alves. Petr&oacute;polis: Vozes, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0103-1813201200010001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FOLHA DE S&Atilde;O PAULO. (2010) <i>Pol&iacute;cia ocupa Morro do Alem&atilde;o</i>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://acervo.folha.com.br/fsp/2010/11/29/2" target="_blank">http://acervo.folha.com.br/fsp/2010/11/29/2</a>&gt;. Acesso em: 24 de junho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0103-1813201200010001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GARC&Iacute;A-CANCLINI, N. (2008) Culturas h&iacute;bridas, poderes obl&iacute;quos. In: GARC&Iacute;A-CANCLINI, N. (Org.). <i>Culturas h&iacute;bridas: estrat&eacute;gias para entrar e sair da modernidade,</i> 4. ed., 4. reimpr. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0103-1813201200010001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KLEIMAN, A. B. (1995) Modelos de letramento e as pr&aacute;ticas de alfabetiza&ccedil;&atilde;o na escola. In: KLEIMAN, A. B. (Org.) <i>Os significados do letramento: uma nova perspectiva na sobre a pr&aacute;tica social da escrita.</i> Campinas: Mercado de Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0103-1813201200010001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GLOBO. (2010) <i>Ren&ecirc; Silva, jovem do (sic) morador do Morro do Adeus, twittou em tempo real a invas&atilde;o da pol&iacute;cia ao Complexo do Alem&atilde;o</i>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<u><a href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/11/28/rene-silva-jovem-do-morador-do-morro-do-adeus-twittou-em-tempo-real-invasao-da-policia-ao-complexo-do-alemao-923134429.asp" target="_blank">http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/11/28/rene-silva-jovem-do-morador-do-morro-do-adeus-twittou-em-tempo-real-invasao-da-policia-ao-complexo-do-alemao-923134429.asp</a></u>&gt;. Acesso em: 07 de julho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0103-1813201200010001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROJO, R. (2009) <i>Letramentos m&uacute;ltiplos, escola e inclus&atilde;o social.</i> S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0103-1813201200010001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOUZA-SANTOS, B. de. (2005) Os processos da globaliza&ccedil;&atilde;o. In: SOUZA-SANTOS, B. de (Org.) <i>A globaliza&ccedil;&atilde;o e as ci&ecirc;ncias sociais.</i> S&atilde;o Paulo: Cortez, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0103-1813201200010001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">STREET, B. (2003) What's new in New Literacy Studies? Critical approaches to literacy in theory and practice. In: <i>Current Issues in Comparative Education.</i> Columbia, v. 5, n. 2, p. 77-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0103-1813201200010001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido: 6/09/2011    <br>   Aceito: 24/01/2012</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a>. Informa&ccedil;&atilde;o extra&iacute;da do site da ONG Ra&iacute;zes em Movimento. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://raizesemmovimento.blogspot.com/search/label/4%20-%20Onde%20estamos" target="_blank">http://raizesemmovimento.blogspot.com/search/label/4%20-%20Onde%20estamos</a>&gt;. Acesso em: 24 de junho de 2011.    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a>. Criado em 2006 por Jack Dorsey, o <i>Twitter</i> &eacute; uma rede social e <i>microblog</i> gratuito cuja principal fun&ccedil;&atilde;o &eacute; permitir a troca, entre seus usu&aacute;rios, de atualiza&ccedil;&otilde;es pessoais contidas em, no m&aacute;ximo, 140 caracteres. Para maiores informa&ccedil;&otilde;es, consultar &lt;<a href="http://twitter.com/about" target="_blank">http://twitter.com/about</a>&gt;. Acesso em: 03 de julho de 2011.    <br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a>. No <i>Twitter</i>, o nome de usu&aacute;rio &eacute; precedido pelo "@" e as pessoas que acompanham as postagens dos muitos usu&aacute;rios s&atilde;o chamadas de "seguidores".    <br>   <a name="4a"></a><a href="#4b">4</a>. Informa&ccedil;&otilde;es baseadas na reportagem "Ren&ecirc; Silva, jovem do <i>(sic)</i> morador do Morro do Adeus, twittou em tempo real a invas&atilde;o da pol&iacute;cia ao Complexo do Alem&atilde;o", do portal "O Globo" de 29 de novembro de 2010; e na transcri&ccedil;&atilde;o de uma entrevista concedida por Ren&ecirc; Silva &agrave; TV Gama, divulgada via YouTube no dia 3 de outubro de 2010.    <br>   <a name="5a"></a><a href="#5b">5</a>. Doravante, TIC.    <br>   <a name="6a"></a><a href="#6b">6</a>. Declara&ccedil;&otilde;es extra&iacute;das especificamente da reportagem e da transcri&ccedil;&atilde;o mencionadas na nota 5.    <br>   <a name="7a"></a><a href="#7b">7</a>. A sigla NEL &eacute; v&aacute;lida, bem como NLS.    <br>   <a name="8a"></a><a href="#8b">8</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o extra&iacute;da de Rojo (2009, p. 102).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="9a"></a><a href="#9b">9</a>. Conceitos destacados no texto original de De Certeau (1980/2008) s&atilde;o, nesta divis&atilde;o, colocados em it&aacute;lico.    <br>   <a name="10a"></a><a href="#10b">10</a>. Nessa subdivis&atilde;o, as transcri&ccedil;&otilde;es de R1 a R3 foram retiradas da entrevista concedida por Ren&ecirc; Silva &agrave; TV Gama, divulgada via YouTube no dia 3 de outubro de 2010.    <br>   <a name="11a"></a><a href="#11b">11</a>. Doravante, nos trechos de entrevista e declara&ccedil;&otilde;es, Ren&ecirc; Silva ser&aacute; representado como "R".    <br>   <a name="12a"></a><a href="#12b">12</a>. Nessa subdivis&atilde;o, as declara&ccedil;&otilde;es de R4 a R6 e os trechos de reportagem foram retirados da mat&eacute;ria "Ren&ecirc; Silva, jovem do (<i>sic</i>) morador do Morro do Adeus, twittou em tempo real a invas&atilde;o da pol&iacute;cia ao Complexo do Alem&atilde;o", publicada no portal "O Globo" do dia 29 de Novembro de 2010.</font></p>      ]]></body><back>
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