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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Entrevista com    Charles Tilly</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Angela Alonso;    Nadya Araujo Guimar&atilde;es</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Charles Tilly &eacute;    um dos grandes nomes contempor&acirc;neos da sociologia, autor de cerca de trinta    livros, entre os quais v&aacute;rios cl&aacute;ssicos em sociologia hist&oacute;rica,    atestados pelos muitos pr&ecirc;mios e distin&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas    que lhes foram conferidos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tilly trabalha    com amplo espectro de temas e quest&otilde;es: forma&ccedil;&atilde;o dos estados    nacionais, transforma&ccedil;&otilde;es macroestruturais, metodologia, al&eacute;m    de ser refer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria para os estudiosos das mobiliza&ccedil;&otilde;es    coletivas e para os adeptos da sociologia hist&oacute;rica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em v&aacute;rios    desses assuntos, Tilly atuou como destruidor de mitos, como no caso de seu combate    &agrave; teoria da moderniza&ccedil;&atilde;o, em <I>From mobilization to revolution</I>,    de 1978; de sua nova interpreta&ccedil;&atilde;o das turbul&ecirc;ncias pol&iacute;ticas    europ&eacute;ias (<I>The contentious French</I>, 1986; <I>European revolutions</I>,    1992; <I>Popular contention in Great Britain</I>, 1995); de sua pol&ecirc;mica    com a teoria dos novos movimentos sociais em <I>Dynamics of contention</I> (em    parceria com Sidney Tarrow e Doug McAdam), de 2000, e em <I>Stories, identities,    and political change </I>(2002); e de sua interven&ccedil;&atilde;o no debate    sobre forma&ccedil;&atilde;o dos estados nacionais europeus (<I>Coercion, capital,    and European States, A</I>.<I>D</I>.<I> 990-1990</I>, de 1990) &#151; infelizmente    seu &uacute;nico t&iacute;tulo em portugu&ecirc;s (<I>Coer&ccedil;&atilde;o,    capital e Estados europeus</I>, Edusp, 1996, col. Cl&aacute;ssicos). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tilly notabilizou-se    por desenvolver metodologia pr&oacute;pria para os estudos do que chamou de    "pol&iacute;tica contenciosa", compatibilizando profunda pesquisa hist&oacute;rica    com quantifica&ccedil;&atilde;o, e por sua interpreta&ccedil;&atilde;o renovadora    desse campo, logrando uma an&aacute;lise integrada de processos eventuais de    viol&ecirc;ncia e revolu&ccedil;&otilde;es, passando pelos movimentos sociais,    sempre analisados em sua rela&ccedil;&atilde;o com mudan&ccedil;as macroestruturais.    Nos &uacute;ltimos anos, segue trabalhando nessa &aacute;rea, conforme o demonstram    seus livros mais recentes: <I>The politics of collective violence </I>(2003),    <I>Contention and democracy in Europe, 1650-2000 </I>(2004) e <I>Social movements,    1768-2004 </I>(2004). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A metodologia das    ci&ecirc;ncias sociais, em sua rela&ccedil;&atilde;o com a hist&oacute;ria,    &eacute; outro de seus temas recorrentes, que aparece em <I>As sociology meets    history </I>(1981) e em<I> Big structures, large processes, huge comparisons    </I>(1985). Nessa &aacute;rea, tem teorizado sobre o car&aacute;ter das explica&ccedil;&otilde;es    nas ci&ecirc;ncias sociais, defendendo a pesquisa de mecanismos de amplo escopo    e processos de longa dura&ccedil;&atilde;o, por meio da compara&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica, repelindo sempre as teorias universalistas, descoladas da    pesquisa emp&iacute;rica. Sobre explica&ccedil;&otilde;es causais e an&aacute;lises    sociohist&oacute;ricas escreveu recentemente dois livros: <I>Reasons why </I>e    <I>Trust and rule</I>. Tilly est&aacute; ainda engajado (em co-edi&ccedil;&atilde;o    com Bob Goodin) no <I>Oxford handbook of contextual political analysis</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No campo da sociologia    econ&ocirc;mica, Tilly buscou discutir as escolhas te&oacute;ricas que desafiavam    os analistas nos estudos dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho    e das profiss&otilde;es, confrontando as abordagens neocl&aacute;ssica, marxista    e institucionalista. Em <I>Work under capitalism </I>(1998), livro que considera    a sua "incurs&atilde;o mais substancial no campo" (ver a entrevista a seguir),    escrito em co-autoria com seu filho Chris Tilly, sublinha a import&acirc;ncia    das redes sociais no estabelecimento de elos que, desde muito al&eacute;m do    mercado de trabalho, enra&iacute;zam seus atores na din&acirc;mica da vida social,    dando sentido a suas condutas. Hist&oacute;ria, poder e cultura s&atilde;o,    ali e uma vez mais, as grandes dimens&otilde;es chamadas a prover os quadros    de interpreta&ccedil;&atilde;o para as mudan&ccedil;as no trabalho sob o capitalismo,    num libelo anti-determinista e anti-reducionista. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas o desafio de    entender os temas do trabalho e da vida econ&ocirc;mica o fez concentrar-se    na quest&atilde;o da desigualdade, cuja explica&ccedil;&atilde;o foi por ele    perseguida desde cedo, num seminal artigo em co-autoria com Mark Granovetter,    de 1988, no qual articula processos de trabalho e formas de desigualdade, indo    at&eacute; o seu recente e reconhecido <I>Durable inequality </I>(1998). Tilly    foi tamb&eacute;m um dos editores de um balan&ccedil;o acerca das mudan&ccedil;as    socioecon&ocirc;micas acarretadas pelo fim do socialismo real (<I>Transforming    post-communist political economies</I>,1998) e vem trabalhando na produ&ccedil;&atilde;o    do livro <I>Politics, exchange, and social life in world history</I>, em conjunto    com v&aacute;rios autores. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Toda a carreira    de Tilly &eacute; marcada por duplas filia&ccedil;&otilde;es: a departamentos    de sociologia e pol&iacute;tica ou de sociologia e hist&oacute;ria. Foi professor    sucessivamente de Delaware (1956-1962), Harvard (1963-1966), onde se doutorou,    da Universidade de Toronto (1965-1969) e da Universidade de Michigan (1969-1984),    na qual desenvolveu um grande centro de pesquisa social. Nas &uacute;ltimas    duas d&eacute;cadas, fixou-se em Nova York. Na New School for Social Research    (1984-1990), montou seu semin&aacute;rio sobre "Contentious Politics", que transferiu    para a Columbia, onde trabalha atualmente. O semin&aacute;rio tem se revelado    um celeiro de estudos de qualidade na &aacute;rea, muitos dos quais editados    pela cole&ccedil;&atilde;o "Studies in contentious politics", que Tilly dirige    em companhia de Doug McAdam e Sidney Tarrow, na Cambridge University Press.    Na Columbia, ele continua atuando como um professor empenhado, orientando teses    e ensinando na gradua&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tilly nos concedeu    gentilmente esta entrevista em meio a problemas de sa&uacute;de. Apesar de curta,    ela d&aacute; no&ccedil;&atilde;o de seu estilo de pensar e de escrever: preciso    e incisivo. A ela se segue um pequeno texto, de reflex&atilde;o leve e, como    sempre, instigante, sobre as encruzilhadas que se abrem para o estudioso voltado    para o campo de an&aacute;lise da vida social; um texto in&eacute;dito com o    qual Tilly nos brinda e que combina com o tom autobiogr&aacute;fico da entrevista.    </font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">*    * * </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Voc&ecirc; come&ccedil;ou    sua carreira num momento de revis&atilde;o do marxismo, no qual surgiram v&aacute;rias    novas teorias sobre a transforma&ccedil;&atilde;o social no capitalismo, em    geral, e sobre a revolu&ccedil;&atilde;o, em especial. Mas essa foi tamb&eacute;m    uma &eacute;poca em que o parsonianismo ainda era forte no mundo acad&ecirc;mico    norte-americano, dominando suas principais institui&ccedil;&otilde;es. O que    fez com que voc&ecirc; pendesse para o primeiro desses campos?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fiz a maior parte    da minha gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Harvard,    quando Talcott Parsons era a figura dominante. Naturalmente, aderi &agrave;    oposi&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Voc&ecirc; sempre    foi fortemente atra&iacute;do pela inteligibilidade dos processos de longa dura&ccedil;&atilde;o    e refletiu sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre sociologia e hist&oacute;ria    em v&aacute;rios de seus textos &#151; como </I>Big structures, large processes,    huge comparisons (1985)<I>. Voc&ecirc; diria que seu interesse por essa conflu&ecirc;ncia    foi conseq&uuml;&ecirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o que recebeu? (Pensamos    em particular na influ&ecirc;ncia de Barrington Moore.)</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ter crescido durante    a Depress&atilde;o e a Segunda Guerra Mundial ajudou. Em Harvard, n&atilde;o    s&oacute; Barrington Moore, mas tamb&eacute;m Pitirim Sorokin, Samuel Beer e    (mais surpreendentemente) George Homans encorajavam a an&aacute;lise hist&oacute;rica    sistem&aacute;tica. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Parte da sua    forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica teve lugar fora das institui&ccedil;&otilde;es    norte-americanas, e seus estudos iniciais fizeram com que voc&ecirc; enveredasse    pelo mundo acad&ecirc;mico franc&ecirc;s. Em que medida essa dupla filia&ccedil;&atilde;o    teve impacto em seu trabalho, em particular na sua &ecirc;nfase comparativa    e na sua tentativa de estabelecer pontes entre an&aacute;lises de estruturas    e de processos?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Meu amplo envolvimento    com a academia francesa permitiu que eu tomasse grande dist&acirc;ncia do <I>establishment</I>    acad&ecirc;mico norte-americano. Tamb&eacute;m me situou como um membro esquerdista    da turma dos <I>Annales</I> &#151; uma coisa mais f&aacute;cil nos anos de 1960    e 1970 do que viria a ser mais tarde. Como eu comparecia aos semin&aacute;rios    e cumpria minhas obriga&ccedil;&otilde;es pontualmente, tamb&eacute;m acabei    colaborando na organiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias atividades internacionais    na &Eacute;cole des Hautes &Eacute;tudes, o que encorajou meu interesse pelos    estudos comparativos e hist&oacute;ricos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Voc&ecirc; tem    uma longa carreira como pesquisador e professor, passou por v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es    e escreveu cerca de trinta livros. Avaliando o conjunto de sua trajet&oacute;ria,    voc&ecirc; distingue fases, com diferentes &ecirc;nfases tem&aacute;ticas, ou    seria correto dizer que sempre se dedicou ao estudo obsessivo da "pol&iacute;tica    contenciosa"?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como Richard Hogan    apontou recentemente em <I>Contemporary sociology</I>, uma vers&atilde;o da    hist&oacute;ria da minha carreira pode ser contada como uma longa e dif&iacute;cil    escapada do reducionismo estrutural rumo ao realismo relacional. Mas a pol&iacute;tica    contenciosa tem sido apenas um dos meus focos. Venho estudando as transforma&ccedil;&otilde;es    do Estado desde os anos de 1970, e tamb&eacute;m despendi um bocado de energia    refletindo sobre cidades, urbaniza&ccedil;&atilde;o, demografia hist&oacute;rica    e sobre a l&oacute;gica da explica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Desde </I>From    mobilization to revolution<I>, dos anos de 1970, at&eacute; </I>Social movements,    1768-2004<I>, de 2004, voc&ecirc; vem se dedicando &agrave; constru&ccedil;&atilde;o    de uma teoria de alcance m&eacute;dio sobre as mobiliza&ccedil;&otilde;es coletivas.    Seria correto dizer que seu esquema anal&iacute;tico foi mudando gradualmente    de modo a incluir de maneira mais efetiva a dimens&atilde;o cultural das mobiliza&ccedil;&otilde;es?    Em caso afirmativo, em que medida isso se fez em resposta &agrave;s teorias    dos novos movimentos sociais?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na verdade, nunca    desenvolvi uma "teoria" das mobiliza&ccedil;&otilde;es coletivas, mas tenho    trabalhado em sua explica&ccedil;&atilde;o ao longo de toda a minha carreira.    N&atilde;o descreveria minhas id&eacute;ias recentes como resultantes da incorpora&ccedil;&atilde;o    de dimens&otilde;es culturais. Diria, em vez disso, que tenho prestado mais    aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s din&acirc;micas relacionais em suas m&uacute;ltiplas    escalas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Considerando    desde suas cr&iacute;ticas &agrave; teoria da moderniza&ccedil;&atilde;o at&eacute;    seus debates mais recentes com te&oacute;ricos dos novos movimentos sociais,    &eacute; poss&iacute;vel distinguir uma veia pol&ecirc;mica perpassando toda    a sua carreira. Em que medida voc&ecirc; acha que seu trabalho se alimentou    dos v&aacute;rios embates te&oacute;ricos em que voc&ecirc; se envolveu?</I>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tentei dividir    o meu trabalho entre pol&ecirc;micas e tentativas de explica&ccedil;&atilde;o.    Meus &uacute;ltimos dez livros t&ecirc;m minimizado as pol&ecirc;micas em favor    da express&atilde;o mais clara do que se deveria explicar. Esse esfor&ccedil;o    muitas vezes implica explicitar quais explica&ccedil;&otilde;es voc&ecirc; ter&aacute;    de rejeitar se quiser aceitar as minhas. Entretanto, outras pessoas freq&uuml;entemente    me envolvem em pol&ecirc;micas, seja me convidando a criticar, seja me fazendo    responder a cr&iacute;ticas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Nos &uacute;ltimos    anos, uma autodenominada "nova sociologia econ&ocirc;mica" adquiriu proemin&ecirc;ncia    acad&ecirc;mica e revigorou o di&aacute;logo entre sociologia e economia. Qual    a novidade (se existe) introduzida nos termos do di&aacute;logo (que sempre    nos foi teoricamente caro) entre sociologia e economia? Voc&ecirc; poderia tra&ccedil;ar    um quadro da constru&ccedil;&atilde;o desse campo? As an&aacute;lises hist&oacute;ricas    voltadas aos processos de longa dura&ccedil;&atilde;o se beneficiaram dessas    novas abordagens (ou as influenciaram) em alguma medida? Voc&ecirc;, que transita    t&atilde;o intensamente entre os mundos intelectuais europeu e norte-americano,    reconhece diferen&ccedil;as significativas no estilo de reflex&atilde;o entre,    por exemplo, a sociologia econ&ocirc;mica que se faz na Fran&ccedil;a e a sociologia    econ&ocirc;mica produzida nos Estados Unidos?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sociologia econ&ocirc;mica    tem uma hist&oacute;ria interessante. Richard Swedberg se fez um historiador    desse dom&iacute;nio, de modo que n&oacute;s podemos seguir hoje as idas e vindas    do campo muito melhor que antes. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os fundadores    da sociologia, como Karl Marx, Max Weber, Auguste Comte, Herbert Spencer e Georg    Simmel, deram generosa aten&ccedil;&atilde;o aos processos econ&ocirc;micos.    De fato, voc&ecirc; pode pensar na sociologia como devendo sua exist&ecirc;ncia    aut&ocirc;noma aos esfor&ccedil;os para explicar a industrializa&ccedil;&atilde;o    e perseguir os seus efeitos na vida social. O surgimento da economia formal    em torno de fins do s&eacute;culo XIX, entretanto, produziu dois resultados    poderosos na an&aacute;lise econ&ocirc;mica que se fazia no campo da sociologia.    Primeiro, alimentou a id&eacute;ia de que a verdadeira an&aacute;lise econ&ocirc;mica    consistia em tratamentos formais de pre&ccedil;o, mercados e processos de tomada    de decis&atilde;o, em vez da explica&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a econ&ocirc;mica.    Segundo, os soci&oacute;logos se recolheram &agrave;s an&aacute;lises totalizadoras    sobre a sucess&atilde;o de formas societ&aacute;rias, de um lado, ou aos estudos    detalhados das condi&ccedil;&otilde;es de vida, de outro. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em decorr&ecirc;ncia,    os processos econ&ocirc;micos como tais ocuparam pouqu&iacute;ssima aten&ccedil;&atilde;o    sociol&oacute;gica durante a primeira metade do s&eacute;culo XX. Entretanto,    quando os economistas come&ccedil;aram a criar a economia do desenvolvimento,    depois da Segunda Guerra, dem&oacute;grafos e soci&oacute;logos come&ccedil;aram    a competir pelo seu lugar, reivindicando para si os estudos sobre transi&ccedil;&otilde;es    demogr&aacute;ficas, desenvolvimento social, moderniza&ccedil;&atilde;o e quest&otilde;es    correlatas. Surgiu, ent&atilde;o, um g&ecirc;nero de sociologia econ&ocirc;mica    devotado ao estudo comparado das economias. Talcott Parsons e Neil Smelser fizeram    bravas tentativas no sentido de reivindicar para a sociologia os amplos processos    econ&ocirc;micos, mas seus esfor&ccedil;os n&atilde;o lograram persuadir os    economistas. O aparecimento das teorias da depend&ecirc;ncia deu um novo est&iacute;mulo    aos soci&oacute;logos, mas, de novo, o programa se desfez. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sociologia econ&ocirc;mica,    tal como os americanos a definem atualmente, &eacute; formada pelo esfor&ccedil;o    duplo de: a) expandir os modelos econ&ocirc;micos para &aacute;reas como organiza&ccedil;&atilde;o    religiosa, movimentos sociais e processos organizacionais; James Coleman foi    o pioneiro nessa dire&ccedil;&atilde;o; b) especificar como o contexto social    &#151; especialmente redes interpessoais, estruturas de poder e cultura local    &#151; condicionam os processos e as a&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas; Mark    Granovetter foi o pioneiro no esfor&ccedil;o em dire&ccedil;&atilde;o a redes,    mas Harrison White foi o esteio de muitos dentre os principais participantes    desse esfor&ccedil;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vagarosa e sutilmente,    alternativas verdadeiras &agrave; an&aacute;lise econ&ocirc;mica tradicional    come&ccedil;aram a emergir. Com seu trabalho sobre mercados, Harrison White    fez a mais extensiva formaliza&ccedil;&atilde;o dessas alternativas. Viviana    Zelizer, trabalhando com seguro de vida, valor das crian&ccedil;as e usos do    dinheiro, avan&ccedil;ou na formula&ccedil;&atilde;o de alternativas culturais.    No momento, todas as tr&ecirc;s tend&ecirc;ncias &#151; &agrave;s quais a pr&oacute;pria    Zelizer chama de Extens&atilde;o, Contexto e Alternativa &#151; t&ecirc;m defensores    poderosos e programas de pesquisa de amplo escopo. Eu me vejo como um alternativo,    e <I>Work under capitalism</I> e <I>Durable inequality</I> foram as minhas mais    extensivas contribui&ccedil;&otilde;es no g&ecirc;nero. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em meus trabalhos    sobre transforma&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas tenho constantemente    lan&ccedil;ado m&atilde;o da sociologia econ&ocirc;mica. Minha incurs&atilde;o    mais substancial nesse campo aparece no livro que escrevi com meu filho, <I>Work    under capitalism</I>, o qual infelizmente n&atilde;o teve quase nenhum impacto    no campo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os estudiosos europeus    que tratam de processos econ&ocirc;micos, inclusive os economistas, definem    mais freq&uuml;entemente sua abordagem como economia pol&iacute;tica e, em decorr&ecirc;ncia,    conectam seus estudos com an&aacute;lises de estruturas e processos de mais    larga escala. J&aacute; os norte-americanos que fazem sociologia econ&ocirc;mica    no mais das vezes buscam captar a aten&ccedil;&atilde;o e o respeito dos economistas    norte-americanos, que trabalham muito mais confortavelmente com est&aacute;tica    comparada. O resultado &eacute; uma sociologia econ&ocirc;mica que tem trabalhado    &agrave; sombra de uma est&aacute;tica econ&ocirc;mica. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas, tentativas de explica&ccedil;&atilde;o das sociedades contempor&acirc;neas    surgiram, na sociologia, sob a forma de revis&otilde;es das teorias da modernidade    (caso de Habermas e Giddens) e mesmo de sua recusa (caso das teorias p&oacute;s-modernas).    Como voc&ecirc; avalia esse debate? Voc&ecirc; cr&ecirc; que dele resultam instrumentos    conceituais adequados para entender as sociedades contempor&acirc;neas?</I>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Espero que todos    n&oacute;s abandonemos o est&eacute;ril debate "modernidade/p&oacute;s-modernidade"    em prol de an&aacute;lises que abordem processos sociais de larga escala, seja    l&aacute; onde e quando ocorram. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>&Eacute; comum    entre os estudiosos das sociedades latino-americanas o argumento de que haveria    um "legado da coloniza&ccedil;&atilde;o" que perduraria, influenciando a sociedade,    a economia, a cultura e a pol&iacute;tica, de modo a constituir uma rota distinta    da europ&eacute;ia e da norte-americana. Qual a sua opini&atilde;o?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora a Am&eacute;rica    Latina tenha sido fortemente afetada pela sua hist&oacute;rica sujei&ccedil;&atilde;o    a formas de domina&ccedil;&atilde;o espanholas, portuguesas, inglesas e norte-americanas,    a id&eacute;ia de explicar a experi&ecirc;ncia &#151; para n&atilde;o falar    de sua diversidade &#151; latino-americana como p&oacute;s-colonial choca por    ser m&aacute; estrat&eacute;gia intelectual. O livro <I>The other mirror</I>,    de Centeno e L&oacute;pez-Alves, mostra que os estudiosos da Am&eacute;rica    Latina t&ecirc;m muito mais recursos intelectuais &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Voc&ecirc; segue    dando aulas at&eacute; hoje em cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e &eacute;    um grande agregador, aglutinando pesquisadores e estudantes ao seu redor. Como    voc&ecirc; v&ecirc; a rela&ccedil;&atilde;o entre doc&ecirc;ncia e pesquisa?</I>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voc&ecirc; tem    de distinguir a doc&ecirc;ncia na gradua&ccedil;&atilde;o e na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.    Como um bom ensino na gradua&ccedil;&atilde;o requer uma simplifica&ccedil;&atilde;o    radical dos assuntos em quest&atilde;o, ele contribui muito pouco para a pesquisa,    a n&atilde;o ser por clarificar quais id&eacute;ias s&atilde;o f&aacute;ceis,    ou dif&iacute;ceis, de serem apreendidas por um p&uacute;blico educado. O ensino    na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente diferente, j&aacute;    que voc&ecirc; est&aacute; tentando iniciar jovens no seu pr&oacute;prio of&iacute;cio.    Quando funciona bem, os alunos come&ccedil;am a levantar quest&otilde;es, perseguir    problemas e obter resultados que afetam significativamente o seu pr&oacute;prio    trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Voc&ecirc; &eacute;    conhecido como leitor voraz n&atilde;o s&oacute; de textos cient&iacute;ficos,    mas tamb&eacute;m de literatura. Ali&aacute;s, voc&ecirc; at&eacute; escreve    poemas nas horas vagas. A poesia, ou a literatura em geral, ajuda de alguma    maneira &#151; como fonte de </I>insights<I>, por exemplo &#151; no seu processo    de produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica?</I> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim como os meus    exerc&iacute;cios f&iacute;sicos matinais me ajudam a perceber quanto esfor&ccedil;o    me custa subir escadas ou driblar t&aacute;xis no decorrer do dia, meu h&aacute;bito    de escrever poesia me ajuda a moldar o ritmo e o impacto da minha prosa &#151;    e mesmo a ajudar meus alunos a escrever com mais clareza. Quanto aos <I>insights</I>,    a poesia se constr&oacute;i com met&aacute;foras e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    sensibiliza (a mim pelo menos) para analogias inusitadas que ajudam a transmitir    id&eacute;ias complexas ou n&atilde;o convencionais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Livros publicados    por Charles Tilly </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>The vend&eacute;e</I>.    Cambridge, Harvard University Press, 1964. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Migration to    an American City</I>. Newark, Delaware, Division of Urban Affairs and School    of Agriculture, University of Delaware, 1965. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Race and residence    in Wilmington</I>. Nova York, Teachers College Press, 1965 (com Wagner Jackson    e Barry Kay). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Measuring political    upheaval</I>. Princeton, Center of International Studies, Princeton University,    1965 (com James Rule). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>History as social    science</I>. Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1971 (edi&ccedil;&atilde;o e co-autoria    com David Landes). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Subsidizing    the poor: a Boston housing experiment</I>. Lexington, Massachusetts, D.C. Heath,    1971 (com Joe Feagin e Constance Williams). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>An urban world</I>.    Boston, Little, Brown, 1971. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Strikes in France,    1830-1968</I>. Cambridge/Nova York, Cambridge University Press, 1971 (com Edward    Shorter, indicado para o National Book Award). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>The rebellious    century, 1830-1930</I>. Cambridge, Harvard University Press, 1971 (com Louise    A. Tilly e Richard Tilly). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>From mobilization    to revolution</I>.Reading, Massachusetts,Addison-Wesley, 1978. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Class conflict    and collective action</I>. Beverly Hills, Sage, 1981 (co-edi&ccedil;&atilde;o    com Louise Tilly). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Big structures,    large processes, huge comparisons</I>. Nova York, Russell Sage Foundation, 1985.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>The contentious    French</I>. Cambridge, Belknap Press of Harvard University Press, 1986. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Behavior, society,    and nuclear war</I>. Nova York, Oxford University Press, 1989, vol. I (co-edi&ccedil;&atilde;o    com Philip E. Tetlock <I>et al</I>.). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Strikes, wars,    and revolutions in an international perspective. Strikes waves in the late nineteenth    and early twentieth centuries</I>. Cambridge, Cambridge University Press, 1989    (co-edi&ccedil;&atilde;o com Leopold Maimson). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Behavior, society,    and international conflict</I>.Nova York, Oxford University Press, vol. I (1989),    vol. II (1991), vol. III (1993) (co-edi&ccedil;&atilde;o com Philip E. Tetlock    <I>et al</I>.). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Coercion, capital,    and European states, A.D. 990-1990</I>. Oxford, Blackwell, 1990. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>European revolutions,    1492-1992</I>. Oxford, Basil Blackwell, 1993. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Cities and the    rise of states in Europe, A.D. 1000-1800</I>.Boulder, Westview Press, History    Book Club Alternative Selection, 1995 (co-edi&ccedil;&atilde;o com Wim Blockmans).    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Popular contention    in Great Britain, 1758-1834</I>. Cambridge, Harvard University Press, 1995.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Citizenship,    identity and social history</I>. Cambridge, Cambridge University Press, 1995.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Roads from past    to future</I>. Lanham, Maryland, Rawman and Littlefield, 1997. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Work under capitalism</I>.    Boulder, Westview Press, 1998 (com Chris Tilly). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Durable inequality</I>.Berkeley,    University of California Press, 1998. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Transforming    post-communist political economies</I>. Washington, National Academy Press,    1998 (co-edi&ccedil;&atilde;o com Joan M. Nelson e Lee Walker). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>From contention    to democracy</I>. Lanham, Maryland, Rowman &amp; Littlefield, 1998 (co-edi&ccedil;&atilde;o    com Marco G. Giugni e Doug McAdam). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>How social movements    matter</I>.Minneapolis, University of Minnesota Press, 1999 (co-edi&ccedil;&atilde;o    com Marco Giugni e Doug McAdam). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Dynamics of    contention</I>.Cambridge, Cambridge University Press, 2001 (com Doug McAdam    e Sidney Tarrow). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Stories, identities,    and political change</I>.Lanham, Maryland, Rowman &amp; Littlefield, 2002. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>The politics    of collective violence</I>. Cambridge, Cambridge University Press, 2003. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Contention and    democracy in Europe, 1650-2000</I>.Cambridge, Cambridge University Press, 2004.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><I>Social movements,    1768-2004</I>. Boulder, Paradigm Press, 2004. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Charles Tilly &eacute;    professor de ci&ecirc;ncias sociais na c&aacute;tedra Joseph L. Buttenwieser    da Universidade de Columbia.     <br>   Angela Alonso &eacute; professora do Departamento de Sociologia da Universidade    de S&atilde;o Paulo.     <br>   Nadya Araujo Guimar&atilde;es &eacute; professora do Departamento de Sociologia    da Universidade de S&atilde;o Paulo. E-mail: <a href="mailto:nadya@uol.com.br">nadya@uol.com.br</a>.    </font></p>      ]]></body>
</article>
