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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Itiner&aacute;rios    em an&aacute;lise social</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Itineraries    in social analysis</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Charles Tilly    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O texto discorre    sobre o conjunto de escolhas &#151; ou encruzilhadas, como prefere o autor &#151;,    com as quais se confrontam os analistas dos fen&ocirc;menos da vida social.    As escolhas entre "presente <i>versus</i> passado", "a&ccedil;&atilde;o <i>versus    </i>contexto", "poder <i>versus</i> vulnerabilidade" e "prescri&ccedil;&atilde;o    <i>versus </i>explica&ccedil;&atilde;o" permitem ao estudioso eleger entre m&uacute;ltiplos    &acirc;ngulos de aproxima&ccedil;&atilde;o (ou afastamento) no que concerne    &agrave; forma de construir a an&aacute;lise social. O autor afirma que o seu    pr&oacute;prio itiner&aacute;rio favoreceu o passado em vez do presente, o contexto    em vez da a&ccedil;&atilde;o e a explica&ccedil;&atilde;o em vez da prescri&ccedil;&atilde;o,    ao mesmo tempo em que procurou se posicionar no meio termo entre vulnerabilidade    e poder. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Trajet&oacute;ria intelectual; An&aacute;lise social; Charles Tilly. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The author identifies    a set of choices &#151; crossroads, as he prefers to call them &#151; confronted    by anyone who makes a career of social analysis. "present <i>versus </i>past",    "action <i>versus </i>context", "power <i>versus </i>weakness", and "prescription    <i>versus</i> explanation" are crossroads that allow travelers to choose among    multiple angles of approach (or avoidance) in the terrain of social analysis.    Later he identifies and explains the choices he made: his own itinerary up to    this point has generally favored the past over the present, context over action,    and explanation over prescription, while seeking a middle ground between weakness    and power. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Intellectual trajectory; Social analysis; Charles Tilly. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Retrospecto em    demasia pode lhe fazer mal. Se em meio a um tr&aacute;fego pesado e r&aacute;pido    voc&ecirc; dirigir com os olhos o tempo todo no retrovisor, isso lhe dar&aacute;    uma perfeita vis&atilde;o dos caminh&otilde;es que est&atilde;o no seu encal&ccedil;o,    mas facilmente poder&aacute; causar uma desastrosa colis&atilde;o com os ve&iacute;culos    &agrave; sua frente. Mesmo assim, isso lhe ajudar&aacute; eventualmente a rever    a estrada na qual est&aacute; viajando. E a planejar o resto de sua jornada.    Poder&aacute; ainda contribuir para que outros planejem jornadas diferentes,    talvez melhores. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A jornada em quest&atilde;o    atravessa o terreno da an&aacute;lise social: a interpreta&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica e c&eacute;tica das intera&ccedil;&otilde;es humanas em qualquer    escala, desde os encontros furtivos dos amantes at&eacute; a ascens&atilde;o    e queda dos imp&eacute;rios. Permitam-me identificar um conjunto de escolhas    &#151; ou encruzilhadas, como tamb&eacute;m poderiam ser chamadas &#151; a serem    confrontadas por qualquer um que siga a carreira da an&aacute;lise social. Mais    &agrave; frente identificarei e explicarei as escolhas que fiz, mas apenas para    clarificar quais outras escolhas os jovens que cogitam seguir carreira no campo    da an&aacute;lise social poder&atilde;o fazer, e por qu&ecirc;. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerem quatro    encruzilhadas, cada qual requerendo uma escolha entre aproximar-se ou afastar-se    em rela&ccedil;&atilde;o a certo destino. Chame-as Presente <I>versus</I> Passado,    A&ccedil;&atilde;o <I>versus</I> Contexto, Poder <I>versus</I> Vulnerabilidade    e Prescri&ccedil;&atilde;o <I>versus</I> Explica&ccedil;&atilde;o. &Agrave;    diferen&ccedil;a dos cruzamentos rodovi&aacute;rios, em &acirc;ngulo reto, essas    encruzilhadas permitem aos viajantes escolher entre m&uacute;ltiplos &acirc;ngulos    de aproxima&ccedil;&atilde;o ou afastamento, bem como fazer o retorno e seguir    mais de um itiner&aacute;rio. Entretanto, simplificar&aacute; minha discuss&atilde;o    simular que estamos lidando com escolhas de tipo sim-ou-n&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Presente <I>versus</I>    Passado? No momento em que qualquer analista social tenha sido efetivamente    capaz de estruturar uma interpreta&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica e c&eacute;tica    de uma intera&ccedil;&atilde;o humana, essa intera&ccedil;&atilde;o j&aacute;    se ter&aacute; incorporado ao passado. Somente os locutores esportivos e os    rep&oacute;rteres televisivos chegam perto de fazer observa&ccedil;&atilde;o    e an&aacute;lise simultaneamente. Apesar disso, alguns analistas se concentram    nas quest&otilde;es humanas atuais, outros buscam identificar conex&otilde;es    entre passado e presente, e outros ainda fixam seu olhar em eventos e pessoas    de tempos remotos. Os argumentos em favor do presente sugerem que as pessoas    se preocupam sobretudo com o que est&aacute; acontecendo agora, que as intera&ccedil;&otilde;es    em curso est&atilde;o moldando o futuro humano e que os investigadores do presente    podem se fiar em suas pr&oacute;prias observa&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es,    em vez de padecer das distor&ccedil;&otilde;es da documenta&ccedil;&atilde;o    e das falhas da mem&oacute;ria. Os argumentos em favor do passado afirmam que    o presente opera dentro de limites legados pelo passado, que alguns processos    levam um longo tempo para se definir, demandando portanto an&aacute;lises de    longo prazo, e que a intera&ccedil;&atilde;o humana passada oferece um vasto    laborat&oacute;rio para a identifica&ccedil;&atilde;o de regularidades persistentes    nos processos sociais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E quanto a A&ccedil;&atilde;o    <I>versus</I> Contexto? Os analistas sociais podem focalizar os humanos desempenhando    efetivamente a&ccedil;&otilde;es importantes ou recuar para situar esses mesmos    humanos em seus tempos, lugares e contextos sociais. Os economistas, por exemplo,    comumente presumem que podem produzir explica&ccedil;&otilde;es adequadas do    comportamento humano identificando as oportunidades, as prefer&ecirc;ncias e    os recursos que caracterizam os indiv&iacute;duos imediatamente antes de comprarem,    venderem, produzirem ou consumirem. Os antrop&oacute;logos, em contraste, costumam    argumentar que o comportamento humano depende fortemente da localiza&ccedil;&atilde;o    dos indiv&iacute;duos e grupos em redes espec&iacute;ficas de rela&ccedil;&otilde;es    sociais, cultura e meio ambiente. A&ccedil;&atilde;o equivale a aproximar-se    da vida social tal como os indiv&iacute;duos a vivenciam, um a um; contexto,    a aproximar-se do nosso reconhecimento ocasional de que as conex&otilde;es importam.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pense em Poder    <I>versus</I> Vulnerabilidade, uma escolha bem mais complicada. De um lado,    os analistas sociais podem focalizar sua aten&ccedil;&atilde;o naquelas pessoas,    posi&ccedil;&otilde;es, grupos e institui&ccedil;&otilde;es de maior impacto    nas vidas de outras pessoas: profetas, patriarcas, presidentes, generais, financistas    e at&eacute; mesmo autores influentes. De outro, os analistas sociais podem    seguir meu amigo James Scott e argumentar: uma vez que a maioria das pessoas,    na maior parte do tempo, est&aacute; sofrendo as conseq&uuml;&ecirc;ncias do    poder sem poder exercer muita influ&ecirc;ncia sobre ele, os mais vulner&aacute;veis    merecem todo o apoio que possam ter e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, os analistas    deveriam concentrar sua aten&ccedil;&atilde;o em como aquelas pessoas relativamente    sem poder lidam com a opress&atilde;o e com as dificuldades. A escolha se torna    complicada porque n&atilde;o envolve simplesmente alinhar-se com o poderoso    ou com o fraco. Os analistas do poder freq&uuml;entemente invejam, odeiam ou    culpam seu objeto, enquanto os analistas da vulnerabilidade freq&uuml;entemente    deploram a incapacidade das pessoas comuns de se comportarem como eles prefeririam.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso nos leva a    Prescri&ccedil;&atilde;o <I>versus</I> Explica&ccedil;&atilde;o. Alguns analistas    sociais se concentram em projetar, advogar ou contribuir para organizar o que    consideram modos de vida superiores. Outros se concentram em explicar por que    a vida social toma a forma que tem. Essa simples oposi&ccedil;&atilde;o, entretanto,    obscurece a interdepend&ecirc;ncia entre prescri&ccedil;&atilde;o e explica&ccedil;&atilde;o.    Num sentido, as prefer&ecirc;ncias acerca de estados de coisas desej&aacute;veis    e indesej&aacute;veis inevitavelmente influenciam o modo como os analistas sociais    elegem, concebem e justificam suas investiga&ccedil;&otilde;es. Noutro sentido,    todo programa pol&iacute;tico e moral invariavelmente associa sua identifica&ccedil;&atilde;o    de resultados desej&aacute;veis a tr&ecirc;s outras ordens de afirma&ccedil;&otilde;es:    afirma&ccedil;&otilde;es sobre fatos, relativas ao que existe atualmente no    mundo; afirma&ccedil;&otilde;es sobre possibilidades, relativas a formas alternativas    de exist&ecirc;ncia e afirma&ccedil;&otilde;es de causa e efeito, explicando    como o mundo social poderia passar da sua indesej&aacute;vel condi&ccedil;&atilde;o    presente para outra mais desej&aacute;vel. Afirma&ccedil;&otilde;es sobre fatos,    possibilidades e rela&ccedil;&otilde;es de causa e efeito empurram todo programa    prescritivo para o terreno da explica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">At&eacute; aqui,    o meu pr&oacute;prio itiner&aacute;rio tendeu a favorecer o passado em vez do    presente, o contexto em vez da a&ccedil;&atilde;o e a explica&ccedil;&atilde;o    em vez da prescri&ccedil;&atilde;o, ao passo que procurou um meio-termo entre    vulnerabilidade e poder. Ao longo do tempo, devotei quase que igual energia    a analisar as estruturas de poder em mudan&ccedil;a, as formas de conflito popular    em mudan&ccedil;a e as intera&ccedil;&otilde;es entre elas. Tais escolhas oferecem    a vantagem de um aprendizado cumulativo e uma perspectiva comparada acerca das    emerg&ecirc;ncias dos dias de hoje. Imp&otilde;em, por&eacute;m, o custo da    marginalidade diante dos debates contempor&acirc;neos mais candentes. Tenho    constantemente pensado que o meu trabalho descascava problemas que atra&iacute;am    ampla aten&ccedil;&atilde;o mas, enquanto esquadrinhava as implica&ccedil;&otilde;es    de minhas an&aacute;lises, o debate p&uacute;blico j&aacute; se havia deslocado    para outras quest&otilde;es. Voc&ecirc; s&oacute; deve seguir meu itiner&aacute;rio    se almejar fazer a sua contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o neste instante,    mas no longo prazo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Felizmente, as    outras escolhas permanecem abertas e convidativas. No curso desse mesmo longo    prazo, aqueles que escolherem o presente em vez do passado, a a&ccedil;&atilde;o    em vez do contexto, a prescri&ccedil;&atilde;o em vez da explica&ccedil;&atilde;o    e a vulnerabilidade ou o poder, em vez do meio-termo, tamb&eacute;m estar&atilde;o    viajando atrav&eacute;s do acidentado, mas recompensador, terreno da compreens&atilde;o    humana. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade    de Columbia, 15 de setembro de 2002. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Texto recebido    em 10/2004 e aprovado em 10/2004. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tradu&ccedil;&atilde;o    de Alexandre Morales     <br>   Charles Tilly &eacute; professor de ci&ecirc;ncias sociais na c&aacute;tedra    Joseph L. Buttenwieser da Universidade de Columbia. E-mail: <a href="mailto:ct135@columbia.edu">ct135@columbia.edu</a>.    </font></p>      ]]></body>
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