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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Profissionalização por gênero em escritórios paulistas de advocacia]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Gendered careers in São Paulo law firms]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article analyzes the differences in the professionalization of men and women lawyers in a survey of 216 young professionals from São Paulo law firms. It shows how professionalism and gender relations combine to stratify legal practice and differentiate careers according to a 'sexed script,' whether in terms of being a partner or an associate, or in terms of the size of the firm where people work (small, medium or large) and the main clients they represent (individuals or companies).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Profissionaliza&ccedil;&atilde;o por g&ecirc;nero    em escrit&oacute;rios paulistas de advocacia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Gendered careers in S&atilde;o Paulo law firms</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria da Gloria Bonelli; Luciana G. Cunha;    Fabiana L. de Oliveira; Maria Nat&aacute;lia B. da Silveira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O artigo analisa as diferen&ccedil;as na profissionaliza&ccedil;&atilde;o    de advogados e advogadas, em uma amostra de 216 jovens profissionais de escrit&oacute;rios    de S&atilde;o Paulo. Mostra como o profissionalismo e as rela&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero se articulam na estratifica&ccedil;&atilde;o da advocacia, com    carreiras marcadas pelo "<I>script</I> sexuado", quanto a ser s&oacute;cio(a)    ou associado(a), quanto ao tamanho do escrit&oacute;rio onde atuam (pequeno,    m&eacute;dio ou de grande porte) e a clientela que representam prioritariamente    (individual ou empresarial).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b> Palavras-chave:</b> Profissionaliza&ccedil;&atilde;o;    Advogadas; Advogados; G&ecirc;nero; Carreira.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The article analyzes the differences in the professionalization    of men and women lawyers in a survey of 216 young professionals from S&atilde;o    Paulo law firms. It shows how professionalism and gender relations combine to    stratify legal practice and differentiate careers according to a 'sexed script,'    whether in terms of being a partner or an associate, or in terms of the size    of the firm where people work (small, medium or large) and the main clients    they represent (individuals or companies).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b> Keywords:</b> Professionalization; Men and    Women Lawyers; Gender.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas registra-se    o aumento da participa&ccedil;&atilde;o feminina no total de portadores de t&iacute;tulo    superior, ultrapassando o contingente masculino. Em 2003, dos 528.223 concluintes    do terceiro grau no Brasil, 329.311 eram mulheres (62%)<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><SUP>1</SUP></a>.    A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domic&iacute;lios, PNAD 2005, encontrou    7.714.890 mulheres com ensino superior; para os homens esse n&uacute;mero foi    de 6.058.704 (56% a 44%)<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><SUP>2</SUP></a>.    Nota-se tamb&eacute;m o crescimento da presen&ccedil;a delas no mercado de trabalho,    concentrando-se nas carreiras identificadas como guetos femininos, voltados    para os cuidados, as artes e as humanidades<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><SUP>3</SUP></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na advocacia, este fen&ocirc;meno se confirma    com o aumento dos registros profissionais de mulheres. A OAB nacional, em 2006,    tinha 312.734 advogados e 248.085 advogadas (56% a 44%); a OAB-SP contava com    116.948 homens e 93.245 mulheres (56% a 44%), sendo que nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s    anos o n&uacute;mero de novas inscritas superou os novos inscritos, com 35.873    advogadas e 32.763 advogados (52% a 48%)<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><SUP>4</SUP></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas mudan&ccedil;as v&ecirc;m se destacando    na advocacia, e alterando sua configura&ccedil;&atilde;o. O aumento expressivo    na oferta de cursos superiores de direito ocorreu concomitante &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o    da participa&ccedil;&atilde;o feminina nesses cursos e sua inser&ccedil;&atilde;o    no mercado das profiss&otilde;es jur&iacute;dicas. A expans&atilde;o do ensino    do direito, agora submetida a avalia&ccedil;&otilde;es mais criteriosas pelo    Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, tem alimentado tamb&eacute;m uma    maior profissionaliza&ccedil;&atilde;o da doc&ecirc;ncia na &aacute;rea, que    vai se transformando em um novo segmento desse mer cado de trabalho, com a busca    de t&iacute;tulos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o para habilita&ccedil;&atilde;o    acad&ecirc;mica, atividade antes dominada pelos praticantes que obtinham alguma    notoriedade no exerc&iacute;cio profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A advocacia at&eacute; os anos de 1990 foi uma    profiss&atilde;o liberal, exercida principalmente em escrit&oacute;rios de pequeno    e m&eacute;dio porte. Nessa &eacute;poca, as sociedades de advogados no Brasil    totalizavam noventa, e concentravam-se no ramo c&iacute;vel/societ&aacute;rio.    As que reuniam mais de cinq&uuml;enta advogados estavam localizadas em S&atilde;o    Paulo e eram em n&uacute;mero de seis; 17 escrit&oacute;rios no pa&iacute;s    tinham entre 26 e 50 advogados, e entre 11 e 25 advogados havia 67<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><SUP>5</SUP></a>    sociedades de advogados. Dados coletados em um <I>survey</I> realizado pela    OAB em 1996 indicavam que 66% dos advogados se consideravam no exer c&iacute;cio    tipicamente liberal da profiss&atilde;o, 50% das advogadas estavam no exer c&iacute;cio    aut&ocirc;nomo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao <I>boom</I> dos cursos superiores e da participa&ccedil;&atilde;o    feminina veio somar-se a efervesc&ecirc;ncia econ&ocirc;mica das privatiza&ccedil;&otilde;es    de grandes empresas p&uacute;blicas, que ampliaram muito as especializa&ccedil;&otilde;es,    em particular no direito empresarial, com os advogados encontrando novas atividades    nas &aacute;reas de neg&oacute;cios. Escrit&oacute;rios pequenos conseguiram    crescer no cen&aacute;rio da globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, precisando    contratar mais advogados e advogadas para cuidar dos interesses jur&iacute;dicos    da clientela corporativa que se expandia, trazendo demandas especializadas,    mas tamb&eacute;m muitas outras de car&aacute;ter rotineiro e repetitivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na d&eacute;cada de 1990, no Brasil, houve um    grande crescimento na &aacute;rea do direito empresarial. Esse fato est&aacute;    associado aos processos de privatiza&ccedil;&otilde;es de empresas p&uacute;blicas    e de terceiriza&ccedil;&otilde;es. Muitas empresas na &eacute;poca deixaram    de ter seus departamentos jur&iacute;dicos e passaram a contratar escrit&oacute;rios    de advocacia para tratar de quest&otilde;es empresariais. O contexto internacional    tamb&eacute;m influenciou diretamente o cen&aacute;rio brasileiro. Nesse processo    de privatiza&ccedil;&otilde;es, por exemplo, os Estados Unidos atuaram diretamente    intensificando as transfer&ecirc;ncias de modelos de institui&ccedil;&otilde;es    e a adapta&ccedil;&atilde;o de cultura jur&iacute;dica<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><SUP>6</SUP></a>.    Com isso, houve um impacto muito grande nas empresas e nos escrit&oacute;rios    de advocacia no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho jur&iacute;dico    foi perdendo as caracter&iacute;sticas homog&ecirc;neas como profiss&atilde;o    exercida em escrit&oacute;rios individuais ou escrit&oacute;rios partilhados    por colegas. A passagem dessa forma de organiza&ccedil;&atilde;o para a das    sociedades de advogados, estratificadas internamente entre s&oacute;cios com    participa&ccedil;&atilde;o nos resultados e associados com remunera&ccedil;&atilde;o    mensal, acompanhada da divis&atilde;o social do trabalho, separando os conte&uacute;dos    tradicionais das novas especializa&ccedil;&otilde;es, e o trabalho rotineiro    daquele que busca maior <I>expertise</I>, foi facilitada pelo ingresso feminino    na advocacia. Atualmente, o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, que    articula e representa interesses dessas firmas de advocacia, conta com cerca    de 400 sociedades filiadas, sendo 270 delas em S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O modelo das sociedades de advogados &eacute;    resultado da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, cada vez    mais inserida nas rela&ccedil;&otilde;es de importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o    do conhecimento especializado entre pa&iacute;ses do norte e do sul, com a padroniza&ccedil;&atilde;o    transnacional de servi&ccedil;os jur&iacute;dicos<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><SUP>7</SUP></a>.    Nesses grandes escrit&oacute;rios, o profissional domina l&iacute;nguas estrangeiras,    em especial o ingl&ecirc;s, tem experi&ecirc;ncia de curso ou est&aacute;gio    no exterior, que &eacute; enfatizado em seu curr&iacute;culo divulgado na p&aacute;gina    da firma na internet, representa grandes empresas ou escrit&oacute;rios estrangeiros,    chegando algumas dessas sociedades de advogados a ter filiais fora do Brasil.    O tipo de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional tamb&eacute;m muda, enfatizando-se    o atendimento das necessidades em torno dos neg&oacute;cios dos clientes empresariais,    o que com freq&uuml;&ecirc;ncia dispensa a ida para litigar no F&oacute;rum,    como costumava ser a pr&aacute;tica caracter&iacute;stica da profiss&atilde;o.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana">O sistema jur&iacute;dico adotado no Brasil    &eacute; o de <I>Civil Law</I>, comum na Europa Continental, em que o Estado    tem um papel central na solu&ccedil;&atilde;o de conflitos que chegam ao Judici&aacute;rio.    O direito civil &eacute; inspirado no direito romano, no qual a fonte principal    do Direito &eacute; a lei. N&atilde;o por acaso o nosso sistema jur&iacute;dico    &eacute; um sistema organizado por meio da legisla&ccedil;&atilde;o e, mais    especificamente, por c&oacute;digos (c&oacute;digo civil, c&oacute;digo comercial,    c&oacute;digo penal etc.)<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><SUP>8</SUP></a>.    Exatamente por isso, o ensino do direito no Brasil &eacute;, predominantemente,    voltado para o ensino da lei e dos c&oacute;digos, sendo que um processo de    mudan&ccedil;a para uma vertente que priorize o racioc&iacute;nio empresarial    envolve uma disputa simb&oacute;lica. Esse fato tem uma forte influ&ecirc;ncia    na estrutura&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o no pa&iacute;s, com mudan&ccedil;as    que permearam o campo do direito e as especificidades do caso brasileiro, relevantes    para se pensar a quest&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o de advogados    e advogadas nos escrit&oacute;rios de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A feminiza&ccedil;&atilde;o da carreira veio    ao encontro dessas transforma&ccedil;&otilde;es, reduzindo as resist&ecirc;ncias    &agrave;s mudan&ccedil;as na forma tradicional de se exercer a advocacia no    Brasil. A intensifica&ccedil;&atilde;o na divis&atilde;o social do trabalho    foi acompanhada da divis&atilde;o sexual do trabalho, com as mulheres concentrando-se    nas &aacute;reas tradicionais e nas atividades mais rotineiras, e os homens,    naquelas mais especializadas e inovadoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O expressivo crescimento na participa&ccedil;&atilde;o    feminina entre os jovens profissionais, concomitante &agrave; conquista de direitos    por parte das mulheres, alimenta a percep&ccedil;&atilde;o de que as oportunidades    se equilibraram entre homens e mulheres na advocacia. Com isso, o cen&aacute;rio    das diferen&ccedil;as no mundo profissional do direito no s&eacute;culo XXI    n&atilde;o seria o da discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><SUP>9</SUP></a>,    mas o da igualdade baseada no m&eacute;rito, na dedica&ccedil;&atilde;o e na    compet&ecirc;ncia. V&aacute;rias profissionais bem-sucedidas nas grandes bancas    afirmam essa mudan&ccedil;a, entendendo que as carreiras que elas fizeram s&atilde;o    evid&ecirc;ncias disto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste artigo &eacute; identificar    as tend&ecirc;ncias profissionais em escrit&oacute;rios e sociedades de advogados    da cidade de S&atilde;o Paulo, observando quantitativamente as semelhan&ccedil;as    e as diferen&ccedil;as entre os g&ecirc;neros em uma amostra<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><SUP>10</SUP></a>    de 216 profissionais. O argumento &eacute; que o crescimento do n&uacute;mero    de advogadas est&aacute; em conson&acirc;ncia com a nova forma de organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho, que envolve a estratifica&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o    em s&oacute;cios e associados, a divis&atilde;o de tarefas rotineiras e de atividades    especializadas, e de clientes empresariais e individuais. Ou seja, a passagem    da forma tradicional de se organizar a profiss&atilde;o em escrit&oacute;rios    onde predominava a atua&ccedil;&atilde;o solo ou a parceria com um ou outro    colega para o modelo das sociedades de advogados como firmas de advocacia, com    os donos das bancas contratando os servi&ccedil;os de muitos advogados e advogadas.    Apesar das conquistas das mulheres em termos de direitos, de qualifica&ccedil;&atilde;o    e de posi&ccedil;&otilde;es no mercado de trabalho, a subordina&ccedil;&atilde;o    do feminino na vida privada transfere-se para a dimens&atilde;o profissional,    viabilizando a hierarquiza&ccedil;&atilde;o da advocacia com custo emocional    maior para as mulheres.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana">A amostra da pesquisa foi desenhada dentro da    l&oacute;gica de priorizar profissionais mais jovens, graduados a partir da    d&eacute;cada de 1990; com isso procuramos cobrir um per&iacute;odo em que a    expans&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em direito se configurava.    Para determinar o tamanho da amostra trabalhamos com base na listagem de sociedades    e escrit&oacute;rios filiados ao Centro de Estudos das Sociedades de Advogados    &#150; Cesa<a name="tx11"></a><a href="#nt11"><SUP>11</SUP></a>. Outra fonte de apoio    que utilizamos foi o livro comemorativo de 70 anos da OAB-SP, que possu&iacute;a    uma lista de escrit&oacute;rios de S&atilde;o Paulo. Juntando todas as listagens    dispon&iacute;veis, totalizamos 993 escrit&oacute;rios n&atilde;o filiados ao    Cesa e 272 escrit&oacute;rios filiados. Tanto a OAB-SP como a Associa&ccedil;&atilde;o    dos Advogados de S&atilde;o Paulo n&atilde;o autorizaram o acesso &agrave; base    de dados de seus membros, o que impossibilitou utilizar tal universo para a    extra&ccedil;&atilde;o da amostra. Do total de 1.265 escrit&oacute;rios listados,    optamos por trabalhar com uma amostra de 78 escrit&oacute;rios. Esses foram    distribu&iacute;dos da seguinte forma: escrit&oacute;rios de 1 a 9 advogados    (pequeno), de 10 a 49 advogados (m&eacute;dio) e de 50 ou mais advogados (grande).    No desenho inicial entrevistar&iacute;amos 36 escrit&oacute;rios na primeira    faixa, 24 na segunda e 18 na terceira. Assim, a id&eacute;ia era fazer com dois    advogados em cada escrit&oacute;rio pequeno, tr&ecirc;s em cada escrit&oacute;rio    m&eacute;dio e quatro em cada escrit&oacute;rio grande. Outro ponto era seguir    uma cota igual de homens e mulheres em cada faixa; esse recorte n&atilde;o reflete    a participa&ccedil;&atilde;o efetiva de homens e mulheres no mercado de trabalho,    mas favorece a identifica&ccedil;&atilde;o da pluralidade de concep&ccedil;&otilde;es    sobre as tend&ecirc;ncias profissionais. Enfrentamos algumas dificuldades em    termos de listagem e resist&ecirc;ncia de escrit&oacute;rios em nos conceder    entrevistas. A metodologia utilizada foi a de substitui&ccedil;&atilde;o de    acordo com o perfil, ou seja, organizamos a listagem de forma aleat&oacute;ria    e a cada recusa de um escrit&oacute;rio procur&aacute;vamos substituir pelo    que vinha na seq&uuml;&ecirc;ncia e tinha o mesmo tamanho ou chegasse o mais    pr&oacute;ximo das caracter&iacute;sticas iniciais. O crit&eacute;rio de distribui&ccedil;&atilde;o    igual de homens e mulheres n&atilde;o p&ocirc;de ser seguido &agrave; risca    dentro de cada escrit&oacute;rio, uma vez que alguns escrit&oacute;rios n&atilde;o    tinham homens e outros n&atilde;o tinham mulheres, mas conseguimos ficar dentro    da cota inicial, nos 216 entrevistados que comp&otilde;em a amostra utilizada    neste artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>G&ecirc;nero, divis&atilde;o sexual do trabalho    e profissionalismo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Inicialmente, a pesquisa teve a inten&ccedil;&atilde;o    de articular os conceitos de g&ecirc;nero e de profissionalismo no estudo dos    jovens advogados e advogadas de S&atilde;o Paulo. Pretendia-se contrastar homens    e mulheres no exerc&iacute;cio profissional, em termos de oportunidades, barreiras    e tend&ecirc;ncias na profissionaliza&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a bibliografia    sobre g&ecirc;nero introduziu novas perspectivas e evidenciou os limites no    trabalho de campo desenvolvido para este fim. A concep&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero    embutida na defini&ccedil;&atilde;o da amostra estava associada &agrave; "diferen&ccedil;a    sexual", reduzindo o g&ecirc;nero como constru&ccedil;&atilde;o social    &agrave; diferen&ccedil;a sexual. Assim, a amostra induzia ao binarismo e ao    determinismo biol&oacute;gico ao estratificar os informantes a partir de 50%    homens e 50% mulheres, atrelando o g&ecirc;nero ao sexo. Um passo importante    dado pela literatura da &aacute;rea foi o de tentar superar problemas na an&aacute;lise    da subordina&ccedil;&atilde;o social da mulher, gerados pela utiliza&ccedil;&atilde;o    de conceitos que essencializavam diferen&ccedil;as f&iacute;sicas para explicar    a domina&ccedil;&atilde;o masculina e a subordina&ccedil;&atilde;o feminina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, deu-se &ecirc;nfase em mostrar    como o g&ecirc;nero &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social que procura    fixar identidades a partir das diferen&ccedil;as percebidas entre os sexos,    sendo tamb&eacute;m um modo de dar significado &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es    de poder. As contribui&ccedil;&otilde;es de Scott (1990) foram decisivas para    a cr&iacute;tica &agrave; ess&ecirc;ncia que se atribu&iacute;a &agrave; diferen&ccedil;a    f&iacute;sica entre homens e mulheres, universalizando a domina&ccedil;&atilde;o    masculina no tempo e no espa&ccedil;o, como tamb&eacute;m para destacar a dimens&atilde;o    relacional da categoria de g&ecirc;nero, n&atilde;o cabendo focalizar a mulher    fora das rela&ccedil;&otilde;es sociais e culturais com outros homens e mulheres.    O g&ecirc;nero como categoria anal&iacute;tica desconstruiu a concep&ccedil;&atilde;o    biologizada, mostrando como a diferen&ccedil;a sexual &eacute; socialmente constru&iacute;da,    em vez de ser a base da subordina&ccedil;&atilde;o feminina. A autora evidenciou    tamb&eacute;m como a segrega&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho &eacute;    parte do processo de constru&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria do g&ecirc;nero    e das rela&ccedil;&otilde;es de poder que engendravam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A concep&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria de poder    tamb&eacute;m foi criticada. No lugar de se entender o poder como exclusivo    aos dominantes, e ausente no p&oacute;lo dominado, adotou-se a no&ccedil;&atilde;o    foucaultiana de que o poder circula em uma perspectiva relacional, possibilitando    &agrave;s mulheres ter poder, mesmo que assim&eacute;trico ao dos homens, nas    rela&ccedil;&otilde;es sociais (cf. Barbalho, 2008, p. 37).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No &acirc;mbito dos estudos que desnaturalizaram    o sistema sexo/g&ecirc;nero e a subordina&ccedil;&atilde;o da mulher, Rubin    viu nas rela&ccedil;&otilde;es de parentesco a via de se exacerbar na cultura    as diferen&ccedil;as biol&oacute;gicas entre os sexos. Assim, g&ecirc;nero resultaria    da constru&ccedil;&atilde;o cultural resultante de rela&ccedil;&otilde;es sociais    espec&iacute;ficas, n&atilde;o se configurando em uma opress&atilde;o invari&aacute;vel,    e podendo ser modificado. Essas diferen&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es    de poder entre homens e mulheres produziriam varia&ccedil;&otilde;es na domina&ccedil;&atilde;o-subordina&ccedil;&atilde;o,    diferenciando, por exemplo, situa&ccedil;&otilde;es de controle efetivo de homens    sobre mulheres, das situa&ccedil;&otilde;es decorrentes da divis&atilde;o sexual    do trabalho (cf. Piscitelli, 2002, p. 21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa concep&ccedil;&atilde;o contrasta com a    de Bourdieu (1999) sobre a domina&ccedil;&atilde;o masculina. Para ele, a subordina&ccedil;&atilde;o    feminina deve-se, em parte, a um processo de eterniza&ccedil;&atilde;o do arbitr&aacute;rio,    sendo preciso desvendar os processos ahist&oacute;ricos de naturaliza&ccedil;&atilde;o    dessa posi&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria diante do homem. Essa eterniza&ccedil;&atilde;o    da domina&ccedil;&atilde;o masculina &eacute; concebida como um modelo universal,    embora Bourdieu aponte que a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de homens e    mulheres pode modific&aacute;-la. A reprodu&ccedil;&atilde;o dessa domina&ccedil;&atilde;o    persiste mesmo com mudan&ccedil;as, como a atua&ccedil;&atilde;o do movimento    feminista, o aumento do acesso das mulheres ao ensino escolar e superior, o    crescimento das mulheres no mercado de trabalho, a desvaloria&ccedil;&atilde;o    das tarefas dom&eacute;sticas e uma nova configura&ccedil;&atilde;o familiar    (crescimento no n&uacute;mero de div&oacute;rcios, de m&atilde;es solteiras,    entre outras). Por&eacute;m, segundo o autor, a nova condi&ccedil;&atilde;o    feminina continua a obedecer a l&oacute;gica do modelo entre o masculino e o    feminino, que &eacute; alimentada pelo <I>habitus</I>, sistema de disposi&ccedil;&otilde;es    adquiridas na socializa&ccedil;&atilde;o, que funcionam como organizadoras das    pr&aacute;ticas e das representa&ccedil;&otilde;es. A viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica    recorre &agrave;s categorias androc&ecirc;ntricas, que se inscrevem nas coisas    e nos corpos como estruturas duradouras para a eterniza&ccedil;&atilde;o das    rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o legitimadas    na subordina&ccedil;&atilde;o. O conceito de campo, em Bourdieu, traz a dimens&atilde;o    das lutas concorrenciais entre a ortodoxia e seu direito de dizer o que &eacute;    direito, e a heterodoxia que a contesta. O feminismo como heterodoxia reproduz    as posi&ccedil;&otilde;es no campo de for&ccedil;as e de lutas, mantendo a domina&ccedil;&atilde;o    masculina como ortodoxia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra abordagem sobre a distin&ccedil;&atilde;o    entre sexo e g&ecirc;nero foi elaborada por Butler (2003). Ela deu &ecirc;nfase    &agrave; cultura para distingui-los, contrastando sexo, como diferen&ccedil;a    biol&oacute;gica entre macho e f&ecirc;mea, e g&ecirc;nero, como constru&ccedil;&atilde;o    social, cultural e psicol&oacute;gica. As identidades fixas e essencializadas    em "homens" e "mulheres" puderam ser discutidas, abrindo    um leque de varia&ccedil;&otilde;es segundo a cultura e a experi&ecirc;ncia.    Assim:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">Ela prop&otilde;e uma pesquisa geneal&oacute;gica,      que, ao mostrar como foi constru&iacute;da a dualidade sexual, como diversos      discursos cient&iacute;ficos produziram essa dualidade discursivamente, desafie      o car&aacute;ter imut&aacute;vel do sexo (Piscitelli, 2002, p. 27).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o s&oacute; o g&ecirc;nero &eacute;    culturalmente constru&iacute;do, mas o sexo tamb&eacute;m, superando o binarismo    sexo-natureza, g&ecirc;nero-cultura. Nessa perspectiva, g&ecirc;nero deixa de    se referir ao masculino e ao feminino, introduzindo m&uacute;ltiplas possibilidades    de identifica&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o est&atilde;o essencializadas    em formas duais de diferen&ccedil;a sexual e de g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Butler, g&ecirc;nero e sexo n&atilde;o s&atilde;o    "naturais", possuem significa&ccedil;&atilde;o cultural que se inscreve    no corpo, mas muda no tempo e no espa&ccedil;o, n&atilde;o se reduzindo a oposi&ccedil;&otilde;es    bin&aacute;rias simples. O g&ecirc;nero cont&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es    de poder que produzem o efeito de um sexo pr&eacute;-discursivo, constru&iacute;do    assim culturalmente. Essas rela&ccedil;&otilde;es sociais de poder desenvolvem-se    em contextos espec&iacute;ficos, n&atilde;o sendo permanentes. A discrimina&ccedil;&atilde;o    e a desigualdade entre os sexos e os g&ecirc;neros resultam de rela&ccedil;&otilde;es    de domina&ccedil;&atilde;o que podem ser mudadas, e a desessencializa&ccedil;&atilde;o    da subordina&ccedil;&atilde;o da mulher contribui com isso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Piscitelli (2002) sistematiza o contraste entre    as categorias anal&iacute;ticas "g&ecirc;nero" e "mulher",    mostrando que ap&oacute;s a cr&iacute;tica desconstrutivista do conceito de    g&ecirc;nero, autoras que se preocupam com a pr&aacute;tica pol&iacute;tica    das mulheres prop&otilde;em a reelabora&ccedil;&atilde;o dessa categoria, mas    sem um sentido definido do que &eacute; mulher, sem atribuir-lhes uma ess&ecirc;ncia,    e situando-as em contextos espec&iacute;ficos. Essa categoria reconheceria as    diferen&ccedil;as entre as mulheres, mas identificaria as semelhan&ccedil;as    que viabilizam um projeto pol&iacute;tico feminino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como a pesquisa de campo deteve-se no estudo    de homens e mulheres na advocacia, sem aventar outras identifica&ccedil;&otilde;es    distintas da heterossexualidade, focamos a an&aacute;lise principalmente no    &acirc;mbito da divis&atilde;o sexual do trabalho<a name="tx12"></a><a href="#nt12"><SUP>12</SUP></a>.    Partilhamos do <I>insight</I> de Scott de que a segrega&ccedil;&atilde;o no    mercado &eacute; constitutiva das rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero    e das rela&ccedil;&otilde;es de poder entre eles, em vez de enquadrar as mulheres    no espa&ccedil;o da casa, que chegam tardiamente ao mundo profissional. Trabalhamos    com o conceito de g&ecirc;nero na dimens&atilde;o relacional entre masculino    e feminino, mas limitado ao aspecto bin&aacute;rio heterossexual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O profissionalismo, como uma ideologia e uma    pr&aacute;tica de monopoliza&ccedil;&atilde;o de mercados, expandiu-se no final    do s&eacute;culo XIX e consolidou-se no s&eacute;culo XX. Dessa forma, vem marcado    pelas assimetrias nas rela&ccedil;&otilde;es de poder entre os g&ecirc;neros    ao longo desse per&iacute;odo, mesmo que essas rela&ccedil;&otilde;es experimentem    mudan&ccedil;as quantitativas e qualitativas na atualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fechamento e a prote&ccedil;&atilde;o de mercados,    a neutralidade da <I>expertise</I>, as rela&ccedil;&otilde;es de confian&ccedil;a    entre leigo e profissional, a especializa&ccedil;&atilde;o e a dedica&ccedil;&atilde;o    integral &agrave; profiss&atilde;o formam um conjunto de caracter&iacute;sticas    que reproduzem a segrega&ccedil;&atilde;o sexual do trabalho. Por outro lado,    as conquistas das mulheres em termos de direitos e espa&ccedil;o no mundo profissional    superior abrem oportunidades de empoderamento, reduzindo a assimetria e a subordina&ccedil;&atilde;o    feminina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O "<I>script </I>sexuado"<a name="tx13"></a><a href="#nt13"><SUP>13</SUP></a>    das carreiras e as barreiras &agrave; ascens&atilde;o das mulheres na advocacia    brasileira e internacional</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em um levantamento feito no <I>site</I> do Cesa,    abarcando 20% dos escrit&oacute;rios filiados da cidade de S&atilde;o Paulo,    selecionamos cinq&uuml;enta sociedades de advogados, cujo quadro profissional    totalizou 2.601 advogados(as). A <a href="#tab01">Tabela 1</a> apresenta a distribui&ccedil;&atilde;o    dessa amostra, segundo o tamanho do escrit&oacute;rio, a posi&ccedil;&atilde;o    ocupada e o g&ecirc;nero. Os advogados s&oacute;cios s&atilde;o 75% e as advogadas    s&oacute;cias, 25%, os advogados associados s&atilde;o 51% e as advogadas associadas,    49%<a name="tx14"></a><a href="#nt14"><SUP>14</SUP></a>. Quando classificamos    essas sociedades em faixas, conforme o n&uacute;mero de advogados(as), registramos    uma barreira em todas as faixas para o ingresso de mulheres na condi&ccedil;&atilde;o    de s&oacute;cia. Os escrit&oacute;rios de m&eacute;dio porte, reunindo de 10    a 49 profissionais, apresentam maior participa&ccedil;&atilde;o de associadas    (53%), mas como s&oacute;cias, as advogadas s&atilde;o 29%. O ambiente menos    receptivo &eacute; o modelo tradicional de escrit&oacute;rio solo ou com poucos    parceiros, onde os homens predominam com larga vantagem, como s&oacute;cio (71%)    e associado (62%), seguido das grandes sociedades de advogados (a partir de    cinq&uuml;enta profissionais), com 76% de s&oacute;cios e 48% de associados.</font></p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab01.gif" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="37,241,118,254" href="http://www.cesa.org.br" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A literatura espec&iacute;fica refere-se a essa    barreira de g&ecirc;nero para o topo da profiss&atilde;o como "teto de    vidro" (<I>glass ceiling</I>). Junqueira (1999) reporta-se ao estudo de    Thornton (1996, <I>apud </I>Junqueira, 1999) sobre as mulheres nas profiss&otilde;es    jur&iacute;dicas na Austr&aacute;lia, como tamb&eacute;m a estudos focalizando    a mesma tem&aacute;tica em outros pa&iacute;ses, para pensar as especificidades    e as semelhan&ccedil;as com o caso brasileiro. O teto de vidro &eacute; comum    a todos. Refere-se &agrave; barreira invis&iacute;vel que d&aacute; a ilus&atilde;o    de igualdade de oportunidades na carreira, mas bloqueia o acesso &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es    elevadas da hierarquia profissional, mantendo as advogadas nas atividades menos    valorizadas, que n&atilde;o preparam para posi&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio    e poder, e t&ecirc;m pouco contato com clientes. Em pa&iacute;ses como os Estados    Unidos, onde a inscri&ccedil;&atilde;o da mulher na ordem dos advogados (<I>bar    association</I>) s&oacute; foi permitida a partir da d&eacute;cada de 1970,    alguns autores relacionam o teto de vidro com este ingresso tardio, o que seria    superado com o tempo. Mas, esse obst&aacute;culo existe nas mais variadas carreiras    que incorporaram a participa&ccedil;&atilde;o feminina em diversos pa&iacute;ses    de origens e tradi&ccedil;&otilde;es distintas. Tal bloqueio n&atilde;o pode    ser superado apenas pelo tempo, sem mudan&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o    desigual de poder profissional. E esta n&atilde;o ser&aacute; modificada sem    transforma&ccedil;&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres    no &acirc;mbito da casa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma outra fonte recente sobre o perfil dos profissionais    da advocacia no Brasil &eacute; a Rela&ccedil;&atilde;o Anual de Informa&ccedil;&otilde;es    Sociais &#150; Rais, de 2005. Esses dados s&atilde;o fornecidos por empresas e &oacute;rg&atilde;os    p&uacute;blicos, ao Minist&eacute;rio do Trabalho, sobre seu quadro de emprego    formal (assalariados), o que n&atilde;o se aplica aos s&oacute;cios(as) e associados(as)    dos escrit&oacute;rios e das sociedades de advogados. Mesmo assim, permite visualizar    as desigualdades de g&ecirc;nero no mercado de trabalho jur&iacute;dico. Os    resultados a seguir foram extra&iacute;dos do subgrupo 241 &#91;advogados(as), procuradores(as),    tabeli&atilde;es(&atilde;s) e afins&#93; da Rais, e encontram-se na <a href="#tab02">Tabela    2</a>.</font></p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab2a.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab2b.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana"><a href="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab2c.gif">Tabela    2c</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">No total de 51.551 profissionais do direito,    45% s&atilde;o mulheres, e elas s&atilde;o mais jovens do que eles. As advogadas    at&eacute; 39 anos de idade eram 66% do contingente feminino. Para eles, essa    propor&ccedil;&atilde;o era de 52%, o que confirma a expans&atilde;o mais recente    das mulheres nessas ocupa&ccedil;&otilde;es. Quanto ao n&uacute;mero de horas    trabalhadas, as advogadas apresentam uma carga semelhante &agrave; dos advogados.    At&eacute; 30 horas semanais, h&aacute; 16% delas e 18% deles, na faixa 30-40    horas semanais, h&aacute; 46% delas e 44% deles, e na faixa 41-44 horas semanais,    elas s&atilde;o 39% e eles, 38%. Nessas posi&ccedil;&otilde;es, as mulheres    n&atilde;o apresentaram maiores dificuldades de cumprir uma carga hor&aacute;ria    equivalente e at&eacute; superior &agrave; dos homens, mas a faixa de remunera&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dia &eacute; mais baixa para elas. &Eacute; prov&aacute;vel que para    os homens haja mais articula&ccedil;&atilde;o deste trabalho com a pr&aacute;tica    da advocacia em escrit&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os advogados e afins, a distribui&ccedil;&atilde;o    da remunera&ccedil;&atilde;o &eacute; a seguinte: 46% at&eacute; 10 sal&aacute;rios    m&iacute;nimos, 25% de 10,1 a 20 sal&aacute;rios m&iacute;nimos e 29% ganham    mais de 20 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Para as advogadas e afins &eacute;:    48% at&eacute; 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos, 27% de 10,1 a 20 sal&aacute;rios    m&iacute;nimos e 25% recebem mais de 20 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. A naturaliza&ccedil;&atilde;o    do pressuposto de que as mulheres dedicam menos tempo ao trabalho por "preferirem"    combinar a jornada profissional com a jornada da fam&iacute;lia n&atilde;o se    confirma nesses dados. Aqui o "teto de vidro" deixa ver que o princ&iacute;pio    da remunera&ccedil;&atilde;o igual para trabalho igual tamb&eacute;m n&atilde;o    se aplica &agrave; atividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No mercado "liberal" da advocacia no    Brasil, os escrit&oacute;rios de m&eacute;dio porte s&atilde;o os que mais contam    com a participa&ccedil;&atilde;o de advogadas, mas em posi&ccedil;&otilde;es    assalariadas. Na condi&ccedil;&atilde;o de s&oacute;cia, elas ocupam espa&ccedil;o    semelhante nos escrit&oacute;rios pequenos e m&eacute;dios (29%). Analisando    as mulheres na advocacia holandesa, Groot-van Leeuwen (2003) encontrou maior    dificuldade de inser&ccedil;&atilde;o da advogada nos escrit&oacute;rios de    pequeno porte, e atribuiu isto &agrave; predomin&acirc;ncia de uma vis&atilde;o    tradicional sobre as diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero que seriam mais acentuadas    nesses escrit&oacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A concentra&ccedil;&atilde;o das advogadas nas    posi&ccedil;&otilde;es menos valorizadas da carreira e nos escrit&oacute;rios    m&eacute;dios &eacute; interpretada tanto como um preconceito das firmas, que    partem do estere&oacute;tipo de que as advogadas n&atilde;o t&ecirc;m disponibilidade    para o grau de dedica&ccedil;&atilde;o exigido e precisam provar sua compet&ecirc;ncia    &#150; prejulgamentos que n&atilde;o se aplicam aos advogados &#150;, quanto como resultado    de um "<I>script</I> sexuado". Nele, a concilia&ccedil;&atilde;o da    vida familiar e profissional &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o exclusivamente    feminina e a pressuposi&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia na esfera profissional    &eacute; monopolizada pelos homens (cf. Le Feuvre e Lapeyere, 2005, p. 113).    A indisponibilidade masculina na esfera dom&eacute;stica combinase com a "escolha"    das mulheres por trabalhos que lhes permitam usufruir de soberania sobre seu    tempo, e de exerc&ecirc;-lo em locais que lhes sejam menos hostis, o que explicaria    em parte a sub-representa&ccedil;&atilde;o feminina nas posi&ccedil;&otilde;es    privilegiadas no mercado profissional, fator que incide sobre a remunera&ccedil;&atilde;o    obtida. Segundo as autoras, esse "<I>script</I> sexuado" tamb&eacute;m    segrega internamente as profiss&otilde;es jur&iacute;dicas no que se refere    &agrave; especializa&ccedil;&atilde;o e &agrave; oferta equilibrada de servi&ccedil;os    jur&iacute;dicos pelo territ&oacute;rio. Para elas, a sub-representa&ccedil;&atilde;o    das mulheres no exerc&iacute;cio profissional &eacute; preocupante, porque as    advogadas ultrapassar&atilde;o o n&uacute;mero de homens no exerc&iacute;cio    da advocacia e "n&atilde;o representam mais do que uma pequena minoria    de indiv&iacute;duos eleitos para refletir sobre as transforma&ccedil;&otilde;es    estruturais em curso e para elaborar as estrat&eacute;gias de defesa dos interesses    da profiss&atilde;o no futuro" (<I>Idem</I>, p. 122).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&aacute;rios s&atilde;o os fatores que beneficiam    os advogados em detrimento das advogadas no processo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o.    O capital social &eacute; o primeiro deles. Segundo Schultz e Shaw (2003), o    capital acad&ecirc;mico &eacute; partilhado por ambos os g&ecirc;neros, mas    a entrada na profiss&atilde;o e a progress&atilde;o nela dependem do acesso    a grupos hegem&ocirc;nicos de poder que atuam como mentores e not&aacute;veis.    Como as mulheres est&atilde;o menos posicionadas no topo da profiss&atilde;o,    elas t&ecirc;m mais dificuldade de constituir essas redes. Al&eacute;m disso,    chegar at&eacute; a posi&ccedil;&atilde;o de s&oacute;cio requer capital social    para recrutar novos clientes empresariais e debitar mais horas de servi&ccedil;os    prestados. O caminho at&eacute; l&aacute; passa pela sociabilidade em pr&aacute;ticas    que consolidam v&iacute;nculos de masculinidade, como formar times de futebol,    sair para beber com os colegas, conversar sobre esportes, jantar com clientes,    entre outras atividades que comp&otilde;em o diferencial de g&ecirc;nero n&atilde;o    acess&iacute;vel &agrave;s advogadas. O capital social feminino tamb&eacute;m    &eacute; escasso nas fun&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o nas    associa&ccedil;&otilde;es profissionais, constituindo um perfil profissional    mais desfavorecido desses atributos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sendo o impacto do g&ecirc;nero t&atilde;o forte    para estratificar a carreira, as mulheres que conseguem superar as barreiras    de ingresso como s&oacute;cias s&atilde;o aquelas que melhor realizam o apagamento    dessas diferen&ccedil;as, e o discurso sobre a conquista da igualdade de oportunidades    &eacute; uma das formas de faz&ecirc;-lo. Aceitar o "desafio" de ter    que provar ser t&atilde;o capaz quanto os homens &eacute; o outro lado da mesma    moeda que busca tornar o g&ecirc;nero invis&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O profissionalismo constru&iacute;do no final    do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &#150; contexto que reservava    a rua, o p&uacute;blico e a <I>expertise</I> para os homens, e a casa, o privado    e o leigo para as mulheres &#150; incorpora as advogadas divididas pela forma como    lidam com o g&ecirc;nero. Aquelas que conseguem superar a barreira para se tornarem    s&oacute;cias s&atilde;o tamb&eacute;m as bem-sucedidas na realiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho ideol&oacute;gico e de administra&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es<a name="tx15"></a><a href="#nt15"><SUP>15</SUP></a>    no sentido de ajustarem-se aos valores masculinos da profiss&atilde;o. A "igualdade"    de oportunidades s&oacute; parece alcan&ccedil;&aacute;vel quando &eacute; operada    a masculiniza&ccedil;&atilde;o do ide&aacute;rio e da pr&aacute;tica profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Devido &agrave; limita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o,    este texto vai se deter na an&aacute;lise dos dados quantitativos obtidos no    <I>survey</I>, para estabelecer a base objetiva das semelhan&ccedil;as e das    diferen&ccedil;as entre homens e mulheres na advocacia, deixando a discuss&atilde;o    do material qualitativo para outro momento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os resultados do <I>survey</I>: tend&ecirc;ncias    profissionais nas sociedades de advogados"</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o intuito de identificar o perfil dos advogados    e das advogadas, a amostra estabeleceu cotas de 50% para cada grupo. Como se    trata de um grupo jovem, os(as) solteiros(as) formam o contingente principal    (63% dos entrevistados e 59% das entrevistadas), mas h&aacute; entre as mulheres    alguns poucos casos de uni&otilde;es desfeitas. A distribui&ccedil;&atilde;o    et&aacute;ria indica que os advogados da amostra s&atilde;o um pouco mais jovens    do que as advogadas, com 72% deles e 67% delas tendo de 23 a 30 anos. Entre    31 e 40 anos, h&aacute; 25% deles e 31% delas. Esses dados contrastam com os    obtidos na Rais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os per&iacute;odos nos quais os(as) informantes    se graduaram s&atilde;o exatamente iguais para ambos: 37% entre 1991 e 1999,    55% entre 2000 e 2004, e 8% entre 2005 e 2006. A cor &eacute; outro aspecto    comum: o grupo &eacute; esmagadoramente branco (96% para eles e 98% para elas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A amostra revela-se proveniente de uma origem    social elevada em ter mos de escolaridade<a name="tx16"></a><a href="#nt16"><SUP>16</SUP></a>.    A instru&ccedil;&atilde;o paterna predominante &eacute; o curso superior completo    para 78% dos jovens advogados e &eacute; de 69% para as advogadas. Tendo o pai    com o segundo grau completo ou universit&aacute;rio incompleto &aacute; 15%    dos homens e 19% das mulheres. Embora haja uma concentra&ccedil;&atilde;o menor    de m&atilde;es formadas em faculdades, o grupo preserva o padr&atilde;o de uma    origem social bem instru&iacute;da, com 60% dos advogados e 55% das advogadas    oriundos de fam&iacute;lias nas quais a m&atilde;e possui diploma universit&aacute;rio.    O segundo grau e o superior incompleto re&uacute;nem 29% das m&atilde;es deles    e 35% das m&atilde;es delas. Embora o grupo dos rapazes apresente fam&iacute;lias    com mais anos de estudo, sobressai a semelhan&ccedil;a entre os g&ecirc;neros    na alta escolariza&ccedil;&atilde;o dos pais. Em sintonia com esses dados, observa-se    que 52% dos homens possuem parentes que atuam na &aacute;rea jur&iacute;dica,    sendo 44% como advogados. Para as mulheres, 48% possuem parentes na &aacute;rea    jur&iacute;dica, sendo 40% como advogados. A endogenia na carreira &eacute;    grande na amostra, sendo maior para os entrevistados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Detalhadas as semelhan&ccedil;as de perfil social    entre os advogados e as advogadas, vamos examinar as caracter&iacute;sticas    profissionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse aspecto, houve uma intencionalidade na    sele&ccedil;&atilde;o da amostra, procurando-se contemplar a varia&ccedil;&atilde;o    no tamanho dos escrit&oacute;rios. Uma das formas de se fazer isso foi buscar    entrevistar advogados(as) trabalhando em bancas filiadas ou n&atilde;o ao Centro    de Estudo das Sociedades de Advogados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dividimos os escrit&oacute;rios em tr&ecirc;s    faixas: pequenos, respondendo a 54 question&aacute;rios; m&eacute;dios, com    92 question&aacute;rios; e grandes, com 70 question&aacute;rios. Na <a href="#tab03">Tabela    3</a>, vemos que na nossa amostra a primeira faixa &eacute; a que apresenta    menor participa&ccedil;&atilde;o feminina (23 % a 27%), seguida da terceira    faixa (28% a 37%). As mulheres predominam apenas nos escrit&oacute;rios de 10    a 49 profissionais (36% a 49%), dados que est&atilde;o em conson&acirc;ncia    com a amostra extra&iacute;da do <I>site</I> do Cesa. Todas as sociedades de    advogados classificadas na terceira faixa (50 profissionais ou mais) eram filiadas    ao Cesa. As sociedades de advogados, sempre que podem, priorizam a advocacia    de neg&oacute;cios e a clientela empresarial.</font></p>     <p><a name="tab03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se agruparmos os escrit&oacute;rios segundo a    filia&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o ao Cesa (<a href="#tab04">Tabela 4</a>),    observamos uma incid&ecirc;ncia de advogadas nas sociedades que n&atilde;o comp&otilde;em    o quadro da associa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, os escrit&oacute;rios filiados    ao Cesa apresentam uma composi&ccedil;&atilde;o de 49% de advogadas e 51% de    advogados, e esta propor&ccedil;&atilde;o se inverte para as firmas n&atilde;o    filiadas, onde as mulheres profissionais ultrapassam o n&uacute;mero de homens.    Disto resulta que os escrit&oacute;rios de m&eacute;dio porte, n&atilde;o filiados    ao Cesa, s&atilde;o mais receptivos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de advogadas,    bem como s&atilde;o percebidos por elas como lugares poss&iacute;veis de se    combinar a profissionaliza&ccedil;&atilde;o e a vida privada, conforme o "<I>script    </I>sexuado" (cf. Le Feuvre e Lapeyere, 2005).</font></p>     <p><a name="tab04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab04.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo as autoras &eacute; parte das diferen&ccedil;as    nesse <I>script</I> os advogados planejarem se dedicar intensamente &agrave;    carreira por alguns anos, para que isso resulte em um diferencial que lhes permita    alcan&ccedil;ar uma posi&ccedil;&atilde;o que mais tarde representar&aacute;    contar com advogados trabalhando com/para ele, o que lhe permitir&aacute; usufruir    lazer. Para os homens, esse roteiro n&atilde;o inclui atividades na vida dom&eacute;stica.    Para as mulheres, ele combina trabalho que d&ecirc; tempo &agrave; fam&iacute;lia,    mas n&atilde;o prev&ecirc; lazer. Sociedades de advogados regidas pela l&oacute;gica    empresarial e da disponibilidade total favorecem o <I>script</I> masculino e    excluem o feminino. Nelas, o tempo m&eacute;dio para as advogadas obterem promo&ccedil;&otilde;es    &eacute; superior ao dos homens.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mesmo em uma amostra jovem, ressalta-se a disparidade    entre os g&ecirc;neros no que diz respeito ao cargo ocupado. Conforme a <a href="#tab05">Tabela    5</a>, entre s&oacute;cios de escrit&oacute;rios encontramos 34% de advogados    e 20% de advogadas entrevistados, isto para um grupo que apresentou exatamente    a mesma distribui&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo    em que se graduaram. Em fun&ccedil;&atilde;o desta dificuldade de ingresso no    topo da carreira, h&aacute; um n&uacute;mero maior de mulheres na posi&ccedil;&atilde;o    de advogada s&ecirc;nior/plena (37%) do que de advogado s&ecirc;nior/pleno (33%).    J&aacute; como advogada jr. as mulheres predominam sobre os homens (42% a 32%).</font></p>     <p><a name="tab05"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab05.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#tab06">Tabela 6</a> apresenta algumas    informa&ccedil;&otilde;es que diferem daquelas observadas nos dados coletados    no <I>site</I> do Cesa e em pesquisas internacionais. Embora nossa amostra n&atilde;o    tenha sido aleat&oacute;ria, e n&atilde;o represente o grupo como um todo, ela    capta tend&ecirc;ncias entre os mais jovens. As mulheres predominam nos escrit&oacute;rios    de m&eacute;dio porte em posi&ccedil;&otilde;es subordinadas, mas observase    uma menor resist&ecirc;ncia &agrave; participa&ccedil;&atilde;o delas nos escrit&oacute;rios    pequenos como associadas. &Eacute; nesta faixa tamb&eacute;m que as advogadas    est&atilde;o constituindo suas pr&oacute;prias bancas advocat&iacute;cias, apoiadas    em sua reputa&ccedil;&atilde;o profissional.</font></p>     <p><a name="tab06"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab06.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto &agrave;s &aacute;reas, os advogados entrevistados    declararam atuar em um n&uacute;mero maior de especialidades do que as advogadas.    Em m&eacute;dia elas se referiram a duas &aacute;reas, e eles chegam perto de    tr&ecirc;s &aacute;reas. Apenas em uma &aacute;rea as mulheres pontuaram mais    do que os homens, no direito do trabalho. Os homens aparecem em porcentagem    superior nas seguintes especialidades: contencioso, societ&aacute;rio, comercial,    penal, civil, tribut&aacute;rio, administrativa e em novas &aacute;reas. Os    profissionais de ambos os g&ecirc;neros aparecem relativamente empatados nas    &aacute;reas de direito de fam&iacute;lia, direito p&uacute;blico, direito difuso    e direito de neg&oacute;cios. As &aacute;reas mais mencionadas pelos homens    s&atilde;o: contencioso, civil e comercial; pelas mulheres s&atilde;o: contencioso,    civil e trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas pesquisas internacionais, as mulheres tamb&eacute;m    tendem a ser menos especializadas do que os homens e a ocupar guetos femininos,    como o Direito de Fam&iacute;lia. O que h&aacute; de comum a tais guetos &eacute;    que predomina o perfil do cliente individual &#150; em vez do empresarial &#150;, proveniente    de estratos sociais m&eacute;dios e baixos, com menor retorno financeiro e maior    trabalho emocional. A "op&ccedil;&atilde;o" das advogadas por essas    &aacute;reas est&aacute; vinculada &agrave; administra&ccedil;&atilde;o da carga    de trabalho profissional e familiar. S&atilde;o &aacute;reas que lidam com menos    imprevistos e com tarefas rotineiras, cuja carga &eacute; ajust&aacute;vel ao    planejamento de hor&aacute;rio e tempo, envolvem menos especializa&ccedil;&atilde;o,    treinamento e atualiza&ccedil;&atilde;o (cf. Schultz e Shaw, 2003). Essas caracter&iacute;sticas    refor&ccedil;am a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do capital social das advogadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro fator de diferen&ccedil;a de g&ecirc;nero    na amostra &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o onde os informantes se graduaram    (<a href="#tab07">Tabela 7</a>). Para as advogadas, h&aacute; concentra&ccedil;&atilde;o    nas faculdades privadas religiosas, com 50% delas formadas na PUC e no Mackenzie,    propor&ccedil;&atilde;o que para os advogados &eacute; de 40%. Com diploma de    universidades p&uacute;blicas elas constituem 19% e eles, 29%. Nas privadas    leigas h&aacute; empate com 31%.</font></p>     <p><a name="tab07"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab07.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; 77% de entrevistados cursando ou tendo    algum curso de especializa&ccedil;&atilde;o/p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    para 67% delas. Para ambos, esses cursos s&atilde;o principalmente custeados    pelo pr&oacute;prio profissional. O "<I>script</I> sexuado" tamb&eacute;m    atua aqui. H&aacute; mulheres que interrompem os estudos em fun&ccedil;&atilde;o    da vida dom&eacute;stica e retomam depois. Isto pode explicar a faixa et&aacute;ria    feminina ser um pouco superior &agrave; masculina, mesmo que ambos os g&ecirc;neros    tenham se graduado no mesmo per&iacute;odo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse <I>script </I>se faz sentir nas possibilidades    de realizar cursos de especializa&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.    A disponibilidade integral masculina para os assuntos da carreira &eacute; acompanhada    da indisponibilidade para as quest&otilde;es da vida dom&eacute;stica. O montante    de homens e mulheres casados na amostra &eacute; equivalente, mas h&aacute;    incid&ecirc;ncia de cursos de especializa&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    para eles. Esse fen&ocirc;meno tamb&eacute;m &eacute; observado nas carreiras    jur&iacute;dicas p&uacute;blicas. Barbalho (2008) menciona o depoimento de ju&iacute;zas    que destacam as diferen&ccedil;as nas oportunidades para a realiza&ccedil;&atilde;o    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com elas acumulando as fun&ccedil;&otilde;es    da fam&iacute;lia e os ju&iacute;zes avan&ccedil;ando em sua titula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando indagados sobre os motivos para fazerem    os cursos freq&uuml;entados, os advogados pontuaram mais do que elas nas seguintes    alternativas: ascens&atilde;o na carreira (48% a 38%), dedica&ccedil;&atilde;o    &agrave; &aacute;rea acad&ecirc;mica (45% a 32%), mudan&ccedil;a na &aacute;rea    de atua&ccedil;&atilde;o (7% a 5%), amplia&ccedil;&atilde;o dos horizontes (7%    a 1%), satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal ( 2% a 0) e prest&iacute;gio junto ao    cliente (1% a 0). As advogadas pontuaram mais do que eles nas seguintes alternativas:    melhorar curr&iacute;culo (39% a 37%), aperfei&ccedil;oamento pessoal (6% a    2%), atualiza&ccedil;&atilde;o (6% a 1%), aprofundamento do conhecimento (4%    a 2%). As alternativas que destacam as possibilidades de alcan&ccedil;ar sucesso    profissional aparecem principalmente para os homens, j&aacute; as que enfatizam    um diferencial na compet&ecirc;ncia foram mais mencionadas pelas mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Homens e mulheres tamb&eacute;m avaliam de forma    diferente as &aacute;reas promissoras na advocacia. Elas aparecem &agrave; frente    na avalia&ccedil;&atilde;o positiva do direito tradicional<a name="tx17"></a><a href="#nt17"><SUP>17</SUP></a>    (38% a 26%). Eles pontuam mais do que as advogadas ao considerar o direito de    neg&oacute;cios<a name="tx18"></a><a href="#nt18"><SUP>18</SUP></a> promissor    (51% a 46%), seguido do direito difuso<a name="tx19"></a><a href="#nt19"><SUP>19</SUP></a>    (44% a 40%), do direito p&uacute;blico<a name="tx20"></a><a href="#nt20"><SUP>20</SUP></a>    (32% a 30%), das novas &aacute;reas<a name="tx21"></a><a href="#nt21"><SUP>21</SUP></a>    (40% a 19%) e da solu&ccedil;&atilde;o alternativa de disputas<a name="tx22"></a><a href="#nt22"><SUP>22</SUP></a>    (16% a 13%). As mulheres v&ecirc;em mais espa&ccedil;o a conquistar na &aacute;rea    do direito tradicional que come&ccedil;a a desinteressar os homens, orientados    para as especializa&ccedil;&otilde;es mais recentes. Um padr&atilde;o observado    na feminiza&ccedil;&atilde;o das carreiras &eacute; o fato de as mulheres ampliarem    sua participa&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas que os homens est&atilde;o se    retirando, o que refor&ccedil;a a segrega&ccedil;&atilde;o sexual do trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o (<a href="#tab08">Tabela    8</a>), at&eacute; R$ 4.000,00 ganham 54% das advogadas e 39% dos advogados    da amostra. S&atilde;o os escrit&oacute;rios com at&eacute; 9 profissionais    que concentram a maior parte dos sal&aacute;rios nas faixas mais baixas (64%    delas e 59% deles). Mas, a maior disparidade nos rendimentos entre os g&ecirc;neros    est&aacute; nos escrit&oacute;rios de 10 a 49 profissionais: neles 53% das mulheres    ganham at&eacute; R$ 4.000,00 e apenas 26% dos homens recebem este valor. Nas    sociedades com 50 ou mais profissionais, a maioria dos(as) informantes ganha    acima desse valor: 47% das advogadas e 37% dos advogados recebem mensalmente    at&eacute; R$ 4.000,00. Ou seja, onde as mulheres configuram-se como maioria,    podendo se considerar um ambiente profissional receptivo a elas &eacute; onde    a subordina&ccedil;&atilde;o feminina e a desigualdade de remunera&ccedil;&atilde;o    com os homens s&atilde;o mais acentuadas.</font></p>     <p><a name="tab08"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab08.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; concord&acirc;ncia de opini&atilde;o    entre os entrevistados sobre o fator que &eacute; mais importante para o sucesso    das sociedades de advogados: o consenso entre os g&ecirc;neros &eacute; a "capacidade    de conquistar novos clientes", seguido do "investimento na forma&ccedil;&atilde;o    do corpo profissional". Esses aspectos aparecem na frente de outros, como    o "sucesso nos tribunais", "notoriedade dos s&oacute;cios",    "administra&ccedil;&atilde;o da sociedade", "especialidade na    &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o" e "investimento na estrutura    do escrit&oacute;rio". Os aspectos considerados menos relevantes foram:    "n&uacute;mero de s&oacute;cios do escrit&oacute;rio", "exist&ecirc;ncia    de metas de produ&ccedil;&atilde;o", "diversidade na &aacute;rea de    atua&ccedil;&atilde;o" e "exist&ecirc;ncia de planos de carreira".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A opini&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea tamb&eacute;m    sobre os fatores mais importantes para ser bom profissional: lidera a lista    a alternativa "boa comunica&ccedil;&atilde;o com o cliente" acompanhada    de perto por "conhecer a lei". Elas obtiveram pontua&ccedil;&atilde;o    mais elevada que "conhecer t&eacute;cnica processual", "conhecer    a realidade pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social brasileira", "conhecer    a realidade pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social mundial", "apresentar    diversas solu&ccedil;&otilde;es, entre elas jurisdi&ccedil;&atilde;o estatal"    e "ter forma&ccedil;&atilde;o interdisciplinar".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A centralidade do mercado combinada com a <I>expertise</I>    est&aacute; assimilada tanto pelos pequenos, m&eacute;dios e grandes escrit&oacute;rios    como por advogados e advogadas. Hoje, faz parte do ide&aacute;rio profissional    da advocacia no Brasil colocar o cliente em primeiro lugar, principalmente quando    ele &eacute; uma empresa. Isso &eacute; mais importante do que ter sucesso nos    tribunais, porque os servi&ccedil;os prestados a essa clientela nem sempre envolvem    a presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A expans&atilde;o das sociedades de advogados,    com as privatiza&ccedil;&otilde;es nos anos de 1990, deu mais f&ocirc;lego a    um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o profissional que j&aacute; vinha crescendo    no pa&iacute;s. A predomin&acirc;ncia dos escrit&oacute;rios de pequeno porte    persiste quantitativamente, mas o impacto das grandes firmas de advocacia modificou    a profiss&atilde;o, estratificando-a a partir do tipo de clientela que atende:    os pequenos concentram-se nos clientes individuais e os grandes priorizam as    empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Analisando a estrutura social da ordem de advogados    de Chicago (Chicago Bar Association), Heinz e Laumann (1982) destacam o impacto    dessa divis&atilde;o do grupo profissional, constituindo dois hemisf&eacute;rios    bastante distintos quanto &agrave; forma de organiza&ccedil;&atilde;o interna,    &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e ao ide&aacute;rio profissional. As sociedades    de maior porte recrutam seus membros nas escolas de elite e tem por clientela    as corpora&ccedil;&otilde;es; os escrit&oacute;rios menores recrutam profissionais    em escolas de menos prest&iacute;gio e representam indiv&iacute;duos. Segundo    Schultz e Shaw:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">A homogeneidade da profiss&atilde;o jur&iacute;dica      sofreu uma eros&atilde;o s&eacute;ria. Esse processo de fratura parece ser      incontorn&aacute;vel. &Eacute; o inevit&aacute;vel resultado da exposi&ccedil;&atilde;o      das sociedades de advocacia &agrave;s for&ccedil;as de mercado e dos advogados      &agrave;s demandas de clientes poderosos na ind&uacute;stria, conforme a profiss&atilde;o      vai passando pela transforma&ccedil;&atilde;o de ter orgulho de possuir uma      &eacute;tica de profiss&atilde;o liberal para uma empresarial, trabalhando      sobre princ&iacute;pios puramente comerciais (2003, p. 53).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Na amostra entrevistada, observa-se a preponder&acirc;ncia    do modelo hierarquizado das grandes firmas, difundindo a estratifica&ccedil;&atilde;o    da carreira em s&oacute;cios e associados para todos os escrit&oacute;rios,    a orienta&ccedil;&atilde;o para o mercado e a concorr&ecirc;ncia para conquistar    novos clientes. O recrutamento de profissionais segundo o prest&iacute;gio da    escola n&atilde;o se encontra t&atilde;o demarcado aqui, havendo, portanto,    a possibilidade de se cruzar a "linha do equador" que separa os hemisf&eacute;rios    dos grandes e dos pequenos escrit&oacute;rios<a name="tx23"></a><a href="#nt23"><SUP>23</SUP></a>.    Um exemplo disso &eacute; que do total de formados nas faculdades p&uacute;blicas,    48% estavam em sociedades de 50 ou mais advogados, 33%, em sociedades de 10    a 49 advogados, e 19%, em escrit&oacute;rios de um a nove profissionais. Como    indica a <a href="#tab09">Tabela 9</a>, sendo a amostra mais jovem, raros s&atilde;o    os casos que chegaram &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es mais cobi&ccedil;adas,    como a de s&oacute;cio num grande escrit&oacute;rio.</font></p>     <p><a name="tab09"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ts/v20n1/a13tab09.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Consistente com os dados sobre o estudo dos advogados    de Chicago, as escolas de elite fazem diferen&ccedil;a para a entrada na carreira    nos escrit&oacute;rios de maior porte, assim como para os profissionais alcan&ccedil;arem    a posi&ccedil;&atilde;o de s&oacute; cio nos escrit&oacute;rios m&eacute;dios.    Mas os provenientes das escolas leigas (faculdades de direito que expandiram    muito no <I>boom</I> do ensino superior) distribuem-se por todos os tipos de    escrit&oacute;rios, com maior incid&ecirc;ncia nos pequenos e m&eacute;dios.    Os graduados nas universidades religiosas concentram-se nos escrit&oacute;rios    m&eacute;dios, apontando para uma correspond&ecirc;ncia entre o <I>ranking </I>das    escolas e das sociedades de advogados. Como as escolas privadas s&atilde;o pagas,    e isto envolve capital econ&ocirc;mico e social, &eacute; poss&iacute;vel se    encontrar jovens bem-nascidos, que cursaram escolas menos prestigiadas, convertendo    o capital social em capital profissional para ingresso nas sociedades de advogados    de parentes ou conhecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Registra-se tamb&eacute;m a forma&ccedil;&atilde;o    de redes de recrutamento ligando g&ecirc;nero, tipo de escola e tamanho do escrit&oacute;rio,    sendo bem vis&iacute;vel para as mulheres formadas nas universidades religiosas,    que constituem o principal contingente de advogadas associadas dos escrit&oacute;rios    m&eacute;dios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados do <I>survey </I>indicam que a estratifica&ccedil;&atilde;o    da carreira em s&oacute;cios e associados e da pr&aacute;tica em pequenos escrit&oacute;rios,    para as m&eacute;dias e grandes sociedades de advogados, foi amortecida pelo    ingresso das mulheres na advocacia. Essa bifurca&ccedil;&atilde;o que dividiu    a profiss&atilde;o em dois hemisf&eacute;rios, como apontam Heinz e Laumann    (1982), ou a fratura que provocou uma s&eacute;ria eros&atilde;o no grupo profissional,    como analisam Schultz e Shaw (2003), n&atilde;o se apresenta t&atilde;o acentuada    em S&atilde;o Paulo. O processo de feminiza&ccedil;&atilde;o dos escrit&oacute;rios    m&eacute;dios faz a ponte entre os dois p&oacute;los. Estas sociedades de advogados    espelham-se nas grandes firmas, difundindo o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o    profissional dos escrit&oacute;rios, filiando-se ao Cesa, partilhando a mentalidade    dos neg&oacute;cios e mantendo em sua carteira clientes empresariais. Baseados    no "<I>script</I> sexuado", esses escrit&oacute;rios hierarquizam-se    em seu interior, principalmente em <I>associadas</I> e <I>s&oacute;cios</I>,    com o "teto de vidro" a bloquear a passagem de uma posi&ccedil;&atilde;o    &agrave; outra. As advogadas s&atilde;o contratadas para as fun&ccedil;&otilde;es    rotineiras, menos especializadas e com remunera&ccedil;&atilde;o inferior, muitas    vezes tornando o or&ccedil;amento elaborado pelo escrit&oacute;rio mais competitivo    perante a concorr&ecirc;ncia, o que facilita a conquista de clientes. A reputa&ccedil;&atilde;o    profissional das mulheres &eacute; mais reconhecida nos escrit&oacute;rios pequenos    quando montam suas pr&oacute;prias bancas, ou nas grandes sociedades quando    realizam mais intensamente o trabalho emocional de apagamento do g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse &eacute; o dilema da profissionaliza&ccedil;&atilde;o    das mulheres nas carreiras masculinizadas. Quando elas alcan&ccedil;am posi&ccedil;&otilde;es    de poder capazes de influenciar nas pol&iacute;ticas profissionais, fazem-no    procurando tornar o g&ecirc;nero invis&iacute;vel no trabalho. Aquelas que t&ecirc;m    filhos vivem os custos da jornada dupla profissional e dom&eacute;stica, com    a tayloriza&ccedil;&atilde;o do tempo destinado &agrave; fam&iacute;lia, e o    desempenho de uma terceira jornada de trabalho composta da dif&iacute;cil administra&ccedil;&atilde;o    dessas ambig&uuml;idades, acompanhada de estresse, estranhamento de si e perda    da capacidade de sentir (Hochschild <I>apud</I> Bonelli, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando a administra&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es    &eacute; menor e o "<I>script</I> sexuado" &eacute; vis&iacute;vel,    a subordina&ccedil;&atilde;o feminina ocupa o centro do palco, com as mulheres    assumindo posi&ccedil;&otilde;es desprestigiadas na carreira, desprovidas de    capital social e reputa&ccedil;&atilde;o profissional, sem os recursos de poder    capazes de influenciar mudan&ccedil;as nessa configura&ccedil;&atilde;o. Embora    o ingresso no mercado profissional seja visto como uma conquista pelas mulheres,    principalmente quando comparado com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do trabalho    dom&eacute;stico, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o por si s&oacute; n&atilde;o    &eacute; capaz de modificar a subordina&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero na casa e na rua, embora possa torn&aacute;-las menos assim&eacute;tricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, o impacto do <I>ethos</I> profissional    sobre o g&ecirc;nero revela-se mais acentuado do que os reflexos do feminino    sobre o profissionalismo, principalmente porque a participa&ccedil;&atilde;o    das advogadas est&aacute; represada nas posi&ccedil;&otilde;es de menor prest&iacute;gio    e poder da carreira. Entretanto, a presen&ccedil;a delas nos escrit&oacute;rios    muda o cotidiano e influencia a sociabilidade no meio profissional, tornando    o grupo mais plural. Transforma&ccedil;&otilde;es mais significativas dependem    do empoderamento das advogadas, o que comp&otilde;e um leque diversificado de    situa&ccedil;&otilde;es, desde elas sentirem que conquistaram seguran&ccedil;a    em um ambiente profissional antes hostil at&eacute; ocuparem posi&ccedil;&otilde;es    de poder capazes de influenciar os destinos da profiss&atilde;o. A expans&atilde;o    num&eacute;rica ajuda nisso. Com metade do corpo profissional sendo composto    de mulheres, a hostilidade tende a se atenuar, como o aumento na participa&ccedil;&atilde;o    das advogadas nos pequenos escrit&oacute;rios indica. Tamb&eacute;m constituindo    uma base eleitoral expressiva, a Ordem dos Advogados ter&aacute; de formular    pol&iacute;ticas para elas, visando &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o de direitos    e &agrave; eq&uuml;idade. Em vez de seguirem invis&iacute;veis no c&oacute;digo    de &eacute;tica, as rela&ccedil;&otilde;es profissionais precisariam ser regulamentadas    para a redu&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero    na profiss&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se a subordina&ccedil;&atilde;o feminina na carreira    pode ser modificada, ela requer que a concilia&ccedil;&atilde;o da vida familiar    e profissional deixe de ser praticada apenas pelas mulheres e seja assumida    tamb&eacute;m pelos homens. A esfera profissional n&atilde;o se isola dessas    rela&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que o &acirc;mbito privado fornece parte do    imagin&aacute;rio social do "<I>script</I> sexuado" que se pratica    no mundo do trabalho. H&aacute; projetos pol&iacute;ticos das advogadas articulando    a mudan&ccedil;a nesse roteiro tradicional de progress&atilde;o na carreira,    como existem tamb&eacute;m os projetos para sua conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Embora se verifique o peso do apagamento do g&ecirc;nero    para a supera&ccedil;&atilde;o das barreiras profissionais, favorecendo a perpetua&ccedil;&atilde;o    da domina&ccedil;&atilde;o masculina (Bourdieu, 1999), h&aacute; mulheres na    carreira cujo cotidiano profissional j&aacute; n&atilde;o se encontra sujeito    &agrave;s mesmas disposi&ccedil;&otilde;es. Em geral, a partir dos 50 anos as    advogadas j&aacute; consolidaram sua reputa&ccedil;&atilde;o profissional, aumentaram    seu capital social, foram se liberando das responsabilidades de cria&ccedil;&atilde;o    dos filhos, est&atilde;o economicamente independentes, v&aacute;rias vivem separadas    ou s&atilde;o solteiras, o bem-estar do corpo tem outros significados al&eacute;m    de despertar atra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, a sociabilidade e o lazer    s&atilde;o partilhados com outras mulheres, constituindo um dia-a-dia aut&ocirc;nomo    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s principais caracter&iacute;sticas que perpetuam    a domina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero. Se h&aacute; um <I>habitus</I> que    reitera o lugar feminino subordinado, esse quadro introduz a possibilidade de    emancipa&ccedil;&atilde;o<a name="tx24"></a><a href="#nt24"><SUP>24</SUP></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse perfil re&uacute;ne condi&ccedil;&otilde;es    objetivas que tornam prov&aacute;vel o impacto qualitativo da influ&ecirc;ncia    feminina nas transforma&ccedil;&otilde;es em curso na advocacia, tanto por acumular    poder profissional e reconhecimento dos(as) colegas como por ser uma refer&ecirc;ncia    emancipada para gera&ccedil;&otilde;es mais jovens. A&iacute; reside a oportunidade    da via de m&atilde;o dupla sim&eacute;trica entre as mulheres e a profiss&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARBALHO, Renn&ecirc; M. (2008), <I>A feminiza&ccedil;&atilde;o    das carreiras jur&iacute;dicas e seus reflexos no profissionalismo</I>. S&atilde;o    Carlos. Tese de doutorado. Universidade Federal de S&atilde;o Carlos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0103-2070200800010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BERGOGLIO, Maria In&ecirc;s. (2007), "Llegar    a s&oacute;cia? La movilidad ocupacional em las grandes empresas jur&iacute;dicas:    an&aacute;lisis de g&ecirc;nero". <I>Centro de Investigaciones Jur&iacute;dicas    y Sociales.</I> Argentina, Faculdad de Derecho, Universidad Nacional de C&oacute;rdoba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0103-2070200800010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BONELLI, Maria da Gloria. (2004), "Arlie    Russell Hochschild e a sociologia das emo &ccedil;&otilde;es". <I>Cadernos    Pagu</I>, Campinas, 22: 357-372, jan.-jun.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0103-2070200800010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">_____. (2002) <I>Profissionalismo e pol&iacute;tica    no mundo do Direito</I>. S&atilde;o Paulo, EdUFSCar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0103-2070200800010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOURDIEU, Pierre. (1999), <I>A domina&ccedil;&atilde;o    masculina</I>. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0103-2070200800010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BRUSCHINI, Cristina &amp; LOMBARDI, Maria Rosa.    (2000), "A bi-polaridade do trabalho feminino no Brasil: o emprego dom&eacute;stico    e as 'novas ocupa&ccedil;&otilde;es'". <I>Cadernos de Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o    Carlos Chagas</I>, S&atilde;o Paulo, 110 (1): 67-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0103-2070200800010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BUTLER, Judith (2003). <I>Problemas de g&ecirc;nero:    feminismo e subvers&atilde;o da identidade</I>. Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o    Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0103-2070200800010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">CUNHA, Luciana G. <I>et al.</I> (2007), "Sociedade    de advogados e tend&ecirc;ncias profissionais". <I>Revista Direito GV</I>,    6: 111-138, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0103-2070200800010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">DAVID, Ren&eacute;. (1996), <I>Os grandes sistemas    do direito internacional.</I> S&atilde;o Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0103-2070200800010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">DEZALAY, Yves e GARTH, Bryant (2002), <I>The    internationalization of palace wars: lawyers, economists, and the contest to    transform latin american states</I>. Chicago, The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0103-2070200800010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GALANTER, Marc &amp; PALAY, Thomas. (1991),    <I>Tournament of lawyers: the transformation of the big law firm.</I> Chicago,    The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0103-2070200800010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GALINDO, Bruno. (2004), "A teoria da constitui&ccedil;&atilde;o    da <I>Common Law</I>: reflex&otilde;es te&oacute;ricas sobre o peculiar constitucionalismo    brit&acirc;nico". <I>Revista de Informa&ccedil;&atilde;o Legislativa, </I>164:    303-316, Bras&iacute;lia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0103-2070200800010001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GRANFIELD, Robert. (1992), <I>Making elite lawyers</I>.    Nova York, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0103-2070200800010001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GUILLAUME, C&eacute;cile. (2007), <I>Les femmes    changent-elles le travail?</I> Paris, Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0103-2070200800010001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">HEINZ, John &amp; LAUMANN, Edward. (1982), <I>Chicago    Lawyers: the social structure of the Bar. </I>Nova York, Russell Sage Foundation    e Chicago, American Bar Foundation.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0103-2070200800010001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">HIRATA, Helena &amp; KERGOAT, Dani&egrave;le.    (2003), "A divis&atilde;o sexual do trabalho revisitada". In: MARUANI    Margareth &amp; HIRATA, Helena (orgs.). <I>As novas fronteiras da desigualdade:    homens e mulheres no mercado de trabalho</I>. S&atilde;o Paulo, Senac.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0103-2070200800010001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">JUNQUEIRA, Eliane B. (1999), <I>A profissionaliza&ccedil;&atilde;o    da mulher na advocacia</I>. Rio de Janeiro, Funda&ccedil;&atilde;o Carlos Chagas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0103-2070200800010001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">LE FEUVRE, Nicky Le &amp; LAPEYERE, Nathalie.    (2005), "Les 'scripts sexu&eacute;s' de carri&egrave;re dans les professions    juridiques en France". <I>Knowledge, Work &amp; Society</I>, 1 (3): 101126,    <I>The feminization of the professions: thematic issue</I>. (org. Mirella Giannini).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0103-2070200800010001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">LEITH&Auml;USER, Thomas. (2007), "Domina&ccedil;&atilde;o    e reconhecimento nas rela&ccedil;&otilde;es sociais". Confer&ecirc;ncia    apresentada no XIII Congresso Brasileiro de Sociologia. Recife, UFPE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0103-2070200800010001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">LEUWEN, Leny E. de Groot-van. (2003), "Women    in the Dutch legal profession (19502000)". In: SCHULTZ, Ulrike &amp; SHAW,    Gisela (orgs.). <I>Women in the world's legal profession.</I> Oxford, Hart Publishing,    pp. 341-351.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0103-2070200800010001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">NELKEN, David &amp; FEEST, Johannes. (2001),    <I>Adapting Legal Cultures</I>. Oxford, Hart Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0103-2070200800010001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. (1996), <I>Perfil    dos advogados brasileiros</I>. Bras&iacute;lia, Comiss&atilde;o de Ensino Jur&iacute;dico,    OAB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0103-2070200800010001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">PISCITELLI, Adriana. (2002), "Re-criando    a (categoria) mulher?". In: ALGRANTI, Leila Mezan (org.). <I>A pr&aacute;tica    feminista e o conceito de g&ecirc;nero</I>. Campinas, Unicamp (col. Textos Did&aacute;ticos,    n. 48), pp. 7-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0103-2070200800010001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">RUBIN, Gayle. (2006), "The traffic in women:    notes on the 'political economy' of sex". <I>Feminist Anthropology: a reader,</I>    no <I>site</I> <a href="http://books.google.com" target="_blank">http://books.google.com</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0103-2070200800010001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">SCAVONE, Lucila <I>et al</I>. (2006), <I>O legado    de Foucault.</I> S&atilde;o Paulo, Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0103-2070200800010001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">SCOTT, Joan. (1990), "G&ecirc;nero: uma    categoria &uacute;til para a an&aacute;lise hist&oacute;rica". <I>Revista    de Educa&ccedil;&atilde;o e Realidade (G&ecirc;nero e Mulheres),</I> 2 (16):    5-22, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0103-2070200800010001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">SCHULTZ, Ulrike &amp; SHAW, Gisela (orgs.).    (2003), <I>Women in the world's legal professions</I>. Oxford, Hart Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0103-2070200800010001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Texto recebido em 13/07/2007 e aprovado em 22/02/2008.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Maria da Gloria Bonelli &eacute; doutora em Ci&ecirc;ncias    Sociais pela Unicamp e professora titular do Departamento de Sociologia da UFSCar.    E-mail: <a href="mailto:qbonelli@uol.com.br">qbonelli@uol.com.br</a>.    <br>   Luciana Gross Cunha &eacute; doutora em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela USP    e professora da Escola de Direito de S&atilde;o Paulo da Funda&ccedil;&atilde;o    Get&uacute;lio Vargas. E-mail: <a href="mailto:lucianacunha@fgvsp.br">lucianacunha@fgvsp.br</a>.    <br>   Fabiana Luci de Oliveira &eacute; doutora em Ci&ecirc;ncias Sociais pela UFSCar    e pesquisadora da Ipsos Public Affairs. E-mail: <a href="mailto:luci.oliveira@ipsos.com.br">luci.oliveira@ipsos.com.br</a>.    <br>   Maria Nat&aacute;lia Barboza da Silveira &eacute; mestranda do Programa de P&oacute;sGradua&ccedil;&atilde;o    em Ci&ecirc;ncias Sociais na UFSCar. Email: <a href="mailto:naty_silveira9@hotmail.com">naty_silveira9@hotmail.com</a>.    <br>   <a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Consulta aos dados estat&iacute;sticos    sobre ensino superior no <I>site </I><a href="http://www.inep.gov.br" target="_blank">www.    inep.gov.br</a>, 17/5/2007.    <br>   <a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> PNAD, 2005, IBGE.    <br>   <a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Bruschini e Lombardi (2000) identificam    o crescimento bipolar da participa&ccedil;&atilde;o feminina no mercado de trabalho    brasileiro. Para elas, essa inser&ccedil;&atilde;o &eacute; marcada pela forma&ccedil;&atilde;o    de guetos de g&ecirc;nero, com as mulheres ocupando as &aacute;reas do "cuidar".    As autoras mostram que o estere&oacute;tipo sobre a falta de disponibilidade    das mulheres para a dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; profiss&atilde;o cai por    terra quando se focaliza a Enfermagem, cuja jornada &eacute; grande e envolve    plant&otilde;es noturnos.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> Ver Barbalho (2008).    <br>   <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Esses dados foram extra&iacute;dos    de Junqueira (1999, p. 24), que os coletou no <I>site</I> da Martindale-Hubbell.    <br>   <a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Ver Nelken e Feest (2001).    <br>   <a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Sobre essa internacionaliza&ccedil;&atilde;o    na Am&eacute;rica Latina, ver Dezalay e Garth (2002).    <br>   <a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> Dados extra&iacute;dos do <I>site</I>    <a href="http://www.ufrgs/bioetica" target="_blank">http://www.ufrgs/ bio&eacute;tica</a>,    em 29/7/2007. Sobre a <I>Common Law </I>ver David (1996), Galindo (2004) e Barbalho    (2008).    <br>   <a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> O g&ecirc;nero &eacute; concebido como    uma constru&ccedil;&atilde;o cultural e social. &Eacute; uma categoria anal&iacute;tica    que questiona a naturaliza&ccedil;&atilde;o da dualidade sexual como constitutiva    da ess&ecirc;ncia fixa e imut&aacute;vel do ser. Para uma s&iacute;ntese das    mudan&ccedil;as no conceito de g&ecirc;nero e a introdu&ccedil;&atilde;o de    uma nova utiliza&ccedil;&atilde;o para a categoria "mulher", ver Piscitelli    (2002), e o segundo t&oacute;pico deste artigo.    <br>   <a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> A pesquisa foi promovida pelo GVLaw,    da FGV-SP e contou com o apoio do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados    &#150; Cesa. Os question&aacute;rios foram aplicados em 2006.    <br>   <a name="nt11"></a><a href="#tx11">11</a> Os grandes escrit&oacute;rios de advocacia    organizaram-se a partir da cria&ccedil;&atilde;o do Cesa. A sociedade de advogado    baseia-se no modelo norte-americano de estruturar a advocacia, com uma administra&ccedil;&atilde;o    profissional. Em geral, ela estratifica os advogados (as) em s&oacute;cios e    associados. Os s&oacute;cios comandam e controlam a participa&ccedil;&atilde;o    no escrit&oacute;rio, selecionando advogados para suas equipes, como associados    que recebem remunera&ccedil;&atilde;o mensal pelo trabalho realizado.    <br>   <a name="nt12"></a><a href="#tx12">12</a> Ver a revis&atilde;o da bibliografia    sobre divis&atilde;o sexual do trabalho, feita por Hirata e Kergoat (2003).    <br>   <a name="nt13"></a><a href="#tx13">13</a> O "<I>script</I> sexuado" de progress&atilde;o    nas carreiras foi conceituado por Le Feuvre e Lapeyere (2005). Tal <I>script    </I>pressup&otilde;e que os homens s&atilde;o competentes na esfera profissional    n&atilde;o precisando demonstrar isso de antem&atilde;o, enquanto as mulheres    precisam provar que s&atilde;o capazes. H&aacute; o pressuposto que elas n&atilde;o    t&ecirc;m disponibilidade total para o trabalho, atribuindo-se apenas &agrave;s    mulheres a concilia&ccedil;&atilde;o da vida familiar e profissional. Os homens    ficam dispensados desta concilia&ccedil;&atilde;o, constituindo o perfil desejado    pelas firmas de dedica&ccedil;&atilde;o integral &agrave; profiss&atilde;o.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="nt14"></a><a href="#tx14">14</a> Com o aumento no n&uacute;mero de    mulheres ingressando na OAB, a tend&ecirc;ncia &eacute; esta propor&ccedil;&atilde;o    se inverter em breve.    <br>   <a name="nt15"></a><a href="#tx15">15</a> Arlie Hochschild conceituou o trabalho    emocional como a forma consciente pela qual as pessoas atuam para suprimir a    dist&acirc;ncia entre o que est&atilde;o sentindo e o ideal que t&ecirc;m do    que deveriam sentir, submetendo os sentimentos &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o    e a serem administrados, muitas vezes assumindo a caracter&iacute;stica de uma    jornada de trabalho extra. Os subalternos realizam mais trabalho emocional que    os dominantes, assim as mulheres fazem mais do que os homens. Ver Bonelli (2004).    <br>   <a name="nt16"></a><a href="#tx16">16</a> O fato de a amostra ter sido extra&iacute;da    principalmente dos escrit&oacute;rios filiados ao Cesa pode ter elevado a composi&ccedil;&atilde;o    social do grupo, j&aacute; que as sociedades de advogados s&atilde;o reconhecidas    como firmas mais elitizadas.    <br>   <a name="nt17"></a><a href="#tx17">17</a> Engloba principalmente as &aacute;reas    de direito civil, trabalho, penal, fam&iacute;lia e tribut&aacute;rio.    <br>   <a name="nt18"></a><a href="#tx18">18</a> Inclui direito societ&aacute;rio,    empresas, neg&oacute;cios e antitruste.    <br>   <a name="nt19"></a><a href="#tx19">19</a> Inclui direito ambiental, consumidor    e direitos humanos.    <br>   <a name="nt20"></a><a href="#tx20">20</a> Inclui direito internacional, constitucional,    administrativo, fiscal e previdenci&aacute;rio.    <br>   <a name="nt21"></a><a href="#tx21">21</a> Inclui direito na internet, eletr&ocirc;nico,    das comunica&ccedil;&otilde;es, desportivo e propriedade intelectual.    <br>   <a name="nt22"></a><a href="#tx22">22</a> Inclui ADR (Alternative Dispute Resolution),    media&ccedil;&atilde;o e arbitragem.    <br>   <a name="nt23"></a><a href="#tx23">23</a> Heinz e Laumann (1982) destacam que    a bifurca&ccedil;&atilde;o da carreira pelo tipo de cliente &eacute; acompanhada    do recrutamento profissional distinto, n&atilde;o se cruzando a "linha do equador"    que separa os dois hemisf&eacute;rios da advocacia norte-americana.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="nt24"></a><a href="#tx24">24</a> Sobre as possibilidades de emancipa&ccedil;&atilde;o    das mulheres nesse per&iacute;odo da vida, ver confer&ecirc;ncia de Thomas Leith&auml;user    (2007).</font></p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA["Llegar a sócia? La movilidad ocupacional em las grandes empresas jurídicas: análisis de gênero"]]></source>
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