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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A esperança em gerações de futuro sombrio]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[At a time when many trajectories of life are characterized by an uncertain and unpredictable future - with frequent entropies and arrhythmic stages - this proposes a sociological reflection concerning generations with a dark future: youth, even with increasing education, without future expectations, elderly with longer life expectancy but cynical about its significance. Data from international surveys and case studies are convened in analysis of the anxieties of age caused by the frustrations and fears in relation to the future when the present is deficient in hope.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOCIOLOGIA E ESPERAN&Ccedil;A</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A   esperan&ccedil;a em gera&ccedil;&otilde;es</font> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">de futuro sombrio</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jos&eacute; Machado Pais</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Graduado em Economia e doutorado em   Sociologia; &eacute; investigador coordenador do   Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa. No Brasil publicou <i>Tribos urbanas</i> (Annablume) e <i>Vida     cotidiana: enigmas e revela&ccedil;&otilde;es</i> (Cortez). Em 2010 realizou o   document&aacute;rio: <i>O     fado &eacute; bom demais...</i> (fado de Quissam&atilde;, Brasil).&nbsp; @ &#150; <a href="mailto:machado.pais@ics.ul.pt">machado.pais@ics.ul.pt</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Num tempo em que muitas trajet&oacute;rias   de vida se caracterizam por um futuro incerto e imprevis&iacute;vel &#150; com frequentes   entropias e disritmias et&aacute;rias &#150;, prop&otilde;e-se uma reflex&atilde;o sociol&oacute;gica em torno   de gera&ccedil;&otilde;es de futuro sombrio: de jovens sem expectativas de futuro, mesmo   quando crescentemente escolarizados, a idosos com uma esperan&ccedil;a de vida   alongada, mas descrentes em rela&ccedil;&atilde;o ao sentido da vida. Dados de inqu&eacute;ritos   internacionais e estudos de caso ser&atilde;o convocados na an&aacute;lise de ansiedades de   idade provocadas por frustra&ccedil;&otilde;es e temores em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro quando o   presente &eacute; deficit&aacute;rio de esperan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Gera&ccedil;&otilde;es, Futuro, Crise,   Solid&atilde;o, Esperan&ccedil;a, Movimentos sociais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> At a   time when many trajectories of   life are characterized by an uncertain and unpredictable   future &#150; with frequent entropies and arrhythmic stages - this proposes a   sociological reflection concerning generations with a dark future: youth, even   with increasing education, without future expectations, elderly   with longer life expectancy but cynical about its significance. Data from   international surveys and case studies   are convened in analysis of the anxieties of   age caused by the frustrations and fears in relation to the future   when the present is deficient in hope.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Generations, Future, Crisis,   Solitude, Hope, Social movements.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Centrado na realidade   portuguesa e europeia, embora algumas das quest&otilde;es levantadas possam ser   pensadas &agrave; escala da realidade brasileira, o presente contributo prop&otilde;e uma   reflex&atilde;o sociol&oacute;gica em torno de gera&ccedil;&otilde;es em situa&ccedil;&atilde;o de descren&ccedil;a ou temor   em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, num contexto de crescente imprevisibilidade dos cursos de   vida. De fato, dados de um recente Inqu&eacute;rito da European Social Survey (Pais &amp; Ferreira, 2010)   sugerem que embora as fases de vida sejam relativamente consensuais enquanto <i>topografias </i>ideais, as   trajet&oacute;rias de vida &#150; crescentemente sujeitas a indetermina&ccedil;&otilde;es, ambiguidades e   anomias &#150; inscrevem-se em <i>tropografias </i>reais. A ideia de <i>tropos</i> remete para situa- &ccedil;&otilde;es de "liminaridade", um campo de possibilidades de "jogos   malabares com os fatores de exist&ecirc;ncia" (Turner, 1981,   p.118). Essa tens&atilde;o ou descoincid&ecirc;ncia   entre <i>topos</i> societais e <i>tropos</i> biogr&aacute;ficos &#150; ou, se quisermos, entre expectativas e percursos de vida &#150; pode   teorizar-se como uma <i>disritmia</i> (Barthes, 2003, p.19) associada a crises de identidade, quando os futuros   imaginados s&atilde;o denegados pela realidade. Nessas <i>ansiedades de idade</i> fermenta-se,   frequentemente, uma falta de esperan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro. As disritmias   ocorrem em v&aacute;rios contextos e fases de vida: quer entre jovens, tanto em   rela&ccedil;&atilde;o ao que deles se espera quanto ao que eles pr&oacute;prios esperam do futuro;   quer entre idosos, socialmente desvinculados ou com dificuldades de   sobreviv&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os europeus n&atilde;o rejeitam a influ&ecirc;ncia de modelos tradicionais de   cronologiza&ccedil;&atilde;o das etapas do curso de vida que fazem que as idades apare&ccedil;am   estratificadas em raz&atilde;o de determinados estatutos e pap&eacute;is (Cavalli &amp; Lalive d'Epinay, 2008). No entanto, &agrave; relativa estandardiza&ccedil;&atilde;o na forma como idealmente   s&atilde;o representadas as fases de vida corresponde uma crescente desestrutura&ccedil;&atilde;o   das trajet&oacute;rias de vida. Para dar um exemplo, a democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino gerou   uma consensualidade normativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade obrigat&oacute;ria e ao   prolongamento das trajet&oacute;rias escolares. No entanto, o aumento das expectativas   de realiza&ccedil;&atilde;o profissional e de mobilidade social n&atilde;o impede, muito pelo   contr&aacute;rio, a frustra&ccedil;&atilde;o associada ao seu fracasso. Ou seja, as representa&ccedil;&otilde;es   das fases de vida apontam para uma normatividade que, todavia, colide com a   realidade vivida, provocando <i>disritmias</i> entre o idealizado e o realizado, dadas as dificuldades de concretiza&ccedil;&atilde;o de   almejadas perspetivas de transi&ccedil;&atilde;o (Brannen &amp;   Nilsen, 2002, p.513-37). Em v&aacute;rias fases do curso de vida o que verificamos &eacute;   uma entropiza&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria que resulta de uma combina&ccedil;&atilde;o heterog&eacute;nea ou indesejada   de <i>status</i> sociais   &#150; transit&oacute;rios e prec&aacute;rios (Vieira &amp;   Gamundi, 2010).&nbsp; </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Veremos que entre os jovens essa   entropia pode levar a movimentos sociais gerados por sentimentos de <i>indigna&ccedil;&atilde;o</i>, como os que   est&atilde;o acontecendo em muitos pa&iacute;ses europeus. Nem o sistema educativo nem o   mercado de trabalho parecem capazes de garantir a realiza&ccedil;&atilde;o das aspira&ccedil;&otilde;es de   muitos jovens. Com dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o profissional, s&atilde;o ent&atilde;o acossados   por sentimentos de desilus&atilde;o e descren&ccedil;a, tra&iacute;dos na capacidade de imaginar um   futuro com esperan&ccedil;a. H&aacute; pais que fazem um forte investimento na forma&ccedil;&atilde;o   acad&eacute;mica de seus filhos na expectativa de que possam mais facilmente encontrar   trabalho e tornarem-se independentes. Mas o que se observa &eacute; que muitos deles   permanecem em casa dos pais, sem trabalho, economicamente dependentes. De fato,   embora os jovens integrem a chamada gera&ccedil;&atilde;o do futuro, muitos deles n&atilde;o o   conseguem vislumbrar, arrastando-se num presente deficit&aacute;rio de esperan&ccedil;a.   Entre eles gera-se ent&atilde;o um sentimento de<i> frustra&ccedil;&atilde;o relativa </i>(Gurr, 1970),   conceito usado para designar um estado de tens&atilde;o associado a uma satisfa&ccedil;&atilde;o   esperada e denegada. A frustra&ccedil;&atilde;o surge como um saldo negativo entre o   reconhecimento e o prest&iacute;gio que um indiv&iacute;duo tem num dado momento e o que ele   pensa que deveria ter. Em casos extremos, esse sentimento de <i>frustra&ccedil;&atilde;o relativa</i> pode   dar origem &agrave; desilus&atilde;o, ao isolamento, &agrave; depress&atilde;o, &agrave; pr&oacute;pria solid&atilde;o &#150; exceto   quando as redes sociais (particularmente as familiares) atuam como almofadas   protetoras. Por outro lado, h&aacute; idosos que perderam quase toda uma vida a tentar   ganh&aacute;-la, isto &eacute;, a amealhar, com sacrif&iacute;cios, parcas poupan&ccedil;as para poderem viver   uma velhice tranquila. E o que ocorre? Veem-se compelidos a reformar-se   tardiamente, com pens&otilde;es miser&aacute;veis. Muitas vezes veem-se abandonados,   entregues &agrave; solid&atilde;o, mergulhados nessa <i>frustra&ccedil;&atilde;o     relativa</i> que resulta de projetos antecipados (uma velhice tranquila)   e denegados (uma vida sem sentido). Nessas circunst&acirc;ncias, a esperan&ccedil;a em   rela&ccedil;&atilde;o ao futuro esmorece-se ou anula-se por for&ccedil;a do medo e da ang&uacute;stia.   Heidegger (1993), em <i>O ser e o tempo</i>, tra&ccedil;ou   uma apropriada distin&ccedil;&atilde;o entre esses sentimentos. O medo refere-se a um facto   preciso, &eacute; sempre circunscrito e nome&aacute;vel. Por exemplo, medo de ser assaltado.   Em contrapartida, a ang&uacute;stia n&atilde;o tem uma causa desencadeadora precisa,   corresponde a um medo generalizado e indeterminado de rejei&ccedil;&atilde;o, um medo de existir   (Gil, 2005). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jovens   indignados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qual o significado sociol&oacute;gico que podemos atribuir &agrave;s   manifesta&ccedil;&otilde;es dos chamados jovens indignados que, em 2011, eclodiram por toda a Europa e outras partes do mundo?   Embora com m&uacute;ltiplos determinantes que articulam culturas localizadas (Gupta   &amp; Ferguson, 1997) a movimentos   transnacionais (Hannerz, 2005), a   indigna&ccedil;&atilde;o de muitos dos jovens que participaram nessas manifesta&ccedil;&otilde;es parece corresponder   a um descompasso entre expectativas e recompensas (Klandermans, 1984). Em cartazes da manifesta&ccedil;&atilde;o de 12 de mar&ccedil;o, em Lisboa, sobressa&iacute;a uma clara   frustra&ccedil;&atilde;o com o desemprego e a precariedade laboral: "<i>A minha crise &eacute; a precariedade</i>";   "<i>Precariedade n&atilde;o &eacute; futuro</i>";   "<i>Prec&aacute;rios nos querem,     rebeldes nos t&ecirc;m</i>". Cartazes empunhados por estudantes universit&aacute;rios   davam tamb&eacute;m conta de sentimentos de revolta por uma comprovada desvaloriza&ccedil;&atilde;o   das titula&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas: "<i>Qualificado     e desempregado</i>"; "<i>Curso       superior em escravatura</i>"; "<i>Licenciada=desempregada</i>";   "<i>Com licenciatura, com     mestrado, com namorado/ Sem emprego, sem casamento, sem futuro</i>".   Entre os jovens concentrados na Pra&ccedil;a Puerta del Sol, em Madrid (movimento de 15 de maio), a frustra&ccedil;&atilde;o era semelhante: "<i>Se vende trabajador. Sueldo m&iacute;sero,     condiciones indignas</i>";&nbsp; "<i>Juventud       sin futuro, sin casa, sin curro, sin pensi&oacute;n, sin miedo</i>"; "<i>Tanto estudiar para ser el m&aacute;s listo         de la cola del paro</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O reconhecimento da precariedade aparece associado, a uma   descren&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro. Est&aacute; em jogo n&atilde;o apenas o futuro pessoal ("<i>Quero ser feliz, porra!</i>";   "<i>Basta de sobreviver!     Queremos viver</i>"; "<i>Assim       n&atilde;o d&aacute;!!!</i>"; "<i>Por         este andar s&oacute; serei pai aos 40!</i>"), mas tamb&eacute;m o futuro do pa&iacute;s ("<i>Queremos um futuro para as crian&ccedil;as e           jovens"</i>; "<i>O pa&iacute;s             vai fechar para obras</i>"; "<i>E               o nosso futuro, p&aacute;?</i>").&nbsp; Entre os jovens indignados encontramos um   tra&ccedil;o identificado por Blumer (1951) em   suas pioneiras reflex&otilde;es sobre os movimentos sociais: uma inquieta&ccedil;&atilde;o e   frustra&ccedil;&atilde;o perante as condi&ccedil;&otilde;es de vida, mas, ao mesmo tempo, uma chama de esperan&ccedil;a   ainda viva, um desejo de mudan&ccedil;a claramente sinalizado em muitos dos cartazes   do acampamento da Puerta del Sol: "<i>De     cuando en cuando es necesario vivir de los sue&ntilde;os, y m&aacute;s cuando esos sue&ntilde;os     pueden cambiar una vida entera</i>"; <i>"&iexcl;Podr&aacute;n       callar a los idealistas pero nunca podr&aacute;n callar los ideales"</i>; "&iquest;<i>Qui&eacute;n dijo que otro mundo no era         posible</i>?"; "&iexcl;<i>Ind&iacute;gnate!   &iexcl;Lucha! &iexcl;Act&uacute;a! Hay m&aacute;s razones para moverse que para quedarse parado</i>";   "<i>Por un mundo nuevo, el de     el triunfo del amor contra el miedo. Enamoradas del ca</i>mbio". Nos   acampamentos de Lisboa e Madrid &#150; e embora com uma representatividade dif&iacute;cil   de determinar &#150; ressurgem propostas de comunitarismo apontando para uma nova   ordem social. Eram abundantes os apelos de desenvolvimento sustent&aacute;vel, &agrave;   produ&ccedil;&atilde;o de produtos naturais, hortas biol&oacute;gicas, materiais reciclados.   Reclamava-se o "direito &agrave; semente", o cuidar da terra, uma vida em comunidade.   Mitos neorrom&acirc;nticos de comunitarismo coexistindo com a defesa de espa&ccedil;os de   autonomia, pluralidade, e diferen&ccedil;a &#150; atributos dos movimentos sociais contempor&acirc;neos   (Cohen, 1985). Nesses h&aacute; uma "fronteira   cr&iacute;tica", um ponto de rutura que &eacute; alcan&ccedil;ado por uma acumula&ccedil;&atilde;o (quantitativa)   de tens&otilde;es e uma perce&ccedil;&atilde;o (qualitativa) dessa fronteira cr&iacute;tica (Melucci, 2001, p.58).   Tudo se joga na forma como o futuro &eacute; antecipado, na esperan&ccedil;a que nele se   deposita: "<i>No nos quitar&aacute;n     nuestros sue&ntilde;os</i>"; "&iquest;<i>Para       que sirve la utop&iacute;a? Para eso sirve: para caminar</i>"; "<i>Si sue&ntilde;as que otro mundo mejor es         posible, si tienes esperanza y si luchas por ello... entonces es que estas vivo</i>!".   Muitos s&atilde;o os jovens que se projetam no futuro como se quisessem jogar com ele,   alimentando-o de ilus&otilde;es. Curiosamente, a raiz etimol&oacute;gica de ilus&atilde;o   encontra-se em <i>ludere</i> (do latim) que n&atilde;o por acaso vem de <i>ludus</i> (jogo). Jogam-se ilus&otilde;es no futuro quando h&aacute; capacidade para o imaginar. Entre   os <i>jovens indignados</i>,   as frustra&ccedil;&otilde;es sentidas n&atilde;o chegam para anular a esperan&ccedil;a, embora o futuro   sombrio desencadeie tamb&eacute;m sentimentos de descren&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se falha a capacidade de imaginar o futuro d&aacute;-se um ref&uacute;gio no   presente. Veja-se o que aconteceu nos motins e pilhagens dos sub&uacute;rbios de   Londres (agosto de 2011) e que alastraram   para outras cidades inglesas (Birmingham, Manchester, Gloucester, Nottingham,   Bristol e Liverpool), com jovens encapuzados a incendiarem carros e edif&iacute;cios,   saqueando lojas e arremessando &agrave; pol&iacute;cia garrafas, pedras, tijolos e <i>cocktails molotov</i>. Como   explicar a destrui&ccedil;&atilde;o e os saques das lojas, os roubos de t&eacute;nis, roupas de   marca, &oacute;culos de sol, ecr&atilde;s de plasma, celulares e bebidas alco&oacute;licas? Sem   d&uacute;vida que um consumismo desenfrea- do, uma viol&ecirc;ncia desnorteada, um eventual   sentimento de impunidade, mas tamb&eacute;m uma aus&ecirc;ncia de perspetivas de futuro e um   &oacute;dio imenso, evidente nos gestos, atos e palavras de alguns jovens: "<i>Ya, know why we're doing this? Cause     we hate, ya!</i>" H&aacute; uma historicidade que importa convocar para   explicar esses tumultos, como tamb&eacute;m os que foram provocados por jovens dos   sub&uacute;rbios de Paris em 2005, com cerca de   oito mil carros incendiados, viol&ecirc;ncia que se repetiu em anos seguintes. As corridas   clandestinas com carros roubados, realizadas pelos jovens de V&eacute;nisseux em 1981, n&atilde;o eram simples atos de delinqu&ecirc;ncia.   Eram condutas provocadas por um sentimento de exclus&atilde;o, por uma incapacidade de   antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro, por uma desesperan&ccedil;a com marcas de anomia social. Por   isso mesmo, vincando o contraste, "se a gera&ccedil;&atilde;o do <i>baby boom </i>teve algum privil&eacute;gio n&atilde;o foi por   seu n&iacute;vel de consumo ou sua liberdade, mas pela confian&ccedil;a no futuro" (Dubet, 2011, p.14).   &Eacute; essa confian&ccedil;a que hoje falta a alguns jovens, sem esperan&ccedil;a no futuro. A   raiva destruidora que varreu os sub&uacute;rbios de Paris, e posteriormente de algumas   cidades inglesas, esquiva-se a explica&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas deterministas. Dubet (2011, p.50)   identificava um "mal-estar" entre esses jovens tumultuosos, mas logo referia   que a causa desse mal-estar parecia encontrar-se "em todas as partes e em   nenhuma". E encontrava-se, de fato, na segrega&ccedil;&atilde;o urbana, nos sonhos de   consumo, no fracasso escolar, na viol&ecirc;ncia destruidora, no desemprego, nas   desigualdades sociais. &Eacute; nesse caldeir&atilde;o de acontecimentos que ferve o   "mal-estar" de jovens sem esperan&ccedil;a no futuro, sem capacidade sequer de o   imaginar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se compararmos as concentra&ccedil;&otilde;es dos jovens indignados com os   tumultos dos jovens de Londres constatamos que em ambos os casos h&aacute; uma   "hiper-referencialidade grupal" (Unda, 2011),   mas com uma diferen&ccedil;a. Enquanto nos tumultos de Londres parece haver um d&eacute;ficit   de ideais e de referentes societais, entre os jovens indignados essa   hiper-referencialidade &eacute; transnacional, manifestando-se numa inconformidade   social que se projeta numa cr&iacute;tica ancorada a valores e ideais sociais   (Castells, 1998). Ou seja, nos tumultos   de Londres, a hiper-referencialidade &eacute; de natureza <i>intragrupal</i>, da&iacute; resultando uma exalta&ccedil;&atilde;o   endog&acirc;mica de referentes de marcado cunho instrumentalista, como o da viol&ecirc;ncia   gratuita. Em contrapartida, entre os jovens indignados &#150; que tamb&eacute;m se   manifestaram em v&aacute;rias cidades inglesas &#150; estamos perante uma identifica&ccedil;&atilde;o transnacional   que se centra em valores societais e s&iacute;mbolos de comunh&atilde;o, como as tendas dos   acampamentos ("<i>yes, we tent</i>")   ou as pr&oacute;prias m&aacute;scaras dos autodenominados <i>An&oacute;nimos</i>.   Como interpretar a apari&ccedil;&atilde;o dessas m&aacute;scaras nas manifesta&ccedil;&otilde;es? Como os mitos,   as m&aacute;scaras n&atilde;o se explicam por si s&oacute;s. Para revelar o que ocultam &eacute; necess&aacute;rio   decifrar os seus enigmas. De que forma? Pesquisando os usos que se fazem delas.   Sabemos que os jovens se apropriaram da m&aacute;scara que simboliza a personagem de   una novela gr&aacute;fica: "V de Vendetta" (Vingan&ccedil;a). Os <i>quadrinhos</i> foram escritos nos anos 1980 por Alan More e ilustrados por David Loyd,   e posteriormente vertidos para o cinema. A m&aacute;scara representa Guy Fawkes, um   conspirador cat&oacute;lico ingl&ecirc;s que planeou derrubar el Parlamento com explosivos.   Foi preso em 5 de novembro de 1605 e posteriormente executado. A m&aacute;scara   apropriada pelos <i>An&oacute;nimos</i> conecta simbolicamente os que a usam, como referente de identifica&ccedil;&atilde;o. De   tra&ccedil;os aparentemente inexpressivos, sob a m&aacute;scara circulam trocas emocionais e   afetivas, constitutivas de uma comunidade, de um "n&oacute;s" cuja bandeira &eacute; a   m&aacute;scara, um investimento emocional de conex&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto os jovens indignados que se   manifestaram pacificamente quanto os que se envolveram em tumultos, o que   verdadeiramente fizeram foi anunciar ou corroborar a exist&ecirc;ncia de problemas   que se inscrevem numa estrutura social marcada por fortes assimetrias e   desigualdades. Da&iacute; que se lhes possa imputar uma "fun&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica" (Melucci, 1985, p.797).   Com uma diferen&ccedil;a. Uns usam a viol&ecirc;ncia como corol&aacute;rio do encurralamento num   presente sem horizontes de futuro, sem esperan&ccedil;a. Outros usam o poder da   palavra como um pron&uacute;ncio do devir. O poder da palavra cantada, da palavra   revoltada, da palavra ampliada por megafones. Mas tamb&eacute;m da palavra escrita em   comunicados, cartazes e manifestos. Da palavra artisticamente inscrita nos   grafites dos muros da cidade. Enfim, da palavra denunciadora (de um presente   para esquecer) e anunciadora (de um futuro por conquistar). &Agrave; sua maneira, eles   s&atilde;o "profetas do presente" (Melucci, 2001)   &#150; de um presente que, sendo produto de uma crise, pode ser tamb&eacute;m produtor de   uma advir (porvir). Aqui h&aacute; lugar para a esperan&ccedil;a, pois ela &eacute; movida pela   for&ccedil;a do desejo (Bloch, 1977), por   inquieta&ccedil;&otilde;es que apelam ao inconformismo (Bloch, 1993),   por uma vontade de mudan&ccedil;a (Gimbernat, 1983).   Nesse universo cabem experi&ecirc;ncias que apontam para novos rumos societais,   formas diferentes de viver e de pensar, injun&ccedil;&otilde;es inovadoras entre pol&iacute;tica e   cultura. Apenas a perda de esperan&ccedil;a pode originar uma denega&ccedil;&atilde;o do futuro, uma   regress&atilde;o enfermada e obsessiva em rela&ccedil;&atilde;o ao presente, despido de poder   decisional. Como a seguir veremos, dessa s&iacute;ndrome, embora vivida de forma   diferente, sofrem tamb&eacute;m os idosos quando se veem desprovidos de projetualidade   on&iacute;rica. No caminho do fatalismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Idosos   abandonados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre alguns idosos, o ref&uacute;gio na religi&atilde;o parece constituir uma   forma de dar sentido &agrave; vida. Uma an&aacute;lise tipol&oacute;gica dos dados de um Inqu&eacute;rito   sobre as <i>Atitudes face &agrave;     religi&atilde;o</i>, no &acirc;mbito do International Social Survey Programme (Pais   et al., 2000), destacou, entre os   inquiridos portugueses, um grupo que merece aten&ccedil;&atilde;o. Agregando 43% da popula&ccedil;&atilde;o   inquirida, o grupo, que design&aacute;mos de <i>cat&oacute;licos     ritualistas, moralistas e tradicionais,</i> re&uacute;ne os mais expressivos   indicadores de religiosidade, de cren&ccedil;a e de f&eacute;: cren&ccedil;a em Deus e nos milagres;   cren&ccedil;a no c&eacute;u; cren&ccedil;a na vida para al&eacute;m da morte e outras cren&ccedil;as populares   (amuletos d&atilde;o sorte; videntes conseguem prever o futuro; curandeiros t&ecirc;m   poderes divinos; os signos astrol&oacute;gicos das pessoas podem afetar a sua vida   etc.). O que nesse grupo encontr&aacute;mos foi uma sobrerrepresenta&ccedil;&atilde;o de idosos,   inv&aacute;lidos e vi&uacute;vos, de estratos sociais baixos e sal&aacute;rios reduzidos. &Eacute; precisamente   nesse grupo que mais caem os que se declaram <i>desencantados</i> com a vida: ou por acharem "que o mundo est&aacute; cheio de maldade e de pecado", ou   por terem o sentimento de que "o futuro n&atilde;o existe" ou que "o destino n&atilde;o se   altera". Ali&aacute;s, nesse grupo encontramos tamb&eacute;m uma sobre-representa&ccedil;&atilde;o daqueles   que acham "n&atilde;o ser felizes" e que a vida "s&oacute; tem sentido porque existe Deus".   Ou seja, a <i>religi&atilde;o</i>,   a <i>f&eacute;</i> e <i>Deus</i> aparecem para esses   inquiridos como &acirc;ncoras a que se agarram quando a vida pouco parece ter para   lhes oferecer. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dados do European Social Survey (ESS,   Round 4 2008/2009) mostram tamb&eacute;m que,   entre os europeus, a sociabilidade tende a diminuir com o avan&ccedil;ar da idade, num   movimento inverso ao da religiosidade. Por outro lado, a satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida   tende a diminuir at&eacute; &agrave; meia-idade estabilizando-se a partir da&iacute;, enquanto o   envolvimento comunit&aacute;rio ganha maior expressividade estat&iacute;stica nas faixas   et&aacute;rias interm&eacute;dias. Achado sociol&oacute;gico bem na esteira das pioneiras   investiga&ccedil;&otilde;es de Durkheim sobre o suic&iacute;dio, &eacute; o que aponta para uma maior satisfa&ccedil;&atilde;o   com a vida entre as pessoas solteiras e casadas, em compara&ccedil;&atilde;o com as   divorciadas e vi&uacute;vas. Uma vez que a sociabilidade &eacute; mais expressiva entre os   jovens, &eacute; de admitir que vi&uacute;vos e divorciados mais idosos se sintam menos   satisfeitos com a vida por efeito de uma mais d&eacute;bil integra&ccedil;&atilde;o social. Em   contrapartida, e ao arrepio do ditado que sustenta que "o dinheiro n&atilde;o traz   felicidade", o Inqu&eacute;rito mostra que quanto mais elevados s&atilde;o os rendimentos   maior &eacute; a satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida. As desvincula&ccedil;&otilde;es sociais por efeito da idade   n&atilde;o s&atilde;o de modo algum inevit&aacute;veis. Por&eacute;m, o processo de envelhecimento aparece   associado a uma fragiliza&ccedil;&atilde;o ou perda de redes sociais e de capacidades de   locomo&ccedil;&atilde;o que se traduzem em estados de priva&ccedil;&atilde;o (Townsend, 1987; Lalive d' Epinay &amp; Spini, 2008). Dados do mesmo Inqu&eacute;rito (ESS, Round 4 2008/2009)   mostram que os idosos s&atilde;o alvo de descrimina&ccedil;&atilde;o com base na idade: 32% dos inquiridos com mais de 65 anos   afirmaram j&aacute; terem sido v&iacute;timas de <i>idadismo</i> (<i>ageism, &acirc;gisme</i>),   conceito usado para retratar este tipo de preconceito (Bizzini &amp; Rapin, 2007). A discrimina&ccedil;&atilde;o sofrida por efeito da   idade &eacute; vivida com sofrimento. Entre os europeus, s&atilde;o os idosos que manifestam   menores n&iacute;veis de bem-estar e um mais vincado sentimento de infelicidade e de   insatisfa&ccedil;&atilde;o com a vida (ESS, Round 4 2008/2009).   Desse modo, a idade aparece como um fator de agravamento da exclus&atilde;o social   (Louage, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A perda de sentimento de perten&ccedil;a &eacute; um dos fatores mais   associados &agrave; solid&atilde;o e ao desencanto com a vida. Em muitos casos, &eacute; um passo   decisivo para a morte simb&oacute;lica. N&atilde;o por acaso, os riscos de mortalidade   aumentam no decurso dos primeiros anos de viuvez (Thierry, 1999) ou quando um dos c&ocirc;njuges se confronta   com o internamento hospitalar do outro (Ankri, 2007).   A morte dos v&iacute;nculos sociais precede a morte f&iacute;sica. Por outro lado, entre   alguns idosos h&aacute; um sentimento de desespero por viverem em deriva no tempo: ou   por sentirem que n&atilde;o viveram o passado como deveriam; ou por viverem arrastados   num presente que se v&ecirc; ao espelho de um futuro incerto e desprovido de redes   sociais de apoio (Erikson et al., 1986).   Na Europa Ocidental dos s&eacute;culos XVI e XVII, a situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia de muitas   mulheres idosas originou tens&otilde;es familiares e sociais que culminaram numa   conhecida "ca&ccedil;a &agrave;s bruxas". Hoje, em algumas fam&iacute;lias, os idosos continuam a   ser objeto de maustratos &#150; chegando mesmo a falar-se da "s&iacute;ndrome da av&oacute;   sovada" &#150; e, quando despejados em lares ou hospitais como "pesos mortos",   passam frequentemente a ser "casos" que ocupam "cadeiras" ou "camas". Numa   pesquisa em lares de idosos (Pais, 2006)   muitos lamentavam-se da falta de visitas, de amigos ou familiares.   Ocasionalmente recebiam uma ou outra chamada telef&oacute;nica. Embora para alguns o   telefone seja &#150; sem qualquer conota&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica &#150; um "fio de vida", para   outros n&atilde;o &eacute; bem assim. Um idoso confessou-me o desconforto com os telefones,   n&atilde;o os ouvia bem, mesmo com "aparelho auditivo" tinha problemas de comunica&ccedil;&atilde;o.   Talvez tamb&eacute;m os achasse charlat&atilde;es por o acercarem de um modo t&atilde;o artificial.   A maioria alia-se &agrave; televis&atilde;o no combate &agrave; solid&atilde;o inimiga. Os apresentadores   de televis&atilde;o passam a constituir a sua fam&iacute;lia, falam-lhes diariamente,   sorriem-lhes, d&atilde;o-lhes not&iacute;cias e novidades, disponibilizam imagens do que se   passa l&aacute; fora, imagens coloridas que s&atilde;o engolidas pela sombria exist&ecirc;ncia de   uma vida solit&aacute;ria. Eleita como companhia predileta dos idosos para combater a   solid&atilde;o, a televis&atilde;o acaba, contudo, por a consagrar. Ela distrai-os,   inclusivamente de si mesmos, fazendo-os desaprender de olharem o mundo e de   pensarem em si. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave;s vezes a solid&atilde;o &eacute; tanto mais solit&aacute;ria quanto mais povoada de   mem&oacute;rias. Alguns idosos olham para tr&aacute;s, fazem balan&ccedil;os de vida e lamentam os   rumos que a vida tomou. Uns culpam o destino, a ele se referindo como uma ordem   m&aacute;gica que sobreleva a vontade para o alterar; outros culpam-se a si pr&oacute;prios,   desencadeando pensamentos fraudulentos sobre o que poderia ter ocorrido se n&atilde;o   ocorresse o que ocorreu. A invoca&ccedil;&atilde;o do destino ou da sorte &#150; "a sorte voltou-me   as costas", costumam dizer &#150; leva-os a explicarem a situa&ccedil;&atilde;o de desamparo por   fatores do acaso, deixando em aberto a possibilidade de retorno da sorte   madrasta &#150; se ela alguma vez decidisse deixar de andar de "costas voltadas".   Raramente colocam a raz&atilde;o do seu desamparo no abandono a que os filhos os   sujeitam. Mais frequentemente aludem aos "azares da vida", &agrave;s pens&otilde;es minguadas   que n&atilde;o d&atilde;o para a compra dos medicamentos ou &agrave; pr&oacute;pria idade que lhes retira   capacidade de "ir &agrave; luta". Ser&aacute; que ignoram os fatores biogr&aacute;ficos e familiares   que determinaram a sua situa&ccedil;&atilde;o? Mas se pensam neles mais se desgastam. Ao reclamarem-se   v&iacute;timas do azar mais facilmente poder&atilde;o tornar-se benefici&aacute;rios da sorte se,   ilusoriamente, um dia ela mudar. Para os crentes, a sorte &eacute; vol&uacute;vel, tem   manhas, vai e volta quando menos se espera. As apostas espor&aacute;dicas que alguns   fazem na lotaria refletem uma esperan&ccedil;a remota nesse bafejamento da sorte,   esperan&ccedil;a numerada e apregoada como apetec&iacute;vel "sorte grande". Outros, contudo,   parecem resignados com a sua m&aacute; sorte e n&atilde;o esperam que a dita boa lhes bata &agrave;   porta. Por vezes caem em depress&atilde;o e s&atilde;o assolados por "maus pensamentos".   V&aacute;rios foram os idosos que me confessaram j&aacute; lhes ter passado "coisas pela   cabe&ccedil;a" (Pais, 2006). &Eacute; uma express&atilde;o que   utilizam para se referirem a pensamentos negativos que os tentam a estancar as   infelicidades da vida pondo-lhe termo, como quando se "atiram &agrave; linha de   comboio".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outrora a morte era vis&iacute;vel, reconhecida, ritualizada. Ela   ocorria em espa&ccedil;os dom&eacute;sticos. Em casa se morria e em casa se fazia o vel&oacute;rio,   com a presen&ccedil;a de familiares, vizinhos e amigos. Agora morre-se mais   frequentemente nos hospitais ou em asilos e lares de idosos, longe da fam&iacute;lia,   apenas em companhia de desconhecidos, m&aacute;quinas, solid&atilde;o. A "medicaliza&ccedil;&atilde;o" da   morte assemelha-a a uma enfermidade (D&eacute;chaux, 2002,   p.254-5), a "morte assistida" inscreve-se   num modelo de "boa morte" (D&eacute;chaux, 2001).   Trata-se de uma morte "civilizada" que silencia a exterioriza&ccedil;&atilde;o do sentimento   perante a dor, o sofrimento, a pr&oacute;pria morte. O Estado e as fam&iacute;lias gerem o   "problema" dos idosos promovendo a sua oculta&ccedil;&atilde;o. A coordenadora do Servi&ccedil;o do   Centro Hospitalar de Lisboa comentava, recentemente: "Foram completamente   abandonados pela fam&iacute;lia. Os filhos ficam com as reformas ou pens&otilde;es de   invalidez enquanto eles est&atilde;o aqui internados" (<i>Expresso</i>, 17   de dezembro de 2011). Em 2011, 17   dos 44 cad&aacute;veres que ficaram nas morgues   sem ningu&eacute;m reclamar, e cuja idade foi poss&iacute;vel determinar, eram de pessoas com   mais de 60 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se morre em casa, as   circunst&acirc;ncias s&atilde;o muito diferentes das de antigamente. Entre os idosos &eacute;   assinal&aacute;vel a tend&ecirc;ncia para morrerem s&oacute;s, abandonados, em plena solid&atilde;o. De   acordo com o &uacute;ltimo censo da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (INE,   2012), cerca de 60% da popula&ccedil;&atilde;o idosa vive s&oacute; ou em companhia exclusiva de   pessoas tamb&eacute;m idosas. Em 2011, quase 2.900 idosos foram encontrados mortos em casa,   abandonados, a maioria em Lisboa. S&oacute; as estat&iacute;sticas d&atilde;o conta dessa realidade.   S&oacute; nelas a solid&atilde;o dos idosos aparece registada. Socialmente, eles fazem parte   de um "pa&iacute;s da n&atilde;o inscri&ccedil;&atilde;o" (Gil, 2005,   p.15-23), s&oacute; se descobrem quando cheiram   a morte apodrecida. Enquanto moribundos j&aacute; passaram ao esquecimento, j&aacute;   deixaram de fazer parte da vida dos vivos. De vez em quando, os bombeiros   procedem ao arrombamento de casas suspeitas, encontrando idosos a precisar de   aux&iacute;lio e outros j&aacute; sem vida, mortos por abandono.<a id="tx1"></a><a href="#nt1"><sup>1</sup></a> In&ecirc;s, para dar   um exemplo, foi um desses casos. Ficou morta na banheira durante mais de tr&ecirc;s   anos. Nenhum dos cinco filhos da antiga auxiliar de enfermagem a procurou. Os   vizinhos tamb&eacute;m n&atilde;o, apesar da caixa de correio da idosa dar um claro sinal de   aus&ecirc;ncia, por entulhamento da correspond&ecirc;ncia. Nada os mobilizou, nem mesmo o   "cheiro insuport&aacute;vel" que vinha da casa de In&ecirc;s, cheiro a morte, de cad&aacute;ver em   decomposi&ccedil;&atilde;o. Uma vizinha pensou que o fedor seria de esgotos ou de ratos   mortos. Outra, minimizando as origens do cheiro, isolou a porta de casa com   fita, para o evitar (<i>Jornal     de Not&iacute;cias</i>, 8 de abril de 2011). Os sinos de Natal permaneciam afixados   na porta de casa da idosa, como se todos os dias fossem Natal durante mais de   tr&ecirc;s anos. A burocracia agiu com o zelo habitual de quem trata as pessoas como   meros "utentes": luz, &aacute;gua e g&aacute;s haviam sido cortados mas a Seguran&ccedil;a Social   ainda lhe pagava a reforma (<i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, 8 de abril de 2011).   J&aacute; outra idosa, tamb&eacute;m falecida em casa, n&atilde;o escapou ao zelo da burocracia.   Porque havia uma d&iacute;vida por liquidar &#150; como &eacute; que a morta a poderia saldar? &#150;,   o Estado avan&ccedil;ou com uma penhora sobre a casa, que acabou por ser vendida em   hasta p&uacute;blica. Quando a nova propriet&aacute;ria do apartamento vistoriou a casa, para   cujo efeito procedeu ao arrombamento da porta, descobriu o corpo de uma idosa   em estado de decomposi&ccedil;&atilde;o. Se fosse viva teria 96   anos, h&aacute; nove que jazia na cozinha. Perto dela os seus &uacute;nicos companheiros:   dois p&aacute;ssaros mortos na gaiola e o esqueleto de um c&atilde;o (<i>O P&uacute;blico</i>, 10 de fevereiro de 2010).   Podemos questionar sociologicamente a aproxima&ccedil;&atilde;o afetuosa de alguns idosos   aos animais de estima&ccedil;&atilde;o. &Eacute; bem poss&iacute;vel que, para alguns deles, os animais de   companhia ajudem a contornar sentimentos de isolamento ou solid&atilde;o. Foi isso   mesmo que descobri quando inventariei as l&aacute;pides de 1.338 campas do cemit&eacute;rio de animais do Jardim Zool&oacute;gico de   Lisboa (Pais, 2006). Tomando um universo   dos 657 nomes de animais recenseados, o   que descobri foi que uma grande parte deles corresponde a formas de express&atilde;o   de uma afetividade que se usa dos nomes para melhor se expressar: "Bill / A dona ama-te eternamente"; "Querida Jane   (Janinha) / Descansa em paz / Voltaremos a estar juntas quando Deus quiser/ Muitas saudades".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em tempos de mudan&ccedil;a, de ruturas, de descontinuidades e de   incertezas, as normas que continuam a padronizar as etapas de vida coexistem   com o reconhecimento da imprevisibilidade do curso da mesma. H&aacute; receios em   rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, por vezes mesmo uma descren&ccedil;a. Essa dimens&atilde;o de <i>risco</i>, tamb&eacute;m de   incerteza, favorece formas regressivas de encerramento e evas&atilde;o. A fragmenta&ccedil;&atilde;o   da experi&ecirc;ncia reclama portos de abrigo, &acirc;ncoras de seguran&ccedil;a que   frequentemente surgem em "ref&uacute;gios de comunidade" (Bauman, 2000), em redes de solidariedade   intergeracional. Contudo, j&aacute; Eisenstadt (1976,   p.32) alertava para o fato de entre as   gera&ccedil;&otilde;es se poderem produzir tens&otilde;es. Essas podem gerar "mecanismos de   ajustamento" ou, pelo contr&aacute;rio, "grupos anormativos". Algumas culturas   geracionais aparecem associadas a situa&ccedil;&otilde;es de <i>anomia</i> quando h&aacute; descren&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao   futuro, quando necessidades essenciais de seguran&ccedil;a e autoestima n&atilde;o se   satisfazem ou, ainda, quando sentimentos de perten&ccedil;a identit&aacute;ria se fragilizam.   No tempo em que Mannheim (1990) produziu   os seus estudos sobre as gera&ccedil;&otilde;es, a problem&aacute;tica central da sua pesquisa era a   da sucess&atilde;o das mesmas. Hoje, por efeito das mudan&ccedil;as econ&oacute;micas e   demogr&aacute;ficas, o problema n&atilde;o &eacute; apenas o da sucess&atilde;o, mas tamb&eacute;m o da   coexist&ecirc;ncia solid&aacute;ria de gera&ccedil;&otilde;es. Numa Europa em crise, o aumento da   esperan&ccedil;a de vida e a baixa da taxa de natalidade colocam nas agendas   governativas o problema da reparti&ccedil;&atilde;o dos recursos entre as gera&ccedil;&otilde;es, perigando   a solidariedade entre elas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando confrontados com uma   descren&ccedil;a no futuro, como sobreviver&atilde;o os indiv&iacute;duos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tens&atilde;o entre   normatividades sociais intang&iacute;veis e suas repetidas transgress&otilde;es, tens&atilde;o   produtora de ansiedade existencial, n&atilde;o isenta de sentimentos de culpa? Paz (1979) e Giddens (1991)   desenvolveram a ideia da <i>coloniza&ccedil;&atilde;o do futuro</i> para dar conta da "hipertrofia de expectativa" que acompanha o retraimento   progressivo do espa&ccedil;o da experi&ecirc;ncia (Marramao, 2011).   E isso, por qu&ecirc;? Porque a antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro gera uma ansiedade por o   alcan&ccedil;ar. Como o horizonte de espera se dilata, cai-se numa situa&ccedil;&atilde;o de <i>liminaridade</i> &#150; espa&ccedil;o ensanduichado num presente que persegue   um futuro que n&atilde;o se deixa agarrar. O encolhimento do espa&ccedil;o da experi&ecirc;ncia &eacute;   reflexo de um desespero de espera, de uma esperan&ccedil;a inconvert&iacute;vel em realidade.   &Eacute; esta falta de esperan&ccedil;a que segundo Marramao (1991,   p.90-1), pode originar uma denega&ccedil;&atilde;o do futuro cuja   contrapartida &eacute; uma regress&atilde;o enfermada e obsessiva em rela&ccedil;&atilde;o ao presente,   despido de poder decisional. Surgiria, assim, uma esp&eacute;cie de "patologia   temporal" associada a dois tipos de rea&ccedil;&atilde;o: o da <i>s&iacute;ndrome     melanc&oacute;lica</i> e o da <i>s&iacute;ndrome man&iacute;aca</i>. O primeiro tipo &eacute; pr&oacute;prio de quem se sente   afetado por uma depress&atilde;o retentiva, desprovido de projetualidade on&iacute;rica,   alimentando um sentimento de fatalidade. &Eacute; o que acontece quando se cai na   resigna&ccedil;&atilde;o: "<i>&eacute; a vida</i>";   "<i>o     destino o quis</i>"; "<i>seja o que Deus       quiser</i>". O segundo tipo &eacute;   pr&oacute;prio de quem, sem perspetivas de futuro, e incapaz de potenciar experi&ecirc;ncias   do passado, acaba por reproduzir, de uma forma neur&oacute;tica, gestos, h&aacute;bitos, e   rotinas do presente (Marramao, 2011, p.91). Transtornos de esperan&ccedil;a produzem, num caso, resigna&ccedil;&atilde;o e fatalismo;   noutro caso ritualidades mim&eacute;ticas que podem chegar &agrave; viol&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dir&iacute;amos que as "vozes do imagin&aacute;rio" (Laplantine, 1974) soam diferente em distintas gera&ccedil;&otilde;es.   Entre os idosos, com filia&ccedil;&atilde;o religiosa mais arraigada, sobressai uma atitude   espiritualmente messianista perante a vida, um maior conformismo com o   presente, encarado como um compasso de espera em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, mesmo que   esse se projete para al&eacute;m da morte, numa ilusionada vida extraterrena. A espera   passiva da morte pode tamb&eacute;m representar a nega&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a. S&oacute; pode   viver-se plenamente o tempo quando a espera se converte em esperan&ccedil;a. Caso   contr&aacute;rio d&aacute;-se uma esp&eacute;cie de retra&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia, crescentemente   alimentada pela ang&uacute;stia. Por exemplo, ang&uacute;stia de morrer em solid&atilde;o. A perda   de esperan&ccedil;a pode traduzir-se, como vimos, em resigna&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, aceita&ccedil;&atilde;o de   tudo o que contrarie a concretiza&ccedil;&atilde;o de desejos e vontades. Nesse caso, o   presente furta-se ao futuro, isto &eacute;, deixa de ser um "horizonte de poss&iacute;veis"   para passar a ser um ref&uacute;gio de apatia ("c&aacute; vamos indo como Deus quer..."; "&eacute; o   nosso triste fado..."), onde apenas sobrevive o "medo de existir" (Gil, 2005, p.121).   Em contrapartida, entre os jovens &eacute; mais frequente que o desespero da espera   desencadeie mecanismos de possess&atilde;o direcionados ao presente. De um presente   desvinculado de um passado que se esquiva da mem&oacute;ria e tamb&eacute;m de um futuro que   n&atilde;o se deixa antecipar. A possess&atilde;o, como bem assinala Laplantine (1974), substitui o tempo da espera pelo aqui e   agora do &ecirc;xtase. No entanto, enquanto para alguns jovens a posse do presente &eacute;   pura fonte de prazeres imediatos, para outros &eacute; um tempo de fabrica&ccedil;&atilde;o de   utopias, embora a natureza destas varie entre os que alimentam a esperan&ccedil;a de   as realizar e os que pensam que o importante n&atilde;o &eacute; realizar sonhos mas ter   sonhos por realizar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que distintas, nessas vozes do imagin&aacute;rio ecoam   temporalidades m&iacute;ticas que navegam entre o passado e o futuro. As diferentes   matrizes em que se inscrevem essas vozes do imagin&aacute;rio comungam de um   semelhante sentimento de comunidade que alimenta o imagin&aacute;rio da esperan&ccedil;a   (Entralgo, 1978). No caso da <i>matriz messi&acirc;nica espiritual</i>,   t&iacute;pica de gera&ccedil;&otilde;es mais velhas, a esperan&ccedil;a prov&eacute;m de uma cren&ccedil;a no "al&eacute;m",   numa antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro cujo avesso pode passar &#150; embora n&atilde;o necessariamente   &#150; pela anula&ccedil;&atilde;o do presente. Essa cren&ccedil;a, de natureza prof&eacute;tica, associa-se &agrave;   pr&aacute;tica de ritualidades religiosas que &#150; por meio de rezas, ora&ccedil;&otilde;es e cultos &#150;   geram um sentimento de perten&ccedil;a comunit&aacute;ria, de solidariedade na f&eacute;. J&aacute; no caso   dos jovens, se entre alguns sobressai um messianismo prof&eacute;tico &#150; mais orientado   por cren&ccedil;as pol&iacute;ticas de liberta&ccedil;&atilde;o (<i>matriz     messi&acirc;nica-revolucion&aacute;ria da esperan&ccedil;a</i>) &#150; para outros h&aacute; lugar a um   misticismo regressivo de natureza sagrado-profana (Beriain &amp; S&aacute;nchez de la Yncera, 2010) que labora com reminisc&ecirc;ncias de   solidariedades ancestrais, recuperadas ritualisticamente por meio da m&uacute;sica, da   dan&ccedil;a, do festivo. &Eacute; o que acontece com algumas tribos urbanas (Pais &amp; Blass, 2004)   quando reivindicam uma territorializa&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias coletivas que ecoam o   passado, como sugere um rapper luso (General D, 1997):   "Somos todos <i>ekos</i> do passado /Passado, presente ausente t&aacute; <i>Kondenado</i> / Disfar&ccedil;ado sem saber qual &eacute; o lado" ("Ekos do   Passado", CD, Kanimambo, 1997). Identidades destro&ccedil;adas podem   reinventar-se-se reunindo os seus cacos, reavivando, num "discurso memorial"   (Colombo, 1991, p.124-5), presen&ccedil;as reveladas por aus&ecirc;ncias &#150; de origens perdidas,   esquecidas, relembradas ou inventadas. O <i>eco</i> (na mem&oacute;ria coletiva) e o <i>vi&aacute;tico</i> (na consci&ecirc;ncia coletiva) combinam-se, segundo Desroche (1973), para resistir &agrave; desintegra&ccedil;&atilde;o social e manter viva a   esperan&ccedil;a, nascida nos lugares da imagina&ccedil;&atilde;o coletiva. A base dessa recria&ccedil;&atilde;o   imagin&aacute;ria pode tamb&eacute;m ser incitada por conflitos sociais que, como no caso dos   jovens "indignados", geram a&ccedil;&otilde;es coletivas orientadas pela esperan&ccedil;a de novos   rumos societais. Mesmo em gera&ccedil;&otilde;es de futuro sombrio a esperan&ccedil;a tem condi&ccedil;&otilde;es   de sobreviv&ecirc;ncia quando prevalecem os la&ccedil;os sociais que d&atilde;o sentido a uma   comunidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nota</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a id="nt1"></a><a href="#tx1">1</a> A Uni&atilde;o Europeia (com base na diretiva 1999/74), entretanto, multou Portugal e   mais 12 Estados membros por maus tratos &agrave;s galinhas, exigindo que a partir de   1º de janeiro de 2012 todas elas usufruam de gaiolas melhoradas, com mais   espa&ccedil;o para fazerem ninho, esgravatarem e empoleirarem-se. N&atilde;o se discutem os   leg&iacute;timos direitos das ativas galin&aacute;ceas (poedeiras), apenas se acentua o   contraste com a situa&ccedil;&atilde;o dos idosos abandonados. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ANKRI, J. Mortalit&eacute; apr&egrave;s l'hospitalisation d'un   &eacute;poux. <i>G&eacute;rontologie et     Soci&eacute;t&eacute;</i>,&nbsp; n.12, p.279-82, Juin 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S0103-4014201200020001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BARTHES, R. <i>Como   viver junto.</i> Simula&ccedil;&otilde;es romanescas de alguns espa&ccedil;os cotidianos.   Cursos e Semin&aacute;rios no Coll&egrave;ge de France. 1976-1977. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes,   2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S0103-4014201200020001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BAUMAN, Z.&nbsp; <i>Liquid modernity</i>. Cambridge: Polity Press, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S0103-4014201200020001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BERIAIN, J.; S&Aacute;NCHEZ de la Yncera, I. (Ed.) <i>Sagrado/Profano. </i>Nuevos desaf&iacute;os al proyecto de la modernidad. Madrid:   Centro de Investigaciones Sociol&oacute;gicas, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S0103-4014201200020001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIZZINI, L.;   RAPIN, C. L'&Acirc;gisme.&nbsp; <i>G&eacute;rontologie et Soci&eacute;t&eacute;</i>, n.123, p.263-78, D&eacute;c. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S0103-4014201200020001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLOCH, E. <i>El princ&iacute;pio   esperanza</i>. Madrid: Aguilar, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S0103-4014201200020001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. <i>La utop&iacute;a como   dimensi&oacute;n y horizonte de su pensamien</i>to.   Barcelona: Anthropos, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0103-4014201200020001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLUMER, H. Collective   Behavior. In: LEE, A. M. <i>New outline of the principles of sociology</i>. New York: Barnes &amp; Noble, 1951.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0103-4014201200020001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRANNEN, J.; NILSEN, A.   Young people's time perspectives: from youth to adulthood. <i>Sociology</i>, v.36, n.3, p.513-37, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0103-4014201200020001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASTELLS, M.&nbsp; <i>El poder de la   identidad</i>. Madrid: Alianza, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0103-4014201200020001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAVALLI, S.; LALIVE D'EPINAY, C. L'identification et   l'&eacute;valuation des changements au cours de la vie adulte. <i>Swiss Journal of Sociology</i>,   v.34, n.3, p.453-72, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0103-4014201200020001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COHEN, J. L. Strategy or identity: new theoretical   paradigms and contemporary social movements. <i>Social Research</i>,   v.52, n.4, p.663-716, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0103-4014201200020001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COLOMBO, F. <i>Os   arquivos imperfeitos</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0103-4014201200020001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DECHAUX, J.-H. La mort dans les soci&eacute;t&eacute;s modernes: La   th&egrave;se de Norbert Elias &agrave; l'&eacute;preuve. <i>L'Ann&eacute;e     Sociologique</i>, v,51-1, p.161-84, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0103-4014201200020001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. Mourir &agrave; l'aube du XXI si&egrave;cle. <i>G&eacute;rontologie et Soci&eacute;t&eacute;</i>,   n.102, p.253-68, Sept. 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0103-4014201200020001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DESROCHE, H. <i>Sociolog&iacute;a   de la esperanza. </i>Barcelona: Herder, 1976 &#91;1973&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0103-4014201200020001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DUBET, F. <i>La   experiencia sociol&oacute;gica</i>. Barcelona: Editorial Gedisa, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0103-4014201200020001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DURKHEIM, E. <i>Le   suicide</i>. Paris: PUF, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0103-4014201200020001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EES &#150; EUROPEAN SOCIAL SURVEY. V&aacute;rios anos. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.europeansocialsurvey.org" target="_blank">http://www.europeansocialsurvey.org</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0103-4014201200020001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EISENSTADT, S. N. <i>De   gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0103-4014201200020001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ENTRALGO, P. L. <i>Antropolog&iacute;a   de la esperanza</i>. Labor, Barcelona, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0103-4014201200020001800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ERICSON, R. V. ; DOYLE, A. (Ed.) <i>Risk and morality</i>.   Toronto: University of Toronto Press, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0103-4014201200020001800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ERIKSON, E. H. et al. <i>Vital involvement in Old Age</i>. New York: W.W.   Norton and Company, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0103-4014201200020001800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GIDDENS, A. <i>Modernity   and self-identity</i>. Self and Society in the Late Modern Age.   Cambridge: Polity, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0103-4014201200020001800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GIL, J. <i>Portugal,   hoje</i>. O medo de existir. Lisboa: Rel&oacute;gio D'&Aacute;gua Editores, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0103-4014201200020001800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GIMBERNAT, J. A. <i>Ernst   Bloch. 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Berkeley:   University of California, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0103-4014201200020001800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GURR, T. <i>Why   Men Rebel?</i> Princeton: Princeton University Press, 1970.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0103-4014201200020001800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HANNERZ, U. <i>Transnational   locations</i>. Berkeley: University of California, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0103-4014201200020001800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HEIDEGGER, M. <i>El   ser y el tiempo</i>. 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Mobilization and participation: social   psychological expansion of resource mobilization theory. <i>American Sociological Review</i>,   v,49, p.583-600, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0103-4014201200020001800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LALIVE D' EPINAY, C.;&nbsp; SPINI, D. (Org.) <i>Les ann&eacute;es fragiles.</i> La   vie au-del&agrave; des quatre-vingts ans. 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The symbolic challenge of contemporary   movements.<i> Social Research</i>,   v.52, n,4, p.789- 816, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0103-4014201200020001800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. <i>A   inven&ccedil;&atilde;o do presente</i>. Movimentos sociais nas sociedades complexas.   Petr&oacute;polis: Vozes, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0103-4014201200020001800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIS, J. M.&nbsp; <i>Ganchos,   tachos e biscates</i>. Jovens, trabalho e futuro. Porto: &Acirc;mbar, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0103-4014201200020001800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. <i>Nos   rastos da solid&atilde;o</i>. Deambula&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas. Porto: &Acirc;mbar, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0103-4014201200020001800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. <i>Lufa-lufa   quotidiana</i>. Ensaios sobre cidade, cultura e vida urbana. Lisboa:   Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0103-4014201200020001800042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIS, J. M.; BLASS, L. (Coord.) <i>Tribos urbanas. </i>S&atilde;o Paulo:   Annablume, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0103-4014201200020001800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIS, J. M.;   FERREIRA, V. S. (Org.) <i>Tempos e transi&ccedil;&otilde;es de vida:</i> Portugal ao espelho da Europa. Lisboa: Imprensa   de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2010. (Col. Atitudes Sociais dos Portugueses)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0103-4014201200020001800044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIS, J. M. et al. <i>Atitudes   e pr&aacute;ticas religiosas dos portugueses</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias   Sociais, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0103-4014201200020001800045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAZ, O. <i>Conjun&ccedil;&otilde;es   e disjun&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Perspetiva, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0103-4014201200020001800046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">THIERRY, X. Risques de mortalit&eacute; et de surmortalit&eacute; au   cours des premi&egrave;res ann&eacute;es de veuvage. <i>Population</i>,   n.3-4, p.177-204, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0103-4014201200020001800047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TOWNSEND, P.  Deprivation. <i>Journal of Social Policy</i>,   v.16, n.2, p.125-46, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0103-4014201200020001800048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TURNER, V. <i>La   selva de los s&iacute;mbolos</i>. Madrid: Siglo XXI, 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0103-4014201200020001800049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">UNDA, R. Formas asociativas juveniles: apuntes para un   trabajo etnogr&aacute;fico. In: GONZ&Aacute;LEZ, G. M. (Ed.) <i>J&oacute;venes, culturas y poderes</i>. Bogot&aacute;: Siglo   del Hombre Editores; Universidad de Manizales, 2011. p. 221-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0103-4014201200020001800050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIEIRA, J. M.; GAMUNDI, P. M. Transici&oacute;n a la vida   adulta en Espa&ntilde;a: una comparaci&oacute;n en el tiempo y en el territorio utilizando el   an&aacute;lisis de entrop&iacute;a. <i>Revista     Espa&ntilde;ola de Investigaciones Sociol&oacute;gicas</i>, Reis, n.131, p.75-107,   2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0103-4014201200020001800051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jornais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Expresso</i>, 17 de dezembro de 2011.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, 8 de abril de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, 8 de abril de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O P&uacute;blico</i>, 10 de fevereiro de 2010.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CD</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">General D (<i>rapper</i>)<i>,   Ekos do Passado</i>. Lisboa: Kanimambo,   1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0103-4014201200020001800052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 16.4.2012 e aceito em 23.5.2012.</font></p>      ]]></body><back>
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