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<journal-title><![CDATA[Psicologia Clínica]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O gênero da risada]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The gender of laughter]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, we try to raise some issues related to laughter as culturally determined behavior. We try to think in certain spaces that value or stigmatize the manifestation of humor. We intend to reflect on cultural differences of laughter in Brazil. More than finding answers, we try to bring up some questions about the meaning of laughter in Brazilian culture.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>SE&Ccedil;&Atilde;O ESPECIAL</b></font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="4"><b>O g&ecirc;nero da risada</b></font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b><font face="Verdana" size="3">The gender of laughter</font></b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Mirian Goldenberg<sup>I</sup>; Bernardo      Jablonski<sup>II</sup></b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Doutora em Antropologia Social      PPGAS/MN/UFRJ, Professora da UFRJ    <br>     </font><font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Doutor em Psicologia FGV-Rio,      Professor da PUC-Rio</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>   <hr size="1"noshade>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Neste trabalho, pretendemos levantar algumas      quest&otilde;es relacionadas &agrave; risada como comportamento culturalmente determinado,      al&eacute;m de pensar em determinados espa&ccedil;os que valorizam ou estigmatizam a manifesta&ccedil;&atilde;o      do humor. Pretendemos refletir sobre poss&iacute;veis especificidades culturais da      risada no Brasil. Existe algo de distintivo na risada brasileira? Na risada      de homens e mulheres? Dos mais pobres e dos mais ricos? Mais do que encontrar      respostas, pretendemos trazer levantar algumas quest&otilde;es e pensar livremente      sobre o significado da risada em nossa cultura.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> g&ecirc;nero; risada; cultura      brasileira.</font></p>   <hr size="1"noshade>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font> </p>       <p><font face="Verdana" size="2">In this paper, we try to raise some issues      related to laughter as culturally determined behavior. We try to think in      certain spaces that value or stigmatize the manifestation of humor. We intend      to reflect on cultural differences of laughter in Brazil. More than finding      answers, we try to bring up some questions about the meaning of laughter in      Brazilian culture.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> gender; laughter; Brazilian      culture.</font></p>   <hr size="1"noshade>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A risada &eacute; um fen&ocirc;meno social. Em geral, os      indiv&iacute;duos riem junto com outros indiv&iacute;duos e s&atilde;o contagiados pelas risadas      dos outros. N&atilde;o &agrave;-toa, os programas de humor de televis&atilde;o fazem uso de uma      claque para que o espectador em casa n&atilde;o se "sinta sozinho". Raramente rimos      sozinhos, a n&atilde;o ser que recordemos um fato engra&ccedil;ado ou sejamos estimulados      por algum programa (de televis&atilde;o, r&aacute;dio, internet ou show). A risada exige      uma forma especial de conex&atilde;o entre os indiv&iacute;duos. Ela pode ser resultado      de alguma provoca&ccedil;&atilde;o jocosa ou de algo inusitado, uma surpresa. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Muitas pesquisas mencionam (Jablonski e Rang&eacute;,      1984), dentre os principais fatores envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o do humor, a incongru&ecirc;ncia,      a surpresa, a superioridade e o al&iacute;vio da tens&atilde;o. Para Berger (1987), s&atilde;o      quatro as perspectivas psicol&oacute;gicas que se debru&ccedil;am sobre o tema: teorias      psicanal&iacute;ticas, da superioridade, da incongru&ecirc;ncia e as de base cognitiva.      As duas primeiras enfatizam aspectos antag&ocirc;nicos das rela&ccedil;&otilde;es sociais entre      o emissor e o alvo do humor (grupos ou objetos em um dado contexto), enquanto      as duas &uacute;ltimas enfatizam a ironia e o fator surpresa intr&iacute;nsecos ao conte&uacute;do.      </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Vista sob outra perspectiva, a risada tamb&eacute;m      pode ser compreendida como uma forma de intera&ccedil;&atilde;o ou de troca, que envolve      tr&ecirc;s termos: dar, receber e retribuir. Os indiv&iacute;duos refor&ccedil;am sua solidariedade      pelo riso e podem manifestar sua rejei&ccedil;&atilde;o ao elemento estranho ao grupo tamb&eacute;m      pelo riso. Ele pode refor&ccedil;ar a uni&atilde;o do grupo e expulsar os indesej&aacute;veis.      Pode refor&ccedil;ar a ordem ou subverter essa mesma ordem.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"> Norbert Elias (1990) mostra que o processo      civilizador pode ser compreendido como um gradual treinamento visando o autocontrole      das fun&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas tidas como involunt&aacute;rias, como os gases corporais,      as necessidades excretoras e, tamb&eacute;m, a risada. A toler&acirc;ncia para com estas      rea&ccedil;&otilde;es corporais espont&acirc;neas e incontrol&aacute;veis tornou-se, ao longo dos s&eacute;culos,      cada vez menor. Com a introje&ccedil;&atilde;o dos valores "civilizados", os comportamentos      de arrotar, urinar em p&uacute;blico, comer com as m&atilde;os e gargalhar tornaram-se indesejados.      At&eacute; mesmo a simples men&ccedil;&atilde;o destas atitudes tornou-se desagrad&aacute;vel e ofensiva.      A risada passou a ser entendida como um descontrole sobre o pr&oacute;prio corpo      e tamb&eacute;m como um signo de n&atilde;o "civilidade" ou falta de educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Nesta mesma linha de racioc&iacute;nio, Jeudy (1993)      aponta que o riso coletivo &eacute; muitas vezes julgado como primitivo por significar      um retorno a express&otilde;es imediatas do organismo, aqu&eacute;m da linguagem verbal.      O racionalismo contempor&acirc;neo veria no riso a express&atilde;o do insensato, do regressivo      e do primitivo.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">No caso espec&iacute;fico do humor, muitas das suas      manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, notadamente, vinculadas aos aspectos culturais. Segundo      Mintz (1976), para al&eacute;m de quest&otilde;es de conte&uacute;do, o humor &eacute; influenciado por      elementos ligados &agrave; forma, ao estilo e &agrave; estrutura, que revelam valores, cren&ccedil;as      e preocupa&ccedil;&otilde;es vigentes em uma determinada cultura.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"> Segundo os estudos j&aacute; realizados, parece n&atilde;o      existir nenhuma cultura conhecida onde o senso de humor esteja ausente por      completo. Diferentes culturas, &eacute; claro, riem de coisas distintas: os chineses      t&ecirc;m no relacionamento social o alvo maior de suas piadas. No Ocidente, conforme      Freud (1980 &#91;1905&#93;) j&aacute; apontara, sexo e agress&atilde;o permeiam a maior parte das      piadas. Em grupamentos africanos tribais – como os Nyanja, Makus, Amuzgo,      entre outros – o ambiente f&iacute;sico imediato &eacute; a grande fonte do humor (Shultz,      1976).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Neste trabalho, pretendemos levantar algumas      quest&otilde;es relacionadas &agrave; risada como comportamento culturalmente determinado,      al&eacute;m de pensar em determinados espa&ccedil;os que valorizam ou estigmatizam a manifesta&ccedil;&atilde;o      do humor. Pretendemos refletir sobre poss&iacute;veis especificidades culturais da      risada no Brasil. Existe algo de distintivo na risada brasileira? Na risada      de homens e mulheres? Dos mais pobres e dos mais ricos? </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Mais do que encontrar respostas, pretendemos      levantar algumas quest&otilde;es e pensar livremente sobre o significado da risada      em nossa cultura e, mais particularmente, na cidade do Rio de Janeiro. Acreditamos      que a cidade do Rio de Janeiro &eacute; um cen&aacute;rio privilegiado para analisar os      corpos, valores e comportamentos das mulheres e dos homens. Aqui h&aacute;, como      diria Malinowski (Goldenberg, 1997), uma verdadeira explos&atilde;o de significados      em uma simples observa&ccedil;&atilde;o nas ruas ou nas praias, tornando poss&iacute;vel analisar      fatos corriqueiros e aparentemente sem nenhum significado, mas que revelam      muito sobre a cultura brasileira, como, por exemplo, a risada. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A partir das respostas que surgiram em uma      pesquisa quantitativa realizada na cidade do Rio de Janeiro (Goldenberg, 2002,      2004, 2008), optamos por realizar entrevistas em profundidade com homens e      mulheres, tamb&eacute;m das classes m&eacute;dias do Rio de Janeiro, para compreender o      significado e a import&acirc;ncia da risada na cultura brasileira.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Est&atilde;o sendo realizadas entrevistas com homens      e mulheres de diferentes gera&ccedil;&otilde;es: estudantes de segundo grau, universit&aacute;rios      de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, antrop&oacute;logos, historiadores, administradores      de empresa, economistas, engenheiros, advogados, m&eacute;dicos, jornalistas, psic&oacute;logos,      aeromo&ccedil;as, humoristas, diretores de teatro, roteiristas, atores, cantores,      m&uacute;sicos, artistas pl&aacute;sticos, fot&oacute;grafos, entre outros, para verificar em que      momentos e por que motivos eles riem. At&eacute; o momento foram realizadas 50 entrevistas,      com roteiro semiestruturado e baseado em revis&atilde;o da literatura. Para avalia&ccedil;&atilde;o      do material obtido atrav&eacute;s das entrevistas, foi procedida a an&aacute;lise do conte&uacute;do,      como proposto por Bardin (2009). As considera&ccedil;&otilde;es que se seguem s&atilde;o fruto,      em grande parte, das respostas por n&oacute;s obtidas deste material.</font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="3"><b>O valor da risada</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">O depoimento de uma professora aposentada de      65 anos nos fez pensar sobre os lugares em que a risada &eacute; valorizada e outros,      onde ela &eacute; desvalorizada ou at&eacute; estigmatizada. Ela disse que apenas ap&oacute;s se      aposentar descobriu o valor da risada em sua vida, pois o meio acad&ecirc;mico censurava      qualquer tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o de alegria ou felicidade, especialmente a risada.      Ela afirmou que hoje se sente livre para escolher quem entra e quem sai de      sua vida e que o seu principal crit&eacute;rio de julgamento &eacute; a capacidade de rir      junto com a pessoa.</font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">Percebi, depois de velha, que as pessoas      que n&atilde;o sabem rir sugam a minha energia, me fazem muito mal. O mundo acad&ecirc;mico      &eacute; um mundo de gente que n&atilde;o sabe rir. Eu chegava para dar aulas e tinha que      fingir que estava triste pois chegar feliz pegava mal, era um verdadeiro estigma.      Eu sempre fingia que estava com um problema grav&iacute;ssimo, fazia a cara mais      infeliz do mundo. Quando me aposentei foi a minha verdadeira liberta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o      quero mais estas pessoas na minha vida.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">Um outro depoimento, de um aluno de doutorado      em ci&ecirc;ncias sociais, refor&ccedil;a esta ideia, acrescentando um outro elemento para      a discuss&atilde;o: a diferen&ccedil;a entre aquele que faz rir e o que ri.</font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">Todos os meus professores s&atilde;o extremamente      s&eacute;rios. Na gradua&ccedil;&atilde;o eu ainda podia rir um pouco, com os colegas. No mestrado,      meu riso diminuiu e agora ele desapareceu. Parece que aquele que ri, no mundo      acad&ecirc;mico, &eacute; um idiota. Na gradua&ccedil;&atilde;o, tive um ou dois professores excelentes,      extremamente dedicados e inteligentes, que usavam o humor para prender a nossa      aten&ccedil;&atilde;o. E funcionava muito bem. Agora sou obrigado a participar de aulas      muito chatas, ler textos chatos e tamb&eacute;m me comportar como um chato. Ser acad&ecirc;mico      &eacute; viver de cara fechada e falar um monte de frases que ningu&eacute;m entende. S&oacute;      assim nos levam a s&eacute;rio.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; interessante a associa&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita entre      seriedade, respeito e falta de humor, de um lado, e aten&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia      e humor de outro.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Aquele que faz rir &eacute; considerado mais inteligente      do que os outros indiv&iacute;duos. Para fazer o outro rir, existe um tipo de superioridade,      principalmente nesse universo de pessoas intelectualizadas. No entanto, o      riso parece que est&aacute; proibido no meio acad&ecirc;mico. Aquele que ri muito &eacute; visto      como tolo, est&uacute;pido, superficial, inferior. Se, de um lado, parece existir      o reconhecimento da superioridade daquele que produz o riso, aquele que d&aacute;      uma risada ou, ainda pior, uma gargalhada pode ser considerado inferior. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">H&aacute; um aspecto instigante nesse processo: o      produtor do riso &eacute; reconhecido como superior por fazer algo considerado elaborado      por meio da intelig&ecirc;ncia (mas ele pr&oacute;prio n&atilde;o ri). Aquele que ri muito do      que este produziu pode ser visto como inferior e at&eacute; estigmatizado como tolo,      idiota, simpl&oacute;rio. O mecanismo de distin&ccedil;&atilde;o (Bourdieu, 2007) funciona para      aquele que produz o riso, n&atilde;o para aquele que ri. Do lado de quem produz,      existe algo de intelectual, cultural, superior. Do lado de quem recebe, algo      visto como espont&acirc;neo, instintivo, natural. Percebe-se, assim, uma esp&eacute;cie      de oposi&ccedil;&atilde;o entre cultura e natureza. Quanto mais sofisticado &eacute; o humor daquele      que produz, mais superioridade lhe &eacute; atribu&iacute;da. Quanto mais espont&acirc;nea &eacute; a      risada ou gargalhada, mais inferioridade em seu comportamento. Ou, ainda,      poder&iacute;amos ver algo como "mais civilizado" e "menos civilizado", se recorrermos      &agrave;s ideias de Norbert Elias (1990). </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Esta mesma ideia de mais ou menos civilizado,      relacionada &agrave; risada, surgiu em outro depoimento. Neste caso, a associa&ccedil;&atilde;o      foi feita entre o grau de civiliza&ccedil;&atilde;o e a classe social.</font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">As mulheres pobres est&atilde;o sempre gargalhando,      e suas risadas s&atilde;o livres e gostosas. As ricas acham que n&atilde;o podem rir porque      t&ecirc;m medo de criarem rugas nos olhos e nas bocas. J&aacute; reparou como elas d&atilde;o      aqueles risinhos for&ccedil;ados com a boca fechada enquanto as pobres mostram todos      os dentes, at&eacute; as obtura&ccedil;&otilde;es?</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s distin&ccedil;&otilde;es de classe social,      h&aacute; que se reconhecer que as pesquisas sobre o tema n&atilde;o t&ecirc;m recebido aten&ccedil;&atilde;o      por parte dos estudiosos. Especula-se que, pelo fato de sujeitos de classes      mais carentes abordarem mais livremente assuntos tabus, &eacute; poss&iacute;vel que isto      tenha afastado do t&oacute;pico os pesquisadores de classe m&eacute;dia. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Para Attardo (2010), o humor das classes trabalhadoras,      por exemplo, representa os valores da classe e s&atilde;o antag&ocirc;nicos aos de classe      m&eacute;dia. Este tipo de humor raramente se apresenta nos grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o      de massa, pois colidiria com os padr&otilde;es de decoro, atitudes e ideologia desposados      pela classe m&eacute;dia e, esta sim, bem representada em tais ve&iacute;culos. Para este      autor, o humor (negativamente) agressivo, homof&oacute;bico, escatol&oacute;gico e por vezes      abertamente sexual e obsceno, t&iacute;pico das classes menos abastadas, iria frontalmente      de encontro aos c&acirc;nones dos ideais da classe m&eacute;dia e alta. N&atilde;o se trata, evidentemente,      de um humor melhor ou pior, mas de um riso simplesmente diferente. Os distintos      processos de socializa&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos da classe trabalhadora &eacute; que os levariam      a este tipo de humor, mais eivado de temas obscenos, escatol&oacute;gicos, agressivos      e muito pouco politicamente corretos.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Se, de um lado, o riso pode ser associado &agrave;      inferioridade, superficialidade, falta de civilidade e de ju&iacute;zo, por outro      o riso pode ser associado a aspectos culturalmente bastante valorizados, como      leveza, sa&uacute;de, felicidade, simpatia, comunica&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido o riso &eacute; uma      forma privilegiada de comunica&ccedil;&atilde;o, de aproxima&ccedil;&atilde;o, que simbolicamente representa      leveza. Em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas pesadas, s&eacute;rias, que se levam demasiadamente      a s&eacute;rio, mal-humoradas etc., aquele que provoca o riso, aquele que ri, &eacute; considerado      leve. Como pode ser visto no depoimento de uma pesquisada, ser pesada, s&eacute;ria,      dif&iacute;cil s&atilde;o categorias de acusa&ccedil;&atilde;o, em oposi&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; considerado leve,      agrad&aacute;vel, prazeroso, sedutor. </font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">N&atilde;o aguento mais ouvir meu marido dar exemplos      de mulheres que s&atilde;o leves. Mulheres que gostam de rir e que sabem fazer os      outros rirem. Mulheres que brincam de si mesmas, que n&atilde;o se levam t&atilde;o a s&eacute;rio.      Que t&ecirc;m prazer com a vida. Que sabem se divertir. Que s&atilde;o alegres, brincalhonas,      agrad&aacute;veis. Ele sempre diz que sou muito preocupada, tensa, estressada, intensa.      Por que esta obriga&ccedil;&atilde;o das mulheres de serem leves? Leves de qu&ecirc;? De corpo?      De comportamento? De personalidade? Ele vive me acusando de ser dif&iacute;cil, complicada,      controladora, exigente, e elogiando as mulheres leves, alegres, divertidas,      agrad&aacute;veis. O que isto quer dizer exatamente? Algu&eacute;m precisa escrever sobre      a cultura da leveza.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">Um outro l&oacute;cus de desvaloriza&ccedil;&atilde;o do riso est&aacute;      na religi&atilde;o. Embora o humor n&atilde;o esteja ausente h&aacute; uma ineg&aacute;vel desconfian&ccedil;a      por parte das religi&otilde;es acerca do riso e do humor. Para Saroglou (2002), por      exemplo, em uma perspectiva psicol&oacute;gica, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o negativa entre as      religi&otilde;es e tra&ccedil;os de personalidade, estruturas cognitivas e consequ&ecirc;ncias      sociais tipicamente associadas ao riso: incongru&ecirc;ncia, ambiguidade, <i>nonsense</i>,      baixos n&iacute;veis de dogmatismo e de autoritarismo, desejo de brincar, espontaneidade,      atra&ccedil;&atilde;o pelo novo, distanciamento emocional e desejo de transgredir. Todos      estes itens, inerentes ao humor, correlacionam-se negativamente com a ades&atilde;o      religiosa.</font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b><font face="Verdana" size="3">Diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero na risada     </font></b></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Uma das poss&iacute;veis interpreta&ccedil;&otilde;es da valoriza&ccedil;&atilde;o      de quem provoca a risada e da desvaloriza&ccedil;&atilde;o de quem ri &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o com      a atividade e passividade. Provocar a risada &eacute; um comportamento ativo, que      exige elabora&ccedil;&atilde;o de uma piada, interpreta&ccedil;&atilde;o de um ato ou outras atitudes      que exigem, em muitos casos, intelig&ecirc;ncia, racioc&iacute;nio, sofistica&ccedil;&atilde;o, rapidez      etc. J&aacute; rir de uma piada ou de um comportamento &eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o, em muitos casos      passiva, uma mera resposta ao comportamento do outro. Aquele que &eacute; ativo &eacute;      o que domina a rela&ccedil;&atilde;o, o polo valorizado. O passivo, o que recebe, &eacute; o dominado,      desvalorizado. </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No entanto, no caso, a atitude passiva &eacute; a      daquele que pode ter prazer e n&atilde;o tem de se esfor&ccedil;ar para isso, pode apenas      esperar pelo prazer provocado pelo outro. Inserida nesse contexto, pode-se      ressignificar a express&atilde;o t&atilde;o popular "relaxa e goza", mostrando que o segredo      do prazer estaria em apenas receber o que o outro est&aacute; oferecendo. No caso      da risada, a produ&ccedil;&atilde;o do humor estaria do lado ativo. O passivo deveria apenas      relaxar e rir.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Outro elemento que poderia estar dentro da      mesma l&oacute;gica de domina&ccedil;&atilde;o (Bourdieu, 1999) &eacute; que aquele que provoca a risada      &eacute; o que "chama a aten&ccedil;&atilde;o", "prende a aten&ccedil;&atilde;o", "domina o ambiente". O outro,      o que ri, &eacute; capturado pela gra&ccedil;a do outro, concentra sua aten&ccedil;&atilde;o no outro,      esquece os demais e at&eacute; mesmo os pr&oacute;prios problemas, absorvido e "totalmente      dominado" pelo comportamento de quem provoca a risada. O que ri "se deixa      levar".</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Muitos pesquisadores (McGhee, 1976; Leventhal      &amp; Cupchik, 1976; Castell &amp; Goldstein, 1976) t&ecirc;m observado que contar      piadas &eacute; basicamente uma atividade masculina. J&aacute; as mulheres suplantam os      homens quando o que se objetiva criar &eacute; um ambiente afetivo socialmente positivo      com rela&ccedil;&otilde;es mais harmoniosas entre seus integrantes. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A ideia de que esta situa&ccedil;&atilde;o reflita t&atilde;o somente      uma situa&ccedil;&atilde;o socioestrutural de iniquidade, em termos de <i>status</i> e poder,      pode ser comprovada pelo fato de que a partir dos anos 70, <i>pari passu</i>      com o movimento de emancipa&ccedil;&atilde;o feminina, o n&uacute;mero de comediantes do sexo feminino      tenha aumentado significativamente (Goldstein, 1980).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o ao riso e &agrave; intimidade, alguns      dos homens por n&oacute;s pesquisados disseram que, quando est&atilde;o com problemas no      trabalho ou com a mulher, desabafam com amigos que dizem: "vamos beber". Consideram      que assim conseguem esquecer o problema que, efetivamente, passa. Eles querem      passar momentos agrad&aacute;veis com os amigos, rir de bobagens, brincar uns com      os outros. A risada, para eles, &eacute; uma forma de intimidade.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">J&aacute; para as mulheres a intimidade parece estar      relacionada a um jeito de falar sobre si e de ser escutada pelo outro. &Eacute; um      tipo de entrega singular, em que existe aceita&ccedil;&atilde;o, respeito, troca, apoio,      confian&ccedil;a e a capacidade de rir de si mesmo e do outro. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Em um depoimento, uma vi&uacute;va de 68 anos disse      que est&aacute; muito feliz, pois namora um homem comprometido e bem mais jovem do      que ela. Ele tem 40 anos e &eacute; casado com uma mulher de 32. Ela contou que eles      se encontram quase todos os dias da semana, sempre na hora do almo&ccedil;o. </font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">Ele diz que est&aacute; comigo porque sou carinhosa,      compreensiva, alegre, brincalhona. Ele me chama de <i>sweetheart</i>. Eu adoro!      Reclama que a mulher dele &eacute; muito mandona, briga muito, exige demais. Ele      morre de medo dela. Sabe como ele chama a mulher? Madame Min, bruxa, megera.      Ele sente falta de carinho, quer algu&eacute;m que cuide dele, que o admire, que      o fa&ccedil;a rir, que ria das brincadeiras bobas que ele gosta de fazer. N&oacute;s dois      rimos muito quando estamos juntos. Coisa que ele n&atilde;o consegue fazer com a      mulher, que est&aacute; sempre reclamando de tudo.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">A intimidade parece estar associada a uma forma      mais profunda de comunica&ccedil;&atilde;o, de conversa, de di&aacute;logo, de escuta; e tamb&eacute;m      a um tipo especial de entrega emocional e amorosa que permite que um ria com      o outro, ria do outro e de si mesmo. A risada &eacute;, tamb&eacute;m, uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o      &iacute;ntima (Goldenberg, 2010).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Uma das mulheres entrevistadas, casada, relaciona-se,      h&aacute; quase um ano, com um homem que conheceu na internet. Falam-se todos os      dias, algumas vezes chegam a conversar mais de seis horas, durante a madrugada.      Ela disse que o amante a faz rir muito, coisa que n&atilde;o existe no seu casamento.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <font face="Verdana" size="2">Meu marido n&atilde;o sabe rir. Vamos ao cinema      e ele n&atilde;o d&aacute; uma s&oacute; risada. Ele est&aacute; sempre me criticando, n&atilde;o consegue relaxar.      Com meu amante posso falar bobagens sem medo, posso ser eu mesma. E algumas      vezes ficamos horas e horas s&oacute; brincando um com o outro, s&oacute; pelo prazer de      rir juntos. N&atilde;o &eacute; o sexo o mais importante para mim. S&atilde;o as nossas risadas.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">Para essa mulher, a internet se tornou um espa&ccedil;o      privilegiado para encontrar aquilo que deseja e que ela n&atilde;o encontra no mundo      "real": risadas gostosas e intimidade. A "realidade" da internet permite,      para ela, uma experi&ecirc;ncia importante que ela n&atilde;o encontra no mundo "real".</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Outro depoimento, de um engenheiro, mostra      mais uma vez a rela&ccedil;&atilde;o entre risada e intimidade.</font></p>      <blockquote>    <font face="Verdana" size="2">Minha mulher tem um amigo de muitos anos.      Eu tenho muito ci&uacute;mes deles dois, pois o tempo todo eles riem muito. Ela chora      de rir com ele. Comigo isso nunca acontece. Tento fazer gra&ccedil;a, contar piadas,      e ela n&atilde;o acha a menor gra&ccedil;a de mim. Com ele, basta eles se encontrarem, ela      fica diferente, ri o tempo todo. &Eacute; como se eles tivessem uma rela&ccedil;&atilde;o muito      mais &iacute;ntima do que eu tenho com ela, como se compartilhassem algo que &eacute; s&oacute;      deles e de mais ningu&eacute;m. Fico p&ecirc; da vida e acabo brigando com ela, pois &eacute;      como se ela estivesse me traindo cada vez que d&aacute; uma gargalhada com ele.</font> </blockquote>         <p><font face="Verdana" size="2">A risada, nos depoimentos, aparece como uma      chave para a intimidade, proximidade, contato f&iacute;sico e emocional. Ela &eacute; um      meio de comunica&ccedil;&atilde;o, uma linguagem &iacute;ntima, um verdadeiro prazer f&iacute;sico e mental.      </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Os entrevistados falam da import&acirc;ncia de "rir      com o outro" muito mais do que "rir do outro". Ao falar da import&acirc;ncia de      "rir com o outro", os pesquisados tamb&eacute;m falam que a risada &eacute; contagiosa.      Ouvir ou ver uma pessoa rir faz com que o outro tamb&eacute;m ria, sem mesmo ter      algum motivo. O cont&aacute;gio da risada &eacute; percebido como muito positivo, porque      se ri tamb&eacute;m da risada e n&atilde;o apenas de alguma piada ou comportamento. "Rir      da risada" &eacute; um dos prazeres mais citados pelos pesquisados. Existiria ainda      uma hierarquia das risadas: "rir com" seria mais valorizado do que o "rir      de". E o "rir de si mesmo" seria mais importante do que o "rir do outro".</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Todos os entrevistados afirmaram que gostam      de rir e muitos gostariam de rir muito mais. Reclamam daqueles que n&atilde;o sabem      rir e dos que n&atilde;o permitem que eles riam mais. Sentem-se perdendo algo importante      da vida por n&atilde;o conseguirem rir facilmente e dizem sentir inveja daqueles      que riem espontaneamente, sem motivo. A risada &eacute; fonte de prazer e, portanto,      desejada tanto por aqueles que riem muito quanto por aqueles que n&atilde;o conseguem      rir tanto.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A pessoa n&atilde;o precisa ser engra&ccedil;ada para provocar      o riso. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; que deve ser relaxada, &iacute;ntima, segura, prazerosa para      que um e outro riam juntos. No amor e na amizade, a risada &iacute;ntima, a risada      compartilhada, &eacute; um comportamento valorizado e extremamente desejado. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Ainda com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero,      o humor bem como determinados comportamentos e ideias associados &agrave; alegria      e &agrave; simpatia tamb&eacute;m foram abordados em uma pesquisa coordenada por Goldenberg      a partir de question&aacute;rios aplicados em 835 mulheres e 444 homens das classes      m&eacute;dias do Rio de Janeiro entre 1998 e 2008 (Goldenberg, 2002, 2004, 2008).      </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Neste estudo o <i>bom humor</i> foi muito valorizado,      tanto por homens como mulheres, constituindo-se como o segundo fator mais      importante entre as qualidades que uma mulher deve possuir (<i>simpatia </i>foi      o item mais indicado). Quando referido aos homens, o <i>bom humor</i> foi      avaliado em primeiro lugar pelas mulheres como a principal qualidade que eles      deveriam possuir. Para os homens este item s&oacute; perdeu – e por muito pouco –      para a <i>simpatia</i>. O inverso dessa quest&atilde;o, com o foco nos maiores defeitos      de um homem, o <i>mau humor</i> foi a caracter&iacute;stica mais citada pelos entrevistados      de ambos os sexos.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Da mesma forma, a atra&ccedil;&atilde;o sexual teve no <i>sorriso</i>,      <i>bom humor</i> e na <i>alegria</i> uma valoriza&ccedil;&atilde;o significativa, tanto      por homens quanto pelas mulheres. A admira&ccedil;&atilde;o – item importante na manuten&ccedil;&atilde;o      dos v&iacute;nculos afetivos – tamb&eacute;m incluiu o <i>bom humor</i> entre seus ingredientes      capitais. Nas demais avalia&ccedil;&otilde;es, relativas &agrave; inveja de tra&ccedil;os de personalidade,      qualidades de parceiro amoroso, qualidades que gostaria de possuir, entre      outras, o <i>sorriso </i>e o<i> bom humor </i>mostraram-se muito importantes      para os pesquisados.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Tais avalia&ccedil;&otilde;es encontram eco em outro estudo      levado a cabo por Goldenberg (2008), acerca do tema "Corpo, envelhecimento      e felicidade", no qual "ficar ranzinza", e "perder a alegria" associaram-se      ao lado negativo do envelhecimento. Inversamente, o envelhecer bem estaria      ligado &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da alegria e do bom humor acima de tudo. Uma das entrevistadas      de mais de 60 anos foi bem expl&iacute;cita quanto ao valor da risada ao ser indagada      sobre os cuidados para n&atilde;o se envelhecer: "Para n&atilde;o envelhecer eu sou feliz,      dou risada".</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, estes estudos revelaram uma forte      associa&ccedil;&atilde;o, tanto entre os mais jovens quanto os mais velhos, entre a risada,      a felicidade e o bem-estar. </font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisar o material coletado at&eacute; o momento,      &eacute; poss&iacute;vel ressaltar algumas respostas interessantes. Assim, todos os pesquisados      consideraram a risada um comportamento desej&aacute;vel, prazeroso, espont&acirc;neo, saud&aacute;vel,      positivo e comunicativo. A maior parte dos pesquisados reportou que gostaria      de rir mais em suas vidas. Quanto ao aspecto social, a risada compartilhada      foi considerada a risada mais valorizada e o rir de si mesmo foi avaliado      como mais prazeroso do que o rir dos outros.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">No &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es afetivas, uma situa&ccedil;&atilde;o      &iacute;ntima e relaxada foi avaliada como mais importante do que o conte&uacute;do para      provocar a risada. A risada foi considerada tamb&eacute;m como muito importante na      sedu&ccedil;&atilde;o – apesar de na hora do sexo ela poder atrapalhar: para muitos pesquisados      o ato sexual &eacute; s&eacute;rio e exige concentra&ccedil;&atilde;o.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">"Fazer rir" e "rir com" s&atilde;o uma forma de reconhecimento      individual e social, embora existam lugares em que a risada &eacute; proibida ou      pelo menos n&atilde;o desej&aacute;vel. Segundo alguns, existiria uma linha muito t&ecirc;nue      que separa aquilo que faz rir daquilo que ofende. N&atilde;o &eacute; o conte&uacute;do do que      &eacute; dito que pode ser ofensivo e sim o tipo de rela&ccedil;&atilde;o que existe entre aquele      que diz e aquele que &eacute; o alvo da piada. O mesmo conte&uacute;do pode provocar uma      gargalhada ou ser ofensivo, desrespeitoso, dependendo da rela&ccedil;&atilde;o que existe      entre o produtor e o receptor.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, a risada foi considerada um tipo      de preven&ccedil;&atilde;o contra o envelhecimento f&iacute;sico e mental. Outras caracter&iacute;sticas      detectadas disseram respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o da risada como algo "leve". Quem      ri e quem faz ri foram considerados indiv&iacute;duos "leves", em oposi&ccedil;&atilde;o aos indiv&iacute;duos      mal-humorados, negativos, pesados e s&eacute;rios. Observamos tamb&eacute;m a opini&atilde;o bastante      compartilhada de que fazer rir &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia, sendo o      "cont&aacute;gio" da risada algo visto como muito positivo e desejado. </font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Na pesquisa realizada na cidade do Rio de Janeiro,      84% dos homens afirmaram que riem muito, enquanto 60% das mulheres disseram      que gostariam de rir mais.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Os homens riem mais em momentos descontra&iacute;dos com os amigos. Dizem que os      amigos criam situa&ccedil;&otilde;es relaxadas, permitindo que sejam espont&acirc;neos e brincalh&otilde;es.    <br>     Dizem tamb&eacute;m que as mulheres reprimem esses comportamentos. Elas se sentem      facilmente ofendidas e os acusam de serem infantis, irrespons&aacute;veis ou bobos.    <br>     Com os amigos, eles podem falar bobagens sem medo de censura. Com as mulheres,      dizem, isso &eacute; imposs&iacute;vel. J&aacute; as mulheres dizem que suas risadas s&atilde;o provocadas      por namorado, marido, amigos muito mais do que por outras mulheres.    <br>     Para elas, o mais atraente em um homem &eacute; o bom humor, a simpatia, a alegria      e a capacidade de faz&ecirc;-las rir. Quando riem, sentem-se mais bonitas, sedutoras,      livres e leves.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"> Uma comiss&aacute;ria de bordo de 45 anos disse que      cada vez que ri rejuvenesce, libera endorfina e faz uma verdadeira gin&aacute;stica      no rosto, no corpo e na mente. "Botox n&atilde;o deixa rir. &Eacute; uma estupidez. Rir      &eacute; uma terapia psicol&oacute;gica e f&iacute;sica".</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; &oacute;bvio que muitas mulheres riem com as amigas.      Mas os dados mostram que gostariam de rir mais. Reclamam que est&atilde;o sempre      ocupadas e preocupadas com filhos, marido, casa, trabalho, apar&ecirc;ncia etc.      Dizem que n&atilde;o sobra tempo, disposi&ccedil;&atilde;o ou oportunidade para se divertirem como      gostariam.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">As mulheres n&atilde;o riem tanto quanto desejam tamb&eacute;m      pela necessidade de provar que s&atilde;o s&eacute;rias, respons&aacute;veis e competentes. Querem      passar uma imagem pessoal e profissional de equil&iacute;brio, confian&ccedil;a e maturidade.      No entanto, muitas invejam a liberdade que os homens t&ecirc;m de brincar sem se      preocupar tanto com a opini&atilde;o alheia.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Um fot&oacute;grafo de 54 anos disse que o que mais      o atrai em uma mulher &eacute; a risada.</font></p>      <blockquote>   <font face="Verdana" size="2">D&aacute; para fazer a leitura da vida da mulher      pelas rugas. Se ela foi amargurada, a boca fica ca&iacute;da. N&atilde;o importa a quantidade,      mas a qualidade das rugas. Uma mulher &eacute; linda quando esculpe suas rugas com      risadas. Como uma mulher me agrada? Rindo muito e me fazendo rir. N&atilde;o tem      sensa&ccedil;&atilde;o melhor do que dar uma gargalhada. &Eacute; melhor at&eacute; do que sexo.</font> </blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Para homens e mulheres, a risada &eacute; uma arma      poderosa e irresist&iacute;vel na sedu&ccedil;&atilde;o. Pode-se dizer que a risada &eacute; um importante      capital no mercado das rela&ccedil;&otilde;es amorosas. E o melhor: &eacute; de gra&ccedil;a.</font></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b><font face="Verdana" size="3">Refer&ecirc;ncias</font></b></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Attardo, S. (2010). Working class humor. <i>Humor</i>,      <i>23</i>(2), 121-126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0103-5665201100020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bardin, L. (2009). <i>An&aacute;lise do conte&uacute;do </i>(ed.      revista). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0103-5665201100020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Berger, A. A. (1987). Humor: an introduction.      <i>American Behavioral Scientist</i>,<i> </i>30, 6-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0103-5665201100020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bourdieu, P. (1999). <i>A domina&ccedil;&atilde;o masculina</i>.      Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0103-5665201100020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bourdieu, P.  (2007). <i>A distin&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o      Paulo: Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0103-5665201100020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Castell, P. J., &amp; Goldstein, J. H. Social      occasions for joking: a cross-cultural study. In: Chapman, A. J., &amp; Foot,      H. C. (Eds.). (1977). <i>It’s a funny thing, humour. </i>Oxford: Pergamon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0103-5665201100020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Elias, N. (1990). <i>O processo civilizador</i>.      Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0103-5665201100020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1905/1980). Os chistes e sua rela&ccedil;&atilde;o      com o inconsciente. <i>Obras completas, ESB</i>,<i> </i>v. VIII. Rio de janeiro:      Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0103-5665201100020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M. (1997). <i>A arte de pesquisar</i>.      Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0103-5665201100020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M. (1980). <i>Social psychology.      </i>N.Y.: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0103-5665201100020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M. (2002). <i>Nu e vestido</i>.      Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0103-5665201100020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M. (2004). <i>De perto ningu&eacute;m      &eacute; normal</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0103-5665201100020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M. (2008). <i>Coroas: corpo, envelhecimento,      casamento e infidelidade</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0103-5665201100020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldenberg, M.(2010). <i>Por que homens e mulheres      traem?</i> Rio de Janeiro: BestBolso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0103-5665201100020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Goldstein, J. H. (1976). Theoretical      notes on humor. <i>Journal of Communication</i>,<i> </i>26, 102-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0103-5665201100020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jablonski, B., &amp; Rang&eacute;, B. (1984). O humor      &eacute; s&oacute;-riso? Algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre os estudos em humor. <i>Arquivos Brasileiros      de Psicologia</i>,<i> 36</i>(3), 133-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0103-5665201100020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jeudy, H. P. (1993). O riso como pr&aacute;tica social.      <i>Psicologia e Pr&aacute;tica Social</i>,<i> 1</i>(2), 51-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0103-5665201100020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Leventhal, H., &amp; Cupchik, G. C. (1976).      A process model of humor judgment. <i>Journal of Communication</i>,<i> 26</i>(3),      190-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0103-5665201100020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mcghee, P. E. Sex (1976). Differences in children’s      humor. <i>Journal of Communication</i>,<i> 26</i>(3), 176-189.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0103-5665201100020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mintz, L. E. (1976). American humor and the      spirit of the times. In: Chapman, A. J., &amp; Foot, H. C. (Eds.). <i>It’s      a funny thing, humor </i>(pp. 17-21). Oxford: Pergamon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0103-5665201100020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Saroglou, V. (2002). Religion and sense of      humor: an a priori incompatibility? Theoretical considerations from a psychological      perspective. <i>Humor</i>,<i>15</i>(2), 191-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0103-5665201100020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shultz, T. R. (1976). A cross-cultural study      of the structure of humor. In: Chapman, A. J. &amp; H. C. Foot, H. C. (Eds.).      <i>It’s a funny thing, humor </i>(pp. 175-179). Oxford: Pergamon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0103-5665201100020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>        ]]></body><back>
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