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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A imposição do caráter social da produção por meio da concorrência]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper is to show that for Marx, the social character of capitalist production is imposed upon private producers through competition. One direct consequence of this type of resolution of the social nature of production is that social reproduction has a turbulent character that contrasts with equilibrium.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ESTANTE DE ECONOMIA E POL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>A imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o por meio da concorr&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Andr&eacute; Guimar&atilde;es Augusto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Professor associado do Departamento de Economia da UFF</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="VERDANA"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; demonstrar que para Marx o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o capitalista &eacute; imposto aos produtores privados por meio da concorr&ecirc;ncia. Uma consequ&ecirc;ncia direta dessa forma de resolu&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; que a reprodu&ccedil;&atilde;o social tem car&aacute;ter turbulento, que contrasta com a ideia de equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras&#45;chave: </b>concorr&ecirc;ncia, regula&ccedil;&atilde;o turbulenta, equil&iacute;brio.    <br>  <b>Classifica&ccedil;&atilde;o JEL: </B>B14, D40,    P12.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The aim of this paper is to show that for Marx, the social character of capitalist production is imposed upon private producers through competition. One direct consequence of this type of resolution of the social nature of production is that social reproduction has a turbulent character that contrasts with equilibrium.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key words: </b>competition, turbulent     regulation, equilibrium    <br>   <b>JEL Classification: </B>B14, D40,  P12</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>1_ Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A produ&ccedil;&atilde;o mercantil tem como pressuposto o seu car&aacute;ter social. Para que haja produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias, &eacute; necess&aacute;ria uma divis&atilde;o do trabalho, em que as diferentes atividades s&atilde;o interdependentes, na qual cada uma trabalha para os outros. No entanto, esse car&aacute;ter social n&atilde;o pode ser efetuado diretamente, uma vez que a outra condi&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia da mercadoria &eacute; a propriedade privada e a autonomia dos produtores. Assim, o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, a distribui&ccedil;&atilde;o dos diversos trabalhos privados de acordo com as necessidades da sociedade precisa ser imposta aos produtores privados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste trabalho &eacute; demonstrar que para Marx o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o capitalista &eacute; imposto aos produtores privados por meio da concorr&ecirc;ncia. Uma consequ&ecirc;ncia direta dessa forma de resolu&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; que a reprodu&ccedil;&atilde;o social tem uma caracter&iacute;stica turbulenta, que contrasta com a ideia de equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na primeira se&ccedil;&atilde;o deste artigo, s&atilde;o mostrados os determinantes da concorr&ecirc;ncia entendida como rivalidade. Na segunda se&ccedil;&atilde;o, apresentam&#45;se os mecanismos pelos quais a concorr&ecirc;ncia intrarramos imp&otilde;e o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o, o mesmo sendo feito para a concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos na se&ccedil;&atilde;o seguinte. Na quarta se&ccedil;&atilde;o, a ideia de uma regula&ccedil;&atilde;o turbulenta da reprodu&ccedil;&atilde;o social &eacute; contrastada com a de equil&iacute;brio. O artigo termina com algumas considera&ccedil;&otilde;es finais</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>2_ A natureza da concorr&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fundamento da concorr&ecirc;ncia se encontra no car&aacute;ter mercantil da sociedade burguesa. A rela&ccedil;&atilde;o mercantil &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria de produtores privados vinculados pela divis&atilde;o social do trabalho, e a reprodu&ccedil;&atilde;o de sua condi&ccedil;&atilde;o de propriet&aacute;rios privados requer a valida&ccedil;&atilde;o de seus trabalhos como parte da divis&atilde;o social do trabalho. A concorr&ecirc;ncia &eacute;, por um lado, uma rela&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o entre os produtores privados e, por outro, &eacute; o v&iacute;nculo que os iguala na sua determina&ccedil;&atilde;o de propriet&aacute;rios privados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A valida&ccedil;&atilde;o do trabalho de produtores privados como parte da divis&atilde;o social do trabalho &eacute; alcan&ccedil;ada pela realiza&ccedil;&atilde;o das mercadorias. Mas n&atilde;o h&aacute; nenhuma garantia de que isso ocorra: cada produtor privado decide sem interfer&ecirc;ncia direta de outros o que, como e quanto produzir e sem o conhecimento das necessidades sociais e da quantidade de trabalho que deve ser alocada na produ&ccedil;&atilde;o de cada mercadoria para satisfaz&ecirc;&#45;las. A intera&ccedil;&atilde;o entre os produtores e o conhecimento <I>a posteriori</I> das necessidades sociais se d&atilde;o por meio das coisas, da oferta de determinado tipo de mercadoria no mesmo mercado pelos seus diferentes propriet&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na aus&ecirc;ncia de intera&ccedil;&atilde;o direta entre os produtores e de consci&ecirc;ncia sobre as necessidades sociais, o isolamento dos propriet&aacute;rios privados leva esses a se apresentarem como rivais na disputa pela realiza&ccedil;&atilde;o de sua mercadoria. A concorr&ecirc;ncia &eacute; um processo de disputa, de luta, an&aacute;logo a uma guerra de todos contra todos; nesse aspecto, tem car&aacute;ter contradit&oacute;rio, j&aacute; que une os propriet&aacute;rios privados por meio de sua separa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a concorr&ecirc;ncia se enra&iacute;za na propriedade privada e na consequente necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o da mercadoria, sem a precis&atilde;o de se evocar a busca de lucros. Dessa forma, pode&#45;se explicar a exist&ecirc;ncia de concorr&ecirc;ncia entre os trabalhadores &#150; propriet&aacute;rios privados da mercadoria for&ccedil;a de trabalho, mas que n&atilde;o buscam o lucro &#150; a que Marx se refere (Marx, 1987, Livro I, p. 633, 641, 738; Livro III, p. 198). Marx &eacute; explicito ao atribuir a concorr&ecirc;ncia entre os trabalhadores ao car&aacute;ter mercantil de sua rela&ccedil;&atilde;o: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>Esses oper&aacute;rios, constrangidos a vender&#45;se diariamente, s&atilde;o mercadoria, artigo de com&eacute;rcio como qualquer outro; em consequ&ecirc;ncia sujeitos a todas as vicissitudes da concorr&ecirc;ncia, a todas as flutua&ccedil;&otilde;es do mercado </I>(Marx, 1989, p. 370)<I>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A concorr&ecirc;ncia, portanto, &eacute; uma forma de sociabilidade estranhada: na disputa pela realiza&ccedil;&atilde;o das mercadorias, cada um aparece como meio &#150; por meio do dinheiro &#150; ou obst&aacute;culo &#150; pela venda da mesma esp&eacute;cie de mercadoria no mesmo mercado &#150; para os outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O car&aacute;ter especificamente capitalista da concorr&ecirc;ncia acrescenta novas determina&ccedil;&otilde;es ao conceito. Se a concorr&ecirc;ncia entre os capitalistas inclui a disputa pela realiza&ccedil;&atilde;o das mercadorias, seu objeto fundamental &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia (Marx, 1987, Livro III, p. 179&#45;180). A mais&#45;valia &eacute; um produto da rela&ccedil;&atilde;o entre a classe capitalista e a classe trabalhadora; mas sua distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; de forma igualit&aacute;ria entre os diversos capitais devido &agrave; diversidade de condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Os capitalistas dos diferentes ramos, ao venderem as mercadorias, recobram os valores de capital consumidos para produzi&#45;las, mas, a mais&#45;valia (ou lucro) que colhem n&atilde;o &eacute; a gerada no pr&oacute;prio ramo com a respectiva produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias e sim a que cabe a cada parte al&iacute;quota do capital global, numa reparti&ccedil;&atilde;o uniforme da mais&#45;valia (ou lucro) global produzida, em dado espa&ccedil;o de tempo, pelo capital global da sociedade em todos os ramos </I>(Marx, 1987, Livro III, p. 180).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, cada capital busca a obten&ccedil;&atilde;o de no m&iacute;nimo o lucro m&eacute;dio e se poss&iacute;vel mais lucros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A disputa pela participa&ccedil;&atilde;o na mais&#45;valia implica que a concorr&ecirc;ncia entre os capitais se estende por diversos campos e se reveste de diversas formas: a concorr&ecirc;ncia se estabelece entre capitais produtores de mercadorias no interior de um ramo de produ&ccedil;&atilde;o e entre diferentes ramos, entre as diversas formas funcionais do capital &#150; produtor de mercadorias, produtor de juros, comercial &#150; e entre os diversos capitais particulares em suas v&aacute;rias formas funcionais. A concorr&ecirc;ncia se determina aqui como forma generalizada de rela&ccedil;&atilde;o entre os diversos capitais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A determina&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia como separa&ccedil;&atilde;o de produtores privados permanece, mas ganha um novo aspecto quando considerado seu car&aacute;ter capitalista: a separa&ccedil;&atilde;o entre os trabalhadores e os meios de vida. O fundamento da concorr&ecirc;ncia capitalista &eacute; a propriedade dos meios de vida &#150; de produ&ccedil;&atilde;o e subsist&ecirc;ncia &#150; pela classe capitalista. Sem a propriedade dos meios de vida pelos capitalistas, seria imposs&iacute;vel a transforma&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho em mercadoria e consequentemente a produ&ccedil;&atilde;o de mais&#45;valia e a disputa por sua distribui&ccedil;&atilde;o entre os capitais particulares. Em outras palavras, &eacute; o monop&oacute;lio dos meios de vida pela classe capitalista que gera a concorr&ecirc;ncia entre os capitais pela reparti&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>3_ A concorr&ecirc;ncia intrarramos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A concorr&ecirc;ncia &eacute; o meio pelo qual se reproduz para cada propriet&aacute;rio privado sua associa&ccedil;&atilde;o como componentes da divis&atilde;o do trabalho/propriet&aacute;rios monopolistas dos meios de vida, ou seja, o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o se imp&otilde;e para cada capital particular por meio da concorr&ecirc;ncia. Nesta se&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o apresentados os processos por meio dos quais a concorr&ecirc;ncia intrarramos imp&otilde;e o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o aos capitais particulares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ponto de partida para compreender como a concorr&ecirc;ncia imp&otilde;e o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o para cada produtor &eacute; o reconhecimento das diferen&ccedil;as nos m&eacute;todos produtivos e consequentemente nos diversos graus de produtividade dos capitais particulares. Tal diferen&ccedil;a decorre das diversidades t&eacute;cnicas na produ&ccedil;&atilde;o de distintas mercadorias e especialmente da propriedade privada; como cada produtor decide sem a interfer&ecirc;ncia direta de outros como produzir, a propriedade privada gera a diferen&ccedil;a entre m&eacute;todos produtivos. Assim, h&aacute; uma diversidade de condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o resultante das decis&otilde;es isoladas dos produtores de mercadorias. Isso, como ser&aacute; visto adiante, &eacute; reproduzido pela concorr&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com m&eacute;todos produtivos d&iacute;spares, os diversos capitais particulares despendem quantidades de trabalho desiguais para produzir a mesma mercadoria, originando, assim, diferen&ccedil;as no valor individual das mercadorias. Mas, se a oferta das mercadorias &eacute; capaz de satisfazer a procura &#150; isto &eacute;, se n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a entre o valor e o pre&ccedil;o de mercado &#150;, as mercadorias s&atilde;o vendidas pelo seu valor de mercado, que corresponde "ao valor m&eacute;dio das mercadorias produzidas em um ramo" (Marx, 1987, Livro III, p. 202).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A desigualdade entre os valores individuais e o valor de mercado acarreta uma redistribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia gerada em um ramo de produ&ccedil;&atilde;o. Os capitais que produzem mercadorias com valor individual acima do valor de mercado ter&atilde;o parcela da mais&#45;valia realizada pelos trabalhadores que empregam apropriada pelos capitais que fabricam mercadorias com valor individual abaixo do valor de mercado, que dessa forma realizam uma mais&#45;valia extraordin&aacute;ria ou superlucro. J&aacute; os capitais que produzem mercadorias com valor individual igual ao valor de mercado realizam somente a mais&#45;valia gerada pelos trabalhadores que empregam (Marx, 1987, Livro III, p. 202).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A disputa pela participa&ccedil;&atilde;o na mais&#45;valia produzida em um ramo, ocasionada pela diferen&ccedil;a entre valor individual e valor de mercado, leva os diversos capitais a buscarem a iguala&ccedil;&atilde;o entre o valor individual das mercadorias que produzem e o valor de mercado, de forma a se apropriarem da mais&#45;valia por eles produzidas. Mais ainda, na busca de mais&#45;valia extraordin&aacute;ria, os diversos capitais procuram reduzir seu custo de produ&ccedil;&atilde;o, diminuindo (reduzindo), assim, o valor individual das mercadorias por eles feitas em rela&ccedil;&atilde;o ao valor de mercado. O meio para isso &eacute; a introdu&ccedil;&atilde;o de novos m&eacute;todos mais produtivos que diminuam o valor individual da mercadoria (Marx, 1987, Livro I, cap. 10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a concorr&ecirc;ncia &#150; a disputa pela participa&ccedil;&atilde;o na mais&#45;valia produzida em um ramo &#150; imp&otilde;e para cada capital particular a busca do tempo de trabalho socialmente necess&aacute;rio, o disp&ecirc;ndio de trabalho na produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias de acordo com as necessidades sociais (Marx, 1987, Livro III, p. 217); em outras palavras, a concorr&ecirc;ncia imp&otilde;e para cada capital particular o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O resultado dessa busca, no entanto, n&atilde;o &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio em que a diferen&ccedil;a entre os capitais seja eliminada e na qual o valor individual de todas as mercadorias se iguale necessariamente ao valor de mercado. A busca por mais&#45;valia extraordin&aacute;ria leva os diversos capitais a implementarem m&eacute;todos mais produtivos de forma constante; os capitais particulares n&atilde;o se contentam em alcan&ccedil;ar o n&iacute;vel m&eacute;dio de produtividade. Em resumo, a concorr&ecirc;ncia &eacute; um processo cont&iacute;nuo e incessante que, embora leve os capitais particulares a buscarem reduzir tendencialmente suas desigualdades, acaba por reproduzi&#45;las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o capitalista pelo processo incessante da concorr&ecirc;ncia leva tamb&eacute;m a outros resultados e se reveste de outra forma. A introdu&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos mais produtivos por alguns capitais em um ramo de produ&ccedil;&atilde;o leva a um aumento da oferta de mercadorias nesse ramo; sem um aumento correspondente da procura solvente, os capitais que introduzem o novo m&eacute;todo t&ecirc;m, por um lado, a necessidade de oferecer suas mercadorias a pre&ccedil;os mais baixos que o valor de mercado para conseguir realizar uma quantidade maior de mercadorias. Por outro lado, os capitais que empregam m&eacute;todos mais produtivos t&ecirc;m a possibilidade de ofertar suas mercadorias a pre&ccedil;os menores que o valor de mercado, uma vez que, com m&eacute;todos mais produtivos, &eacute; poss&iacute;vel faz&ecirc;&#45;lo e ainda assim obter uma mais&#45;valia extraordin&aacute;ria, desde que o pre&ccedil;o de mercado esteja acima do valor individual dessas mercadorias (Marx, 1987, Livro I, p. 367&#45;368).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A concorr&ecirc;ncia gera, assim, a diverg&ecirc;ncia entre pre&ccedil;o e valor de mercado, e com isso seu aspecto mercantil se evidencia: os capitais concorrem pela realiza&ccedil;&atilde;o de suas mercadorias. Essa disputa desencadeia uma a&ccedil;&atilde;o em massa, com os diversos produtores seguindo a baixa de pre&ccedil;os iniciada pelos capitais mais produtivos, com vista a realizar a mercadoria, mesmo que apenas pelo pre&ccedil;o de custo. Esse movimento de a&ccedil;&atilde;o em massa tamb&eacute;m se observa no caso contr&aacute;rio, em que a procura &eacute; maior que a oferta e na qual os capitais mais produtivos tendem a seguir alta de pre&ccedil;os para aumentar sua mais&#45;valia extraordin&aacute;ria: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>"O indiv&iacute;duo age a&iacute; como parte de uma for&ccedil;a social, como &aacute;tomo de massa, e &eacute; sob essa forma que a concorr&ecirc;ncia faz valer o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o e do consumo" </I>(Marx, 1987, Livro III, p. 218&#45;219)<I>. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa forma, a disputa pela realiza&ccedil;&atilde;o das mercadorias e pela participa&ccedil;&atilde;o na mais&#45;valia entre os capitais particulares desencadeia uma a&ccedil;&atilde;o em massa no mercado que evidencia o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o, a interdepend&ecirc;ncia oculta dos capitais na produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias e na apropria&ccedil;&atilde;o de mais&#45;valia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na situa&ccedil;&atilde;o em que o pre&ccedil;o de mercado se encontra abaixo do valor de mercado, alguns capitais n&atilde;o conseguem nem recuperar seu pre&ccedil;o de custo, e dessa forma podem ficar impossibilitados de se reproduzirem como produtores privados, isto &eacute;, desaparecem ou s&atilde;o absorvidos pelos capitais mais produtivos, dando origem ao processo de centraliza&ccedil;&atilde;o do capital (Marx, 1987, Livro I, p. 727).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A referida diverg&ecirc;ncia entre pre&ccedil;o e valor de mercado desencadeia a busca de m&eacute;todos mais produtivos por parte dos capitais que produzem com valor individual acima do valor de mercado. Quando os m&eacute;todos mais produtivos se difundem, o valor m&eacute;dio das mercadorias, e dessa forma o valor de mercado, cai. Mas o movimento incessante da concorr&ecirc;ncia assinalado anteriormente n&atilde;o garante que o novo valor de mercado vai convergir para o pre&ccedil;o de mercado; as oscila&ccedil;&otilde;es do pre&ccedil;o de mercado e sua diverg&ecirc;ncia com o valor de mercado permanecem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>4_ A concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A descri&ccedil;&atilde;o do processo de imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o por meio da concorr&ecirc;ncia se restringiu at&eacute; aqui a um ramo de produ&ccedil;&atilde;o. A disputa pela mais&#45;valia, no entanto, estende&#45;se por toda a estrutura social da produ&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se restringindo aos diferentes ramos da divis&atilde;o social do trabalho. A concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos &eacute; uma forma necess&aacute;ria e pelo menos t&atilde;o importante quanto aos outros tipos de concorr&ecirc;ncia. O capital &eacute; riqueza em abstrato, cuja finalidade &eacute; a obten&ccedil;&atilde;o de valor excedente, pouco lhe importando o car&aacute;ter do valor de uso que produz. A transfer&ecirc;ncia de capital inter&#45;ramos est&aacute; de acordo com a natureza do capital em geral, e a maior ou menor possibilidade dessa transfer&ecirc;ncia depende das condi&ccedil;&otilde;es da concorr&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As diferen&ccedil;as entre os capitais se referem tamb&eacute;m &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias de produ&ccedil;&atilde;o dos diversos ramos da divis&atilde;o social do trabalho, e, da mesma forma que as diferen&ccedil;as no interior de um ramo, geram diversidade na apropria&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia e na taxa de lucro (Marx, 1987, Livro III, cap. 9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os ramos de produ&ccedil;&atilde;o com produtividade m&eacute;dia acima da m&eacute;dia social t&ecirc;m composi&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica maior que a m&eacute;dia e por isso produzem lucros proporcionais ao capital empregado menores do que a m&eacute;dia, isto &eacute;, possuem taxas de lucro menores que a taxa m&eacute;dia ou geral de lucro. O inverso &eacute; v&aacute;lido para os ramos com produtividade m&eacute;dia abaixo da m&eacute;dia social &#150; isto &eacute;, em que o valor de mercado &eacute; maior que o valor m&eacute;dio de mercado de todos os ramos &#150; que possuem taxa de lucro acima da m&eacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas diverg&ecirc;ncias na taxa de lucro ou no lucro como propor&ccedil;&atilde;o do capital geram uma disputa geral pela mais&#45;valia global. &Agrave; medida que, em determinados ramos de produ&ccedil;&atilde;o, a taxa de lucro se apresenta abaixo da m&eacute;dia, os capitais desses ramos se deslocar&atilde;o para os outros ramos, principalmente sob a forma de novos capitais, gerando, assim, uma tend&ecirc;ncia &agrave; iguala&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro no n&iacute;vel correspondente &agrave; taxa m&eacute;dia de lucro. H&aacute; um fluxo ininterrupto de capital entre os ramos de produ&ccedil;&atilde;o, que d&aacute; origem &agrave; tend&ecirc;ncia de equaliza&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro, de forma&ccedil;&atilde;o tendencial de uma taxa m&eacute;dia de lucro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>4.1_ O "problema da transforma&ccedil;&atilde;o"</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A venda das mercadorias de acordo com seu valor de mercado &eacute; incompat&iacute;vel com a taxa uniforme de lucro. As mercadorias devem ser vendidas a um pre&ccedil;o tal que permita aos diversos capitais do mesmo montante obterem a mesma taxa de lucro. Em outras palavras, o pre&ccedil;o da mercadoria n&atilde;o corresponde mais ao seu valor de mercado, mas sim &agrave; soma do pre&ccedil;o de custo &#150; isto &eacute;, do custo dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e de for&ccedil;a de trabalho consumidos na produ&ccedil;&atilde;o &#150; e o lucro m&eacute;dio relativo ao capital em quest&atilde;o. Os pre&ccedil;os que proporcionam o lucro m&eacute;dio na venda da mercadoria s&atilde;o os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa nova determina&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os das mercadorias suscitou intenso debate que ficou conhecido na literatura como o "problema da transforma&ccedil;&atilde;o dos valores em pre&ccedil;o". Sem querer esgotar, no espa&ccedil;o deste trabalho, os pontos principais dessa discuss&atilde;o, procurarei esclarecer alguns aspectos centrais para a argumenta&ccedil;&atilde;o deste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; preciso lembrar, de in&iacute;cio, que o debate envolve duas quest&otilde;es intimamente relacionadas, mas nem sempre tratadas conjuntamente: de um lado, a possibilidade de determina&ccedil;&atilde;o quantitativa dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o a partir do valor e, do outro, a possibilidade (e a necessidade) de se derivar conceitualmente os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o a partir do valor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Primeiramente, vou me deter na natureza da rela&ccedil;&atilde;o entre valores e pre&ccedil;os. &Eacute; preciso lembrar que a diferen&ccedil;a entre valores e pre&ccedil;os &eacute; conceitual antes de ser quantitativa. N&atilde;o h&aacute; uma identidade primitiva entre valores e pre&ccedil;os. Os pre&ccedil;os s&atilde;o apenas a express&atilde;o monet&aacute;ria da quantidade de trabalho contida em uma mercadoria, isto &eacute;, do valor. Dessa forma, imp&otilde;e&#45;se, desde o come&ccedil;o, uma diferen&ccedil;a conceitual, entre um conte&uacute;do essencial (valor) e sua forma aparente e necess&aacute;ria (pre&ccedil;o).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Valor e pre&ccedil;os s&atilde;o mensurados por unidades diferentes &#150; horas de trabalho, no caso do valor, e unidades monet&aacute;rias, no caso do pre&ccedil;o &#150; e distintos quantitativamente, antes mesmo de se considerar a taxa m&eacute;dia de lucro. Desta forma, a possibilidade ou n&atilde;o de uma determina&ccedil;&atilde;o quantitativa estrita entre valores e pre&ccedil;os n&atilde;o pode servir de par&acirc;metro para conclus&otilde;es acerca da rela&ccedil;&atilde;o entre essas duas categorias &#150; o que n&atilde;o invalida a discuss&atilde;o do problema formal, tornando&#45;o apenas um problema subordinado ao problema conceitual. A rela&ccedil;&atilde;o entre valor e pre&ccedil;o deve ser analisada, primeiramente, do ponto de vista qualitativo, conceitual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A rela&ccedil;&atilde;o aqui proposta entre essas duas categorias &eacute; de preced&ecirc;ncia te&oacute;rica dos valores sobre os pre&ccedil;os. Deve&#45;se lembrar primeiramente de que os pre&ccedil;os, enquanto express&atilde;o monet&aacute;ria do valor, dependem da formula&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio conceito de dinheiro, sem o que fica incompreens&iacute;vel sua natureza. Mas a natureza do dinheiro s&oacute; pode ser explicada em sua g&ecirc;nese a partir do valor. &Eacute; da necessidade da mercadoria expressar sua contradi&ccedil;&atilde;o como coisa &uacute;til (valor de uso) e coisa social (valor) que surge o dinheiro e, consequentemente, a express&atilde;o monet&aacute;ria do conte&uacute;do social da mercadoria, seu valor, sob a forma de pre&ccedil;o. Como afirma Marx: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>O valor da mercadoria continua a ter import&acirc;ncia fundamental, porque s&oacute; se pode estudar racionalmente o dinheiro a partir dessa base, e o pre&ccedil;o em sua conceitua&ccedil;&atilde;o geral, &eacute; antes de mais nada valor na forma de dinheiro </I>(Marx, 1987, Livro III, p. 218)<I>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A preced&ecirc;ncia te&oacute;rica do valor pode ser observada tamb&eacute;m quando se trata dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o. Estes &uacute;ltimos s&atilde;o uma decorr&ecirc;ncia da equaliza&ccedil;&atilde;o tendencial da taxa de lucro, e sua determina&ccedil;&atilde;o conceitual (e quantitativa) fica dependente da determina&ccedil;&atilde;o anterior da natureza e da origem do lucro. O lucro s&oacute; pede ser entendido como valor excedente, tempo de trabalho excedente. Sen&atilde;o vejamos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Como bem demonstra Marx, o lucro n&atilde;o pode ter sua origem na circula&ccedil;&atilde;o. Na circula&ccedil;&atilde;o, em seu funcionamento normal, ocorre apenas uma mudan&ccedil;a de forma. O pressuposto da circula&ccedil;&atilde;o &eacute; que se troquem equivalentes, o que impede o surgimento de um valor excedente na circula&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, a origem do lucro tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser encontrada na troca de n&atilde;o equivalentes. Se o que se busca explicar &eacute; o lucro por algum privil&eacute;gio dos compradores ou dos vendedores de burlar a troca de equivalentes, esquece&#45;se de que, na circula&ccedil;&atilde;o, os produtores se alternam na posi&ccedil;&atilde;o de compradores e vendedores, e o que era lucro em um momento &eacute; compensado por uma perda no momento seguinte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Finalmente, deve&#45;se lembrar da  impossibilidade de se derivar o lucro do processo de produ&ccedil;&atilde;o em geral, uma vez que nesse s&oacute; ocorre a transforma&ccedil;&atilde;o de coisas &uacute;teis e, portanto,  n&atilde;o h&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de valor extra, al&eacute;m do adiantado no  in&iacute;cio do processo. A equa&ccedil;&atilde;o  meios de  produ&ccedil;&atilde;o = lucros, al&eacute;m do erro de identificar o capital, determina&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, com os meios de produ&ccedil;&atilde;o em geral  independentemente de sua determina&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, &eacute; uma  rela&ccedil;&atilde;o que iguala desiguais, coisas f&iacute;sicas e valor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa forma, a origem e a natureza do lucro s&oacute; podem ser entendidas a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o da mercadoria for&ccedil;a de trabalho, al&eacute;m do tempo necess&aacute;rio para a sua reprodu&ccedil;&atilde;o. A natureza do lucro consiste, ent&atilde;o, em ser valor excedente e s&oacute; assim pode ser entendido. Afirma&#45;se, portanto, a necessidade da an&aacute;lise do valor antes da an&aacute;lise dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, sua preced&ecirc;ncia t&eacute;cnica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A preced&ecirc;ncia dos valores tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;ria para explicar os movimentos dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o regulados pelos movimentos dos valores. Se examinarmos os seus componentes, ou seja, taxa m&eacute;dia de lucro e pre&ccedil;o de custo, veremos que toda varia&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o pode ser encarada como resultante de varia&ccedil;&otilde;es no valor. A taxa m&eacute;dia de lucro s&oacute; se alterar&aacute; mediante modifica&ccedil;&otilde;es na taxa de mais&#45;valia &#150; o que significa dizer no valor da for&ccedil;a de trabalho e, portanto, no valor das mercadorias que entram na sua reposi&ccedil;&atilde;o &#150; ou na composi&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia do capital, com altera&ccedil;&otilde;es na produtividade do trabalho e, por isso, no valor de outras mercadorias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cabe assinalar que nem sempre a rela&ccedil;&atilde;o entre varia&ccedil;&otilde;es no valor e na taxa m&eacute;dia de lucro &eacute; t&atilde;o direta; outros fatores afetam a taxa de lucro: uma altera&ccedil;&atilde;o na jornada de trabalho pode atingir a taxa de mais&#45;valia e, por conseguinte, a taxa m&eacute;dia de lucro. Da mesma forma, o tempo de rota&ccedil;&atilde;o ou a economia no uso dos meios de produ&ccedil;&atilde;o pode afetar a taxa m&eacute;dia de lucro; nesses casos, por&eacute;m, h&aacute; uma liga&ccedil;&atilde;o ainda que indireta com altera&ccedil;&otilde;es do valor das mercadorias, pois se trata de altera&ccedil;&otilde;es que resultam, de uma forma ou de outra, do aumento geral de produtividade (Marx, 1987, Livro III, Cap. iv, p. 94). O pre&ccedil;o de custo, por sua vez, somente se alterar&aacute; modificando&#45;se a produtividade do trabalho &#150; e dessa forma o valor &#150; seja na produ&ccedil;&atilde;o da mercadoria em quest&atilde;o, seja na produ&ccedil;&atilde;o das mercadorias que s&atilde;o utilizadas em sua produ&ccedil;&atilde;o (Marx, 1987, Livro III, p. 232; Rubin, 1980, p. 253&#45;254 e 267).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Existem dois procedimentos para determina&ccedil;&atilde;o quantitativa dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o. O primeiro procedimento &eacute; o do sistema simult&acirc;neo (Bortkiewicz, 1952). Nesse sistema, s&atilde;o determinados simultaneamente os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o dos insumos e dos produtos e a taxa de lucro. Esse procedimento &eacute; compat&iacute;vel com o equil&iacute;brio, e n&atilde;o com a regula&ccedil;&atilde;o turbulenta. O sistema simult&acirc;neo sup&otilde;e que a taxa de lucro seja efetivamente igual e que o seu processo de equaliza&ccedil;&atilde;o se d&ecirc; de forma instant&acirc;nea em um per&iacute;odo. Ao considerar que os pre&ccedil;os dos insumos sejam o mesmo do produto, o sistema admite pre&ccedil;os constantes ao longo do tempo, n&atilde;o podendo representar o processo de mudan&ccedil;a nos pre&ccedil;os e eliminando qualquer fonte de varia&ccedil;&atilde;o no processo de forma&ccedil;&atilde;o da taxa m&eacute;dia de lucro (Freeman, 1995). Assim, embora a determina&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o seja o resultado do movimento dos capitais, o sistema simult&acirc;neo considera que esse movimento n&atilde;o existe em uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O outro procedimento de determina&ccedil;&atilde;o quantitativa dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o com base nos valores &eacute; o do sistema temporal &uacute;nico (Kliman; McGlone, 1999). Nesse sistema, os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o obtidos a partir dos valores de forma sequencial e interdependente. Nessa abordagem, o pre&ccedil;o de custo &eacute; tomado como um dado, estabelecido no per&iacute;odo anterior, e com base nele e na taxa m&eacute;dia de lucro se determinam os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o dos produtos. Os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o aplicados nos insumos no per&iacute;odo seguinte, e os novos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de ser calculados para o novo pre&ccedil;o dos insumos, e assim por diante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa determina&ccedil;&atilde;o sequencial dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de reproduzir o procedimento de Marx em <I>O capital</I>, reflete o processo real de equaliza&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro como um processo de ajuste cont&iacute;nuo em que os pre&ccedil;os de custo j&aacute; foram pagos e os capitais reagem &agrave; concorr&ecirc;ncia, ajustando os pre&ccedil;os correntes dos produtos (Shaikh, 1977, p. 131). Nessa forma de entender o processo de determina&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, a concorr&ecirc;ncia &eacute; apreendida como um processo cont&iacute;nuo, e n&atilde;o como um mecanismo que permite o alcance do equil&iacute;brio est&aacute;tico, como no sistema simult&acirc;neo (Freeman, 1995).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>4.2_ Concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos     e car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Deve se revisar de forma breve o mecanismo da concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos. Os capitais migram entre os ramos de produ&ccedil;&atilde;o, principalmente sob a forma de novos capitais, em busca da maior taxa de lucro; a migra&ccedil;&atilde;o de capitais tende a igualar as taxas de lucros dos diferentes ramos de produ&ccedil;&atilde;o, gerando, assim, os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o. Assim os capitais, por meio de novos investimentos de lucros retidos, tendem a sair dos ramos em que os valores de mercado est&atilde;o abaixo dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o; o contr&aacute;rio ocorre nos ramos em que os valores de mercado est&atilde;o acima dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o. Esse movimento tende a estabelecer pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o e taxas de lucro iguais nos diferentes ramos da produ&ccedil;&atilde;o (Marx, 1987, Livro III, p. 221).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A redistribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia entre os diferentes capitais particulares ocorre, ent&atilde;o, na sociedade como um todo. Nas condi&ccedil;&otilde;es em que os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o est&atilde;o estabelecidos, a mais&#45;valia gerada nos ramos em que o valor de mercado est&aacute; acima dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; apropriada pelos capitais dos ramos em que o valor de mercado est&aacute; abaixo dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o. Isso porque, nestes &uacute;ltimos, a mercadoria &eacute; vendida por pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o acima dos valores de mercado, consistindo essa diferen&ccedil;a na mais&#45;valia apropriada pelos capitais do referido ramo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O movimento migrat&oacute;rio dos capitais n&atilde;o elimina as flutua&ccedil;&otilde;es dos pre&ccedil;os de mercado; pelo contr&aacute;rio, a transfer&ecirc;ncia de capitais entre diferentes ramos &eacute; um elemento a mais na determina&ccedil;&atilde;o dessas flutua&ccedil;&otilde;es. Quando a oferta &eacute; maior que a procura &#150; devido, por exemplo, a introdu&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos mais produtivos em um ramo de produ&ccedil;&atilde;o &#150;, os pre&ccedil;os de mercados tendem a cair e com isso diminuir os lucros m&eacute;dios de um ramo de produ&ccedil;&atilde;o. Isso leva &agrave; sa&iacute;da de capitais do ramo, tendendo, assim, a conduzir os pre&ccedil;os de mercado em dire&ccedil;&atilde;o aos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o; o inverso ocorre quando da eleva&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de mercados em um ramo. Dessa forma, como o "movimento dos capitais &eacute; determinado primordialmente pela conjuntura dos pre&ccedil;os de mercado"(Marx, 1987, Livro III, p. 235), o movimento incessante da concorr&ecirc;ncia n&atilde;o garante que o pre&ccedil;o de mercado vai convergir para o pre&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o; as oscila&ccedil;&otilde;es do pre&ccedil;o de mercado e sua diverg&ecirc;ncia com o pre&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o permanecem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A concorr&ecirc;ncia pela redistribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia global por meio da migra&ccedil;&atilde;o de capitais, principalmente sob a forma de novos capitais, &eacute; tamb&eacute;m um meio pelo qual se imp&otilde;e o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o. Primeiramente, a redistribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia pela produ&ccedil;&atilde;o tendencial da taxa m&eacute;dia de lucro e dos pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e para cada capital particular o car&aacute;ter de classe da rela&ccedil;&atilde;o entre capital e trabalho. Em segundo lugar, a distribui&ccedil;&atilde;o do trabalho de acordo com as necessidades sociais tamb&eacute;m &eacute; imposta para cada produtor privado por esse meio; quando diminui o tempo de trabalho socialmente necess&aacute;rio &#150; o valor de mercado &#150; em um ramo de produ&ccedil;&atilde;o, o lucro m&eacute;dio do ramo diminui, levando os capitais a migrarem desse ramo e, dessa forma, ajustando tendencialmente a quantidade de trabalho empregada nesse ramo &agrave; socialmente necess&aacute;ria (Rubin, 1980, p. 247&#45;252).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>5_ Regula&ccedil;&atilde;o turbulenta e    as ilus&otilde;es do equil&iacute;brio</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o por meio da concorr&ecirc;ncia traz como consequ&ecirc;ncia o car&aacute;ter turbulento da reprodu&ccedil;&atilde;o social. Dada a configura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o mercantis, as decis&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es dos diversos capitais precisam ser reguladas socialmente para que haja a reprodu&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o do trabalho. Essa regula&ccedil;&atilde;o tem car&aacute;ter turbulento &#150; isto &eacute;, sujeito a mudan&ccedil;as cont&iacute;nuas e imprevistas &#150; uma vez que n&atilde;o &eacute; realizada de forma consciente pelos agentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tomemos o car&aacute;ter turbulento do processo de migra&ccedil;&atilde;o dos capitais, mecanismo fundamental da concorr&ecirc;ncia inter&#45;ramos. A redistribui&ccedil;&atilde;o da mais&#45;valia entre os ramos de produ&ccedil;&atilde;o pelo movimento migrat&oacute;rio dos capitais n&atilde;o elimina a distribui&ccedil;&atilde;o no interior de um ramo. Em outras palavras, essa distribui&ccedil;&atilde;o se refere &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias de produ&ccedil;&atilde;o nos diferentes ramos, subsistindo ainda as diferen&ccedil;as de condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o no interior de um ramo. A busca por novos m&eacute;todos mais produtivos &#150; e a consequente varia&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de mercado &#150; permanece, portanto, como um efeito da concorr&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se a busca por novos m&eacute;todos mais produtivos permanece, as condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias de produ&ccedil;&atilde;o em cada ramo est&atilde;o sujeitas a mudan&ccedil;a pela concorr&ecirc;ncia. Isso significa que a taxa uniforme de lucro se estabelece apenas de forma tendencial, sendo a resultante necess&aacute;ria somente como tend&ecirc;ncia, do fluxo de capitais inter&#45;ramos. Marx assinala o car&aacute;ter ideal desse centro de flutua&ccedil;&otilde;es eternas: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Entre os ramos que mais se aproximam da m&eacute;dia, ocorre a mesma tend&ecirc;ncia &agrave; uniformiza&ccedil;&atilde;o, no sentido de chegar ao centro, </I>de natureza ideal, pois inexistente na realidade<I>, isto &eacute;, a tend&ecirc;ncia a normalizar&#45;se segundo o pr&oacute;prio centro </I>(Marx. 1987, Livro III, p. 197 &#150; &ecirc;nfase adicionada)<I>.</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Diversos s&atilde;o os fatores que impedem a efetiva&ccedil;&atilde;o plena da lei de equaliza&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro: as diferen&ccedil;as nos tempos de rota&ccedil;&atilde;o entre os diversos ramos, as barreiras &agrave; mobilidade do capital e as diferen&ccedil;as de produtividade dentro de cada ramo de produ&ccedil;&atilde;o impedem que se estabele&ccedil;a a taxa uniforme de lucro como taxa efetiva, observ&aacute;vel de forma imediata. De acordo com Marx, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>a pr&oacute;pria taxa geral de lucro aparece apenas como limite m&iacute;nimo do lucro, </I>e n&atilde;o como figura emp&iacute;rica<I>, logo vis&iacute;vel da taxa efetiva de lucro </I>(Marx, 1987, vol. III, p. 424 &#150; &ecirc;nfase adicionada)<I>. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Seu estatuto &eacute; apenas tendencial, e o fluxo de capitais &eacute; um fluxo ininterrupto; a taxa geral de lucro &eacute; apenas a m&eacute;dia reguladora de um processo turbulento. De acordo com Marx, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>&#91;...&#93; em toda produ&ccedil;&atilde;o capitalista a lei geral s&oacute; se imp&otilde;e como a tend&ecirc;ncia dominante, de maneira aproximativa e muito baralhada, transparecendo em </I>m&eacute;dia m&oacute;vel de flutua&ccedil;&otilde;es eternas (Marx, 1987, Livro III, p. 183 &#150; &ecirc;nfase adicionada)<I>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A tend&ecirc;ncia &agrave; uniformiza&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro n&atilde;o nos indica ser imposs&iacute;vel a exist&ecirc;ncia em determinado momento do tempo de diferenciais de taxa de lucro entre os diversos ramos. Segundo Marx, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>as taxas de lucro nos diferentes ramos de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mais ou menos incertas; mas, ao aparecerem, o que se revela n&atilde;o &eacute; a uniformidade e sim a diversidade delas </I>(Marx, 1987, Livro III, p. 424)<I>. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse aspecto, a lei determina apenas a impossibilidade da exist&ecirc;ncia de uma estrutura de taxas de lucro permanente, est&aacute;tica, entre os diversos ramos. A mobilidade do capital dinheiro, a din&acirc;mica de cada ramo, no que se refere a sua organiza&ccedil;&atilde;o, e a busca incessante da taxa m&eacute;dia de lucro por parte dos capitais levam a que mais cedo ou mais tarde haja uma modifica&ccedil;&atilde;o na estrutura de taxas de lucro inter&#45;ramos. Conforme afirma Shaikh, </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>since old methods are constantly eliminated and new ones constantly added, this intra&#45;industrial constellation of profit rates is perpetually recreated by the dinamics of accumulation </I>(Shaikh, 1982, p. 77)<I>.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma segunda consequ&ecirc;ncia da imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o pela concorr&ecirc;ncia se refere &agrave;s cren&ccedil;as ilus&oacute;rias geradas pelo processo de concorr&ecirc;ncia e que s&atilde;o formuladas pelas teorias econ&ocirc;micas dominantes mediante a an&aacute;lise do equil&iacute;brio. O elemento principal a ser enfatizado nesse aspecto &eacute; que o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o pressuposto e imposto para os propriet&aacute;rios privados e capitais particulares por meio da concorr&ecirc;ncia parece ser gerado por essa. Em outras palavras, o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o revela&#45;se na consci&ecirc;ncia dos agentes da concorr&ecirc;ncia como um resultado de suas a&ccedil;&otilde;es individuais. Essa &eacute; a principal invers&atilde;o efetuada pela concorr&ecirc;ncia: o que &eacute; pressuposto parece resultado, o que &eacute; social manifesta&#45;se como soma da a&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos isolados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tal invers&atilde;o gerada pela concorr&ecirc;ncia apresenta&#45;se nas formula&ccedil;&otilde;es do equil&iacute;brio da teoria dominante. Nessas formula&ccedil;&otilde;es, o equil&iacute;brio &eacute; o resultado da concorr&ecirc;ncia, entendida como a&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos isolados no mercado. Cada agente da concorr&ecirc;ncia &eacute; tomado como um &aacute;tomo, definido por suas prefer&ecirc;ncias, pelas dota&ccedil;&otilde;es e pela tecnologia. O resultado da intera&ccedil;&atilde;o entre os agentes isolados &eacute; um estado que garante a reprodu&ccedil;&atilde;o da ordem social de forma a que todos estejam na melhor situa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o &eacute; demais ressaltar todos os contrastes entre o processo turbulento da concorr&ecirc;ncia real e a cren&ccedil;a no equil&iacute;brio como resultado da concorr&ecirc;ncia. O resultado da concorr&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um estado de equil&iacute;brio, mas um processo de regula&ccedil;&atilde;o turbulenta no qual se imp&otilde;e o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o (Shaikh, 1990, p. 79). Pelo contr&aacute;rio, em um estado de equil&iacute;brio &#150; em que as taxas de lucros seriam equalizadas, a demanda seria igual &agrave; oferta em todos os mercados e consequentemente os pre&ccedil;os de mercado, os pre&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o e os valores de mercado seriam iguais, e n&atilde;o haveria progresso tecnol&oacute;gico &#150;, a concorr&ecirc;ncia deixaria de existir. Segundo Marx, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>&#91;...&#93; a coincid&ecirc;ncia entre a procura e a oferta equivale &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o do desvio entre pre&ccedil;os de mercado e os pre&ccedil;os m&eacute;dios reguladores, isto &eacute;, &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia &#91;...&#93; </I>(Marx, 1987, Livro III, p. 988)<I>. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora as condi&ccedil;&otilde;es definidoras do equil&iacute;brio da teoria econ&ocirc;mica dominante n&atilde;o sejam exatamente as mesmas, &eacute; poss&iacute;vel observar a aus&ecirc;ncia da concorr&ecirc;ncia no estado de equil&iacute;brio. O equil&iacute;brio sup&otilde;e que todos os agentes que atuam no mercado estejam em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es, mas a concorr&ecirc;ncia na realidade efetua um duplo movimento: se por um lado ela tende a eliminar as desigualdades entre os produtores privados, o faz recriando&#45;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mesmo car&aacute;ter ilus&oacute;rio se encontra no car&aacute;ter harm&ocirc;nico &#150; descrito de forma pretensamente neutra como &oacute;timo &#150; do estado de equil&iacute;brio supostamente resultante da concorr&ecirc;ncia. Tal ideia de ordem harm&ocirc;nica como resultado da a&ccedil;&atilde;o isolada de indiv&iacute;duos no mercado j&aacute; se encontra formulada na m&atilde;o invis&iacute;vel de Adam Smith. Ao contr&aacute;rio do car&aacute;ter harm&ocirc;nico e do estado de calma contidos na no&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio, a concorr&ecirc;ncia efetua uma reprodu&ccedil;&atilde;o social que se d&aacute; de forma turbulenta e conflituosa, em uma permanente guerra de todos contra todos, onde cada um, ao buscar a realiza&ccedil;&atilde;o de seu "interesse", n&atilde;o garante o sucesso na sua reprodu&ccedil;&atilde;o como propriet&aacute;rio privado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>6_ Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Este artigo apresentou o argumento de que o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o capitalista de mercadorias &eacute; imposto pela concorr&ecirc;ncia. Seja no interior de um ramo, seja entre ramos, &eacute; o mecanismo de pre&ccedil;os regulados pelos valores e a busca do lucro que imp&otilde;em o car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o como coer&ccedil;&atilde;o externa para cada um dos capitais individuais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Imposto por meio da concorr&ecirc;ncia, a regula&ccedil;&atilde;o da reprodu&ccedil;&atilde;o social s&oacute; pode ser um processo conflituoso e turbulento fora do controle dos agentes, ao contr&aacute;rio do que prop&otilde;e a ilus&atilde;o do equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este &uacute;ltimo aspecto nos leva a uma conclus&atilde;o com respeito &agrave; concorr&ecirc;ncia como meio de imposi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter social da produ&ccedil;&atilde;o. O car&aacute;ter conflituoso e turbulento da reprodu&ccedil;&atilde;o social &eacute; resultante de uma sociabilidade estranhada. A concorr&ecirc;ncia imp&otilde;e a reprodu&ccedil;&atilde;o social como coer&ccedil;&atilde;o impessoal: aqui se observa outra determina&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter de sociabilidade estranhada da concorr&ecirc;ncia; al&eacute;m de cada um ser apenas meio/obst&aacute;culo para os outros, a determina&ccedil;&atilde;o social da produ&ccedil;&atilde;o se incute de forma coercitiva e impessoal. Cada produtor privado para se reproduzir enquanto tal se submete aos determinantes da reprodu&ccedil;&atilde;o social; mas o faz sem sab&ecirc;&#45;lo. A sociedade aparece para os agentes que a reproduzem por meio de sua a&ccedil;&atilde;o como for&ccedil;a estranha, como concorr&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BORTKIEWICZ,  L. VON. Value and price in the Marxian system.<I> International Economic Papers</I>, vol. 2, 1952.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0103-6351201200010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREEMAN, A. Marx without equilibrium. <I>Capital &amp; Class</I>, n. 56, Summer, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0103-6351201200010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KLIMAN, A.  J.; MCGLONE, T. A temporal single&#45;system interpretation of Marx's Value Theory. <I>Review of Political Economy</I>, vol. 11, nº 1, Jan. 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0103-6351201200010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARX, K. <I>O capital</I>. Cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica. 3 vol. S&atilde;o Paulo, DIFEL, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0103-6351201200010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARX, K. Burgueses e prolet&aacute;rios. In: Fernandes, F. (Org). <I>Marx Engels.</I> Hist&oacute;ria. Cole&ccedil;&atilde;o grandes cientistas sociais. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0103-6351201200010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RUBIN, I. I. <I>A Teoria Marxista do Valor</I>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0103-6351201200010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SHAIKH, A. Marx's Theory of Value and the transformation problem. In: SCHWARTZ, J. (Ed). <I>The subtle anatomy of capitalism</I>. Goodyear Publishing, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0103-6351201200010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SHAIKH, A. Neo&#45;Ricardian Economics: A wealth of algebra, a poverty of theory. <I>Review of Radical Political Economics</I>, vol. 14, n. 2, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0103-6351201200010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SHAIKH, A. <I>Valor, acumulaci&oacute;n y crisis</I>. Ensayos de Economia Pol&iacute;tica. Bogot&aacute;, Tercer Mundo Editores, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0103-6351201200010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Artigo recebido em julho de 2008;    <BR>   aprovado em mar&ccedil;o de 2010.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>E&#45;mail de contato do autor</b>    <a href="mailto:andre@economia.uff.br">andre@economia.uff.br</a></font></p>     ]]></body>
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