<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0103-8478</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência Rural]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Rural]]></abbrev-journal-title>
<issn>0103-8478</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade Federal de Santa Maria]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0103-84782010000200010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0103-84782010005000005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ergonomia e complexidade: o trabalho do gestor na agricultura orgânica na região de Campinas - SP]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Complexity and ergonomy: the manager work at the organic agriculture in Campinas - SP Brazil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gemma]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sandra Francisca Bezerra]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tereso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mauro José Andrade]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Abrahão]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roberto Funes]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Ciências Aplicadas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Limeira SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Engenharia Agrícola Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Campinas SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Engenharia Agrícola ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Campinas SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>02</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>02</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>40</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>288</fpage>
<lpage>294</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-84782010000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0103-84782010000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0103-84782010000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A lacuna de pesquisas sobre o trabalho humano na agricultura orgânica motivou este estudo, que teve por objetivos caracterizar e compreender o trabalho do gestor no manejo orgânico da produção agrícola. A pesquisa de campo, realizada em duas etapas, permitiu investigar o trabalho dos gestores em Unidades de Produção Agrícola Orgânica (UPAO) do interior de São Paulo, por meio da adaptação do método da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e de entrevistas estruturadas. Os dados de campo foram posteriormente interpretados à luz da Teoria da Complexidade (TC). Constatou-se que o gestor da agricultura orgânica é responsável por um macrossistema (produção vegetal, produção animal, processamento e serviços), atuando concomitantemente como administrador e executor do trabalho. A grande variedade de produtos oferecidos pela agricultura orgânica gera a necessidade de expertise do gestor no trato com as diferentes espécies vegetais e na sua integração com os demais sistemas de produção. Concluiu-se que o trabalho executado pelos gestores é caracterizado pela diversidade de atividades que precisam ser realizadas e integradas dentro do macrossistema, em associação com os determinantes do processo de certificação num contexto de falta de tecnologia adequada e de cenários incertos e variados. Cabe ao gestor incorporar e transformar em práticas de trabalho os preceitos ecológicos, econômicos e sociais de sustentabilidade, que podem ser contraditórios entre si, integrar essas múltiplas dimensões, por meio do desenvolvimento e da conexão de variados saberes e competências, e elaborar estratégias para superar as diversas dificuldades relacionadas com os aspectos tecnológicos, financeiros e humanos na agricultura orgânica.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The lack of research about the human work at the Organic agriculture stimulated this study, which purpose was to characterize and understand the manager's job in managing organic farming. The field research was carried out in two stages, and allowed to investigate managers' work at organic agricultural production units (UPAO) from the interior of Sao Paulo state, through an adaptation of the ergonomics' analysis method (AET) and structured interviews. The data collected were further interpreted in the light of the complexity theory (TC). It was possible to infer that the organic agricultural manager is accountable for a macro production system (vegetable, animal, processing and services), where the manager acts simultaneously as the administrator and also as the job performer. The wide products variety offered by the organic agriculture demands an expertise from the manager in order to deal with the different vegetable specimens and their integration with the remaining production systems. It was concluded that the work performed by the managers is characterized by the diversity of activities, that need to be prepared and integrated within a macro system, associated with the certification process determinants, in absence of suitable technology context and uncertain and multiple scenarios. It comes to the manager to incorporate and to transform into work practices the ecological, economical and social sustainability principles, which can be contradictory among each other. They can integrate these multiple dimensions through the development and connection of several competences and knowledge, as well as elaborate strategies to overcome multiple difficulties related to the organic agriculture's technological, financial and human aspects.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[agricultura orgânica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[teoria da complexidade de Edgar Morin]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ergonomia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[condições de trabalho]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[organic agriculture]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Edgar Morin complexity theory]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Ergonomics (environmental health)]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[human engineering]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[working conditions]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    CIENT&Iacute;FICOS    <br>   ENGENHARIA RURAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="texto"></a>Ergonomia    e complexidade: o trabalho do gestor na agricultura org&acirc;nica na regi&atilde;o    de Campinas - SP</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Complexity and    ergonomy: the manager work at the organic agriculture in Campinas &#150; SP    Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sandra Francisca    Bezerra Gemma<sup>I,</sup> <a href="#nota"><sup>1</sup></a>; Mauro Jos&eacute;    Andrade Tereso<sup>II</sup>; Roberto Funes Abrah&atilde;o<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Faculdade    de Ci&ecirc;ncias Aplicadas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Rua    Pedro Zaccaria, 1300, Jd. Sta.Luiza, 13484-350, Limeira, SP, Brasil. E-mail:    <a href="mailto:sandra.gemma@fca.unicamp.br">sandra.gemma@fca.unicamp.br</a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>II</sup>Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustent&aacute;vel, Faculdade    de Engenharia Agr&iacute;cola, UNICAMP, Campinas, SP, Brasil    <br>   <sup>III</sup>M&aacute;quinas Agr&iacute;colas, Faculdade de Engenharia Agr&iacute;cola,    UNICAMP, Campinas, SP, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A lacuna de pesquisas    sobre o trabalho humano na agricultura org&acirc;nica motivou este estudo, que    teve por objetivos caracterizar e compreender o trabalho do gestor no manejo    org&acirc;nico da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. A pesquisa de campo,    realizada em duas etapas, permitiu investigar o trabalho dos gestores em Unidades    de Produ&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Org&acirc;nica (UPAO) do interior    de S&atilde;o Paulo, por meio da adapta&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo da    An&aacute;lise Ergon&ocirc;mica do Trabalho (AET) e de entrevistas estruturadas.    Os dados de campo foram posteriormente interpretados &agrave; luz da Teoria    da Complexidade (TC). Constatou-se que o gestor da agricultura org&acirc;nica    &eacute; respons&aacute;vel por um macrossistema (produ&ccedil;&atilde;o vegetal,    produ&ccedil;&atilde;o animal, processamento e servi&ccedil;os), atuando concomitantemente    como administrador e executor do trabalho. A grande variedade de produtos oferecidos    pela agricultura org&acirc;nica gera a necessidade de expertise do gestor no    trato com as diferentes esp&eacute;cies vegetais e na sua integra&ccedil;&atilde;o    com os demais sistemas de produ&ccedil;&atilde;o. Concluiu-se que o trabalho    executado pelos gestores &eacute; caracterizado pela diversidade de atividades    que precisam ser realizadas e integradas dentro do macrossistema, em associa&ccedil;&atilde;o    com os determinantes do processo de certifica&ccedil;&atilde;o num contexto    de falta de tecnologia adequada e de cen&aacute;rios incertos e variados. Cabe    ao gestor incorporar e transformar em pr&aacute;ticas de trabalho os preceitos    ecol&oacute;gicos, econ&ocirc;micos e sociais de sustentabilidade, que podem    ser contradit&oacute;rios entre si, integrar essas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es,    por meio do desenvolvimento e da conex&atilde;o de variados saberes e compet&ecirc;ncias,    e elaborar estrat&eacute;gias para superar as diversas dificuldades relacionadas    com os aspectos tecnol&oacute;gicos, financeiros e humanos na agricultura org&acirc;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    agricultura org&acirc;nica, teoria da complexidade de Edgar Morin, ergonomia,    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The lack of research    about the human work at the Organic agriculture stimulated this study, which    purpose was to characterize and understand the manager's job in managing organic    farming. The field research was carried out in two stages, and allowed to investigate    managers' work at organic agricultural production units (UPAO) from the interior    of Sao Paulo state, through an adaptation of the ergonomics' analysis method    (AET) and structured interviews. The data collected were further interpreted    in the light of the complexity theory (TC). It was possible to infer that the    organic agricultural manager is accountable for a macro production system (vegetable,    animal, processing and services), where the manager acts simultaneously as the    administrator and also as the job performer. The wide products variety offered    by the organic agriculture demands an expertise from the manager in order to    deal with the different vegetable specimens and their integration with the remaining    production systems. It was concluded that the work performed by the managers    is characterized by the diversity of activities, that need to be prepared and    integrated within a macro system, associated with the certification process    determinants, in absence of suitable technology context and uncertain and multiple    scenarios. It comes to the manager to incorporate and to transform into work    practices the ecological, economical and social sustainability principles, which    can be contradictory among each other. They can integrate these multiple dimensions    through the development and connection of several competences and knowledge,    as well as elaborate strategies to overcome multiple difficulties related to    the organic agriculture's technological, financial and human aspects.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key words:</b>    organic agriculture, Edgar Morin complexity theory, Ergonomics (environmental    health), human engineering, working conditions.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A agricultura convencional,    modelo predominante no Brasil e no mundo, tem sido apontada como respons&aacute;vel    por danos ambientais e mau uso dos recursos naturais (IPCC, 2007), assim como    pela intoxica&ccedil;&atilde;o de trabalhadores rurais (CASTRO, 2006). A agricultura    org&acirc;nica surgiu na d&eacute;cada de 1920 como uma alternativa ao sistema    convencional, preconizando uma produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel nas    perspectivas ecol&oacute;gica, econ&ocirc;mica e social. A agricultura org&acirc;nica    vem se desenvolvendo rapidamente e j&aacute; &eacute; praticada em mais de 120    pa&iacute;ses do mundo. Atualmente cerca de 31 milh&otilde;es de hectares s&atilde;o    cultivados organicamente, por aproximadamente 634 mil agricultores. A Oceania    det&eacute;m 39% da &aacute;rea agr&iacute;cola org&acirc;nica, seguida pela    Europa, com 23%, e pela Am&eacute;rica Latina, com 19%. O Brasil ocupa a 6a    posi&ccedil;&atilde;o mundial em termos de superf&iacute;cie ocupada com a agricultura    org&acirc;nica, que j&aacute; se estabeleceu em 842 mil hectares e absorve cerca    de 15 mil produtores, a maior parte do tipo familiar, que representam 90% do    total (WILLER &amp; YUSSEFI, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mercado de org&acirc;nicos    tem sido apontado como o que mais cresce no Brasil (50% ao ano) e no mundo.    Em 2003, a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica movimentou US$25 bilh&otilde;es    no mundo e no Brasil US$200 milh&otilde;es em 2004 (BRASIL, 2005). Diversas    pesquisas foram realizadas sobre a agricultura org&acirc;nica, tanto do ponto    de vista t&eacute;cnico (manejo, produtividade, dentre outros) e econ&ocirc;mico    (retorno econ&ocirc;mico da atividade e tend&ecirc;ncias), quanto dos aspectos    ecol&oacute;gicos (preserva&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, solo, fauna e flora).    No entanto, n&atilde;o se encontram pesquisas que tenham por objetivo discutir    o trabalho na agricultura org&acirc;nica. Assim, n&atilde;o h&aacute; um corpo    de conhecimentos consolidado sobre o trabalho nesse sistema, bem como n&atilde;o    existem indicadores que nos permitam avaliar os impactos que esse trabalho pode    ter sobre a sa&uacute;de e o bem-estar das pessoas, embora a exclus&atilde;o    da manipula&ccedil;&atilde;o de biocidas t&oacute;xicos j&aacute; constitua    um grande avan&ccedil;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se a necessidade    e a import&acirc;ncia do desenvolvimento de pesquisas que contemplem o ponto    de vista do trabalho humano, n&atilde;o somente evidenciando o que o sistema    org&acirc;nico tem de positivo para os agricultores, mas tamb&eacute;m identificando    os aspectos que care&ccedil;am de melhorias. Analisar o trabalho dos gestores    na agricultura org&acirc;nica &eacute; o tema central deste estudo ergon&ocirc;mico,    que teve como foco a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e a tecnologia utilizada    nesse segmento, buscando ampliar a compreens&atilde;o das atividades desenvolvidas,    a complexidade que estas apresentam, as dificuldades encontradas e as estrat&eacute;gias    de supera&ccedil;&atilde;o. Para a an&aacute;lise, foram selecionados os seguintes    referenciais te&oacute;ricos: a ergonomia franco-belga e a Teoria da Complexidade    (TC) baseada nas ideias de Edgar Morin. A primeira justifica-se por permitir    compreender o trabalho de uma forma mais ampla, ao se deter no trabalho real    dos operadores, e a segunda, por buscar uma explica&ccedil;&atilde;o mais rica    dos fen&ocirc;menos, que v&aacute; al&eacute;m do princ&iacute;pio da simplifica&ccedil;&atilde;o    (separa&ccedil;&atilde;o/redu&ccedil;&atilde;o), e por se &quot;constituir num    esfor&ccedil;o para conceber o incontorn&aacute;vel desafio que o real lan&ccedil;a    na nossa mente&quot; (MORIN, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A An&aacute;lise    Ergon&ocirc;mica do Trabalho (AET) &eacute; oriunda da escola franco-belga de    ergonomia e se fundamenta na an&aacute;lise das situa&ccedil;&otilde;es reais    de trabalho, o que possibilita sua compreens&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o    (GU&Eacute;RIN et al., 2001). Esse m&eacute;todo &eacute; composto de tr&ecirc;s    fases principais: a an&aacute;lise da demanda, a an&aacute;lise da tarefa e    a an&aacute;lise da atividade. A an&aacute;lise da demanda consiste em analisar    o problema inicialmente proposto pelos demandantes, delimitar o objeto de estudo    e esclarecer suas finalidades. A an&aacute;lise da tarefa corresponde ao levantamento    dos dados referentes aos objetivos e resultados esperados do trabalho e os meios    dispon&iacute;veis para realiz&aacute;-lo. A an&aacute;lise da atividade consiste    em compreender o trabalho que &eacute; efetivamente realizado, as dificuldades    encontradas e as estrat&eacute;gias utilizadas para super&aacute;-las. No final,    os dados levantados permitem formular hip&oacute;teses de trabalho que delineiam    os rumos a serem seguidos, para que, ao final da an&aacute;lise, seja poss&iacute;vel    elaborar um diagn&oacute;stico e fornecer recomenda&ccedil;&otilde;es ergon&ocirc;micas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora haja complexidade    sempre que h&aacute; um sistema - inter-rela&ccedil;&otilde;es de elementos    para formar uma unidade - e que, portanto, todo trabalho possa ser considerado    complexo, elegeu-se o trabalho dos gestores na agricultura org&acirc;nica justamente    por atuarem em sistemas de produ&ccedil;&atilde;o bastante diversificados. Para    ampliar a compreens&atilde;o dos resultados obtidos, adotou-se o paradigma da    complexidade, que transcende o reducionismo cient&iacute;fico cl&aacute;ssico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A TC &eacute; composta    por 13 princ&iacute;pios de inteligibilidade, que ligados uns aos outros, auxiliam    a compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos da realidade, procurando desenvolver    um di&aacute;logo entre ordem, desordem e organiza&ccedil;&atilde;o, mostrando    al&eacute;m da multidimensionalidade a inseparabilidade dessas no&ccedil;&otilde;es    no mundo dos fen&ocirc;menos. N&atilde;o h&aacute; privil&eacute;gio nem da    ordem (previs&atilde;o) nem da desordem (incerteza), mas a rela&ccedil;&atilde;o    que se estabelece entre ambas, de forma antagonista e paradoxalmente complementar,    para formar a organiza&ccedil;&atilde;o - aquilo que d&aacute; coer&ecirc;ncia    constitutiva, regra, regula&ccedil;&atilde;o e estrutura &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es.    Essa vis&atilde;o complexa na concep&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o    integra o pensamento hologram&aacute;tico - no qual n&atilde;o s&oacute; a parte    est&aacute; no todo, mas tamb&eacute;m o todo est&aacute; na parte - facilitando    a percep&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o como recursiva, na medida    em que os efeitos e produtos dela s&atilde;o necess&aacute;rios a sua pr&oacute;pria    causa&ccedil;&atilde;o e a sua produ&ccedil;&atilde;o (MORIN, 2003). Dito de    outra forma, a organiza&ccedil;&atilde;o, que &eacute; entendida aqui como a    organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na agricultura org&acirc;nica, n&atilde;o    se resume em apenas alguns princ&iacute;pios de ordem ou algumas leis, mas tamb&eacute;m    incorpora uma rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com o meio ambiente, o que    inclui os princ&iacute;pios de diversidade, aleatoriedade e incertezas, al&eacute;m    da recursividade de seus fen&ocirc;menos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta pesquisa,    realizada em duas etapas, permitiu investigar o trabalho dos gestores em Unidades    de Produ&ccedil;&atilde;o Agr&iacute;cola Org&acirc;nica (UPAO), por meio da    adapta&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo da An&aacute;lise Ergon&ocirc;mica    do Trabalho (AET) e da realiza&ccedil;&atilde;o de entrevista estruturada em    um question&aacute;rio. Os dados de campo foram posteriormente interpretados    &agrave; luz da Teoria da Complexidade (TC).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na primeira etapa    da pesquisa, realizada de abril de 2006 a fevereiro de 2007, foram empregadas    72 horas de observa&ccedil;&atilde;o de campo por meio da adapta&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo da An&aacute;lise Ergon&ocirc;mica do Trabalho. Das tr&ecirc;s    fases principais deste m&eacute;todo (an&aacute;lise da demanda, da tarefa e    da atividade), apenas a an&aacute;lise da demanda n&atilde;o foi realizada,    j&aacute; que n&atilde;o havia uma demanda socialmente formulada pelos trabalhadores.    Ao contr&aacute;rio, a demanda foi de natureza acad&ecirc;mica, orientada pelos    objetivos desta pesquisa. Portanto, foi poss&iacute;vel conhecer o trabalho    dos gestores em duas unidades certificadas de produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica    de frutas e hortali&ccedil;as do interior de S&atilde;o Paulo, localizadas em    Jarinu e Itu. Estudaram-se detalhadamente as atividades desenvolvidas pelos    gestores nessas UPAO, por meio de observa&ccedil;&otilde;es gerais e entrevistas    abertas, que permitiram acompanhar e compreender seu trabalho durante o planejamento,    a organiza&ccedil;&atilde;o, a dire&ccedil;&atilde;o e o controle das &aacute;reas    de produ&ccedil;&atilde;o, finan&ccedil;as, recursos humanos e comercializa&ccedil;&atilde;o.    Essa etapa de observa&ccedil;&otilde;es concentrou-se em saber o que os gestores    faziam, como faziam, as raz&otilde;es pelas quais faziam e, principalmente,    quais as dificuldades encontravam e quais estrat&eacute;gias de supera&ccedil;&atilde;o    utilizavam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Posteriormente,    em uma segunda etapa, com base nos conhecimentos j&aacute; adquiridos sobre    o trabalho dos gestores, elaborou-se um question&aacute;rio que foi aplicado    tamb&eacute;m a outros gestores de produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica durante    as entrevistas realizadas de maio a julho de 2007. Procurou-se verificar se    as dificuldades e estrat&eacute;gias inicialmente observadas nas duas UPAO tamb&eacute;m    se faziam presentes no trabalho dos outros gestores, bem como caracterizar e,    em alguns casos, quantificar os principais elementos de complexidade. Cada entrevista    durou em m&eacute;dia duas horas e meia. Foram entrevistados pessoalmente pela    primeira autora 10 gestores de UPAO que se localizam pr&oacute;ximas da cidade    de Campinas e com produ&ccedil;&atilde;o certificada como org&acirc;nica. Cabe    enfatizar que o n&uacute;mero de entrevistados representa a maioria absoluta    dos produtores org&acirc;nicos certificados de hort&iacute;colas e frutas num    raio de 90km de Campinas, o que confere um peso importante para esta pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O instrumento elaborado    permitiu indagar os gestores sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e    a caracteriza&ccedil;&atilde;o da UPAO em termos de produ&ccedil;&atilde;o,    procurando levantar elementos de diversidade e variabilidade, bem como a comercializa&ccedil;&atilde;o    dos produtos, os tipos de clientes, a produtividade e o lucro, o autoconsumo    e as fontes de conhecimentos e tecnologia. Outras quest&otilde;es abordaram    as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, as caracter&iacute;sticas do trabalho    do gestor em termos de planejamento, a organiza&ccedil;&atilde;o, a dire&ccedil;&atilde;o    e o controle da produ&ccedil;&atilde;o, bem como a natureza e frequ&ecirc;ncia    dos imprevistos, dos incidentes e das dificuldades. Os gestores foram questionados    tamb&eacute;m sobre as vantagens e desvantagens de se trabalhar na agricultura    org&acirc;nica e sobre as perspectivas de futuro, assim como sobre as poss&iacute;veis    demandas por pesquisa na &aacute;rea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RESULTADOS E    DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na primeira etapa    da pesquisa, verificou-se que grande parte das pessoas que trabalham na agricultura    org&acirc;nica executa m&uacute;ltiplas tarefas relacionadas aos diversos sistemas    de trabalho, existindo pouca especializa&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, os    gestores s&atilde;o os respons&aacute;veis pela maioria das tarefas, atuando    como administradores e executores do trabalho de produ&ccedil;&atilde;o. Suas    atividades determinam posturas f&iacute;sicas desconfort&aacute;veis e inc&ocirc;modas    e significativos esfor&ccedil;os para realizar o trabalho na horticultura, especialmente    durante o plantio, os tratos culturais e a colheita, pois as tarefas s&atilde;o    predominantemente manuais e em apenas algumas delas &eacute; poss&iacute;vel    contar com o aux&iacute;lio de mecaniza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi poss&iacute;vel    tamb&eacute;m evidenciar que os gestores realizam muitas atividades ligadas    aos diversos sistemas de trabalho: produ&ccedil;&atilde;o (vegetal, animal e    processamento), financeiro (contabilidade, impostos), recursos humanos (recrutamento,    contrata&ccedil;&atilde;o, treinamento, pagamento) e comercializa&ccedil;&atilde;o    (vendas, diferentes tipos de clientes), e que ainda se ocupam daquelas tarefas    espec&iacute;ficas ligadas &agrave; certifica&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica.    Cada um desses sistemas demanda, por parte dos gestores, o desenvolvimento de    compet&ecirc;ncias de natureza bastante diversa, incluindo muito conhecimento    e precis&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe destacar que    o sistema de produ&ccedil;&atilde;o vegetal comporta v&aacute;rias fases ou    subsistemas, tais como: preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita    e beneficiamento/p&oacute;s-colheita. Por sua vez, cada um desses subsistemas    &eacute; constitu&iacute;do de constela&ccedil;&otilde;es de tarefas e subtarefas    que precisam ser organizadas ao longo do tempo. O sistema de produ&ccedil;&atilde;o    animal comporta tarefas relacionadas com a alimenta&ccedil;&atilde;o, a reprodu&ccedil;&atilde;o,    a biosseguridade (vacinas, limpeza, medicamentos) e outros manejos (como, por    exemplo, tosquia, mocha&ccedil;&atilde;o, descorna). A grande variedade de atividades    que foi observada est&aacute; relacionada de forma direta &agrave; diversidade    da produ&ccedil;&atilde;o, principalmente da produ&ccedil;&atilde;o vegetal.    O n&uacute;mero de cultivos, nas duas UPAO inicialmente pesquisadas, cuja &aacute;rea    cultivada era de 4 e 12ha respectivamente, era de 52 hortali&ccedil;as e morangos    na UPAO Jarinu e de 67 hortali&ccedil;as e 16 frutas na UPAO Itu.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebeu-se que,    para conseguir produzir tantos itens, o n&uacute;mero de informa&ccedil;&otilde;es    e conhecimentos que o gestor deve possuir &eacute; bastante significativo, pois    cada cultivo tem exig&ecirc;ncias diferentes. &Eacute; preciso ainda integrar    esses cultivos com a produ&ccedil;&atilde;o animal e ainda planej&aacute;-los    e distribu&iacute;-los ao longo do tempo, de acordo com as condi&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas e o espa&ccedil;o dispon&iacute;vel, bem como as demandas    e exig&ecirc;ncias dos clientes. O gestor se constitui no protagonista na busca    de solu&ccedil;&otilde;es aos in&uacute;meros problemas que se apresentam no    cotidiano do trabalho da agricultura org&acirc;nica e, por meio das entrevistas    realizadas na segunda etapa da pesquisa, cuja s&iacute;ntese &eacute; apresentada    logo a seguir, foi poss&iacute;vel generalizar essa afirma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os gestores    entrevistados trabalham em UPAO certificadas como org&acirc;nica (<a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10tab01.gif">Tabela    1</a>), que iniciaram a produ&ccedil;&atilde;o, em m&eacute;dia, h&aacute; mais    de 11 anos. Nessas UPAO o gerenciamento &eacute; feito pelo produtor que &eacute;    membro da fam&iacute;lia e que det&eacute;m a propriedade da terra (total ou    parcial), com exce&ccedil;&atilde;o da UPAO 1, onde um profissional t&eacute;cnico    foi contratado para esse fim.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe destacar que    60% dos entrevistados trabalham diretamente na produ&ccedil;&atilde;o e na administra&ccedil;&atilde;o    (administradores e executores concomitantemente), ou seja, s&atilde;o polivalentes,    assumindo tamb&eacute;m as atividades ligadas &agrave; certifica&ccedil;&atilde;o,    &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o e aos recursos financeiros e humanos.    Os gestores abarcam ainda tarefas relacionadas ao turismo rural e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o    de eventos em 40% das UPAO, assim como em 70% delas onde se faz reflorestamento,    com uma grande variedade de esp&eacute;cies, o que demanda mais investimento    financeiro, trabalho e conhecimento por parte desses gestores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existe uma varia&ccedil;&atilde;o    consider&aacute;vel entre as UPAO em termos de &aacute;rea total (de 5 a 160ha)    e cultivada (de 4 a 33ha), assim como na composi&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a    de trabalho (familiar e contratado), conforme pode ser visto na <a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10tab01.gif">tabela    1</a>. Por&eacute;m, todas elas podem ser consideradas pequenas quando comparadas    com os padr&otilde;es convencionais da estrutura fundi&aacute;ria brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na maioria das    UPAO, al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o vegetal, encontrou-se tamb&eacute;m    a produ&ccedil;&atilde;o animal e o processamento de v&aacute;rios itens, e    40% delas se voltam ainda ao setor de servi&ccedil;os (turismo rural e eventos    ligados &agrave; agroecologia). Desse modo, somente 30% das UPAO se dedicam    exclusivamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o vegetal. As demais, al&eacute;m    de trabalharem com uma grande variedade de cultivos (m&eacute;dia aproximada    de 34 itens e m&aacute;ximo de 81), dedicam-se ainda &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    animal (50% das UPAO) e em 70% das UPAO se faz algum tipo de processamento (m&iacute;nimo    de dois e m&aacute;ximo de 12 itens). A produ&ccedil;&atilde;o vegetal predominante    &eacute; de hortali&ccedil;as, seguida da de frutas e em tr&ecirc;s UPAO ainda    se cultivam cereais. A produ&ccedil;&atilde;o animal, apesar de ocorrer em apenas    metade das UPAO, &eacute; bem variada, e ovos, leite e mel s&atilde;o os produtos    que mais prevaleceram.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os gestores da    produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica precisam fazer tamb&eacute;m a gest&atilde;o    financeira, do patrim&ocirc;nio e do entorno da UPAO, administrando assim suas    rela&ccedil;&otilde;es com o meio exterior: clientes/mercado; fornecedores;    parceiros (outros produtores com quem ocorre a maior fonte de troca de informa&ccedil;&otilde;es/tecnologias:    100%); inspetores da certificadora; t&eacute;cnicos e vizinhos. Eles necessitam    ainda realizar a gest&atilde;o do pr&oacute;prio tempo de trabalho, j&aacute;    que s&atilde;o administradores e executores da produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Das dificuldades    apontadas nas entrevistas, ganham destaque: os esfor&ccedil;os f&iacute;sicos    (80%); as posturas desconfort&aacute;veis e inc&ocirc;modas (90%); o esfor&ccedil;o    mental (90%); a falta de recursos tecnol&oacute;gicos para controlar pragas    e doen&ccedil;as (80%) e para atingir a qualidade desejada (80%); a falta de    assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica (70%); as relacionadas com a falta de recursos    financeiros associadas &agrave; falta de acesso a cr&eacute;dito (80%) e ao    alto custo da produ&ccedil;&atilde;o (80%); relacionadas aos recursos humanos,    principalmente para encontrar pessoas qualificadas (80%) e que permane&ccedil;am    no campo. Outras dificuldades relatadas foram: tomar decis&otilde;es (70%);    obter lucro (70%); lidar com a comercializa&ccedil;&atilde;o (60%); responder    &agrave;s normas da certifica&ccedil;&atilde;o, pois envolvem tarefas burocr&aacute;ticas    (80%) e determinam regras n&atilde;o muito claras ou dif&iacute;ceis de serem    cumpridas (40%), al&eacute;m de seu alto custo (60%). AHRENS (2006), DAROLT    (2002) e GEMMA (2004) j&aacute; relataram algumas dessas mesmas dificuldades    em seus respectivos estudos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma caracter&iacute;stica    importante e singular do trabalho dos gestores da produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica    &eacute; que lhes cabe fazer a gest&atilde;o &quot;ecol&oacute;gica&quot; da    UPAO, ou seja: se encarregarem da certifica&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica    e do cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental, al&eacute;m de conhecerem    e administrarem as quest&otilde;es relacionadas ao clima (calend&aacute;rio,    astronomia), arranjo espacial, consorcia&ccedil;&atilde;o, rota&ccedil;&atilde;o    de cultivos e pousio. Esses gestores tamb&eacute;m fazem a preserva&ccedil;&atilde;o    dos recursos naturais (solo, &aacute;gua), a recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas    degradadas, a recupera&ccedil;&atilde;o de nascentes e o reflorestamento (70%).    Destaca-se que, em uma UPAO, j&aacute; foram plantadas 125 esp&eacute;cies nativas.    Eles ainda realizam tamb&eacute;m a gest&atilde;o dos recursos humanos, seja    do trabalho familiar ou do contratado, o que 50% deles acha dif&iacute;cil e    complexo, al&eacute;m da gest&atilde;o da vida familiar e social, pois a vida    familiar est&aacute; integrada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, devido ao fato    de a maioria residir na pr&oacute;pria UPAO.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em resumo, verificou-se    que esses trabalhadores gerem o que se pode denominar de um macrossistema (<a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10fig01.gif">Figura    1</a>) composto de diversos sistemas e subsistemas que precisam ser por eles    integrados. Fazem parte desse macrossistema os sistemas de produ&ccedil;&atilde;o    - vegetal, animal, processamento e servi&ccedil;os - cada um deles com sua diversidade,    e as outras &aacute;reas que se relacionam com os sistemas de produ&ccedil;&atilde;o    - administra&ccedil;&atilde;o, finan&ccedil;as, comercializa&ccedil;&atilde;o,    manuten&ccedil;&atilde;o, compras, recursos humanos, recursos t&eacute;cnico-agron&ocirc;micos,    bem como a gest&atilde;o ecol&oacute;gica, do patrim&ocirc;nio e da vida social    e familiar. Por fim, ainda &eacute; preciso realizar a integra&ccedil;&atilde;o    desse macrossistema com seu entorno, por meio do relacionamento que o gestor    estabelece com fornecedores, vizinhos, parceiros, clientes, t&eacute;cnicos    e inspetores da certificadora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A diversidade se    faz muito presente no trabalho dos gestores, n&atilde;o somente pelas caracter&iacute;sticas    do macrossistema, mas tamb&eacute;m pela natureza de seu trabalho polivalente    e dos conhecimentos e relacionamentos que ele necessita desenvolver para atingir    os objetivos da produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica. A <a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10fig01.gif">figura    1</a> foi criada na tentativa de mostrar n&atilde;o somente as &aacute;reas    que o gestor precisa administrar, mas tamb&eacute;m a integra&ccedil;&atilde;o    e o equil&iacute;brio que ele deve manter entre elas, lembrando que esse equil&iacute;brio    &eacute; sempre din&acirc;mico e inst&aacute;vel. A cada desequil&iacute;brio    novas estrat&eacute;gias s&atilde;o desenvolvidas pelo gestor a fim de garantir    a sustentabilidade da UPAO, que, por sua vez, comporta muitas incertezas e contradi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A complexidade    do trabalho do gestor na agricultura org&acirc;nica se relaciona com toda essa    diversidade inerente ao pr&oacute;prio manejo e a necessidade de integrar m&uacute;ltiplas    dimens&otilde;es, demandando o desenvolvimento e a integra&ccedil;&atilde;o    de variados saberes e compet&ecirc;ncias a fim de criar uma organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho din&acirc;mica, como aquela descrita na TC de Edgar Morin, que precisa    ser frequentemente reconstitu&iacute;da devido ao grande n&uacute;mero de intera&ccedil;&otilde;es    e de rela&ccedil;&otilde;es complementares e antagonistas entre ordem e desordem,    equil&iacute;brio e desequil&iacute;brio (<a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10fig02.gif">Figura    2</a>).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na <a href="/img/revistas/cr/v40n2/a10fig02.gif">figura    2</a>, observa-se o ciclo da organiza&ccedil;&atilde;o na perspectiva da complexidade.    Essa organiza&ccedil;&atilde;o precisa ser reconstitu&iacute;da pelo gestor    da produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica porque toda solu&ccedil;&atilde;o produz    nova quest&atilde;o - que comporta em si a ordem e a desordem. Quando o equil&iacute;brio    entre as dimens&otilde;es ecol&oacute;gicas, econ&ocirc;micas e sociais &eacute;    alcan&ccedil;ado, o macrossistema est&aacute; mais pr&oacute;ximo da sustentabilidade.    Por&eacute;m, como esse equil&iacute;brio &eacute; din&acirc;mico e inst&aacute;vel,    surgem outras quest&otilde;es dentro da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o,    causando desequil&iacute;brio, que demanda ent&atilde;o novas estrat&eacute;gias    do gestor. Essas intera&ccedil;&otilde;es promovidas pelo gestor no macrossistema    objetivam o seu reequil&iacute;brio. Constata-se assim que a organiza&ccedil;&atilde;o    precisa ent&atilde;o ser concebida como &quot;reorganiza&ccedil;&atilde;o&quot;,    pois o macrossistema tende invariavelmente a desorganizar-se, determinando uma    reorganiza&ccedil;&atilde;o permanente de si num ciclo cont&iacute;nuo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitas pesquisas    ainda precisam ser realizadas para eliminar os entraves e as dificuldades que    se imp&otilde;em aos agricultores org&acirc;nicos, especialmente sobre as quest&otilde;es    t&eacute;cnicas e de sa&uacute;de e conforto, al&eacute;m daquelas relacionadas    com a comercializa&ccedil;&atilde;o, a certifica&ccedil;&atilde;o e o acesso    a cr&eacute;dito. Ser&aacute; necess&aacute;rio ainda desenvolver pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas que favore&ccedil;am a assist&ecirc;ncia e o suporte t&eacute;cnico    adequados. Somente a integra&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios esfor&ccedil;os    contribuir&aacute; para o desenvolvimento desse setor, n&atilde;o somente em    termos de produtividade e qualidade, mas tamb&eacute;m de melhorias para o trabalho    e a qualidade de vida dos agricultores. A vis&atilde;o do trabalho que a ergonomia    proporciona pode contribuir para a amplia&ccedil;&atilde;o do corpo de conhecimentos    da produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, na tentativa de que carregue em si    as bases para um &quot;trabalho humano mais sustent&aacute;vel&quot; na agricultura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sustentabilidade    ecol&oacute;gica que o manejo org&acirc;nico pressup&otilde;e traz uma diversidade    muito grande para o trabalho dos agricultores, em especial para o trabalho dos    gestores, que precisam desenvolver estrat&eacute;gias originais para enfrentar    as dificuldades de natureza bastante variada, incertezas e contradi&ccedil;&otilde;es    nos moldes descritos na Teoria da Complexidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m da    sustentabilidade ecol&oacute;gica, &eacute; necess&aacute;rio que os gestores    garantam a viabilidade econ&ocirc;mica e mantenham rela&ccedil;&otilde;es sociais    e de trabalho justas, para atender aos outros preceitos de sustentabilidade.    Para tanto, al&eacute;m de manejar adequadamente os diversos tipos de produ&ccedil;&atilde;o    e proteger os recursos naturais, esses agricultores incorporam, integram e mais    especificamente &quot;traduzem&quot; esses princ&iacute;pios em pr&aacute;ticas    agr&iacute;colas, equilibrando dimens&otilde;es por vezes t&atilde;o contradit&oacute;rias    como as ecol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O gestor da produ&ccedil;&atilde;o    org&acirc;nica &eacute; geralmente administrador e executor do trabalho e sua    contribui&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante significativa para o desenvolvimento    da produ&ccedil;&atilde;o, visto que assume tamb&eacute;m todas as fun&ccedil;&otilde;es    administrativas de planejamento, organiza&ccedil;&atilde;o, dire&ccedil;&atilde;o    e controle em todas as &aacute;reas: produ&ccedil;&atilde;o, manuten&ccedil;&atilde;o,    finan&ccedil;as, recursos humanos e com&eacute;rcio. O gestor se responsabiliza    ainda por uma verdadeira gest&atilde;o ecol&oacute;gica, ou seja, pelas quest&otilde;es    ligadas &agrave; certifica&ccedil;&atilde;o e &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o    ambiental, ao reflorestamento e &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos    naturais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, o    gestor pensa a UPAO de forma integrada e sist&ecirc;mica, constr&oacute;i saberes    por meio de uma abordagem complexa, entendendo-a e tratando-a como um ser vivo,    observando e identificando os elementos que possam auxili&aacute;-lo na tomada    de decis&otilde;es num ambiente onde n&atilde;o se disp&otilde;e de tecnologia    adequada, com poucos recursos financeiros e sem assessoria t&eacute;cnica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"> <b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave; Coordena&ccedil;&atilde;o    de aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES) e &agrave;    Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo    (FAPESP), respectivamente, pela bolsa de doutorado e pelo financiamento desta    pesquisa, por meio de um projeto do GETA (Grupo Ergonomia, Trabalho e Agricultura)    da FEAGRI/UNICAMP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AHRENS, D.C. (Coord.).    <b>Rede de propriedades familiares agroecol&oacute;gicas: uma abordagem sist&ecirc;mica    no Centro-Sul do Paran&aacute;</b>. Londrina: Instituto Agron&ocirc;mico do    Paran&aacute;, 2006. 79p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0103-8478201000020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BRASIL. Portaria    n. 86, de 03 de Mar&ccedil;o de 2005. Norma Regulamentadora de Seguran&ccedil;a    e Sa&uacute;de no Trabalho na Agricultura, Pecu&aacute;ria, Silvicultura, Explora&ccedil;&atilde;o    Florestal e Aq&uuml;icultura - NR 31. <b>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o</b>,    4 mar. 2005. Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego. Dispon&iacute;vel em:    &lt;<a href="http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_31.pdf" target=blank>http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_31.pdf</a>&gt;.    On line. Acesso em: 30 de nov. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0103-8478201000020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CASTRO, F. <b>Perigo    crescente</b>. Boletim da Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias da Funda&ccedil;&atilde;o    de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo - FAPESP. 08/11/2006.    Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.agencia.fapesp.br/boletim_print.php?data%5Bid_materia_boletim%5D=6313" target=blank>http://www.agencia.fapesp.br/boletim_print.php?data[id_materia_boletim]=6313</a>&gt;.    Acesso em 14 nov. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0103-8478201000020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DAROLT, M.R. <b>Agricultura    org&acirc;nica</b>: inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002. 250p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0103-8478201000020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GEMMA, S.F.B. <b>Aspectos    do trabalho agr&iacute;cola no cultivo org&acirc;nico de frutas</b>: uma abordagem    ergon&ocirc;mica. 2004. 176f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Engenharia    Agr&iacute;cola, &Aacute;rea de Concentra&ccedil;&atilde;o M&aacute;quinas Agr&iacute;colas)    - Faculdade de Engenharia Agr&iacute;cola, UNICAMP, Campinas, SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0103-8478201000020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GU&Eacute;RIN,    F et al. <b>Compreender o trabalho para transform&aacute;-lo</b>: a pr&aacute;tica    da ergonomia. S&atilde;o Paulo: Edgard Blucher, 2001. 201p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0103-8478201000020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">IPCC. Climate change    2007: the physical science basis: summary for policymakers. In: ALLEY, R. et    al. (Eds). <b>Contribution of Working Group I to the Fourth Assessment Report    of the Intergovernmental Panel on Climate Change</b>. 2007. 18p. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg1/ar4-wg1-spm.pdf" target=blank>http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg1/ar4-wg1-spm.pdf</a>&gt;.    Acesso em: 19 dez. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0103-8478201000020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MORIN, E. <b>Ci&ecirc;ncia    com consci&ecirc;ncia</b>. 7.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 350p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0103-8478201000020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">WILLER, H.; YUSSEFI,    M. Organic farming worldwide 2007: Overview &amp; Main Statistics. In: <b>The    world of organic agriculture - Statistics and emerging trends 2007</b>. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://orgprints.org/10506/01/willer-yussefi-2007-p1-44.pdf" target=blank>http://orgprints.org/10506/01/willer-yussefi-2007-p1-44.pdf</a>&gt;.    On line. Acesso em: 04 jul. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0103-8478201000020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido para publica&ccedil;&atilde;o    02.06.08    <br>   Aprovado em 22.10.09</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="nota"></a><a href="#texto">1</a>    Autor para correspond&ecirc;ncia.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AHRENS]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rede de propriedades familiares agroecológicas: uma abordagem sistêmica no Centro-Sul do Paraná]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londrina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Agronômico do Paraná]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<collab>BRASIL^dPortaria n. 86, de 03 de Março de 2005</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aqüicultura - NR 31]]></article-title>
<source><![CDATA[Diário Oficial da União]]></source>
<year>4 ma</year>
<month>r.</month>
<day> 2</day>
<publisher-name><![CDATA[Ministério do Trabalho e Emprego]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Perigo crescente: Boletim da Agência de Notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP]]></source>
<year>08/1</year>
<month>1/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DAROLT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Agricultura orgânica: inventando o futuro]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londrina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IAPAR]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GEMMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.F.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Aspectos do trabalho agrícola no cultivo orgânico de frutas: uma abordagem ergonômica]]></source>
<year>2004</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUÉRIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edgard Blucher]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>IPCC</collab>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Climate change 2007: the physical science basis: summary for policymakers]]></article-title>
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ALLEY]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Contribution of Working Group I to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change]]></source>
<year>2007</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ciência com consciência]]></source>
<year>2003</year>
<edition>7</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Bertrand Brasil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WILLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[YUSSEFI]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Organic farming worldwide 2007: Overview & Main Statistics]]></article-title>
<source><![CDATA[The world of organic agriculture: Statistics and emerging trends 2007]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
