<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0104-026X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Estudos Feministas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Estud. Fem.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0104-026X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0104-026X2002000100003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0104-026X2002000100003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Ciborgue Zapatista: tecendo a poética virtual de resistência no Chiapas cibernético]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Zapatista Cyborg: weaving a virtual poetics of resistance in Cyber-Chiapas]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ABDEL-MONEIM]]></surname>
<given-names><![CDATA[SARAH GRUSSING]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Macalaster College  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<volume>10</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>39</fpage>
<lpage>64</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-026X2002000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0104-026X2002000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0104-026X2002000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A circulação global, entre 1994 e 2001, do neo-zapatismo e do ativismo solidário não-indígena como símbolos de resistência no ciber-espaço sugere a necessidade de novas formas de leitura dos movimentos sociais na era digital. Uma leitura feminista do binarismo local/global do espaço discursivo em torno da rebelião maia em Chiapas tanto afirma quanto contesta teorias predominantes pós-modernas sobre a relação entre corpo humano e tecnologias cibernéticas. Esse espaço híbrido transgride e confirma fronteiras entre ator/atriz e audiência, escritor/a e leitor/a, humano e máquina. A relação entre o teatro da resistência material na Zona de Conflito e o crescimento da resistência virtual no Ciber-Chiapas ilustra a natureza ciborgue material/tecnológica da rebelião de Chiapas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The global circulation of Neo-Zapatistas and non-Indigenous solidarity activists as symbols of resistance in cyberspace between 1994 and 2001 suggests the need for new ways to read social movements in the digital age. A feminist reading of the dual local/global characteristics of the discursive space surrounding the Maya rebellion in Chiapas both affirms and contests prevalent postmodern theories about the relationship between the human body and cybernetic technologies. This hybrid space both transgresses and affirms borders between actor and audience, writer and reader, human and machine. The relationship between the theater of material resistance in the physical Conflict Zone and the growth of virtual resistance in Cyber-Chiapas illustrates the 'cyborg' material/technological nature of the Chiapas rebellion.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[zapatista]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Chiapas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[México]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Internet]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[feminismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[movimentos sociais]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Zapatista]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Chiapas]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Mexico]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Internet]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[feminism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[social movements]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><B><font size=5>O Ciborgue Zapatista: tecendo a po&eacute;tica    virtual de resist&ecirc;ncia no Chiapas cibern&eacute;tico</font></B></p>     <p align="center"><b>SARAH GRUSSING ABDEL-MONEIM    <br>   Macalaster College</b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <P><B><I>Resumo: </I></b><I>A circula&ccedil;&atilde;o global, entre 1994 e 2001,    do neo-zapatismo e do ativismo solid&aacute;rio n&atilde;o-ind&iacute;gena como    s&iacute;mbolos de resist&ecirc;ncia no ciber-espa&ccedil;o sugere a necessidade    de novas formas de leitura dos movimentos sociais na era digital. Uma leitura    feminista do binarismo local/global do espa&ccedil;o discursivo em torno da    rebeli&atilde;o maia em Chiapas tanto afirma quanto contesta teorias predominantes    p&oacute;s-modernas sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre corpo humano e tecnologias    cibern&eacute;ticas. Esse espa&ccedil;o h&iacute;brido transgride e confirma    fronteiras entre ator/atriz e audi&ecirc;ncia, escritor/a e leitor/a, humano    e m&aacute;quina. A rela&ccedil;&atilde;o entre o teatro da resist&ecirc;ncia    material na Zona de Conflito e o crescimento da resist&ecirc;ncia virtual no    Ciber-Chiapas ilustra a natureza ciborgue material/tecnol&oacute;gica da rebeli&atilde;o    de Chiapas.    <br>   <B>Palavras-chave:</B> </I>zapatista, Chiapas, M&eacute;xico, Internet, feminismo,    movimentos sociais.      <P>&nbsp;     <P>&nbsp; <I></I>      <P>A circula&ccedil;&atilde;o de ativistas de solidariedade  neozapatistas e n&atilde;o-ind&iacute;genas como s&iacute;mbolos de resist&ecirc;ncia no  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico durante os &uacute;ltimos sete anos sugere a  necessidade de m&eacute;todos novos para entender os movimentos sociais  nesta era virtual. Esta monografia<SUP><a name="top1"></a><a href="#back1">1</a></SUP> &eacute; parte de um estudo maior   sobre implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas do papel da tecnologia na cria&ccedil;&atilde;o  e expans&atilde;o desse espa&ccedil;o discursivo e do teatro global  da resist&ecirc;ncia associada &agrave; recente rebeli&atilde;o ind&iacute;gena em  Chiapas, M&eacute;xico.<SUP><a name="top2"></a><a href="#back2">2</a></SUP>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Eu gostaria de concentrar-me aqui na  &quot;des-loca&ccedil;&atilde;o&quot; dos corpos e das vozes ind&iacute;genas de &quot;Um lugar  chamado Chiapas&quot; (como o document&aacute;rio de Nettie Wild o  classificou) ao sul do M&eacute;xico para um espa&ccedil;o incorp&oacute;reo. Como &eacute; que  os ind&iacute;genas engajados na resist&ecirc;ncia s&atilde;o deslocados da  zona material de conflito em Chiapas (de fato um 'n&atilde;o-lugar'  visto de uma perspectiva antes de 1994) para uma zona  sem fronteiras e sem dimens&otilde;es, que &eacute; simultaneamente 'em  lugar nenhum' e 'em todo lugar'? Quais s&atilde;o as  contradi&ccedil;&otilde;es envolvidas quando rebeldes maias, de um movimento  que procura liga&ccedil;&atilde;o com outros movimentos sociais globais,  viajam pelo espa&ccedil;o cibern&eacute;tico como &iacute;cones de multim&iacute;dia?  Apesar do modelo militar do Ex&eacute;rcito Zapatista de Liberta&ccedil;&atilde;o  Nacional (EZLN), embora invertido, ser&aacute; que a digitaliza&ccedil;&atilde;o do  movimento rebelde d&aacute; caminho, paradoxalmente, &agrave; transcend&ecirc;ncia  de suas origens militares enquanto &eacute; tecida uma rede  global descentralizada de solidariedade? Ser&aacute; que a tecedura  dessa rede de solidariedade tamb&eacute;m se qualifica como ato  de resist&ecirc;ncia que se apropria do pr&oacute;prio espa&ccedil;o cibern&eacute;tico  <font face="Symbol" size="2">¾</font> espa&ccedil;o esse que teve sua origem como arma militar de  defesa e que se encontra atualmente dominado pelo capital global?     <P>Parte das s&eacute;ries de <I>desplazamientos</I> a que me refiro envolve a    representa&ccedil;&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nesse    espa&ccedil;o tecnologicamente mediado, como, tamb&eacute;m, a relev&acirc;ncia    do feminismo para a an&aacute;lise desse espa&ccedil;o. A tecnologia muitas    vezes tem sido representada como aspecto do dom&iacute;nio e da autoria masculinos    da cultura 'moderna' e, de fato, 'p&oacute;s-moderna', em que o agenciamento    da mulher &eacute; mal recebido e mesmo visto como n&atilde;o natural. Apesar    de tudo, a te&oacute;rica feminista Sadie Plant nos lembra que a computa&ccedil;&atilde;o    e a rede de computadores seguem o modelo de atividade tradicionalmente feminina    da tecedura. Sadie Plant tamb&eacute;m nos lembra que uma mulher, Ada Lovelace,    foi uma pioneira de destaque no processo de inven&ccedil;&atilde;o do primeiro    prot&oacute;tipo de computador no s&eacute;culo XIX.<SUP><a name="top3"></a><a href="#back3">3</a></SUP> Com as afirma&ccedil;&otilde;es    dessa autora em mente, eu gostaria de explorar a quest&atilde;o de como as teorias    feministas, ao estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre tecnologias emergentes    e os modelos para visualiza&ccedil;&atilde;o de articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas    radicais, podem fornecer <I>insights</I> &uacute;teis quanto ao fen&ocirc;meno    de Chiapas e quanto ao sucesso da tecedura de um espa&ccedil;o alternativo para    novas formas de visualiza&ccedil;&otilde;es e realiza&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas    locais e globais. De suma import&acirc;ncia para esse ato de tecer espa&ccedil;o    s&atilde;o os v&aacute;rios processos de 'des-loca&ccedil;&atilde;o' dos ind&iacute;genas    e dos corpos das mulheres enquanto viajam pelo espa&ccedil;o cibern&eacute;tico,    assim como a 'des-loca&ccedil;&atilde;o' experimentada pelos agentes n&atilde;o-ind&iacute;genas    e pelo p&uacute;blico na produ&ccedil;&atilde;o de textos multim&iacute;dia    de solidariedade transnacionais.<SUP><a name="top4"></a><a href="#back4">4</a></SUP> Tomando por empr&eacute;stimo as    id&eacute;ias das pesquisadoras feministas Donna Haraway e Anne Balsamo, discutirei    como o fen&ocirc;meno dos &quot;Zapatistas no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico&quot;    ao mesmo tempo afirma e contesta teorias p&oacute;s-modernas prevalecentes sobre    a rela&ccedil;&atilde;o entre o corpo humano e as tecnologias cibern&eacute;ticas.    Antes de dar in&iacute;cio &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dessas quest&otilde;es    te&oacute;ricas, por&eacute;m, fornecerei um breve sum&aacute;rio sobre a rebeli&atilde;o    ind&iacute;gena em Chiapas e a rede nacional e global de solidariedade, a qual    emerge em resposta &agrave;quela rebeli&atilde;o e que vem produzindo, ativamente,    mat&eacute;rias para a imprensa convencional e multim&iacute;dia em apoio &agrave;s    demandas dos/as rebeldes por justi&ccedil;a e dignidade.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">De nenhuma parte para toda parte </font>     <P>No dia de Ano Novo em 1994, um ex&eacute;rcito de homens  e mulheres maias autodenominado Ex&eacute;rcito Zapatista  de Libera&ccedil;&atilde;o Nacional (EZLN) emergiu de 'nenhum lugar'  para tomar posse de v&aacute;rias vilas e centros de comunica&ccedil;&atilde;o  em Chiapas, no mesmo dia em que entrou em vigor o  NAFTA (Acordo de Livre Com&eacute;rcio entre M&eacute;xico e Estados Unidos).  No contexto dos acordos de livre com&eacute;rcio, a emenda  adicionada pelo presidente Salinas ao Artigo 27 da Constitui&ccedil;&atilde;o  mexicana p&ocirc;s um fim &agrave;s diretrizes de divis&atilde;o de terras tradicionais  sem resolver a crise agr&aacute;ria sofrida pelas comunidades  camponesas e ind&iacute;genas do M&eacute;xico e sem, tampouco, gerar  suficientes oportunidades para que esses setores da sociedade  pudessem levar uma vida com dignidade. No discurso do EZLN, as  medidas do plano de a&ccedil;&atilde;o neoliberal s&atilde;o vistas como produtos da  Nova Ordem Mundial, que &eacute; baseada na injusti&ccedil;a social,  econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, apesar da ret&oacute;rica democr&aacute;tica usada para  apoi&aacute;-la.     <P>O s&iacute;mbolo de Zapata, h&aacute; muito tempo cooptado  pelo Partido Revolucion&aacute;rio Institucional (PRI) , tem sido sempre  um elemento-chave na disputa pelo sentido da  Revolu&ccedil;&atilde;o Mexicana. Por defender a causa em prol de um  novo significado, embora historicamente ligado &agrave; luta zapatista e  &agrave; luta do M&eacute;xico por uma democracia inclusiva geral, o  discurso neozapatista re-apropria-se do significado do  her&oacute;i revolucion&aacute;rio campon&ecirc;s martirizado, assim como de  outros s&iacute;mbolos culturais em circula&ccedil;&atilde;o. A 'signific&acirc;ncia  excessiva' desses s&iacute;mbolos muitas vezes subverte sua interpreta&ccedil;&atilde;o  pelas institui&ccedil;&otilde;es mexicanas. &Eacute; por essa raz&atilde;o, entre outras, que  eu chamo de 'neozapatista' essa nova forma de resist&ecirc;ncia,  para que a possamos diferenciar do movimento zapatista  original da Revolu&ccedil;&atilde;o Mexicana.     <P>A rebeli&atilde;o neozapatista est&aacute; profundamente  enraizada na hist&oacute;ria mexicana; entretanto, seu programa de  demandas e a vis&atilde;o de mundo que a orienta est&atilde;o bem ligados  ao contexto mundial atual. A arma mais efetiva dos  neozapatistas &eacute; o seu convite para a re-articula&ccedil;&atilde;o da identidade  mexicana <font face="Symbol" size="2">¾</font> e da identidade humana <font face="Symbol" size="2">¾</font> atrav&eacute;s da busca por  dignidade, democracia, e justi&ccedil;a social e econ&ocirc;mica. Depois dos  primeiros dias de conflito armado, o EZLN, na maioria das vezes,  utiliza-se de estrat&eacute;gias n&atilde;o-violentas; uma delas &eacute; uma chamada  &agrave; solidariedade da sociedade civil mexicana e do  p&uacute;blico internacional. Um elemento importante para o sucesso  dos/das rebeldes em resistir &agrave;s tentativas do ex&eacute;rcito que os  quer esmagar &eacute; a circula&ccedil;&atilde;o efetiva de comunica&ccedil;&otilde;es via  <I>e-ma</I>il e <I>websites</I>, assim como a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre  a crise atrav&eacute;s do apelo &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es  n&atilde;o-governamentais (ONGs) que produzem boletins de a&ccedil;&atilde;o urgente e  publicam casos de abusos de direitos humanos na Internet. Tais  iniciativas de contatos atrav&eacute;s do espa&ccedil;o cibern&eacute;tico ajudam a  transmitir not&iacute;cias de minuto a minuto que complementam, corrigem  e contradizem as reportagens mais comuns e  convencionais. Al&eacute;m disso, a agenda dos/das rebeldes tem despertado  o interesse de uma grande variedade de indiv&iacute;duos e  grupos, tais como ativistas de direitos humanos, acad&ecirc;micos,  artistas, m&uacute;sicos populares, jornalistas progressistas e  grupos ecum&ecirc;nicos em prol da justi&ccedil;a social, que t&ecirc;m  realizado produ&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas pela Internet. A &quot;Guerra da Tinta e  da Internet&quot; do EZLN, como &eacute;  chamada,<SUP><a name="top5"></a><a href="#back5">5</a></SUP> tem sido t&atilde;o  triunfante que os 'atos da fala' dos neozapatistas ressoam dentro  do contexto do discurso global de direitos humanos. O  crescente acesso e manipula&ccedil;&atilde;o da Internet, com as suas  possibilidades ut&oacute;picas e democratizantes, resulta na cria&ccedil;&atilde;o e na  expans&atilde;o cont&iacute;nua de um espa&ccedil;o din&acirc;mico e discursivo em que  as palavras, imagens e atos de resist&ecirc;ncia di&aacute;ria nas  comunidades de base zapatistas na Zona de Conflito adquirem  numerosos n&iacute;veis de signific&acirc;ncia.     <P>A luta das comunidades autoproclamadas  aut&ocirc;nomas em Chiapas ressoa profundamente em muitos setores  da sociedade civil mexicana que tamb&eacute;m est&atilde;o  tentando rearticular uma identidade nacional que n&atilde;o mais exclua  os grupos que historicamente ocuparam e continuam  ocupando posi&ccedil;&otilde;es marginalizadas. Os/as rebeldes mascarados  dentro dessa &quot;col&ocirc;nia  interna&quot;<SUP><a name="top6"></a><a href="#back6">6</a></SUP> na fronteira sul t&ecirc;m convidado o  seu p&uacute;blico no M&eacute;xico e no estrangeiro para participar do  processo de exposi&ccedil;&atilde;o da imagem ilus&oacute;ria do M&eacute;xico como na&ccedil;&atilde;o  que pretende entrar para o 'Primeiro Mundo', uma imagem que  tem sido projetada para solicitar investimento internacional.  Ao desconstruir o mito de uma na&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e inclusiva  e revelar o 'outro M&eacute;xico', os/as rebeldes tamb&eacute;m encorajam  a constru&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as atrav&eacute;s das fronteiras de etnia,  g&ecirc;nero e classe da sociedade civil de maneira que possam  promover o nascimento de  institui&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas  mais democr&aacute;ticas e justas.      <P> Apesar dos esfor&ccedil;os do Estado e do ex&eacute;rcito mexicanos para limitar    a rebeli&atilde;o a uma pequena 'Zona de Conflito' atrav&eacute;s da conten&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica das comunidades rebeldes, a rebeli&atilde;o armada de Chiapas    ironicamente abriu um espa&ccedil;o discursivo que vai muito al&eacute;m do    n&iacute;vel local. A subvers&atilde;o neozapatista de esquemas estabelecidos    de di&aacute;logo entre os ind&iacute;genas e o Estado come&ccedil;ou com o    pedido do EZLN pela media&ccedil;&atilde;o por parte da sociedade civil nesse    di&aacute;logo, na tentativa de achar alternativas de paz para a resolu&ccedil;&atilde;o    do conflito armado. Esse convite zapatista &agrave; sociedade civil, atraente    para grupos e agentes t&atilde;o diversos quanto os sindicatos trabalhistas,    ativistas de direitos homossexuais, grupos em defesa de direitos ind&iacute;genas,    ativistas lutando por reformas eleitorais, estudantes, artistas e escritores/as,    jornalistas, homens e mulheres de partidos pol&iacute;ticos, m&uacute;sicos    populares e at&eacute; mesmo os setores desarticulados de classe m&eacute;dia,    resultou em uma media&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica entre o Estado e os rebelados    atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de um <I>cintur&oacute;n de paz</I>    durante as primeiras fases de negocia&ccedil;&atilde;o. O convite tamb&eacute;m    inspirou a cria&ccedil;&atilde;o e o fortalecimento de novas organiza&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas e sociais que se dedicam a v&aacute;rios aspectos da luta pela    democracia, justi&ccedil;a e pluralidade, e que fazem press&atilde;o por reformas    pol&iacute;ticas. &quot;Los zapatistas abrieron la puerta, y nosotros nos estamos    metiendo&quot;, disse Arturo Sanabria, diretor da Gesti&oacute;n de Servicios    de Salud, uma organiza&ccedil;&atilde;o que ajuda a desenvolver alternativas    centradas nas comunidades para limitar os servi&ccedil;os m&eacute;dicos oferecidos    pelo ex&eacute;rcito mexicano como parte de sua estrat&eacute;gia de guerrilha    de baixa intensidade.<SUP><a name="top7"></a><a href="#back7">7</a></SUP> Essa abertura realizada pelo discurso neozapatista    reflete uma transforma&ccedil;&atilde;o radical nos velhos processos da media&ccedil;&atilde;o    cultural.     <P>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="left"><font size="4">Tecendo a teia da Internet </font>     <P>Em um artigo publicado em janeiro de 1999 por um  jornal mexicano, <I>La Jornada</I>, Fabrizio Mej&iacute;a Madrid assim resumiu  a trajet&oacute;ria da rebeli&atilde;o em Chiapas desde que esta  apareceu em janeiro de 1994: &quot;La hist&oacute;ria de estos cinco a&ntilde;os va  del agrarismo tradicional a la penosa contrucci&oacute;n de um lugar  en el que nadie ha estado, de ocupaci&oacute;n de tierras a la  identidad sin territorio definido&quot;.      <P>Comunidades ind&iacute;genas em resist&ecirc;ncia em Chiapas  t&ecirc;m adquirido import&acirc;ncia transnacional dentro do contexto  da globaliza&ccedil;&atilde;o dos projetos neoliberais.  Comunidades aut&ocirc;nomas, situadas em uma das mais isoladas  e marginalizadas regi&otilde;es de M&eacute;xico, agora se encontram  no centro de um espa&ccedil;o discursivo que vem transgredindo  muitas fronteiras. Nesse espa&ccedil;o, o futuro dos direitos humanos  &eacute; discutido, assim como s&atilde;o as quest&otilde;es de autonomia  cultural, o enfraquecimento ou desaparecimento de  tradicionais fronteiras geogr&aacute;ficas, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e culturais, e  a possibilidade de constru&ccedil;&atilde;o de comunidades locais e  globais. Atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de milhares de textos eletr&ocirc;nicos  e interativos, imagens de zapatistas circulam como s&iacute;mbolos  das possibilidades subversivas de rearticula&ccedil;&atilde;o de um sentido  da comunidade contestat&oacute;ria do modelo IBM de 'Vila Global'.     <P>Nos textos de media&ccedil;&atilde;o do contradit&oacute;rio mas  efetivo porta-voz n&atilde;o-ind&iacute;gena do EZLN, o subcomandante  Marcos, assim como no discurso de muitos ativistas pol&iacute;ticos  e organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos mexicanos e  transnacionais, a palavra 'Chiapas' representa o modelo de dignidade  que inspira tentativas de articula&ccedil;&atilde;o de modelos novos de  justi&ccedil;a social e liga&ccedil;&atilde;o com outros modelos. N&atilde;o vem ao caso se  a estrutura de poder ut&oacute;pico popular do EZLN e das  suas comunidades de base realmente funciona de modo t&atilde;o  ideal, como Marcos e outras vozes neozapatistas o descrevem;  ela tem causado o aparecimento de esquemas  descentralizados de solidariedade e comunica&ccedil;&atilde;o. Talvez seja  principalmente a media&ccedil;&atilde;o eficiente do maia-de-honra Marcos, entre os  v&aacute;rios discursos culturais e intelectuais em n&iacute;veis locais, nacionais  e globais, a raz&atilde;o pela qual os neozapatistas t&ecirc;m recebido  tanta aten&ccedil;&atilde;o de todo o mundo, e pela qual o 'Chiapas', como  signo mediador, tem adquirido import&acirc;ncia em outras lutas  por autonomia ou justi&ccedil;a social em outras partes do mundo.  Por&eacute;m, o convite dos neozapatistas para novas visualiza&ccedil;&otilde;es  tornou poss&iacute;vel a forma&ccedil;&atilde;o de articula&ccedil;&otilde;es discursivas que refletem  a estrutura descentralizada das liga&ccedil;&otilde;es hipertextuais no  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico. O <I>slogan</I> &quot;Todos somos Marcos; todos somos  &iacute;ndios; todos somos Chiapas&quot; &eacute; repetido n&atilde;o s&oacute; no M&eacute;xico,  mas tamb&eacute;m na Irlanda, no Jap&atilde;o, na Holanda, na It&aacute;lia, nos  Estados Unidos, e em muitos outros lugares onde os/as 'leitores/as' ou  o 'p&uacute;blico' dos textos ou performances multim&iacute;dia, realizados  por ou sobre os neozapatistas, tamb&eacute;m se tornam escritores/as  e atores/atrizes no teatro global da resist&ecirc;ncia virtual contra  a repress&atilde;o das minorias, o neocolonialismo dos Estados e  a expans&atilde;o dos planos de a&ccedil;&atilde;o neoliberais.      <P>O uso de tecnologias emergentes na amplifica&ccedil;&atilde;o das vozes ind&iacute;genas,    assim como na cria&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de textos em    que os/as rebeldes neozapatistas circulam como s&iacute;mbolos multifacetados    da resist&ecirc;ncia, tem sido fundamental no novo processo de media&ccedil;&atilde;o    entre as vozes ind&iacute;genas e as culturas hegem&ocirc;nicas de um M&eacute;xico    mesti&ccedil;o e de uma vila global desde 1994. Por exemplo, internautas em    visita ao <I>website</I> da Comiss&atilde;o Nacional pela Democracia no M&eacute;xico    podem comprar camisetas que dizem &quot;soy Zapatista&quot;. Galerias de fotos    na Internet exibem cenas do dia-a-dia nas comunidades aut&ocirc;nomas e correntes    de mulheres e crian&ccedil;as ind&iacute;genas n&atilde;o armadas tentando impedir,    com seus pr&oacute;prios corpos, que soldados de tropas de choque entrem nas    suas vilas e planta&ccedil;&otilde;es de milho. Especialmente desde o massacre    de mais que 40 pacifistas ind&iacute;genas (principalmente mulheres e crian&ccedil;as)    de um grupo chamado Las Abejas, em dezembro de 1997, muitos <I>websites</I>    promovem v&iacute;deos que documentam viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos    e entrevistam v&iacute;timas e militantes locais. Em alguns <I>sites</I>, v&aacute;rios    videoclipes e filmes de entrevistas est&atilde;o dispon&iacute;veis para serem    vistos on-line. O <I>site</I> da Acci&oacute;n Zapatista, patrocinado pela comiss&atilde;o    de solidariedade em Austin, Texas, ostenta uma impressionante bibliografia anotada    de <I>websites</I> sobre os/as rebeldes, ilustrados com a rendi&ccedil;&atilde;o    gr&aacute;fica de Marcos como ciberpunk, uma produ&ccedil;&atilde;o embelezada    por t&eacute;cnicas eletr&ocirc;nicas de uma foto verdadeira do subcomandante    do EZLN. Muitos outros desses <I>websites</I> s&atilde;o conjuntamente mantidos    por ativistas mexicanos e internacionais.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">Des-locar e re-colocar os corpos </font>     <P>A circula&ccedil;&atilde;o das vozes e dos corpos ind&iacute;genas  como s&iacute;mbolos de resist&ecirc;ncia nos textos multim&iacute;dia do  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico envolve v&aacute;rios processos de 'des-locamento'  dos atores e do p&uacute;blico nesse teatro global. Embora esse  des-locamento afete a todos aqueles que participam  dessa representa&ccedil;&atilde;o interativa, podemos argumentar que os  v&aacute;rios n&iacute;veis de des-locamento que as mulheres  ind&iacute;genas experimentam quando se juntam &agrave; luta nesse  espa&ccedil;o tecnologicamente mediado de Chiapas s&atilde;o os mais  vis&iacute;veis. Embora eu queira me concentrar aqui nos  <I>desplazamientos</I> devido &agrave; media&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, tamb&eacute;m &eacute; importante  indicar que o 'des-locar' dos corpos das mulheres ind&iacute;genas  come&ccedil;a n&atilde;o no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico, mas na pr&oacute;pria Zona de  Conflito, nos altiplanos de Chiapas. A ocupa&ccedil;&atilde;o de Chiapas  pelo ex&eacute;rcito mexicano produziu milhares de refugiados internos,  a quem a imprensa e os grupos de direitos humanos se  referem literalmente como &quot;os deslocados&quot;. Mulheres fugindo  da amea&ccedil;a de viol&ecirc;ncia de militares e paramilitares tentam  se sustentar e cuidar das fam&iacute;lias em acampamentos  tempor&aacute;rios ou nos esconderijos nas montanhas. Por outro lado, a  imprensa convencional imediatamente interessou-se pelo curioso  fato de que muitos dos soldados zapatistas uniformizados,  que participaram da captura de v&aacute;rias vilas e centros  de comunica&ccedil;&atilde;o em janeiro de 1994, eram mulheres. O  pr&oacute;prio movimento rebelde 'deslocou', de suas casas e das  estruturas familiares tradicionais, mulheres ind&iacute;genas que se  apresentaram como volunt&aacute;rias para o combate junto ao EZLN e que  foram para acampamentos militares de guerrilha <font face="Symbol" size="2">¾</font> uma  mudan&ccedil;a de identidade muitas vezes veiculada na imprensa atrav&eacute;s  da imagem chocante das jovens maias rebeldes usando  uniformes militares em vez de trajes t&iacute;picos e carregando armas em  vez de beb&ecirc;s. Tanto a imprensa convencional como as fontes  de not&iacute;cias alternativas baseadas na Internet publicaram fotos  de mulheres maias das comunidades de apoio civil  rebeldes usando trajes t&iacute;picos com bandanas cobrindo as faces. Elas  se apresentaram desse modo em protestos pelas ruas de  San Cristobal ou da Cidade do M&eacute;xico ou quando formavam  um bloco humano contra as incurs&otilde;es do ex&eacute;rcito mexicano.  Talvez o exemplo mais bem conhecido desse 'deslocamento' seja  o caso da agente de pol&iacute;cia zapatista de fala mansa  Ramona, que, mesmo sofrendo de uma doen&ccedil;a terminal, aprendeu  o espanhol para poder tomar de assalto a Cidade do M&eacute;xico  e o espa&ccedil;o cibern&eacute;tico quando ali chegou pela primeira  vez como delegada do EZLN. As mulheres das comunidades  civis do EZLN tamb&eacute;m t&ecirc;m escrito e insistido na ratifica&ccedil;&atilde;o das  &quot;Leis Revolucion&aacute;rias das Mulheres&quot; por parte do EZLN,  declarando o seu direito de poderem escolher o seu esposo, determinar  o n&uacute;mero de crian&ccedil;as que elas queiram ter e  participar igualmente em todas as atividades pol&iacute;ticas e decis&otilde;es  da comunidade. Mulheres na Zona de Conflito  tamb&eacute;m estabeleceram pequenas ind&uacute;strias cooperativas,  produzindo tecelagem e outros artesanatos para obter sa&iacute;das criativas  para o seu isolamento econ&ocirc;mico.     <P>Embora se possa argumentar que sejam  subprodutos do movimento aut&ocirc;nomo ind&iacute;gena neozapatista original,  as distintas interpreta&ccedil;&otilde;es das mulheres sobre o que  deveria significar tal autonomia cultural em n&iacute;vel comunit&aacute;rio  exercem influ&ecirc;ncias cada vez mais vis&iacute;veis no cen&aacute;rio internacional.  A participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na Zona de Conflito  vem despertando o interesse de muitos envolvidos na rede  global de solidariedade criada em torno da rebeli&atilde;o. Livros  e disserta&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas sobre as mulheres  zapatistas,<SUP><a name="top8"></a><a href="#back8">8</a></SUP> j&aacute; foram publicados grupos de solidariedade criados, tais  como o da Comiss&atilde;o Nacional por Democracia e o das Irm&atilde;s  do M&eacute;xico Al&eacute;m das Fronteiras. Tamb&eacute;m v&atilde;o se abrindo  espa&ccedil;os cibern&eacute;ticos, como os  <I>websites</I> interativos do F&oacute;rum sobre  as Mulheres Zapatistas. As mulheres zapatistas e as mulheres  n&atilde;o-ind&iacute;genas, inspiradas pelos/as rebeldes neozapatistas  da organiza&ccedil;&atilde;o militar ou da base civil, tornaram-se  importantes contatos na campanha internacional pelos direitos humanos  e pela democracia em Chiapas e, em geral, no M&eacute;xico.  Por exemplo, a fundadora da Comiss&atilde;o Nacional pela  Democracia no M&eacute;xico, Cecilia Rodr&iacute;guez, uma cidad&atilde; americana  de descend&ecirc;ncia mexicana, tornou-se a 'embaixadora' do  EZLN para os Estados Unidos, e a atriz e ativista mexicana  Of&eacute;lia Medina continua sendo uma l&iacute;der vociferante junto  ao movimento mexicano em apoio &agrave;s comunidades  rebeldes. Mulheres como Teresa Ortiz, da ONG binacional sediada  em San Cristobal, Cloudforest Initiatives, ajudam a  patrocinar excurs&otilde;es internacionais de palestrantes cujas vozes  n&atilde;o poderiam ser ouvidas de outro modo (assegurando,  por exemplo, que a esposa ind&iacute;gena monol&iacute;ng&uuml;e de um  l&iacute;der bil&iacute;ng&uuml;e de Las Abejas <font face="Symbol" size="2">¾</font> o grupo alvo de um  massacre paramilitar a civis em Acteal <font face="Symbol" size="2">¾</font> tamb&eacute;m tenha a  oportunidade de falar durante a excurs&atilde;o internacional). Ajudam,  tamb&eacute;m, a patrocinar um projeto de alfabetiza&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria,  ou projetos alternativos de desenvolvimento econ&ocirc;mico  para cooperativas aut&ocirc;nomas de mulheres na Zona de Conflito.     <P>Volto-me agora a duas quest&otilde;es: a fun&ccedil;&atilde;o da  tecnologia emergente na tecedura dos espa&ccedil;os globais de  resist&ecirc;ncia contra as injusti&ccedil;as econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e sociais; e  as possibilidades que novas tecnologias poder&atilde;o fornecer  para a tecedura futura que conecte as lutas locais com os  temas globais. Ser&aacute; que essas novas tecnologias v&atilde;o nos alienar  ainda mais da nossa humanidade e de cada um de n&oacute;s, ou v&atilde;o  nos tornar mais unidos/as? Observou-se muitas vezes que  a constru&ccedil;&atilde;o de auto-estradas nos Estados  Unidos corresponderam ao fim do sentido de comunidade que  havia nos centros urbanos. O crescimento r&aacute;pido da muito  falada <I>information superhighway</I>, dominada pelos  interesses corporativistas, poderia ter conseq&uuml;&ecirc;ncias semelhantes  para o sentido da comunidade no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico. Por outro  lado, o modelo mais descentralizado da Internet, com as  suas possibilidades ut&oacute;picas de constru&ccedil;&atilde;o de comunidades  sem fronteiras, contesta o modelo Al Gore/IBM/Microsoft  da <I>information superhighway</I>. A disputa pela apropria&ccedil;&atilde;o  do espa&ccedil;o cibern&eacute;tico est&aacute; atualmente baseada na  oposi&ccedil;&atilde;o entre esses dois modelos da  <I>net</I> e da <I>highway</I>. A <I>information  superhighway</I> n&atilde;o contesta estruturas de poder injustas,  mas em vez disso reproduz velhos modelos de explora&ccedil;&atilde;o em  nome da democratiza&ccedil;&atilde;o. Constru&iacute;da para prop&oacute;sitos comerciais  e militares, a <I>information surperhighway</I> transforma seres  humanos em uma base de dados. Alguns te&oacute;ricos at&eacute; falam do  'estupro' dos dados como sendo sua  fun&ccedil;&atilde;o.<SUP><a name="top9"></a><a href="#back9">9</a></SUP> Em contraste, o  modelo da Internet &eacute; baseado numa extens&atilde;o virtual da  humanidade que permite a cria&ccedil;&atilde;o de novos modelos de  conex&atilde;o, comunidade e comunica&ccedil;&atilde;o descentralizada, e em que  ainda &eacute; poss&iacute;vel sonhar com estruturas sociais alternativas.     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>V&aacute;rias teorias p&oacute;s-modernas sobre o futuro  da humanidade no contexto digital, assim como  aquelas articuladas por Arthur Kroker e Michael Weinstein no seu  livro <I>Data Trash</I>, falam do desaparecimento, ou invas&atilde;o, do  corpo humano.<SUP><a name="top10"></a><a href="#back10">10</a></SUP> Quando tais te&oacute;ricos tentam visualizar  as manifesta&ccedil;&otilde;es do corpo no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico,  onde par&acirc;metros f&iacute;sicos n&atilde;o existem, eles falam da 'virtualiza&ccedil;&atilde;o'  do corpo: o corpo eletr&ocirc;nico. A id&eacute;ia do desaparecimento  do corpo pode ser um conceito &uacute;til quando analisamos  espa&ccedil;os discursivos moldados pela tecnologia emergente. Seja  como for, a id&eacute;ia do desaparecimento do corpo no  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico tamb&eacute;m pode ser problem&aacute;tica. Talvez isso  ocorra devido ao papel importante que o corpo humano continua  a ter quanto &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias de comunidade. No seu  ensaio &quot;Forms of  Technological Embodiment&quot;, Anne Balsamo  observa que     <blockquote>       <p>A hist&oacute;ria feminista do corpo p&oacute;s-moderno come&ccedil;a com      a suposi&ccedil;&atilde;o de que os corpos s&atilde;o sempre engendrados e      marcados pela ra&ccedil;a. O que falta [na id&eacute;ia de que 'o corpo' &eacute;      uma abstra&ccedil;&atilde;o idealista] &eacute; uma dimens&atilde;o material      que leva em conta as marcas incorporadas da identidade cultural. [...] O corpo      nem sempre pode ser constru&iacute;do como uma entidade puramente discursiva.      Por outro lado, ele nunca pode ser reduzido a um objeto puramente materialista.      [...] O material e o discursivo s&atilde;o mutuamente determinantes e n&atilde;o-exclusivos.      [...] O corpo material permanece um fator constante da condi&ccedil;&atilde;o      p&oacute;s-humana, p&oacute;s-moderna. Ele tem certas qualidades materiais      ineg&aacute;veis que s&atilde;o, por seu turno, culturalmente determinadas      e discursivamente governadas; qualidades que s&atilde;o ligadas &agrave; sua      psicologia e aos contextos culturais dentro dos quais ele faz sentido, tais      como as suas identidades de g&ecirc;nero e ra&ccedil;a.<SUP><a name="top11"></a><a href="#back11">11</a></SUP> </p> </blockquote>     <P>Enquanto reconhece o poder das observa&ccedil;&otilde;es  de Kroker em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; 'cultura virtual' e ao desaparecimento  do corpo, Balsamo questiona a id&eacute;ia atualmente muito  defendida de que vivemos em um mundo p&oacute;s-corpo, onde o  corpo humano &eacute; apenas uma constru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna de  dados. N&oacute;s podemos adicionar &agrave; sua asser&ccedil;&atilde;o a observa&ccedil;&atilde;o de  que os aspectos materiais e discursivos 'mutuamente  determinantes' do corpo continuam a funcionar enquanto as narrativas e  as contranarrativas da modernidade e da p&oacute;s-modernidade  se chocam e se intersectam nos espa&ccedil;os globais.     <P>Nos textos cibern&eacute;ticos que s&atilde;o encontrados no espa&ccedil;o    discursivo em Chiapas, podemos observar a circula&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica    de corpos ind&iacute;genas e/ou corpos femininos; isto &eacute;, corpos humanos    marcados como 'outro' no discurso hegem&ocirc;nico cultural. Na literatura latino-americana,    desde o per&iacute;odo colonial, o corpo feminino tem sido muitas vezes representado    como o lugar mediador de discursos da na&ccedil;&atilde;o, da ra&ccedil;a e    da etnia, e do poder. Com a figura da mulata no Caribe e no Brasil, ou a figura    de La Malinche no M&eacute;xico, por exemplo, os corpos das mulheres n&atilde;o-brancas    servem como lugares de figura&ccedil;&atilde;o da invas&atilde;o de discursos    culturais que tamb&eacute;m os definem, marcam e oprimem. Desde 1994, corpos    ind&iacute;genas e corpos femininos 'marcados' circulam como entidades discursivas    no espa&ccedil;o discursivo de 'Chiapas', mas o corpo eletr&ocirc;nico ou virtual    como representa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m depende das condi&ccedil;&otilde;es    <I>materiais</I> para ser transformado em s&iacute;mbolo eficaz de resist&ecirc;ncia    &agrave;s estruturas de poder opressor. As 'galerias virtuais de fotos' de comunidades    ind&iacute;genas em territ&oacute;rios rebeldes colocadas na Internet por fot&oacute;grafos,    jornalistas e ativistas ilustram a import&acirc;ncia que essas 'marcas' de ra&ccedil;a    (e de g&ecirc;nero e etnia, j&aacute; que as imagens favoritas das m&aacute;quinas    fotogr&aacute;ficas parecem ser de mulheres vestidas em trajes t&iacute;picos)    adquirem em um contexto visual de pobreza e isolamento f&iacute;sico (da selva    ou das planta&ccedil;&otilde;es de milho) para comunicar a luta neozapatista    &agrave; comunidade transnacional. Outras imagens favoritas s&atilde;o aquelas    de soldados ind&iacute;genas do EZLN em botas de borracha levando espingardas    de madeira falsas, tais quais acess&oacute;rios de teatro, ou fotos de mulheres    adolescentes das comunidades rebeldes, descal&ccedil;as, com bandanas cobrindo    seus rostos e levando beb&ecirc;s &agrave;s costas, repelindo as linhas militares    com os seus bra&ccedil;os nus e pardos.<SUP><a name="top12"></a><a href="#back12">12</a></SUP> N&oacute;s n&atilde;o podemos    desligar o corpo eletr&ocirc;nico que resiste no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico    das suas refer&ecirc;ncias &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es materiais do corpo    f&iacute;sico <font face="Symbol" size="2">¾</font> condi&ccedil;&otilde;es    que s&atilde;o muitas vezes determinadas pela maneira como as quest&otilde;es    de ra&ccedil;a e/ou g&ecirc;nero s&atilde;o inscritas nas narrativas modernas    de identidade.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">Direitos (p&oacute;s)humanos e o corpo digitado    </font>     <P>N&atilde;o &eacute; uma coincid&ecirc;ncia que o discurso de  direitos humanos, com o seu foco nas condi&ccedil;&otilde;es materiais de  nossa exist&ecirc;ncia, estruture os textos produzidos nesse  espa&ccedil;o eletr&ocirc;nico. Na Internet, corpos femininos ind&iacute;genas servem  como sites de media&ccedil;&atilde;o eficazes, ou como pontes entre  as comunidades de resist&ecirc;ncia ind&iacute;genas isoladas em Chiapas  e os espa&ccedil;os nacionais e globais, pois esses sites revelam,  em um n&iacute;vel material e simb&oacute;lico, as rupturas nos discursos  do neoliberalismo e da globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Os ind&iacute;genas  e/ou corpos femininos circulam no setor 'Chiapas' do  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico n&atilde;o s&oacute; como objetos de discurso intelectual,  mas tamb&eacute;m como sujeitos na performance multim&iacute;dia do  teatro de resist&ecirc;ncia, que &eacute; a vida di&aacute;ria na Zona de Conflito.  Entre centenas ou at&eacute; milhares de tais atua&ccedil;&otilde;es  rebeldes 'virtualizadas' em v&aacute;rios dos  <I>websites</I> mexicanos, norte-americanos, europeus e japoneses, um exemplo &eacute;  quando Irma, uma agente do EZLN, em uma entrevista transmitida  por Quicktime, fala sobre a sua falta de oportunidades ao  crescer em uma comunidade empobrecida e isolada do altiplano,  e sobre as raz&otilde;es para unir-se ao ex&eacute;rcito  rebelde.<SUP><a name="top13"></a><a href="#back13">13</a></SUP> Tradicionalmente, Irma era duplamente invis&iacute;vel como  ind&iacute;gena e como mulher, mas sua voz calma e digitalizada e seu  corpo trajado de uniforme camuflado surgiram de 'nenhuma  parte' da selva Lacondan vizinha e ressonaram nas telas  de computadores em todo o mundo. Em videofilmagens espont&acirc;neas, em jornais  <I>on-line</I>, nas webp&aacute;ginas das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais nacionais e  transnacionais, circulam imagens visuais e aurais de mulheres e  crian&ccedil;as desarmadas que usam os seus corpos e vozes (gritando  &quot;&#161;<I>Fuera el ej&eacute;rcito,  fuera</I>!&quot;)<SUP><a name="top14"></a><a href="#back14">14</a></SUP> para impedir o ex&eacute;rcito mexicano  de invadir as suas comunidades. Grupos paramilitares, assim  como o ex&eacute;rcito mexicano, continuam usando a tortura e a  viol&ecirc;ncia sexual como armas de guerrilha de baixa intensidade na  Zona de Conflito. Mas as torturas e os estupros, estrat&eacute;gias de  controle social que inscrevem a ret&oacute;rica do poder no corpo do  outro, adquirem diferentes significados no Chiapas  Virtual. Proclamando 500 anos de sofrimento, mulheres  ind&iacute;genas contam as suas hist&oacute;rias pessoais de opress&atilde;o e viola&ccedil;&atilde;o, e  os seus testemunhos s&atilde;o amplificados e circulados pelo  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico juntamente com os testemunhos de  mulheres ativistas, figuras de media&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-ind&iacute;genas. O ex&eacute;rcito  e grupos paramilitares t&ecirc;m atribu&iacute;do a essas mulheres  uma categoria ind&iacute;gena 'virtual' por causa do seu ativismo  mediador nos espa&ccedil;os discursivos e f&iacute;sicos de Chiapas. Isso &eacute;  uma manifesta&ccedil;&atilde;o dos perigos e riscos que podem acompanhar  a afirma&ccedil;&atilde;o de solidariedade, muitas vezes repetida, de  que &quot;todos somos &iacute;ndios; todos somos Chiapas&quot;. Por exemplo,  Cecilia Rodriguez, a l&iacute;der da Comiss&atilde;o Nacional por Democracia  no M&eacute;xico e representante do EZLN nos Estados Unidos, foi  violada sexualmente em 1995 por paramilitares. O seu  testemunho escrito, marcado pela coragem e por cont&iacute;nuo ativismo  e solidariedade para com as comunidades rebeldes,  foi reproduzido por listas de mala direta mundiais e ilustrou  cartazes de solidariedade a Chiapas, distribu&iacute;dos de forma impressa  e tamb&eacute;m pela Internet, por conta da cooperativa de  artistas Resistant Strains, de Vermont, Estados Unidos.     <P>Houve muitos outros exemplos de viol&ecirc;ncia sexual  sofrida por ativistas ind&iacute;genas e n&atilde;o-ind&iacute;genas na Zona de  Conflito. No entanto, esses atos de intimida&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o  n&atilde;o silenciaram suas vozes, mas, sim, resultaram na  sua amplifica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da rede de solidariedade que  continua a crescer. Os testemunhos desses homens e dessas  mulheres tornam-se um s&iacute;mbolo de resist&ecirc;ncia que inspira  mais solidariedade e mais resist&ecirc;ncia virtual fora da zona f&iacute;sica  de conflito. Embora seja importante distinguir entre atos f&iacute;sicos  de resist&ecirc;ncia contra ocupa&ccedil;&atilde;o militar e a&ccedil;&otilde;es paramilitares  que p&otilde;em 'corpos na linha de fogo' (e outros tipos de  resist&ecirc;ncia que n&atilde;o o fazem), a resist&ecirc;ncia virtual e a emerg&ecirc;ncia  do espa&ccedil;o discursivo de Chiapas t&ecirc;m sido importantes  para levantar o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia sobre as lutas daqueles  corpos resistentes e para articular simbolicamente tais lutas com  outras, mundo afora. Muitas vezes, essas liga&ccedil;&otilde;es tornam-se mais  do que simb&oacute;licas. Espectadores(as)/leitores(as) de  textos eletr&ocirc;nicos no espa&ccedil;o de 'Chiapas' acham que a sua  intera&ccedil;&atilde;o com esses textos torna-se o est&iacute;mulo para a&ccedil;&otilde;es futuras  ligando discurso e pr&aacute;xis. Zonas da paz criados por  observadores internacionais de direitos humanos tornam-se  anteparos humanos entre o ex&eacute;rcito e as comunidades em  Chiapas, milhares de ativistas participam de 'Reuni&otilde;es para  Humanidade e Contra Neoliberalismo' nos n&iacute;veis  'Continental', 'Intercontinental' e 'Intergal&aacute;tico' patrocinados  pelos/as rebeldes em Chiapas e no estrangeiro, e tribos ind&iacute;genas  dos Estados Unidos e Canad&aacute; organizam peregrina&ccedil;&otilde;es para  fora dos Estados Unidos e do Canad&aacute; a fim de assinar os seus  pr&oacute;prios acordos comercias alternativos com os seus correlativos  nas comunidades maias.     <P>Os processos de media&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o discursivo  em 'Chiapas' tamb&eacute;m t&ecirc;m suas pr&oacute;prias contradi&ccedil;&otilde;es. O EZLN  abriu esse espa&ccedil;o para desconstruir institui&ccedil;&otilde;es baseadas  em estruturas de poder desigual e para promover a constru&ccedil;&atilde;o  de outros modelos mais inclusivos. Contudo, muitas feministas,  assim como outros cr&iacute;ticos, indicam que o militarismo do EZLN  reproduz velhos modelos patriarcais de resolu&ccedil;&atilde;o de  conflito, constituindo-se, por isso, em um molde inaut&ecirc;ntico para  a constru&ccedil;&atilde;o de novos modelos sociais e pol&iacute;ticos.  Outra contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; que, apesar das possibilidades de  n&atilde;o-intermedia&ccedil;&atilde;o (amplifica&ccedil;&atilde;o mais direta das vozes  ind&iacute;genas via Internet), a necessidade de media&ccedil;&atilde;o por parte  de intelectuais n&atilde;o-ind&iacute;genas n&atilde;o foi eliminada. Nas suas  fun&ccedil;&otilde;es de intelectuais e/ou militantes e na sua produ&ccedil;&atilde;o  simb&oacute;lica dentro e fora das fronteiras f&iacute;sicas das comunidades  aut&ocirc;nomas ind&iacute;genas em Chiapas, aqueles/as que participam na rede  de solidariedade transnacional neozapatista ainda servem  como mediadores/as entre as vozes ind&iacute;genas e os espa&ccedil;os  de privil&eacute;gio ao qual pertencem.     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Apesar do fato de que ativistas e escritores prol&iacute;ficos do espa&ccedil;o    cibern&eacute;tico (como o professor da Universidade do Texas Harry Cleaver    e seu grupo Acci&oacute;n Zapatista) afirmem que a rede de solidariedade neozapatista    seja um espa&ccedil;o descentralizado, em que rela&ccedil;&otilde;es desiguais    de poder globais n&atilde;o s&atilde;o reproduzidas, h&aacute; uma certa desigualdade    que n&atilde;o pode ser apagada, mesmo em um espa&ccedil;o cibern&eacute;tico    ut&oacute;pico. N&oacute;s podemos afirmar que h&aacute; possibilidades ut&oacute;picas    para a constru&ccedil;&atilde;o de novas comunidades democr&aacute;ticas no    espa&ccedil;o cibern&eacute;tico, mas o fato &eacute; que s&oacute; os mais    privilegiados t&ecirc;m o acesso direto a esse espa&ccedil;o. A participa&ccedil;&atilde;o    em <I>A Revolu&ccedil;&atilde;o Ir&aacute; Ser Digitada</I>,<SUP><a name="top15"></a><a href="#back15">15</a></SUP> o    <I>website</I> interativo de alta tecnologia de Actlab, no Zapnet, por exemplo,    exige equipamento de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o e o mais recente <I>software</I>    de busca do tipo <I>plug-in</I>. Nem todos os n&oacute;dulos da rede de solidariedade    s&atilde;o t&atilde;o exclusivos: h&aacute; muitos grupos de not&iacute;cias,    quadros de aviso e arquivos menos avan&ccedil;ados tecnologicamente. De qualquer    maneira, computadores s&atilde;o portas ao espa&ccedil;o cibern&eacute;tico,    e em &aacute;reas mais economicamente marginalizadas, como Chiapas, o acesso    e o treinamento para o uso de <I>hardware</I> geralmente n&atilde;o existem.    Comunidades ind&iacute;genas dependem da media&ccedil;&atilde;o de estrangeiros    e de alguns mexicanos ligados &agrave; Internet para poder ter entrada no espa&ccedil;o    cibern&eacute;tico. O fato de as comunidades de resist&ecirc;ncia em Chiapas    solicitarem doa&ccedil;&otilde;es de m&aacute;quinas fotogr&aacute;ficas e computadores    indica, por parte dessas comunidades marginalizadas, o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia    sobre o poder desses novos m&eacute;todos de comunica&ccedil;&atilde;o. Com    acesso a esse tipo de equipamento, os ind&iacute;genas em Chiapas e outros grupos    marginalizados do mundo inteiro podem documentar os atos de resist&ecirc;ncia    das suas vidas di&aacute;rias. Assim foi que a organiza&ccedil;&atilde;o binacional    Projecto de M&iacute;dia Chiapas foi criado. Essa organiza&ccedil;&atilde;o,    filiada &agrave; Rede de Solidariedade do M&eacute;xico, patrocina delega&ccedil;&otilde;es    dos Estados Unidos e do M&eacute;xico que incluem artistas de v&iacute;deo ind&iacute;genas    e outros mexicanos com experi&ecirc;ncia e treinamento em projetos alternativos    de m&iacute;dia. Esses peritos mexicanos treinam os seus correlativos em Oventic    e Morelia (no cora&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio neozapatista, na parte    rural de Chiapas) e acompanham delegados internacionais que levam equipamentos    doados. Esse programa permite a essas comunidades &quot;contarem as suas hist&oacute;rias,    em suas pr&oacute;prias palavras&quot;, para poder contestar a imagem muitas    vezes pouco correta da realidade veiculada pela imprensa convencional <font face="Symbol" size="2">¾</font>    imagem esta que ir&aacute; influenciar tomadas de decis&otilde;es externas com    impacto nas comunidades. Dentro do Projecto de M&iacute;dia Chiapas, v&iacute;deos    s&atilde;o mandados a esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o ou s&atilde;o    enviados como 'cartas-v&iacute;deo' para as comunidades ind&iacute;genas ou    para outras &aacute;reas do M&eacute;xico ou de outros pa&iacute;ses. Em breve,    as comunidades em Chiapas que participam do projeto tamb&eacute;m poder&atilde;o    registrar as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e inseri-las na Internet    em 'tempo-real'.<SUP><a name="top16"></a><a href="#back16">16</a></SUP>     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">O Ciborgue Zapatista </font>     <P>A id&eacute;ia de que essas comunidades marginalizadas podem, dentro do contexto    de luta por autonomia, articular as rupturas no discurso de globaliza&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica e subverter processos de aliena&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-modernos,    no sentido de transform&aacute;-los em processos de rearticula&ccedil;&atilde;o    de comunidade e de realidade material em um n&iacute;vel global, mostra os paradoxos    presentes nesse espa&ccedil;o discursivo tecno-logicamente mediado. Zapatistas    virtualizados s&atilde;o uma lembran&ccedil;a das condi&ccedil;&otilde;es materiais    da vida humana. Corpos ind&iacute;genas e/ou femininos no espa&ccedil;o discursivo    do Chiapas eletr&ocirc;nico representam simbolicamente todos os grupos que s&atilde;o    exclu&iacute;dos dos projetos globais neoliberais; s&atilde;o corpos que se    recusam a desaparecer sob a Nova Ordem Mundial. O neozapatismo marca uma nova    etapa na Revolu&ccedil;&atilde;o Mexicana; um novo est&aacute;gio de resist&ecirc;ncia    ind&iacute;gena sem fronteiras. Tamb&eacute;m sugere modelos subversivos inovadores    que atravessam fronteiras para estabelecer liga&ccedil;&otilde;es intertextuais    ou hipertextuais entre atos anteriormente isolados de produ&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica e de cr&iacute;tica cultural. Em vez de visualizar a rede global    neozapatista como um fen&ocirc;meno relacionado ao 'corpo em desaparecimento',    talvez seja mais produtivo v&ecirc;-la como resultado do nascimento do Ciborgue    Neozapatista, um conceito que ao mesmo tempo incorpora e atravessa fronteiras.    Anne Balsamo observa que      <blockquote>       <p>o ciborgue <font face="Symbol" size="2">¾</font> o &quot;ser humano-tecnol&oacute;gico&quot;      <font face="Symbol" size="2">¾</font> tornou-se uma figura&ccedil;&atilde;o      familiar do sujeito da p&oacute;s-modernidade. Por qualquer outra coisa que      possa insinuar, esta jun&ccedil;&atilde;o conta com uma re-conceitualiza&ccedil;&atilde;o      do corpo humano como figura de fronteira pertencendo simultaneamente a pelo      menos dois sistemas anteriores de significados incompat&iacute;veis <font face="Symbol" size="2">¾</font>      &quot;o org&acirc;nico/natural&quot; e &quot;o tecnol&oacute;gico/cultural&quot;.      &Agrave; medida que o corpo &eacute; re-conceitualizado n&atilde;o como uma      parte fixa da natureza, mas como um conceito de fronteira, n&oacute;s testemunhamos      uma luta de for&ccedil;as ideol&oacute;gicas opostas entre sistemas de significa&ccedil;&atilde;o      contr&aacute;rios que incluem e, em parte, definem as lutas materiais dos      corpos f&iacute;sicos.<SUP><a name="top17"></a><a href="#back17">17</a></SUP> </p> </blockquote>     <P>Tomada como uma coalesc&ecirc;ncia de muitas  varia&ccedil;&otilde;es/muta&ccedil;&otilde;es pelas quais tem passado no espa&ccedil;o discursivo  de Chiapas, a figura de um zapatista com m&aacute;scara de  esquiador <font face="Symbol" size="2">¾</font> tal como &eacute; (co)imaginada e diversamente definida em  v&aacute;rios contextos inter e hipertextuais <font face="Symbol" size="2">¾</font> tornou-se um &iacute;cone de  ciborgue. A tens&atilde;o constante entre a naturalidade visceral  propriamente dita do discurso zapatista, o discurso cibern&eacute;tico  de solidariedade e a naturalidade tecnol&oacute;gica/artificial do  espa&ccedil;o de Chiapas deram &agrave; luz essa fun&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica de ciborgue.  O ciborgue atravessa fronteiras entre o material e o artificial,  entre 'carne' e 'm&aacute;quina'. Desde o aparecimento do ensaio  inovador de Donna Haraway &quot;A Cyborg Manifesto: Science,  Technology, and Socialist Feminism in The Late Twentieth Century&quot; (um  divisor de &aacute;guas nos meados de 1980), o ciborgue, como  s&iacute;mbolo cultural, representa o potencial subversivo do que  Haraway chama de &quot;acoplamentos produtivos&quot; de articula&ccedil;&atilde;o  pol&iacute;tica radical.<SUP><a name="top18"></a><a href="#back18">18</a></SUP> O neozapatista como s&iacute;mbolo adquire a  sua qualidade de ciborgue ao circular entre os textos  multim&iacute;dia moldados por uma tecnologia emergente somente  imaginada na &eacute;poca em que o ensaio de Haraway foi escrito. O  Ciborgue Zapatista &eacute; um s&iacute;mbolo mediador cuja efici&ecirc;ncia como  signo continua a adquirir camadas de signific&acirc;ncia  global exatamente em fun&ccedil;&atilde;o desse tipo de associa&ccedil;&atilde;o que  atravessa fronteiras entre elementos muitas vezes contradit&oacute;rios. A  imagem de zapatista pode ter sido originalmente baseada nos  corpos dos/das rebeldes ind&iacute;genas, mas esses corpos s&atilde;o desde  ent&atilde;o escaneados e, depois, regenerados eletronicamente.  Deixando de ser propriedade intelectual do EZLN, do  subcomandante Marcos, ou de qualquer jornalista, o Ciborgue Zapatista  anti-<I>copyright</I> toma forma e adquire vida pr&oacute;pria ileg&iacute;tima no  seu pr&oacute;prio espa&ccedil;o cibern&eacute;tico. Entretanto, com o  Ciborgue Zapatista, n&oacute;s podemos ver que a observa&ccedil;&atilde;o de Anne  Balsamo quanto ao corpo duplo material/discursivo em espa&ccedil;os  p&oacute;s-modernos &eacute; verdadeira. No Zapnet, VR quer dizer  Resist&ecirc;ncia Virtual, assim como Realidade Virtual. O signo quixotesco  do zapatista inclinado sobre moinhos de vento multinacionais  no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico continua a apontar para a  exist&ecirc;ncia material dos corpos que s&atilde;o deixados para tr&aacute;s no outro  lado da tela enquanto a Nova Ordem Mundial &eacute;  digitada. 'Resist&ecirc;ncia virtual' global atrav&eacute;s de e-mail e Internet  torna-se mais e mais sofisticada quando protestos interativos  coordenam n&atilde;o s&oacute; campanhas de inunda&ccedil;&atilde;o de e-mails dirigidos &agrave;s  figuras pol&iacute;ticas no M&eacute;xico, nos Estados Unidos ou nas Na&ccedil;&otilde;es  Unidas, mas tamb&eacute;m enormes protestos do tipo  <I>sit-ins</I> eletr&ocirc;nicos nas bolsas de valor. Essas campanhas procuram revelar e  tornar p&uacute;blica a cumplicidade multinacional corporativista diante  da repress&atilde;o militar no territ&oacute;rio rebelde, assim como  expressar apoio &agrave; resist&ecirc;ncia dos/das rebeldes de Chiapas &agrave;  globaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;ticas  neoliberais.<SUP><a name="top19"></a><a href="#back19">19</a></SUP>      <P> Como o ciborgue de Haraway, os zapatistas no  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico viraram &quot;criaturas da realidade social assim  como criaturas de  fic&ccedil;&atilde;o&quot;.<SUP><a name="top20"></a><a href="#back20">20</a></SUP> Os 'zaps' s&atilde;o uma constru&ccedil;&atilde;o  ficcional/ret&oacute;rica do espa&ccedil;o discursivo de Chiapas, uma imagem  gerada por computador extremamente significativa que atrai  nossa aten&ccedil;&atilde;o em uma era de conex&otilde;es r&aacute;pidas na Internet e  de uma r&aacute;pida barragem de imagens multim&iacute;dia, que nos  aponta para aqueles/as deixados/as do outro lado da tela <font face="Symbol" size="2">¾</font>  aqueles/as que s&atilde;o procurados/as em fun&ccedil;&atilde;o dos seus olhos atentos  e dedos r&aacute;pidos em  <I>maquiladoras</I><SUP><a name="top21"></a><a href="#back21">21</a></SUP> na fronteira dos  Estados Unidos com o M&eacute;xico, naquela terra de ningu&eacute;m. Ser&aacute;  que Zapnet &eacute; uma cibermetafic&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, ou uma rede  de testemunhos de direitos humanos que registra,  precisamente, as v&iacute;timas de carne-e-osso da interse&ccedil;&atilde;o de  narrativas incompat&iacute;veis da modernidade? Podemos sugerir que  Zapnet &eacute; ambas as coisas. O ciberzapatista funciona como o  nosso guia para o Chiapas Virtual nos moldes da fic&ccedil;&atilde;o de  Haraway, que mapeia &quot;realidade social e  corp&oacute;rea&quot;.<SUP><a name="top22"></a><a href="#back22">22</a></SUP>     <P>O Ciborgue Zapatista como imagem ret&oacute;rica  multim&iacute;dia &eacute; produto de um espa&ccedil;o discursivo transnacional em torno  das recentes e cont&iacute;nuas contendas por autonomia  cultural, democracia, e justi&ccedil;a social e econ&ocirc;mica nas  comunidades ind&iacute;genas no M&eacute;xico. Minha an&aacute;lise do poder desse  instrumento ret&oacute;rico de nenhuma forma tenciona diminuir a aten&ccedil;&atilde;o  sobre os homens e as mulheres nas comunidades rebeldes  em Chiapas que continuam a dedicar os seus corpos e vozes  &agrave;s lutas cont&iacute;nuas e di&aacute;rias por dignidade. O Ciborgue  Zapatista deve a sua for&ccedil;a e a sua 'humanidade' &agrave; determina&ccedil;&atilde;o  desses indiv&iacute;duos e suas comunidades. A resist&ecirc;ncia ind&iacute;gena  nas Am&eacute;ricas est&aacute; firmemente enraizada em um sentido  de continuidade hist&oacute;rica, j&aacute; que permanece  contestando modelos coloniais de injusti&ccedil;a, exclus&atilde;o e opress&atilde;o  ainda vigentes, embora mascarados pela ret&oacute;rica dos 'p&oacute;s'. O  debate esot&eacute;rico sobre a natureza do 'mundo p&oacute;s-moderno'  muitas vezes parece desligado da realidade vivida nas  comunidades aut&ocirc;nomas de Chiapas, ou em quaisquer outras  comunidades comprometidas com a resist&ecirc;ncia cont&iacute;nua contra a  opress&atilde;o com base nas lutas 'modernas' em torno da identidade,  da forma&ccedil;&atilde;o nacional e do desenvolvimento. Mas Zapata e  outras in&uacute;meras testemunhas mortas dos 500 anos de  resist&ecirc;ncia ind&iacute;gena tornaram-se 'os fantasmas na m&aacute;quina'.  O ciberzapatismo como fen&ocirc;meno transnacional deve a  sua capacidade para 'transgress&otilde;es frut&iacute;feras' de fronteiras  aos modelos  &quot;transgressores&quot;<SUP><a name="top23"></a><a href="#back23">23</a></SUP>originais da selva Lancondan.  A coalesc&ecirc;ncia de significados de Chiapas como signo desde  o dia 1&#186; de janeiro de 1994, todavia, adv&eacute;m, em grande  medida, da media&ccedil;&atilde;o desse embate di&aacute;rio por meio da  amplifica&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o intertextual e hipertextual em uma  produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica estruturada por tecnologias emergentes. O  Ciborgue Neozapatista &eacute; capaz de nos des-locar ao nos convidar  a atravessar fronteiras geogr&aacute;ficas, &eacute;tnicas e de classe, e  a participar, na qualidade de  leitores(as)/escritores(as)/espectadores(as)/atores(atrizes) de textos/performances de  uma guerrilha multim&iacute;dia, de esfor&ccedil;os de resist&ecirc;ncia virtual  contra projetos globais neoliberais. O Ciborgue Zapatista &eacute;  mais eficiente na sua habilidade para nos des-locar: para nos  incitar a afirmar e transgredir diferen&ccedil;as, e para entrever novas  'uni&otilde;es radicais' na busca de solidariedade com outros indiv&iacute;duos  e grupos. O ciberzapatista nos convida a abandonar os  nossos corpos em v&ocirc;os ut&oacute;picos de imagina&ccedil;&atilde;o sobre o futuro  da humanidade, mas ao mesmo tempo enra&iacute;za profundamente  a sua ret&oacute;rica em um sentido de hist&oacute;ria e de realidade  material que nos faz lembrar da nossa pr&oacute;pria localiza&ccedil;&atilde;o, bem  como da dos camponeses no M&eacute;xico, tal como elas s&atilde;o ditadas  pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder locais e globais.     <P>O meu uso do conceito de ciborgue para explorar  o zapatista no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico como signo de oposi&ccedil;&atilde;o  toma uma grande dose de licen&ccedil;a po&eacute;tica ao lidar com o  instrumento ret&oacute;rico de Haraway. O ciborgue de Haraway foi  visualizado como um modelo para a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede que iria  cruzar as fronteiras entre feministas e fazer novas conex&otilde;es  parciais entre outros grupos de oposi&ccedil;&atilde;o para poder se re-apropriar  de novas tecnologias do complexo industrial militar que  amea&ccedil;ou provocar um armagedon nos meados da d&eacute;cada de  1980. Mas a chamada original de Haraway para novos modelos  de milit&acirc;ncia social que subverteriam vis&otilde;es totalizantes a  partir da evoca&ccedil;&atilde;o de 'uni&otilde;es radicais' continua sendo  relevante. Como ela pr&oacute;pria explica, &quot;isto &eacute; um sonho n&atilde;o de uma  l&iacute;ngua comum, mas de uma heterogl&oacute;ssia infiel poderosa...  Significa tanto construir como destruir m&aacute;quinas, identidades,  categorias, rela&ccedil;&otilde;es, hist&oacute;rias de  espa&ccedil;o&quot;.<SUP><a name="top24"></a><a href="#back24">24</a></SUP> Nos primeiros anos do  s&eacute;culo XXI, tal ciborgue de oposi&ccedil;&atilde;o procura transgredir fronteiras  e fazer liga&ccedil;&otilde;es 'ileg&iacute;timas' para poder se re-apropriar do  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico das suas origens militares e do seu controle  pelo capital multinacional, que iria converter seres humanos  em bases de dados. O Ciborgue Zapatista &eacute; um s&iacute;mbolo  de sobreviv&ecirc;ncia na nossa era de globaliza&ccedil;&atilde;o e  virtualiza&ccedil;&atilde;o. Esse 'ciborgue da oposi&ccedil;&atilde;o' neozapatista transgride  fronteiras globais e locais no esfor&ccedil;o de evitar, como Kroker e  Weinstein t&atilde;o eloq&uuml;entemente disseram, a &quot;carca&ccedil;as ao longo  do <I>information  superhighway</I>&quot;.<SUP><a name="top25"></a><a href="#back25">25</a></SUP> A explos&atilde;o do espa&ccedil;o  discursivo global des-centralizado ao redor da rebeli&atilde;o aponta para  o desenvolvimento de novos modelos imaginativos na  tecedura de conex&otilde;es, os quais n&atilde;o s&oacute; transcendem as origens  militares (ou de defesa) da tecnologia que emoldura esse espa&ccedil;o,  mas tamb&eacute;m v&atilde;o al&eacute;m da quest&atilde;o de identidade militar do EZLN.     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Kroker e Weinstein escrevem sobre interesses corporativos no <I>information    superhighway</I> que amea&ccedil;am liquidar o aspecto 'p&uacute;blico' da internet.    Por seu turno, de uma maneira que prefigurou o esfor&ccedil;o atual sobre a    apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o cibern&eacute;tico no fim dos anos    1990, Haraway sugere que &quot;<I>networking</I> &eacute; ao mesmo tempo uma    pr&aacute;tica feminista e uma estrat&eacute;gia da corpora&ccedil;&atilde;o    multinacional <font face="Symbol" size="2">¾</font> tecelagem de teias cibern&eacute;ticas    &eacute; para ciborgues de oposi&ccedil;&atilde;o&quot;.<SUP><a name="top26"></a><a href="#back26">26</a></SUP> Hoje,    podemos ver que a Internet &eacute; um instrumento que est&aacute; dispon&iacute;vel    para os dois lados da luta. Muitos interesses procuram construir fronteiras    no que &eacute; imaginado por outros como espa&ccedil;o ut&oacute;pico, sem    fronteiras. Organiza&ccedil;&otilde;es militares e de seguran&ccedil;a, como    a Ag&ecirc;ncia de Intelig&ecirc;ncia A&eacute;rea das For&ccedil;as Armadas    dos Estados Unidos, patrulham o espa&ccedil;o cibern&eacute;tico e est&atilde;o    engajadas na 'guerra da Internet' contra todos os usos 'subversivos' percept&iacute;veis    da mesma, incluindo as atividades 'conectoras' das ciberguerrilhas neozapatistas.    Em desvantagem no jogo global da propaganda, o governo mexicano, ent&atilde;o    dominado pelo Partido Revolucion&aacute;rio Institucional (PRI), aprendeu com    a sua oposi&ccedil;&atilde;o e investiu intensamente para estabelecer a sua    pr&oacute;pria presen&ccedil;a eficiente e 'leg&iacute;tima' na Internet, inclusive    com <I>sites</I> especiais dedicados &agrave; perspectiva do governo sobre o    conflito em Chiapas. Esses <I>sites</I> cont&ecirc;m textos completos de relat&oacute;rios    patrocinados pelo Estado sobre o massacre de Acteal (que contradizem os fatos    descobertos por investigadores externos de direitos humanos) e v&iacute;deos    de discursos do presidente sobre campanhas de servi&ccedil;o social e progresso    econ&ocirc;mico em Chiapas. Assinaturas gratuitas dos comunicados &agrave; imprensa    do presidente Zedillo estiveram dispon&iacute;veis em e-mail.<SUP><a name="top27"></a><a href="#back27">27</a></SUP> Embora    a hist&oacute;rica derrota eleitoral do PRI possa ter assinalado mudan&ccedil;as    no clima pol&iacute;tico do pa&iacute;s, a administra&ccedil;&atilde;o presente    continua a expandir o ataque de Zedillo &agrave; nova m&iacute;dia.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">Movimentos transnacionais cibern&eacute;ticos sociais:    fic&ccedil;&atilde;o ciberpunk ou futuro (virtualmente) real? </font>     <P>Os primeiros seis anos de rebeli&atilde;o neozapatista  em Chiapas e de minhas pesquisas sobre o espa&ccedil;o discursivo  dessa rebeli&atilde;o coincidiram com o ciclo presidencial de seis anos  no M&eacute;xico. Os/as rebeldes mantiveram um cessar-fogo no  ver&atilde;o de 1994 para poder promover um esfor&ccedil;o civil  objetivando mudan&ccedil;as democr&aacute;ticas atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es limpas. Mas  outra vit&oacute;ria do PRI naquelas elei&ccedil;&otilde;es foi desanimadora para  aqueles/as que procuravam uma grande abertura democr&aacute;tica  no M&eacute;xico e uma mudan&ccedil;a de dire&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da urna. Com  as negocia&ccedil;&otilde;es com o governo mexicano em uma crise  perp&eacute;tua, o EZLN passou os anos seguintes tentando construir uma  frente civil, primeiro por meio de uma conven&ccedil;&atilde;o  nacional democr&aacute;tica <I>a la</I> Woodstock, em Aguascalientes, e,  depois, atrav&eacute;s de confer&ecirc;ncias 'para a humanidade e contra  o neoliberalismo', tanto em territ&oacute;rio rebelde quanto  no estrangeiro. Mas embora a Internet seja reconhecida como  o elemento-chave que atrai a aten&ccedil;&atilde;o do mundo para o  discurso e a atua&ccedil;&atilde;o neozapatistas, ela canalizou o que at&eacute; ent&atilde;o  se delineava como um crescimento gratuito e quase org&acirc;nico  do espa&ccedil;o discursivo multim&iacute;dia acerca das atividades  rebeldes. L&iacute;deres rebeldes e ativistas que tentaram planejar  confer&ecirc;ncias na Internet e campanhas em nome da Frente Zapatista  de Libera&ccedil;&atilde;o Nacional acharam dif&iacute;cil controlar ou direcionar  o que havia sido quase um fen&ocirc;meno de gera&ccedil;&atilde;o  espont&acirc;nea. Esse espa&ccedil;o cresceu rapidamente porque era  descentralizado, mas tal descentramento significava que a Frente  Zapatista, centrada na sociedade civil, n&atilde;o podia impor a forma  ou predizer a natureza das liga&ccedil;&otilde;es que iria fazer em torno  da resist&ecirc;ncia de Chiapas no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico tr&ecirc;s anos  depois que o fen&ocirc;meno come&ccedil;ara. Muito se tem dito em rela&ccedil;&atilde;o  &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o da imprensa pelos/as rebeldes, por&eacute;m,  embora Marcos fosse um perito ao se preparar para entrevistas e  eventos da m&iacute;dia, ele e outros ativistas tiveram dificuldade para  'dirigir' com &ecirc;xito a circula&ccedil;&atilde;o da imagem de rebelde no  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico. Aquela imagem ainda est&aacute; em  freq&uuml;ente circula&ccedil;&atilde;o, mas o  <I>website</I> do EZLN continua sendo s&oacute; um  entre muitos <I>websites</I> que formam nodos em um espa&ccedil;o  discursivo descentralizado.     <P>Assim como os/as rebeldes correram o risco t&aacute;tico  de abrirem um espa&ccedil;o cujos par&acirc;metros n&atilde;o podiam moldar,  e cujo conte&uacute;do n&atilde;o podiam predizer, eles tamb&eacute;m correram  o risco de n&atilde;o patrocinar nenhum candidato pol&iacute;tico  espec&iacute;fico em 1994 ou 2000, pedindo por um di&aacute;logo aberto e  pela constru&ccedil;&atilde;o de mais institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas que  permitissem &agrave; 'sociedade civil' determinar o futuro do M&eacute;xico atrav&eacute;s  de debate e consenso. Mas se os/as rebeldes neozapatistas  tinham esperan&ccedil;as de que a queda do PRI atrav&eacute;s da press&atilde;o  civil por reforma eleitoral e por democracia fosse  necessariamente indicar o triunfo da nova esquerda no M&eacute;xico, uma  nova esquerda que colocasse a na&ccedil;&atilde;o de volta no  caminho 'verdadeiro' da revolu&ccedil;&atilde;o, essa esperan&ccedil;a foi  destru&iacute;da. Enquanto os/as rebeldes e a Frente Zapatista lutavam  para despertar nas pessoas uma consci&ecirc;ncia de que a imagem  do M&eacute;xico como Primeiro Mundo era uma falsa realidade,  e encorajavam aqueles/as <font face="Symbol" size="2">¾</font> para quem a realidade do  M&eacute;xico era inaceit&aacute;vel <font face="Symbol" size="2">¾</font> a sonhar com uma sociedade aberta e  de institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, os/as eleitores/as mexicanos/as  em 2000 retiraram o PRI do poder, mas elegeram um  candidato com as maiores tend&ecirc;ncias autocr&aacute;ticas <font face="Symbol" size="2">¾</font> Vicente Fox,  o candidato da ala direita do Partido de Acci&oacute;n Nacional (PAN).      <P>Enquanto <I>el conflicto</I> em Chiapas aparecia t&atilde;o  ami&uacute;de nas manchetes em 1994 quanto as elei&ccedil;&otilde;es nacionais,  ou, muitas vezes, aparecia nas mesmas propor&ccedil;&otilde;es que  as elei&ccedil;&otilde;es, o mesmo n&atilde;o aconteceu ao final do ciclo  eleitoral mexicano seguinte. O conflito em Chiapas era um dos  mais urgentes assuntos discutidos pela pol&iacute;tica nacional durante  as campanhas eleitorais, mas n&atilde;o se tornou a mesma  met&aacute;fora que fora usada, em 1994, para mudan&ccedil;as (segundo  alguns) ou para desastres (segundo outros) nas &aacute;reas pol&iacute;tica, social  e econ&ocirc;mica. A elei&ccedil;&atilde;o que expulsou o PRI n&atilde;o assinalou que  o M&eacute;xico tivesse se tornado democr&aacute;tico de um dia para o  outro. Podemos ver que essas elei&ccedil;&otilde;es fizeram parte de um  processo de transforma&ccedil;&atilde;o, um processo que permanece, at&eacute;  certo ponto, em aberto. Ao procurar fazer um balan&ccedil;o dos  primeiros seis anos de neozapatismo <font face="Symbol" size="2">¾</font> real e virtual <font face="Symbol" size="2">¾</font> que terminou  com a elei&ccedil;&atilde;o do primeiro presidente do M&eacute;xico revolucion&aacute;rio  n&atilde;o pertencente ao PRI, deparei-me, em vez disso, com o  <I>fin abierto</I>, que &eacute; t&atilde;o caracter&iacute;stico da narrativa hipertextual.     <P>Ao escrever a rebeli&atilde;o como uma meta-rebeli&atilde;o,  Marcos fez uma performance rebelde para o mundo como se  fosse um teatro grego de m&aacute;scaras e &iacute;cones provocando  uma catarse mundial. A solidariedade com Chiapas passou a  ser um meta-texto para milit&acirc;ncia e transforma&ccedil;&atilde;o sociais,  e, encorajando conex&otilde;es com outras lutas, Marcos  tamb&eacute;m correu o risco de apresentar a resist&ecirc;ncia maia como  s&iacute;mbolo de tudo para todos <font face="Symbol" size="2">¾</font> uma miss&atilde;o imposs&iacute;vel que dever&aacute;,  ao final, desencadear desilus&atilde;o para alguns. Ao final, talvez  um retrato mais fiel da rebeli&atilde;o <font face="Symbol" size="2">¾</font> em vez de um retrato de  indiv&iacute;duos buscando o &quot;re-encantamento da  humanidade&quot;<SUP><a name="top28"></a><a href="#back28">28</a></SUP> <font face="Symbol" size="2">¾</font> ser&aacute; aquele que manter&aacute; o movimento pela autonomia  ind&iacute;gena em Chiapas vivo, sem transform&aacute;-lo em um fiasco de sonhos  e promessas irrealizados, de uma frouxa rede transnacional  de almas buscando salva&ccedil;&atilde;o global. Por certo nenhum  dos pequenos grupos de marginalizados do M&eacute;xico rural  dever&aacute; esperar carregar nos ombros, para sempre, o peso  simb&oacute;lico dos medos, das necessidades espirituais e das fantasias  do mundo. O slogan do EZLN <font face="Symbol" size="2">¾</font> &quot;<I>Para nosostros, nada, para  todos, todo</I>&quot;<font face="Symbol" size="2">¾</font> poderia provar ser ironicamente apropriado, j&aacute; que  o ex&eacute;rcito continua a se infiltrar nos &uacute;ltimos vest&iacute;gios do  territ&oacute;rio zapatista, re-impondo as regras de velhas institui&ccedil;&otilde;es,  tirando proveito das rupturas nas estruturas sociais, pol&iacute;ticas  e econ&ocirc;micas da regi&atilde;o causadas pelo  deslocamento populacional interno e pela viol&ecirc;ncia paramilitar, e  tentando impedir a sobreviv&ecirc;ncia e dissemina&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia  atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias de guerrilha de baixa intensidade.     <P>Assim como os altiplanos de Chiapas, o  espa&ccedil;o cibern&eacute;tico tamb&eacute;m &eacute; um n&atilde;o-lugar contestado, e n&atilde;o se  sabe por quanto tempo a Internet permanecer&aacute; aberta  como espa&ccedil;o para resist&ecirc;ncia. Com o crescente esfor&ccedil;o  corporativista e pol&iacute;tico contra o 'entrela&ccedil;amento' da rede e do sentido  da Web, fica a d&uacute;vida se o Ciborgue Zapatista continuar&aacute;  suas muta&ccedil;&otilde;es para poder oferecer um modelo relevante  de oposi&ccedil;&atilde;o para a apropria&ccedil;&atilde;o do ciberespa&ccedil;o e a  constru&ccedil;&atilde;o de novos modelos de media&ccedil;&atilde;o e solidariedade global.  A circula&ccedil;&atilde;o neozapatista no espa&ccedil;o cibern&eacute;tico &eacute;  poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; energia &agrave;s vezes descoordenada mas, mesmo  assim, persistente de um movimento virtual que tem mantido  seu <I>momentum</I> eletr&ocirc;nico transnacional por um per&iacute;odo de  tempo cuja extens&atilde;o talvez seja sem precedentes, mas que  agora parece estar sendo um pouco desacelerado, pois  <I>websites</I> e listas de e-mails s&atilde;o atualizados com menor  freq&uuml;&ecirc;ncia. Enquanto ativistas experientes e dedicados assumiram o  desafio em prol da cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de solidariedade  global articulada pelos/as rebeldes, a visibilidade dos  neozapatistas tamb&eacute;m vem de um flerte quase er&oacute;tico entre os/as  rebeldes (geralmente atrav&eacute;s de Marcos) e &iacute;cones pop e tamb&eacute;m  figuras conhecidas de uma cultura liter&aacute;ria mais elitizada.     <P>O perigo das causas apoiadas e transformadas em modismos por celebridades da cultura pop, artistas e  escritores/as n&atilde;o era desconhecido <font face="Symbol" size="2">¾</font> nos anos de 1980 e  1990 campanhas pop a favor do uso de artefatos de p&ecirc;los  artificiais, ou da liberta&ccedil;&atilde;o do Tibete, ou de den&uacute;ncia da pena de  morte sentenciada a um prisioneiro inocente podiam ser vistas,  por espectadores/as j&aacute; um pouco insensibilizados/as, como  uma s&eacute;rie de produtos oferecidos no mercado pela m&iacute;dia do  tipo 'Clube da Causa do M&ecirc;s', que se tornou v&iacute;tima  das excentricidades e superficialidades da moda. Com  maior visibilidade na m&iacute;dia pop, surge, ent&atilde;o, a vulnerabilidade,  j&aacute; que uma causa digna torna-se moda ultrapassada e outra  mais 'quente'. Essas causas, sem importar qu&atilde;o justas  ou merecedoras de nosso apoio, tamb&eacute;m se tornam v&iacute;timas  de nossa 'fadiga de compaix&atilde;o' se elas n&atilde;o nos oferecem  uma fonte inovadora de espet&aacute;culo.     <P>A narrativa de hipertexto global de solidariedade  e cr&iacute;tica aos/&agrave;s rebeldes de Chiapas foi inspirada pelo  apelo neozapatista de &quot;!<I>No nos dejen  solos</I>!&quot; ap&oacute;s os primeiros dias de conflito armado em janeiro de 1994 e de retalia&ccedil;&atilde;o e  t&aacute;ticas antiinsurrei&ccedil;&atilde;o por parte dos militares. O slogan da  Conven&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica Nacional do EZLN <font face="Symbol" size="2">¾</font>  &quot;<I>Para nosotros nada, para todos, todo</I>&quot; <font face="Symbol" size="2">¾</font> suplicou-nos que acab&aacute;ssemos com  aquela 'fadiga de compaix&atilde;o' atrav&eacute;s do argumento de que todas  as causas s&atilde;o somente uma causa, e que, de algum  modo desconcertante, os &iacute;ndios mascarados carregando  AK-47, foices, ou apenas usando suas vozes, est&atilde;o lutando por  n&oacute;s, seres desesperan&ccedil;ados/as, e n&atilde;o o contr&aacute;rio, n&oacute;s por  eles/elas. De certa forma nasce uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre o  Chiapas virtual e o Chiapas real. A id&eacute;ia lan&ccedil;ada em comunicado  ap&oacute;s comunicado, testemunho ap&oacute;s testemunho, &eacute; que sem  o ciberzapatismo as comunidades neozapatistas 'desaparecer&atilde;o', como tantos outros/as rebeldes invis&iacute;veis  ao longo da hist&oacute;ria <font face="Symbol" size="2">¾</font> mas que, tamb&eacute;m, sem essas  comunidades ind&iacute;genas muitos de n&oacute;s jamais ter&iacute;amos visto aquele lugar  com o qual sonhamos diante do arco-&iacute;ris cibern&eacute;tico, aquele  espa&ccedil;o ut&oacute;pico hipertextual reservado para compartilharmos  'hist&oacute;rias espaciais' e construir modelos virtuais de intera&ccedil;&atilde;o humana.  A liga&ccedil;&atilde;o efetiva do material e do virtual &eacute; um modelo  que reconhecemos atrav&eacute;s da fic&ccedil;&atilde;o (cient&iacute;fica) e com o  qual sonhamos em nossa vida real. No espa&ccedil;o simbi&oacute;tico  de Chiapas, a morte do ciberzapatismo tamb&eacute;m  poder&aacute; literalmente significar a morte dos/das rebeldes na Zona  de Conflito ocupada pelo ex&eacute;rcito e  economicamente marginalizada. Essa rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica d&aacute; uma urg&ecirc;ncia  de 'vida real' ao &eacute;pico de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em busca  daquele elemento m&iacute;stico que d&aacute; vida &agrave;s &quot;de  dados&quot;.<SUP><a name="top29"></a><a href="#back29">29</a></SUP>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>N&atilde;o &eacute; nenhuma novidade a id&eacute;ia de que a preocupa&ccedil;&atilde;o    e a a&ccedil;&atilde;o globais em torno de qualquer movimento social ou quest&atilde;o    de direitos humanos dependem de como o assunto &eacute; 'mantido vivo' e promovido    pela m&iacute;dia. Ao final dos anos 1990 e nos primeiros anos do s&eacute;culo    XXI, por&eacute;m, a rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre resist&ecirc;ncia    virtual por meio da tecnologia cibern&eacute;tica (com suas crescentes conex&otilde;es    com v&aacute;rios tipos de m&iacute;dia) e a presen&ccedil;a f&iacute;sica de    militantes de movimentos sociais tornou-se ainda mais pronunciada. No espa&ccedil;o    discursivo de Chiapas, com a resson&acirc;ncia do apelo &quot;<I>no nos dejen    solos</I>&quot;, vemos que a resist&ecirc;ncia virtual pela circula&ccedil;&atilde;o    de lutas atrav&eacute;s de textos multim&iacute;dia inspira e fortalece os ativistas    desse movimento fisicamente engajados na resist&ecirc;ncia, assim como esses    ativistas inspiram e fortalecem a resist&ecirc;ncia virtual. Os guerrilheiros    virtuais que manipulam a m&iacute;dia t&ecirc;m dado f&ocirc;lego ao movimento    rebelde na Zona de Conflito em momentos em que maiores ajudas pareciam f&uacute;teis,    e a resist&ecirc;ncia dos/das rebeldes, do mesmo modo, alimentou o movimento    virtual em &eacute;pocas em que a aten&ccedil;&atilde;o mundial se voltava para    outros lugares. Resta-nos ver como &eacute; que essa vulner&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o    simbi&oacute;tica atuar&aacute; nos pr&oacute;ximos anos.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">Processando os dados (mutantes) </font>     <P>Os/as rebeldes s&atilde;o acusados de n&atilde;o possuir  ideologia por se recusarem a formar um partido pol&iacute;tico de  vanguarda. Por outro lado, a 'sociedade civil' mexicana e global  &eacute; encorajada a fazer articula&ccedil;&otilde;es, consultar e formar  alian&ccedil;as atrav&eacute;s das fronteiras de etnia, classe, g&ecirc;nero e  geopol&iacute;tica seguindo o modelo comunit&aacute;rio de  <I>consulta</I> (ampla e democr&aacute;tica) dos processos decis&oacute;rios dos/das rebeldes  ao n&iacute;vel local. Para a confus&atilde;o de muitas pessoas de direita e  de esquerda, n&atilde;o se promoveu uma narrativa totalizante  de identidade nacional ou global. A fraqueza apontada na  falta de uma vis&atilde;o totalizadora tornou-se uma das maiores  for&ccedil;as de apelo do fen&ocirc;meno neozapatista, j&aacute; que os/as  rebeldes adquirem capital simb&oacute;lico atrav&eacute;s da circula&ccedil;&atilde;o de  textos tradicionais e eletr&ocirc;nicos. A for&ccedil;a da rebeli&atilde;o neozapatista,  um movimento social dif&iacute;cil de definir por causa de seu  duplo par&acirc;metro material/virtual e de suas liga&ccedil;&otilde;es com  outros movimentos, encontra-se no crescimento e evolu&ccedil;&atilde;o do  espa&ccedil;o discursivo de Chiapas, em vez de situar-se no resultado  exato da 'Revolu&ccedil;&atilde;o'. A 'revolu&ccedil;&atilde;o' tem ocorrido no processo  de cria&ccedil;&atilde;o e leitura da narrativa aberta em hipertexto  dessa resist&ecirc;ncia. Entretanto, esse espa&ccedil;o, de conscientiza&ccedil;&atilde;o  social e de constru&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, depara-se com um futuro  incerto, tal como ocorre com as comunidades ind&iacute;genas  aut&ocirc;nomas em Chiapas, as quais instigaram sua cria&ccedil;&atilde;o.      <P>A vulnerabilidade dos movimentos sociais nutridos  pela m&iacute;dia, que mencionei anteriormente, &eacute; algo que se  pode observar recentemente em muitos esfor&ccedil;os  organizacionais transnacionais em torno de quest&otilde;es comuns no  passado recente. Margaret Keck e Kathryn Sikkink observam que  tal organiza&ccedil;&atilde;o transnacional &eacute; &agrave;s vezes mais eficaz em  alguns momentos que em outros, dependendo do vigor dos nodos  da rede e da efic&aacute;cia das conex&otilde;es entre eles. Entretanto,  tais redes s&atilde;o, por defini&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o estagnadas, e, quando  as atividades se desaceleram ou deixam de existir em torno  de uma quest&atilde;o espec&iacute;fica, uma boa parte da rede pode  ser remodelada e reutilizada quando uma quest&atilde;o nova  ou relacionada come&ccedil;a a circular. Podemos ver que o poder  da evolu&ccedil;&atilde;o das narrativas hipertextuais do ciborgue,  articulando quest&otilde;es locais e globais, tem se tornado mais evidente  nos &uacute;ltimos tempos. A evolu&ccedil;&atilde;o/muta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o discursivo  em torno do neozapatismo e do conflito de Chiapas est&aacute;  provando ser uma li&ccedil;&atilde;o eficaz em termos de ativismo social no  contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o. O processo de ligar o local ao global no  Ciber-Chiapas vem inspirando uma nova gera&ccedil;&atilde;o de ativistas e  re-inspirando uma gera&ccedil;&atilde;o mais idosa. Ofere&ccedil;o dois  exemplos de testemunho pessoal, em que me vejo instru&iacute;da por  meus/minhas pr&oacute;prios/as alunos/as quanto ao significado  do fen&ocirc;meno Chiapas em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de cria&ccedil;&atilde;o  de movimentos que transgridem fronteiras. Um de meus alunos  de gradua&ccedil;&atilde;o expressou uma sofisticada conex&atilde;o entre  seu apre&ccedil;o pelo modelo neozapatista de constru&ccedil;&atilde;o de  coaliz&atilde;o inclusiva na 'sociedade civil' e sua experi&ecirc;ncia  como ambientalista gay numa comunidade rural do Pac&iacute;fico  Noroeste dos Estados Unidos, onde cresceu. Essa comunidade  era composta de lenhadores sem poder cujas crian&ccedil;as  buscavam adquirir poder atrav&eacute;s de filia&ccedil;&atilde;o a grupos extremistas  de direita.     <P>Outra aluna voltou do agora infame protesto em  Seattle contra a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Com&eacute;rcio depois de  passar uma noite hospitalizada devido ao espancamento e a tiros  de bala de borracha recebidos da pol&iacute;cia quando fazia parte  de uma corrente humana pac&iacute;fica em volta do pr&eacute;dio onde  se reunia a OMC. Pouco antes de partir para o protesto em  Seattle, ela participara de uma sess&atilde;o de debates no campus sobre  a crise em Chiapas em que tentou explicar sua inspira&ccedil;&atilde;o  para a&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas. Afirmou que obtivera essa  inspira&ccedil;&atilde;o ao conversar com delegadas das comunidades zapatistas  que conhecera durante uma confer&ecirc;ncia sobre  globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em Washignton, D. C., alguns meses antes.  Em Seattle, onde entrela&ccedil;ou os bra&ccedil;os com  desconhecidos representantes de grupos de 'interesses especiais'  variados (lenhadores, ambientalistas, sindicalistas, feministas,  advogados de direitos da crian&ccedil;a, grupos religiosos, etc.), ela se  lembrou da insist&ecirc;ncia das mulheres maias de que a for&ccedil;a do  seu movimento apoiava-se no 'processo por si pr&oacute;prio' e n&atilde;o  em qualquer objetivo predeterminado.     <P>A for&ccedil;a desse processo tamb&eacute;m foi demonstrada  pela presen&ccedil;a maci&ccedil;a de pessoas reunidas nos com&iacute;cios de  apoio e pelas boas-vindas aos/&agrave;s rebeldes neozapatistas  que marcharam at&eacute; a Cidade do M&eacute;xico, apesar do fato de que  o M&eacute;xico elegera uma administra&ccedil;&atilde;o de direita v&aacute;rios  meses antes. Com o seu avan&ccedil;o, a f&eacute; neozapatista na sabedoria  da sociedade civil mexicana (e global) ainda poder&aacute;  provar-se correta. Afinal, o poder das narrativas hipertextuais e  suas m&uacute;ltiplas e criativas veredas de conex&atilde;o global e local,  material e virtual, n&atilde;o poder&aacute; ser melhor ilustrado do que por meio  desse tipo de catalisador de uma massiva forma&ccedil;&atilde;o de  coaliz&otilde;es pr&oacute;-resist&ecirc;ncia que temos visto, recentemente, coalescer  em protestos de enormes propor&ccedil;&otilde;es.     <P>As contradi&ccedil;&otilde;es que encontramos nas narrativas hipertextuais,    como aquelas que minha aluna descobriu em circula&ccedil;&atilde;o na coaliz&atilde;o    sociopol&iacute;tica em Seattle, s&atilde;o sintomas dos 'acoplamentos radicais'    que determinam a natureza 'ciborgue' de tais espa&ccedil;os discursivos. As    contradi&ccedil;&otilde;es no hipertexto em que o Ciborgue Zapatista navega    <font face="Symbol" size="2">¾</font> como, por exemplo, as tens&otilde;es entre    autonomia ind&iacute;gena e hibridismo cultural <font face="Symbol" size="2">¾</font>    ocorrem n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o de narrativas    contestadoras a uma nova narrativa mestra global, mas, sim, da dupla afirma&ccedil;&atilde;o    e transgress&atilde;o de limites e fronteiras. Tais tens&otilde;es merecem mais    an&aacute;lises profundas no futuro do que recebem neste estudo. O uso da met&aacute;fora    do hipertexto reafirma a id&eacute;ia de analisarmos os movimentos sociais e    identidades nacionais ou &eacute;tnicas como textos (epop&eacute;ia, teatro,    narrativa, espet&aacute;culo, etc., conceitos esses utilizados como met&aacute;foras    &uacute;teis em minha pesquisa), ao mesmo tempo que reafirma a id&eacute;ia    de transgredirmos as fronteiras entre os g&ecirc;neros com o objetivo de abordar    a natureza h&iacute;brida dos espa&ccedil;os discursivos multim&iacute;dia estruturados    e mediados por tecnologias emergentes. O hipertexto tanto transgride como reafirma    as fronteiras entre ator/atriz e espectadores/as, escritor/a e leitor/a, ser    humano e m&aacute;quina. A rela&ccedil;&atilde;o entre teatro de resist&ecirc;ncia    material na Zona (f&iacute;sica) de Conflito e o crescimento do Ciber-Chiapas    proporciona um exemplo da natureza hipertextual dos movimentos sociais transnacionais    contempor&acirc;neos enraizados em condi&ccedil;&otilde;es locais espec&iacute;ficas.    A luta de Chiapas nos deixar&aacute; o legado de um novo processo de tecedura    de teias digitais com resist&ecirc;ncia material. Meu modelo de an&aacute;lise    do espa&ccedil;o discursivo de Chiapas e dos deslocamentos e re-localiza&ccedil;&otilde;es    que nele ocorrem &eacute; aqui apresentado com a esperan&ccedil;a de que ser&aacute;    relevante &agrave;s investiga&ccedil;&otilde;es de outros movimentos de resist&ecirc;ncia    local ou global que, sem d&uacute;vida, continuar&atilde;o a ser emoldurados    e instilados por tecnologia cibern&eacute;tica de maneiras cada vez mais sofisticadas.    Tanto nas an&aacute;lises de hipertextos como nas narrativas hipertextuais,    o meu fim poder&aacute; ser o seu princ&iacute;pio.     <P>&nbsp;     <P align="left"><font size="4">Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>ACCI&Oacute;N ZAPATISTA. <I>Zapatistas in Cyberspace. A Guide to Analysis and    Resources</I>, 27 August 1999. &lt;<a href="http://www.eco.utexas.edu/%7Ehmcleave/zapsincyber.html">www.eco.utexas.edu/~hmcleave/zapsincyber.html</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0104-026X200200010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>ACTLAB. 'Capitana Irma', <I>Zapnet: Zapatista Net of Autonomy and Liberation</I>.    8 June 1999.&lt;<a href="http://www.actlab.utexas.edu/%7Ezapatistas/movies.html">www.actlab.utexas.edu/~zapatistas/movies.html</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0104-026X200200010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>BALSAMO, Anne. &quot;Forms of Technological Embodiment:  Reading the Body in Contemporary Culture&quot;. In: FEATHERSTONE,  Mike and BURROWS, Roger (eds).  <I>Cyberspace/Cyberbodies/Cyberpunk. Cultures of Technological  Embodiment</I>. London: Sage Publications, 1995. p. 215-238.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0104-026X200200010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>BOOKCHIN, Murray. <I>Re-enchanting Humanity. A Defense of  the Human Spirit Against Antihumanism, Misanthropy,  Mysticism, and Primitivism</I>. London: Cassell Academic, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0104-026X200200010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>CHIAPAS MEDIA PROJECT. March 1999. Home page. 8 June 1999. &lt;<a href="http://www.chiapasmedia.org/">www.chiapasmedia.org/</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0104-026X200200010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>COLLIER, George. <I>Basta! Land and the Zapatista Rebellion  in Chiapas</I>. Oakland, California: Institute for Food  and Development Policy, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0104-026X200200010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>ESCUELAS PARA CHIAPAS/SCHOOLS FOR CHIAPAS/CHANOBJUNETIK TA CHIAPAS. Home page.    29 August 1999. &lt;<a href="http://www.igc.org/mexicopeace/">www.igc.org/mexicopeace/</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0104-026X200200010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>GRUSSING, Sarah. <I>The Virtual Poetics of Resistance in  Chiapas</I>. 2000.  Tese (Doutoramento em Literatura e  Ling&uuml;&iacute;stica Hispana e Luso-Brasileira) <font face="Symbol" size="2">¾</font> Universidade de  Minnesota, Estados Unidos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0104-026X200200010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>HARAWAY, Donna. &quot;A Cyborg Manifesto: Science,  Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century&quot;.  In: <I>Simians, Cyborgs, and Women: The Reinvention of  Nature</I>. New York: Routledge, 1991. p. 149-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0104-026X200200010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>KECK, Margaret, and SIKKINK, Kathryn. <I>Activists Beyond  Borders: Advocacy Networks in International  Politics</I>. Ithaca: Cornell University Press, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0104-026X200200010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>KROKER, Arthur, and WEINSTEIN, Michael. A.. <I>Data Trash:  The Theory of the Virtual Class</I>. New York: St. Martin's Press, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0104-026X200200010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>MEJ&Iacute;A MADRID, Fabrizio. &quot;Memoria personal de la  insurrecci&oacute;n.&quot; <I>La Jornada  Semanal</I>. 3 enero 1999, p.11. &lt;serpientes.dgsca.unam.mx/jornada/1999/ene99/990103 /sem-mejia.html&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0104-026X200200010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>NATIONAL COMMISSION FOR DEMOCRACY IN MEXICO. Home page. 1 August 1999. &lt;<a href="http://www.igc.org/ncdm">www.igc.org/ncdm</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0104-026X200200010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>PASTORS FOR PEACE. <I>Chiapas Organizing Index</I>. 29 August 1999. &lt;<a href="http://www.ifconews.org/chorgndx.html">www.ifconews.org/chorgndx.html</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0104-026X200200010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>WILD, Nettie (producer). <I>A Place Called  Chiapas</I>. Canada: Wild, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0104-026X200200010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>PLANT, Sadie. &quot;The Future Looms: Weaving Women  and Cybernetics.&quot; In: FEATHERSTONE, Mike,  and BURROWS,  Roger (eds). <I>Cyberspace/Cyberbodies/Cyberpunk. Cultures  of Technological Embodiment</I>. London: Sage  Publications, 1995. p. 45-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0104-026X200200010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>RODRIGUEZ, Cecilia. &quot;Cecilia Rodriguez's Statement on her Rape in Chiapas    (3 November 1995).&quot; 29 August 1999. <I>Chiapas95 archive</I>. &lt;<a href="http://www.eco.utexas.edu/%7Earchive/chiapas95/1995/1995.11/msg00386.html">www.eco.utexas.edu/~archive/chiapas95/1995/1995.11/msg00386.html</a>&gt;.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0104-026X200200010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>MART&Iacute;NEZ, Carlos (producer). <I>The Victims of the War In Chiapas</I>.    Cloudforest Initiatives, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0104-026X200200010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;     <P align="right">[Recebido em julho de 2001 e aceito para publica&ccedil;&atilde;o    em novembro de 2001]     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="right">&nbsp;     <P align="right">&nbsp;     <P><I>The Zapatista Cyborg: Weaving a Virtual Poetics of Resistance in Cyber-Chiapas</I>    <br>   <B>Abstract: </b>The global circulation of Neo-Zapatistas and non-Indigenous    solidarity activists as symbols of resistance in cyberspace between 1994 and    2001 suggests the need for new ways to read social movements in the digital    age. A feminist reading of the dual local/global characteristics of the discursive    space surrounding the Maya rebellion in Chiapas both affirms and contests prevalent    postmodern theories about the relationship between the human body and cybernetic    technologies. This hybrid space both transgresses and affirms borders between    actor and audience, writer and reader, human and machine. The relationship between    the theater of material resistance in the physical Conflict Zone and the growth    of virtual resistance in Cyber-Chiapas illustrates the 'cyborg' material/technological    nature of the Chiapas rebellion.     <br>   <B>Keywords:</B> Zapatista, Chiapas, Mexico, Internet, feminism, social movements.     <P>&nbsp;     <P align="right">Tradu&ccedil;&atilde;o de Regina Borges e D&aacute;rio Borim    Jr.    <br>   Revis&atilde;o de Claudia de Lima Costa     <P>&nbsp;     <P>&nbsp;      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><SUP><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a></SUP> Uma vers&atilde;o preliminar    mais reduzida deste trabalho foi publicada na edi&ccedil;&atilde;o de outono1999    do boletim <I>Feministas Unidas</I> sob o t&iacute;tulo &quot;Virtual Voices,    Electronic Bodies: Women and the Poetics of Resistance in Cyber-Chiapas&quot;.        <br>   <SUP><a name="back2"></a><a href="#top2">2</a></SUP> Ver Sarah GRUSSING, 2000.        <br>   <a name="back3"></a><SUP><a href="#top3">3</a></SUP> Sadie PLANT, 1995, p. 45.        <br>   <a name="back4"></a><SUP><a href="#top4">4</a></SUP> Um formato tradicional    de impress&atilde;o n&atilde;o possui o alcance ilustrativo de um documento    multim&iacute;dia de hipertexto eletr&ocirc;nico, e por essa raz&atilde;o convido    os/as leitores/as a visitar alguns dos <I>websites</I> dedicados &agrave; conscientiza&ccedil;&atilde;o    sobre a crise em Chiapas. Um bom ponto de partida &eacute; a extensa bibliografia    de <I>links</I> da Acci&oacute;n Zapatista, no <I>Zapatistas in Cyberspace:    An Annotated Guide to Resources and Analysis.</I>     <br>   <a name="back5"></a><SUP><a href="#top5">5</a></SUP> &quot;O conflito armado    em Chiapas &eacute; uma guerra de tinta, de palavra escrita, uma guerra na Internet.    Chiapas, anote por favor, &eacute; um lugar onde n&atilde;o houve um disparo    nos &uacute;ltimos 15 meses. Os disparos duraram dez dias, e desde ent&atilde;o    a guerra tem sido uma guerra da palavra escrita, uma guerra pela Internet&quot;    (um byte sonoro freq&uuml;entemente citado de um discurso proferido em 25 de    abril de 1995 por Jos&eacute; Angel Gurria, ent&atilde;o secret&aacute;rio de    Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do M&eacute;xico, no World Trade Center).        <br>   <a name="back6"></a><SUP><a href="#top6">6</a></SUP> Para mais detalhes sobre    a id&eacute;ia de Chiapas como uma col&ocirc;nia interna, sobre a hist&oacute;ria    de lutas pela conscientiza&ccedil;&atilde;o e sobre a sofisticada organiza&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica na d&eacute;cada de 1970 entre as comunidades de <I>campesinos</I>,    ver George COLLIER, 1994.     <br>   <a name="back7"></a><SUP><a href="#top7">7</a></SUP> Arturo Sanabria, representante    do M&eacute;xico junto &agrave; ONG Gesti&oacute;n de Servicios de Salud, em    confer&ecirc;ncia proferida no Frente del Norte, uma organiza&ccedil;&atilde;o    de solidariedade aos zapatistas sediada em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos.        <br>   <a name="back8"></a><SUP><a href="#top8">8</a></SUP> Ver, por exemplo, Rosa    Rojas, <I>Chiapas: &#191;y las mujeres qu&eacute;?,</I> originalmente publicado    em dois volumes em espanhol, no M&eacute;xico, por La Correa Feminista, e agora    dispon&iacute;vel <I>on line</I> em ingl&ecirc;s. Ver tamb&eacute;m o filme    <I>Zapatista Women</I> (de Guadalupe Miranda e Mar&iacute;a Ines Roque, 1995,    com t&iacute;tulo em espanhol <I>Las compa&ntilde;eras tienen grado</I>), de    grande circula&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio da crise.     <br>   <a name="back9"></a><SUP><a href="#top9">9</a></SUP> Arthur KROKER e Michael    WEINSTEIN, 1994.     <BR>   <SUP><a name="back10"></a><a href="#top10">10</a></SUP> KROKER e WEINSTEIN,    1994.     ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>   <SUP><a name="back11"></a><a href="#top11">11</a></SUP> Anne BALSAMO, 1995,    p. 219-220.     <br>   <a name="back12"></a><SUP><a href="#top12">12</a></SUP> Ver, por exemplo, a    reprodu&ccedil;&atilde;o da foto de <I>La Jornada</I> na p&aacute;gina Pastors    for Peace Chiapas Organizing Information.     <br>   <a name="back13"></a><SUP><a href="#top13">13</a></SUP> ACTLAB, 1999.     <br>   <a name="back14"></a><SUP><a href="#top14">14</a></SUP> Como conseq&uuml;&ecirc;ncia    do massacre de dezembro, 1997, em Acteal, volunt&aacute;rios junto &agrave;    Organiza&ccedil;&atilde;o Chiapas Schools trabalhavam na constru&ccedil;&atilde;o    da primeira escola secund&aacute;ria em territ&oacute;rio rebelde e fizeram    cinco horas de filmagem 'em tempo real' de um confronto, em uma vila desarmada,    entre mulheres e crian&ccedil;as e as tropas federais <font face="Symbol" size="2">¾</font>    estas em n&uacute;mero infinitamente superior &agrave;quele dos habitantes da    comunidade. Embora n&atilde;o tenha sido oficialmente 'publicado', esse v&iacute;deo    circulou na sua impressionante forma original (sem cortes) atrav&eacute;s da    rede de solidariedade no M&eacute;xico e nos Estados Unidos. Pude v&ecirc;-lo    em mar&ccedil;o de 1998. Outra ONG, Cloudforest Initiatives, patrocinou a produ&ccedil;&atilde;o    de um v&iacute;deo sobre o massacre em Acteal e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias,    intitulado <I>Victims of the War in Chiapas</I>. As cenas foram tomadas por    artistas de v&iacute;deo locais. Muitas d&uacute;zias de projetos similares    t&ecirc;m circulado imagens de corpos em confronto com as linhas militares e    com a viol&ecirc;ncia paramilitar.     <br>   <a name="back15"></a><SUP><a href="#top15">15</a></SUP> Todo o projeto de <I>web</I>    interativa est&aacute; dispon&iacute;vel em formato CD-ROM e no <I>site</I>    &lt;<a href="http://www.actlab.utexas.edu:80/%7Ezapatistas/rev.html">www.actlab.utexas.edu:80/~zapatistas/rev.html</a>&gt;        <br>   <a name="back16"></a><SUP><a href="#top16">16</a></SUP> CHIAPAS MEDIA PROJECT,    1999.     <br>   <a name="back17"></a><SUP><a href="#top17">17</a></SUP> BALSAMO, 1995, p. 215.        <br>   <a name="back18"></a><SUP><a href="#top18">18</a></SUP> O artigo de Donna HARAWAY,    publicado em portugu&ecirc;s como &quot;Um manifesto para os cyborgs: ci&ecirc;ncia,    tecnologia e feminismo socialista na d&eacute;cada de 80&quot;. In: HOLLANDA,    Helo&iacute;sa Buarque de (Org.). <I>Tend&ecirc;ncias e impasses: o feminismo    como cr&iacute;tica da cultura</I>. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 243 -288    (N. R.).    <br>   <a name="back19"></a><SUP><a href="#top19">19</a></SUP> Por exemplo, ver o arquivo    de artigos, descri&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de protesto, etc.    em torno do caso da reportagem do <I>Chase Manhattan Bank</I> (1995), apelando    para que o governo mexicano &quot;eliminas-se&quot; os zapatistas para a prote&ccedil;&atilde;o    de investimentos estrangeiros no M&eacute;xico. Est&aacute; dispon&iacute;vel    no arquivo <I>Chiapas95</I> no endere&ccedil;o: &lt;gopher://mundo.eco.utexas.edu:70/1m/mailing/chiapas95.archive/chase&gt;        <br>   <a name="back20"></a><SUP><a href="#top20">20</a></SUP> HARAWAY, 1991, p. 149.        ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back21"></a><SUP><a href="#top21">21</a></SUP> F&aacute;bricas que    exploram m&atilde;o-de-obra barata e ilegal nas zonas de fronteira entre Estados    Unidos e M&eacute;xico (N.T.).     <br>   <a name="back22"></a><SUP><a href="#top22">22</a></SUP> HARAWAY, 1991, p. 150.        <br>   <a name="back23"></a><SUP><a href="#top23">23</a></SUP> O r&oacute;tulo &quot;<I>transgresores    de la ley</I>&quot; foi primeiro atribu&iacute;do aos/&agrave;s rebeldes pelo    ex-presidente do M&eacute;xico, Salinas, em 5 de janeiro de 1994, durante uma    confer&ecirc;ncia coletiva. Esse r&oacute;tulo &eacute; geralmente usado em    refer&ecirc;ncias governamentais ao EZLN e tamb&eacute;m foi apropriado para    vantagens ret&oacute;ricas pelos/as pr&oacute;prios/as rebeldes.     <br>   <a name="back24"></a><SUP><a href="#top24">24</a></SUP> HARAWAY, 1991, p. 181.        <br>   <a name="back25"></a><SUP><a href="#top25">25</a></SUP> KROKER e WEINSTEIN,    1994, p. 8.     <br>   <a name="back26"></a><SUP><a href="#top26">26</a></SUP> HARAWAY, 1991, p. 170.        <br>   <a name="back27"></a><SUP><a href="#top27">27</a></SUP> <I>Chiapas Press Room    Special Coverage</I>: &lt;<a href="http://www.presidencia.gab.mx/welcome/chiapas/chiapas.htm">www.presidencia.gab.mx/welcome/chiapas/chiapas.htm</a>&gt;.        <br>   <a name="back28"></a><SUP><a href="#top28">28</a></SUP> Termo usado por Murray    BOOKCHIN, 1996.     <br>   <a name="back29"></a><SUP><a href="#top29">29</a></SUP> Nasci nos anos 1960    nos Estados Unidos e escrevo de um lugar com o privil&eacute;gio (&agrave;s    vezes question&aacute;vel) de acesso a programas <I>Star Trek</I> para televis&atilde;o,    romances de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e filmes ciberpunks de Hollywood.    Enquanto que minhas narrativas mestras ciberpunks possam se diferenciar daqueles/as    que l&ecirc;em de outros lugares, a globaliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia    e da tecnocultura faz com que muitas das nossas hist&oacute;rias espaciais compartilhem    das mesmas narrativas globais, com apenas pequenas varia&ccedil;&otilde;es locais.    Compartilhar 'leituras' radicais dessas hist&oacute;rias espaciais sob perspectivas    locais poderia ser um poderoso instrumento de resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica    e social. Entretanto, aqui escolho passar por cima de algumas representa&ccedil;&otilde;es    question&aacute;veis de ra&ccedil;a e g&ecirc;nero nessas fic&ccedil;&otilde;es,    de modo a explorar algumas met&aacute;foras b&aacute;sicas que ilustrar&atilde;o    nosso modelo de 'tecedura' cibern&eacute;tica social radical. Nas formas de    vida simbi&oacute;tica de fic&ccedil;&atilde;o cibern&eacute;tica, tal como    o personagem alien&iacute;gena (no corpo 'h&oacute;spede' de uma mulher bela)    no popular programa de televis&atilde;o americano <I>Star Trek: Deep Space Nine</I>,    a fus&atilde;o codependente de duas distintas entidades vivas juntas define    uma exist&ecirc;ncia que, se separada, n&atilde;o pode sobreviver. O Seven-of-Nine    da <I>Star Trek Voyager</I> tamb&eacute;m n&atilde;o pode viver sem seus implantes    <I>Borg</I>, que lhe d&atilde;o habilidades superiores para processar informa&ccedil;&atilde;o    e ainda para formar uma identidade de 'colm&eacute;ia' com outros indiv&iacute;duos.    No recente megas-sucesso de Hollywood, <I>The Matrix</I>, o ferimento ou morte    virtual de rebeldes nas suas batalhas em espa&ccedil;o cibern&eacute;tico causa    sangramento f&iacute;sico ou morte de corpos recostados. E, obviamente, o personagem    andr&oacute;ide Data do <I>Star Trek: The Next Generation</I> &eacute; a figura    m&aacute;xima de ciborgue como m&aacute;quina em busca de sua pr&oacute;pria    humanidade.       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>ACCIÓN ZAPATISTA</collab>
<source><![CDATA[Zapatistas in Cyberspace: A Guide to Analysis and Resources]]></source>
<year>27 A</year>
<month>ug</month>
<day>us</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<collab>ACTLAB</collab>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Capitana Irma]]></article-title>
<source><![CDATA[Zapnet: Zapatista Net of Autonomy and Liberation]]></source>
<year>8 Ju</year>
<month>ne</month>
<day> 1</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BALSAMO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Anne]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Forms of Technological Embodiment: Reading the Body in Contemporary Culture]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[FEATHERSTONE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mike]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BURROWS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roger]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cyberspace/Cyberbodies/Cyberpunk: Cultures of Technological Embodiment]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>215-238</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOOKCHIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Murray]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Re-enchanting Humanity: A Defense of the Human Spirit Against Antihumanism, Misanthropy, Mysticism, and Primitivism]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cassell Academic]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[CHIAPAS MEDIA PROJECT: March 1999. Home page]]></source>
<year>8 Ju</year>
<month>ne</month>
<day> 1</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COLLIER]]></surname>
<given-names><![CDATA[George]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Basta!: Land and the Zapatista Rebellion in Chiapas]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oakland^eCalifornia California]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Institute for Food and Development Policy]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[ESCUELAS PARA CHIAPAS/SCHOOLS FOR CHIAPAS/CHANOBJUNETIK TA CHIAPAS: Home page. 29 August 1999]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GRUSSING]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sarah]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Virtual Poetics of Resistance in Chiapas]]></source>
<year>2000</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HARAWAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Donna]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century]]></article-title>
<source><![CDATA[Simians, Cyborgs, and Women: The Reinvention of Nature]]></source>
<year>1991</year>
<page-range>149-182</page-range><publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KECK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Margaret]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SIKKINK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kathryn]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Activists Beyond Borders: Advocacy Networks in International Politics]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Ithaca ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cornell University]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KROKER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Arthur]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[WEINSTEIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Data Trash: The Theory of the Virtual Class]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[St. Martin's]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MEJÍA MADRID]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fabrizio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Memoria personal de la insurrección]]></article-title>
<source><![CDATA[La Jornada Semanal]]></source>
<year>3 en</year>
<month>er</month>
<day>o </day>
<page-range>11</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[NATIONAL COMMISSION FOR DEMOCRACY IN MEXICO: Home page]]></source>
<year>1 Au</year>
<month>gu</month>
<day>st</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>PASTORS FOR PEACE</collab>
<source><![CDATA[Chiapas Organizing Index]]></source>
<year>29 A</year>
<month>ug</month>
<day>us</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WILD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nettie]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Place Called Chiapas]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-name><![CDATA[Wild]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PLANT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sadie]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Future Looms: Weaving Women and Cybernetics]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[FEATHERSTONE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mike]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BURROWS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roger]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cyberspace/Cyberbodies/Cyberpunk: Cultures of Technological Embodiment]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>45-64</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUEZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cecilia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cecilia Rodriguez's Statement on her Rape in Chiapas: 3 November 1995]]></source>
<year>29 A</year>
<month>ug</month>
<day>us</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARTÍNEZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Victims of the War In Chiapas]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-name><![CDATA[Cloudforest Initiatives]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
