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<journal-title><![CDATA[Revista de Sociologia e Política]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Universidade Federal do Paraná]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do nacional-desenvolvimentismo ao neoliberalismo: o Partido Republicano, o Estado nacional e os impostos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From national-developmentalism to neoliberalism: the Republican Party, the national State and taxation]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[De la politique de développement national au néolibéralisme: le Parti Républicain, l'Etat national et les impôts]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present paper seeks an understanding of the ideology of the Republican Party of the United States of America with respect to the State, through its ideas and position regarding the way the State is financed: the taxation of United States citizens. For this purpose, we have looked at the history of the Republican Party and made a case study of the tax cuts implemented by President George Bush during his first mandate (2001-2004), asking what they were, who they benefitted and what kind of impact they had on the financing of United States state machinery. We analyze the ideological reasons for these cuts and how they reflect the current Republican position on the State, contextualizing and contrasting this position with those that were adopted and defended by the Party at the time of its founding and over the course of its history. We discover than the history of the Republican Party can be divided into two ideological phases: the first one, which runs from its founding in 1854 through the mid 1920s in which the State is seen as inducing economic development and maintaining national unity and the second, which brings us up to the present, in which the State gradually cedes its role in inciting the economy to one in which individual freedom should prevail and in which the State is increasingly seen as an obstacle which should be eliminated.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Le travail qui suit cherche à comprendre l'idéologie du Parti Républicain des Etats-Unis de l'Amérique par rapport à l'Etat à partir de ses idées et positionnement autour de la manière dont cet Etat est financé : les impôts des citoyens américains. Pour cela, une étude historique du Parti Républicain a été faite, ainsi comme une étude de cas des réductions d'impôts réalisés par le président George W. Bush pendant son premier mandat (2001-2004): en quoi elles consistent, à qui elles bénéficient et quels sont leurs impacts sur le financement public américain. Les raisons idéologiques des réductions et comment elles reflètent la position actuelle des républicains par rapport à l'Etat ont été analysées, en contextualisant et contrastant celle-là avec les positions soutenues et adoptées par le Parti au moment de sa fondation et au long de son histoire. Nous découvrons que l'histoire du Parti Républicain peut être divisée en deux phases idéologiques : la première, depuis sa fondation en 1854 jusqu'aux années 1920, où l'Etat est vu comme un inducteur du développement économique et préservarteur de l'unité nationale ; et la deuxième, toujours actuelle, où l'Etat cède progressivement sa place d'inducteur économique à la liberté individuelle, et est considéré de plus en plus comme un obstacle à être éliminé.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Partido Republicano]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do nacional-desenvolvimentismo ao neoliberalismo: o Partido Republicano, o Estado nacional e os impostos </font></b></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><font size="3">From  national-developmentalism to neoliberalism: the Republican Party, the national  State and taxation</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De la politique de d&eacute;veloppement national au n&eacute;olib&eacute;ralisme:  le Parti R&eacute;publicain, l'Etat national et les imp&ocirc;ts </font></b></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Clayton Mendon&ccedil;a Cunha Filho </b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>RESUMO </B></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente trabalho busca entender a ideologia do Partido Republicano dos Estados Unidos com rela&ccedil;&atilde;o ao Estado a partir de suas ideias e posicionamentos acerca do modo pelo qual esse Estado &eacute; financiado: a tributa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os estadunidenses. Para tanto, foi feito um estudo hist&oacute;rico do Partido Republicano e um estudo de caso dos cortes de impostos levados a cabo pelo presidente George W. Bush em seu primeiro mandato (2001-2004): em que consistem, a quem beneficiam e quais seus impactos no financiamento da m&aacute;quina p&uacute;blica estadunidense. Foram analisadas as raz&otilde;es ideol&oacute;gicas dos cortes e como as mesmas refletem a posi&ccedil;&atilde;o atual dos republicanos em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado, contextualizando e contrastando a mesma com as posi&ccedil;&otilde;es defendidas e adotadas pelo Partido em sua funda&ccedil;&atilde;o e ao longo de sua hist&oacute;ria. Descobrimos que a hist&oacute;ria do Partido Republicano pode ser dividida em duas fases ideol&oacute;gicas: a primeira, que vai de sua funda&ccedil;&atilde;o em 1854 at&eacute; meados dos anos 1920, em que o Estado &eacute; visto como indutor do desenvolvimento econ&ocirc;mico e mantenedor da unidade nacional; e a segunda, que chega at&eacute; os dias de hoje, em que o Estado cede progressivamente o lugar de indutor econ&ocirc;mico &agrave; liberdade individual e passa a ser visto cada vez mais como um obst&aacute;culo a ser eliminado. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>Palavra-chave:</B> Partido Republicano; impostos; Estado; ideologia. </font></P> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>ABSTRACT</B></font></p>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The present paper seeks an understanding of the ideology of the Republican Party of the United States of America with respect to the State, through its ideas and position regarding the way the State is financed: the taxation of United States citizens. For this purpose, we have looked at the history of the Republican Party and made a case study of the tax cuts implemented by President George Bush during his first mandate (2001-2004), asking what they were, who they benefitted and what kind of impact they had on the financing of United States state machinery. We analyze the ideological reasons for these cuts and how they reflect the current Republican position on the State, contextualizing and contrasting this position with those that were adopted and defended by the Party at the time of its founding and over the course of its history. We discover than the history of the Republican Party can be divided into two ideological phases: the first one, which runs from its founding in 1854 through the mid 1920s in which the State is seen as inducing economic development and maintaining national unity and the second, which brings us up to the present, in which the State gradually cedes its role in inciting the economy to one in which individual freedom should prevail and in which the State is increasingly seen as an obstacle which should be eliminated. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Republican Party; Taxes; State; Ideology. </font></P> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUM&Eacute;</B></b></b></font></p>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Le travail qui suit cherche &agrave; comprendre l'id&eacute;ologie du Parti R&eacute;publicain des Etats-Unis de l'Am&eacute;rique par rapport &agrave; l'Etat &agrave; partir de ses id&eacute;es et positionnement autour de la mani&egrave;re dont cet Etat est financ&eacute; : les imp&ocirc;ts des citoyens am&eacute;ricains. Pour cela, une &eacute;tude historique du Parti R&eacute;publicain a &eacute;t&eacute; faite, ainsi comme une &eacute;tude de cas des r&eacute;ductions d'imp&ocirc;ts r&eacute;alis&eacute;s par le pr&eacute;sident George W. Bush pendant son premier mandat (2001-2004): en quoi elles consistent, &agrave; qui elles b&eacute;n&eacute;ficient et quels sont leurs impacts sur le financement public am&eacute;ricain. Les raisons id&eacute;ologiques des r&eacute;ductions et comment elles refl&egrave;tent la position actuelle des r&eacute;publicains par rapport &agrave; l'Etat ont &eacute;t&eacute; analys&eacute;es, en contextualisant et contrastant celle-l&agrave; avec les positions soutenues et adopt&eacute;es par le Parti au moment de sa fondation et au long de son histoire. Nous d&eacute;couvrons que l'histoire du Parti R&eacute;publicain peut &ecirc;tre divis&eacute;e en deux phases id&eacute;ologiques : la premi&egrave;re, depuis sa fondation en 1854 jusqu'aux ann&eacute;es 1920, o&ugrave; l'Etat est vu comme un inducteur du d&eacute;veloppement &eacute;conomique et pr&eacute;servarteur de l'unit&eacute; nationale ; et la deuxi&egrave;me, toujours actuelle, o&ugrave; l'Etat c&egrave;de progressivement sa place d'inducteur &eacute;conomique &agrave; la libert&eacute; individuelle, et est consid&eacute;r&eacute; de plus en plus comme un obstacle &agrave; &ecirc;tre &eacute;limin&eacute;. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mots-cl&eacute;s:</b> Parti R&eacute;publicain ; imp&ocirc;ts ; Etat ; id&eacute;ologie. </font></P> <hr size="1" noshade>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">I. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio do senso comum que trata a pol&iacute;tica estadunidense e seus partidos como n&atilde;o ideol&oacute;gicos e centristas, estudos diversos t&ecirc;m mostrado a possibilidade e a necessidade de entender-se e analisar seus partidos pol&iacute;ticos como ideologicamente orientados. Keith Poole e Howard Rosenthal (1997), por exemplo, mostram por meio da an&aacute;lise de vota&ccedil;&otilde;es no Congresso como os sistemas partid&aacute;rios estadunidenses sempre (salvo em alguns per&iacute;odos excepcionais de realinhamento) diferenciam-se e polarizam ao longo de linhas pol&iacute;ticas claras. John Gerring, por sua vez, afirma que "o n&uacute;cleo da defini&ccedil;&atilde;o do conceito &#91;de ideologia&#93; consiste em tr&ecirc;s atributos interligados &#150; <I>coer&ecirc;ncia, diferencia&ccedil;&atilde;o </I>e <I>estabilidade</I>"<a id="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> (GERRING, 2001, p. 6; grifos no </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">original) e mostra, analisando os programas pol&iacute;ticos dos candidatos a Presidente dos Estados Unidos (EUA), como tais atributos podem ser observados nos partidos, orientados por temas centrais que os diferenciam desde pelo menos as pol&ecirc;micas em torno da elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo da constata&ccedil;&atilde;o de que o sistema partid&aacute;rio dos EUA &eacute; de fato ideologicamente estruturado, este artigo busca mapear as ra&iacute;zes ideol&oacute;gicas que embasam a vis&atilde;o contempor&acirc;nea do Partido Republicano com rela&ccedil;&atilde;o ao Estado a partir de sua posi&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; fonte de financiamento da m&aacute;quina estatal: a tributa&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fundado em 1854 por elementos t&atilde;o distintos quanto abolicionistas radicais, socialistas ut&oacute;picos, vegetarianos, abst&ecirc;mios e dissidentes dos ent&atilde;o dois partidos dominantes (Whig e Democrata), o Partido Republicano teve como importante catalisador a pol&ecirc;mica levantada pela aprova&ccedil;&atilde;o da Lei Kansas-Nebraska em 30 de </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">maio de 1854 (BINKLEY, 1961; POOLE &amp; ROSENTHAL, 1997; GOULD, 2003). A lei, que criava os dois territ&oacute;rios com esses nomes e anulava na pr&aacute;tica os Acordos de Missouri<a id="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a> que restringiam a escravid&atilde;o ao Sul do pa&iacute;s, acirrou os &acirc;nimos de uma na&ccedil;&atilde;o j&aacute; bastante dividida social e territorialmente pela exist&ecirc;ncia (ou aus&ecirc;ncia) da "institui&ccedil;&atilde;o peculiar", como era conhecida a escravid&atilde;o nos Estados Unidos. Abolicionistas radicais eram minoria dentro do partido e na sociedade como um todo mesmo no Norte, onde a posi&ccedil;&atilde;o prevalecente sobre o tema era de que a escravid&atilde;o deveria simplesmente ser contida ao Sul e n&atilde;o poderia espalhar-se para os novos territ&oacute;rios, e a posi&ccedil;&atilde;o do Partido Republicano sobre o tema em sua primeira vit&oacute;ria presidencial nas elei&ccedil;&otilde;es de 1860 foi um tanto quanto amb&iacute;gua, ao assegurar que n&atilde;o interferiria com a escravid&atilde;o no Sul, mas que a condi&ccedil;&atilde;o natural dos Estados Unidos era a liberdade (GOULD, 2003). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante o primeiro ano do governo de Abraham Lincoln, entretanto, veio a Guerra Civil e com ela a necessidade de obterem-se recursos para derrotar o Sul Confederado e preservar a Uni&atilde;o. Foram ent&atilde;o criadas tarifas protecionistas, um sistema banc&aacute;rio nacional e o primeiro imposto de renda do pa&iacute;s, fatos que fizeram que os Democratas durante anos criticassem o Partido Republicano como o partido dos altos impostos e do "governo grande" (<I>idem</I>). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, desde ent&atilde;o a quest&atilde;o do tamanho do Estado, seu papel e os impostos que o financiam sempre ocuparam destaque no programa do Partido Republicano, embora a vis&atilde;o do partido sobre tais temas tenha mudado bastante desde ent&atilde;o. Apesar de nunca ter sido f&atilde; de impostos <I>per se</I>, o Partido Republicano teve uma primeira fase em que via a a&ccedil;&atilde;o do governo como necess&aacute;ria ao desenvolvimento econ&ocirc;mico e nacional e encarava a quest&atilde;o tribut&aacute;ria como algo necess&aacute;rio &agrave; sustenta&ccedil;&atilde;o desse governo, herdeiro ideol&oacute;gico que de certa forma era dos defensores de um Estado centralizado antes representados </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">no Partido Whig e, antes desse, nos Federalistas. &Agrave; &eacute;poca, a maior fonte de receitas do governo americano vinha das tarifas sobre importa&ccedil;&atilde;o de produtos, tema recorrente nas campanhas republicanas e que, al&eacute;m de prover o governo com recursos, foi crucial na prote&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da nascente ind&uacute;stria nacional do pa&iacute;s e na aproxima&ccedil;&atilde;o dos grandes capitalistas com o partido. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa fase duraria at&eacute; o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, quando o Partido Republicano passaria a mostrarse cada vez mais c&eacute;tico e desconfiado dos efeitos da interven&ccedil;&atilde;o estatal e cada vez mais hostil &agrave; tributa&ccedil;&atilde;o. De fato, o Partido Republicano, especialmente ap&oacute;s o <I>New Deal</I>, criticaria cada vez mais o crescimento do governo e sua interfer&ecirc;ncia na economia e na vida dos cidad&atilde;os, acusando os advers&aacute;rios democratas de estatismo e socialismo e assumindo as bandeiras dos direitos dos estados frente ao crescente poder da Uni&atilde;o, da defesa das liberdades individuais frente &agrave; tirania do Estado e, em especial ap&oacute;s Reagan na d&eacute;cada de 1980, do corte de impostos como forma de incentivar a economia. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">II. DE LINCOLN A W. BUSH: UMA BREVE HIST&Oacute;RIA DO PARTIDO REPUBLICANO </font></b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de ser muitas vezes chamado de <I>Grand Old Party </I>(algo como "Bom e Velho Partido", em portugu&ecirc;s) ou simplesmente GOP, o Partido Republicano &eacute; na verdade o mais jovem dos dois partidos dominantes nos EUA hoje, sendo 26 anos mais jovem que o Partido Democrata<a id="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a> . Entretanto, suas ra&iacute;zes ideol&oacute;gicas s&atilde;o mais antigas que a funda&ccedil;&atilde;o do partido em si e remontam principalmente ao Partido Whig (GERRING, 2001), com o qual chegou a coexistir por um breve per&iacute;odo e de quem herdou importantes quadros, como o pr&oacute;prio Abraham Lincoln, e o n&uacute;cleo ideol&oacute;gico que o orientaria durante sua primeira fase. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entender a r&aacute;pida ascens&atilde;o desse partido, formado em 1854 e com seu primeiro candidato presidencial vitorioso j&aacute; em 1860, requer a compreens&atilde;o do conturbado contexto hist&oacute;rico em que se deu a sua forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o inicial. Os Estados Unidos eram ent&atilde;o uma na&ccedil;&atilde;o ainda predominantemente rural e agr&iacute;cola onde os primeiros sinais de industrializa&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o apenas come&ccedil;avam a manifestar-se. Apesar do bom momento econ&ocirc;mico vivido, com grandes influxos de investimento brit&acirc;nico e descoberta de ouro no estado da Calif&oacute;rnia, as tens&otilde;es sociais acirravam-se. Por um lado, o crescente n&uacute;mero de novos imigrantes cat&oacute;licos, principalmente irlandeses, mas tamb&eacute;m muitos alem&atilde;es, gerava desconfian&ccedil;a por parte da maioria protestante local. Por outro, a quest&atilde;o n&atilde;o resolvida da escravid&atilde;o amea&ccedil;ava freq&uuml;entemente voltar ao foco das discuss&otilde;es e literalmente dividia o pa&iacute;s entre Norte e Sul. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O t&ecirc;nue equil&iacute;brio acerca da quest&atilde;o mantinhase sobre as bases dos Acordos do Missouri de 1820 e dos Acordos de 1850, que estabeleciam a proibi&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o acima de uma linha imagin&aacute;ria estabelecida em 36º30' de latitude, mas a fragilidade dessa "harmonia" era clara. Quando em 1854 a Lei Kansas-Nebraska foi aprovada, criando os dois territ&oacute;rios (e futuros estados) com esses nomes e revogando os Acordos do Missouri a fim de que as popula&ccedil;&otilde;es de ambos os territ&oacute;rios (situados acima do paralelo 36º30') decidissem sobre a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o da escravid&atilde;o, a fr&aacute;gil paz social entre Sul e Norte estava definitivamente quebrada e provocaria fortes impactos na vida pol&iacute;tico-partid&aacute;ria nacional (POOLE &amp; ROSENTHAL, 1997; GOULD, 2003). Dissidentes dos partidos Whig e Democrata, ent&atilde;o dominantes, uniram-se ao Partido do Solo Livre e criaram, na esteira do descontentamento nortista acerca da expans&atilde;o escravista nos territ&oacute;rios, o Partido Republicano, que venceria as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1860 com Abraham Lincoln. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s a vit&oacute;ria de Lincoln, os estados do Sul declararam a secess&atilde;o da Uni&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o dos Estados Confederados da Am&eacute;rica e seguiu-se o </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">in&iacute;cio da Guerra Civil, que duraria at&eacute; 1865 com a rendi&ccedil;&atilde;o do General Robert Lee na batalha de Appomattox. "Para os republicanos a experi&ecirc;ncia do conflito transformou seu partido &#91;...&#93;. Para vencer a guerra &#91;...&#93; expandiram o poder do governo nacional na esfera econ&ocirc;mica &#91;...&#93; al&eacute;m mesmo do que os Whigs tinham imaginado" (GOULD, 2003, p. 29). Al&eacute;m da total execu&ccedil;&atilde;o da agenda antiescravid&atilde;o republicana, que no esfor&ccedil;o de guerra chegou a ir al&eacute;m dos objetivos iniciais abolindo a escravid&atilde;o em todo o pa&iacute;s e garantindo alguns direitos civis aos negros libertos, foram criados um sistema banc&aacute;rio nacional, o primeiro imposto de renda da hist&oacute;ria dos EUA (que duraria at&eacute; 1872), um sistema de distribui&ccedil;&atilde;o de terras p&uacute;blicas no Oeste e foram iniciadas as obras de constru&ccedil;&atilde;o da Ferrovia do Pac&iacute;fico. As ind&uacute;strias de vestu&aacute;rio, processamento de comida e ferrovias desenvolveram-se para atender &agrave;s demandas da guerra e o Partido Republicano come&ccedil;ou a identificar-se cada vez mais com os grandes empres&aacute;rios e industriais do Norte e Meio-Oeste e a ser identificado pela popula&ccedil;&atilde;o como tendo sido capaz de promover o desenvolvimento econ&ocirc;mico mesmo em meio a uma sangrenta guerra. Por outro lado, passou a ser acusado pelos advers&aacute;rios democratas de ser o partido do "governo grande" e dos altos impostos. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o fim da Guerra Civil, tiveram in&iacute;cio as pol&iacute;ticas da "Reconstru&ccedil;&atilde;o", termo usado para referir-se tanto ao per&iacute;odo posterior &agrave; Guerra Civil durante o qual os ex-estados Confederados foram readmitidos &agrave; Uni&atilde;o quanto ao processo pol&iacute;tico por meio do qual tal readmiss&atilde;o deu-se. Este incluiu a indica&ccedil;&atilde;o pela Uni&atilde;o de governadores militares aos estados do Sul e a exig&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as nas constitui&ccedil;&otilde;es e leis estaduais e da ratifica&ccedil;&atilde;o das 13ª, 14ª e 15ª emendas &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que respectivamente aboliam a escravid&atilde;o, garantiam cidadania a todos os estadunidenses natos ou naturalizados e o reconhecimento das d&iacute;vidas de guerra da Uni&atilde;o e rep&uacute;dio das d&iacute;vidas dos Confederados, e proibiam a suspens&atilde;o do direito ao voto baseado em cor, ra&ccedil;a ou condi&ccedil;&atilde;o anterior de servid&atilde;o, entre outras medidas. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais pol&iacute;ticas duraram at&eacute; a conturbada elei&ccedil;&atilde;o do republicano Rutherford B. Hayes em 1876, marcadas por den&uacute;ncias de fraude dos dois lados. Hayes s&oacute; foi empossado ap&oacute;s acordo entre republicanos e democratas (cuja principal base de apoio encontrava-se no Sul derrotado) que terminava com a "Reconstru&ccedil;&atilde;o". E com a sa&iacute;da do tema da agenda pol&iacute;tica republicana, destacouse o nacionalismo econ&ocirc;mico do partido, com sua cren&ccedil;a em uma na&ccedil;&atilde;o social e economicamente harm&ocirc;nica cujo governo deveria utilizar seus poderes a fim de "distribuir terras p&uacute;blicas, promover a expans&atilde;o de ferrovias e outros empreendimentos e encorajar o crescimento da ind&uacute;stria atrav&eacute;s de impostos alfandeg&aacute;rios a bens importados" (<I>idem</I>, p. 84). A aplica&ccedil;&atilde;o de tais taxas alfandeg&aacute;rias ou da "tarifa", como era mais conhecida essa heran&ccedil;a ideol&oacute;gica do antigo Partido Whig, converteu-se na maior bandeira capaz de gerar consenso no partido em oposi&ccedil;&atilde;o aos democratas durante o per&iacute;odo final do s&eacute;culo XIX conhecido como <I>Golded Age </I>("Era Dourada"). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse per&iacute;odo, apesar da continuidade republicana na Casa Branca interrompida apenas por dois mandatos do democrata Grover Cleveland (1885-1889 e depois 1893-1897), foi marcado por um grande equil&iacute;brio pol&iacute;tico gra&ccedil;as ao dom&iacute;nio democrata nos estados do Sul, onde a participa&ccedil;&atilde;o republicana era praticamente inexistente. Isso tornou as vit&oacute;rias do partido no poder Executivo bastante apertadas e garantia um virtual empate no poder Legislativo, em que nenhum dos partidos tinha dom&iacute;nio suficiente para impor de maneira sistem&aacute;tica sua agenda pol&iacute;tica. Tamb&eacute;m foi marcado pela continuidade dos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, pela utiliza&ccedil;&atilde;o de esc&acirc;ndalos pessoais como tema de campanhas eleitorais, pela ascens&atilde;o de grandes industriais como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e James J. Hill e a consolida&ccedil;&atilde;o da aproxima&ccedil;&atilde;o desse setor social com o partido, em grande parte gra&ccedil;as &agrave; posi&ccedil;&atilde;o dos republicanos, favor&aacute;vel &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de uma tarifa de importa&ccedil;&otilde;es elevada que, ao proteger o mercado interno da competi&ccedil;&atilde;o estrangeira, favorecia a consolida&ccedil;&atilde;o de grandes ind&uacute;strias e corpora&ccedil;&otilde;es nacionais. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa aproxima&ccedil;&atilde;o dos republicanos com os grandes industriais e a pr&oacute;pria quest&atilde;o da tarifa eram motivo de cr&iacute;ticas dos democratas, que a acusavam (com certa raz&atilde;o em alguns casos) de encarecer os pre&ccedil;os de alguns produtos importados aos consumidores e de ser uma mera retribui&ccedil;&atilde;o dos republicanos aos industriais que os financiavam. Al&eacute;m disso, suspeitosos de um governo federal forte, os democratas criticavam </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o "excesso" de arrecada&ccedil;&atilde;o do governo pela tarifa externa, &agrave; &eacute;poca a principal fonte de receitas do governo dos Estados Unidos. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O equil&iacute;brio pol&iacute;tico da "Era Dourada" seria quebrado, em favor dos republicanos, nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1894, durante o segundo governo Cleveland. Em seu segundo mandato, o democrata enfrentou uma severa recess&atilde;o econ&ocirc;mica que a ortodoxia democrata de n&atilde;o a&ccedil;&atilde;o governamental impedia de superar e os republicanos logo capitalizaram o descontentamento popular a seu favor, argumentando que os democratas haviam causado a recess&atilde;o e que o aumento da tarifa de importa&ccedil;&atilde;o poderia reverter a situa&ccedil;&atilde;o e trazer novamente bons tempos econ&ocirc;micos. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s tomar o controle do poder Legislativo em 1894, chegou a vez de retomar o poder Executivo em 1896 com William McKinley em um governo que ficou marcado pela pol&iacute;tica externa imperialista da guerra com a Espanha pela independ&ecirc;ncia de Cuba e da anexa&ccedil;&atilde;o das Filipinas. No plano interno, afirma&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica monet&aacute;ria de moeda forte baseada no padr&atilde;oouro e novo aumento de tarifas de importa&ccedil;&atilde;o de bens industrializados seguindo a cartilha republicana, mas dessa vez contendo na mesma lei a autoriza&ccedil;&atilde;o para que o Presidente negociasse tratados de livre-com&eacute;rcio com outras na&ccedil;&otilde;es. A tenacidade com que McKinley tentou estabelecer esses tratados representou os primeiros movimentos de heterodoxia com rela&ccedil;&atilde;o ao tema da tarifa desde que ela cristalizara-se na ideologia republicana. Esse era um per&iacute;odo em que corpora&ccedil;&otilde;es cresciam aceleradamente e iam absorvendo outras corpora&ccedil;&otilde;es menores formando monop&oacute;lios, altamente criticados pelos democratas que os apontavam como filhos diretos da prote&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria. O Presidente sabia que a quest&atilde;o da tarifa deixava o partido vulner&aacute;vel &agrave;s cr&iacute;ticas democratas e tentou utilizar o artif&iacute;cio dos tratados de livre-com&eacute;rcio para neutralizar a quest&atilde;o sem ter que desmontar o sistema protecionista t&atilde;o caro aos republicanos. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a morte do Vice-Presidente por problemas card&iacute;acos em 1899, o Partido Republicano teve de selecionar um novo vice para concorrer com McKinley nas elei&ccedil;&otilde;es de 1900 e teve de render-se &agrave; extrema popularidade do ent&atilde;o Governador de Nova Iorque, Theodore Roosevelt, apesar da desconfian&ccedil;a de muitos (como McKinley) que o consideravam inconstante e temiam seu desinteresse por quest&otilde;es tarif&aacute;rias e empresariais. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando em setembro de 1901 o reeleito McKinley foi assassinado, Roosevelt assumiu a presid&ecirc;ncia e marcou, talvez, um dos momentos mais importantes da hist&oacute;ria do partido. Se at&eacute; ent&atilde;o os republicanos acreditavam na necessidade de o governo utilizar seus poderes para incentivar </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o crescimento econ&ocirc;mico, proteger o mercado interno e desenvolver obras p&uacute;blicas, intervir diretamente na regula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica ainda era um tabu. Com a forma&ccedil;&atilde;o de grandes monop&oacute;lios a partir da fus&atilde;o e aquisi&ccedil;&atilde;o de companhias no contexto da expans&atilde;o econ&ocirc;mica do fim do s&eacute;culo XIX e a acusa&ccedil;&atilde;o dos democratas de que o partido, intimamente ligado aos grandes neg&oacute;cios, era favor&aacute;vel a tais monop&oacute;lios, os republicanos chegaram a aprovar em 1890, durante a Presid&ecirc;ncia de Benjamin Harrison, uma lei antitruste, mas nunca a puseram em pr&aacute;tica. Com McKinley, especialmente entre o fim de seu primeiro mandato e seu assassinato, come&ccedil;arase a cogitar a&ccedil;&otilde;es contra os trustes t&atilde;o odiados pela sociedade, mas o Presidente n&atilde;o teve tempo de passar da ret&oacute;rica &agrave; a&ccedil;&atilde;o. Foi com Roosevelt que a lei foi pela primeira vez utilizada em 1902 contra a companhia Northern Securities<a id="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a> . </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m em 1902, Roosevelt interveio em uma greve de carvoeiros obtendo resultados considerados favor&aacute;veis aos trabalhadores, aumentando sua popularidade e a do partido junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e a desconfian&ccedil;a de muitos republicanos em rela&ccedil;&atilde;o a ele. J&aacute; em seu segundo mandato, o Presidente prosseguiria em dire&ccedil;&atilde;o a uma maior regula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Foram aprovadas em 1906 a Lei Hepburn, que dava &agrave; Comiss&atilde;o Interestadual de Com&eacute;rcio (ICC, na sigla em ingl&ecirc;s) um maior poder de fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre as companhias ferrovi&aacute;rias, e a Lei da Pureza </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">de Comidas e Rem&eacute;dios, que estabelecia procedimentos mais rigorosos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da qualidade de tais produtos ante os esc&acirc;ndalos sobre o processamento e venda de alimentos e rem&eacute;dios contaminados divulgados pela imprensa. Tamb&eacute;m datam do governo Roosevelt os primeiros esfor&ccedil;os de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e a proposi&ccedil;&atilde;o de um imposto federal sobre heran&ccedil;as (que n&atilde;o passou no Congresso). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Roosevelt acreditava que tais esfor&ccedil;os reformistas eram cruciais em face aos novos desafios de uma complexa sociedade crescentemente industrial e urbana que se n&atilde;o fossem enfrentados poderiam deixar margem a radicalismos e agita&ccedil;&otilde;es sociais, mas o Partido Republicano dividiu-se entre essa compreens&atilde;o e um conservadorismo cada vez maior de muitos membros que chegavam a odiar pessoalmente o Presidente. Muitas das leis e iniciativas aprovadas por Roosevelt encontravam forte resist&ecirc;ncia no Congresso, apesar do controle republicano sobre o mesmo. Como o Presidente j&aacute; havia anunciado desde sua campanha pela reelei&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o concorreria a um novo mandato em 1908<a id="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a> , as alas conservadora e progressista do Partido Republicano buscavam assegurar um candidato mais afinado com suas ideias, mas a personalidade forte de Roosevelt e a popularidade de que gozava acabaram centralizando nele a escolha do nome, que indicaria seu Secret&aacute;rio de Guerra, William Taft. Ambas as fac&ccedil;&otilde;es, progressistas e conservadores, lutavam internamente pelo controle do partido e pela influ&ecirc;ncia sobre o novo mandato facilmente conquistado por Taft gra&ccedil;as &agrave; imensa popularidade com que Roosevelt deixava governo.</font></P >     <P ><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante seu governo, entretanto, apesar de em alguns aspectos, como o combate aos monop&oacute;lios, o novo Presidente algumas vezes at&eacute; exceder Roosevelt, na maioria das vezes (como nas pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental, em sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; entrada do estado de Arizona na Uni&atilde;o por possuir uma constitui&ccedil;&atilde;o estadual "progressista demais" ou a pr&oacute;pria ret&oacute;rica utilizada em seus pronunciamentos) ele aproximava-se mais dos conservadores. Isso e v&aacute;rios outros problemas de ordem pessoal colocaram Taft em rota de colis&atilde;o com seu antigo padrinho pol&iacute;tico e levariam a um racha republicano que devolveria o governo aos democratas e selaria a virada ideol&oacute;gica do partido. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Roosevelt tentou a indica&ccedil;&atilde;o na conven&ccedil;&atilde;o republicana para ser novamente candidato &agrave; Presid&ecirc;ncia em 1912, mas foi derrotado e lan&ccedil;ouse por um terceiro partido, dividindo os votos republicanos e permitindo a vit&oacute;ria do democrata Woodrow Wilson. Este, por sua vez, adotou em seu governo grande parte das bandeiras progressistas como a aprova&ccedil;&atilde;o de nova lei antitruste, redu&ccedil;&atilde;o de tarifas de importa&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de um Imposto de Renda e do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), expans&atilde;o do direito de voto &agrave;s mulheres e apoio a uma lei regulando o trabalho infantil. Isso levou os republicanos, na oposi&ccedil;&atilde;o, a adotar cada vez mais "uma postura conservadora acerca da regula&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios, o papel da taxa&ccedil;&atilde;o e o tamanho do governo" (<I>idem</I>, </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">p. 215) que nem mesmo o retorno de Roosevelt ao partido alguns anos depois p&ocirc;de reverter. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As elei&ccedil;&otilde;es congressuais de 1918, em que o partido retomou o controle do Congresso frente a umWilsonj&aacute; desgastadopelos efeitos da entrada estadunidense na I Guerra Mundial, marcaram essa primeira consolida&ccedil;&atilde;o conservadora do partido, que ganharia novos impulsos mais tarde ao longo do s&eacute;culo XX. Quando em 1920 os republicanos retomaram tamb&eacute;m a Casa Branca com Warren </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">G. Harding e iniciaram um novo e longo per&iacute;odo de hegemonia, que duraria at&eacute; a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e a recess&atilde;o que se seguiu, seu novo posicionamento ideol&oacute;gico &agrave; direita dos democratas j&aacute; estava bastante claro. Esse novo per&iacute;odo de hegemonia republicana marca-se pelo conservadorismo fiscal e pela cren&ccedil;a em um governo limitado em tamanho e alcance cuja ortodoxia marcaria o colapso do partido quando da severa recess&atilde;o do final da d&eacute;cada de 1920 e in&iacute;cio da de 1930, do mesmo modo que acontecera aos democratas durante o segundo governo Grover Cleveland. Sob a Presid&ecirc;ncia de Calvin Coolidge foram aprovados expressivos cortes de impostos em 1926, no que pode ser entendido como um sinal da nova cren&ccedil;a partid&aacute;ria em um governo limitado, com menos receitas, menos despesas e menos atribui&ccedil;&otilde;es, que faria escola no ide&aacute;rio partid&aacute;rio durante o decorrer do s&eacute;culo. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a recess&atilde;o chegou, j&aacute; sob o governo de Herbert Hoover, a nova ortodoxia partid&aacute;ria n&atilde;o contribu&iacute;a em nada para a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas, como n&atilde;o contribu&iacute;ra aos democratas nos anos de 1890 e permitiu a vit&oacute;ria do democrata Franklin Delano Roosevelt em 1932. O novo Presidente continuou a migra&ccedil;&atilde;o do Partido Democrata rumo &agrave; esquerda iniciada com Wilson e ampliou ainda mais o alcance e a presen&ccedil;a do Estado na sociedade. Consolidou o Estado de Bem-Estar Social estadunidense com seu <I>New Deal </I>(Novo Pacto), que inclu&iacute;a medidas como a cria&ccedil;&atilde;o da Seguridade Social, leis que reconheciam o poder de negocia&ccedil;&atilde;o dos sindicatos, a Lei de Propriedade de Companhias de Utilidade P&uacute;blica e a regula&ccedil;&atilde;o de bancos com a Lei Banc&aacute;ria de 1935. Para financiar todo esse novo ativismo estatal, F. D. Roosevelt aumentou o imposto de renda sobre os mais ricos, al&eacute;m dos impostos sobre heran&ccedil;as e transfer&ecirc;ncias. Os republicanos acusavam Roosevelt de subverter a natureza do sistema pol&iacute;tico estadunidense e querer implantar </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o socialismo, mas dividiam-se profundamente em rela&ccedil;&atilde;o a que rumos e estrat&eacute;gias adotar gra&ccedil;as &agrave; popularidade de que gozavam o Presidente e seu programa. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pela metade da d&eacute;cada de 1930, o conservadorismo prevalecia como a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dominante do partido em assuntos dom&eacute;sticos. Republicanos "liberais" estavam dispostos a aceitar alguns aspectos do <I>New Deal </I>por motivos eleitorais. Os moderados eram menos entusiastas dessa estrat&eacute;gia, mas a aceitariam sempre que ela aparentasse chances de vit&oacute;ria. Conservadores, que representavam a maioria do partido, acreditavam que o <I>New Deal </I>representava uma mudan&ccedil;a revolucion&aacute;ria nos valores americanos que deveria ser repelida quando o partido recuperasse o poder. A f&eacute; no poder nacional que tinha sido o cora&ccedil;&atilde;o do pensamento republicano desde o meio do s&eacute;culo XIX fora agora substitu&iacute;da por um crescente comprometimento com os direitos estaduais, governo menor e um poder Executivo limitado (<I>idem</I>, p. 276). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os republicanos somente retornariam &agrave; Casa Branca com a vit&oacute;ria do general Dwight Eisenhower em 1952, mas sua vit&oacute;ria, antes de acalmar a base cada vez mais conservadora, mostrou o quanto o partido continuava dividido. Apesar de pessoalmente um conservador em quest&otilde;es sociais e defensor de um governo austero, Eisenhower reconhecia a import&acirc;ncia que pol&iacute;ticas como a Seguridade Social haviam adquirido e sabia que seria suic&iacute;dio pol&iacute;tico desmont&aacute;-las. Al&eacute;m disso, Eisenhower acreditava n&atilde;o serem necess&aacute;rios tantos investimentos militares e buscou entendimentos com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica para acordos de redu&ccedil;&atilde;o e controle de armamentos. Ele acreditava que o Partido Republicano deveria reciclar-se e encarar o fato de que muitas das mudan&ccedil;as trazidas pelo <I>New Deal </I>tinham vindo para ficar, mas seus esfor&ccedil;os para remodelar o partido, como Franklin Roosevelt fizera com os democratas, estavam j&aacute; fadados ao fracasso gra&ccedil;as &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o da 22ª Emenda ap&oacute;s a II Guerra Mundial, que proibia uma terceira candidatura presidencial. Com a certeza de que Eisenhower sairia de cena em 1960, a base conservadora podia simplesmente ignorar as tentativas de mudan&ccedil;a partid&aacute;ria promovidas pelo Presidente e sua influ&ecirc;ncia sobre o partido era cada vez menor. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1960, o Vice-Presidente e candidato &agrave; Presid&ecirc;ncia Richard Nixon perderia a disputa para </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o democrata John Kennedy em uma elei&ccedil;&atilde;o t&atilde;o apertada que deixaria os republicanos com a certeza de que voltariam em 1964. O assassinato de Kennedy em 22 de novembro de 1963, entretanto, acabou mudando os progn&oacute;sticos. Lyndon Johnson, o Vice-Presidente de Kennedy, assumiu a Presid&ecirc;ncia e tornou-se o favorito no contexto da como&ccedil;&atilde;o pelo assassinato do Presidente. Concorreria com ele o Senador de Arizona e genu&iacute;no representante do conservadorismo republicano, Barry Goldwater. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente o partido escolhia como seu candidato algu&eacute;m bastante afinado com a ideologia partid&aacute;ria ap&oacute;s v&aacute;rios anos indicando candidatos moderados que, mesmo quando vitoriosos como no caso de Eisenhower, pareciam aos conservadores colocar os interesses acima dos princ&iacute;pios, ao defender e poupar programas governamentais populares, mas estranhos ao novo credo republicano em governos limitados, direitos estaduais e baixos impostos. Goldwater, mesmo tendo perdido por margens humilhantes as elei&ccedil;&otilde;es para Johnson em 1964, marca um ponto de virada na consolida&ccedil;&atilde;o do poder dos conservadores sobre a m&aacute;quina partid&aacute;ria (BRENNAN, 1995; GOULD 2003). (Voltarei ao tema na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o do texto.) </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da Presid&ecirc;ncia de Johnson e seus efeitos no Partido Republicano, destaca-se seu empenho na aprova&ccedil;&atilde;o de leis para a garantia dos direitos civis de negros e latinos, seguindo a tend&ecirc;ncia cada vez mais forte dentro de seu partido, e que em m&eacute;dio prazo transformaria o Sul, antigo basti&atilde;o democrata desde a Guerra Civil, em dom&iacute;nio republicano (ver, por exemplo, Micklethwait e Wooldridge (2004)).  Johnson tinha consci&ecirc;ncia dos efeitos da lei de direitos civis sobre a antiga base de apoio democrata no racista Sul dos EUA e profeticamente diria quando da aprova&ccedil;&atilde;o da lei: "Eu acho que acabamos de entregar o Sul ao Partido Republicano por um bom tempo" (Johnson <I>apud </I>GOULD, 2003, p. 363). Goldwater, que no Senado opusera-se &agrave; lei por consider&aacute;la inconstitucional ao ferir os direitos dos estados, ganharia a elei&ccedil;&atilde;o de 1964 em apenas seis estados: seu Arizona natal e cinco outros no Sul, iniciando a tend&ecirc;ncia de migra&ccedil;&atilde;o sulista para a base republicana que s&oacute; aumentaria nos anos seguintes. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando 1966 e as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de meiomandato chegaram, Johnson e os democratas encontravam-se j&aacute; bastante desgastados com a forte tens&atilde;o social levantada com a aprova&ccedil;&atilde;o das leis de direitos civis dos anos anteriores e os republicanos, sob lemas de ordem social, conseguiram capitalizar o descontentamento popular e obtiveram ganhos expressivos no Congresso e nos governos estaduais, incluindo a Calif&oacute;rnia comRonald Reagan. O "ressurgimento" republicano de 1966 renovou o &acirc;nimo do partido com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es gerais de 1968, quando Nixon surgiria como o mais forte candidato. Do lado democrata, a ren&uacute;ncia de Johnson a uma nova candidatura frente ao desgaste de seu governo pelos fracassos no Vietn&atilde; e &agrave; forte tens&atilde;o racial e a posterior aus&ecirc;ncia de consenso partid&aacute;rio e de um nome forte para a disputa colocavam Nixon como favorito. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No governo, Nixon revelar-se-ia muito mais pr&oacute;ximo do centro do Partido Republicano que dos conservadores mais radicais, mas o fato de que desde sua campanha pela nomea&ccedil;&atilde;o na conven&ccedil;&atilde;o republicana Nixon buscou apresentar-se como mais conservador do que realmente era mostra o controle partid&aacute;rio de que dispunha ent&atilde;o a ala mais conservadora dos republicanos (BRENNAN, 1995, p. 137). Com sua ren&uacute;ncia em 1974, em meio ao esc&acirc;ndalo do caso Watergate, assumiu a Presid&ecirc;ncia o republicano Gerald Ford, que perderia a reelei&ccedil;&atilde;o para o democrata Jimmy Carter em 1976; mas o breve triunfo eleitoral democrata n&atilde;o se sustentaria apesar da ilus&oacute;ria hegemonia proporcionada pelo controle simult&acirc;neo do Congresso e da Casa Branca. Uma economia desacelerada e um cen&aacute;rio externo turbulento (com a Revolu&ccedil;&atilde;o Iraniana de 1979 e o seq&uuml;estro de ref&eacute;ns da embaixada estadunidense em Teer&atilde;) proporcionaram ao Partido Republicano farta muni&ccedil;&atilde;o para cr&iacute;ticas, prometendo tanto a retomada do crescimento econ&ocirc;mico com menos impostos, quanto uma atitude mais dura na defesa dos interesses estadunidenses no mundo. A <I>d&eacute;b&acirc;cle </I>de Nixon com o caso Watergate provocou a marginaliza&ccedil;&atilde;o definitiva dos setores centristas no interior do Partido Republicano (BRENNAN, 1995; GOULD, 2003) e 1980 finalmente assistiria &agrave; candidatura presidencial de Ronald Reagan, t&atilde;o conservadora em ess&ecirc;ncia quanto a de Goldwater em 1964, mas muito mais carism&aacute;tica. O conservadorismo partid&aacute;rio enfim encontrava em Reagan seu campe&atilde;o definitivo, capaz de articular um conservadorismo ideol&oacute;gico com uma roupagem propositiva e atraente, no que suas habilidades como ator ajudavam-no enormemente. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Casa Branca, Reagan executou grande parte do programa que prometera, conduzindo massivos cortes de impostos em 1981 e elevando os gastos em defesa nacional. A teoria econ&ocirc;mica dominante em seu governo e no Partido Republicano era a chamada economia de oferta (<I>supply-side economics</I>), que defendia que um corte nas taxas de impostos levaria a um maior crescimento econ&ocirc;mico e conseq&uuml;entemente acabaria por elevar novamente as receitas governamentais, mesmo com as al&iacute;quotas mais baixas. Seus efeitos, entretanto, provocaram um <I>deficit </I>or&ccedil;ament&aacute;rio que obrigou o Presidente a elevar alguns impostos em 1982, de modo a equilibrar as contas p&uacute;blicas. Ao fim desse ano, a economia voltou a crescer e juntamente com a pol&iacute;tica externa agressiva de defesa dos interesses estadunidenses, com fortes cr&iacute;ticas &agrave; Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e a invas&atilde;o de Granada para depor um governo local de esquerda, aliados ao carisma pessoal de Reagan, garantiriam ao Presidente a popularidade necess&aacute;ria para vencer facilmente a reelei&ccedil;&atilde;o em 1984. Nem mesmo esc&acirc;ndalos em seu segundo mandato, como o caso Ir&atilde;-Contras, foram capazes de arranhar significativamente a popularidade do Presidente e Reagan seguiu com sua pol&iacute;tica de conservadorismo social e menos impostos, com uma reforma que simplificou a estrutura tribut&aacute;ria e baixou al&iacute;quotas em 1986, desregulamenta&ccedil;&atilde;o da economia, gastos maiores no setor de defesa e menos restri&ccedil;&otilde;es ambientais &agrave; pol&iacute;tica energ&eacute;tica. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1988, o Vice-Presidente de Reagan, George H. W. Bush, aparecia como principal favorito &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o como candidato republicano, contando com o apoio inclusive do pr&oacute;prio Presidente, mas seu hist&oacute;rico como centrista e suas cr&iacute;ticas &agrave; economia de oferta de Reagan na conven&ccedil;&atilde;o republicana de 1980 atra&iacute;am ainda muita desconfian&ccedil;a por parte de seus correligion&aacute;rios. Essa desconfian&ccedil;a seria inicialmente vencida na conven&ccedil;&atilde;o de 1988 com sua c&eacute;lebre frase de que "o Congresso me pressionar&aacute; para aumentar os impostos e eu direi n&atilde;o, e eles pressionar&atilde;o e eu direi n&atilde;o, e eles pressionar&atilde;o novamente e eu lhes direi: leiam meus l&aacute;bios. N&atilde;o haver&aacute; novos impostos" (Bush <I>apud </I>GOULD, 2003, p. 444). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal declara&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, ser-lhe-ia bastante custosa quando em 1990, j&aacute; eleito, Bush viu-se for&ccedil;ado a um acordo com a maioria democrata no Congresso acerca da lei or&ccedil;ament&aacute;ria do pr&oacute;ximo ano que aumentava a al&iacute;quota mais alta do imposto de renda de modo a diminuir o <I>deficit </I>herdado de Reagan. Como muitos do partido sempre haviam desconfiado do real grau de conservadorismo de Bush, sua aceita&ccedil;&atilde;o de um aumento de imposto, seja por que alega&ccedil;&atilde;o fosse, parecia &agrave; base uma trai&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios partid&aacute;rios republicanos e cerca de tr&ecirc;s quartos dos congressistas do partido na C&acirc;mara e no Senado votaram contra a lei or&ccedil;ament&aacute;ria, que s&oacute; foi aprovada gra&ccedil;as ao forte apoio democrata. Mesmo sem contar com grande apoio dentro de seu partido, George Bush conseguiu, a princ&iacute;pio, altos &iacute;ndices de popularidade com os seus &ecirc;xitos em pol&iacute;tica internacional, especialmente ap&oacute;s o fim da Guerra do Golfo, quando atingiu recordes hist&oacute;ricos de popularidade. A chegada de tempos econ&ocirc;micos dif&iacute;ceis, entretanto, com seus crescentes n&iacute;veis de desemprego e a aparente letargia do governo em lidar com tais problemas logo derrubaram os &iacute;ndices de avalia&ccedil;&atilde;o do Presidente e a reelei&ccedil;&atilde;o que parecera certa naufragou, com a tomada da Casa Branca pelo democrata Bill Clinton. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante os anos Clinton, nas elei&ccedil;&otilde;es congressuais de 1994, o Partido Republicano conseguiu recuperar o controle do Congresso (o que n&atilde;o acontecia havia mais de 40 anos) sob a lideran&ccedil;a de Newt Gingrich e com a promessa de um novo "Contrato com a Am&eacute;rica", em que menores impostos e menos regula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica ocupavam um papel central. Mas ao contr&aacute;rio de propiciar as bases para uma nova hegemonia republicana como o partido tanto desejava, esse dom&iacute;nio do Congresso pelo partido marcou um per&iacute;odo de disputa e por diversas vezes impasse entre a Casa Branca e o poder Legislativo, na qual os democratas acabaram levando a melhor. Muitos dos projetos aprovados pelos republicanos, incluindo alguns cortes de impostos, eram vetados seguidamente pelo Presidente e tentativas republicanas de utilizar sua maioria para obstruir os trabalhos do Congresso e pressionar Clinton acabaram sendo utilizadas por este contra o partido, que acabava desgastando-se perante a opini&atilde;o p&uacute;blica como uma oposi&ccedil;&atilde;o raivosa e que impedia o popular Presidente de governar. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao fim do segundo mandato de Clinton, os republicanos indicariam o governador do Texas, George W. Bush, contra o Vice-Presidente e candidato democrata Al Gore. Autodefinido em campanha como um "conservador com compaix&atilde;o", o filho mais velho do ex-Presidente republicano prometia cortes de impostos, recupera&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as militares nacionais e menos comprometimento internacional estadunidense (DONMOYER &amp; GLENN 1999; GOULD, 2003). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma campanha bastante acirrada, George </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">W. Bush perderia por mais de meio milh&atilde;o de votos populares, mas venceria nos votos eleitorais ap&oacute;s um complicado imbr&oacute;glio que lhe garantiu os decisivos votos da Fl&oacute;rida, governada por seu irm&atilde;o Jeb Bush, onde abundaram den&uacute;ncias de irregularidades. Assim, os republicanos iniciavam </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o s&eacute;culo XXI mais uma vez no controle da Casa Branca, mas a natureza das elei&ccedil;&otilde;es vencidas em 2000 explicitava a divis&atilde;o pol&iacute;tica da sociedade estadunidense, com um Presidente sem maioria popular dos votos e vencedor no col&eacute;gio eleitoral apenas ap&oacute;s batalha judicial e sob fortes suspeitas de fraude. Al&eacute;m disso, a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no Congresso tamb&eacute;m mostrava essa divis&atilde;o, com os republicanos possuindo apenas uma t&iacute;mida maioria na C&acirc;mara e um empate no Senado. Permanecia incerto como o novo Presidente dos EUA (tido em seu partido como centrista e relativamente inexperiente apesar dos dois mandatos como Governador do Texas) agiria para formar os consensos necess&aacute;rios ao cumprimento de suas promessas de campanha. Ap&oacute;s oito anos de expans&atilde;o econ&ocirc;mica com Clinton, George W. Bush assumiria o governo com a economia em desacelera&ccedil;&atilde;o e suas promessas de cortes de impostos (apesar de desenhadas antes mesmo dos sinais de desacelera&ccedil;&atilde;o tornarem-se claros) constitu&iacute;am-se na principal proposta da Casa Branca para reverter o quadro. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo de seu primeiro mandato, foram aprovadas cinco leis de corte de impostos, representando uma ren&uacute;ncia fiscal de cerca de US$ 1,9 trilh&atilde;o entre 2001 e 2011 e uma "mudan&ccedil;a significativa na estrutura, incentivos, receitas e efeitos distributivos do sistema tribut&aacute;rio americano" (GALE &amp; ORSZAG, 2004h), "a maior da hist&oacute;ria no total em d&oacute;lares e apenas um pouco menor em percentual do produto interno bruto que o hist&oacute;rico corte de impostos de Reagan em 1982" (SUSKIND, 2004, p. 41). As leis aprovadas modificam a tabela do imposto de renda, os seus limites de dedu&ccedil;&otilde;es, aumentam os cr&eacute;ditos educativos e para crian&ccedil;as, trazem um al&iacute;vio &agrave; chamada "penalidade matrimonial"<a id="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a> , aumentam </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o limite de isen&ccedil;&atilde;o ao Imposto M&iacute;nimo Alternativo (AMT, na sigla em ingl&ecirc;s)<a id="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a> , diminuem gradualmente o imposto sobre heran&ccedil;as at&eacute; sua </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">extin&ccedil;&atilde;o, reduzem impostos individuais sobre ganhos de capital e trazem incentivos fiscais a planos de previd&ecirc;ncia particular e numerosos incentivos fiscais a empresas sediadas nos Estados Unidos, como a redu&ccedil;&atilde;o do Imposto Corporativo para manufaturas e pequenas empresas, al&iacute;vio &agrave; AMT corporativa, redu&ccedil;&atilde;o de taxas relativas ao mercado de a&ccedil;&otilde;es, entre outros (EUA, 2001; 2002; 2003; 2004a; 2004b; GALE &amp; ORSZAG 2004a; CUNHA FILHO, 2006). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de bastante abrangente e de, de fato, conceder alguma esp&eacute;cie de al&iacute;vio tribut&aacute;rio a praticamente todos os grupos de renda estadunidenses, a compara&ccedil;&atilde;o entre os benef&iacute;cios recebidos entre os grupos de mais alta e mais baixa renda mostra que os primeiros beneficiaram-se desproporcionalmente mais dos cortes (GALE &amp; ORSZAG, 2004a; 2004b; 2004c; 2004d; 2004e; 2004f; 2004g; 2004h; HACKER &amp; PIERSON, 2006; BARTELS, 2008). Umdos motivos imediatos para isso &eacute; o fato de a estrutura tribut&aacute;ria americana j&aacute; ser bastante progressiva, com pouco mais da metade da arrecada&ccedil;&atilde;o federal vindo do imposto de renda individual tornando "dif&iacute;cil desenhar um corte de impostos significativo que beneficie contribuintes de renda m&eacute;dia e baixa precisamente porque a maior parte da receita obtida com o imposto de renda individual vem do topo dos 5% de contribuintes mais ricos. Os 50% da base contribuem com apenas 4% da receita obtida com </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o imposto de renda" (POLLACK, 2003, p. 123). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, alguns dos outros impostos afetados pelos cortes como o Imposto sobre Heran&ccedil;as e Transfer&ecirc;ncias e o Imposto sobre Ganhos de Capital tamb&eacute;m se aplicam principalmente (quando n&atilde;o exclusivamente) sobre os contribuintes de alta renda, de modo que as diminui&ccedil;&otilde;es de suas al&iacute;quotas ou mesmo suas extin&ccedil;&otilde;es pouco ou nada t&ecirc;m a ver com a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o<a id="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a> . Tais dados j&aacute; seriam o suficiente para classificar os cortes, em rela&ccedil;&atilde;o a seus efeitos distributivos, como socialmente </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">regressivos e concentradores de renda, mas h&aacute; ainda outro dado que muitas vezes &eacute; deixado de lado e que &eacute; fundamental a esse tipo de an&aacute;lise: os cortes provocaram um desequil&iacute;brio or&ccedil;ament&aacute;rio nos Estados Unidos que um dia precisar&aacute; ser financiado, seja com a cria&ccedil;&atilde;o de novos impostos, aumento dos impostos j&aacute; existentes, cortes de gastos, seja com algum tipo de combina&ccedil;&atilde;o dessas possibilidades. E como &eacute; exatamente a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre a que mais depende dos programas do governo, seria essa tamb&eacute;m a que mais sofreria com eventuais cortes de despesas estatais (GALE &amp; ORSZAG 2004b; HACKER &amp; PIERSON, 2006; BARTELS 2008). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">III. CORTES DE IMPOSTOS E IDEOLOGIA </font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Subjacente a toda a obsess&atilde;o republicana atual por cortes de impostos, est&aacute; certo desprezo pela a&ccedil;&atilde;o do Estado que tomou conta do partido no s&eacute;culo XX. A an&aacute;lise hist&oacute;rica mostra que no in&iacute;cio o Partido Republicano identificava no Estado um agente indutor do desenvolvimento e do crescimento econ&ocirc;mico, mas a partir de meados dos anos 1920 passou a identific&aacute;-lo cada vez mais como um obst&aacute;culo, um agente estranho que por meio da intromiss&atilde;o na economia prejudicava a liberdade dos cidad&atilde;os e das empresas e o funcionamento adequado da sociedade, e paralelamente a esse processo de desqualifica&ccedil;&atilde;o do Estado no ide&aacute;rio partid&aacute;rio floresceram tamb&eacute;m as ideias de al&iacute;vio tribut&aacute;rio. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; verdade que o partido nunca foi exatamente um entusiasta da taxa&ccedil;&atilde;o propriamente dita, mas enquanto identificava no Estado o papel de promotor do crescimento e mantenedor da ordem nacional jamais passou sequer perto da avers&atilde;o ao tema que hoje ostenta. Pelo contr&aacute;rio, durante mais de meio s&eacute;culo a principal proposta republicana consistia na manuten&ccedil;&atilde;o de altas tarifas de importa&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o a principal fonte de receitas estatais, como forma de proteger o mercado interno e a nascente ind&uacute;stria estadunidense da competi&ccedil;&atilde;o estrangeira. Tratavase, &eacute; certo, de um imposto indireto sobre a popula&ccedil;&atilde;o, mas que era igualmente atacado pelos rivais democratas por seus efeitos negativos no encarecimento dos produtos importados, que segundo eles prejudicariam a popula&ccedil;&atilde;o em geral e ajudariam apenas os grandes empres&aacute;rios. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em per&iacute;odos excepcionais como a Guerra Civil, os republicanos n&atilde;o apenas aceitaram op&ccedil;&otilde;es mais "radicais" de financiamento do Estado e de seu esfor&ccedil;o de guerra pela manuten&ccedil;&atilde;o da unidade nacional, como a cria&ccedil;&atilde;o do primeiro imposto de renda em 1861 e suas sucessivas modifica&ccedil;&otilde;es ao longo da Guerra, por exemplo, como tomados de furor patri&oacute;tico chegaram a declarar, em claro exagero, nos debates congressionais de 1864, que "o grito universal deste povo &eacute; ser taxado" (cf. GOULD, 2003, p. 32). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antes de tudo, &eacute; preciso ter em mente que a hist&oacute;ria pol&iacute;tica estadunidense foi muito marcada em seu come&ccedil;o por grandes batalhas acerca dos limites constitucionais do poder do governo federal, bastante limitado originalmente. Nos primeiros anos da rec&eacute;m-independente rep&uacute;blica, coube ao Partido Federalista de Alexander Hamilton o papel de defesa de um governo central forte e soberano. Papel que depois caberia ao Partido Whig e seu "Sistema Americano"<a id="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a> at&eacute; afunda&ccedil;&atilde;odoPartidoRepublicano em 1854, que durante o s&eacute;culo XIX e come&ccedil;o do s&eacute;culo XX sempre esteve ao lado dos que defendiam a legitimidade da a&ccedil;&atilde;o federal e sua expans&atilde;o em diversas &aacute;reas, como distribui&ccedil;&atilde;o de terras p&uacute;blicas, promo&ccedil;&atilde;o de obras de infraestrutura, taxa&ccedil;&atilde;o ou regula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O papel republicano na expans&atilde;o do Estado e na constru&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o estadunidense moderna a partir da Guerra Civil &eacute; ineg&aacute;vel, por mais que sua prega&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea acerca da apropria&ccedil;&atilde;o indevida do dinheiro dos cidad&atilde;os pelos "burocratas de Washington, DC" possa eclips&aacute;-la. Uma boa chave para a an&aacute;lise da vida partid&aacute;ria estadunidense e da mudan&ccedil;a de lado republicano no tema Estado &eacute; dada por John Gerring em seu livro <I>Party Ideologies in America, 1828-1996 </I>(GERRING, 2001). Ele analisa os dois partidos estadunidenses a partir de suas ideologias e divide a hist&oacute;ria do Partido Republicano em duas fases: nacional, que iria at&eacute; 1924<a id="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a> , e neoliberal, a partir de 1928. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Gerring, em sua primeira fase o partido teria girado basicamente em torno da dicotomia ordem <I>versus </I>anarquia e identificava no Estado um garantidor da ordem social e da unidade nacional. Economicamente, acreditava no papel estatal de indutor do crescimento e protetor do mercado nacional (donde o papel de proemin&ecirc;ncia que a tarifa externa sempre ocupou nos programas de governo republicanos do per&iacute;odo) e por isso ajudou a expandir o papel e o poder do Estado. Exemplo claro da ideologia predominante republicana pode ser encontrado no governo de seu primeiro Presidente, Abraham Lincoln, que dedicado a derrotar a amea&ccedil;a &agrave; ordem proveniente da secess&atilde;o sulista expandiu o alcance do governo federal em n&iacute;veis at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;ditos. E para financiar essa expans&atilde;o governamental viuse obrigado a criar novos impostos, como o imposto de renda de 1861 (que ainda sob o governo de Lincoln seria expandido em 1862 e 1864) e o imposto sobre heran&ccedil;as e transfer&ecirc;ncias de propriedade de 1862. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que ao fim da guerra os novos impostos viessem a cair (o de heran&ccedil;as foi derrubado em 1870 e o de renda em 1872), o ponto &eacute; que os republicanos de ent&atilde;o conferiam ao Estado papel de import&acirc;ncia na sociedade e na economia e estavam, em geral, dispostos a aceitar de boa vontade a cria&ccedil;&atilde;o ou expans&atilde;o das fontes de financiamento do mesmo. Ainda que em 1894, sob a Presid&ecirc;ncia do democrata Grover Cleveland, os republicanos tenham votado contra a cria&ccedil;&atilde;o de novo imposto de renda, julgado inconstitucional pela Suprema Corte no ano seguinte, em 1909 (sob a Presid&ecirc;ncia do republicano W. H. Taft) teriam papel importante na aprova&ccedil;&atilde;o da 16ª Emenda Constitucional, que conferia explicitamente &agrave; Uni&atilde;o o poder de taxar a renda. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que teria ent&atilde;o causado a virada ideol&oacute;gica republicana? Em seu recente livro <I>The Party Decides</I>, Marty Cohen, David Karol, Hans Noel e John Zaller prop&otilde;em uma teoria dos partidos estadunidenses como frutos do que definem como "demandantes intensos de pol&iacute;ticas": "grupos de interesse, ativistas ideol&oacute;gicos e outros que &#91;...&#93; organizam partidos para conseguir as pol&iacute;ticas governamentais que desejam" (COHEN <I>et alii</I>, 2008, p. 20). Segundo essa teoria, a mudan&ccedil;a na dire&ccedil;&atilde;o das demandas por um ou mais grupos que comp&otilde;em um partido ou a entrada de novos grupos com diferentes demandas em um partido seriam os principais respons&aacute;veis pela mudan&ccedil;a deposi&ccedil;&atilde;opartid&aacute;ria.Assim, &eacute; plaus&iacute;velinterpretar a aproxima&ccedil;&atilde;o dos grandes capitalistas com o partido como a entrada de "demandantes" atra&iacute;dos pelas pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o do mercado interno e promo&ccedil;&atilde;o de obras de infraestrutura que lhes beneficiavam. E &agrave; medida que o faziam, geravam maiores tens&otilde;es com a ala dos "progressistas" do partido, que igualmente pode ser entendida como grupos de demandantes que se aproximaram do partido atra&iacute;dos por sua a&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o estatal, e que queria dar um passo adiante na presen&ccedil;a governamental na economia, atuando de maneira mais forte na regula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e combate aos monop&oacute;lios, o que n&atilde;o interessava aos industriais. Quando sob a Presid&ecirc;ncia de Theodore Roosevelt o partido de fato avan&ccedil;ou nesse sentido, desagradou aos industriais e &agrave; maioria partid&aacute;ria cada vez mais conservadora e introduziu a d&uacute;vida acerca da a&ccedil;&atilde;o estatal na economia que resultaria na virada ideol&oacute;gica. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se essa hip&oacute;tese estiver correta, a apropria&ccedil;&atilde;o pelos democratas, sob a Presid&ecirc;ncia de Woodrow Wilson (que, ali&aacute;s, seria o respons&aacute;vel pela recria&ccedil;&atilde;o do imposto de renda em 1913 e que persiste at&eacute; hoje), das pol&iacute;ticas progressistas teria ent&atilde;o ajudado a consolidar essa mudan&ccedil;a na ideologia republicana sobre o Estado ao provocar a migra&ccedil;&atilde;o dos demandantes progressistas rumo ao Partido Democrata. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De qualquer forma, o certo &eacute; que de fato o Partido Republicano da d&eacute;cada de 1920 j&aacute; n&atilde;o era mais aquele de 1860. Segundo Gerring (2001), em sua segunda encarna&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica o partido girava cada vez mais em torno da dicotomia Estado <I>versus </I>indiv&iacute;duo. O tema do desenvolvimento econ&ocirc;mico persistia no ide&aacute;rio republicano, mas o papel do Estado mudava radicalmente, de indutor a obst&aacute;culo. Agora, o que garantiria o desenvolvimento seria a liberdade individual, conduzida a um <I>status </I>quase divino nos programas partid&aacute;rios. Essa mudan&ccedil;a trouxe consigo duas importantes consequ&ecirc;ncias &agrave; quest&atilde;o tribut&aacute;ria: primeira, se o Estado j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais t&atilde;o importante, para que financi&aacute;-lo? Segunda consequ&ecirc;ncia, se a liberdade individual &eacute; o que h&aacute; de mais importante, a tributa&ccedil;&atilde;o imposta pelo Estado passa a ser vista como uma intromiss&atilde;o nessa liberdade do indiv&iacute;duo de dispor de sua pr&oacute;pria riqueza. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao retornar &agrave; Casa Branca em 1920, o Partido Republicano logo tratou de reduzir as al&iacute;quotas dos impostos de renda e de propriedade que haviam sido fortemente elevadas durante a I Guerra Mundial quando da entrada dos EUA no conflito. Mas a maioria nopartidoera pragm&aacute;tica o suficiente para aceitar a exist&ecirc;ncia de tais impostos, contanto que com al&iacute;quotas baixas, e assim permaneceram as coisas at&eacute; o <I>crash </I>da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e a recess&atilde;o que marcou fortemente os republicanos e trouxe de volta ao governo os democratas com Franklin Delano Roosevelt. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A volta dos democratas &agrave; Casa Branca e a implanta&ccedil;&atilde;o do <I>New Deal </I>expandiu ainda mais o Estado, criando o mais pr&oacute;ximo que os EUA j&aacute; tiveram de um Estado de Bem-Estar Social, e para financiar essa nova onda de ativismo estatal foram necess&aacute;rios novos impostos e a eleva&ccedil;&atilde;o dos j&aacute; existentes. Reduzidos a um papel minorit&aacute;rio e secund&aacute;rio na pol&iacute;tica nacional durante o per&iacute;odo, os republicanos "observavam &#91;...&#93; enquanto o tamanho e o alcance do Estado nacional se expandiam al&eacute;m de qualquer coisa que eles pudessem ter imaginado em seus piores pesadelos" (POLLACK, 2003, p. 45). E ainda que de modo geral os candidatos presidenciais republicanos do per&iacute;odo tenham sido suficientemente pragm&aacute;ticos para aceitar parte da nova realidade, reconhecendo a impossibilidade de revers&atilde;o total ao <I>status quo ante</I>, a guinada &agrave; esquerda dos democratas consolidou a virada ideol&oacute;gica republicana e o sentimento m&eacute;dio no partido de que se tratava de uma subvers&atilde;o radical e inaceit&aacute;vel dos valores americanos de liberdade e livre iniciativa. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os novos programas federais, que inclu&iacute;am obras p&uacute;blicas, est&iacute;mulos econ&ocirc;micos e seguridade social, eram vistos como uma intromiss&atilde;o indevida na economia e os novos impostos, como o Imposto de Heran&ccedil;as ou o Imposto sobre Lucros L&iacute;quidos, e a mudan&ccedil;a na estrutura de al&iacute;quotas do Imposto de Renda, tornado mais progressivo, eram encarados como uma esp&eacute;cie de puni&ccedil;&atilde;o ao sucesso individual. Mas a candidatura de Barry Goldwater em 1964, como j&aacute; mencionado, foi a primeira a conseguir agradar plenamente &agrave; base partid&aacute;ria republicana como genuinamente conservadora. Goldwater concorreu com um programa pol&iacute;tico ideologicamente coeso que se recusava a fazer concess&otilde;es pol&iacute;ticas e atacava duramente mesmo pol&iacute;ticas populares como a Seguridade Social. Apesar de seu fiasco eleitoral, ela marcou o in&iacute;cio da consolida&ccedil;&atilde;o definitiva do controle conservador sobre a m&aacute;quina partid&aacute;ria e da articula&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do partido. O conservadorismo republicano era no momento ainda bastante pragm&aacute;tico, incipiente e desarticulado ideologicamente. Ap&oacute;s a derrota eleitoral de Goldwater, entretanto, esfor&ccedil;os conscientes foram feitos por ativistas, "demandantes" e dirigentes partid&aacute;rios no sentido de transformar a vis&atilde;o pol&iacute;tica do Partido Republicano em um conservadorismo ideol&oacute;gico e coerentemente articulado (para detalhes de como se deram tais esfor&ccedil;os, ver Brennan (1995) e Micklethwait e Wooldridge (2004)). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses esfor&ccedil;os atingiriam o resultado esperado na d&eacute;cada de 1980 sob o governo Ronald Reagan<a id="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>11</sup></a> e na ideologia do "novo" Partido Republicano: populismo de direita, antiestatismo, individualismo e capitalismo de livre-mercado (GOULD, 2003, p. 125-158). "Reagan era profundamente dedicado ao credo republicano de antiestatismo e federalismo descentralizado &#91;e&#93; &#91;...&#93; sua filosofia anti-impostos complementava ambas" (POLLACK, 2003, p. 60). Tendo promovido em seu governo "a mais significativa redu&ccedil;&atilde;o de taxas na hist&oacute;ria do imposto de renda federal" (<I>idem</I>, p. 61), ele logo se converteu no nome maior da hagiografia republicana e serve hoje como uma esp&eacute;cie de "talism&atilde; do que significa ser republicano" (GOULD, 2003, p. 435), seu "santo padroeiro, o mais consistentemente conservador presidente da era p&oacute;s-<I>New Deal</I>" (HACKER &amp; PIERSON, 2006, p. 30). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Reagan chegou ao cargo profundamente comprometido com tr&ecirc;s quest&otilde;es: fortalecer as for&ccedil;as militares estadunidenses, reduzir o tamanho do governo e dos gastos estatais e reduzir impostos" (POLLACK, 2003, p. 61), mas embora os dois &uacute;ltimos objetivos pare&ccedil;am intrinsecamente relacionados "o tamanho do governo federal era maior em 1988 &#91;...&#93; do que em 1980 quando ele tomou posse" (<I>idem</I>, p. 66). Uma das causas para </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">essa aparente contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; que al&eacute;m de cortar impostos, Reagan tamb&eacute;m cumpriu seu primeiro objetivo e aumentou bastante as despesas militares no esfor&ccedil;o de vencer a Guerra Fria e derrotar o comunismo sovi&eacute;tico. E muitos dos programas estatais (seguridade social e <I>Medicare</I>, por exemplo) representariam um suic&iacute;dio pol&iacute;tico se cortados, dada sua popularidade e o elevado n&uacute;mero de pessoas atendidas e que deles dependem. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por mais que o senso comum possa sugerir o contr&aacute;rio, n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre o corte de impostos e a redu&ccedil;&atilde;o da m&aacute;quina p&uacute;blica, como mostrou o exemplo reaganiano e como mostrou a experi&ecirc;ncia recente com George W. Bush, que &agrave; mesma maneira cortou impostos, elevou os gastos militares, mas n&atilde;o foi capaz de reduzir os outros gastos governamentais, obtendo enormes <I>deficits </I>or&ccedil;ament&aacute;rios tamb&eacute;m da mesma forma que Reagan (ver GALE &amp; ORSZAG, 2004g). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E se n&atilde;o servem para reduzir o tamanho do Estado, um dos objetivos declarados do Partido Republicano j&aacute; h&aacute; um bom tempo, por que ent&atilde;o a obsess&atilde;o com cortes de impostos? Uma das raz&otilde;es &eacute; que o partido realmente absorveu muito da prega&ccedil;&atilde;o neoliberal acerca da inefici&ecirc;ncia estatal em sua a&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a ponto de David Stockman, diretor de or&ccedil;amento de Reagan, falar &agrave; &eacute;poca de empunhar a espada "forjada na bigorna do livre-mercado de F. A. Hayek" (Reagan <I>apud </I>MICKLETHWAIT &amp; WOOLDRIDGE, 2004, p. </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">339. Ver Gale e Horszag (2004g) acerca da influ&ecirc;ncia da Escola Econ&ocirc;mica Austr&iacute;aca sobre </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o pensamento republicano contempor&acirc;neo). Portanto, sob a &oacute;tica republicana seria sempre melhor e mais eficiente em termos econ&ocirc;micos deixar que o cidad&atilde;o escolha onde gastar o seu dinheiro e al&iacute;vios tribut&aacute;rios seriam eficientes rem&eacute;dios para recess&otilde;es econ&ocirc;micas. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o Partido Republicano de hoje &eacute; um dogma que qualquer atividade social ou econ&ocirc;mica do Estado pode ser melhor e mais eficientemente desempenhada pela iniciativa privada e iam nesse sentido as ideias de privatiza&ccedil;&atilde;o da seguridade social defendidas por George W. Bush em seu segundo mandato e antecipadas nos est&iacute;mulos &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o em contas de previd&ecirc;ncia privada presentes nos cortes de impostos do primeiro. Mas antes de ser uma rejei&ccedil;&atilde;o total e absoluta ao Estado, representa na verdade um corte claro entre algumas fun&ccedil;&otilde;es em que valeria a pena fortalecer o or&ccedil;amento estatal e as outras pass&iacute;veis de privatiza&ccedil;&atilde;o, delega&ccedil;&atilde;o a grupos volunt&aacute;rios ou simples extin&ccedil;&atilde;o t&atilde;o logo a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas permita-o (o que nunca tem sido t&atilde;o simples quanto o discurso republicano sugere). </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre o seleto primeiro grupo, figuram desde sempre as For&ccedil;as Armadas e nestes tempos posteriores aos atentados de 11 de setembro cada vez mais tamb&eacute;m os aparelhos repressivos internos, como s&atilde;o exemplo a cria&ccedil;&atilde;o do super-Departamento de Seguran&ccedil;a Interna e os dispositivos orwellianos da Lei Patri&oacute;tica<a id="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>12</sup></a> . No segundo grupo, praticamente toda a estrutura reguladora criada durante o fim do s&eacute;culo XIX e ao longo do s&eacute;culo XX e os aparelhos do <I>Welfare State </I>criado pelos democratas Wilson e F. D. Roosevelt. Como mostra-nos Gerring (2001), os temas do desenvolvimento econ&ocirc;mico e da ordem social s&atilde;o constantes em toda a hist&oacute;ria republicana, mas o papel do Estado frente aos mesmos muda de acordo com a fase ideol&oacute;gica analisada. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua primeira fase, o Partido Republicano tinha como an&aacute;tema a anarquia e a desintegra&ccedil;&atilde;o social e como enxergava no Estado um agente promotor do desenvolvimento, suas a&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;mica e reguladora eram vistas como ben&eacute;ficas ao pa&iacute;s ao promover a coes&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o social e levar ao crescimento da economia. J&aacute; em sua fase neoliberal, a <I>b&ecirc;te noire </I>republicana passa a ser o comunismo (e sua hipertrofia estatal) e, portanto, o Estado deveria deixar o mercado econ&ocirc;mico livre &agrave; iniciativa privada, verdadeira promotora do desenvolvimento, e preocupar-se com a prote&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o frente &agrave; "amea&ccedil;a vermelha". A liberdade torna-se o valor fundamental do partido, ainda que se restrinja apenas a seu car&aacute;ter econ&ocirc;mico, pois os novos tempos no partido v&ecirc;em com leni&ecirc;ncia o sacrif&iacute;cio </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">das liberdades civis sempre que necess&aacute;rio para combater os "inimigos". </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E mesmo que hoje n&atilde;o haja mais o comunismo como inimigo externo, a guerra ao terror fornece a justificativa necess&aacute;ria para os investimentos nas For&ccedil;as Armadas ou na seguran&ccedil;a interna, e como a diminui&ccedil;&atilde;o do Estado em outras &aacute;reas n&atilde;o &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil quanto fazem parecer os republicanos, o problema dos <I>deficits </I>p&uacute;blicos, agravados pelas pol&iacute;ticas de cortes de impostos, t&ecirc;m sido uma constante no pa&iacute;s durante os &uacute;ltimos anos. Ademais de motivo de controv&eacute;rsia freq&uuml;ente entre republicanos mais antigos, em geral defensores de or&ccedil;amentos equilibrados, e os mais novos (por exemplo, os frequentes atritos entre Paul O&acute;Neill, Primeiro Secret&aacute;rio do Tesouro de George W. Bush e o resto da equipe de governo, que culminaram em sua sa&iacute;da. A esse respeito, ver Suskind (2004)). Controv&eacute;rsias essas que v&ecirc;m sendo perdidas cada vez mais facilmente pelos defensores do equil&iacute;brio or&ccedil;ament&aacute;rio. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio do que pregavam os mais ardorosos defensores da Economia de Oferta dos anos 1980, os cortes tribut&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m sido capazes de gerar crescimento econ&ocirc;mico na intensidade necess&aacute;ria para compensar a perda de arrecada&ccedil;&atilde;o, conforme defendido por tal teoria, e o resultado tem sido <I>deficits </I>or&ccedil;ament&aacute;rios cada vez maiores. E cada vez menos membros do partido parecem importar-se com o fato, como mostra o estudo de Gale e Kelly (2004) acerca dos signat&aacute;rios do abaixo-assinado conhecido como <I>No New Taxes Pledge, </I>em que se comprometem a n&atilde;o aumentar as al&iacute;quotas do imposto de renda ou reduzir quaisquer dedu&ccedil;&otilde;es ou cr&eacute;ditos tribut&aacute;rios sem a redu&ccedil;&atilde;o equivalente em d&oacute;lares da al&iacute;quota cobrada. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que torna a quest&atilde;o dos <I>deficits </I>ainda mais importante &eacute; o fato de que a gera&ccedil;&atilde;o do <I>Baby Boom </I>est&aacute; envelhecendo e breve atingir&aacute; a idade de receber os benef&iacute;cios da Seguridade Social, tornando o n&uacute;mero de benefici&aacute;rios maior que o de trabalhadores contribuindo, o que pode colocar </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">o sistema em colapso e exigir&aacute; profundos ajustes no mesmo (GOULD, 2003; POLLACK, 2003; HACKER &amp; PIERSON, 2006; BARTELS, 2008). Ajustes esses que consumir&atilde;o trilh&otilde;es de d&oacute;lares e que ter&atilde;o de vir de algum lugar. </font></P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com os <I>deficits </I>p&uacute;blicos cada vez maiores, a perspectiva de gastos militares igualmente crescentes com as ocupa&ccedil;&otilde;es militares de Iraque e Afeganist&atilde;o, a alternativa do aumento de impostos bloqueada e o in&iacute;cio de tempos econ&ocirc;micos dif&iacute;ceis, os democratas v&ecirc;m tendo de lidar com uma complicada bomba-rel&oacute;gio deixada pelos republicanos em seu recente retorno &agrave; Casa Branca. &Eacute; uma quest&atilde;o extremamente importante e que tem o potencial de provocar fortes rearranjos nos dois partidos estadunidenses, como a recess&atilde;o dos anos 1930 ou os direitos civis dos anos 1950-1960. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P > <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></font>     <P > <font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BARTELS</b>, L. M. 2008. <I>Unequal Democracy</I>: The Political Economy of the New Gilded Age. New Jersey: Princeton University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0104-4478201200010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>BINKLEY</B>, W. E. 1961. <I>Partidos pol&iacute;ticos americanos</I>. 2 v. Rio de Janeiro: Fundo Universal de Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0104-4478201200010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>BRENNAN</B>, M. C. 1995. <I>Turning Right in the Sixties</I>: The Conservative Capture of the GOP. University of North Carolina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0104-4478201200010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>COHEN</B>, M.; <B>KAROL</B>, D.; <B>NOEL</B>, H. <B>&amp; ZALLER</B>, J. 2008. <I>The Party Decides</I>: Presidential Nominations Before and After Reform. Chicago: University of Chicago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0104-4478201200010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>CUNHA FILHO</B>, C. M. 2006. <I>O Partido Republicano e a quest&atilde;o tribut&aacute;ria</I>: um estudo de caso dos cortes de impostos de George W. Bush (2001-2004). Fortaleza. Monografia (Bacharelado em Ci&ecirc;ncias Sociais). Universidade Federal do Cear&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0104-4478201200010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>DONMOYER</B>, R. J. <B>&amp; GLENN</B>, H. 1999. Something for Everyone? Bush Proposes $483 billion Cut. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 85, Dec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0104-4478201200010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>GALE</B>, W. G. <B>&amp; KELLY</B>, B. 2004. The 'No New Taxes' Pledge. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">n. 104, p. 197-210 July. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urban.org/uploadedPDF/1000670_TaxBreak_071204.pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000670_TaxBreak_071204.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0104-4478201200010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>GALE</B>, W. G. <B>&amp; ORSZAG</B>, P. R. 2004a. Tax Policyinthe BushAdministration:Introduction and Background. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">n. 104, p. 1291-1300, Sep. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.urban.org/uploadedPDF/1000684_TaxBreak_091304.pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000684_TaxBreak_091304.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0104-4478201200010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004b. Tax Policy in the Bush Administration: Distributional Effects. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 104, p. 1559-1566, Sep. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.taxpolicycenter.org/UploadedPDF/1000689_TaxBreak_092704. pdf" target="_blank">http://www.taxpolicycenter.org/UploadedPDF/1000689_TaxBreak_092704. pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0104-4478201200010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004c. Tax Policy in the Bush Administration: Revenue and Budget Effects. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 105-118, Oct. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urban.org/uploadedPDF/1000695_TaxBreak_100404. pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000695_TaxBreak_100404. pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0104-4478201200010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004d. Tax Policy in the BushAdministration: Effects on Long-Term Growth. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 415-423, Oct. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urbaninstitute.org/UploadedPDF/1000705_Tax_ Break_11-15-04.pdf" target="_blank">http://www.urbaninstitute.org/UploadedPDF/1000705_Tax_ Break_11-15-04.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0104-4478201200010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004e. Tax Policy in the Bush Administration: Short-Term Stimulus. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 747-756, Nov. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urban.org/uploadedPDF/1000700_Tax_Break_11-01-04.pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000700_Tax_Break_11-01-04.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0104-4478201200010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004f. Tax Policy in the Bush Administration: Down Payment on Tax Reform? <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 879-884, Nov. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urban.org/ uploadedPDF/1000702_Tax_Break_11-08-04.pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000702_Tax_Break_11-08-04.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0104-4478201200010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004g. Tax Policy in the BushAdministration: Starving the Beast? <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 999-1002, Nov. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urbaninstitute.org/UploadedPDF/1000705_Tax_Break_11-15-04.pdf" target="_blank">http://www.urbaninstitute.org/UploadedPDF/1000705_Tax_Break_11-15-04.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0104-4478201200010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004h. Bush Administration Tax Policy: Summary and Outlook. <I>Tax Notes</I>, Washington (DC), n. 105, p. 1279-1284,  Nov. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urban.org/uploadedPDF/1000708_Tax_Break_11-29-04.pdf" target="_blank">http://www.urban.org/uploadedPDF/1000708_Tax_Break_11-29-04.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0104-4478201200010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>GERRING</B>, J. 2001. <I>Party Ideologies in America, 1828-1996</I>. Cambridge (UK): Cambridge University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0104-4478201200010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>GOULD</B>, L. 2003. <I>Grand Old Party</I>: A History of the Republicans. New York: Random.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0104-4478201200010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>HACKER</B>, J. S. <B>&amp; PIERSON</B>, P. 2006. <I>Off Center</I>: The Republican Revolution and the Erosion of American Democracy; With a New </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afterword. New Haven: Yale University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0104-4478201200010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>MICKLETHWAIT</B>, J. <B>&amp; WOOLDRIDGE</B>, A. 2004. <I>The Right Nation</I>: Conservative Power in America. New York: Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0104-4478201200010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>POLLACK</B>, S. D. 2003. <I>Refinancing America</I>: The Republican Antitax Agenda. New York: State University of New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0104-4478201200010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>POOLE</B>, K. T. <B>&amp; ROSENTHAL</B>, H. 1997. <I>Congress</I>:APolitical-Economic History of Roll Call Voting. New York: Oxford University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0104-4478201200010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>SUSKIND</B>, R. 2004. <I>The Price of Loyalty</I>: George </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">W. Bush, the White House, and the Education ofPaul O'Neill. NewYork:Simon &amp; Schuster.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0104-4478201200010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <P>&nbsp;</P>      <P> <font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OUTRAS FONTS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EUA</b>. <B>JOINT COMMITTEE ON TAXATION</B>. 2001. <I>Summary of Provisions Contained in the Conference Agreement for H. R. 1836, The Economic Growth and Tax Relief Reconciliation Act of 2001</I>. May. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jct.gov/x-50-01.pdf" target="_blank">http://www.jct.gov/x-50-01.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0104-4478201200010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2002. <I>Summary of P. L. 107-147, The Job Creation and Worker Assistance Act of 2002</I>. Mar. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jct.gov/x-22-02.pdf" target="_blank">http://www.jct.gov/x-22-02.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0104-4478201200010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2003. <I>Summary of Conference Agreement on H. R. 2, The Jobs and Growth Tax Relief </I></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><I>Reconciliation Act of 2003</I>. May. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jct.gov/x-54-03.pdf" target="_blank">http://www.jct.gov/x-54-03.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0104-4478201200010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004a. <I>Description of H. R. 4520, The American Jobs Creation Act of 2004</I>. June. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.taxlinkinc.com/PDFs/american_jobs.pdf" target="_blank">http://www.taxlinkinc.com/PDFs/american_jobs.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0104-4478201200010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><B>_____</B>. 2004b. <I>Description of the Conference Agreement for H. R. 1308, The Working Families Tax Relief Act of 2004</I>. Sep. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.taxlinkinc.com/PDFs/working_families.pdf" target="_blank">http://www.taxlinkinc.com/PDFs/working_families.pdf</a>. Acesso em: 8.dez.2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0104-4478201200010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 26 de outubro de 2010    <br>   Aprovado em 3 de mar&ccedil;o de 2011</font></p>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clayton Mendon&ccedil;a Cunha Filho (<a href="mailto:ccunha@iesp.uerj.br">ccunha@iesp.uerj.br</a>) &eacute; Doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).     <br>   <a id="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> As tradu&ccedil;&otilde;es dos trechos citados s&atilde;o de responsabilidade do autor.     <br> <a id="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Lei de 1820 que admitia a entrada de Missouri na Uni&atilde;o como estado escravagista e proibia a escravid&atilde;o ao Norte do paralelo 36º30' e garantiu certa paz relativa em torno da quest&atilde;o por cerca de 30 anos. Ver a respeito Binkley (1961), Poole e Rosenthal (1997) e Gould (2003).     <br> <a id="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Ou mesmo mais de 50 anos mais jovem, a depender do que se considere o marco de funda&ccedil;&atilde;o do Partido Democrata, cuja origem remonta ao Partido Republicano-Democr&aacute;tico de Thomas Jefferson, estabelecido no final dos anos 1790 em oposi&ccedil;&atilde;o ao Partido Federalista e consolidado com sua elei&ccedil;&atilde;o &agrave; Presid&ecirc;ncia em 1800. Em 1816 o partido dividir-se-ia em Partido Republicano-Nacional, que posteriormente se transformaria no Partido Whig, e Partido Republicano-Democr&aacute;tico, que com a elei&ccedil;&atilde;o de Andrew Jackson em 1828 mudaria seu nome para simplesmente Partido Democrata, com o qual permanece at&eacute; hoje (ver BINKLEY, 1961).     <br> <a id="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> A Northern Securities Company era um grande conglomerado ferrovi&aacute;rio formado em 1901 pelos financistas J. P. Morgan, James J. Hill, J. D. Rockefeller e E. H. Harriman, entre outros, o qual controlava diversas companhias ferrovi&aacute;rias, formando um imenso monop&oacute;lio, o que violava a Lei Sherman Antitruste de 1890. O Presidente Roosevelt processou a companhia por violar a lei, que ap&oacute;s vigorosa a&ccedil;&atilde;o federal foi finalmente dissolvida pela Suprema Corte em 1904.     <br> <a id="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> N&atilde;o havia limite legal ao n&uacute;mero de vezes que algu&eacute;m poderia eleger-se Presidente, mas certa tradi&ccedil;&atilde;o informal estabelecia-o em dois mandatos. Tendo assumido seu primeiro mandato com o assassinato de McKinley em 1901, Theodore Roosevelt dizia que sua elei&ccedil;&atilde;o em 1904 seria seu segundo governo e que n&atilde;o buscaria um terceiro. Apenas com a 22ª Emenda, proposta pelo Congresso em 1947 e ratificada pelo n&uacute;mero necess&aacute;rio de estados em 1951, seria fixado o limite constitucional de dois mandatos presidenciais.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a id="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> "A penalidade matrimonial resulta da colis&atilde;o de alguns princ&iacute;pios conflitantes do c&oacute;digo tribut&aacute;rio. O primeiro &eacute; &#91;...&#93; a 'equidade vertical' &#150; a no&ccedil;&atilde;o de que aqueles com maior renda <I>devem </I>pagar impostos a taxas maiores que aqueles com renda mais baixa. &#91;...&#93; O problema em quest&atilde;o surge quando dois indiv&iacute;duos com uma renda significativa (digamos, $100 000 cada) se casam e fazem uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta. Como o c&oacute;digo tribut&aacute;rio trata um casal como uma &uacute;nica unidade econ&ocirc;mica, a renda do casal ser&aacute; combinada &#91;...&#93; empurrando uma parte de suas rendas para uma faixa com taxa maior. Como resultado, o imposto total como casal com $200 000 de renda conjunta ser&aacute; maior que a soma do que cada um teria pago como contribuintes solteiros com renda de $100 000 cada. &#91;...&#93; Quanto mais progressiva a estrutura tribut&aacute;ria, maior a penalidade matrimonial" (POLLACK, 2003, p. 110-111).     <br> <a id="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Criada pelo Congresso em 1969, a <I>Alternative Minimum Tax </I>"foi desenhada para impor algum imposto de renda a contribuintes ricos que declaram tantas dedu&ccedil;&otilde;es e cr&eacute;ditos &#91;...&#93; de modo a reduzir suas contribui&ccedil;&otilde;es a praticamente nada" (<I>idem</I>, p. 122). Ela age como uma esp&eacute;cie de imposto de renda oculto e paralelo ao regular, com diferentes al&iacute;quotas, defini&ccedil;&otilde;es de renda e dedu&ccedil;&otilde;es permitidas, e que atinge o contribuinte apenas quando o total de impostos devidos sob o seu c&aacute;lculo ultrapassa o valor devido pelo imposto de renda regular.     <br> <a id="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> O Imposto sobre Heran&ccedil;as, por exemplo, apenas incidia sobre propriedades acima de US$ 1 milh&atilde;o.     <br> <a id="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> O chamado "Sistema Americano" consistia em uma filosofia pol&iacute;tica que pregava a prote&ccedil;&atilde;o do mercado nacional por meio de tarifas protecionistas, investimentos governamentais em infraestrutura e apoio &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o nacional, entre outras coisas. De origem atribu&iacute;da ao l&iacute;der Whig Henry Clay, seria apropriado pelo Partido Republicano e constituir-se-ia no seu n&uacute;cleo ideol&oacute;gico at&eacute; pelo menos os anos 1920 (ver GERRING, 2001).    <br> <a id="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> Na verdade, ao referir-se a essa primeira fase ideol&oacute;gica republicana, Gerring refere-se &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o Whig-Republicana, devido ao enorme grau de continuidade ideol&oacute;gica entre os dois partidos, ainda que tenham chegado a coexistir e disputar elei&ccedil;&otilde;es durante um breve per&iacute;odo.     <br> <a id="nt11"></a><a href="#tx11">11</a> Embora, seja preciso ressaltar, n&atilde;o tenham terminado a&iacute;. Com bem mostram Hacker e Pierson (2006), o Partido Republicano segue utilizando-se de uma eficiente organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica articulada com grupos de ativistas e <I>think tanks </I>que t&ecirc;m levado o partido mais e mais em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; direita do espectro pol&iacute;tico.     <br> <a id="nt12"></a><a href="#tx12">12</a> O Departamento de Seguran&ccedil;a Interna (<I>Department of Homeland Security</I>) foi criado por lei sancionada no dia 25 de novembro de 2002 e centralizou diversas ag&ecirc;ncias federais relacionadas a seguran&ccedil;a e combate ao crime, nascendo j&aacute; com a significativa quantia de mais de 170 000 funcion&aacute;rios. J&aacute; a Lei Patri&oacute;tica (<I>USA PATRIOT Act</I>) foi sancionada pelo presidente George W. Bush no dia 26 de outubro de 2001 e consiste de mais de trezentas p&aacute;ginas com artigos complexos e bastante detalhados que, entre outras coisas, permitem a deten&ccedil;&atilde;o de suspeitos de terrorismo (definido em termos bastante amplos na lei) sem acusa&ccedil;&atilde;o formal e por tempo indeterminado. </font></P>      ]]></body><back>
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