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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estratégias tecnológicas em transformação: um estudo da indústria farmacêutica brasileira]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this research is to analyze the extension of changes in technological strategies of a group of Brazilian pharmaceutical companies, which we believe were induced by transformations in the institutional environment during the 1990s. Major institutional changes, such as the enacting of laws that recognized drug patents rights and fostered generic drugs market, have strengthened the market insertion and competitive position of these companies, what would enable an increase in research and development efforts in Brazil. In addition to the literature on technology strategy and drug industry, this study was based on interviews with six Brazilian pharmaceutical companies, all of which were ranked among the top national companies in the industry and have been considered in previous studies particularly active in the process of changing technological strategies. This research confirmed a significant intensification of technology efforts carried out by Brazilian drug companies. Nevertheless, the R&D intensity is still far below the global pattern and innovative impacts are slight.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas em transforma&ccedil;&atilde;o: um estudo da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Changing technology strategies: a study of brazilian  pharmaceutical industry</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Clara Bottino Gon&ccedil;alves Santos; Marcelo Pinho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Departamento de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de S&atilde;o Carlos - UFSCar, Rod. Washington Lu&iacute;s, km 235, CEP 13565-905, S&atilde;o Carlos, SP, Brasil, e-mail: <a href="mailto:mclarabottino@gmail.com">mclarabottino@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este artigo tem como objetivo avaliar a extens&atilde;o das mudan&ccedil;as nas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas de um grupo de empresas farmac&ecirc;uticas de capital nacional ensejadas por altera&ccedil;&otilde;es no ambiente institucional ocorridas na d&eacute;cada de 1990, como as leis de patentes e do medicamento gen&eacute;rico. Essas mudan&ccedil;as institucionais poderiam induzir transforma&ccedil;&otilde;es na inser&ccedil;&atilde;o de mercado e na posi&ccedil;&atilde;o competitiva dessas empresas e desencadear um processo de intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia farmac&ecirc;utica no pa&iacute;s, com amplia&ccedil;&atilde;o dos recursos dedicados a esse fim, montagem de novas estruturas organizacionais e forma&ccedil;&atilde;o de esquemas de coopera&ccedil;&atilde;o com agentes externos &agrave;s empresas. Do ponto de vista metodol&oacute;gico, esta pesquisa, embora precedida de uma revis&atilde;o abrangente da literatura pertinente, caracteriza-se como um estudo de multicasos. As empresas que comp&otilde;em a amostra pesquisada foram definidas a partir do cruzamento de dois crit&eacute;rios: i) s&atilde;o todas empresas de porte relevante, situadas entre as maiores no <i>ranking</i> nacional do setor; e ii) a identifica&ccedil;&atilde;o na literatura setorial de casos que sugeriam inflex&atilde;o nas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas. A pesquisa confirmou que as empresas estudadas passaram por uma significativa intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico, o que n&atilde;o impede que, relativamente ao padr&atilde;o de concorr&ecirc;ncia vigente em escala internacional, esses esfor&ccedil;os continuem a ser em m&eacute;dia pequenos e tenham impactos modestos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica. ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica. laborat&oacute;rios nacionais. inova&ccedil;&atilde;o. lei de patentes. lei do medicamento gen&eacute;rico.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The aim of this research is to analyze the extension of changes in technological strategies of a group of Brazilian pharmaceutical companies, which we believe were induced by transformations in the institutional environment during the 1990s. Major institutional changes, such as the enacting of laws that recognized drug patents rights and fostered generic drugs market, have strengthened the market insertion and competitive position of these companies, what would enable an increase in research and development efforts in Brazil. In addition to the literature on technology strategy and drug industry, this study was based on interviews with six Brazilian pharmaceutical companies, all of which were ranked among the top national companies in the industry and have been considered in previous studies particularly active in  the process of changing technological strategies. This research confirmed a significant intensification of technology efforts carried out by Brazilian drug companies. Nevertheless, the R&amp;D intensity is still far below the global pattern and innovative impacts are slight.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> technology strategy. pharmaceutical industry. brazilian pharmaceutical companies. innovation. drugs patents economic effects. generic drugs economic effects.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1 Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as d&eacute;cadas de 1950 e de 1970, a estrutura industrial brasileira foi substancialmente modificada e ampliada. Nesse per&iacute;odo, o crescimento da produ&ccedil;&atilde;o baseou-se na expans&atilde;o do mercado interno e no aproveitamento de oportunidades de investimentos substitutivos de importa&ccedil;&otilde;es. Embora a implanta&ccedil;&atilde;o das bases institucionais de um sistema nacional de inova&ccedil;&atilde;o j&aacute; tivesse sido iniciada, no n&iacute;vel das empresas a capacidade de inova&ccedil;&atilde;o era muito limitada. Como resultado, no princ&iacute;pio dos anos 1980, a estrutura industrial apresentava alto grau de integra&ccedil;&atilde;o intersetorial e de diversifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, mas com insuficiente desenvolvimento tecnol&oacute;gico e, em v&aacute;rias atividades, baixa competitividade. A instabilidade macroecon&ocirc;mica, que levou &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o industrial e &agrave; contra&ccedil;&atilde;o dos investimentos, provocou ao longo daquela d&eacute;cada um aprofundamento da defasagem do pa&iacute;s em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s economias que lideravam o processo de desenvolvimento tecnol&oacute;gico (SUZIGAN, 1992).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica n&atilde;o fugia a esse padr&atilde;o de defasagem tecnol&oacute;gica. Pelo contr&aacute;rio, nela o hiato era mais amplo e profundo. O setor representava um caso extremo das limita&ccedil;&otilde;es do desenvolvimento industrial do pa&iacute;s, compar&aacute;vel apenas a outras atividades de alta intensidade tecnol&oacute;gica, como a ind&uacute;stria eletr&ocirc;nica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As in&uacute;meras transforma&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio macroecon&ocirc;mico e no ambiente institucional durante os anos 1990, em princ&iacute;pio, poderiam levar a mudan&ccedil;as nas estrat&eacute;gias competitivas e tecnol&oacute;gicas das empresas. Ademais de fen&ocirc;menos que exerceram efeitos sobre o conjunto da ind&uacute;stria - como a abertura comercial e a estabiliza&ccedil;&atilde;o do processo inflacion&aacute;rio -, a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica experimentou mudan&ccedil;as espec&iacute;ficas em seu ambiente regulat&oacute;rio, com destaque para a introdu&ccedil;&atilde;o da Lei de Patentes em 1996 e da Lei do Medicamento Gen&eacute;rico em 1999. Esse conjunto de mudan&ccedil;as teria induzido uma reorienta&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica nacional em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) no pa&iacute;s. Um bom exemplo disso seria o desenvolvimento pelo laborat&oacute;rio Crist&aacute;lia do Helleva, um medicamento para tratamento de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til que foi a primeira mol&eacute;cula sint&eacute;tica inovadora desenvolvida por uma empresa farmac&ecirc;utica de capital brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo tem como objetivo avaliar a extens&atilde;o das mudan&ccedil;as nas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas de v&aacute;rias das maiores empresas farmac&ecirc;uticas de capital nacional ensejadas pelas altera&ccedil;&otilde;es no ambiente institucional ocorridas na d&eacute;cada de 1990. Para alcan&ccedil;ar seu prop&oacute;sito, o artigo primeiramente revisa a literatura sobre estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica, enfocando seu escopo e suas dimens&otilde;es. Na sequ&ecirc;ncia, apresenta-se uma caracteriza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica em n&iacute;vel mundial, descrevendo os tra&ccedil;os fundamentais de sua din&acirc;mica competitiva e tecnol&oacute;gica, e no Brasil. Neste caso, a &ecirc;nfase recai sobre uma discuss&atilde;o dos dados da Pintec (Pesquisa de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica), cujo prop&oacute;sito &eacute; analisar a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira e compar&aacute;-la com o padr&atilde;o vigente no exterior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m desses t&oacute;picos baseados em fontes secund&aacute;rias de informa&ccedil;&atilde;o, o artigo reporta os resultados de uma pesquisa de campo que contemplou seis laborat&oacute;rios brasileiros, todos situados entre os maiores no <i>ranking</i> nacional do setor apresentado pela IMS Health (2009) e indicados em estudos acad&ecirc;micos e mat&eacute;rias na imprensa como casos particularmente reveladores de intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico e de inflex&otilde;es em suas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas. A quarta se&ccedil;&atilde;o deste artigo discute os resultados desse estudo de multicasos e embasa a discuss&atilde;o do t&oacute;pico subsequente e conclusivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2 Estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A literatura especializada apresenta grande variedade de acep&ccedil;&otilde;es para o termo estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica. Essa diversidade &eacute; consequ&ecirc;ncia da pr&oacute;pria multiplicidade de campos disciplinares e, dentro deles, de vertentes te&oacute;ricas que tratam do tema. Isso implica a exist&ecirc;ncia de certo grau de diverg&ecirc;ncia sobre o escopo de atividades abrangidas pela estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica (ALVES FILHO, 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante os anos 1980, acad&ecirc;micos que estudavam a tem&aacute;tica da gest&atilde;o estrat&eacute;gica passaram a reconhecer a tecnologia como elemento importante para a defini&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio e para a estrat&eacute;gia competitiva. Sua crescente import&acirc;ncia &eacute; explicada por Burgelman, Maidique e Wheelwright (2001) como resultado de fatores hist&oacute;ricos: desencanto com o planejamento estrat&eacute;gico, sucesso de empresas de alta tecnologia em ind&uacute;strias emergentes, surgimento da concorr&ecirc;ncia japonesa, reconhecimento da import&acirc;ncia competitiva da manufatura e emerg&ecirc;ncia do interesse acad&ecirc;mico pela gest&atilde;o da tecnologia. Com efeito, segundo Davenport, Campbell-Hunt e Solomon (2003), o conceito de estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica &eacute; parte do tema gest&atilde;o da tecnologia desde o final da d&eacute;cada de 1970, mas s&oacute; chegou a configurar uma &aacute;rea distinta de interesse acad&ecirc;mico e gerencial nos anos 1980.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Zahra (1996), a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica consiste no planejamento que direciona o desenvolvimento, uso e acumula&ccedil;&atilde;o de recursos e capacita&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. J&aacute; para Porter (1985), a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica &eacute; o enfoque que a empresa adota para o desenvolvimento e uso da tecnologia, constituindo elemento essencial em sua estrat&eacute;gia competitiva. Apesar de englobar o papel formal do P&amp;D, a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica deve ter escopo mais amplo, posto que a tecnologia impacta toda a cadeia de valor. Nesse sentido, Ford (1989) sustenta que a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica &eacute; formada pelas pol&iacute;ticas, planos e procedimentos para aquisi&ccedil;&atilde;o e gerenciamento de conhecimentos e habilidades dentro da empresa e na explora&ccedil;&atilde;o lucrativa desses elementos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zahra (1996) analisa as principais dimens&otilde;es da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica da firma. S&atilde;o elas: i) a postura tecnol&oacute;gica da empresa (se l&iacute;der ou seguidora); ii) o conte&uacute;do de seu portf&oacute;lio (o <i>mix</i> de tecnologias de produtos e processos em que a empresa vem investindo ao longo do tempo); iii) o n&uacute;mero de novos produtos melhorados tecnologicamente que foram introduzidos no mercado pela empresa; iv) os mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o ao capital intelectual da empresa; v) o n&iacute;vel de gastos com P&amp;D; vi) as fontes de tecnologia da empresa (internas ou externas); e vii) a prospec&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. As dimens&otilde;es propostas por Zahra (1996) permitem delimitar os principais &acirc;mbitos da opera&ccedil;&atilde;o das empresas atinentes &agrave; estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica e constitu&iacute;ram uma refer&ecirc;ncia central tanto para a elabora&ccedil;&atilde;o do roteiro de entrevista aplicado &agrave;s empresas investigadas neste artigo quanto para a discuss&atilde;o dos resultados da pesquisa de campo reportados no t&oacute;pico 4.2. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; postura l&iacute;der-seguidor, Freeman (1975) chama a postura "l&iacute;der" de ofensiva e define-a como aquela que pretende conseguir a lideran&ccedil;a t&eacute;cnica, colocando a empresa &agrave; frente de seus competidores na introdu&ccedil;&atilde;o de novos produtos. Segundo o autor, a empresa que persegue uma estrat&eacute;gia ofensiva &eacute; normalmente muito intensiva em pesquisa e depende, em grande medida, do P&amp;D interno. Al&eacute;m disso, esse tipo de empresa atribui muita import&acirc;ncia &agrave; prote&ccedil;&atilde;o por patentes, pois pretende estar entre as primeiras em n&iacute;vel mundial. Os lucros associados &agrave; posi&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria de monopolista compensariam os altos gastos com P&amp;D e os inevit&aacute;veis insucessos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o pioneirismo est&aacute; sujeito a riscos espec&iacute;ficos, os quais se somam &agrave; incerteza inerente a qualquer atividade de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Al&eacute;m dos fortes investimentos em P&amp;D, essa postura requer desenvolvimento de mercado e educa&ccedil;&atilde;o dos consumidores. Empresas l&iacute;deres podem falhar tamb&eacute;m na apropria&ccedil;&atilde;o dos frutos de suas inova&ccedil;&otilde;es, como ocorreu no setor de semicondutores.  Nessa ind&uacute;stria, pioneiros perderam suas posi&ccedil;&otilde;es para outras empresas que entraram posteriormente no mercado e utilizaram t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o e <i>marketing</i> mais inovadoras (ZAHRA, 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freeman (1975) usa o termo "estrat&eacute;gia defensiva" para a postura seguidora. Segundo o autor, uma estrat&eacute;gia defensiva n&atilde;o implica na aus&ecirc;ncia de P&amp;D. Ao contr&aacute;rio, pode ser t&atilde;o intensiva em pesquisa quanto uma pol&iacute;tica ofensiva, residindo a diferen&ccedil;a na natureza e ritmo das inova&ccedil;&otilde;es. O inovador defensivo n&atilde;o deseja ser o primeiro em n&iacute;vel mundial, mas tampouco quer ser deixado para tr&aacute;s na onda de mudan&ccedil;a t&eacute;cnica. A ideia &eacute; n&atilde;o assumir os grandes riscos de ser o primeiro a inovar, mas sim tirar proveito dos erros e da abertura de mercado dos pioneiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra dimens&atilde;o da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica se refere &agrave; sele&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do do portf&oacute;lio tecnol&oacute;gico e &agrave; determina&ccedil;&atilde;o de sua amplitude. Selecionar o conte&uacute;do do portf&oacute;lio significa identificar o <i>mix</i> de tecnologias de produtos e processos, indicando a &ecirc;nfase que a companhia confere a determinadas tecnologias, enquanto o escopo est&aacute; associado ao n&uacute;mero de produtos e processos distintos em determinado portf&oacute;lio. Essa dimens&atilde;o depende da postura tecnol&oacute;gica da firma, do posicionamento em rela&ccedil;&atilde;o ao risco, das percep&ccedil;&otilde;es quanto ao ambiente, dos recursos financeiros e da capacidade de gerir a complexidade do portf&oacute;lio. Um portf&oacute;lio mais amplo permite &agrave; empresa ter acesso a v&aacute;rias oportunidades de mercado, reduz sua vulnerabilidade a tecnologias rivais e permite que a empresa se concentre na converg&ecirc;ncia de diferentes tecnologias para criar novos mercados. No entanto, pode sobrecarregar a organiza&ccedil;&atilde;o da empresa, seus recursos e sua gest&atilde;o (ZAHRA, 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Num contexto em que se aprofunda a tens&atilde;o entre a capacidade crescente de codifica&ccedil;&atilde;o do conhecimento e a amplia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de conhecimento t&aacute;cito acumulado por indiv&iacute;duos, empresas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, a gest&atilde;o dos ativos intang&iacute;veis assume uma fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. Geroski (1995) sustenta que as patentes ajudam a criar um mercado de conhecimento. Ao garantir direitos de propriedade aos inovadores, permitem superar os problemas de n&atilde;o exclusividade ao mesmo tempo em que favorecem a difus&atilde;o do conhecimento. Como consequ&ecirc;ncia, a propriedade intelectual pode servir &agrave;s empresas n&atilde;o apenas como um instrumento central de apropria&ccedil;&atilde;o dos resultados do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico, mas tamb&eacute;m como fator de barganha para acesso ou abertura de mercados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de gastos com P&amp;D, segundo Cohen e Levinthal (1989), as atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas pelas empresas n&atilde;o s&oacute; geram inova&ccedil;&otilde;es como desenvolvem sua habilidade em identificar, assimilar e explorar o conhecimento dispon&iacute;vel no ambiente em que est&atilde;o inseridas, o que os autores chamam de capacidade de "aprendizagem" ou "absor&ccedil;&atilde;o" das firmas. As empresas podem realizar a pesquisa b&aacute;sica menos para resultados particulares do que para serem capazes de identificar o conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico potencialmente &uacute;til. Da mesma forma, a pesquisa b&aacute;sica permite &agrave;s firmas tornarem-se r&aacute;pidas seguidoras, habilitando-as a explorar os <i>spillovers</i> gerados por inova&ccedil;&atilde;o desenvolvida por concorrentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fontes externas de tecnologia - que abarcam licenciamentos, alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas, compra de tecnologias e o desenvolvimento de tecnologias atrav&eacute;s da contrata&ccedil;&atilde;o de outras empresas, universidades e centros de pesquisa - em certas circunst&acirc;ncias podem substituir o esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico pr&oacute;prio, mas frequentemente complementam os esfor&ccedil;os internos de P&amp;D . O licenciamento oferece &agrave; firma a oportunidade de explorar a propriedade intelectual de outra empresa, normalmente em troca do pagamento de <i>royalties</i> a partir das vendas. Tipicamente, o licenciamento de determinada tecnologia especifica as aplica&ccedil;&otilde;es e os mercados nos quais a tecnologia pode ser usada e, em geral, requer que o adquirente forne&ccedil;a ao propriet&aacute;rio acesso a qualquer melhoria na tecnologia (TIDD et al., 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para autores como Lane e Lubatkin (1998), as alian&ccedil;as de P&amp;D v&ecirc;m se tornando uma exig&ecirc;ncia para a sobreviv&ecirc;ncia em muitos mercados. A crescente import&acirc;ncia do fen&ocirc;meno &eacute; decorrente da maior complexidade das tecnologias, da redu&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida dos produtos e do foco de muitas empresas em suas compet&ecirc;ncias centrais. Sendo assim, para muitas empresas, as alian&ccedil;as de P&amp;D n&atilde;o s&atilde;o somente uma op&ccedil;&atilde;o, mas uma necessidade e uma fonte de vantagem competitiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aquisi&ccedil;&atilde;o de tecnologias dispon&iacute;veis no mercado nem sempre &eacute; a forma mais simples e menos custosa de se obter uma nova tecnologia. Al&eacute;m disso, as tecnologias de que se necessita podem n&atilde;o estar dispon&iacute;veis no mercado. Nesse contexto, e considerando a aus&ecirc;ncia de recursos e de tempo para o desenvolvimento da tecnologia em quest&atilde;o, a empresa pode decidir subcontratar outras empresas, universidades ou centros de pesquisa independentes para seu desenvolvimento (RIEG, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &uacute;ltima dimens&atilde;o proposta por Zahra &eacute; a prospec&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, que se refere ao monitoramento do desenvolvimento tecnol&oacute;gico para identificar desafios e oportunidades em seu setor de atua&ccedil;&atilde;o e em atividades conexas. A prospec&ccedil;&atilde;o &eacute; um componente integral da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica de uma empresa, uma vez que fornece aos executivos informa&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;as no ambiente e os auxilia a encontrar tecnologias substitutas. Baseados nas informa&ccedil;&otilde;es obtidas com a prospec&ccedil;&atilde;o, os executivos podem, por exemplo, ajustar os gastos da empresa com P&amp;D e manter a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica alinhada com o ambiente em que est&aacute; inserida a empresa (ZAHRA, 1996).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3 Tecnologia e estrutura de mercado na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.1 Quadro internacional</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Capanema e Palmeira Filho (2007), mais de dez mil empresas comp&otilde;em a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica mundial. Dados do Intercontinental Medical Statistics - IMS Health indicam que o valor das vendas globais alcan&ccedil;ou US$ 773 bilh&otilde;es em 2008, contra US$ 393 bilh&otilde;es em 2001. A estadunidense Pfizer, maior empresa do setor, apresentou em 2008 um faturamento na casa dos US$ 48 bilh&otilde;es, dos quais mais de 15% foi destinado &agrave;s atividades de P&amp;D (RADAELLI, 2006; GLOBAL 500, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do elevado n&uacute;mero absoluto de empresas, as principais firmas atuantes na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica s&atilde;o de grande porte e, em geral, constitu&iacute;das h&aacute; muitas d&eacute;cadas. Com o objetivo de disputar mercados de medicamentos voltados a classes terap&ecirc;uticas espec&iacute;ficas, envolvem-se frequentemente em opera&ccedil;&otilde;es de fus&atilde;o e aquisi&ccedil;&atilde;o. A estrutura de mercado &eacute; relativamente concentrada, existindo barreiras &agrave; entrada em fun&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o obtida atrav&eacute;s de patentes e da pr&oacute;pria intensidade dos investimentos em P&amp;D, que alimentam as estrat&eacute;gias de lan&ccedil;amento de novos produtos, assim como a reputa&ccedil;&atilde;o das marcas dos laborat&oacute;rios l&iacute;deres (RADAELLI, 2006). Com efeito, Capanema e Palmeira Filho (2007) ressaltam a crescente concentra&ccedil;&atilde;o de um setor tradicionalmente considerado oligopolista. As oito maiores empresas respondem por 40% do faturamento mundial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento de novos medicamentos &eacute; um longo e dispendioso processo. Em 2007, os laborat&oacute;rios associados &agrave; PhRMA (Pharmaceutical Research and Manufacturers of America) investiram, apenas nos EUA, US$ 58,8 bilh&otilde;es em pesquisa e desenvolvimento. Os gastos como porcentagem das vendas permaneceram altos, alcan&ccedil;ando 16,4% das vendas totais e 18,7% das vendas nos EUA. Em 2006, o custo m&eacute;dio para o desenvolvimento de um novo medicamento teria sido de nada menos que US$ 1,3 bilh&atilde;o, incluindo o custo do capital e de insucesso (PHARMACEUTICAL..., 2008). Al&eacute;m disso, o tempo para o desenvolvimento de uma droga varia entre 10 e 15 anos. Ao longo desse processo, a taxa de insucesso &eacute; muito alta. Dos 5.000-10.000 compostos inicialmente testados, 250 chegam aos testes pr&eacute;-cl&iacute;nicos, cinco alcan&ccedil;am os testes cl&iacute;nicos, e da&iacute; resulta a aprova&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica nova droga pelo FDA (Food and Drug Administration) (PHARMACEUTICAL..., 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Alencar (2007), no setor farmac&ecirc;utico o poder de mercado &eacute; criado mediante os direitos de exclusividade, com destaque para patentes e marcas. Radaelli (2006) acrescenta que a superioridade competitiva entre as grandes empresas farmac&ecirc;uticas &eacute; alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s das vantagens decorrentes do pioneirismo. Os concorrentes de um laborat&oacute;rio que desenvolve um medicamento pioneiro poder&atilde;o, no m&aacute;ximo, fazer melhorias a partir do medicamento inovador. A garantia &eacute; concedida pelo sistema de patentes, que concede ao inovador o monop&oacute;lio tempor&aacute;rio por sua inova&ccedil;&atilde;o e permite que a empresa promova seu produto, incentivando a lealdade &agrave; marca entre os "consumidores", categoria que neste caso abrange os m&eacute;dicos que prescrevem os medicamentos. As marcas registradas proporcionam vantagens competitivas na medida em que est&atilde;o associadas a padr&otilde;es de qualidade e fazem com que produtos semelhantes sejam considerados substitutos imperfeitos. De fato, os esfor&ccedil;os de <i>marketing</i> t&ecirc;m import&acirc;ncia cr&iacute;tica no setor, seja no lan&ccedil;amento de novos produtos, seja na sustenta&ccedil;&atilde;o das vendas dos mais antigos. Em 2000, a Merck investiu US$ 161 milh&otilde;es somente para a divulga&ccedil;&atilde;o do Vioxx, um montante superior ao que foi gasto no mesmo ano em bens de consumo de massa, como o refrigerante Pepsi (US$ 125 milh&otilde;es) e a cerveja Budweiser (US$ 146 milh&otilde;es) (RADAELLI, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de toda a import&acirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica competitiva da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, um segmento de mercado de relev&acirc;ncia cada vez maior &eacute; o de medicamentos gen&eacute;ricos, que, segundo dados da IMS Health, teria movimentado aproximadamente US$ 80 bilh&otilde;es em 2009 (<a href="http://www.progenericos.org.br/mercado.shtm" target="_blank">http://www.progenericos.org.br/mercado.shtm</a>l). Desde 2003, as taxas de crescimento das vendas de gen&eacute;ricos s&atilde;o, em m&eacute;dia, 44% superiores &agrave;s dos medicamentos de marca (IMS HEALTH, 2006). Considerando que at&eacute; 2011 devem expirar as patentes de v&aacute;rios medicamentos de marca, com vendas conjuntas de US$ 60 bilh&otilde;es, pode-se presumir que o segmento de gen&eacute;ricos continuar&aacute; a se expandir (ARNST, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.2 A ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia do mercado farmac&ecirc;utico brasileiro pode ser atestada a partir de dados do Grupo de Profissionais Executivos do Mercado Farmac&ecirc;utico (GRUPO..., 2008). As vendas em 2007 atingiram quase R$ 30 bilh&otilde;es, cifra derivada da venda de 1,8 bilh&atilde;o de unidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse mercado, tem crescido a participa&ccedil;&atilde;o dos laborat&oacute;rios controlados por capital nacional. As empresas nacionais, que respondiam em 2000 por 28,2% do valor das vendas, alcan&ccedil;aram em 2005 uma participa&ccedil;&atilde;o de 40,6%. Na d&eacute;cada de 1980, embora representassem cerca de 80% do n&uacute;mero total de empresas farmac&ecirc;uticas instaladas no Brasil, sua parcela de mercado correspondia a n&atilde;o mais que 20% (QUEIROZ; GONZ&Aacute;LES, 2001). Apesar do crescimento das empresas nacionais desde meados da d&eacute;cada de 1990, essas empresas ainda n&atilde;o teriam alcan&ccedil;ado o porte para participar com autonomia do processo competitivo da cadeia farmac&ecirc;utica (CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2007). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, a balan&ccedil;a comercial de produtos farmac&ecirc;uticos (n&atilde;o inclu&iacute;dos os insumos farmac&ecirc;uticos) reflete a fragilidade do setor no Brasil, apresentando sucessivos saldos negativos. Apesar de a taxa de crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es ser maior que a das importa&ccedil;&otilde;es desde 1997, as importa&ccedil;&otilde;es continuavam a ser cerca de quatro vezes superiores &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es em 2007 (CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2007). Gadelha e Maldonado (2008) argumentam que o patamar de exporta&ccedil;&otilde;es, ainda bastante reduzido, evidencia a marcante assimetria no padr&atilde;o de inser&ccedil;&atilde;o internacional da farmac&ecirc;utica brasileira no &acirc;mbito do com&eacute;rcio exterior. A desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do mercado brasileiro de farmoqu&iacute;micos e adjuvantes est&aacute; expressa no fato de as importa&ccedil;&otilde;es representarem o dobro da produ&ccedil;&atilde;o local e quatro vezes o valor das exporta&ccedil;&otilde;es (CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia crescente dos medicamentos gen&eacute;ricos contribuiu decisivamente para o aumento da participa&ccedil;&atilde;o das empresas nacionais no mercado brasileiro. De acordo com dados do IMS Health, as vendas dos gen&eacute;ricos no Brasil movimentaram R$ 2 bilh&otilde;es em 2008 (MAIA, 2009). Segundo Pedro Palmeira, chefe do Departamento de Produtos Intermedi&aacute;rios, Qu&iacute;micos e Farmac&ecirc;uticos do BNDES, a venda de gen&eacute;ricos permitiu a empresas como Ach&eacute;, EMS, Eurofarma e Medley fazerem caixa para avan&ccedil;ar na inova&ccedil;&atilde;o de produtos mais sofisticados, tanto gen&eacute;ricos como drogas de marca, caminho semelhante ao trilhado pelos laborat&oacute;rios indianos (CAPANEMA; PALMEIRA FILHO, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para entender melhor a trajet&oacute;ria recente da ind&uacute;stria, &eacute; preciso reconstituir a evolu&ccedil;&atilde;o de algumas institui&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m efeitos cr&iacute;ticos sobre a conduta das empresas e a estrutura do mercado. Conforme Bermudez et al. (2000), citado em Hasenclever (2002), a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira de propriedade intelectual suspendeu a partir de 1945 a patente de produtos e, em 1969, a de processos farmac&ecirc;uticos. O n&atilde;o reconhecimento de patentes e a permiss&atilde;o da c&oacute;pia tinham como objetivos declarados reduzir custos e incentivar o P&amp;D no setor farmac&ecirc;utico. No entanto, a ind&uacute;stria nacional, apesar dos menores custos com o licenciamento de tecnologia, n&atilde;o chegou a intensificar os investimentos em P&amp;D, especializando-se na c&oacute;pia de medicamentos de marca estrangeiros. Durante o per&iacute;odo em que as patentes farmac&ecirc;uticas n&atilde;o eram reconhecidas, proliferaram no Brasil os similares, medicamentos geralmente fornecidos por empresas nacionais que prop&otilde;em a mesma a&ccedil;&atilde;o da droga original por pre&ccedil;o inferior (URIAS, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas caracter&iacute;sticas da din&acirc;mica do mercado farmac&ecirc;utico brasileiro antes da Lei de Patentes podem ser ilustradas pelo grupo Ach&eacute;, at&eacute; ent&atilde;o o maior laborat&oacute;rio farmac&ecirc;utico nacional. N&atilde;o tendo custos significativos com P&amp;D, o Ach&eacute; podia vender produtos similares por pre&ccedil;os inferiores aos dos medicamentos de refer&ecirc;ncia, usando em sua propaganda o argumento de "mesma qualidade com pre&ccedil;os inferiores" para convencer o m&eacute;dico a prescrev&ecirc;-los. A estrat&eacute;gia obteve &ecirc;xito, colocando o grupo durante a d&eacute;cada de 1990 entre as cinco maiores empresas farmac&ecirc;uticas do mercado brasileiro, &agrave; frente de empresas multinacionais de grande porte (URIAS, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aprova&ccedil;&atilde;o da Lei de Propriedade Intelectual, em 1996, e da Lei do Medicamento Gen&eacute;rico, em 1999, teria dificultado as estrat&eacute;gias anteriores das empresas farmac&ecirc;uticas nacionais, fortemente assentadas em fixa&ccedil;&atilde;o de marcas, controle de canais de distribui&ccedil;&atilde;o e amplas equipes de promotores de vendas. A estrat&eacute;gia que dera a essas empresas certo posicionamento de mercado era insuficiente para garantir competitividade no mercado de gen&eacute;ricos, produtos comercializados fundamentalmente com base no nome do princ&iacute;pio ativo. No novo contexto institucional, de um lado, tornou-se imposs&iacute;vel simplesmente copiar produtos com patentes vigentes e, de outro, a fabrica&ccedil;&atilde;o de produtos equivalentes a medicamentos de refer&ecirc;ncia com patentes expiradas (gen&eacute;ricos) passou a sujeitar-se a uma regulamenta&ccedil;&atilde;o rigorosa. Tendo dificultado a estrat&eacute;gia anterior, o novo marco regulat&oacute;rio teria induzido as empresas locais a refor&ccedil;arem suas capacidades tecnol&oacute;gicas e intensificarem o esfor&ccedil;o de P&amp;D no pa&iacute;s (URIAS; FURTADO, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem v&aacute;rias evid&ecirc;ncias dispersas dessa intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico. No caso do laborat&oacute;rio Ach&eacute;, o exemplo mais emblem&aacute;tico &eacute; o desenvolvimento do Acheflan, um antiinflamat&oacute;rio fitoter&aacute;pico. Criado a partir da <i>cordia verben&aacute;cea</i> (erva baleeira), tornou-se conhecido por ter sido o primeiro medicamento desenvolvido com tecnologia 100% nacional. Come&ccedil;ou a ser comercializado em junho de 2005.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em novembro de 2007, cerca de dez anos ap&oacute;s a chegada do Viagra ao Brasil, a Crist&aacute;lia anunciou o lan&ccedil;amento de um medicamento para o tratamento de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, o Helleva (carbonato de lodenafila). O mercado brasileiro era, naquele momento, o segundo maior do mundo em volume de vendas - e o quarto em valor - de comprimidos para disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til. A estrat&eacute;gia competitiva utilizada pela Crist&aacute;lia &eacute; praticar um pre&ccedil;o no m&iacute;nimo 25% menor que o do concorrente mais barato vendido no mercado (VIEIRA, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve tamb&eacute;m iniciativas organizacionais pioneiras, como a forma&ccedil;&atilde;o de <i>joint-ventures</i> para o desenvolvimento de tecnologia. Formada em outubro de 2005 pelos laborat&oacute;rios nacionais Eurofarma e Biolab-Sanus, a Incrementha &eacute; um centro para pesquisa, desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica (P,D&amp;I) de novos produtos. Na primeira fase da empresa, o objetivo era desenvolver inova&ccedil;&otilde;es incrementais e, em particular, aperfei&ccedil;oar mol&eacute;culas j&aacute; conhecidas. Portanto, o foco da empresa estava nas novas formula&ccedil;&otilde;es, novas indica&ccedil;&otilde;es e novas combina&ccedil;&otilde;es de drogas j&aacute; conhecidas. Em dez anos, a empresa previa o in&iacute;cio das pesquisas de inova&ccedil;&atilde;o radical (gera&ccedil;&atilde;o de novas mol&eacute;culas) (URIAS, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra iniciativa que envolve mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; o Coinfar (Cons&oacute;rcio da Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica), <i>joint-venture</i> de P&amp;D formada por tr&ecirc;s laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos brasileiros: Biolab-Sanus, Uni&atilde;o Qu&iacute;mica e Ach&eacute;. A parceria nasceu de uma iniciativa do governo do Estado de S&atilde;o Paulo e da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp) de tentar gerar tecnologias nacionais a partir da biodiversidade brasileira (SANTOS et al., 2008). Um dos projetos priorit&aacute;rios da alian&ccedil;a &eacute; o da <i>enpak</i> (<i>endogenous pain killer</i>), prote&iacute;na com poder analg&eacute;sico obtida a partir do veneno da cascavel. Trata-se de um analg&eacute;sico que tem se mostrado muito potente (600 vezes mais potente do que a morfina). A avalia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-cl&iacute;nica da toxicologia se iniciou no primeiro semestre de 2008.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora sejam relevantes, essas evid&ecirc;ncias esparsas n&atilde;o s&atilde;o suficientes para uma avalia&ccedil;&atilde;o mais sistem&aacute;tica do desempenho tecnol&oacute;gico da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira. Um ponto de partida para tal avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os dados da Pintec (PESQUISA..., 2008)  (Pesquisa de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica) sobre o setor farmac&ecirc;utico nacional. A pesquisa fornece informa&ccedil;&otilde;es sobre muitos aspectos do processo de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica das empresas farmac&ecirc;uticas instaladas no pa&iacute;s, sejam elas controladas por capital nacional ou n&atilde;o, e permite a elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores com comparabilidade internacional (<a href="http://www.pintec.ibge.gov.br/" target="_blank">http://www.pintec.ibge.gov.br/</a>). Cabe salientar que, na maioria dos temas investigados, a pesquisa interroga as empresas sobre seu comportamento nos tr&ecirc;s anos imediatamente anteriores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Pintec (PESQUISA..., 2008) cobriu na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica um total de 495 empresas - dessas, 315 (63%) realizaram inova&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo de 2006 a 2008. Dessas empresas inovadoras, 236 (75%) desenvolveram inova&ccedil;&otilde;es de produto e 217 (69%) de processo. Das 236 empresas inovadoras em produto, 171 (72%) introduziram novidades para a empresa, e 83 (35%), produtos novos em n&iacute;vel nacional, dado que demonstra que grande parte das inova&ccedil;&otilde;es realizadas por empresas farmac&ecirc;uticas nacionais s&oacute; o s&atilde;o para a pr&oacute;pria empresa. Certamente n&atilde;o &eacute; estranho a esse resultado o fato de as multinacionais instaladas no Brasil realizarem esfor&ccedil;os inovativos locais muito limitados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das informa&ccedil;&otilde;es da Pintec se refere ao grau de novidade das inova&ccedil;&otilde;es de produto - 22% eram aprimoramentos de um produto j&aacute; existente, e os restantes 78%, produtos completamente novos para a empresa. No caso de produtos novos em n&iacute;vel nacional, mas j&aacute; existentes no mercado mundial, 52% eram aprimoramentos de produtos j&aacute; existentes, enquanto os outros eram completamente novos para a empresa. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos 14 produtos novos para o mercado mundial, cinco eram completamente novos tamb&eacute;m para a empresa. Note-se que apenas 6% das inova&ccedil;&otilde;es de produto da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira se enquadravam nessa categoria de maior alcance. Embora modesto, esse percentual superava o encontrado na ind&uacute;stria brasileira em geral (1,2%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No tocante aos disp&ecirc;ndios com as atividades inovativas, os dados da Pintec (PESQUISA... 2008) apresentam os esfor&ccedil;os das empresas como propor&ccedil;&atilde;o da receita l&iacute;quida de vendas. Somando-se o P&amp;D interno e externo das empresas farmac&ecirc;uticas, chega-se a um percentual de 1,4%. Como a porcentagem das vendas totais dos laborat&oacute;rios dos EUA gasta em P&amp;D situa-se em m&eacute;dia acima de 15%, &eacute; inequ&iacute;voco que os disp&ecirc;ndios da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica instalada no Brasil - compreendendo tanto empresas nacionais quanto multinacionais - seguem sendo muito baixos, tanto em termos de porcentagem da receita l&iacute;quida de vendas quanto em termos absolutos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados da Pintec (PESQUISA..., 2008) sobre os m&eacute;todos de prote&ccedil;&atilde;o utilizados pelas empresas farmac&ecirc;uticas que realizaram inova&ccedil;&otilde;es revelam que em 226 casos foram utilizadas marcas, e em apenas 55, patentes. O baixo n&uacute;mero de patentes &eacute; compat&iacute;vel com o alcance restrito das inova&ccedil;&otilde;es reportado anteriormente, j&aacute; que essa forma de prote&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e um escopo mais abrangente da inova&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a frequ&ecirc;ncia muito maior do uso de marcas - maior at&eacute; do que na m&eacute;dia da ind&uacute;stria - indica que os ativos comerciais continuam a ter grande import&acirc;ncia para as empresas farmac&ecirc;uticas brasileiras. Das 315 empresas fabricantes de produtos farmac&ecirc;uticos que implementaram inova&ccedil;&otilde;es, apenas 46 (15%) dispunham de patentes em vigor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto importante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o com outras organiza&ccedil;&otilde;es. De acordo com a Pintec (PESQUISA..., 2008), no caso das empresas farmac&ecirc;uticas que desenvolveram inova&ccedil;&otilde;es em parceria, dentre as rela&ccedil;&otilde;es consideradas de alta import&acirc;ncia, destacam-se as com fornecedores (53%), consultorias (35%) e universidades e institutos de pesquisa (34%). As rela&ccedil;&otilde;es com concorrentes atingiram esse mesmo n&iacute;vel de import&acirc;ncia para apenas 5% das empresas. Embora pouco expressivas em termos quantitativos, iniciativas como o Coinfar e a Incrementha seriam de grande import&acirc;ncia por poderem ajudar a superar a dificuldade estrutural decorrente do porte relativamente pequeno dos laborat&oacute;rios brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro ponto de grande relev&acirc;ncia pesquisado pela Pintec (PESQUISA..., 2008) s&atilde;o os obst&aacute;culos encontrados para a realiza&ccedil;&atilde;o da atividade de inova&ccedil;&atilde;o. Empresas farmac&ecirc;uticas que implementaram inova&ccedil;&otilde;es destacavam como obst&aacute;culos considerados de alta import&acirc;ncia os elevados custos de inova&ccedil;&atilde;o (50%), os riscos econ&ocirc;micos excessivos (37%) e a dificuldade para se adequar a padr&otilde;es, normas e regulamenta&ccedil;&otilde;es (32%). Tal avalia&ccedil;&atilde;o certamente &eacute; influenciada pelo que se pode chamar de efeito "massa cr&iacute;tica", isto &eacute;, as dificuldades associadas ao porte muito inferior das empresas farmac&ecirc;uticas em rela&ccedil;&atilde;o ao das multinacionais, que n&atilde;o s&oacute; restringem os esfor&ccedil;os inovativos das empresas nacionais, mas tamb&eacute;m as levam a enfocar projetos mais baratos, de menor risco e, inevitavelmente, de muito menor potencial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o obstante seja quando muito modesto o desempenho que se pode inferir da Pintec (PESQUISA..., 2008), deve-se registrar que a compara&ccedil;&atilde;o com an&aacute;lise semelhante feita com base nos dados da Pintec de 2005 (SANTOS, 2010) indica melhorias relevantes em v&aacute;rios desses indicadores. O percentual de empresas inovadoras no setor farmac&ecirc;utico aumentou de 53% para 63%. No caso das inova&ccedil;&otilde;es de produtos, ampliou-se de 25% para 35% a propor&ccedil;&atilde;o de empresas que introduziram produtos que s&atilde;o novos n&atilde;o apenas para a pr&oacute;pria empresa, mas pelo menos para o mercado nacional. O n&uacute;mero de empresas que relatam o uso de patentes como meio de prote&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico continuou a ser minorit&aacute;rio, mas duplicou de 27 para 55. Do mesmo modo, o n&uacute;mero de produtos novos para o mercado mundial, embora ainda pequeno, dobrou de sete para 14. Destoando dessa trajet&oacute;ria, por&eacute;m, situa-se a propor&ccedil;&atilde;o de empresas inovadoras que avalia como de alta import&acirc;ncia a coopera&ccedil;&atilde;o com universidades e institutos de pesquisa, que caiu de 47% para 34%.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4 Estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas em laborat&oacute;rios nacionais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4.1 Metodologia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da relev&acirc;ncia dos dados coletados e tabulados pela Pintec, a caracteriza&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas de empresas farmac&ecirc;uticas de capital nacional, objetivo central do estudo, exigia o levantamento de um conjunto mais amplo de informa&ccedil;&otilde;es. Com esse prop&oacute;sito, foram de in&iacute;cio sistematizadas as informa&ccedil;&otilde;es publicadas sobre as estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas das empresas identificadas como alvo da pesquisa. As principais fontes para esse levantamento, que cobriu o per&iacute;odo 2000-2008, foram os sites das empresas, os jornais <i>Valor Econ&ocirc;mico</i> e <i>Gazeta Mercantil</i>, as publica&ccedil;&otilde;es do BNDES Setorial, a revista eletr&ocirc;nica <i>Inova&ccedil;&atilde;o Unicamp</i> e o site da Pr&oacute;-Gen&eacute;ricos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que isso, foi realizada uma pesquisa de campo baseada em entrevistas semiestruturadas junto a seis importantes empresas farmac&ecirc;uticas de capital nacional: Ach&eacute; (3ª colocada no <i>ranking</i> de vendas no varejo dos laborat&oacute;rios nacionais), Biolab-Sanus (15ª), Crist&aacute;lia (que n&atilde;o est&aacute; entre as vinte maiores no varejo, mas &eacute; um fornecedor de destaque de medicamentos aos hospitais), EMS-Sigma Pharma (1ª), Eurofarma (6ª) e Medley (4ª), segundo dados de julho de 2009 da IMS Health (IMS Health, 2009). O objetivo do roteiro de entrevista, como j&aacute; se disse, era descrever os componentes das estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas das empresas pesquisadas, tendo como fundamento principal as dimens&otilde;es da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica propostas por Zahra (1996). Como em algumas empresas houve mais de uma entrevista e, em alguns casos, dois e at&eacute; tr&ecirc;s representantes delas foram interrogados, foram realizadas nove entrevistas com um total de dez entrevistados, todos ocupantes de cargos de dire&ccedil;&atilde;o ou ger&ecirc;ncia nas &aacute;reas respons&aacute;veis pelo P&amp;D. Afora duas experi&ecirc;ncias em car&aacute;ter piloto em 2008, a maioria das entrevistas ocorreu entre mar&ccedil;o e setembro de 2009. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do porte, as empresas foram selecionadas a partir da identifica&ccedil;&atilde;o na literatura setorial de evid&ecirc;ncias - como as apresentadas na se&ccedil;&atilde;o 3.2 -  de inflex&atilde;o nas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas, constituindo casos potencialmente reveladores de intensifica&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico. Ainda que a amostra assim constitu&iacute;da n&atilde;o possa ter qualquer pretens&atilde;o de representatividade estat&iacute;stica, tentou-se cobrir abrangentemente o conjunto de empresas farmac&ecirc;uticas de capital nacional mais ativas no desenvolvimento de tecnologia. Nesse contexto, a investiga&ccedil;&atilde;o realizada pode ser caracterizada como um estudo de m&uacute;ltiplos casos. Segue-se uma sucinta caracteriza&ccedil;&atilde;o das empresas estudadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O laborat&oacute;rio Ach&eacute; est&aacute; h&aacute; mais de 40 anos no mercado farmac&ecirc;utico nacional e atua nos segmentos de medicamentos vendidos sob prescri&ccedil;&atilde;o, gen&eacute;ricos e &eacute;ticos. O faturamento da empresa em 2009 foi de R$ 1,7 bilh&atilde;o. J&aacute; em 2008, as vendas totais da companhia haviam sido de R$ 1,49 bilh&atilde;o. A unidade de neg&oacute;cios de gen&eacute;ricos foi respons&aacute;vel por 19% dessa cifra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fundado em 1936, o grupo Castro Marques, de capital nacional, atua no mercado farmac&ecirc;utico atrav&eacute;s da Biolab, da Uni&atilde;o Qu&iacute;mica e da Sintefina. Enquanto a Biolab &eacute; respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos vendidos sob prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, a Uni&atilde;o Qu&iacute;mica atua nos segmentos de gen&eacute;ricos e medicamentos &eacute;ticos, e a Sintefina, na produ&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de princ&iacute;pios ativos (<a href="http://www.uniaoquimica.com.br/historico.html" target="_blank">http://www.uniaoquimica.com.br/historico.html</a>). Em 2009, o faturamento da Biolab foi de R$ 540 milh&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O laborat&oacute;rio Crist&aacute;lia iniciou suas opera&ccedil;&otilde;es em 1972. A empresa come&ccedil;ou como uma cl&iacute;nica psiqui&aacute;trica que, com o intuito de baixar seu custo operacional, passou a fabricar medicamentos para utiliza&ccedil;&atilde;o interna. Com cerca de 2.000 empregados e faturamento em torno de R$ 600 milh&otilde;es em 2009, o laborat&oacute;rio tem tr&ecirc;s unidades farmac&ecirc;uticas em funcionamento, uma em S&atilde;o Paulo, dedicada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de injet&aacute;veis, e outras duas em Itapira (SP). Nesta unidade est&atilde;o localizadas as divis&otilde;es de farmoqu&iacute;mica e de biotecnologia, que est&aacute; funcionando em escala-piloto. De acordo com a Crist&aacute;lia, os gen&eacute;ricos n&atilde;o s&atilde;o seu foco, n&atilde;o tendo representatividade na carteira de produtos da companhia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O laborat&oacute;rio EMS-Sigma Pharma foi fundado em 1964, com a constru&ccedil;&atilde;o da primeira f&aacute;brica em S&atilde;o Bernardo do Campo. Em 2002, foram investidos R$ 25 milh&otilde;es no complexo de Hortol&acirc;ndia para a constru&ccedil;&atilde;o do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento. A empresa faturou R$ 2,1 bilh&otilde;es em 2008. No ano anterior, segundo dados da IMS Health, os gen&eacute;ricos representaram 49% do faturamento e 52% da produ&ccedil;&atilde;o da EMS (NUNES, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Eurofarma iniciou sua trajet&oacute;ria em 1972, com o nome de Billi Farmac&ecirc;utica, fabricando medicamentos para terceiros, laborat&oacute;rios nacionais e multinacionais. Em 1993, adotou o nome Eurofarma, atuando sob uma &uacute;nica marca. Segundo o site da empresa, seu faturamento foi de R$ 1,2 bilh&atilde;o em 2009. A divis&atilde;o de gen&eacute;ricos iniciou suas atividades em 2001 e tem contribu&iacute;do substancialmente para a taxa m&eacute;dia de crescimento anual da empresa na ordem de 15-20% nos &uacute;ltimos cinco anos. Em 2008, o segmento respondeu por 16% do total do faturamento do laborat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A marca Medley surgiu em 1996, como substituta do Instituto Qu&iacute;mico de Campinas. A empresa teve uma grande ascens&atilde;o a partir do ano 2000, passando da 40ª coloca&ccedil;&atilde;o para a 3ª posi&ccedil;&atilde;o no <i>ranking</i> nacional, devido principalmente a sua linha de gen&eacute;ricos, os quais representam cerca de 70% do portf&oacute;lio da empresa. O laborat&oacute;rio entrou neste segmento em 2000. Ap&oacute;s esse ano, o crescimento da Medley foi exponencial. A empresa se destacou por estrat&eacute;gias comerciais agressivas, concedendo descontos de at&eacute; 80% sobre seus pre&ccedil;os b&aacute;sicos e prazos de pagamentos superiores a 200 dias. Essa pol&iacute;tica a levou &agrave; lideran&ccedil;a no mercado brasileiro de gen&eacute;ricos, mas a conquista teve um alto custo em termos de deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de financeira da empresa (VIEIRA, 2009). Em seu site, Medley declara um faturamento de R$ 458 milh&otilde;es em 2008 ( <a href="http://www.medley.com.br/src/" target="_blank">http://www.medley.com.br/src/</a>). A empresa foi vendida para a francesa Sanofi-Aventis em 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4.2 Discuss&atilde;o dos resultados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa se&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentada a discuss&atilde;o dos resultados dos estudos de caso. Pretende-se comparar as principais caracter&iacute;sticas das posturas tecnol&oacute;gicas das empresas pesquisadas, tendo como pano de fundo as mudan&ccedil;as institucionais discutidas na se&ccedil;&atilde;o 3.2. O <a href="/img/revistas/gp/v19n2/a13qua01.jpg">Quadro 1</a>, localizado ao final desta se&ccedil;&atilde;o, resume a caracteriza&ccedil;&atilde;o das empresas da amostra frente a alguns dos principais elementos que comp&otilde;em e definem a estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica. Esse quadro cobre diretamente quatro das dimens&otilde;es das estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas propostas por Zahra (1996) que, ao mesmo tempo, i) s&atilde;o pass&iacute;veis de caracteriza&ccedil;&atilde;o mais objetiva e ii) puderam ser inequivocamente tipificadas a partir da pesquisa de campo. Al&eacute;m disso, o quadro sintetiza as respostas a algumas quest&otilde;es pertinentes especificamente a tecnologias farmac&ecirc;uticas que s&atilde;o muito importantes para descrever a dire&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o inovativo e detalhar o conte&uacute;do do portf&oacute;lio tecnol&oacute;gico das empresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como j&aacute; se discutiu, as patentes s&atilde;o importantes mecanismos de apropria&ccedil;&atilde;o dos frutos da inova&ccedil;&atilde;o no setor farmac&ecirc;utico. Apesar de ser relativamente recente a retomada da prote&ccedil;&atilde;o patent&aacute;ria a inova&ccedil;&otilde;es farmac&ecirc;uticas no Brasil e das dificuldades intr&iacute;nsecas para se inovar num setor cuja din&acirc;mica tecnol&oacute;gica &eacute; marcada pela complexidade da base cient&iacute;fica e por investimentos bilion&aacute;rios de empresas gigantescas, a pesquisa identificou um despertar por parte das empresas nacionais tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; import&acirc;ncia das inova&ccedil;&otilde;es para a sustenta&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o no mercado quanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das descobertas. Outro indicador do despertar das empresas farmac&ecirc;uticas nacionais para o patenteamento de suas descobertas &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o de equipes internas para tratar especificamente da propriedade intelectual. Praticamente todas as empresas possuem uma equipe dedicada a esse prop&oacute;sito, com exce&ccedil;&atilde;o da Medley, da qual n&atilde;o obtivemos resposta a essa quest&atilde;o. O n&uacute;mero de profissionais de tais equipes &eacute;, no entanto, pequeno, prevalecendo em sua composi&ccedil;&atilde;o farmac&ecirc;uticos, bi&oacute;logos e qu&iacute;micos. Al&eacute;m do patenteamento no Brasil, h&aacute; uma crescente preocupa&ccedil;&atilde;o de faz&ecirc;-lo no exterior, vislumbrando um mercado futuro internacional. No tocante aos esfor&ccedil;os de patenteamento, o maior destaque entre os laborat&oacute;rios nacionais estudados cabe &agrave; Crist&aacute;lia, com oito patentes concedidas e 60 dep&oacute;sitos no Brasil e no exterior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o da propriedade intelectual, as evid&ecirc;ncias colhidas junto &agrave;s empresas nos permitem afirmar que as empresas farmac&ecirc;uticas nacionais pesquisadas continuam a patentear pouco fundamentalmente porque geram poucas inova&ccedil;&otilde;es patente&aacute;veis. Boa parte do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico - que, como j&aacute; se discutiu, &eacute; pequeno para os padr&otilde;es internacionais - &eacute; direcionada a objetivos que, por defini&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o capazes de gerar patentes, como o desenvolvimento de similares e de gen&eacute;ricos. Nesse contexto, &eacute; absolutamente compreens&iacute;vel n&atilde;o s&oacute; a primazia de inova&ccedil;&otilde;es que s&oacute; o s&atilde;o para a empresa, mas principalmente a prefer&ecirc;ncia, revelada pela Pintec, por marcas e outros ativos comerciais como mecanismos de apropria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dimens&atilde;o de prospec&ccedil;&atilde;o ou monitora&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica, praticamente todas as empresas da amostra afirmaram possuir uma &aacute;rea ou departamento voltado a essa atividade. As empresas veem a prospec&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica como forma de analisar as tend&ecirc;ncias de mercado de modo a obter uma base para a elabora&ccedil;&atilde;o de suas estrat&eacute;gias. Uma atividade central do processo de monitoramento &eacute; a leitura e an&aacute;lise das patentes de outras empresas, sobretudo as de multinacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra dimens&atilde;o da estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica s&atilde;o as fontes de tecnologia da empresa, podendo ser elas internas ou externas. Ao longo das entrevistas foi poss&iacute;vel notar a grande import&acirc;ncia dos institutos de pesquisa e, sobretudo, das universidades para a gera&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&atilde;o por empresas nacionais, especialmente no caso das inova&ccedil;&otilde;es de maior alcance. Todas as empresas da amostra lan&ccedil;am m&atilde;o de parcerias com universidades e institutos de pesquisa nacionais para o desenvolvimento de medicamentos a partir de novas mol&eacute;culas. No caso das inova&ccedil;&otilde;es incrementais, as empresas desenvolvem com mais frequ&ecirc;ncia os projetos internamente, mas tamb&eacute;m adotam parcerias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a rela&ccedil;&atilde;o universidade-empresa ainda apresenta gargalos. Uma cr&iacute;tica recorrente entre empresas entrevistadas &eacute; que muitos dos projetos das universidades n&atilde;o visam o consumidor final, o que impede a sociedade de se beneficiar das descobertas da academia. Na vis&atilde;o das empresas, um dos obst&aacute;culos ao desenvolvimento dessas rela&ccedil;&otilde;es &eacute; a prioridade absoluta conferida nas universidades &agrave; publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, o que teria implica&ccedil;&otilde;es adversas para os pedidos de patentes e a apropriabilidade de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas derivadas do conhecimento cient&iacute;fico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s decis&otilde;es de investimentos em P&amp;D dos laborat&oacute;rios da amostra, optou-se por um conceito mais amplo do que o proposto por Zahra (1996), incluindo n&atilde;o somente as decis&otilde;es quanto ao n&iacute;vel de gasto, mas tamb&eacute;m outros aspectos igualmente importantes do investimento em P&amp;D, como a exist&ecirc;ncia de um laborat&oacute;rio dedicado &agrave; atividade. Uma dificuldade encontrada na pesquisa se refere &agrave;s diferentes concep&ccedil;&otilde;es de P&amp;D nas empresas, o que afeta a comparabilidade dos esfor&ccedil;os realizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Informa&ccedil;&otilde;es obtidas na pesquisa de campo indicam que a intensidade dos gastos em P&amp;D das empresas nacionais l&iacute;deres da ind&uacute;stria tende a ser substancialmente maior do que a m&eacute;dia detectada pela Pintec. Tomando-se a porcentagem sobre o faturamento bruto, sobressaem Crist&aacute;lia (6-7,5% do faturamento bruto), EMS (6%) e, em seguida, Biolab (em m&eacute;dia, 5%). A Eurofarma, que declarou investir em atividades de P&amp;D 7% de sua receita l&iacute;quida de vendas, estaria num patamar semelhante. Segundo essa base, a Ach&eacute; estaria em &uacute;ltimo lugar (2% a 3% do faturamento bruto), abaixo tamb&eacute;m da Medley (3-6%). No entanto, considerando que se trata de um dos laborat&oacute;rios nacionais mais bem posicionados em termos de faturamento no <i>ranking</i> brasileiro, o valor total investido pode superar o da Biolab, Crist&aacute;lia e Medley. Em termos de montante, a Ach&eacute; afirma investir de R$ 18 a 20 milh&otilde;es em P&amp;D, enquanto a Biolab, de R$ 15 a 20 milh&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De todo modo, se compararmos os esfor&ccedil;os das empresas nacionais com os das multinacionais, mesmo lembrando que temos pouco mais de dez anos de prote&ccedil;&atilde;o patent&aacute;ria, ainda se observa uma grande discrep&acirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; em termos de porcentagem do faturamento, mas principalmente em termos absolutos, j&aacute; que o porte das empresas brasileiras &eacute; muito menor do que o de suas cong&ecirc;neres de pa&iacute;ses desenvolvidos. Como se viu, nos EUA os gastos com P&amp;D como porcentagem das vendas totais alcan&ccedil;aram em m&eacute;dia 16,4% em 2007. No caso das empresas pesquisadas, o valor n&atilde;o supera em nenhum caso 7,5%. Considerando-se a diferen&ccedil;a de porte das empresas, o hiato se aprofunda. Enquanto nas empresas brasileiras o or&ccedil;amento anual de P&amp;D se situa na casa das dezenas de milh&otilde;es de reais, na l&iacute;der mundial, a estadunidense Pfizer, o valor atinge algo em torno de US$ 7 bilh&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de laborat&oacute;rio de P&amp;D interno, todas as empresas possuem alguma organiza&ccedil;&atilde;o desse tipo, mas realizam nele diferentes atividades. A Medley foi a &uacute;nica que o classificou como de desenvolvimento, ou seja, sem atividades de pesquisa propriamente ditas. A Ach&eacute;, embora n&atilde;o possua um laborat&oacute;rio interno, afirma realizar pesquisa junto a universidades e prestadoras de servi&ccedil;os e tem a inten&ccedil;&atilde;o de criar um laborat&oacute;rio para internalizar etapas estrat&eacute;gicas, como o <i>screening</i>, a busca por novas mol&eacute;culas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A dimens&atilde;o de produtos novos e tecnologicamente melhorados introduzidos no mercado apontada por Zahra (1996) foi interpretada neste estudo da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica como a descri&ccedil;&atilde;o do porft&oacute;lio de projetos das empresas da amostra. Tamb&eacute;m aqui &eacute; poss&iacute;vel notar uma grande diferen&ccedil;a no tamanho do portf&oacute;lio das empresas, destacando-se os casos da Biolab, com 60 projetos, e da Medley e EMS, com 30 projetos. No entanto, &eacute; importante atentar que n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o, nos dois &uacute;ltimos casos, quanto &agrave; natureza dos produtos. Dadas as inser&ccedil;&otilde;es de mercado dessas empresas, caracterizadas pelo grande peso dos gen&eacute;ricos, &eacute; razo&aacute;vel supor que EMS e Medley consideraram projetos de gen&eacute;ricos, os quais s&atilde;o menos complexos e demandam um tempo de desenvolvimento inferior a de projetos mais ambiciosos. Considerando a natureza da composi&ccedil;&atilde;o da carteira de projetos, &eacute; poss&iacute;vel destacar o esfor&ccedil;o de empresas como Crist&aacute;lia e Biolab no sentido de desenvolver projetos inovadores, sejam eles radicais ou incrementais. O esfor&ccedil;o da Eurofarma tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser menosprezado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe discutir tamb&eacute;m o conte&uacute;do das tecnologias de produto e processo em que as empresas v&ecirc;m investindo. Nesse sentido, buscou-se verificar se as empresas t&ecirc;m internalizadas as compet&ecirc;ncias tecnol&oacute;gicas necess&aacute;rias para a produ&ccedil;&atilde;o de farmoqu&iacute;micos. Ademais, quest&otilde;es sobre atividades de pesquisa internas voltadas &agrave; biotecnologia procuraram avaliar se a empresa busca desenvolver compet&ecirc;ncias em um segmento que est&aacute; come&ccedil;ando a ser montado no Brasil e para um paradigma tecnol&oacute;gico emergente. Por fim, uma quest&atilde;o referente aos fitoter&aacute;picos visou discutir se h&aacute; capacidade de aproveitar essa que &eacute; considerada uma janela de oportunidade para as empresas nacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tr&ecirc;s empresas da amostra possuem atividades internas de biotecnologia: Ach&eacute;, Crist&aacute;lia e Eurofarma. Por outro lado, das empresas investigadas, apenas a Crist&aacute;lia e a Biolab, que sintetiza horm&ocirc;nios, produzem alguns dos f&aacute;rmacos que usam em seus medicamentos. A Biolab montou a Sintefina a partir da Biotec, um <i>spin-off</i> universit&aacute;rio que realiza a s&iacute;ntese de horm&ocirc;nios adquirido pela empresa em 2005. A produ&ccedil;&atilde;o farmoqu&iacute;mica na Crist&aacute;lia nasceu da Codetec, em 1988, a partir de um projeto ligado &agrave; CEME (Central de Medicamentos). O laborat&oacute;rio considera de grande import&acirc;ncia a internaliza&ccedil;&atilde;o dessa etapa, pois se trata de uma fonte segura de fornecimento, o que garante que a empresa n&atilde;o fique vulner&aacute;vel a varia&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o, por exemplo. Al&eacute;m disso, aponta a dificuldade de se fazer uma inova&ccedil;&atilde;o radical sem possuir um centro de farmoqu&iacute;micos. O fato de ter 20 anos de experi&ecirc;ncia na s&iacute;ntese de princ&iacute;pios ativos propiciaria, segundo a empresa, um diferencial na capacidade de realizar projetos de alto n&iacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5 Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo deste artigo &eacute; avaliar a extens&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es nas estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas de um grupo de empresas farmac&ecirc;uticas nacionais inauguradas pelas mudan&ccedil;as institucionais ocorridas no pa&iacute;s nos anos 1990, com especial destaque para a Lei de Patentes e a Lei do Medicamento Gen&eacute;rico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto sobre a ind&uacute;stria e as empresas nacionais da Lei de Patentes, todas as empresas afirmam que a medida foi um divisor de &aacute;guas para o setor e para os laborat&oacute;rios, tirando-os da zona de conforto. Anteriormente, havia uma ind&uacute;stria muito calcada na c&oacute;pia, sem nenhum tipo de restri&ccedil;&atilde;o legal &agrave; imita&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, a Lei de Gen&eacute;ricos foi respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o de um novo segmento de mercado. Os laborat&oacute;rios que souberam se inserir e se posicionar rapidamente frente a essa oportunidade assumiram posi&ccedil;&atilde;o de destaque no setor. Crist&aacute;lia, EMS e Ach&eacute; destacaram o fato de a legisla&ccedil;&atilde;o de gen&eacute;ricos ter aumentado a credibilidade dos produtos feitos pelas empresas de capital nacional, provando que o produto &eacute; intercambi&aacute;vel com o de refer&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, as exig&ecirc;ncias dos testes de bioequival&ecirc;ncia e biodisponibilidade, bem como as das certifica&ccedil;&otilde;es de qualidade na produ&ccedil;&atilde;o, induziram as empresas farmac&ecirc;uticas nacionais a procurar modernizar seus parques produtivos e investir em qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De todo modo, a nova realidade institucional n&atilde;o exclui a possibilidade de outros posicionamentos no mercado. Alguns dos laborat&oacute;rios estudados, como a Medley, direcionaram-se bastante claramente para o segmento de gen&eacute;ricos, que representa dois ter&ccedil;os do portf&oacute;lio da empresa e constituiu o principal motor para a arrancada da empresa, que ocupava a 40ª coloca&ccedil;&atilde;o no <i>ranking</i> nacional em 2000 e alcan&ccedil;ou a terceira posi&ccedil;&atilde;o em 2008. Contudo, outras das empresas entrevistadas conferem maior &ecirc;nfase &agrave; inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O caso mais n&iacute;tido &eacute; o da Crist&aacute;lia. Embora possua em seu portf&oacute;lio uma pequena faixa de gen&eacute;ricos, esse nitidamente n&atilde;o &eacute; seu foco. A empresa busca produtos patente&aacute;veis, com maior conte&uacute;do inovador e complexidade tecnol&oacute;gica. Segundo o laborat&oacute;rio, seu diferencial com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s principais empresas farmac&ecirc;uticas brasileiras seria triplo: produz farmoqu&iacute;micos (s&oacute; ela e a Biolab, que sintetiza horm&ocirc;nios, o fazem), possui um laborat&oacute;rio interno de biotecnologia (para a qual destina 25% do seu or&ccedil;amento para P,D&amp;I), e outro de P&amp;D. A empresa possui compet&ecirc;ncias em inova&ccedil;&otilde;es radicais, que culminaram com o lan&ccedil;amento do Helleva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o obstante, os dados da pesquisa de campo e da Pintec fornecem evid&ecirc;ncias de que as empresas farmac&ecirc;uticas nacionais continuam a patentear pouco e a realizar um esfor&ccedil;o de P&amp;D muito menos intenso em termos de propor&ccedil;&atilde;o do faturamento do que as l&iacute;deres internacionais do setor. Mais ainda, os laborat&oacute;rios brasileiros t&ecirc;m porte muito inferior ao dos multinacionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das iniciativas de coopera&ccedil;&atilde;o entre empresas concorrentes para o desenvolvimento tecnol&oacute;gico, que poderiam contribuir para superar essa restri&ccedil;&atilde;o, cabe destacar o Coinfar (Biolab e Ach&eacute;, visando inova&ccedil;&otilde;es radicais) e a Incrementha (Biolab e Eurofarma, visando inova&ccedil;&otilde;es incrementais). Apesar de estarem presentes fatores essenciais para alian&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, como a complementaridade de compet&ecirc;ncias e a divis&atilde;o de riscos e custos, o Coinfar teve suas atividades interrompidas, decis&atilde;o que foi atribu&iacute;da a aspectos da legisla&ccedil;&atilde;o do estado de S&atilde;o Paulo que obstru&iacute;am o relacionamento com o Instituto Butantan. Seguindo o mesmo caminho, a Incrementha encerrou suas atividades no final de 2009 (<a href="http://www.inovacao.unicamp.br/report/news-curtissimas100517.php#barato" target="_blank">http://www.inovacao.unicamp.br/report/news-curtissimas100517.php#barato</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa mostrou tamb&eacute;m a frequ&ecirc;ncia ainda muito maior do uso de marcas como forma de prote&ccedil;&atilde;o, indicando que os ativos comerciais continuam a apresentar grande import&acirc;ncia para os laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos brasileiros, o que pode ser interpretado como decorr&ecirc;ncia dos obst&aacute;culos muito menores que est&atilde;o postos para estrat&eacute;gias competitivas centradas nesses recursos do que para estrat&eacute;gias pautadas por um esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico agressivo e sistematicamente orientado &agrave; inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, o caso da EMS, maior laborat&oacute;rio farmac&ecirc;utico de capital nacional, parece exemplar. A empresa disp&otilde;e da maior equipe de propagandistas do pa&iacute;s, com cerca de 1.500 profissionais que realizam anualmente cerca de 5 milh&otilde;es de visitas m&eacute;dicas, o que significa que cada m&eacute;dico no Brasil &eacute; visitado, em m&eacute;dia, mais de uma vez por m&ecirc;s por representantes da EMS. A empresa afirma ainda que 6% de sua receita l&iacute;quida s&atilde;o destinados aos investimentos em P&amp;D, enquanto em "cria&ccedil;&atilde;o de marca", dire&ccedil;&atilde;o que inclui <i>marketing</i> e for&ccedil;a de vendas, o percentual chega a 27%  (RIBEIRO; SCARAMUZZO, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, os resultados da pesquisa sugerem que os impactos dos gen&eacute;ricos sobre a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica nacional foram mais amb&iacute;guos do que se costuma presumir. &Eacute; certo que os gen&eacute;ricos ofereceram espa&ccedil;os de mercado, favoreceram a acumula&ccedil;&atilde;o de capital e demandaram a amplia&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico, mas, ao mesmo tempo, sancionaram estrat&eacute;gias competitivas que continuam centradas em ativos comerciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, boa parte do esfor&ccedil;o tecnol&oacute;gico destina-se a atividades que n&atilde;o s&atilde;o geradoras de patentes e inova&ccedil;&otilde;es de largo alcance, como nos casos dos similares e gen&eacute;ricos. Como j&aacute; se argumentou, diferentemente das multinacionais, que podem arcar com projetos mal-sucedidos resultantes de inova&ccedil;&otilde;es radicais, as empresas brasileiras possuem um or&ccedil;amento muito mais restrito, o que implica foco em projetos mais baratos, menos complexos e de menor risco, mas tamb&eacute;m de muito menor potencial. Nesse contexto, o pequeno porte dos laborat&oacute;rios nacionais representa um obst&aacute;culo estrutural para o desenvolvimento do setor farmac&ecirc;utico brasileiro e, neste setor, pol&iacute;ticas industriais indutoras de fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es parecem ser necess&aacute;rias. Efetivamente, apesar da evolu&ccedil;&atilde;o recente, n&atilde;o parece prov&aacute;vel que empresas farmac&ecirc;uticas completas, com porte, estrutura e compet&ecirc;ncias compat&iacute;veis com as l&iacute;deres mundiais, surgir&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o gradual e do crescimento org&acirc;nico das empresas atuais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALENCAR, R. S. <b>Medicamentos no Brasil:</b> uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da din&acirc;mica t&eacute;cnica-setorial (1996-2006). 2007. 167 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Pol&iacute;tica e Gest&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia)-Centro de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0104-530X201200020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALVES FILHO, A. G. <b>Estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica, desempenho e mudan&ccedil;a:</b> estudo de caso em empresas da ind&uacute;stria de cal&ccedil;ados. 1991. Tese (Doutorado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o)-Escola Polit&eacute;cnica, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0104-530X201200020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARNST, C. Fim de patentes preocupa as grandes farmac&ecirc;uticas. <b>Valor Econ&ocirc;mico</b>, S&atilde;o Paulo, 2008. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/4774767/fim-de-patentes-preocupa-as-grandes-farmaceuticas&amp;scrollX=0&amp;scrollY=169&amp;tamFonte=" target="_blank">http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/4774767/fim-de-patentes-preocupa-as-grandes-farmaceuticas&amp;scrollX=0&amp;scrollY=169&amp;tamFonte=</a>&gt;. Acesso em: 24 maio 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0104-530X201200020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BERMUDEZ, J. et al. <b>The WTO Trips Agreement and Patent Protection in Brazil:</b> Recent Changes and Implications for Local Production and Access to Medicines. Rio de Janeiro: ENSP/FIOCRUZ, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0104-530X201200020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BURGELMAN, R. A.; MAIDIQUE, M. A.; WHEELWRIGHT, S. C. <b>Strategic management of technology and innovation</b>. McGraw-Hill Irwin, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0104-530X201200020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAPANEMA, L. X. L.; PALMEIRA FILHO, P. L. Ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira: reflex&otilde;es sobre sua estrutura e potencial de investimentos. <b>BNDES Setorial</b>, Rio de Janeiro, p. 165-206, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0104-530X201200020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COHEN, W. M.; LEVINTHAL, D. A. Innovation and Learning: the two faces of R&amp;D. <b>The Economic Journal</b>, v. 99, p. 569-596, 1989. <a href="http://dx.doi.org/10.2307/2233763" target="_blank">http://dx.doi.org/10.2307/2233763</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0104-530X201200020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DAVENPORT, S.; CAMPBELL-HUNT, C.; SOLOMON, J. The dynamics of technology strategy: an exploratory study. <b>R&amp;D Management</b>, v. 33, n. 5, p. 481-499, 2003. <a href="http://dx.doi.org/10.1111/1467-9310.00312" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1111/1467-9310.00312</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0104-530X201200020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FORD, D. Develop your technology strategy. <b>IEEE Engineering Management Review</b>, v. 17, n. 3, p. 16-26, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0104-530X201200020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREEMAN, C. <b>La teor&iacute;a econ&oacute;mica de la innovaci&oacute;n industrial</b>. Alianza Editorial, 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0104-530X201200020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GEROSKI, P. Markets for technology: knowledge, innovation and appropriability. In: STONEMAN, P.<b> Handbook of the economics of innovation and technological change</b>. Blackwell, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0104-530X201200020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GLOBAL 500. <b>Annual ranking of the world's largest corporations - 2008</b>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://money.cnn.com/magazines/fortune/global500/2008/index.html" target="_blank">http://money.cnn.com/magazines/fortune/global500/2008/index.html</a>&gt;. Acesso em: 22 mar. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0104-530X201200020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GRUPO DOS PROFISSIONAIS EXECUTIVOS DO MERCADO FARMAC&Ecirc;UTICO - GRUPEMEF. <b>Mercado farmac&ecirc;utico brasileiro</b>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.grupemef.com.br/quem_somos.php" target="_blank">http://www.grupemef.com.br/quem_somos.php</a>&gt;. Acesso em: 12 dez. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0104-530X201200020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HASENCLEVER, L. (Coord.). <b>Diagn&oacute;stico da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira</b>. Rio de Janeiro: Instituto de Economia; UFRJ, 2002. Projeto 914BRZ58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0104-530X201200020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">IMS Health. <b>Global Trends in the Pharmaceutical Market</b>. 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.pharma-israel.org.il/uploadimages/Global-Trends-in-the-Pharmaceutical-Market.pdf" target="_blank">http://www.pharma-israel.org.il/uploadimages/Global-Trends-in-the-Pharmaceutical-Market.pdf</a>&gt;. Acesso em: 15 nov. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0104-530X201200020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">IMS Health. <b>Maiores empresas farmac&ecirc;uticas no Brasil, por faturamento em reais</b>. 2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.imshealth.com/portal/site/imshealth" target="_blank">http://www.imshealth.com/portal/site/imshealth</a>&gt;. Acesso em: 20 jan. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0104-530X201200020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LANE, P. J.; LUBATKIN, M. Relative absorptive capacity and interorganizational learning. <b>Strategic Management Journal</b>, v. 19, p. 461-477, 1998. <a href="http://dx.doi.org/10.1002/(SICI)1097-0266(199805)19:5&lt;461::AID-SMJ953&gt;3.0.CO;2-L" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1002/(SICI)1097-0266(199805)19:5<461::aid-smj953>3.0.CO;2-L</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0104-530X201200020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MAIA, M. C. Em dez anos de gen&eacute;ricos, consumidor economizou R$ 10,5 bi. <b>Revista Veja</b>, S&atilde;o Paulo, 2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/adiantamento-generico-completa-dez-anos-consumidores-economizaram-r-10-5-bi-430368.shtml" target="_blank">http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/adiantamento-generico-completa-dez-anos-consumidores-economizaram-r-10-5-bi-430368.shtml</a>&gt;. Acesso em: 15 fev. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0104-530X201200020001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NUNES, P. <b>Dez anos de sucesso</b>. Campinas: Correio Popular, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0104-530X201200020001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PHARMACEUTICAL RESEARCH AND MANUFACTURERS OF AMERICA - PhRMA. <b>Pharmaceutical Industry Profile</b>. 2008. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.phrma.org/files/attachments/2008%20Profile.pdf" target="_blank">http://www.phrma.org/files/attachments/2008%20Profile.pdf</a>&gt;. Acesso em: 12 dez. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0104-530X201200020001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PESQUISA DE INOVA&Ccedil;&Atilde;O TECNOL&Oacute;GICA - PINTEC. <b>Pesquisa de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica 2005</b>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/industria/pintec/2005/default.shtm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/industria/pintec/2005/default.shtm</a>&gt;. Acesso em: 12 ago. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0104-530X201200020001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PORTER, M. E. <b>Competitive advantage</b>. Nova Iorque: Macmillan, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0104-530X201200020001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">QUEIROZ, S.; GONZ&Aacute;LES, A. J. V. Mudan&ccedil;as recentes na estrutura produtiva da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica. In: NEGRI, B.; DI GIOVANNI, G. <b>Brasil:</b> radiografia da sa&uacute;de. Campinas: UNICAMP, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0104-530X201200020001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RADAELLI, V. <b>A inova&ccedil;&atilde;o na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica:</b> for&ccedil;as centr&iacute;petas e for&ccedil;as centr&iacute;fugas no processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o. 2006. 183 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica)-Instituto de Geoci&ecirc;ncias, Universidade de Campinas, Campinas, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0104-530X201200020001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RIEG, D. L. <b>Estrat&eacute;gia tecnol&oacute;gica e desempenho inovador:</b> an&aacute;lise das pequenas e m&eacute;dias empresas produtoras de equipamentos m&eacute;dico-hospitalares de S&atilde;o Carlos e Ribeir&atilde;o Preto. 2004. 162 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o)-Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0104-530X201200020001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RIBEIRO, I.; SCARAMUZZO, M. EMS investe para refor&ccedil;ar lideran&ccedil;a. <b>Valor Econ&ocirc;mico</b>, S&atilde;o Paulo, 02 dez. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0104-530X201200020001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANTOS, M.C.B. G. et al. Facilitadores e barreias na pesquisa e desenvolvimento de f&aacute;rmacos no brasil: o estudo de caso do COINFAR. In: SIMP&Oacute;SIO DE GEST&Atilde;O DA INOVA&Ccedil;&Atilde;O TECNOL&Oacute;GICA, 25., 2008, Bras&iacute;lia. <b>Anais</b>... Bras&iacute;lia: ANPAD, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0104-530X201200020001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANTOS, M. C. B. G. <b>Estrat&eacute;gias tecnol&oacute;gicas em transforma&ccedil;&atilde;o:</b> um estudo da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica brasileira. 2010. 190 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o)-Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0104-530X201200020001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SUZIGAN, W. A Ind&uacute;stria Brasileira ap&oacute;s uma D&eacute;cada de Estagna&ccedil;&atilde;o: Quest&otilde;es para a Pol&iacute;tica Industrial. <b>Economia e Sociedade</b>, n. 1, p. 89-109, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0104-530X201200020001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. <b>Integrating technological, market and organizational change</b>. John Wiley &amp; Sons, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0104-530X201200020001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">URIAS, E. M. P. <b>As mudan&ccedil;as recentes nas estrat&eacute;gias produtivas e tecnol&oacute;gicas dos laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos instalados no Brasil:</b> uma an&aacute;lise a partir dos impactos originados pela regulamenta&ccedil;&atilde;o dos medicamentos gen&eacute;ricos. 2006. Monografia (Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Econ&ocirc;micas)-Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0104-530X201200020001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">URIAS, E.; FURTADO, J. Sistemas Setoriais de Inova&ccedil;&atilde;o. In: PRIMER CONGRESO ARGENTINO DE ESTUDIOS SOCIALES DE LA CIENCIA Y LA TECNOLOG&Iacute;A, 1., 2007, Quilmes. <b>Anais</b>... Quilmes, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0104-530X201200020001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIEIRA, A. Gen&eacute;ricos impulsionam receita da EMS-Sigma. <b>Valor Econ&ocirc;mico</b>, S&atilde;o Paulo, 2007. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/4154150/genericos-impulsionam-receita-da-emssigma" target="_blank">http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/4154150/genericos-impulsionam-receita-da-emssigma</a>&gt;. Acesso em: 12 maio 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0104-530X201200020001300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIEIRA, A. Medley recebe autonomia de gest&atilde;o da Sanofi. <b>Valor Econ&ocirc;mico</b>, S&atilde;o Paulo, 07 maio 2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/5552398/medley-recebe--autonomia-de-gestao-da-sanofi" target="_blank">http://www.valoronline.com.br/?impresso/empresas/95/5552398/medley-recebe--autonomia-de-gestao-da-sanofi</a>&gt;. Acesso em: 30 set. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0104-530X201200020001300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZAHRA, S. A. Technology strategy and financial performance: examining the moderating role of the firm competitive environment. <b>Journal of Business Venturing</b>, v.11, p. 189-219, 1996. <a href="http://dx.doi.org/10.1016/0883-9026(96)00001-8" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1016/0883-9026(96)00001-8</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0104-530X201200020001300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 23/10/2010    <br>   Aceito em 19/3/2012    <br>   Suporte financeiro: CAPES.</font></p>      ]]></body><back>
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