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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A respeito da materialidade do patrimônio imaterial: o caso do INRC Porongos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The collection and conservation of "cultural objects" has been gaining in complexity with the inclusion of non-material associations regarding ethnic and economic minorities. Despite the consensus on the concept of cultural heritage proposed by Unesco, the definition of what should be preserved and celebrated as "cultural object" may be subject of political, legal, economic and social struggles. In order to reflect upon the consequences of these struggles, this article discusses the process of inventory of cultural references related to the Porongos Massacre, an event of the Farroupilha's Revolution (1835-1845). These cultural references are serving in the configuration of black people's and gauchos identities. According to the authors, althought relating to the "intangible heritage", the process of inventory has enabled the fabrication of a "body" (text and images) and the definition of "places" (from memory) from which the cultural references so-called "non-material" come subscribe.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b> ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>A respeito da materialidade do patrim&ocirc;nio imaterial: o caso  do INRC Porongos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b> Cristian Jobi Salaini<sup>I</sup>; Lucas Graeff<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Escola Superior de Propaganda e Marketing &#150; Brasil    <br> <sup>II</sup>Centro Universit&aacute;rio La Salle &#150; Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O colecionamento e a conserva&ccedil;&atilde;o de "bens culturais" v&ecirc;m ganhando em complexidade pela inclus&atilde;o de temas oriundos de minorias &eacute;tnicas e econ&ocirc;micas. Apesar do consenso relativo ao conceito de patrim&ocirc;nio cultural proposto pela Unesco, a defini&ccedil;&atilde;o do que deve ser preservado e celebrado como "bem cultural" pode ser objeto de lutas pol&iacute;ticas, jur&iacute;dicas, econ&ocirc;micas e sociais. Visando refletir so</B>bre as consequ&ecirc;ncias dessas lutas, este artigo aborda o processo de invent&aacute;rio de refer&ecirc;ncias culturais em torno do Massacre de Porongos, evento da Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha (1835&#45;1845) que vem servindo de apoio &agrave; configura&ccedil;&atilde;o de uma identidade negra e ga&uacute;cha no Rio Grande do Sul. Segundo os autores, apesar de se apresentar no registro de "patrim&ocirc;nio imaterial", o processo de invent&aacute;rio possibilitou a fabrica&ccedil;&atilde;o de um "corpo" (de textos e imagens) e a delimita&ccedil;&atilde;o de "lugares" (de mem&oacute;ria) a partir dos quais os referentes culturais ditos "imateriais" v&ecirc;m se inscrever.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Palavras&#45;chave:</B> cultura material, invent&aacute;rio de refer&ecirc;ncias culturais, Massacre de Porongos, patrim&ocirc;nio cultural.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>ABSTRACT</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> The collection and conservation of "cultural objects" has been gaining in complexity with the inclusion of non&#45;material associations regarding ethnic and economic minorities. Despite the consensus on the concept of cultural heritage proposed by Unesco, the definition of what should be preserved and celebrated as "cultural object" may be subject of political, legal, economic and social struggles. In order to reflect upon the consequences of these struggles, this article discusses the process of inventory of cultural references related to the Porongos Massacre, an event of the Farroupilha's Revolution (1835&#45;1845). These cultural references are serving in the configuration of black people's and gauchos identities. According to the authors, althought relating to the "intangible heritage", the process of inventory has enabled the fabrication of a "body" (text and images) and the definition of "places" (from memory) from which the cultural references so&#45;called "non&#45;material" come subscribe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Keywords:</B> cultural heritage, inventory of cultural references, material culture, Porongos Massacre.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O colecionamento e a conserva&ccedil;&atilde;o de "bens culturais" v&ecirc;m ganhando em complexidade com a inclus&atilde;o de temas oriundos de minorias &eacute;tnicas e econ&ocirc;micas. Da inscri&ccedil;&atilde;o da capoeira de Angola (Pelegrini, 2008) e dos doces de Pelotas (Rieth et al., 2008) nos Livros de Registro dos Saberes e de Registro das Formas de Express&atilde;o do Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan), passando pela idealiza&ccedil;&atilde;o e patrimonializa&ccedil;&atilde;o de cidades como Porto Nacional (TO) e Goi&aacute;s (GO) (Delgado, 2005; Peixoto, 2005): a atribui&ccedil;&atilde;o de "valor cultural" a determinados bens, objetos e processos contribui n&atilde;o apenas para a produ&ccedil;&atilde;o de novos saberes e pr&aacute;ticas, mas sobretudo para a multiplica&ccedil;&atilde;o de pontos de vista sobre o papel do patrim&ocirc;nio na afirma&ccedil;&atilde;o e redefini&ccedil;&atilde;o de identidades nacionais, regionais e locais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Frente a essa diversidade, a no&ccedil;&atilde;o mesma de "bem cultural" &eacute; problematizada por diversos autores. Para Jos&eacute; Reginaldo Santos Gon&ccedil;alves (2002,   p. 23), por exemplo, o colecionamento e a patrimonializa&ccedil;&atilde;o de bens culturais responderia a um "enquadramento m&iacute;tico", onde "os objetos que v&ecirc;m integrar as cole&ccedil;&otilde;es ou os patrim&ocirc;nios culturais &#91;...&#93; s&atilde;o recodificados com o prop&oacute;sito de servir como sinais diacr&iacute;ticos das categorias e grupos sociais que venham a representar". Segundo Dominique Poulot (2008, p. 26&#45;27), quando patrimonializados, os bens culturais funcionam como "sin&ocirc;nimo de v&iacute;nculo social", a tal ponto que "a afirma&ccedil;&atilde;o de um ponto de vista diverso &#150; a recusa da patrimonializa&ccedil;&atilde;o ou a sua cr&iacute;tica radical &#150; &eacute; obrigatoriamente considerada como 'v&acirc;ndala', ou pelo menos insignificante, no debate p&uacute;blico".<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> Ainda de acordo com Jos&eacute; Reginaldo Santos Gon&ccedil;alves (2007, p. 9),</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">seja no contexto de seus usos sociais e econ&ocirc;micos cotidianos, seja em seus usos rituais, seja quando reclassificados como itens de cole&ccedil;&otilde;es, pe&ccedil;as de acervos museol&oacute;gicos ou patrim&ocirc;nios culturais, os objetos materiais existem sempre, necessariamente, como partes integrantes de sistemas classificat&oacute;rios. Esta condi&ccedil;&atilde;o lhes assegura o poder n&atilde;o s&oacute; de se tornar vis&iacute;veis e estabilizar determinadas categorias socioculturais, demarcando fronteiras entre estas, como tamb&eacute;m o poder, n&atilde;o menos importante, de constituir sensivelmente formas espec&iacute;ficas de subjetividade individual e coletiva.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No final das contas, vem cabendo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es e organismos nacionais e internacionais a delimita&ccedil;&atilde;o de um conceito de patrim&ocirc;nio cultural capaz de abarcar as mais diversas no&ccedil;&otilde;es e defini&ccedil;&otilde;es de bens culturais que devem ser identificados, colecionados, preservados e, se for o caso, tombados. Visto que a preocupa&ccedil;&atilde;o maior desses organismos e institui&ccedil;&otilde;es &eacute; a de dar conta n&atilde;o apenas de monumentos, mas de "conjuntos" e "locais de interesse", a no&ccedil;&atilde;o de patrim&ocirc;nio cultural acaba servindo para incorporar toda produ&ccedil;&atilde;o humana &#150; desde que considerada em virtude de seu valor excepcional do ponto de vista hist&oacute;rico, est&eacute;tico, art&iacute;stico e/ou cient&iacute;fico, como sublinha a <I>Conven&ccedil;&atilde;o para a prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio mundial, cultural e natural</I> (Unesco, 1972).<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esses s&atilde;o alguns dos sentidos pelos quais o patrim&ocirc;nio cultural pode ser pensado como uma "categoria de pensamento" (Gon&ccedil;alves, 2002, 2007): trata&#45;se de um conceito que possibilita &agrave;s sociedades humanas uma reflex&atilde;o hist&oacute;rico&#45;identit&aacute;ria sobre si mesmas, de maneira que toda pr&aacute;tica patrimonial acaba por se transformar em objeto de lutas pol&iacute;ticas, jur&iacute;dicas, econ&ocirc;micas e sociais. Por um lado, como sublinha bem Marta Anico (2005, p. 72),</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">nessa conjuntura pautada pela aus&ecirc;ncia de referentes de identidade, estabilidade e continuidade, em face de uma amea&ccedil;a de ruptura e de desaparecimento de recursos culturais, real ou imaginada, produz&#45;se um sentimento nost&aacute;lgico em rela&ccedil;&atilde;o ao passado, abrindo o caminho ao desenvolvimento de uma ind&uacute;stria da nostalgia em que o passado &eacute; resgatado, idealizado, romantizado e n&atilde;o raras vezes inventado, mediante processos que incluem a patrimonializa&ccedil;&atilde;o da cultura.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Por outro lado, tomando em considera&ccedil;&atilde;o os casos da Villa Mimosa, em Canoas (RS) (Oliveira; Graeff, 2011), e o do Parque da &Aacute;gua Branca, em S&atilde;o Paulo (Sagi, 2008), fica claro que a defini&ccedil;&atilde;o e a celebra&ccedil;&atilde;o de determinados temas e objetos enquanto "bens culturais" resulta muitas vezes de verdadeiras "batalhas no campo da mem&oacute;ria" (Ferreira, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Visando contribuir para a reflex&atilde;o a respeito das consequ&ecirc;ncias dessas lutas no campo da mem&oacute;ria e do patrim&ocirc;nio, este artigo aborda o processo de execu&ccedil;&atilde;o de um Invent&aacute;rio Nacional de Refer&ecirc;ncias Culturais (INRC) realizado pelo Iphan e por uma equipe de trabalho interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) coordenada pela antrop&oacute;loga Dra. Daisy Barcellos. A preocupa&ccedil;&atilde;o fundamental do invent&aacute;rio foi a de definir a pertin&ecirc;ncia de determinadas localidades, pr&aacute;ticas sociais e produ&ccedil;&otilde;es culturais relacionadas ao Massacre de Porongos enquanto referentes culturais a serem inscritos nos Livros de Registro do Iphan. Ao mesmo tempo, procurou&#45;se compreender como e por que o Massacre de Porongos se inscreve num contexto amplo de discuss&otilde;es que problematizam o lugar e a participa&ccedil;&atilde;o do negro dentro da sociedade brasileira e rio&#45;grandense, desembocando na formula&ccedil;&atilde;o e reformula&ccedil;&atilde;o de identidades locais por grupos e atores de forma ampla pelo estado.<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, nos propomos a aprofundar esses dois polos de discuss&atilde;o relativos ao Massacre de Porongos a partir da imbrica&ccedil;&atilde;o dos referentes culturais ditos "materiais" e "imateriais" recuperados, documentados e produzidos durante o processo de invent&aacute;rio. N&oacute;s procuraremos mostrar como o INRC se imp&otilde;e como ponto de partida (e, por que n&atilde;o dizer, de chegada) para o mapeamento das localidades, pr&aacute;ticas sociais e produ&ccedil;&otilde;es culturais que, independentemente de serem consideradas ou n&atilde;o "patrim&ocirc;nio nacional", ir&atilde;o servir de apoio ao desenvolvimento e &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de uma identidade negra e ga&uacute;cha no Rio Grande do Sul. Em outras palavras, defendemos a tese de que o processo de invent&aacute;rio de referentes culturais, ao elaborar documentos e identificar pr&aacute;ticas sociais e "lugares de mem&oacute;ria" (Nora, 1993), contribui para a materializa&ccedil;&atilde;o de bens culturais ditos "intang&iacute;veis" ou "imateriais", que passar&atilde;o a integrar a "teia de objetos" (Gon&ccedil;alves, 2002, 2007) cujo peso de verdade &eacute; frequentemente evocado nas lutas de defini&ccedil;&atilde;o de identidades locais. Nossa forma&ccedil;&atilde;o de antrop&oacute;logos nos leva a rejeitar, de um ponto de vista epistemol&oacute;gico e ontol&oacute;gico, a distin&ccedil;&atilde;o entre bens materiais e imateriais, assim como a dicotomia entre raz&atilde;o pr&aacute;tica e raz&atilde;o simb&oacute;lica (cf. Cassirer, 1994; Geertz, 1989; Sahlins, 2003). N&oacute;s trabalhamos com a premissa de que os seres humanos se relacionam com o mundo a partir de esquemas e sistemas simb&oacute;licos, de maneira que toda distin&ccedil;&atilde;o entre tang&iacute;vel e intang&iacute;vel, natural e cultural e essencial e acidental costuma nos informar mais sobre o grupo social que pensa e organiza o seu mundo a partir dessas dicotomias do que sobre categorias de entendimento ou classificat&oacute;rias supostamente universais.<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A discuss&atilde;o ser&aacute; apresentada em tr&ecirc;s momentos. A fim de situar o leitor a respeito das condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o do INRC Porongos, n&oacute;s abordaremos o processo de invent&aacute;rio, come&ccedil;ando pela apresenta&ccedil;&atilde;o do Massacre de Porongos e das querelas sociais e historiogr&aacute;ficas em torno desse evento derradeiro da Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha (1835&#45;1845), passando pelas localidades visitadas durante a pesquisa e apresentando alguns "marcos memoriais", evocados pelas pessoas entrevistadas, que s&atilde;o relevantes para a discuss&atilde;o que propomos aqui. Em seguida, entraremos numa reflex&atilde;o a respeito da "etniza&ccedil;&atilde;o" dos lanceiros negros, figuras emblem&aacute;ticas do massacre, cuja participa&ccedil;&atilde;o tr&aacute;gica no conflito contribui para  sublinhar os limites da luta de valores e de pontos de vista a respeito do papel do negro na forma&ccedil;&atilde;o do estado do Rio Grande do Sul. Por fim, elaboraremos a tese da inscri&ccedil;&atilde;o material dos referentes culturais documentados e elaborados a partir do processo de invent&aacute;rio. Nesse sentido, apesar de se apresentar no registro de "patrim&ocirc;nio imaterial", o INRC acaba agindo na fabrica&ccedil;&atilde;o de um "corpo" (de textos e imagens) e na delimita&ccedil;&atilde;o de "lugares" (de mem&oacute;ria) a partir dos quais os grupos e atores ligados ao movimento negro se inscrevem e se referenciam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os lanceiros negros e a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha: marcos memoriais de um "patrim&ocirc;nio imaterial"</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de inventariamento dos referentes culturais relacionados ao Massacre de Porongos tem sua origem em disputas hist&oacute;rico&#45;identit&aacute;rias entre diferentes atores e grupos interessados em postular as caracter&iacute;sticas fundamentais do ga&uacute;cho e, por extens&atilde;o, daquilo que caracterizaria o estado do Rio Grande do Sul de um ponto de vista folcl&oacute;rico e cultural. Quando se trata de definir o "homem rio&#45;grandense" ou o "ga&uacute;cho t&iacute;pico", a pol&ecirc;mica costuma focar determinados eventos hist&oacute;ricos &#150; a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha, em especial &#150; e a heran&ccedil;a sociocultural deixada ao longo dos diversos fluxos migrat&oacute;rios que colonizaram o estado.<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No que diz respeito ao Massacre de Porongos, &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o do negro na constru&ccedil;&atilde;o do ga&uacute;cho e do estado que est&aacute; em quest&atilde;o. Apesar de pouco presentes na historiografia tradicional, os negros tiveram participa&ccedil;&atilde;o fundamental durante a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha. Segundo Raul Carrion (2008), negros livres e escravos lutando sob a promessa de liberta&ccedil;&atilde;o teriam somado de um ter&ccedil;o &agrave; metade do ex&eacute;rcito rebelde republicano. Distribu&iacute;dos entre a cavalaria e a infantaria &#150; divis&otilde;es criadas, respectivamente, em 12 de setembro de 1836 e 31 de agosto de 1838 &#150;, eles passaram a ser denominados "corpos de lanceiros negros" e viriam a participar de momentos fundamentais da disputa entre imperiais e republicanos durante a revolu&ccedil;&atilde;o.<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Massacre de Porongos &#150; conhecido tamb&eacute;m como "Surpresa", "Batalha", ou "Trai&ccedil;&atilde;o" de Porongos &#150; ocorreu &agrave;s v&eacute;speras da assinatura do Tratado de Ponche Verde, que selaria a paz entre republicanos e imperiais e encerraria a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha ap&oacute;s 10 anos de conflito. Mais precisamente, no dia 14 de novembro de 1844, um dos corpos de lanceiros negros liderados pelo general David Canabarro se encontrava pr&oacute;ximo ao Cerro de Porongos, ent&atilde;o munic&iacute;pio de Piratini e atualmente pertencente &agrave; cidade de Pinheiro Machado. Durante a madrugada, os homens que compunham essa divis&atilde;o do ex&eacute;rcito farroupilha foram atacados e mortos por uma tropa imperial liderada pelo coronel Francisco Pedro de Abreu, o Moringue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar de documentos da &eacute;poca indicarem que o corpo de lanceiros negros estacionado pr&oacute;ximo ao Cerro de Porongos estava desarmado (Carrion, 2008; Leitman, 1997), h&aacute; um ponto pol&ecirc;mico entre historiadores &#150; e, atualmente, entre os grupos que disputam a mem&oacute;ria do acontecimento: a eventualidade de o general Canabarro haver desarmando e separado os lanceiros negros da tropa momentos antes do ataque imperial. Ora, essa pol&ecirc;mica relacionada ao papel de David Canabarro &eacute; fundamental para pensar os desdobramentos pol&iacute;ticos, hist&oacute;ricos e sociais em torno do Massacre de Porongos. Afinal de contas, Canabarro n&atilde;o &eacute; apenas uma figura fundamental da hist&oacute;ria do Rio Grande do Sul; ele pode ser considerado como patrono ou her&oacute;i maior do movimento tradicionalista.<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a> Nesse sentido, atribuir o papel de traidor ao l&iacute;der farroupilha implicaria problematizar as origens mesmas do movimento, em macul&aacute;&#45;lo do ponto de vista do seu "enquadramento m&iacute;tico", segundo a express&atilde;o de Jos&eacute; Reginaldo Santos Gon&ccedil;alves (2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pe&ccedil;a fundamental que sustenta a pol&ecirc;mica em torno da figura de Canabarro ao final da Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha &eacute; uma correspond&ecirc;ncia entre o ent&atilde;o bar&atilde;o de Caxias e o coronel Francisco Pedro de Abreu. A "Carta de Porongos", como ficou conhecida, traria evid&ecirc;ncias de um acordo pr&eacute;vio entre Caxias (comandante do ex&eacute;rcito imperial no conflito) e David Canabarro. Dentro das negocia&ccedil;&otilde;es de paz, o Imp&eacute;rio do Brasil mostrava&#45;se contr&aacute;rio &agrave; promessa de liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos que lutavam ao lado dos rebeldes. Assim, Canabarro precisaria "trair" seus lanceiros negros a fim de garantir o Tratado de Ponche Verde. Por outro lado, ainda que a carta exista, existe a possibilidade dela ter sido forjada pelos imperiais com a inten&ccedil;&atilde;o de desmoralizar o general Canabarro, um dos &iacute;cones da revolu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir dos estudos de Daniela Carvalho e Vin&iacute;cius Oliveira (2008), &eacute; poss&iacute;vel identificar tr&ecirc;s momentos onde a pol&ecirc;mica sobre a carta e o Massacre de Porongos emerge entre os historiadores. O primeiro ocorreu no final do s&eacute;culo XIX entre os historiadores Alfredo Varela e Alfredo Ferreira Rodrigues. Para Varela, houve a trai&ccedil;&atilde;o de David Canabarro em Porongos, pois o general estaria ciente da proximidade das tropas imperiais, mas n&atilde;o teria tomado as  devidas provid&ecirc;ncias para salvar seus combatentes. J&aacute; Ferreira Rodrigues defende a tese da carta forjada. O segundo momento de reflex&atilde;o historiogr&aacute;fica ocorreu nas d&eacute;cadas de 1920 e 1930 atrav&eacute;s de autores como Dante de Laytano, Othelo Rosa, Walter Spalding e Jo&atilde;o Maia. O eixo central das discuss&otilde;es nesse per&iacute;odo n&atilde;o versa sobre a possibilidade de "trai&ccedil;&atilde;o" ou "surpresa", mesmo que a tend&ecirc;ncia seja para o segundo termo. Ao mesmo tempo, vale destacar o papel de Dante de Laytano na promo&ccedil;&atilde;o do papel do negro enquanto etnia no Rio Grande do Sul &#150; ainda esse papel seja interpretado atrav&eacute;s de uma suposta "democracia racial dos pampas". Por fim, &eacute; ainda nas d&eacute;cadas de 1920 e 1930 que surgem os primeiros CTGs (centros de tradi&ccedil;&otilde;es ga&uacute;chas) e que se difunde a ideia de que a escravid&atilde;o no Rio Grande do Sul teria sido mais branda do que no resto do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O terceiro e &uacute;ltimo momento da pol&ecirc;mica se d&aacute; ao longo das d&eacute;cadas de 1970 e 1980. Aqui, encontram&#45;se autores como Moacyr Flores (1985), Spencer Leitman (1987) e Margareth Bakos (1985), que argumentam no sentido de uma trai&ccedil;&atilde;o em Porongos. Conforme salientam Daniela Carvalho e Vin&iacute;cius Oliveira (2008), os historiadores desse per&iacute;odo est&atilde;o, de forma geral, preocupados em discutir o car&aacute;ter abolicionista dos rebeldes na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha. &Eacute; fundamental notar que &eacute; tamb&eacute;m nesse &uacute;ltimo per&iacute;odo que surgem as primeiras apropria&ccedil;&otilde;es do movimento negro em rela&ccedil;&atilde;o ao tema, atrav&eacute;s do poeta e escritor Oliveira Ferreira Silveira e do historiador Guarani Santos. Ambos s&atilde;o tomados frequentemente como refer&ecirc;ncia ao tema pelos grupos locais respons&aacute;veis pela emerg&ecirc;ncia de mem&oacute;ria na atualidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Diante da indefini&ccedil;&atilde;o do valor documental da Carta de Porongos e com a certeza de que o corpo de lanceiros negros se encontrava desarmado no momento do ataque dos imperiais, optamos por falar em Massacre de Porongos durante o processo de inventariamento, deixando os termos "trai&ccedil;&atilde;o", "surpresa" ou "batalha" para o uso dos grupos e atores pesquisados conforme suas convic&ccedil;&otilde;es. Nosso objetivo n&atilde;o foi o de evitar a pol&ecirc;mica, mas o de dialogar com todos os interessados pelo evento e pelo INRC. Assim, delimitamos gradativamente locais e grupos a visitar e a mapear durante o invent&aacute;rio. Entre eles, Movimento Negro Unificado de Porto Alegre, Movimento Negro de Gua&iacute;ba (Centro Cultural C&acirc;ndido Velho), Movimento Negro de Pinheiro Machado, Grupo Cultural Ra&iacute;zes da &Aacute;frica (Porto Alegre), al&eacute;m de moradores do Cerro de Porongos (local onde supostamente ocorreu o massacre), representantes do Movimento Tradicionalista (Zeno Dias, por exemplo) e escritores e pol&iacute;ticos interessados pela tem&aacute;tica da revolu&ccedil;&atilde;o farroupilha (Alcy Cheuiche e Raul Carrion).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Encontramos diversas narrativas, produ&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas culturais relativas ao massacre junto a essas diferentes localidades e atores. Rapidamente, identificamos a figura do lanceiro negro como um ponto de apoio imagin&aacute;rio<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a> tanto para a articula&ccedil;&atilde;o de marcos memoriais quanto para a reformula&ccedil;&atilde;o e a afirma&ccedil;&atilde;o de referentes identit&aacute;rios dos diferentes grupos envolvidos. Nesse sentido, a pol&ecirc;mica em torno do Massacre de Porongos se imp&otilde;e mais como um cen&aacute;rio onde o "verdadeiro car&aacute;ter" dos combatentes farroupilhas se revela, sejam eles l&iacute;deres brancos ou lanceiros negros, do que como uma quest&atilde;o eminentemente hist&oacute;rica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A import&acirc;ncia do apoio imagin&aacute;rio fornecido pela figura do lanceiro negro nos foi demonstrada em diversas situa&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Durante a Semana Farroupilha de 2005, por exemplo, tivemos a oportunidade de visitar tr&ecirc;s piquetes cujas atividades estariam relacionadas a algum tema "negro" ou, mais especificamente, ao Massacre de Porongos: o Piquete Mocambo, o Piquete Floresta Aurora e o Piquete Inapi&aacute;rios. No caso do Mocambo, ONG porto&#45;alegrense cuja finalidade &eacute; a de elaborar projetos relacionados &agrave; comunidade carente de Porto Alegre, os lanceiros negros foram apresentados como "verdadeiros escravos", segundo as palavras de Maria Elaine Rodrigues, uma das respons&aacute;veis pelo piquete. Para fortalecer essa ideia, foram utilizadas "roupas de escravos" na representa&ccedil;&atilde;o dos lanceiros, que deveriam simbolizar a luta pela emancipa&ccedil;&atilde;o do negro no estado:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Quando tu falas em lanceiros negros tu nos coloca uma coisa muito forte que mexe conosco. O nosso lema aqui dentro desse acampamento farroupilha &eacute; bem assim: em mem&oacute;ria dos lanceiros &#150; grife&#45;se estes lanceiros, ent&atilde;o... em mem&oacute;ria dos lanceiros, lutem, negros! Grifem&#45;se tamb&eacute;m negros... ent&atilde;o porque... porque na mem&oacute;ria deles que deram a vida, que foram emboscados, n&eacute;, que foi uma luta t&atilde;o ingl&oacute;ria mas que estiveram presentes, o que n&oacute;s temos que fazer... continuar a luta! Ent&atilde;o &eacute; essa a proposta do mocambo: lutem, negros! Mas com aquilo que estiver ao seu alcance. Se o nosso alcance nesse momento &eacute; minimamente organizado, e estar tamb&eacute;m participando, ent&atilde;o esse espa&ccedil;o tamb&eacute;m &eacute; nosso, porque n&oacute;s tamb&eacute;m amamos este Rio Grande. E al&eacute;m do amor constru&iacute;mos de alguma forma esse grande sentimento e honradez que h&aacute; neste estado. (Maria Elaine Rodrigues, entrevista em 17 de setembro de 2005).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso do Piquete Floresta Aurora, al&eacute;m alguns objetos fazendo alus&atilde;o ao Massacre de Porongos,<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a> participamos de algumas palestras relacionadas aos lanceiros negros e de atividades diversas relacionadas &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es ga&uacute;chas, como a execu&ccedil;&atilde;o e preparo de dan&ccedil;as e comidas t&iacute;picas. Por&eacute;m, um dos aspectos interessantes da visita ao piquete foi o encontro  com N&iacute;lton Marques da Rosa, patr&atilde;o do Floresta Aurora e tamb&eacute;m participante da cavalgada da Semana da Consci&ecirc;ncia Negra organizada pelo grupo Lanceiros Negros Contempor&acirc;neos.<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a> Segundo N&iacute;lton, apesar de ser fundamental "trazer a hist&oacute;ria dos lanceiros para as pessoas", &eacute; preciso evitar a pol&ecirc;mica em torno do Massacre de Porongos:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque n&oacute;s jamais podemos estar condenando algu&eacute;m, dizendo "olha, n&oacute;s fomos jogados na fogueira, fomos jogados na bucha do canh&atilde;o"... n&oacute;s estamos numa guerra! E numa guerra estamos sujeitos a tudo... o branco, o preto, o pardo... qualquer um! &Eacute; uma guerra! Numa guerra n&atilde;o se escolhe ra&ccedil;a, nem cor, nem religi&atilde;o... cada um tem seu prop&oacute;sito. (N&iacute;lton Marques da Rosa, entrevista em 17 de setembro de 2005).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O terceiro piquete que contou com atividades relacionadas ao tema dos lanceiros negros foi o dos Inapi&aacute;rios. Durante a sua semana de atividades, o local contou com a presen&ccedil;a de Raul Carrion (2008), ent&atilde;o vereador de Porto Alegre que acabara de lan&ccedil;ar o livro <I>Os lanceiros negros na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha</I>, onde &eacute; defendida a tese da trai&ccedil;&atilde;o do corpo de lanceiros. Outra presen&ccedil;a not&aacute;vel foi a do ator Sirmar Antunes, que veio palestrar sobre o filme <I>Netto perde sua alma</I>,<a name="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>11</sup></a> no qual encarnou um lanceiro negro durante a revolu&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de palestrantes, o piquete contava com diversas refer&ecirc;ncias escritas e visuais alusivas aos lanceiros, como alguns desenhos inspirados no personagem de Sirmar Antunes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em outra oportunidade, durante uma viagem &agrave; Ca&ccedil;apava do Sul (RS), tivemos contato com algumas pessoas apontadas pela comunidade local como conhecedoras da hist&oacute;ria do negro e, mais especificamente, do Massacre de Porongos. Em companhia de Zeno Dias, autodidata e uma das importantes refer&ecirc;ncias do movimento tradicionalista local, visitamos o Vale dos Lanceiros, regi&atilde;o situada no interior de Ca&ccedil;apava cujo nome costuma ser atribu&iacute;do ao corpo de lanceiros negros. Atrav&eacute;s de Zeno, tamb&eacute;m entramos em contato com o escritor Alcy Cheuiche (1985), autor de <I>A Guerra dos Farrapos</I>, romance hist&oacute;rico que se passa durante a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao contr&aacute;rio dos membros dos piquetes negros entrevistados durante a Semana Farroupilha, Alcy Cheuiche e Zeno Dias defenderam a tese da surpresa. Segundo o primeiro, "foi uma guerra, mas n&atilde;o para matar escravos &#91;...&#93;. Caxias n&atilde;o era sanguin&aacute;rio, era pacificador... acusar Canabarro, eu n&atilde;o vejo como". Por sua vez, Zeno diz:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu poderia ajudar a incriminar Canabarro, pois minha fam&iacute;lia era imperial &#91;...&#93; Duque de Caxias pediu para que acabassem as hostilidades. Quem morreu ali? Nem todos eram negros. Houve trai&ccedil;&atilde;o sim, mas Canabarro tamb&eacute;m foi tra&iacute;do. Evidentemente eu estou acusando Chico Pedro. Nunca apareceu tal carta... a carta &eacute; forjada, n&atilde;o existiu, foi forjada por Chico Pedro. &#91;...&#93; Se o Canabarro quisesse trair... porque libertou os escravos antes... a escravid&atilde;o interessava aos imperiais. (Zeno Dias, entrevista concedida em 18 de outubro de 2005).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Zeno ainda fez refer&ecirc;ncia ao apoio dado ao grupo Lanceiros Negros da cidade de Ca&ccedil;apava do Sul para a cavalgada que levou a "chama crioula" at&eacute; o Cerro de Porongos:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">N&oacute;s fizemos o movimento da regi&atilde;o, dos doze munic&iacute;pios e decidimos, vamos dar uma oportunidade pros Lanceiros Negros prestarem sua homenagem, os Lanceiros Negros em combate &#91;...&#93; a iniciativa foi deles, eles que deram a id&eacute;ia, eu s&oacute; copiei, ent&atilde;o eles que v&atilde;o... n&atilde;o importa que sejam poucos, e eu vou acompanhar de carro e &eacute; uma aldeia, todos os acampamentos foram em cima do ponto hist&oacute;rico &#91;Cerro de Porongos&#93;. E n&oacute;s viajamos at&eacute; um pouco a mais pra ficar em cima do ponto, do ponto hist&oacute;rico, e serve como aprendizado, especialmente pros jovens que nos acompanharam. (Zeno Dias, entrevista concedida em 18 de outubro de 2005).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Junto com a miniss&eacute;rie <I>A casa das sete mulheres</I>, exibida pela Rede Globo de Televis&atilde;o em 2003, a cavalgada em quest&atilde;o est&aacute; diretamente relacionada &agrave; retomada das discuss&otilde;es sobre a "verdade hist&oacute;rica" do massacre. Desde ent&atilde;o, diversos eventos comemorativos v&ecirc;m fazendo alus&atilde;o aos lanceiros negros, como as celebra&ccedil;&otilde;es que ocorrem sempre em novembro, na cidade de Pinheiro Machado e no pr&oacute;prio Cerro de Porongos. Prev&ecirc;&#45;se ainda a constru&ccedil;&atilde;o de um memorial (Cerro de Porongos/Pinheiro Machado) e de um monumento (Parque Farroupilha/Porto Alegre) atrav&eacute;s de uma articula&ccedil;&atilde;o realizada entre os representantes dos movimentos negros locais, a Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul e Funda&ccedil;&atilde;o Palmares (ligada ao Minist&eacute;rio da Cultura).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como se pode perceber, o inventariamento dos referentes culturais em torno do Cerro de Porongos n&atilde;o encerra um campo de interesses exclusivamente ligado aos grupos e atores vinculados ao movimento negro. A partir da pesquisa de campo e de seu peso institucional, o INRC Porongos diz respeito tamb&eacute;m ao movimento tradicionalista e, mais geralmente, &agrave; figura do ga&uacute;cho e &agrave;s pr&aacute;ticas culturais e identit&aacute;rias do estado do Rio Grande do Sul.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; nesse contexto de pol&ecirc;micas historiogr&aacute;ficas, lugares de mem&oacute;ria, marcos imagin&aacute;rios, atores e pr&aacute;ticas culturais que o INRC Porongos se inscreve. Mais importante ainda: atrav&eacute;s da pesquisa de campo, o processo de inventariamento contribui &agrave; evoca&ccedil;&atilde;o de elementos memoriais e imagin&aacute;rios relacionados ao massacre, aos lanceiros negros e, por extens&atilde;o, &agrave;s possibilidades de revis&atilde;o do papel do negro na sociedade rio&#45;grandense. Nesse sentido, como iremos argumentar a seguir, o inventariamento de referentes culturais acaba agindo politicamente na reconstitui&ccedil;&atilde;o dos elementos culturais que servem de apoio &agrave; formula&ccedil;&atilde;o e &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o de identidades locais e regionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>O gauchismo, a etniza&ccedil;&atilde;o dos lanceiros e a politiza&ccedil;&atilde;o da cultura</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao longo do INRC, uma das preocupa&ccedil;&otilde;es da equipe era a de compreender como o Massacre de Porongos passou a tomar parte de processos de emerg&ecirc;ncia identit&aacute;ria, principalmente na configura&ccedil;&atilde;o que tomam no Rio Grande do Sul, estado brasileiro reconhecido por suas pr&aacute;ticas sociais relacionadas &agrave;s modalidades existentes no dom&iacute;nio do tradicionalismo e do gauchismo (Maciel, 1994a, 1999; Oliven, 1990, 1992). A figura emblem&aacute;tica do ga&uacute;cho, representada pelo homem da campanha, tem na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha o cen&aacute;rio para as suas fa&ccedil;anhas e hero&iacute;smos. Dito de outra maneira, a refer&ecirc;ncia aos her&oacute;is farroupilhas se insere na l&oacute;gica de constru&ccedil;&atilde;o de um "tipo social" a ser cultuado (Brum, 2004). Ao mesmo tempo, &eacute; em torno desse epis&oacute;dio que se estabelece simbolicamente a rela&ccedil;&atilde;o do ga&uacute;cho com o restante do pa&iacute;s, seja para afirmar o seu car&aacute;ter aut&ocirc;nomo, seja para evidenciar que o mesmo &eacute; brasileiro por op&ccedil;&atilde;o (Oliven, 1990).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Rio Grande do Sul, os atores "oficiais" que trabalham em torno da perpetua&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o ga&uacute;cha s&atilde;o os tradicionalistas (Oliven, 1992). Eles se constituem em um movimento organizado e atento a tudo que diz respeito aos bens simb&oacute;licos do estado, sobre os quais procuram exercer seu controle e orienta&ccedil;&atilde;o. Possuem intelectuais que produzem escritos e que ocupam posi&ccedil;&otilde;es importantes em lugares estrat&eacute;gicos da sociedade ga&uacute;cha. Para eles &eacute; de fundamental import&acirc;ncia demarcar quais s&atilde;o os "verdadeiros" valores ga&uacute;chos. Em decorr&ecirc;ncia disso se colocam como guardi&otilde;es dessa tradi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, por um lado, os tradicionalistas "constroem" a figura emblem&aacute;tica do ga&uacute;cho, por outro, eles contribuem para consolidar as representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias adotadas pelo poder p&uacute;blico (Maciel, 1999). Atrav&eacute;s da formula&ccedil;&atilde;o de leis e institui&ccedil;&otilde;es inspiradas pelos feitos farroupilhas, o gauchismo se imp&otilde;e como discurso oficial sobre a identidade do estado do Rio Grande do Sul: em 1954, o governo do estado cria o Instituto de Tradi&ccedil;&otilde;es e Folclore, vinculado &agrave; Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura; 20 anos depois o instituto transforma&#45;se em Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Ga&uacute;cho de Tradi&ccedil;&atilde;o e Folclore; em 1964, uma lei estadual oficializa a Semana Farroupilha e, desde ent&atilde;o, a chama crioula passa a ser recebida com todas as honras no Pal&aacute;cio Piratini, sede do governo estadual; em 1966, o hino farroupilha &eacute; elevado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de hino do estado; em 1980, a erva&#45;mate<a name="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>12</sup></a> torna&#45;se a &aacute;rvore&#45;s&iacute;mbolo do Rio Grande do Sul; em 1989 as pilchas (conjunto de vestes t&iacute;picas atribu&iacute;das aos antigos ga&uacute;chos compreendendo a bombacha, botas, len&ccedil;o e chap&eacute;u) se tornaram traje de honra e uso preferencial; em 1996, um projeto de lei prop&otilde;e o chimarr&atilde;o como bebida&#45;s&iacute;mbolo do Rio Grande do Sul; em 2003, um outro projeto prev&ecirc; o churrasco como prato t&iacute;pico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os poderes p&uacute;blicos adotaram, pois, as representa&ccedil;&otilde;es do ga&uacute;cho geradas pelo tradicionalismo, tornando&#45;as oficiais.<a name="tx13"></a><a href="#nt13"><sup>13</sup></a> No entanto o gauchismo, enquanto tradi&ccedil;&atilde;o regional, n&atilde;o se limita ao movimento tradicionalista, mas engloba tamb&eacute;m os seus opositores, os nativistas. Maciel (1999) demonstra que a palavra "ga&uacute;cho", ap&oacute;s um processo de ressemantiza&ccedil;&atilde;o, passou a se referir a todos os que nascem no estado. Dessa forma o ga&uacute;cho &eacute; o homem da est&acirc;ncia ligado &agrave;s atividades pastoris de ontem e de hoje e a figura emblem&aacute;tica constru&iacute;da a partir do homem do campo e que se aplica a todos os naturais do estado. Nesse sentido ele se constitui enquanto um tipo social, um modelo, um estere&oacute;tipo de um grupo social, mas tamb&eacute;m uma refer&ecirc;ncia identit&aacute;ria que serve para afirmar diferen&ccedil;as, estabelecer distin&ccedil;&otilde;es entre grupos e para o reconhecimento do grupo enquanto tal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao mesmo tempo, as representa&ccedil;&otilde;es do ga&uacute;cho n&atilde;o d&atilde;o conta da express&atilde;o identit&aacute;ria de determinados grupos sociais, em especial as de grupos negros, ind&iacute;genas e de descendentes de colonos alem&atilde;es e italianos:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Trata&#45;se de uma constru&ccedil;&atilde;o de identidade que exclui mais que inclui, deixando fora a metade do territ&oacute;rio sul&#45;rio&#45;grandense e grande parte de seus grupos sociais. Apesar do enfraquecimento da regi&atilde;o sul do estado, da not&aacute;vel proje&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica dos descendentes dos colonos de origem alem&atilde; e italiana que desenvolveram a regi&atilde;o norte, da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da industrializa&ccedil;&atilde;o, o tipo representativo do Rio Grande do Sul continua a ser a figura do ga&uacute;cho da Campanha como teria existido no passado. Se a constru&ccedil;&atilde;o dessa identidade tende a exaltar a figura do ga&uacute;cho em detrimento dos descendentes dos colonos  alem&atilde;es e italianos, ela o faz de modo mais excludente ainda em rela&ccedil;&atilde;o ao negro e ao &iacute;ndio que comparecem no n&iacute;vel das representa&ccedil;&otilde;es de uma forma extremamente p&aacute;lida. (Oliven, 1992, p. 100).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso do INRC Porongos, &eacute; a presen&ccedil;a secund&aacute;ria da figura do negro em alguns discursos "oficiais" (tradicionalista e nativista, por exemplo) que se imp&otilde;e como problema. Por um lado, os grupos pesquisados referiam&#45;se a uma esp&eacute;cie de "sil&ecirc;ncio historiogr&aacute;fico" relacionado ao papel do negro na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha. Assim, o INRC deveria responder a uma demanda de reivindica&ccedil;&atilde;o contestat&oacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; historiografia. Por outro lado, o mesmo sil&ecirc;ncio poderia ganhar um tom acusat&oacute;rio, servindo de prova das injusti&ccedil;as hist&oacute;ricas a serem corrigidas no presente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em outras palavras, o cen&aacute;rio pol&iacute;tico montado em fun&ccedil;&atilde;o dos 160 anos do Massacre de Porongos dialoga diretamente com os discursos tradicionalista e nativista, seja para contrap&ocirc;&#45;los e denunci&aacute;&#45;los enquanto discursos hegem&ocirc;nicos e excludentes, seja para se acoplar a eles com a finalidade de reinventar a tradi&ccedil;&atilde;o e fazer do negro, sempre inscrito dentro de uma matriz africana, um dos protagonistas da hist&oacute;ria do Rio Grande do Sul. Nesse segundo caso, as met&aacute;foras utilizadas pelo ator Sirmar Antunes durante celebra&ccedil;&atilde;o do dia 13 de novembro de 2004 s&atilde;o exemplares. Segundo Antunes, seria o momento de o Rio Grande do Sul presenciar um "batuque com churrasco", um "Ogum comendo churrasco" e um "batuque de bombacha".<a name="tx14"></a><a href="#nt14"><sup>14</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Num contexto onde as defini&ccedil;&otilde;es &eacute;tnico&#45;identit&aacute;rias do negro costumam passar pelas imagens do carnaval, do futebol, da beleza feminina e da arte primitiva (Barcellos, 1996; Salaini, 2008), as formas de congrega&ccedil;&atilde;o do "ser negro ga&uacute;cho" acabam vinculando uma suposta origem africana ou afro&#45;brasileira a elementos da ret&oacute;rica farroupilha. A solu&ccedil;&atilde;o para a problem&aacute;tica da exclus&atilde;o do negro do discurso tradicionalista e, sob alguns aspectos, da historiografia oficial, passa portanto menos pela ruptura com discursos hegem&ocirc;nicos que por tentativas de readequa&ccedil;&atilde;o e de incorpora&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos e imagens celebradas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De fato, trata&#45;se de uma trama de lutas simb&oacute;licas onde a afirma&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima do negro &#150; e, por extens&atilde;o, do ga&uacute;cho &#150; apoia&#45;se numa l&oacute;gica de remanejamentos sucessivos dos discursos hegem&ocirc;nicos. Dito de outra maneira, a tradi&ccedil;&atilde;o que envolve o papel do negro e do ga&uacute;cho na forma&ccedil;&atilde;o do estado do Rio Grande do Sul &eacute; objeto de disputas pol&iacute;ticas silenciosas, cuja manifesta&ccedil;&atilde;o se d&aacute; principalmente nos locais de celebra&ccedil;&atilde;o e de reuni&atilde;o dos grupos diretamente envolvidos na querela. Por outro lado, as batalhas travadas no campo da mem&oacute;ria e da historiografia contribuem para a formula&ccedil;&atilde;o de argumentos considerados s&oacute;lidos, "cient&iacute;ficos", a partir dos quais as tentativas de remanejamento podem se afirmar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; nesse sentido que falamos em "politiza&ccedil;&atilde;o da cultura" no caso do INRC Porongos. Na medida em que o Massacre de Porongos &eacute; reconhecido como tal &#150; e n&atilde;o como uma "surpresa" ocorrida numa batalha como outra qualquer &#150;, a refer&ecirc;ncia ao evento passa a se articular com outras demandas &eacute;tnicas, sociais, culturais e patrimoniais, tanto no estado e como no pa&iacute;s.<a name="tx15"></a><a href="#nt15"><sup>15</sup></a> As lutas pela representa&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima de eventos hist&oacute;ricos e de locais de celebra&ccedil;&atilde;o e de mem&oacute;ria cumprem um papel fundamental no substrato simb&oacute;lico definidor de grupos e dos discursos hegem&ocirc;nicos e contra&#45;hegem&ocirc;nicos; um substrato simb&oacute;lico que, na medida em que &eacute; evocado e materializado atrav&eacute;s do processo de inventariamento e patrimonializa&ccedil;&atilde;o, contribui para consolidar, no plano das rela&ccedil;&otilde;es e das pr&aacute;ticas identit&aacute;rias, a situa&ccedil;&atilde;o do negro no Rio Grande do Sul e no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A inscri&ccedil;&atilde;o material dos referentes culturais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante o INRC, o epis&oacute;dio e o lugar do Massacre de Porongos se impuseram como referentes concretos da trajet&oacute;ria do negro no Rio Grande do Sul. Atrav&eacute;s deles, os representantes dos diferentes grupos e movimentos se localizavam no tempo e no espa&ccedil;o, referindo&#45;se a um passado tr&aacute;gico &#150; a dizima&ccedil;&atilde;o do corpo de lanceiros negros e a derrota dos republicanos frente aos imperiais ocorrendo num momento e local comum. Ao mesmo tempo, como constatamos ao longo deste artigo, os grupos e atores pesquisados procuraram inscrever incessantemente esse passado no presente, seja atrav&eacute;s de celebra&ccedil;&otilde;es e elei&ccedil;&atilde;o de "lugares de mem&oacute;ria", seja atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de textos e imagens evocando o papel do negro no Rio Grande do Sul atrav&eacute;s da figura emblem&aacute;tica do lanceiro negro durante a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, ainda que a discuss&atilde;o hist&oacute;rica tenha servido de pano de fundo para as discuss&otilde;es realizadas junto aos locais, atores e grupos visitados, a mem&oacute;ria do Massacre de Porongos parece estar imaginariamente acoplada &agrave; figura do lanceiro negro, pois &eacute; partir dela que os grupos e atores pesquisados ancoravam suas rela&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias. Al&eacute;m das situa&ccedil;&otilde;es j&aacute; analisadas que refor&ccedil;am essa ideia, podemos citar a presen&ccedil;a de "manequins" de lanceiros negros (que estariam utilizando indument&aacute;rias de guerra t&iacute;picas da &eacute;poca) nas instala&ccedil;&otilde;es do Instituto Ga&uacute;cho de Tradi&ccedil;&atilde;o e Folclore, em Porto Alegre. Outro exemplo diz respeito a produ&ccedil;&otilde;es musicais e liter&aacute;rias: o tema dos lanceiros negros tem aparecido  frequentemente nos festivais musicais do estado desde a d&eacute;cada de 1980<a name="tx16"></a><a href="#nt16"><sup>16</sup></a> e em obras liter&aacute;rias de escritores como Oliveira Ferreira Silveira desde a d&eacute;cada de 1970.<a name="tx17"></a><a href="#nt17"><sup>17</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse sentido, o reconhecimento do papel do negro na constru&ccedil;&atilde;o do "homem rio&#45;grandense" n&atilde;o se encerra nas hesita&ccedil;&otilde;es e pol&ecirc;micas historiogr&aacute;ficas. No caso do INRC Porongos, visto que n&atilde;o foi poss&iacute;vel atestar todas as condi&ccedil;&otilde;es do massacre ou suas consequ&ecirc;ncias no processo de liberta&ccedil;&atilde;o dos negros ao final da Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha, coube ao trabalho de defini&ccedil;&atilde;o dos locais de celebra&ccedil;&atilde;o e de mem&oacute;ria e &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o de iconografias e narrativas relacionadas ao ocorrido a fun&ccedil;&atilde;o de articular os elementos culturais constitutivos desse processo de reconhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ora, considerando que essa articula&ccedil;&atilde;o de elementos culturais se desdobra em diversas pr&aacute;ticas sociais &#150; de a&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas e espetaculares (produ&ccedil;&atilde;o de uma miniss&eacute;rie por uma grade empresa de comunica&ccedil;&atilde;o), passando por decis&otilde;es pol&iacute;ticas (compra de uma parte do Cerro de Porongos para a constru&ccedil;&atilde;o de um memorial), at&eacute; atividades de ordem local ou pontual (palestras, cavalgadas, publica&ccedil;&otilde;es informais) &#150;, uma interroga&ccedil;&atilde;o sobre o papel pol&iacute;tico do INRC Porongos enquanto agente de consolida&ccedil;&atilde;o desses elementos culturais &eacute; necess&aacute;ria. Se cabe ao invent&aacute;rio o registro de pr&aacute;ticas, saberes e manifesta&ccedil;&otilde;es culturais para, se for o caso, inscrev&ecirc;&#45;los nos Livros de Registro do Iphan, sob quais condi&ccedil;&otilde;es a atribui&ccedil;&atilde;o de "valor cultural" a tais pr&aacute;ticas, saberes e manifesta&ccedil;&otilde;es implica disputas pol&iacute;ticas e reformula&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rico&#45;identit&aacute;rias?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antes de responder a essa quest&atilde;o, vale ressaltar que a "politiza&ccedil;&atilde;o da cultura" pr&oacute;pria ao INRC Porongos n&atilde;o &eacute; um caso &agrave; parte &#150; e nem tampouco a figura&ccedil;&atilde;o do lanceiro negro enquanto fundamento imagin&aacute;rio de lutas simb&oacute;licas em torno das representa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas do negro e do ga&uacute;cho no Rio Grande do Sul. O que &eacute; exemplar no caso do INRC &eacute; a maneira pela qual essa politiza&ccedil;&atilde;o se efetua na pr&aacute;tica. A esse respeito, cabe ressaltar tr&ecirc;s pontos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">1) Em primeiro lugar, ainda que o INRC se caracterize pelo trabalho de colecionamento de bens culturais ditos "imateriais" ou "intang&iacute;veis",<a name="tx18"></a><a href="#nt18"><sup>18</sup></a> &eacute; preciso reconhecer que o inventariamento de determinadas localidades, celebra&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas sociais contribui para articular a "teia de objetos" (Gon&ccedil;alves, 2002, 2007) que serve de refer&ecirc;ncia para a constitui&ccedil;&atilde;o de formas de subjetividade e de reconhecimento individuais e coletivas.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">2) Nesse sentido, o processo de inventariamento vem "materializar" referentes culturais como formas de express&atilde;o, narrativas, gestos e saberes. Assim, apesar de se apresentar no registro de "patrim&ocirc;nio imaterial", o INRC Porongos possibilitou a fabrica&ccedil;&atilde;o de um "corpo" (de textos e imagens) e a delimita&ccedil;&atilde;o de "lugares" (de mem&oacute;ria) a partir dos quais as formas de express&atilde;o, narrativas, gestos e saberes v&ecirc;m se inscrever.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">3) Finalmente, se considerarmos o peso de prova que os bens e referentes culturais adquirem atrav&eacute;s do processo de colecionamento e patrimonializa&ccedil;&atilde;o, o INRC Porongos se imp&otilde;e como um fabricante das provas que ir&atilde;o alimentar os debates e disputas pol&iacute;ticas em torno das representa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas, no caso as do negro e as do ga&uacute;cho no estado do Rio Grande do Sul.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Efetivamente, perguntas sobre a "verdade" do Massacre de Porongos e sobre o "verdadeiro" fim dos lanceiros negros acompanharam todo o processo de invent&aacute;rio. As pessoas encontradas queriam saber a exata localiza&ccedil;&atilde;o do acampamento e se interessavam pelas poss&iacute;veis ossadas que ali poderiam estar depositadas. Finalmente, a pedido da prefeitura de Pinheiro Machado, um trabalho de escava&ccedil;&atilde;o arqueol&oacute;gica foi realizado no interior dos tr&ecirc;s hectares do Cerro de Porongos pertencentes ao poder p&uacute;blico. O resultado &#150; que j&aacute; conhec&iacute;amos de antem&atilde;o em raz&atilde;o da qualidade do solo pr&oacute;pria &agrave; regi&atilde;o &#150; foi desanimador. Nenhum osso, nenhuma arma. Apenas restos de cer&acirc;mica ind&iacute;gena datando de per&iacute;odos anteriores &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As iniciativas em torno da constru&ccedil;&atilde;o do Memorial dos Lanceiros Negros, no Cerro de Porongos, tamb&eacute;m comportavam uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a elabora&ccedil;&atilde;o de provas materiais sobre o massacre e, por extens&atilde;o, sobre o papel do negro na hist&oacute;ria do Rio Grande do Sul. Em uma entrevista de Luiz Mendes, secret&aacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o da ONG Centro Cultural C&acirc;ndido Velho e integrante da Comiss&atilde;o ao Memorial aos Lanceiros Negros,<a name="tx19"></a><a href="#nt19"><sup>19</sup></a> ficou clara a sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a constru&ccedil;&atilde;o de um monumento &agrave; mem&oacute;ria dos negros que "lutaram pelas suas liberdades" e que "eram temidos por isso". Para ele, a simples identifica&ccedil;&atilde;o do Cerro de Porongos como local do massacre ou a documenta&ccedil;&atilde;o de narrativas relacionadas ao evento n&atilde;o poderiam bastar enquanto refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas para os negros de Pinheiro Machado e do Rio Grande do Sul: caberia ao pr&oacute;prio memorial, atrav&eacute;s de seus elementos est&eacute;ticos e arquitet&ocirc;nicos, a fun&ccedil;&atilde;o de incor  porar a for&ccedil;a do negro enquanto sujeito da hist&oacute;ria. Nesse sentido, o INRC Porongos aparecia como fonte documental e apoio institucional para a cristaliza&ccedil;&atilde;o de elementos culturais, hist&oacute;ricos e pol&iacute;ticos considerados essenciais pelos atores e grupos envolvidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda no que diz respeito ao memorial, alguns grupos criticavam a iniciativa atrav&eacute;s de argumentos de matrizes pol&iacute;ticas, culturais e religiosas diversas. O artista pl&aacute;stico Ney Ortiz (diretor cultural do Centro Ra&iacute;zes d'&Aacute;frica, de Porto Alegre), por exemplo, argumentou certa vez que a constru&ccedil;&atilde;o de um memorial, seja qual for o seu formato, estaria "tampando" os her&oacute;is que l&aacute; morreram. Ele justifica sua posi&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de uma analogia com casas de terreiro de santos (batuque, no caso do Rio Grande do Sul), dizendo que nelas n&atilde;o deve ser constru&iacute;do um segundo andar a fim de n&atilde;o "pisar" nos orix&aacute;s. Nesse sentido, as divindades africanas iorub&aacute;s, orix&aacute;s e lanceiros negros s&atilde;o colocados, metaforicamente, em um mesmo patamar de sacralidade. Outro exemplo de ressalva relativa ao memorial partiu do pr&oacute;prio Iphan, cujos t&eacute;cnicos insistiam na prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio natural. Em outras palavras, seria fundamental refletir com cuidado no tipo de constru&ccedil;&atilde;o pretendida a fim de evitar poss&iacute;veis impactos ambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Seja como for, tendo em vista os argumentos favor&aacute;veis e contr&aacute;rios com rela&ccedil;&atilde;o a tal constru&ccedil;&atilde;o, fica clara aqui a expectativa em torno da "materializa&ccedil;&atilde;o" do massacre. Os atores e grupos pesquisados aspiravam, cada qual &agrave; sua maneira, a um estatuto de "verdade" sobre ocorrido atrav&eacute;s de sua inscri&ccedil;&atilde;o patrimonial, ampliando seu sentido e cristalizando um evento hist&oacute;rico importante nas lutas por defini&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias no Rio Grande do Sul.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O que &eacute; fundamental aqui &#150; e essa &eacute; a nossa tese &#150; &eacute; que os usos e abusos das refer&ecirc;ncias culturais pr&oacute;prias &agrave;s disputas em torno das representa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas do negro e do ga&uacute;cho no Rio Grande do Sul se alimentam atrav&eacute;s dessa inscri&ccedil;&atilde;o material favorecida pelo processo de inventariamento. N&oacute;s concordamos, portanto, com o car&aacute;ter de "enquadramento m&iacute;tico" que, segundo Jos&eacute; Reginaldo Santos Gon&ccedil;alves (2002), seria caracter&iacute;stico dos objetos que integram as cole&ccedil;&otilde;es e os patrim&ocirc;nios nacionais e regionais. Mas gostar&iacute;amos de refor&ccedil;ar a ideia de que mesmo os referentes culturais pensados como "intang&iacute;veis" ou "imateriais" por determinados grupos e atores podem servir como "sinais diacr&iacute;ticos das categorias e grupos sociais que venham a representar" (Gon&ccedil;alves, 2002, p. 23).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dito de outra maneira, uma vez legitimados atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o institucional do Iphan, os elementos representacionais relativos ao Massacre de Porongos e &agrave; figura do lanceiro negro ganham um peso de verdade que pode ser comparado ao da "pedra e cal" (Fonseca, 2003). Da&iacute; a necessidade de apresentarmos, durante e ap&oacute;s o INRC, resultados parciais de nossa pesquisa junto a determinados grupos. V&iacute;deos de entrevistas e fotografias das localidades e dos elementos pict&oacute;ricos recolhidos durante o inventariamento foram sistematicamente apresentados a fim dar conta daquilo que podemos chamar de "anseio de materializa&ccedil;&atilde;o dos referentes culturais" documentados ao longo do processo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">No final das contas, o reconhecimento do papel do lanceiros negros na hist&oacute;ria do Rio Grande do Sul se articula diretamente com a constru&ccedil;&atilde;o e delimita&ccedil;&atilde;o dos referentes culturais documentados pelo INRC Porongos, sejam eles considerados "materiais" ou "imateriais". Ali&aacute;s, tal distin&ccedil;&atilde;o, ainda que discut&iacute;vel de um ponto de vista epistemol&oacute;gico onde os seres humanos se relacionam com o mundo a partir de esquemas e sistemas simb&oacute;licos (Geertz, 1989; Gon&ccedil;alves, 2005; Sahlins, 2003) continua sendo operacional do ponto de vista dos grupos e atores estudados. Para estes, o que &eacute; bom para pensar o Massacre de Porongos e os lanceiros negros &eacute; aquilo que faz figura de prova, seja ela apresentada atrav&eacute;s de textos e de imagens ou de lugares e edifica&ccedil;&otilde;es. Em outras palavras, se o INRC Porongos agiu politicamente na reconstitui&ccedil;&atilde;o dos elementos culturais que servem de apoio &agrave; formula&ccedil;&atilde;o e &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o de identidades locais e regionais, isso se deve em grande parte &agrave; sua a&ccedil;&atilde;o documental &#150; ou, como gostamos de dizer, ao trabalho de materializa&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio imaterial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ANICO, M. A p&oacute;s&#45;moderniza&ccedil;&atilde;o da cultura: patrim&oacute;nio e museus na contemporaneidade. <I>Horizontes Antropol&oacute;gicos</I>, ano 11, n. 23, p. 71&#45;86, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0104-7183201100020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BACZKO, B. Imagina&ccedil;&atilde;o social. In: ENCICLOP&Eacute;DIA EINAUDI. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1985. v. 5, p. 346&#45;396.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0104-7183201100020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BAKOS, M. M. A escravid&atilde;o negra e os farrapos. In: DACANAL, J. H. (Org.). <I>A Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha</I>: hist&oacute;ria e interpreta&ccedil;&atilde;o. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985. p. 124&#45;138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0104-7183201100020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARCELLOS, D. M. <I>Fam&iacute;lia e ascens&atilde;o social de negros em Porto Alegre</I>. Tese (Doutorado em Antropologia Social)&#150;Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0104-7183201100020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRUM, C. K. <I>Esta terra tem dono</I>: disputas e representa&ccedil;&otilde;es sobre passado missioneiro no Rio Grande do Sul: a figura de Sep&eacute; Tiaraj&uacute;. 2004. Manuscrito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0104-7183201100020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARRION, R. <I>Os lanceiros negros na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha</I>. Porto Alegre: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, 2008. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.raulcarrion.com.br/lanceiros.pdf" target="_blank">http://www.raulcarrion.com.br/lanceiros.pdf</a>&gt;. Acesso em: 20 fev. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0104-7183201100020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARVALHO, D. V.; OLIVEIRA, V. P. de. Os lanceiros Francisco Cabinda, Jo&atilde;o Aleijado, Preto Antonio e outros personagens negros na Guerra dos Farrapos. In: SILVA, G. F. da; SANTOS, J. A. dos; CARNEIRO, L. C. da C. (Org.). <I>RS negro</I>: cartografias sobre a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. v. 1, p. 63&#45;82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0104-7183201100020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CASSIRER, E. <I>Ensaio sobre o homem</I>: introdu&ccedil;&atilde;o a uma filosofia da cultura humana. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0104-7183201100020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHEUICHE, A. <I>A Guerra dos Farrapos</I>. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0104-7183201100020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHOAY, F. <I>A alegoria do patrim&ocirc;nio</I>. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0104-7183201100020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DELGADO, A. F. Goi&aacute;s: a inven&ccedil;&atilde;o da cidade "Patrim&ocirc;nio da Humanidade". <I>Horizontes Antropol&oacute;gicos</I>, ano 11, n. 23, p. 113&#45;143, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0104-7183201100020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DURAND, G. <I>L</I>'<I>imagination symbolique</I>. 5. ed. Paris: PUF, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0104-7183201100020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERREIRA, M. L. M. Batalhas no campo da mem&oacute;ria e dos museus: disputas sobre o sentido do passado, lutas pelo reconhecimento. In: CHAGAS, M. de S.; BEZERRA, R. Z.; BENCHETRIT, S. F. <I>A democratiza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria</I>: a fun&ccedil;&atilde;o social dos museus Ibero&#45;Americanos. Rio de Janeiro: Museu Hist&oacute;rico Nacional, 2008. p. 53&#45;70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0104-7183201100020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLORES, M. <I>Modelo pol&iacute;tico dos farrapos</I>. 3. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0104-7183201100020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FONSECA, M. C. L. Para al&eacute;m da pedra e cal: por uma concep&ccedil;&atilde;o ampla de patrim&ocirc;nio cultural. In: ABREU, R.; CHAGAS, M. (Org.). <I>Mem&oacute;ria e patrim&ocirc;nio</I>: ensaios contempor&acirc;neos. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2003. p. 56&#45;76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0104-7183201100020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GEERTZ, C. <I>A interpreta&ccedil;&atilde;o das culturas</I>. Rio de Janeiro: LTC, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0104-7183201100020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GON&Ccedil;ALVES, J. R. S. <I>A ret&oacute;rica da perda</I>: os discursos do patrim&ocirc;nio cultural no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0104-7183201100020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GON&Ccedil;ALVES, J. R. S. Resson&acirc;ncia, materialidade e subjetividade: as culturas como patrim&ocirc;nios. <I>Horizontes Antropol&oacute;gicos</I>, ano 11, n. 23, p. 15&#45;36,   jan./jun. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0104-7183201100020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GON&Ccedil;ALVES, J. R. S.<I> Antropologia dos objetos</I>: cole&ccedil;&otilde;es, museus e patrim&ocirc;nios. Rio de Janeiro: Garamond; MinC/Iphan/Demu, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0104-7183201100020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEITMAN, S. Negros farrapos: hipocrisia racial no sul do Brasil no s&eacute;culo XIX. In: DACANAL, J. H. (Org.). <I>A Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha</I>: hist&oacute;ria e interpreta&ccedil;&atilde;o. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997. p. 30&#45;60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0104-7183201100020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MACIEL, M. E. <I>Le ga&uacute;cho Br&eacute;silien</I>: identit&eacute; culturelle dans le sud du Br&eacute;sil. Tese (Doutorado em Antropologia Social)&#150;Universit&eacute; de Paris V, Ren&eacute; Decartes, Sorbonne, Paris, 1994a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0104-7183201100020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MACIEL, M. E. Considera&ccedil;&otilde;es sobre ga&uacute;chos e colonos. In: BAQUERO, M. et al. <I>Diversidade </I>&eacute;tnica e identidade ga&uacute;cha. Santa Cruz do Sul: Editora da UNISC, 1994b. p. 31&#45;42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0104-7183201100020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MACIEL, M. E. Tradi&ccedil;&atilde;o e tradicionalismo no Rio Grande do Sul. <I>Humanas</I>: Revista do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, v. 22, n. 1/2, p. 127&#45;144, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0104-7183201100020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MEIRA, A. G. Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e gest&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico. <I>Hist&oacute;ria em Revista</I>, v. 10, dez. 2004. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.ufpel.edu.br/ich/ndh/downloads/historia_em_revista_10_ana_meira.pdf" target="_blank">http://www.ufpel.edu.br/ich/ndh/downloads/historia_em_revista_10_ana_meira.pdf</a>&gt;. Acesso em: 20 fev. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0104-7183201100020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">NORA, P. Entre mem&oacute;ria e hist&oacute;ria: a problem&aacute;tica dos lugares. <I>Projeto Hist&oacute;ria</I>, n. 10, p. 7&#45;28, dez. 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0104-7183201100020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEIRA, E. D.; GRAEFF, L. Em defesa da Villa Mimosa: uma luta em torno do patrim&ocirc;nio cultural e ambiental de Canoas/RS. In: BERND, Z.; SANTOS, N. M. W.; ADOLFO, G. <I>Bens culturais</I>: temas contempor&acirc;neos. Canoas: Salles, 2011. No prelo. (S&eacute;rie Mem&oacute;ria e Patrim&ocirc;nio Unilasalle, n. 3).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0104-7183201100020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEN, R. G. O maior movimento de cultura popular do mundo ocidental: o tradicionalismo ga&uacute;cho. <I>Cadernos de Antropologia</I>, v. 1, p. 1&#45;46, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0104-7183201100020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEN, R. G. <I>A parte e o todo</I>. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0104-7183201100020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PELEGRINI, S. C. A. A gest&atilde;o do patrim&ocirc;nio imaterial brasileiro na contemporaneidade. <I>Hist&oacute;ria</I>, v. 2, n. 27, p. 145&#45;173, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0104-7183201100020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PEIXOTO, P. "Porto Feliz": patrim&oacute;nio em seguran&ccedil;a. <I>Horizontes Antropol&oacute;gicos</I>, ano 11, n. 23, p. 145&#45;161, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0104-7183201100020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PESAVENTO, S. J. Os farrapos. <I>Nossa Hist&oacute;ria</I>, v. 2, n. 15, p. 54&#45;58, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0104-7183201100020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">POULOT, D. Um ecossistema do patrim&ocirc;nio. IN: RODRIGUES, C. S. de C. et al. <I>Um olhar contempor&acirc;neo sobre a preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural material</I>. Rio de Janeiro: Museu Hist&oacute;rico Nacional, 2008. p. 26&#45;43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0104-7183201100020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RIETH, F. et al. <I>Invent&aacute;rio nacional de refer&ecirc;ncias culturais</I>: produ&ccedil;&atilde;o de doces tradicionais pelotenses (relat&oacute;rio final). Pelotas: Ed. Universit&aacute;ria/UFPel, 2008. v. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0104-7183201100020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SAGI, L. Gest&atilde;o p&uacute;blica da hospitalidade urbana: estudo de caso do Parque da &Aacute;gua Branca na cidade de S&atilde;o Paulo. <I>Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo</I>, v. 2, n. 3, p. 90&#45;105, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0104-7183201100020000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SALAINI, C. J. O negro no campo art&iacute;stico: uma possibilidade anal&iacute;tica de espa&ccedil;os de solidariedade &eacute;tnica em Porto Alegre/RS. In: SILVA, G. F. da; SANTOS, J. A. dos; CARNEIRO, L. C. da C. (Org.). <I>RS negro</I>: cartografias sobre a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. v. 1,   p. 148&#45;162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0104-7183201100020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SALAINI, C. J.; COMIN, A. P. Mem&oacute;ria, m&iacute;dia e imagin&aacute;rio social: o caso Porongos. <I>Ilha</I>: Revista de Antropologia, v. 10, p. 155&#45;173, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0104-7183201100020000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SAHLINS, M. <I>Cultura e raz&atilde;o pr&aacute;tica</I>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0104-7183201100020000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVA, A. <I>Imagin&aacute;rios urbanos</I>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0104-7183201100020000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVEIRA, O. <I>D&eacute;cima do negro pe&atilde;o</I>. Porto Alegre, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0104-7183201100020000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SILVEIRA, O. <I>P</I>&ecirc;<I>lo escuro</I>: poemas afro&#45;ga&uacute;chos. Porto Alegre, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0104-7183201100020000800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">UNESCO. <I>Conven&ccedil;&atilde;o para a prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio mundial, cultural e natural</I>. 1972. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=14812" target="_blank">http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=14812</a> &gt;. Acesso em: 20 fev. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0104-7183201100020000800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em: 27/02/2011     <br>  Aprovado em: 22/08/2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Sobre o emprego do termo "vandalismo" como sin&ocirc;nimo de depreda&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o de monumentos hist&oacute;ricos e monumentos em geral, ver o cap&iacute;tulo III do livro <I>A alegoria do patrim&ocirc;nio</I>, de Fran&ccedil;oise Choay (2001).     <br>  <a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Segundo a Unesco, o patrim&ocirc;nio cultural abrange os monumentos (obras arquitet&ocirc;nicas), os conjuntos (grupos de constru&ccedil;&otilde;es) e os locais de interesse (obras humanas ou conjugadas entre o Homem e a Natureza). No que diz respeito ao Iphan, foram criados Livros de Registro (dos Saberes, das Celebra&ccedil;&otilde;es, das Formas de Express&atilde;o e dos Lugares), onde est&atilde;o sendo inscritos "os conhecimentos, modos de fazer, rituais, festas, manifesta&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, musicais, pl&aacute;sticas, c&ecirc;nicas e l&uacute;dicas, mercados, feiras, santu&aacute;rios, pra&ccedil;as e demais espa&ccedil;os, tendo como refer&ecirc;ncia 'a continuidade hist&oacute;rica do bem e sua relev&acirc;ncia nacional para a mem&oacute;ria, a identidade e a forma&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira'." (Meira, 2004).    <br>  <a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Como veremos adiante, o contexto de memoraliza&ccedil;&atilde;o dos lanceiros negros envolve muitos grupos do estado que n&atilde;o estavam envolvidos nas discuss&otilde;es iniciais em torno da constru&ccedil;&atilde;o de tal memorial.    <br>  <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> A respeito das discuss&otilde;es em torno da materialidade e da imaterialidade dos bens culturais, ver os trabalhos de Gon&ccedil;alves (2005, 2007) e Poulot (2008), por exemplo.    <br>  <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Anualmente comemorada durante a Semana Farroupilha, a revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; um epis&oacute;dio constantemente trabalhado pela mem&oacute;ria local e respons&aacute;vel pela constru&ccedil;&atilde;o da identidade ga&uacute;cha (cf. Pesavento, 2005).    <br>  <a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Segundo Spencer Leitman (1997), os negros j&aacute; haviam desempenhado papel fundamental antes mesmo da cria&ccedil;&atilde;o desses corpos, como na tomada de Porto Alegre, em setembro de 1835, e a de Pelotas, ocorrida em abril de 1836. Negros, na condi&ccedil;&atilde;o de libertos e alforriados, assim como na de fugidos do Uruguai, contribu&iacute;ram na causa farroupilha n&atilde;o apenas como soldados. Foram tropeiros, mensageiros, campeiros e fabricadores de p&oacute;lvora.    <br>  <a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Em 1947, quando da cria&ccedil;&atilde;o do departamento de tradi&ccedil;&otilde;es no gr&ecirc;mio da escola Col&eacute;gio J&uacute;lio de Castilhos, em Porto Alegre, ato inaugural do movimento tradicionalista, uma das primeiras a&ccedil;&otilde;es foi receber as cinzas de David Canabarro trazidas pela Liga da Defesa Nacional. Esse fato est&aacute; na base da cria&ccedil;&atilde;o do "35 CTG", primeiro centro de tradi&ccedil;&otilde;es ga&uacute;chas do estado (Maciel, 1994a).    <br>  <a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> Pensando a partir dos trabalhos de Bronislaw Baczko (1985), o imagin&aacute;rio social tem o papel de nortear simbolicamente o trabalho da mem&oacute;ria, atuando na produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o dos elementos que podem constituir meios de legitima&ccedil;&atilde;o e efic&aacute;cia a um empreendimento de reconstitui&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria. Segundo o autor, que se contrap&otilde;e &agrave;s p&aacute;ginas em que Marx analisa a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa a partir da no&ccedil;&atilde;o de ideologia, deve&#45;se pensar o imagin&aacute;rio n&atilde;o como "m&aacute;scaras" cobrindo a "realidade", mas como "'fatos', de signos e imagens, de gestos e figuras" que tornam poss&iacute;veis aos homens de "se comunicarem entre si e de se reconhecerem ao longo do caminho" (Baczko, 1985, p. 321). Em outras palavras, os projetos, sonhos e esperan&ccedil;as coletivas cristalizam&#45;se em linguagens e modos de express&atilde;o que, apesar de imagin&aacute;rios, contribuem para a articula&ccedil;&atilde;o de marcos e lugares de mem&oacute;ria reconhecidos e legitimados socialmente. A esse respeito, ver tamb&eacute;m Durand (2003) e Silva (2001).    <br>  <a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> Destacamos a presen&ccedil;a de c&oacute;pias do jornal <I>Como &eacute;</I>, que cont&eacute;m a mat&eacute;ria "N&oacute;s, os Ga&uacute;chos", veiculado pelo Centro Ecum&ecirc;nico da Cultura Negra (Cecune) no mesmo m&ecirc;s do ano de 2004, assim como o material produzido por Raul Carrion (2008) intitulado <I>Os lanceiros negros na Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha</I>.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  <a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a>  Os cavaleiros que formam o corpo de Lanceiros Negros Contempor&acirc;neos &eacute; constitu&iacute;do, fundamentalmente, por integrantes do Floresta Aurora, algo que faz com que a imagem do piquete seja veiculada ao tema dos lanceiros em diversos eventos (Semana da Consci&ecirc;ncia Negra e Semana Farroupilha, principalmente). Durante a semana que acolhe o dia 20 de novembro (dia da consci&ecirc;ncia negra), os Lanceiros Negros Contempor&acirc;neos partem do parque Farroupilha, em Porto Alegre, e cumprem um itiner&aacute;rio de lugares de mem&oacute;ria relacionados &agrave; presen&ccedil;a do negro na capital (Largo da Forca, Igreja das Dores, Mercado P&uacute;blico, Igreja Nossa Senhora do Ros&aacute;rio, Pra&ccedil;a Carlos Santos, etc.).    <br>  <a name="nt11"></a><a href="#tx11">11</a>  Em 14 de setembro de 2001 foi lan&ccedil;ado o filme Netto perde sua alma, dirigido por Beto Souza e Tabajara Ruas, baseado no romance hom&ocirc;nimo deste &uacute;ltimo. A produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica, exibida nos cinemas durante a semana das comemora&ccedil;&otilde;es da Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha no estado, d&aacute; maior visibilidade e fomenta a pol&ecirc;mica entre c&iacute;rculos mais amplos da sociedade. A respeito da discuss&atilde;o que envolve a rela&ccedil;&atilde;o entre a m&iacute;dia e o "caso Porongos", ver Salaini e Comin (2010).    <br>  <a name="nt12"></a><a href="#tx12">12</a>  Sob a denomina&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de <I>Ilex paraguariensis</I>, a erva&#45;mate &eacute; utilizada no preparo do chimarr&atilde;o, bebida quente servida numa cuia de porongo e sorvida por interm&eacute;dio de uma bomba de metal. O h&aacute;bito de tomar chimarr&atilde;o &eacute; considerado como algo tipicamente ga&uacute;cho, embora existam varia&ccedil;&otilde;es dessa pr&aacute;tica em pa&iacute;ses que fazem fronteira com o Rio Grande do Sul.    <br>  <a name="nt13"></a><a href="#tx13">13</a>  Maciel (1999) mostra que o ga&uacute;cho existiu e existe no Uruguai, na Argentina e no sul do Brasil, fruto de um mesmo processo hist&oacute;rico (gado&#45;guerra), mas assume papel e import&acirc;ncia hist&oacute;rica diferente em cada pa&iacute;s, ou seja, possui um significado distinto em cada local. No caso do Rio Grande do Sul existe uma necessidade de afirma&ccedil;&atilde;o enquanto ga&uacute;cho, diferente dos habitantes de outros estados brasileiros, e enquanto brasileiro, diferente dos ga&uacute;chos platinos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao movimento tradicionalista a autora destaca que consiste num fen&ocirc;meno regional em sua origem, hoje difuso em outros estados em virtude das levas de colonizadores rio&#45;grandenses que se dirigiram a essas regi&otilde;es. Ele implica uma recria&ccedil;&atilde;o de um determinado modo de vida associado aos ga&uacute;chos &#150; vida nas est&acirc;ncias e no passado, um espa&ccedil;o, um tempo idealizado segundo o imagin&aacute;rio local e recriado segundo crit&eacute;rios contempor&acirc;neos. Nesse sentido a cultura tradicionalista se configura a partir da constru&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o da identidade ga&uacute;cha.    <br>  <a name="nt14"></a><a href="#tx14">14</a>  Sirmar Antunes ficou bastante conhecido por seu trabalho em <I>Netto perde sua alma</I>, onde interpretou o sargento Caldeira. Essa apresenta&ccedil;&atilde;o ocorreu no dia 13 de novembro de 2004 na cidade de Pinheiro Machado e contou com diversas figuras pol&iacute;ticas desse munic&iacute;pio e do estado, assim como diversos representantes da comunidade negra do estado e do pa&iacute;s.    <br>  <a name="nt15"></a><a href="#tx15">15</a>  O "lanceiro negro" &eacute; um signo acionado e atualizado em situa&ccedil;&otilde;es diversas que, inclusive, extrapolam o contexto inicial que lhe deu origem. O senador Paulo Paim criou, durante o ano de 2004, o trof&eacute;u e diploma "Lanceiros Negros". De uma forma geral, este visa premiar personalidades, entidades p&uacute;blicas e privadas que apresentam contribui&ccedil;&otilde;es a campos que apresentam rela&ccedil;&otilde;es com as demandas pol&iacute;ticas dos afro&#45;brasileiros, assim como aos idosos e portadores de defici&ecirc;ncia f&iacute;sica. Em diversas situa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas o senador empunhou uma lan&ccedil;a, em alus&atilde;o aos lanceiros negros. Recentemente, o senador indicou a Fam&iacute;lia Silva &#150; comunidade que passa por processo de reconhecimento enquanto "quilombo urbano" na cidade de Porto Alegre &#150; para o recebimento de tal trof&eacute;u, que &eacute; conferido pelo Senado Federal.    <br>  <a name="nt16"></a><a href="#tx16">16</a>  Como exemplo, podemos citar <I>Os lanceiros negros</I>, composta por Newton Bastos e Dilan Camargo; <I>O negro de trinta e cinco</I>, composta por Jos&eacute; Rufino Aguiar e Cl&oacute;vis de Souza; e o <I>Negro do charque</I>, de Jos&eacute; Hil&aacute;rio Retamozo.    <br>  <a name="nt17"></a><a href="#tx17">17</a>  O poemeto "D&eacute;cima do negro pe&atilde;o", escrito por Oliveira Silveira em 1970, &eacute; publicado em 1974; o livro <I>P&ecirc;lo escuro</I>, do mesmo autor, data de 1977 e cont&eacute;m os poemas "Carga de lan&ccedil;a" e "Ao negro guerreiro" (Silveira, 1974, 1977). Cabe notar tamb&eacute;m que Oliveira Silveira &eacute; um dos idealizadores do 20 de novembro enquanto data emblem&aacute;tica da comunidade negra, por fazer alus&atilde;o &agrave; morte de Zumbi dos Palmares. A data foi incorporada como data oficial ainda na d&eacute;cada de 1970 pelo Movimento Negro Unificado (MNU). Essa data incorpora&#45;se no circuito de atividades que envolve, anualmente, no m&ecirc;s de novembro, a "Semana da Consci&ecirc;ncia Negra".    <br>  <a name="nt18"></a><a href="#tx18">18</a>  Como j&aacute; comentado anteriormente, n&oacute;s rejeitamos a distin&ccedil;&atilde;o entre bens materiais e imateriais enquanto categorias de entendimento/classificat&oacute;rias universais. N&oacute;s aceitamos por&eacute;m a ideia de que tais no&ccedil;&otilde;es podem ser &uacute;teis quando se trata de compreender como os grupos sociais pensam e organizam o seu mundo a partir delas (cf. Geertz, 1989; Sahlins, 2003).    <br>  <a name="nt19"></a><a href="#tx19">19</a>  A forma&ccedil;&atilde;o de uma Comiss&atilde;o ao Memorial dos Lanceiros Negros, em 2003, articulou diversos atores interessados em discutir o memorial &#150; seu formato, finalidade, formas de elabora&ccedil;&atilde;o, etc. Em 2005, foi lan&ccedil;ado o edital de concurso para a constru&ccedil;&atilde;o do memorial no Cerro de Porongos, assim como de um monumento, no Parque Farroupilha, na cidade de Porto Alegre.</font></p>     ]]></body>
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