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<journal-title><![CDATA[Horizontes Antropológicos]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - IFCH-UFRGS]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0104-71832012000100006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O poder da fé, o milagre do poder: mediadores evangélicos e deslocamento de fronteiras sociais]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Estado do Rio de Janeiro  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based upon two cases studies this paper is an attempt to analyse the articulation between two tendancies in the pentacostal evangeslist universe: life separated from the world and life centered on miracle and divine protagonism. The articulation in between these two tendancies constitutes a whole: the moving integration of it represent in the daily life the evangelical presence in the public sphere. As a whole, the evangelist churches are reconstructing the frontiers of what religious is, "inside" and "outside". "Inside" they are redefining magic and religion, desplacing the world enchantment, usualy maintained as "magical" by catholicism, inside the proper religious sphere as miracle. "Outside", the evangelists maintain through their discourses and practical life a way to sacrament their agents and instruments. A divine aura seems to invade the various and necessary social domains througn which have to be established their pastor's leadership.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGOS</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>O poder da f&eacute;, o milagre do poder:    mediadores evang&eacute;licos e deslocamento de fronteiras sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Patricia Birman</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A partir de dois estudos de caso analisarei neste    artigo a articula&ccedil;&atilde;o de duas tend&ecirc;ncias do universo evang&eacute;lico    pentecostal: a da vida apartada do mundo e aquela centrada no milagre e no protagonismo    divino. A articula&ccedil;&atilde;o entre elas forma um conjunto, cuja integra&ccedil;&atilde;o    variada constitui na atualidade a presen&ccedil;a evang&eacute;lica na esfera    p&uacute;blica. Enquanto conjunto, as igrejas evang&eacute;licas reconstru&iacute;ram    as fronteiras do religioso, para "dentro" e para "fora". Para "dentro" redefiniram    magia e religi&atilde;o deslocando o encantamento do mundo, convencionalmente    mantido como m&aacute;gico, atrav&eacute;s do catolicismo, para o interior da    religi&atilde;o como milagre. Para "fora" os evang&eacute;licos adotaram em    suas pr&aacute;ticas e discursos uma forma de sacraliza&ccedil;&atilde;o dos    seus agentes e dos seus instrumentos. A aura divina passou a habitar os muitos    dom&iacute;nios sociais que, por sua vez, passaram a fornecer a mat&eacute;ria-prima    necess&aacute;ria para forjar o protagonismo dos seus pastores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> comunidades, evang&eacute;licos,    fronteiras sociais, media&ccedil;&otilde;es religiosas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Based upon two cases studies this paper is an    attempt to analyse the articulation between two tendancies in the pentacostal    evangeslist universe: life separated from the world and life centered on miracle    and divine protagonism. The articulation in between these two tendancies constitutes    a whole: the moving integration of it represent in the daily life the evangelical    presence in the public sphere. As a whole, the evangelist churches are reconstructing    the frontiers of what religious is, "inside" and "outside". "Inside" they are    redefining magic and religion, desplacing the world enchantment, usualy maintained    as "magical" by catholicism, inside the proper religious sphere as miracle.    "Outside", the evangelists maintain through their discourses and practical life    a way to sacrament their agents and instruments. A divine aura seems to invade    the various and necessary social domains througn which have to be established    their pastor's leadership.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> communities, evangelicals, religious    mediations, social boundaries.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana" size="2">Divine violence does not strike    at the body or the organic life of the individual, but at the subject to who    is formed by law. It purifies the guilty, not of guilt, but of its immersion    in law and thus it dissolves the bonds of accountability that follow from the    rule of law itself. Benjamin makes this link explicit when he refers to divine    power as "pure power over all life for the sake of living".    <br>   Judith Butler</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O poder de transforma&ccedil;&atilde;o subjetiva    contido no messianismo judaico &eacute; do que trata esta ep&iacute;grafe. Reconhecer    as manifesta&ccedil;&otilde;es da viol&ecirc;ncia divina e o seus efeitos destruidores    pode exprimir uma experi&ecirc;ncia de ruptura: a viol&ecirc;ncia divina n&atilde;o    se abate necessariamente sobre o indiv&iacute;duo, fulminando-o, obrigando-o    a se dobrar sobre si mesmo em estado de culpa e de penit&ecirc;ncia. Seu efeito    libertador n&atilde;o &eacute; necessariamente o da expia&ccedil;&atilde;o.    Pode, ao contr&aacute;rio, dissolver no sujeito o reconhecimento da lei e a    sua responsabilidade diante dela como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria    &agrave; vida. A <i>f&uacute;ria divina</i> se apresenta ent&atilde;o como um    poderoso instrumento para promover um distanciamento cr&iacute;tico das leis    e das justificativas humanas que governam os homens e seus modos de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Seria exagero de nossa parte buscar algo dessa    natureza na <i>f&uacute;ria</i> pentecostal expressa nos serm&otilde;es exaltados    de pastores, nos clamores sobre o poder de Deus, e na condena&ccedil;&atilde;o    que fazem do <i>mundo terreno</i>? Haveria em alguns casos e circunst&acirc;ncias,    ao menos, uma vontade de romper pela <i>Palavra Divina</i> com o conformismo    mundano que se alia a uma vida vivida como insatisfat&oacute;ria? Esse clamor,    como se sabe, tem suas ra&iacute;zes no protestantismo e pode ser facilmente    reconhecido em sua vertente pentecostal no Brasil. Nele, caminho da culpa e    da expia&ccedil;&atilde;o como forma de aplacar os c&eacute;us nem sempre &eacute;    o escolhido. &Eacute; com essa advert&ecirc;ncia<a href="#nt1" name="tx1"><sup>1</sup></a>    em mente que quero explorar a <i>f&uacute;ria divina</i> que come&ccedil;ou    a se expressar em alto e bom som por interm&eacute;dio da palavra pentecostal    nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acredito que os movimentos pentecostais t&ecirc;m    conquistado amplamente para suas igrejas as camadas populares porque suas prega&ccedil;&otilde;es    e doutrinas fazem vibrar essa tecla sens&iacute;vel. Exprimir descontentamento    com <i>tudo</i> apontaria para esses movimentos a incapacidade dos homens de    lidarem autonomamente com os problemas da esfera humana e imanente. Advert&ecirc;ncias    de pastores condenam a falta de horizontes daqueles que praticam cegamente a    obedi&ecirc;ncia &agrave;s <i>leis dos homens</i> e, pior, limitam-se a uma    manipula&ccedil;&atilde;o de curto alcance de <i>esp&iacute;ritos e entidades</i>    diversos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma parte significativa das convers&otilde;es    pentecostais deve-se, sup&otilde;e-se, ao rompimento subjetivo que os novos    fi&eacute;is realizam com a ader&ecirc;ncia naturalizada ao cen&aacute;rio habitual    das suas vidas. Quais t&ecirc;m sido os efeitos pr&aacute;ticos da ado&ccedil;&atilde;o    dessa perspectiva religiosa? O rompimento com uma ades&atilde;o naturalizada    ao <i>mundo</i> propiciou mais de um caminho de a&ccedil;&atilde;o no universo    pentecostal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao valorizar essa <i>tecla sens&iacute;vel</i>    meu intuito &eacute; o de nos debru&ccedil;armos sobre as interpreta&ccedil;&otilde;es    religiosas pentecostais que associam desejo de ruptura com experi&ecirc;ncias    de vida em camadas populares. Um consenso que j&aacute; se imp&ocirc;s desde,    ao menos, o pen&uacute;ltimo levantamento censit&aacute;rio,<a href="#nt2" name="tx2"><sup>2</sup></a> indica que os grupos evang&eacute;licos crescem onde    se concentram pessoas mais pobres. O que motivou a indaga&ccedil;&atilde;o de    Ronaldo Almeida (2006, p. 117), entre muitos outros: "&#91;...&#93; como construir    a conex&atilde;o entre o crescimento deste segmento religioso e a pobreza urbana?"    Tentativas nesse sentido t&ecirc;m atra&iacute;do os analistas. No entanto,    percebo que uma parte significativa das interpreta&ccedil;&otilde;es oferecidas,    de certo modo, dispensam os nexos que os pr&oacute;prios religiosos estabelecem    entre as suas experi&ecirc;ncias de pobreza e a ades&atilde;o pentecostal. Muitas    respostas funcionais j&aacute; foram aventadas<a href="#nt3" name="tx3"><sup>3</sup></a> sem que tenham explorado suficientemente    o nexo estabelecido pelas pr&oacute;prias igrejas entre seus discursos sobre    a ordem do mundo e as experi&ecirc;ncias de vida de seus fi&eacute;is. Foi essa    perspectiva, por exemplo, que Luiz Eduardo Soares (1993) adotou ao sugerir que    os pentecostais no in&iacute;cio dos anos 1990 exprimiam um rompimento com uma    perspectiva hier&aacute;rquica que acompanhava suas experi&ecirc;ncias de precariedades    diversas, para dar lugar a uma perspectiva religiosa igualit&aacute;ria.<a href="#nt4" name="tx4"><sup>4</sup></a> O descontentamento dos fi&eacute;is com    a Igreja Cat&oacute;lica &eacute; destacado nesse mesmo diapas&atilde;o por    Regina Novaes (1985) e V&eacute;ronique Boyer (2008). Ambas sugerem um rompimento    subjetivo com os pilares (tamb&eacute;m religiosos) de sua ordem social. Nos    p&uacute;lpitos pentecostais se proclamaria uma interpreta&ccedil;&atilde;o    da vida social que, ao propor uma ruptura com a ordem naturalizada do mundo,    ressoa positivamente as experi&ecirc;ncias de vida dos mais pobres.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essas interpreta&ccedil;&otilde;es se coadunam    com a marca social que mais claramente distinguia, at&eacute; h&aacute; pouco    tempo, os membros das igrejas pentecostais: como <i>crentes</i> que eram, levavam    uma <i>vida apartada do mundo</i>. N&atilde;o era incomum v&ecirc;-los em espa&ccedil;os    p&uacute;blicos variados marcando uma exterioridade relativa &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es    sociais correntes. As igrejas que congregam os seus fi&eacute;is atrav&eacute;s    da obedi&ecirc;ncia a esse princ&iacute;pio doutrin&aacute;rio continuam majorit&aacute;rias    no universo evang&eacute;lico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, n&atilde;o foram elas que, sozinhas,    propiciaram o deslocamento dos pentecostais para uma outra posi&ccedil;&atilde;o    na esfera p&uacute;blica. A <i>explos&atilde;o</i> do pentecostalismo se deu,    como sabemos, atrav&eacute;s da renova&ccedil;&atilde;o de sua mensagem e, com    n&atilde;o menor import&acirc;ncia, dos meios de faz&ecirc;-la presente em uma    escala nacional e internacional.<a href="#nt5" name="tx5"><sup>5</sup></a> Duas    tend&ecirc;ncias passaram a se conjugar no universo pentecostal: aquela relacionada    ao princ&iacute;pio de uma vida apartada do mundo e a outra, mais recente, em    que predominam milagres e procedimentos de interven&ccedil;&atilde;o na vida    social que podemos chamar de <i>protagonismo divino</i>.<a href="#nt6" name="tx6"><sup>6</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A aspira&ccedil;&atilde;o por transforma&ccedil;&otilde;es,    que apontei como um impulso fundamental para que o indiv&iacute;duo se encontre    com a f&uacute;ria divina, se expande quando se volta para aqueles que, como    mediadores, reclamam poderes e qualidades especiais para agir <i>no mundo</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O protagonismo divino, nesse sentido, habilitou    os religiosos a fazer <i>milagres</i> cujos sentidos implicaram uma redefini&ccedil;&atilde;o    de certas conven&ccedil;&otilde;es sociais. O <i>milagre</i> atua sobre as conven&ccedil;&otilde;es    do mundo e habilita seus atores a us&aacute;-lo como um instrumento para interferir    na sua ordem. E os <i>milagres</i> se expandiram em todas as esferas, multiplicando    tamb&eacute;m os seus mediadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A capacidade de agenciamento do ator evang&eacute;lico    se fez assim muito maior do que aquela reivindicada pelos atores religiosos    do chamado <i>catolicismo popular</i> e dos cultos <i>afro-brasileiros</i>.    Os poderes especiais que reivindica prov&ecirc;m, como &eacute; de se esperar,    dos sentidos que atribuem a certas rela&ccedil;&otilde;es, objetos, imagens,    lugares, ritos que passam a operar como instrumentos de media&ccedil;&atilde;o.    Esses instrumentos materiais e imateriais s&atilde;o usados para fazer valer    o protagonismo divino: operam "no mundo" modulando suas exig&ecirc;ncias, minimizando    as suas rudezas, transformando pessoas, rela&ccedil;&otilde;es e lugares pelas    a&ccedil;&otilde;es dos <i>homens de Deus.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir de dois estudos de caso analisarei neste    artigo a articula&ccedil;&atilde;o dessas tend&ecirc;ncias do universo pentecostal:    a da <i>vida apartada do mundo </i>e aquela centrada no <i>milagre</i> e no    <i>protagonismo divino</i>. A articula&ccedil;&atilde;o entre elas forma um    conjunto, cuja integra&ccedil;&atilde;o variada constitui a presen&ccedil;a    evang&eacute;lica na esfera p&uacute;blica. Enquanto conjunto, as igrejas evang&eacute;licas    reconstru&iacute;ram as fronteiras do religioso, para "dentro" e para "fora".    Para "dentro" redefiniram <i>magia</i> e <i>religi&atilde;o</i> deslocando o    encantamento do mundo, convencionalmente mantido como <i>m&aacute;gico e menor</i>,    atrav&eacute;s do catolicismo considerado em sua face <i>popular</i>, para o    interior das igrejas evang&eacute;licas como <i>milagre</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para "fora" os evang&eacute;licos adotaram em    suas pr&aacute;ticas e discursos uma forma de sacraliza&ccedil;&atilde;o dos    seus agentes e dos seus instrumentos. A aura divina passou a habitar os muitos    dom&iacute;nios sociais que, por sua vez, passaram a fornecer a mat&eacute;ria-prima    necess&aacute;ria para forjar o protagonismo divino dos pastores. As refer&ecirc;ncias    a Deus na esfera p&uacute;blica n&atilde;o s&atilde;o nem poucas nem ocasionais.    Revelam o quanto as fronteiras do sagrado em suas vers&otilde;es evang&eacute;licas    se tornaram mais abrangentes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dois casos a serem tratados aqui ser&atilde;o    encarados ao mesmo tempo como exemplos dessas duas tend&ecirc;ncias evang&eacute;licas    e das formas como elas se conjugam. No primeiro caso, trata-se de uma igreja    que se construiu obedecendo o princ&iacute;pio de uma vida apartada do mundo.    O segundo caso exemplifica como uma igreja se constr&oacute;i valorizando o    protagonismo divino em seus discursos e pr&aacute;ticas. Apesar de se institu&iacute;rem    por meio de princ&iacute;pios teol&oacute;gicos e pr&aacute;ticos distintos,    a an&aacute;lise dos dois casos indica o quanto esses s&atilde;o convergentes    e tamb&eacute;m se entrela&ccedil;am. Inserem-se em uma din&acirc;mica onde    as alian&ccedil;as e as articula&ccedil;&otilde;es entre as igrejas evang&eacute;licas    encontram-se institu&iacute;das e valorizadas. As conjuga&ccedil;&otilde;es    de suas redes e de seus acessos aos variados dom&iacute;nios da vida social    contribuem para dar mais pot&ecirc;ncia e efic&aacute;cia &agrave;s suas pr&aacute;ticas    e discursos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Um milagre fundador e a comunidade de crentes</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em uma pesquisa recente analisamos uma vila<a href="#nt7" name="tx7"><sup>7</sup></a> que reivindica, por interm&eacute;dio de sua &uacute;nica    igreja, o fato de existir como produto de uma interven&ccedil;&atilde;o divina    e milagrosa. Deus teria estabelecido uma rela&ccedil;&atilde;o privilegiada    com o lugar, o que lhe deu caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, geogr&aacute;ficas    e espirituais excepcionais. Os fi&eacute;is dessa igreja, como os demais evang&eacute;licos,    s&atilde;o conclamados a rejeitar o mundo e tom&aacute;-lo como um lugar diab&oacute;lico.    No entanto, o mundo visto dessa vila est&aacute; longe de ser percebido como    uma superf&iacute;cie homog&ecirc;nea na qual s&oacute; se veria a mesma aus&ecirc;ncia    de Deus. A ruptura entre os mundos transcendente e imanente n&atilde;o foi jamais    pensada como absoluta nem sem nuan&ccedil;as. Ao contr&aacute;rio. Segundo os    religiosos dessa vila, Deus, ao consagrar o lugar onde a comunidade se encontra,    definiu-o desde os primeiros tempos como diferente e superior a todos os outros    espa&ccedil;os existentes no mundo.<a href="#nt8" name="tx8"><sup>8</sup></a> Assim, o princ&iacute;pio de uma <i>vida    apartada do mundo</i> efetiva o seu dualismo de um modo peculiar: transformando    e sacralizando um lugar percebido em oposi&ccedil;&atilde;o a todos os outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ele teria instaurado um espa&ccedil;o de exce&ccedil;&atilde;o    cujos muitos indicadores s&atilde;o ciosamente destacados aos que, como n&oacute;s,    se interessaram em conhecer a excepcionalidade da vila. A topografia do lugar,    no discurso da igreja, precisa quais os marcos naturais que seriam de origem    divina: uma pedra em uma de suas fronteiras externas indica o lugar inicial,    f&iacute;sico e geogr&aacute;fico. A sua autenticidade prov&eacute;m do nome    que lhe foi dado em <i>guarani</i> pelos &iacute;ndios, seus habitantes origin&aacute;rios.    Um clima ben&eacute;fico comprova tamb&eacute;m a escolha divina que tamb&eacute;m    teria definido os limites geogr&aacute;ficos da comunidade e suas qualidades:    a mansid&atilde;o do mar, prop&iacute;cia &agrave; pesca, e tamb&eacute;m a    salubridade de suas terras. A vila apresenta diferencia&ccedil;&otilde;es internas    no seu espa&ccedil;o devidas &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com o sagrado:    o dualismo pentecostal &eacute; facilmente reconhecido pela forma como os lugares    s&atilde;o nomeados e utilizados: Canto do Diabo, onde os homens <i>desviados</i>    v&atilde;o beber, dan&ccedil;ar e usar drogas; Recanto do C&eacute;u, pr&oacute;ximo    &agrave; igreja e ao alcance do seu alto-falante. De modo geral, os moradores    consideram que a <i>Palavra Divina,</i> desde o momento origin&aacute;rio, forjou    uma esp&eacute;cie de enclave que a igreja busca defender de um mundo exterior    visto como violento, criminoso e diab&oacute;lico. As propriedades f&iacute;sicas    e espirituais da vila e das pessoas s&atilde;o insepar&aacute;veis da natureza    e da hist&oacute;ria santificada do lugar, constitu&iacute;do pelo <i>poder    espiritual</i>.<a href="#nt9" name="tx9"><sup>9</sup></a> Embora dependam, como outros evang&eacute;licos,    de uma conduta &eacute;tica e ritual para se considerarem no caminho da salva&ccedil;&atilde;o,    os moradores evang&eacute;licos se percebem como detentores de uma heran&ccedil;a    divina que se ancora nas rela&ccedil;&otilde;es familiares, modulando assim    o peso da responsabilidade individual.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A descri&ccedil;&atilde;o que os evang&eacute;licos    fazem do momento fundador da sua comunidade guarda uma proximidade com a interven&ccedil;&atilde;o    da <i>f&uacute;ria divina</i>. Ali ocorreu a destrui&ccedil;&atilde;o do mundo    tal como ele tinha sido concebido at&eacute; ent&atilde;o. Com uma particularidade    digna de nota: <i>os cat&oacute;licos foram embora.</i> Depois disso, mudou    a geografia e o clima, em consequ&ecirc;ncia, a pesca; a igreja e os moradores    prosperaram, dizem. &Agrave; <i>f&uacute;ria divina</i> se seguiu o poder concedido    aos <i>homens de Deus</i>. "Foi o lugar que Deus escolheu para Ele", nos afirmam.    A associa&ccedil;&atilde;o de uma vida apartada do mundo com a gest&atilde;o    do milagre divino, concedida aos herdeiros dessa gra&ccedil;a, deu a esse pequeno    mundo evang&eacute;lico uma certa especificidade e tamb&eacute;m os meios de    reivindicar um reconhecimento no espa&ccedil;o p&uacute;blico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, rela&ccedil;&otilde;es de fam&iacute;lia,    rela&ccedil;&otilde;es com o lugar e rela&ccedil;&otilde;es com Deus e com o    territ&oacute;rio se conjugaram intimamente h&aacute; mais de uma gera&ccedil;&atilde;o    para forjar o fiel dessa igreja. O que significa, em primeiro lugar, o car&aacute;ter    indissoci&aacute;vel entre esses dom&iacute;nios e o seu sentido religioso.    &Eacute;-se crente "em fam&iacute;lia" bem como se &eacute; <i>do lugar</i>    cujos atributos, divinamente estabelecidos, se herda. O car&aacute;ter indissoci&aacute;vel    desses aspectos concorre para forjar um modo de vida cujas atividades e atitudes    participam do <i>ethos</i> cultivado por seus habitantes. As manifesta&ccedil;&otilde;es    religiosas s&atilde;o impregnadas pelas rela&ccedil;&otilde;es de fam&iacute;lia    e estas pelo estatuto de suas mulheres e de seus homens, em casa, na igreja,    na vila e no trabalho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A hierarquia da igreja obedece aos mesmos crit&eacute;rios    e se conjuga com as diferen&ccedil;as de classe e de estatuto que atravessam    a <i>comunidade</i>. Os que nasceram ali e s&atilde;o membros das fam&iacute;lias    fundadoras da <i>igreja/comunidade</i> possuem um acesso privilegiado &agrave;s    posi&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio que se exprimem tamb&eacute;m nos    rituais da igreja, em suas festas e cerim&ocirc;nias. Testemunhos, profecias    e falar em l&iacute;nguas estranhas s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es na linguagem    evang&eacute;lica que extravasam os limites da igreja. Agem no interior das    din&acirc;micas locais para al&eacute;m da congrega&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is:    exprimem ades&atilde;o, conflitos, dificuldades, desacertos em um repert&oacute;rio    que &eacute; de dom&iacute;nio p&uacute;blico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os crit&eacute;rios de pertencimento possuem    uma import&acirc;ncia n&atilde;o negligenci&aacute;vel porque s&atilde;o afirmados    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s consequ&ecirc;ncias sociais e pol&iacute;ticas    desse legado divino. Os descendentes das primeiras fam&iacute;lias e todos os    seus parentes s&atilde;o aqueles que, em nome do pertencimento ao lugar e &agrave;    sua igreja, poderiam assumir, de forma "quase" natural, um papel de media&ccedil;&atilde;o    no interior da comunidade de fi&eacute;is. Em consequ&ecirc;ncia, os mediadores    da igreja carregam em suas pessoas certos signos da escolha divina que s&atilde;o    insepar&aacute;veis do estatuto hier&aacute;rquico que possuem, que &eacute;    ao mesmo tempo religioso, social e pol&iacute;tico.<a href="#nt10" name="tx10"><sup>10</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A gest&atilde;o do territ&oacute;rio tem um certo    efeito de intensifica&ccedil;&atilde;o, a meu ver, sobre as distin&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;tico-religiosas no interior e no exterior da comunidade de crentes.    Isso porque as lideran&ccedil;as religiosas e os pr&oacute;prios moradores se    percebem como indiv&iacute;duos integrados &agrave; comunidade evang&eacute;lica    dos <i>irm&atilde;os </i>- uma comunidade imaginada mais ampla e de contornos    indefin&iacute;veis. E fazem dessa integra&ccedil;&atilde;o um meio de proteger    o seu territ&oacute;rio do ponto de vista administrativo e pol&iacute;tico,    al&eacute;m de fortalecer a igreja como um lugar sagrado, a ser valorizado tamb&eacute;m    por evang&eacute;licos de outras igrejas.<a href="#nt11" name="tx11"><sup>11</sup></a>    A igreja trabalha no sentido de aproximar a comunidade local de uma categoria    de pertencimento mais ampla: <i>os evang&eacute;licos</i>. Associam-se tanto    horizontal quanto verticalmente a esses seus iguais, beneficiando &agrave; comunidade    local pelo fluxo constante de trocas no plano religioso, musical, educacional    e pol&iacute;tico.<a href="#nt12" name="tx12"><sup>12</sup></a> A gest&atilde;o do lugar permite assim    mais acesso ao espa&ccedil;o p&uacute;blico e contribui para a expans&atilde;o    do protagonismo divino.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; pois perfeitamente compreens&iacute;vel    e <i>natural</i> que os pastores e mediadores da igreja e dos<i> evang&eacute;licos</i>    tenham obtido benef&iacute;cios sociais, materiais e simb&oacute;licos do governo    que, na &eacute;poca, negaram-nos &agrave;s outras comunidades pr&oacute;ximas.    O governador Garotinho, por exemplo, se sensibilizou com as dificuldades dessa    comunidade espec&iacute;fica porque "Deus tocou no seu cora&ccedil;&atilde;o",    o que lhes trouxe o fruto de mais uma mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    cujos resultados foram traduzidos por alguns como um <i>milagre</i>: a prioridade    oferecida &agrave; vila para o acesso &agrave; eletricidade. As redes nas quais    atualmente essa comunidade evang&eacute;lica participa t&ecirc;m possibilitado    a inclus&atilde;o e o comprometimento de seus dirigentes nas v&aacute;rias negocia&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;tico-eleitorais das igrejas e lideran&ccedil;as evang&eacute;licas,    principalmente no plano municipal e estadual.<a href="#nt13" name="tx13"><sup>13</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">S&atilde;o parte do cotidiano da igreja negocia&ccedil;&otilde;es    complexas que envolvem os seus l&iacute;deres com os poderes p&uacute;blicos    e com as lideran&ccedil;as pol&iacute;tico-religiosas do estado do Rio de Janeiro.    As repercuss&otilde;es geradas por esses elos se d&atilde;o em todas as dire&ccedil;&otilde;es,    para "dentro" e para "fora", como &eacute; f&aacute;cil de imaginar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quero valorizar o quanto esses processos se inserem    em um contexto religioso no qual a efic&aacute;cia das suas pr&aacute;ticas    religiosas &eacute; percebida como potencialmente maior e mais abrangente em    fun&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de evang&eacute;licos no espa&ccedil;o    p&uacute;blico. Os membros da igreja n&atilde;o se sentem sozinhos na sua f&eacute;,    e sim como indiv&iacute;duos ao mesmo tempo inseridos em redes familiares locais    e em outras mais amplas, onde tamb&eacute;m se reconhecem como parte de uma    comunidade mais abrangente, a evang&eacute;lica. E o seu modo de agir recusa,    na condi&ccedil;&atilde;o de <i>homens de Deus</i>, separarem a a&ccedil;&atilde;o    religiosa de seus v&iacute;nculos materiais, sociais e tamb&eacute;m pol&iacute;ticos.    O tema da prosperidade ganha outra relev&acirc;ncia na medida em que acompanha    as narrativas de milagres/conquistas associadas a essas formas de pertencimento    e seus dispositivos pol&iacute;tico-religiosos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A comunidade evang&eacute;lica est&aacute;    em todos os lugares</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A inven&ccedil;&atilde;o e reinven&ccedil;&atilde;o    de trabalhos de media&ccedil;&atilde;o e de mediadores para o protagonismo divino    n&atilde;o parecem se esgotar. A igreja Assembleia de Deus dos &Uacute;ltimos    Dias (ADUD), conduzida pelo pastor Marcos Pereira, &eacute; certamente uma que    trouxe inova&ccedil;&otilde;es para o perfil evang&eacute;lico na esfera p&uacute;blica.<a href="#nt14" name="tx14"><sup>14</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O universalismo dos valores crist&atilde;os,    como princ&iacute;pios transcendentes de origem divina, orienta a constru&ccedil;&atilde;o    dos seus objetivos mission&aacute;rios, direcionados essencialmente para o que    designo como uma regi&atilde;o moral constru&iacute;da como uma comunidade imaginada,    cujo car&aacute;ter seria ao mesmo tempo real e virtual. Essa comunidade, alvo    do seu trabalho mission&aacute;rio, seria forjada atrav&eacute;s de procedimentos    rituais e midi&aacute;ticos que a definiriam como uma regi&atilde;o moral espec&iacute;fica.    Seus contornos seriam estabelecidos por crit&eacute;rios de ordem religiosa,    jur&iacute;dica, pol&iacute;tica e territorial. Todos eles, sobrepostos, caracterizam    sua popula&ccedil;&atilde;o como "marginal" em rela&ccedil;&atilde;o a "centros"    diversos: o estado, a cidade, a ordem jur&iacute;dica, a cidadania e as igrejas.    Podemos sugerir que a f&uacute;ria divina, ao estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o    de equival&ecirc;ncia entre estas categorias sociais impulsiona o pastor Marcos    como um <i>homem de Deus</i> a clamar contra a exist&ecirc;ncia naturalizada    dessa regi&atilde;o moral. Buscaria oferecer a salva&ccedil;&atilde;o para aqueles    que carregariam do ponto de vista social, religioso e pol&iacute;tico esse estatuto    de subalternidade associado a territ&oacute;rios urbanos onde o crime, a morte    e o pecado abundam. A trajet&oacute;ria do pastor como evang&eacute;lico se    desenvolveu assim relacionada a espa&ccedil;os frequentemente associados &agrave;    criminalidade no Rio de Janeiro, descont&iacute;nuos por&eacute;m unificados    pelo car&aacute;ter negativo e especular que lhes &eacute; atribu&iacute;do    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade.<a href="#nt15" name="tx15"><sup>15</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O sentido teol&oacute;gico da sua miss&atilde;o    prov&eacute;m da percep&ccedil;&atilde;o do sacrif&iacute;cio como fundamento    crist&atilde;o do direito &agrave; vida: redimir os <i>bandidos</i> pela convers&atilde;o    significa reconhec&ecirc;-los como seres sacrificiais, isto &eacute;, humanamente    crist&atilde;os, ao contr&aacute;rio dos discursos e pr&aacute;ticas hegem&ocirc;nicas    na cidade, que escolheu elimin&aacute;-los como um <i>efeito colateral</i> do    combate ao crime. Seriam "vidas nuas", na terminologia de Agamben (2008). Assim,    as atividades mission&aacute;rias da igreja obedecem a dois crit&eacute;rios.    O primeiro &eacute; o <i>sofrimento</i>. Na condi&ccedil;&atilde;o de <i>seres    que sofrem</i> permite-se reconhecer os ditos <i>bandidos</i> como homens submetidos    a um sacrif&iacute;cio, tal como Cristo o foi, e assim inclu&iacute;-los como    parte da humanidade por natureza sofredora. O segundo &eacute; a <i>viol&ecirc;ncia</i>    relacionada aos atributos sociais, pol&iacute;ticos e morais que seriam provenientes    da regi&atilde;o onde esses indiv&iacute;duos habitam. A viol&ecirc;ncia f&iacute;sica    e moral &eacute; assim tomada como parte constitutiva e necess&aacute;ria &agrave;    sua a&ccedil;&atilde;o mediadora. &Eacute; ela que d&aacute; lugar ao sofrimento    como a dimens&atilde;o sacrificial necess&aacute;ria ao processo de reden&ccedil;&atilde;o    e tamb&eacute;m &eacute; ela que &eacute; acionada para estabelecer os que se    encontram no interior dessa fronteira social e moral.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal como observamos na <i>comunidade de crentes</i>,    aqui tamb&eacute;m os religiosos guardam como um valor positivo os atributos    sociais e morais "herdados" de suas fam&iacute;lias e de suas rela&ccedil;&otilde;es    em seus espa&ccedil;os de vida. Mas n&atilde;o da mesma maneira. As rela&ccedil;&otilde;es    sociais marcadas pela viol&ecirc;ncia s&oacute; podem ser modificadas, nessa    vis&atilde;o evang&eacute;lica, atrav&eacute;s de uma pot&ecirc;ncia sobre-humana,    divina que se faz presente encarnando-se nos indiv&iacute;duos que, como ele,    pastor, possuiriam a <i>experi&ecirc;ncia f&iacute;sica e moral da coa&ccedil;&atilde;o</i>.    O trabalho de media&ccedil;&atilde;o do pastor Marcos tem no seu corpo e no    corpo daqueles que busca redimir a mat&eacute;ria sens&iacute;vel pela qual    o Esp&iacute;rito Santo ganha a sua ag&ecirc;ncia e o seu poder de interven&ccedil;&atilde;o.    Ao serem postas a servi&ccedil;o de Deus essas experi&ecirc;ncias se convertem    em instrumentos libertadores, investidas que foram pelo sopro do Esp&iacute;rito    Santo. O exorcismo praticado pelo pastor integra os gestos de liberta&ccedil;&atilde;o    desde o seu primeiro encontro com esses indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O gestual para a pr&aacute;tica do exorcismo    revela uma adequa&ccedil;&atilde;o desse instrumento, introduzido nos anos 1980    pela igreja Universal, ao p&uacute;blico-alvo da Igreja Assembleia de Deus dos    &Uacute;ltimos Dias. Baseia-se nesse caso na imita&ccedil;&atilde;o do uso de    rev&oacute;lveres e metralhadoras pelas m&atilde;os e voz do pastor que assim    faz "cair" no ch&atilde;o os bandidos pecadores. S&atilde;o gestos rituais em    que se destaca como o poder do Esp&iacute;rito Santo, encarnado nas m&atilde;os    nuas por&eacute;m fortes do pastor, engendra o mesmo efeito das armas. Os "bandidos"    caem uns sobre os outros, reconhecendo o poder moral, f&iacute;sico e espiritual    do mission&aacute;rio em a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O pastor Marcos encarna o ideal religioso de    sua igreja. Ele transforma a sua <i>for&ccedil;a </i>f&iacute;sica, associada    ao seu passado no <i>pecado</i>, inscritos no seu corpo viril, em <i>poder </i>de    interven&ccedil;&atilde;o divina. E a sua a&ccedil;&atilde;o se d&aacute; no    sentido de mobilizar as experi&ecirc;ncias de vida de uma popula&ccedil;&atilde;o    submetida cotidianamente a viol&ecirc;ncias e formas de coa&ccedil;&atilde;o    diversas. O exorcismo cotidianamente praticado &eacute; o instrumento maior    do protagonismo divino.<a href="#nt16" name="tx16"><sup>16</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao contr&aacute;rio da Assembleia de Deus que    examinamos, a ADUD j&aacute; nasceu "no mundo" onde exerce o protagonismo divino    e atua em todas as "comunidades" onde o pastor &eacute; chamado. O pastor Marcos    n&atilde;o "pertence" a essas localidades mas cria v&iacute;nculos religiosos,    pol&iacute;ticos e administrativos com elas por interm&eacute;dio principalmente    de rituais em sua igreja em que a regi&atilde;o moral que elaborou se transforma    em uma <i>comunidade de irm&atilde;os</i>. Esses v&iacute;nculos s&atilde;o    insepar&aacute;veis entre si da mesma maneira que a sua interven&ccedil;&atilde;o    &eacute; ao mesmo tempo religiosa, pol&iacute;tica e midi&aacute;tica. A ADUD    possui uma produtora de v&iacute;deos que busca divulgar o seu trabalho tanto    nas m&iacute;dias "oficiais" quanto nas redes sociais como o YouTube. As loca&ccedil;&otilde;es    escolhidas pelos v&iacute;deos da igreja constroem uma rela&ccedil;&atilde;o    entre a congrega&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is e os v&aacute;rios lugares    onde o pastor "derruba" bandidos por interven&ccedil;&atilde;o divina: loca&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o feitas em "esconderijos" de "bandidos", em favelas e periferias,    em penitenci&aacute;rias, em bailes <i>funk</i> e no interior da igreja. A rela&ccedil;&atilde;o    entre esses tempos e espa&ccedil;os, presentes e passados, reais e virtuais,    apresentados em m&uacute;ltiplas telas durante o culto constitui ritualmente    a sua comunidade. Todos relacionados ao mesmo tempo pelo sofrimento, pelo pecado    e pela salva&ccedil;&atilde;o.<a href="#nt17" name="tx17"><sup>17</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A sua atua&ccedil;&atilde;o nesses lugares de    reclus&atilde;o bem como naqueles sob controle do tr&aacute;fico n&atilde;o    seria, &eacute; claro, independente dos contatos que consegue cultivar e a sua    celebridade no espa&ccedil;o p&uacute;blico permitir. Uns e outros se alimentam    entre si. Embora a sua igreja seja ainda pequena, comparada &agrave; IURD, por    exemplo, ela atua por interm&eacute;dio dos mesmos dispositivos que esta, associando    uma presen&ccedil;a midi&aacute;tica com contatos pol&iacute;tico-religiosos    <i>fora</i> e <i>dentro</i> de <i>comunidades</i> diversas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A f&uacute;ria divina que o move, de um lado,    parece ter possibilitado at&eacute; pouco tempo atr&aacute;s a sua aproxima&ccedil;&atilde;o    com o j&aacute; mencionado governador evang&eacute;lico Garotinho, que lhe chamou    para intervir em rebeli&otilde;es de presos. Atualmente, ele &eacute; acusado    &agrave; boca pequena por alguns setores da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    de ser algu&eacute;m "ligado ao tr&aacute;fico". Esses setores, em consequ&ecirc;ncia,    provocaram o fim da sua colabora&ccedil;&atilde;o com o governo do estado no    Rio de Janeiro. Ganhou recentemente, no entanto, a Medalha de M&eacute;rito    Tiradentes, da Assembleia Legislativa. O que refor&ccedil;a a legitimidade dessa    acusa&ccedil;&atilde;o de cumplicidade seria o empenho que j&aacute; se manifestou    em sua igreja de "proteger" os bandidos que buscaram ref&uacute;gio na sua obra    social. O seu projeto de salva&ccedil;&atilde;o se baseia justamente no fato    de os bandidos encarnarem a exclus&atilde;o absoluta como destino, o que condensa    o paradoxo do criminoso santificado explorado pelo cristianismo tamb&eacute;m    nessa sua vers&atilde;o. Constituem em certo sentido a prova maior da Provid&ecirc;ncia    Divina.<a href="#nt18" name="tx18"><sup>18</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O pastor Marcos atua pois em um "nicho" pol&iacute;tico-religioso.    Sem se opor &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os marginalizados    sobre os quais baseia seu trabalho, ele se oferece como algu&eacute;m capaz    de gerir os conflitos mort&iacute;feros de modo a salvar/redimir os seus participantes,    socialmente condenados a sofr&ecirc;-los. Como personagem p&uacute;blico de    grande visibilidade midi&aacute;tica ele d&aacute; lugar e valoriza o protagonismo    divino. Distingue-se, em suma, como um <i>homem de Deus</i> cuja potencia n&atilde;o    se dissocia das suas dimens&otilde;es sociais, morais, f&iacute;sicas, religiosas,    pol&iacute;ticas e midi&aacute;ticas. Podemos considerar que o pastor, como    personagem p&uacute;blico, acumula essas refer&ecirc;ncias sem se desfazer de    nenhuma delas. &Eacute; poss&iacute;vel por esse vi&eacute;s compar&aacute;-lo    com a imagem do Cristo Redentor, analisada por Emerson Giumbelli (2008a, p.    98): "Essa conjun&ccedil;&atilde;o entre o c&iacute;vico e o religioso parece    crucial para entender o que se passa com o Cristo Redentor &#91;...&#93; o religioso    vai absorvendo o c&iacute;vico de modo tal que se recusa a separa&ccedil;&atilde;o    que a modernidade parece exigir das duas dimens&otilde;es."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Notas finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o foi sem dificuldades que os cientistas    sociais encararam os efeitos pr&aacute;ticos e discursivos da <i>Batalha Espiritual</i>.    O paradigma da seculariza&ccedil;&atilde;o passou a circular amplamente nas    controv&eacute;rsias engendradas pelo ataque evang&eacute;lico - jamais visto    at&eacute; ent&atilde;o - &agrave; igreja cat&oacute;lica e aos cultos afro-brasileiros.    As categorias <i>modernidade</i>, <i>seculariza&ccedil;&atilde;o</i>, <i>individualismo</i>    e <i>desencantamento do mundo </i>cresceram em import&acirc;ncia no repert&oacute;rio    das ci&ecirc;ncias sociais da religi&atilde;o, expandindo-se para al&eacute;m    das fronteiras da sociologia.<a href="#nt19" name="tx19"><sup>19</sup></a> O uso dessas categorias tem, em parte,    valorizado interpreta&ccedil;&otilde;es que minimizam ou mesmo desqualificam    as rela&ccedil;&otilde;es de sentido produzidas por esses evangelismos da f&uacute;ria    divina que emergiram com os cultos neopentecostais. Com efeito, a hip&oacute;tese    do pentecostalismo como uma forma de moderniza&ccedil;&atilde;o da sociedade    brasileira parece produzir paradoxalmente uma certa percep&ccedil;&atilde;o    nost&aacute;lgica relacionada ao mundo "tradicional", acompanhada de um certo    embara&ccedil;o sobre essa modernidade que guarda aspectos <i>m&aacute;gicos</i>,    isto &eacute;, de uma presen&ccedil;a da esfera divina no mundo, bem    distantes do processo de seculariza&ccedil;&atilde;o que estaria em curso.<a href="#nt20" name="tx20"><sup>20</sup></a> Esses indicam que, ao menos por um    vi&eacute;s, o modelo de modernidade, constru&iacute;do pela sociologia, n&atilde;o    se aplica &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>desencantamento do mundo</i>, correlata    &agrave; separa&ccedil;&atilde;o dos dom&iacute;nios sociais. Ao contr&aacute;rio,    objetos, pr&aacute;ticas e atores entrela&ccedil;am e misturam os dom&iacute;nios    em que estariam classificados e dispostos.<a href="#nt21" name="tx21"><sup>21</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A IURD &eacute;, sem sombra de d&uacute;vida,    como muitos j&aacute; destacaram, a igreja que realizou um combate de uma natureza    e de uma extens&atilde;o sem precedentes contra a <i>magia</i> afro-brasileira,    acusada de ser diab&oacute;lica. A IURD conclamou, como sabemos, as pessoas    a abandonarem uma magia subordinada e perif&eacute;rica, cujos poderes seriam    pequenos, malignos e, em grande medida, concebidos como ocultos, por novas formas    de interven&ccedil;&atilde;o vistas como superiores, aquelas do <i>milagre divino</i>.    Isso quer dizer que n&atilde;o abandonou o trabalho constante de media&ccedil;&atilde;o    entre os homens e o poder divino. Vale reiterar: at&eacute; ent&atilde;o reivindicado    como um monop&oacute;lio do edif&iacute;cio cat&oacute;lico. Fez assim do ataque    &agrave; feiti&ccedil;aria um instrumento de conquista que propiciou o deslocamento    para o "centro", em primeiro lugar, de um conjunto populacional que, do ponto    de vista social e simb&oacute;lico, situava-se nas franjas perif&eacute;ricas    da igreja cat&oacute;lica e da sociedade; em segundo lugar, das pr&aacute;ticas    consideradas m&aacute;gicas e encantadas e dos seus mediadores que, como <i>pessoas    dotadas de atributos especiais</i>, n&atilde;o fariam <i>magias</i> por&eacute;m    <i>milagres</i>, na condi&ccedil;&atilde;o de <i>homens de Deus</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vale lembrar que, ao colocar o milagre divino    no centro da sua atua&ccedil;&atilde;o, os evang&eacute;licos t&ecirc;m impedido    a Igreja Cat&oacute;lica de guardar o seu edif&iacute;cio hier&aacute;rquico    intacto e capilarmente presente na vida social - lhe deram outro lugar, digamos.    Chamaram para si a capacidade de responder &agrave;s demandas pouco consideradas    por ela at&eacute; ent&atilde;o. Com efeito, as media&ccedil;&otilde;es m&aacute;gico-pol&iacute;tico-religiosas    realizadas pelos segmentos populares ganharam outro sentido e foram revalorizadas.    Abandonaram-se os estatutos que historicamente lhes tinham sido previstos pela    Igreja Cat&oacute;lica: como hierarquicamente inferiores e claramente perif&eacute;ricos    no interior da na&ccedil;&atilde;o e nas suas pr&oacute;prias margens.<a href="#nt22" name="tx22"><sup>22</sup></a>    Cec&iacute;lia Mariz (1999, p. 40) aponta como pr&oacute;prio desse movimento    de ruptura a ado&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva &eacute;tica: "apesar de    todo o poder que det&eacute;m, o dem&ocirc;nio deve ser rejeitado juntamente    com os seus milagres". O crit&eacute;rio moral aventado por Mariz, no meu modo    de entender, se somaria ao movimento evang&eacute;lico de se distanciar e de    recusar a ordem do mundo. &Eacute; dessa dist&acirc;ncia proclamada e reiterada    que &eacute; poss&iacute;vel ignorar os limites dados pelas conven&ccedil;&otilde;es    humanas para fazer valer a a&ccedil;&atilde;o milagrosa e a ordem moral que    esta sustenta. Nesse sentido a sua <i>efic&aacute;cia</i> n&atilde;o pode ser    separada do protagonismo divino reivindicado pelos seus pastores. Seu poder    se constitui, em consequ&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplos mediadores    humanos e materiais que se pretendem portadores reconhecidos da ag&ecirc;ncia    divina na esfera p&uacute;blica.<a href="#nt23" name="tx23"><sup>23</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essas duas tend&ecirc;ncias do universo pentecostal    n&atilde;o se constitu&iacute;ram, como vimos, atrav&eacute;s de fronteiras    que delimitam campos excludentes. Ao contr&aacute;rio, as passagens entre elas    correspondem a um processo de realimenta&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca.    Intensificou-se no momento em que as igrejas mais midi&aacute;ticas conseguiram    se impor na esfera p&uacute;blica e se expandiu por interm&eacute;dio de redes    e dispositivos pol&iacute;tico-religiosos diversos. N&atilde;o s&atilde;o estranhas    ao campo evang&eacute;lico associa&ccedil;&otilde;es em muitos planos das igrejas    pentecostais "tradicionais" com as grandes igrejas do milagre e do exorcismo.    Alian&ccedil;as pol&iacute;ticas pontuais, participa&ccedil;&otilde;es conjuntas    em festas, rituais, <i>shows</i> e manifesta&ccedil;&otilde;es de massa est&atilde;o    perfeitamente integrados no universo evang&eacute;lico, bem como uma constante    circula&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is no interior dessa fronteira comum (Almeida,    2010). Um campo, por exemplo, que atravessa muitas igrejas e associa atores    de variadas proced&ecirc;ncias &eacute; aquele da m&uacute;sica <i>gospel</i>    (Jungblut, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Hoje se convive na esfera p&uacute;blica com    um conjunto de igrejas, grupos e indiv&iacute;duos que obt&eacute;m cada vez    mais acessos, recursos e modalidades diferenciadas de presen&ccedil;a na esfera    p&uacute;blica. Destaca-se tamb&eacute;m o acesso aos recursos do Estado e de    institui&ccedil;&otilde;es sociais variadas por meio da identidade de <i>evang&eacute;licos</i>.    Seus discursos e pr&aacute;ticas se apoiam em personagens que, como mediadores,    disputam no espa&ccedil;o p&uacute;blico a condi&ccedil;&atilde;o de portadores    exemplares da gra&ccedil;a divina e de mudan&ccedil;as sociais desejadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O dom&iacute;nio da pol&iacute;tica tornou-se,    com os evang&eacute;licos, explicitamente insepar&aacute;vel daquele da religi&atilde;o    (Machado, M., 2006). Valorizamos a emerg&ecirc;ncia de discursos e de dispositivos    pol&iacute;tico-religiosos por meio de novas figuras de media&ccedil;&atilde;o,    evangelicamente estruturadas no espa&ccedil;o p&uacute;blico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em um texto interessante sobre religi&atilde;o    e esfera p&uacute;blica, Paula Montero (2010, p. 5) defende que "a configura&ccedil;&atilde;o    de uma sociedade civil e de uma esfera religiosa aut&ocirc;noma com rela&ccedil;&atilde;o    ao Estado foi historicamente marcada no Brasil pela gram&aacute;tica da religi&atilde;o    crist&atilde;". Mais adiante, no mesmo texto, precisa que "no plano simb&oacute;lico    a no&ccedil;&atilde;o de bem p&uacute;blico &eacute; conatural &agrave; igreja    cat&oacute;lica sendo facilmente extens&iacute;vel &agrave; ideia de bem comum    representado pelo Estado", chamando a aten&ccedil;&atilde;o para as dificuldades    enfrentadas pelos outros grupos "de vincular seus objetivos &agrave; representa&ccedil;&atilde;o    do interesse p&uacute;blico coletivo" (Montero, 2010, p. 5).<a href="#nt24" name="tx24"><sup>24</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa dificuldade tem sido ultrapassada com louvor,    sem trocadilhos, pelos evang&eacute;licos. Vimos nos dois casos como atores    evang&eacute;licos conseguiram ocupar novos espa&ccedil;os e criar formas in&eacute;ditas    de presen&ccedil;a na esfera p&uacute;blica, apresentando-se como portadores    de interesses sociais por interm&eacute;dio de seus dispositivos pol&iacute;tico-religiosos    que lhes atribuem um sentido moral inquestion&aacute;vel. Como chamou aten&ccedil;&atilde;o    Pierre Sanchis (2001, p. 14), contribu&iacute;ram para o decl&iacute;nio institucional    do catolicismo e da sua hegemonia "no campo da pol&iacute;tica em nome da religi&atilde;o".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esses dispositivos, com efeito, permitiram associar,    ao longo dos anos, a a&ccedil;&atilde;o religiosa pentecostal ao Estado e a    empreendimentos midi&aacute;ticos, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos importantes.    As igrejas neopentecostais de maior porte e recursos se fazem presentes em um    movimento de associa&ccedil;&atilde;o e de realimenta&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca    com outras menores, em uma vasta rede capilarmente presente na vida social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Podemos concluir que a <i>f&uacute;ria divina</i>    expressa pelos pastores, ao valorizar o protagonismo pol&iacute;tico dos <i>homens    de Deus</i>, tem propiciado a emerg&ecirc;ncia novos <i>ajustamentos, que se    coadunam perfeitamente ao contexto sociopol&iacute;tico </i>em que exercem seus    trabalhos de media&ccedil;&atilde;o. Esses ajustamentos parecem dar lugar a    atores pol&iacute;ticos que alimentam outras modalidades de rela&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tico-religiosa com grupos sociais subalternos. Como dito no in&iacute;cio    deste artigo, os evang&eacute;licos transformaram e deslocaram fronteiras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A emerg&ecirc;ncia do protagonismo divino &eacute;    correlata &agrave; expans&atilde;o de um segmento social na esfera p&uacute;blica    que, at&eacute; h&aacute; pouco tempo, n&atilde;o tinha nem visibilidade nem    o mesmo acesso aos mecanismos de poder. Nos tempos cat&oacute;licos, pode-se    dizer, havia poderosas fronteiras sociais e simb&oacute;licas garantidas por    conven&ccedil;&otilde;es sociais at&eacute; ent&atilde;o intoc&aacute;veis.    Desnaturaliz&aacute;-las e demoli-las por interm&eacute;dio da <i>f&uacute;ria    divina</i>, como em parte aconteceu, n&atilde;o resultou em um mundo onde a    desobedi&ecirc;ncia passou a ser aceit&aacute;vel. As fronteiras recriadas,    como vimos, incluem novos segmentos religiosos, pol&iacute;ticos e sociais.    E carregam, em consequ&ecirc;ncia, um sentido tribut&aacute;rio do encantamento    do mundo e do protagonismo divino: a afirma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-religiosa    do seu car&aacute;ter sagrado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ALMEIDA, R. A expans&atilde;o pentecostal: circula&ccedil;&atilde;o    e flexibilidade. In: TEIXEIRA, F.; MENEZES, R. (Org.). <i>As religi&otilde;es    no Brasil</i>: continuidades e rupturas. Petr&oacute;polis: Vozes, 2006. p.    111-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0104-7183201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ALMEIDA, R. Religi&atilde;o em transi&ccedil;&atilde;o.    In: HORIZONTES DAS CI&Ecirc;NCIAS SOCIAIS: Antropologia. Coordenador geral Carlos    Benedito Martins. Coordenador de &aacute;rea Luiz Fernando Dias Duarte. S&atilde;o    Paulo: Anpocs, 2010. p. 367-415.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0104-7183201200010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BAKKER, A. <i>God, Devil and the work of television    modern mass media and pentecostal christianity in a Evangelical community in    Brazil</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Ci&ecirc;ncias Sociais)-Universidade    do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro e Vrije Universiteit, Amsterdam,    2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0104-7183201200010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BIRMAN, P. O Esp&iacute;rito Santo, a m&iacute;dia    e o territ&oacute;rio dos crentes. <i>Ciencias Sociales y Religi&oacute;n/Ci&ecirc;ncias    Sociais e Religi&atilde;o</i>, ano. 8, n. 8, p. 41-62, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0104-7183201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BIRMAN, P.; MACHADO, C. A viol&ecirc;ncia dos    justos: evang&eacute;licos, m&iacute;dia e periferias da metr&oacute;pole. <i>Revista    Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, 2012. No prelo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0104-7183201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BOYER, V. <i>La renaissance des perdants</i>:    &eacute;vangelistes et migrations en Amazonie br&eacute;silienne. Paris: Karthala,    2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0104-7183201200010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">BUTLER, J. Critique, coercion, and sacred life    in Benjamin's "Critique of Violence". In: De VRIES, H.; SULLIVAN, L. E. <i>Political    theologies</i>: public religions in a post-secular world. New York: Fordham    University Press, 2006. p. 201-219.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0104-7183201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CAMUR&Ccedil;A, M. A realidade das religi&otilde;es    no Brasil no Censo do IBGE. In: TEIXEIRA, F.; MENEZES, R. (Org.). <i>As religi&otilde;es    no Brasil</i>: continuidades e rupturas. Petr&oacute;polis: Vozes, 2006. p.    35-48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0104-7183201200010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CASANOVA, J. The secular, secularizations, secularisms.    In: (orgs.) CALHOUN, C.; Juergensmeyer, M.; Van Antwerpen, J. (Org.). <i>Rethinking    secularism</i>. Oxford: Oxford University Press, 2011. p. 54-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0104-7183201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CORTEN, A. O pentecostalismo transnacionalizado    no contexto teol&oacute;gico-pol&iacute;tico. <i>Horizontes Antropol&oacute;gicos</i>,    ano 7, n. 15, p. 149-160, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0104-7183201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CRETTON, V. <i>Territ&oacute;rio sagrado</i>:    a geografia das rela&ccedil;&otilde;es sociais em uma comunidade evang&eacute;lica.    Monografia (Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais)-Universidade    do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0104-7183201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">FOUCAULT, M. Outros espa&ccedil;os. In: FOUCAULT,    M. <i>Est&eacute;tica</i>: literatura e pintura, m&uacute;sica e cinema. Organiza&ccedil;&atilde;o    e sele&ccedil;&atilde;o de textos: Manoel Barros da Motta. Rio de Janeiro: Forense    Universit&aacute;ria, 2009. p. 411-422.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0104-7183201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">FRESTON, P. Breve hist&oacute;ria do pentecostalismo    brasileiro. In: ANTONNIAZI, A. et al. (Org.). <i>Nem anjos nem dem&ocirc;nios</i>:    interpreta&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas do pentecostalismo. Petr&oacute;polis:    Vozes, 1994. p. 67-162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0104-7183201200010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">GIUMBELLI, E. A modernidade do Cristo Redentor.    <i>Dados</i>, v. 51, n. 1, p. 75-105, 2008a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0104-7183201200010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">GIUMBELLI, E. A presen&ccedil;a do religioso    no espa&ccedil;o p&uacute;blico: modalidades no Brasil. <i>Religi&atilde;o e    Sociedade</i>, v. 28, n. 2, p. 80-101, 2008b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0104-7183201200010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">JUNGBLUT, A. L. A salva&ccedil;&atilde;o pelo    <i>rock</i>: sobre a "cena <i>underground</i><b>" </b>dos jovens evang&eacute;licos    no Brasil. <i>Religi&atilde;o e Sociedade</i>, v. 27, n. 2, p. 144-162, dez.    2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0104-7183201200010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LOPES, N. <i>A B&iacute;blia de todos os dias</i>.    Monografia (Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais)-Universidade    do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0104-7183201200010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MACHADO, C. <i>Morte, perd&atilde;o e esperan&ccedil;a    de vida eterna</i>: "ex-bandidos", policiais, pentecostalismo e criminalidade    no Rio de Janeiro. 2012. No prelo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0104-7183201200010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MACHADO, M. das D. <i>Pol&iacute;tica e religi&atilde;o</i>:    a participa&ccedil;&atilde;o dos evang&eacute;licos nas elei&ccedil;&otilde;es.    Rio de Janeiro: FGV, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0104-7183201200010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MAFRA, C. Dist&acirc;ncia territorial, desgaste    cultural e convers&atilde;o pentecostal. In: MAFRA, C.; ALMEIDA, R. <i>Religi&otilde;es    e cidades</i>: Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo. S&atilde;o Paulo: Fapesp;    Terceiro Nome, 2009. p. 69-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0104-7183201200010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MARIZ, C. A teologia da guerra espiritual: uma    revis&atilde;o da literatura s&oacute;cio-antropol&oacute;gica. <i>BIB</i>:    Revista Brasileira de Informa&ccedil;&atilde;o Bibliogr&aacute;fica em Ci&ecirc;ncias    Sociais, n. 47, p. 33-48, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0104-7183201200010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MENDON&Ccedil;A, M. D. <i>Festas e visita&ccedil;&atilde;o    religiosa em uma comunidade evang&eacute;lica da Ilha Grande</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o    (Mestrado em Ci&ecirc;ncias Sociais)-Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias    Humanas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0104-7183201200010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MONTERO, P. Religi&otilde;es e dilemas da sociedade    brasileira. In: MICELI, S. (Org.). <i>O que ler na ci&ecirc;ncia social brasileira    (1970-1995)</i>: antropologia. S&atilde;o Paulo: Anpocs; Capes, 1999. v. 1.    p. 327-362.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0104-7183201200010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MONTERO, P. Religi&atilde;o, pluralismo e esfera    p&uacute;blica no Brasil. <i>Novos Estudos</i>, n. 74, p. 47-65, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0104-7183201200010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MONTERO, P. <i>Religi&atilde;o e esfera p&uacute;blica</i>    (vers&atilde;o preliminar). 2010. Mimeografado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0104-7183201200010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">MONTERO, P. O campo religioso, secularismo e    esfera p&uacute;blica no Brasil. <i>Boletim Cedes</i>, v. 4, p. 1-9, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0104-7183201200010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">NOVAES, R. <i>Os escolhidos de Deus</i>: pentecostais,    trabalhadores e cidadania. Rio de Janeiro: Marco Zero; Iser, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0104-7183201200010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ORO, A. P. A pol&iacute;tica da Igreja Universal    e seus reflexos no campo religioso e pol&iacute;tico brasileiros. <i>Revista    Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, v. 18, n. 53, p. 53-69, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0104-7183201200010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PIERUCCI, A. F. Cad&ecirc; a nossa diversidade    religiosa? - coment&aacute;rios ao texto de Marcelo Camur&ccedil;a. In: A realidade    das religi&otilde;es no Brasil no Censo do IBGE. In: TEIXEIRA, F.; MENEZES,    R. (Org.). <i>As religi&otilde;es no Brasil</i>: continuidades e rupturas. Petr&oacute;polis:    Vozes, 2006a. p. 49-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0104-7183201200010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">PIERUCCI, A. F. Religi&atilde;o como solvente    - uma aula. <i>Novos Estudos Cebrap</i>, n. 75, p. 111-127, 2006b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0104-7183201200010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ROBBINS, J. Transcend&ecirc;ncia e antropologia    do cristianismo: linguagem, mudan&ccedil;a e individualismo. <i>Religi&atilde;o    &amp; Sociedade</i>, v. 31, n. 1, p. 11-31, jun. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0104-7183201200010000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SANCHIS, P. Religi&otilde;es, religi&atilde;o...    Alguns problemas do sincretismo no campo religioso brasileiro. In: SANCHIS,    P. (Org.). <i>Fi&eacute;is &amp; cidad&atilde;os</i>: percursos de sincretismo    no Brasil. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. p. 9-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0104-7183201200010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SOARES, L. E. <i>Os dois corpos do Presidente    e outros ensaios</i>. Rio de Janeiro: Iser; Relume Dumar&aacute;, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0104-7183201200010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SWATOWISKI, C. Textos e contextos da f&eacute;:    o discurso mediado de Edir Macedo. <i>Religi&atilde;o e Sociedade</i>, v. 27,    n. 1, p. 114-131, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0104-7183201200010000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">TELLES, V. Nas dobras do legal e do ilegal: ilegalismos    e jogos de poder nas tramas da cidade. <i>DILEMAS</i>: Revista de Estudos de    Conflito e Controle Social, v. 2, n. 5-6, p. 97-126, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0104-7183201200010000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em: 23/08/2011    <br>   Aprovado em: 29/03/2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#tx1" name="nt1"><sup>1</sup></a> A    primeira vers&atilde;o desse texto foi apresentada na mesa-redonda "100 anos    de pentecostalismo no Brasil", na Reuni&atilde;o Anual da Anpocs em 2010, organizada    por Ronaldo Almeida a quem agrade&ccedil;o o convite. A ep&iacute;grafe acima    prov&eacute;m de um texto de Judith Butler (2006, p. 211) sobre Walter Benjamin    e a viol&ecirc;ncia.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#tx2" name="nt2"><sup>2</sup></a> Ainda n&atilde;o tive acesso aos    dados do &uacute;ltimo censo.    <br>   <a href="#tx3" name="nt3"><sup>3</sup></a> Os v&iacute;nculos sociais religiosamente    criados "atenuam a situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social das camadas    mais pobres, o que lhe conferiu sucesso nesta parcela da popula&ccedil;&atilde;o",    observa Almeida (2006, p. 121). Ari Pedro Oro (2003) tamb&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o    para o milenarismo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Andr&eacute;    Corten (2001, p. 153) considera, por sua vez, que essas motiva&ccedil;&otilde;es    relacionadas &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o social estariam limitadas    a provocar uma dimens&atilde;o expressiva: "Esta linguagem do louvor evolui    com a evolu&ccedil;&atilde;o do pentecostalismo. Com a cura divina, o exorcismo    e a prosperidade, a linguagem pentecostal continua a expandir o seu trabalho    de tradu&ccedil;&atilde;o dos imagin&aacute;rios pol&iacute;ticos &#91;...&#93;    Se h&aacute; transforma&ccedil;&atilde;o, ela se opera em termos de 'g&ecirc;nero    do discurso'. O milagre acontece quando a narrativa que relata um caso corriqueiro    se transforma subitamente em discurso de louvor."    <br>   <a href="#tx4" name="nt4"><sup>4</sup></a> Segundo ele, foram indiv&iacute;duos    provenientes das camadas populares que passaram a se perceber como sujeitos    de uma interlocu&ccedil;&atilde;o religiosa postulando uma igualdade entre si    em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; hierarquia naturalizada do catolicismo que    imperava at&eacute; ent&atilde;o.    <br>   <a href="#tx5" name="nt5"><sup>5</sup></a> Um dos seus efeitos foi uma paulatina    mudan&ccedil;a nas formas de autodesigna&ccedil;&atilde;o: <i>evang&eacute;lico</i>    passou a ser o termo mais empregado.    <br>   <a href="#tx6" name="nt6"><sup>6</sup></a> A perspectiva explorada por Joel    Robbins (2011) em rela&ccedil;&atilde;o aos cultos pentecostais e carism&aacute;ticos    me foi muito &uacute;til e inspiradora. Ele aponta nesses cultos para a presen&ccedil;a    de um desejo de ruptura que se exprime atrav&eacute;s da oposi&ccedil;&atilde;o    no cristianismo entre mundo imanente e mundo transcendente. Como podemos ler:    "Nesses ritos de ruptura, os pentecostais apelam para o Esp&iacute;rito Santo    para lhes fortalecer e trazer as descontinuidades que buscam realizar. Esse    ponto nos leva de volta ao tema da transcend&ecirc;ncia, pois &eacute; o aparecimento    do poder divino na Terra que os convertidos imaginam permitir-lhes produzir    uma mudan&ccedil;a radical em dire&ccedil;&atilde;o a uma vida totalmente diferente    e melhor. Os tipos de rearranjos dram&aacute;ticos dos convertidos nos &acirc;mbitos    pessoal, social e cultural indicam o poder de tais convic&ccedil;&otilde;es    quando as pessoas as utilizam para guiar suas a&ccedil;&otilde;es. A literatura    antropol&oacute;gica sobre as transforma&ccedil;&otilde;es pentecostais muitas    vezes atesta o sucesso de tal processo, registrando mudan&ccedil;as dr&aacute;sticas,    n&atilde;o apenas nas pr&aacute;ticas religiosas, mas tamb&eacute;m em pap&eacute;is    de g&ecirc;nero, comportamentos econ&ocirc;micos e orienta&ccedil;&otilde;es    morais. Quando em nome da realiza&ccedil;&atilde;o de demandas transcendentes,    ao que parece, as pessoas podem tomar a hist&oacute;ria em suas pr&oacute;prias    m&atilde;os &#91;...&#93;" (Robbins, 2011, p. 19).    <br>   <a href="#tx7" name="nt7"><sup>7</sup></a> Esse projeto de pesquisa teve a participa&ccedil;&atilde;o    dos estudantes Andr&eacute; Bakker, Vicente Cretton, Mariana Mendon&ccedil;a    e Nat&acirc;nia Lopes, aos quais agrade&ccedil;o.    <br>   <a href="#tx8" name="nt8"><sup>8</sup></a> Para as afirma&ccedil;&otilde;es    sobre a diferen&ccedil;a entre essa vila e as outras concorre certamente o fato    desta pertencer a uma ilha, o que propicia um imagin&aacute;rio associado a    um enclave geogr&aacute;fica e religiosamente distante do "continente". Os seus    fi&eacute;is comparam-na com o Estado de Israel, tamb&eacute;m considerado um    enclave criado por uma determina&ccedil;&atilde;o divina.    <br>   <a href="#tx9" name="nt9"><sup>9</sup></a> Cf. Birman (2006); Bakker (2008),    Cretton (2008), Lopes (2009) e Mendon&ccedil;a (2011).    <br>   <a href="#tx10" name="nt10"><sup>10</sup></a> Clara Mafra (2009, p. 85) faz    uma observa&ccedil;&atilde;o interessante a respeito da funcionalidade da hierarquia    evang&eacute;lica <i>no mundo</i>: "A outra cidade, aquela da audi&ecirc;ncia    secular e das pessoas do mundo, supostamente indiferente &agrave; voz do Esp&iacute;rito    Santo e, portanto, produtora constante de perj&uacute;rio ao sagrado, deve ser    acessada com cuidado. Apenas os crentes 'com maior intimidade com o Esp&iacute;rito',    'com um longo caminho de santifica&ccedil;&atilde;o' podem circular amplamente,    pois s&oacute; eles est&atilde;o razoavelmente qualificados e protegidos para    ir e vir em &aacute;reas mais polu&iacute;das e perigosas."    <br>   <a href="#tx11" name="nt11"><sup>11</sup></a> Tem crescido nos &uacute;ltimos    anos o <i>turismo evang&eacute;lico</i>, apoiado pela igreja e tamb&eacute;m    pela associa&ccedil;&atilde;o de moradores que destaca as qualidades espirituais    do lugar.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#tx12" name="nt12"><sup>12</sup></a> A import&acirc;ncia da m&uacute;sica    na constitui&ccedil;&atilde;o dessa rede &eacute; fundamental. A m&uacute;sica    se expande sem interdi&ccedil;&otilde;es de ritmos. Cf. Jungblut (2007).    <br>   <a href="#tx13" name="nt13"><sup>13</sup></a> A esposa de um presb&iacute;tero    nos contou, com satisfa&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; tinha recebido algumas    vezes em sua casa grandes l&iacute;deres evang&eacute;licos do Rio de Janeiro.    As visitas aconteceram em um contexto eleitoral. De fato, eram reuni&otilde;es    de campanha nas quais se articulava a participa&ccedil;&atilde;o e o apoio rec&iacute;proco    para obten&ccedil;&atilde;o de votos para o crescimento da <i>bancada evang&eacute;lica</i>.    Em outro momento, a comunidade foi chamada a votar para eleger um representante    evang&eacute;lico no Conselho Tutelar do munic&iacute;pio. Um dos pastores enunciou    a inten&ccedil;&atilde;o de construir na vila um centro de recupera&ccedil;&atilde;o    de menores caso elegessem o candidato da igreja, o que n&atilde;o aconteceu.    Gostaria de chamar aten&ccedil;&atilde;o para o alcance que tiveram os governos    Garotinho e Rosinha Garotinho do ponto de vista da expans&atilde;o evang&eacute;lica    no Rio de Janeiro, o que mereceria um levantamento detalhado. O estudo de caso    que se segue a esse tamb&eacute;m contou com o apoio desses governos.    <br>   <a href="#tx14" name="nt14"><sup>14</sup></a> Esse item &eacute; baseado no    texto que Carly Machado e eu elaboramos. Tomei a liberdade de reproduzir algumas    passagens, como o leitor poder&aacute; verificar (cf. Birman; Machado, 2012).    O pastor Marcos Pereira, conforme lemos em Machado, C. (2012), "iniciou sua    carreira pastoral nos anos 90 no pres&iacute;dio da Ilha Grande. De l&aacute;    para c&aacute; expandiu sua atua&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da institucionaliza&ccedil;&atilde;o    de suas a&ccedil;&otilde;es. Fundou a Assembl&eacute;ia de Deus dos &Uacute;ltimos    Dias e legitimou sua interven&ccedil;&atilde;o em pris&otilde;es e delegacias.    Suas a&ccedil;&otilde;es nas penitenci&aacute;rias do Rio de Janeiro ganham    destaque no per&iacute;odo dos governos de Garotinho (1999-2002) e Rosinha (2003-2007),    quando atuou como mediador em rebeli&otilde;es de prisioneiros a convite do    Estado. Desde 2004, no entanto, o Pastor Marcos Pereira foi proibido de entrar    nos pres&iacute;dios do Rio de Janeiro por suspeita de associa&ccedil;&atilde;o    com o tr&aacute;fico, dada a entrada junto a grupos criminosos. As acusa&ccedil;&otilde;es    contra ele at&eacute; hoje n&atilde;o foram provadas. Atualmente suas interven&ccedil;&otilde;es    situam-se principalmente em delegacias e favelas no Estado do Rio de Janeiro    e pres&iacute;dios fora do Rio e do pa&iacute;s."    <br>   <a href="#tx15" name="nt15"><sup>15</sup></a> Utilizamos a no&ccedil;&atilde;o    de heterotopia de Michel Foucault para a caracteriza&ccedil;&atilde;o desse    espa&ccedil;o (cf. Birman; Machado, 2012): "Utopias efetivamente realizadas    nas quais os posicionamentos reais, todos os outros posicionamentos reais que    se podem encontrar no interior da cultura est&atilde;o ao mesmo tempo representados,    contestados e invertidos, esp&eacute;cies de lugares que est&atilde;o fora de    todos os lugares, embora eles sejam efetivamente localiz&aacute;veis." (Foucault,    2009, p. 415).    <br>   <a href="#tx16" name="nt16"><sup>16</sup></a> Vera Telles (2010 apud Birman;    Machado, 2012) chama aten&ccedil;&atilde;o para a presen&ccedil;a significativa    da "experi&ecirc;ncia do encarceramento" na cidade e em suas periferias, pelo    fato de ser hoje "quase imposs&iacute;vel encontrar uma fam&iacute;lia que n&atilde;o    tenha contato e familiaridade, direta ou indireta &#91;...&#93;, com a experi&ecirc;ncia    do encarceramento".    <br>   <a href="#tx17" name="nt17"><sup>17</sup></a> L&ecirc;-se nesse sentido em Birman    e Machado (2012): "A multiplica&ccedil;&atilde;o de tempos e espa&ccedil;os    intensifica-se pela transmiss&atilde;o audiovisual simult&acirc;nea dessas cenas.    Por meio de um recurso tecnol&oacute;gico, as telas s&atilde;o vistas divididas    em duas metades: o passado dos fi&eacute;is em uma metade enquanto que na outra    se transmite imagens de suas vidas 'ao vivo' &#91;...&#93; A conjuga&ccedil;&atilde;o    simult&acirc;nea de tempos e espa&ccedil;os, possibilita a plateia se ver aparecendo    na tela. O encapsulamento espa&ccedil;o-temporal que assim se efetua provoca    como experi&ecirc;ncia compartilhada uma certa atemporalidade &#91;...&#93;    A conjuga&ccedil;&atilde;o destes elementos habitualmente mantidos em separado,    tanto social quanto moral e religiosamente, pode ser valorizada como uma forma    de elaborar um momento de liminaridade - uma suspens&atilde;o do tempo e do    espa&ccedil;o que d&aacute; lugar a uma explos&atilde;o de sentimentos de &ecirc;xtase    e de afirma&ccedil;&atilde;o desta comunidade compartilhada de sentimentos."    <br>   <a href="#tx18" name="nt18"><sup>18</sup></a> Agrade&ccedil;o a Marc Piault    esse coment&aacute;rio, al&eacute;m da sua leitura cuidadosa do texto.    <br>   <a href="#tx19" name="nt19"><sup>19</sup></a> Montero (1999) chama aten&ccedil;&atilde;o    para o quanto os estudos sobre religi&atilde;o no Brasil obedeceram a marcos    divis&oacute;rios das pr&oacute;prias religi&otilde;es estudadas: as tradi&ccedil;&otilde;es    protestantes referidas ao paradigma da modernidade ficaram restritas &agrave;    sociologia, enquanto as religi&otilde;es tradicionais como o catolicismo popular    e os cultos afro-brasileiros eram parte do dom&iacute;nio reservado aos antrop&oacute;logos.    <br>   <a href="#tx20" name="nt20"><sup>20</sup></a> Como destacou Ronaldo Almeida    (2010). Para uma discuss&atilde;o sobre seculariza&ccedil;&atilde;o e modernidade    no Brasil ver Camur&ccedil;a (2006) e Pierucci (2006a, 2006b). Para uma an&aacute;lise    hist&oacute;rica do pentecostalismo no Brasil ver Freston, 1994.    <br>   <a href="#tx21" name="nt21"><sup>21</sup></a> Casanova (2011) insiste apropriadamente    que a no&ccedil;&atilde;o de secular possui v&aacute;rios sentidos que nem sempre    s&atilde;o explicitados quando se coloca em causa a sua vig&ecirc;ncia. No entanto,    n&atilde;o faz parte do escopo deste artigo discutir a complexidade dessa no&ccedil;&atilde;o.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#tx22" name="nt22"><sup>22</sup></a> A pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o    de "religi&atilde;o" n&atilde;o cabia a esses cultos, como bem chama aten&ccedil;&atilde;o    Emerson Giumbelli (2008b). Conforme argumenta Paula Montero (2006), o candombl&eacute;,    a umbanda e o espiritismo jamais obtiveram reconhecimento como igreja, foram    mantidos como associa&ccedil;&otilde;es de direito civil. Da mesma forma como    os pr&oacute;prios religiosos jamais reclamaram uma "igualdade" na hierarquia    c&oacute;smica para santos e entidades e o poder de Deus.    <br>   <a href="#tx23" name="nt23"><sup>23</sup></a> &Eacute; interessante nesse sentido    a an&aacute;lise etnogr&aacute;fica de Claudia Swatowiski (2007) sobre o discurso    mediado de Edir Macedo. Diz ela: "Neste contexto, a f&eacute; aparece como poder    alcan&ccedil;ado pelo indiv&iacute;duo que se combina com a pot&ecirc;ncia de    Deus para a interven&ccedil;&atilde;o no mundo, em rela&ccedil;&atilde;o ao    presente e ao futuro." (Swatowiski, 2007, p. 125).    <br>   <a href="#tx24" name="nt24"><sup>24</sup></a> Cf. Montero (2011).</font></p>      ]]></body><back>
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