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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sexo com animais como prática extrema no pornô bizarro*]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Within the bizarre porn market, the extreme practice is that of sex with animals. Brazil has a worldwide known industry producing this kind of porn. This paper discusses the stigma associated to this kind of production within the porn industry, adds ethnographic data on this market's production, introduces a discussion on the legality, consent and rights and treats the theme from the point of view of eroticism and pleasure, thinking about gender and sexuality in these practices. The question is seen as a vast field to think about dyadic relations like human/animal, normal/abnormal, pleasure/danger, nature/culture.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DOSSI&Ecirc;: PORN&Ocirc;S </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Sexo com animais como pr&aacute;tica extrema no porn&ocirc; bizarro<a href="#nt"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sex with animals as an extreme practice in bizarre porn </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mar&iacute;a Elvira D&iacute;az-Ben&iacute;tez</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pesquisadora colaboradora do N&uacute;cleo de Estudos de G&ecirc;nero - Pagu/Unicamp e p&oacute;s-doutoranda no Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais da mesma universidade, com financiamento da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP). <a href="mailto:elviradiazbenitez@hotmail.com">elviradiazbenitez@hotmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro do segmento do mercado porn&ocirc; conhecido como <i>bizarro</i>, a pr&aacute;tica considerada extrema por excel&ecirc;ncia &eacute; alocada ao sexo com animais. O Brasil possui uma ind&uacute;stria de produ&ccedil;&atilde;o desses filmes reconhecida mundialmente. Este artigo discute o estigma dessas produ&ccedil;&otilde;es no interior da ind&uacute;stria porn&ocirc;, traz dados etnogr&aacute;ficos sobre a produ&ccedil;&atilde;o desse mercado, introduz uma discuss&atilde;o sobre legalidade, consentimento e direitos, e finalmente, trata essa tem&aacute;tica do ponto de vista do erotismo e dos prazeres pensando o lugar do g&ecirc;nero e da sexualidade nessas pr&aacute;ticas. Acredita-se que a tem&aacute;tica &eacute; um campo vasto para pensarmos as rela&ccedil;&otilde;es humano/animal, normal/anormal, prazer/perigo, natureza/cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Sexo Bizarro, Ind&uacute;stria Porn&ocirc;, Erotismo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Within the bizarre porn market, the extreme practice is that of sex with animals. Brazil has a worldwide known industry producing this kind of porn. This paper discusses the stigma associated to this kind of production within the porn industry, adds ethnographic data on this market's production, introduces a discussion on the legality, consent and rights and treats the theme from the point of view of eroticism and pleasure, thinking about gender and sexuality in these practices. The question is seen as a vast field to think about dyadic relations like human/animal, normal/abnormal, pleasure/danger, nature/culture. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:</b> Bizarre Sex, Porn Industry, Eroticism. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especialmente a partir da voca&ccedil;&atilde;o taxon&ocirc;mica da medicina, mas encontrando fios de transmiss&atilde;o e retroalimenta&ccedil;&atilde;o em outros aparelhos ideol&oacute;gicos, como a fam&iacute;lia, a escola, a religi&atilde;o, a imprensa, a literatura, os manuais de sexualidade e de moral e boa conduta, muitos comportamentos foram institu&iacute;dos na ilegitimidade como sexualidades perif&eacute;ricas. A primeira sexologia - que data do final do s&eacute;culo XIX at&eacute; o in&iacute;cio do XX, a partir do esfor&ccedil;o do psiquiatra alem&atilde;o Richard Von Krafft Ebing em classificar as sexualidades que desafiavam a norma reprodutiva heterossexual - criou dois movimentos: a <i>patologiza&ccedil;&atilde;o dos personagens</i>, que deixavam de ser criminosos ou pecadores para serem percebidos como doentes a serem tratados, e a<i> naturaliza&ccedil;&atilde;o dos  comportamentos ditos "perversos"</i>, ou seja, a afirma&ccedil;&atilde;o de que se tratava de pessoas biol&oacute;gica ou fisiologicamente diferentes (Russo, 2004). A maioria das pesquisas sobre as sexualidades "perversas" &eacute; proveniente da tradi&ccedil;&atilde;o sexol&oacute;gica e tem insistido na cataloga&ccedil;&atilde;o de tais pr&aacute;ticas como <i>parafilias</i> e na "cura" desses prazeres. Simultaneamente, grande parte dessas parafilias - como a <i>riparofilia</i> (atra&ccedil;&atilde;o sexual por mulheres sujas, menstruadas ou gr&aacute;vidas), o <i>exibicionismo</i>, o <i>fetichismo</i>, o <i>sadismo</i>, o <i>masoquismo</i>, o <i>bestialismo</i> ou <i>zoofilia</i>, a <i>lubricidade senil</i>, a <i>cronoinvers&atilde;o </i>(jovens que amam pessoas idosas), a <i>gerontofilia</i> - aparece no porn&ocirc;, sob o vi&eacute;s do entretenimento, em dois segmentos conhecidos como <i>fetiche</i> e <i>bizarro</i>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as pr&aacute;ticas que o mercado porn&ocirc; promove dentro dessas no&ccedil;&otilde;es, encontramos condutas que, no s&eacute;culo XIX, se constitu&iacute;ram como diagn&oacute;sticos de desvios sexuais: o <i>sadismo</i>, o <i>masoquismo</i> e o <i>fetichismo</i>, por exemplo. Atualmente, o porn&ocirc; enquadra nestas categorias pr&aacute;ticas que enfatizam a dor f&iacute;sica dos indiv&iacute;duos envolvidos em uma rela&ccedil;&atilde;o sexual: <i>spanking</i> (golpes ou a&ccedil;oites no corpo), <i>bondage</i> (imobiliza&ccedil;&atilde;o com cordas ou outros objetos) e <i>sufoca&ccedil;&otilde;es</i> diversas, como a chamada <i>smoother</i> (asfixia dos genitais). S&atilde;o representados no porn&ocirc; outros tipos de sufoca&ccedil;&otilde;es er&oacute;ticas que se efetuam com as m&atilde;os, com cordas, gravatas ou meias-cal&ccedil;as segundos antes de se alcan&ccedil;ar o orgasmo ou durante  o mesmo. Al&eacute;m destas, tamb&eacute;m se verificam sufoca&ccedil;&otilde;es que consistem na obstru&ccedil;&atilde;o da respira&ccedil;&atilde;o mediante a aloca&ccedil;&atilde;o das n&aacute;degas sobre o rosto do contracenante em momentos alheios &agrave; consuma&ccedil;&atilde;o de uma transa ou independentemente da efetiva&ccedil;&atilde;o de um intercurso sexual em si. Algumas dessas pr&aacute;ticas s&atilde;o efetivadas no <i>altporn</i> ou <i>porn&ocirc; alternativo</i> ou ainda na categoria emergente, denominada porn&ocirc; <i>kink</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As est&eacute;ticas mais comumente associadas &agrave;s pr&aacute;ticas sexuais bizarras s&atilde;o aquelas que fazem uso de secre&ccedil;&otilde;es e excrementos corporais. Entre estas, a <i>chuva dourada</i> (erotismo com urina), conhecido atualmente no mercado como <i>pissing</i>, &eacute; considerada "leve" nesse universo, sendo catalogado como extremo o <i>banho romano, </i>hoje chamado de <i>vomit</i> (erotismo com v&ocirc;mito) e o <i>banho marrom</i>, mais conhecido como <i>scat</i> (erotismo com fezes). Finalmente, no porn&ocirc;, a pr&aacute;tica bizarra por excel&ecirc;ncia &eacute; adjudicada ao sexo com animais, chamada nesse mercado de <i>zoofilia</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O porn&ocirc; bizarro espetaculariza os corpos em situa&ccedil;&otilde;es "prodigiosas" e incomuns, expondo objetos diversos (vegetais ou garrafas, entre outros), de grandes propor&ccedil;&otilde;es, penetrando vaginas, &acirc;nus, bocas e canais da uretra (o <i>fist fuck</i>, por exemplo, penetra&ccedil;&atilde;o anal que se efetua introduzindo o punho, algumas vezes at&eacute; a altura do cotovelo). Esse segmento enfatiza igualmente a extrema elasticidade da genit&aacute;lia feminina e do &acirc;nus; exibe p&ecirc;nis de formas estranhas; masturba&ccedil;&otilde;es com objetos aspiradores; adora&ccedil;&atilde;o de alguma parte do corpo; sexo com mulheres gr&aacute;vidas etc. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em muitos filmes da categoria n&atilde;o existe penetra&ccedil;&atilde;o nem se enfatiza qualquer tipo de intera&ccedil;&atilde;o com a genit&aacute;lia. Neles, s&atilde;o estabelecidos jogos e deslocamentos mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o de qualquer parte do corpo como instrumento sexual, evocando-se uma "desgenitaliza&ccedil;&atilde;o do prazer", na busca por novas formas de deleite a partir da fetichiza&ccedil;&atilde;o de objetos ou partes do corpo n&atilde;o usuais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da perspectiva das corporalidades, por sua vez, t&ecirc;m lugar no porn&ocirc; bizarro os corpos estranhos ou "an&ocirc;malos": an&otilde;es ou pessoas &agrave;s quais falta alguma extremidade, al&eacute;m dos "deformados" por interven&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias como os  exageradamente tatuados ou perfurados com piercings - estes &uacute;ltimos integrando igualmente est&eacute;ticas do porn&ocirc; alternativo. O porn&ocirc; bizarro tamb&eacute;m d&aacute; lugar a corpos que sem serem "anormais", divergem dos padr&otilde;es hegem&ocirc;nicos de beleza: pessoas obesas, idosas, exageradamente peludas e mulheres de seios muito grandes, entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora bizarro e fetiche n&atilde;o sejam palavras sin&ocirc;nimas, em alguns momentos seus significados podem entrecruzar-se ou mesmo confundir-se na ind&uacute;stria porn&ocirc;. Quanto mais extrema for a pr&aacute;tica encenada nos filmes, quanto maior for sua capacidade de despertar o nojo, maior a possibilidade de se aproximar do considerado bizarro. Ainda assim, nessas redes, a escatologia, tida como uma pr&aacute;tica extrema, &eacute; chamada por uns de fetiche e de bizarra por outros. Pessoas gordas ou an&atilde;s, por exemplo, s&atilde;o consideradas corporalidades bizarras e, simultaneamente, seu apelo er&oacute;tico &eacute; considerado produto de um fetiche. De alguma forma, o bizarro engloba o fetiche, sendo que este &uacute;ltimo n&atilde;o necessariamente chega a ser bizarro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas dessas representa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o geralmente encaradas como <i>com&eacute;dia</i>: s&atilde;o bizarras porque despertam riso, o humor sendo parte integrante desse universo. Pelo fato de serem diferentes dos padr&otilde;es est&eacute;ticos dominantes, elas ajudam a tornar a pornografia mais inc&ocirc;moda diante dos discursos leg&iacute;timos sobre a sexualidade. Assim, o riso somado a corpos e pr&aacute;ticas socialmente deslegitimados traz efeitos simb&oacute;licos que concorrem para a sua desqualifica&ccedil;&atilde;o. An&otilde;es, idosos, mulheres peitudas, obesas ou peludas s&atilde;o os corpos preferidos do paradigma do riso, enfatizado nos t&iacute;tulos e legendas que acompanham os filmes.<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em geral, o discurso levantado pela imagem porn&ocirc; sobre o <i>exagero</i> e o <i>realismo</i> das pr&aacute;ticas &eacute; levado ao extremo no segmento bizarro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por um lado, trata-se de mostrar corpos que transgridem as conven&ccedil;&otilde;es sociais do "normal" e do "sadio". Por outro, h&aacute; por detr&aacute;s da exibi&ccedil;&atilde;o das imagens, a inten&ccedil;&atilde;o de impressionar e incomodar o p&uacute;blico, excitando somente aqueles que encontram prazer no n&atilde;o usual, naquilo que escapa do "cotidiano". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o antrop&oacute;logo Jorge Leite Jr. (2006a), as tend&ecirc;ncias que comp&otilde;em o porn&ocirc; bizarro poderiam ser entendidas em uma <i>est&eacute;tica do grotesco</i>, sendo herdeiras dos espet&aacute;culos de "aberra&ccedil;&otilde;es humanas" e <i>freak shows</i>. Grotesco &eacute; uma categoria-chave para a interpreta&ccedil;&atilde;o do porn&ocirc; bizarro. O <i>grotesco </i>une o exagero, as despropor&ccedil;&otilde;es corporais (focando em suas protuber&acirc;ncias e excre&ccedil;&otilde;es) (Leite, 2006a), o riso e o horror. O termo, surgido no s&eacute;culo XV, dava nome a seres que eram misturas de humanos, plantas e animais e outras formas imposs&iacute;veis, tendo a monstruosidade como tema (id.ib.:174). J&aacute; no s&eacute;culo XVII, o <i>grotesco</i> aparece nos dicion&aacute;rios franceses como "aquilo que tem algo de agradavelmente rid&iacute;culo al&eacute;m de sin&ocirc;nimo de rid&iacute;culo, bizarro, extravagante" (Sodr&eacute; e Paiva, 2002:30 <i>apud</i> Leite, 2006a:176), mas &eacute; mesmo no s&eacute;culo XIX que o grotesco se torna uma categoria est&eacute;tica que visa representar o <i>sublime</i> atrav&eacute;s do degradado, contendo ainda a dualidade entre o c&ocirc;mico e o horr&iacute;vel em seu significado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfim, o grotesco evoca o riso e o rid&iacute;culo e, ao mesmo tempo, o medo, o sinistro, o nojento e o horror. &Eacute; nestas duas &uacute;ltimas caracter&iacute;sticas desse paradigma est&eacute;tico que se situaria o porn&ocirc; com animais. Ele n&atilde;o evoca o burlesco, n&atilde;o faz alegorias ao c&ocirc;mico, n&atilde;o abre espa&ccedil;os para o riso. Seus enunciados aproximam-se mais do horror, &eacute; por isso que ele &eacute; considerado <i>hard</i>, radical ou bizarro por excel&ecirc;ncia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Por que pesquisar pornografia com animais? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Escrever um artigo sobre pr&aacute;ticas sexuais entre humanos e animais n&atilde;o constitui uma tarefa f&aacute;cil. N&atilde;o somente porque trabalho com dados que resultam de uma etnografia que, em  alguma medida, mexe com meus pr&oacute;prios pudores, mas tamb&eacute;m porque se trata de um tema delicado, que choca sensibilidades. Aquilo que foi chamado por Krafft Ebing de <i>zoofilia </i>&eacute; um tabu social e aqueles que ostentam esses desejos ou exercem tais pr&aacute;ticas s&atilde;o socialmente interpretados como doentes e/ou perversos. Essa &eacute; uma vis&atilde;o apoiada em cren&ccedil;as judaico-crist&atilde;s (com base nos vers&iacute;culos 18:23 e 20:15-16 do Lev&iacute;tico) e nas ci&ecirc;ncias <i>psi</i>: atualmente, a zoofilia aparece caracterizada no DSM-IV como parafilia n&atilde;o especificada.<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo deste artigo, n&atilde;o me referirei &agrave; pr&aacute;tica sexual em quest&atilde;o como <i>zoofilia</i>, n&atilde;o s&oacute; para me afastar da vis&atilde;o patologizante que configura o termo, mas tamb&eacute;m porque acredito que os filmes de porn&ocirc; com animais n&atilde;o est&atilde;o necessariamente atrelados a uma "sensibilidade zo&oacute;fila", como argumentarei adiante. Assim, quando a palavra zoofilia aparecer ser&aacute; somente para denotar o modo como a pr&aacute;tica &eacute; nomeada no mercado porn&ocirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O sexo com animais &eacute; um tema sens&iacute;vel porque permanece nos interst&iacute;cios, nas fronteiras do que se considera sadio, nos <i>limites da sexualidade</i> (Gregori, 2010). Enquanto alguns afirmam a possibilidade de uma conex&atilde;o sexual prazerosa e harm&ocirc;nica entre humanos e animais, outros a interpretar&atilde;o como abuso uma vez que o animal n&atilde;o tem capacidade para consentir. Outras pessoas ainda, ao assistirem essa pornografia, poder&atilde;o interpret&aacute;-la como uma forma de degrada&ccedil;&atilde;o da mulher. E assim, eu me enfrento &agrave; necessidade de escrever um artigo sobre um tema que poderia ser abordado de perspectivas diversas: poderia enfatizar o estigma  dessas produ&ccedil;&otilde;es no interior da ind&uacute;stria porn&ocirc;; realizar uma etnografia da produ&ccedil;&atilde;o desse mercado; adentrar a discuss&atilde;o sobre legalidade, consentimento e direitos (analisando categorias como crueldade e abuso); ou ainda, sublinhar a tem&aacute;tica do ponto de vista do erotismo e dos prazeres (pensando o lugar do g&ecirc;nero e da sexualidade nessas pr&aacute;ticas). Escolhi discutir um pouco de tudo isso, tendo consci&ecirc;ncia de que algumas quest&otilde;es precisar&atilde;o ser abordadas com maior profundidade no futuro. Escrevo este artigo como uma primeira tentativa pessoal de analisar uma tem&aacute;tica demasiado complexa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, em uma apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre os avan&ccedil;os de minha pesquisa, fui interpelada acerca dos problemas &eacute;ticos envolvidos em uma etnografia de sexo com animais. Estaria eu, como antrop&oacute;loga, fazendo apologia a uma pr&aacute;tica de legalidade duvidosa e socialmente amoral? Sugeriram-me. Essa &eacute; uma discuss&atilde;o importante na antropologia: qual o limite de nossa observa&ccedil;&atilde;o? Existem temas que n&atilde;o merecem ser estudados? E a decis&atilde;o de estud&aacute;-los significaria de algum modo defend&ecirc;-los? A pornografia com animais existe: alguns a produzem para que outros a consumam. Trata-se de um material que circula como uma mercadoria, que agencia uma rede complexa de recursos, emo&ccedil;&otilde;es e expectativas, e que pode constituir um vasto campo para pensarmos as rela&ccedil;&otilde;es humano/animal, normal/anormal, prazer/perigo, natureza/cultura. Em minha opini&atilde;o, esses s&atilde;o motivos suficientes para que mere&ccedil;a uma an&aacute;lise antropol&oacute;gica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, esta pesquisa sobre sexo com animais decorre de uma pesquisa maior sobre porn&ocirc; bizarro que, por sua vez, constitui um desdobramento de um estudo sobre os bastidores da ind&uacute;stria pornogr&aacute;fica brasileira de filmes hetero, gay e travesti. Naquela etnografia (D&iacute;az-Ben&iacute;tez, 2010), o bizarro aparecia recorrentemente nos discursos das pessoas em contraposi&ccedil;&atilde;o ao tipo de material por eles produzido e considerado <i>mainstream</i>. A sistem&aacute;tica desqualifica&ccedil;&atilde;o da pornografia bizarra e dos indiv&iacute;duos que dela participavam demonstrava que ali estaria alocada a ideia de uma "transgress&atilde;o verdadeira". O bizarro era aquilo que  chocava os limites da moralidade coletiva entre os praticantes da pornografia - que, de uma perspectiva mais geral, pode ser interpretada como uma atividade que desafia, por si s&oacute;, determinados valores morais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, o ingresso nas produ&ccedil;&otilde;es bizarras est&aacute; rodeado de limites. Dentro desse circuito existem diversas normas que, a seu modo, conseguem regular os comportamentos sexuais das pessoas que por ele transitam. Nas redes do porn&ocirc;, que est&atilde;o longe de constituir um universo desregulado, no qual os indiv&iacute;duos podem experimentar as formas mais "esquisitas" de prazer, h&aacute; uma esp&eacute;cie de moderador silencioso que vigia a incurs&atilde;o das pessoas nas experimenta&ccedil;&otilde;es por elas consideradas mais extremas. Aquelas que transgridem a moral reguladora destas redes sofrem a estigmatiza&ccedil;&atilde;o de seus pares, dificilmente conseguindo deslanchar na carreira e sendo preferencialmente (&agrave;s vezes exclusivamente) requisitadas para as produ&ccedil;&otilde;es mais "baixas". No pior dos casos, as portas da ind&uacute;stria lhes s&atilde;o definitivamente fechadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com valores coletivos, as bizarrices s&atilde;o qualificadas em fun&ccedil;&atilde;o de sua maior ou menor "condenabilidade". As atrizes s&atilde;o os principais alvos de vigil&acirc;ncia a esse respeito, pelo fato de serem os principais sujeitos no exerc&iacute;cio dessas pr&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m porque a sexualidade feminina tem sido historicamente sujeita a maiores interdi&ccedil;&otilde;es, e as redes da pornografia, para al&eacute;m das c&acirc;meras, n&atilde;o constituem uma exce&ccedil;&atilde;o a essa regra. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sendo assim, a maior das infra&ccedil;&otilde;es identificada pelo coletivo consiste em fazer sexo com animais. Constantemente, os pr&oacute;prios atores e atrizes porn&ocirc;s manifestam sua repulsa diante da possibilidade de exercerem tal pr&aacute;tica. Alguns, inclusive, demonstram desconfian&ccedil;a em contracenar, ainda mais sem camisinha, com uma pessoa que a tenha praticado. Para v&aacute;rios, tal desconfian&ccedil;a passa por raz&otilde;es de higiene, pelo risco de contamina&ccedil;&atilde;o real com algum v&iacute;rus contido no corpo do animal. Outros opinam que a pessoa que transa com animais n&atilde;o possui  escr&uacute;pulos, sendo prejudicial para a imagem do porn&ocirc;. Comparativamente, as atrizes que participam desse tipo de filmes queimam suas carreiras em uma velocidade bem maior que as demais. Para diretores e empres&aacute;rios, elas deixam de ser &uacute;teis, pois "mancham" a imagem da produtora, n&atilde;o devendo - pelo menos idealmente - ser novamente inclu&iacute;das em filmagens mais convencionais da pornografia. Os realizadores explicam que o mercado internacional para o qual se dirige a distribui&ccedil;&atilde;o tem como base a especializa&ccedil;&atilde;o dos elencos em determinadas pr&aacute;ticas, separando os <i>performers</i> do bizarro dos <i>performers</i> de filmes hetero, e assim sucessivamente, n&atilde;o tolerando seu tr&acirc;nsito entre os diversos segmentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqueles que praticam ou atuam na produ&ccedil;&atilde;o de filmes de sexo com animais s&atilde;o os <i>outsiders</i> do porn&ocirc;, que chegam a ser percebidos como an&ocirc;malos, sendo de algum modo marginalizados e permanecendo "fora do c&iacute;rculo de membros 'normais' do grupo" (Becker, 1971:25). S&atilde;o aqueles que poluem, contagiam, que devem ser evitados, "mat&eacute;ria fora do lugar" (Douglas, 1991), e sobre eles recai a for&ccedil;a do estigma. Segundo Becker (1971), espera-se que o desviante possua todos os tra&ccedil;os auxiliares de seu desvio, todos os tra&ccedil;os indesej&aacute;veis, inclusive em outros aspectos, como por exemplo, espera-se que um ladr&atilde;o tamb&eacute;m seja capaz de matar. No circuito porn&ocirc;, as atrizes que fazem sexo com animais s&atilde;o recorrentemente identificadas como usu&aacute;rias ass&iacute;duas de drogas, vistas como pessoas que perderam o controle de seus atos devido ao uso de t&oacute;xicos, ou que exercem tais pr&aacute;ticas justamente para sustentar seu consumo. Na verdade, o coletivo estabelece uma diferen&ccedil;a que, de algum modo, funciona para "perdoar" ou "negociar" os desvios, separando aquelas que fazem um filme com animais uma &uacute;nica vez (&agrave;s vezes por desinforma&ccedil;&atilde;o ou porque a pr&oacute;pria din&acirc;mica da ind&uacute;stria terminou arrastando-as at&eacute; ali) daquelas que o fazem recorrentemente. Estas &uacute;ltimas s&atilde;o, na realidade, as pessoas tidas como aquelas que sentem satisfa&ccedil;&atilde;o sexual ao realizarem tais atos, e tal identifica&ccedil;&atilde;o com o prazer, simbolicamente, as converte em mais perigosas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua vez, h&aacute; tamb&eacute;m pessoas que, sem terem participado previamente da pornografia, isto &eacute;, sem serem atrizes ou atores j&aacute; conhecidos na rede, protagonizam filmagens com animais. Como n&atilde;o pertencem ao circuito e, portanto, n&atilde;o representam um perigo direto de contamina&ccedil;&atilde;o nem amea&ccedil;am os esquemas morais do grupo, s&atilde;o comumente identificados como pessoas que efetivamente sentem excita&ccedil;&atilde;o e prazer em exercer esse tipo de pr&aacute;tica. Tamb&eacute;m costumam ser vistos como pessoas que enfrentam grandes dificuldades econ&ocirc;micas, desempenhando tal atividade por extrema necessidade. Por fim, recai sobre eles o estigma do v&iacute;cio em drogas, n&atilde;o existindo possibilidades de que comecem, a partir dali, uma carreira efetiva como atores/atrizes porn&ocirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por meio desses discursos, a rede controla o sexo, etiqueta e classifica os comportamentos como <i>pervers&otilde;es</i>, marca fronteiras para o prazer e determina o que &eacute; e o que n&atilde;o &eacute; l&iacute;cito, exercendo um <i>controle do corpo social</i>, parafraseando Foucault (1991). Vemos assim que o sexo com animais alude ao <i>espa&ccedil;o do horror</i> mesmo entre as pessoas que produzem porn&ocirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isto n&atilde;o quer dizer que sua produ&ccedil;&atilde;o seja pequena. Em minha etnografia anterior, verifiquei que o Brasil era considerado o principal produtor mundial de porn&ocirc; com animais - pelo menos, era isso que diziam os integrantes dessa ind&uacute;stria e que revelavam os in&uacute;meros sites, estrangeiros em sua maioria, nos quais eram veiculados filmes nacionais desse tipo de porn&ocirc;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A era dourada das filmagens de porn&ocirc; com animais no Brasil data do come&ccedil;o da d&eacute;cada de 2000, momento em que um diretor holand&ecirc;s se instalou no pa&iacute;s com o objetivo de produzir este fil&atilde;o.<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a> Alugando ch&aacute;caras e s&iacute;tios na regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o Paulo e na Serra da Cantareira, tal diretor e sua equipe produziam em m&eacute;dia cinco filmes por dia. O elenco mudava rapidamente, a estrutura da ind&uacute;stria lhes permitia contar com pessoas diversas, que eram recrutadas especificamente para filmes com animais ou j&aacute; gravavam para filmes do porn&ocirc; convencional nacional. Embora se produzissem cenas nas quais homens transavam com animais, a &ecirc;nfase reca&iacute;a nas mulheres como protagonistas: a dupla mulher/animal foi e continua sendo a f&oacute;rmula b&aacute;sica desse mercado. Desde aquela &eacute;poca, as travestis tamb&eacute;m possuem um espa&ccedil;o nesse segmento do porn&ocirc;, pois suas produ&ccedil;&otilde;es eram e ainda s&atilde;o requisitadas no mercado transnacional. De fato, a principal assistente da equipe do holand&ecirc;s era uma travesti que colaborava tanto no recrutamento do elenco, quanto na execu&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas sexuais diante das c&acirc;meras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dessa equipe que &eacute; reconhecida na rede do porn&ocirc; como a principal no ramo dos animais, outros produtores nacionais investiram, j&aacute; naquela &eacute;poca, nesse segmento. Algumas das principais produtoras que comercializavam esse tipo de filmes mudavam os nomes de seus selos para n&atilde;o serem necessariamente identificadas como produtoras, mas t&atilde;o somente como distribuidoras. Embora esses materiais fossem divulgados de modo aberto em locadoras, nos sites de algumas empresas (nacionais e internacionais) e em camel&ocirc;s, sua produ&ccedil;&atilde;o era feita respeitando um enorme sigilo. Eles sofriam persegui&ccedil;&atilde;o e esse foi o principal motivo pelo qual o holand&ecirc;s teve de abandonar o Brasil. Contudo, &eacute; comum encontrar seus velhos produtos ainda no mercado e dizem que periodicamente volta, por curtas temporadas, para gravar novas cenas. Como ele, outras equipes estrangeiras se hospedam no pa&iacute;s temporariamente perseguindo o mesmo objetivo, ou contratam produtores nacionais para faz&ecirc;-lo, o que faz com que - mesmo com uma frequ&ecirc;ncia bem menor e em meio a muito sigilo - a  produ&ccedil;&atilde;o nacional permane&ccedil;a na ativa com sua estrutura: diretores, loca&ccedil;&otilde;es de filmagem e destinos de distribui&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel afirmar que o Brasil seja o principal produtor mundial de filmes porn&ocirc; com animais. Aparentemente esse papel passou a ser ocupado por pa&iacute;ses asi&aacute;ticos. Mas por que a insist&ecirc;ncia do mercado porn&ocirc; em associar o Brasil &agrave; zoofilia? &Eacute; uma pergunta que mesmo ap&oacute;s um longo tempo de pesquisa, ainda n&atilde;o consigo responder com exatid&atilde;o. Este artigo &eacute; uma tentativa de trazer algumas pistas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Entre embates morais e ambiguidades jur&iacute;dicas </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um importante motivo de estigma ao redor da produ&ccedil;&atilde;o de filmes com animais relaciona-se com a cren&ccedil;a coletiva que qualifica esta pr&aacute;tica e sua comercializa&ccedil;&atilde;o como ilegais. Contudo, as ideias a esse respeito s&atilde;o confusas. Embora muitos suponham que o porn&ocirc; com animais deva ser legal, j&aacute; que &eacute; distribu&iacute;do de modo n&atilde;o clandestino, tamb&eacute;m persiste a cren&ccedil;a - entre as pr&oacute;prias pessoas da rede - de que sua legalidade n&atilde;o &eacute;, digamos, total. Em sua argumenta&ccedil;&atilde;o, alguns aludem &agrave; Sociedade Protetora de Animais, mas nunca conseguem fazer refer&ecirc;ncia a leis ou decretos espec&iacute;ficos elaborados por tal entidade. Existe tamb&eacute;m a cren&ccedil;a de que o com&eacute;rcio desses filmes &eacute; legal, a ilegalidade s&oacute; existindo em sua produ&ccedil;&atilde;o se forem pegos em flagrante. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, n&atilde;o existem leis que pro&iacute;bam diretamente o exerc&iacute;cio da sexualidade de humanos com animais. Contudo, existe uma discuss&atilde;o de longa data a respeito da prote&ccedil;&atilde;o destes &uacute;ltimos. Assim, no marco do debate p&uacute;blico sobre a experimenta&ccedil;&atilde;o animal nas ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, o decreto n.º 24.645, de 10 de julho de 1934, em seu artigo n&uacute;mero 3, estabeleceu 31 pautas explicativas sobre o que &eacute; considerado mau-trato, entre as quais a primeira foi: <i>praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal.</i><a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Lei Federal nº 9.605, do dia 12 de fevereiro de 1998, em seu cap&iacute;tulo 5 (Dos crimes contra o meio ambiente) na Se&ccedil;&atilde;o 1 (Dos crimes contra a fauna), reafirmou no cap&iacute;tulo 32 a quest&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o dos animais, proibindo: "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, dom&eacute;sticos ou domesticados, nativos ou ex&oacute;ticos", mas tampouco fez refer&ecirc;ncia expl&iacute;cita &agrave; sexualidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra explica&ccedil;&atilde;o recorrente entre as pessoas que pertencem &agrave;s redes do porn&ocirc; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; poss&iacute;vel ilegalidade dos filmes com animais diz respeito &agrave; falta de <i>consentimento</i> do animal para que com ele se pratique sexo. De fato, a no&ccedil;&atilde;o do n&atilde;o consentimento faz parte do imagin&aacute;rio social, para al&eacute;m do universo do porn&ocirc;, e aparece recorrentemente no discurso contra o sexo com animais, fazendo alus&atilde;o ao abuso e &agrave; crueldade intr&iacute;nseca no ato, isto &eacute;, submeter, obrigar ou estimular um animal a fazer algo que contradiga sua natureza. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>consentimento</i> como principal crit&eacute;rio para definir a licitude de um ato sexual e, em decorr&ecirc;ncia, como novo modelo de regula&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da sexualidade, tem bases na filosofia do Iluminismo do final do s&eacute;culo XVIII (Vigarello, 1998). Centrou-se "nos princ&iacute;pios de livre disposi&ccedil;&atilde;o de si e autonomia da vontade do sujeito racional respons&aacute;vel e senhor de si (...) no ideal individualista moderno" (Lowekron, 2012:35). A no&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do consentimento embasou a cria&ccedil;&atilde;o da categoria <i>viol&ecirc;ncia sexual </i>e a ideia de que esta existe quando se viola o consentimento do sujeito. Esse modelo consensualista da sexualidade ganhou for&ccedil;a e express&atilde;o pol&iacute;tica e cultural na segunda metade do s&eacute;culo XX devido &agrave;s lutas e reivindica&ccedil;&otilde;es de movimentos sociais - especialmente o movimento feminista e o movimento homossexual, mas tamb&eacute;m o pensamento da contracultura - por incluir a sexualidade no debate pol&iacute;tico dos direitos individuais (id.ib.:36). O caso do movimento feminista &eacute; emblem&aacute;tico sendo,  como mostra Lowekron (2008:16) "um dos primeiros movimentos sociais a enfocar o campo jur&iacute;dico como estrat&eacute;gia pol&iacute;tica para a promo&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as na desigualdade de g&ecirc;nero". Se j&aacute; desde os anos 60 tal movimento iniciou uma empreitada a favor dos direitos individuais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexualidade, foi a partir do final da d&eacute;cada de 1980 que "iniciaram uma luta (...) para a inclus&atilde;o dos crimes sexuais no cap&iacute;tulo 'dos crimes contra a pessoa', demarcando, assim, um espa&ccedil;o discursivo em defesa dos direitos individuais das mulheres" (Vieira, 2007:20, <i>apud</i> Lowekron, 2008:16) e j&aacute; n&atilde;o mais da honra familiar.<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m do marco dos crimes sexuais, o consentimento ganha relev&acirc;ncia ao ser utilizado como ferramenta de legitima&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas sexuais socialmente interpretadas como esp&uacute;rias. Por exemplo, aquelas associadas ao exerc&iacute;cio da viol&ecirc;ncia, como o <i>BDSM,</i><a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a> v&ecirc;m passando por um processo de valida&ccedil;&atilde;o social empreendido por seus pr&oacute;prios praticantes, a partir do discurso do consentimento, entendido neste contexto como "exerc&iacute;cio e express&atilde;o da vontade individual em participar de uma atividade sexual &#91;...&#93; principal crit&eacute;rio de distin&ccedil;&atilde;o entre uma forma de sexualidade sadia e a forma patol&oacute;gica" (Zilli, 2007:9). Assim, a partir do consentimento e de regras e rituais para o exerc&iacute;cio da atividade, os adeptos do BDSM o legitimam como SSC (s&atilde;o, seguro e consentido), afastando-o dos imagin&aacute;rios da pervers&atilde;o. O BDSM seria, ent&atilde;o, um exerc&iacute;cio er&oacute;tico de poder e n&atilde;o um  abuso f&iacute;sico ou emocional (Gregori, 2010:168), uma ret&oacute;rica com suas t&eacute;cnicas e rituais que apresenta tens&otilde;es entre prazer/dor, dom&iacute;nio/sujei&ccedil;&atilde;o, fantasia/realidade (id.ib.). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O consentimento &eacute; tamb&eacute;m a chave argumentativa para se afastar de r&oacute;tulos pejorativos utilizada por pessoas que se engajam em pr&aacute;ticas de sexo <i>bareback</i> e/ou na ideologia que alguns coletivos t&ecirc;m criado ao seu redor. A palavra <i>barebacking</i>, de origem h&iacute;pica e que significa "montar a pelo" faz refer&ecirc;ncia atualmente &agrave; "pr&aacute;tica intencional e cont&iacute;nua, pr&oacute;pria de homens que t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es sexuais com outros homens, de n&atilde;o usar preservativos durante o sexo anal com parceiros casuais" (Haig, 2006:2, <i>apud</i> Garcia, 3009:537). Por se tratar de uma pr&aacute;tica intencional e exercida de modo cont&iacute;nuo, dando espa&ccedil;o a formas de contato organizado &#91;...&#93; "o termo alcan&ccedil;ou uma conota&ccedil;&atilde;o que supera o sentido meramente comportamental, tornando-se uma marca identit&aacute;ria, especialmente em certas cidades dos Estados Unidos" (Garcia, 2009:537), como tamb&eacute;m da Europa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se seguirmos o fio argumentativo do consentimento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legitima&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas dissidentes, poder&iacute;amos dizer que sua aus&ecirc;ncia, o <i>n&atilde;o consentimento,</i> contribuiria para localizar a zoofilia nos patamares mais baixos da hierarquia sexual. Contudo, se seguirmos esse caminho nos depararemos com uma dificuldade: a no&ccedil;&atilde;o de consentimento est&aacute; intimamente ligada &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>sujeito </i>e, dentro do aparelho jur&iacute;dico brasileiro, os animais n&atilde;o usufruem desse status. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como dito anteriormente, o consentimento &eacute; o elemento central na defini&ccedil;&atilde;o da licitude de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual (Vigarello, 1998) e est&aacute; diretamente relacionado &agrave; categoria de <i>sujeito contempor&acirc;neo</i>, isto &eacute;, indiv&iacute;duos com direitos inalien&aacute;veis em uma concep&ccedil;&atilde;o individualista da sociedade (Vianna e Lacerda, 2004). No debate jur&iacute;dico contempor&acirc;neo, a no&ccedil;&atilde;o de consentimento vincula-se &agrave; defini&ccedil;&atilde;o dos direitos de crian&ccedil;as e adolescentes a respeito do exerc&iacute;cio de sua sexualidade. As crian&ccedil;as s&atilde;o vistas como <i>sujeitos de direitos</i>, e a viola&ccedil;&atilde;o de seus direitos &eacute; percebida como um <i>crime contra a humanidade </i>(Faleiros  e Campos, 2000; Lowekron, 2012). &Agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes adjudica-se uma <i>condi&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade</i>, isto &eacute;, a ideia de que &agrave; diferen&ccedil;a das pessoas adultas, eles n&atilde;o possuem maturidade nem psicol&oacute;gica nem f&iacute;sica, quest&atilde;o que se aplica para a sua sexualidade. Tendo como principal marco a aprova&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Diretos da Crian&ccedil;a pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em 1989, as crian&ccedil;as passaram a ser entendidas como <i>sujeitos de direitos especiais</i>, sujeitos que devem ser tutelados e protegidos pela sociedade, a fam&iacute;lia e o Estado.<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, o sexo com crian&ccedil;as (chamado de abuso ou de pedofilia, com as nuan&ccedil;as e diferen&ccedil;as existentes entre estas no&ccedil;&otilde;es) e sua explora&ccedil;&atilde;o ou comercializa&ccedil;&atilde;o no mercado do sexo (redes de prostitui&ccedil;&atilde;o e pornografia) al&eacute;m de ilegais s&atilde;o considerados desprez&iacute;veis (ver Landini, 2004), justamente pelo fato de o menor n&atilde;o ser considerado um sujeito que possa administrar o consentimento em nenhuma situa&ccedil;&atilde;o (Lowekron, 2008). Juridicamente, o sexo com crian&ccedil;as &eacute; ileg&iacute;timo porque viola os  princ&iacute;pios do consentimento e da igualdade, sendo, em poucas palavras, um crime contra os <i>direitos humanos</i>.<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poderia ser afirmado que os animais s&atilde;o seres que tampouco podem administrar o consentimento em qualquer situa&ccedil;&atilde;o e que, por isso, a sexualidade que lhes envolve &eacute; esp&uacute;ria, e sua explora&ccedil;&atilde;o comercial na pornografia, ilegal. No entanto, como dito anteriormente, este caminho de an&aacute;lise implicaria adjudicar a categoria de <i>sujeito</i> aos animais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como transpor a no&ccedil;&atilde;o de consentimento para falar de animais? Isso nos levaria a repensar a no&ccedil;&atilde;o do humano e do animal.<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a> Os animais t&ecirc;m alma? Que tipo de alma t&ecirc;m os animais? Que tipo temos n&oacute;s?<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a> N&atilde;o vou encarar a discuss&atilde;o por este vi&eacute;s porque precisaria de um arsenal filos&oacute;fico que se localiza al&eacute;m de minhas buscas intelectuais imediatas. Todavia, j&aacute; que no pensamento de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos dos animais n&atilde;o se trata de uma quest&atilde;o de alma, o problema recai diretamente sobre o corpo do animal, como &eacute; poss&iacute;vel perceber nas pautas que estabelecem o que &eacute; abuso e crueldade nas leis a eles dirigidas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O centro da quest&atilde;o &eacute; que o ordenamento jur&iacute;dico nacional n&atilde;o qualifica os animais como sujeitos de direitos. Isto porque, segundo tal ordenamento, a exist&ecirc;ncia do sujeito de direito pressup&otilde;e a <i>personalidade</i>, ou seja, &eacute; preciso ser <i>pessoa</i> ou nascituro. Pessoa &eacute; o ser humano que nasce com vida, no caso, a "pessoa f&iacute;sica". &Eacute; pr&oacute;prio das <i>pessoas</i> possu&iacute;rem direitos e obriga&ccedil;&otilde;es. Mas isto tamb&eacute;m serve para o "nascituro", ou seja, o feto. O feto n&atilde;o &eacute; pessoa no sentido de que ainda n&atilde;o &eacute; nascido, mas det&eacute;m expectativas de direito e deveres: o feto pode ter direito &agrave; heran&ccedil;a, por exemplo.<a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a> Os animais, por sua vez, s&atilde;o <i>tutelados</i> pelo ordenamento jur&iacute;dico nacional,<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a> mas existe uma diferen&ccedil;a entre ser tutelado e ser sujeito (especialmente se levarmos em conta que, no artigo 9.605 de 1998, os animais fazem parte do "meio ambiente" - dividido entre fauna e flora - e um crime contra eles &eacute; considerado um crime ambiental). O fato de as crian&ccedil;as, por exemplo, tamb&eacute;m serem tuteladas n&atilde;o significa que sejam equipar&aacute;veis juridicamente aos animais. Mesmo existindo normas internacionais, como a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos dos Animais, em que s&atilde;o utilizadas express&otilde;es como "os animais t&ecirc;m direitos a", isso n&atilde;o os configura como <i>sujeitos de direitos</i>.<a name="13b"></a><a href="#13a"><sup>13</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acredito estarmos diante de um dilema de interpreta&ccedil;&atilde;o. O Estado brasileiro penaliza a crueldade e o abuso contra os animais, como j&aacute; mencionado, mas a sexualidade que os envolve pode ser considerada um abuso ou uma crueldade? A resposta para esta pergunta precisa de um longo debate. As legisla&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes at&eacute; poderiam englobar o sexo com animais como viol&ecirc;ncia. Mas <i>englobar </i>&eacute; diferente de <i>configurar </i>de fato uma viol&ecirc;ncia.<a name="14b"></a><a href="#14a"><sup>14</sup></a> E mesmo que pudesse configurar uma viol&ecirc;ncia, seria necess&aacute;rio diferenciar viol&ecirc;ncia de crime. A aus&ecirc;ncia total da men&ccedil;&atilde;o &agrave; sexualidade como abuso na atual legisla&ccedil;&atilde;o brasileira permite brechas, e s&atilde;o justamente essas brechas que tornam poss&iacute;veis a produ&ccedil;&atilde;o e a comercializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o clandestina de filmes de sexo com animais. Essa pornografia fere leis, certamente. Mas trata-se de leis simb&oacute;licas e morais, e n&atilde;o necessariamente jur&iacute;dicas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acredito que a condena&ccedil;&atilde;o moral desse material n&atilde;o se deve exclusivamente ao fato de ser consentido ou n&atilde;o. N&atilde;o creio que seja a nebulosidade em torno de sua licitude o principal crit&eacute;rio para torn&aacute;-lo moralmente conden&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; sua legalidade amb&iacute;gua o que faz com que muitos de n&oacute;s fechemos os olhos quando nos deparamos com uma imagem em que uma mulher &eacute; penetrada por um cavalo ou uma serpente. &Eacute; outra coisa o que causa nojo em muitos de n&oacute;s. O sexo com animais &eacute; difamado, acredito, porque desperta a sensa&ccedil;&atilde;o de monstruosidade, porque choca os fios mais &iacute;ntimos de nossa sensibilidade, porque apela ao perverso, ao irracional, enfim, ao monstruoso. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Animais humanizados, humanos bestializados </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A bibliografia antropol&oacute;gica que trata das rela&ccedil;&otilde;es entre humanos e animais &eacute; extensa (por exemplo, Leach, 1983; Viveiros de Castro, 1986; Lima, 1999; Descola, 1998; Vander Velden, 2010). Nesse bojo, um amplo campo de estudos vem analisando a exist&ecirc;ncia, em nossas sociedades urbanas contempor&acirc;neas, de diversas  experi&ecirc;ncias sociais nas quais s&atilde;o borradas as fronteiras entre as esp&eacute;cies: a obesidade animal como problem&aacute;tica social que demanda interven&ccedil;&atilde;o (Kulick, 2009), a domesticidade canina (Haraway, 2008; Antunes, 2011), h&aacute;bitos e tabus alimentares (Sahlins, 2003) somados a afetos e a &eacute;ticas classificat&oacute;rias (Vergotti, 2011), ou rituais urbanos como festas de anivers&aacute;rio canino e cerim&ocirc;nias religiosas de ben&ccedil;&atilde;o aos animais (Brasil, 2006). Esses textos chamam a aten&ccedil;&atilde;o para processos de <i>humaniza&ccedil;&atilde;o</i> dos animais na intera&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com indiv&iacute;duos em contextos dom&eacute;sticos, pela via do afeto e da emo&ccedil;&atilde;o - <i>antropomorfiza&ccedil;&atilde;o</i> &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o utilizada em alguns desses estudos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s caracter&iacute;sticas humanas adjudicadas aos animais - e para como os animais contribuiriam para humanizar os humanos. Sem d&uacute;vida, as fronteiras entre humanos e animais (e, de fato, entre natureza e cultura) tornam-se t&ecirc;nues em experi&ecirc;ncias como a ado&ccedil;&atilde;o de filhotes e seu tratamento como crian&ccedil;as, ou quando milion&aacute;rios deixam enormes heran&ccedil;as para suas mascotes, ou ainda no vasto mercado existente em torno de produtos e pr&aacute;ticas de embelezamento para cachorros e gatos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota-se que enquanto os afetos operam borramentos das fronteiras entre as esp&eacute;cies, a sexualidade constitui um plano no qual tais fronteiras s&atilde;o espessas e impenetr&aacute;veis, configurando-se como um limite do social. No entanto, a no&ccedil;&atilde;o de humaniza&ccedil;&atilde;o dos animais aparece no porn&ocirc;. Contudo, neste dispositivo, eles n&atilde;o contribuiriam para humanizar os humanos. Ao contr&aacute;rio, projeta-se a ideia de que atrav&eacute;s do contato sexual o humano se bestializa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre os signos agenciados imageticamente pela pornografia visando representar a c&oacute;pula entre humanos e animais, encontramos uma tens&atilde;o permanente. H&aacute; nessas imagens um esfor&ccedil;o em mostrar que se trata de uma pr&aacute;tica transgressora, que &eacute; vendida como perversa. Simultaneamente, h&aacute; um esfor&ccedil;o em demonstrar que, de alguma forma, ela pode ser corriqueira. O animal assume ali uma dupla personalidade: pode ser monstruoso, absurdo, imundo e, ao mesmo tempo, fiel, amig&aacute;vel, quase humano. N&atilde;o s&atilde;o poucos os enunciados que  parecem humanizar o animal, ao demonstrar ser ele um ser pr&oacute;ximo da pessoa, que existe entre eles um afeto e uma rela&ccedil;&atilde;o pr&eacute;vios, por serem, por exemplo, o dono e seu bicho de estima&ccedil;&atilde;o. Vale a pena esclarecer que esse tipo de enunciado &eacute; utilizado especificamente nas legendas que acompanham as fotografias de promo&ccedil;&atilde;o do filme, seja em v&iacute;deos ou na Internet - levando-se em conta que o porn&ocirc; atual est&aacute; majoritariamente voltado para essa m&iacute;dia e que se trata de cenas carentes de enredo - uma vez que, na transa como tal, tal enunciado desaparece. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No porn&ocirc; internacional, dentre os animais utilizados, encontram-se porcos, galinhas, cabras, polvos, serpentes, insetos e minhocas. Cachorros e cavalos s&atilde;o, no entanto, os mais comuns. No porn&ocirc; produzido no Brasil s&atilde;o usados quase que exclusivamente cavalos, cachorros e burros, com a predomin&acirc;ncia dos dois primeiros. Acredito que os discursos constru&iacute;dos acerca da humaniza&ccedil;&atilde;o dos animais s&oacute; s&atilde;o poss&iacute;veis por se tratarem de c&atilde;es e equinos, ambos integrados &agrave;s nossas sociedades com status de "n&atilde;o comest&iacute;veis", uma vez que "a comestibilidade est&aacute; inversamente relacionada com a humanidade" (Sahlins, 2003:175) e porque </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>as manifesta&ccedil;&otilde;es de simpatia pelos animais s&atilde;o ordenadas em uma escala de valor (...) cujo &aacute;pice &eacute; ocupado pelas esp&eacute;cies percebidas como as mais pr&oacute;ximas do homem em fun&ccedil;&atilde;o de seu comportamento, fisiologia, faculdades cognitivas ou da capacidade que lhes &eacute; atribu&iacute;da de sentir emo&ccedil;&otilde;es (Descola, 1998:23).<a name="15b"></a><a href="#15a"><sup>15</sup></a></p>       <p>Camila e seu c&atilde;o s&atilde;o melhores amigos. Ambos amam sexo bizarro e juntos experimentam as mais selvagens aventuras. Camila d&aacute; ao seu bichinho um boquete legal e depois disso, seu c&atilde;o quer enfiar seu n&oacute; em sua buceta molhada. Ela grita loucamente quando atinge um cl&iacute;max combinado com dor e prazer extremos.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A legenda anterior &eacute; s&oacute; uma entre outras tantas que ostentam essa caracter&iacute;stica. Elas explicitam o discurso sobre o <i>espetacular</i> e o <i>excesso</i> que atravessa a ideologia pornogr&aacute;fica no geral, motivo pelo qual utiliza uma linguagem que convida o espectador a assistir a algo especial, estranho e fora do cotidiano: n&atilde;o simplesmente sexo, mas proezas sexuais; n&atilde;o somente corpos, mas corpos incr&iacute;veis ou "grotescos"; n&atilde;o somente genit&aacute;lias, mas seus tamanhos e capacidades extremas. Do mesmo modo como na pornografia hetero o p&ecirc;nis dos homens &eacute; central nas imagens, no porn&ocirc; com animais, o genital do macho, especialmente quando se trata de um cavalo, tem grande destaque. Ele &eacute; enfocado de todos os &acirc;ngulos poss&iacute;veis. Sua dimens&atilde;o, sua cor, sua umidade, sua ejacula&ccedil;&atilde;o, tudo precisa integrar um espet&aacute;culo de prazeres exagerados, sendo esse o limite da humaniza&ccedil;&atilde;o - ali o animal recobra sua caracter&iacute;stica animal, tornando-se novamente uma besta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O porn&ocirc; brasileiro com animais se vale preferencialmente de cinco tipos de pessoas: mulheres jovens e bonitas, &agrave;s vezes, quase ninfetas; senhoras mais velhas que, na pornografia, s&atilde;o conhecidas como <i>milf</i>;<a name="16b"></a><a href="#16a"><sup>16</sup></a> mulheres gordas ou pr&oacute;ximas da obesidade; mulheres geralmente jovens com atributos f&iacute;sicos n&atilde;o necessariamente considerados belos - em alguns sites sendo classificadas como mulheres pobres - e travestis. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os diversos enunciados, e entre eles a humaniza&ccedil;&atilde;o, v&atilde;o aparecendo e se interpenetrando de modo contingente. Um momento no qual o animal &eacute; particularmente humanizado consiste naquele em que se enfatiza que ele, diferentemente dos homens, n&atilde;o se interessa pelo fato de a mulher possuir um visual desleixado, podendo suprir os problemas de solid&atilde;o ou de excita&ccedil;&atilde;o que ela possa apresentar. Isto &eacute; comum em filmes com mulheres gordas (ou BBW - Big Beautiful Women - como s&atilde;o conhecidas no mercado internacional), com <i>milfs</i> ou com outras mulheres de idade avan&ccedil;ada que n&atilde;o se encaixariam na categoria <i>milfs</i> por n&atilde;o serem consideradas fisicamente atraentes. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Nadia est&aacute; solteira h&aacute; dois anos e ela pensa que a maioria dos homens simplesmente n&atilde;o gosta de BBW como ela. Para que possa ter algum sexo nestes tempos dif&iacute;ceis, um amigo sugere-lhe que fa&ccedil;a sexo com c&atilde;es. O c&atilde;o n&atilde;o se importa com seu corpo gordo... Ele apenas quer enfiar seu duro n&oacute; canino em sua buceta! Quent&iacute;ssima a&ccedil;&atilde;o animal com BBW que voc&ecirc; realmente tem que ver! </p>       <p>Esta safada dona de casa encontrou a solu&ccedil;&atilde;o perfeita para seus problemas sexuais. A maioria dos homens n&atilde;o se interessa mais por ela, mas seu fiel animal de estima&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o exigente. Confira este grande filme de sexo bestial e veja como esta loira <i>milf</i> &eacute; fodida extremamente forte por seu pr&oacute;prio c&atilde;o... em estilo canino! </p> </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui prevalece a ideia de que ningu&eacute;m deseja fazer sexo com elas, e o animal - amigo, camarada, fiel - &eacute; uma alternativa aos seus problemas, causados por seus corpos esteticamente n&atilde;o aceitos. Ao mesmo tempo, l&ecirc;-se que o animal, justamente por ser um animal - irracional, preso a seus instintos, como os monstros - concebe o sexo "extremamente forte" com esses corpos igualmente bizarros por excel&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro enunciado presente nessas narrativas &eacute; a ideia de que o sexo com animais &eacute; produto da <i>solid&atilde;o</i>. Este &eacute;, na verdade, um  velho discurso. N&atilde;o raro no imagin&aacute;rio social, a zoofilia &eacute; interpretada como resultado do isolamento, da aus&ecirc;ncia de parceiro e da dificuldade nas rela&ccedil;&otilde;es sociais.<a name="17b"></a><a href="#17a"><sup>17</sup></a> Temos aqui um retorno ao discurso da sexologia: quem transa com animais n&atilde;o &eacute; necessariamente perverso, &eacute; um infeliz, um doente, um coitado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Igualmente, &eacute; comum encontrarmos cenas em que duas mulheres - &agrave;s vezes <i>milfs</i>, &agrave;s vezes jovens - fazem sexo entre si e com o animal. Trata-se de <i>m&eacute;nages &agrave; trois </i>que parecem seguir o esquema enunciativo dos filmes porn&ocirc; <i>mainstream</i> que contemplam esse arranjo. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Estas <i>milfs</i> brasileiras gostam de sentir um pinto de verdade em suas bucetas de vez em quando. J&aacute; que elas n&atilde;o amam homens, elas decidiram experimentar sexo com c&atilde;es! Entre aqui para filmes l&eacute;sbicos de sexo bestial &uacute;nicos e veja estas mulheres maduras sendo brutalmente fodidas por animais. </p>       <p>Duas l&eacute;sbicas gostosas curtindo uma zoofilia com um cavalo. As duas safadas se chupam, se beijam e aproveitam a pica do cavalo para curtir uma putaria e acabar com o tes&atilde;o. </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui me parece ser estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o entre desvios: pelo fato de serem l&eacute;sbicas, isto &eacute;, portadoras de um desejo que extrapola a norma, elas estariam predispostas a experimentar outro desejo perif&eacute;rico: transar com animais. Todavia, fica  enunciada a ideia de que o sexo entre mulheres &eacute; algo de algum modo inacabado, e que &eacute; preciso um falo "de verdade" para tir&aacute;-las de um jogo de sedu&ccedil;&atilde;o incompleto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, a opini&atilde;o generalizada entre as redes do porn&ocirc; (mas tamb&eacute;m no imagin&aacute;rio social) de que as pessoas transam com animais como resposta a necessidades econ&ocirc;micas extremas, tamb&eacute;m aparece em legendas usadas em alguns sites estrangeiros para divulga&ccedil;&atilde;o das mulheres: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Elenco "animal", cenas de sexo animal e filmes de bestialidade brutal: garotas amadoras fodendo animais por dinheiro! Durante nossas viagens sexuais, oferecemos 150 d&oacute;lares a pobres piranhas em troca de sexo com animais. Estas mulheres estrangeiras realmente fazem tudo por dinheiro! </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outra pobre piranha brasileira que se sujeitou ao nosso elenco animal para poder pagar d&iacute;vidas. </p>       <p>Jovem adolescente que se tornou uma modelo animal no ano passado, quando foi despedida de seu trabalho. Corpo sexy incr&iacute;vel!></p>       <p>Esta puta caipira apenas queria ganhar algum dinheiro extra para poder pagar seu aluguel. </p>       <p>Experiente piranha "animal" que n&atilde;o tem nenhuma vergonha. Se voc&ecirc; d&aacute; dinheiro, ela se torna sua escrava pessoal. </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Projeta-se assim a ideia de que a linha que separa a pobreza do desvio &eacute; demasiado t&ecirc;nue, que um pobre faz de tudo para pagar suas contas, at&eacute; mesmo sexo com animais. Mas, neste caso, n&atilde;o se trata somente de mulheres pobres, e sim de prostitutas pobres. Ou seja, mulheres cujas condutas sexuais j&aacute; se localizam na ordem da transgress&atilde;o estariam mais pr&oacute;ximas do exerc&iacute;cio de pr&aacute;ticas sexuais extremas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, corpos e sexualidades brasileiras s&atilde;o enquadrados a partir de um olhar externo e etnocentrista, expressando concep&ccedil;&otilde;es estereotipadas de ra&ccedil;a, classe, nacionalidade e g&ecirc;nero. Nesses discursos, as nativas s&atilde;o pensadas como essencialmente sexualizadas e ex&oacute;ticas. Contudo, trata-se de um exotismo perigoso, capaz de fomentar a ilus&atilde;o de admira&ccedil;&atilde;o pelo outro e, paralelamente, se construir sobre rela&ccedil;&otilde;es de desigualdade (Kempadoo, 2000). Nessas legendas, a pobreza, a nacionalidade e o g&ecirc;nero s&atilde;o vendidos como algo prodigioso e simultaneamente esdr&uacute;xulo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, entre o conjunto das mulheres, o enunciado que menciona prazeres e desejos - e, dessa vez n&atilde;o com um animal humanizado, mas justamente com uma besta - &eacute; mais recorrente quando se trata de mulheres jovens e bonitas. Vejamos dois exemplos: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Quando Priscilla confortavelmente toma um banho de sol em seu luxuoso jardim, sua amiga se aproxima com seu novo c&atilde;o. Sem nenhuma vergonha, ela pergunta a Priscilla se ela quer dar ao seu animal seu primeiro orgasmo verdadeiro. Priscilla acha que &eacute; uma grande honra e, sem perder tempo, tem seu &uacute;mido n&oacute; canino profundamente alojado em sua estreita boca. &Eacute; isso a&iacute; garota! </p>       <p>Estas garotas est&atilde;o cansadas de todos aqueles homens tarados, ent&atilde;o elas decidem procurar uma nova maneira de satisfazer suas necessidades. Elas escolhem experimentar sexo animal e parece que esta foi uma boa escolha. N&oacute;s todos sabemos que os c&atilde;es podem lamber extremamente bem, mas estas mulheres encontraram uma maneira de usar isso para seu proveito. Ou&ccedil;a-as gritarem ainda mais enquanto atingem seu segundo orgasmo em uma hora. </p> </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assistimos a&iacute; a um desejo de transgress&atilde;o: por que mulheres com atributos f&iacute;sicos desej&aacute;veis se engajam prazerosamente em sexo com animais? Por que justamente elas, que n&atilde;o precisam  recorrer a essa solu&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que poderiam captar a aten&ccedil;&atilde;o de qualquer homem? Porque elas gostam, respondem-nos. Inserir corpos jovens e belos nessas pr&aacute;ticas poderia insinuar-se como mais chocante. Espera-se (e at&eacute; aceita-se) que sejam corpos "esp&uacute;rios" aqueles que aderem a esse tipo de sexo. Por essa raz&atilde;o, o porn&ocirc; bizarro est&aacute; repleto de corpos deslegitimados: an&otilde;es, obesos, idosos, deficientes, decepados etc., mas a presen&ccedil;a dos corpos "leg&iacute;timos" incomoda, revela-se incompreens&iacute;vel, mexe com nossas categorias. Tamb&eacute;m, obviamente, isto se d&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o das demandas do mercado: quem consome, em sua maioria, deseja ver lindas garotas, pois tamb&eacute;m nesse segmento do mercado porn&ocirc; a beleza da mulher constitui um capital simb&oacute;lico e uma ponta de lan&ccedil;a da ind&uacute;stria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por &uacute;ltimo, no mercado de filmes de travestis com animais &eacute; poss&iacute;vel observar enunciados como os seguintes: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Quent&iacute;ssima travesti brasileira chupando um cavalo. Quando o animal est&aacute; pronto para um orgasmo, a transexual se curva para que o animal possa colocar sua porra em seu cu imundo.</p>       <p>Um grupo de transexuais brasileiras extremamente quentes dan&ccedil;ando com seus biqu&iacute;nis na fazenda. Elas est&atilde;o completamente fascinadas pelo massivo pau equino e querem r&aacute;pido este pinto grande em suas bucetas masculinas. </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por um lado, salta aos olhos a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es pejorativas nas quais se misturam o desejo e o rep&uacute;dio. S&atilde;o "cus imundos" porque pertencem a travestis, seus corpos sendo anunciados como ileg&iacute;timos - no sentido de sujos, raros e indecentes - e simultaneamente excitantes.<a name="18b"></a><a href="#18a"><sup>18</sup></a> Nessa mesma ordem  de ideias, situaria-se a ambiguidade de seus corpos, por meio de express&otilde;es como "bucetas masculinas". J&aacute; dissera Jorge Leite Jr. (2006b:2) que, para as produ&ccedil;&otilde;es porn&ocirc;s, esse corpo "se inscreve em outro territ&oacute;rio do desejo", um desejo que percebem como raro, refor&ccedil;ando a ideia de que o sexo com elas &eacute; incomum, "anormal" e, justamente por essas raz&otilde;es, fant&aacute;stico. A ind&uacute;stria porn&ocirc; explora o fato de que o corpo travesti subverte as dicotomias ao n&atilde;o se ajustar &agrave;s alternativas homem/mulher e masculino/feminino e, nessa explora&ccedil;&atilde;o, o humor &eacute; utilizado como um signo-chave da representa&ccedil;&atilde;o do grotesco. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale a pena esclarecer que os produtores de porn&ocirc; n&atilde;o se sentem necessariamente compelidos a procurar e incluir nas filmagens esse tipo espec&iacute;fico de pessoas (com exce&ccedil;&atilde;o das travestis e das mulheres jovens e bonitas que s&atilde;o enfaticamente procuradas). Na realidade, as coisas s&atilde;o mais bagun&ccedil;adas: no processo de recrutamento do elenco, eles "jogam a rede" e acabam filmando com quem conseguirem captar, nem sempre conseguindo recrutar as mulheres mais cotadas do mercado do sexo. Em outras palavras, eles gravam com o que "tiverem &agrave; m&atilde;o" e, uma vez o filme pronto, inventam legendas de acordo com os corpos e apar&ecirc;ncias das atrizes, ou ent&atilde;o vendem as cenas soltas e s&atilde;o os produtores estrangeiros que se encarregam de faz&ecirc;-lo. &Eacute; por essa mesma raz&atilde;o que o mercado de sexo com animais &eacute; t&atilde;o estigmatizado dentro das pr&oacute;prias redes do porn&ocirc;, pelo tipo de pessoas que inclui: humanos que, por suas fisionomias e pelo exerc&iacute;cio dessas pr&aacute;ticas, se tornam (e s&atilde;o percebidos como) menos humanos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As vis&otilde;es presentes nesses enunciados parecem evidenciar que se trata de uma ind&uacute;stria feita por homens para homens (por vezes </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">homens nacionais para homens estrangeiros, por outras homens estrangeiros para outros estrangeiros) e que essa pornografia, como muitas outras, parece transgredir normas de cunho sexual, especialmente por penetrar no terreno das "pervers&otilde;es", enquanto simultaneamente conserva vigentes conven&ccedil;&otilde;es estereotipantes sobre outros marcadores sociais da diferen&ccedil;a. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sexo com animais e os limites da sexualidade </b></font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; apenas terror que a figura monstruosa provoca. </font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; tamb&eacute;m fasc&iacute;nio, encanto, d&uacute;vida, fonte de curiosidade e desejo    <br>   (Leite, 2006a:180). </font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O monstro &eacute; transgressivo, demasiadamente sexual,  perversamente er&oacute;tico, um fora-da-lei     <br>   (Cohen, 2000:48 <i>apud</i> Leite, ibid, 180). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando indago consumidores de filmes de sexo com animais a respeito de seu prazer, um deles menciona um filme japon&ecirc;s em que uma mulher se acariciava com os tent&aacute;culos de um polvo e lentamente os introduzia no &acirc;nus e na vagina. "A mulher era bel&iacute;ssima - comenta - ela nua era linda, era imposs&iacute;vel n&atilde;o me excitar, mas, ao mesmo tempo, a cena toda era muito nojenta". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa &eacute; uma das respostas mais comuns que tenho escutado em meu trabalho de campo. Uma mistura de desejo e asco embutido nos dispositivos de prazer do porn&ocirc; com animais. Esse &eacute; o efeito que causa porque, como est&eacute;tica, une o belo e o feio, o limpo e o sujo, o pr&oacute;ximo e o distante. No entanto, entre outros indiv&iacute;duos que desfrutam desses materiais, a sensa&ccedil;&atilde;o de asco n&atilde;o seria um fato marcante. Para eles, o animal simboliza o grande, o sublime, aquilo que est&aacute; al&eacute;m. Um diretor de porn&ocirc; com animais me diz a este respeito: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>O filme que mais me excita fazer &eacute; de cavalo. Me d&aacute; muito tes&atilde;o, n&atilde;o sei te explicar. Eu sinto que a mulher est&aacute; gostando. Eu estou vendo, sabe? Eu vejo que a mulher est&aacute; sentindo prazer, ent&atilde;o, de ver a mulher sentindo prazer, me  d&aacute; prazer. Voc&ecirc; v&ecirc; que a buceta dela fica inchada e toda molhada, que a pele dela fica arrepiada, o bico do peito fica duro. O pau do cavalo &eacute; como um bra&ccedil;o de grosso, e quando as meninas enfiam, elas fecham os olhos e esquecem tudo. Eu j&aacute; vi v&aacute;rias delas gozar. &Eacute; demais! Eu fico com tes&atilde;o s&oacute; de lembrar. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De ambos os pontos de vista, a uni&atilde;o de esp&eacute;cies diferentes &eacute; transcendente nesse paradigma, sendo isto o que verdadeiramente estimula.<a name="19b"></a><a href="#19a"><sup>19</sup></a> Assim, o porn&ocirc; com animais n&atilde;o estaria lidando necessariamente com uma "sensibilidade zo&oacute;fila", pois o animal pareceria n&atilde;o seduzir por si s&oacute;. O humano precisa estar presente para que o desejo seja detonado entre os consumidores desse material. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de que o humano presente nesses filmes seja (quase) exclusivamente feminino nos permitiria pensar que o que se movimenta ali &eacute; uma "sensibilidade hetero-compuls&oacute;ria", para usar os termos de Gayle Rubin. Hetero-compuls&oacute;ria mesmo interesp&eacute;cies, se &eacute; que podemos chamar assim. Desperta o prazer assistir uma mulher sendo penetrada por um cavalo e, como dito anteriormente, a import&acirc;ncia do p&ecirc;nis, nesses casos, &eacute; enorme. Trata-se de um animal com uma genit&aacute;lia abissal e de mulheres sendo "fodidas" de forma bestial como no porn&ocirc; hetero mais <i>hard</i>. Desde as longas sequ&ecirc;ncias de sexo oral at&eacute; a ejacula&ccedil;&atilde;o do animal, as imagens constroem um ideal de masculinidade associado &agrave; pot&ecirc;ncia. O estilo da transa n&atilde;o diferiria muito das s&eacute;ries "viola&ccedil;&atilde;o e massacre anal" produzidas por empresas do porn&ocirc; hetero nacional. Trata-se novamente de um p&ecirc;nis m&aacute;sculo e gigante - mais gigante ainda - satisfazendo uma mulher. Na enuncia&ccedil;&atilde;o desses prazeres, somente a penetra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; suficiente, sendo imprescind&iacute;vel um estilo veemente e voraz. A &uacute;nica diferen&ccedil;a &eacute;, que nessas pr&aacute;ticas, &eacute; a mulher que conduz a  cena, quem toma a genit&aacute;lia do animal em suas m&atilde;os e a introduz em si mesma com grande ritmo e for&ccedil;a. Em meio a essa sensibilidade hetero-compuls&oacute;ria levantada pelas produ&ccedil;&otilde;es, torna-se importante o modo como a mulher demonstra com gestos e palavras o quanto a penetra&ccedil;&atilde;o &eacute; prazerosa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua maioria, os filmes de sexo com animais n&atilde;o costumam trazer &agrave; tona discursos sobre a <i>dor</i>. Mesmo quando se trata do p&ecirc;nis de um cavalo e de penetra&ccedil;&otilde;es anais, a representa&ccedil;&atilde;o da dor &eacute; deixada de lado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso &eacute; contr&aacute;rio &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es do porn&ocirc; <i>mainstream</i>, no qual a dor &eacute; algumas vezes t&atilde;o efetiva quanto o prazer, no momento de se representar especificamente as sexualidades femininas, ou a sexualidade daqueles que exercem o papel receptor na c&oacute;pula. Acredito que a nega&ccedil;&atilde;o da dor nos filmes de porn&ocirc; com animais seja um mecanismo de criar conven&ccedil;&otilde;es que evidenciem que se trata de uma pr&aacute;tica, de algum modo, confi&aacute;vel. Essa seria uma forma de legitim&aacute;-la.<a name="20b"></a><a href="#20a"><sup>20</sup></a> Nessa demonstra&ccedil;&atilde;o de prazer extremo, s&atilde;o utilizados alguns signos como tensores: o sangue &eacute; um deles. Em alguns desses filmes, as mulheres sangram, mas ao contr&aacute;rio do que se poderia esperar (levando-se em conta que se procura negar a dor), nesses casos os produtores n&atilde;o tentam esconder tal fato. Assim, o fluido aparece nas cenas, sendo captado de perto pelas c&acirc;meras, ganhando destaque na imagem e nas fotografias que ser&atilde;o usadas para a divulga&ccedil;&atilde;o do filme. Se nos bastidores de filmagem do porn&ocirc; hetero, o surgimento de um excremento ou de um fluido (com exce&ccedil;&atilde;o do s&ecirc;men e da saliva) &eacute; tomado como um acidente da performance - que deve ser camuflado com truques de edi&ccedil;&atilde;o ou pausando a filmagem para limpar os corpos e o cen&aacute;rio - no porn&ocirc; com animais, o sangue &eacute; um enunciado performativo chave  na demonstra&ccedil;&atilde;o de desejos e prazeres. O sangue &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o do <i>excesso</i> e simultaneamente do <i>realismo</i>, ambos os signos sendo reivindicados pela pornografia. O sangue demonstra que a pele tocou seus limites, que o prazer e o perigo se tornaram carne. &Eacute; assim que o porn&ocirc; com animais se inscreveria dentro daquilo que Gregori (2010:3) caracterizou como <i>limites da sexualidade</i>, isto &eacute;, "a zona fronteiri&ccedil;a onde habitam norma e transgress&atilde;o, consentimento e abuso, prazer e dor". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, o porn&ocirc; com animais &eacute; um mercado que coloca em disputa diversos limites: morais, &eacute;ticos, sexuais, e em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, sanit&aacute;rios, este &uacute;ltimo na medida em que todo sexo feito sem prote&ccedil;&atilde;o, e certamente em se tratando de animais, coloca para seus praticantes a quest&atilde;o do risco de cont&aacute;gio de doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis. H&aacute; ali estabelecida outra tens&atilde;o: para algumas pessoas do meio pesquisado, os cachorros s&atilde;o considerados mal cheirosos, sujos, especialmente pelas quantidades de saliva que produzem espontaneamente. H&aacute; quem acredite nesse universo que os c&atilde;es s&atilde;o portadores de gonorreia desde o nascimento. Sendo assim, vemos que, por um lado, os cachorros possibilitam o surgimento de discursos de humaniza&ccedil;&atilde;o por se tratarem de animais pr&oacute;ximos e conhecidos. Mas por outro lado, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel pensar que justamente por serem vistos como sujos s&atilde;o os eleitos para transar com mulheres e travestis, e talvez isso tenha a ver com o paradigma da <i>humilha&ccedil;&atilde;o</i>, t&atilde;o caro &agrave; pornografia do fetiche.<a name="21b"></a><a href="#21a"><sup>21</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar, desejo enfatizar o quanto a pornografia tem necessidade de brincar com a alteridade. Da&iacute;, os in&uacute;meros segmentos do mercado e as m&uacute;ltiplas subdivis&otilde;es que v&atilde;o aparecendo em uma din&acirc;mica que parece nunca acabar. Nesse jogo de criatividade na representa&ccedil;&atilde;o da alteridade, a pornografia busca superar-se a si mesma. O emergente mercado de sexo com alien&iacute;genas &eacute; um exemplo desta quest&atilde;o: se, no porn&ocirc;, os animais podem representar nossos monstros e gerar discursos de monstruosidade, o porn&ocirc; com alien&iacute;genas leva essa ideia ao paroxismo, ao colocar humanos (novamente mulheres em sua maioria) fazendo sexo com seres "radicalmente desconhecidos", verdadeiros forasteiros cujos corpos (com todas as suas antenas, escamas e formas h&iacute;bridas entre r&eacute;pteis, anf&iacute;bios e aves) representam os limites da monstruosidade, e assim, os limites de uma sexualidade monstruosa. No entanto, algo precisa ser dito. O porn&ocirc; com "nojentos alien&iacute;genas" desperta o asco, sem d&uacute;vida, mas tamb&eacute;m d&aacute; espa&ccedil;os para o riso. Justamente porque quem assiste a esses filmes sabe que se trata de uma montagem ou de um humano fantasiado de alien (por mais horrorosa que seja a fantasia), havendo assim um simulacro de corporalidade extraterrestre, na qual o riso &eacute; poss&iacute;vel na parodia ao grotesco. O mesmo n&atilde;o ocorre com os animais, essas performances raramente sendo recebidas com humor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que &eacute; despertado pelo porn&ocirc; com animais s&atilde;o met&aacute;foras de horror, n&atilde;o porque seja simplesmente "nojento", mas porque permanece nos limites da sexualidade com todas as suas dicotomias: prazer, dor, abuso, animal humanizado, animal que &eacute; besta, humano que, na procura desses prazeres, se animaliza. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O horror adv&eacute;m da desconex&atilde;o entre o corpo humano e o corpo animal, da possibilidade de se aceitar que talvez possam se comunicar e ter prazer. Estabelece-se a&iacute; uma tens&atilde;o, uma vez que se trata de corpos distintos cujas barreiras, em mat&eacute;ria de sexualidade espera-se que sejam intranspon&iacute;veis. O horror adv&eacute;m da probabilidade de conceber o corpo do animal como desej&aacute;vel. Porque desej&aacute;-lo talvez signifique humaniz&aacute;-lo, ou pior ainda,  porque n&atilde;o humaniz&aacute;-lo possa se traduzir na aceita&ccedil;&atilde;o do desvio, de que o que se deseja mesmo &eacute; uma besta. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ANTUNES, Guilherme. Sobre pets e 'p&aacute;rias': pensando natureza e sociedade atrav&eacute;s de ontologias caninas. In: <i>Mem&oacute;rias das Jornadas de Antropologia da Unicamp</i>. 2011. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://antropologias.descentro.org/seminarioppgas/" target="_blank">http://antropologias.descentro.org/seminarioppgas/</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0104-8333201200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BECKER, Howard. <i>Los extra&ntilde;os: sociolog&iacute;a de la desviaci&oacute;n</i>. Buenos Aires, Tiempo contempor&acirc;neo, 1971 &#91;1963&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0104-8333201200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL, Samantha da Silva. Festa boa pra cachorro: rela&ccedil;&otilde;es entre humanos e n&atilde;o-humanos no ambiente urbano. In: Mem&oacute;rias da <i>26ª Reuni&atilde;o Brasileira de Antropologia,</i> 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0104-8333201200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CALHAU, L&eacute;lio Braga. Meio ambiente e tutela penal nos maus-tratos contra animais. <i>Revista Jus Navigandi</i>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://jus.com.br/revista/texto/5585/meio-ambiente-e-tutela-penal-nos-maus-tratos-contra-animais/2" target="_blank">http://jus.com.br/revista/texto/5585/meio-ambiente-e-tutela-penal-nos-maus-tratos-contra-animais/2</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0104-8333201200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COETZE, J.M. <i>A vida dos animais</i>. S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0104-8333201200010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DEKKERS, Midas. <i>Dearest Pet. On bestiality.</i> London, New York, Verso, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0104-8333201200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DESCOLA, Philippe. Estrutura ou sentimento: A rela&ccedil;&atilde;o com o animal na Amaz&ocirc;nia. <i>Mana</i>, vol. 1, nº 4, S&atilde;o Paulo, 1998, pp.23-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0104-8333201200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DIAZ-BENITEZ, Mar&iacute;a Elvira. <i>Nas Redes do sexo: os bastidores do porn&ocirc; brasileiro</i>. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0104-8333201200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DOUGLAS, Mary. <i>Pureza y Peligro</i>: <i>un an&aacute;lisis de los conceptos poluci&oacute;n y tab&uacute;.</i> Madrid, Siglo XXI, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0104-8333201200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FALEIROS, Silveria Eva T.; CAMPOS, Josete de Oliveira. <i>Repensando os conceitos de viol&ecirc;ncia, abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e de adolescentes</i>. Bras&iacute;lia, Cecria/MJ-SEDH-DCA/FBB/Unicef, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0104-8333201200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FOUCAULT, Michel. <i>Historia de la Sexualidad. La Voluntad del saber</i>, vol. 1. M&eacute;xico, Siglo Veintiuno, 1991 &#91;1976&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0104-8333201200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GARCIA, Esteban. Pol&iacute;ticas e prazeres dos fluidos masculinos: <i>barebacking</i>, esportes de risco e terrorismo biol&oacute;gico. In: D&Iacute;AZ--BEN&Iacute;TEZ, Maria Elvira e F&Iacute;GARI, Carlos. <i>Prazeres Dissidentes</i>. Rio de Janeiro, Editora Garamond, 2009, pp.537-566.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0104-8333201200010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GREGORI, Maria Filomena Prazeres perigosos: erotismo, g&ecirc;nero e limites da sexualidade. Tese de livre doc&ecirc;ncia, Departamento de Antropologia, IFCH, Universidade Estadual de Campinas, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0104-8333201200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Prazer e Perigo: Notas sobre feminismo, Sex-Shops e S/M. In: PISCITELLI, Adriana, GREGORI, Maria Filomena e CARRARA, Sergio. (orgs) <i>Sexualidades e saberes: Conven&ccedil;&otilde;es e fronteiras</i>. Rio de Janeiro, Editora Garamond, 2004, pp.235-256.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0104-8333201200010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Rela&ccedil;&otilde;es entre viol&ecirc;ncia e erotismo. <i>Cadernos Pagu</i> (20), Campinas-SP, N&uacute;cleo de Estudos de G&ecirc;nero-Pagu/Unicamp, 2003, pp.87-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0104-8333201200010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HARAWAY, Donna. <i>When Species Meet</i>. Minneapolis, University of Minnesota Press, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0104-8333201200010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">INGOLD, Tim. Humanidade e animalidade. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>nº 28, S&atilde;o Paulo, junho 1995, pp.1-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0104-8333201200010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KAYSER, Wolfgang. <i>O grotesco</i>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0104-8333201200010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KEMPADOO, Kemala. <i>Gender, race and sex: exoticism in the Caribbean</i>. Paper apresentado no Simp&oacute;sio internacional <i>O desafio da diferen&ccedil;a:  articulando g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe , realizado em</i> Salvador-BA, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0104-8333201200010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KULICK, Don. Animais gordos e a dissolu&ccedil;&atilde;o da fronteira entre as esp&eacute;cies. <i>Revista Mana ,</i> 15 (2), Rio de Janeiro, 2009, pp.481-508.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0104-8333201200010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Travesti: prostitui&ccedil;&atilde;o, sexo, g&ecirc;nero e cultura no Brasil. </i>Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0104-8333201200010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LANDINI, Tatiana. Pedofilia e Pornografia Infantil: algumas notas. In: PISCITELLI, Adriana, GREGORI, Maria Filomena e CARRARA, Sergio. (orgs.) <i>Sexualidades e saberes: Conven&ccedil;&otilde;es e fronteiras</i>. Rio de Janeiro, Garamond Universit&aacute;ria, 2004, pp.319-344.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0104-8333201200010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEACH, Edmund. Aspectos antropol&oacute;gicos da linguagem: categorias animais e insultos verbais. In: DAMATTA, Roberto. <i>Edmund Leach: Antropologia</i>. S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0104-8333201200010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEITE, Jorge. <i>Das maravilhas e prod&iacute;gios sexuais. </i>A pornografia bizarra como entretenimento. S&atilde;o Paulo, Fapesp/Annablume, 2006a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0104-8333201200010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. O melhor de dois mundos. Sexualidade, entretenimento e pornografia com travestis. Anais do <i>Encontro Internaconal Fazendo G&ecirc;nero 7,</i> Universidade Federal de Santa Catarina, 2006b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0104-8333201200010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LIMA, T&acirc;nia Stolze. Para uma teoria etnogr&aacute;fica da distin&ccedil;ao entre natureza e cultura na cosmologia Juruna. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, vol. 14 nº 40, S&atilde;o Paulo, junho 1999, pp.43-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0104-8333201200010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOWEKRON, Laura. Menina ou Mo&ccedil;a. Menoridade e consentimento sexual em uma decisao do STF. Trabalho apresentado na 26ª <i>Reuni&atilde;o Brasileira de Antropologia</i>, realizada em Porto Seguro-BA, 2008a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0104-8333201200010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Sexualidade e (Menor)Idade: Estrat&eacute;gias de Controle Social em Diferentes Escalas. Tese de doutorado em Antropologia, PPGAS Museu Nacional, UFRJ, Rio de Janeiro, 2008b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0104-8333201200010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PEL&Uacute;CIO, Larissa. Travestis brasileiras: singularidades nacionais, desejos transnacionais. Trabalho apresentado na <i>26ª Reuniao brasileira de antropologia</i>, realizada em Porto Seguro-BA, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0104-8333201200010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SAHLINS, Marshall. A prefer&ecirc;ncia de comida e o tabu nos animais dom&eacute;sticos americanos. In:<i>Cultura e raz&atilde;o pr&aacute;tica,</i> Rio de Janeiro, Zahar, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0104-8333201200010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RUBIN, Gayle. Thinking sex: notes for a radical theory of politics of sexuality. In: VANCE, Carol. (org.) <i>Pleasure and Danger</i>: Exploring Female Sexuality. Nova York, Routledge, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0104-8333201200010000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. The Catacombs: A Temple of the Butthole. In: THOMPSON, Mark. (org.) <i>Leatherfolk: Radical Sex, People, Politics and Practice</i>. Los Angeles, Alyson Books, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0104-8333201200010000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RUSSO, Jane. Do desvio ao transtorno: a medicaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade na nosografia psiqui&aacute;trica contempor&acirc;nea. In: PISCITELLI, Adriana, GREGORI, Maria Filomena e CARRARA, Sergio. (orgs.) <i>Sexualidades e  saberes: Conven&ccedil;&otilde;es e fronteiras</i>. Rio de Janeiro, Garamond Universit&aacute;ria, 2004, pp.95-114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0104-8333201200010000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VANDER VELDEN, F. F. Inquietas Companhias: sobre os animais de cria&ccedil;&atilde;o entre os Karitiana. Tese de Doutorado em Antropologia, IFCH, Universidade Estadual de Campinas, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0104-8333201200010000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Nota sobre zoofilia na hist&oacute;ria dos Karitiana. <i>Revista Primeira Vers&atilde;o</i>, ano IX, nº 270, vol XXX, Porto Velho, outubro 2010, pp.3-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0104-8333201200010000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VERGOTTI, Mayra. "ireitos animais e o remodelamento das fronteiras pol&iacute;ticas entre os mundos humano e n&atilde;o-humano. In: <i>Mem&oacute;rias das Jornadas de Antropologia da Unicamp,</i> 2011. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://antropologias.descentro.org/seminarioppgas/" target="_blank">http://antropologias.descentro.org/seminarioppgas/</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0104-8333201200010000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIANNA, Adriana e LACERDA, Paula. <i>Direitos e pol&iacute;ticas sexuais no Brasil:  o panorama atual</i>. Rio de Janeiro, CEPESC, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0104-8333201200010000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIGARELLO, Georges. <i>Hist&oacute;ria do Estupro: viol&ecirc;ncia sexual nos s&eacute;culos XVI-XX</i>. Rio de Janeiro, Zahar, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0104-8333201200010000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIVEIROS DE CASTRO, E. <i>Arawet&eacute;: os deuses canibais</i>. Rio de Janeiro, Zahar/ANPOCS, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0104-8333201200010000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZILLI, Bruno Dallacort. A pervers&atilde;o domesticada: Estudo do discurso de legitima&ccedil;&atilde;o do BDSM na Internet e seu di&aacute;logo com a Psiquiatria. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Medicina Social, PPGSC/UERJ, Rio de Janeiro, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0104-8333201200010000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">_______. BDSM da A a Z: A despatologiza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do consentimento os 'manuais' da internet. In: D&Iacute;AZ-BEN&Iacute;TEZ, Maria Elvira e F&Iacute;GARI, Carlos. <i>Prazeres Dissidentes</i>. Rio de Janeiro, Garamond, 2009, pp.481-508.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0104-8333201200010000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em 02 de outubro de 2011, aceito em 01 de novembro de 2011. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a><a href="#nta">*</a> Para a elabora&ccedil;&atilde;o deste artigo, foram de grande colabora&ccedil;&atilde;o as cr&iacute;ticas e sugest&otilde;es que recebi dos participantes do grupo <i>Sexualidade e g&ecirc;nero: sociabilidade, erotismo e pol&iacute;tica,</i> da Anpocs, especialmente as de S&eacute;rgio Carrara, Isadora Fran&ccedil;a, Regina Facchini, Luiz Fernando Dias Duarte e Carolina Branco. Agrade&ccedil;o a Guilherme Antunes, Roberto Efrem e Eder Parladore pela sugest&atilde;o de bibliografia, pela troca de ideias e pelos esclarecimentos a respeito de leis e estatutos jur&iacute;dicos sobre os direitos dos animais. Outras dicas importantes vieram de Adriana Piscitelli, Laura Lowekron, Christiano Tambascia, Jonathan Jackson, Rafael Guti&eacute;rrez e Jos&eacute; Ram&oacute;n Diaz Ben&iacute;tez, aos quais sou igualmente grata. Finalmente, um agradecimento muito especial para Jorge Leite Jr. e para Maria Filomena Gregori, meus principais interlocutores.    <br>   <a name="1a"></a><a href="#1b">1</a> T&iacute;tulos como <i>Gostosonas</i> (s&eacute;rie de mulheres obesas), Vov&ocirc; &eacute; foda (protagonizado por mulheres idosas), <i>Sugando tudo</i> (em cuja capa h&aacute; uma mulher jovem fazendo sexo oral em um idoso mag&eacute;rrimo), <i>O clube das peludas</i> (com mulheres com vaginas repletas de pelos) e <i>Aquiles sex machine</i> (cujo protagonista &eacute; um an&atilde;o vestido de punk) etc.    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a> No DSM-IV, Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico dos Transtornos Mentais, da American Physiatric Association, a zoofilia aparece como F65.9 Parafilia n&atilde;o especificada (302.9). Citando o manual: "Esta categoria codifica as parafilias que n&atilde;o cumprem os crit&eacute;rios para nenhuma das categorias espec&iacute;ficas. Como exemplos destas parafilias, cabe mencionar (embora n&atilde;o se limitem a): a escatologia telef&ocirc;nica (liga&ccedil;&otilde;es obscenas), a necrofilia (cad&aacute;veres), o parcialismo (aten&ccedil;&atilde;o centrada exclusivamente em uma parte do corpo), a zoofilia (animais), a coprofilia (fezes), a clismafilia (enemas) e a urofilia (urina)" (p. 586).    <br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a> Vale a pena lembrar que os prazeres entre humanos e animais no cinema n&atilde;o s&atilde;o um invento do porn&ocirc;. S&atilde;o diversos os filmes que retratam rela&ccedil;&otilde;es afetivo/sexuais entre membros de ambas as esp&eacute;cies, as d&eacute;cadas de 1970 e 1980 sendo particularmente ricas nessas representa&ccedil;&otilde;es. Vale lembrar de <i>King Kong</i>, filme estreado em 1933, no qual o famoso gorila da<i> Ilha</i> da Caveira se apaixona por Anne Darrow, chegando a morrer metralhado em cima do Empire State, logo ap&oacute;s carregar sua amada com a m&atilde;o esquerda, naquela famosa cena que se converteu em um &iacute;cone da s&eacute;tima arte. <i>Pink Flamingos</i>, de 1972, dirigido por John Waters, dentro de uma est&eacute;tica trash, narra a hist&oacute;ria de uma diva drag, chamada Divine, considerada a "pessoa mais nojenta do mundo". Neste filme foram postos em cena v&aacute;rios tabus: estupro, incesto, fetichismo, voyeurismo, escatologia e finalmente zoofilia, em uma &uacute;nica cena na qual um casal faz sexo com galinhas. Everything you always wanted to know about sex but were afraid to ask, de Woody Allen (1972), narra a hist&oacute;ria de um doutor que se apaixona por uma ovelha. Em 1973, o dramaturgo brit&acirc;nico Peter Shaffer escreveu <i>Equus</i>, pe&ccedil;a que relata a rela&ccedil;&atilde;o entre um psiquiatra e um adolescente que sente fascina&ccedil;&atilde;o sexual quase m&iacute;stica por cavalos. A obra foi levada ao cinema em 1977 e dirigida por Sidney Lumet. A obra <i>La B&ecirc;te</i> (1974), de Walerian Borowczyk, narra a hist&oacute;ria de uma mulher que recha&ccedil;a as investidas de uma besta, mas que, ao ser estuprada por ela, experimenta enormes prazeres ocasionados pela agressividade do ato. No filme<i> Cal&iacute;gula</i>, do diretor Tinto Bras, de 1979, j&aacute; apareciam insinuantes epis&oacute;dios sexuais incluindo animais dentro dos prazeres e excentricidades protagonizados por aquele imperador. Em 1986, o diretor Nagisa Oshima lan&ccedil;ou<i> Max, Mon Amour</i>, hist&oacute;ria que retrata as tens&otilde;es de um casamento no momento em que o marido descobre que sua mulher, Margaret, tem como amante um chimpanz&eacute; chamado Max, e que ambos est&atilde;o vivenciando uma atra&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria. No filme <i>Emanuelle in Am&eacute;rica</i>, do diretor Joe D'Amato (1977), por sua vez, foi retratada uma cena sexual entre uma mulher e um cavalo. &Eacute; not&oacute;rio que, enquanto no cinema convencional diminu&iacute;ram, nos &uacute;ltimos vinte anos, as hist&oacute;rias que narravam esse tipo de rela&ccedil;&otilde;es, o cinema porn&ocirc;, que gravita em torno dessas mesmas hist&oacute;rias, se consolidou e as converteu em um fecundo segmento do mercado. Nesse crescimento, o Brasil ocupa um lugar de destaque, a partir da d&eacute;cada de 1980, que colocou em cena uma filmografia herdeira do <i>Cinema da Boca</i> na qual o erotismo entre humanos (especialmente mulheres) e animais (especialmente cavalos e cachorros) era o centro das narrativas. O filme <i>Mulher Mulher</i>, de Jean Garret (1977), pode ser considerado o precursor desta tem&aacute;tica, ao mostrar uma &uacute;nica cena em que um cavalo lambe os seios de uma mulher. Ao longo da d&eacute;cada de 1980, o diretor Juan Bajon produziu um total de 11 filmes que contemplavam a fantasia feminina de fazer sexo com cavalos. Nessa &eacute;poca, a atriz Sandra Moirelles ficou conhecida por suas famosas cenas er&oacute;ticas com animais. O filme 24 horas de <i>sexo</i> expl&iacute;cito, de Jos&eacute; Mojica Marins (1985), tamb&eacute;m incluiu cenas em que, apesar de o sexo entre pessoas e animais n&atilde;o ser expl&iacute;cito como o restante das pr&aacute;ticas, era claramente insinuado em meio a pitadas de humor. Sua continua&ccedil;&atilde;o, o filme 48 horas de sexo alucinante, do mesmo diretor (1987), seguiu a mesma f&oacute;rmula, mudando o foco para o sexo expl&iacute;cito entre um homem e uma mulher encarnando o corpo de um touro e de uma vaca. Nesse meio tempo, em 1986, foi lan&ccedil;ado o filme <i>Alucina&ccedil;&otilde;es sexuais de um macaco </i>(Cust&oacute;dio Gomes, 1986), que retrata as fantasias sexuais de uma mulher com esse animal (desta vez <i>fake</i>, personificado pelo ator conhecido como Chumbinho da Boca do Lixo). Finalmente, o filme <i>Mulheres taradas por animais,</i> do diretor Ody Fraga, de 1989, destaca-se por somar ao repert&oacute;rio de animais convencionais uma anta e um le&atilde;o.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="4a"></a><a href="#4b">4</a> &Eacute; poss&iacute;vel conhecer o Decreto em sua totalidade no seguinte link: &lt;<a href="http://www.forumnacional.com.br/decr_24645_de_10_07_1934.pdf" target="_blank">http://www.forumnacional.com.br/decr_24645_de_10_07_1934.pdf</a>&gt;. &Eacute; importante perceber que a tem&aacute;tica da sexualidade com animais n&atilde;o aparece ao longo do Decreto, nem &eacute; inclu&iacute;da dentro das pautas que constituem os maus-tratos.    <br>   <a name="5a"></a><a href="#5b">5</a> No C&oacute;digo Penal Brasileiro de 1890, as ofensas sexuais estavam enquadradas como "crimes contra a seguran&ccedil;a da honra e honestidade das fam&iacute;lias e do ultraje p&uacute;blico ao pudor", n&atilde;o sendo consideradas ofensa contra a pessoa (mulher) violentada em si.    <br>   <a name="6a"></a><a href="#6b">6</a> Acr&ocirc;nimo que engloba uma diversidade de atividades er&oacute;ticas: "B &eacute; para bondage, ou imobiliza&ccedil;&atilde;o, geralmente com cordas ou algemas; o par B e D &eacute; para bondage e disciplina, o uso de fantasias er&oacute;ticas de castigos e puni&ccedil;&otilde;es, que se ligam ao par D e S, que representa domina&ccedil;&atilde;o e submiss&atilde;o. S&atilde;o fantasias de 'entrega' a um parceiro sexual e jogos de representa&ccedil;&atilde;o de humilha&ccedil;&atilde;o e viola&ccedil;&atilde;o. S e M s&atilde;o as inicias de sadismo e masoquismo, ou de sadomasoquismo - o uso de dor como est&iacute;mulo er&oacute;tico. BDSM envolve ainda pr&aacute;ticas ligadas ao fetichismo" (Zilli, 2009:481).    <br>    <a name="7a"></a><a href="#7b">7</a> Como &eacute; explicado no pre&acirc;mbulo da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a: "Considerando que a crian&ccedil;a deve estar plenamente preparada para uma vida independente na sociedade e deve ser educada de acordo com os ideais proclamados na Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, especialmente com esp&iacute;rito de paz, dignidade, toler&acirc;ncia, liberdade, igualdade e solidariedade; tendo em conta que <b>a necessidade de proporcionar &agrave; crian&ccedil;a uma prote&ccedil;&atilde;o especial</b> foi enunciada na Declara&ccedil;&atilde;o de Genebra de 1924 sobre os Direitos da Crian&ccedil;a e na Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a adotada pela Assembleia Geral em 20 de novembro de 1959, e reconhecida na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, no Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol&iacute;ticos (em particular nos artigos 23 e 24), no Pacto Internacional de Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais (em particular no artigo 10) e nos estatutos e instrumentos pertinentes das Ag&ecirc;ncias Especializadas e das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que se interessam pelo bem-estar da crian&ccedil;a; tendo em conta que, conforme assinalado na Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a, '<i>a crian&ccedil;a, em virtude de sua falta maturidade f&iacute;sica e mental, necessita de prote&ccedil;&atilde;o e cuidados especiais</i>, inclusive a devida prote&ccedil;&atilde;o legal, tanto antes quanto ap&oacute;s seu nascimento'" (grifos meus).    <br>   <a name="8a"></a><a href="#8b">8</a> A penaliza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica no Brasil para delitos sexuais com crian&ccedil;as &eacute; extensa e complexa. Vejamos: <i>Delito de estupro de vulner&aacute;vel</i>: Art. 217-A do C&oacute;digo Penal (1940) inclu&iacute;do pela Lei nº 12.015 de 2009. Delito de corrup&ccedil;&atilde;o de menores: art. 218 do C&oacute;digo Penal, presente com altera&ccedil;&otilde;es na Lei nº 12.015 de 2009. Delito de <i>satisfa&ccedil;&atilde;o de lasc&iacute;via mediante presen&ccedil;a de crian&ccedil;a ou adolescente</i>: art. 218-A, inclu&iacute;do pela Lei nº 12.015 de 2009. Crime de<i> submeter crian&ccedil;a ou adolescente &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o ou &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual: art. 244-A do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente</i> - ECA (1990), presente na Lei 9975 de 26 de junho de 2000. O delito de produ&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o de<i> cenas de sexo expl&iacute;cito ou pornogr&aacute;fico </i>com crian&ccedil;as ou adolescentes foi tipificado pelos artigos 240 e 241 do ECA (1990). Desde ent&atilde;o, este vem sendo alterado mediante a inclus&atilde;o e a defini&ccedil;&atilde;o de novas condutas relacionadas, novos tipos penais e o aumento das penas dos respons&aacute;veis. Ver arts. 241-A, 241-B, 241-C, 241-D e 241-E.    <br>   <a name="9a"></a><a href="#9b">9</a> Ver Ingold, 1995.    <br>   <a name="10a"></a><a href="#10b">10</a> Quest&otilde;es que J. M. Coetze coloca em <i>A vida dos animais</i>, por meio de sua personagem principal, Elizabeth Costello, e &agrave;s quais tampouco traz respostas por serem demasiado filos&oacute;ficas para seus prop&oacute;sitos, mas que englobam sua discuss&atilde;o sobre os direitos dos animais.    <br>   <a name="11a"></a><a href="#11b">11</a> Agrade&ccedil;o Roberto Efrem pelos esclarecimentos a este respeito. Ver a Lei de Introdu&ccedil;&atilde;o ao <i>C&oacute;digo Civil Brasileiro</i>. Art. 1: "Toda pessoa &eacute; capaz de direitos e deveres na ordem civil". Art. 2: "A personalidade civil da pessoa come&ccedil;a do nascimento com vida; mas a lei p&otilde;e a salvo, desde a concep&ccedil;&atilde;o, os direitos do nascituro".    <br>   <a name="12a"></a><a href="#12b">12</a> No Brasil, a prote&ccedil;&atilde;o da fauna vem sendo garantida por diversos instrumentos legislativos (C&oacute;digo de Ca&ccedil;a, C&oacute;digo de Pesca, Lei de Contraven&ccedil;&otilde;es Penais) e, a partir de 1988, a tutela jur&iacute;dica dos animais passou a ter status constitucional (Calhau, 2003).    <br>   <a name="13a"></a><a href="#13b">13</a> A antrop&oacute;loga Mayra Vergotti (2011:6) explica: "Assim, o uso do termo 'direito' se torna uma ferramenta para os ativistas, quando percebem que n&atilde;o existe uma proximidade afetiva (alguns vegetarianos chamam de 'empatia') largamente difundida". Para ativistas, explica a autora, respeito e &eacute;tica devem ser moralmente garantidos. "Existe hoje o termo '&eacute;tica animalista', que se refere a uma empreitada de fil&oacute;sofos contempor&acirc;neos (e tamb&eacute;m de psic&oacute;logos, advogados e outros intelectuais), que est&atilde;o construindo uma base filos&oacute;fica, na qual os animais s&atilde;o inclu&iacute;dos formalmente em nossa moralidade".    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="14a"></a><a href="#14b">14</a> Agrade&ccedil;o Guilherme Antunes pelos esclarecimentos a esse respeito.    <br>   <a name="15a"></a><a href="#16b">15</a> Em um artigo sobre as pr&aacute;ticas de sexo entre ind&iacute;genas karitiana e cadelas, o antrop&oacute;logo Felipe Vander Velden (2010: 7) escreve: "Arrisco-me a sugerir que a conjun&ccedil;&atilde;o carnal com c&atilde;es, por mais exc&ecirc;ntrica que pare&ccedil;a, &eacute; plenamente aceit&aacute;vel - ainda que ridicularizada - sob a &oacute;tica karitiana porque o cachorro dom&eacute;stico n&atilde;o est&aacute; fora do universo humanizado; ele &eacute; parte integral desse mundo socializado ou, melhor dizendo, o cachorro &eacute; a pr&oacute;pria dobradi&ccedil;a entre o mundo n&atilde;o humano, predat&oacute;rio e perigoso do mato, e o contexto familiar, seguro e organizado da aldeia".    <br>   <a name="16a"></a><a href="#16b">16</a> O acr&ocirc;nimo MILF, do ingl&ecirc;s Mom I'd Like to Fuck (traduz-se, na maior parte da hispano-am&eacute;rica como MQMC, <i>Mam&aacute; Que Me Coger&iacute;a.</i> Na Espanha como MQMF, <i>Madre Que Me Follar&iacute;a</i>, faz refer&ecirc;ncia &agrave;s mulheres que em uma idade relativamente avan&ccedil;ada (na pornografia, de 30 a 50 anos) s&atilde;o atrativas e sexualmente desej&aacute;veis (Fonte: Wikipedia).    <br>   <a name="17a"></a><a href="#18b">17</a> No caso do Brasil, ela tamb&eacute;m costuma ser associada a comportamentos tradicionais (selvagens e incompreens&iacute;veis) levados a cabo em sociedades rurais por "caipiras", e/ou por pessoas carentes de uma educa&ccedil;&atilde;o formal. Delimita-se assim que aquilo acontece l&aacute;, no campo, onde a civiliza&ccedil;&atilde;o pouco chegou, a ponto de se conceber que, nesses contextos, se trate de um comportamento at&eacute; mesmo esperado, sendo comum por exemplo, como uma pr&aacute;tica de inicia&ccedil;&atilde;o sexual para rapazes. A quest&atilde;o &eacute; que nas narrativas da tradi&ccedil;&atilde;o popular, s&atilde;o homens que transam com animais f&ecirc;meas, sendo o contr&aacute;rio - mulheres transando com animais machos - concebido como contraven&ccedil;&atilde;o. &Eacute; justamente essa contraven&ccedil;&atilde;o social que surge nos filmes aqui descritos.    <br>   <a name="18a"></a><a href="#18b">18</a> Essas dicotomias ultrapassariam a percep&ccedil;&atilde;o de seus corpos. Em sua etnografia, Don Kulick (2008) argumentou que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s travestis, grande parte da popula&ccedil;&atilde;o nacional divide-se sentimentalmente entre o amor e o &oacute;dio. Do mesmo modo como, nos anos 1980, Roberta Close ascendeu &agrave; categoria de <i>diva</i>, sendo consagrada e admirada por multid&otilde;es, a sociedade promove cotidianamente manifesta&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o e at&eacute; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica contra estes indiv&iacute;duos. "As pessoas n&atilde;o conseguem definir o que seria uma travesti. Essa dificuldade em localiz&aacute;-las em uma defini&ccedil;&atilde;o segura de g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual as faz fascinantes e perigosas, sedutoras e poluidoras, com sens&iacute;vel predomin&acirc;ncia dos segundos termos dessas d&iacute;ades" (Pel&uacute;cio, 2008:6).    <br>   <a name="19a"></a><a href="#19b">19</a> Minha hip&oacute;tese &eacute; a de que, talvez, quem queira procurar excita&ccedil;&atilde;o basicamente no animal busque assistir sexo entre animais, filmes estes facilmente encontrados na Internet.    <br>   <a name="20a"></a><a href="#22b">20</a> Isso nos faz lembrar <i>The Catacombs</i> (Rubin, 2001), um clube de sexo aberto nos anos 70, em S&atilde;o Francisco, voltado para o S/M, no qual eram tomados diversos cuidados, como o teste de objetos e t&eacute;cnicas, para garantir o prazer dos corpos em meio a uma experi&ecirc;ncia sexual radical. Ali, at&eacute; mesmo certas modalidades de dor eram estudadas e convencionadas (Gregori, 2010).    <br> <a name="21a"></a><a href="#21b">21</a> Esta &eacute; uma hip&oacute;tese a ser desenvolvida. H&aacute; um enorme leque de fetiches no porn&ocirc; baseado na dupla escravo/dominador - no qual se destacam diversos tipos de sufoca&ccedil;&otilde;es, engasgamentos, pisadas, batidas etc. - que n&atilde;o deve ser confundido com as pr&aacute;ticas S/M nem com a ideologia a seu redor. Tampouco se trata da humilha&ccedil;&atilde;o como entenderam Catharine Mackinnon e Andrea Dworkin na cria&ccedil;&atilde;o das bases do feminismo conhecido como radical, n&atilde;o somente porque nestes fetiches quando se trata de duplas homem/mulher, geralmente, s&atilde;o as mulheres as dominadoras, mas tamb&eacute;m porque est&aacute; sujeito a par&oacute;dias, transgress&otilde;es e negocia&ccedil;&otilde;es de sentido, de modo algum simbolizando a degrada&ccedil;&atilde;o feminina de modo literal.</font></p>      ]]></body><back>
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