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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Jos&eacute;    Newton Coelho Meneses</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Departamento de    Hist&oacute;ria. UFMG, Av. Ant&ocirc;nio Carlos, 6627, Belo Horizonte. MG. 31270-901.    Brasil. <a href="mailto:jnmeneses@uol.com.br">jnmeneses@uol.com.br</a>. Organizador</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Pensar    sobre a materialidade e n&atilde;o apenas    <br>   a cultura material &eacute; um bom ponto de partida.</i>    <br>   Arjun Appadurai<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As coisas existem    e exigem gestos. O homem as inventa, as torna &uacute;teis e elas participam    de sua sobreviv&ecirc;ncia e atendem &agrave;s suas necessidades. Elas s&atilde;o    por ele manipuladas como instrumentos de viv&ecirc;ncia, mas dele requerem gestos    artesanais: as t&eacute;cnicas. As coisas conformam a materialidade da cultura,    mas, tamb&eacute;m, s&atilde;o conformadas por significados que v&atilde;o al&eacute;m    de sua concretude. Elementos materiais de nossa cultura e a relev&acirc;ncia    de seus significados identit&aacute;rios s&atilde;o os objetos de reflex&atilde;o    do presente Dossi&ecirc;. Se <i>campo</i> ou <i>abordagem</i>, se <i>dom&iacute;nio</i>    ou <i>enfoque</i>, se <i>plataforma</i> ou <i>subdisciplina</i>, a tradicionalmente    denominada <i>cultura material</i> &eacute; objeto importante da hist&oacute;ria    e aqui &eacute; tratada como fundamental <i>perspectiva de an&aacute;lise</i>    da hist&oacute;ria social da cultura em uma <i>dimens&atilde;o</i> pluridisciplinar    que articula materialidade, imagin&aacute;rio, simbologia, gestualidade, identidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente Dossi&ecirc;,    <i>Elementos materiais da cultura e patrim&ocirc;nio</i>, al&eacute;m de tudo,    busca focar os elementos materiais da cultura como documentos de realidades    sociais, n&atilde;o como reflexos destes, mas integrados &agrave; sua constru&ccedil;&atilde;o.    Os objetos, assim, n&atilde;o s&atilde;o apenas fetiches ou simples detentores    de sentidos sociais deslocados de seus usos. Como quer V&acirc;nia Carvalho,</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">o artefato, como      qualquer documento, deve ser compreendido na sua intertextualidade, ou seja,      dentro de um conjunto amplo de enunciados que d&atilde;o sentido, valor, induzem      e instrumentalizam as pr&aacute;ticas.<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tem&aacute;ticas    ligadas &agrave; <i>cultura material</i> t&ecirc;m sido recorrentes no campo    da Hist&oacute;ria, a cada tempo e em cada lugar privilegiando temas vinculados    &agrave; arte, &agrave;s t&eacute;cnicas, aos significados sociais do cotidiano,    &agrave; domesticidade ou &agrave; vida privada, &agrave;s condutas comerciais,    aos processos alimentares, aos consumos do homem etc. Embora n&atilde;o haja    efetividade na busca de propostas definitivas de conceitua&ccedil;&atilde;o    do termo, ele sempre aparece como uma nova possibilidade do fazer historiogr&aacute;fico.    Optando pela obviedade (par&acirc;metro que n&atilde;o pode ser negligenciado    na tem&aacute;tica da materialidade da cultura), resumir&iacute;amos que <i>cultura    material</i> &eacute; o complexo e din&acirc;mico repert&oacute;rio do que os    homens s&atilde;o capazes de produzir, fazer circular e consumir. Tais dimens&otilde;es    das a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o apenas sinalizam a(s) funcionalidade(s) da    cria&ccedil;&atilde;o humana, como tamb&eacute;m denotam os diferentes significados    atribu&iacute;dos a um dado artefato por uma comunidade e/ou sociedade ao longo    do tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conjunto de textos    deste dossi&ecirc; busca subsidiar as reflex&otilde;es sobre a tem&aacute;tica    e objetiva mostrar a amplitude de suas perspectivas nos estudos hist&oacute;ricos.    Tem como objeto os <i>elementos materiais da cultura</i> - express&atilde;o    mais condizente com uma proposta de que o homem, ao construir culturas, faz    coisas concretas e essas s&atilde;o dignas de serem historiadas, oferecendo    possibilidades de constru&iacute;rem-se como manifesta&ccedil;&otilde;es sociais    identit&aacute;rias que nomeamos de <i>patrim&ocirc;nio cultural</i> - material    e <i>imaterial</i>. Essa &uacute;ltima express&atilde;o vem nomeando os valores,    os s&iacute;mbolos, os modos de fazer e as t&eacute;cnicas decorrentes dessa    materialidade da vida. A nosso ver, no entanto, n&atilde;o podem ser dissociados    dela. N&atilde;o h&aacute;, a rigor, uma cultura que se possa cindir entre o    material e o imaterial. O chamado <i>patrim&ocirc;nio imaterial</i> &eacute;,    sendo mais rigoroso, <i>patrim&ocirc;nio vivencial</i> ou <i>experencial</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Partimos do pressuposto    de que os historiadores podem tomar os elementos concretos da cultura, em si    mesmos, como express&atilde;o social, na din&acirc;mica dos interesses econ&ocirc;micos,    das convic&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas; como representa&ccedil;&otilde;es    sociais de valores e de s&iacute;mbolos de relev&acirc;ncias humanas. Cada um    deles pode ser compreendido no bojo das rela&ccedil;&otilde;es sociais que os    produzem. Concebidos, pois, como <i>mat&eacute;ria</i> da Hist&oacute;ria, os    <i>elementos materiais da cultura</i> tornam-se objeto de estudo e an&aacute;lise    hist&oacute;rica, ou seja, permitem ao historiador compreend&ecirc;-los e explic&aacute;-los    integrados e conformados nas rela&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-culturais de    uma dada realidade hist&oacute;rica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A recorr&ecirc;ncia    da tem&aacute;tica no campo da hist&oacute;ria e das outras ci&ecirc;ncias sociais    permite novos e enriquecedores enfoques, mas, apenas para ficarmos no &uacute;ltimo    s&eacute;culo, nos remete aos trabalhos de Fernand Braudel, S&eacute;rgio Buarque    de Holanda, Giovanni Levi, Daniel Roche e tantos outros e, mais recentemente,    aos estudos acerca do crescente e din&acirc;mico consumo de produtos pelas sociedades    a partir do s&eacute;culo XVII, sem esquecer que consumos nos indicam, tamb&eacute;m,    gostos, distin&ccedil;&otilde;es sociais, estrat&eacute;gias de sociabilidade    e de poder, como s&atilde;o exemplos os textos de John Brewer, Roy Porter, Lorna    Weatherill, Woodruff D. Smith, Jan de Vries, Mary Douglas, Marshall Sahlins,    Colin Campbell, Deyan Sudjic, Daniel Miller, Pierre Bourdier e Arjun Appadurai,    s&oacute; para citar alguns.<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como nos atenta    Daniel Roche, lembrando a reflex&atilde;o de Karl Gottlob Schelle ao buscar    "reconciliar a filosofia com o cotidiano", &eacute; preciso especular sobre    "os objetos da vida" e buscar a compreens&atilde;o das nossas rela&ccedil;&otilde;es    com as coisas e de nossas media&ccedil;&otilde;es com os objetos e com o mundo.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>    Para o autor, a no&ccedil;&atilde;o de <i>cultura material</i>, pouco definida,    "permite aos historiadores de qualquer per&iacute;odo e de qualquer &aacute;rea    cultural relacionar um conjunto de fatos marginais em rela&ccedil;&atilde;o    ao essencial, o pol&iacute;tico, o religioso, o social, o econ&ocirc;mico",    possibilitando perceber as "adapta&ccedil;&otilde;es" que os homens fazem ao    viver, "atrav&eacute;s das quais o natural se revela fundamentalmente cultural".<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As coisas e os    objetos da fatura humana n&atilde;o podem ser dissociados das realidades vividas.<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>    Na Hist&oacute;ria, te&oacute;ricos marxistas constru&iacute;ram as primeiras    tentativas conceituais para expressar tal rela&ccedil;&atilde;o como <i>cultura    material</i>. Tentaram delimitar seu campo para a hist&oacute;ria posicionando    seus limites nos meios de trabalho (o homem e os utens&iacute;lios), no objeto    do trabalho (as riquezas materiais, as mat&eacute;rias primas), na experi&ecirc;ncia    humana nos processos de produ&ccedil;&atilde;o (as t&eacute;cnicas), na utiliza&ccedil;&atilde;o    dos produtos materiais (o consumo), como se posicionou Henri Dunajewski. Tamb&eacute;m    firmaram outra percep&ccedil;&atilde;o, simplificando esse esquema anterior    e restringindo o campo da <i>cultura material</i>, &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    naturais e &agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es que o homem imprime ao meio,    gerando produtos, como definiu Jerzy Kulczyski.<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>    Ao pensar elementos materiais na constru&ccedil;&atilde;o das culturas n&atilde;o    podemos nos restringir ao campo das t&eacute;cnicas, mesmo entendendo a express&atilde;o    braudeliana de que "tudo &eacute; t&eacute;cnica".<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a>    As rela&ccedil;&otilde;es humanas nos usos de seus objetos de sobreviv&ecirc;ncia    e de produ&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o mais que os artif&iacute;cios t&eacute;cnicos.    Como quer Andr&eacute; Leroi-Gourhan, "Nunca se tinha pensado que quem possui    o fuso conhece tamb&eacute;m o movimento circular alternado e que quem utiliza    a roda de fiar utiliza tamb&eacute;m o moinho e o torno do oleiro".<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>    Dir&iacute;amos, parafraseando Braudel, que tudo &eacute; a&ccedil;&atilde;o    humana e que as t&eacute;cnicas s&atilde;o indissoci&aacute;veis das a&ccedil;&otilde;es/rela&ccedil;&otilde;es.    Ele pr&oacute;prio completa a sua conclus&atilde;o anterior exprimindo que "A    t&eacute;cnica nunca anda s&oacute;".<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos distinguir    a materialidade da cultura das representa&ccedil;&otilde;es mentais e do pensamento    religioso, pol&iacute;tico, filos&oacute;fico, art&iacute;stico, da constru&ccedil;&atilde;o    lingu&iacute;stica etc, mas n&atilde;o podemos separ&aacute;-los, trat&aacute;-los    na individualidade redutiva. Adv&eacute;m dessa premissa, evitarmos a express&atilde;o    cultura material e adotarmos <i>elementos materiais</i> da cultura, do mesmo    modo que estranhamos acima a ideia de uma <i>cultura material</i> e de uma <i>cultura    imaterial</i>, separadas em didatismo simplificador. No processo de viv&ecirc;ncia,    ou de outra forma, na din&acirc;mica das experi&ecirc;ncias humanas ao viver,    tudo &eacute; cultura, intrinsecamente compondo repert&oacute;rios de constru&ccedil;&otilde;es    de realidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesses termos,    a pesquisa hist&oacute;rica objetiva, n&atilde;o apenas a descri&ccedil;&atilde;o    dos objetos e das t&eacute;cnicas em um processo temporal de mudan&ccedil;as    e de perman&ecirc;ncias, mas a interpreta&ccedil;&atilde;o de realidades sociais    que os usam, distintas no tempo. Como quer Daniel Roche:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os objetos, as      rela&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas ou humanas que eles criam n&atilde;o      podem se reduzir a uma simples materialidade, nem a simples instrumentos de      comunica&ccedil;&atilde;o ou de distin&ccedil;&atilde;o social. Eles n&atilde;o      pertencem apenas ao por&atilde;o ou ao s&oacute;t&atilde;o, ou ent&atilde;o      simultaneamente aos dois, e devemos recoloc&aacute;-los em redes de abstra&ccedil;&atilde;o      e sensibilidade essenciais &agrave; compreens&atilde;o dos fatos sociais.<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A compreens&atilde;o    dos fatos sociais a partir de sua materialidade &eacute;, enfim, o objeto de    reflex&atilde;o dos textos aqui apresentados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os elementos materiais    de qualquer cultura denotam a constru&ccedil;&atilde;o cotidiana da vida e,    assim, t&ecirc;m sido objetos da hist&oacute;ria do cotidiano. N&atilde;o apenas    os h&aacute;bitos de consumo e os produtos e servi&ccedil;os feitos e consumidos,    mas os significados atribu&iacute;dos a todas as a&ccedil;&otilde;es do ser    humano e aos instrumentais por ele inventados na rela&ccedil;&atilde;o com o    mundo natural, na busca da sobreviv&ecirc;ncia, no atendimento das suas necessidades,    na constru&ccedil;&atilde;o dos gostos, na edifica&ccedil;&atilde;o do repert&oacute;rio    de sua cultura. Materialidade e imaterialidade s&atilde;o insepar&aacute;veis    na an&aacute;lise desse repert&oacute;rio, mesmo que distingu&iacute;veis entre    si.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O aumento da gama    de produtos a que a popula&ccedil;&atilde;o tem acesso a partir do processo    de contato globalizado da modernidade tem estimulado, no &acirc;mbito dos estudos    hist&oacute;ricos, as reflex&otilde;es tem&aacute;ticas sobre os elementos materiais    da cultura. No entanto, a materialidade de per&iacute;odos hist&oacute;ricos    anteriores, tamb&eacute;m, motiva estudos em perspectivas e enfoques novos.<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses artefatos    da vida s&atilde;o cada vez mais numerosos, complexos e produzidos em velocidade    cada vez mais acelerada. A conserva&ccedil;&atilde;o desses objetos no tempo    - atrav&eacute;s do uso e da guarda memorial&iacute;stica, associada aos significados    e aos valores a eles atribu&iacute;dos, evidenciando formas de viver, de manifestar    saberes e fazeres, de memorizar sentidos e condutas que n&atilde;o se querem    esquecidas, enfim, um acervo de coisas e de gestos, de viv&ecirc;ncias -, configura    patrim&ocirc;nios e formas de patrimonializa&ccedil;&atilde;o, a outra vertente,    neste Dossi&ecirc;, de nosso olhar sobre a materialidade da cultura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vivemos um tempo    de padroniza&ccedil;&otilde;es de processos interpretativos da cultura que culminam    em pasteuriza&ccedil;&otilde;es empobrecedoras da diversidade cultural. Paradoxalmente,    os registros do dito patrim&ocirc;nio imaterial suscitam a amplia&ccedil;&atilde;o    do conceito de patrim&ocirc;nio cultural, mas, por outro lado, estimulam um    esquadrinhamento did&aacute;tico que reduz a vis&atilde;o sobre a complexidade    din&acirc;mica das culturas. Linguagens interpretativas e museol&oacute;gicas    tornam-se, assim, um campo de saber exigente e requerem criatividade que ressalte    tal dinamicidade e diversidade. Legisla&ccedil;&otilde;es de salvaguarda e pr&aacute;ticas    educativas exigem igual criatividade. Caso contr&aacute;rio, teremos um gestual    interpretativo das manifesta&ccedil;&otilde;es de cultura a negar tal diversidade.    No caso da preserva&ccedil;&atilde;o de patrim&ocirc;nios urbanos o risco de    homogeneidade &eacute; claro e j&aacute; mensur&aacute;vel e, como critica Henri-Pierre    Jeudy segue a mesma f&oacute;rmula de patrimonializa&ccedil;&atilde;o, estetiza&ccedil;&atilde;o,    espetaculariza&ccedil;&atilde;o, padroniza&ccedil;&atilde;o e gentrifica&ccedil;&atilde;o.<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>    No Brasil temos exemplos dessa "globaliza&ccedil;&atilde;o" empobrecedora, onde    as singularidades locais foram extintas, em nome de uma est&eacute;tica urbana    uniformizada que atende a um gosto equilibrado/massificado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As contribui&ccedil;&otilde;es    textuais a este <i>Dossi&ecirc;</i>, a cujos dedicados autores agradecemos,    s&atilde;o exemplos claros dessa diversidade de olhares sobre a materialidade    de nossas viv&ecirc;ncias na hist&oacute;ria. Em um eixo que tra&ccedil;a um    percurso de reflex&otilde;es te&oacute;ricas e tem&aacute;ticas e que objetiva    pensar objetos como bens materiais e identit&aacute;rios e suas formas de constituir    riquezas, saberes, consumos, gostos, t&eacute;cnicas e, tamb&eacute;m, mem&oacute;rias,    os textos promovem um di&aacute;logo essencial, na medida em que suas leituras    ajustam sintonias e promovem embates de pensamentos diversos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os artigos dos    convidados percorrem um eixo que integra padr&otilde;es metodol&oacute;gicos    e narrativas interpretativas, com problem&aacute;ticas muito presentes na atualidade:    a constru&ccedil;&atilde;o de riquezas familiares, as pr&aacute;ticas alimentares,    a domesticidade, os processos interpretativos do patrim&ocirc;nio e de musealiza&ccedil;&atilde;o,    os saberes tradicionais, os usos da &aacute;gua, a educa&ccedil;&atilde;o patrimonial    e a leitura documental do historiador. Todos eles discutem a investiga&ccedil;&atilde;o    tem&aacute;tica e os problemas frente &agrave;s fontes da materialidade da cultura    ou as linguagens memorial&iacute;sticas do processo de patrimonializa&ccedil;&atilde;o    e de musealiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em sequ&ecirc;ncia,    <i>Legados de um passado escravista: cultura material e riqueza em Minas Gerais</i>,    de Cl&aacute;udia Eliane Parreira Marques Martinez, associa a investiga&ccedil;&atilde;o    sobre a materialidade e a riqueza, como estrat&eacute;gia para a compreens&atilde;o    da sociedade escravista diante do fim da escravid&atilde;o. O problema investigado    &eacute; a re-organiza&ccedil;&atilde;o da riqueza e dos padr&otilde;es materiais    no p&oacute;s-1888. Seguindo os passos de Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses,    a autora l&ecirc; os Invent&aacute;rios <i>post mortem</i> como possibilidades    de "inflex&atilde;o no circuito da vida social do artefato".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Cultura material,    espa&ccedil;o dom&eacute;stico e musealiza&ccedil;&atilde;o</i>, de V&acirc;nia    Carneiro de Carvalho, &eacute; um estudo das dimens&otilde;es materiais da vida    social e suas formas de express&atilde;o no processo curatorial no museu hist&oacute;rico.    O museu &eacute; visto pela autora como um instrumento estrat&eacute;gico para    fomentar as investiga&ccedil;&otilde;es sobre o espa&ccedil;o dom&eacute;stico    e este &eacute; tomado "como um lugar f&eacute;rtil para a <i>incorpora&ccedil;&atilde;o</i>    das formas de distin&ccedil;&atilde;o social e de g&ecirc;nero por meio do uso    de objetos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em <i>Cultura,    hist&oacute;ria, valores patrimoniais e museus</i> (<i>Culture, histoire, valeurs    patrimoniales et mus&eacute;es</i>), Dominique Poulot reflete sobre as diferentes    formas de apropria&ccedil;&atilde;o da ideia de patrim&ocirc;nio no mundo moderno,    a partir do s&eacute;culo XVIII. Para o autor, o termo <i>patrim&ocirc;nio</i>    tem, na atualidade, grande poder de evoca&ccedil;&atilde;o e os museus de hist&oacute;ria    s&atilde;o lugares onde essa evoca&ccedil;&atilde;o parece acompanhar o fluxo    da produ&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea de artefatos. O museu, lugar exemplar    de interpreta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e formal espec&iacute;fica,    conforma diferentes formas de problematizar o passado material, onde a materialidade    e a inteligibilidade de seu contexto andam juntas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria Eliza Linhares    Borges nos apresenta em <i>Cultura dos of&iacute;cios: patrim&ocirc;nio, hist&oacute;ria    e mem&oacute;ria</i>, um ethos fundado em formas artesanais de produ&ccedil;&atilde;o    e em suas estrat&eacute;gias de regula&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o    de saberes, express&atilde;o de valores, cren&ccedil;as, comportamentos e sociabilidades    que, frente aos modos industriais de produ&ccedil;&atilde;o, tornam-se "pitorescos"    e jogados &agrave; sombra pelos museus e pela cultura visual. Para a autora,    a mem&oacute;ria dessa cultura &eacute; idealizada "porque saudosista e nost&aacute;lgica",    mas reconhece que o "tempo gramatical da Cultura dos Of&iacute;cios foi mais    longo do que se imagina".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em <i>A patrimonializa&ccedil;&atilde;o    dos saberes t&eacute;cnicos, entre hist&oacute;ria e mem&oacute;ria: o caso    dos dep&oacute;sitos de inven&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a e na Inglaterra</i>    (<i>La patrimonialisation des savoirs techniques, entre Histoire et M&eacute;moire:    le cas des d&eacute;p&ocirc;ts d'invention en France et Angleterre au XVIII<sup>e</sup>    si&egrave;cle</i>), Liliane Hilaire-P&eacute;rez trata da tens&atilde;o entre    Hist&oacute;ria e Mem&oacute;ria no processo de patrimonializa&ccedil;&atilde;o    dos saberes e do papel dos "dep&oacute;sitos legais" que, a partir do s&eacute;culo    XVIII, inauguram nova forma de pensar o patrim&ocirc;nio, distinta daquela das    cole&ccedil;&otilde;es, gabinetes e museus. A autora, refletindo sobre casos    concretos de uma pr&aacute;tica nova na Fran&ccedil;a e na Inglaterra, contrap&otilde;e    um novo direito na economia do conhecimento e nos mercados de inova&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica com o papel memorial&iacute;stico da guarda de saberes e de sua    import&acirc;ncia como leitura das identidades de comunidades t&eacute;cnicas    novas, mesmo com a participa&ccedil;&atilde;o das tradicionais corpora&ccedil;&otilde;es    de of&iacute;cios.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jaime Rodrigues,    na linha de uma hist&oacute;ria social da alimenta&ccedil;&atilde;o que considera    integrados a produ&ccedil;&atilde;o, o consumo e a constru&ccedil;&atilde;o    do gosto, analisa o impacto da industrializa&ccedil;&atilde;o, da renda familiar    e da propaganda na tradi&ccedil;&atilde;o alimentar paulistana no s&eacute;culo    XX. Seu texto, <i>Uma hist&oacute;ria das pr&aacute;ticas alimentares de trabalhadores    paulistanos em dois momentos do s&eacute;culo XX</i>, tem como problema as rela&ccedil;&otilde;es    entre culin&aacute;ria e mem&oacute;ria, sobretudo no &acirc;mbito familiar,    analisando-as pelos seus vest&iacute;gios materiais - a materialidade dos pr&oacute;prios    alimentos, de suas embalagens e de suas pe&ccedil;as promocionais - e simb&oacute;licos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O desenho e    a hist&oacute;ria da t&eacute;cnica na Arquitetura do Brasil colonial</i> &eacute;    o texto de Marcos Tognon que prop&otilde;e aos historiadores um conjunto de    procedimentos para explorar os valores art&iacute;sticos e t&eacute;cnicos dos    desenhos como importantes registros documentais. Como fontes, essas "representa&ccedil;&otilde;es"    s&atilde;o, para o autor, linguagens capazes de referenciar claramente as mais    distintas realidades arquitet&ocirc;nicas. Assim, prop&otilde;e quatro abordagens    que contrap&otilde;em o plano art&iacute;stico e a materialidade cotidiana das    edifica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O artigo de Jes&uacute;s    Ra&uacute;l Navarro Garc&iacute;a, <i>Salud y Paisaje: contribuci&oacute;n desde    el Termalismo a la revitalizaci&oacute;n de zonas rurales</i> (<i>El caso de    Pozo Amargo, cuenca del Guadaira, Espa&ntilde;a</i>), apresenta um processo    de interpreta&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio paisag&iacute;stico (natural)    e material (cultural) ligado ao uso da &aacute;gua em instala&ccedil;&otilde;es    termais, onde a&ccedil;&atilde;o governamental e cidad&atilde; se integram em    projeto econ&ocirc;mico. Historia essa materialidade integrada &agrave; paisagem,    desde o s&eacute;culo XVIII, numa tradi&ccedil;&atilde;o de ligar o &oacute;cio    &agrave; "recupera&ccedil;&atilde;o an&iacute;mica" dos visitantes do lugar.    O texto nos tr&aacute;s importante reflex&atilde;o sobre o conceito de paisagem    e as teorias acerca de seu papel como patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico-cultural,    contrapondo suas dimens&otilde;es natural-hidrol&oacute;gica, cultural, ut&oacute;pica,    arquitet&ocirc;nica, material. &Eacute;, enfim, a interpreta&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica de uma ideia de bem-estar que harmonizava homem e paisagem,    como propugnava o ge&oacute;grafo anarquista &Eacute;lis&eacute;e Reclus.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A presen&ccedil;a    de estudantes: o encontro de museus e escola no Brasil a partir da d&eacute;cada    de 50 do s&eacute;culo XX</i> &eacute; o texto de Paulo Knauss que interpreta    as ra&iacute;zes da renova&ccedil;&atilde;o do debate sobre museus e educa&ccedil;&atilde;o    a partir de experi&ecirc;ncias de 1950 e de anos anteriores, como no caso da    cria&ccedil;&atilde;o do Museu Hist&oacute;rico Nacional, em 1922, e o do Museu    Mariano Proc&oacute;pio, na cidade de Juiz de Fora, que se distinguem dos "museus    de ci&ecirc;ncia" criados no s&eacute;culo XIX. Knauss mostra como a quest&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o entre museus e educa&ccedil;&atilde;o contribuiu para    renovar o conceito de museus e o perfil dos profissionais de museus no Brasil.    As fontes de an&aacute;lise do autor s&atilde;o os textos produzidos por intelectuais    do per&iacute;odo, ligados aos museus hist&oacute;ricos, publicados como livros    ou artigos em revistas e que t&ecirc;m como tema a museologia como instrumento    educativo da juventude. Nessa hist&oacute;ria dos museus brasileiros no s&eacute;culo    XX, o autor percebe a busca do encontro das institui&ccedil;&otilde;es museol&oacute;gicas    e de educa&ccedil;&atilde;o e a for&ccedil;a crescente de um di&aacute;logo    inevit&aacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os homens constroem    coisas, seus nomes e gestos que as colocam como instrumentos. Al&eacute;m de    tudo, como afirma o dito popular, <i>se tem nome &eacute; porque a coisa existe</i>.    Inspirado nessa premissa banal articulamos no Dossi&ecirc; que se apresenta    a for&ccedil;a tem&aacute;tica e documental dos elementos materiais da cultura    e do patrim&ocirc;nio cultural com o instrumental de mem&oacute;rias, imagin&aacute;rios,    simbologias, t&eacute;cnicas e gestualidades. Seguimos com isso, a tradi&ccedil;&atilde;o    das Ci&ecirc;ncias Humanas e temos a expectativa da cr&iacute;tica dos leitores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Belo Horizonte,    julho de 2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    Em entrevista concedida &agrave; Estudos Hist&oacute;ricos, Rio de Janeiro,    v.23, n. 45, p187-198, janeiro-junho, 2010.    <br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> CARVALHO, V&acirc;nia Carneiro de.    G&ecirc;nero e cultura material: uma introdu&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica.    Anais do Museu Paulista, S&atilde;o Paulo, v.8-9, p.293-324, 306, 2000-2002.    Ver tamb&eacute;m REDE, Marcelo. Estudos de cultura material: uma vertente francesa.    Museu Paulista, S&atilde;o Paulo, v.8-9, p.281-291, 2000-2002.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> Para citar algumas obras que nos remetem    a essa perspectiva de an&aacute;lise hist&oacute;rica: BRAUDEL, Fernand. Civiliza&ccedil;&atilde;o    material, economia e capitalismo, s&eacute;culos XV-XVIII. S&atilde;o Paulo:    Martins Fontes, 1995. 3 vols.; HOLANDA, S&eacute;rgio Buarque de. Caminhos e    fronteiras. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1994; LEVI, Giovanni. A    heran&ccedil;a imaterial. Trajet&oacute;ria de um exorcista no Piemonte do s&eacute;culo    XVII. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2000; ROCHE, Daniel.    Hist&oacute;ria das coisas banais. Nascimento do consumo nas sociedades do s&eacute;culo    XVII ao XIX. Rio de Janeiro: Rocco, 2000; a edi&ccedil;&atilde;o organizada    por BREWER, John e PORTER, Roy. (eds.) Consumptions and the world of goods.    London-New York: Routledge, 1994, com textos de Jean-Christophe Agnew, Joyce    Appleby, T.H. Breen, John Brewer, Peter Burke, Colin Campbell, Patricia Cline    Cohen, David Cressy, Jan de Vries, Cissie Fairchilds, C.Y. Ferdinand, Iaroslav    Isaievych, Sidney Mintz, John Money, Chandra Mukerji, Jeremy D. Popkin, Roy    Porter e Simon Schaffer; WEATHERILL, Lorna. Consumer behaviour and material    culture in Britain, 1660-1760. New York: Routledge, 1996; SMITH, Woodruff D.    Consumption and the making of respectability. 1600-1800. New York: Routledge,    2002; DE VRIES, Jan. The industrious revolution: consumer behavior and the household    economy, 1650 to the Present. Cambridge: Cambridge University Press, 2008; APPADURAI,    Arjun. (org.) A vida social das coisas. Niter&oacute;i: EdUFF, 2008.    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> ROCHE, Daniel. Hist&oacute;ria das    coisas banais. Nascimento do consumo nas sociedades do s&eacute;culo XVII ao    XIX. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p.11.    <br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> ROCHE, Daniel. Hist&oacute;ria das    coisas banais, p.12-13.    <br>   <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a> PESEZ, Jean-Marie. Hist&oacute;ria    da cultura material. In: LE GOFF, Jacques. A Hist&oacute;ria Nova. S&atilde;o    Paulo: Martins Fontes, 1993, p.177-213, 186.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back7"></a><a href="#top7">7</a> PESEZ, Jean-Marie. Hist&oacute;ria    da cultura material, p.188.    <br>   <a name="back8"></a><a href="#top8">8</a> BRAUDEL, Fernand. Civiliza&ccedil;&atilde;o    material, economia e capitalismo, p.303.    <br>   <a name="back9"></a><a href="#top9">9</a> LEROI-GOURHAN. Cf. PESEZ, Jean Marie.    A hist&oacute;ria da cultura material. In: LE GOFF, Jacques, CHARTIER, Roger    e REVEL, Jacques. A Nova Hist&oacute;ria, p.124.    <br>   <a name="back10"></a><a href="#top10">10</a> BRAUDEL, Fernand. Civiliza&ccedil;&atilde;o    material, economia e capitalismo, p.397.    <br>   <a name="back11"></a><a href="#top11">11</a> ROCHE, Daniel. Hist&oacute;ria    das coisas banais, p.13.    <br>   <a name="back12"></a><a href="#top12">12</a> Como por exemplo, estudos sobre    alimenta&ccedil;&atilde;o, fam&iacute;lia e patrim&ocirc;nio no mundo antigo    e medieval, como, dentre outros, podemos citar REDE, Marcelo. Fam&iacute;lia    e patrim&ocirc;nio na antiga Mesopot&acirc;mia. Rio de Janeiro: Editora Mauad    X, 2007.    <br>   <a name="back13"></a><a href="#top13">13</a> JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das    cidades. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005. Este livro traduz e conjuga    dois estudos do autor: La machinarie patrimoniale e Critique de l'esthetique    urbaine. Embora contextualizado em uma realidade europeia da &uacute;ltima d&eacute;cada    do s&eacute;culo XX e primeira do XXI, as reflex&otilde;es t&ecirc;m validade    para a problem&aacute;tica das pol&iacute;ticas de patrimonializa&ccedil;&atilde;o    no Brasil.</font></p>      ]]></body>
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