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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Legados de um passado escravista: cultura material e riqueza em Minas Gerais]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Heritages from the slavery past: material culture and wealth in Minas Gerais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the modifications of material culture and wealth in Vale do Paraopeba/MG over seven decades (1840/1914). It assumes that the end of slavery in an economy of internal supply profoundly changed the relationship of society with their objects, goods and equipment in the domestic and labor world. This argument leads to consequences regarding the possession of slaves, the appreciation of land, the fractionation of properties and the dispersion of great fortunes after 1888. Such issues could only be observed and criticized due to a database composed of 761 post-mortem inventories and other supplementary documents. It is the history of these material changes that it will be to discuss in this article.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DOSSI&Ecirc;:    ELEMENTOS MATERIAIS DA CULTURA E PATRIM&Ocirc;NIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Legados    de um passado escravista: cultura material e riqueza em Minas Gerais<a href="#back"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Heritages from    the slavery past: material culture and wealth in Minas Gerais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Cl&aacute;udia    Eliane Parreiras Marques Martinez</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Departamento de    Hist&oacute;ria, Universidade Estadual de Londrina/Paran&aacute;. Caixa Postal    6001. CEP 86051-990. Londrina. PR. Brasil. <a href="mailto:cepmarques@uol.com.br">cepmarques@uol.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo analisa    as transforma&ccedil;&otilde;es da cultura material e da riqueza no Vale do    Paraopeba/MG, ao longo de sete d&eacute;cadas (1840/1914). Parte do pressuposto    de que o fim da escravid&atilde;o numa economia de abastecimento interno modificou    profundamente a rela&ccedil;&atilde;o que a sociedade tinha com os seus objetos,    bens e equipamentos do mundo dom&eacute;stico e do trabalho. Dessa suposi&ccedil;&atilde;o    procedem as quest&otilde;es relativas &agrave; posse de escravos, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o    das terras, ao fracionamento das propriedades, &agrave; dispers&atilde;o das    grandes fortunas depois de 1888. Tais questionamentos s&oacute; foram pass&iacute;veis    de observa&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica a partir de um Banco de Dados composto    de 761 invent&aacute;rios <i>post-mortem</i> e outros documentos complementares.    &Eacute; a hist&oacute;ria dessas transforma&ccedil;&otilde;es materiais que    se discute neste trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    cultura material, riqueza, economia de abastecimento interno, transi&ccedil;&atilde;o    do trabalho escravo, Vale do Paraopeba/MG</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article analyzes    the modifications of material culture and wealth in Vale do Paraopeba/MG over    seven decades (1840/1914). It assumes that the end of slavery in an economy    of internal supply profoundly changed the relationship of society with their    objects, goods and equipment in the domestic and labor world. This argument    leads to consequences regarding the possession of slaves, the appreciation of    land, the fractionation of properties and the dispersion of great fortunes after    1888. Such issues could only be observed and criticized due to a database composed    of 761 <i>post-mortem</i> inventories and other supplementary documents. It    is the history of these material changes that it will be to discuss in this    article.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    material culture, wealth, economy of internal supply, transitioning of slave    labor, Vale do Paraopeba/MG</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os trabalhos sobre    cultura material no Brasil, at&eacute; as d&eacute;cadas de 1980/90, ainda eram    dispersos e pouco sistem&aacute;ticos entre os historiadores. Quando se referiam    aos objetos do cotidiano - m&oacute;veis, vestu&aacute;rio, joias, moradias    urbanas e rurais, utens&iacute;lios dom&eacute;sticos, equipamentos de trabalho    etc. -, consideravam-nos, quase sempre, ilustrativos de um determinado estrato    social, geralmente o dos mais abastados. Em decorr&ecirc;ncia desse cen&aacute;rio,    n&atilde;o havia consenso em rela&ccedil;&atilde;o aos conceitos e terminologia    empregados, nem mesmo aportes instrumentais espec&iacute;ficos para investig&aacute;-los.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se a cultura material    era tema e assunto para a Arqueologia e a Antropologia, isso n&atilde;o quer    dizer que alguns precursores/historiadores n&atilde;o se reportassem aos objetos    e procurassem perceber sua rela&ccedil;&atilde;o com os homens de seu tempo.    &Eacute; preciso lembrar que a historiografia cl&aacute;ssica n&atilde;o tivera    a inten&ccedil;&atilde;o de investigar diretamente a cultura material e, por    isso, tais estudos tornaram-se hoje fontes de pesquisa - inspiradoras, pela    natureza de seus trabalhos -, mas n&atilde;o um referencial metodol&oacute;gico    e conceitual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Capistrano de Abreu,    Alc&acirc;ntara Machado, Gilberto Freyre e S&eacute;rgio Buarque de Holanda    constituem exemplos de como a cultura material foi utilizada de forma indireta    para a inteligibilidade das sociedades do passado.<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>    Com perspectivas e recortes temporais diferentes, suas an&aacute;lises estudam    fen&ocirc;menos de car&aacute;ter cultural e, em particular, levantam quest&otilde;es    ligadas &agrave; vida material.<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>    Quando a historiografia francesa, para n&atilde;o mencionar a brasileira, ainda    dedicava pouca aten&ccedil;&atilde;o ao tema, os autores mencionados j&aacute;    estudavam as moradias, com seus sobrados e <i>mucambos</i>, o mobili&aacute;rio,    a vestimenta e a morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">S&eacute;rgio Buarque    de Holanda, por exemplo, nos cap&iacute;tulos <i>Iguaria de Bugre, Ca&ccedil;a    e Pesca e Botica da Natureza</i>, chama a aten&ccedil;&atilde;o para o "gib&atilde;o"    - esp&eacute;cie de colete feito com fibras de algod&atilde;o e gravetos - como    uma importante vestimenta que, empregando t&eacute;cnicas dos nativos, serviu    oportunamente ao bandeirante contra as flechadas de "tribos inimigas". Ressalta    ainda que, se n&atilde;o fosse o conhecimento ind&iacute;gena acerca dos recursos    naturais da floresta, o qual instru&iacute;a os portugueses a respeito da alimenta&ccedil;&atilde;o    no mundo tropical - como intoxicar os peixes nos rios para facilitar a pesca;    substituir a castanha europeia pelos frutos da arauc&aacute;ria, a prote&iacute;na    pelas lagartas encontradas nas cascas das &aacute;rvores, o trigo pela mandioca,    a uva pela jabuticaba, a carne de vaca pela do tamandu&aacute;... -, muitos    deles n&atilde;o teriam sobrevivido em meio t&atilde;o diverso do europeu.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma das primeiras    institui&ccedil;&otilde;es brasileiras a sistematizar e constituir um significativo    n&uacute;cleo de reflex&atilde;o te&oacute;rica e metodol&oacute;gica sobre    a cultura material foi o Museu Paulista. Sob a dire&ccedil;&atilde;o do professor    Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, foi inaugurada, em 1993, a <i>Nova S&eacute;rie    dos Anais do Museu Paulista</i>.<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>    As cinco se&ccedil;&otilde;es - Debates, Estudos e Pesquisas, Museus, Bibliografia    e Documentos - buscavam articular e divulgar artigos, metodologias, fontes prim&aacute;rias    e discuss&otilde;es entre especialistas. Depois de quase vinte anos, os <i>Anais</i>    t&ecirc;m mantido, com algumas pequenas altera&ccedil;&otilde;es e interrup&ccedil;&otilde;es,    seus objetivos e propostas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora os trabalhos    que se realizaram a partir dos anos 1980/90 estejam conectados mais diretamente    &agrave; perspectiva da hist&oacute;ria cultural, a contribui&ccedil;&atilde;o    da hist&oacute;ria social e econ&ocirc;mica tamb&eacute;m se faz presente no    cen&aacute;rio nacional. Nesse sentido, a cita&ccedil;&atilde;o de Daniel Roche    &eacute; oportuna porque sintetiza alguns caminhos e novas trilhas da historiografia    francesa e, ao mesmo tempo, tem resson&acirc;ncia direta na produ&ccedil;&atilde;o    brasileira:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras,      gostar&iacute;amos de conservar a contribui&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria      econ&ocirc;mica e social de (Fernand) Braudel e (Ernest) Labrousse nela integrando      o projeto de uma hist&oacute;ria cultural sens&iacute;vel &agrave; maneira      como as id&eacute;ias e as pr&aacute;ticas se articulam com o mundo social,      sens&iacute;vel tamb&eacute;m &agrave;s encruzilhadas que atravessam uma sociedade,      &agrave; diversidade dos empregos de materiais ou de c&oacute;digos compartilhados.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos pontos que    distinguem a historiografia contempor&acirc;nea dos estudos tradicionais &eacute;    o fato de que a cultura material deixa de ser compreendida como um "rol de artefatos"    e passa ser analisada em simbiose com a sociedade que a criou, com a economia    que a produziu, com o mercado que a distribuiu e com a cultura que permitiu    sua exist&ecirc;ncia est&eacute;tica, morfol&oacute;gica e funcional. Enfim,    os artefatos s&atilde;o discutidos, no tempo e no espa&ccedil;o, como inven&ccedil;&otilde;es    e cria&ccedil;&otilde;es de grupos sociais nos quais homens e mulheres de diferentes    etnias est&atilde;o inseridos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra quest&atilde;o    que caracteriza a abordagem da cultura material na contemporaneidade est&aacute;    relacionada &agrave; tipologia das fontes. Al&eacute;m dos artefatos dentro    e fora das institui&ccedil;&otilde;es museais, as fontes escritas (invent&aacute;rios,    testamentos, relatos de viagem, notas de compra etc.) e as fontes visuais e    tridimensionais (fotografias, pinturas e imagens de objetos) s&atilde;o igualmente    utilizadas. Embora a exist&ecirc;ncia concreta do artefato seja importante,    o estudo da cultura material pode (e deve) ser realizado tamb&eacute;m por meio    das fontes escritas que os identificam, qualificam, denominam, enumeram e/ou    descrevem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a pe&ccedil;a    "em m&atilde;os" &eacute; evidente que muitos problemas relacionados &agrave;    morfologia, &agrave; est&eacute;tica ou &agrave; "cultura tecnol&oacute;gica"    poderiam ser imediatamente solucionados. O objeto aut&ocirc;nomo, assim como    aqueles pertencentes &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es - rel&oacute;gios, armas,    joias, vestu&aacute;rio... - e analisados isoladamente, acabam por constituir    um modelo abstrato de si mesmos; transformam-se em documento descolado de seu    ambiente hist&oacute;rico. Por tudo isso, &eacute; pertinente que os artefatos    sejam apreendidos em "situa&ccedil;&atilde;o" e por meio dos v&aacute;rios "sistemas"    de que fazem parte.<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a> Segundo    esse prop&oacute;sito, os invent&aacute;rios <i>post-mortem</i><a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>    consistem numa fonte modelar. Moradia, vestu&aacute;rio, trabalho, lazer, interior    dom&eacute;stico, religiosidade, produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o,    localiza&ccedil;&atilde;o, temporalidade, espacialidade, qualifica&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o estudados em conjunto e dentro do contexto de cria&ccedil;&atilde;o,    exist&ecirc;ncia, troca e funcionalidade. Como nos lembra Meneses, esse tipo    de documento &eacute; muito proveitoso para o historiador da cultura material.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma das vantagens      que o invent&aacute;rio assegura &eacute; fornecer elementos para tratar,      n&atilde;o de coisas isoladas, mas de conjuntos - o que os avizinha, na medida      do poss&iacute;vel, de sistemas, sem os quais um simples rol de artefatos      se revelaria muito limitado, incapaz de produzir as in&uacute;meras infer&ecirc;ncias      que s&oacute; os sistemas permitem: n&atilde;o apenas as diversas categorias,      suas quantidades, mas tamb&eacute;m a qualidade s&atilde;o atributos que enriquecem      as conex&otilde;es e os subconjuntos que podem ser identificados. Al&eacute;m      disso, esses conjuntos de bens arrolados situam-se num ponto de inflex&atilde;o      no circuito da vida social do artefato: aquele em que ele sai de um uso cotidiano      e costumeiro para relan&ccedil;ar-se em novo ciclo. Da&iacute; o car&aacute;ter      de 'estado de coisas', de s&iacute;ntese, de balan&ccedil;o, de avalia&ccedil;&atilde;o,      que caracteriza os invent&aacute;rios <i>post-mortem</i>. A adjetiva&ccedil;&atilde;o      e os atributos descritivos s&atilde;o extremamente ricos de informa&ccedil;&otilde;es      para identificar valores (monet&aacute;rios, pragm&aacute;ticos e afetivos),      hierarquias, prefer&ecirc;ncias, significa&ccedil;&otilde;es.<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diferentemente    dos documentos atuais, nesse tipo de fonte cartor&aacute;ria (dos s&eacute;culos    XVI ao XIX), encontra-se descrito tudo, ou melhor, quase tudo, que existia dentro    e fora das moradias urbanas, das fazendas e daquelas constru&ccedil;&otilde;es    localizadas nos sub&uacute;rbios das vilas e cidades. Os invent&aacute;rios    t&ecirc;m um padr&atilde;o que se repete ao longo de d&eacute;cadas e, com raras    exce&ccedil;&otilde;es, neles n&atilde;o se menciona o valor monet&aacute;rio    de cada objeto, de cada animal e escravo. Al&eacute;m disso, relacionam e descrevem    todos os bens com adjetivos e informa&ccedil;&otilde;es qualitativas e quantitativas:    "uma mesa velha e pequena, duas x&iacute;caras inglesas de asa quebrada, um    orat&oacute;rio com seis imagens, duas estampas, duas coroas e dois resplendores    de prata". Por vezes, trazem, ainda, a localiza&ccedil;&atilde;o dos objetos    no interior da moradia, o que permite conhecer mais sobre a divis&atilde;o interna    das casas. Sabe-se, por exemplo, que em 1866, na vila de Bonfim, na casa de    dona Josefa Evangelista da Concei&ccedil;&atilde;o, localizada na rua das Flores,    existia "um orat&oacute;rio na sala e um rel&oacute;gio velho na parede".<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a>    Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel ter conhecimento da posi&ccedil;&atilde;o    exata das casas, descritas com a localiza&ccedil;&atilde;o das ruas, nomes dos    vizinhos, ou, ainda, com outras refer&ecirc;ncias espaciais, por exemplo: "no    Largo da Matriz", "em frente &agrave; porta da igreja", "casa pequena do lado    de cima do chafariz com quintal".<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho que    se apresenta aqui, portanto, baseia-se e situa-se no di&aacute;logo historiogr&aacute;fico    e metodol&oacute;gico que se prolonga h&aacute; mais de vinte anos no Brasil.<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a>    Busca-se definir os fundamentos dessa discuss&atilde;o em um estudo espec&iacute;fico,    associando a cultura material e a riqueza<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a>    de um determinado espa&ccedil;o geogr&aacute;fico - o Vale do Paraopeba/MG -    no transcurso de sete d&eacute;cadas (1840 a 1914). Reconhece-se que, mais do    que um campo epistemologicamente legitimado, essa associa&ccedil;&atilde;o constitui    uma "estrat&eacute;gia" para compreender o fato de que, mesmo diante do inevit&aacute;vel    fim da escravid&atilde;o, as fam&iacute;lias escravistas n&atilde;o buscaram    novas alternativas econ&ocirc;micas. Elas n&atilde;o reinvestiram seus recursos    nem diversificaram as suas atividades. N&atilde;o deixaram, por&eacute;m, de    sofrer o impacto das profundas transforma&ccedil;&otilde;es do final do s&eacute;culo    XIX. E essas mudan&ccedil;as se refletiram em modifica&ccedil;&otilde;es de    padr&otilde;es de riqueza e moradia, na utiliza&ccedil;&atilde;o de utens&iacute;lios    profissionais diferenciados e demais artefatos do interior dom&eacute;stico.    Teriam sido tais mudan&ccedil;as sinais de retrocesso ou estagna&ccedil;&atilde;o?    Ou conformariam alternativas poss&iacute;veis de adequa&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    os invent&aacute;rios s&atilde;o indispens&aacute;veis para compor um quadro    - social, cultural e econ&ocirc;mico - que dificilmente &eacute; encontrado    em outros documentos hist&oacute;ricos. Por esse motivo, &eacute; importante    salientar que a an&aacute;lise minuciosa das in&uacute;meras informa&ccedil;&otilde;es    contidas nas fontes cartor&aacute;rias foi o fator decisivo na constru&ccedil;&atilde;o    do principal pressuposto deste artigo - isto &eacute;, que o fim da escravid&atilde;o    alterou n&atilde;o s&oacute; as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, mas    modificou profundamente o v&iacute;nculo que a sociedade tinha com os seus objetos,    bens e equipamentos do mundo dom&eacute;stico e do trabalho. V&aacute;rias quest&otilde;es    relacionadas &agrave; posse de escravos, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o    das terras, ao fracionamento das propriedades e &agrave; dispers&atilde;o das    grandes fortunas, depois de 1888, s&oacute; foram pass&iacute;veis de observa&ccedil;&atilde;o    a partir desse conjunto de dados. O "desaparecimento", a admiss&atilde;o, ou    mesmo a substitui&ccedil;&atilde;o de alguns objetos no dia a dia dos habitantes,    bem como as altera&ccedil;&otilde;es nos espa&ccedil;os interno e externo das    moradias dos diferentes grupos sociais, constituem alguns exemplos percebidos    nas fontes aqui estudadas. E &eacute; a hist&oacute;ria das transforma&ccedil;&otilde;es    desse mundo material fortemente vinculado ao sistema escravista que se pretende    abordar nas an&aacute;lises que se seguem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A riqueza e    a cultura material em um mundo sustentado pela escravid&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Vale do Paraopeba/MG,    margeado por uma mir&iacute;ade de rios e riachos, contornado por montanhas    e serras que outrora forneceram ouro para a Coroa Portuguesa, constitui, neste    artigo, o cen&aacute;rio principal. Surgidas na regi&atilde;o Mineradora Central    Oeste,<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a> a sociedade e    a economia dessa circunscri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica n&atilde;o se    caracterizaram apenas pelo fausto do ouro.<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>    Planta&ccedil;&otilde;es de milho, feij&atilde;o, mandioca (considerada o "p&atilde;o    cotidiano") e outros alimentos cresceram nas terras f&eacute;rteis das fazendas    e s&iacute;tios. Da mesma maneira, a cria&ccedil;&atilde;o de animais, o com&eacute;rcio,    a circula&ccedil;&atilde;o e a troca de mercadorias foram a t&ocirc;nica das    vilas e cidades no Oitocentos mineiro. Ainda hoje &eacute; poss&iacute;vel percorrer    o Vale e se deparar com pequenas cidades que, a despeito das dificuldades e    dos entraves pol&iacute;ticos, conseguiram preservar parte do seu centro "hist&oacute;rico".    Afora as muitas e majestosas cachoeiras, o visitante tamb&eacute;m pode descobrir    fazendas centen&aacute;rias, como a Boa Esperan&ccedil;a, localizada no munic&iacute;pio    de Belo Vale, ou a Palestina, nos limites da cidade de Bonfim. Apesar de poucos,    esses exemplares constituem importantes referenciais, que permitem ao pesquisador    recompor e acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas na regi&atilde;o,    seja em fun&ccedil;&atilde;o do tempo, seja pelas mudan&ccedil;as de estilos,    padr&otilde;es est&eacute;ticos e arquitet&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do mesmo modo,    os artefatos dispostos nos museus<a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a>    - mesmo que de forma aleat&oacute;ria e pouco sistem&aacute;tica - e aqueles    localizados por meio das imagens fotogr&aacute;ficas (dos s&eacute;culos XIX    e XX)<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a> possibilitam elaborar    um esbo&ccedil;o da vida social e cultural da sociedade brasileira do passado,    em especial da mineira. No entanto, os invent&aacute;rios oferecem, conforme    nos lembra Meneses, "uma inflex&atilde;o no circuito da vida social do artefato",    lan&ccedil;ando-se em outro ciclo, qual seja: o momento em que a vida de um    dos c&ocirc;njuges se esvai e a fam&iacute;lia precisa fazer o balan&ccedil;o    material de toda uma exist&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio das fontes    cartor&aacute;rias, p&ocirc;de-se perceber como a cultura material das sociedades    do passado configurava-se de forma vagarosa, permeada por detalhes, quase impercept&iacute;veis    aos olhos contempor&acirc;neos. Por isso, a tarefa que se imp&otilde;e ao historiador    &eacute; a mesma de um arque&oacute;logo: trabalha-se com min&uacute;cias, &agrave;s    vezes os &uacute;nicos vest&iacute;gios que sobreviveram ao tempo e ao homem.    Dessa forma, foi necess&aacute;rio adentrar figurativamente nas casas e fazendas,    vasculhar quartos, salas, visitar hortas e pomares, para entender o que as pessoas    vestiam, como se trajavam, se alimentavam e, principalmente, quais eram seus    artefatos e como elas se relacionavam com os objetos da casa e do trabalho.    Consequentemente, algumas quest&otilde;es se impuseram.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que significava    ter alguns objetos, como pianos, malas de viagem, livros ou "uma m&aacute;quina    de fazer &aacute;gua gasosa", em 1877? Ou ser propriet&aacute;rio de "uma posse    de pescaria no rio Paraopeba", em 1882. At&eacute; que ponto ser dono de uma    grande escravaria associava-se aos artefatos luxuosos e sofisticados? Ao longo    dos quase oito dec&ecirc;nios analisados, foi poss&iacute;vel perceber mudan&ccedil;as    e perman&ecirc;ncias nos modos de vida, atitudes, gestos e h&aacute;bitos? &Eacute;    pertinente pensar que novos padr&otilde;es sociais e culturais estavam consolidando-se    no final do s&eacute;culo XIX? Se a resposta for afirmativa, quais padr&otilde;es    se configuraram diante dos diferentes estratos sociais? E de que forma? A realidade    socioecon&ocirc;mica daquela regi&atilde;o estava em conformidade com o que    acontecia em outras partes do territ&oacute;rio brasileiro, antes e depois do    fim da escravid&atilde;o?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ante tantas interroga&ccedil;&otilde;es,    a an&aacute;lise se iniciou por aquelas quest&otilde;es que dizem respeito aos    padr&otilde;es est&eacute;ticos, classificat&oacute;rios e axiol&oacute;gicos.    Qual era a fronteira entre um objeto tido como novo e outro avaliado e descrito    como <i>antigo</i> pelos "louvados"?<a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>    Qual o real significado, ou melhor, como algumas palavras e express&otilde;es    - que aparecem frequentemente - eram compreendidas e absorvidas no cotidiano    daquela popula&ccedil;&atilde;o? Por exemplo: o "engenho velho", a "cama ordin&aacute;ria",    a "x&iacute;cara inglesa de asa quebrada", o "moinho muito esbangalhado", a    "caixa em bom uso feita c&aacute;", a "cama aparelhada", o "len&ccedil;o adamascado",    as "cantoneiras de m&aacute;rmore" etc.?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para responder    a essas e outras tantas perguntas, foi necess&aacute;rio adentrar a moradia    do capit&atilde;o Manoel Jos&eacute; Parreiras. Ali, parece que o "novo" convivia    harmoniosamente com o seu oposto, pois encontramos na sala de jantar uma "mesa    modelo antigo".<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a> O que    significava ter uma pe&ccedil;a "modelo antigo" em 1856, quando as mudan&ccedil;as    socioculturais no interior do Brasil ainda ocorriam de forma lenta e gradual?    Ser&aacute; que as pessoas estavam atentas &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es    de estilo do mobili&aacute;rio? Seria a "mesa modelo antigo" um objeto do s&eacute;culo    XVIII legado &agrave; fam&iacute;lia? Vasculhando a intimidade dessa resid&ecirc;ncia    e de outras propriedades igualmente discriminadas no Banco de Dados, algumas    considera&ccedil;&otilde;es a esse respeito puderam ser feitas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A heran&ccedil;a    da fam&iacute;lia do capit&atilde;o Parreiras foi calculada em quase vinte contos    de r&eacute;is, definindo-o como um membro leg&iacute;timo do estrato mais privilegiado    da sociedade paraopebana, ou seja, pertencente ao Grupo A, cujos esp&oacute;lios    atingiam uma soma maior que dez contos de r&eacute;is.<a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a>    Era propriet&aacute;rio de tr&ecirc;s grandes fazendas - a do <i>Engenho</i>,    a da <i>Cachoeira dos Amorins</i> (hoje coberta pelas &aacute;guas da represa    do Rio Manso) e a do <i>Zagaia</i>. A casa na vila do Bonfim foi estimada pelos    louvados em quase meio conto de r&eacute;is, valor consider&aacute;vel, uma    vez que n&atilde;o era a sua habita&ccedil;&atilde;o principal e servia apenas    para as eventuais visitas de fins de semana, nos quais sua fam&iacute;lia provavelmente    a utilizava ao frequentar as festas religiosas e pol&iacute;ticas que ali ocorriam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A hist&oacute;ria    descortinada por esse invent&aacute;rio ratifica o modo de viver dos grandes    propriet&aacute;rios de terras e de escravos do Vale do Paraopeba, no momento    imediatamente posterior ao final do tr&aacute;fico de cativos. A fazenda do    Engenho, de aproximadamente 170 alqueires, constitu&iacute;a sua principal moradia.    O "massame", ou seja, todo o complexo da fazenda</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) continha      casa de sobrado, casa de despejo do lado de cima, paiol, engenho de moer cana      com toda a sua cana, uma senzala perto da casa, moinho, tudo coberto de telha      e pasto, avaliado pelos louvados em dois contos de r&eacute;is.<a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A propriedade possu&iacute;a    tamb&eacute;m um grande pomar com jabuticabeiras, horta de verduras e animais    (doze bois gordos, quatro cavalos e quinze su&iacute;nos). Com o trabalho realizado    por seus onze escravos, podia-se plantar quase tudo, incluindo v&aacute;rios    alqueires de feij&atilde;o, mandioca, arroz, milho, algod&atilde;o, mamona,    caf&eacute; e cana-de-a&ccedil;&uacute;car. Na "casa de despejo do lado de cima    da fazenda assobradada", deviam-se guardar as ferramentas encontradas, como    enxadas, foices, martelos, enx&oacute;s e alavancas. A "tenda de ferreiro com    todos os seus pertences, os dois moinhos movidos a &aacute;gua, o engenho de    cana movido por bois e tr&ecirc;s carros de bois em bom uso" n&atilde;o ficava    longe da sede.<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O casamento do    capit&atilde;o Jos&eacute; Manuel Parreiras com dona Maria Feliciana de Jesus    rendeu uma prole numerosa: oito homens e quatro mulheres, todas possuidoras    de dotes. Os objetos e artefatos identificados no domic&iacute;lio do casal    demonstram que os membros da fam&iacute;lia viviam confortavelmente, em compara&ccedil;&atilde;o    com os padr&otilde;es da &eacute;poca e com os de seus pares menos afortunados,    o Grupo B (5:000$001 a 10:000$000) e o Grupo C ("monte-mor" de at&eacute; 5$000.000).<a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a>    A "espregui&ccedil;adeira, as doze cadeiras de palhinha, o arm&aacute;rio com    gavetas, os dois arm&aacute;rios em bom uso com fechadura, as cinco caixas e    caixotes em bom uso e duas frasqueiras, um banco na varanda com seis p&eacute;s,    uma cama aparelhada bem usada com colcha de chita" fazem parte de uma mob&iacute;lia    pouco comum, que pertencia somente aos mais remediados. Entre as pe&ccedil;as    arroladas notam-se "um vestido roxo, uma sobrecasaca, uma camisa de algod&atilde;o    fino e um chap&eacute;u amazona". O "espelho com caixa, bem delicado com repartimentos"    chama aten&ccedil;&atilde;o e possivelmente devia ficar sobre a "c&ocirc;moda".    Talvez no quarto do casal?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Roupas de uso pessoal    e outras tantas destinadas &agrave; casa tamb&eacute;m devem ter existido, uma    vez que, entre os objetos do casal, foram listados "uma roda de fiar algod&atilde;o    em bom estado e um tear com todos os seus pertences". Dos artefatos arrolados    nesse invent&aacute;rio ressaltam-se, ainda, joias e adornos pessoais, como    "um par de bichas com pedra roxa, duas mem&oacute;rias, um argol&atilde;o e    um ros&aacute;rio", tudo em ouro e prata. Diante de tanta sofistica&ccedil;&atilde;o    para os padr&otilde;es locais, &eacute; poss&iacute;vel que estivessem atentos    ao que era "antigo", diferenciando-o assim de um mobili&aacute;rio mais atual:    "o catre novo liso forrado de taboas, ou a espregui&ccedil;adeira nova", por    exemplo. &Eacute; tamb&eacute;m plaus&iacute;vel que soubessem, sim, distinguir    sua "mesa modelo antigo", quem sabe em estilo Georgiano de Chippendale,<a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a>    de outros "modelos" em voga naquele momento, como o Vitoriano, feito de jacarand&aacute;    com acabamento escuro, entalhes e decora&ccedil;&otilde;es em m&aacute;rmore.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O &aacute;lbum    de fam&iacute;lia, conservado ainda hoje, inclui vinte e cinco fotografias e    traz uma s&eacute;rie de retratos, tanto de casais como de indiv&iacute;duos    - homens e mulheres "fazendo pose". A foto de um dos casais traz no verso um    carimbo com as seguintes informa&ccedil;&otilde;es: "Photographia Allemaa de    Guilherme". Outra cont&eacute;m os seguintes dizeres: "Carneiro &amp; Gaspar.    54 rua de Gon&ccedil;alves Dias - Rio de Janeiro; 58; rua da Imperatriz - S&atilde;o    Paulo; Casa em Paris - rua de Rivoli, 79". As demais foram produzidas pela "Photographia    e Pintura de Manoel Garcia", localizada na rua Sete de Setembro, esquina com    rua Gon&ccedil;alves Dias, tamb&eacute;m no Rio de Janeiro.<a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; prov&aacute;vel    que a fam&iacute;lia tivesse ido &agrave; capital do Imp&eacute;rio para visitar    algum parente ou fechar algum neg&oacute;cio. N&atilde;o se sabe ao certo. O    que se pode inferir &eacute; que nessas viagens aproveitavam a ocasi&atilde;o    para frequentar os "ateli&ecirc;s" da capital, comprar as roupas sofisticadas    na rua do Ouvidor; os "len&ccedil;os adamascados, as bocetas de luxo, o capote    velho da maced&ocirc;nia" e diversos objetos importados e diferenciados mencionados    pelas fontes cartor&aacute;rias. V&aacute;rios outros documentos - como notas    de compra anexadas aos invent&aacute;rios dos tropeiros e negociantes das cidades    do Vale - atestam a estreita rela&ccedil;&atilde;o cultural, comercial e econ&ocirc;mica    que a regi&atilde;o possu&iacute;a com a Corte do Rio de Janeiro, no decorrer    do s&eacute;culo XIX escravista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">At&eacute; o momento,    os v&aacute;rios dados encontrados em diferentes fontes v&ecirc;m configurando    padr&otilde;es diferenciados, que caracterizam os tr&ecirc;s setores sociais    mencionados. No entanto, se o modelo explica a regra de conduta e h&aacute;bitos    mais comuns, a exce&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ajuda a compreender como    era a sociedade de ent&atilde;o. O invent&aacute;rio do advogado e abolicionista    Manoel Bernardes da Cunha Ca&ccedil;&atilde;o constitui um exemplo. Sem possuir    um escravo sequer, em 1877, e com um "monte-mor" avaliado em pouco mais de sete    contos de r&eacute;is (7:220$418) - o que o classificaria como um membro do    grupo intermedi&aacute;rio da sociedade -, o rol de seus bens consiste num dos    casos mais apropriados para investigar o que significava ter uma vida sofisticada    (poder-se-ia dizer "luxuosa"?) no interior de Minas Gerais, no s&eacute;culo    XIX.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A excepcionalidade    da vida de Ca&ccedil;&atilde;o foi contemplada em outro trabalho, mas vale a    pena retomar aqui alguns detalhes significativos.<a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a>    Dos quase cem exemplares de sua rica e extensa biblioteca, t&iacute;tulos como    <i>Novo Advogado do Povo</i>, <i>Acad&ecirc;micas por Mente Negra</i>, <i>Tratado    do Esp&iacute;rito Humano</i> e <i>Hist&oacute;ria dos Gerundinos</i> condizem    n&atilde;o s&oacute; com sua profiss&atilde;o, mas com um modo de viver "elegante",    se comparado com o de seus vizinhos. E ainda distinto, pois n&atilde;o apenas    n&atilde;o possu&iacute;a escravos, como ao longo de sua carreira intercedeu    pela vida de v&aacute;rios deles condenados &agrave; forca. Em um dos casos    que se envolveu, conseguiu, por interm&eacute;dio da Princesa Isabel, a comuta&ccedil;&atilde;o    da pena de morte do escravo Rufino - que assassinara o filho do seu dono junto    &agrave; porteira da fazenda, por ci&uacute;mes de uma "mulatinha" - para gal&eacute;s    perp&eacute;tuas, em 1875.<a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sua exist&ecirc;ncia    por si s&oacute; &eacute; relevante e rende boas discuss&otilde;es sobre a escravid&atilde;o    e a pol&iacute;tica imperial, mas neste momento interessa saber como ele vivia    com sua fam&iacute;lia, na d&eacute;cada de 1870. A casa na rua das Flores era    "envidra&ccedil;ada com seu competente quintal, cercado de muro de barro" e    foi avaliada em quase dois contos de r&eacute;is (1:800$000). Esse valor s&oacute;    &eacute; comparado ao das &agrave;s grandes fazendas. O piano, a flauta, o flautim,    "a m&aacute;quina de &aacute;gua gasosa com defeito", as "duas m&aacute;quinas    de bater ovos", o "tapete aveludado", provavelmente foram adquiridos nas v&aacute;rias    viagens que fez &agrave; Corte e outras localidades. Por isso, chama aten&ccedil;&atilde;o,    em meio a seus pertences, a "mala de viagem", devidamente arrolada entre muitos    outros objetos de uso pessoal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o    estabelecida entre escravos e dimens&atilde;o material n&atilde;o se aplica    ao caso de Manoel Bernardes da Cunha Ca&ccedil;&atilde;o. O exemplo simboliza,    entretanto, as transforma&ccedil;&otilde;es e a possibilidade de um universo    material complexo desvinculado da posse de cativos. As v&aacute;rias atividades    desenvolvidas - principalmente como advogado e procurador - possibilitaram-lhe    estabelecer um padr&atilde;o de vida semelhante ao dos m&eacute;dios e grandes    escravistas. Por outro lado, sendo o &uacute;nico caso encontrado, essa excepcionalidade    n&atilde;o invalida a rela&ccedil;&atilde;o diretamente proporcional estabelecida    aqui entre escravos, riqueza e sofistica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cultura material    do capit&atilde;o Parreiras, fortemente vinculada &agrave; posse de cativos,    e a vida singular do "antiescravista" Manoel Bernardes indicam o quanto era    plural a sociedade em estudo. E, como se pode tamb&eacute;m imaginar, nem s&oacute;    de fausto viviam os mineiros, e toda a opul&ecirc;ncia vista at&eacute; aqui    contrasta com a vida simples que dona Ant&ocirc;nia Maria Bonif&aacute;cia,    casada com Caetano Gomes Monteiro, levava em 1846.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O patrim&ocirc;nio    acumulado durante toda uma vida pelo casal n&atilde;o chegou a um conto de r&eacute;is    (1:000$000). A "morada de casa de vivenda sitas nesta vila (de Bonfim), na rua    de Baixo, com seu quintal" compunha quase todo o esp&oacute;lio e foi avaliada    em 650$000 r&eacute;is. Pelo que indica o valor total de seu "monte-mor", n&atilde;o    tinham muitos outros bens relevantes, a n&atilde;o ser dois escravos: Anna Rebollo,    de 50 anos (cujo valor era 20$000 r&eacute;is), e Manoel Pardo, de 37 anos (avaliado    em 30$000 r&eacute;is). O mobili&aacute;rio consistia em "duas caixas (uma sem    fechadura, outra sem guarni&ccedil;&otilde;es), um caix&atilde;o grande com    dois repartimentos para guardar mantimentos, uma mesa pequena com gaveta e um    preguiceiro velho". Possu&iacute;am ainda "um catre antigo muito antigo", no    valor irris&oacute;rio de 640 r&eacute;is - equivalente a uma "enxada quebrada".    Provavelmente Seu Caetano vivia de seus servi&ccedil;os de carpintaria e "ferraria",    auxiliado pelo escravo Manoel, pois entre seus utens&iacute;lios foram encontradas    "serras, form&otilde;es, enx&oacute;s, martelos, puxavantes, bigorna, form&atilde;o    goiva, alavancas", al&eacute;m de "seis taboas de madeira".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A roda de fiar    algod&atilde;o devia ser utilizada tanto por dona Ant&ocirc;nia quanto pela    escrava Anna, para a confec&ccedil;&atilde;o de len&ccedil;&oacute;is, toalhas    e de toda a vestimenta do dia a dia. Dificilmente se encontram catalogados nos    invent&aacute;rios (tanto de ricos quanto de pobres) as roupas de algod&atilde;o,    assim como as colheres de pau e os vasilhames de barro/argila. Isso se deve    ao pouco valor monet&aacute;rio que possu&iacute;am, pois, em geral, eram feitos    na pr&oacute;pria comunidade - ao contr&aacute;rio da "x&iacute;cara inglesa    de asa quebrada", da "bigorna velha quebrada com peso de duas arrobas" e do    "candeeiro velho de lat&atilde;o". Nesses casos, e em in&uacute;meros outros,    o tipo de material (ferro, lat&atilde;o, prata, ouro, madeira ou pedra) e a    proced&ecirc;ncia (Inglaterra, Maced&ocirc;nia, Rio de Janeiro, entre outros    locais) definiam sua import&acirc;ncia na sociedade e na economia local.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fato de os objetos    estarem "quebrados", "velhos", "esbangalhados" - termos e palavras verificados    na pr&oacute;pria documenta&ccedil;&atilde;o -, embora depreciasse sua avalia&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o invalidava o uso continuado das pe&ccedil;as ou at&eacute; mesmo    sua troca ou venda. Daniel Roche salienta o quanto era importante reaproveitar    e reutilizar o vestu&aacute;rio e os objetos nas sociedades dos s&eacute;culos    passados. &Eacute; prov&aacute;vel que o "catre antigo muito antigo" de dona    Ant&ocirc;nia Maria Bonif&aacute;cia tivesse sido herdado, mas certamente, pelo    seu pouco valor (640 r&eacute;is), n&atilde;o tinha a mesma sofistica&ccedil;&atilde;o,    conserva&ccedil;&atilde;o e acabamento da <i>mesa modelo antigo</i> do capit&atilde;o    Manuel Jos&eacute; Parreiras, avaliada em 25$000 r&eacute;is.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do mesmo modo,    escravos descritos como "inv&aacute;lidos", "os rendidos de uma virilha", "os    j&aacute; de pouco trabalho", "os quebrados pela idade", "os aleijados de m&atilde;o    ou bra&ccedil;o" ainda assim eram mencionados com seus respectivos valores.    Emerenciana, de idade desconhecida, foi descrita como "afetada de ataque est&eacute;rico    &#91;<i>sic</i>&#93;"; no entanto, foi avaliada, em 1879, em 300$000 r&eacute;is.    Pre&ccedil;o nada desprez&iacute;vel, pois com essa quantia podia adquirir-se    uma casa na cidade ou alguns alqueires de "terra de cultura". O estado (tempor&aacute;rio    talvez?) de "ataque est&eacute;rico &#91;<i>sic</i>&#93;" ou, ainda, a perda    definitiva de um bra&ccedil;o ou de uma m&atilde;o n&atilde;o anulavam completamente    a "pe&ccedil;a", do mesmo modo que ocorria com os objetos "velhos, quebrados,    ordin&aacute;rios e esbangalhados". Tais procedimentos e c&oacute;digos na aprecia&ccedil;&atilde;o    dos artefatos e, tamb&eacute;m, dos homens e mulheres cativos dizem muito dessa    sociedade, pois extrapolam seu valor venal e implicam considerar sua associa&ccedil;&atilde;o    com outros elementos, situa&ccedil;&otilde;es e sistemas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nota-se, por outro    lado, que n&atilde;o s&oacute; a escravaria e produtos importados eram apreciados    na pra&ccedil;a e no com&eacute;rcio. Em 1844, o sr. Jos&eacute; Guedes possu&iacute;a,    entre seus v&aacute;rios utens&iacute;lios, "uma bigorna e todas as ferramentas    de furar, uma balan&ccedil;a de pesar rem&eacute;dio com marco, um rolo de ralar    mandioca". Entretanto, o que chamou aten&ccedil;&atilde;o foi a "roda de fazer    panelas", com quase duas centenas desse utens&iacute;lio dom&eacute;stico. A    quantidade encontrada no conjunto - 192 panelas - sugere que a pe&ccedil;a estava    pronta para ser vendida no com&eacute;rcio da cidade e regi&atilde;o. Talvez    o neg&oacute;cio n&atilde;o fosse t&atilde;o lucrativo para Guedes, da&iacute;    a necessidade de agregar outras atividades, como a "ferraria" e o cultivo de    sua propriedade de 60 alqueires. Na abertura do seu invent&aacute;rio, constava    uma colheita de "quinhentos p&eacute;s de caf&eacute;, meio alqueire de mamona    e tr&ecirc;s alqueires de feij&atilde;o com bicho", tarefas realizadas com o    aux&iacute;lio de seus tr&ecirc;s escravos. Infelizmente n&atilde;o foi poss&iacute;vel    identificar com qual material - pedra, argila ou pedra - as tais panelas foram    confeccionadas. Uma coisa &eacute; certa: pela quantidade, sua produ&ccedil;&atilde;o    era destinada ao mercado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tanto o paneleiro    Jos&eacute; Guedes quanto a fam&iacute;lia de Ant&ocirc;nia Bonif&aacute;cia    foram classificados como os membros menos abastados dos inventariados - o Grupo    C. Ainda assim, possu&iacute;am um pequeno plantel de cativos, como se pode    depreender das an&aacute;lises realizadas.<a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a>    Duas outras quest&otilde;es atraem aten&ccedil;&atilde;o. Mais uma vez, o significado    de ter ou n&atilde;o escravos na sociedade da &eacute;poca se imp&otilde;e.    O que essa realidade tem de particular e, em segundo lugar, at&eacute; que ponto    &eacute; compar&aacute;vel &agrave; de outras partes do Imp&eacute;rio do Brasil?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estudo de cunho    regional tem suas vantagens na medida em que permite aprofundar e conhecer em    detalhes a realidade estudada. Mas enriquece na medida em que permite tecer    compara&ccedil;&otilde;es e estabelecer analogias.<a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a>    Apesar das singularidades do Vale do Paraopeba, como a composi&ccedil;&atilde;o    de suas terras f&eacute;rteis e a relativa proximidade com a Corte do Rio de    Janeiro, a localidade em exame reflete o que poderia estar acontecendo em outras    partes do Imp&eacute;rio, a saber: em regi&otilde;es tamb&eacute;m voltadas    para o abastecimento interno e nas quais a presen&ccedil;a do trabalho compuls&oacute;rio    foi fundamental para definir tanto a composi&ccedil;&atilde;o dos grupos mais    privilegiados quanto a dos setores intermedi&aacute;rios e a dos menos afortunados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hist&oacute;rias    de "grandes" fazendeiros produtores de alimentos, como &eacute; o caso de Manuel    Jos&eacute; Parreiras, ou de pequenos sitiantes, agricultores, plantadores de    milho, criadores de porcos, paneleiros, tropeiros e negociantes, sinalizam o    quanto a sociedade em quest&atilde;o era pluralizada, mas dependente, em &uacute;ltima    inst&acirc;ncia, da m&atilde;o-de-obra cativa. Dos 452 invent&aacute;rios analisados    (entre 1840 e 1888) percebe-se que 45% deles eram propriet&aacute;rios de pequenos    plant&eacute;is (um a tr&ecirc;s escravos), o que abarcava, no entanto, apenas    12% do total de indiv&iacute;duos escravizados. Ao contr&aacute;rio, os grandes    e "excepcionais" propriet&aacute;rios chegaram a compor juntos 21% dos casos    analisados; compreendiam, todavia, quase 60% do total de escravos existentes    no per&iacute;odo analisado, conforme indicado pelas <a href="#t1">Tabelas 1</a>    e <a href="#t2">2</a>.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/vh/v27n46/02t01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/vh/v27n46/02t02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Destaca-se que    o Grupo C - em geral formado por detentores de pequenos plant&eacute;is - era    numericamente representativo e, nos anos 1880/88, chegou a compor 57% dos casos    analisados, como demonstra o <a href="#g1">Gr&aacute;fico 1</a>. Analisando    o total da riqueza (entre 1840 e 1914), depara-se com uma situa&ccedil;&atilde;o    extraordin&aacute;ria. Em 1840/49, a m&eacute;dia do "monte-mor" era de 6.765$390    contos de r&eacute;is; nos dois &uacute;ltimos dec&ecirc;nios (1870/79; 1880/88),    chegou a atingir, respectivamente, 9:339$593 e 8.640$986 contos de r&eacute;is.    As m&eacute;dias foram declinando e a situa&ccedil;&atilde;o limite pode ser    observada no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1910, quando a riqueza atingiu    pouco mais de tr&ecirc;s contos (3:041$404). A queda vertiginosa - dois ter&ccedil;os    - das fortunas, em meio &agrave;s diversas transforma&ccedil;&otilde;es, como    a transfer&ecirc;ncia da capital mineira (1897), a transi&ccedil;&atilde;o do    regime pol&iacute;tico (1889) e o fim do trabalho compuls&oacute;rio (1888),    &eacute; muito significativa.</font></p>     <p><a name="g1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/vh/v27n46/02g01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O dinamismo econ&ocirc;mico    do Vale, no transcorrer do s&eacute;culo XIX escravista, reflete-se na complexa    e rica cultura material identificada nas fontes cartor&aacute;rias. Os documentos    tamb&eacute;m atestam as diversas transa&ccedil;&otilde;es comerciais realizadas    pelos negociantes e tropeiros corroborando para a intensa circula&ccedil;&atilde;o    de bens, objetos e mercadorias dentro e fora da prov&iacute;ncia.<a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentro da estrutura    econ&ocirc;mica erigida ao longo do s&eacute;culo XIX, uma intricada trama de    atividades convergia para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e sua distribui&ccedil;&atilde;o    dentro e fora do espa&ccedil;o provincial. Nos alambiques de cobre, produzia-se    a aguardente; no "engenho de moer cana de cilindro de ferro movido por bois    e todos os seus pertences", a rapadura. Na "cozinha para fazer queijo" de dona    Tereza Francisca Gomes,<a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a>    certamente os dois escravos - Florinda, de 40 anos, e Jos&eacute;, de 37 -,    que ela "alugava por ano", faziam os queijos, al&eacute;m de, em outras partes    da propriedade, cuidarem da ro&ccedil;a de milho, do "galinheiro coberto de    telhas, do monjolo, dos dois moinhos um grande e outro pequeno, da casa de tear    t&atilde;o bem coberta de telhas, da parte do engenho que tinha com seu vizinho    e do chiqueiro coberto de telhas com um cocho".<a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o muito    longe dali, na Vila de Rio Manso, mais especificamente na casa do vi&uacute;vo    Joaquim Cassiano da Silva, em 1853, encontramos "uma tenda de ferreiro que se    comp&otilde;e de uma bigorna, um fole, dois malhos, um martelo, duas tenazes    direita e torta, um ponteiro, duas craveiras quebradas e um forno grande". Eram    nessas tendas de ferreiro - encontradas &agrave;s dezenas nos invent&aacute;rios    do per&iacute;odo imperial escravista - que se produziam as centenas de enxadas,    foices, machados e pe&ccedil;as empregadas na constru&ccedil;&atilde;o dos carros    de bois, afora os pregos e taxas que se usavam na fabrica&ccedil;&atilde;o de    caix&otilde;es, caixas e caixotes. Constava, no momento da abertura do invent&aacute;rio    do sr. Joaquim, apenas o escravo Jos&eacute; de na&ccedil;&atilde;o congo, de    20 anos de idade. A propriedade &eacute; descrita da seguinte forma:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) O ma&ccedil;ame      desta fazenda do Are&atilde;o que consta de uma morada de casas t&eacute;rreas      com varanda da frente assobradada, coberta de telhas, paiol, tamb&eacute;m      coberto de telhas, senzalas, curral cercado de bra&uacute;na, uma coberta      de telhas e quintal com arvoredo de espinho vista e avaliada em um conto e      trezentos mil r&eacute;is (1:300$000).<a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em algum momento    de sua vida &eacute; poss&iacute;vel que esse propriet&aacute;rio tivesse possu&iacute;do    mais bens e escravos. Seu invent&aacute;rio n&atilde;o explica o que ocorreu,    mas talvez alguma adversidade ou mesmo a divis&atilde;o do esp&oacute;lio, no    momento da sua viuvez, tenha ocasionado a fragmenta&ccedil;&atilde;o de seu    patrim&ocirc;nio. Conforme j&aacute; mencionado, a fonte cartor&aacute;ria cristaliza    a riqueza e a pobreza dos indiv&iacute;duos num dado momento. Como num retrato,    a imagem congelada do patrim&ocirc;nio, dos objetos da casa e do trabalho diz    muito desse universo de homens e mulheres livres e escravizados. Mas o que aconteceu    h&aacute; d&eacute;cadas pode escapar &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o, caso    n&atilde;o seja poss&iacute;vel acompanhar os registros da vida dos ancestrais    dessas pessoas. Todavia, uma quest&atilde;o &eacute; certa: o invent&aacute;rio    flagra uma ocasi&atilde;o espec&iacute;fica e abre uma janela que permite ao    pesquisador espreitar alguns infort&uacute;nios da vida material, assim como    descobrir fortunas acumuladas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    a tudo isso, evidencia-se um vi&eacute;s pessoal/familiar que, somado a outras    narrativas, acaba por descortinar a realidade dos diferentes segmentos da sociedade,    bem como a din&acirc;mica social de um determinado lugar. A hist&oacute;ria    refletida e espelhada nas centenas de invent&aacute;rios analisados aqui - e    em trabalhos anteriormente realizados - evidenciou uma complexa rede de produ&ccedil;&atilde;o    de alimentos e tecidos que dinamizava a economia e o com&eacute;rcio, permitindo    o tr&acirc;nsito intenso de animais de tropa nas estradas que ligavam o sert&atilde;o    ao litoral, o interior &agrave; Corte do Rio de Janeiro, durante o s&eacute;culo    XIX escravista (1840/88).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, essa    imbricada produ&ccedil;&atilde;o e toda a estrutura econ&ocirc;mica consolidada    durante d&eacute;cadas gradativamente come&ccedil;aram a sofrer profundas transforma&ccedil;&otilde;es,    como se poder&aacute; ver de mais perto no t&oacute;pico seguinte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A (re) organiza&ccedil;&atilde;o    da riqueza, os novos padr&otilde;es culturais e materiais no p&oacute;s-1888</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se as viagens &agrave;    Corte eram constantes entre os setores mais privilegiados da sociedade em foco,    tamb&eacute;m se deve considerar o contato permanente que a regi&atilde;o tinha    com a antiga capital de Minas Gerais. A cr&ocirc;nica de Jo&atilde;o Paraopeba    publicada no <i>Jornal da Cidade de Bonfim</i> constitui um relato interessante    e vem ao encontro das informa&ccedil;&otilde;es encontradas nos invent&aacute;rios    a partir do final do s&eacute;culo XIX. Possibilita igualmente identificar v&aacute;rios    elementos relacionados &agrave; cultura material, &agrave; economia e ao(s)    modo(s) de vida de seus habitantes. Intitulada <i>Bonfim que n&atilde;o volta    mais</i>..., exp&otilde;e a percep&ccedil;&atilde;o que o autor tinha dos tempos    do Imp&eacute;rio, de como era a antiga e a nova capital dos mineiros. Tamb&eacute;m    revela aspectos de toda uma estrutura social e material que deixou de existir.    O fato de ter vivenciado a transi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XIX para    o XX e registrado essa experi&ecirc;ncia por si j&aacute; &eacute; importante;    mas, como o autor era membro da sociedade bonfinense, o texto acabou adquirindo    um status de testemunho. Por meio dele foi poss&iacute;vel retratar v&aacute;rios    elementos da materialidade daquele mundo que "n&atilde;o volta mais...". O excerto    retirado &eacute; revelador, nesse sentido:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) Passeavamos      muito, &iacute;amos a Ouro Preto, naquelle tempo ainda Capital, e como ach&aacute;vamos      bonita a cidade de Ouro Preto... Apesar das suas ruas curvas e ladeiras. E'      que era a Capital e s&oacute; por isso bastava para a acharmos bonita. Bello      Horizonte ainda era uma promessa, e no antigo Curral d'El-Rey, uma infinidade      de homens de todas as ra&ccedil;as e costumes, fazia a Cidade Vergel. Fomos      l&aacute; e vimos como os homens trabalhavam. Como era diff&iacute;cil uma      viagem a Ouro Preto ou ao Curral d'El Rey: feita a cavallo, em estradas horr&iacute;veis,      acompanhados de nosso bagageiro, o preto e bom Greg&oacute;rio Bahaino, servi&ccedil;al      como poucos. Bons tempos, que n&atilde;o voltam mais. (...) Bomfim era muito      commercial. S&oacute; na rua de baixo - chamada rua do Commercio, havia mais      de dez casas de neg&oacute;cio, mas casas de facto, sortidas, onde se comprava      desde o riscado mais grosso ou len&ccedil;o de m&atilde;o, at&eacute; a seda      mais fina e bonita. O commercio era feito por tropas, e os viajantes, quase      todos portuguezes, vinham montados em bestas bonitas, com arreatas brilhantes      de incrusta&ccedil;&otilde;es de prata. E l&aacute; no morro appareciam ellas,      poeira subindo, e os guizos da tropa annunciando a chegada. (...) Chegados      &#91;os tropeiros e negociantes&#93;, ficavam no Chico de Barros &#91;venda&#93;,      o campe&atilde;o das anecdotas. Ficavam aqui muitos dias, vendendo de tudo      e contando casos de Lisboa e do Porto.<a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo o autor,    os tropeiros e negociantes - boa parte deles portugueses - chegavam trazendo    as not&iacute;cias e acontecimentos de Ouro Preto, da Corte, de Lisboa e do    Porto. Tamb&eacute;m anunciavam as not&iacute;cias da constru&ccedil;&atilde;o    da nova Capital, que naquele momento "ainda era uma promessa". O com&eacute;rcio    efervescente, com "casas de facto, sortidas, onde se comprava desde o riscado    mais grosso ou len&ccedil;o de m&atilde;o, at&eacute; a seda mais fina e bonita",    n&atilde;o mais fazia parte do cen&aacute;rio descrito por Jo&atilde;o do Paraopeba    no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX. Igualmente, os neg&oacute;cios e as "catiras"<a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>    ("quem quisesse podia negociar uns 500 su&iacute;nos, em meia hora; era s&oacute;    dar uma volta pela cidade") n&atilde;o constitu&iacute;am mais assuntos comentados    nos armaz&eacute;ns. Conquanto a cr&ocirc;nica tenha um vi&eacute;s particular,    fruto de uma "mem&oacute;ria afetiva" e um tanto melanc&oacute;lica, ela est&aacute;    afinada com a postura encontrada em outros relatos e documentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As an&aacute;lises    executadas nesta e em pesquisas anteriormente conclu&iacute;das indicam n&atilde;o    apenas o dinamismo do com&eacute;rcio, mas que o trabalho compuls&oacute;rio    dominou economicamente o cen&aacute;rio at&eacute; a d&eacute;cada de 1880,    o que tamb&eacute;m influenciou e marcou de maneira decisiva as rela&ccedil;&otilde;es    sociais e culturais no Paraopeba. O alto &iacute;ndice de pequenos e m&eacute;dios    escravistas citados nos invent&aacute;rios <i>post-mortem</i> (45% e 35%) e    nas listas nominativas de habitantes (33% e 35%) suscita duas quest&otilde;es:    1) o que representava ser detentor de uma pequena, m&eacute;dia ou grande escravaria    no Vale?; 2) qual a import&acirc;ncia da escravid&atilde;o na vida econ&ocirc;mica    e social desses grupos?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O primeiro ponto    a ressaltar &eacute; a predomin&acirc;ncia num&eacute;rica dos pequenos e m&eacute;dios    propriet&aacute;rios de escravos. Esses grupos representavam, juntos, 80% dos    casos analisados, evidenciando que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o inventariada    e censit&aacute;ria estabelecia com os cativos uma "rela&ccedil;&atilde;o de    trabalho do tipo complementar", de acordo com o que ressaltou Hebe de Castro,    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regi&atilde;o de Capivary:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) O n&uacute;mero      de membros da fam&iacute;lia capazes de trabalhar e a possibilidade de contar      com um ou dois escravos determinava a import&acirc;ncia que o trabalho complementar      chegava a assumir na reprodu&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia dos menos      afortunados.<a name="top34"></a><a href="#back34"><sup>34</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os invent&aacute;rios    de dona Ant&ocirc;nia Bonif&aacute;cia e do paneleiro Guedes, examinados anteriormente,    constituem apenas alguns exemplos encontrados, entre tantos outros, desse tipo    de rela&ccedil;&atilde;o ao longo de quase todo o s&eacute;culo XIX. Por isso,    o escravo acabou assumindo um peso t&atilde;o expressivo na economia dessas    fam&iacute;lias at&eacute; os momentos finais do sistema escravista. Possuir    de um a tr&ecirc;s indiv&iacute;duos, por exemplo, garantia um trabalho cont&iacute;nuo    e permanente nos s&iacute;tios e ch&aacute;caras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A descri&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola identificada nos invent&aacute;rios    <i>post-mortem</i> deixou evidente que, nas pequenas e m&eacute;dias propriedades    rurais, plantavam-se diversos g&ecirc;neros aliment&iacute;cios, como milho,    caf&eacute;, mamona, arroz, feij&atilde;o e cana. Al&eacute;m disso, foi poss&iacute;vel    verificar que existiam hortas e pomares pr&oacute;ximos &agrave;s moradias,    bem como a cria&ccedil;&atilde;o de pequenos animais. A de su&iacute;nos parece    ter tido grande express&atilde;o nesse tipo de propriedade mais modesta. Em    muitos invent&aacute;rios de pequenos e m&eacute;dios produtores - em geral,    membros dos grupos B e C -, identificaram-se centenas deles, e a quantidade    encontrada &eacute; forte ind&iacute;cio de que n&atilde;o era uma produ&ccedil;&atilde;o    voltada apenas para o sustento familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os grandes e os    "excepcionais" escravistas - membros exemplares do Grupo A -, embora representassem    21% dos casos encontrados, concentraram quase 60% dos escravos existentes no    per&iacute;odo de 1840 a 1888, conforme apontado nas <a href="#t1">tabelas 1</a>    e <a href="#t2">2</a>. Analisando as caracter&iacute;sticas de seus plant&eacute;is    (sexo, idade e ocupa&ccedil;&otilde;es) chamou aten&ccedil;&atilde;o o fato    de que, em v&aacute;rios deles, as escravas tinham n&atilde;o s&oacute; forte    presen&ccedil;a num&eacute;rica, mas tamb&eacute;m eram descritas como fiandeiras.<a name="top35"></a><a href="#back35"><sup>35</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dez anos antes    do fim da escravid&atilde;o, encontramos o invent&aacute;rio de Damazo Jos&eacute;    Parreiras, filho do capit&atilde;o Manuel Jos&eacute; Parreiras, mencionado    no in&iacute;cio deste artigo.<a name="top36"></a><a href="#back36"><sup>36</sup></a>    De um patrim&ocirc;nio calculado em quase trinta contos de r&eacute;is, nota-se    que 41% referiam-se ainda &agrave; posse de escravos. Os duzentos alqueires    de "terras de cultura" encontrados na fazenda do Engenho, onde se plantava quase    tudo (arroz, feij&atilde;o, caf&eacute;, mamona, cana, milho, mandioca etc.),    indicam que era da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos que a fam&iacute;lia    tirava seu sustento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dados at&eacute;    agora analisados sugerem que a escravaria era igualmente fundamental &agrave;    perpetua&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da produtividade - dos    grandes, m&eacute;dios e pequenos escravistas - at&eacute; bem pr&oacute;ximo    da extin&ccedil;&atilde;o do trabalho compuls&oacute;rio. Ao analisar a quantidade    de escravos no Vale do Paraopeba, nota-se que a m&eacute;dia por propriedade    chegou a nove indiv&iacute;duos durante os anos 1850/59. Na d&eacute;cada da    Aboli&ccedil;&atilde;o, esses percentuais ficaram em torno de cinco cativos    por fam&iacute;lia inventariada, valor nada desprez&iacute;vel, se comparado    com os de outras partes do Imp&eacute;rio. Em Salvador, por exemplo, K&aacute;tia    Mattoso encontrou, em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo de 1851/1888,    apenas tr&ecirc;s escravos por invent&aacute;rio.<a name="top37"></a><a href="#back37"><sup>37</sup></a>    Nessa mesma fase, o Vale apresentou sete indiv&iacute;duos. Quanto &agrave;    Bahia, nota-se que, enquanto a m&eacute;dia de invent&aacute;rios sem escravos    ficou em torno de 44% (1840/88), no Vale essa percentagem era de apenas 22%.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O grupo A - detentor    dos grandes e "excepcionais" plant&eacute;is - sofreu uma expressiva dispers&atilde;o    de sua riqueza com o fim da escravid&atilde;o no Vale do Paraopeba, como revelam    os <a href="#g1">Gr&aacute;ficos 1</a>, <a href="#g2">2</a> e <a href="#g3">3</a>,    referentes &agrave; estrutura da riqueza. As informa&ccedil;&otilde;es apontam    que o vis&iacute;vel empobrecimento dos membros mais ricos da sociedade paraopebana    fez com que eles ingressassem no setor B. Isso quer dizer que perderam posi&ccedil;&atilde;o    social ao se transformarem no grupo intermedi&aacute;rio da sociedade inventariada.</font></p>     <p><a name="g2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/vh/v27n46/02g02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="g3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/vh/v27n46/02g03.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra proposi&ccedil;&atilde;o    aventada para explicar a diminui&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas ap&oacute;s    a Lei &Aacute;urea &eacute; a migra&ccedil;&atilde;o de parte dos ex-escravos    para outras localidades do Brasil, como as zonas cafeeiras de S&atilde;o Paulo    e outros centros emergentes, como a pr&oacute;pria nova capital mineira, em    constru&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 1890. Na impossibilidade de averiguar    essa hip&oacute;tese, por aus&ecirc;ncia de fontes confi&aacute;veis at&eacute;    o momento, fica registrada essa suposi&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, n&atilde;o    &eacute; demais lembrar que, se n&atilde;o permitem identificar as poss&iacute;veis    flutua&ccedil;&otilde;es populacionais, os dados cartor&aacute;rios exp&otilde;em,    por outro lado, o movimento social e econ&ocirc;mico que marcou o final do s&eacute;culo    XIX, tanto em Minas Gerais quanto no cen&aacute;rio nacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pol&iacute;tica    de imigra&ccedil;&atilde;o, j&aacute; conhecida e estudada por outros autores,    n&atilde;o contemplava regi&otilde;es destinadas ao mercado interno.<a name="top38"></a><a href="#back38"><sup>38</sup></a>    Em raz&atilde;o disso, nas localidades voltadas para esse tipo de produ&ccedil;&atilde;o,    a "ordem do dia" foi incentivar e transformar os ex-escravos em trabalhadores    livres. No final das contas, foi isso que aconteceu. Mas esse processo de transi&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o ocorreu sem resist&ecirc;ncia de ambos os lados. A documenta&ccedil;&atilde;o    sinaliza que muitos ex-escravos, num primeiro momento, n&atilde;o se submeteram    ao trabalho da lavoura. A condi&ccedil;&atilde;o do trabalho livre que os aguardava    diferia muito pouco do sistema anterior. Eram livres "em tese", mas isso n&atilde;o    implicava uma remunera&ccedil;&atilde;o digna e uma jornada di&aacute;ria condizente    com os novos anseios desses homens e mulheres rec&eacute;m-libertos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    os fazendeiros tamb&eacute;m tiveram dificuldades em reorganizar a m&atilde;o-de-obra,    pelo menos no per&iacute;odo imediatamente p&oacute;s-Aboli&ccedil;&atilde;o.    O extrato de um jornal dos anos 1890 expressa bem as contradi&ccedil;&otilde;es    impostas pelo fim da escravatura:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) Era preciso      resolver o problema de substitui&ccedil;&atilde;o imediata do trabalho escravo      pelo trabalho livre; pois que o antigo ex-escravo, cansado de trabalhar para      seu ex-senhor, sentia-se desanimado e preferia o repouso ocioso, embora, &agrave;      custa das maiores priva&ccedil;&otilde;es &agrave; continua&ccedil;&atilde;o      do trabalho remunerado e livre. Em massa, abandonavam os escravos as fazendas      e os estabelecimentos agr&iacute;colas desorganizaram-se completamente todo      trabalho da lavoura. Volveu o Brasil suas vistas para o estrangeiro e foi      buscar na Europa o bra&ccedil;o de que precisava para substituir o bra&ccedil;o      escravo que libertara pela lei, mais memor&aacute;vel de seus annaes.<a name="top39"></a><a href="#back39"><sup>39</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Parte do artigo    <i>Com&eacute;rcio, Ind&uacute;stria e Agricultura</i> deixa transparecer a    preocupa&ccedil;&atilde;o com a falta de trabalhadores rurais, a desorganiza&ccedil;&atilde;o    material em que se encontravam as fazendas e, consequentemente, os problemas    econ&ocirc;micos provocados pela diminui&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    dos g&ecirc;neros aliment&iacute;cios. Para al&eacute;m do "discurso" oficial    da camada mais privilegiada, o decl&iacute;nio da riqueza foi um fato. Ocorrido    de forma mais vis&iacute;vel entre 1880 e 1910, representou os primeiros ind&iacute;cios    da situa&ccedil;&atilde;o discutida no referido peri&oacute;dico. Se em algumas    partes do Brasil o problema do trabalho j&aacute; tinha sido resolvido ou cogitava-se    uma solu&ccedil;&atilde;o efetiva para a substitui&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra,    como a introdu&ccedil;&atilde;o do imigrante, o mesmo n&atilde;o ocorreu com    rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s localidades do Vale do Paraopeba.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se o peri&oacute;dico    de 1899 ressaltava a desorganiza&ccedil;&atilde;o das fazendas - "pois que o    antigo ex-escravo, cansado de trabalhar para seu ex-senhor, sentia-se desanimado    e preferia o repouso ocioso, embora, &agrave; custa das maiores priva&ccedil;&otilde;es    &agrave; continua&ccedil;&atilde;o do trabalho remunerado e livre" -,<a name="top40"></a><a href="#back40"><sup>40</sup></a>    os invent&aacute;rios do mesmo per&iacute;odo lembram a expressiva queda no    patrim&ocirc;nio. Em 1890, Jos&eacute; Rufino da Silva pede, ap&oacute;s a morte    do pai,</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) a factura      de invent&aacute;rio judicial, em cart&oacute;rio, por serem os bens de pouca      monta, n&atilde;o s&oacute; pelo facto da lei de 13 de maio, como pelo usufruto      de quarenta anos, e a decad&ecirc;ncia das propriedades na fazenda que foi      de seus av&oacute;s.<a name="top41"></a><a href="#back41"><sup>41</sup></a></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ou ainda, poucos    meses antes da decreta&ccedil;&atilde;o da Lei &Aacute;urea, Jo&atilde;o Candido    da Fonseca parece preocupado com o destino da sua fam&iacute;lia. &Eacute; o    que indica a seguinte declara&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diz Jo&atilde;o      Candido da Fonseca que se estando proceder a partilha dos bens que ficaram      por sorte de sua mulher dona Maria Rosa de Oliveira, vem requer a V.S. para      computar-se em sua mea&ccedil;&atilde;o os seguintes bens: a casa de vivenda,      o gado, o carr&atilde;o e os bois, bem como os escravos; isto n&atilde;o s&oacute;      para toucar maior quantia aos &oacute;rf&atilde;os em terras que n&atilde;o      s&atilde;o sujeitas a deterioriza&ccedil;&atilde;o, bem como por estar os      escravos sujeitos a deprecia&ccedil;&atilde;o, em vista da &uacute;ltima lei      do elemento servil.    <br>     Assim espera ser atendido e junta-se aos autos.    <br>     Bomfim, 18 de outubro de 1887.<a name="top42"></a><a href="#back42"><sup>42</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nota-se, finalmente,    que as fazendas das fam&iacute;lias abastadas, a partir do dec&ecirc;nio de    1890, possu&iacute;am uma constitui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, geogr&aacute;fica    e espacial diferenciada. A metamorfose da terra, em virtude da divis&atilde;o    entre herdeiros, das m&uacute;ltiplas fal&ecirc;ncias ou do simples esgotamento    do solo, instituiu uma realidade vivida por muitos inventariados nesse per&iacute;odo.<a name="top43"></a><a href="#back43"><sup>43</sup></a>    Por exemplo, o tamanho m&eacute;dio das propriedades rurais no Vale do Paraopeba,    entre 1850 e 1888, gravitou em torno de 91 alqueires; no per&iacute;odo 1888/1914,    declinou para 57. O inverso se deu com o valor monet&aacute;rio: com 22$250    r&eacute;is, podia-se comprar um alqueire de terra, de 1850 a 1888; j&aacute;    no come&ccedil;o do per&iacute;odo republicano, o alqueire chegou a custar mais    do dobro - 51$880 r&eacute;is.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Faces de uma mesma    moeda, os relatos encontrados nos diversos documentos analisados reportam-se,    concomitantemente, &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es da riqueza. Perante    essas circunst&acirc;ncias, &eacute; poss&iacute;vel perceber tamb&eacute;m    altera&ccedil;&otilde;es significativas na estrutura das moradias urbanas e    das fazendas a partir da d&eacute;cada de 1890? O interior dom&eacute;stico    permaneceu imut&aacute;vel frente &agrave;s mudan&ccedil;as sociais? Em que    medida, o trabalho livre alterou as paisagens rural e citadina?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As propriedades    p&oacute;s-Aboli&ccedil;&atilde;o eram, em m&eacute;dia, menores; mas &eacute;    tamb&eacute;m ver&iacute;dico que grandes fazendas n&atilde;o deixaram de existir,    embora em menor n&uacute;mero e com dimens&otilde;es bem mais modestas, conforme    j&aacute; apontado. Outro padr&atilde;o sociocultural lentamente foi organizando-se    frente aos novos arranjos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos impostos no final    do s&eacute;culo XIX, tanto em Minas Gerais, quanto no restante do Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vejamos o caso    da fazenda da Boa Esperan&ccedil;a. Para isso, no entanto, &eacute; preciso    contar um pouco de sua hist&oacute;ria.<a name="top44"></a><a href="#back44"><sup>44</sup></a>    Constru&iacute;da na segunda metade do s&eacute;culo XVIII, para ser a resid&ecirc;ncia    do Bar&atilde;o do Paraopeba, Romualdo Jos&eacute; Monteiro de Barros, o patrim&ocirc;nio    inclu&iacute;a, al&eacute;m da rica propriedade localizada no distrito de Boa    Morte, lavras, terras de minera&ccedil;&atilde;o e escravos em Congonhas do    Campo. O corpo principal da casa - com forma retangular e paredes de pau-a-pique    rebocadas e caiadas de branco - contrap&otilde;e-se harmoniosamente &agrave;s    centen&aacute;rias sapucaieiras localizadas no p&aacute;tio da frente da constru&ccedil;&atilde;o.    No primeiro plano, encontra-se a varanda central, ladeada &agrave; esquerda    pela capela - com obras de Francisco Vieira Servas e de Jo&atilde;o Nepomuceno    - e, do lado oposto, pela acomoda&ccedil;&atilde;o de h&oacute;spedes. O casar&atilde;o    possui vinte e tr&ecirc;s c&ocirc;modos, entre quartos, cozinhas, despensas    e sal&otilde;es de visitas, todos revestidos de forro de taquara e janelas com    folhas almofadadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A associa&ccedil;&atilde;o    entre a fazenda da Boa Esperan&ccedil;a, tombada pelo Instituto Estadual do    Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico de Minas Gerais, e o seu    invent&aacute;rio (1905), mais de 150 anos depois de sua constru&ccedil;&atilde;o,    representa aqui um importante ponto de inflex&atilde;o.<a name="top45"></a><a href="#back45"><sup>45</sup></a>    A dist&acirc;ncia temporal que separa a constru&ccedil;&atilde;o e o documento    permite tra&ccedil;ar compara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; entre diferentes    momentos hist&oacute;ricos, mas tamb&eacute;m entre, pelo menos, duas realidades    distintas. Contradi&ccedil;&otilde;es que se expressam na m&atilde;o-de-obra    utilizada (escrava e livre), nos novos referenciais de riqueza (escravos <i>versus</i>    terras) e na introdu&ccedil;&atilde;o de novos elementos materiais, como se    pode notar a seguir.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1905, a fazenda    da Boa Esperan&ccedil;a pertencia ao coronel Jos&eacute; Ferreira de Mendon&ccedil;a,    casado com dona Luiza Ferreira de Mendon&ccedil;a. O esp&oacute;lio, avaliado    em 56:337$620 contos de r&eacute;is, constitu&iacute;a a terceira maior fortuna    encontrada no per&iacute;odo p&oacute;s-1888.<a name="top46"></a><a href="#back46"><sup>46</sup></a>    No come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, Boa Esperan&ccedil;a chegou a possuir    1.015 alqueires de terras e foi avaliada em 32:820$700 contos. Entre os "20    alqueires de mattos virgens, 50 de pasto de melloso, 305 de campos de criar,    300 de campos de um e outro lado da serra e 340 de terras de cultura", destacam-se,    ainda, as sete casas distribu&iacute;das na vila e na &aacute;rea rural.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, era    na Boa Esperan&ccedil;a que o coronel Mendon&ccedil;a vivia com sua fam&iacute;lia.    O massame da fazenda compreendia:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) Casas de      vivenda, um correr de casas no terreiro, engenho de cilindro, engenho de serra,      moinho, paiol, uma m&aacute;quina de manteiga, seva de porcos, algumas cobertas      de telhas, um grande pomar, tr&ecirc;s pastos pequenos ao redor da casa avaliados      pelos louvados em 6:000$000 contos de reis.<a name="top47"></a><a href="#back47"><sup>47</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Relacionada a essa    descri&ccedil;&atilde;o, sabe-se que grande parte da fazenda era "tapada por    cerca de arame", o que contrastava com os arvoredos de espinhos e os muros de    pedras dos s&eacute;culos anteriores. Uma vez que os im&oacute;veis passaram    a constituir o bem mais valioso da sociedade na &eacute;poca, era natural que    fossem introduzidos meios mais eficazes (e, sobretudo, mais pr&aacute;ticos)    de prote&ccedil;&atilde;o. Utilizar fios de arame era, agora, sem d&uacute;vida,    muito mais econ&ocirc;mico do que construir centenas de metros de muros de pedra    ou barro, atividade antes confiada aos escravos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sistema de trabalho    estabelecido depois de 1888 exigia adapta&ccedil;&otilde;es por parte dos propriet&aacute;rios    e trabalhadores. Adequa&ccedil;&otilde;es que passavam tanto pelos novos arranjos    de m&atilde;o-de-obra como tamb&eacute;m por outras formas de organiza&ccedil;&atilde;o,    sistematiza&ccedil;&atilde;o e racionaliza&ccedil;&atilde;o das atividades manuais    e, posteriormente, industriais. N&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia que,    juntamente com as listas de despesas de funerais, contas de armaz&eacute;ns    e receitas m&eacute;dicas, comuns nos invent&aacute;rios oitocentistas, comecem    a surgir, no per&iacute;odo p&oacute;s-Aboli&ccedil;&atilde;o, gastos efetuados    com a contrata&ccedil;&atilde;o dos "camaradas" e demais trabalhadores livres.<a name="top48"></a><a href="#back48"><sup>48</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A incorpora&ccedil;&atilde;o    de diferentes t&eacute;cnicas e atitudes no tocante &agrave;s ocupa&ccedil;&otilde;es,    aos equipamentos e aos utens&iacute;lios constitui apenas um exemplo da nova    rela&ccedil;&atilde;o homem/artefato estabelecida a partir de ent&atilde;o.    Entre os objetos do interior da Boa Esperan&ccedil;a, v&aacute;rios catres,    mesas, canap&eacute;s, cadeiras de palhinha, "soph&aacute;s", arm&aacute;rios    e guarda-lou&ccedil;as foram identificados. Equipamentos como o novo debulhador    de milho importado da Am&eacute;rica do Norte, os engenhos de serrar madeira,    a m&aacute;quina de fazer manteiga, o engenho de cilindro, s&oacute; para citar    alguns itens, permitem identificar como homens e mulheres estavam atentos &agrave;s    novas formas de processar os alimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do mesmo modo,    observa-se uma sens&iacute;vel altera&ccedil;&atilde;o nos padr&otilde;es socioculturais    no interior da moradia. O aparecimento e a difus&atilde;o dos lavat&oacute;rios    de ferro s&atilde;o algumas das manifesta&ccedil;&otilde;es dessa sutil, mas    irrevers&iacute;vel, metamorfose, que envolve novas maneiras e posturas em rela&ccedil;&atilde;o    ao corpo e &agrave; higiene dos moradores. No que tange ao asseio das casas,    os relatos dos viajantes estrangeiros ressaltam a sujeira das cozinhas brasileiras    e a desorganiza&ccedil;&atilde;o das moradias na primeira metade do Oitocentos,    independentemente do grupo social no qual as fam&iacute;lias estavam inseridas.    O dif&iacute;cil acesso a equipamentos e &agrave; &aacute;gua - dispon&iacute;veis    somente em chafarizes e cisternas - deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o.    Por isso, a presen&ccedil;a significativa dos lavat&oacute;rios de ferro, bem    como as descri&ccedil;&otilde;es sobre o encanamento de &aacute;gua que come&ccedil;am    a aparecer no final do per&iacute;odo, s&atilde;o indicadores de novos padr&otilde;es    socioculturais que se fixavam lentamente na sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1893, na cidade    de Conquista, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; casa de dona Maria C&acirc;ndida    do Esp&iacute;rito Santo, casada com Leonel Jos&eacute; da Silveira, havia a    seguinte anota&ccedil;&atilde;o "uma morada de casas com coberta de telha e    &aacute;gua dentro, quintal, pasto fechado de cerca de arame, paiol, e moinho    avaliada pelos louvados em 2:000$000 contos de r&eacute;is".<a name="top49"></a><a href="#back49"><sup>49</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale lembrar que    a substitui&ccedil;&atilde;o paulatina dos chafarizes e bicas pela &aacute;gua    encanada &eacute; relativamente recente. Os octogen&aacute;rios moradores de    Bonfim destacam que, at&eacute; as d&eacute;cadas de 1940/50, contratavam-se,    ainda, os servi&ccedil;os das "mulheres carregadeiras de &aacute;gua". Tamb&eacute;m    o acabamento das casas, como aquela "coberta de zinco",<a name="top50"></a><a href="#back50"><sup>50</sup></a>    e os "pastos fechados de cerca de arame"<a name="top51"></a><a href="#back51"><sup>51</sup></a>    s&atilde;o exemplos dessa nova rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho, objeto,    corpo e tempo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jurandir Freire    Costa destaca que houve, por parte do Estado brasileiro, uma preocupa&ccedil;&atilde;o    maior com a higiene e a sa&uacute;de das fam&iacute;lias no final do s&eacute;culo    XIX.<a name="top52"></a><a href="#back52"><sup>52</sup></a> Nesse aspecto, n&atilde;o    &eacute; demasiado enfatizar que as campanhas de urbaniza&ccedil;&atilde;o e    higieniza&ccedil;&atilde;o fomentadas a partir desse momento, com o objetivo    de atingir principalmente as grandes cidades, como Rio de Janeiro e Salvador,    devem tamb&eacute;m ter tido repercuss&atilde;o no interior do Brasil. E, dentro    dos tr&ecirc;s grupos sociais - A, B e C - identificados anteriormente, &eacute;    de supor que os mais abastados tivessem acesso direto aos novos equipamentos,    absorvendo as inova&ccedil;&otilde;es materiais e impondo novas pr&aacute;ticas    de conv&iacute;vio, mais rapidamente que o restante da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para que essas    novas "regras" fossem colocadas em pr&aacute;tica, demandaram-se transforma&ccedil;&otilde;es    na rela&ccedil;&atilde;o casa/fam&iacute;lia e, consequentemente, tamb&eacute;m    na rela&ccedil;&atilde;o indiv&iacute;duo/artefato, nos diferentes segmentos    sociais. Quartos mal arejados (as alcovas que resguardavam as "donzelas") e    com pouca luminosidade eram caracter&iacute;sticas comuns das moradias mineiras.    Assim, foi importante a dissemina&ccedil;&atilde;o das janelas com suas vidra&ccedil;as,    e sua maior difus&atilde;o &eacute; percept&iacute;vel nas fontes cartor&aacute;rias.    Esse elemento da constru&ccedil;&atilde;o civil foi gradualmente deixando de    ser restrito apenas aos mais abastados, para ser incorporado por um maior n&uacute;mero    de fam&iacute;lias. O uso mais frequente talvez estivesse associado ao decl&iacute;nio    de seu valor monet&aacute;rio, o que promovia uma incorpora&ccedil;&atilde;o    mais sistem&aacute;tica desse material.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do mesmo modo,    o uso mais extensivo do vidro nas moradias podia proporcionar ao interior dom&eacute;stico    mais claridade. Al&eacute;m disso, a ventila&ccedil;&atilde;o, o sol e a umidade    passaram a ser mais bem controlados, ajudando a eliminar os "miasmas" e as "exala&ccedil;&otilde;es    mal&eacute;ficas" t&atilde;o temidas no final do s&eacute;culo XIX, como resultado    da prolifera&ccedil;&atilde;o das pestes e epidemias.<a name="top53"></a><a href="#back53"><sup>53</sup></a>    A vidra&ccedil;a podia tamb&eacute;m oferecer mais conforto &agrave;s moradias,    principalmente aquelas localizadas nas vilas e cidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do outro lado do    Atl&acirc;ntico, o problema do interior caseiro era de natureza distinta, por    isso a introdu&ccedil;&atilde;o do aquecimento dom&eacute;stico alterou expressivamente    os h&aacute;bitos e o estilo de vida dos parisienses no s&eacute;culo XVIII.    Com essa benfeitoria, as fam&iacute;lias burguesas enfrentavam, com mais conforto,    o longo e rigoroso inverno europeu, como acentuou Joel Cornette.<a name="top54"></a><a href="#back54"><sup>54</sup></a>    Da mesma forma, homens, mulheres e crian&ccedil;as deixaram de contrair doen&ccedil;as    e mol&eacute;stias antes causadas pela umidade e pelo frio excessivos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda no interior    desse espa&ccedil;o dom&eacute;stico, nota-se que a presen&ccedil;a do guarda-lou&ccedil;a    (que se viu na Fazenda Boa Esperan&ccedil;a) ou a populariza&ccedil;&atilde;o    do arm&aacute;rio, anteriormente encontrado em poucas moradias mineiras, passam    a ser mais significativos no final do s&eacute;culo XIX e no in&iacute;cio da    cent&uacute;ria seguinte. Al&eacute;m de mais higi&ecirc;nicas, as casas, que    eram repletas de caixotes, "bruacas" e prateleiras abertas, adquiriam gradualmente    um sistema organizacional distinto. Com uma divulga&ccedil;&atilde;o maior desse    tipo de mobili&aacute;rio, podia-se, ent&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; abrigar    melhor roupas e utens&iacute;lios, mas tamb&eacute;m estabelecer <i>outra</i>    rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o interno das resid&ecirc;ncias, tornando-as    mais confort&aacute;veis, organizadas, iluminadas e arejadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m &eacute;    comum encontrar, no p&oacute;s-1888, descri&ccedil;&otilde;es sobre "casas que    serviam de senzala antigamente", "senzalas antigas", "um correr de casas no    terreiro que servia de senzala", <a name="top55"></a><a href="#back55"><sup>55</sup></a>    como aquelas encontradas na fazenda Boa Esperan&ccedil;a. Mais que representa&ccedil;&otilde;es    de um novo tempo, marcado, agora, pela m&atilde;o-de-obra livre, essas edifica&ccedil;&otilde;es    denotam nova fun&ccedil;&atilde;o social. Transformaram-se em "casas de despejo";    ou, ent&atilde;o, "o correr de casas" continuou a servir de moradia &agrave;    grande massa de trabalhadores livres do Vale do Paraopeba.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Importa observar    que grande parte dos ex-escravos engrossou a fileira dos "camaradas", dos "jornaleiros"    e das trabalhadoras dom&eacute;sticas. V&aacute;rios homens e mulheres, agora    livres e pobres, tornaram-se agregados, meeiros e parceiros das fazendas, executando    todo o servi&ccedil;o bra&ccedil;al e ocupa&ccedil;&otilde;es quase sempre n&atilde;o-qualificadas    e desvalorizadas socialmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As an&aacute;lises    realizadas aqui evidenciaram, enfim, que manter o plantel de cativos at&eacute;    os momentos que antecederam o fim do trabalho compuls&oacute;rio, n&atilde;o    constituiu, por parte da sociedade, uma prefer&ecirc;ncia pelos padr&otilde;es    escravistas ou uma predisposi&ccedil;&atilde;o para a manuten&ccedil;&atilde;o    da escravatura. Sem incentivos e pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas, como os    destinados &agrave;s regi&otilde;es agroexportadoras, manter a escravaria at&eacute;    quando fosse poss&iacute;vel representou uma "alternativa" admiss&iacute;vel    naquele momento. Por isso, o "apego" dos mineiros &agrave; posse de escravos    destacado por Roberto Martins, ou a "mentalidade aristocr&aacute;tica" de Jo&atilde;o    Fragoso e Manolo Florentino, devem ser compreendidos aqui com ressalvas, principalmente    no que tange &agrave;s diferentes temporalidades trabalhadas e ao tipo de produ&ccedil;&atilde;o    e economia exercidas no Vale.<a name="top56"></a><a href="#back56"><sup>56</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se o fim da escravid&atilde;o    desestruturou temporariamente a sociedade e a economia, nota-se, por outro lado,    que o final do s&eacute;culo XIX - marcado agora pelo trabalho livre, pela Rep&uacute;blica    e pela transfer&ecirc;ncia da Capital mineira - acabou introduzindo gradativamente    novas posturas e maneiras de relacionar-se com os objetos da casa e do trabalho.    A refer&ecirc;ncia ao saneamento (&aacute;gua encanada), a maior utiliza&ccedil;&atilde;o    do vidro nas constru&ccedil;&otilde;es, a populariza&ccedil;&atilde;o do arm&aacute;rio,    a difus&atilde;o do lavat&oacute;rio de ferro, do fog&atilde;o de ferro e a    incorpora&ccedil;&atilde;o de novos utens&iacute;lios de trabalho, como o debulhador    de milho trazido da Am&eacute;rica do Norte, indicam altera&ccedil;&otilde;es    significativas e irrevers&iacute;veis nas estruturas interna e externa das moradias.    Ademais, n&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia que o aparecimento das despesas    com "camaradas", a men&ccedil;&atilde;o &agrave;s "casas de escolas" e gastos    realizados com a educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, conforme exemplifica o col&eacute;gio    de Congonhas do Campo, comecem a aparecer nesse per&iacute;odo.<a name="top57"></a><a href="#back57"><sup>57</sup></a>    Tais fatos anulam a dicotomia fausto <i>versus</i> decad&ecirc;ncia e sublinham    que, embora a queda do patrim&ocirc;nio tenha sido expressiva, isso n&atilde;o    se traduziu numa estagna&ccedil;&atilde;o paralisante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do mesmo modo,    se este estudo permitiu concluir que a redu&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio,    do tamanho m&eacute;dio das propriedades e a fragmenta&ccedil;&atilde;o dos    esp&oacute;lios alteraram os referenciais de riqueza, sofistica&ccedil;&atilde;o    e luxo, por outro lado n&atilde;o se pode dizer que a significativa diminui&ccedil;&atilde;o    num&eacute;rica do grupo A (5%), no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, tenha    colaborado para a forma&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais homog&ecirc;nea    e com uma maior redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza. Outras formas de controle    social e econ&ocirc;mico estavam sendo equacionadas a partir de ent&atilde;o,    como a valoriza&ccedil;&atilde;o das terras sugere. Embora de forma discreta,    percebe-se ainda que diversos investimentos, pouco a pouco, come&ccedil;aram    a marcar novos ritmos sociais e econ&ocirc;micos. As a&ccedil;&otilde;es na    Companhia de Tecidos Santa Anna e as eventuais "cadernetas da Caixa Econ&ocirc;mica    da Uni&atilde;o Federal" ou da "Caixa Econ&ocirc;mica do Estado de Minas Gerais"    s&atilde;o alguns exemplos.<a name="top58"></a><a href="#back58"><sup>58</sup></a>    Ind&iacute;cios de tempos balizados, agora, por distintas formas de arquitetar    a riqueza, de interagir com a economia e de relacionar-se com os objetos da    casa e do mundo do trabalho livre.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constata-se, afinal,    que, a partir dos anos 1990, v&aacute;rios estudos acerca dos elementos materiais,    do patrim&ocirc;nio, da fortuna, da pobreza e da organiza&ccedil;&atilde;o da    estrutura dom&eacute;stica da fam&iacute;lia e da sociedade em diferentes localidades    do Brasil foram empreendidos na historiografia brasileira. Confirma-se, da mesma    forma, uma maior necessidade de inventariar e comparar os resultados auferidos    at&eacute; ent&atilde;o.<a name="top59"></a><a href="#back59"><sup>59</sup></a>    Desse modo, as quest&otilde;es levantadas neste artigo podem adquirir outras    nuances, ganhar contornos e significados diferentes e/ou complementares daqueles    aqui apresentados. Ressalve-se, por&eacute;m, que novas perspectivas de an&aacute;lise,    ao contemplarem diretrizes nacionais para a discuss&atilde;o das economias de    abastecimento, n&atilde;o invalidam as especificidades da cultura material e    da riqueza do Vale do Paraopeba.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido    em: 01/07/2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Organiza&ccedil;&atilde;o:    Jos&eacute; Newton Coelho Meneses    <br>   <a name="back"></a><a href="#top">*</a> Autor convidado.    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><br>   <a name="back1"></a><a href="#top1">1</a> ABREU, Capistrano de. <i>Cap&iacute;tulos    de hist&oacute;ria colonial (1500-1800)</i>. 3ª.ed. S&atilde;o Paulo: Ed. da    Sociedade Capistrano de Abreu, F. Briguiet &amp; Cia., 1934. (1ª ed. 1907);    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0104-8775201100020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    FREYRE, Gilberto. <i>Casa grande e senzala</i>. Forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia    brasileira sob o regime da economia patriarcal. 20ª.ed. Rio de Janeiro: Livraria    J. Ol&iacute;mpio, 1980. (1ª ed. 1933);    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0104-8775201100020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> FREYRE, Gilberto. <i>Sobrados e mucambos</i>.    Decad&ecirc;ncia do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. 9ª.ed. Rio    de Janeiro: Record, 1996. (1ª ed. 1936);    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0104-8775201100020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MACHADO, Alc&acirc;ntara. Vida e morte    do bandeirante. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: EDUSP, 1980. (1ª    ed. 1929);    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0104-8775201100020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e HOLANDA, S&eacute;rgio Buarque de. <i>Caminhos e fronteiras</i>.    3ª.ed. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1994. (1ª ed. 1956).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0104-8775201100020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Ver a esse respeito: SOUZA, Laura    de Mello e. Aspectos da historiografia da cultura sobre o Brasil colonial. In:    FREITAS, Marcos Cezar. (org.) <i>Historiografia brasileira em perspectiva</i>.    S&atilde;o Paulo: Contexto, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0104-8775201100020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Ver tamb&eacute;m: BLAJ, Ilana. S&eacute;rgio    Buarque de Holanda: historiador da cultura material. In: C&Acirc;NDIDO, Ant&ocirc;nio.    <i>S&eacute;rgio Buarque de Holanda e o Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o    Perseu Abramo, 1998.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de.    Apresenta&ccedil;&atilde;o da Nova S&eacute;rie. <i>Anais do Museu Paulista</i>:    Hist&oacute;ria e Cultura Material, S&atilde;o Paulo, Nova S&eacute;rie, n.1,    p.5-7, jan/dez. 1993.    <!-- ref --><br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> ROCHE, Daniel. <i>Hist&oacute;ria    das coisas banais</i>. Nascimento do consumo. S&eacute;culos XVII-XIX. Rio de    Janeiro: Rocco, 2000, p.17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0104-8775201100020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de.    Apresenta&ccedil;&atilde;o. In: MARTINEZ, Cl&aacute;udia Eliane Parreiras Marques.    <i>Riqueza e escravid&atilde;o</i>: vida material e popula&ccedil;&atilde;o    no s&eacute;culo XIX. Bonfim do Paraopeba, S&atilde;o Paulo: Annablume/FAPESP,    2007, p.14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0104-8775201100020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a> Para este artigo foi utilizado um    banco de dados composto de 761 invent&aacute;rios <i>post-mortem</i>. Ver MARTINEZ,    Cl&aacute;udia Eliane Parreiras Marques. Cinzas do passado: riqueza e cultura    material no Vale do Paraopeba/MG: 1840 a 1914. S&atilde;o Paulo: Universidade    de S&atilde;o Paulo, 2006. (Hist&oacute;ria, Tese de doutorado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0104-8775201100020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back7"></a><a href="#top7">7</a> MENESES, Ulpiano. Apresenta&ccedil;&atilde;o,    p.15.    <br>   <a name="back8"></a><a href="#top8">8</a> Bonfim. Arquivo Municipal de Bonfim/MG.    (AMB/MG). CSO, 20(12), 1866.    <br>   <a name="back9"></a><a href="#top9">9</a> AMB/MG. CSO, 65(10), 1893; CSO 19(06),    1895; CSO 65(07), 1890.    <br>   <a name="back10"></a><a href="#top10">10</a> Para uma discuss&atilde;o conceitual    e metodol&oacute;gica aprofundada sobre essas quest&otilde;es, ver: MARTINEZ,    Cl&aacute;udia. <i>Cinzas do passado</i>, p.57-64.    <br>   <a name="back11"></a><a href="#top11">11</a> A palavra "riqueza" refere-se ao    patrim&ocirc;nio acumulado pelas fam&iacute;lias inventariadas ao longo de suas    vidas. A soma da riqueza, ou seja, todos os bens, objetos, animais e escravos    recebe na documenta&ccedil;&atilde;o cartor&aacute;ria a denomina&ccedil;&atilde;o    de "monte-mor". Ao longo do artigo, essas v&aacute;rias nomenclaturas ser&atilde;o    utilizadas como sin&ocirc;nimos.    <!-- ref --><br>   <a name="back12"></a><a href="#top12">12</a> Para uma abordagem das v&aacute;rias    regi&otilde;es do s&eacute;culo XIX mineiro e sua caracteriza&ccedil;&atilde;o    socioecon&ocirc;mica, ver principalmente: PAIVA, Clotilde Andrade. <i>Popula&ccedil;&atilde;o    e economia nas Minas Gerais do s&eacute;culo XIX</i>. S&atilde;o Paulo: Universidade    de S&atilde;o Paulo, 1996. (Hist&oacute;ria, Tese de doutorado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0104-8775201100020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Nessa tese    pode-se encontrar uma consistente an&aacute;lise historiogr&aacute;fica, que    enfatiza os estudos mineiros a partir da d&eacute;cada de 1980.    <!-- ref --><br>   <a name="back13"></a><a href="#top13">13</a> Uma s&eacute;rie de atividades    e ocupa&ccedil;&otilde;es ligadas ou n&atilde;o &agrave; atividade aur&iacute;fera    matizou a realidade mineira dos s&eacute;culos XVIII e XIX. Destaca-se tamb&eacute;m    que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o era constitu&iacute;da de escravos,    "homens livres e pobres", artes&atilde;os, pequenos agricultores e comerciantes.    Ver, principalmente: MENESES, Jos&eacute; Newton Coelho. <i>O continente r&uacute;stico</i>.    Abastecimento alimentar nas Minas Gerais setecentistas. Diamantina: Maria Fuma&ccedil;a,    2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0104-8775201100020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> LINHARES, Maria Yedda Leite. <i>Hist&oacute;ria do abastecimento</i>:    uma problem&aacute;tica em quest&atilde;o (1530-1918). Bras&iacute;lia: Binagri,    1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0104-8775201100020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back14"></a><a href="#top14">14</a> Ver, especialmente, o Museu do    Escravo, localizado no munic&iacute;pio de Belo Vale. Conferir o texto de Let&iacute;cia    Juli&atilde;o, para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o da referida institui&ccedil;&atilde;o.    <a href="http://www.dejore.com.br/museudoescravo/m_historia.htm" target="_blank">http://www.dejore.com.br/museudoescravo/m_historia.htm</a>    - Site acessado em 31/05/2006.    <br>   <a name="back15"></a><a href="#top15">15</a> O Arquivo Municipal de Bonfim possui    um acervo imag&eacute;tico referente aos s&eacute;culos XIX e XX. Trata-se,    em geral, de fotografias referentes &agrave;s festas religiosas, eventos pol&iacute;ticos    etc., al&eacute;m de outras relacionadas ao cotidiano, a ruas, pra&ccedil;as    e pessoas da localidade.    <br>   <a name="back16"></a><a href="#top16">16</a> Os "louvados" eram pessoas da pr&oacute;pria    comunidade nomeadas pelo Juiz para avaliar os bens encontrados nos invent&aacute;rios.    Geralmente se nomeavam tr&ecirc;s indiv&iacute;duos para a realiza&ccedil;&atilde;o    desse trabalho.    <br>   <a name="back17"></a><a href="#top17">17</a> AMB/MG. CSO 02(77), 1856.    <br>   <a name="back18"></a><a href="#top18">18</a> Foram definidos tr&ecirc;s grupos    socioecon&ocirc;micos segundo o valor do monte-mor, ou seja, a riqueza total.    Para melhor efeito de compara&ccedil;&atilde;o, os dados foram calculados em    r&eacute;is e libras esterlinas. Em r&eacute;is: Grupo A: acima de 10$000.000;    Grupo B: 5$000.001 a 10$000.000; Grupo C: at&eacute; 5$000.000. Em libras esterlinas:    Grupo A: acima de 1.000; Grupo B: de 501 a 1.000; Grupo C: at&eacute; 500. MARTINEZ,    Cl&aacute;udia. <i>Cinzas do Passado</i>, cap. 3.    <br>   <a name="back19"></a><a href="#top19">19</a> AMB/MG. CSO 02(77), 1856.    <br>   <a name="back20"></a><a href="#top20">20</a> AMB/MG. CSO 02(77), 1856. As outras    duas fazendas - da Cachoeira dos Amorins e do Zagaia - possu&iacute;am 160 e    50 alqueires, respectivamente, e eram destinadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de milho e cana.    <br>   <a name="back21"></a><a href="#top21">21</a> O invent&aacute;rio mais pobre    localizado no per&iacute;odo pr&eacute;-1888 registrava apenas "uma parte em    uma morada de casas sitas na rua Direita desta cidade que fora do capit&atilde;o    Francisco Pereira da Silva com planta&ccedil;&otilde;es de caf&eacute; e benfeitorias    feitas pelo finado inventariado avaliada pelos louvados em 42$160 r&eacute;is".    AMB/MG. CSO, 31(08), 1865.    <br>   <a name="back22"></a><a href="#top22">22</a> Georgiano de Chippendale foi um    estilo predominante no final do s&eacute;culo XVIII em que se usava comumente    o mogno. O mobili&aacute;rio pertencente a esse estilo possui entalhes ornamentados,    delicados e ousados, al&eacute;m de agregar muitos temas, como o rococ&oacute;    ingl&ecirc;s, chin&ecirc;s, grego cl&aacute;ssico; no caso das cadeiras, o encosto    &eacute; bem trabalhado.    <br>   <a name="back23"></a><a href="#top23">23</a> Acervo Particular. Ver algumas    das fotografias reproduzidas no livro: MARTINEZ, Cl&aacute;udia. Riqueza e escravid&atilde;o,    p.129.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back24"></a><a href="#top24">24</a> MARTINEZ, Cl&aacute;udia. <i>Riqueza    e escravid&atilde;o</i>, p.148-151.    <br>   <a name="back25"></a><a href="#top25">25</a> AMB/MG. Processo Crime, CSO 29    (565).    <br>   <a name="back26"></a><a href="#top26">26</a> Apesar de os invent&aacute;rios    n&atilde;o contemplarem toda a sociedade, ainda assim representam uma significativa    parcela dela. Em trabalho anterior, chegou-se &agrave; conclus&atilde;o de que    nas regi&otilde;es voltadas para o abastecimento interno e, portanto, de car&aacute;ter    predominantemente rural, como o Vale do Paraopeba, a propor&ccedil;&atilde;o    invent&aacute;rio/popula&ccedil;&atilde;o provavelmente era mais expressiva    do que aquela encontrada em Salvador e outros centros urbanos. Ver: MARTINEZ,    Cl&aacute;udia. <i>Cinzas do passado</i>, p.119-126.    <br>   <a name="back27"></a><a href="#top27">27</a> Para efeito de an&aacute;lises    comparativas que permitem deflacionar os valores dos bens e objetos listados    em invent&aacute;rios, no decorrer do per&iacute;odo, ver a compatibiliza&ccedil;&atilde;o    entre r&eacute;is e libras esterlinas. MARTINEZ, Cl&aacute;udia. <i>Cinzas do    passado</i>, p.126-133.    <br>   <a name="back28"></a><a href="#top28">28</a> Tal fato chamou aten&ccedil;&atilde;o,    at&eacute; mesmo, dos viajantes estrangeiros que percorriam a regi&atilde;o    na primeira metade do s&eacute;culo XIX. O franc&ecirc;s August Saint-Hilaire    foi o naturalista que mais tempo permaneceu em Minas Gerais. Em seu di&aacute;rio,    demonstrava sua admira&ccedil;&atilde;o com as centenas de mulas e burros carregados    de mercadorias - escravos inclusive - que encontrava nas estradas que ligavam    comercialmente a pra&ccedil;a carioca ao interior de Minas Gerais e vice-versa.    Ver: SAINT-HILAIRE, Auguste de. <i>Viagens pelas prov&iacute;ncias do Rio de    Janeiro e Minas Gerais</i>. Belo Horizonte: Itatiaia; S&atilde;o Paulo: EDUSP,    1975.    <br>   <a name="back29"></a><a href="#top29">29</a> AMB/MG. CSO, 41(07), 1871.    <br>   <a name="back30"></a><a href="#top30">30</a> AMB/MG. CSO, 41(07), 1871.    <br>   <a name="back31"></a><a href="#top31">31</a> AMB/MG. CSO, 41(07), 1871.    <br>   <a name="back32"></a><a href="#top32">32</a> AMB/MG. Bonfim que n&atilde;o volta    mais... <i>Jornal Cidade de Bonfim</i>, 11 ago. 1935.    <br>   <a name="back33"></a><a href="#top33">33</a> Nome popular dado aos pequenos    neg&oacute;cios realizados no interior de Minas Gerais e em outras partes do    Brasil. Quase sempre se negociava um peda&ccedil;o de terra, "um porco gordo",    "uma vaca leiteira" ou "um cavalo roli&ccedil;o". Eram neg&oacute;cios feitos    entre conhecidos, nos quais o maior valor era a fidelidade &agrave; palavra    empenhada.    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><br>   <a name="back34"></a><a href="#top34">34</a> CASTRO, Hebe Maria Mattos de. <i>Ao    sul da hist&oacute;ria</i>. Lavradores pobres na crise do trabalho escravo.    S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1987, p.107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0104-8775201100020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m: CASTRO, Hebe    M. Mattos de. La&ccedil;os de fam&iacute;lia e direitos no final da escravid&atilde;o.    In: NOVAIS, Fernando. (coord.); ALENCASTRO, Luiz Felipe de. (org.) <i>Hist&oacute;ria    da Vida Privada no Brasil</i>. Imp&eacute;rio: a Corte e a modernidade nacional.    S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1997, v.2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0104-8775201100020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back35"></a><a href="#top35">35</a> Para mais esclarecimentos acerca    da referida quest&atilde;o, ver: MARTINEZ, Cl&aacute;udia. <i>Riqueza e escravid&atilde;o</i>,    p.52-57.    <br>   <a name="back36"></a><a href="#top36">36</a> AMB/MG. CSO 75(14), 1878.    <!-- ref --><br>   <a name="back37"></a><a href="#top37">37</a> Ver MATTOSO, K&aacute;tia M. de    Queir&oacute;s. <i>Bahia, s&eacute;culo XIX</i>: uma prov&iacute;ncia no Imp&eacute;rio.    Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0104-8775201100020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back38"></a><a href="#top38">38</a> LANA, Ana L&uacute;cia Duarte.    <i>A transforma&ccedil;&atilde;o do trabalho</i>: a passagem para o trabalho    livre na Zona da Mata mineira: 1870-1920. 2.ed. Campinas: Editora da Unicamp,    1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0104-8775201100020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back39"></a><a href="#top39">39</a> AMB/MG. Com&eacute;rcio, Ind&uacute;stria    e Agricultura. <i>Jornal da Cidade de Bonfim</i>, 08 out. 1899, p.1. A primeira    edi&ccedil;&atilde;o do jornal data de 1898 e se chamava <i>O Paraopeba</i>.    Seu propriet&aacute;rio era o coronel Jos&eacute; Marques da Silveira.    <br>   <a name="back40"></a><a href="#top40">40</a> AMB/MG. <i>Jornal da Cidade de    Bonfim</i>, 08 out. 1899.    <br>   <a name="back41"></a><a href="#top41">41</a> AMB/MG. CPO 11(11), 1890.    <br>   <a name="back42"></a><a href="#top42">42</a> AMB/MG. CPO 62(21), 1887, p. 18.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back43"></a><a href="#top43">43</a> MARTINEZ, Cl&aacute;udia. <i>Cinzas    do passado</i>, p.201-204.    <!-- ref --><br>   <a name="back44"></a><a href="#top44">44</a> MARTINS, Tarc&iacute;sio. <i>Fazenda    Boa Esperan&ccedil;a</i>. Belo Vale. Tarc&iacute;sio Martins. Belo Horizonte:    2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0104-8775201100020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back45"></a><a href="#top45">45</a> AMB/MG. CSO, 62(21), Boa Morte,    1905.    <br>   <a name="back46"></a><a href="#top46">46</a> A maior fortuna encontrada referente    ao per&iacute;odo p&oacute;s-1888 foi de 66:480$713 contos de r&eacute;is. Ver:    AMB/MG, CSO. 89(03), Conquista, 1899. No per&iacute;odo pr&eacute;-Aboli&ccedil;&atilde;o,    foi localizado um invent&aacute;rio que registrava 117:664$428. Ver: AMB/MG    CSO 114(02), Bonfim, 1882.    <br>   <a name="back47"></a><a href="#top47">47</a> AMB/MG. CSO 62(21), Boa Morte,    1905.    <br>   <a name="back48"></a><a href="#top48">48</a> AMB/MG. CSO, 27(18), Piedade das    Gerais, 1893.    <br>   <a name="back49"></a><a href="#top49">49</a> AMB/MG. CSO 31(04), Conquista,    1893.    <br>   <a name="back50"></a><a href="#top50">50</a> AMB/MG. CSO, 62(21), Boa Morte,    1905.    <br>   <a name="back51"></a><a href="#top51">51</a> AMB/MG. CPO, 88(01), Piedade das    Gerais, 1905.    <!-- ref --><br>   <a name="back52"></a><a href="#top52">52</a> COSTA, Jurandir Freire. <i>Ordem    m&eacute;dica e norma familiar</i>. 2a ed. Rio de Janeiro: Graal, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0104-8775201100020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back53"></a><a href="#top53">53</a> COSTA, Jurandir. <i>Ordem m&eacute;dica    e norma familiar</i>, p.52-61    <!-- ref --><br>   <a name="back54"></a><a href="#top54">54</a> CORNETTE, Joel. La r&eacute;volution    des objets. Le Paris des inventaires apres deces XVII-XVIII si&egrave;cles.    <i>Revue D'Histoire Moderne et Contemporaine</i>, p.476-486, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0104-8775201100020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back55"></a><a href="#top55">55</a> AMB/MG. CSO, 62(21), Boa Morte,    1905 e CSO, 12(07), Bonfim, 1890.    <!-- ref --><br>   <a name="back56"></a><a href="#top56">56</a> MARTINS, Roberto Borges. <i>Growing    in silence</i>: the slave economy of nineteen century: Minas Gerais - Brasil.    Nashville: Vanderbilt University, 1980. (Tese de doutorado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0104-8775201100020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ver tamb&eacute;m:    FRAGOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s Ribeiro; FLORENTINO, Manolo. <i>O arca&iacute;smo    como projeto</i>. Mercado Atl&acirc;ntico, Sociedade Agr&aacute;ria e Elite    Mercantil no Rio de Janeiro, c.1790 - c.1840. 4a ed. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o    Brasileira, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0104-8775201100020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> No caso do livro <i>Arca&iacute;smo como projeto</i>, &eacute;    preciso deixar claro que os autores est&atilde;o se referindo a um per&iacute;odo    anterior ao abordado neste artigo; no entanto, o conceito elaborado por Fragoso    e Florentino costuma ser utilizado por outros autores de forma indevida em rela&ccedil;&atilde;o    ao s&eacute;culo XIX. O que se quer refor&ccedil;ar &eacute; a ideia de que,    a despeito da pertin&ecirc;ncia dessas concep&ccedil;&otilde;es, esse tipo de    an&aacute;lise n&atilde;o cabe no que tange ao per&iacute;odo e ao tipo de economia    aqui abordados.    <br>   <a name="back57"></a><a href="#top57">57</a> Ver, respectivamente, as refer&ecirc;ncias    aos seguintes documentos: AMB/MG, CSO, 27(18), Piedade das Gerais, 1893; CPO,    01(06), Santa Cruz do Dom Silv&eacute;rio, 1901; CSO, 39(10), Rio Manso, 1892.    <br>   <a name="back58"></a><a href="#top58">58</a> AMB/MG, CPO, 07(16), Santo Ant&ocirc;nio    da Vargem Alegre, 1912. Ver tamb&eacute;m: AMB/MG, CPO, 47(19), Rio Manso, 1898.    <br>   <a name="back59"></a><a href="#top59">59</a> Para uma discuss&atilde;o historiogr&aacute;fica    a esse respeito, ver: MARTINEZ, Cl&aacute;udia. <i>Cinzas do Passado</i>, p.24-40.</font></p>      ]]></body><back>
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