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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Priscila Brand&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Organizadora. Departamento    de Hist&oacute;ria, UFMG. Av. Ant&ocirc;nio Carlos, 6627, Belo Horizonte. MG.    31270-901. Brasil. <a href="mailto:priscilahis@gmail.com">priscilahis@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente Dossi&ecirc;    <i>Hist&oacute;ria e Intelig&ecirc;ncia</i> &eacute; dedicado ao estudo de temas    vinculados &agrave; atividade de intelig&ecirc;ncia, a qual lentamente vem sendo    reconhecida como leg&iacute;tima e necess&aacute;ria por grande parte das sociedades,    inclusive daquelas que emergiram recentemente de ditaduras civis e/ou militares.    Tal reconhecimento tem impulsionado uma ampla gama de pesquisas, permitindo    que os Estudos de Intelig&ecirc;ncia constituam-se em uma &aacute;rea acad&ecirc;mica    multidisciplinar, cada vez mais reconhecida internacionalmente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa sobre    a atividade de intelig&ecirc;ncia desenvolveu-se nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas    principalmente por meio da discuss&atilde;o sobre a reforma institucional dos    servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia em contextos pol&iacute;ticos p&oacute;s-autorit&aacute;rios,    sobre a constitui&ccedil;&atilde;o de organismos internacionais de coopera&ccedil;&atilde;o    no contexto p&oacute;s-guerra fria, de an&aacute;lises institucionais sobre    a distribui&ccedil;&atilde;o de poder entre civis e militares, bem como dos    debates em torno do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No pa&iacute;s,    o n&uacute;mero de pesquisas historiogr&aacute;ficas relacionadas ao tema ainda    &eacute; muito pequeno. Nesse sentido, o Dossi&ecirc; ora apresentado &eacute;    constitu&iacute;do de uma diversidade de temas correlatos &agrave; atividade,    cujo recorte cronol&oacute;gico marcadamente recente exp&otilde;e faces da incipiente    emerg&ecirc;ncia do tema enquanto esfera de pesquisa acad&ecirc;mica no Brasil,    ainda fortemente impactada pela produ&ccedil;&atilde;o de cientistas pol&iacute;ticos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante da diversidade    dos artigos, optamos por dividi-los de acordo com os temas. Nesse sentido, os    dois primeiros abordam quest&otilde;es vinculadas &agrave; hist&oacute;ria da    atividade de intelig&ecirc;ncia no Brasil de pontos de vista distintos. O primeiro    enquanto evento, uma ditadura militar caracterizada pelo processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o    do seu sistema repressivo, e o segundo enquanto an&aacute;lise dos produtos    desse mesmo evento, dos registros da viol&ecirc;ncia presentes nos acervos documentais    produzidos no per&iacute;odo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De forma mais detalhada,    o trabalho de Samantha Viz Quadrat, <i>A prepara&ccedil;&atilde;o dos agentes    de informa&ccedil;&atilde;o e a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985)</i>,    aborda o processo de forma&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o dos    agentes respons&aacute;veis pelo desenvolvimento da atividade de intelig&ecirc;ncia    no pa&iacute;s durante a recente ditadura militar. Eles, aqui compreendidos    como um dos principais atores no desenvolvimento da repress&atilde;o pol&iacute;tica    no Brasil. Para tanto, a autora discorre sobre o conceito de seguran&ccedil;a    nacional e os impactos que a Doutrina de Seguran&ccedil;a Nacional (DSN) produziu    na pr&oacute;pria forma de se perceber a miss&atilde;o militar, bem como analisa    a influ&ecirc;ncia que o conceito de guerra revolucion&aacute;ria, desenvolvido    pelos franceses ap&oacute;s a derrota na Guerra da Indochina, acarretaria para    o processo repressivo brasileiro. Essa an&aacute;lise &eacute; elaborada, sobretudo,    amparada nos manuais elaborados pela Escola Superior de Guerra (ESG), desde    um per&iacute;odo que precede a pr&oacute;pria ditadura militar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O investimento    no bin&ocirc;mio informa&ccedil;&atilde;o-repress&atilde;o analisado por Samantha    durante a ditadura teve como consequ&ecirc;ncia, al&eacute;m da institucionaliza&ccedil;&atilde;o    do uso da viol&ecirc;ncia por parte das For&ccedil;as Armadas no campo interno,    uma gigantesca produ&ccedil;&atilde;o de arquivos sobre a&ccedil;&otilde;es,    suspeitos e an&aacute;lises sobre o comportamento daqueles pejorativamente qualificados    como subversivos e terroristas, cuja dimens&atilde;o de pap&eacute;is reflete    uma tradi&ccedil;&atilde;o caracteristicamente cartorial do comportamento das    For&ccedil;as Armadas. Nesse sentido, em seu artigo, <i>Hist&oacute;ria do Tempo    Presente, eventos traum&aacute;ticos e documentos sens&iacute;veis: o caso brasileiro,</i>    Carlos Fico realiza uma an&aacute;lise sobre a exist&ecirc;ncia e o desafio    de acesso aos fundos documentais produzidos por esse sistema repressivo, considerando    o enfoque da Hist&oacute;ria do Tempo Presente e os dilemas enfrentados pelos    historiadores nos campos metodol&oacute;gicos e epistemol&oacute;gicos, cuja    pesquisa muitas vezes pode acarretar na invas&atilde;o da privacidade e intimidade    das pessoas - tens&atilde;o que permeia todo o debate em torno desse acesso    - , al&eacute;m da interven&ccedil;&atilde;o do historiador na sociedade, a    partir do momento que ainda predomina um anseio de sua parte pelo direito &agrave;    verdade. A tens&atilde;o entre estado e cidad&atilde;o no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    constitui ponto crucial do debate.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No terceiro artigo    &eacute; realizado um debate sobre como no per&iacute;odo p&oacute;s Guerra    Fria, o Estado tem que gerenciar sua produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o mais como forma de construir verdades sobre sua atua&ccedil;&atilde;o,    mas como modo de potencializar a administra&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    sens&iacute;veis em um contexto de pretensa lideran&ccedil;a regional. Assim,    em seu trabalho <i>Estado Informacional: implica&ccedil;&otilde;es para as pol&iacute;ticas    de informa&ccedil;&atilde;o e de Intelig&ecirc;ncia no limiar do s&eacute;culo    XXI,</i> Marta Kerr analisa o processo de transforma&ccedil;&atilde;o do estado    burocr&aacute;tico, caracter&iacute;stico dos s&eacute;culos XIX e XX, em um    chamado "estado informacional". A &ecirc;nfase recai sobre o desenvolvimento    das novas Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o (TI's), e como essas demandam    mudan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de informa&ccedil;&atilde;o    praticadas nos anos de 1960 e 1970. Mais especificamente, como essa emerg&ecirc;ncia,    associada &agrave; nova din&acirc;mica da globaliza&ccedil;&atilde;o e da distribui&ccedil;&atilde;o    multipolar do poder, tem demandado efic&aacute;cia &agrave; atividade de intelig&ecirc;ncia,    essencial n&atilde;o apenas para a seguran&ccedil;a, como tamb&eacute;m para    viabilizar a competitividade das estruturas econ&ocirc;micas e o desenvolvimento    de diferentes na&ccedil;&otilde;es, em um contexto mundial regido pelo paradigma    t&eacute;cnico e econ&ocirc;mico das TI's, fortemente marcado pelo crescimento    das rivalidades econ&ocirc;micas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; no quarto    artigo os autores procuram identificar padr&otilde;es de comportamento institucionais    e pol&iacute;ticos que t&ecirc;m conduzido as falhas e inefic&aacute;cia da    atividade de intelig&ecirc;ncia desde a Guerra Fria. No trabalho <i>Explicando    falhas da intelig&ecirc;ncia governamental,</i> Marco Cepik e Christiano Ambos    procuram identificar, nos estudos de caso narrados pela literatura de intelig&ecirc;ncia,    padr&otilde;es de comportamento que obstru&iacute;ram um desempenho eficaz da    atividade em distintos pa&iacute;ses, em diferentes momentos. As an&aacute;lises    consideram desde a Crise dos M&iacute;sseis em Cuba, na d&eacute;cada de 1960,    at&eacute; os ruidosos fracassos do come&ccedil;o do s&eacute;culo XXI, como    a avalia&ccedil;&atilde;o realizada pelos EUA que o conduziram &agrave; invas&atilde;o    do Iraque, aos atentados &agrave; Madrid e &agrave; R&uacute;ssia em 2004. A    &ecirc;nfase recai tanto sobre as distor&ccedil;&otilde;es cognitivas produzidas    pelos analistas de intelig&ecirc;ncia no processo de produ&ccedil;&atilde;o    de intelig&ecirc;ncia, quanto na intera&ccedil;&atilde;o produtor e consumidor    desta mesma intelig&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encerrando o Dossi&ecirc;,    o conjunto dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s artigos leva em considera&ccedil;&atilde;o    an&aacute;lises regionais. Peter Gill, em seu artigo <i>Alguns aspectos da reforma    da intelig&ecirc;ncia na Am&eacute;rica Latina,</i> procura identificar as principais    caracter&iacute;sticas da reforma no setor de intelig&ecirc;ncia de seguran&ccedil;a    na Am&eacute;rica Latina, considerando as rela&ccedil;&otilde;es ente o estado    e outros atores relacionados &agrave; &aacute;rea de seguran&ccedil;a. No desenvolvimento    de sua an&aacute;lise, o autor dialoga com a literatura relacionada &agrave;s    rela&ccedil;&otilde;es civis militares, aos legados autorit&aacute;rios, e aos    processos de transi&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica,    sendo que sua &ecirc;nfase recai sobre os casos brasileiro e argentino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m trabalhando    com a Am&eacute;rica Latina, Jos&eacute; Manuel Ugarte, em seu artigo <i>El    &aacute;mbito normativo de la inteligencia interior en Am&eacute;rica Latina</i>,    al&eacute;m de estabelecer um debate conceitual sobre o termo <i>domestic intelligence</i>    analisa, de forma comparada, a legisla&ccedil;&atilde;o criada para regular    a atividade de intelig&ecirc;ncia interna ap&oacute;s os atentados &agrave;s    Torres G&ecirc;meas, em 11 de setembro de 2001. Apesar de o foco do trabalho    recair sobre a Am&eacute;rica Latina, sua an&aacute;lise considera modelos de    pa&iacute;ses os quais identifica como "de significativa evolu&ccedil;&atilde;o    institucional", tais como EUA, Canad&aacute;, It&aacute;lia e Reino Unido, de    modo a estabelecer par&acirc;metros de compara&ccedil;&atilde;o. O objetivo    do autor &eacute; verificar se a expans&atilde;o do setor de intelig&ecirc;ncia    interna promovida ap&oacute;s os atentados foi ou n&atilde;o acompanhada do    fortalecimento dos mecanismos de controle, estabelecidos para resguardar a popula&ccedil;&atilde;o    do pr&oacute;prio pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encerrando o Dossi&ecirc;,    com seu artigo <i>Evoluci&oacute;n de la Cooperaci&oacute;n Europea em Inteligencia,</i>    Antonio Diaz analisa a evolu&ccedil;&atilde;o do processo que tem conduzido    &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o europeia em termos de intelig&ecirc;ncia,    cujo in&iacute;cio remonta &agrave; d&eacute;cada de 1970, em resposta ao crescimento    de amea&ccedil;as tais como o narcotr&aacute;fico e o terrorismo. O autor enfatiza    como essa coopera&ccedil;&atilde;o influenciou e foi influenciada pelas mudan&ccedil;as    institucionais produzidas no &acirc;mbito da intelig&ecirc;ncia em v&aacute;rios    pa&iacute;ses europeus, as quais, inclusive, fomentaram a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    da atividade de intelig&ecirc;ncia no campo da seguran&ccedil;a p&uacute;blica.    Os desafios da instrumentaliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os, da    classifica&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o (a quest&atilde;o do    "secretismo"), as dificuldades de interoperabilidade e compartilhamento s&atilde;o    aspectos essenciais do debate abordado pelo autor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, na expectativa    de que o Dossi&ecirc; <i>Hist&oacute;ria e Intelig&ecirc;ncia</i> contribua    para incrementar no pa&iacute;s os estudos relativos &agrave; atividade de intelig&ecirc;ncia,    sobretudo no campo da Hist&oacute;ria, agrade&ccedil;o a participa&ccedil;&atilde;o    de cada um dos autores e convido os leitores a desfrutarem dos resultados de    pesquisa ora produzidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Belo Horizonte,    abril de 2012.</font></p>      ]]></body>
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