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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De Lisboa ao Rio de Janeiro: a trajetória da Coleção Diogo Barbosa Machado]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From Lisbon to Rio de Janeiro: the trajectory of Diogo Barbosa Machado's Collection]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, a collection of maps, booklets, and printed portraits assembled by Diogo Barbosa Machado is studied. Barbosa Machado was a Portuguese abbot who lived in the 18th century. Initially, a typology of this collection is elaborated in order to search for similarities and differences with other collections of the same period. Based on this typology, we addressed Barbosa Machado's bibliophilic activity, emphasizing his exhaustive compilation of print materials on different topics. Finally, we showed the history of the collection until it became part of the Brazilian National Library, in Rio de Janeiro, in the 19th century. The aim is not only to recount its history, but more importantly to present how changes experienced by the collection over some decades may help us reflect on how societies are related to their past.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>De    Lisboa ao Rio de Janeiro: a trajet&oacute;ria da Cole&ccedil;&atilde;o Diogo    Barbosa Machado</b><a href="#back"><sup>*</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>From Lisbon    to Rio de Janeiro: the trajectory of Diogo Barbosa Machado's Collection</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Paula Sampaio    Caldeira</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Doutoranda do Programa    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Hist&oacute;ria Pol&iacute;tica e Bens    Culturais do CPDOC da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas. Praia de    Botafogo, 190, 14º andar, Rio de Janeiro, RJ. <u><a href="mailto:paideia@ig.com.br">paideia@ig.com.br</a></u></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, estuda-se    a cole&ccedil;&atilde;o de mapas, folhetos e imagens montadas pelo abade portugu&ecirc;s    Diogo Barbosa Machado no s&eacute;culo XVIII. Inicialmente, &eacute; elaborada    uma tipologia dessa cole&ccedil;&atilde;o, buscando aproxim&aacute;-la e diferenci&aacute;-la    de outras de sua &eacute;poca. Em seguida, a partir desse conjunto, aborda-se    a atividade de bibli&oacute;filo de Barbosa Machado, destacando o trabalho exaustivo    de compila&ccedil;&atilde;o feito por ele em diversas frentes. Por fim, s&atilde;o    apontados os caminhos percorridos pela cole&ccedil;&atilde;o at&eacute; fazer    parte do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro j&aacute; no s&eacute;culo    XIX. O objetivo n&atilde;o &eacute; apenas contar a hist&oacute;ria desses materiais,    mas, antes de tudo, mostrar como as mudan&ccedil;as sofridas por eles ao longo    de algumas d&eacute;cadas podem nos ajudar a refletir a respeito de como as    sociedades se relacionam com o seu passado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    colecionismo, historiografia, Cole&ccedil;&atilde;o Diogo Barbosa Machado</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;In this paper,    a collection of maps, booklets, and printed portraits assembled by Diogo Barbosa    Machado is studied. Barbosa Machado was a Portuguese abbot who lived in the    18th century. Initially, a typology of this collection is elaborated in order    to search for similarities and differences with other collections of the same    period. Based on this typology, we addressed Barbosa Machado's bibliophilic    activity, emphasizing his exhaustive compilation of print materials on different    topics. Finally, we showed the history of the collection until it became part    of the Brazilian National Library, in Rio de Janeiro, in the 19<sup>th</sup>century.    The aim is not only to recount its history, but more importantly to present    how changes experienced by the collection over some decades may help us reflect    on how societies are related to their past.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    collecting, historiography, Diogo Barbosa Machado Collection</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No s&eacute;culo    XVIII, em Portugal, um homem chamado Diogo Barbosa Machado dedicou-se praticamente    por inteiro aos estudos. Em sua casa, situada &agrave; direita da rua Rilhafoles,    em Lisboa, ele foi ao longo da vida enchendo as estantes de sua biblioteca com    muitos livros. Interessava-se por v&aacute;rios assuntos, mas possu&iacute;a    uma predile&ccedil;&atilde;o pela hist&oacute;ria eclesi&aacute;stica e secular    do reino. Quando jovem, entrou para a Congrega&ccedil;&atilde;o do Orat&oacute;rio.    Em 1724, foi ordenado presb&iacute;tero e, quatro anos depois, foi nomeado abade    da Paroquial Igreja de Santo Adri&atilde;o de Sever. &Eacute; certo que n&atilde;o    permaneceu muito tempo nesse posto, pois isso implicava ficar distante de Lisboa,    cidade por excel&ecirc;ncia dos eruditos portugueses da &eacute;poca. Por outro    lado, tamb&eacute;m &eacute; certo que a pens&atilde;o que adquiriu como abade    lhe garantiu renda suficiente para formar uma consider&aacute;vel biblioteca    pessoal e tamb&eacute;m para empenhar-se integralmente nas pr&aacute;ticas eruditas    de sua &eacute;poca, tais como a correspond&ecirc;ncia com outros homens do    saber, a investiga&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria p&aacute;tria e o colecionismo.<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sua inclina&ccedil;&atilde;o    para os estudos acabou ajudando no seu reconhecimento entre os eruditos lisboetas.    Foi justamente a partir do contato com altos membros da nobreza portuguesa que    Barbosa Machado foi nomeado, em 1720, membro da Academia Real da Hist&oacute;ria,    institui&ccedil;&atilde;o interessada em promover as gl&oacute;rias do passado    portugu&ecirc;s dentro do pr&oacute;prio reino e para toda a Europa. Mais tarde,    j&aacute; como acad&ecirc;mico, comp&ocirc;s obras de grande f&ocirc;lego, como    a <i>Biblioteca Lusitana e as Mem&oacute;rias para a Hist&oacute;ria de D. Sebasti&atilde;o</i>.    Morreu aos 92 anos e, ao longo de sua trajet&oacute;ria, p&ocirc;de vivenciar    acontecimentos importantes: acompanhou tr&ecirc;s reinados, viu o reino entrar    e sair de muitos conflitos, assistiu ao alvorecer e ao crep&uacute;sculo dos    estudos hist&oacute;ricos em Portugal, surpreendeu-se com a tentativa de regic&iacute;dio    contra o monarca portugu&ecirc;s e, se n&atilde;o bastasse isso tudo, vivenciou    o terremoto que assolou Lisboa em 1755. Quase no fim de sua vida, ainda teve    um momento de grande prazer e reconhecimento intelectual ao vender para o rei    D. Jos&eacute; a biblioteca que cultivou durante tantas d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hoje, de alguma    maneira, Barbosa Machado encontra-se no Brasil, mais precisamente na Biblioteca    Nacional do Rio de Janeiro, onde, nas se&ccedil;&otilde;es de Iconografia, Cartografia,    Obras Raras e Manuscritos nos deparamos com v&aacute;rias obras que um dia estiveram    em suas estantes. Elas atravessaram o Atl&acirc;ntico e aportaram aqui alguns    anos depois da vinda da Fam&iacute;lia Real. Junto com sua biblioteca, foi transferida    para c&aacute; tamb&eacute;m uma cole&ccedil;&atilde;o de mapas, imagens e folhetos    referentes &agrave; hist&oacute;ria portuguesa organizada por Barbosa Machado    em volumes encadernados, com direito a folha de rosto, t&iacute;tulo e adornos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, estudaremos    a trajet&oacute;ria dessa cole&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Come&ccedil;aremos    com uma descri&ccedil;&atilde;o pormenorizada do acervo e apontaremos como ele    se insere na biblioteca de seu art&iacute;fice. Conhecendo esse conjunto de    materiais, seguiremos pelos caminhos que ele percorreu at&eacute; compor os    arquivos da Biblioteca Nacional no s&eacute;culo XIX, momento em que parte dos    objetos da cole&ccedil;&atilde;o foram restaurados. J&aacute; no s&eacute;culo    seguinte, a Cole&ccedil;&atilde;o Diogo Barbosa Machado, como ficou conhecida,    passaria por outras interven&ccedil;&otilde;es, adequando-se &agrave;s novas    demandas da biblioteca. Veremos que as mudan&ccedil;as sofridas por essa cole&ccedil;&atilde;o    ao longo de algumas d&eacute;cadas podem nos ajudar a refletir sobre como as    sociedades se relacionam com o seu passado e, mais ainda, transformam os vest&iacute;gios    desse passado em fontes para os historiadores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A cole&ccedil;&atilde;o    na biblioteca de Diogo Barbosa Machado</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Cole&ccedil;&atilde;o    Diogo Barbosa Machado est&aacute; diretamente ligada &agrave; biblioteca que    esse erudito cultivou ao longo da vida. Composta por cerca de 4 mil obras distribu&iacute;das    em mais de 5.700 volumes, a livraria do abade de Sever foi minuciosamente organizada    pelo seu art&iacute;fice, que chegou a elaborar, inclusive, um cat&aacute;logo    manuscrito a partir do qual &eacute; poss&iacute;vel ter acesso a todas as obras    que possu&iacute;a em suas estantes, bem como &agrave; forma como ele classificava    a sua biblioteca e o peso que dava para cada assunto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir desse    cat&aacute;logo (que pode ser encontrado na se&ccedil;&atilde;o de manuscritos    da Biblioteca Nacional), verificamos que a biblioteca de Barbosa Machado dividia-se    de acordo com o seguinte crit&eacute;rio: Escritura Sagrada; teologia especulativa,    dogm&aacute;tica e moral; teologia sacra e profana; hist&oacute;ria eclesi&aacute;stica;    hist&oacute;ria eclesi&aacute;stica das regi&otilde;es orientais e ocidentais;    hist&oacute;ria profana; hist&oacute;ria profana das regi&otilde;es orientais    e ocidentais; vidas de Cristo, santos, eclesi&aacute;sticos e de homens e mulheres    ilustres em virtudes e a&ccedil;&otilde;es militares; elogios de pont&iacute;fices,    pr&iacute;ncipes e var&otilde;es insignes em santidade, letras e armas; bibliotec&aacute;rios;    geneal&oacute;gicos; her&aacute;ldicos; cron&oacute;logos; ge&oacute;grafos;    ort&oacute;grafos; gram&aacute;ticos; ret&oacute;ricos e oradores; discursos    concionat&oacute;rios; poetas latinos; poetas portugueses, castelhanos e italianos;    s&iacute;mbolos, emblemas e empresas; dicion&aacute;rios; antiqu&aacute;rios;    autores que compreendem diversas mat&eacute;rias em suas obras; autores antigos    de l&iacute;ngua latina em prosa e verso; pompas triunfais na entrada de pr&iacute;ncipes    e funerais dos mesmos; pol&iacute;ticos; asc&eacute;ticos, itiner&aacute;rios;    escritores de cartas; apologias; cr&iacute;ticas invectivas; miscel&acirc;nea    e livros de estampas.<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em meio aos livros    que compunham a sua biblioteca pessoal, o abade de Sever destacou em seu cat&aacute;logo    uma cole&ccedil;&atilde;o organizada por ele mesmo e que re&uacute;ne documentos    relacionados &agrave; hist&oacute;ria de Portugal e de suas possess&otilde;es    na &Aacute;frica, Am&eacute;rica e &Aacute;sia. S&atilde;o 2.039 imagens, 3.134    folhetos e 81 mapas organizados em volumes que seguem uma classifica&ccedil;&atilde;o    tem&aacute;tica, cronol&oacute;gica e tipol&oacute;gica.<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>    &Eacute; muito prov&aacute;vel que alguns folhetos, imagens e mapas tenham desaparecido    depois que o abade de Sever vendeu a sua cole&ccedil;&atilde;o para o rei D.    Jos&eacute; I. Dessa forma, os n&uacute;meros que indicamos dizem respeito ao    que podemos encontrar atualmente na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O cat&aacute;logo    elaborado por Barbosa Machado n&atilde;o traz nenhuma indica&ccedil;&atilde;o    de quando foi produzido. Podemos, no entanto, lan&ccedil;ar algumas hip&oacute;teses.    Analisando a edi&ccedil;&atilde;o dos livros mencionados, &eacute; poss&iacute;vel    supor que ele tenha sido feito depois de 1767, pois os volumes mais recentes    datam desse ano. A partir desse momento, portanto, a cole&ccedil;&atilde;o do    abade j&aacute; deveria estar quase que totalmente organizada, uma vez que ela    foi listada no seu cat&aacute;logo e, tr&ecirc;s anos depois, vendida para o    rei D. Jos&eacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Agora que conhecemos    o lugar da cole&ccedil;&atilde;o na biblioteca de abade de Sever, passemos &agrave;    an&aacute;lise desse acervo especificamente. A cole&ccedil;&atilde;o de retratos,    atualmente, possui oito volumes e cont&eacute;m gravuras dos s&eacute;culos    XVII e XVIII. Os dois primeiros tratam da monarquia portuguesa e trazem estampas    de reis, rainhas e pr&iacute;ncipes. O terceiro volume da cole&ccedil;&atilde;o    de retratos &eacute; dedicado aos santos e prelados de v&aacute;rias &eacute;pocas.    O tomo seguinte, por sua vez, tem como tema os var&otilde;es insignes nas letras,    ci&ecirc;ncias e artes, trazendo retratada ali a intelectualidade portuguesa.    Os livros 5 e 6 apresentam os var&otilde;es insignes da Campanha e Gabinete,    homenageando os homens ligados &agrave; guerra e &agrave; administra&ccedil;&atilde;o    do governo portugu&ecirc;s. Por fim, o 7º e o 8º volumes s&atilde;o, podemos    dizer, mais universais e h&aacute; d&uacute;vidas se foram, de fato, elaborados    pelo abade de Sever.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora a descri&ccedil;&atilde;o    do conte&uacute;do de cada tomo seja um pouco enfadonha, ela se torna importante,    pois a cole&ccedil;&atilde;o de retratos sofreu mudan&ccedil;as significativas    no processo de restaura&ccedil;&atilde;o pelo qual passou no s&eacute;culo XIX,    quando j&aacute; se encontrava no Brasil. Abordaremos essa quest&atilde;o mais    adiante. Por ora, nos interessa destacar que os dois &uacute;ltimos volumes    da cole&ccedil;&atilde;o de retratos foram agrupados no cat&aacute;logo de Barbosa    Machado separado dos demais. A forma de encaderna&ccedil;&atilde;o, originalmente,    tamb&eacute;m era diferente. Enquanto os seis volumes referentes aos reis e    personagens ilustres da monarquia portuguesa foram encadernados em f&oacute;lio    imperial, estes dois &uacute;ltimos, segundo a pr&oacute;pria indica&ccedil;&atilde;o    do cat&aacute;logo do abade, estavam em f&oacute;lio grande. As imagens que    os comp&otilde;em - francesas, em sua maioria - s&atilde;o tamb&eacute;m mais    luxuosas e nelas n&atilde;o aparece um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico de    Barbosa Machado: a interven&ccedil;&atilde;o. O abade n&atilde;o apenas guardava    as imagens coletadas, mas as manipulava, intervindo nelas, recortando-as, colando    enfeites, epigramas e tarjas primorosas, ou, ainda, fazendo composi&ccedil;&otilde;es    como se quisesse deixar a sua marca. Seu trabalho &eacute; por vezes t&atilde;o    minucioso que para um olhar menos atento torna-se dif&iacute;cil distinguir    a montagem feita. Os dois &uacute;ltimos volumes, ao contr&aacute;rio dos anteriores,    n&atilde;o demonstram esse cuidado. Al&eacute;m disso, trazem personagens que    n&atilde;o est&atilde;o diretamente ligados &agrave; hist&oacute;ria portuguesa,    como Richelieu, Tom&aacute;s de Aquino e Arist&oacute;teles. Acreditamos que,    de fato, o 7º e o 8º tomos da cole&ccedil;&atilde;o de retratos tenham sido    produzidos por Barbosa Machado. No entanto, como n&atilde;o estavam relacionados    ao passado luso, foram colocados separadamente em seu cat&aacute;logo, al&eacute;m    de elaborados de outra maneira, menos ornados de que os demais. A jun&ccedil;&atilde;o    desses dois volumes aos demais foi fruto de um trabalho de restaura&ccedil;&atilde;o    desenvolvido no s&eacute;culo XIX, como veremos adiante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cole&ccedil;&atilde;o    de mapas de Barbosa Machado se refere a Portugal e suas possess&otilde;es. Cont&eacute;m    algumas cartas de Lisboa, das ilhas dos A&ccedil;ores e da Madeira e ainda outras    do Brasil. Os mapas que se encontram datados foram produzidos nos s&eacute;culos    XVII e XVIII, mas h&aacute; ainda dois deles do s&eacute;culo XVI, um de Lisboa    e outro da cidade de Funchal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cole&ccedil;&atilde;o    de folhetos &eacute;, por sua vez, a mais numerosa e conta com 146 volumes.    Ela traz n&atilde;o s&oacute; op&uacute;sculos impressos e manuscritos sobre    a monarquia, a nobreza e os eclesi&aacute;sticos portugueses, mas tamb&eacute;m    not&iacute;cias sobre festas, batalhas e ainda relatos de miss&otilde;es que    aconteceram nas possess&otilde;es portuguesas da Am&eacute;rica, &Aacute;frica    e &Aacute;sia. Os folhetos se encontram, predominantemente, em portugu&ecirc;s    e espanhol, embora haja alguns em outros idiomas. As publica&ccedil;&otilde;es    tamb&eacute;m s&atilde;o variadas, uma vez que h&aacute; textos impressos em    Madri, Roma, Luca, Paris, al&eacute;m de outras cidades. A grande maioria dos    folhetos refere-se aos reinados de D. Jo&atilde;o V e de D. Jos&eacute; I, o    que pode ser entendido pela maior facilidade do acad&ecirc;mico em encontrar    material dessa &eacute;poca do que de per&iacute;odos mais remotos. Cabe destacar,    no entanto, que nem todos os folhetos da Cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado    encontram-se datados. Dentre os que trazem essa informa&ccedil;&atilde;o, verificamos    que tr&ecirc;s deles s&atilde;o do s&eacute;culo XV (mas constam na compila&ccedil;&atilde;o    com edi&ccedil;&otilde;es do s&eacute;culo XVI), 78 s&atilde;o do s&eacute;culo    XVI, 1009 do s&eacute;culo XVII e 1795 do s&eacute;culo XVIII (at&eacute; 1770).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa parte da    cole&ccedil;&atilde;o, a interfer&ecirc;ncia de Barbosa Machado se deu de maneira    um pouco diferente daquela feita sobre os retratos. Em rela&ccedil;&atilde;o    aos op&uacute;sculos, ele os repetiu em volumes de tem&aacute;ticas diferentes;    os dividiu, colocando parte deles em um dado volume e a outra parte em outro;    acrescentou a eles mapas, plantas de cidade e desenhos de batalhas; at&eacute;    mesmo corrigiu palavras e erros tipogr&aacute;ficos. Seu empenho em organizar    esse material escrito ficou evidente tamb&eacute;m no cuidado que o bibli&oacute;filo    teve de fazer uma lista com os t&iacute;tulos de todos os folhetos que constavam    em um determinado livro, colocando-a no in&iacute;cio de cada tomo de sua cole&ccedil;&atilde;o,    produzindo, assim, um &iacute;ndice de consulta para o seu leitor. N&atilde;o    faltam ainda nessa cole&ccedil;&atilde;o folhetos escritos pelos pares de Barbosa    Machado, isto &eacute;, pelos outros membros da Academia Real de Hist&oacute;ria    e, inclusive, pelo pr&oacute;prio abade de Sever. Sobretudo nos volumes dedicados    ao anivers&aacute;rio dos reis e rainhas de Portugal h&aacute; v&aacute;rias    ora&ccedil;&otilde;es e elogios recitados pelos acad&ecirc;micos para os monarcas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabemos pelos gravadores    das imagens, pelos autores dos folhetos, pelo idioma ou ainda pela cidade em    que foram publicados (quando trazem estas refer&ecirc;ncias) que a maioria das    gravuras, dos op&uacute;sculos e dos mapas reunidos por Barbosa Machado foram    produzidos em Portugal, mas h&aacute; outros que certamente vieram de fora do    reino. Mesmo entre os op&uacute;sculos portugueses, por exemplo, h&aacute; alguns    raros e outros que datam do s&eacute;culo XVI. Como pode, ent&atilde;o, o abade    de Sever ter acesso a esses escritos e imagens? Em certos casos, Diogo Barbosa    Machado comprou esses materiais e ainda mandou vir alguns do estrangeiro. Essa    pr&aacute;tica era comum, uma vez que v&aacute;rios eruditos da &eacute;poca    ocupavam cargos administrativos em seus reinos, tendo, por isso, de viajar constantemente    para outras regi&otilde;es. Atrav&eacute;s da correspond&ecirc;ncia que o bibli&oacute;filo    manteve com Francisco Xavier de Oliveira, secret&aacute;rio particular do embaixador    Jo&atilde;o Gomes da Silva, Conde de Tarouca, percebemos que muitos dos amigos    do abade recebiam encomendas e mandavam-lhe de suas viagens ao exterior op&uacute;sculos    ou imagens &uacute;teis aos interesses do colecionador:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Quanto &agrave;      encomenda de estampas que VM continua a me lembrar, confesso que tenho medo      de fazer emprego algum, porque todas as ocasi&otilde;es em que descobri alguma      coisa que podia servir a VM achei que o pre&ccedil;o n&atilde;o era c&ocirc;modo,      ou, para melhor dizer, &#91;tinha&#93; d&uacute;vidas se seria a sua satisfa&ccedil;&atilde;o.      Pelo que respeita aos retratos dos pr&iacute;ncipes e var&otilde;es insignes,      n&atilde;o faltarei de lan&ccedil;ar em todos os que puder achar, desejando      que VM me diga se sua curiosidade se limita somente aos her&oacute;is portugueses      ou se pretende haver tamb&eacute;m os retratos dos estrangeiros mais famosos.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os <i>Anais da    Biblioteca Nacional</i>, por outro lado, indicam tamb&eacute;m que Barbosa Machado,    a fim de adquirir imagens variadas para a sua cole&ccedil;&atilde;o de retratos,    n&atilde;o se importava em recortar os livros que tinha duplicados, arrancando    deles gravuras e adicionando-as &agrave; sua cole&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o    sem antes enfeit&aacute;-las com suas tarjas e composi&ccedil;&otilde;es).<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; preciso    destacar, portanto, que a pr&aacute;tica do colecionismo n&atilde;o era, como    comumente se pensa, uma atividade individualizada e que remete a uma pessoa    na solid&atilde;o de seu gabinete. De fato, a cole&ccedil;&atilde;o estudada    nos leva &agrave; biblioteca particular de um colecionador espec&iacute;fico,    mas &eacute; preciso ter sempre em mente que Diogo Barbosa Machado fazia parte    de um grupo de eruditos, no interior do qual a pr&aacute;tica de colecionar    objetos hist&oacute;ricos, livros, pap&eacute;is e moedas era bastante difundida.    Estudo feito por Jo&atilde;o Carlos Pires Brigola mostrou que diversos letrados    portugueses (alguns, inclusive, membros da Academia Real) mantinham destacados    acervos pessoais. O gabinete dos Condes da Ericeira, por exemplo, era especializado    em antiguidades, moedas e, sobretudo, em hist&oacute;ria natural.<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>    Da mesma maneira, o duque de Cadaval, embora mantivesse uma cole&ccedil;&atilde;o    de manuscritos, dedicava-se tamb&eacute;m aos objetos naturais e &agrave; numism&aacute;tica.    A cole&ccedil;&atilde;o dos Marqueses de Abrantes era refer&ecirc;ncia em medalhas,enquanto    o gabinete do rei D. Jo&atilde;o V centrava-se nos objetos de arte e na mineralogia.<a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a>Al&eacute;m    disso, a pr&oacute;pria Academia Real de Hist&oacute;ria tamb&eacute;m investiu    na composi&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es de medalhas, moedas e    antiguidades lusitanas (materiais considerados fundamentais para o projeto da    institui&ccedil;&atilde;o de escrever a hist&oacute;ria do reino), bem como    comp&ocirc;s um acervo com documentos relativos ao funcionamento e &agrave;    hist&oacute;ria da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o.<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voltando a Barbosa    Machado, vale a pena perceber como a pr&aacute;tica do colecionismo e o desejo    de reunir tudo o que fosse necess&aacute;rio para escrever a hist&oacute;ria    de um determinado per&iacute;odo marcam tamb&eacute;m outros de seus empreendimentos.    Para compor as <i>Mem&oacute;rias para a Hist&oacute;ria de Portugal</i>, cujo    primeiro tomo foi publicado em 1736, Barbosa Machado colheu decretos, cartas    e outros documentos escritos referentes ao reinado do rei D. Sebasti&atilde;o    e ao per&iacute;odo Habsburgo. Nessa obra, o abade tamb&eacute;m listou e descreveu    de forma minuciosa as a&ccedil;&otilde;es dos var&otilde;es insignes, cuja lealdade,    sobretudo em um momento turbulento da hist&oacute;ria do reino portugu&ecirc;s,    n&atilde;o poderia cair no esquecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um trabalho de    pesquisa e de coleta documental tamb&eacute;m foi elaborado pelo abade enquanto    montava a sua <i>Bibliotheca Lusitana</i>. Para compor essa obra, que se trata,    na verdade, de um cat&aacute;logo dos escritores portugueses e de suas produ&ccedil;&otilde;es,    Barbosa Machado consultou autores que tentaram fazer um trabalho semelhante    e ainda contatou eruditos, solicitando-lhes que mandassem informa&ccedil;&otilde;es    sobre a vida e os escritos de autores portugueses,<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>    como se v&ecirc; na carta que o abade destina ao Padre Frei Marceliano da Ascens&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No cat&aacute;logo      que por via de meu irm&atilde;o D. Jos&eacute; recebi dos &#91;revendedores&#93;      Bracarenses vem grande n&uacute;mero que eu n&atilde;o tenho, e assim pe&ccedil;o      a V.E para o qual escrevo que resolva mandar not&iacute;cias daquelas que      n&atilde;o est&atilde;o na Biblioteca Lusitana j&aacute; impressa e com quanto      maior brevidade se remeteram, tanto mais se ir&atilde;o acomodando com as      suas classes. J&aacute; que V.E foi o Vasco da Gama da Can&ocirc;nica de Frei      Jo&atilde;o do Apocalipse lhe pe&ccedil;o &#91;que&#93; me mande transcrito      o t&iacute;tulo dela que assim o por na dita biblioteca (...). Tamb&eacute;m      n&atilde;o tenho os nomes de seus pais, nem o dia e ano que recebeu o h&aacute;bito,      assemelho que fora natural de Guimar&atilde;es e que morrera em Tranca a 22      de Abril de 1632. De tudo espero resposta.<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O resultado dessas    trocas de correspond&ecirc;ncia e do interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es    foi a composi&ccedil;&atilde;o dos quatro tomos da <i>Bibliotheca Lusitana</i>,    publicados respectivamente em 1741, 1747, 1752 e 1759, e que serviam como um    elogio &agrave; Rep&uacute;blica das Letras portuguesa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho de Barbosa    Machado, portanto, &eacute; antes de tudo o de coletar e ordenar. Nem a sua    livraria pessoal poderia fugir a esse desejo de organiza&ccedil;&atilde;o dos    livros, dos documentos e dos saberes. N&atilde;o bastava apenas compilar. Essa    compila&ccedil;&atilde;o, seja de documentos, seja de informa&ccedil;&otilde;es    sobre autores portugueses, trazia um objetivo expl&iacute;cito, objetivo este    que n&atilde;o era apenas de Barbosa Machado, mas de toda a Academia da qual    fazia parte: o de trazer &agrave; mem&oacute;ria os fatos e personagens que    contribu&iacute;ram para a grandeza do reino. A sua cole&ccedil;&atilde;o pessoal    insere-se tamb&eacute;m nesse duplo interesse de ordena&ccedil;&atilde;o e de    mem&oacute;ria. Ao escolher os seus documentos, Barbosa Machado selecionou aquilo    que devia ou n&atilde;o ser lembrado, o que era digno de sobreviver ao tempo,    os personagens e eventos que, dali por diante, passariam a figurar na t&atilde;o    memor&aacute;vel hist&oacute;ria do reino portugu&ecirc;s. A partir de sua cole&ccedil;&atilde;o,    ele estabelecia o que era tradi&ccedil;&atilde;o, o que era mem&oacute;ria,    portanto, o que devia ser guardado. Dessa forma, o passado n&atilde;o se arrastava    at&eacute; Barbosa Machado, mas, antes, era composto por ele a cada folheto    e a cada imagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cole&ccedil;&atilde;o    estudada nos remete ao trabalho dos antiqu&aacute;rios do s&eacute;culo XVIII    e, sobretudo, ao interesse que aqueles homens tinham pelo seu passado. No s&eacute;culo    seguinte, esses materiais viriam para o Brasil e passariam a fazer parte do    fundo da Biblioteca Imperial, mais tarde Biblioteca Nacional. Restaurada e admirada    pelos bibliotec&aacute;rios daquele momento, essa cole&ccedil;&atilde;o passou    por mudan&ccedil;as que nos fazem refletir a respeito dos interesses que as    sociedades dos s&eacute;culos XVIII e XIX mantinham pelo passado. Cabe-nos,    portanto, perguntar, em primeiro lugar, o que levava os homens no s&eacute;culo    XVIII a reunir elementos referentes a um tempo long&iacute;nquo? O que esse    passado representava e que liga&ccedil;&atilde;o mantinha com o presente e o    futuro? Em segundo lugar, outras perguntas que se colocam s&atilde;o: de que    maneira os bibliotec&aacute;rios do s&eacute;culo XIX entenderam o trabalho    de Barbosa Machado? O que os levou a conservar e restaurar a cole&ccedil;&atilde;o?    Depois de conhecermos esse conjunto de materiais, passamos, na segunda parte    deste texto, a tratar de duas culturas hist&oacute;ricas: de um lado, a que    permitiu a montagem dessa cole&ccedil;&atilde;o e, de outro, aquela que a constituiu    como fonte e possibilitou que ela chegasse at&eacute; n&oacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A trajet&oacute;ria    da cole&ccedil;&atilde;o e as mudan&ccedil;as sofridas por ela na cultura hist&oacute;rica    oitocentista</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse de    Barbosa Machado e de seus pares da Academia Real em rela&ccedil;&atilde;o ao    passado foi marcado por tr&ecirc;s quest&otilde;es que, na verdade, estavam    imbricadas: a supera&ccedil;&atilde;o do esquecimento, o papel pedag&oacute;gico    dos exemplos do passado e a import&acirc;ncia do documento. Como j&aacute; indicamos,    alguns dos tomos que comp&otilde;em a cole&ccedil;&atilde;o de folhetos do abade    de Sever, intitulados <i>Aplausos dos anos de Reis, Rainhas e Pr&iacute;ncipes    de Portugal</i>, trazem ora&ccedil;&otilde;es dos membros da Academia Real da    Hist&oacute;ria nas quais eles exp&otilde;em os trabalhos que v&ecirc;m realizando    dentro daquela institui&ccedil;&atilde;o ao monarca D. Jo&atilde;o V e &agrave;    rainha consorte D. Mariana. Essas ora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o particularmente    interessantes, pois, em algumas delas, os eruditos refletiam a respeito da hist&oacute;ria,    das rela&ccedil;&otilde;es entre presente e passado ou ainda sobre o que consideravam    ser o trabalho de um acad&ecirc;mico-historiador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma preocupa&ccedil;&atilde;o    que aparece em praticamente todos esses folhetos &eacute; a do esquecimento.    Manoel Caetano de Sousa afirmava que a funda&ccedil;&atilde;o da Academia Real    desnaturalizou, em Portugal, o v&iacute;cio do esquecimento, h&aacute;bito este    "nefasto, pois nega a gl&oacute;ria dos her&oacute;is e oculta a inf&acirc;mia    dos indignos".<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a> O que    estava em jogo nessas ora&ccedil;&otilde;es e elogios proferidos pelos acad&ecirc;micos    era o papel que eles atribu&iacute;am &agrave; hist&oacute;ria e &agrave; Academia    da qual faziam parte. Para eles, o estudo do passado tinha uma fun&ccedil;&atilde;o    muito clara: ultrapassar a efemeridade das coisas, perpetuar a mem&oacute;ria,    tirar os her&oacute;is do esquecimento, traz&ecirc;-los novamente &agrave; vida.    Por outro lado, isso deveria ser feito sem ocultar a mem&oacute;ria do infame,    afinal, se era poss&iacute;vel aprender com os atos dos homens do passado, era    necess&aacute;rio tamb&eacute;m, nesse aprendizado, ter bastante claro que caminhos    n&atilde;o deveriam ser trilhados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, a    hist&oacute;ria era a arte capaz de tirar do esquecimento os homens e eventos    do passado.<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a> Para isso,    como lembrou o marqu&ecirc;s de Alegrete, eram indispens&aacute;veis os documentos,    pois a partir deles &eacute; que podiam ser encontrados os atos e os exemplos    que deveriam ser trazidos &agrave; mem&oacute;ria.<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>    Era preciso, portanto, conhecer os arquivos, organiz&aacute;-los e ter acesso    aos vest&iacute;gios do passado, pois neles estavam os homens e as a&ccedil;&otilde;es    dignas de lembran&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A hist&oacute;ria    tinha a capacidade de manter a mem&oacute;ria, portanto de vencer a pr&oacute;pria    morte. Esta, por sua vez, podia ser superada pela escrita, capaz de fixar as    virtudes e os atos de um homem para as gera&ccedil;&otilde;es futuras Os elogios    f&uacute;nebres e os serm&otilde;es de ex&eacute;quias, g&ecirc;neros muito    produzidos no s&eacute;culo XVIII portugu&ecirc;s - e que ganhavam destaque    na Cole&ccedil;&atilde;o de Diogo Barbosa Machado - mostravam a preocupa&ccedil;&atilde;o    daquela sociedade com seus mortos, isto &eacute;, o interesse em conservar,    por meio de um texto escrito, a sua mem&oacute;ria e tamb&eacute;m de construir    um ideal de virtude que servisse para os demais s&uacute;ditos. Mem&oacute;ria,    hist&oacute;ria, exemplaridade e escrita apareciam, portanto, imbricadas aqui.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A estreita liga&ccedil;&atilde;o    e intercess&atilde;o entre hist&oacute;ria e mem&oacute;ria pode ser percebida    tamb&eacute;m no pr&oacute;prio sentido de hist&oacute;ria presente no <i>Vocabul&aacute;rio    Portugu&ecirc;s e Latino</i>, do Padre Raphael Bluteau. O acad&ecirc;mico definiu    a palavra da seguinte maneira:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais particularmente,      Historia &eacute; narra&ccedil;&atilde;o de coisas memor&aacute;veis, que      t&ecirc;m acontecido em algum lugar, em certo tempo, e com certas pessoas,      ou na&ccedil;&otilde;es. (...) A hist&oacute;ria &eacute; a testemunha do      tempo, a luz da verdade, a vida da mem&oacute;ria, a mestra da vida, e a mensageira      da Antiguidade.<a name="top14"></a><a href="#back14"><sup>14</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como se sabe, a    concep&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria como mestra da vida (<i>historia    magistra vitae</i>), nos remete a C&iacute;cero e &agrave; tarefa que ele atribu&iacute;a    &agrave; hist&oacute;ria de fornecer &agrave; orat&oacute;ria uma cole&ccedil;&atilde;o    de exemplos pedag&oacute;gicos. No entanto, como lembra Reinhart Koselleck,    a <i>Hist&oacute;ria Magistra Vitae</i> podia ensinar os homens a serem melhores    somente se o tempo fosse vivido como um espa&ccedil;o de experi&ecirc;ncias    compartilh&aacute;veis. Isto &eacute;, essa hist&oacute;ria exemplar subentendia    n&atilde;o s&oacute; a admiss&atilde;o da const&acirc;ncia e invariabilidade    da natureza humana, mas tamb&eacute;m um tempo mais lento no que se refere &agrave;s    transforma&ccedil;&otilde;es sociais, o que permitiria que os exemplos de personagens    do passado continuassem &uacute;teis e v&aacute;lidos no presente e, ao mesmo    tempo, limitassem aquilo que seria poss&iacute;vel experimentar no futuro.<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a>    Fernando Catroga tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de    que para entender o preceito greco-romano segundo o qual a hist&oacute;ria &eacute;    mestra da vida, &eacute; necess&aacute;rio ter em mente tr&ecirc;s elementos:    "o ritmo do cosmos, a raiz hist&oacute;rica da natureza humana e a fama (perpetuada    pela escrita)".<a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Torna-se claro,    portanto, a partir das quest&otilde;es da mem&oacute;ria, do exemplo e da necessidade    do documento, o interesse que moveu eruditos, como Barbosa Machado, a guardar    de forma intensa, por&eacute;m criteriosa, documentos a respeito do passado.    Colecionar era uma maneira de voltar no tempo, ter o passado perto de si, senti-lo    e preserv&aacute;-lo contra a corrup&ccedil;&atilde;o dos s&eacute;culos. O    documento era um elemento de media&ccedil;&atilde;o entre o presente e o passado,    tornado indispens&aacute;vel para construir qualquer tipo de conhecimento em    rela&ccedil;&atilde;o a este &uacute;ltimo. Os folhetos (publica&ccedil;&otilde;es    fadadas ao desaparecimento por serem consumidas pelos leitores momentaneamente,    no calor de um determinado evento) e as imagens colecionadas ganhavam uma fun&ccedil;&atilde;o    de deixar sempre viva a mem&oacute;ria dos personagens do passado, mas tamb&eacute;m    de educar os homens do presente e do futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1755, Lisboa    ficou parcialmente destru&iacute;da ap&oacute;s um terremoto e um inc&ecirc;ndio.    Muitas bibliotecas se perderam completamente, entre elas a Biblioteca Real.    A livraria de Barbosa Machado, no entanto, n&atilde;o sofreu danos. Sendo assim,    dentro de um plano de recupera&ccedil;&atilde;o da biblioteca do rei, o abade    de Sever vendeu os seus livros e a sua cole&ccedil;&atilde;o pessoal &agrave;    Coroa, recebendo por isso uma pens&atilde;o vital&iacute;cia. O intermedi&aacute;rio    dessa negocia&ccedil;&atilde;o foi Frei Manuel do Cen&aacute;culo, conhecido    colecionador e erudito da segunda metade do s&eacute;culo XVIII. O transporte    das obras come&ccedil;ou em 1770 e s&oacute; terminou dois anos depois, pois    o acad&ecirc;mico desejava reformar e reencadernar alguns exemplares antes de    entreg&aacute;-los aos seus novos donos.<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a>    Por ter sido uma das poucas livrarias que sobreviveram ao sismo, Barbosa Machado    tinha em suas m&atilde;os documentos que se tornaram raros. Com a invas&atilde;o    napole&ocirc;nica e a vinda da Corte para o Brasil, muitas das obras da Biblioteca    Real foram transferidas para o Rio de Janeiro. Entre elas, estava toda a cole&ccedil;&atilde;o    do abade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim que chegou    &agrave; cidade, em 1810, a cole&ccedil;&atilde;o foi instalada nas salas do    andar superior da Terceira Ordem do Carmo junto a outras obras que tamb&eacute;m    faziam parte da Real Biblioteca. N&atilde;o sendo aquele o ambiente mais adequado    para a conserva&ccedil;&atilde;o e o abrigo dos livros, os materiais, por ordem    do Pr&iacute;ncipe Regente, foram ocupar as catacumbas que haviam servido aos    religiosos da ordem.<a name="top18"></a><a href="#back18"><sup>18</sup></a>    No in&iacute;cio dos anos 1850, no entanto, todo esse acervo foi transferido    para o edif&iacute;cio da Biblioteca Nacional situado &agrave; Rua da Lapa,    onde permaneceu at&eacute; a constru&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;dio que abriga    atualmente essa institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; nas m&atilde;os    dos funcion&aacute;rios dessa biblioteca, notadamente Benjamin Franklin Ramiz    Galv&atilde;o - diretor e organizador da Biblioteca Nacional - e Jos&eacute;    Zeferino de Meneses Brum - chefe da se&ccedil;&atilde;o de estampas - , a cole&ccedil;&atilde;o    foi objeto de um estudo, passou por algumas restaura&ccedil;&otilde;es e sofreu    mudan&ccedil;as. Determinados livros e imagens foram perdidos, outros reencontrados    j&aacute; no s&eacute;culo XX. No entanto, o que nos importa &eacute; o fato    de que esses homens trabalharam sobre o empreendimento de Barbosa Machado. O    que os unia ao abade do s&eacute;culo XVIII? Certamente o desejo de conservar    e de organizar, mas, agora, sob crit&eacute;rios e m&eacute;todos, na vis&atilde;o    dos bibliotec&aacute;rios, mais rigorosos do que aqueles utilizados pelo abade    setecentista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os retratos coligidos    por Diogo Barbosa Machado foram, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras partes    da cole&ccedil;&atilde;o, os que sofreram as maiores mudan&ccedil;as. Em primeiro    lugar, eles passaram por um processo de atualiza&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;,    foram inseridas nos &aacute;lbuns de estampas algumas imagens que, pelas datas    e pela disposi&ccedil;&atilde;o em que se encontram nos livros, n&atilde;o poderiam    ter sido postas ali pelo acad&ecirc;mico do s&eacute;culo XVIII. A mais importante    &eacute; a do Frei Manuel do Cen&aacute;culo, erudito que intermediou a venda    da cole&ccedil;&atilde;o de Barbosa Machado para a Biblioteca Real de D. Jos&eacute;.    N&atilde;o sabemos quando essa gravura foi colocada num dos tomos de retratos,    mas &eacute; certo que a cole&ccedil;&atilde;o j&aacute; se encontrava no Rio    de Janeiro quando a imagem foi inserida. No entanto, o que nos importa destacar    &eacute; o interesse em atualizar a mem&oacute;ria, adicionando aos retratos    a estampa de um personagem ligado &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria daquela    cole&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir de 1883,    os &aacute;lbuns que comp&otilde;em a cole&ccedil;&atilde;o de retratos tamb&eacute;m    passaram por um processo de restaura&ccedil;&atilde;o que durou cerca de dez    anos. Durante esse per&iacute;odo, todas as imagens foram descoladas de suas    folhas originais, lavadas e coladas novamente em outras.<a name="top19"></a><a href="#back19"><sup>19</sup></a>    Lygia Cunha, funcion&aacute;ria da Biblioteca Nacional entre as d&eacute;cadas    de 1940 e 1990 e ex-chefe da Se&ccedil;&atilde;o de Iconografia, diz que h&aacute;    certas d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; lavagem das gravuras,    n&atilde;o se sabendo exatamente como ela poderia ter sido feita, nem os m&eacute;todos    utilizados na &eacute;poca.<a name="top20"></a><a href="#back20"><sup>20</sup></a>    No entanto, esse processo de restaura&ccedil;&atilde;o &eacute; descrito por    Zeferino Brum na introdu&ccedil;&atilde;o que escreveu para o <i>Cat&aacute;logo    dos Retratos Coligidos por Diogo Barbosa Machado</i>:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estado de deteriora&ccedil;&atilde;o      a que se achavam reduzidos os volumes desta preciosa cole&ccedil;&atilde;o      de retratos reclamava pronto reparo e nova encaderna&ccedil;&atilde;o. Gra&ccedil;as      &agrave; rara habilidade do auxiliar Snr Antonio Luiz Pinto Montenegro, coadjuvado      pelo auxiliar Snr Carlos Peixoto, pode a se&ccedil;&atilde;o de estampas levar      feito estas dif&iacute;ceis repara&ccedil;&otilde;es com toda a perfei&ccedil;&atilde;o.      Como para realiz&aacute;-las era mister que todo o papel fosse previamente      molhado, principiou-se por desmanchar os volumes e descolar-lhes uma por uma      as estampas grudadas nas folhas; depois foram coladas sobre estas: 1º, as      estampas nos lugares em que antes se achavam, 2º, novas folhas de papel, nas      quais tinham sido de antem&atilde;o feitas aberturas do tamanho exato das      estampas, esp&eacute;cie de passe-partout, para que desta arte ficasse a nova      folha com espessura igual em toda ela.<a name="top21"></a><a href="#back21"><sup>21</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho desse    funcion&aacute;rio foi, de fato, minucioso e n&atilde;o se restringiu somente    &agrave; restaura&ccedil;&atilde;o da encaderna&ccedil;&atilde;o dos tomos.    Na verdade, foi um labor de pesquisa dificultado pelos pr&oacute;prios m&eacute;todos    do colecionador setecentista.</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Continuei durante      o 2º trimestre deste ano a classifica&ccedil;&atilde;o das estampas da Cole&ccedil;&atilde;o      de Retratos de Barbosa Machado, trabalho que n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o      adiantado, como eu desejara, pelas pesquisas bibliogr&aacute;ficas, que a      cada passo sou obrigado a fazer por causa do sistema usado pelo c&eacute;lebre      colecionador de mutilar a parte gravada das estampas, ou cortar-lhe as margens.<a name="top22"></a><a href="#back22"><sup>22</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa de Zeferino    Brum teve como produto final um cat&aacute;logo das imagens da Cole&ccedil;&atilde;o    Barbosa Machado. Os bibliotec&aacute;rios investigaram no Brasil e na Europa,    procurando saber onde Barbosa Machado conseguira seus materiais, a autoria dos    folhetos an&ocirc;nimos, not&iacute;cias a respeito dos personagens presentes    na cole&ccedil;&atilde;o, a origem de alguns pintores e gravadores, al&eacute;m    da proveni&ecirc;ncia de v&aacute;rias das imagens. Recorreu-se ao cat&aacute;logo    da biblioteca pessoal do abade para entender tamb&eacute;m de que maneira a    cole&ccedil;&atilde;o como um todo estava disposta e, com algumas diferen&ccedil;as,    mantiveram a organiza&ccedil;&atilde;o original do acad&ecirc;mico. A exce&ccedil;&atilde;o    encontra-se, sobretudo, na cole&ccedil;&atilde;o de retratos, em que foram incorporados    aos seis tomos referentes aos reis e var&otilde;es insignes portugueses outros    dois, de estampas relativas a personalidades estrangeiras, altera&ccedil;&atilde;o    j&aacute; indicada por n&oacute;s anteriormente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Lygia    Cunha, Zeferino Brum pouco interveio na cole&ccedil;&atilde;o de retratos. O    funcion&aacute;rio se concentrou na restaura&ccedil;&atilde;o da encaderna&ccedil;&atilde;o    e, segundo ele mesmo informa, na lavagem das imagens. As gravuras, no entanto,    teriam sido coladas novamente da maneira como Barbosa Machado fez.<a name="top23"></a><a href="#back23"><sup>23</sup></a>    No entanto, por melhor que fossem as inten&ccedil;&otilde;es do bibliotec&aacute;rio,    ele interferiu no acervo e, mais do que isso, seu empenho em deix&aacute;-lo    conforme fora produzido, seria considerado falsifica&ccedil;&atilde;o atualmente.    &Eacute; interessante observar como o pr&oacute;prio Zeferino Brum descreveu    com naturalidade as altera&ccedil;&otilde;es e acr&eacute;scimos que ele e seus    ajudantes fizeram na cole&ccedil;&atilde;o de retratos:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como os volumes      VII e VIII n&atilde;o tinham t&iacute;tulos, demos-lhes os que lhe convinham      e que ocorrem &agrave; folha IIIv do Cat&aacute;logo Manuscrito da Livraria      de Diogo Barbosa Machado, acrescentamos com o dizer comum aos t&iacute;tulos      dos seis primeiros volumes: "coligidos por Diogo Barbosa Machado, abade da      Paroquial Igreja de Santo Adri&atilde;o de Sever, e Acad&ecirc;mico Real".      Estes t&iacute;tulos foram feitos &agrave; m&atilde;o, com tinta preta e vermelha,      pelo dito Snr Montenegro, imitando com tanta exatid&atilde;o os caracteres      tipogr&aacute;ficos dos t&iacute;tulos dos outros volumes da cole&ccedil;&atilde;o      que dificilmente se poder&aacute; &#91;sic&#93; descobrir diferen&ccedil;as      entre os impressos e os manuscritos.<a name="top24"></a><a href="#back24"><sup>24</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho de restaura&ccedil;&atilde;o    da Cole&ccedil;&atilde;o de Retratos de Diogo Barbosa Machado rendeu relat&oacute;rios    bastante detalhados a respeito do estado da cole&ccedil;&atilde;o, dos quais    nos servimos nas cita&ccedil;&otilde;es acima. No entanto, nos interessa agora    analisar um artigo escrito por Ramiz Galv&atilde;o e publicado no primeiro volume    dos Anais da Biblioteca Nacional. Nesse texto, escrito em 1876 (portanto antes    do processo de restaura&ccedil;&atilde;o da cole&ccedil;&atilde;o de retratos),    ele tratou da vida e da obra de Diogo Barbosa Machado e ainda deixou transparecer    a maneira como via o trabalho daquele erudito do s&eacute;culo XVIII, bem como    o seu, no s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ramiz Galv&atilde;o    nasceu no Rio Grande do Sul em 1846 e morreu, no Rio de Janeiro, em 1938. Assim    como muitos outros intelectuais do s&eacute;culo XIX, ele atuou em diversas    frentes. De acordo com Eliana Dutra, Galv&atilde;o teve uma trajet&oacute;ria    bastante burocr&aacute;tica dentro do meio intelectual carioca.<a name="top25"></a><a href="#back25"><sup>25</sup></a>    Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1868. No ano seguinte,    foi nomeado lente de grego no Col&eacute;gio Pedro II. Serviu como m&eacute;dico-cirurgi&atilde;o    na Guerra do Paraguai e, em 1870, aos 24 anos, foi nomeado diretor da Biblioteca    Imperial. Suas rela&ccedil;&otilde;es com o Imperador D. Pedro II eram estreitas.    Em 1873, o monarca o nomeou como representante do Brasil na exposi&ccedil;&atilde;o    internacional de Viena e, em 1882, confiou a ele a educa&ccedil;&atilde;o de    seus netos. Ramiz Galv&atilde;o tamb&eacute;m viajou por toda a Europa, buscando    documentos referentes &agrave; hist&oacute;ria do Brasil, tudo isso a pedido    do governo. Ainda do Imperador, recebeu o t&iacute;tulo de Bar&atilde;o de Ramiz,    que foi somado a v&aacute;rios outros que possu&iacute;a. J&aacute; na Rep&uacute;blica,    foi nomeado Inspetor Geral de Instru&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria do Distrito    Federal, passando, mais tarde, a ser Diretor da Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,    cargo que ocupou at&eacute; 1893, quando se exilou por conta do envolvimento    de seu cunhado, Luiz Felipe Saldanha da Gama, na Revolta da Armada. Retornou    em 1894 e, at&eacute; 1899, permaneceu como secret&aacute;rio da <i>Gazeta do    Rio de Janeiro</i>.<a name="top26"></a><a href="#back26"><sup>26</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A carreira de Ramiz    Galv&atilde;o vai ainda muito al&eacute;m. No entanto, nos interessa destacar    que, al&eacute;m de diretor da BN, ele tamb&eacute;m fez parte de outra institui&ccedil;&atilde;o    importante da &eacute;poca, o IHGB, onde foi admitido como s&oacute;cio em 1872.    A sua atua&ccedil;&atilde;o nessa academia nos parece relevante, porque se trata    de um lugar de reconhecimento: uma vez convidado a fazer parte dos quadros do    IHGB, Galv&atilde;o era legitimado como um historiador de of&iacute;cio, muito    embora n&atilde;o fa&ccedil;a parte hoje do pante&atilde;o dos historiadores    nacionais, tendo a sua mem&oacute;ria sido requerida mais pelos bibliotec&aacute;rios    do que pelos profissionais da hist&oacute;ria.<a name="top27"></a><a href="#back27"><sup>27</sup></a>    A sua passagem pelo IHGB num momento em que est&atilde;o sendo discutidos e    definidos os procedimentos que validam e legitimam uma narrativa cient&iacute;fica    da hist&oacute;rica &eacute; indispens&aacute;vel para entendermos o parecer    do Bar&atilde;o de Ramiz a respeito do trabalho colecionista de Diogo Barbosa    Machado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A impress&atilde;o    de Galv&atilde;o sobre o labor do abade de Sever era, em primeiro lugar, de    admira&ccedil;&atilde;o. Sobre a Cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado, ele    deu o seguinte parecer:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o se      sabe o que mais se deva admirar, se a excel&ecirc;ncia das edi&ccedil;&otilde;es      raras, se a beleza dos exemplares preferidos pelo douto colecionador, se enfim      a boa ordem e perfei&ccedil;&atilde;o das cole&ccedil;&otilde;es fact&iacute;cias,      prod&iacute;gio de perseveran&ccedil;a e de cuidado. Est&atilde;o neles reunidas      quase todas as prov&iacute;ncias do saber humano, representado pelas suas      obras mais dignas de nota e estima.<a name="top28"></a><a href="#back28"><sup>28</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    a obra de Diogo Barbosa era tamb&eacute;m pass&iacute;vel de alguns julgamentos    severos. Uma de suas observa&ccedil;&otilde;es mais rigorosas dirigiu-se ao    gosto duvidoso do colecionador setecentista. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    tarjas nas quais o erudito envolvia as suas gravuras, Ramiz Galv&atilde;o fez    a seguinte considera&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Barbosa foi um      coletor inteligent&iacute;ssimo, e ao que parece grande conhecedor de livros;      mas o senso art&iacute;stico, o gosto, o amor do belo esse faltava &agrave;      sua organiza&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o fizera nunca o seu cuidado. Como      dizer um icon&oacute;filo que um soberbo retrato de Edelinck, de Nantevil      ou de Vorsterman ganha merecimento dentro de uma comun&iacute;ssima tarja      de Bonnart? (...) N&atilde;o h&aacute; &#91;como&#93; neg&aacute;-lo; essa      uni&atilde;o h&iacute;brida, ofensiva, quase se poderia dizer repugnante,      de retratos e de molduras das escolas mais opostas, de gravadores os mais      distanciados na escala do merecimento e da idade, &eacute;, aos nossos olhos,      a demonstra&ccedil;&atilde;o viva de que ao nosso ilustre bibli&oacute;filo      eram completamente alheias as no&ccedil;&otilde;es intuitivas do belo.<a name="top29"></a><a href="#back29"><sup>29</sup></a></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas as cr&iacute;ticas    n&atilde;o se restringiam apenas ao gosto est&eacute;tico do abade. Elas dirigiram-se    tamb&eacute;m &agrave;s obras de cunho hist&oacute;rico produzidas por Diogo    Barbosa Machado. A respeito das Mem&oacute;rias para a Hist&oacute;ria de Portugal,    Galv&atilde;o afirmava que ela ainda n&atilde;o primava "pela an&aacute;lise    profunda nem pelo elevado <i>esp&iacute;rito filos&oacute;fico</i>, que hoje    acreditamos insepar&aacute;vel das boas obras hist&oacute;ricas".<a name="top30"></a><a href="#back30"><sup>30</sup></a>    Conv&eacute;m atentarmos para os dois elementos destacados por n&oacute;s na    cr&iacute;tica que Galv&atilde;o faz ao colecionador Barbosa Machado: faltam-lhe    "an&aacute;lise" e "esp&iacute;rito filos&oacute;fico". Antes de nos determos    nesse ponto, &eacute; preciso destacar outras observa&ccedil;&otilde;es que    o diretor da Biblioteca Nacional fez a respeito do acad&ecirc;mico portugu&ecirc;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da cr&iacute;tica    ao trabalho de historiador de Barbosa Machado, Ramiz Galv&atilde;o passou ao    exame dos procedimentos da pr&oacute;pria Real Academia de Hist&oacute;ria,    considerados estranhos a seus olhos e aos de seus contempor&acirc;neos. Em seu    artigo, o diretor da Biblioteca Nacional conta que, em uma confer&ecirc;ncia    entre os eruditos daquela sociedade, Barbosa Machado prop&ocirc;s aos censores    que discutissem a controv&eacute;rsia relativa ao desaparecimento de dom Sebasti&atilde;o.    Escrevendo, naquele momento, um livro sobre o rei desejado, o abade n&atilde;o    poderia decidir sozinho se aquele monarca escapara vivo da Batalha de Alc&aacute;cer    Quibir ou se nela teria morrido a golpes dos infi&eacute;is e combatendo como    um her&oacute;i. Os censores da academia, por sua vez, responderam-lhe que escrevesse    que o tal rei sa&iacute;ra vivo da batalha, por&eacute;m, o acad&ecirc;mico    deveria deixar claro que tudo que se contava a respeito de dom Sebasti&atilde;o    depois do tal acontecimento devia ser tratado como duvidoso. A estranheza de    Galv&atilde;o recai exatamente sobre o procedimento da Academia Real:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta maneira      singular&iacute;ssima de resolver ex catedra pontos hist&oacute;ricos controversos,      e da ordem do que se propunha, seria hoje altamente estranhada, e n&atilde;o      haveria escritor capaz de sujeitar-se a semelhante decis&atilde;o perempt&oacute;ria;      entretanto era aquele o procedimento geralmente seguido na c&eacute;lebre      academia, cujos servi&ccedil;os n&atilde;o nos &eacute; dado negar, mas teve,      como todas as associa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas do tempo, o enorm&iacute;ssmo      defeito de n&atilde;o compreender a sua miss&atilde;o e a sublimidade dos      estudos, que tomar&aacute; sobre seus ombros. A cr&iacute;tica hist&oacute;rica      em Portugal deveria surgir mais tarde.<a name="top31"></a><a href="#back31"><sup>31</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Subjacente ao olhar    de Ramiz Galv&atilde;o havia uma concep&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria    que, apesar de alguns elementos de perman&ecirc;ncia, guardava pontos de distin&ccedil;&atilde;o    muito claros em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; historiografia portuguesa setecentista.    Isso se torna vis&iacute;vel na diferencia&ccedil;&atilde;o que Galv&atilde;o    fazia entre o seu trabalho e o de Diogo Barbosa. Para o membro do IHGB, ainda    n&atilde;o havia chegado no Portugal do Antigo Regime o esp&iacute;rito de cr&iacute;tica    hist&oacute;rica, fundamental para que o historiador analisasse rigorosamente    o passado, concebendo-o dentro de um movimento linear do tempo. No momento em    que Ramiz escreve, a pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica formalizava-se em    determinados procedimentos que legitimavam a narrativa como verdadeira, entre    eles a cr&iacute;tica documental e a imparcialidade do historiador. Nesse ponto,    para Galv&atilde;o, o abade portugu&ecirc;s era pass&iacute;vel de muitas ressalvas    pelos excessivos e deliberados elogios que fazia aos autores que figuravam em    sua <i>Bibliotheca Lusitana</i> ou ainda por resolver de modo pouco anal&iacute;tico    (isto &eacute;, sem pesquisa) assuntos controversos da hist&oacute;ria portuguesa.    O bibliotec&aacute;rio tamb&eacute;m criticou o erudito pela severidade e parcialidade    com que falava dos escritores protestantes na sua obra <i>Bibliotheca Lusitana</i>.    Por outro lado, Ramiz Galv&atilde;o buscava entender e justificar alguns erros    que, a seu ju&iacute;zo, foram cometidos por Barbosa Machado:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Inquisi&ccedil;&atilde;o      estava ent&atilde;o em Portugal em seu pleno vigor, e sabe-se que n&atilde;o      seria visto com bons olhos quem, aludindo a um escritor protestante, lhe n&atilde;o      adicionasse um ep&iacute;teto afrontoso. Era o mal do tempo e da sociedade;      que faria Barbosa sen&atilde;o respeit&aacute;-lo e convir com ele? N&atilde;o      se tomara por norma na Academia Real da Historia Portuguesa o rejeitar <i>in      limine</i> a autoridade dos escritores de outro credo religioso? (...) A bibliografia      estava, naqueles tempos, mui longe do que hoje &eacute; em mat&eacute;ria      de <i>rigor e fidelidade</i>, em m&eacute;todo de exposi&ccedil;&atilde;o      e esp&iacute;rito de <i>critica</i>.<a name="top32"></a><a href="#back32"><sup>32</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ramiz Galv&atilde;o    via-se em um est&aacute;gio mais avan&ccedil;ado em mat&eacute;ria de entendimento    da escrita da hist&oacute;ria, da bibliografia ou da est&eacute;tica do que    aquele em que se encontrava Barbosa Machado, est&aacute;gio esse que lhe permitia    falar, de um lugar privilegiado, a respeito do gosto do erudito setecentista,    da sua parcialidade e falta de rigor, m&eacute;todo e cr&iacute;tica em suas    obras, aliados aos procedimentos t&atilde;o pouco cient&iacute;ficos da Academia    Real da Hist&oacute;ria em mat&eacute;ria de julgamento dos fatos. Para Ramiz    Galv&atilde;o, havia diferen&ccedil;as muito claras entre o seu trabalho (e    dos demais historiadores do XIX) e o de Barbosa Machado: aqueles detinham outros    instrumentos, conheciam o sentido da Hist&oacute;ria e poderiam ver al&eacute;m    e de forma mais criteriosa que os acad&ecirc;micos do s&eacute;culo XVIII.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acreditamos que    o interesse de Ramiz Galv&atilde;o em se debru&ccedil;ar sobre a cole&ccedil;&atilde;o,    a trajet&oacute;ria e o trabalho de Digo Barbosa Machado no momento em que ele    escreveu o seu artigo para os <i>Anais da Biblioteca Nacional</i>, pode ser    entendido como uma estrat&eacute;gia de valoriza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria    Biblioteca Nacional, que, naquele momento, organizava seu acervo e se constitu&iacute;a    como a biblioteca da na&ccedil;&atilde;o brasileira. No entanto, &eacute; preciso    considerar tamb&eacute;m que, apesar das ressalvas, o empreendimento de Barbosa    Machado era, para Ramiz Galv&atilde;o, de grande import&acirc;ncia n&atilde;o    s&oacute; pelo seu trabalho de compila&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m porque    aquela cole&ccedil;&atilde;o era capaz de oferecer aos estudiosos documentos    interessantes para o conhecimento e an&aacute;lise dos fatos do passado portugu&ecirc;s.    Era poss&iacute;vel, a partir do esfor&ccedil;o de Barbosa Machado, realizar    aquilo que esse erudito e os membros da Academia Real da Hist&oacute;ria n&atilde;o    fizeram como historiadores. Eles tinham os documentos, mas n&atilde;o o conhecimento    do sentido da hist&oacute;ria, o rigor cient&iacute;fico e a imparcialidade    que, no s&eacute;culo XIX, eram pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o para aquele    que desejava se ocupar dos acontecimentos de outrora. O pr&oacute;prio investimento    de Ramiz Galv&atilde;o e de Zeferino Brum sobre a cole&ccedil;&atilde;o que    estavam estudando e restaurando era marcado pela ideia de imparcialidade e de    preservar o documento o mais pr&oacute;ximo poss&iacute;vel do original, apesar    das interfer&ecirc;ncias que nele produziam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora Ramiz Galv&atilde;o    pretendesse separar o seu trabalho e as suas concep&ccedil;&otilde;es das de    Barbosa Machado, n&oacute;s podemos destacar alguns pontos de contato entre    o trabalho do erudito do s&eacute;culo XVIII e do bibliotec&aacute;rio do XIX.    Encontrar contatos n&atilde;o significa dizer que o colecionador portugu&ecirc;s    e o bibliotec&aacute;rio/ historiador se relacionassem com o passado da mesma    maneira. Antes, pressup&otilde;e um duplo movimento que pretende entender, por    um lado, como a cole&ccedil;&atilde;o foi utilizada por Galv&atilde;o e, por    outro, ressaltar alguns legados que permaneceram de um momento a outro ou mesmo    foram reinventados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse &eacute; o    caso, por exemplo, do uso pedag&oacute;gico conferido ao passado tanto pelo    colecionador como pelo bibliotec&aacute;rio. Vimos que para Barbosa Machado,    o passado era entendido dentro da chave da <i>hist&oacute;ria magistra vitae</i>,    isto &eacute;, era poss&iacute;vel a partir do conhecimento dos fatos do passado,    aprender com ele, conhecer as gl&oacute;rias do Imp&eacute;rio portugu&ecirc;s,    seus var&otilde;es insignes, ou ainda rememorar os atos infames, que tamb&eacute;m    constitu&iacute;am um exemplo a <i>n&atilde;o</i> ser seguido. Essa concep&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica da hist&oacute;ria &eacute; um legado que vem da Antiguidade,    como nos mostra Catroga, e que se reinventa a partir das novas rela&ccedil;&otilde;es    que os homens v&atilde;o estabelecendo com o passado. Se na Antiguidade o exemplo    visava produzir efeitos &eacute;tico-c&iacute;vicos,<a name="top33"></a><a href="#back33"><sup>33</sup></a>    podemos afirmar que, no caso do s&eacute;culo XVIII portugu&ecirc;s, o exemplo    agia no sentido da constru&ccedil;&atilde;o do modelo de s&uacute;dito. No entanto,    a ideia de que a hist&oacute;ria &eacute; capaz de ensinar os homens atrav&eacute;s    dos exemplos permanece no tempo de Ramiz Galv&atilde;o, ganhando novos contornos,    pois o exemplo ter&aacute; o sentido de "despertar o amor &agrave; p&aacute;tria    e servir de est&iacute;mulo &agrave; juventude para que ela guie o pa&iacute;s    pelo caminho do progresso".<a name="top34"></a><a href="#back34"><sup>34</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; interessante    observar que, quando analisamos a produ&ccedil;&atilde;o de alguns membros do    IHGB, entre eles o pr&oacute;prio Galv&atilde;o, percebemos que, num mesmo lugar    de produ&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica, conviviam no&ccedil;&otilde;es    de <i>historia magistra vitae</i> e de hist&oacute;ria como progresso. Para    Ramiz Galv&atilde;o, o progresso estava longe de ser uma ruptura com o passado.    Pelo contr&aacute;rio, incorporava fatos e personagens de outrora, que deveriam    n&atilde;o s&oacute; dar exemplos de honra &agrave; p&aacute;tria, mas "falar    ao cora&ccedil;&atilde;o da juventude",<a name="top35"></a><a href="#back35"><sup>35</sup></a>    respons&aacute;vel pelo caminho da na&ccedil;&atilde;o para o progresso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um bom indicador    de como as no&ccedil;&otilde;es de exemplo e progresso se imbricavam em Ramiz    Galv&atilde;o &eacute; a obra <i>Galeria da Hist&oacute;ria Brasileira</i>,    &aacute;lbum com reprodu&ccedil;&otilde;es de telas e gravuras que representavam    v&aacute;rios personagens da hist&oacute;ria nacional e que foi composto em    fun&ccedil;&atilde;o das comemora&ccedil;&otilde;es do 4º Centen&aacute;rio    do Descobrimento do Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constam nessa galeria    nomes como Crist&oacute;v&atilde;o Colombo, Vasco da Gama, Pedro &Aacute;lvares    Cabral, Jos&eacute; de Anchieta, Pe. N&oacute;brega, Tom&eacute; de Souza, Tiradentes,    Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, General Os&oacute;rio, Duque de Caxias, entre    outros. Alguns dos fatos representados s&atilde;o: a eleva&ccedil;&atilde;o    da Cruz em Porto Seguro, o Grito do Ipiranga, a Guerra do Paraguai, a emancipa&ccedil;&atilde;o    dos negros e a Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Mesmo partilhando    de determinadas preocupa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o estavam presentes    na Academia Real ou no trabalho do abade de Sever, Ramiz Galv&atilde;o tamb&eacute;m    pensava o passado como fontes de exemplos para o presente. Nele estavam os grandes    her&oacute;is e eventos que mostravam o valor de um determinado povo ou na&ccedil;&atilde;o.    Enquanto Barbosa Machado constituiu o seu rol de reis, s&uacute;ditos e eventos    portugueses (a sua cole&ccedil;&atilde;o de exemplos morais), Galv&atilde;o    produziu a sua galeria de her&oacute;is e fatos marcantes da hist&oacute;ria    nacional. Ambos faziam um trabalho de mem&oacute;ria ao estabelecer o que devia    (e o que n&atilde;o devia) ser lembrado. A semelhan&ccedil;a entre os trabalhos    de Ramiz Galv&atilde;o e de Barbosa Machado poderia terminar a&iacute;, mas    n&atilde;o termina. Na galeria produzida pelo Bar&atilde;o de Ramiz, encontram-se    imagens de alguns monarcas portugueses, tais como dom Manuel, dom Jo&atilde;o    III e dom Sebasti&atilde;o. &Eacute; importante destacar que aquelas poderiam    ser apenas imagens de reis lusos, no entanto, as gravuras selecionadas s&atilde;o,    na realidade, c&oacute;pias dos retratos que figuram na Cole&ccedil;&atilde;o    Barbosa Machado. Ramiz Galv&atilde;o n&atilde;o s&oacute; coordenou a restaura&ccedil;&atilde;o    e o estudo de tal cole&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m se apropriou de suas    imagens no momento em que fez a Galeria da Hist&oacute;ria Brasileira. Os personagens    colecionados por Barbosa Machado, que ganharam novos significados no trabalho    de Galv&atilde;o, passavam a compor agora a galeria da hist&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o    brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A hist&oacute;ria    nacional de Ramiz Galv&atilde;o n&atilde;o exclu&iacute;a, portanto, a presen&ccedil;a    portuguesa, tampouco a considerava nociva. De acordo com Manoel Salgado,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">num processo      muito pr&oacute;prio ao caso brasileiro, a constru&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia      de na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se assenta sobre uma oposi&ccedil;&atilde;o      &agrave; antiga metr&oacute;pole portuguesa: muito ao contr&aacute;rio, a      nova Na&ccedil;&atilde;o brasileira se reconhece enquanto continuadora de      uma certa tarefa civilizadora iniciada pela coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa.      (...) Parte significativa destes 27 fundadores pertencia a uma gera&ccedil;&atilde;o      nascida ainda em Portugal, vinda para o Brasil na esteira das transforma&ccedil;&otilde;es      produzidas na Europa em virtude da invas&atilde;o napole&ocirc;nica &agrave;      Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Tal experi&ecirc;ncia marcar&aacute; certamente      a socializa&ccedil;&atilde;o desta gera&ccedil;&atilde;o, criada nos princ&iacute;pios      de recusa ao ide&aacute;rio e pr&aacute;ticas da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa      e de fidelidade &agrave; casa reinante de Bragan&ccedil;a.<a name="top36"></a><a href="#back36"><sup>36</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, o    esfor&ccedil;o e empenho de Ramiz Galv&atilde;o em estudar e restaurar uma cole&ccedil;&atilde;o    feita para exaltar Portugal, sua monarquia e seus var&otilde;es, pode ser compreendido    tamb&eacute;m pela admira&ccedil;&atilde;o do membro do IHGB pelos portugueses    e pela pr&oacute;pria ideia de buscar ligar as hist&oacute;rias lusa e brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antes de terminarmos    este item, conv&eacute;m lembrar que, se o foco de Ramiz Galv&atilde;o &eacute;    "o cora&ccedil;&atilde;o da juventude", isto &eacute;, se seu interesse &eacute;    desenvolver o patriotismo como um sentimento quente e vivo no cora&ccedil;&atilde;o    das novas gera&ccedil;&otilde;es, ele o faz utilizando em sua narrativa elementos    que "satisfa&ccedil;am n&atilde;o menos o cora&ccedil;&atilde;o que a intelig&ecirc;ncia".<a name="top37"></a><a href="#back37"><sup>37</sup></a>    Ou seja, se cabe ao historiador desenvolver e animar em seus leitores o sentimento    patri&oacute;tico e o desejo de ser fiel e defender sua p&aacute;tria, a sua    escrita n&atilde;o pode prescindir de procedimentos t&eacute;cnicos e do compromisso    com a verdade dos fatos. Isso significa dizer que o sentimento patri&oacute;tico    (que deve existir no autor, inclusive) n&atilde;o pode falsear a narrativa.    Pelo contr&aacute;rio, para cumprir a sua fun&ccedil;&atilde;o, a narrativa    deve ser verdadeira e o historiador deve ser sincero, rigoroso e fiel. A cientificidade    e a sinceridade, ao caminharem juntas, garantem a utilidade da hist&oacute;ria,    isto &eacute;, o seu sentido pedag&oacute;gico, o convite &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es    a agir estimuladas pelos exemplos do passado.<a name="top38"></a><a href="#back38"><sup>38</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho de Ramiz    Galv&atilde;o na Biblioteca Nacional e, sobretudo, as restaura&ccedil;&otilde;es    e estudos que promoveu sobre a cole&ccedil;&atilde;o de retratos foram de grande    import&acirc;ncia. No entanto, se esses trabalhos foram precursores, eles n&atilde;o    foram os &uacute;nicos. J&aacute; no s&eacute;culo XX, outros funcion&aacute;rios    da institui&ccedil;&atilde;o restauraram ou trabalharam com a cole&ccedil;&atilde;o    do abade de Sever. Nesse momento, as principais mudan&ccedil;as se deram n&atilde;o    na parte dos retratos, mas nos folhetos e mapas. A bibliotec&aacute;ria Rosemarie    Horch se destaca nesse processo, pois coube a ela fazer um cat&aacute;logo de    todos os op&uacute;sculos da Cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim como Lygia    Cunha, Rosemarie Horch estudou na Europa e come&ccedil;ou a trabalhar com a    cole&ccedil;&atilde;o de op&uacute;sculos de Barbosa Machado desde que entrou    para a Biblioteca Nacional. Incumbida de fazer um cat&aacute;logo daquele acervo,    a funcion&aacute;ria, quando tirou licen&ccedil;a-maternidade, pode transportar    para casa v&aacute;rios dos volumes daquela cole&ccedil;&atilde;o. Em 1956,    ano em que se mudou para S&atilde;o Paulo, ela chegava a levar cerca de quatro    ou cinco tomos dos folhetos para que seu trabalho n&atilde;o fosse interrompido.<a name="top39"></a><a href="#back39"><sup>39</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O cat&aacute;logo    produzido por Rosemarie saiu nos Anais da Biblioteca Nacional a partir de 1972    e hoje &eacute; refer&ecirc;ncia para aqueles que procuram estudar algum assunto    a partir dos folhetos coligidos por Diogo Barbosa. No entanto, a maneira como    esse cat&aacute;logo foi produzido difere da forma como o bibli&oacute;filo    setecentista organizou a sua cole&ccedil;&atilde;o de op&uacute;sculos. A divis&atilde;o    proposta pelo abade era, sobretudo, tipol&oacute;gica. Dessa forma, os folhetos    eram selecionados por tipos liter&aacute;rios (genetl&iacute;acos, ex&eacute;quias,    not&iacute;cias militares, etc) e, dentro de cada tomo, foram dispostos em ordem    cronol&oacute;gica. A bibliotec&aacute;ria optou por catalog&aacute;-los n&atilde;o    na ordem em que apareciam nos volumes, mas cronologicamente, pois, assim, era    poss&iacute;vel perceber o desenvolvimento do interesse portugu&ecirc;s pelo    Brasil.<a name="top40"></a><a href="#back40"><sup>40</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos perceber    que, durante o tempo que permaneceu na Biblioteca Nacional a cole&ccedil;&atilde;o    sofreu algumas modifica&ccedil;&otilde;es que, se em um primeiro momento podem    parecer irrelevantes, merecem ser ressaltadas, pois s&atilde;o mudan&ccedil;as    que alteraram a obra de seu art&iacute;fice. A Cole&ccedil;&atilde;o Barbosa    Machado foi, aos poucos, perdendo o seu car&aacute;ter de compila&ccedil;&atilde;o    particular e o abade de Sever foi esquecido como art&iacute;fice desse conjunto.    Atualmente, n&atilde;o h&aacute; um cat&aacute;logo na Biblioteca Nacional que    nos leve diretamente &agrave; sua cole&ccedil;&atilde;o, pois a classifica&ccedil;&atilde;o    do acervo ficou condicionada &agrave; Biblioteca Real. S&oacute; &eacute; poss&iacute;vel    saber se um livro era ou n&atilde;o da sua livraria pessoal a partir do ex-libris    do colecionador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cole&ccedil;&atilde;o    foi ainda, durante o s&eacute;culo XX, separada dentro das diversas se&ccedil;&otilde;es    da Biblioteca Nacional, o que a fez perder o seu car&aacute;ter de uma cole&ccedil;&atilde;o    completa. Hoje, no m&aacute;ximo, pensa-se em tr&ecirc;s conjuntos separados    - de retratos, de op&uacute;sculos e de mapas - , pois eles foram preservados    em setores diferentes, respectivamente Iconografia, Obras Raras e Cartografia.    A obra de Barbosa Machado acabou sendo utilizada, sobretudo a partir do cat&aacute;logo    cronol&oacute;gico de Rosemarie Horch, para estudar assuntos isolados, referentes    &agrave; hist&oacute;ria do Brasil ou &agrave; hist&oacute;ria da monarquia    portuguesa. N&atilde;o &eacute; levado em conta, portanto, o processo de preserva&ccedil;&atilde;o    desses folhetos e de constitui&ccedil;&atilde;o dos mesmos como fontes. O cat&aacute;logo    da bibliotec&aacute;ria, embora muito &uacute;til como instrumento de pesquisa    para os estudiosos, acabou n&atilde;o preservando a classifica&ccedil;&atilde;o    projetada pelo colecionador dos op&uacute;sculos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conhecer essas    modifica&ccedil;&otilde;es &eacute; importante para lidarmos melhor com a cole&ccedil;&atilde;o.    Afinal, &eacute; preciso entender que ela mesma possui uma hist&oacute;ria que    ultrapassa a vida de seu autor e compilador. Ela n&atilde;o s&oacute; nos remete    &agrave; maneira como o s&eacute;culo XVIII relacionava-se com o passado e o    futuro, mas tamb&eacute;m &agrave; forma como, posteriormente, os funcion&aacute;rios    da Biblioteca Nacional elaboravam a sua experi&ecirc;ncia do tempo a partir    do seu trabalho di&aacute;rio com os materiais herdados de Portugal, entre eles    essa cole&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como se pode notar    ao longo deste artigo, a <i>Cole&ccedil;&atilde;o Diogo Barbosa Machado</i>    passou, ao longo de tr&ecirc;s s&eacute;culos, por v&aacute;rias mudan&ccedil;as    relacionadas a diferentes maneiras de pensar a hist&oacute;ria. Se, no s&eacute;culo    XVIII, a hist&oacute;ria tinha a fun&ccedil;&atilde;o de fornecer exemplos,    no s&eacute;culo XIX, ela passou a ser uma ci&ecirc;ncia exercida por um profissional,    o historiador, capaz de analisar e de lan&ccedil;ar luz sobre os fatos do passado.    Mas, como destacamos, no caso do IHGB - e, mais especificamente, de Ramiz Galv&atilde;o    - , os exemplos do passado continuavam v&aacute;lidos para o presente caminhar    para o progresso. A <i>hist&oacute;ria magistra vitae</i>, a pesquisa e o contato    com os documentos como crit&eacute;rio para estabelecer uma verdade podiam ser    encontradas nos dois momentos, mas as quest&otilde;es que essas &eacute;pocas    lan&ccedil;avam sobre o passado, as demandas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    tarefa do historiador e, sobretudo, a maneira como elas se percebiam em rela&ccedil;&atilde;o    a um tempo que j&aacute; passou, mudaram substancialmente de um per&iacute;odo    para o outro. Adentrando o s&eacute;culo XX, a cole&ccedil;&atilde;o passou    por novas altera&ccedil;&otilde;es, especialmente a partir das restaura&ccedil;&otilde;es    e cataloga&ccedil;&otilde;es &agrave;s quais foi submetida. Vimos como esse    acervo foi alterado, sobretudo no que se refere &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    original proposta por Barbosa Machado, ganhando n&atilde;o apenas modifica&ccedil;&otilde;es    em sua estrutura e composi&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m novos usos e    significados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido    em: 05/04/2010.    <br>   Aprovado em: 19/11/2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top">*</a>    Esta pesquisa foi elaborada com base na minha participa&ccedil;&atilde;o, entre    2003 e 2007, no projeto Recortes de Mem&oacute;ria, coordenado pelos professores    Rodrigo Bentes Monteiro (UFF) e Pedro Cardim (Universidade de Lisboa). Ela teve    como produto final a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado <i>Colecionar, escrever    a Hist&oacute;ria. A hist&oacute;ria de Portugal e de suas possess&otilde;es    na perspectiva do bibli&oacute;filo Diogo Barbosa Machado</i>, orientada pelos    professores Manoel Salgado Guimar&atilde;es e Rodrigo Bentes Monteiro e defendida    no PPGHIS/UFRJ em 2007. Este artigo &eacute; parte modificada do primeiro cap&iacute;tulo    da disserta&ccedil;&atilde;o. Agrade&ccedil;o especialmente a professora &Acirc;ngela    de Castro Gomes pela leitura do texto final e pelas sugest&otilde;es.    <!-- ref --><br>   <a name="back1"></a><a href="#top1">1</a> BAI&Atilde;O, Antonio. O testamento    de Diogo Barbosa Machado. Porto: Tipografia Siqueira, 1937;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0104-8775201200010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> COSTA, Manuel Alberto    Nunes. Diogo Barbosa Machado e a bibliografia portuguesa. Anais da Academia    Portuguesa de Hist&oacute;ria, Lisboa, p.291-340, 1986;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0104-8775201200010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MOTA, Isabel Ferreira    da. <i>A Academia Real da Hist&oacute;ria</i>: os intelectuais, o poder cultural    e o poder mon&aacute;rquico no s&eacute;culo XVIII. Coimbra: Edi&ccedil;&otilde;es    Minerva Coimbra, 2003;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0104-8775201200010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes. Reis, pr&iacute;ncipes e var&otilde;es    insignes na cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado. Anais de Hist&oacute;ria    de Al&eacute;m-Mar, Lisboa, v.6, p.215-251, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0104-8775201200010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> MACHADO, Diogo Barbosa. <i>Cathalogo    dos livros da livraria Diogo Barbosa Machado distribu&iacute;dos por mat&eacute;rias    e escrito por sua pr&oacute;pria m&atilde;o</i>. Rio de Janeiro: Biblioteca    Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0104-8775201200010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> A Cole&ccedil;&atilde;o Diogo Barbosa    Machado foi objeto de estudo do Professor Rodrigo Bentes Monteiro, que escreveu    diversos artigos sobre esse acervo, entre eles: MONTEIRO, Rodrigo Bentes e CARDIM,    Pedro. Seleta de uma sociedade: hierarquias sociais nos documentos compilados    por Diogo Barbosa Machado. In: MONTEIRO, Rodrigo Bentes; FEITLER, Bruno; CALAINHO,    Daniela Buono e FLORES, Jorge. (orgs.) <i>Ra&iacute;zes do privil&eacute;gio</i>:    mobilidade social no mundo ib&eacute;rico do Antigo Regime. Rio de Janeiro:    Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2011, p.69-104;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0104-8775201200010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes.    Folhetos em ordem na cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado. In: ALGRANTI, Leila    Mezan e MEGIANI, Ana Paula Torres (orgs.) O <i>Imp&eacute;rio por escrito</i>:    formas de transmiss&atilde;o da cultura letrada no mundo ib&eacute;rico (s&eacute;culos    XVI-XIX). S&atilde;o Paulo: Alameda, 2009, p.201-228;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0104-8775201200010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes    e LEITE, Jorge Miranda. Os "manifestos de Portugal". Reflex&otilde;es acerca    de um Estado moderno. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca. (orgs.)    <i>Cultura pol&iacute;tica e leituras do passado</i>: historiografia e ensino    de hist&oacute;ria. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2007,    p.111-130;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0104-8775201200010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes. Recortes de mem&oacute;ria: o var&atilde;o    insigne Diogo Barbosa Machado. In: VAINFAS, Ronaldo; SANTOS, Georgina Silva    dos; NEVES, Guilherme Pereira das. (orgs.) <i>Retratos do imp&eacute;rio</i>:    trajet&oacute;rias individuais no mundo portugu&ecirc;s nos s&eacute;culos XVI    a XIX. Niter&oacute;i: EdUFF, 2006, p.81-95;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0104-8775201200010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes. Recortes    de mem&oacute;ria: reis e pr&iacute;ncipes na cole&ccedil;&atilde;o Barbosa    Machado. In: SOIHET, Rachel; BICALHO, Maria Fernanda Baptista; GOUV&Ecirc;A,    Maria de F&aacute;tima Silva. (orgs.) Culturas pol&iacute;ticas: ensaios de    hist&oacute;ria cultural, hist&oacute;ria pol&iacute;tica e ensino da Hist&oacute;ria.    Rio de Janeiro: Mauad, 2005, p.127-154;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0104-8775201200010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes e CALDEIRA,    Ana Paula Sampaio. A ordem de um tempo: folhetos na cole&ccedil;&atilde;o Barbosa    Machado. Topoi, v.8, p.77-113, 2007;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0104-8775201200010001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MONTEIRO, Rodrigo Bentes. Reis, pr&iacute;ncipes    e var&otilde;es insignes na cole&ccedil;&atilde;o Barbosa Machado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0104-8775201200010001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Lisboa. Biblioteca do Pal&aacute;cio    Nacional da Ajuda. <i>Carta de Francisco Xavier de Oliveira para Barbosa Machado.    Haia</i>, 19 out. 1742. Ao longo do texto, buscamos atualizar a grafia das fontes    utilizadas nas cita&ccedil;&otilde;es. Foge ao nosso objetivo neste trabalho    analisar as redes que envolviam a compra de livros europeus por personagens    portugueses. Sobre o com&eacute;rcio livreiro no Portugal do s&eacute;culo XVIII    e seus agentes, ver DOMINGOS, Manuela. <i>Livreiros de setecentos</i>. Lisboa:    Biblioteca Nacional de Portugal, 2000. Sobre a quest&atilde;o da encomenda de    gravuras e da constitui&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es de imagens    em Portugal nesse mesmo per&iacute;odo, ver MANDROUX-FRAN&Ccedil;A, Marie-Th&eacute;r&egrave;se.    <i>Catalogues de la collection d'estampes de Jean V, Roi de Portugal</i>. Lisboa/    Paris: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian/ Funda&ccedil;&atilde;o da    Casa de Bragan&ccedil;a/Centre Culturel Calouste Gulbenkian/ Biblioth&egrave;que    Nationale de France, 1996-2003, v.3. A obra de Mandroux-Fran&ccedil;a centra-se    na cole&ccedil;&atilde;o de gravura que o rei portugu&ecirc;s D. Jo&atilde;o    V encomendou a Pierre-Jean Mariette, um dos principais marchands da Europa do    s&eacute;culo XVIII.    <!-- ref --><br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> BRUM, Jos&eacute; Zeferino de Meneses.    Introdu&ccedil;&atilde;o. In: <i>Cat&aacute;logo dos retratos coligidos por    Diogo Barboza Machado</i>. Rio de Janeiro: G. Leuzinger e Filhos, 1893-1905,    v.1, p.I-VIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0104-8775201200010001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a> BRIGOLA, Jo&atilde;o Carlos Pires.    <i>Colec&ccedil;&otilde;es, gabinetes e museus em Portugal no s&eacute;culo    XVIII</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 2003, p.507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0104-8775201200010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back7"></a><a href="#top7">7</a> BRIGOLA, Jo&atilde;o Carlos Pires.    <i>Colec&ccedil;&otilde;es, gabinetes e museus em Portugal no s&eacute;culo    XVIII</i>, p.508-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0104-8775201200010001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back8"></a><a href="#top8">8</a> Sobre a import&acirc;ncia de documentos    para a escrita da hist&oacute;ria, ver GRAFTON, Anthony. <i>As origens tr&aacute;gicas    da erudi&ccedil;&atilde;o:</i> pequeno tratado sobre a nota de rodap&eacute;.    Campinas: Papirus, 1998;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0104-8775201200010001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> KRIEGEL, Blandine. <i>L'histoire &agrave; l'age classique</i>.    Paris: PUF, 1988, v.4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0104-8775201200010001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back9"></a><a href="#top9">9</a> MACHADO, Diogo Barbosa. Pr&oacute;logo.    In: <i>Bibliotheca lusitana</i>. Lisboa Ocidental: Oficina de Ant&oacute;nio    Isidoro da Fonseca, 1741-1759, v.1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0104-8775201200010001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back10"></a><a href="#top10">10</a> Lisboa. Biblioteca Nacional de    Lisboa. <i>Carta de Diogo Barbosa Machado destinada ao Padre Frei Marceliano    da ascens&atilde;o</i>, 31 out. 1744.    <!-- ref --><br>   <a name="back11"></a><a href="#top11">11</a> SOUZA, Manuel Caetano de. Introdu&ccedil;&atilde;o    paneg&iacute;rica na confer&ecirc;ncia p&uacute;blica da Academia Real da Hist&oacute;ria    Portuguesa. In: MACHADO, Diogo Barbosa. Aplausos orat&oacute;rios e po&eacute;ticos    no complemento de anos dos seren&iacute;ssimos reis, rainhas e pr&iacute;ncipes    de Portugal. <i>Biblioteca Nacional</i>, v.1, p.224-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0104-8775201200010001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back12"></a><a href="#top12">12</a> SYLVA, Manoel Telles da. <i>Historia    da Academia Real da Historia Portugueza</i>. Lisboa: Oficina de Joseph Antonio    da Sylva, 1727, p.85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0104-8775201200010001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back13"></a><a href="#top13">13</a> SYLVA, Manoel Telles da. <i>Historia    da Academia Real da Historia Portugueza</i>, p.85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0104-8775201200010001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back14"></a><a href="#top14">14</a> BLUTEAU, Raphael. <i>Vocabulario    portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico</i> (...) Coimbra:    Real Col&eacute;gio das Artes da Cia de Jesus, 1713, v.4, p.39-40. (Grifo nosso).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0104-8775201200010001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back15"></a><a href="#top15">15</a> KOSELLECK, Reinhart. <i>Futuro    pasado</i>: para uma sem&aacute;ntica de los tiempos hist&oacute;ricos. Barcelona,    Buenos Aires, M&eacute;xico: Paidos, &#91;s.d.&#93;, p.43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0104-8775201200010001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back16"></a><a href="#top16">16</a> CATROGA, Fernando. <i>Os passos    do homem como restolho do tempo:</i> mem&oacute;ria e fim do fim da hist&oacute;ria.    Coimbra: Almedina, 2009, p.63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0104-8775201200010001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back17"></a><a href="#top17">17</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Diogo Barbosa    Machado. <i>Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro,</i> Rio de Janeiro,    v.1, p.39, 1876.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0104-8775201200010001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back18"></a><a href="#top18">18</a> CASTRO, C&eacute;sar Augusto. <i>Hist&oacute;ria    da biblioteconomia brasileira</i>. Bras&iacute;lia: Thesaurus, 2000, p.44-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0104-8775201200010001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back19"></a><a href="#top19">19</a> BRUM, Jos&eacute; Zeferino de Meneses.    Introdu&ccedil;&atilde;o. In: <i>Cat&aacute;logo dos retratos colligidos por    Diogo Barboza Machado</i>, p.I-VIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0104-8775201200010001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back20"></a><a href="#top20">20</a> Lygia Cunha entrou na Biblioteca    Nacional em 1941, depois de fazer um curso de dois anos na pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o.    Sua forma&ccedil;&atilde;o &eacute; marcada pela erudi&ccedil;&atilde;o e por    viagens de estudo para v&aacute;rios lugares da Europa, como Fran&ccedil;a,    Alemanha e It&aacute;lia. Exerceu as fun&ccedil;&otilde;es de chefe da se&ccedil;&atilde;o    de Iconografia (criada com a reforma de 1945/46) e diretora da Divis&atilde;o    de Obras Raras, que compreendia os setores de Manuscritos, M&uacute;sica, Iconografia    e Obras Raras propriamente ditas. A viv&ecirc;ncia que Lygia Cunha teve durante    o longo per&iacute;odo em que trabalhou na Biblioteca Nacional (1941-1990) &eacute;    importante para entendermos um pouco da hist&oacute;ria da Cole&ccedil;&atilde;o    Barbosa Machado, uma vez que essa bibliotec&aacute;ria, al&eacute;m de ter lidado    com a compila&ccedil;&atilde;o de retratos, vivenciou v&aacute;rios momentos    daquela institui&ccedil;&atilde;o. Ela passou, por exemplo, por um processo    em que a erudi&ccedil;&atilde;o, anteriormente caracter&iacute;stica indispens&aacute;vel    para as estudantes de biblioteconomia, foi cedendo cada vez mais lugar &agrave;    t&eacute;cnica. O per&iacute;odo em que Rubem Borba de Moraes esteve &agrave;    frente da diretoria da biblioteca (1945-47) &eacute; caracterizado pela reorganiza&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica dos servi&ccedil;os, pelo in&iacute;cio da classifica&ccedil;&atilde;o    do acervo baseada em normas universais - o m&eacute;todo Dewey - e pela higieniza&ccedil;&atilde;o    dos livros; CUNHA, Lygia. <i>Entrevista a Rodrigo Bentes Monteiro e Ana Paula    Sampaio Caldeira</i>. Rio de Janeiro: Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico    Brasileiro, 02 mar. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0104-8775201200010001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back21"></a><a href="#top21">21</a> BRUM, Jos&eacute; Zeferino de Meneses.    Introdu&ccedil;&atilde;o. In: <i>Cat&aacute;logo dos retratos colligidos por    Diogo Barboza Machado</i>, p.I-VIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0104-8775201200010001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back22"></a><a href="#top22">22</a> BRUM, Jos&eacute; Zeferino de Meneses    et al. <i>Registro dos relat&oacute;rios trimestrais da sec&ccedil;&atilde;o    de estampas da Biblioteca Nacional</i>. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional,    1876-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0104-8775201200010001000030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back23"></a><a href="#top23">23</a> CUNHA, Lygia. <i>Entrevista a Rodrigo    Bentes Monteiro e Ana Paula Sampaio Caldeira.</i>    <!-- ref --><br>   <a name="back24"></a><a href="#top24">24</a> BRUM, Jos&eacute; Zeferino de Meneses.    Introdu&ccedil;&atilde;o. In: <i>Cat&aacute;logo dos retratos colligidos por    Diogo Barboza Machado,</i> p.I-VIII. (Grifo nosso).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0104-8775201200010001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back25"></a><a href="#top25">25</a> DUTRA, Eliana de Freitas. <i>Rebeldes    liter&aacute;rios da rep&uacute;blica</i>: hist&oacute;ria e identidade nacional    no Almanaque Brasileiro Garnier (1903-1914). Belo Horizonte: UFMG, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0104-8775201200010001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="back26"></a><a href="#top26">26</a> TUBINO, Nina. <i>Sinopse biogr&aacute;fica    de Benjamim Franklin Ramiz Galv&atilde;o</i> (Bar&atilde;o de Ramiz) 1846-1938.    Bras&iacute;lia: &#91;s.n&#93;, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0104-8775201200010001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back27"></a><a href="#top27">27</a> Conv&eacute;m atentar aqui, como    nos lembra &Acirc;ngela de Castro Gomes, para a inexist&ecirc;ncia da Hist&oacute;ria    como um campo aut&ocirc;nomo no s&eacute;culo XIX e nas primeiras d&eacute;cadas    do XX. Quando nos referimos a Ramiz Galv&atilde;o e seus pares do IHGB como    "historiadores de of&iacute;cio", pensamos em um grupo de eruditos que se interessava    e circulava por um amplo espa&ccedil;o de conhecimento, que envolvia a hist&oacute;ria,    a etnologia, a geografia, a literatura e o estudo de l&iacute;nguas ind&iacute;genas.    Esse grupo, por sua vez, tinha as suas obras legitimadas pelo Instituto Hist&oacute;rico,    local por excel&ecirc;ncia de produ&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica    da &eacute;poca; GOMES, &Acirc;ngela de Castro. <i>Hist&oacute;ria e historiadores</i>.    Rio de Janeiro: FGV, 1996, p.75.    <!-- ref --><br>   <a name="back28"></a><a href="#top28">28</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Vida de Frei    Camilo. <i>Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro</i>, Rio de Janeiro,    v.?, p.159, 1884/85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0104-8775201200010001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="back29"></a><a href="#top29">29</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Diogo Barbosa    Machado, p.35.    <br>   <a name="back30"></a><a href="#top30">30</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Diogo Barbosa    Machado, p.8. (Grifo nosso)    <br>   <a name="back31"></a><a href="#top31">31</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Diogo Barbosa    Machado, p.6-7.    <br>   <a name="back32"></a><a href="#top32">32</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. Diogo Barbosa    Machado, p.20-21. (Grifo nosso)    <br>   <a name="back33"></a><a href="#top33">33</a> CATROGA, Fernando. <i>Os passos    do homem como restolho do tempo</i>, p.65.    <br>   <a name="back34"></a><a href="#top34">34</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. <i>Livro    do centen&aacute;rio</i> (1500-1900). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910.    <br>   <a name="back35"></a><a href="#top35">35</a> GALV&Atilde;O, Ramiz. (org.) <i>Galeria    de hist&oacute;ria brasileira</i> 1500-1900. Rio de Janeiro: H. Garnier, &#91;s.d&#93;,    p.1.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back36"></a><a href="#top36">36</a> GUIMAR&Atilde;ES, Manoel Luiz Salgado.    Na&ccedil;&atilde;o e civiliza&ccedil;&atilde;o nos tr&oacute;picos. O Instituto    Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro e o projeto de uma hist&oacute;ria    nacional. <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, Rio de Janeiro, n.1, p.5-27, 1988.    p.2 e 6.    <br>   <a name="back37"></a><a href="#top37">37</a> TURIN, Rodrigo. Uma nobre, dif&iacute;cil    e &uacute;til empresa: o ethos do historiador oitocentista. <i>Hist&oacute;ria    da Historiografia,</i> n.2, p.12-28, 2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.ichs.ufop.br/rhh/" target="_blank">www.ichs.ufop.br/rhh/</a>&gt;.    <br>   <a name="back38"></a><a href="#top38">38</a> Estas reflex&otilde;es se baseiam    no artigo j&aacute; citado de autoria de Rodrigo Turin, no qual ele analisa    tr&ecirc;s elementos recorrentes na ret&oacute;rica dos historiadores oitocentistas    e que modelam o trabalho de escrita do historiador: a sinceridade, a cientificidade    e a utilidade.    <br>   <a name="back39"></a><a href="#top39">39</a> HORCH, Rosemarie &Eacute;rika.    <i>Entrevista a Rodrigo Bentes Monteiro</i>. S&atilde;o Paulo: Instituto de    Estudos Brasileiros, USP, 20 out. 2005.    <br>   <a name="back40"></a><a href="#top40">40</a> HORCH, Rosemarie &Eacute;rika.    <i>Entrevista a Rodrigo Bentes Monteiro.</i></font></p>      ]]></body><back>
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