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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>F&aacute;bio    Py Murta de Almeida</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Historiador e mestre    em Ci&ecirc;ncias da Religi&atilde;o pela UMESP. Professor de Hist&oacute;ria    da Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT) e pesquisador do grupo de Arqueologia    do Mundo B&iacute;blico ligado a UMESP Faculdade Batista do Rio de Janeiro.    Rua Jose Higino 416, Tijuca, Rio de Janeiro. CEP: 20510-412. <a href="mailto:pymurta@gmail.com">pymurta@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FUNARI, Pedro    Paulo. <i>Arqueologia</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2010, 125p.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O livro <i>Arqueologia</i>,    do professor doutor Pedro Paulo Funari, livre docente de Hist&oacute;ria da    Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), &eacute; uma composi&ccedil;&atilde;o    &iacute;mpar, indicado especialmente aos cursos introdut&oacute;rios de Hist&oacute;ria,    Arqueologia e de Hist&oacute;ria da Literatura do Antigo Oriente Pr&oacute;ximo.    Seu texto tem forma agrad&aacute;vel e objetiva; m&eacute;rito do autor, fruto    dos anos de atividade profissional e dedica&ccedil;&atilde;o ao estudo arqueol&oacute;gico.    Assim, pela larga experi&ecirc;ncia na tem&aacute;tica, Pedro Funari busca objetivamente    apresentar a Arqueologia tendo em vista o ramo da hist&oacute;ria cultural,    isso com uma linguagem f&aacute;cil e direta; aponta logo no in&iacute;cio da    obra que a arqueologia n&atilde;o se compreende apenas pelas descobertas das    figuras e das imagens, mas institui-se num campo muito reflexivo, envolvendo    tanto a leitura, quanto a pr&aacute;tica nos s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Olhando mais detidamente    sua obra, Pedro Funari come&ccedil;a informando basicamente o "estado da quest&atilde;o"    da ci&ecirc;ncia arqueol&oacute;gica, definindo seu objeto de estudo e a evolu&ccedil;&atilde;o    do pensamento. Para ele, a arqueologia consiste nos conhecimentos dos prim&oacute;rdios,    dos relatos das coisas antigas. S&oacute; mais recentemente, por conta do campo    de atua&ccedil;&atilde;o e de envolvimento (di&aacute;logo) com ci&ecirc;ncias    sociais, &eacute; que a arqueologia vem se tra&ccedil;ando de forma interdisciplinar.    Com ela, n&atilde;o se visa revelar apenas o sentido das coisas e dos artefatos    desenterrados, mas configurar que os "ecofatos e biofatos s&atilde;o vest&iacute;gios    do meio ambiente e restos dos animais que passaram sobre apropria&ccedil;&atilde;o    do ser humano", o que retira a limita&ccedil;&atilde;o do estudo arqueol&oacute;gico    apenas ao passado, mas, tamb&eacute;m, liga-o ao presente, como o &eacute; na    arqueologia industrial. Mesmo assim, pensando especificamente na idealiza&ccedil;&atilde;o    do passado, indica-se que esse pensamento &eacute; metodologicamente pautado    nas etapas arqueol&oacute;gicas, sempre olhando dados e artefatos. Materiais    entre os quais podem ser vistos indicativos das rela&ccedil;&otilde;es sociais    que foram produzidos, uma vez que atuam como mediadores das atividades humanas,    determinando estere&oacute;tipos e comportamentos de uma sociedade. Para a atividade    &eacute; fundamental entender que a partir da "reintegra&ccedil;&atilde;o dos    artefatos a um contexto cultural como o nosso e em um inv&oacute;lucro da rela&ccedil;&atilde;o    de poder que o artefato produz, o mesmo adquire import&acirc;ncia crucial",    portanto, o arque&oacute;logo tem que inserir tais objetos no interior das rela&ccedil;&otilde;es    sociais em que foram produzidos, fazendo-os exercer novas fun&ccedil;&otilde;es    de media&ccedil;&otilde;es. Portanto, &eacute; dentro da cultura,<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>    como desenvolvimento e cria&ccedil;&atilde;o humana, que o objeto transforma-se    em artefato, recebendo uma formula&ccedil;&atilde;o junto &agrave; humanidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro nicho de    saberes destacado pelo autor s&atilde;o as formas de pesquisa na arqueologia:    indicando um "complexo de t&eacute;cnicas utilizadas pelo arque&oacute;logo,    formula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o neutras, que se inserem num complexo de    quest&otilde;es metodol&oacute;gicas que derivam das pol&iacute;ticas do arque&oacute;logo".    T&eacute;cnicas, por exemplo, como o desenterramento e a escava&ccedil;&atilde;o    estratificada. Elas teriam evolu&iacute;do ao longo do tempo dividindo-se em    tr&ecirc;s importantes fases: a primeira, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a    superposi&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis de ocupa&ccedil;&atilde;o e com    data&ccedil;&atilde;o relativa aos artefatos; a segunda, com o estudo e registro    dos estratos; e a terceira, com a escava&ccedil;&atilde;o de amplas superf&iacute;cies,    preocupada com o estudo do funcionamento da sociedade que ali viveu. Infelizmente,    no Brasil, inicialmente, houve uma "desvaloriza&ccedil;&atilde;o do contexto    hist&oacute;rico devido &agrave;s grandes importa&ccedil;&otilde;es de t&eacute;cnicas    e ideologias (no caso, arqueol&oacute;gicas), advindas da Europa, ou seja, a    valoriza&ccedil;&atilde;o de um passado externo ocasionou a desvaloriza&ccedil;&atilde;o    da mem&oacute;ria nativa (ind&iacute;gena)". Ainda sim, apesar do desenvolvimento    exemplar que a arqueologia vem tendo no Brasil, ela est&aacute; longe de ser    valorizada. Percebe-se que recentemente est&aacute; ocorrendo uma grande reviravolta    na pesquisa brasileira e internacional, trazendo um di&aacute;logo entre a arqueologia    brasileira e a mundial, o que dinamiza o estudo nacional. No detalhe da rela&ccedil;&atilde;o    entre a arqueologia e as outras &aacute;reas do conhecimento, Pedro Funari mostra    que essa ci&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser desarticulada das outras disciplinas.    Deve estar relacionada com as demais ci&ecirc;ncias (como a hist&oacute;ria,    a antropologia, a biologia, a geografia, a f&iacute;sica, a arte, a arquitetura,    a filosofia, a lingu&iacute;stica e a museologia), pois elas s&atilde;o e foram    fundamentais para sua evolu&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; indicamos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No fim, a obra    Pedro Funari faz uma explana&ccedil;&atilde;o e um convite ao aprendizado arqueol&oacute;gico    no Brasil. Indica, antes de qualquer coisa, que o arque&oacute;logo deve ter    o compromisso com a burocracia regional e responsabilidade social. Tamb&eacute;m,    aponta que deve haver respeito para com a sociedade no todo, desde grupos majorit&aacute;rios    at&eacute; os minorit&aacute;rios. Para ele, a arqueologia &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a> que, por    isso, tem algumas dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o no Brasil, at&eacute;    mesmo por que, como profiss&atilde;o, tem um dif&iacute;cil reconhecimento por    n&atilde;o haver uma gradua&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica na &aacute;rea.    Mesmo assim, existe p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea de    atividade profissional, e pode-se atuar como professor, pois em museus, laborat&oacute;rios,    arqueologia (setor burocr&aacute;tico) de contrato, como maneira de proteger    o patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico, e na gest&atilde;o tur&iacute;stica    do patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico brasileiro. Enfim, algumas &aacute;reas    podem servir como convite ao estudo e trabalho arqueol&oacute;gico. Merece destaque    a gama de projetos e novos horizontes arqueol&oacute;gicos, pois nosso territ&oacute;rio    &eacute; um vasto campo de pesquisa sobre as comunidades que aqui habitaram    no passado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por fim, com vasto    conhecimento acerca da ci&ecirc;ncia arqueol&oacute;gica, n&atilde;o s&oacute;    no Brasil, mas tamb&eacute;m, em outros pa&iacute;ses em que realiza suas pesquisas,    Pedro Paulo Funari exp&otilde;e de maneira singular, sucinta e principalmente    realista uma ampla vis&atilde;o acerca da arqueologia e do seu desenvolvimento    ao longo dos &uacute;ltimos s&eacute;culos. Sobre a abordagem dos conceitos    e objetos de estudos, o livro <i>Arqueologia</i> pode ser encarado como um belo    convite ao seu estudo como disciplina acad&ecirc;mica. Caso os leitores queiram    aprofundar os apontamentos apresentados pelo autor, vale a pena &agrave; consulta    de obras, como, por exemplo, a <i>Hist&oacute;ria do pensamento arqueol&oacute;gico</i>    de Bruce G. Trigger<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a> e algumas    obras da vasta bibliografia do professor Pedro Funari.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>    Ao fim da resenha, destacamos a admira&ccedil;&atilde;o pelo esfor&ccedil;o    do autor que, mesmo em um texto relativamente pequeno, consegue ter riqueza    de detalhes e n&atilde;o deixa de enaltecer as quest&otilde;es hist&oacute;rico-metodol&oacute;gicas    da disciplina. Por isso, pensamos que cumpriu o objetivo de explorar de forma    suscita quest&otilde;es que vem levantado a arqueologia nos &uacute;ltimos anos,    bem como exauriu o intento de introduzir suas quest&otilde;es de forma geral.    Assim, em termos de historiografia, o autor faz uma aproxima&ccedil;&atilde;o    da disciplina de arqueologia junto a um ramo da hist&oacute;ria, a luz dos termos    e conceitos reconhecidos na hist&oacute;ria cultural. Propriamente, aproxima    a variante da nova hist&oacute;ria cultural, principalmente a estilizada por    Roger Chartier, com as quest&otilde;es que v&ecirc;m levantado os embates da    cultura material escavada como as: representa&ccedil;&otilde;es, poder e pr&aacute;ticas    culturais - ajudando no di&aacute;logo hist&oacute;ria e arqueologia sobre o    prisma do conceito simb&oacute;lico de cultura de Clifford Geertz e de Marshall    Sahlins.<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a> Agora, pensando    mais longe, &eacute; urgente que as editoras se preocupem em produzir livros    desse tipo, sendo relevantes ao nicho dos alunos e aos cursos introdut&oacute;rios    de n&iacute;vel superior. Assim, fica aqui o apelo para a produ&ccedil;&atilde;o    de livros e materiais que sejam sucintos e que possam da melhor forma introduzir    o estudo dos discentes &agrave;s cadeiras acad&ecirc;mico-cient&iacute;ficas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Resenha recebida    em: 14/09/2011    <br>   Aprovado em: 14/10/2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    A no&ccedil;&atilde;o de cultura utilizada pelo autor &eacute; ligada &aacute;    hist&oacute;ria cultural, vista em FUNARI, Pedro Paulo A. e PELEGRINI, Sandra    de C&aacute;ssia Ara&uacute;jo. <i>Patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico e cultural</i>.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. Quando Pedro Funari utiliza da contribui&ccedil;&atilde;o    decisiva de Roger Chartier, autor que aponta a hist&oacute;ria cultural relacionada    com a "no&ccedil;&atilde;o de 'representa&ccedil;&atilde;o' e de 'pr&aacute;ticas'    (...) tanto os objetos culturais seriam produzidos 'entre as pr&aacute;ticas    e representa&ccedil;&otilde;es', como os sujeitos produtores e receptores da    cultura circulariam entre esses dois p&oacute;los, que de certo modo corresponderiam    respectivamente aos 'modos de fazer' e aos 'modos de ver'", como cita BARROS,    Jos&eacute; D'Assun&ccedil;&atilde;o. <i>O campo da hist&oacute;ria</i>: especialidades    e abordagens. Petr&oacute;polis: Vozes, 2004, p.76.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Sobre a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    e seu destaque dentro da hist&oacute;ria pol&iacute;tica, vide a descri&ccedil;&atilde;o    de Marieta de Moraes Ferreira quando comenta a obra de Ren&eacute; R&eacute;mond:    "Nova Hist&oacute;ria Pol&iacute;tica (...) ao se ocupar do estudo e da participa&ccedil;&atilde;o    na vida pol&iacute;tica (...) integra todos os atores, mesmo os mais modestos,    perdendo assim o car&aacute;ter elitista e individualista e elegendo as massas    como seu objeto central", R&Eacute;MOND, Ren&eacute;. <i>Por uma hist&oacute;ria    pol&iacute;tica.</i>Rio de Janeiro: FGV, 2003, p.7. Assim, a a&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica permeia o respeito aos atores sociais de diferentes grupos ligados    as redes de poder que constituem a sociedade.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> TRIGGER, Bruce G., <i>Hist&oacute;ria    do pensamento arqueol&oacute;gico</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Ordep Trindade    Serra. S&atilde;o Paulo: Odysses Editora, 2004.    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Citamos aqui, por exemplo, as duas    obras: FUNARI, Pedro Paulo A. Arqueologia e patrim&ocirc;nio, Erechim: Habilis,    2007; e FUNARI, Pedro Paulo A. (org.). <i>Cultura material e arqueologia hist&oacute;rica.</i>    Campinas: IFCH/UNICAMP, 1999.    <br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> Assim para Clifford Geertz e Marshall    Sahlins o conceito de cultura pode ser definido como um conjunto de sistemas    de signos e significados constitu&iacute;dos pelos grupos sociais. Portanto,    para interpretar as culturas, no caso do antrop&oacute;logo Clifford Geertz    significa interpretar: s&iacute;mbolos, mitos, ritos. Agora, partindo de Clifford    Geertz, Marshall Sahlins defende que os grupos de uma cultura tamb&eacute;m    "representam" suas interpreta&ccedil;&otilde;es do passado no presente. Vide    para isso, GEERTZ, Clifford. <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o das culturas</i>.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1978; e SAHLINS, Marshall. <i>Ilhas de hist&oacute;ria</i>.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.</font></p>      ]]></body>
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